12 de mai de 2012

Ricardo Felício na rádio Globo

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Charge online - Bessinha - # 1239

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Peluso processa blogueiro sujo

“A Constituição Federal, nos artigos 5º, incisos IV e IX, e 220, garante o direito individual e coletivo à manifestação do pensamento, à expressão e à informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, independentemente de licença e a salvo de toda restrição ou censura”
Ricardo Lewandowski





O blogueiro sujo Paulo Roberto Cequinel, de Antonina, Litoral do Paraná, dono e diretor do blog O Ornitorrinco, está sendo processado e censurado pela Peluso abaixo retratada, acompanhe:

 

Munira "Mônica" Peluso, ex-prefeita de Antonina, processa-me

1. Munira "Mônica" Peluso está a processar-me por ter a ela me referido como Ficha Suja.
2. Ontem (11), por volta das 14:30 horas, recebi ordem judicial prolatada nos Autos 1843-30.2012, Comarca de Antonina, para remover postagens a ela relacionadas, uma de 17, outra de 19 e a terceira de 21 de abril, embora o mandado seja impreciso e genérico.
3. As postagens removidas, embora eu não as considere ofensivas coisa nenhuma, estarão "fora do ar", por assim dizer, e provisoriamente, porque ao final do processo provarei que não sou e nunca fui leviano e/ou mentiroso.
4. Reafirmo que a remoção relaciona-se ao cumprimento do mandado do MM Juiz de Direito da Comarca de Antonina, e não porque reconheça ou aceite que as postagens acima linkadas tenham atingido a honra da autora.
5. Permaneço e permanecerei em condições de andar por este mundo de cabeça completamente erguida e, muito especialmente, mantenho-me e manter-me-ei orgulhosamente capaz de encarar - olho no olho - meus filhos e meus netos. Eles sabem o pai e o avô que sou.
6. Lutarei o bom combate, como sempre fiz: brincaremos no regato, amanhecerá tomate, anoitecerá mamão.
7. Não me calarão! Mas nem fudendo!
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Sigam o dinheiro

Bomba: Cachoeira ligado à doadora de R$ 8,25 milhões ao PSDB Nacional

                                Em primeira-mão no Blog Os Amigos do Presidente Lula em 04/02/2012 às 20:08                                 
Isso não sai no Jornal Nacional, nem na revista Veja:
Do Relatório da PF da Operação Monte Carlo
Um diálogo entre dois altos membros da organização de Carlinhos Cachoeira mostra que ele teve negócios em parceria com o grupo empresarial de JC Gontijo.
A empresa é de José Celso Valadares Gontijo, que apareceu gravado no mensalão do DEM entregando pacotes de dinheiro (vídeo abaixo), relativo a contratos de sua empresa de telemarketing Call Tecnologia com o governo do DF na gestão Arruda.
Ele é marido de Ana Maria Baeta Valadares Gontijo, ... a pessoa física que fez a maior doação de campanha do Brasil nas eleições de 2010: R$ 8,25 milhões. 
Tudo exclusivamente para a Direção Nacional do PSDB.
(necessário informar o nome da milionária no formulário)
O que o tucano José Serra (que foi candidato a presidente), e o deputado Sérgio Guerra, presidente do partido, tem a dizer?
A CPI do Cachoeira precisa verificar qual foi esse negócio com a JC Gontijo e seguir o rastro do dinheiro.
Leia também:
- A fabulosa doação PESSOAL de R$ 8,25 milhões da socialite para o PSDB! Mensalão do DEM na parada.
ZéAugusto
No Amigos do Presidente Lula
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Charge online - Bessinha - # 1238

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Justiça do DF quebra sigilos e bloqueia bens de Cachoeira e mais 7 pessoas

Além de Carlinhos Cachoeira, o ex-diretor da Delta Claudio Abreu também teve os sigilos quebrados e os bens bloqueados
A Justiça do Distrito Federal quebrou o sigilo bancário, fiscal e telefônico, além de bloquear os bens do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, do ex-diretor da Construtora Delta Claudio Abreu e de outras seis pessoas denunciadas por formação de quadrilha e tráfico de influência por corrupção, tráfico de influência e fraudes em processo para contratar o serviço de bilhetagem eletrônica dos ônibus no DF. O sigilo bancário, fiscal e telefônico de Cachoeira já havia sido quebrado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a relação do bicheiro com políticos e contratos públicos.
A decisão ocorreu depois de pedido do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. Conforme a peça de acusação, Cachoeira e os dois ex-diretores comandaram operação para direcionar o contrato, que renderia R$ 60 milhões por mês, à empreiteira. Coube a Abreu pagar Valdir dos Reis, lobista encarregado de azeitar o negócio na Secretaria de Transportes. Sob as orientações de Puccini, a própria quadrilha elaborou projeto básico e edital para a licitação.
Ex-assessor da Secretaria de Planejamento do Distrito Federal, Reis foi cooptado pela quadrilha para cuidar de seus interesses no governo Agnelo Queiroz (PT). Mesmo exonerado do cargo em 31 de dezembro de 2010, ele tinha crachá em 2011 e, segundo a denúncia, circulava livremente no Palácio do Buriti, que abriga a Secretaria de Transportes.
Em uma das escutas, Cachoeira ordena que Geovani Pereira da Silva, apontado como seu contador, pague R$ 50 mil a Reis. O diálogo indica que o dinheiro provinha da conta de Abreu. O valor foi depositado na conta do ex-servidor pela Adécio e Rafael Construções e Incorporações, uma das empresas do esquema, que, segundo o MP, existiria apenas de fachada para lavagem e pagamento de recursos. Onze dias depois, Reis conseguiu reunião do secretário de Transportes do DF, José Walter Vasquez, com "membros da organização criminosa".
Embora não registrasse nenhuma experiência na área, a Delta tinha interesse em comprar software para operar a bilhetagem. A partir do encontro, diz a denúncia, a quadrilha de Cachoeira começou a elaborar o projeto básico e o edital de licitação, direcionados à Delta.
Abreu foi preso durante a Operação Saint Michel, na semana passada, por envolvimento nas fraudes. A denúncia cita suposta negociação, revelada pelo Estado, entre a quadrilha e o servidor do DFTrans (empresa que gerencia o transporte no DF) Milton Martins Júnior, que está afastado do cargo.
No iG
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Fotos de Sérgio Cabral trabalhando vazam na internet

POSTO 12 - A comunidade política internacional amanheceu estarrecida com o vazamento de fotos que revelam Sérgio Cabral trabalhando em pleno Rio de Janeiro. "Temos que periciar essas imagens minuciosamente", reagiu, atônito, Anthony Garotinho. "A Europa vai afundar ainda mais na crise!", alertou, estarrecido, o prefeito Eduardo Paes. Num lampejo imortal, Merval Pereira destacou, em sua coluna: "Foi mais um episódio coordenado para abafar o Escândalo do Mensalão". Miriam Leitão desmaiou no cabeleireiro e Ancelmo Gois foi internado em estado de choque.
Orientado por Rodrigo Pimentel, o advogado de Sérgio Cabral exigiu que o Google exibisse as imagens em todos os resultados de pesquisa, independente da palavra digitada. "Demos um prazo até 18h de hoje. Caso não cumpram, vamos instalar um guardanapo na logomarca deles", explicou.
Após reunião interna de sete horas e meia sobre a ética jornalística, o editor do i-Herald telefonou para Carlinhos Cachoeira e obteve as imagens:
Foto impressionante mostra Cabral auditando pessoalmente as obras do Maracanã: "Se estourar ainda mais esse orçamento, vai sair do bolso de vocês. Não quero nem saber", disse para os representantes das empreiteiras
Após ouvir especialistas, Sérgio Cabral resolveu planejar o traçado das novas linhas de metrô.
Contrariado com as acusações de que viajou às custas de Fernando Cavendish, Sérgio Cabral inaugurou um restaurante francês no Centro do Rio
No The i-Piauí Herald
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Resumo da Semana

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Sai lista de citados em grampos de Cachoeira

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Serra contrata em Sabino um espelho para si mesmo

Serra contrata em Sabino um espelho para si mesmo
Depois de ser demitido da revista Veja e armar quiprocó na Companhia de Notícias, Mario Sabino emerge em novo cargo de visibilidade; ele é o mais novo integrante do staff da campanha de José Serra à Prefeitura de São Paulo; cronômetro girando para a próxima crise?
O candidato a prefeito de São Paulo José Serra, do PSDB, está montando um staff que, realmente, é a sua cara, como se diz. Ele acaba de chamar para a campanha eleitoral, com amplas funções no staff e na área de comunicação, o ex-redator-chefe da revista Veja e ex-diretor da Companhia de Notícias Mario Sabino. De seus dois últimos endereços profissionais, o jornalista saiu debaixo de intensa polêmica. Agora, está batido o cronômetro para se medir em horas, dias ou semanas, ninguém sabe ao certo, a chegada da primeira crise.  
As desavenças com a CDN, por exemplo, foram criadas em menos de uma quinzena de convivência entre ele e os profissionais da agência especializada em relações públicas e de mídia. Depois de ser recebido em tapete vermelho, com efusiva carta do presidente João Rodarte, Sabino soube criar as condições para ameaçar a empresa com um significativo processo, situação que só pode ser resolvida após um acordo extra-judicial, no qual ele foi financeiramente contemplado. E isso em menos de 15 dias de, digamos, trabalho!
Em Veja foi diferente. Ali, ele só soube que perdera o cargo por meio de um e-mail endereçado à redação pelo diretor Eurípedes Alcântara. Era para parecer que ele iria se demitir, mas, ao tentar voltar atrás, Sabino foi atalhado pelo superior, que no gesto da demissão pública buscou uma chance para oxigenar a publicação.
O que Sabino pode fazer a favor de Serra? Ele tem relações muito próximas com o secretário de Comunicação do governo Geraldo Alckmin, Marcio Aith. Acredita-se que foi o próprio Aith que emplacou o nome do amigo na campanha tucana, de modo a tudo ficar ainda mais entre amigos. Candidato de temperamento difícil, pouco tolerante a opiniões alheias e sempre com um ordem na ponta da língua, Serra efetivamente pode ter em Sabino um espelho.
No 247
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Segundo a revista "Pais e Filhos" temos uma nação europeia, aqui só nascem brancos

No país da sociedade racista que se insurge contra as cotas raciais, no país que se insurge quando reclamamos a urgência da presença de negros e negras em todos os seguimentos representativos inclusive na mídia.
No país mais excludente racialmente quando comparado as demais nações pluri-raciais, neste país esta mesma sociedade é cega a situações de racismo flagrante que se perpetua no tempo.
Nossa sociedade não se insurge quando uma revista tem uma política de cotas de 100% para brancos quando se apresenta para o público através de seu cartão de visita, a capa da revista.
Mesmo sem legislação positivada no papel (com pleonasmo e tudo) tal revista aplica uma "legislação espúria" de 100% para brancos.
Já são 15 meses seguidos, em que segundo a revista "Pais e Filhos" temos uma nação europeia, aqui só nascem brancos segundo esta revista.
Talvez esta revista em uma eventual e patética explicação venha a dizer que não há demanda ($$$IC). Isso me lembra a UFC no Ceará que diz que não vai aplicar cotas raciais, pois no Ceará não há demanda de alunos negros, no Ceará que tem a terceira maior população de declarados negros no Nordeste...
Voltemos a Revista e seu racismo institucional declarado. Ela vai praticando seu crime permanente.
Vamos ficar no pé dela e de outras empresas que praticam as COTAS DE 100% PARA BRANCOS e que a sociedade racista não percebe nada demais.
Aí os democratas raciais dizem que cometemos um erro para corrigir outro erro? Tolinhos e tolinhas, confundem exclusão racial com inclusão racial.
*A foto acima anexo está desatualizada, tem até fevereiro de 2012 (12 edições). As últimas 3 continuam praticando o crime.
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A "Campanha" contra Veja

Um editorial do jornal O Globo saiu em defesa da revista Veja, baseado na famosa tese de que não existe ilegalidade na relação entre Policarpo Jr., o chefe de redação da sucursal brasiliense da revista, e o bicheiro goiano Carlinhos Cachoeira.
Acusando os blogueiros progressistas de fazerem parte de um plano de "radicais do PT" para desmoralizar a revista de maior tiragem do país, o editorial procura falar em defesa do que a velha mídia entende por "liberdade de expressão" e "liberdade de imprensa", que na prática não são mais do que mera liberdade de empresa.
Na verdade, o que existe não é uma campanha feita a esmo para desmoralizar a revista Veja. O que existe é uma reação natural e coletiva contra os abusos, de extrema gravidade, cometidos pela revista do Grupo Abril. Uma reação que visa a recuperação de princípios éticos despedaçados constantemente pela velha grande mídia.
A revista Veja, hoje, até que dá uma boa aula de Jornalismo. É irônico, mas é verdade. Ela mostra o que NÃO deve ser feito em relação à profissão jornalística, sobretudo se aproveitar de um cargo de chefia de redação de uma sucursal para combinar ações ilegais para derrubar desafetos.
A Veja surgiu boa. Tinha profissionais de credibilidade como Mino Carta - o cara que hoje conduz Carta Capital - e Zuenir Ventura, pessoas que até hoje mostram suas lições de coerência e profissionalismo, de causar inveja a nomes como Merval Pereira e Reinaldo Azevedo, que apenas têm fama, mas cuja credibilidade, como jornalistas, é bastante duvidosa.
A foto que ilustra este texto mostra um caderno especial dedicado aos anos 60 cuja fotocópia eu tirei há alguns anos atrás, em Salvador. Foi lançado em 08 de outubro de 1969, com o AI-5 a todo vapor. Ventura e Carta já disseram, em várias oportunidades, sobre o jogo de cintura que tiveram para enfrentar essa verdadeira tempestade política, de lamentável e desastrosa lembrança, mostrando gente de triste lembrança como Sérgio Paranhos Fleury, Brilhante Ulstra, Cabo Anselmo (revelado dedo-duro de antigos colegas e de uma ex-namorada), Sylvio Frota, Capitão Guimarães (depois convertido a bicheiro e "chefão" do Carnaval carioca) e Henning Boilesen, entre outros.
Nesse contexto, a Veja surgiu como "irmã caçula" da transformadora revista Realidade, que adaptava a linguagem do New Journalism (Tom Wolfe, Gay Talese, Norman Mailer etc), que narrava notícias como se fossem romances ou diários de viagem, para a realidade brasileira, com uma equipe que, depois, veio a constituir nos pioneiros da mídia esquerdista brasileira, vários deles tendo fundado Caros Amigos, como Milton Severiano e o falecido Sérgio de Souza.
Ironicamente, o jovem Roberto Civita era editor-chefe do Grupo Abril e os jornalistas de Realidade e dos primórdios da Veja conviveram com o atual equivalente brasileiro do Cidadão Kane. Mas era uma época em que mesmo a imprensa mais conservadora contratava jornalistas de esquerda, menos por uma generosidade ideológica do que por uma questão mercadológica de contratar gente talentosa, porque, de fato, eram grandes jornalistas que integraram essas equipes.
Era a época de um veículo esquerdista bancado pela família Frias, da Folha de São Paulo, a paulista Folha da Tarde, trabalhado por gente como Cláudio Abramo, que logo em 1969 foi "endireitado" por Pimenta Neves (ele mesmo). E tinha o Jornal da Tarde, o JT, bancado pela família Mesquita e que tinha uma postura editorial parecida com Realidade, tendo entre seus jornalistas o próprio Carta e outro repórter de Realidade, José Hamilton Ribeiro, que perdeu uma perna ao cobrir in loco a Guerra do Vietnã e hoje é repórter do programa Globo Rural, da Rede Globo.
Também eram tempos em que o carioca Correio da Manhã esgotava seu potencial de luta contra a ditadura devido ao "quinto ato", e quando o Jornal da Bahia começava a ser perseguido por Antônio Carlos Magalhães, 21 anos antes deste entregar ao pupilo Mário Kertèsz (hoje um dos chefões da grande mídia baiana) o "controle" do antigo jornal, numa manobra semelhante ao que Octavio Frias de Oliveira fez com o trabalhista Última Hora, se apropriando da marca para evitar sua ressurreição nas bancas.
Era um período em que a grande imprensa, antes marcada por uma atuação profissional de seus jornalistas - cujos interesses não podiam ser confundidos com seus patrões, mas ainda era possível ambos conviverem harmoniosamente - , passava a colaborar abertamente com a ditadura militar, tanto que a Folha de São Paulo forneceu seus veículos para levar prisioneiros políticos para unidades do DOI-CODI e DOPS localizadas na capital paulista.
Mino Carta é tão estrangeiro quanto Roberto Civita. Ambos nasceram na Itália. Mas Mino Carta honrou muito mais o Brasil do que muito brasileiro nato, mas claramente "entreguista", fantoche do capitalismo norte-americano. Mino também não teve diploma de Jornalismo, mas compensava isso com sua prática responsável e voltada ao interesse público de prestar informação honesta e coerente. E talvez tenha sido diplomado, sim, mas tardiamente, como Doutor Honoris Causa pela Fundação Casper Líbero, uma homenagem que pode ser vista como um diploma para seu exercício verdadeiro de Jornalismo.
Daí Veja desvirtuou sua história, na medida em que, a partir dos anos 80, passou a adotar uma postura reacionária, sensacionalista, em que até uma longa reportagem sobre rádio atirava no coração da História ao destacar um barão da grande mídia que queria o fim do rádio AM. E a cada ano cometia violências em relação à ética jornalística, tratando ilustres falecidos com morbidez, magnatas e grandes capitalistas como santos e ativistas sociais como criminosos.
Dos anos 90 para cá, a situação só piorou. Enquanto tratava de forma melíflua os grandes magnatas, empresários e até especuladores financeiros, atacava os movimentos sociais. Se opunha claramente ao direito constitucional de se organizar movimentos sociais de trabalhadores, grupos indígenas, estudantes, donas de casa etc. E se opunha de forma raivosa, como se organizar tais movimentos fosse sinônimo de corrupção.
Isso criava uma raiva surda à atuação sócio-política, e da mesma forma que se criou uma histeria anti-Legislativo, confundindo a corrupção de muitos parlamentares como algo inerente a esse Poder institucional, fazendo com que até jovens rebeldes optassem pela solução golpista de "fechar o Congresso", criou-se uma histeria que via, por exemplo, na própria organização de sindicatos e entidades estudantis uma prática de corrupção e parasitismo estatal.
Mas isso ainda era fichinha - apesar de gravíssimo - diante das práticas sujas que Veja fez para tentar derrubar aqueles que reagiam contra os abusos do neoliberalismo. E as críticas aos movimentos sociais acabaram indo às últimas consequências, ao reacionarismo gratuito, ao "calunismo", ao "denuncismo" barato, aos ataques verbais raivosos.
Chegou-se ao ponto de Reinaldo Azevedo escrever artigos bem mais raivosos do que Carlos Lacerda no passado. Pelo menos Lacerda, com todo seu reacionarismo, tinha uma brilhante inteligência e mesmo seu discurso mais ridículo era feito com uma interessante elaboração de palavras, frases e do modo de falar e escrever do jornalista e político udenista. Mas nem isso Reinaldo possui, porque ele é brutal e pouco habilidoso na sua retórica, tal qual seu coleguinha Diogo Mainardi.
Por isso reagimos a Veja porque ela colocou nas últimas consequências o golpismo midiático que, em outros momentos, pelo menos era melhor elaborado. Daí o convencimento da opinião pública da necessidade do golpe militar contra João Goulart, feito através da emulação da velha retórica catedrática que veio desde os tempos de Joaquim Nabuco, Rui Barbosa e Olavo Bilac há mais de 100 anos atrás. De fato era uma retórica lamentável, mas tinha lá sua beleza formal, apesar da causa terrível que defendiam.
Mas as antigas desculpas perderam o sentido. A sociedade mudou e não dá mais para emular Joaquim Nabuco para defender valores retrógrados. Mesmo a retórica pseudo-modernista de um Pedro Alexandre Sanches ou a choradeira de um Paulo César Araújo já começam a perder crédito, tendo o mesmo sentido de decadência de um Reinaldo Azevedo ou um pedante Merval Pereira.
E hoje Veja, mais rabugenta do que Carlos Lacerda e sua antiga Tribuna da Imprensa, é combatida não pelo fato de ser um "influente" veículo de mídia, mas porque é a maior (ou a mais baixa?) expressão do reacionarismo e desonestidade jornalísticos, que põe a ética jornalística em risco, mediante as consequências funestas que esse jornalismo pode causar e já causou.
E se as Organizações Globo saem em defesa de Veja, "parceira" em muitas coberturas de seus veículos, O Globo, Rede Globo, Globo News e Época, é porque a coisa vai pegar ainda mais pesado ainda para a velha grande mídia, que sabe que perderá muito se deixar Veja sucumbir ao seu declínio vertiginoso.
Daí a reação e a acusação indevida da velha mídia de que a diversificada blogosfera progressista é "chapa-branca" e "petista radical", quando seus blogueiros estão muito mais acima e até alheios ao sectarismo político-partidário. Mas eles (isto é, nós) se unem ao interesse comum, que é o da verdadeira cidadania.
Alexandre Figueiredo
No Mingau de Aço
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Veja Matrix


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Em Salvador - BA

“A Constituição Federal, nos artigos 5º, incisos IV e IX, e 220, garante o direito individual e coletivo à manifestação do pensamento, à expressão e à informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, independentemente de licença e a salvo de toda restrição ou censura”
Ricardo Lewandowski

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Globo fez editorial contra a Comissão da Verdade

A propósito da criação da Comissão da Verdade e das farisaicas observações melosas dos mervais globais, vale a pena reconstituir a genética dos filhos do Roberto Marinho (eles nao tem nome próprio).
O compromisso histórico deles é com os torturadores.
Segue-se o que o Donizeti enviou:
PHA, a propósito do artigo do Mino Carta sobre a defesa da Rede Globo das pilantrices da Veja e do Murdoch brasileiro Civita, dá uma olhada nesse editorial do jornal O Globo que está abaixo, no qual o Roberto Marinho faz apologia, diz que participou do golpe, apoiou e faz verdadeira declaração de amor à ditadura militar brasileira.
O editorial é do ano de 1984, já no final da ditadura, e merece ser publicado no Conversa Afiada para mostrar o grau de periculosidade dessa gente da Globo.
Nesses tempos de envolvimento da mídia conservadora e partidarizada com o crime organizado para atacar as instituições do Estado Democrático de Direito, é bom relembrar o que essa gente fez em passado recente.
Como se vê no editorial, uma vez golpista, sempre golpista.
Abraço
Donizeti
No Conversa Afiada
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Formação de quadrilha tucana no Paraná

Alceu Maron Filho: acusado de formar quadrilha para favorecer
 a própria campanha à prefeitura de Paranaguá
Dois integrantes do diretório municipal do PSDB de Paranaguá, Vanderli Cunha do Rosário e Anderson Wanderci Pinto Barboza, e o presidente do PSB no município, o ex-vereador Arnaldo Maranhão, foram presos pela Polícia Federal na tarde de quarta-feira (9).
Eles são acusados de ameaça e tentativa de suborno de testemunhas do inquérito aberto pelo Ministério Público que investigou a troca de cargos comissionados no Porto de Paranaguá por apoio político para as eleições deste ano e a arrecadação ilegal de recursos para financiamento de campanha eleitoral na cidade.
A investigação do Mi­­nistério Público apontou o pré-candidato à prefeitura de Paranaguá Alceu Maron Filho (PSDB) como responsável pelo comando de todas as operações irregulares.
Ele teria prometido aos envolvidos que influenciaria seu primo Airton Maron – ex-superintente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) – para conseguir cargos comissionados no porto.
Alceuzinho, como é conhecido o pré-candidato, o presidente do PSL na cidade, Ênio Campos Silva e o funcionário comissionado da Appa Ademar João Neves, além dos três presos, foram denunciados pelo Ministério Público à Justiça.
De acordo com a denúncia do MP, eles se associaram em uma quadrilha estruturada com o objetivo de reforçar a candidatura de Alceuzinho. Agora eles são réus em ação penal por tráfico de influência, formação de quadrilha, coação de testemunhas e corrupção.

Troca de favores

Segundo o MP, o grupo oferecia cargos comissionados da Appa em troca de apoio político e angariava recursos financeiros para a campanha do tucano cobrando uma espécie de dízimo dos ocupantes dos cargos.
O esquema começou a ser investigado pelo MP em março, após o comerciante Antônio Cézar Teixeira denunciar à promotoria o pagamento de R$ 22 mil a Ênio Campos Silva para ser indicado para um cargo no porto.
O MP conseguiu a quebra do sigilo bancário de Silva, comprovando os depósitos realizados em sua conta.
Dois ex-funcionários da Appa também prestaram depoimentos ao MP reforçando as suspeitas de irregularidades.
A ex-secretária de departamento da superintendência Nazareth Abel de Lima e o ex-presidente do PR na cidade Fabiano “Jamanta” Ribeiro Filho contaram que receberam propostas para usar o cargo em favor das articulações políticas de Alceu.
As prisões ocorreram porque Rosário, Barboza e Maranhão procuraram Antônio Cézar Teixeira e Fabiano Jamanta para que modificassem depoimentos no MP.
O presidente do PSB, cotado como candidato a vice-prefeito na chapa de Alceu, teria oferecido R$ 5 mil para Teixeira mudar sua versão. Rosário e Barboza teriam ameaçado Fabiano Jamanta de morte.

Dízimo

Fabiano Jamanta havia dito em entrevista a Gazeta do Povo que ocupou um cargo na Appa por indicação de Alceu Maron. O MP descobriu, durante as investigações, que ele também pagou R$ 4 mil para ser indicado ao cargo e contribuía mensalmente com R$ 1 mil para a campanha do tucano.
Segundo os promotores, o funcionário comissionado da Appa Ademar João Neves seria o responsável por receber uma espécie de “dízimo partidário”.
Ele procurou Nazareth para que contribuísse com R$ 300 mensais para a campanha de Alceuzinho. O valor correspondia a 10% do salário do cargo ocupado por ela.
No Gazeta do Povo
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#VejaComMEDO em primeiro

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A cara de Veja na Internet

Confesso não ter entendido a matéria da Veja sobre Internet e redes sociais. Leia o trecho; depois compare com o restante do post.
Ela inicia apresentando alguns casos de vítimas das campanhas obscenas pela Internet. Aparentemente estou incluído entre as vítimas.
Depois, deplora que as vítimas da Internet – eu – não têm a quem recorrer.
Na série "O caso de Veja" dedico um capítulo inteiro à cara da Veja na Internet. Clique aqui para ir ao capítulo "A cara de Veja".
Através dos seus blogueiros, coube à revista levar o estilo esgoto do jornalismo para a Internet. A intenção de Roberto Civita era, através dos ataques mais ignominiosos, amedrontar aqueles que ousassem apontar o esquema criminoso montado pela revista.
Compare o texto acima, de Veja, com o estilo trazido para a Internet por seu portal, através do seu blogueiro padrão.
"Imaginem o sujeito olhar a própria cara triste no espelho, todos os dias, e constatar: "Sou um vendido, um vagabundo, um pilantra". Mais: "Não pago as minhas dívidas: nem as públicas nem as privadas"".
"Dizer o quê? O sujeito não seria um vendido, um vagabundo, um pilantra e um caloteiro se não fosse também invejoso e mentiroso. Ele conseguiria fazer um blog de sucesso como este? Não. É um analfabeto. Mas poderia ao menos tentar. Só que é preciso trabalhar em vez de bater a carteira alheia."
"Alguns sugeriram que eu peça emprestada àquele lá a botinha cor-de-rosa. Xiii, acho que não vai dar. Para usar aquilo é preciso ter um passado, hehe. Vai que o Alexandre Frota olhe pra mim e diga: "Huuummm, que matéria!". E cobre de mim aquele rodopio sensual e manemolente. Não estou preparado para emoções fortes com esta idade..."
Aliás, tão estúpidos que supuseram que essas baixarias intimidariam todas as vítimas. Os comentários abaixo saíram pouco antes de iniciada a série da Veja.
"Anonymous Pyoter
Reinaldo,
Poupe o pé. Pode deixar que eu chuto a bunda desses anões e mascates. O mascate eu sei que corre, é covardão, cagão, mas eu alcanço ele."
Blogger Sérgio
O Mascate tá com invejinha??? Manda ele distribuir pipoca no balcão de anúncios dele. Depois do vexame que ele se auto-infligiu nos últimos dias, todo mundo sabe que ser PIPOQUEIRO é a melhor das "virtudes" dele."
Por Reinaldo
(...) , um desses vagabundos que deveriam estar lendo o blog do ladrão endividado ou do ladrão bem-sucedido, não gostou do que escrevi sobre os planos de saúde. Coitada da ratazana de sauna!
Anonymous Anônimo
Reinaldo,
Esse que escreveu, pela fama, devia tomar cuidado para não morrer na mão de um travesti violento.
Anônimo disse...
Olha aí moçada, o Blog é do Reinaldo Azevedo.
Se ele quiser chamar alguém de viado, de vagabundo e ladrão é problema DELE.
Quem quiser entrar no site do Bandolin ou da Pantera cor de rosa, que entre, mas não use o Reinaldo como desculpa.
E parem com esse papo do "politicamente correto".
Senta o dedo nesses porras Reinaldão.
Veja tem razão em um ponto. A ação contra esses ataques tramita há quase três anos no Fórum da Freguesia do Ó, sem sequer ter chegado ao juiz de Primeira Instância.
Luis Nassif
No Advivo
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Mensagem ao repórter da Globo

Heraldo Pereira em sua casa em Brasília
Olá, Heraldo!
Recebi sua mensagem informando que você estará no Rio, esta semana, a convite da Cojira-Rio, para o lançamento da segunda edição do Prêmio Abdias Nascimento. Grato pela informação. O que me surpreendeu foi sua convocação para um debate – “Peço que apareça para debater comigo”. Mas quem, em verdade, me convida para uma discussão: você, a Cojira, a Globo, a Fundação Ford? Isso não ficou explícito.
Existe aí um problema ideológico: a Comissão dos Jornalistas pela Igualdade Racial do Rio de Janeiro tem o hábito de contemplar as Organizações Globo na hora de discutir a discriminação racial. Ano passado, por exemplo, no lançamento do Prêmio Abdias Nascimento, a palestrante foi a Míriam Leitão, com seu discurso neoliberalizante; agora, é você a bola da vez.
Anote aí o que vai acontecer: dar-lhe-ão uma hora pra falar e depois vão abrir no máximo três minutos para considerações individuais dos presentes, com limite de inscrições. Em seguida, haverá um coquetel. Não se iluda, Heraldo! Isso não é debate; é convescote.
Faz lembrar um seminário que teve na ABI, com a presença de Roberto Marinho. O auditório estava lotado, com todo mundo querendo debater com o Doutor Roberto. Ele falou – mais leu que falou – quase uma hora. Uma porrada de gente se inscreveu para o debate. Mas o mediador da mesa comunicou que o poderoso Dr Roberto tinha outro compromisso e teria de se retirar imediatamente. Não houve o contraditório. Já se passou a fase de bater palmas pra maluco dançar.
Não tenha dúvida: o Sistema Globo, comprovadamente, é um forte instrumento de discriminações, entre elas, a social, a econômica, a racial.
No dia do julgamento do Supremo Tribunal Federal sobre as cotas raciais na UnB, o noticiário da Globo deu mais espaço para o estado de saúde do filho do cantor Leonardo do que para o significado da aprovação das cotas. O Globo, em seu editorial do dia 2 de maio, afirmou que a decisão do STF “deixou espetada na conta do branco pobre a fatura da suposta “dívida histórica” da sociedade brasileira com os negros, que a briga racialista invariavelmente antepõe como pressuposto da defesa de suas ideias”. No G1, a antropóloga Yvonne Maggie dizia que era um retrocesso. A CBN não ouviu sequer um militante da causa das cotas, mas entrevistou o antropólogo Roberto da Matta, que fez uma mea culpa, dizendo que antes era contra as cotas, mas que agora admitia sua necessidade. Outros grandes veículos da mídia foram na mesma linha. Joelmir Betting chegou a dizer que era “racismo às avessas”. Nesta terça, dia 8, foi a vez do caderno Razão Social, de O Globo, trazer nos quadrinhos Turma da Febeca – em que os personagens são na maioria deficientes – um protesto contra a política de cotas.
Vale lembrar aqui uma pesquisa realizada pelo Observatório Brasileiro de Mídia, a pedido do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdade-CEERT, abordando como a mídia nacional trata questões do interesse da comunidade negra, tais como religiões de matriz africana, cotas nas universidades, quilombolas, ação afirmativa, estatuto da igualdade racial. Foram analisadas, num determinado período, 1.093 matérias, entre os principais jornais e revistas do país. De modo geral, a chamada Grande Imprensa se posicionou contra os principais pontos da agenda de interesse da população afrodescendente. Questões como estatuto da igualdade racial, cotas nas universidades e demarcação de terras quilombolas foram consideradas instrumentos que promovem o racismo.
Outra pesquisa, específica sobre O Globo, apontou que foram publicados 20 artigos sobre as cotas, sendo 7 do Ali Kamel e 6 do Demétrio Magnoli, declaradamente anticotistas. Fico aqui a me perguntar: por que você não pediu um espaço nas Organizações Globo para escrever sobre o sistema de cotas?
A gente sabe que a Globo é uma das principais empresas de comunicação no estímulo à pejotização. Obriga seus funcionários a abrirem empresas e, em vez de serem assalariados, viram prestadores de serviço. Juridicamente, deixam de ser trabalhadores e passam a ser PJs – pessoas jurídicas. No fundo dessa trama, é exigido do tal prestador de serviço que se exima de declarações públicas contrárias aos interesses da corporação. Ou seja, o tal PJ é ferido mortalmente na sua liberdade de expressão. Coisa pior não pode haver para o Jornalismo de verdade.
Certa vez, na cobertura de uma greve dos serventuários da Justiça do Rio, chegou uma repórter da Globo para fazer a matéria. Encontrou na porta do Fórum um cara chorando porque não conseguia o atestado de óbito para enterrar a mãe. Detalhe: era 9h da manhã e, mesmo sem greve, ele não obteria o atestado naquela hora, porque o fórum só abre às 11h. Mas a jornalista não titubeou: gravou com o cara mesmo assim e a matéria foi pro ar, sob o argumento de que o movimento dos serventuários estava prejudicando a população. Ou seja, sai o Jornalismo, entra em ação o teatrinho da Globo, tendo como protagonista a manipulação da informação. E o que dizer da edição global do debate Lula x Collor?
Principal fórum de debates sobre mídia ocorrido até hoje no Brasil, a 1ª Conferência Nacional de Comunicação – realizada em dezembro de 2009, em Brasília, reunindo milhares de representantes dos empresários, do poder público e da sociedade civil — aprovou uma série de propostas de políticas públicas para a área de Comunicação Social do país. Vale destacar algumas sugestões do interesse da sociedade e em especial da comunidade negra: garantir concessões de canais de rádio e TV para comunidades tradicionais, contemplando as de matrizes africanas; paridade racial e de gênero na publicidade; estabelecer percentual nos sistemas de rádio e TV para programas que abordem a história da África e da população de origem africana no Brasil; vaga para o movimento negro no Conselho Nacional de Comunicação Social, entre outros pontos. Não vi nem você nem a Globo por lá.
Já a 2ª Conferência Nacional pela Igualdade Racial, realizada também em 2009, em Brasília, aprovou resolução que trata da responsabilidade judicial de emissoras de TV e rádio pela veiculação de matérias de cunho racista e discriminatório e aplicação de multas diárias em casos de intolerância religiosa. Os participantes da Conferência consideraram que a produção da mídia de forma democrática e plural é altamente estratégica para a liberdade religiosa, a valorização da diversidade cultural e contra a discriminação racial. Você estava lá?
Não por acaso, a minha monografia na pós-graduação em Relações Étnico-Raciais e Educação tratou especificamente da invisibilidade do negro na mídia. É como você me disse por telefone: “Aquela banqueta da Globo não foi feita para negros!”. De fato, apenas 5% dos jornalistas que trabalham em TV são afrodescendentes, de acordo com pesquisa disponibilizada pela Fundação Cultural Palmares. De qualquer maneira, o fato de você estar na Globo não representa que a discriminação racial que existe nos grandes veículos de comunicação tenha sido sustada.
Abordei em minha pesquisa como a mídia se comporta na cobertura de datas especiais. Por exemplo: no Dia dos País, nenhum pai negro foi entrevistado. No Dia das Crianças, nenhuma criança negra foi entrevistada. Nas comemorações de fim de ano, também o negro está ausente nas matérias. Na publicidade, então, a invisibilidade do negro é gritante. É só acompanhar os comerciais que aparecem nos intervalos do Jornal Nacional. Conte o percentual de negros que estão lá. Criou-se um esteriótipo de que o sucesso e a felicidade vendidos nos comerciais têm cor – e ela é branca.
Por que grande parte dos jornalistas não se envolve com a causa contra as discriminações? Agora mesmo, por exemplo, o movimento sindical dos bancários está fazendo uma campanha pela contratação de negros como caixas. Olhe por aí nas agências bancárias e observe quantos caixas são negros. No início do século XX, vale lembrar, uma das reivindicações do movimento negro era a luta pela contratação de negros como lojistas. Os donos das lojas diziam que a clientela não gostava de ser atendida por gente de cor!
Perdi a conta das vezes em que, em coberturas jornalísticas, fui confundido com segurança de eventos. Tenho 1,85m e malho todos os dias para evitar a barriga. Quando um negão do meu tipo físico chega a um evento trajando terno, qual é a primeira impressão das pessoas: “Ih, ele é segurança!” ou “Ah, ele é jornalista!”?
Não dá pra esquecer que, na indústria da mídia, existem alguns jornalistas que vivem na casa grande, mas a imensa maioria está nas senzalas. Espero que você efetivamente se engaje na luta contra as diversas formas de discriminação, que estão nas ruas, mas não entram na telinha da Globo. Quanto à discriminação racial, para fazer a transformação social que interessa ao combate às desigualdades, não basta ser negro; é necessário ter negritude.
Ah, sim! Aproveita para saber da direção do Sindicato do Rio que história é essa de subpiso salarial que eles estão querendo aprovar, bem ao gosto do patronato. Também é uma forma de discriminação.
Por último, Heraldo, sua mensagem é no mínimo descortês, ao colocar como título “Canalhas”. De um lado, demonstra desequilíbrio emocional; de outro, uma arrogância própria de certos globais.
Tente concatenar melhor suas ideias e depois me diga: afinal, você está me chamando para um debate ou pra porrada?
Fernando Paulino
No Fazendo Media
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O silêncio do Zero Hora

Privatização da Previdência: Ajuris rebate editorial da RBS
Por meio de um editorial publicado no jornal Zero Hora de quarta-feira (9), a RBS voltou a defender a criação de um sistema de previdência complementar para o funcionalismo estadual do RS.
Um dia antes (8) o juiz gaúcho Pedro Luiz Pozza, em artigo intitulado "Os gaúchos novamente na contramão", escrevera que "quanto mais demorarmos a criar nossa previdência complementar, maior será o tempo que o Estado levará para livrar-se desse grande ônus, que é um dos calcanhares de aquiles do erário gaúcho".
O editorial de Zero Hora disse também que "ainda que ecoe como uma voz isolada no silêncio corporativista de sua classe e dos servidores públicos em geral, merece atenção o alerta do juiz Pedro Luiz Pozza sobre a urgência de criação de uma previdência complementar para os servidores estaduais".
Com o artigo a seguir - escrito pelo juiz Pio Giovani Dresch, que é presidente da Ajuris - a entidade, em nota, diz que está "rebatendo mais este ataque da RBS".
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O silêncio da Zero Hora


Diz a Zero Hora em editorial que os juízes e servidores públicos permanecem em silêncio corporativista sobre a previdência complementar – leia-se: privatização da previdência.
Não. A Zero Hora parece ter ouvidos seletivos, porque só o que a Ajuris tem feito há muitos anos é combater esta ideia. Pode, portanto, nos acusar de outras coisas, mas não de permanecer em silêncio.
Se isso é corporativismo é outra discussão. Podemos muito bem redarguir que ao longo desses anos ZH tem sido um veículo muito barulhento em defesa de um corporativismo de outra ordem, que quer a qualquer custo transferir os milionários recursos dos fundos previdenciários para grandes conglomerados financeiros.
Para isso, apresenta sempre só um lado da questão.
Ignora desde sempre que o chamado déficit da Previdência tem diversas causas outras, que não de natureza atuarial. Não se preocupa em investigar e divulgar quanto dinheiro da Previdência foi desviado pelos governos para obras ou até mesmo destinações menos nobres.
Não se preocupa igualmente em esclarecer que a conta do chamado déficit previdenciário é sempre agregada com os valores de programas sociais, de inegável valor, mas sem natureza previdenciária.
Outra coisa que nunca aparece em ZH é a informação sobre fundos previdenciários entregues a empresas privadas que quebraram em diferentes lugares do mundo – inclusive aqui ao lado, na
Argentina e no Chile –, deixando ao abandono milhões de trabalhadores.
Não diz também por que milagre uma determinada alíquota, alegadamente insuficiente para compor um fundo público, possa render tão maravilhosos frutos num fundo privado.
Não será isto exatamente um silêncio corporativista? E, pior, vindo de quem exerce a função de bem informar?
Na verdade, questão de fundo é saber se a Previdência deve ser pública ou privada. Nós, assim como milhões de trabalhadores deste país, confiamos que a Previdência Pública nos oferece para o futuro uma segurança que nenhum fundo privado oferece. Nunca sabemos onde explodirá a próxima bolha e quais serão suas vítimas.
Não temos dúvida de que os sistemas de Previdência do País e do nosso Estado passam por crises, e pretendemos contribuir com os governos na construção de um sistema seguro e autossustentável. Não somos adeptos do corporativismo burro, que, inflexível na defesa de privilégios, não percebe que caminha para o precipício, mas também não caímos em contos de sereia e nem aceitamos receitas prontas, apresentadas sem qualquer estudo sério que as sustente.
Vamos continuar nesta luta. Sem silêncios. Mas esperamos que a fala de Zero Hora não seja seletiva, que não fique ela própria em silêncio nos pontos que não lhe interessa revelar.
Pio Giovani Dresch, juiz de Direito, presidente da Ajuris
No Espaço Vital
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Paulo Teixeira: “Praticamente todo o governo de Goiás envolvido com quadrilha do Cachoeira”

Nessa quinta-feira, o delegado da Polícia Federal Matheus Mella Rodrigues, coordenador da Operação Monte Carlo, prestou depoimento na CPI do Cachoeira. Em sessão fechada, durante mais de oito horas, lançou luz sobre as relações da quadrilha do bicheiro Carlinhos Cachoeira com o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).
“Praticamente todo o governo de Goiás estava envolvido com a organização criminosa comandada pelo Carlinhos Cachoeira”, relata-nos o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), membro da CPI. “Extremamente poderosa, essa quadrilha controlava o aparato repressivo do Estado. Impedia ações contra si e conseguia fazer ações contra os seus concorrentes. Aí, valia tudo, até cárcere privado… Coisa de filme de Hollywood.”
“A organização tinha na sua folha de pagamento o comandante da PM, o comandante da Polícia Civil, o delegado geral, o comandante da PM em Goiânia, o corregedor da Polícia Civil, o diretor do Detran e influenciava o secretário de Segurança Pública”, prossegue Teixeira. “No plano político, influenciava os secretários de Educação, Ciência e Tecnologia e a chefe de gabinete do governador.”
Não à toa o delegado Matheus Mella disse durante a sessão: “Goiás era um Estado todo tomado pela organização criminosa. Era um Estado que estava apodrecido”.
O DEM forçou o senador goiano Demóstenes Torres – “envolvido até à cabeça com a quadrilha de Cachoeira” — a se retirar do partido. E o PSDB, como fica nessa história, já que as evidências das relações íntimas de Perillo e do deputado federal Carlos Alberto Leréia com a quadrilha não param de crescer?
“O PSDB tem tentado ampliar o escopo dessa CPI, de modo que fique tão amplo que resulte no esquecimento do que foi feito”, avalia Teixeira. “A tática de dizer que o Cachoeira financiou a humanidade inteira e, assim, tirar o foco de onde está realmente o problema, vai desgastar ainda mais o PSDB e não vai funcionar. Não foi a humanidade inteira que esteve na folha de pagamentos de Cachoeira. Foram determinados políticos, determinados agentes públicos, determinadas autoridades.”
Viomundo – Deputado, afinal, o que evidenciou o depoimento do delegado que comandou a Operação Monte Carlo?
Paulo Teixeira – Tanto o governo de Goiás como praticamente todo o Estado estavam comprometidos com a organização criminosa do Carlinhos Cachoeira. Era aí que ela tinha grande penetração e presença para exercício da sua atividade principal, que é a organização do bingo eletrônico, bingo de cartela e jogo do bicho.
Ali, ela conseguia ter liberdade não só para explorar esse tipo de atividade como também tinha muita tranqüilidade para exercê-la. Se um concorrente quisesse se instalar lá, não conseguia. E aquele que não pagasse o percentual combinado para a organização, tinha a sua atividade reprimida pela polícia. Todo o aparato repressivo de Goiás estava comprometido com o esquema do Cachoeira.
É uma organização com forte estrutura formal, porque o dinheiro do jogo ilegal é lavado em empresas constituídas em nome de laranjas. Essa organização tinha procuração para operar a conta dessas pessoas.
A partir da mobilização de recursos que o Cachoeira conseguia no estado de Goiás, ele alavancou empresas farmacêuticas, a sociedade com o diretor da Delta do Centro-oeste, a sociedade com o delegado de polícia de uma empresa de segurança chamada Ideal. Alavancou uma empresa de bingo eletrônico sediada nas Ilhas Virgens, fazia negócios na área de imóveis, em Miami, EUA. Portanto, tinha conexão internacional.
Pelo depoimento do delegado Matheus Mella ficou demonstrado também que aconteceram várias reuniões de Carlinhos Cachoeira com o governador Perillo e o senador Demóstenes.
– Quer dizer que o governador e o senador eram íntimos do contraventor?
– Exatamente. O delegado mostrou que o governador e o Demóstenes eram muito íntimos dessa organização criminosa.
O delegado também colocou às claras duas operações financeiras de Carlinhos Cachoeira que chegam próximas ao governador. Uma delas foi a entrega a um de seus assessores de caixa com R$ 500 mil reais, na sede do governo. A outra foi a venda da casa do governador que hoje é de Carlinhos Cachoeira. Segundo o delegado, o próprio Carlinhos Cachoeira participou da compra. Inclusive há cheques de membros da organização para aquisição dessa casa.
Essas operações precisam ter a investigação aprofundada, pois demonstram que, além de dominar o Estado, elas chegam muito perto do governador.
– O senhor se surpreendeu com o esquema do Cachoeira?
– Essa organização criminosa – a sua existência, o seu modus operandi, as pessoas envolvidas – parece coisa de filme de Hollywood.
Ela conseguia mover o Estado para proteger os seus membros. Foi o caso, por exemplo, de uma intervenção do Carlinhos Cachoeira junto ao procurador-geral do Estado de Goiás, pedindo para ele intervir no processo que apurava alguma irregularidade do delegado geral. Há um telefonema em que Cachoeira pede ao Demóstenes para ajudar na transferência de policiais militares presos envolvidos com grupos de extermínio.
Logo, está muito longe do argumento de que era apenas jogo. Praticaram inúmeros crimes: cárcere privado, lavagem de dinheiro, remessa ilegal de dinheiro para o exterior e de corrupção ativa.
Não é uma organização ingênua. É uma instituição que prendia e arrebentava. Tentasse alguém deixar de pagá-los ou tentasse alguém montar um negócio perto, eles usavam o aparelho do Estado para reprimir as pessoas de maneira dura. E assim ficaram durante muitos anos com a proteção desse Estado.
Essa organização criminosa envolveu altas autoridades do Estado, operava com grande capacidade no Legislativo e no Executivo. Foi uma surpresa para todo o país. A maior surpresa foi a de que aquele senador que vivia com dedo em riste em relação ao governo federal, que era o moralizador, está envolvido até a cabeça nesta organização.
– O delegado Matheus Mella apresentou durante o seu depoimento uma lista com os nomes de 87 pessoas citadas em conversas grampeadas do Carlinhos cachoeira. Entre as citadas, a presidenta Dilma. Uma lista como essa não acaba se prestando aos interesses da quadrilha?
– Não sei quem vazou essa lista, mas acho que foi um erro fazê-lo. Essa lista não deveria ter sido divulgada, pois mistura pessoas que foram apenas citadas – a presidenta Dilma, por exemplo, porque um membro da quadrilha sugeria ao senador Demóstenes se aproximar dela para entrar no Palácio do Planalto – com bandidos da quadrilha.
– Mas o senhor não acha que o delegado se equivocou ao divulgar essa lista?
– Era uma sessão secreta. Na minha avaliação, o erro foi de quem a divulgou. De qualquer forma, eu acho que a Polícia Federal terá de fazer uma segunda lista, corrigindo a primeira que saiu ontem na CPI, para separar o joio do trigo. Não podemos nos pautar por essa primeira lista divulgada.
O que nós temos de fazer agora é aprofundar as investigações e dar conta de que a democracia brasileira está fragilizada. O fato de essa organização ter todos esses tentáculos evidencia a fragilidade da democracia brasileira, porque o crime organizado, através de um processo de financiamento, conseguiu ir muito longe.
– O delegado disse se há algum ministro do STF envolvido?
– Ele não fez acusação a membros do STF nem do STJ.
– Mas há pessoas do Judiciário citadas nessas operações?
– Pelo que lemos e ouvimos até agora, servidores do Judiciário de Goiás foram mencionados.
– E a presença na sessão de ontem dos advogados do senador Demóstenes e do Cachoeira, como é que o senhor explica?
– Para nós, realmente foi uma surpresa. Nós não sabíamos da presença deles na sessão.
Agora vamos ter de analisar em que condições eles podem participar, porque o pior dos mundos, depois de todo esse trabalho até aqui, é a gente ter qualquer tipo de nulidade nesse processo.
– Não é um paradoxo a sessão ser fechada à sociedade e aberta aos advogados do senador e do bicheiro?
— Os advogados foram autorizados pelo presidente e pelo relator da CPI, que se escudaram numa decisão do Supremo que permite a presença do advogado de defesa nesses momentos. Apenas faltou a comunicação ao plenário.
Agora sabendo disso, nós temos de definir em que situações eles podem participar – para garantir o exercício do direito pleno de defesa – e em que situações não podem participar – porque isso enfraqueceria o processo. Mas isso é uma coisa que nós vamos tratar na próxima reunião administrativa.
– Em relação a jornalistas e veículos, quais os delegados citou?
– Ele mencionou um jornalista do Correio Braziliense e o Policarpo Jr., da Veja.
No caso da Veja, o delegado mostrou que o Policarpo sabia da relação do Cachoeira com o Demóstenes. Foram sete anos de relação entre o Policarpo e o esquema do Carlinhos Cachoeira. Uma coisa muito preocupante é que essa relação não era apenas de fonte, passou a ser uma relação digamos assim de cumplicidade.
A Veja, via Policarpo, conseguia as informações que lhes interessava, que eram obtidas através de espionagem política… Ao mesmo tempo, a Veja dava à organização o que ela pedia. Por exemplo, a organização estava com dificuldades no Dnit, porque ali os interesses da Delta estavam sendo contrariados. A revista então fez a matéria que derrubou o ministro dos Transportes e o superintendente do Dnit.
– Uma relação de mão dupla?
– Isso mesmo. O Policarpo obtinha informações da organização que eram fruto de espionagem política. Em contrapartida, a Veja dava notícias que interessavam à organização criminosa.
O Policarpo, é bom que se diga, sabia da natureza e da atividade desse grupo criminoso. Tanto que, em 2005, ele foi depor numa Comissão de Ética sobre o caso do deputado André Luiz. Nessa Comissão de Ética, ele disse que o deputado André Luiz tinha tentado extorquir o Cachoeira. O Policarpo apresentou inclusive gravações, o que demonstra que, de longa data, ele conhecia a atividade que o Cachoeira tinha. Foi um casamento de longa duração que só acaba agora, espero eu, com a elucidação desses fatos.
– O delegado mencionou o número de telefonemas entre o esquema do Cachoeira e Policarpo?
– Disse que foram 42 na Operação Monte Carlo.
– E somando os telefonemas da Monte Carlo com os da Vegas?
– Eu não tenho esse número.
– O Policarpo vai ser chamado a depor na CPI?
– Na minha opinião, ele extrapolou a sua atividade profissional. Ele ficou muito além do que é permitido. E nós temos de fazer a defesa do sistema democrático. Ele impõe limites ao político, ao empresário e ao jornalista. Liberdade de imprensa não é liberdade de prática criminosa. Liberdade de imprensa é uma luta pela liberdade e não pela prática do ilícito.
Conceição Lemes
No Viomundo
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Tuitaço hoje, às 18h: #VejaComMedo

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Veja, cara de pau, agora é ‘ativista da democratização das comunicações’

Emerson Damasceno nos provocando, destaca uma das reporcagens de Veja:
Quem tá usando tática de guerrilha contra a Veja? Só pode ser o @ e a @ :D http://t.co/igZ8cdAU
@emersonanomia
Emerson Damasceno

Veja não entende nadica de nada de Rede Social, é uma revista jurássica, que vem apanhando quase que diariamente no twitter.
Mas o que me chama a atenção além da tentativa costumeira de atacar pra se defender é a Cara de pau desta revista, observe:
Destacar um dos artigos da Constituição relativos à Comunicação cuja democratização é a bandeira dos ‘blogs sujos’ é o cúmulo do cinismo de uma revista que tem como fonte privilegiada o bicheiro do crime organizado e como outros oligopólios midiáticos fará de tudo para impedir que os princípios constitucionais relativos à Comunicação sejam regulados.
No Maria Frô
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Charge online - Bessinha - # 1237

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Por que os argumentos de Gurgel são furados

Os primeiros depoimentos na CPI do Carlinhos Cachoeira, dos delegados federais que investigaram os negócios do bicheiro Carlos Augusto Ramos, geraram críticas ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, por ele não ter denunciado o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) ao receber, em 2009, denúncias contra ele. Na quarta-feira 9, Gurgel atribuiu as criticas aos réus do chamado mensalão, associando-se ao discurso de alguns veículos de mídia. Ele atuará como acusador no processo.
“O que nós temos são críticas de pessoas que estão morrendo de medo do julgamento do mensalão. Pessoas que estão muito pouco preocupadas com as denúncias em si mesmo, com os fatos – desvio de recurso, corrupção etc. – e ficam preocupadas com a opção que o procurador geral tomou em 2009, opção essa altamente bem-sucedida. É um desvio de foco que eu classificaria como no mínimo curioso”, afirmou Gurgel.
É preciso listar três evidências que desmontam o raciocínio de Gurgel, que teme ser acusado de prevaricação:
1) Não foi Gurgel, mas Antônio de Souza, procurador-geral à época, quem apresentou a denúncia contra os réus do mensalão. Primeiro ponto para mostrar que a personificação não cabe neste caso;
2) A denúncia foi acolhida pelo STF, onde o processo agora tramita. Não há nenhum risco à continuidade da ação penal e a seu julgamento;
3) Caso se veja impedido de fazer a sustentação oral pelo Ministério Público no julgamento do mensalão, há vários subprocuradores capazes de conduzi-la de forma brilhante. Portanto, Gurgel tenta se confundir com a instituição de maneira tosca e ciente do apoio de parte da mídia, interessada em misturar os casos. O processo do mensalão não corre risco algum se o procurador-geral tiver de explicar sua inépcia na apuração do escândalo Cachoeira. Além do mais, quem apontou a falta de iniciativa do procurador-geral em investigar Demóstenes foi um policial federal, não um político.
Segundo o delegado Raul Alexandre Marques de Souza, a investigação ficou paralisada após chegar à Procuradoria-Geral. “Não foi feita nenhuma diligência, investigação, após a entrega dos autos”, declarou. Em seguida, informou que desde setembro de 2009 o órgão foi comunicado de que a operação Vegas identificara a participação de parlamentares no esquema de Cachoeira. Entre eles, além de Torres, os deputados Carlos Leréia, do PSDB, Sandes Júnior, do PP goiano, e Rubens Otoni, do PT. O delegado chegou a se reunir com a subprocuradora-geral da República, Claudia Sampaio, mulher de Gurgel, que lhe explicou, falando em nome do procurador-geral, que não tinha encontrado elementos para processar o senador e os deputados.
Diferentemente do que argumentou o procurador, não foram “mensaleiros” os parlamentares que declararam que agora veem motivos para trazer, no mínimo, a subprocuradora à CPI. Do PSOL, o senador Randolfe Rodrigues anunciou a disposição de pedir a convocação da mulher de Gurgel. “Eu era contra, mas mudei de opinião com o depoimento do delegado.” Outros parlamentares se declararam ainda mais convictos da necessidade de convocar o próprio procurador. “Ele deve explicações ao País”, afirmou o deputado Rubens Bueno, do PPS, de oposição ao governo.
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