20 de mai de 2012

Garganta-profunda à solta no Vaticano e Santa Sé quer instauração de processos criminais

Papa e secretário vítimas de cartas furtadas e publicadas
A assessoria de imprensa da Santa Sé acaba de anunciar que acionará a Justiça para processar criminalmente, por furto, receptação e divulgação de documentos reservados, o jornalista Gianluigi Nuzzi, autor do livro intitulado “Sua Santidade”.
Nesse livro, – que é um lançamento da editora Chiarelettere –, estão publicados documentos classificados como sigilosos pela Santa Sé e, também, cartas recebidas pelo papa Bento XVI e o seu jovem secretário particular e grande tenista, monsenhor Georg Gaenswein.
Diante de recentes fugas de notícias, — incluída a informação de um alto prelado de que Ratzinger seria em breve assassinado –, o papa resolveu constituir uma comissão de investigação e designou o cardeal Julian Herranz para a sua presidência.
Essa Comissão dirigida por Herranz, pelo que se verifica dos documentos e cartas publicadas no livro de Gianluigi Nuzzi, está longe de descobrir o “Deep Troat” do Vaticano, ou seja, o “Garganta Profunda” que, na década de 1970, repassava inforções da Casa Branca, no caso Watergate. Também não inibiu as fugas de noticiais que circulam, secretamente, pelos gabinetes vaticanos.
Uma das cartas do livro diz respeito ao chamado “escândalo Buffo”, diretor da publicação denominada Avvenir, pertencente à Confederação dos Bispos de Roma.
Dino Boffo, jornalista e católico, era o diretor-responsável do diário Avvenire. Uma carta, vazada do Vaticano e publicada no jornal do então premier Berlusconi (à época sob ataque do Avvenire por suas orgias), apontava Boffo como homossexual envolvido com um homem casado e com protestos da esposa.
O Il Giornale, – do irmão-laranja de Berlusconi –, quis mostrar, com a publicação do “escândalo Boffo”, que a Igreja, pelo diretor do Avvenire, também tinha “teto de vidro” com relação a escândalos sexuais.
Boffo afirmou que se tratava de fato falso, demitiu-se da direção do Avvenire. A Conferência dos Bispos, pelo cardeal Bagnasco, aceitou a demissão com nota de confiar em Boffo e de sentir muito essa sua decisão pessoal e irrevogável  de deixar a direção do Avvenire.
O livro “Sua Santidade” já é um recordista de vendas e estão sendo preparadas edições em várias línguas.
A Santa Sé e o papa Ratzinger imaginavam um período de tranquilidade na mídia. Isso depois da exumação e remoção, da Basílica de  Santo Apolinário, do corpo de um dos “capi” da organização criminosa romana denominada Banda da Magliana ( a imprensa brasileira, erradamente, noticiou que se tratava de um mafioso).
O papa Ratzinger e a Santa Sé não esperavam o livro de Gianluigi Nuzzi, anunciado, com destaque especial, pelo jornal Corriere della Sera. Assim, a Santa Sé se viu obrigada, pela assessoria de imprensa, a contra-atacar e a; falar de furtos de documentos, receptações e quejandos.
Pano rápido. Que o Senhor se apiede de certas almas. E também das nossas, caro leitor.
Wálter Fanganiello Maierovitch
No Terra Magazine
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Veta Tudo Dilma: Em Defesa do Código Florestal

O projeto que altera o Código Florestal brasileiro, votado na Câmara dos Deputados, representa a pauta máxima ruralista. A bancada apoiadora do agronegócio e defensora daqueles que cometeram crimes ambientais mostrou sua coesão e conseguiu aprovar um texto de forma entrelaçada, comprometendo todo o projeto.
O texto está de tal forma que se a presidenta Dilma Rousseff vetar partes dele, continua a mesma coisa. Exemplo: se vetar a distância mínima de floresta recuperada na beira de rios que ficou em 15 metros – atualmente é de 30m - o texto ainda fica sem nenhuma menção de recuperação nestas áreas. O turismo predatório em mangues também fica permitido, segundo o projeto.
Os ruralistas também aproveitaram para dificultar o processo de Reforma Agrária, com a restrição de dados governamentais para a população e até mesmo com a tentativa de anular as áreas improdutivas por desrespeito ao meio ambiente, tal como manda a constituição.
O pousio, ou seja, o descanso que se dá a terra cultivada, ficou sem qualquer restrição de tempo e de técnica. Isso acaba com o conceito de área improdutiva. O texto viabiliza as áreas que estavam paradas desde a década de 1990 com regeneração de florestas. São 40 milhões de hectares nesta situação.
Além disso, os ruralistas fragilizaram o Cadastro Ambiental Rural, de forma que a população não tenha acesso aos dados, escondendo todos aqueles que cometem crimes ambientais e ferindo o princípio da transparência governamental para a sociedade.
A presidenta Dilma tem até a semana que vem para anunciar seus vetos, mas movimentos sociais e organizações ambientalistas já estão mobilizados para que a presidente derrube integralmente o projeto que saiu do Congresso Nacional.
A presidenta tem nas mãos ainda vasto apoio de parlamentares, organizações camponesas, sindicatos, sociedades científicas, entidades da igreja pelo veto global.
O papel dos setores progressistas é fazer pressão, enfrentar ideologicamente os ruralistas e criar um clima para que a presidenta Dilma faça o veto completo desse projeto. O meio ambiente e a Reforma Agrária estão seriamente comprometidos com esse texto que sai do Congresso Nacional.
Luiz Zarref
Dirigente da Via Campesina Brasil
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Bingo! A Itália já sabia do Cachoeira

Em 2004, jornalistas peninsulares falavam das ligações do bicheiro com a máfia
4 de novembro de 2004. Anotem a data porque foi nesse dia que o nome de Carlinhos Cachoeira se tornou famoso também na Itália. Foi quando a principal revista semanal da península, L’Espresso, publicou uma reportagem primorosa sobre as conexões entre as organizações criminosas italianas que com a globalização se espalharam pelo mundo em busca de países onde lavar o dinheiro do narcotráfico, e de empresários de bingos e caça-níqueis. “Azar de Estado” é o título da matéria assinada pelo repórter investigativo Marco Lillo que, além de descrever as relações suspeitas entre as máfias e os monopólios do Estado no setor das apostas recém-legalizadas na Itália, apresentava Cachoeira como o “chefão das apostas ilegais no Brasil”.
De acordo com Lillo, e também outro jornalista italiano – Francesco Giappichini, que nos informa no seu livro Brasile Terzo Millenio – Cachoeira começou a fazer lobby para a Gtech Corporation, empresa americana líder no mundo das lotéricas, até agosto de 2006, quando foi comprada pela italiana Lottomatica SPA por 4,7 bilhões de dólares. Na época, a Gtech era a responsável pelo sistema informatizado das apostas gerenciadas pela Caixa Econômica Federal e, depois da fusão com a Lottomatica, saiu de Wall Street para passar a coletar dinheiro na Bolsa de Milão. Outra conexão com a Itália.
Cachoeira, escreve Lillo, “queria renovar o contrato das lotéricas com a Gtech, operadora do sistema de loterias da Caixa Econômica Federal contratada durante o governo Fernando Henrique Cardoso, por um valor de uns 130 milhões de dólares”.
Com este propósito, contatou Waldomiro Diniz, já presidente da Loterj, a companhia estadual que trata das lotéricas no Rio de Janeiro e já assessor do então ministro da Casa Civil José Dirceu. O “sonho”de Cachoeira, acrescenta Giapichini, era “a conquista do mercado das apostas online”, que valem bilhões, “começando por Goiás, sua terra natal. Na década de 70, Carlinhos conseguiu estender suas atividades a Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Rio”.
A página 61 do livro traz o trecho mais interessante: “Na sua ascensão, Cachoeira chega finalmente a definir uma estratégia conjunta com a Gtech” e “quem abençoou o acordo entre ele e a multinacional americana foi mesmo Diniz”. Informações do Ministério Público Federal confirmam os textos dos jornalistas italianos, bem como a CPI dos Bingos.
O acordo entre Cachoeira e a Gtech foi acertado “no hotel Blue Tree, em Brasília”, no começo de 2003, enquanto Waldomiro Diniz “ajudaria na renovação do contrato da Gtech com a Caixa”. Não há dúvida de que o governo Lula criou obstáculos à atuação da dupla “Gtech-Cachoeira” – primeiro o governo vetou o decreto dos bingos e depois rompeu o contrato da multinacional com a Caixa em 2005. E é certo que ao então senador tucano Antero Paes de Barros Neto, natural de Cuiabá, Carlinhos entregou o vídeo provando a corrupção que o envolvia com Diniz.
É certo também o fato de que, em fevereiro de 2004, o semanário Época publicou o conteúdo daquele vídeo depois que Paes de Barros o entregou ao Ministério Público Federal, provocando o que a mídia local batizou como “o primeiro escândalo do governo Lula”. Provavelmente casual, mas com certeza macabro, enfim, é o fato de que Luiz França de Moura Neto, o primo do político mato-grossense, foi encontrado morto, com o rosto e as mãos queimadas, no começo de março de 2004. Certo ainda é que, em menos de dois meses, o mediador Diniz e o “bicheiro” Carlinhos foram condenados pela Justiça carioca, respectivamente, a 12 e 10 anos e meio por corrupção.
A Lottomatica comprou a Gtech em agosto de 2006 e isso, com certeza, é casualidade, mas tem outro fator relevante que interessa ao Brasil e que, uma vez mais, chega da Itália: a lavagem bilionária de dinheiro das máfias italianas em nosso país.
Para indagar sobre o tema, CartaCapital entrou em contato com o atual procurador-geral de Catânia, na Sicília, Giovanni Salvi. Há 14 anos ele era uns dos promotores mais ativos em Roma. Com a coordenação do Departamento de Investigação Antimáfia Italiano (DIA), juntamente com o colega recém-falecido Pietro Saviotti e, graças à colaboração do FBI, Salvi conseguiu documentos probatórios que mostravam como o Brasil havia se transformado na meta preferida dos mafiosos para lavar o dinheiro do tráfico internacional de drogas.
Fácil imaginar o instrumento escolhido para tanto. Os bingos eletrônicos, as máquinas caça-níqueis e, no Panamá e na Argentina, os cassinos. A operação, que na Itália levou em 1998 à prisão de 46 criminosos, passou à história como Operazione Malocchio, ou seja, Mau-Olhado, referência aos Cachoeiras do mundo. “A operação fundou-se sobre o tráfico para a Itália de várias centenas de quilos de cocaína” conta Salvi a CartaCapital. “Na chefia dessa organização estava o foragido romano Fausto Pellegrinetti, que usava o pseudônimo de Franco e trabalhava para Cosa Nostra. O Brasil foi uns dos principais países onde os lucros da droga foram aplicados, através de mediadores da Córsega, principalmente no jogo e nas máquinas caça-níqueis. Nossa fonte principal, Lillo Rosario Lauricella, mafioso de Palermo e braço direito de Pellegrinetti, abandonou nossa proteção e foi morto na Venezuela em 2002”.
Foram 17 milhões de dólares que, em 1997, a dupla Pellegrinetti-Lauricella lavou, comprando e instalando milhares e milhares de máquinas nas salas de bingo brasileiras. O mafioso siciliano Lauricella contatou a empresa ibérica Recreativos Franco por meio de Alejandro Ortiz, um brasileiro que hoje é considerado referência no mercado do jogo ibérico. Pelo menos quatro empresas nacionais entraram em parceria com o até hoje foragido Pellegrinetti, escreve Marco Lillo: a Bmt Brasil Máquinas e Tecnologia Ltda., a Dimares Distribuidora de Máquinas Recreativas Ltda., a Bingo Matic Produtos Eletrônicos Ltda. e a Startec. “Das investigações sobre essa frente”, comenta Salvi, “nada sei. A única coisa que posso dizer é que nós passamos todas as informações às autoridades brasileiras”.
Paolo Manzo, na Carta Capital
No Viomundo
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CPMI: versão adotada pela mídia do ‘acordão’ PT-PMDB-PSDB é um equívoco

A mídia adotou uma linha equivocada ao insistir que houve um acordão entre PT-PMDB-PSDB na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga o caso Carlos Cachoeira. Segundo tal versão o objetivo de pretenso acordo seria, entre outras coisas, o de não convocar os governadores até agora citados nos grampos do bicheiro e seu círculo de relações. Pretende-se vender a falsa ideia de que algo que mal começou teria terminado em pizza.
Minha avaliação é outra. Entendo que o roteiro adotado pela Comissão de Inquérito é correto e objetivo: estudar todos os autos e áudios, ouvir os delegados responsáveis pelos inquéritos que deram origem à CPI – como já fez –, convocar os auxiliares dos governadores e da Delta. É o caminho certo para decidir se, em seguida, convoca ou não os três governadores, como quer o PSDB, ou apenas Marconi Perillo, como querem PT e PMDB.
O prosseguimento da linha de trabalho adotada pela CPI mista do Congresso vai permitir, também, que se tome decisões sobre a convocação ou não de procuradores e jornalistas. Se se investiga ou não a revista VEJA e sua relação com o esquema Carlos Cachoeira-Demóstenes Torres.

Diversionismo

Não podemos e não devemos nos deixar levar por incidentes como o da não convocação dos governadores nesta semana e o torpedo do deputado Cândido Vaccarezza para o governador Sérgio Cabral – um incidente incapaz de definir o destino de uma CPMI. É um erro confundir tais incidentes com indícios, provas e elementos para investigar o crime organizado e suas ramificações nos três poderes do país.
Há indícios sim, e são muito fortes, sobre a participação decisiva no esquema criminoso de um senador que foi líder do DEM e da oposição. Um senador que foi membro do Ministério Público e que se apresentava como representante das demandas corporativas dos procuradores e do Judiciário, seja junto ao Legislativo, seja diante do Executivo.
Também são ridículas, risíveis mesmo, as tentativas de apresentar a relação do governador de Goiás com Carlos Cachoeira no mesmo nível das do Governador do Rio de Janeiro com o controlador da Delta. Em Goiás o crime organizado capturou o Estado e, neste caso, os elementos, indícios e provas já existentes mais do que justificam um investigação pela CPMI.

Mais diversionismo

Não vamos esquecer que no início do noticiário sobre a operação Monte Carlo, lá atrás, certa mídia fez de tudo para trazer de volta o caso Waldomiro Diniz. Naquela ocasião, a citação do meu nome era permanente, às vezes com mais destaque que a própria CPMI. Mas, com o aparecimento da participação do senador Demóstenes Torres no esquema, esta sim uma verdadeira bomba atômica que deixou muita gente desnorteada, a manobra diversionista ficou desmoralizada.
Depois vieram as tentativas de envolver membros do Governo Federal, como Olavo Noleto e até o ministro Alexandre Padilha. Depois, outra tentativa diversionista, pretendendo-se desviar o foco principal da CPMI para Brasília e a empresa Delta. E agora, finalmente, essa polêmica sobre a convocação dos governadores.
Indícios há, e são muitos. Insisto que a CPMI deve manter seu plano de trabalho. Aí sim, tendo as informações, vai decidir por exemplo se convoca ou não os jornalistas. Não adianta que certa mídia levante o argumento surrado da ameaça à liberdade de imprensa diante dos indícios que já apareceram.
Falou-se, por exemplo, em mais de 200 telefonemas entre o diretor da revista VEJA em Brasília e a dupla Carlos Cachoeira-Demóstenes Torres. Na troca de informações pela publicação de matérias de interesse de um esquema criminoso. No conluio para o uso de gravações obtidas ilegalmente. São coisas que precisam ser esclarecidas. E as informações já estão lá, nos inquéritos das operações Vegas e Monte Carlo. É preciso levantá-las em sua totalidade e, em seguida, divulgá-las.
E também não vamos nos esquecer da tentativa de aumentar ainda mais a confusão e a cortina de fumaça, insistindo com a versão de que o necessário esclarecimento da decisão da Procuradoria Geral da República de não investigar o esquema Carlos Cachoeira-Demóstenes Torres em 2009, como afirmou a Polícia Federal, seria algo envolvendo o PT e relacionando-o com o julgamento da Ação Penal 470 no Supremo Tribunal Federal, chamada de mensalão.
Se a CPMI seguir seu roteiro de buscar e dar transparência a todas as informações, nada do que a mídia está prevendo acontecerá. Ao contrario, será uma das CPIs mais importantes dos últimos 30 anos e cumprirá um papel extraordinário na vida política do país.
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Muere Robin Gibb, componente de los Bee Gees

El cantante vendió más de 200 millones de discos con el mítico grupo de los años 60 y 70
Robin Gibb, de 62 años, componente de los Bee Gees, murió hoy tras 18 meses de continuos problemas de salud. A pesar de que el pasado 22 de abril consiguió salir del coma en el que estuvo durante una semana a causa de una neumonía, el cantante no ha logrado superar el cáncer de hígado y colón detectado en otoño de 2010 tras una operación para corregir una obstrucción intestinal.
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Herrera diz não à Globo e põe em evidência o #ChupaGlobo

Uma das instituições mais poderosas do Brasil – e certamente A mais poderosa no futebol brasileiro – é a Rede Globo, que já indicou e derrubou ministros de Estado, apoiou e foi convenientemente apoiada pela ditadura civil-militar encerrada em 1985 e deu contribuições valiosíssimas à eleição de Collor de Mello e duas vezes para FHC.
Acostumada à subserviência, a Globo recebeu um sonoro não - engulam o clichê, caros bucéfalos! – na noite deste domingo (20).
Herrera, atacante argentino do Botafogo, fez três gols na vitória do seu clube sobre o São Paulo.
Na cobertura da emissora, o triplete – como se diz nos países de língua hispânica – garante ao artilheiro o direito a pedir uma música para tocar no Fantástico, histórico líder de audiência nas noites de domingo.
Acionado pelo repórter, Herrera não entendeu o pedido:
- Música pra quê? – indagou o hermano.
- Fez três gols… você tem direito a pedir uma música – explicou o ainda empolgado repórter.
- Não, eu não pido [peço em espanhol] música não…
- Nem em castelhano? – insistiu o global.
- Não, nenhuma – encerrou Herrera, virando-se para outro entrevistador.
Herrera não entrou na onda da Globo
O vídeo abaixo mostra o episódio, que certamente entrará para o anedotário clássico do futebol brasileiro.
Herrera diz não à Globo
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Companheiro de Herrera no alvinegro carioca, o uruguaio Sebastian “Loco” Abreu já acumula uma coleção de casos semelhantes, como se vê no vídeo abaixo.
Loco Abreu – destruidor de repórteres
Repercussão - A atitude de Herrera rapidamente ganhou destaque nas redes sociais. No Twitter, a tag #ChupaGlobo ficou entre os assuntos mais comentados no Brasil. Enquanto escrevo estas linhas, a tag ocupa o 3º lugar.
#ChupaGlobo no 3º lugar nos TTs Brasil
E logo devem aparecer os “memes” (fotomontagens e similares) para o Facebook e outras redes. Atualizarei o post à medida que eles aparecerem.
Parabéns aos botafoguenses – minha filha Daniela e meu irmão Igor entre eles – pela vitória na estreia, mas, sobretudo, pela atitude do seu artilheiro neste domingo.
PS: Vale acompanhar a cobertura da Globo, cujos chefões costumam ser vingativos. Uma represália ao argentino ou mesmo ao Botafogo não pode ser descartada. Chico Buarque ficou anos sem aparecer em qualquer programa ou noticiário da Globo por conta de sua postura crítica em relação à ditadura.
Rogério Tomaz Jr
No Conexão Brasília Maranhão
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Comissão da Verdade julgará torturadores da Música Popular Brasileira

Compadre Washington está proibido de pronunciar "Tchaãn" e "tchudududupá" em todo território nacional.
DIVINO - Integrantes da Comissão da Verdade confirmaram, ontem à tarde, que os torturadores da Música Popular Brasileira serão identificados, julgados e punidos. "Passamos décadas sob implacável ditadura de sertanejos universitários, dançarinas de axé e vocalistas de pagode coxinha", desabafou Geraldo Vandré. Armado de uma queixada de burro, o compositor cantou os versos "é a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar" um tom acima da versão original.
Intimações foram enviadas para os grupos Soweto, Karametade, Katinguelê, Molejo, Os Morenos, Rouge, Vagabundos, Só Pra Contrariar, Raça Pura, Harmonia do Samba, Sampa Crew, Copacabana Beat, As Meninas e Mastruz com Leite. Latino, Maurício Manieri, Vini Shake Boom e Supla estão foragidos. Tiririca foi poupado por ter imunidade parlamentar. Integrantes do grupo Art Popular desapareceram após serem interrogados para explicar os versos "Até parece que o amor não deu / Até parece que não soube amar / Você reclama do meu apogeu / Do meu apogeu! / E todo o céu vai desabar" e "Pimpolho é um cara bem legal / Pena que não pode ver mulher".
A trilha sonora da novela Avenida Brasil está sub judice. "É um grande passo para renovarmos a cultura nacional", comemorou Artur Xexéo, enquanto ouvia um LP de Emilinha Borba.
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Comissão da Verdade

Não são ociosas as especulações quanto à escalação dos integrantes da Comissão da Verdade. Alguns são identificados com as correntes progressistas e outros com os setores conservadores. O número deles, sete, impede o empate. A presidenta Dilma Rousseff buscou esse equilíbrio e não deve ter sido fácil para ela conter o próprio sentimento pessoal e a pressão política do entorno.
Essas duas históricas posições, esquerda e direita, norteiam e, simultaneamente, desnorteiam o desfecho desse processo iniciado agora. Na cerimônia de instalação da Comissão, na quarta-feira 16, a chave parece estar no discurso da presidenta Dilma Rousseff, contraposto ao do ex-presidente FHC.
Ambos, a presidenta e o ex-presidente, sabem como o sapato aperta, mas reagem de forma diferente à dor. Dilma afirmou: “A comissão não abriga ressentimento, ódio, nem perdão. Ela só é o contrário do esquecimento”.
Por que Dilma descarta o ódio e o perdão, mas não o esquecimento? Perdão é o substantivo da lei brasileira da Anistia. Referência máxima da ação conciliatória de sustentação do discurso do esquecimento para crimes cometidos por torturadores. Seria um mero acaso?
Há uma decisão clara dos organismos internacionais, cada vez mais mergulhados nos casos de desrespeito aos direitos humanos e implacáveis com os crimes de lesa-humanidade, de recusar autoanistia. É o caso brasileiro. A ditadura impôs e celebrou o pacto com políticos ávidos de poder.
FHC, presente à cerimônia ao lado de quatro outros ex-presidentes, repetiu o mantra dos amedrontados: a comissão não buscará vingança, e sim a verdade e a reconciliação. A verdade pode reconciliar torturadores e torturados?
A resposta só pode ser dada por quem sobreviveu à barbárie e, igualmente, por parentes de quem não sobreviveu. Ninguém, muito menos o governo, tem autoridade para propor ou proclamar o esquecimento.
Vai aumentar o desgaste da imagem das Forças Armadas como instituições essenciais no jogo democrático. Já é baixa a nota que recebem quando se trata das relações com a democracia. Pesquisa do Ipea, de 2011, mostra isso. Considerado o grau de escolaridade, em nenhuma das faixas as FFAA alcançam sequer 50% de avaliação do respeito ao regime democrático (tabela).
Fonte: Pesquisa SIPS-Ipea, 2011
Aprovada no Senado, em outubro de 2011, a Comissão da Verdade surge agora no rastro da decepção provocada pela decisão do STF de reconhecer a constitucionalidade da Lei da Anistia e, também, após a recusa da Câmara em revisar essa mesma lei. Foram duas derrotas agudas para quem busca a punição de agentes públicos que beberam o sangue de adversários presos, imobilizados, incapazes de reagir à iniquidade e à covardia.
A Comissão da Verdade não será um tribunal de punição de torturadores. Há regras: “Esclarecer os casos de torturas, mortes, desaparecimentos, ocultação de cadáveres, identificando e tornando públicas as estruturas, os locais, as instituições e as circunstâncias relacionadas aos crimes contra os direitos humanos”.
Não haverá revanche. Ou seja, os torturados não vão torturar os torturadores.
A Comissão da Verdade não pode ir além nem pode ficar aquém de suas obrigações legais. Entretanto, ao expor as atrocidades da ditadura, que desmancham a ideia de um país cordial, dará aos brasileiros o direito de se manifestar livremente e responder ao seguinte quesito: os torturadores merecem anistia ou devem ser julgados segundo as leis?
Mauricio Dias
No CartaCapital
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Por enquanto, CPMI sem cheiro de pizza

Nada indica, até agora, que a CPMI terminará em pizza.
Pelo contrário, a partir de sexta-feira parece que baixou a sabedoria nos seus integrantes e deixou-se de jogar para a torcida.
A CPMI exige investigação e, como tal, técnicas de análise. Na primeira fase – da apuração de dados e sua contextualização - não se pode jogar para a plateia. Há que se debruçar sobre os dados – e eles estão chegando -, analisá-los, confrontá-los com os fatos extra-CPMI e levantar o contexto, o relato.
Nesses momentos iniciais, não há muito a mostrar e isso provoca dois tipos de pressão. De um lado, militantes da blogosfera querendo resultados rápidos; de outro, atores oportunistas, recém-chegados ao jogo, loucos para se firmar com o sensacionalismo que o tema suscita e, para tanto, dispostos a embaralhar o jogo.
Se se for atender a essa febre por resultados imediatos, dá-se com a cara na parede. Será possível montar escândalos em cima de meras suspeitas – mesmo que bastante fundadas. Excesso de escândalo vazio agora apenas ajudará a diluir o impacto das denúncias baseadas em dados reais, que existem e chegarão à CPMI.
Cabe à blogosfera a pressão para que não termine em pizza mas, principalmente, a divulgação dos fatos que forem sendo apurados. Mas o ritmo tem que ser ditado pela CPMI, de modo profissional, à luz dos fatos que forem surgindo.
Daí a importância da CPMI retomar as rédeas do processo.
É um jogo complexo, que não comporta amadorismo.
Luis Nassif
No Advivo
~ o ~
Comentário de Alexandre Tambelli
A velha mídia e suas artimanhas de enganação do povo estão com seus dias contados. Eu vejo que a calma na apuração e a sabedoria de convocar o Policarpo, o Civita, o Cachoeira, o Demóstenes, o Perillo, o Leréia, etc. na hora certa é o caminho da vitória da CPMI do Cachoeira.
Os áudios do grupo do Cachoeira com o Policarpo ainda estão aparecendo, e as suas relações com reportagens da Veja, amplificadas no JN, na velha mídia impressa devem ser bem estudadas e então, ai sim! Convoca-se esses personagens para depor.
Nós precisamos primeiro desarmar a velha mídia e toda a oposição com investigações corretas, correlacionando áudios às reportagens, tudo bem detalhado; desnudando um pouco a cada dia este jogo entre o crime organizado e a velha mídia, capitaneado pela revista Veja e o JN.
Quando a situação ficar inustentável, ou seja, as provas forem irrefutáveis, a velha mídia e seus políticos não terão por onde correr. Quando o Senador Álvaro Dias e o Deputado Miro Teixeira não puderem mais defender o indefensável, por sobrevivência política, ai estaremos prontos para convocar esses personagens, golpistas e bandidos, para deporem. Será um desnudamento coletivo ao vivo para todo o Brasil assistir e um avanço para a democracia brasileira.
Tem que sangrar uma gota a cada dia. Sem pressa e sem revanchismo. Apenas aplicando a Lei e se fazendo a Justiça através dela. O importante é estar preparando o terreno para que, próximo do horário político das Eleições Municipais se tenha o ponto forte da CPMI. Não para se fazer vigança com os políticos ligados à velha mídia, mas para ajudar no clima mais ético, honesto e cordial do período eleitoral.
As esquerdas não agem por impulso. As esquerdas brasileiras, quase sempre, buscam o caminho da verdade e da apuração correta dos fatos. Comprovadamente, quem se beneficia de microfones da velha mídia para referendar denúncias sem provas são os políticos da direita.
Nós precisamos passar a limpo, de uma vez por todas, essas histórias envolvendo a velha mídia e o crime organizado. Destituí-las do convívio Jornalístico. Que isto aconteça com calma. E como bem sabemos, cuidemos de não levar a sério boa parte dos noticiários que brotam da velha mídia, eles nos levam a crer que quase todo político é corrupto, que todos os partidos são corruptos, etc e isto nos faz mal, porque desacreditamos na Democracia, na importância das instituições, no Judiciário, no Executivo, nos políticos, na importância do voto, nas eleições diretas, etc.
A velha mídia é ligada ao centro do Capitalismo! Desacreditando nas instituições podemos ajudar em muito na manutenção do Sistema, do mundo Capitalista. Para seus ideólogos e seus comandantes a alienação e o desacreditar nas instituições democráticas é excelente, facilitam na dominação do povo, dos poderes centrais dos países e no controle e apoderamento do capital e seus recursos para ampliá-lo e concentrá-lo ainda mais. Quem desacredita nas instituições, acredita que não tem mais jeito de se encontrar um mundo melhor para vivermos, mais facilmente se desanima e vive em um egoísmo particular e menos combativo para com as injustiças sociais e políticas.
Os noticiários da velha mídia tendem a nos fazer desacreditar na CPMI, a nos dizer que tudo caminha para uma grande "PIZZA". É tudo jogada para nos desanimar, nos tornar mais céticos e nos colocar contra políticos que estão do nosso lado.
Todo cuidado é pouco. Agora o FHC está favorável a uma Lei de regulação dos meios de comunicação? Como disse o Professor Venício Lima, e traduzindo para o popular, "Tem boi na linha". Ele sabiamente argumenta que a velha mídia quer se apoderar do discurso de regulação dos meios de comunicação, porque sabe que não tem como impedir a sua existência, em um tempo não muito distante. Então, aos poucos, se apodera do discurso, se engendra nas decisões e busca minimizar ao máximo seus malefícios para a sua hegemonia midiática continuar. A velha mídia finge-se de democrática, assume o papel de protagonista da discussão e no fundo no fundo pouca coisa muda.
Não esperemos da velha mídia nada de generoso ou mea culpa por seus erros. As pessoas que a comandam e seus Jornalistas são pessoas que vivem em um mundo que está prestes a ruir e eles jogam as últimas fichas, descontroladamente é certo, como o apostador que só tem uma jogada em mãos, tentando salvar-se da bancarrota, do nocaute. Quem sabe para perder por pontos e minimizar as condenações.
Quer ser informado e lúcido não assimile o discurso da velha mídia, não propague o seu discurso e não aceite como a verdade verdadeira as informações que eles veiculam. Tem sempre um outro lado a ser procurado, uma versão outra a ser descoberta, uma mentira a ser desvendada.
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Revista Exame (dos donos da Veja) escolheu Delta a 3ª melhor empreiteira do Brasil

E agora, Reinaldo Azevedo?

http://goo.gl/ZnYi9
Pouco tempo antes da Operação Monte Carlo da Polícia Federal importunar a parceria Veja-Cachoeira, a última edição anual "Melhores e Maiores" da revista Exame escolheu a empreiteira Delta como a 3ª melhor empresa do Brasil no ramo de construção.
A revista Exame é uma publicação da Editora Abril, dos mesmos donos da revista Veja.
A edição anual 2011 da revista apontou a empreiteira Delta como a 3ª melhor do Brasil. Isso foi há apenas um ano atrás, época em que o jornalista de revista Veja, Policarpo Júnior, costumava almoçar com Carlinhos Cachoeira, e o jornalista sabia das ligações da Delta com o bicheiro, segundo interceptações telefônicas da Polícia Federal.
Como se vê, a Delta gozava de uma reputação semelhante à de Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) nas páginas das revistas do chefão Roberto Civita, antes da Operação Monte Carlo da Polícia Federal.
Hoje, com a prisão de Cachoeira, o que se observa é uma "mudança de opinião". Da noite para o dia a Delta virou "a pior empresa do Brasil" nas páginas da Veja, o que leva a perguntar: os leitores da Exame e da Veja foram enganados nos anos anteriores?
Outro desdobramento dos fatos é a indicação de haver um racha nos bastidores da parceria Veja-Cachoeira com a empreiteira, após a demissão de seu diretor Cláudio Abreu, também preso com Cachoeira, e que mantinha encontros com o diretor da Veja, Policarpo Júnior.
A revista Veja continua leal à seu pacto de proteção a Carlinhos Cachoeira, pois continua o poupando de uma reportagem de Policarpo Júnior contando o que via quando frequentava a cozinha da organização criminosa (*). Mas o que se nota é um racha entre o núcleo Veja-Cachoeira-Claudio Abreu com a cúpula da matriz da Delta.

Em 2001 e 2002, Exame escolheu a Delta como a nº 1, a melhor empresa de construção

Na publicação do Perfil Institucional 2006/2007 da empreiteira, é citado o "reconhecimento na mídia", com  página inteira dedicada à revista Exame. Lá mostra que a publicação da Editora Abril a coloca sempre entre as 10 melhores empreiteiras. No ano de 2001 e 2003, foi escolhida a melhor de todas, ocupando o 1º lugar. Nos anos de 2005 e 2007 ocupou o 2º lugar.

fonte: Perfil Institucional 2006/2007 
(*) Jornalista pode contar fatos, o que viu e o que vivenciou, sem dizer quem forneceu informações em "off", não violando quebra de sigilo da fonte. O compromisso do jornalista é tão somente não contar quem forneceu a notícia, e nunca ocultar a própria notícia. Por isso Policarpo podeira dizer muito do que sabe, sem ferir nenhuma regra do jornalista em preservar as fontes que pedem anonimato.
ZéAugusto
No Amigos do Presidente Lula
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Chile nega asilo político a juiz argentino acusado de crimes durante a ditadura

Juiz criminoso
As autoridades do Chile recusaram conceder asilo político ao ex-juiz argentino Otilio Romano, acusado de 103 crimes contra a humanidade, no período da ditadura da Argentina (1976-1983). O ex-juiz passou pela fronteira da Argentina com o Chile, em agosto de 2011, antes de perder a sua imunidade judicial.
A decisão foi tomada pelo governo do presidente do Chile, Sebastián Piñera. O porta-voz da Presidência da República do Chile, Andres Chadwick, disse que o pedido de asilo político de Romano foi negado por “uma comissão de asilo especial” composta por vários integrantes do governo.
Romano é acusado de usar confissões obtidas por meio de torturas como provas contra opositores do regime militar e rejeitar pedidos de habeas corpus feitos por suas famílias à junta militar. Há relatos de que os documentos desapareciam ao chegar a Romano.
O ex-juiz também é acusado de proteger os militares acusados de terem cometido crimes. O julgamento de Otilio Romano, que negou as acusações, alegando perseguição política na Argentina, é aguardado até dezembro.
Renata Giraldi
No Agência Brasil
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“Assusta-me que FHC assuma a bandeira da regulação da mídia”

Em entrevista à Carta Maior, Venício Lima, pesquisador na área da Comunicação, analisa as recentes declarações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, favoráveis a regulação dos meios de comunicação. "Isso pode significar que algum tipo de costura de bastidores pode estar sendo feita para que haja alguma coisa que se apresente como regulação e que não chegue nem ao que já está na Constituição há 23 anos. Então, tenho medo disso", afirma.
Brasília - Durante o seminário “Meios de comunicação e democracia na América Latina”, realizado no último dia 15 pelo Instituto Fernando Henrique Cardoso (FHC), o ex-presidente defendeu a regulação da mídia como condição da democracia . O evento marcou também o lançamento de uma publicação conjunta do iFHC, Centro Edelstein de Pesquisas Sociais e da Plataforma Democrática apresentando reflexões e propostas para mudanças na legislação do setor.
As declarações aparentemente inusitadas de FHC - historicamente alinhado aos setores da mídia que abortam qualquer discussão sobre o tema taxando-o como tentativa de censura e ataque a liberdade de imprensa -, entretanto, não surpreendem o professor aposentado de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) Venício de Lima. O pesquisador aponta indícios de mudança na estratégia dos grandes grupos de mídia e teme que eles assumam a bandeira da regulação para fazê-la entre aspas: “Ou seja, muda para não mudar.”
Confira a entrevista.
O senhor se surpreendeu com a posição de Fernando Henrique Cardoso?
Não me surpreende, mas me preocupa. Tenho a impressão de que os setores historicamente avessos até ao debate sobre a questão da regulação estão se apropriando de um certo vocabulário de regulação da mídia, o que não necessariamente significa um avanço democrático. Há várias sinalizações disto.
Quais?
Em 2003, se não me engano, quando o Conselho de Comunicação Social [órgão auxiliar do Congresso previsto no artigo 224 da Constituição] ainda funcionava - porque desde dezembro de 2006 ele não funciona mais - criou-se uma subcomissão para discutir concentração da mídia no Brasil, por iniciativa do à época conselheiro Alberto Dines. Eu fui um dos convidados e apresentei um texto tratando da concentração histórica, não só, mas sobretudo, na radiodifusão do país. A última pessoa convidada foi um filósofo gaúcho chamado Denis Rosenfield, que não é da área, mas é um expoente do pensamento liberal conservador no Brasil. Sua participação foi sugerida e apoiada pelos grandes grupos de mídia que tem representação no Conselho. Ele criticou todas as apresentações anteriores, muito particularmente a minha, reafirmando todas as posições tradicionais dos grandes grupos de mídia, por exemplo, contrário a qualquer tipo de controle da propriedade cruzada dos meios e coisas desse tipo.
Recentemente, este ano, esse mesmo professor publicou um texto, destes que são publicados em vários jornais, defendendo a regulação do setor. Ele comete alguns erros bastante primários, mas pelo fato de ter publicado este texto e de ter defendido há menos de dez anos atrás posições totalmente opostas, passei a suspeitar de que os grandes proprietários da mídia começaram a se apropriar da necessidade de uma certa atualização da regulação, o que me preocupa porque isso pode significar que algum tipo de costura de bastidores pode estar sendo feita para que haja alguma coisa que se apresente como regulação e que não chegue nem ao que já está na Constituição há 23 anos. Então, tenho medo disso. Como acontece no Brasil, na maioria das vezes, as mudanças são para continuar onde estamos.
Há outras sinalizações?
Quando da aprovação da Lei 12.485, no final do ano passado, unificando a regulação da televisão paga, o jornal O Globo fez um editorial falando “precisamos mesmo atualizar a legislação da área e um bom exemplo do que precisa ser feito é essa lei, que foi feita sem contaminação ideológica, sem viés populista”, etc.
Além disso, o professor Bernardo Sorj, que é o representante do Centro Edelstein, que inclusive publica o livro lançado no seminário promovido pelo Instituto FHC, é o organizador de outro livro publicado há uns dois anos pela Paz e Terra, junto com a organização Plataforma Democrática. Esse livro não deixa qualquer dúvida sobre a posição desses centros de estudo sobre as questões que tem sido levantadas em relação aos marcos regulatórios que estão sendo implementados na América Latina. O próprio Bernardo Sorj, em outro texto, defende explicitamente a manutenção da propriedade cruzada dos meios, argumentado que a concentração talvez fosse uma forma de garantir a permanência dos veículos impressos, ameaçados pelas novas tecnologias. Então, fico com pé atrás, a menos que ele tenha mudado de posição.
Ou seja, a mídia tradicional prevê a regulação da comunicação como inevitável no Brasil e se movimenta para garantir uma regulação que lhe seja menos prejudicial?
Seria isso, como acontece com relação à bandeira da liberdade de expressão. Você vê setores que apoiaram o golpe de 1964, que patrocinaram a última expressão institucionalizada da censura no Brasil, assumindo indevidamente, de forma totalmente absurda, a bandeira da liberdade de expressão. Os mesmos grupos que apoiaram um governo que institucionalizou a censura e que, inclusive, afetou a eles próprios! O risco que se corre agora é que com esse movimento, certamente articulado com os próprios grandes grupos de mídia, eles assumam a bandeira da regulação e façam a regulação entre aspas. Ou seja, muda para não mudar.
Entre as propostas tiradas neste seminário, eles falam em combater a concentração da propriedade dos meios privados.
Eles precisam explicar melhor. Muita gente fala que combater a concentração é finalmente cumprir o que está naquele decreto 236, de 1967, da ditadura. Aquilo ali não tem nada a ver com propriedade cruzada. Limitam o número de concessões por região geográfica e um parágrafo poderia ser aplicado na formação de redes. Não há qualquer controle na formação de redes de rádio e televisão como a Globo. Do ponto de vista jurídico, inclusive da ação do Cade [Conselho Administrativo de Defesa Econômica] em relação a formação de cartéis e controle de oligopolização, esses grupos são aceitos como rede.
Mas eu ainda não vi a publicação lançada neste seminário e prefiro fazer um estudo do documento. Estou falando com base nas coisas que eu já vinha observando e sobre algumas já escrevi.
Seria importante ter um aliado como FHC nesta luta?
Ao contrário, me assusta que FHC e o grupo em torno dessa promoção assumam a bandeira da regulação, eu jamais diria que ele é aliado. Se fosse teria promovido a regulação nos anos que foi presidente da República ou, então, o PSDB estaria apoiando alguma coisa nesse sentido.
Vinicius Mansur
No Carta Maior
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Charge online - Bessinha - # 1254

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O efeito Skuromatic

Os editores de revista Veja andam assistindo a filmes de ação demais. No afã de se defenderem sem dar explicações plausíveis para a íntima relação de um jornalista da semanal com um contraventor preso – e diante da reação a essa promiscuidade na internet –, construíram um roteiro de terror B que até Zé do Caixão se recusaria a filmar.
A tese era a seguinte: robôs controlados por uma militância esquerdista raivosa teriam inundado a internet com mensagens de ódio para atacar a imprensa livre. Esses robôs (em forma de aranhas? Ou de formigas?) seriam guiados por maléficos seres que tiveram seu cérebro derretido por excessiva leitura de terroristas do calibre de Antonio Gramsci, defensor da eliminação física, mental, espiritual e literária de seus adversários. E o futuro da humanidade estaria sob risco, caso esse exército de seres inanimados e vampirescos vencesse. É uma mistura de O Ataque das Aranhas Gigantes, Exterminador do Futuro e Plano 9 do Espaço Sideral (título em português de um dos clássicos do rei do cinema trash, Ed Wood).
Robôs, aranhas, formigas, comunistas.
 A semanal foi capaz de unir tudo em um roteiro
 de terror B
Ainda no sábado 12, mal a revista aportara nas bancas de todo o País, a tese dos robôs virou piada na internet. Uma das supostas máquinas, a usuária do Twitter @Lucy_in_Sky se identificou em entrevistas a blogs. Foi seguida por centenas de outros internautas que postaram mensagens na linha “eu sou um robô”. Prova de que na rede mundial a desmoralização vem a jato supersônico.
Ao longo das tantas páginas de autodefesa, Veja comete vários erros factuais. A revista, uma das primeiras publicações a apoiar com entusiasmo o então candidato Fernando Collor de Mello, se diz responsável por sua queda. A respeito do apoio a Collor, vale lembrar uma entrevista de Roberto Civita, publisher da semanal, sobre seu primeiro encontro com o ex-presidente: ao conhecer o alagoano ele teria se sentido como uma adolescente de 16 anos. A citação é literal.
Sobre a queda de Collor é preciso lembrar. A entrevista de Pedro, irmão já falecido do ex-presidente, afora alguns detalhes sórdidos, não iria produzir nenhum efeito no processo de impeachment. O que mudou a situação do chefe do Estado foram as declarações do motorista Eriberto França, descoberto pela IstoÉ. Após as denúncias do motorista, a situação de Collor ficou insustentável e o presidente foi obrigado a renunciar para não ser cassado.
As referências a Gramsci são patéticas, apostam na ignorância dos leitores. O mais grave, porém, foi a defesa mal disfarçada da censura na internet. Um contrassenso para quem diz defender com denodo e coragem a liberdade de expressão. Em poucas linhas, Veja lamentou a falta de uma “governança” na rede mundial de computadores, seja lá o que isso signifique. É preciso perguntar, a essa altura, quem tem arroubos totalitários.
Espaço de compartilhamento de ideias e informações, a internet é de fato um terreno usado por militâncias organizadas de todas as correntes de pensamento desinteressadas em debater ideias. Protegidos pelo anonimato, cometem as maiores covardias. Mas uma coisa é inegável: são os internautas autoassumidos como “conservadores” (em temas como aborto, sexualidade, liberdades individuais, armamento e religião), aqueles que produzem os ataques mais virulentos da rede.
O Brasil tem cerca de 300 células neo-nazistas. Em entrevista recente concedida ao site de CartaCapital, a antropológa Adriana Dias, mestre pela Unicamp e estudiosa do tema há dez anos, lista cerca de 150 mil brasileiros que baixam mensalmente mais de cem páginas com conteúdos nazistas. Desse total, 15 mil são líderes e coordenam as incitações de ódio na internet. O número de sites, segundo a antropóloga, passou de 8 mil a 32 mil. Segundo a pesquisa, esses militantes são brancos, homens, jovens, com ensino superior (completo e incompleto), ligados à religião e demonstram ressentimento pela suposta perda de poder – o que explica os ataques a grupos de esquerda, nordestinos e integrantes da nova classe média. Cerca de 90% dos grupos atuam em São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.
Na esteira desse movimento, a atuação cada vez mais intensa de quadrilhas neonazistas foi alvo, em dezembro de 2011, do maior pico de denúncias dos relatórios da Safernet, organização que monitora crimes de ódio na rede.
Segundo a associação, toda vez que figuras como o ex-militar Jair Bolsonaro, deputado federal pelo PP do Rio de Janeiro, faz declarações racistas/homofóbicas em público, uma avalanche de manifestações dessa natureza é despejada na internet. Segundo Thiago Tavares, presidente da Safernet, é como se a atitude encorajasse os grupos de ódio a sair da toca e transformassem ferramentas como o Twitter em campo de batalha.
Sombra ao meio-dia. Ao lado, os robôs que querem
dominar a internet, segundo a publicação da Abril
Uma militância virtual que começa a ameaçar o mundo real: em 22 de março deste ano, a Polícia Federal prendeu dois homens acusados de planejar, a partir da rede, um ataque em massa contra estudantes de Ciências Sociais na Universidade de Brasília. Para a dupla, a faculdade era um antro de comunistas e gays.
De acordo com os relatórios, uma simples partida de futebol é suficiente para despertar os crimes de ódio pela internet: logo após o Ceará eliminar o Flamengo pela Copa do Brasil, em maio de 2011, a ONG recebeu mais de 5 mil denúncias sobre perfis do Twitter que incitavam a violência contra nordestinos.
Fenômeno similar foi observado pouco antes, em novembro de 2010, na eleição de Dilma Rousseff – que teve maior votação proporcional no Nordeste. Foram quase 3 mil denúncias de manifestações preconceituosas na rede social no dia seguinte à sua eleição.
O caso mais emblemático foi a da estudante de Direito Mayara Petruso, que, inconformada com o resultado da eleição, escreveu no Twitter: “Nordestisto (sic) não é gente. Faça um favor a Sp: mate um nordestino afogado!”
Na quarta-feira 16, a Justiça Federal de São Paulo a condenou por crime de discriminação e preconceito. Ela deverá pagar multa, que será destinada a uma ONG que combate crimes cibernéticos, e prestar serviço comunitário. O Ministério Público Federal achou pouco, e promete recorrer.
Assim como ela, eleitores adeptos do “nós contra eles” se manifestaram em peso, após uma campanha eleitoral marcada pela intensa troca de farpas virtuais. Basta lembrar os dias que antecederam a votação, quando pipocavam lendas urbanas sobre possíveis surtos abortistas num futuro governo Dilma Rousseff – contra quem corriam boatos também de homossexualidade, ações terroristas e falsas declarações como a de que “nem Jesus Cristo” tiraria dela a vitória. Piadas de mau gosto sobre beneficiários do Bolsa Família, apontados como vassalos do governo, também circulavam em timelines e caixas de e-mail.
Nem por isso pediu-se censura à rede. Até porque os boatos não caíam do céu: na eleição, os partidos escalaram militantes para monitorar permanentemente o humor das redes sociais.
O QG tucano, por exemplo, era comandado por Eduardo Graeff, ex-secretário-geral da Presidência no governo FHC. À sua disposição havia uma equipe de ao menos 50 militantes, dividida em turnos, para alimentar as redes sociais, sobretudo o Orkut e o Twitter.
Excessos à parte, é preciso lembrar de que a rede, em si, não é culpada dos exageros de seus usuários. Mesmo assim, muitos se apoiam na existência dos crimes cibernéticos para defender limites aos internautas, caso da última edição de Veja.
A semanal não precisa, ou não deveria, se preocupar. No Congresso tramitam há anos projetos de controle contra crimes cibernéticos – o último, aprovado nesta semana. Parte dos projetos – o principal deles conhecido como AI-5 Digital, de autoria do deputado tucano Eduardo Azeredo – recebe críticas justamente por estipular punições aos usuários sem deixar claro quais são os seus direitos ao trocar informações ou manifestar opiniões.
Na Justiça, o que não faltam são processos contra as livres manifestações pela rede. Um exemplo são as ações movidas pelo banqueiro Daniel Dantas contra o jornalista Paulo Henrique Amorim. Dantas exigia que Amorim identificasse os usuários que acessavam o site Conversa Afiada para criticá-lo. A Justiça rejeitou os pedidos.
“Eu tive de contratar pareceristas para mostrar, primeiro, que eu não conseguiria identificar o IP (espécie de RG do computador) e, segundo, que era contra a lei. Se o Daniel Dantas identifica meus internautas, o que ele vai fazer? Vender cópia do fundo dele em Cayman?”, brinca o jornalista.
Fim do mundo. As aranhas gigantes estão na esquina
A “governança” sugerida pela revista causa arrepio aos defensores da liberdade na internet. Para Sergio Amadeu, pesquisador de cibercultura e integrante da comunidade do software livre, “esse tipo de rede controlada foi derrotado há muito tempo”. “Antes havia o Minitel, com um centro obrigatório do fluxo de dados, e era controlado. A vantagem da internet é assegurar a comunicação livre, distribuída. A inteligência da internet está na máquina de cada usuário. Um exemplo é a invenção do Google.”
Segundo o especialista, o problema da rede é justamente outro: o “vigilantismo” de quem tenta controlá-la para supostamente punir crimes que hoje são facilmente identificados a partir de rastros digitais, vide o caso da atriz Carolina Dieckmann, que teve fotos íntimas divulgadas na rede.
Ou seja: quem se sente injuriado ou ofendido, como no caso da atriz, tem direito de pedir providências à Justiça sem necessariamente ferir o direito individual de outros usuários.
Foi o que fez o jornalista Luis Nassif após uma série de ofensas escritas pelo braço armado da revista Veja (ironia) na blogosfera. Nassif atribui a esses soldados virtuais (seriam robôs-aranhas? ou formigas?) a origem de parte dos preconceitos manifestados pela rede. “Eu também sofri com as baixarias publicadas por Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo. Esse clima quem implantou foram eles.”
A contradição parece de fato um patrimônio para quem agora defende a proximidade de seu principal jornalista em Brasília com um contraventor. O mesmo juízo não impediu a revista de denunciar, em reportagem de 2001, o jornalista Ricardo Boechat por considerar impróprias suas relações com uma fonte.
Ética flexível. A Globo, que hoje
defende a Veja, demitiu Ricardo
 Boechat por suas relações com uma
 fonte. Foto: Band
Na época, Boechat editava no jornal O Globo uma prestigiosa coluna de notas políticas e econômicas e fazia comentários na tevê do grupo. Grampos atribuídos a Daniel Dantas, que disputava o controle de duas operadoras de telefonia com os canadenses da TIW, foram publicados por Veja. Em alguns deles, Boechat conversa com Paulo Marinho, assessor do empresário Nelson Tanure, representante dos canadenses na disputa contra Dantas e dono do Jornal do Brasil. Foi o suficiente para Veja acusar uma trama para favorecer um dos lados de uma disputa empresarial. A família Marinho, que agora defende a Veja, demitiu Boechat. Vale lembrar: sua fonte era um empresário, de métodos controversos, mas não um contraventor.
Para Nassif, as últimas edições de Veja revelam o baque de uma publicação que, segundo ele, desde a Operação Satiagraha tem perdido legitimidade. Segundo o jornalista, a revista dá sinais de não ter “estratégia de enfretamento de crise” a cada edição. Ao declarar guerra às redes sociais, afirma, a semanal passou “um baita recibo”: na base de textos “infantilizados”, só despertou a atenção de seus leitores ainda não conectados à internet sobre o que acontece nas redes. Isso num momento em que, segundo ele, cada vez mais leitores correm para a internet em busca de informação diversificada.
Amadeu acredita que a revista reage às novas formas de comunicação porque percebeu não ter o controle do canal de interlocução. Pior: disputa agora com centenas de pessoas a influenciar outros milhares. “É uma reação típica de quem não é acostumado a conviver com o debate amplo na sociedade. Esses debates que antes eram feitos no boteco, hoje são feitos nas redes. E a Veja não queria conversar com ninguém.” E completa: “Não me lembro de ver nem o Berlusconi reagir dessa forma, depois de ser criticado como foi na internet. Nem o Rupert Murdoch”.
Philip Asimov C. Clarke
No CartaCapital
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Data venia, não obstante

A seguir, o leitor terá contato com os argumentos do reitor da USP, João Grandino Rodas. Lacônicos às vezes, formais sempre, mas argumentos. Antes, porém, seria interessante entender como chegamos até aqui. Em meados de abril CartaCapital publicou uma reportagem intitulada “Grandino Rodas, o bárbaro” a respeito da administração do reitor da maior universidade da América Latina. Embora procurado na ocasião, o personagem central não atendeu a revista em tempo hábil. Incomodado com o conteúdo, o reitor visitou a redação na segunda-feira 30 de abril, véspera do feriado de 1º de Maio. Fazia frio. Grandino Rodas usava uma jaqueta de couro e um suéter de gola rolê. A conversa foi amistosa: ele pediu para dar sua versão dos fatos. Nós concordamos, com a premissa de que também ouviríamos alguns decanos da universidade. O reitor preferiu responder por email. O resultado está na sequência.
CartaCapital: Desde o governo Maluf, o segundo da lista tríplice não era nomeado reitor da USP. Há dois modelos predominantes de nomeação de reitores: ou são contratados à moda dos executivos do setor privado ou são eleitos pela comunidade acadêmica. O senhor não se encaixa em nenhum dos dois casos. Isso não lhe tira legitimidade?
O reitor da USP, João Grandino Rodas.
Foto: Werther Santana/AE
João Grandino Rodas: Um modelo comum na Europa não foi citado: algumas dezenas de pessoas, acadêmicas e não acadêmicas, escolhem o reitor. Por exemplo, a Universidade de Coimbra passou a adotar tal método, após anos de escolha paritária. No Brasil, na esfera federal e estadual, é previsto em lei o envio de lista tríplice para o presidente ou para o governador. Recentemente, o governador (Geraldo) Alckmin escolheu o segundo colocado para o importante cargo de procurador-geral de Justiça. O estatuto da USP prevê o sistema de listas tríplices, tanto para escolha do reitor quanto dos diretores de unidades. Tal prática é legal e legítima, não implicando o sistema na escolha obrigatória do primeiro colocado.
CC: Não há registro de reitor que tenha sido declarado persona non grata na sua faculdade de origem, caso do senhor no Largo São Francisco. Isso não é um problema?
JGR: Muitas foram as nulidades incorridas pela Congregação ao fazer a declaração: falta de competência regimental para exarar títulos negativos, não constar o assunto de pauta, inexistência de relator, ausência do contraditório etc. Inobstante na Faculdade em questão, a congregação seja normalmente instalada em terceira chamada, com qualquer número de membros (como em um condomínio), a decisão no caso foi tomada ao final da reunião, com cerca de uma dezena e meia de membros, quando o total é de cerca de 70 pessoas. Além disso, o grupo que propugnou o bizarro título (pois, pela lógica e pelo bom senso, declara-se non grata pessoa estranha à determinada comunidade, mas não pessoa dela integrante) é o mesmo que vem encenando “corredores poloneses” ao fim das reuniões da congregação, bem como “sitia” o local em que ela se reúne, apupando os oradores a ele contrários, após informado por “torpedos”, passados por membros. Isso somente é possível pela existência de um lado, de minoria militante e, de outro, de maioria não-participativa. Há ofensas que diminuem quem as profere e não o destinatário. Tanto isso é verdade que houve enérgica condenação por parte dos diretores de todas as faculdades da USP, bem como de entidades jurídicas e educacionais.
CC: Seria necessário mudar a forma de nomeação do reitor da USP? Qual seria o modelo ideal?
JGR: Considero útil que se discuta a questão do poder na USP, assunto que foi objeto de reunião temática do conselho universitário em 2011 e que prosseguirá brevemente. Não creio existir modelo ideal, nem modelo permanente. Das discussões, certamente surgirá um modelo apropriado para a USP, nas atuais circunstâncias.
CC: Quais realizações da sua gestão o senhor destacaria?
JGR: A USP deverá estar mais preparada para novas conquistas. Para tanto, na área de recursos humanos implementou-se a progressão horizontal da carreira docente, aprovou-se e implementou-se a carreira dos funcionários técnico-administrativos e reajustou-se significativamente os benefícios ao quadro de pessoal da USP. Criaram-se mil bolsas de estudos no exterior para alunos de graduação, além do programa de recuperação de salas de aulas e laboratórios. O financiamento da própria universidade para grupos de pesquisa atingiu 146 milhões de reais. Estamos fazendo reformas em todos os campi, investimos em computação, há transporte gratuito a ligar o campus ao metrô. Implantamos ainda políticas de responsabilidade social como a reurbanização das comunidades São Remo e Carmine Lourenço (Butantã) e Morro da USP (Sacomã).
CC: Há uma reclamação recorrente: o senhor teria centralizado em demasia o comando da USP. Tomaria decisões à revelia da comunidade, sem ouvir sequer o conselho. Como o responde a essas críticas? O senhor se considera um democrata?
JGR: O estatuto da USP prevê, tanto nas unidades quanto na reitoria, uma série de órgãos, colegiados ou não, dotados de competências diversas. Nem todas as decisões são de competência ou chegam ao conselho universitário. Nos órgãos colegiados, há representação de professores, alunos e funcionários. Seria altamente importante para a USP que os representantes participassem efetivamente de tais órgãos (aliás, a participação é uma obrigação funcional). Os participantes não deveriam adotar a postura de “ser contrário a tudo”, mas sim postura firme de reivindicações e de colaboração. No cenário orgânico da universidade, o poder do reitor é limitado, por estar condicionado à decisão necessária e prévia de órgãos. Assim, a figura do reitor que decide a seu bel prazer não é real, mas construída para criar um tirano em quem centrar toda a artilharia. Minhas decisões têm sido precedidas da oitiva dos órgãos competentes. Ademais, desde 2010 tem havido reuniões com todos os diretores de unidades da USP para discussão e encaminhamento de questões administrativas, estando em fase de finalização softwares que possibilitarão consulta on-line aos diretores. É óbvio que qualquer sistema é suscetível de aperfeiçoamento. O sistema administrativo da USP está, entretanto, sendo observado. Desde há muito venho propondo que consensos parciais sobre determinados assuntos sejam obtidos, enquanto não seja possível se chegar a consensos mais amplos.
CC: O senhor acredita no modelo de universidades públicas e gratuitas?
JGR: A ideia do ensino público e gratuito está arraigada no Brasil, sendo norma constitucional. Não creio que a discussão acerca desse assunto seja possível, nem benéfica atualmente, pois há a convicção de que tal modelo é uma garantia.
CC: O senhor já se declarou “apolítico”. Confirma?
JGR: Não pertenço a qualquer partido político, nem mesmo tenho votado sistematicamente em um só partido. Por outro lado, as nomeações que tenho recebido (não em virtude de concursos públicos) têm sido feitas por presidentes e governador de diferentes partidos: Itamar Franco nomeou-me consultor jurídico do Itamaraty, em 1993. Fernando Henrique nomeou-me presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), após sabatina no Senado, em 2000, e reconduziu-me, em 2003. Lula da Silva indicou-me como membro do Tribunal Permanente do Mercosul, em 2004, e reconduziu-me, por duas vezes, em 2006 e 2008. Por último, José Serra nomeou-me reitor da USP, em 2009.
Foto: Marcos Santos
CC: Para expulsar alunos, o senhor se valeu de um código disciplinar de 1972, criado durante a ditadura para coibir professores e estudantes. A reação da reitoria à ação dos alunos não foi desproporcional? Seria hora de rever este código?
JGR: O poder disciplinar que as instituições públicas detêm deriva da Constituição Federal de 1988 e do direito administrativo geral brasileiro. Quando da aprovação do atual estatuto da USP, os alunos preferiram não discutir legislação nova, deixando que o texto de 1972 continuasse em vigor. Embora seja apropriado rever essa legislação, é importante saber que as mudanças não poderão ser grandes face às premissas constitucionais e administrativas acima referidas, de observância obrigatória. Os alunos foram desligados por terem cometido ilícitos tipificados, inclusive pelo Direito Penal: supressão de documentos públicos, vandalismo de prédios públicos etc. Os processos administrativos seguiram o devido processo legal e direito de defesa, com presença de advogado. Apenas acatei a indicação de penalidade feita pelos três julgadores que integravam a comissão de sindicância.
CC: O senhor defende bastante, e com propriedade, a internacionalização da USP. A ocupação pela Polícia Militar do campus não seria uma nódoa para a imagem internacional da universidade? Não espantaria candidatos a professores e alunos?
JGR: Não há ocupação por parte da PM. Houve aumento de policiamento, em razão do clamor pelo assassinato do aluno Felipe Ramos de Paiva, em maio de 2011. O convênio com a PM, aprovado em tese e no seu conteúdo pelo conselho gestor do campus reflete a intenção da USP e da PM de que haja: 1) policiamento comunitário, feito por profissionais preparados para esse fim; e 2) supervisão de entidades externas como os institutos Sou da Paz e São Paulo contra a Violência. Por disposição constitucional, as PMs estaduais possuem poder de polícia, tendo as guardas particulares, como a guarda universitária, apenas o caráter de proteção patrimonial.
CC: O problema da segurança da USP não poderia ter sido resolvido com mais iluminação e modificações para estimular a circulação das pessoas?
JGR: Em nenhum lugar do mundo, diminui-se a criminalidade somente com iluminação e modificação na circulação.
CC: Aliás, a USP não é mal iluminada e mal sinalizada. Há plano de investimento?
JGR: Brevemente os esforços e as licitações feitas nesse sentido aparecerão.
CC: Muitos acadêmicos reclamam que o senhor tem feito mudanças cosméticas na universidade em vez de suprir a carência de cerca de 2 mil professores.
JGR: Graças a gestões iniciadas pela reitoria da universidade em 2010 o governo enviou projeto à Assembleia Legislativa, que acaba de aprovar 2,7 mil cargos docentes para a USP.
CC: No fim do ano passado, o senhor mandou uma carta aos funcionários na qual informa que eles receberiam o bônus de 3,5mil reais por, entre outros motivos, não terem feito greve. Não seria uma forma de tentar coibir o direito de greve?
JGR: Imaginar tentativa de coibir o direito de greve na referência: “a continuidade das atividades acadêmicas e administrativas, sem que houvesse qualquer tipo de paralisação ao longo do ano” desafia a lógica.
CC: O senhor vê abusos das organizações sindicais? Por que processa a Adusp?
JGR: Não me cabe julgar o comportamento de sindicatos. Dirigi à Adusp um pedido de esclarecimento acerca de declaração constante em jornal de grande circulação, que me imputava ilícito.
CC: Sobre o caso da placa em que estava escrito “revolução de 1964″, modificada após denúncia da mídia: o senhor pessoalmente utiliza o termo “revolução” em entrevistas. Não acredita ter havido um golpe em 1964?
JGR: Utilizo a expressão ditadura militar e não os termos ”revolução” ou “golpe”. A confecção da placa não passou pelo crivo do escalão superior da USP. Quanto ao monumento, foi obra de terceiros, tendo a USP apenas autorizado sua localização.
CC: Quando o senhor era candidato, o Estado de S. Paulo em entrevista, perguntou-lhe se o senhor pertencia a organizações como a Opus Dei e a TFP. Existe essa relação?
JGR: Nunca participei nem participo das organizações citadas ou similares.
CC: Foi exibido um documento demonstrando que o senhor faz doações para uma entidade monarquista. O senhor tem simpatia pela monarquia?
JGR: Tal documento não existe, pois nunca fiz doação para o movimento monárquico, com que não tenho intimidade.
CC: Qual a justificativa para a reitoria receber relatórios sobre as reuniões feitas por professores e alunos, denunciados como “espionagem” e “arapongagem”? Para que a USP necessita destes relatórios?
JGR: Nunca recebi, nem considero aceitáveis tais relatórios.
CC: Na sua gestão as fundações ganharam ainda mais. O senhor aprova esse modelo?
JGR: Não tenho qualquer relação com as fundações privadas.
Sergio Lírio
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O relatório do ministro Joaquim Barbosa sobre o 'Mensalão'


O ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou seu relatório com um resumo da ação penal. O ministro acolhe a denúncia do Ministério Público Federal contra 38 réus envolvidos com o esquema.
O relatório, com 122 páginas, descreve como agia a “sofisticada organização criminosa”, no esquema montado para a compra de votos de parlamentares, que deu origem à maior crise política pelo então governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Inicialmente, a denúncia feita por Gurgel era contra 40 pessoas. Mas o ex-secretário-geral do PT Sílvio Pereira foi afastado por ter colaborado com as coesstigações e o ex-deputado José Janene (PP-SP) morreu.

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Um leilão sem estrelas

A PF investiga a venda do Hotel Nacional, no Rio. Um leiloeiro filiado ao PTB e um amigo de Carlinhos Cachoeira estão entre os favorecidos
MARCO
Fachada e torre do Hotel Nacional, no Rio de Janeiro. Com a assinatura de Niemeyer, o prédio parece um imóvel fantasma desde 1995
(Foto: Stefano Martini/Época)
Uma torre redonda e envidraçada, com mais de 100 metros de altura, se destaca desde 1972 em São Conrado, bairro nobre da Zona Sul do Rio de Janeiro. Projetado por Oscar Niemeyer, o Hotel Nacional é um marco da arquitetura e já foi considerado o mais moderno da América Latina. Desde 1995, mais parece um imóvel fantasma, vítima das dificuldades financeiras de seu proprietário. Seu destino começou a mudar em dezembro de 2009, quando um leilão o transferiu da massa falida da Interunion Capitalização (dona do extinto Papa Tudo) para as mãos do empresário goiano Marcelo Limírio. Convocado a depor na CPI do Cachoeira, Limírio é parceiro de negócios do próprio contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, cujo apelido dá nome à comissão de inquérito.
VENDA SUSPEITA Portaria da Susep  (no alto) determina investigação do leilão do Hotel Nacional, anunciado em edital em 2009 (acima).   A Polícia Federal procura respostas  (Foto: reprodução)
VENDA SUSPEITA
Portaria da Susep (no alto) determina investigação do leilão do Hotel Nacional, anunciado em edital em 2009 (acima).
A Polícia Federal procura respostas
(Foto: reprodução)
A ligação do novo dono do Nacional com Cachoeira seria uma coincidência não fosse o leilão outro caso de polícia. Época descobriu que o negócio é investigado pela Polícia Federal. A Justiça autorizou a quebra de sigilo bancário de todos os investigados por suspeita de desvio de recursos da Interunion Capitalização e até lavagem de dinheiro (leia o quadro abaixo). Três coisas causaram estranheza aos policiais federais – e em duas delas estão envolvidas siglas de partidos políticos:
- O leilão foi remarcado várias vezes sem que o hotel fosse vendido. A última tentativa malsucedida, em 4 de novembro de 2009, estabeleceu um preço mínimo de R$ 118,5 milhões, com o pagamento mínimo de R$ 100 milhões praticamente à vista. No leilão seguinte, um mês e meio depois, o preço foi para R$ 85 milhões, com o pagamento inicial de R$ 21 milhões. Nessas condições bem mais amigáveis, foi arrematado por Limírio. (Ele não atendeu a reportagem por estar em viagem. Um de seus advogados negou sua participação no esquema de Cachoeira.) A queda de preço ocorreu com a aprovação da Superintendência de Seguros Privados, a Susep, órgão federal que fiscaliza 25% do mercado financeiro nacional – cujo comando, uma indicação política, vem sendo disputado pelo PT e pelo PTB desde o governo Lula. Na ocasião do leilão, o superintendente da Susep era o deputado federal Armando Vergílio, do PSD de Goiás, cujo padrinho é o deputado federal Jovair Arantes, do mesmo Estado. Líder do PTB na Câmara dos Deputados, Arantes é citado na Operação Monte Carlo da Polícia Federal, que deu origem à CPI do Cachoeira.
- Foram contratados dois leiloeiros, um em São Paulo e o outro no Rio de Janeiro, para o leilão do Hotel Nacional. O de São Paulo era Luiz Fernando Sodré Santoro, suplente do senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR). Outra empresa, de propriedade da mulher de Santoro, ainda entrou no negócio. Junto, o casal recebeu R$ 3,85 milhões.
- A Polícia Federal investiga também a contratação do escritório de advocacia Mattos, Rodeguer Neto, Victoria, de São Paulo, por R$ 2,76 milhões, num processo do qual já participavam três escritórios de advocacia. Segundo ex-acionistas da Interunion Capitalização, a contratação teve como efeito apenas “arruinar o patrimônio alheio”.
A proposta de venda do Hotel Nacional, com preço mais baixo e melhores condições de pagamento, nasceu na própria Susep, segundo o liquidante José Emílio Quintas, encarregado de gerir a massa falida do Interunion. “Nada aqui foi o liquidante que decidiu ou fez sozinho. A Susep ratifica tudo”, diz ele. A Susep regula e fiscaliza o mercado segurador. Age também como fiscal das liquidações extrajudiciais das empresas sob seu chapéu, como era o caso da Interunion Capitalização. Segundo o deputado federal Vergílio, superintendente da Susep à época do leilão do Nacional, o negócio foi feito “dentro da legalidade”. “O processo ocorreu de forma transparente”, disse. De acordo com ele, o encarregado por acompanhar a liquidação da Interunion era o então diretor de Fiscalização da Susep, o petista Waldemir Bargieri. Vergílio afirma que Bargieri era da “mais alta confiança do ministro Guido Mantega (Fazenda)”.
Partiu de Bargieri o convite para Quintas assumir a liquidação da Interunion. “Mas eu não o conhecia”, diz Quintas, antes de detalhar informações sobre sua carreira técnica. Procurado, o Ministério da Fazenda informou que a escolha de Bargieri para a Susep seguiu “critérios técnicos” e negou haver ligação de natureza pessoal entre ele e Mantega.
A segunda linha de investigação diz respeito ao leiloeiro Santoro, filiado ao PTB desde 1997. Ele recebeu, com a empresa de sua mulher, R$ 3,85 milhões pelos serviços prestados no negócio. O valor chamou a atenção do ex-proprietário da Interunion, o empresário Artur Falk. Advogados de Falk afirmam que o leilão poderia ter sido realizado apenas por uma leiloeira do Rio, que já fora contratada para o serviço e pelo qual recebera R$ 425 mil. Ouvido pela polícia, o casal de São Paulo disse que as despesas do leilão ficaram em R$ 1,5 milhão. Documentos obtidos por Época mostram que os investigadores não só consideraram alto demais o “lucro” de Santoro (R$ 2,3 milhões), como também levantaram suspeitas sobre o verdadeiro destino da quantia paga.
A cifra milionária foi motivo de bate-boca entre Falk e Santoro, numa reunião realizada pouco antes do leilão do Hotel Nacional, com pelo menos uma dúzia de testemunhas. Como a comissão milionária ficaria a cargo do comprador do hotel, e não da massa falida, Santoro questionou se Falk tinha algo pessoal contra ele. Segundo um dos presentes ao tenso encontro, Falk disse: “Sou contra pagar 4,5% a mais porque o que sobrar depois da liquidação é meu!”. O advogado José Roberto Batochio, que defende Santoro e sua mulher, diz que eles receberam “a comissão que a lei permite e ainda assumiram o risco de perder, se não houvesse venda, R$ 1,5 milhão gastos com editais e publicações”. Batochio conseguiu suspender, no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, a quebra de sigilos de seus clientes. Mas a investigação policial continua. Sobre a escolha do petebista Santoro como segundo leiloeiro no negócio, Quintas diz que ele foi selecionado entre muitos candidatos a organizar o leilão do Hotel Nacional.
O terceiro foco de investigação é a contratação dos advogados em São Paulo. O escritório Mattos, Rodeguer Neto, Victoria foi contratado por R$ 2,76 milhões para defender a massa falida numa causa de R$ 184 milhões. O mesmo escritório de São Paulo recebeu ainda R$ 255 mil da massa falida para fazer o edital do leilão do Nacional. Um dos sócios, José Carlos de Alvarenga Mattos, afirma que o grupo trabalha há mais de 25 anos com liquidação de instituições financeiras. Ele diz que o escritório só recebeu R$ 690 mil até agora. “A gente vai receber (tudo) se houver sucesso no final da ação. O valor está dentro dos parâmetros (de mercado)”, diz Mattos. A quebra do sigilo bancário de envolvidos no leilão do Hotel Nacional, determinada pela Justiça, chamou a atenção do Ministério da Fazenda, que solicitou providências à Susep. Na semana passada, a Susep instaurou uma sindicância para averiguar os procedimentos no leilão, bem como a liquidação da Interunion, que se arrasta há 14 anos.
Com um patrimônio insuficiente para cumprir com suas obrigações, a Interunion sofreu intervenção em 1998. Falk foi condenado por gestão fraudulenta e entrou em atrito com os liquidantes da massa falida da empresa – cuja missão é vender o patrimônio da Interunion Capitalização para quitar as dívidas. Há milhões de reais em débitos pendentes, com o Poder Público e com credores privados, como os portadores dos títulos PapaTudo, que nunca viram a cor do dinheiro. Em 2006, Falk chegou a ser preso por tentar obstruir a Justiça. Hoje, ele tenta mais uma vez pressionar, com uma ação na Justiça, o atual liquidante, Quintas. Funcionário aposentado do Banco Central e ex-liquidante do Banco Nacional, Quintas assumiu a liquidação da Interunion em outubro de 2007. Acusado por Falk de “vários atos danosos à massa” e, por consequência, aos credores, Quintas pode ter respostas para muitas das perguntas feitas hoje pela Polícia Federal.
A prometida recuperação do Hotel Nacional é uma das bandeiras do prefeito do Rio, Eduardo Paes, que apresenta o projeto como se fosse seu. Segundo a prefeitura, a rede Intercontinental será a operadora do novo Nacional. É compreensível a ansiedade de Paes. Estrangulada por falta de ofertas, a rede hoteleira carioca tornou-se o maior desafio à realização do encontro ambiental Rio+20, em junho. É também motivo de preocupação para a Copa do Mundo, em 2014, e para a Olimpíada de 2016. Antes de poder se beneficiar do novo Hotel Nacional, porém, o Brasil precisa saber em detalhes o que, de fato, aconteceu com o antigo.
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