13 de mai de 2012

Democracia & ceticismo

“De que servem eleições se, nos temas essenciais – questões econômicas, financeiras e sociais – os novos governantes adotam a mesma política de seus antecessores?”
O ceticismo quanto às políticas democráticas como instrumento de justiça social generaliza-se em todo o mundo. Como observou recentemente Slavoj Zizek:”uma vez que a economia global está fora dos limites das políticas democráticas, qualquer tentativa de aproximá-la da democracia apressará o declínio desta. Então o que podemos fazer? Engajar-nos no sistema político existente, o qual – conforme o próprio Washington Post, através de sua porta-voz ultra-neo-conservadora, Anne Applebaum – não pode justamente cumprir essa tarefa?…”
Uma análise recente de Ignácio Ramonet da situação na UE – a bola da vez na cena geopolítica – evidencia com clareza o binômio democracia & ceticismo. Para ele, eis como a questão se coloca: François Hollande, ao enfrentar ditadura dos mercados, recuará, humilhado (assim, tipo Obama), ou abrirá uma disputa capaz de sacudir a Europa?
O fato é que a segunda alternativa não só nos parece impossível como ostensivamente risível (mais abaixo explica-se porquê). Lembrando, a propósito, a máxima de Maquiavel – “A maior força dos poderosos é a inércia dos povos” – a sensação é de asfixia em diversos países da UE: os cidadãos são estrangulados por restrições, reduções e golpes. Um sentimento acentuado pela constatação de que a alternância política não modifica o “furor de austeridade” dos governantes.
Na Espanha, a sociedade foi duramente penalizada pelas doses cavalares dos “remédios” ministrados, a partir de maio de 2010, pelo primeiro-ministro (“socialista”) José Luis Rodriguez Zapatero. Nas eleições de 20 de novembro, Mariano Rajoy, candidato do Partido Popular (PP, conservador) prometeu nada menos que “mudança” e “restabelecimento da felicidade” (sic). Mas, um dia depois de eleito, lançou-se a mais devastadora destruição de conquistas sociais da história da Espanha.
Idem Portugal que, em 2011, depois de submetido a quatro programas impopulares de “disciplina fiscal” e um “plano de salvamento às avessas”, derrotou o socialista José Sócrates nas eleições. Mas o novo chefe do governo, o conservador Pedro Passos Coelho afirmou, já em sua eleição, que cumpriria as exigências da UE, aplicando “uma dose ainda mais forte de austeridade”… Pois é, ironicamente, pela via democrática, a coisa vai de mal a pior.
Então de que servem eleições se, nos temas essenciais – questões econômicas, financeiras e sociais – os novos governantes adotam a mesma política de seus antecessores? Como não duvidar do próprio sistema democrático? Porque todos constatam que, nos marcos da UE, não há controle público sobre as decisões cruciais que irão afetar diretamente a vida das pessoas. E que as exigências – consideradas prioritárias – dos mercados, das agências de avaliação de risco e dos especuladores limitam severamente os princípios essenciais da República.
Muitos governos (de direita e de esquerda) estão agora convencidos que os mercados têm sempre razão, sejam quais forem as consequências para a população. Os mercados são a solução, e a democracia, o problema.
Os cidadãos convencem-se, cada vez mais, de que há, no interior da UE, algo como uma “agenda oculta”, ditada pelos mercados, com dois objetivos concretos:
1) Reduzir ao máximo a soberania dos Estados (em matéria orçamentária e fiscal);
2) Desmantelar o que resta do estado do bem-estar social (para transferir ao setor privado a Educação, Saúde e Previdência).
Segundo Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE), “o modelo social europeu está morto e quem tentar reverter a redução dos orçamentos sociais será imediatamente punido pelos mercados. O Pacto Orçamentário Europeu é um ‘enorme avanço’, porque graças a ele os Estados perdem uma parte de sua soberania nacional”. Impossível ser mais claro.
Os europeus regrediram a um regime de despotismo esclarecido. Para quê, então, votar, se estão condenados a eleger governos cuja missão limita-se a aplicar as diretrizes e tratados definidos de uma vez para sempre? O Pacto Orçamentário Europeu é um caso explícito de “dissimulação democrática”. Por que não se trava um grande debate público sobre seu conteúdo (atualmente em via de ratificação a portas fechadas pelos Parlamentos) que vai condicionar nossa vida?
Pode-se sair desta opressão “austeritária”? Ramonet, sobriamente, considera que talvez a eleição presidencial francesa abra perspectivas, uma vez que Hollande propõe acrescentar ao Pacto Orçamentário um conjunto de medidas em favor do crescimento econômico. Ele conclui: “Ainda que sejam exigências mínimas, insuficientes e sempre acompanhadas de um discurso ambíguo sobre a ‘flexibilização do mercado de trabalho’ e a ‘moderação social’, Hollande desafia o dogma estabelecido pela chanceler alemã Angela Merkel e pelo Bundesbank, que estão na origem das políticas de ‘ajuste’ da UE. É uma mudança não desprezível, se se compara esta posição à atitude submissa de Nicolas Sarkozy, descrito por muitos como ‘lacaio de luxo dos mercados’”.
Francamente, confesso meu ceticismo diante da vitória do esquerdista François Hollande, tão festejada em toda a França (acho que muito mais que sua vitória, os franceses comemoraram a “demissão” coletiva de Sarkozy, vergonha global que já foi tarde!).
Mas já vimos este filme. Bem ou mal comparando, Barak Obama, em 2009 também foi festejadíssimo no mundo todo e deu no que deu: simplesmente continuou a política de seu antecessor Bush e, pior, acabou acumulando ainda mais pontos à direita, isto é, para os membros do Tea-Party, em razão dos sucessivos fracassos legislativos, sem contar sua tremenda ambiguidade, decorrente duma evidente fraqueza política.
Márcia Denser
No Congresso em Foco
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Serra megalô: Dilma faz o que ele faria

Saiu no Estadão uma entrevista histórica do Padim Pade Cerra.
(O Estadão não pergunta sobre a Privataria, sobre a Delta nas marginais (sic) de São Paulo, sobre o Perillo, sobre o Leréia … … nada … gente fina é outra coisa.)
Na pagina A12, depois de traçar considerações óbvias sobre a cidade de São Paulo, ele assegura que a Dilma deve o sucesso de seu Governo à campanha dele em 2010 (aquela da bolinha de papel, do aborto no Chile pode…).
Aí os dois repórteres, educadíssimos, do Estadão perguntam perplexos: mas, o que, por exemplo, "jenio"?
E ele responde, na maior cara de pau:
“Juros, infraestrutura (deve ser aquele cano que ele prometeu levar do Espirito Santo ao Ceará – PHA) e mesmo a liberdade de imprensa (!!! – PHA).”
Notável!
A quantos patrões a Dilma já telefonou para pedir a cabeça de jornalista independente e blogueiro sujo?
E tem mais, amigo navegante.
O "jenio" (com “j” , por favor, revisor. Obrigado) do "Cerra" diz que decidiu ser candidato para “impedir descontinuidade dramática em São Paulo”.
Um "jenio"!
Ele desconsidera um dos pilares do regime democrático, a alternância de poder.
Em São Paulo tem que ser como na Rússia.
Só quem pode governar é o PSDB.
O Putin.
O Conversa Afiada tem outra explicação.
"Cerra" é um fenômeno genuinamente paulistano.
Como o Minhocão, a estátua do Borba Gato.
Como Jânio, ele fez das campanhas eleitorais uma forma de ganhar a vida.
E como Maluf, uma forma de preservar o patrimônio.
Sobre essa última observação, recomenda-se a leitura de um livro de baixa tiragem (no PiG): A Privataria Tucana.
Em tempo: tomara que ele acredite na pesquisa do Globope.
Em tempo2: sobre o Aécio, ele diz que mantém uma “relação cordial”. Imagine o que ele não faz contra quem mantém uma relação de ódio. Quantos dossiês ele e o Itagiba não seriam capazes de produzir em Minas, se a relação não fosse “cordial” ?
Paulo Henrique Amorim
No Conversa Afiada
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Dilma lança o Brasil Carinhoso, que combaterá a pobreza na primeira infância

A presidenta Dilma Rousseff anunciou hoje (13), durante o pronunciamento do Dia das Mães, o lançamento do Brasil Carinhoso, que reune ações voltadas para a primeira infância. Segundo a presidenta, o programa, que faz parte do Brasil Sem Miséria, será a mais importante ação de combate à pobreza absoluta na primeira infância já lançada no Brasil.
“Como outros programas do Brasil Sem Miséria, ele será uma parceria dos governos federal, estaduais e municipais e terá três eixos principais. O primeiro, e muito importante, vai garantir uma renda mínima de R$ 70,00 a cada membro das famílias extremamente pobres que tenham pelo menos uma criança de 0 a 6 anos. É uma ampliação e um reforço muito importante ao Bolsa Família. Isso, aliás, tem sido uma prática bem-sucedida do Brasil Sem Miséria”.
No Blog do Planalto
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O retorno ao Estado

O governo conservador da Espanha foi obrigado a estatizar a Bankia, uma das instituições dedicadas ao financiamento imobiliário, a fim de evitar o desmoronamento geral do sistema. Não foi uma escolha, mas a única saída a fim de buscar solução para uma crise que levará ao caos, se não houver medidas paralelas e urgentes. O povo já se prepara para voltar à Praça do Sol e suas adjacências.
Na Inglaterra, em uma manifestação inesperada, 30.000 policiais se somam aos demais empregados públicos em greve. É uma advertência severa. Na Grécia se tenta coligação de centro-direita com o desmoralizado Pasok, dos que se diziam socialistas e se curvaram às exigências “austeras” de Berlim. Não se espera que a tentativa de formação desse governo à direita seja bem sucedida.
A França aguarda o que fará Hollande, uma vez que ele caiu na esparrela de aceitar a convocação de Ângela Merkel para visitar Berlim, logo depois de empossado. A chanceler alemã não titubeia. “Garante” ao mercado financeiro internacional, em nome de não sabemos bem o que, que a Europa cumprirá as medidas de restrição fiscal a que chegaram ela, Sarkozy e esse arremedo de primeiro ministro britânico, David Cameron. A arrogante senhora fala, provavelmente, em nome dos grandes bancos, que controlam as finanças mundiais, e entre os quais se destaca o Goldman Sachs.
A crise europeia é uma crise dos estados: ao tentar criar um super-estado confederado, com soberania sobre os povos nacionais, os líderes europeus acabaram com as instituições históricas e não puderam substituí-las por outras mais eficazes. O caso do Banco Central Europeu é nisso clássico. Os bancos centrais nacionais, por mais se arrogassem independência, estavam sujeitos ao controle político dos governos, sob a pressão dos parlamentos e da cidadania. Vale a pena lembrar um editorial de Le Monde, de há alguns meses, sobre o tema. Diz o grande jornal:
“Historicamente, a primazia do político, isto é, sua capacidade de “enquadrar” os interesses financeiros, teve como instrumento essencial os bancos centrais. Não se pode perder de vista esta realidade: é por intermédio do poder monetário que é possível fazer prevalecer o interesse coletivo. Isso supõe que o Banco Central esteja colocado sob a autoridade do poder político. É o que se observa nas grandes democracias. Apesar dessa arquitetura, que se mostrou efetiva, ela não foi adotada pela zona do euro. Um Banco Central Europeu, separado da política, é uma péssima coisa. É, em si mesma, a expressão de uma crise muito profunda da democracia européia, de sua impotência congênita”.
Convém relembrar que a mais inteligente e mais antiga das instituições humanas, o Estado, vem sendo erodido por dentro e por fora, há mais de trinta anos, a partir da deregulation de Reagan e de Mme Thatcher. Na mesma medida em que o Estado se encolhia, e as grandes corporações financeiras cresciam, os trabalhadores passaram a ser coisas descartáveis.
A razão de ser das empresas deixou de ser a criação de empregos e a inovação em produtos e serviços. Submetidas ao assalto de predadores, passaram a ser dirigidas por administradores alugados pelos grandes bancos comerciais, autorizados a atuar como bancos de investimentos. A “reengenharia” dessas empresas, umas menores e outras gigantescas, se limitou a demitir, demitir, demitir. No auge da privatização e da globalização, alguém decretou que os incapazes de seguir o novo ritmo deviam contentar-se em tornar-se meros servidores domésticos dos vencedores.Voltando ao editorial de Le Monde: a moeda vinha sendo despolitizada, entregue à ilegítima soberania do mercado financeiro.
Era isso o que ocorria em nosso país, e que começa a ser diferente agora. Ao atuar lateralmente, determinando aos grandes bancos oficiais a redução do spread, a presidente Dilma Rousseff está recuperando para a chefia do Estado a autoridade sobre o Banco Central e colocando a moeda, como se deve, sob o controle político da sociedade que a elegeu. Mas há mais coisas que o Estado deve fazer na economia, e no cumprimento de seu dever de exercer a justiça.
Nisso, temos uma boa notícia, com a prisão do comandante da operação policial responsável pelo massacre dos trabalhadores sem-terra em Eldorado dos Carajás, o coronel Marcos Colares Pantoja. Não obstante essa prisão – que se faz diante do imenso clamor nacional contra a chacina, ocorrida há 16 anos – continua a violência no campo. O Estado não consegue cumprir nem mesmo o Estatuto da Terra, aprovado durante o regime militar.
Os grandes êxitos do governo, nos últimos dez anos, não podem ocultar os problemas que crescem, ao crescerem as expectativas, internas e externas, sobre o nosso futuro imediato. Temos que sujeitar o nosso entusiasmo a algumas reflexões sobre a situação atual, e continuar colocando na expansão da produção e do consumo interno os nossos esforços maiores. Só podemos, na realidade, contar com o próprio povo. Com sua inteligência, seu trabalho, seu amor ao país.
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“O Brasil não depende do mundo.” “O mundo mudou e está mais forte”

O jornal Brasil Econômico publica nas pags. 6 e 7 importante entrevista de Jim O’Neill sobre o Brasil.
Ele é presidente do banco americano Goldman Sachs e criador do acrônimo “BRICs”, para designar os paises que, reunidos, breve, vão liderar a economia mundial: Brasil, Russia, India e China.
Como se sabe, o "neolibelismo" brasileiro, os nossos Urubólogos, não tratam do O’Neill nem dos BRICs.
No jornal nacional, então, nem se fala.
Logo agora que a Globo criou a editoria “o Brasil é uma m…”, que espalha desgraça por todos seus telejornais.
No recente livro “The Growth Map”, O’Neill conta que veio apresentar o conceito dos BRICs no Brasil.
E foi ferozmente pressionado POR BRASILEIROS para excluir o “B” do grupo.
Era o incio do Governo do Nunca Dantes e muitos brasileiros – quem, amigo navegante? – queriam que o Brasil e o Nunca Dantes se explodissem.
Aí, como não levasse os interlocutores a sério, comprou Reais.
Manteve o “B” no primeiro lugar e se lamenta que teve de vender os Reais.
A moeda que mais se valorizou no periodo.
Por que será que a Urubóloga cita mais os irmãos Luiz de Barros e Carlos Mendonça que o O’Neill?
Leia a seguir trechos da entrevista – a reprodução não é literal – e veja que a Dilma acerta na mosca: o maior problema da fulgurante economia do “B” são os juros:
- Algumas economias importantes estão se recuperando, como os Estados Unidos, e a China fará um pouso suave.
- Os humores externos não vão influenciar tanto o Brasil.
- Existem quase 200 milhões de brasileiros, o que faz com o Brasil não dependa do mundo.
- O risco do Brasil são os juros.
- Para crescer 5%, 6% ao ano é preciso reduzir os juros.
- O que puxara o desenvolvimento sera o investimento e nao o comércio internacional de commodities.
- A principal diretriz de uma economia não é a moeda – embora o Real esteja valorizado -, mas a oferta e a demanda.
- É preciso manter a inflação baixa e ter uma forte disciplina fiscal.
- O mundo não está em crise, ele apenas está mudando rapidamente.
- A Europa não é o mundo.
- O Brasil chegou à posição de sexta economia do mundo dez anos antes do que pensei.
- A evolução dos BRICs está mais rápida do que qualquer um imaginou.
- O Brasil tem uma demografia muiro favorável (muita gente em idade de trabalhar e consumir).
- A Alemanha terá cada vez mais dificuldades devido ao perfil demográfico.
- No combate à corrupção, o Brasil está indo melhor do que India, Rússia e China.
(Dá pra entender o pavor que os Urubólogos tem dele… PHA)
Paulo Henrique Amorim
No Conversa Afiada
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Ato falho no julgamento de Celso Daniel

Celso Daniel
Acabo de ler nos jornais que o julgamento de cinco acusados pela morte do prefeito Celso Daniel, de Santo André, envolve um “duro embate” entre o ministério público e o PT. É uma piada.
A polícia civil de São Paulo fez uma investigação e concluiu, após ouvir todas as testemunhas disponíveis, que ocorreu um crime comum. Meses depois, o inquérito foi reaberto. Chegou-se a mesma conclusão. Quatro anos depois da morte de Celso Daniel, uma delegada, Elizabeth Satto, foi encarregada de refazer a investigação. Chegou ao mesmo resultado: crime comum. Por determinação do presidente Fernando Henrique Cardoso, a Policia Federal colocou um delegado para investigar o caso. Ele chegou a mesma conclusão.
Há um confronto de opiniões, sim, mas entre a Polícia Civil + a Polícia Federal, contra o Ministério Público. Os procuradores dizem que foi um crime encomendado, ou de mando.
Você pode ter qualquer opinião sobre o caso. Quem diz que é um conflito político entre o MP e o PT deveria admitir a hipótese oposta, de que esteja ocorrendo um “embate” entre a Policial Civil e o PSDB.
Deve reconhecer que existam interesses políticos por trás desse imenso esforço para contrariar dois inquéritos diferentes, conduzidos por dois delegados diferentes, que chegaram a uma mesma conclusão.
Seguindo nessa visão conspiratória de que vai ocorrer um “embate” político, também é lícito reconhecer que é bem mais fácil demonstrar as ligações entre o ministério público estadual e o PSDB do que entre e o PT e a polícia paulista. Alguma dúvida?
Como ensinam os psicanalistas, ocorreu um ato falho. E como sabem os analisandos, um ato falho nunca é gratuito.
O pressuposto deste ato falho é político e é tucano. Considera que só o PT pode ter interesses políticos no caso. E o PSDB, não tem? Será que não pretende usar uma sentença judicial como instrumento para atacar o adversário?

O que sei sobre a morte de Celso Daniel

Conheci Celso Daniel durante a luta contra o ditadura e fui reencontrá-lo algumas vezes, como prefeito de Santo André. Acompanhei as investigações sobre sua morte desde o primeiro momento.
Cheguei a considerar como possível a versão do ministério público, que sustenta que ocorreu um crime encomendado por seus antigos aliados políticos. Fiz uma longa investigação sobre o caso entre 2005 e 2006. Entrevistei os policiais — convencidos de crime comum — e os promotores. Falei com familiares do ex-prefeito. Também conversei com testemunhas da autópsia. Estou convencido de que não há elementos para sustentar a tese de crime encomendado. A base de meus argumentos você pode ler nos links abaixo. São quatro reportagens que escrevi sobre o caso:
Paulo Moreira Leite
No Vamos combinar
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Dilma: “Eu vou fazer o que tem que ser feito”

dilma abr Dilma: Eu vou fazer o que tem que ser feito
Banqueiros. Latifundiários. Militares. Quem mais teria coragem de enfrentar os interesses destas corporações em assuntos considerados intocáveis até outro dia, como queda de juros, reforma do Código Florestal e criação da Comissão da Verdade, verdadeiros tabus históricos?
Sem se preocupar com o que os outros vão pensar, a presidente Dilma Rousseff resolveu ir à luta em variadas frentes nas últimas semanas, comprando muitas brigas ao mesmo tempo. Vai ganhar todas? Só o tempo poderá dizer, mas ela não é de fugir da raia.
"Com a popularidade que esta mulher tem, até eu...", poderia desdenhar algum representante dos 5% que não gostam do governo dela.
Não é bem assim, como ouviu na semana passada o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, ao fazer um comentário sobre a alta aprovação de Dilma nas pesquisas, durante reunião em que ela explicou aos empresários as mudanças nas regras da caderneta de poupança, outro tema delicado que ela resolveu encarar.
"Eu vou fazer o que tem que ser feito, sem me preocupar com pesquisas", respondeu-lhe Dilma, resumindo o espírito da presidente que se tornou um lema do seu governo prestes a completar 18 meses.
Por que fazer tudo ao mesmo tempo?, cheguei a me preocupar, ao ver as decisões anunciadas, que mexem com os interesses de setores sempre tão temidos pelos governantes.
Depois das conversas que tive no Palácio do Planalto no final do mês passado, percebi que a presidente resolveu assumir em suas mãos o comando e a iniciativa política, mesmo em questões econômicas, exatamente como fez o ex-presidente Lula em seu segundo mandato.
"Este é um governo monocrático", explicou-me um dos interlocutores frequentes da presidente, quando me queixei a ele da dificuldade para obter informações. Dilma centraliza todas as ações em seu gabinete e não gosta quando seus ministros saem por aí dando declarações, mesmo em off, sobre assuntos qua ainda não estão decididos por ela.
Como a presidente fala pouco, e só ela quer falar em nome do governo, os jornalistas de Brasília que cobrem o Palácio do Planalto sofrem, assim como os seus colegas de outras cidades.
Agora, ao ver o pacote de medidas polêmicas anunciadas nas últimas duas semanas, entendi a razão: Dilma toma suas decisões com cuidado, amadurece sem pressa os seus projetos e procura preparar o terreno antes de anunciá-los, como aconteceu na última semana com a Comissão da Verdade.
A lei que criou a comissão foi assinada por Dilma em novembro do ano passado, mas ela fez questão de escolher pessoalmente, um a um, sem ceder a nenhum lobby, os sete nomes que anunciou na quinta-feira. Conheço a maioria deles e posso garantir que o time é da melhor qualidade, tanto do ponto de vista moral como profissional.
Na mesma noite, ela convidou os notáveis para um jantar no Palácio da Alvorada, explicou o que espera deles e deixou claro que não quer qualquer "revanchismo" contra os militares. "A Comissão da Verdade é um orgão do Estado e não do governo", resumiu.
Este é o estilo Dilma que vai se consolidando: pode demorar para agir, mas quando age procura ter o domínio da situação. Foi assim também com a questão da queda dos juros, que só anunciou depois de longas conversas com os donos dos bancos e economistas da sua confiança.
E será desta forma que a presidente vai decidir sobre os vetos ao Código Florestal aprovado pela Câmara. Ao movimento "Veta, Dilma", criado pelos ambientalistas, agora surgiu também o "Não veta, Dilma", patrocinado pelos ruralistas. Dilma acompanha de longe o debate na internet e, com calma, vai amadurecendo a sua decisão, que pode não contentar nenhum dos dois movimentos.
Se algum assessor lembrar a ela o descontentamento de um lado ou outro, que militares, banqueiros, parlamentares da base aliada ou vendedores de couve podem não gostar das suas decisões, Dilma costuma reagir com duas palavras: "Problema deles". Os donos da mídia já perceberam isso.
Ricardo Kotscho
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Miro Teixeira, moleque de recados da mídia?

 Artigo publicado em 29.09.2010

A revista Veja publicou, em sua edição de 18/9, entrevista com o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), que esteve à frente do Ministério das Comunicações no início do primeiro mandato presidencial de Lula. A finalidade da entrevista é legitimar a tese dos oligarcas da mídia de que o governo e os movimentos sociais supostamente controlados por ele são uma ameaça à liberdade de expressão no país.

“Governo não gosta de notícia” é o título da matéria, na qual Miro declara frases como 1) “O governo apresenta faces autoritárias”; 2) “Não há mal provocado ao Brasil pela imprensa. Só o bem” e 3) a “Confecom é ilegítima” e se suas propostas forem aprovadas, “devem ser revogadas no Supremo Tribunal Federal, que já demonstrou que o direito à informação não pode ser arranhado nem por emenda constitucional”.

Confecom, para quem não sabe, é a 1ª Conferência Nacional de Comunicação, realizada pelo governo Lula em dezembro de 2009. Reuniu milhares de pessoas de todo o Brasil em diferentes etapas e contou com a participação de movimentos sociais, diversos níveis e esferas do poder público e expressiva parcela do empresariado ― embora a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), liderada pela TV Globo, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e outras entidades tenham-se recusado a participar.

As mais de 600 propostas aprovadas pela Confecom resultaram de debate intenso e democrático e, em alguns casos, negociação entre os segmentos participantes. São medidas destinadas a desconcentrar e democratizar a comunicação social no Brasil, várias delas relacionadas à regulamentação de dispositivos já existentes na Constituição Federal mas nunca aplicados, como os artigos 220 e 221.

O parágrafo 5º do artigo 220 estabelece: “Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio”. O artigo 221, por sua vez, estipula: “A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios: I - preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas; II - promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação; III - regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei; IV - respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família”.

Nenhum desses princípios constitucionais é respeitado nos dias de hoje. O sistema de mídia é oligopolizado, dominado nacionalmente por uma dezena de conglomerados empresariais (objeto de recente desabafo do presidente Lula), associados a grupos monopolistas regionais ou locais. As finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas são preteridas em favor das finalidades mercantis das emissoras. A diversidade regional é uma caricatura, e os valores éticos e sociais são pisoteados por programas como “BBB” e muitos outros.

Ecoando as críticas feitas à Confecom pelos oligarcas da mídia, Miro age como moleque de recados. “O governo não pode reunir militantes, ditar uma pauta e afirmar com a cara mais limpa do mundo que, ‘depois de ouvir a sociedade, chegamos a tais conclusões’. Quando o governo organiza um fórum, ele não fala em nome da sociedade”, declarou ele à revista Veja. O paladino da liberdade de expressão patronal demonstra, assim, desconhecer o processo de construção da Conferência, complexo e contraditório.

Munida de benevolência raramente vista com ex-ministros de Lula, sobre ele Veja relembrou docemente: “Pautou seus nove mandatos pela defesa da liberdade de expressão. Uma ação que ele impetrou levou o Supremo Tribunal Federal a revogar, em 2009, a Lei de Imprensa, instituída pelo regime militar para manietar os jornalistas”. Graças a este notável gesto de Miro em prol da “liberdade de expressão” dos oligarcas da mídia, que permitiu ao STF derrubar a Lei de Imprensa sem colocar nada em seu lugar, hoje não existe mais direito de resposta. Os donos dos meios de comunicação estão livres para publicar qualquer coisa, sabendo que não terão mais a obrigação legal de dar espaço a contestações e réplicas.

Após informar que Miro “vê prosperar no governo que integrou e no Congresso do qual participa projetos de controle dos meios de comunicação”, Veja anuncia aos leitores, cândidamente, que o bravo deputado pedetista, disposto a combater essa perversa tendência, “articula uma frente suprapartidária de defesa da liberdade” (de imprensa?).

De acordo com o parlamentar, “os atuais ocupantes do Planalto tentam desacatar a Constituição”. Em seguida, ele monta o script de uma peça sobre um golpe de Estado, com preâmbulo (“O direito à informação é uma cláusula pétrea da Carta. Sem liberdade de imprensa, não há democracia”) e vários atos: “Aliás, a primeira medida de uma ditadura é sempre a mesma: suprimir a liberdade de imprensa. Depois, fecha-se o Congresso. Sem imprensa, garante-se a falta de repercussão da segunda medida”.

Miro deve ter-se esquecido, mas a Ditadura Militar instaurada em 1964 não precisou suprimir de imediato a liberdade de imprensa, ao menos para alguns veículos. Afinal, o golpe contou com apoio decidido de vários dos atuais denodados defensores da “liberdade de expressão”, como O Globo, O Estado de S. Paulo e a Folha de S. Paulo.

Veja também pediu a Miro que opinasse sobre os 224 projetos em tramitação no Congresso que restringem a propaganda comercial (“constituem uma ameaça à imprensa?”). O deputado desenvolve, então, um raciocínio tortuoso: “A obsessão pela restrição à publicidade se confunde com a obsessão pelo controle da imprensa pelo estado. Hoje, os governos têm um impacto pequeno sobre a receita dos principais veículos do Brasil — não mais que 8% do faturamento.

Sem acesso a anúncios privados, esses veículos passariam a depender da publicidade oficial. Mas não vejo possibilidade de essas iniciativas prosperarem, porque o Supremo estende à propaganda a proteção que dá à imprensa”.

Portanto, aí está. Como bem poderia dizer Carlos Lacerda, o udenista com quem Miro está ficando assaz parecido: as “ameaças” à imprensa e à propaganda comercial não podem existir; caso existam, não podem ser aprovadas no governo ou no Congresso; caso sejam aprovadas, serão derrubadas no STF.

Pedro Pomar, jornalista e editor da Revista Adusp, publicada pela Associação dos Docentes da USP. É doutor em Ciências da Comunicação pela USP.
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Miro Teixeira sobre CPI: “retomar o dinheiro será inédito”

Em seu décimo mandato, deputado diz que não há proteção e que culpado vai pagar
BRASÍLIA - Após um longo período de pouca exposição pública, o deputado carioca Miro Teixeira (PDT) voltou aos holofotes como uma das estrelas da CPI do Cachoeira. Com uma defesa ininterrupta da atuação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e da imprensa, Miro tem atuado para impedir que os desvios de foco retirem do cerne o que realmente importa: a corrupção. Em seu décimo mandato, Miro é otimista: “O dia que perder o otimismo, eu não me candidato mais”. E diz ainda que nessa CPI pode haver um fato inédito: “creio que perseguir o caminho do dinheiro e retomar o dinheiro vai ser inédito”.
- O senhor chegou aqui (no Congresso) em 1971. Ulysses Guimarães falava que o próximo Congresso seria sempre pior. Qual sua percepção?
- Doutor Ulysses tinha bom humor e fez uma boa piada. Isso serve para valorizar os bons momentos de cada legislatura. Não existe uma igual à outra.
- O senhor participou de duas grandes CPIs (Collor e Anões do Orçamento). Vislumbra diferença entre aquelas e a atual?
- Logo de início, porque as CPIs, quando encontram indício de crime, remetem suas conclusões para o Ministério Público. Nós já começamos essa CPI com a requisição de inquérito criminal pelo Ministério Público contra o senador Demóstenes Torres e três ou quatro deputados, com processos iniciados e milhares de horas de gravação feitas. Você tem um material que está ensejando a percepção de que os três Poderes da República podem trabalhar em estreita colaboração para impedir a impunidade. Tem várias forças atuando, inclusive líderes partidários que não integram a CPI.
- Pode haver um entendimento em relação aos governadores?
- Não. Não pode haver saída do princípio da impessoalidade da vida pública. Simplificando, é o seguinte: não há proteções pessoais. Quem for culpado vai pagar. Quem for inocente, não vai ser perseguido. É isso.
- Na sua opinião, o que o procurador-geral fez?
- Você tem uma investigação com muita gente. Aí no meio tem cinco pessoas com foro especial no Supremo. Ele recebe aquilo e lê. Só que não tinha entrado o Clube do Nextel. Quando é deferida a retomada das gravações, aí já no ar o Clube Nextel da Rua 46 de Nova York, começa a entrar gravação ‘pra cacete’ do Cachoeira com o Demóstenes. Em vez de ficar procurando falha, que não existe, e tentar inventar omissão, que não existe, é melhor entendermos que só chegamos a este ponto graças ao magnífico funcionamento da Procuradoria da República e da Polícia Federal.

‘Perseguir e retomar o dinheiro vai ser inédito’

-  O senhor concorda com a avaliação do PGR de que os críticos da atuação dele estão preocupados com o julgamento do mensalão?
- Acho que é um direito dele pensar dessa forma. Minha avaliação é que é desvio da pauta. Não tenho dúvida de que há um mal-estar de alguns com a discussão de corrupção, lavagem de dinheiro.
- Há um sentimento de alguns parlamentares da CPI de fazer uma caça às bruxas na imprensa?
- Acho que já houve mais, mas penso que a maioria é contra. Acho que no começo pode ter tido muito rancor, que tomou o plenário, mas acho que hoje isso está muito limitado a um ou outro personagem.
- O senhor foi membro da CPI do Collor. Como é participar do mesmo trabalho com ele?
- Dentro do princípio da impessoalidade da vida pública, não tenho relação com ele, sou capaz de travar um debate com ele e até o momento só tive ideias divergentes. Mas se tiver alguma convergente, não terei o menor embaraço. Lamentavelmente até agora não concordei com nada, porque ele ataca a procuradoria da República, a imprensa, e ali estamos reunidos numa CPI para discutir corrupção.
- Considera que o presidente Collor, tendo deixado o governo por impeachment, tem algum impedimento para investigar corrupção?
- Ele não está fazendo uma investigação sobre corrupção. Está atacando a imprensa e o Ministério Público. Pode ser que quando começarem a chegar os sigilos quebrados de contas bancárias, dos telefones, ele tenha uma contribuição a dar.
- Acredita que o governo pode interferir na CPI?
- Nessa CPI, como em qualquer grande CPI, só quem interfere é sua excelência o fato. Você teve a CPI do Collor e a CPI dos Correios. Se o governo pudesse interferir em CPI, o desfecho das duas teria sido diferente. Então, isso não é uma opinião, é uma constatação da nossa história recente.
-  O foco é a recuperação do dinheiro público desviado?
- Eu tenho ido atrás da recuperação do dinheiro porque o inquérito está feito. Precisamos saber, afinal de contas, do que é que precisam o Tribunal de Contas da União e a Controladoria-Geral da União para impedir que essas coisas aconteçam. Por que não pegaram isso? Por que não impediram?
- Qual é o fim que o senhor prevê para a CPI?
- A CPI, surpreendentemente, logo de início já desencadeou uma série de investigações. A primeira delas a da Delta. Se fosse o fim da CPI, já seria um conhecimento tremendo para ajudar o país a conduzir novas investigações e punir essas pessoas. Mas eu creio que perseguir o caminho do dinheiro e retomar o dinheiro vai ser inédito.
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Tuitaço esmaga insetos da Veja

Desesperada, a revista Veja desta semana decidiu partir para o ataque com o nítido propósito de impedir a convocação dos capos da famiglia Civita para depor na CPI do Cachoeira. Malandra, alardeou na sua capa que a “imprensa acende a luz”, tentando agregar a máfia midiática, e escolheu seu alvo: a blogosfera e as redes sociais. Acusou os ativistas digitais de “insetos”, “robôs” e “petralhas amestrados”. Mas ela se deu mal. Pela terceira vez em menos de um mês, a revista foi desmascarada e desmoralizada no twitter.
O protesto virtual deste sábado (12) foi impressionante. Marcado para as 18 horas, antes do meio-dia a hashtag #VejaComMedo já ocupava o primeiro lugar nos trending topics – do Brasil e do mundo. Como estranhamente houve o sumiço da hashtag, numa ação encarada por alguns internautas como censura do twitter, ela foi mudada para #VejaTemMedo e voltou a ocupar o primeiro lugar no Brasil. A publicação da famiglia Civita “brilhou” na rede por quase dez horas – um recorde.
A resposta dos ativistas digitais às manipulações e à arrogância da Veja foi incisiva, barulhenta. Segundo balanço parcial, mais de 25 mil mensagens foram postadas no twitter contra a revista. Em tom irônico, os “insetos” e “robôs” da internet deram uma surra na publicação da famiglia Civita. Ela hoje não fala mais sozinha para a sociedade, não manipula corações e mentes impunemente. Metida a poderosa, a revistinha associada ao crime organizado e à direita hidrófoba virou um insetinho nojento e repugnante!
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Veja mete a mão em vespeiro e sai ferida

Veja mete a mão em vespeiro e sai ferida
Ao rotular como insetos ou robôs internautas que criticam a publicação, revista da Abril é alvo de um protesto gigantesco no Twitter; arrogância distancia leitores e mostra despreparo para lidar com crises de imagem nas redes sociais
Não se espere de qualquer grande veículo de comunicação qualquer tipo de autocrítica. Todos eles têm sempre razão. Na história do jornalismo brasileiro, o único que reconheceu um erro de informação dando o mesmo destaque na primeira página foi o Correio Braziliense, quando comandado por Ricardo Noblat. Na época, a ousadia rendeu um Prêmio Esso ao jornal.
Veja vem sendo criticada há várias semanas por internautas do Brasil inteiro. Sofre aquilo que os especialistas definiriam como uma crise de imagem nas redes sociais. Algo que pode acontecer com qualquer empresa. Recentemente, por exemplo, ocorreu com a Claro e com seu garoto-propaganda Ronaldo, que não cumpriram uma promoção anunciada na Páscoa.
Em casos desse tipo, os consultores recomendam humildade, cautela e, sobretudo, diálogo com os internautas. Veja preferiu adotar o caminho oposto. Optou pela arrogância, pela prepotência e pelo desprezo pelos internautas. Numa reportagem deste fim de semana, rotulou como “insetos”, “robôs” ou “petralhas amestrados” os internautas que têm participado de seguidos tuitaços contra a publicação, desde que se evidenciou a proximidade entre a revista e o bicheiro Carlinhos Cachoeira.
O resultado foi devastador. Neste sábado, Veja liderou os trending topics durante praticamente todo o sábado. Começou ao meio-dia e ainda agora estava lá, seja com #VejaComMEDO, seja com #VejaTemMEDO. Muitos internautas alteraram até as fotos dos seus perfis e passaram a utilizar imagens de robôs ou insetos. Na grande maioria, são jovens, potenciais leitores de Veja, mas que vêm disseminando uma mensagem que ninguém consegue calar e que pode ser devastadora: a de que a maior revista do Brasil tinha algum tipo de associação com um esquema criminoso. Nesse tom, mais de 25 mil mensagens foram postadas no Twitter.

Corrosão de imagem

Num caso semelhante de crise de imagem, o magnata australiado Rupert Murdoch publicou anúncios em diversos jornais, pedindo desculpas pelo comportamento do tabloide News of the World, que se valia de grampos ilegais em suas reportagens. Assim, pôde preservar a credibilidade de sua publicação mais valiosa, que é o jornal americano The Wall Street Journal.
Veja, naturalmente, tem todo o direito de menosprezar as manifestações dos leitores, atribuindo-as à “manipulação criminosa”, como definiu o blogueiro Reinaldo Azevedo. Mas cupins, quando começam a roer uma madeira, raramente são percebidos. E, quando menos se espera, toda a estrutura desaba.
Num poema clássico, o pernambucano Ascenso Ferreira fala de uma “madeira que o cupim não rói”. Será Veja tão sólida para resistir ao ataque dos insetos, que começam a se transformar nos verdadeiros formadores de opinião?
No 247
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Veja atribui a robôs e insetos protestos virtuais

Veja atribui a robôs e insetos protestos virtuais
Neste fim de semana, a revista Veja, de Roberto Civita, denuncia fraudes que teriam ocorrido no Twitter para colocá-la, três vezes, de forma negativa, como o assunto mais comentado da rede social; tudo seria fruto da ação de perfis falsos, robôs e “petistas amestrados”; Abril não vê dano de imagem, mas acaba de levar mais um TT: #VejaComMEDO
Neste fim de semana, a revista Veja chega às bancas com uma série de reportagens sobre a liberdade de imprensa e a suposta tentativa da CPI do Cachoeira de desmoralizar o jornalismo investigativo. Pela primeira vez, o diretor da publicação, Eurípedes Alcântara, citou o nome do redator-chefe Policarpo Júnior, interlocutor frequente de Cachoeira, e saiu em sua defesa.
Numa das reportagens da série, chamada “Falcão e os insetos”, Veja fala sobre os três momentos em que milhares de internautas colocaram a revista como um dos assuntos mais comentados do mundo, no Twitter, de forma pejorativa. Isso aconteceu com as hashtags #VejaBandida, #VejaGolpista e #VejaPodreNoAr. Agora, neste sábado, acontece pela quarta vez, com #VejaComMEDO.
De acordo a Editora Abril, de Roberto Civita, Veja não vem sofrendo uma crise de imagem, nem uma corrosão do seu patrimônio duramente construído ao longo das últimas quatro décadas. Os protestos no Twitter seriam fruto apenas da ação de “robôs”, “insetos” e “petistas amestrados”, que seriam liderados pelo presidente do PT, Rui Falcão. Curiosamente um jornalista que comandou e ajudou a implantar um dos maiores sucessos da Editora Abril: a revista Exame,  de economia e negócios.

Fraudes no Twitter


De acordo com Veja, diversas regras do Twitter teriam sido violadas nos tuitaços contra a revista. Robôs teriam sido programados para enviar tweets automáticos. No caso dos verdadeiros, eles teriam sido enviados por aquilo que a revista define como “insetos” ou “petistas amestrados”, comandados por Falcão, que teria criado, no PT, num núcleo chamado MAVs – “Militância em Ambientes Virtuais”.
Curiosamente, no dia em que um dos tuitaços contra Veja alcançou o Trending Topics (lista de assuntos mais comentados no Twitter), houve também um tuitaço organizado por leitores e defensores da revista chamado #VejaNelles. Neste caso, diversos internautas levantaram dados apontando também o uso de robôs.

O discurso da tolerância


Em sua reportagem, Veja também pregou um discurso da tolerância na mídia e mandou um recado aos que alguns, dentro da Editora Abril, consideram ser seus adversários na batalha da comunicação. Eis o que diz o texto:
“A internet aceita tudo. Chantagistas contrariados fazem circular fotos de atrizes nuas (vide o caso Carolina Dieckmann), revelam características físicas definidoras (“minocartaalturareal1m59cm”), apelidam sites com artigos do Código Penal (“171”, estelionato) e referenciam-se em doenças venéreas – por exemplo, na sífilis (grave doença infecciosa causada pela bactéria Treponema pallidum – para formar sufixos de nomes (...) Cidadãos que se sintam atingidos por epítetos como esses acima, que vagam pela internet, infelizmente não têm a quem recorrer.”
Veja fez uma referência à Carta Capital, de Mino Carta (1m59cm), ao 247 (171), e ao blogueiro Luís Nassif (Nassífilis), colocando todos que “infelizmente não têm a quem recorrer” como vítimas de “chantagistas contrariados”. Em relação ao 247, Veja afirmou ainda que enquanto não houver uma governança sobre a internet, predominará a “indecência” e empreendedores terão suas iniciativas associadas a artigos do Código Penal.
Na parte que nos toca, também lamentamos a “indecência” e somos gratos pelo reconhecimento dos erros cometidos pela Abril nos últimos anos. Afinal, alguns dos principais “cheer leaders” dos ataques a jornalistas têm sido figuras da própria Abril, como Diogo Mainardi, Mario Sabino e, sobretudo, Reinaldo Azevedo.
Será que o recado será compreendido internamente?
No 247
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Quando Veja matou Cazuza diante da própria mãe

Completaram-se 23 anos desde que Veja zombou de Cazuza e abreviou sua morte. Mal disfarçando o intento comercial por trás do anúncio antecipado da morte de um ídolo popular, a revista foi além e o expôs como um boneco de pano pronto a ser estraçalhado em expiação às transgressões que a juventude ousa com frequência levantar contra os guardiões da ordem e da boa moral.
Entre a reportagem denegritória e a morte passou-se pouco mais de um ano. Tomaram os desabafos de um homem fragilizado pela demência cerebral que acomete os infetados pela AIDS nos estágios mais avançados da doença como confissões pecaminosas de quem haveria de confrontar-se em fim com os próprios erros.
Ao invés de oferecer ao cantor o espelho que refletisse a ordem doente de que Veja era parte com seu apoio a Collor – como depois reclamara em canção outra vítima da AIDS, Renato Russo – estamparam o retrato do castigo, para que por meio da culpa outros não ousassem apontar as piscinas cheias de ratos dos que lucram com o desespero humano.
O ídolo de uma geração que festejava com rock o fim de um tempo de opressão foi apresentado aos fãs como um ser autodestrutivo, viciado desde criança, promíscuo e de talento duvidoso. Um insano que na hora da morte impunha sua esfinge esquálida aos funcionários da gravadora, cantando noite e dia suas últimas canções a eles que temiam sua morte nas dependências do estúdio.
Na vida privada Cazuza foi apresentado por Veja como um corpo que resistia a morrer, carregado que era de um lado para o outro no colo de um empregado abnegado, a um só tempo guarda-costas e enfermeiro, pelo que insinuava uma agonia em completo abandono.
Tampouco da mãe do enfermo Veja teve comiseração. E mostrou-a como uma mulher consumida pelo pesar de sentir-se responsável pela sorte do próprio filho, a quem não soube dar os ensinamentos de que uma criança precisaria ainda antes da adolescência.
Na bílis negra vertida por aquela reportagem de 26 de abril de 1989 nem mesmo a memória que viria ser legada à posteridade pela curta carreira do jovem agonizante mereceu guarita. Com um último golpe decisivo de impiedade, os repórteres de Veja compararam a obra de Cazuza com a de Noel Rosa que, morto ainda mais jovem que ele aos 23 anos de idade, dizendo que enquanto a obra deste houvera se revelada imortal, a daquele tenderia a desaparecer com ele.
Mas como a vida sempre frustra a arrogância e a presunção daqueles que podem brandir a arma das próprias versões, Cazuza está aí vivo até hoje nas vozes de outros jovens, tão transgressores quanto ele, que nas ruas e nas praças repetem o refrão que cabe à perfeição à Veja: “suas ideias não correspondem aos fatos. O tempo não para, não para não!”.
E ao contrário do que disse Veja, neste dia das mães fica aqui a homenagem a Dona Lucinha, de cujo amor materno brotou essa jóia da cultura popular que foi esse querido brasileirinho Agenor de Araujo, o Cazuza.
No Brasil que Vai!
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Cachoeira também banhou Beto Richa?

A Operação Monte Carlo da Polícia Federal continua causando estragos. O ex-demo Demóstenes Torres morreu politicamente. Sua cassação já é dada como certa. O governador tucano Marconi Perillo está cada vez mais enrolado. E o deputado Carlos Leréia faz ameaças ao PSDB para não ser rifado. O fato novo, agora, é o possível envolvimento do governador Beto Richa, do Paraná, com a máfia de Carlinhos Cachoeira. A revista Época desta semana traz uma reportagem que aranha a imagem do ambicioso tucano.

Os tentáculos do mafioso

Segundo a matéria, intitulada “Negócios que não param de jorrar” e assinada por Andrei Meireles, Murilo Ramos e Leonel Rocha, “o bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, começou a vida no ramo de jogos ilegais. Com a ajuda de políticos e policiais e o uso de recursos do submundo, ele se tornou um homem próspero, com negócios nos ramos farmacêutico e da construção civil. Seu braço nessa área era a construtora Delta”.
Através destas empresas, Cachoeira estendeu seus tentáculos criminosos por vários estados. A revista Época não cita São Paulo, onde a Delta também firmou contratos milionários na gestão de José Serra. O motivo do esquecimento é óbvio. Mas ela menciona outros estados da região centro-oeste. Dá destaque para o Mato Grosso, onde o mafioso utilizava como fachada a Construtora Rio Tocantins (CRT). No final da reportagem, porém, ela inclui o Paraná como um dos alvos da cobiça do mafioso.

"O caboclo gosta de um jogo"

A partir do depoimento do delegado Matheus Mella Rodrigues, responsável pela Operação Monte Carlo, em sessão secreta da CPI do Cachoeira na semana passada, a revista Época informa que a Polícia Federal listou 81 pessoas, “que mantinham contatos com integrantes da organização criminosa ou seriam cortejados por eles. Entre os listados está o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB)”. Vale a pena conferir os trechos finais da reportagem, que podem abater mais um tucano de alta plumagem:
*****
Em 23 de agosto de 2011, Lenine Araújo, um dos principais colaboradores de Cachoeira, e Miguel Marrula (DEM), ex-vereador de Anápolis, em Goiás, falam da pretensão de Cachoeira de expandir sua atuação no Paraná. “Meu primo é muito… do vice-governador de lá, sabe? E quer levar o Carlinhos Cachoeira para conhecer o Beto Richa, lá, e a gente pode aproveitar alguma coisa nisso, você concorda?”, diz Marrula a Araújo. “Ele (Richa) é da família nossa. Você pensa num caboclo que gosta de um jogo...” Durante audiência na CPI, ficou claro que o primo a quem Marrula se refere é Amin Hannouche (PP), prefeito de Cornélio Procópio, no Paraná. Amin tem pretensões de ser o candidato a vice-governador de Beto Richa na eleição de 2014.
Marrula diz que, apesar de pequeno, o grupo ligado ao primo é forte. “Está com a faca e o queijo na mão porque o pessoal de lá, o secretário de Segurança, nós que colocamos… é gente da minha casa. É gente do meu primo”, afirma. O secretário de Segurança do Paraná, Reinaldo Almeida César Sobrinho, seria o personagem da conversa entre Marrula e Araújo. Sobrinho foi presidente da Associação de Delegados Federais e assessor do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). O delegado Sobrinho afirmou a Época que não conhece Marrula nem Cachoeira. Disse, ainda, que conheceu o prefeito de Cornélio Procópio meses depois de ter assumido a Secretaria de Segurança e nega interferência dele em sua nomeação.
Antes mesmo da Operação Monte Carlo, a cúpula da Segurança Pública no Paraná já fora atingida por suspeitas de relações com jogo ilegal. Em novembro do ano passado, o então comandante da Polícia Militar no Estado, Marcos Scheremetta, foi afastado depois de dizer que conversava com os chefões do jogo do bicho no Estado. Scheremetta disse que seu pai, que já morreu, costumava trabalhar com o jogo ilegal. Scheremetta afirmou também que nunca escondeu essas informações do governador e do secretário de Segurança.
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De hemorroidas a tendinite

Depois de passar outra tarde inteira estudando e escrevendo num banco duro da Biblioteca Britânica, Karl Marx teria dito que um dia a burguesia ainda lamentaria as suas hemorroidas.
Marx foi o melhor exemplo da sua própria exortação aos filósofos, a de que era preciso mudar o mundo em vez de apenas entendê-lo, e teria mais razão do que a maioria dos intelectuais para achar que seu trabalho tinha consequência, ou que suas hemorroidas não tinham sido em vão.
Outro intelectual do século dezenove, Sigmund Freud, também poderia reivindicar a mesma pertinência para o seu trabalho duro, e a mesma influência na história humana, mas enquanto hoje ainda se ouvem alguns lamentos pelas hemorroidas do Marx — ou pelo menos se discute se o mundo teria sido o mesmo com ou sem ele, ou com ou sem elas —, a relevância histórica de Freud é pouca.
Antes que freudianos me mordam explico que a importância de Freud, como pioneiro e teórico, ainda é imensa e que suas teses e terapias, mesmo as que hoje estão ultrapassadas, afetaram a história pessoal de muita gente.
Mas a História com maiúscula, a história da humanidade como case de neurose coletiva, não tomou conhecimento da inversão freudiana da exortação marxista, a de que era preciso reinterpretar o mundo para poder entendê-lo, e mudá-lo.
Nenhuma das descobertas de Freud sobre o inconsciente e o comportamento neurótico, sobre o homem movido por impulsos que mal conhece, teve o mesmo impacto da ideia marxista do homem econômico, entregue a leis históricas que mal domina.
Nem impacto social nem intelectual, pois fora algumas tentativas de juntar Marx e Freud numa explicação só — num pobre homem atacado por fora pelo determinismo econômico e por dentro por ele mesmo — e uma ou outra iniciativa de interpretar a história psicanaliticamente, como fez Norman O. Brown num livro hoje esquecido, a investigação da humanidade como candidata a um divã não prosperou.
Que eu saiba. E basta olhar em volta para ver quanta coisa Freud ao menos explicaria, mesmo que não mudasse.
Quanto às hemorroidas citadas por Marx, são um símbolo da pretensão de todos nós a fazer alguma diferença com o que escrevemos. É insuportável saber que o único efeito de passar tanto tempo neste computador no mundo real seja uma possível tendinite.
Luís Fernando Veríssimo
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Eike Batista compra 50% do Rock in Rio

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Internet supera TV e jornal como mídia mais consumida no Brasil, diz estudo

Um estudo inédito realizado pelo IAB Brasil revela que, para o brasileiro, a Internet já é o meio de comunicação mais importante. De acordo com a pesquisa, um em cada três brasileiros consome pelo menos duas horas de Internet por dia e navega em sites por pelo menos quatro aparelhos diferentes.
Pesquisa IAB Hábitos de Consumos de Mídia (Foto: IAB)
Comparada ao rádio, à TV e ao jornal, a Internet já é a mídia mais consumida, não só em casa, como no trabalho, na escola, em restaurantes, shoppings e reuniões presenciais. Dentre os quase 40% que surfam pelo menos duas horas por dia, somente 25% conseguem gastar o mesmo tempo com a TV. Essa, por sinal, é o meio menos usado entre jovens de 15 a 24 anos.

De maneira geral, mulheres consomem mais mídia do que homens


O público feminino passou o masculino no quesito preferência e consumo de atividades de mídia. 84% das internautas usa a Internet várias vezes ao dia e 65% assiste TV frequentemente enquanto navega na web.
Em casa, a Internet é a mais utilizadas das mídias em todos os períodos do dia: 69% acessam pela manhã, 78% também acessam à tarde e 73% conectam à noite. Apesar do cada vez maior acesso a smartphones e tablets, desktops (77%) e laptops (59%) ainda são as formas mais usadas para acessar a Internet.
O consumo de mídia em mais de um dispositivo é uma tendência. De acordo com a pesquisa, 66% da audiência online já acessa a Internet por mais de dois aparelhos diferentes e 25% dos adultos entre 25 e 34 anos acessa através de quatro ou mais dispositivos.
O uso do computador em paralelo com outras mídias também é maior. 61% usa um desktop ou laptop para acessar a Internet enquanto assiste à TV. Maioria de 65% são mulheres.
Consumo Semanal de Mídia (Foto: IAB Brasil)
De acordo com a pesquisa, o público online no Brasil é aberto e receptivo à propaganda digital. 36% acha que anúncios na web incomodam menos e são mais sinceros que em outros canais. 44%, no entanto, acredita que anúncios de TV ainda são mais marcantes que em outras mídias.
O estudo apontou ainda que as redes sociais estão mais presentes nas classes sociais com menos poder aquisitivo e que um terço das pessoas prefere navegar mais do que qualquer outra atividade. Surpreendentemente, esse número inclui também adultos com mais de 55 anos.
No Cama de Prego
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A CPI das reviravoltas

Será que a CPI precisa trocar, outra vez, o nome (que tal CPI das Piruetas da Lógica)? Ou é melhor ficar como CPI do Cachoeira, uma oportunidade para que discutamos políticos, empresários, jornalistas, magistrados e procuradores?
A CPI do Cachoeira está apenas no início e já ganha o troféu de a mais inusitada dos últimos anos. A cada dia, confirma a antiga sabedoria mineira a respeito da política.
É como as nuvens: você olha e vê uma coisa; olha de novo e tudo mudou.
Foi assim desde o começo.
Quem acompanhava o noticiário estava convencido de que a CPI era uma invenção de Lula. Embora ninguém soubesse com certeza o que ele queria, havia quase um consenso a respeito de suas intenções: usá-la contra antigos — e novos — desafetos.
Não só, mas principalmente para atingir Marconi Perillo. (Consta que ele nunca teria perdoado o governador de Goiás por tê-lo acusado, em 2005, de nada ter feito quando o informou sobre o mensalão.)
Era, nessa altura, a CPI do Acerto de Contas.
Os comentaristas de nossa imprensa estavam perplexos. Não havia precedente de uma CPI — arma tradicionalmente usada pelas oposições para atacar o governo — patrocinada pelo partido que está no poder. Sem ter outra coisa para dizer, puseram-se a repetir a verdade acaciana: "Todos sabem como começa, mas ninguém como termina uma CPI".
Quando as lideranças da oposição perceberam que ela seria mesmo realizada, correram para estar na foto de comemoração da instalação. Isso tranquilizou os analistas, que logo formularam a hipótese de que Lula, no afã de prejudicar os oponentes, havia cometido uma ingenuidade: o feitiço ia se virar contra o feiticeiro.
A comissão mudou de nome. Passou a ser a CPI do Juízo Final.
Daí, alguém achou que havia descoberto a verdade. Lula tinha, de fato, segundas intenções e não temia perder o controle da CPI. O que ele queria era servir-se dela para desviar a atenção do Supremo Tribunal Federal. Atrapalhar o julgamento do mensalão.
A suposição é tosca, mas teve larga circulação. Só poderia acreditar nela quem possui péssima imagem dos ministros do STF e imagina que julgam ao sabor das circunstâncias, de acordo com o que leem no jornal. Nem por isso, no entanto, deixou de ser reproduzida mil vezes, como se fosse uma descoberta extraordinária.
Já então, a CPI recebeu o terceiro batismo: era a CPI da Cortina de Fumaça.
Na semana que passou, a confusão aumentou. As reviravoltas se sucederam diariamente.
Começou com o primeiro depoimento que colheu, do delegado da Polícia Federal responsável pela investigação da Operação Vegas — o ponto de partida da história inteira.
A parte relevante foi quando ele disse que o inquérito havia sido concluído e encaminhado à Procuradoria-Geral da República em 2009. Uma dúvida ficou no ar: por que só em 2012 ela o remeteu ao Supremo?
Se a tese da "cortina de fumaça" fizesse sentido, a questão seria ainda mais intrigante. E conduziria a outras perguntas.
Será que o retardo — que fez com que as denúncias viessem à tona justo na véspera do julgamento do mensalão — significaria que o procurador-geral estava mancomunado com alguém? Será que queria melar o mensalão? Afinal, não foi de sua ação — ou omissão — que resultou que acontecessem ao mesmo tempo?
Logo que escutaram as declarações do delegado, vários membros da Comissão entenderam que precisavam ouvir o procurador. Os que primeiro se manifestaram foram parlamentares do PSol e do DEM.
Isso não o perturbou. Afirmou que não iria e que quem o criticava eram os "que estão morrendo de medo do julgamento do mensalão".
Como? Se foi ele quem criou as condições para que o caso fosse utilizado como "cortina de fumaça", o revelando agora? Como, se quem saiu à frente para convocá-lo foram políticos que nada têm a ver com o julgamento?
Será que a CPI precisa trocar, outra vez, o nome (que tal CPI das Piruetas da Lógica)?
Ou é melhor ficar como CPI do Cachoeira, uma oportunidade para que discutamos políticos, empresários, jornalistas, magistrados e procuradores?
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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El 67 aniversario de la victoria sobre el nazi fascismo

Ningún hecho político puede ser juzgado fuera de la época y las circunstancias en que tuvo lugar. Nadie conoce siquiera el uno por ciento de la fabulosa historia del hombre; pero gracias a ella, conocemos sucesos que rebasan los límites de lo imaginable.
El privilegio de haber conocido personas, incluso sitios en los que se llevaron a cabo algunos de los sucesos relacionados con la histórica batalla, incrementaba el interés con que esperaba este año la conmemoración.
La colosal hazaña era fruto del heroísmo de un conjunto de pueblos que la revolución y el socialismo habían unido y entrelazado para poner fin a la brutal explotación que el mundo había soportado a lo largo de milenios. Los rusos estuvieron siempre orgullosos de haber encabezado aquella revolución, y de los sacrificios con que fueron capaces de llevarla a cabo.
Este importantísimo aniversario de la victoria no podía ser comprendido bajo el signo de una bandera y un nombre diferente al que presidió el heroísmo de los combatientes de la Gran Guerra Patria. Quedaba algo sin duda intocable e imborrable: el himno bajo cuyas inolvidables notas millones de hombres y mujeres desafiaron la muerte, y aplastaron a los invasores que quisieron imponer mil años de nazismo y holocausto a toda la humanidad.
Con esas ideas en la mente, disfruté las horas que dediqué al desfile más organizado y marcial que pude imaginar nunca, protagonizado por hombres formados en las universidades militares rusas.
Los yankis y los ejércitos sanguinarios de la OTAN seguramente no podían imaginarse que los crímenes cometidos en Afganistán, Iraq y Libia; los ataques a Pakistán y Siria; las amenazas contra Irán y otros países del Medio Oriente; las bases militares en América Latina, África y Asia; podrían llevarse a cabo con absoluta impunidad, sin que el mundo tomara conciencia de la insólita y descabellada amenaza.
¡Qué pronto se olvidan los imperios de las lecciones de la historia!
La técnica militar exhibida en Moscú el 9 de mayo, mostraba la impresionante capacidad de la Federación Rusa para ofrecer respuesta adecuada y variable a los más sofisticados medios convencionales y nucleares del imperialismo.
Fue el acto que esperábamos en el glorioso aniversario de la victoria soviética sobre el fascismo.
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Fidel Castro Ruz
Mayo 10 de 2012
8 y 14 p.m.
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Mãe é Mãe

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