17 de mai de 2012

Vaccarezza é flagrado tentando blindar Sérgio Cabral em CPI

O deputado federal Cândido Vaccarezza (PT-SP) foi flagrado nesta quinta-feira, durante sessão da CPI do Cachoeira, garantindo blindagem do PT ao governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), que corria risco de ser convocado a depor na comissão.
As imagens da troca de mensagens de celular entre Vaccarezza, um dos principais articuladores da base governista na CPI, e Cabral foram registradas por um cinegrafista e exibidas na edição desta quinta-feira do "Jornal do SBT".
"A relação com o PMDB vai azedar na CPI. Mas não se preocupe, você é nosso e nós somos teu [sic]", escreveu Vaccarezza a Cabral.
Vaccarezza não foi localizado pela Folha para comentar o caso. Procurada, a assessoria do governo do Rio não se manifestou até a publicação desta notícia.
A convocação do governador fluminense era defendida por parte dos parlamentares integrantes da CPI. O governador é amigo de Fernando Cavendish, presidente licenciado do Conselho de Administração da Delta Construções, empreiteira pivô do caso Carlinhos Cachoeira.
Fotos e vídeos divulgados nas últimas semanas pelo deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ) em seu blog mostram Cabral e Cavendish juntos em Paris, em momentos de descontração em um restaurante de luxo.
Desde o início da gestão de Sérgio Cabral, em 2007, a Delta firmou contratos de mais de R$ 1,4 bilhão com o governo fluminense, a maior parte sem licitação.
Em pronunciamento durante a sessão da CPI, na manhã desta quinta-feira, Vaccarezza chegou a dizer que eventuais superfaturamentos não são exclusividade da Delta e defendeu a restrição do alcance das investigações.
"Se tiver superfaturamento em uma obra ou outra, não é competência dessa CPI investigar. É de outra. Como tem [superfaturamento] de outras empreiteiras", disse.
Um requerimento pedindo a convocação de Cabral foi redigido, mas, depois de acordo entre a base governista e a oposição, não chegou a ser votado.
O acordo resultou, também, na desistência de convocação dos governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT).
Também ficou de fora da CPI, ao menos por ora, a atuação nacional da Delta, que poderia atingir Cavendish. A investigação sobre a empreiteira ficará restrita ao Centro-Oeste.
No Folha
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Ignorância ou pilantagem?

Jornalista com preguiça de estudar e investigar resulta nisso: um texto de humor.

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Bristol (EUA) - O patriotismo é o derradeiro refúgio dos pilantras, disse certa vez o escritor inglês Samuel Johnson. Em matéria de discussão sobre aquecimento global, o derradeiro refúgio é a nuvem cirro, aquela fininha que vemos bem alta no céu.
Segundo a ínfima minoria de climatologistas que, por venalidade ou mera vontade de aparecer, insiste em dizer que não há perigo no crescente lançamento do CO2, o dióxido de carbono, na atmosfera, a nuvem cirro vai nos salvar porque  se tornará ainda mais esgarçada e, graças a isto, permitirá que mais calor escape da Terra para o espaço.
É uma teoria que, de saída, encerra um erro fatal.  Pressupõe as duas coisas que procura desmentir: 1) que o aquecimento global existe; 2) que o CO2 contribui para ele.
De fato, é impossível negar a paulatina elevação da temperatura média terrestre, pois ela vem sendo medida por observatórios espalhados por todo  o planeta há mais de um século. É também impossível negar que o CO2 seja um gás do efeito estufa - isto é, um gás que retarda a perda de calor da Terra para o espaço. Isto é comprovado em testes empíricos em qualquer laboratório escolar.
Segundo a  frustrada e patética ex-candidata a candidata republicana à Presidência dos Estados Unidos, Michele Bachman, o CO2 só pode ser benéfico, por contribuir para o crescimento das plantas e para impedir que a Terra perca calor em excesso. É uma afirmativa que nega o velho ditado em inglês “too much of a good thing is a bad thing”. Algo que também poderíamos dizer em português, afirmando o óbvio ululante: “a diferença entre o remédio e o veneno está na dose”.
Noventa e sete por cento dos cientistas que estudam o problema afirmam que o aquecimento global é um perigo para a humanidade. Três por cento afirmam que não devemos nos preocupar. A nuvem cirro nos salvará. Ou alguma outra coisa pode acontecer.
Se 97% de eletricistas disserem que sua casa mais cedo ou mais tarde pegará fogo porque tem um defeito de fiação e três por cento garantirem que você não precisa se preocupar, em quem você acreditará?
Há poucos anos hackers, cuja identidade ainda está sendo investigada mas que parecem ser protegido por interesses econômicos, conseguiram acessar e-mails de cientistas britânicos e fizeram um grande alarido, afirmando que eles haviam falsificado os dados sobre aquecimento global. Ao fim, os cientistas foram considerados culpados apenas de linguagem descuidada e coloquial, que era entendida pelos profissionais do ramo mas poderia parecer estranha a quem não vivesse no meio.
Há em  todo mundo “doutores em climatologia” que procuram uma fama rápida gritando e gesticulando contra os estudos científicos e adotando posições demagógicas. Outro dia me enviaram uma imitação cabocla deste tipo, em um show do Jô Soares. Foi a primeira vez que o assisti  mas, de saída, achei que anfitrião e convidado se equivaliam: até pela maneira espalhafatosa de trajar, Jô Soares não pode ser levado a sério e seu entrevistado personificava à perfeição o espírito do programa.
José Inácio Werneck
No Direto da Redação
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Sindicato dos Metroviários de São Paulo faz um desafio ao Metrô

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Charge online - Bessinha - # 1249

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Acesso à Internet em Balneário Camboriú é de 60%


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Jornalista tem o direito de criticar. Batata do Dantas assa

Critico, logo existo
Saiu na Folha:

Comissão de juristas pede imunidade para jornalistas

Profissional de imprensa seria equiparado aos críticos literários, de arte e ciência
FILIPE COUTINHO
NÁDIA GUERLENDA
DE BRASÍLIA
A comissão de juristas criada pelo Senado para atualizar o Código Penal aprovou uma imunidade para os jornalistas não serem punidos ao fazer críticas: o jornalista poderá emitir “opinião desfavorável” sem ser condenado por injúria ou difamação.
A proposta coloca a imprensa junto a críticos literários, de arte e ciência, que já têm essa mesma imunidade.
No debate na comissão, ocorrido em março, chegou-se a levantar que a proposta poderia ser uma carta branca para ataques pessoais. Mas o texto acabou aprovado por acordo, após a ressalva de que poderá haver crime “quando inequívoca a intenção de injuriar ou difamar”.
“Nesses casos o ônus da prova fica invertido: quem se diz ofendido é que terá que provar na Justiça que aquela crítica não é jornalística, que há outra motivação de má-fé”, afirma o desembargador José Muiños Piñeiro, integrante da comissão.
O relator do grupo de juristas, procurador Luiz Carlos Gonçalves, disse que “a liberdade de imprensa compreende inclusive o direito de fazer uma manifestação crítica”. Após a conclusão dos trabalhos do grupo, formado por 17 especialistas, a proposta para atualizar o Código Penal será entregue ao Senado, que iniciará a discussão do texto.
Só no Brasil mesmo é que se torna preciso fixar em Lei que jornalista tem o direito de criticar.
Mas, já que é assim, não é mesmo, Nassif, Rodrigo, Azenha e centenas de blogueiros espalhados pelo país, já que é assim que se mude o Código.
O Ministro Lewandowski, ao saudar os blogueiros sujos.
E o Ministro Ayres Britto, ao receber o convite – que não poderá aceitar – para ir ao Encontro de Blogueiros Sujíssimos e Críticos na Bahia, dia 25 deste mês.
A propósito: o ministro Britto mandou nos dizer que não pode ir à Bahia, como gostaria, porque há uma judicialização crescente da liberdade de expressão e talvez ele seja obrigado a se manifestar sobre isso.
Nada mais justo.
Toda a fuzilaria dos Dantas e assemelhados que, por exemplo, movem ações contra este ansioso blogueiro – umas 40 – pode acabar no Supremo.
Até que, como diz Britto, a censura pare de se esgueirar nas decisões judiciais de instâncias inferiores.
No Supremo, então, será consagrado o direito de se dizer que Dantas é o passador de bola apanhado no ato de passar bola, segundo o insuspeito testemunho do jornal nacional.
E que a expressão “negro de alma branca” é uma forma de defender o negro e não de estigmatizá-lo.
Parece óbvio, mas dá trabalho, amigo navegante.
Trabalho que dignifica o direito de informar e CRITICAR, não é isso, Ali Kamel?
Ou só a Globo pode ter o direiro de criticar?
Em tempo: este Conversa Afiada não abre mão do direito inalienável de dizer que o Ali Kamel é o nosso Gilberto Freire com “i”.
Paulo Henrique Amorim
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Ministério Público considera pena de Mayara Petruso insuficiente e deve recorrer

Ex-estudante de Direito, que veiculou mensagem preconceituosa contra nordestinos no Twitter, teve pena de reclusão convertida em prestação de serviços à comunidade e multa
A ex-estudante de Direito Mayara Petruso foi condenada pela 9ª Vara Federal Criminal de São Paulo à pena de prestação de serviços à comunidade, além de multa de R$ 620 por ter veiculado mensagem de preconceito e discriminação contra nordestinos no Twitter. Ela foi condenada também ao pagamento de uma indenização por danos à sociedade, fixada em R$ 500, dinheiro que será destinado à ONG Safernet, que atua na prevenção de crimes cibernéticos. Em nota, a assessoria de comunicação da Procuradoria da República no Estado de São Paulo afirma que o Ministério Público Federal (MPF) recorrerá da decisão.
A condenação se refere ao episódio ocorrido logo após a vitória de Dilma Rousseff nas eleições presidenciais de 2010, quando a jovem postou: “Nordestisto [sic] não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado”. Na sentença, assinada pela juíza federal Monica Aparecida Bonavina Camargo, ela foi condenada com base no artigo 20 da lei 7.716/89, à pena de um ano, cinco meses e 15 dias de reclusão em regime aberto, além de pagamento de 8 dias-multa (cada dia-multa foi fixado em 1/30 do salário mínimo, o que equivale a R$ 165). A pena também foi transformada em multa, no valor de um salário mínimo (R$ 620), e prestação de serviços à comunidade.
Na sentença, a juíza sugeriu que a sentenciada seja encaminhada para “serviço em entidade que possa contribuir para seu processo pessoal de recuperação emocional”. Ela aponta a existência de uma “atitude preconceituosa” na publicação e reconhece que “as consequências do crime foram graves socialmente, dada a repercussão que o fato teve nas redes sociais e na mídia”, mas refutou a ideia de aplicar uma punição exemplar à jovem que teria sofrido também, ao longo de todo o processo, uma punição moral. “Houve consequências especialmente graves para a própria M., que perdeu seu emprego, abandonou a faculdade, até hoje tem medo de dizer o nome da empresa na qual trabalha e que lhe abriu as portas, viveu seis meses reclusa em sua casa, com medo de sair à rua, situações extremamente difíceis e graves para uma jovem de sua idade”, afirma na sentença.
A íntegra da sentença judicial pode ser acessada aqui.
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Porque Civita reassumiu o cargo de editor de Veja

Só hoje me alertaram para um detalhe significativo na última edição de Veja. Em meio a páginas de puro pânico, há um boxe com um artigo de Roberto Civita, apresentando-se como Editor da Veja.
Por que isso, se tempos atrás ele se afastou de tudo, inclusive da direção editorial, delegando ao sucessor Fábio Barbosa? E no final de uma semana em que houve fortes rumores de pedido de demissão de Barbosa?
Simples de entender:
Ao passar o cargo de diretor editorial a Barbosa, Roberto Civita enredou-o em uma armadilha. Agravando a situação da revista - na CPMI ou na Justiça - o responsável legal passaria a ser o novo presidente.
Aparentemente, Barbosa deu-se conta disso nos últimos dias. Percebendo, ameaçou pedir demissão, o que jogaria a Veja no inferno.
Aparentemente, a solução negociada foi o tal registro de Civita nas páginas da revista, apresentando-se como seu editor.
Tudo tem seu preço. Até então Civita aparecia meramente como presidente do Conselho de Administração da Abril. Com a pequena nota, a CPMI encontrou elementos para futuramente convocá-lo.
Luis Nassif
No Advivo
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Senado decide não divulgar salários de funcionários

Para diretora-geral da Casa, vencimentos dos servidores devem ser uma informação protegida
Doris Peixoto e Sarney
BRASÍLIA - O salários dos servidores do Senado estão a salvo da Lei de Acesso à Informação Pública. A mesa diretora aprovou nesta quarta-feira, 16, um ato que regulamenta o processo de acesso às informações produzidas pela Casa, mas a diretora-geral, Doris Marize Peixoto, deixou claro que o Senado vê o vencimentos dos funcionários como uma informação protegida.
"A questão salarial individual é uma questão que tem apoio legal para não ser divulgado", afirmou, alegando a existência do sigilo bancário para que o Senado não forneça os dados. De acordo com a diretora, a estrutura salarial da Casa já está disponível na Internet. No entanto, essa estrutura não revela os salários reais dos servidores, sempre engordados com gratificações e outros penduricalhos a ponto de vários passarem do teto do funcionalismo público.
Uma lista revelada em agosto do ano passado pelo site Congresso em Foco mostrou que 464 servidores do Senado recebiam, em 2009, acima do teto da época, de R$ 24,5 mil mensais - inclusive Doris Peixoto, com um salário então de R$ 27.215,65. Havia funcionários recebendo até R$ 46 mil mensais. Nada indica que algo tenha mudado.
O ato aprovado nesta quarta-feira pela mesa apenas regulamenta a maneira como os cidadãos terão acesso às informações produzidas pelo Senado. Um comissão com representantes de todas as áreas que produzem documentos foi criada para analisar que tipo de classificação eles terão. A resposta terá que ser dada em 30 dias. Nesse meio tempo, a prioridade será dada para informações pedidas que não estejam hoje disponíveis.
Um balcão será criado para que os interessados peçam dados do Senado. Se estiverem já abertos, a orientação é que a resposta seja dada na hora. Se não, o interessado pode preencher um formulário e esperar a resposta do órgão responsável.
Foi definida ainda a estrutura de recurso. Se uma informação é negada pelo órgão responsável mas o requerente não concorda, pode pedir a reconsideração à Diretoria Geral da Casa, que fará uma nova análise. "Quisemos deixar as coisas o mais simples possível. São apenas duas instâncias", explicou Doris. De acordo com a diretora-geral, o Senado já responde a 80% das informações pedidas.
Lisandra Paraguassu
No Agência Estado
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Pergunte o que você quer saber sobre a Copa. Eles têm que responder

Aprenda a cobrar informações da Copa de órgãos públicos e conheça o site "Queremos Saber" da Transparência Hacker
A Lei de Acesso à Informação (12.527/11) entrou em vigor nesta quarta-feira (16) e pode ser uma ferramenta muito útil para a sociedade fiscalizar os preparativos para a Copa de 2014. Ela visa garantir o acesso dos cidadãos brasileiros a dados oficiais do Executivo, Legislativo e Judiciário e, diz que, a partir de agora, os órgãos públicos deverão ter um Serviço de Informação ao Cidadão (SIC), que será responsável por atender aos pedidos de informações, inclusive no que diz respeito à Copa. Por exemplo: se você quiser saber quanto dinheiro público foi investido em determinado estádio, vai poder perguntar ao órgão responsável e este vai ter que responder – nem que seja explicando que a informação corre em sigilo.
Além das entidades e órgãos nos três níveis de governo, a nova lei também determina que as autarquias, fundações, empresas públicas e entidades privadas sem fins lucrativos prestem informações de forma gratuita ao cidadão. Informações sobre investimentos, gastos financeiros, contratos, programas, projetos, sem necessidade de justificativa. Continuam sob sigilo informações que coloquem a segurança nacional em risco ou dados sobre andamento de investigações criminais.
Antes da lei, a constituição autorizava o cidadão a solicitar informações que lhe diziam respeito e o comando dos órgãos decidiam se liberavam ou não as informações. Agora, as solicitações devem ser respondidas imediatamente e, caso dependam de algum levantamento interno, os órgãos têm prazo de 20 dias para atender à demanda, com prorrogação de mais dez dias mediante justificativa. Terminado o processo, o órgão público ou envia a informação ou apresenta a justificativa para não prestá-la.
Veja quais informações você pode pedir para qual órgão público envolvido nos preparativos para a Copa de 2014:
Tribunal de Contas da União (TCU)
Cabe ao TCU fiscalizar valores públicos investidos nas obras da Copa do Mundo no âmbito federal. Você pode solicitar relatórios e dados sobre os valores de investimento estatal nas obras, mesmo as que estão sob administração privada. Qualquer pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, que administre bens ou valores públicos pelos quais a União responda, tem de prestar contas ao TCU. E o cidadão pode solicitar acesso a estas contas.
Tribunais de Contas Estaduais (TCEs)
Fiscaliza os investimentos estatais especificamente em obras estaduais. Assim como no âmbito federal, o cidadão pode solicitar informações sobre o aporte de investimento público em obras dos estados. Contas prestadas por pessoas físicas ou jurídicas aos TCEs também podem ser acessadas.
Ministério do Esporte
O órgão pode dar informações gerais sobre o evento e acerca das negociações com a Fifa.
Ministério das Cidades
O cidadão pode solicitar a este Ministério informações sobre as obras de mobilidade urbana previstas para as cidades-sede tais como prazos de entrega, relatórios dos gastos, organogramas etc.
Secretarias Especiais de Articulação para a Copa do Mundo de 2014 (Secopa)
As secretarias devem fornecer informações locais específicas sobre a Copa do Mundo nas cidades-sede e também sobre as parcerias firmadas entre a prefeitura e empresas, estado, etc. para a realização do evento.
Ministério Público do Trabalho (MPT)
O órgão pode prestar informações sobre a situação trabalhista das obras. É possível saber se há ações trabalhistas vigentes contra o empreendimento e se a lei, sob o ponto de vista da instituição, vem sendo cumprida à risca.
Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
Banco responsável por grande parte do financiamento estatal, pode dispor de informações sobre as linhas de crédito disponíveis para as Arenas e sua participação efetiva em obras e projetos relacionados à Copa do Mundo.
Como obter acesso às informações por meios oficiais
Os órgãos públicos estão criando os SICs (Serviços de Informações aos Cidadãos), que serão encarregados de fornecer as informações solicitadas pela população. Os pedidos poderão ser feitos por email, pessoalmente ou por carta. Os SICs terão endereços de emails (e-SICs), além de espaços físicos a serem montados nos órgãos.
Após a solicitação, os SICs de cada órgão têm de avisar se o pedido foi aceito ou recusado. Neste caso, as instituições precisam apresentar justificativas ou da falta da informação, ou, quando a informação não for da competência do órgão, o local adequado para destinar tal solicitação, já remetendo, se possível, o pedido ao órgão competente.
Caso o pedido seja aceito, o órgão deve indicar a data, o local e o modo para fazer a consulta ao documento, fazer uma reprodução dele se possível, ou obter uma certidão. O prazo para o atendimento é de 20 dias, com mais dez dias de prorrogação sob justificativa. O artigo 5º da lei especifica que “é dever do Estado garantir o direito de acesso à informação, que será franqueada, mediante procedimentos objetivos e ágeis, de forma transparente, clara e em linguagem de fácil compreensão.” Ou seja, a informação tem de ser dada de maneira clara e é função dos SICs “traduzi-las” de maneira adequada.
Site “Queremos Saber” oferece atalho à burocracia
Criado pela Transparência Hacker, comunidade que reúne desenvolvedores da web, jornalistas, designers, gestores públicos entre outros, o site Queremos Saber foi desenvolvido e é amparado pela Lei de Acesso à Informação para facilitar o acesso das pessoas aos órgãos públicos e às informações correspondentes.
Para utilizar os serviços do site, basta realizar um cadastro simples, clicando no link “entrar ou se cadastrar” no topo do site e digitar o nome do órgão que se deseja consultar. O site possui um cadastro que conta com 5674 órgãos públicos para consulta. Os endereços de email para contato são listados pelo site e a pessoa só precisa escrever uma mensagem para o órgão realizando seu pedido. Tais solicitações são públicas e ficam disponíveis no site para acompanhamento dos autores ou das pessoas que se interessam pelo mesmo assunto, até como forma de unir pessoas que possuem reivindicações parecidas.
No site é possível ver quais solicitações foram atendidas, recusadas, encontram-se atrasadas ou aquelas cujas informações não constam nos órgãos referidos. Tal processo facilita as reivindicações por já trazer identificados os canais de comunicação correspondentes aos órgãos.
Vale lembrar que o site foi feito em com código livre.
Pediu alguma informação? Foi atendido? Usou o site da Transparência Hacker? Conte para nós!
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Até FHC defende “regulação da mídia”

Os barões da mídia devem estar irritados com o ingrato FHC. Durante seminário realizado por seu instituto nesta terça-feira (15), o ex-presidente se disse favorável à adoção de “mecanismos” para a regular os meios de comunicação. A declaração inusitada e surpreendente foi publicada, numa notinha, pelo jornal O Globo e reproduzida pelo sítio Comunique-se. Vale registrar e guardar:
“Temos hoje uma arquitetura democrática, mas não temos a alma. É uma ideia que ainda está sendo construída. É preciso apoiar mecanismos de regulação que permitam a diversidade”, afirmou FHC. O ex-presidente também defendeu a criação da Comissão da Verdade, que deve apurar “os abusos do Estado” cometidos no período da ditadura militar.

Surpresas num ambiente adverso

O seminário organizado pelo Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC), com o tema “Meios de comunicação e democracia na América Latina”, contou as presenças de Carlos Mesa, ex-presidente da Bolívia; Osvaldo Hurtado, ex-presidente do Equador; Ruben Aguilar, ex-porta-voz da presidência do México; e do jornalista Eugênio Bucci, ex-presidente da Radiobrás no governo Lula.
Apesar do ambiente avesso à tese da democratização da comunicação, com ex-presidentes que fazem oposição aos governos dos seus países e os acusam de cercear a liberdade de imprensa, não faltaram críticas à mídia hegemônica na região. Carlos Mesa, por exemplo, disse que “os meios entraram numa espiral de perda de valores” ao tentarem se converter em “protagonistas políticos”.

O que Dilma está esperando?

Já Ruben Aguilar, que foi porta-voz do presidente conservador Vicente Fox (2000-2006), criticou a atitude mercenária da mídia no México. “O governo antes dava dinheiro para que sua informação fosse publicada. Agora, são os meios de comunicação que cobram por isso”. Em pleno processo eleitoral no país, Aguilar afirma que a situação se agrava ainda mais, com o “noticiário corrompido”.
Se conservadores convictos, sempre bajulados pela mídia hegemônica, criticam as suas distorções, por que será que o governo Dilma Rousseff ainda não apresentou sua consulta pública sobre o marco regulatório do setor do Brasil? O que está esperando? Até FHC já defende “mecanismos” para regular a mídia!
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A luta pela regulação da mídia

Se há consenso de que o conjunto dos partidos políticos e dos movimentos sociais ainda não abraçou de fato a bandeira da democratização da mídia, o seminário “Desafios da Liberdade de Expressão” surpreendeu. Promovido nesta sexta-feira (04/05), no Sindicato dos Engenheiros de São Paulo, o evento do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) reuniu quase 200 militantes de legendas e fundações partidárias, entidades sociais e outras organizações da sociedade civil.
Motivação para o debate não faltava. O governo promete apresentar, em breve, a consulta pública do marco regulatório da comunicação, com 50 questões sobre a área. A expetativa do FNDC é lançar uma campanha nas ruas para aproveitar esse processo, mobilizar a sociedade e acumular forças para a construção do novo marco regulatório.
“Das mudanças estruturais que a sociedade precisa encampar, a reforma da mídia é uma das mais necessárias. Não há possibilidade de avançar no processo democrático brasileiro sem a democratização do acesso aos meios de comunicação”, afirma Leocir Costa Rosa, o Léo, diretor Administrativo e Financeiro da Fundação Maurício Grabois, participante do seminário.
Segundo ele, “não dá mais para continuar nesse sistema de concentração de poder através do domínio da mídia”. É preciso “quebrar o monopólio e enfrentar a propriedade cruzada dos meios de comunicação. Léo sustenta que, em qualquer iniciativa para democratizar a mídia, “é fundamental envolver a sociedade, o povo, as entidades sociais”.
O diretor da Grabois propõe que fundações dos partidos de esquerda, como PDT, PT, PSB e PCdoB, se unam por uma agenda unitária na luta pelo marco regulatório da mídia. “Houve uma experiência interessante em 2011, quando as fundações, em parceria com os movimentos, criaram um fórum para construir a plataforma comum de uma reforma política democrática.”

O papel dos movimentos

O seminário também apostou na unidade. “O caráter suprapartidário e a amplitude são referências para nós”, disse Rosane Bertotti, coordenadora do FNDC. “Ou os movimentos assumem um papel estratégico para intervir na estrutura de comunicação do País, ou não mudaremos essa estrutura.”
Rosane opinou que, nos governos do ex-presidente Lula e da presidenta Dilma Rousseff, o tema das comunicações ficou “estagnado”. Mas houve um “marco relevante” em 2009 – a Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). “Quando vemos os novos meandros da nossa luta, como o papel da ‘Veja’, fica claro que a Conferência estava no caminho certo.”
Para Altamiro Borges, o Miro, secretário de Questões da Mídia do PCdoB, o governo vive “seu melhor momento político” e deveria apresentar agora a consulta pública do marco regulatório. Mas o protagonismo dessa luta será da sociedade. “Se o governo lança a consulta, o quadro se altera. Mas não nos cabe esperar o governo. Cabe fazer pressão”, diz Miro, que é membro do Conselho Curador da Fundação Maurício Grabois.
Como adversidade, ele aponta que “a causa da comunicação ainda não está na força centrípeta dos movimentos. Se está na agenda, não é prioridade.” Em contrapartida, o dirigente acredita que os partidos se posicionam mais. “É o caso do PSOL, do PCdoB, do PSB, do PDT e do PT.” Segundo Miro, os movimentos também acertam ao pôr a liberdade de expressão como foco da campanha do FNDC. “Precisamos ir ao debate nos estados e tirar essa bandeira da mão da direita. Eles querem a liberdade do monopólio.”

Deputados presentes

A abertura do seminário do FNDC contou com a participação de três deputados federais – Ivan Valente (SP), presidente do PSOL; André Vargas (RS), secretário de Comunicação do PT; e Luiza Erundina (SP), presidente da FrentCom (Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e Direito à Comunicação com Participação Popular). Eles reiteraram a importância da mobilização popular na luta pela democratização da mídia.
“Temos de confiar na organização da sociedade civil. Não há nada que mude sem pressão social. É fundamental que este seminário parta para a ofensiva, leve o debate às ruas e para dentro do Congresso”, disse Ivan Valente. “Mas a luta é difícil. Faltam condições para fazermos uma pressão organizada mais ampla contra esta grande indústria que é a mídia. Vamos remar contra a corrente”, agregou.
Também para André Vargas, “a sociedade tem de chamar para si o debate das comunicações”. O parlamentar prevê que a consulta pública do governo se inicie neste semestre. “Estamos à espera. O PT tem cobrado o governo – e tem pressionado no limite que achamos adequado. Vamos estar no centro dessa campanha, debatendo a consulta pública.”
Erundina atacou a falta de “ação efetiva” para alterar a “estrutura do poder” no Brasil. “Devemos ao povo as bases estruturais para a Nação construir os direitos humanos, como o acesso à comunicação.” Para regular a mídia, a deputada sugeriu um projeto de lei de iniciativa popular. “Precisamos ter nossas próprias iniciativas. Vamos atrás de 2 milhões de assinaturas para construir um projeto estruturante e forçar o governo a se mobilizar.”
O seminário “Desafios da Liberdade de Expressão” debateu, ainda, propostas para a campanha do FNDC, com a contribuição de especialistas como o jornalista Rodrigo Vianna, do blog “Escrevinhador”, e o publicitário Renato Meirelles, sócio-diretor do instituto Data Popular.
André Cintra
No Hupomnemata
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Homenagem à Maria da Conceição Tavares

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Como foi a resistência de alguns gaúchos à queda de João Goulart...

Participei, sim, da campanha que garantiu a posse do Jango depois da renúncia do Jânio. Como ouvinte. Fui para a frente do palácio do governo, como todo o mundo, em Porto Alegre. Mais por curiosidade do que por qualquer ímpeto legalista. Eu trabalhava na Editora Globo, só porque não tinha me formado em nada, não queria mais estudar e a família — por um preconceito inexplicável — não queria um vagabundo em casa. Naquele dia o expediente acabou mais cedo. Motivo: guerra civil iminente.
Fui para a Praça da Matriz. A indignação com o que estavam preparando contra a posse do Jango, a Constituição e o Rio Grande do Sul era geral, mas não sei como nos comportaríamos se os tanques do III Exército realmente surgissem na praça para acabar com a resistência do Brizola, como estavam anunciando.
A disposição da maioria era a de formar uma barreira humana. Não passarão! Mas não era uma atitude apenas passional. Vários estrategistas militares espontâneos, com ideias sobre como agir, contribuíam com planos para a batalha possível.
Discutia-se como os tanques chegariam ao palácio. Alguém nos assegurou, com precisão científica, que nenhum tanque conhecido conseguiria subir uma ladeira com o grau de inclinação da Rua General Câmara, que vinha dar na praça. Eles teriam que pegar a Rua Duque por baixo, o que aumentaria as chances de uma ação de bloqueio em toda a extensão da rua estreita. Ou poderiam subir pela Avenida Borges, dobrar na Riachuelo ou na Jerônimo Coelho... De qualquer jeito, não passariam.
Mas havia a possibilidade de um ataque aéreo. Aviões estariam ou não estariam a caminho do estado, para reforçar o contingente da base aérea de Canoas e bombardear o Brizola.
Os ataques não vieram, mas a tensão permaneceu alta, aliviada por piadas nervosas. Naquele clima, qualquer bobagem virava um clássico. Ouvi que chegou alguém esbaforido — grande palavra, o clima era esbaforido — com a notícia:
— Voou bala na Praça da Alfândega!
— O quê?
— Parece que caiu um baleiro...
(Baleiro, crianças, era quem vendia balas na rua ou nos cinemas. Faziam parte do ritual de ir ao cinema na época as balas “café com leite” que colavam no dente. Mas acho que estou misturando as eras: as balas “café com leite” não foram contemporâneas da Legalidade. Ou foram?)
Havia mesas para a inscrição de voluntários na Rua da Praia e dizem que, por um breve e alucinado instante, o Partido Comunista teve o maior quadro da sua história. Estudantes faziam comícios-relâmpago na rua e se revezavam, entrando em bondes para conscientizar seus ocupantes.
O jornalista Marcão Faerman, que então era estudante, contava que se reuniam no fim do dia para comparar experiências e uma vez ouviu uma queixa: “Peguei um bonde Gazometro reacionário...”
O palácio não foi atacado, o III Exército aderiu à Legalidade, Jango tomou posse e três anos depois veio o golpe que o derrubou. O bonde reacionário tinha se atrasado um pouco na Rua Duque, mas acabou chegando a Brasília.
Luís Fernando Veríssimo
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Os bons companheiros: Serra, Kassab, Aref e… Paulo Preto

Em 2005, o então vice-prefeito, Gilberto Kassab, indicou ao então prefeito José Serra, o nome de Hussain Aref Saab para chefiar o APROV (Departamento de Aprovação das Edificações), na Secretaria Municipal de Habitação. A indicação foi aprovada mesmo depois de Aref ter sido indicado no relatório final numa CPI, realizada pela Câmara Municipal, como suspeito de irregularidade em 71 processos de regularização de antenas de celulares, instaladas entre 1999 e 2002.
E mesmo depois de o Ministério Público tê-lo indiciado com a acusação de que, ao não analisar os pedidos de alvará em 90 dias, teria permitido que essas antenas fossem ligadas sem autorização e de forma irregular.
Coincidentemente, ou não, nos anos que Aref esteve no comando do APROV, São Paulo viveu uma “explosão” imobiliária. Tanto no que diz respeito as operações urbanas, que sob o pretexto de reurbanizar áreas degradadas beneficiam o mercado imobiliário, como também com a multiplicação de grandes empreendimentos na cidade.
Por confiar plenamente no “companheiro”, Serra e Kassab não perceberam que os fatos que se seguem aconteciam bem abaixo dos seus narizes, como se costuma dizer no populacho.
Em 2010, um grupo empresarial transferiu 6 apartamentos, na região do Parque Ibirapuera, para o nome da SB4, empresa de Hussain Aref Saab. A Servcenter, que integra o grupo empresarial, registrou o repasse dos imóveis para Aref em novembro de 2010 como pagamento por “prestação de serviços de assessoria empresarial”. Depois da transferência, empresas do mesmo grupo conseguiram liberações de alvarás na prefeitura. Um mês depois, o centro de convenções do WTC, do mesmo grupo, obteve a renovação de seu alvará de funcionamento na marginal Pinheiros – o processo estava parado há mais de um ano. Já em fevereiro de 2011, outra empresa do grupo, a Servlease, obteve o alvará de reforma de um salão de eventos nos Jardins. A aprovação saiu em cerca de um mês, quando o procedimento “normal” é muito mais demorado.
O empresário Gilberto Bousquet Bomeny, responsável pelo grupo que “pagou” a empresa de Aref com seis apartamentos, nega qualquer irregularidade. Por meio de sua assessoria de imprensa, alega que “a transação imobiliária feita não tem vínculos com o que está sendo noticiado pela imprensa”.
Ou seja, o fato de Aref ser do Aprov não é indício de nada, mesmo ele tendo recebido seis apartamentos do WTC que conseguiu sucesso na aprovação dos seus empreendimentos. Por outro lado, o fato de o ex-ministro José Dirceu ter recebido 20 mil reais de por uma consultoria para a Construtora Delta quer dizer muita coisa. Claro, evidente, uma coisa é uma coisa e outra é outra.
Além disso, documentos obtidos pelo jornal Estado de S. Paulo mostram que a construção de seis torres em uma área contaminada por produtos químicos na Granja Julieta, área nobre na zona sul, foi autorizada contrariando um ofício do Departamento de Controle Ambiental da Prefeitura, órgão ligado à Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, que alertava que o alvará foi emitido sem a aprovação das autoridades ambientais.
Além do problema da contaminação, após moradores da região entrarem com ação civil pública contra a obra, o MP alertou Aref que o empreendimento seria construído em um terreno de 10 mil m2  previsto para virar parque linear e onde existia um córrego.
O engenheiro agrônomo Eduardo Pereira Lustosa, perito do MP, enviou ofício alertando para a suspeita de que a Esser Empreendimentos, responsável pela obra, teria aterrado o córrego Maria Joaquina para erguer as torres. Todos estes pareceres oficiais foram ignorados e o alvará foi emitido.
Em 2004, a então diretora do APROV, Paula Maria Motta Lara, paralisou a construção de um edifício de 9 andares no Morumbi. Um laudo do Instituto Geológico mostrava que o terreno estava em uma APP (Área de Preservação Permanente) porque parte era em área de Mata Atlântica. Ao assumir a direção do APROV, em 2005, quando Serra assume a prefeitura, Aref libera o alvará e a construção retomada.
Mas a lambança não para por aí. A SB4 Patrimonial, empresa que administra os bens de Aref, afinal um funcionário público precisa de uma empresa para administrar seus bens, comprou, em 2009, por R$ 50 mil um apartamento na Rua Coriolano, na Lapa. O imóvel havia sido vendido, por R$ 141 mil, um mês antes, ao engenheiro Eduardo Midega pela construtora SBTEC Engenharia e Instalações.
Um mês após Aref comprar o imóvel na Lapa por 1/3 do valor que ele havia sido negociado um mês antes, o vendedor, Eduardo Midega, conseguiu o Habite-se para um empreendimento na região da Raposo Tavares.
Como diretor do Aprov, como já disse lá em na parte superior deste texto, Aref tinha vaga de suplente nas reuniões do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio (Conpresp) e não raro substituía o secretário municipal de Habitação, Ricardo Pereira Leite. O Conpresp estava debatendo no último período a revisão da Resolução 06, de 1997, que definiu o limite máximo para construção de prédios em volta do Parque Ibirapuera a até dez metros de altura. Caso essa proposta de revisão fosse aprovada, seria permitida a construção de edifícios com até 54 metros de altura na região. O que evidentemente levaria a algumas construtoras a ganhar muito, mas muito dinheiro. E só Aref sabia disso. Serra e Kassab, não. Mas o SPressoSP sabia.
A votação estava prevista para acontecer no último dia 10 de abril, mas foi adiada. O motivo do adiamento foi o pedido de vista do processo feito por um conselheiro. Quatro dias depois, Aref foi exonerado do cargo de diretor da APROV porque o prefeito percebeu que o mar de lama contra ele estava insuportável. E que o Ministério Público ou a PF em breve levariam seu assessor às barras do tribunal.
Ainda há mais lama nessa história, como  a compra de um imóvel, em 2008, por Aref, por R$ 242 mil do empresário David Carlos Antonio. O mesmo apartamento havia comprado três anos antes por R$ 1,2 milhões. David, que na época tinha um processo de anistia encalhado na prefeitura havia cinco anos, viu o mesmo voltar a tramitar 4 meses depois da negociação. E recerbeu o alvará da Aprov um ano depois.
Mas Kassab nem desconfiava de nada. Muito menos Serra. Aliás, Serra é um gestor que confia plenamente nos seus assessores. Foi assim com Paulo Preto. E também com Aref. Ninguém pode negar que ele é um bom companheiro. Ninguém pode negar…
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A dura luta contra os preconceitos econômicos

É problemática a maneira como as ideias econômicas são revisadas - não apenas no Brasil mas na economia mundial, em geral.
Tome-se o novo papel do Banco Central.
Seu último presidente, Alexandre Tombini, além de experiência de mercado é um grande pensador econômico. Nos últimos 15 anos, o BC dispôs de alguns bons pensadores, como Armínio Fraga, Sérgio Werlang e o próprio Tombini.
São técnicos que foram beber nas águas internacionais, mas com suficiente inteligência para entender as especificidades da economia brasileira e promover ajustes - mesmo cometendo alguns erros estrondosos, como as operações casadas de hedge de Armínio em 2002.
No entanto, o discurso econômico midiático sempre se baseou na análise econômica mais rasa, mais facilmente convertida em slogans.
Numa ponta, economistas com bons conhecimentos de números, planilhas - e nenhuma visão sistêmica de economia -, como Afonso Bevilacqua e o inacreditável Alexandre Schwartsman. De outro, economistas sem conhecimento nem de números nem de conceitos - como o ex-ministro Maílson da Nóbrega.
Apesar da análise rasa, esse discurso torna-se tão poderoso que acaba inibindo qualquer tentativa de revisão de conceitos e de aprimoramento dos instrumentos monetários contra a inflação.
Por exemplo, qualquer analista com um mínimo de raciocínio e conhecimento da realidade econômica, saberia que medidas de influência direta sobre o crédito (redução de prazo, exigência de entrada maior) tem mais efeito sobre a demanda do que o mero aumento da taxa Selic - que sequer arranha o custo final do dinheiro.
Mesmo assim, foram necessários anos e anos para que Tombini finalmente rompesse com o dogma e passasse a utilizar ferramentas convencionais de política monetária em lugar de recorrer meramente à taxa Selic.
Dia desses, assisti o Bom Dia Brasil, da TV Globo. Lá, um exemplo muito interessante de como se propagam os slogans na mídia.
A comentarista econômica fala do aumento da inflação em abril - o dobro de março. Quando começa a detalhar os itens de alta, fica-se sabendo que as principais influências foram remédios e cigarros - altas pontuais, sem nenhuma relação com demanda ou câmbio. Aí aponta um conjunto de preços que teoricamente poderão subir nos próximos meses.
Ora, os índices de inflação são compostos por uma infinidade de preços. Periodicamente alguns sobem, outros baixam, dependendo da sazonalidade, de reajustes programados ou outros fatores. O que importa é a soma final. E a soma final mostra que, mesmo com essas altas pontuais, a inflação anual continuará caindo.
Mas a comentarista deixa no ar apenas parte da realidade que interessa - os preços que aumentam. Encerra o comentário e os dois apresentadores continuam martelando a alta dos preços.
Por que fazem isso? Terrorismo? Jogadas? Nada disso. Fazem isso porque é padrão. Maílson falou nesse tom para a comentarista, que falou nesse tom para o telespectador. E os demais colegas apelam para o mesmo tom, porque é padrão.
É por aí que se cria o clima na opinião pública que acaba inibindo os ajustes necessários para a economia.
Luis Nassif
No Advivo
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O “Sujinho”, a Comissão da Verdade e a vida que segue

Estava fazendo exames médicos no hospital na manhã desta quarta-feira durante a cerimônia em que a presidente Dilma Rousseff deu posse aos sete membros da Comissão da Verdade, no Palácio do Planalto, ao lado dos quatro antecessores vivos, e fiquei contente por poder testemunhar pela televisão este momento histórico na vida do nosso país.
Só de estar vivo, acho que já valeu a pena tudo o que passamos naqueles anos de trevas da ditadura militar, que agora, finalmente, serão revelados.
Mais contente ainda fiquei lendo na matéria de Marina Marquez, do R7, em Brasília, que Dilma, logo no início do seu discurso, citou meu amigo Ulysses Guimarães, o "Sr. Diretas", que abriu caminho para a Constituinte de 1988 e para a redemocratização do país, ao lembrar que a verdade é fundamental para a democracia.
"O Brasil não pode se furtar a conhecer a totalidade da sua história. Trabalhemos juntos para que o país conheça e se aproprie da totalidade da sua história. A ignorância da história não pacifica, mantém latentes mágoas e rancores".
Tomara que os parlamentares integrantes da CPI do Cachoeira leiam este discurso de Dilma e também façam a sua parte, sem receio de investigar a fundo todos os personagens envolvidos nas bandalheiras desta quadrilha de mil tentáculos, as verdades e as mentiras da nossa história recente, que a imprensa criou ou omitiu em plena democracia.
Nós que enfrentamos a ditadura dos militares, correndo risco de vida, para que um dia pudéssemos voltar a viver num regime democrático, não podemos agora admitir que a ditadura dos barões da mídia queira reescrever a história, transformando em heróis os que ontem apoiaram o golpe e hoje querem posar de paladinos da liberdade de imprensa.
O ato presidido por Dilma Rousseff esta manhã no Palácio do Planalto pode ser um divisor de águas para separar a verdade da mentira, dar nomes aos bois, esclarecer episódios nebulosos, jogar luzes sobre o passado e ao mesmo tempo clarear o nosso futuro.
Mais do que um gesto de grandeza, ao convidar para a cerimônia os ex-presidentes José Sarney, Fernando Collor de Mello, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, por ordem de entrada em cena, Dilma fez justiça ao papel de cada um na construção da Comissão da Verdade.
O principal objetivo da presidente nesta cerimônia foi simbolizar que se tratava de um ato de Estado e não de governo, acima de divergências partidárias ou doutrinárias, sem qualquer outro interesse que não o de resgatar a nossa história. "O Brasil merece a verdade", como ela disse.
Por um destes acasos da vida, fui almoçar depois no "Sujinho", velho boteco que serve a melhor bisteca da cidade, antigamente chamado de "Bar das Putas", um lugar que lembra como eram os tempos sem lei em que nossos amigos "desapareciam", ninguém podia escrever a verdade sobre o que acontecia e todos se sentiam ameaçados, até mesmo dentro de suas casas.
Daquela turma que ia para lá depois de sair das redações sob censura, varando a madrugada, muitos já se foram. Para os que ficaram, a Comissão da Verdade pode não mudar muita coisa, mas certamente servirá para que nossos filhos e netos nunca permitam que a história se repita.
Vida que segue. Tortura nunca mais! Viva Dilma!
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Donna Summer - Last Dance

Donna Summer
LaDonna Adrian Gaines
31 de dezembro de 1948 - 17 de maio de 2012
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Serra mente, novamente

Disse que 'não conhecia' Paulo Preto, agora nega ter nomeado Hussein Aref
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#lulanoface

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Charge online - Bessinha - # 1248

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Liberdade de expressão é prioridade, diz Cármen Lúcia

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Cármen Lúcia, defendeu ontem liberdade total de expressão, incluindo as redes sociais, e afirmou que os cidadãos têm o direito de receber informações sobre tudo o que se passa nas campanhas eleitorais. "Não há a menor possibilidade de ter eleições livres sem que a imprensa atue de forma livre", disse, na 7.ª Conferência Legislativa sobre Liberdade de Expressão, na Câmara dos Deputados.
No início do mês, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Britto, já tinha se manifestado a favor da liberdade ampla de imprensa durante um seminário internacional sobre o tema. "A liberdade de imprensa ocupa, na Constituição, este pedestal de irmã siamesa da democracia", disse, na ocasião.
Ontem, Cármen Lúcia afirmou que as eleições devem ser muito rigorosas para garantir a ética, mas extremamente livres para a democracia. "Ao cidadão, a palavra para que ele diga o que ele quer, como ele quer, do jeito que ele quer. Afinal, a Constituição começa dizendo que a República Federativa do Brasil tem como fundamento a cidadania, e a cidadania se exerce com liberdade e liberdade de expressão."
A ministra chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Helena Chagas, também defendeu a ampla liberdade de expressão na campanha eleitoral. Afirmou, ainda, que a legislação não acompanhou o ritmo das mudanças promovido pelas novas mídias, como redes sociais. "A internet não é só instrumento de informação. É também de opinião, de manifestação, as mais diversas possíveis", disse. Para ela, a internet mudou completamente as vidas e as relações pessoais. "Mas as leis ainda não mudaram nessa mesma proporção. Ainda não acompanharam essa enorme mudança social recentíssima."
Cármen Lúcia emendou: "Temos 138 milhões de eleitores, todos querendo falar, podendo falar e a Constituição garante esse direito". Autora de um voto - vencido - no TSE favorável à liberação da comunicação no Twitter durante a pré-campanha, a ministra disse que as novas mídias serão um dos principais desafios. "A Justiça Eleitoral deve punir excessos, abusos de poder, fraudes e corrupção. Mas nunca censurar; não vamos judicializar as campanhas eleitorais."
O presidente da Câmara, Marco Maia, disse que as novas tecnologias têm de ser usadas. "A velocidade das mudanças tem sido avalassadora", disse. "Simplesmente não há tempo para se legislar no mesmo ritmo das inovações tecnológicas e da criatividade dos usuários das novas tecnologias", afirmou. "Não há desculpas para que fiquemos numa posição meramente defensiva frente às novas tecnologias. Devemos aproveitá-las intensamente." Ele disse que a internet abriu possibilidades de controle popular, por exemplo, por meio da consulta aos financiamentos de campanhas.
No Estadão
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Em março, vendas no varejo crescem 0,2% e receita nominal sobe 0,3%

Em março, o comércio varejista do país registrou crescimento de 0,2% no volume de vendas e 0,3% na receita nominal, em relação ao mês anterior, na série com ajuste sazonal. Tanto para o volume como para a receita de vendas, tais resultados se apresentam superiores às taxas do mês anterior. Nas demais comparações, obtidas das séries originais (sem ajuste), o varejo nacional obteve, em termos de volume de vendas, acréscimos da ordem de 12,5% sobre março do ano anterior, 10,3% no acumulado do trimestre e 7,5% no acumulado dos últimos 12 meses. Para os mesmos indicadores, a receita nominal de vendas apresentou taxas de variação de 15,4%, 13,9% e de 12,1%, respectivamente. A publicação completa da pesquisa pode ser acessada na página www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/comercio/pmc/.
Entre as dez atividades, seis têm variação negativa
Em março, seis das dez atividades pesquisadas obtiveram resultados negativos para o volume de vendas com ajuste sazonal (indicador mês/mês). Os resultados foram: Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (2,3%); Móveis e eletrodomésticos (1,2%); Tecidos, vestuário e calçados (0,8%); Material de construção (0,3%); Combustíveis e lubrificantes (-0,3%); Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,6%); Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,6%); Veículos e motos, partes e peças (-1,4%); Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-6,9%) e Livros, jornais, revistas e papelaria (–7,1%).
Já na relação março12/março11 (série sem ajuste), todas as atividades do varejo obtiveram resultados positivos no volume de vendas. Por ordem de importância no resultado global, as variações foram as seguintes: 12,2% para Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo; 21,2% para Móveis e eletrodomésticos; 14,1% para Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos; 30,5% para Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação; 9,8% em Outros artigos de uso pessoal e doméstico; 5,0% para Combustíveis e lubrificantes; 4,1% para Tecidos, vestuário e calçados; e 4,4% em Livros, jornais, revistas e papelaria.
Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com variação de 12,2% no volume de vendas em março sobre igual mês do ano anterior, continua a proporcionar a principal contribuição à taxa global do varejo (46%). Em termos acumulados, a taxa para os primeiros três meses do ano foi de 11,3%, e para os últimos 12 meses, de 6,1%.
Móveis e eletrodomésticos, com variação de 21,2% no volume de vendas em relação a março do ano passado, registrou o segundo maior impacto na formação da taxa do varejo (30%). No acumulado do trimestre a taxa foi de 15,9% e nos últimos 12 meses, de 16,4% .
Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, com variação de 14,1% na comparação com março de 2011, foi a terceira maior participação na taxa global do varejo. As taxas acumuladas no trimestre e nos últimos 12 meses foram de 10,8% e 10,0%, respectivamente.
Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, responsável pelo quarto maior impacto na formação da taxa global, obteve acréscimo no volume de vendas, em março, da ordem de 30,5% sobre igual mês do ano passado. A taxa acumulada no ano foi de 32,2%, e nos últimos 12 meses, de 24,8%.
Varejo ampliado cresce 0,6% em março
O comércio varejista ampliado, que inclui o varejo e mais as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material de construção, registrou variação de 0,6% em relação ao mês anterior (com ajuste sazonal), tanto para o volume de vendas quanto para a receita nominal. Comparado com o mesmo mês do ano anterior (sem ajuste sazonal), as variações foram de 10,2% para o volume de vendas e de 12,0% para a receita nominal. Nos acumulados do ano e dos últimos 12 meses o setor apresentou taxas de variação de 7,3% e 6,7% para o volume e 9,4% e 9,2% para a receita nominal de vendas, respectivamente.
No que tange ao volume de vendas, a atividade de veículos, motos, partes e peças registrou variação de -1,4% em relação a fevereiro, sendo o terceiro resultado negativo do ano. Comparando com março do ano anterior, a variação foi de 5,4%. Em termos de acumulados, as variações foram de 1,0% no trimestre e 4,8% nos últimos 12 meses.
Resultados foram positivos em todos os estados na comparação com março de 2011
Todas as 27 unidades da federação apresentaram resultados positivos na comparação com março de 2011 em relação ao volume de vendas. Os destaques foram: Roraima (24,8%); Tocantins (22,4%); Amapá (21,9%); Mato Grosso do Sul (19,1%) e Paraná (18,3%). Quanto à participação na composição da taxa do comércio varejista, sobressaíram-se, pela ordem: São Paulo (12,9%); Minas Gerais (12,9%); Rio Grande do Sul (16,6%); Paraná (18,3%) e Rio de Janeiro (8,3%).
Já em relação ao varejo ampliado, apenas o Espírito Santo apresentou resultado negativo, com variação de -1,9%. As maiores taxas de desempenho no volume de vendas foram verificadas em Tocantins (21,7%); Paraíba (19,0%); Minas Gerais (14,7%); Pernambuco (14,5%) e Pará (14,3%). Em termos de impacto no resultado global do setor, os destaques foram os estados de São Paulo (12,0%); Minas Gerais (14,7%); Rio de Janeiro (7,8%); Paraná (11,2%) e Rio Grande do Sul (9,5%).
Os resultados com ajuste sazonal, para o volume de vendas, apontam 16 estados com resultados positivos na comparação mês/mês anterior. As maiores variações foram: Acre (3,7%); Espírito Santo (2,1%); Pará (1,6%); Amazonas (1,5%) e Rio Grande do Sul (1,3%).
No IBGE
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Comissão da Verdade

Samuca

Kayser
No Dodó Macedo
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Veja na CPI, por que não?

O Estado democrático não confere privilégios a ninguém. Não deveria. Digo isso a propósito dessa discussão sobre a eventual convocação do jornalista Policarpo Júnior à CPI do Cachoeira – e a depender das averiguações, do próprio Roberto Civita, o todo-poderoso da Editora Abril, a mão que balança o berço da revista Veja. Do meu ponto de vista, se houver, como há, claros indícios de participação da publicação nos propósitos criminosos de Carlinhos Cachoeira, não há atalhos possíveis para evitar a convocação de um deles, ou de ambos. O jornalista Luís Nassif tem insistido que se esqueça Policarpo Júnior porque o mandante de tudo é Roberto Civita.
É evidente que a discussão sobre o relacionamento dos jornalistas com a fonte não é simples. Lembro-me de um livro que li há muito tempo, de Yves Mamou, em que ele desenvolve a tese de que, longe de os jornalistas manipularem as fontes, são estas que os manipulam. É uma formulação que, em minha opinião, está muito próxima da verdade – ele trata no livro tanto do mundo dos negócios quanto do território da política.
Não há e não pode haver ingenuidade nessa relação, que é sempre um intercâmbio, uma troca. Há, sempre, um toma lá, dá cá – perigoso, tenso, delicado, sensível. E, nesse jogo, o jornalista pode esforçar-se para defender os interesses da sociedade, e não são todos que conseguem esse feito. Há aqueles que se submetem à fonte, aos interesses exclusivos da fonte, e aí, é claro, a notícia verdadeira, ou mais próxima da verdade, é sacrificada. E isso, como sabemos, não é raro.
Essa relação, nos dias de hoje, não pode ser pensada em termos individuais, como se o problema se circunscrevesse apenas à relação entre a fonte e o jornalista. Hoje, os jornalistas saem às ruas com a pauta pronta, com a ideia de provar uma hipótese elaborada na redação. São os editores que guiam os repórteres na sua relação com as fontes, mesmo que cada um tenha suas singularidades. Alguém pode imaginar um repórter de Veja cismando de pesquisar, aprofundar as denúncias contidas no livro do Amauri Júnior sobre as privatarias tucanas? Ora, ora, claro que não. A relação é mediada desde cima – a orientação editorial é que comanda a pauta e a relação fonte-jornalista, e o faz com mão de ferro, que ninguém se engane.
Dito isso, volto a nossa revista. Sabidamente, Veja se dedica, de modo militante, e sem nenhum escrúpulo, a combater o projeto político que o PT comanda no Brasil desde 2003. É uma revista filosófica e politicamente de direita – e nisso não haveria, em tese, nenhum mal. Bastava que fizesse isso observando algumas lições de manuais do jornalismo, que não chutasse tanto, não mentisse de modo tão desavergonhado, não fosse tão irresponsável e, agora podemos dizer, tão murdochiana. Sua visão tão sectariamente partidária – no amplo sentido da palavra, de ter um lado do qual não abre mão – faz com que mande às favas quaisquer escrúpulos e use quaisquer métodos, inclusive criminosos. O que fez Rupert Murdoch senão valer-se da arapongagem? E a Inglaterra soube reagir aos crimes daquele cidadão e suas empresas.
O que fez a revista nessa relação com sua fonte, Carlinhos Cachoeira? Poderia dizer que nos últimos anos tornou-se refém dela. Isso, no entanto, seria pouco. Veja terceirizou a pauta – é fácil perceber, pelo pouco que ainda sabemos, as muitas pautas que a fonte criminosa encomendou à revista, e foi prontamente atendida. Ou como a fonte atendeu a pedidos da revista para usar seus arapongas e construir matérias, verdadeiras ou falsas, muito mais falsas que verdadeiras. Pelas escutas divulgadas, a fonte comemorou tantas vezes o que Veja fazia, tudo previamente combinado. Muitas vezes comemorou com o senador Demóstenes Torres.
E é claro que Veja sabia quem era Carlinhos Cachoeira, a natureza de seus negócios, quem eram seus arapongas criminosos, quem era o senador Demóstenes Torres. Que justificativa há para tal, vá lá, conivência? Que justificativa há para tão íntima convivência? Que justificativa há para acobertar tantos crimes, inclusive contra o erário, que Veja, nos casos que seleciona, no mais das vezes sem critério, diz defender?
A CPI, instrumento que Veja sempre defendeu, é um instrumento do Estado de Direito. É um espaço democrático. Por que o medo da CPI? É só a revista se apresentar, se convocada, e provar que os mais de duzentos telefonemas trocados entre seu jornalista e Carlinhos Cachoeira atenderam aos critérios do bom jornalismo, aos interesses da sociedade. Ou não. E, se não, enfrentar as consequências. Simples assim.
Emiliano José, professor-doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia, jornalista, escritor e suplente de deputado federal(PT/BA).
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