11 de mai de 2012

Paulo Teixeira desmente Globo: “Delegado não absolveu Veja”

Na edição desta sexta-feira (11/05) do jornal carioca O Globo, mais especificamente na coluna do jornalista Ilimar Franco, figura a seguinte informação:
Pela segunda-vez na semana, um dos veículos que assumiram a defesa in limine de Veja sobre sua relação suspeita com a quadrilha do bicheiro Carlinhos Cachoeira tenta “matar” o assunto com declarações atribuídas aos delegados que participaram das Operações da Policia Federal Vegas e Monte Carlo.
Na terça-feira (09/05), foi o jornal Folha de São Paulo que usou depoimento de um delegado a fim de encerrar a suspeição sobre a revista. Segundo o jornal, em matéria intitulada “Relação da mídia com Cachoeira é alvo de perguntas”, consta que “No depoimento do delegado Raul Souza à CPMI do Cachoeira, o depoente, questionado se havia “matérias encomendadas” por Cachoeira na revista Veja, disse que (…) elas denotam apenas relação entre repórter e fonte”.
Diante disso, o Blog da Cidadania procurou o membro titular da CPMI do Cachoeira deputado Paulo Teixeira. A breve entrevista que o deputado pelo PT de São Paulo concedeu a esta página explica melhor mais essa estratégia desonesta de Folha de São Paulo e de O Globo para confundir o público.
Confira, abaixo, a entrevista:
Blog da Cidadania – Deputado Paulo Teixeira, os jornais Folha de São Paulo e O Globo vêm publicando notas afirmando que os dois delegados da Polícia Federal que já foram ouvidos pela CPMI, que o senhor integra, teriam absolvido o jornalista Policarpo Júnior, da revista Veja, das suspeitas de que um e outra podem ter servido à quadrilha de Carlinhos Cachoeira. O senhor confirma essa “absolvição”?
Paulo Teixeira – Não confirmo. Primeiro, porque nenhum dos dois delegados tinha por função analisar esse assunto. Eles cuidavam de descobrir a origem do dinheiro da quadrilha que financiava suas relações com políticos e empresas. Em segundo lugar, o delegado citado pela Folha atuou na operação Vegas, em 2009, e o delegado citado por O Globo até respondeu que as gravações não mostraram que Policarpo “praticou ou participou de crime”, mas, em seguida, retificou essa informação afirmando que não tinha como afirmar isso justamente porque seu foco na investigação foi outro. O jornalista Ilimar Franco não cita a segunda afirmação, só cita a primeira.
– Pelo que se entende, deputado, se esses delegados não podem responder a essa questão sobre a culpabilidade ou não de Policarpo e Veja, quem pode responder? Existe algum depoente que pode esclarecer essa questão?
– Quem poderá dar essa resposta será a CPMI, investigando e esmiuçando não apenas depoimentos, mas as gravações. Só para que se tenha uma ideia do volume que há  de material a examinar e da falta de elementos dos delegados citados para responderem a pergunta sobre a culpabilidade de Veja, o delegado Matheus Mella Rodrigues, citado em O Globo, relatou que teve acesso a “apenas” 40 conversas entre Policarpo e a quadrilha, sendo que há mais de 200.
– O senhor pode dizer se ao menos Policarpo será convocado pela CPMI para se explicar?
– Ele será convocado, sim.
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A criminosa 'Veja'

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Parceria CNI - Igreja derruba votação para tributar fortunas

Em comissão da Câmara, parlamentares dos setores esvaziaram reunião
BRASÍLIA - Uma inusitada parceria entre o lobby da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e parlamentares católicos e evangélicos impediu nesta quarta-feira a aprovação de projeto que cria a Contribuição Social das Grandes Fortunas (CSGF), recurso que seria destinado exclusivamente para a saúde. Essa união de forças se deu na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara. O autor do pedido de verificação de quórum na comissão, uma manobra para impedir aprovação de projetos, foi do deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), médico que se apresenta como defensor da saúde. Desde o início da sessão, assessores da CNI e de deputados evangélicos negociaram boicotar a reunião.
O interesse dos religiosos era evitar, mais uma vez, um projeto que tramita há anos no Congresso e que cria direitos previdenciários para dependentes de homossexuais. Este nem chegou a ser apreciado. E o da bancada da CNI era impedir a votação do projeto que taxa as grandes fortunas. E conseguiram. Parlamentares desses dois grupos esvaziaram a sessão. O projeto que taxa as grandes fortunas tem como autor o deputado Doutor Aluizio Júnior (PV-RJ). Pela proposta, são criadas nove faixas de contribuição a partir de acúmulo de patrimônio de R$ 4 milhões e a última faixa é de acima de R$ 115 milhões. O projeto atinge 38 mil brasileiros, com patrimônios que variam nessas faixas.
- São R$ 14 bilhões a mais para a saúde por ano. Desse total, R$ 10 bilhões viriam de 600 pessoas, mais afortunadas do país. Vamos insistir com o projeto - disse Aluizio Júnior.
A relatora do projeto foi a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que deu parecer favorável. O projeto das grandes fortunas chegou a ser votado e 14 parlamentares votaram sim e três, não. Foi nesse momento que Perondi pediu a verificação de quórum e eram precisos 19 votantes ao todo. E tinham 17. Faltaram apenas dois para a matéria ser considerada aprovada.
Quando começou a votação, parlamentares do PSDB e do DEMo deixaram o plenário. O deputado Doutor Paulo César (PSD-RJ) fez um parecer contrário ao de Jandira e argumentou que taxar grandes fortunas iria espantar os investimentos e empresários levariam dinheiro para fora do país. Mas a derrota, no final, pode ser atribuída a dois parlamentares evangélicos. Um deles, Pastor Eurico (PSB-PE) chegou a fazer um discurso a favor da taxação das grandes fortunas e afirmou até que a Câmara está cheio de lobbies de interesses. Chegou a ser aplaudido, mas, na hora de votar, atendeu ao apelo da parceria CNI-religiosos, e deixou o plenário. Nem sequer votou. Outro deputado, Marco Feliciano (PSC-SP), defensor dos interesses religiosos deixou o plenário quando se inicia a votação.
O advogado Paulo Fernando Melo, um assessor das bancadas religiosas e que atuou na parceria com a CNI, comemorou o resultado.
- Tinham duas matérias polêmicas na pauta (pensão para gays e taxação de grandes fortunas). No final, a articulação desses dois setores, que é regimental, deu certo e os dois lados saíram vitoriosos - disse Paulo Fernando.
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PSDB treme diante de Leréia

Pelo jeito o deputado Carlos Alberto Leréia, amigo íntimo do mafioso Carlinhos Cachoeira, conhece bastante as sujeiras no ninho tucano. Algumas lideranças do PSDB até chegaram a defender o seu desligamento do partido, mas logo recuaram. Segundo a Folha de hoje, o partido que se dizia ético, a exemplo de Demóstenes Torres, “evita decidir o destino de deputado ligado a Cachoeira”.

Votos de confiança

O ex-senador Papeléo Paes, indicado para dirigir o Conselho de Ética do PSDB, já anunciou que “neste momento não vamos abrir nenhum processo contra Leréia. É preciso cautela para dar amplo direito de defesa”. Aécio Neves, o cambaleante presidenciável da sigla, prefere não se meter em encrenca. “Essa comissão de ética vai ouvir o deputado Leréia”, despistou.
O governador Geraldo Alckmin, simpatizante do Opus Dei, fugiu do tema como o diabo da cruz. “É um debate exclusivamente do partido e deve ser tratado pela direção do partido”. E José Serra, o eterno candidato que rasga suas promessas, voltou a dar seu desastroso voto de confiança. “Li que ele [Leréia] está disposto a ir depor na CPI. Acho que deve se dar esse direito a ele”.

Relações explícitas com o mafioso

Sobre as ligações do deputado goiano com o mafioso, não há mais qualquer dúvida. Ele mesmo se jacta de ser amigo de Carlinhos Cachoeira há 25 anos. Vários grampos telefônicos da Operação Monte Carlo da Polícia Federal comprovam que as relações entre ambos eram realmente muito íntimas. Coisa de compadres – ou, para ser mais direto, de mafiosos.
Num dos áudios, Leréia aparece em negociações com integrantes da quadrilha cobrando uma propina de R$ 100 mil. Ele também usava um cartão de crédito do mafioso. Na semana passada, em pleno rebuliço do escândalo, o deputado até provocou. Ele fez um pronunciamento no plenário da Câmara Federal parabenizando Cachoeira, que fazia aniversário.

Deputado ameaça “soltar o verbo”

Apesar das inúmeras provas, o PSDB treme diante do parlamentar. Uma notinha na mesma Folha, na semana passada, explícita as razões. “Leréia tem dito internamente que, se o caso dele for conduzido para licença ou expulsão, ele vai ‘soltar o verbo’ para que o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) tenha o mesmo tratamento”.
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J&F compra a Delta por R$ 1. Por R$ 2 ela não quer

O sonho do PiG era em múltiplos cenários.
Concentra a CPI da Veja/Gurgel na Delta.
Com a Delta, mata o Cabral e o Agnello.
Com a Delta morta, mata o PAC e a Copa no Brasil, já que a Delta tem 60% das obras do PAC.
Bom demais, não, amigo navegante?
Ai, só faltava o José Dirceu ser condenado.
E ninguém ia se lembrar do Robert(o) Civita, do Policarpo, do Perillo, do Leréia, da Delta com o Cerra, do Chanel #5…
Era a Teoria do Sangramento II: fazer a Dilma sangrar até 2014 e entregar a Presidência por aclamação ao Padim Pade Cerra, num almoço no Fasano entre o Fernando Henrique, o Ali Kamel e o Roberto Freire.
A conta do vinho depois eles penduravam no Tasso tenho jantinho porque posso Jereissati.
O Robert(o) não é convidado para essas coisas menores.
A filha do Júnior se casa neste sábado no Copacabana Palace.
Júnior dirigiu a Friboi por 25 anos, abriu o capital da empresa, dividiu entre os sete irmãos e foi cuidar da vida.
Hoje, ela é a maior produtora de proteína animal do mundo.
Que horror!
Júnior entregou a empresa aos irmãos e se tornou candidato a governador de Goiás pelo PSB, por obra e graça da habilidade do Eduardo Campos, que será o Presidente do Brasil, depois do segundo mandato da Dilma.
O ansioso blogueiro foi tomar uma taça de Chardonay à beira da piscina do Copa – esse ansioso blogueiro … – e olha quem vem lá: o Júnior!
- Júnior, por que vocês compraram a Delta?
- Porque a gente adora fazer bom negócio.
- E é bom negócio, Júnior ?
- Nós compramos por R$ 1.
- Como é que é?
- Por R$1.
- E se depois o Cavendish descobrir que ela vale R$2?
- Por R$ 2 a gente não compra.
- Mas, espera aí, Júnior. Vocês não vão entrar na empresa, fazer as contas… abrir os livros..
- Você que dizer “due dilligence”?
- Isso aí!
- Claro que vamos. A KPMG vai fazer.
- E se ela descobrir que a Delta é riquíssima? Que vale uma fortuna?
- Por R$2 a família não quer…
- Tá, já entendi. Mas a Delta não tem os contratos do PAC?
- É o que ela tem. É por isso que ela é um bom negócio. Por R$1…
- E as dívidas?
- Os credores – se é que tem dívida – vão conversar com o Cavendish.
- E o Cavendish?
- Depois que a gente tocar as obras, normalmente, sem qualquer interrupção e comecar a receber o dinheiro, aí, ele leva uma porcentagem
- Então as obras do PAC não se interrompem?
- Nem um minuto. A Copa está garantida.
- E o BNDES?
- O que é que tem o BNDES?
- Não é ele que banca. Foi o que eu li na Urobóloga…
- Não sei quem é.
- Nem precisa.
- O BNDES não é sócio da holding e quem comprou foi a holding. E a gente não precisa do BNDES para conseguir R$ 1…
– Mas vocês entendem de boi, de frango, de eucalipto… Não sabia que vocês entendem de construção pesada.
- A gente entende de negócio. De pegar empresa em dificuldade e ganhar dinheiro com ela.
- Quem vai tocar a Delta?
- Tem muita gente boa lá. O problema é que o Cavendish foi dormir e quando acordou um diretor dele em Brasília tinha arruinado a empresa.
- Mas, vocês vão mexer na diretoria.
- Vamos ver com o (Henrique) Meirelles.
- E como fica a JBS-Friboi?
- Não vamos precisar dela. A gente tem R$1.
- Engraçado, não entendo por que o PiG bate tanto em vocês…
- Não tem problema, não. A família é que nem omelete. Quanto mais batem na gente, mais a gente cresce.
Pano rápido.
Em tempo: aparentemente, o Ministério Público quer investigar a compra da Delta pelo Júnior. Excelente! Conclui-se que o Ministério Público vai investigar também a Privataria Tucana ! Onde ocorreu uma “compração desenfreada”!
Paulo Henrique Amorim
No Conversa Afiada
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A verdade, para quem mais precisa da verdade

O poeta alemão Bertold Brecht, em seu texto “As dificuldades para dizer a verdade” enumera uma série dessas dificulades, até concluir pela última e mais importante: fazer chegar a verdade para quem mais precisa da verdade.
Como disse a Presidenta Dilma no seu histórico depoimento no Senado, na ditadura não há verdade, só mentira. A verdade só pode existir na democracia, porque é objeto da livre vontade das pessoas de dizer as coisas como realmente säo.
O Brasil tinha uma dívida com sua democracia: dizer a verdade do que aconteceu quando a democracia foi violentada, saqueada, sangrada, por militares golpistas e por todos os que os apoiaram e se beneficiaram da aventura ditatorial. A transição democrática necessita, para se completar, da versão oficial do que realmente aconteceu quando foi instaurado o pior momento da história republicana do Brasil.
A aprovação da Comissão da Verdade - e agora a nomeação dos membros que a compõem, - coloca a democracia brasileira em condições de conhecer a verdade do que foi feito, em nome do Estado brasileiro, durante a ditadura. Como, alguns valendo-se da força selvagem, em nome dos supostos interesses da “segurança nacional”, usurparam o Estado e todo seu poder – de armas a impostos, de capacidade de espionagem à de assassinato e desaparição dos corpos das vítimas, de cerceamento da verdade e imposição da mentira – liquidaram a democracia a duras penas construída pela cidadania e impuseram o reino do terror durante mais de duas décadas no Brasil.
Precisam da verdade, antes de tudo, as vítimas e seus familiares, que têm o direito de saber o que foi feito, quais os responsáveis por tudo o que foi feito em nome do Estado brasileiro contra os que resistiam à ditadura militar. Precisam saber o destino dos seus seres queridos, encontrar seus corpos e dar-lhes a respeitosa sepultura, honrando-os para sempre como mártires da luta pela democracia no Brasil.
Precisam da verdade os meios de comunicação que não se vergaram à convocação ao golpe militar, ao apoio ao terrorismo de Estado – a sua quase totalidade naquele época -, para cumprirem com seu dever democrático de dar a informação veraz dos fatos e resgatar a liberdade democrática a toda a informação, conspurcada por órgãos de imprensa que se dobraram diante do regime de terror, prosperaram com ele e se fizeram seus porta-vozes.
Precisa da verdade, sobretudo, a democracia, que só pode existir quando passa a limpo o que foi feito dela, em nome supostamente da sua defesa. Precisa da verdade, porque a democracia só existe com a verdade e a transparência.
Os membros da Comissão da Verdade nomeados pela Presidenta Dilma tem todas as qualificações e as condições de resgatar a verdade para a democracia brasileira e podemos estar certo que farão isso. O Brasil sairá melhor do seu trabalho, que merece todo o apoio, porque a democracia não tem medo da verdade e só existe plenamente na verdade.
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‘Márcio Lacerda é uma criação do PSDB’, diz senador Aécio Neves

Declaração foi feita após presidente nacional do PSB firmar acordo com ex-presidente Lula para reeleger Dilma em 2014
Senador diz que prefeito de BH é “inteligente” e, por isso, ficará com os tucanos
Em meio ao mal-estar causado entre PSDB e PSB em Belo Horizonte, o senador Aécio Neves (PSDB) disse, nesta quinta-feira (10), que o prefeito Márcio Lacerda (PSB) é “criação sua” e que dará espaço proporcional aos tucanos, em uma eventual segunda administração, pois sabe que o socialista é “inteligente”.
A declaração foi feita após o presidente nacional do PSB, governador de Pernambuco, Eduardo Campos, firmar acordo com o ex-presidente Lula (PT) pelo apoio socialista à candidatura pela reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) em 2014.
Por consequência, o PSB teria o apoio petista para lançar candidatura ao governo de Minas. Os petistas indicariam a vice na chapa de Lacerda para o pleito deste ano, além de se unirem em uma coligação proporcional e assumiriam a prefeitura em 2016, com a renúncia de Lacerda para possivelmente concorrer ao Palácio Tiradentes.
Nos bastidores, diversas lideranças informaram que Aécio não aprovou a união entre PT e PSB, pois esperava o apoio de Campos e Lacerda em 2014, quando deve disputar a Presidência da República. Irritado, o tucano teria dado aval para candidaturas contrárias ao prefeito, todas integrantes de sua base de apoio, apesar de formalmente declarar composição a favor de Lacerda.
“Esta é uma criação com interesses claros. O Lacerda, digo com muito orgulho, é uma criação nossa. Ele está fazendo administração séria e continuará tendo o meu apoio”, afirmou.
Os tucanos brigam com os socialistas por espaço na coligação, que contará ainda com o PT. Petistas e tucanos querem uma composição para a chapa proporcional. Os vereadores do PSB lutam para saírem sozinhos, pois veem a possibilidade de eleger mais parlamentares.
Aécio disse que delegou o assunto à Executiva Municipal, porém, lembrou a Lacerda que o PSDB obteve melhores resultados eleitorais nos últimos anos. “Em Belo Horizonte, nas últimas eleições, José Serra venceu, mesmo se saindo bem no restante do Brasil”, alfinetou.
Amália Goulart
No Hoje em Dia
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Por que o tucano Aécio Neves defende o Procurador-Geral da República Roberto Gurgel?

O ex-governador de Minas Gerais e senador Aécio Neves tem razões mais do que suficientes para defender a postura do procurador geral da república Roberto Gurgel.
Tanto a postura de Gurgel em negar-se a oferecer denúncias contra o senador Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira em 2009, quando a polícia federal através do delegado Alexandre Marques ofereceu elementos substanciais para o acolhimento das denúncias contra a organização criminosa, quanto a declaração do procurador para a imprensa na tarde de ontem na qual afirma que sua convocação para a CPMI do Cachoeira interessa aos que temem o julgamento do mensalão.
O senador mineiro se apressa em sair atirando contra o Partido dos Trabalhadores, corroborando e fazendo coro as declarações de Gurgel, não apenas por um previsível embate partidário na busca por ocupação de espaço no cenário político nacional, como pode parecer para a maioria.
As relações de Aécio Neves com o procurador Roberto Gurgel podem ser bem mais profundas do que podemos imaginar. Aécio no mínimo tem uma dívida de gratidão com o procurador geral da república. Só para rememorarmos, Roberto Gurgel é o mesmo procurador que ofereceu denúncias ao Supremo Tribunal Federal contra o então ministro dos esportes Orlando Silva, fundamentando-se apenas em reportagens de revistas e jornais.
Já o senador mineiro Aécio Neves que foi denunciado por deputados mineiros por ocultação de patrimônio, sonegação fiscal e enriquecimento ilícito, não teve sequer manifestação de Gurgel até o momento. Aécio Neves foi denunciado ao procurador geral da república por ser sócio de sua irmã Andrea Neves na Rádio Arco-Íris que recebeu recursos públicos do estado de Minas Gerais quando Aécio era governador. A rádio Arco Íris no último ano de Aécio Neves frente ao governo do estado recebeu três vezes mais por publicidade do governo de Minas.
A oposição em Minas Gerais que aguarda pela manifestação do procurador geral da república Roberto Gurgel quanto a denúncia contra Aécio, deve estar entendo melhor agora o motivo da demora da análise dos autos pelo procurador. Pela justificativa do procurador quanto a sua ocultação dos dados das investigações da polícia federal em 2009, pode ser que Aécio também esteja sendo investigado e o procurador esteja apenas aguardando as conclusões e divulgações na imprensa para se manifestar publicamente. Então, quem sabe veremos, quem realmente tem medo do quê e de quem neste país.
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Estadão: Dilma estaria castigando os banqueiros. Coitadinhos!

O jornal Estadão abriu suas páginas para um urubólogo, professor da PUC-Rio (da turma do Malan e da equipe econômica demotucana), sair em defesa de seus amados banqueiros patrocinadores.
O artigo é de um catastrofismo de deixar Miriam Leitão com inveja, como se política econômica não fosse uma tarefa dirigirida momento a momento pelo governo.
Mas a pérola é quando o articulista critica o governo Dilma, pelo que ele chama de "admoestar os banqueiros":

http://goo.gl/B0E5s
A Febraban (Federação de Bancos) não quer mais bater de frente com o governo em público, e usa o impressalão velho de guerra e seus "especialistas", para isso.
E dá-lhe anúncios  alienantes de bancos privados que, em vez de oferecer "liquidação" de juros aos clientes como faz a Caixa e o Banco do Brasil, colocam apenas singelas crianças jogando bola, ou desviam o foco para mudanças no cálculo do rendimento da poupança, como se fosse um problema com o qual os clientes de bancos deveriam se preocupar, mais do que com a concorrência dos bancos públicos que estão oferecendo menores taxas de juros nos empréstimos, e melhores taxas de rendimento sobre aplicações em fundos.
Por isso, devemos todos transferir nossas contas para Caixa Econômica Federal e para o Banco do Brasil. Resolvendo três problemas de uma vez:
1) estaremos colocando os bancos privados em seu devido lugar, e tirando a capacidade deles de praticarem uma verdadeira agiotagem e sabotarem a política de crescimento econômico produtivo e sustentável;
2) o PIG (Partido da Imprensa Golpista) também perderá poder econômico quando os bancos verem que a imprensa não consegue "formar opinião" para enganar a clientela;
3) Há também vantagem pessoal no bolso de muita gente, que passa a ter acesso a prestações menores nos financiamentos e a aplicações com menores taxas de administração nos fundos (lembrem-se que mesmo quem não esteja precisando obter vantagens para si, estará sendo solidário a outros irmãos brasileiros que precisam, e ajudando a construir uma nação mais próspera, ao suprirem os bancos públicos com a matéria prima, que é o dinheiro, seja da conta-salário que gira na conta, seja das aplicações).
ZéAugusto
No Amigos do Presidente Lula
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Dilma veta Código Florestal para preservar Carolina Dieckmann

Jardineiros aderiram às campanhas "Veta, Dilma" e "Poda, Dieckmann!"
XINGU - Após analisar com zelo científico as fotos de Carolina Dieckmann vazadas na internet, uma comissão contratada pelo governo sem licitação, por sua notória especialização, enviou um relatório técnico à presidenta Dilma recomendando enfaticamente o veto ao novo Código Florestal. Assinam o documento Jair Bolsonaro, Paulo Cesar Pereio, Nuno Leal Maia, Andres Sánchez, Zeca Pagodinho e Aécio Neves. "De acordo com o texto, as faixas de proteção variam de 30 a 500 metros em torno dos rios, lagos e nascentes (conforme seu tamanho) e encostas de morros. Não podemos aceitar!", trovejou Pereio, porta-voz dos notáveis. "O capim é alma do negócio", acrescentou Andres Sánchez.
Sensível às causas femininas, Dilma se mostrou favorável às conclusões da comissão: "Não admito que regulem o meu topete. E digo mais: estou com a Carolina. Deus proteja nossas florestas", disse a presidenta, em pronunciamento à nação.
Aliviado por ver salvas a sua barbicha e as madeixas que lhe cobrem elegantemente as orelhas, o advogado Kakay, contratado por Dieckmann, aproveitou para defender seu cliente Demóstentes Torres: "Só na aparência trata-se de uma região árida, de baixa irrigação capilar. A cabeça do senador Demóstenes é como o nosso Brasil: tudo nela cresce e floresce", disse. E acrescentou: "Semeando, tudo dá!".
Animado com a repercussão que veto pode dar para a Rio+20, Eduardo Paes decretou feriado no Rio de Janeiro até 2014.
Engajado nas causas ecológicas, Nizan Guanaes anunciou de Nova York sua nova campanha: Protejam nossas Carolinas!
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Secretaria de Comunicação divulga nota sobre a mudança do controle da Delta Construção

A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República divulgou hoje (11) nota à imprensa sobre a mudança do controle da Delta Construção. Leia abaixo a íntegra da nota.
Nota à imprensa
Em relação às negociações sobre a mudança do controle da Delta Construção, o governo federal reitera que não interfere em operações privadas.
São falsas, portanto, as ilações de que a referida operação teve aval deste governo.
O governo alerta que está em curso na Controladoria Geral da União processo de decretação de inidoneidade da Delta Construção. Caso a CGU conclua pela condenação, a empresa estará impedida de ser contratada pela administração pública, nos termos da Lei 8.666 de 1993, com consequências econômicas presentes e futuras.
Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
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O diversionismo de Gurgel para não explicar sua ilegalidade

Para muitos, a melhor defesa é o ataque. Uma tática militar antiga e até mencionada na Arte da Guerra, um escrito do chinês Sun Tzu, por volta do século IV AC.
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, parece ser adepto dessa velha e surrada tese militar.
A propósito, a tática é muita usada por políticos brasileiros para se fazer de vítima e mudarem o foco.
Nos tratados sobre “vitimologia” escritos por juristas não há registro sobre aqueles, como Gurgel, que se colocam como vítimas para descumprir a obrigação de informar os cidadãos, algo fundamental nos estados democráticos de Direito.
Gurgel disse que os ataques recebidos, referentes ao inquérito policial nascido com a operação Vegas e que ele colocou na geladeira desde 2009, são de autoria dos que estão “morrendo de medo do mensalão”.
Muitos cidadãos brasileiros não são réus no processo conhecido como “mensalão” e estranharam ter Gurgel “sentado em cima” de um trabalho investigativo que já apontava para o que se sabe agora: o envolvimento do senador Demóstenes Torres com a organização criminosa comandada pelo “capo” Carlinhos Cachoeira.
Que o Partido dos Trabalhadores (PT) e os Zé Dirceus e Jeffersons da vida tenham interesse em desprestigiar Gurgel, é simplesmente constatar uma obviedade. Mas, convenhamos, Gurgel deu de bandeja uma justificativa para os seus desafetos: em alegações finais, no processo do mensalão, o procurador-geral pediu a condenação de mensaleiros de alto coturno da vida político-partidária.
O inquérito referente à operação Vegas só foi desovado por Gurgel depois de cobrado por parlamentares, que não eram só do PT. A carga principal foi de parlamentares do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), que não tem acusados de mensaleiros.
Como sabe até a torcida do Flamengo, o procurador Gurgel, se não tinha elementos para propor ação penal ou requisitar novas diligências, deveria, em prazo razoável, ter pedido o arquivamento dos autos de inquérito.
Pelo informado na CPMI pelo delegado Raul Alexandre Marques de Souza, o procurador Gurgel determinou à mulher Cláudia Sampaio, subprocuradora, que, informalmente, participasse ao presidente do inquérito policial federal (Raul Alexandra Marques Souza) a inexistência de indícios com lastro de suficiência com relação ao senador Demóstenes. Ora, um procurador-geral bem sabe que, em casos tais, o caminho é solicitar o arquivamento ou novas apurações. Jamais colocar no “freezer” um inquérito. No “freezer” de Gurgel permaneceu o inquérito da operação de 2009 até ser cobrado por parlamentares em 2012.
Nesse período de “freezer”, e como destaquei no post de ontem, Demóstenes fez pressão (para manter no freezer” o inquérito supracitado) contra a recondução de Gurgel a um segundo mandato. Gurgel contava, na recondução, com o apoio do então ministro Antonio Palocci, de triste memória. Palocci é aquele da violação do sigilo do bancário do caseiro e do aumento pantagruélico do patrimônio pessoal, que Gurgel, para usar uma expressão popular, “deixou barato” e deu tratamento, agora com expressão mais erudita, de “vela de libra”.
Quanto ao mensalão, é de se observar que a acusação (denúncia) não foi formulada por Gurgel, mas pelo então procurador-geral Antonio Fernando Souza. Caberá aos ministros do Supremo Tribunal Federal, e não a Gurgel, o julgamento.
No caso, o Ministério Público, representado por Gurgel, é parte processual. Parte acusadora e no mesmo pé de igualdade com as partes acusadas, ou melhor, com os réus.
Nenhum cidadão brasileiro é idiota a ponto de confundir o processo do mensalão com inquérito da operação Las Vegas, colocado por Gurgel, contra a lei, no “freezer”.
Na verdade, Gurgel foge ao dever de explicar a razão de não ter, de 2009 a 2012, pedido, nos autos do inquérito gerado pela operação, arquivamento ou novas diligências.
Até agora, as suas explicações sobre o atraso não encontram suporte jurídico.
Pano rápido. Gurgel usa de um diversionismo e coloca todos os que o cobram, como acontece neste blog, como petistas. O titular desse espaço nunca foi petista e, com 65 anos de idade, jamais se filiou a partidos políticos.
Wálter Maierovitch
No CartaCapital
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Defendendo o Indefensável

Editorial do Estadão
Charge do Aroeira

O golpe dos mensaleiros


É de todo verossímil o argumento do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, segundo o qual "pessoas que estão morrendo de medo do processo do mensalão" estão por trás das tentativas de convocá-lo a depor na CPI do Cachoeira. A razão invocada é a demora de Gurgel em pedir ao STF abertura de inquérito contra o senador goiano Demóstenes Torres por suas ligações com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
Na realidade, o procurador está na mira do PT e do ex-presidente Lula pelo menos desde que começou a ganhar corpo a possibilidade de iniciar-se em breve o julgamento dos 38 réus, a começar pelo ex-ministro e deputado cassado José Dirceu, do esquema de corrupção que Gurgel considera "o maior atentado à democracia brasileira". O intento de intimidá-lo e, no limite, desmoralizá-lo antecede o escândalo que levou à CPI - e foi uma das razões por que o PT se bateu por sua criação.
Ainda que os parlamentares que defendem a convocação de Gurgel se movessem exclusivamente pela busca da verdade, ela esbarra em dois obstáculos substanciais. O primeiro é de natureza jurídica. Se viesse a depor, ele ficaria inabilitado a conduzir a ação contra Demóstenes. Ninguém, decerto, é insubstituível, mas a mudança reduziria as chances de sucesso da ação. Na CPI, há quem sugira, para contornar essa dificuldade, que se convoque no seu lugar a subprocuradora Cláudia Sampaio Marques. Foi ela quem recebeu o relatório da Operação Vegas, da Polícia Federal, que poderia incriminar o senador há mais tempo. Cláudia é casada com Gurgel.
Mas a manobra não eliminaria a segunda barreira, de natureza política: a CPI foi constituída para investigar os elos de Cachoeira com agentes públicos e privados - funcionários, políticos, empresários e outros profissionais -, não para investigar o procurador-geral ou a subprocuradora. Se o fizesse, não só se descaracterizaria, como as suas conclusões dificilmente poderiam produzir efeitos práticos no âmbito da Justiça. Qualquer iniciativa contra Gurgel deve se radicar no foro apropriado, o Conselho Nacional do Ministério Público. A questão de fundo, de todo modo, são as dúvidas sobre a sua conduta no caso.
Em 15 de setembro de 2009, chegou à Procuradoria o relatório da Operação Vegas. Segundo disse à CPI o delegado Raul Alexandre Marques Souza, da Polícia Federal, Cláudia informou ao órgão que não havia encontrado no texto elementos que justificassem uma investigação sobre Demóstenes. Passados dois anos e meio, em 27 de março último - cinco dias depois de O Globo publicar as primeiras degravações de conversas entre ele e Cachoeira -, Gurgel foi ao STF contra o senador. "Não há argumento", reagiu o deputado Onyx Lorenzoni, do DEM catarinense, insuspeito portanto de se acumpliciar com o PT. "Ele (Gurgel) estava com a bomba atômica e nada fez."
Na linha da subprocuradora, Gurgel alega que o material de que dispunha inicialmente não sustentaria um pedido de inquérito. Além disso, o procedimento poderia se revelar contraproducente, prejudicando eventuais investigações contra outros suspeitos. "Não fosse essa opção", afirma, "não teríamos a Operação Monte Carlo, não teríamos todos esses fatos que acabaram vindo à tona." Pode ser. Mas na representação aparentemente tardia contra Demóstenes, ele incluiu uma vintena de conversas interceptadas no curso da Operação Vegas. O procurador replica que o material obtido pela Monte Claro deu àquelas degravações uma importância que por si sós não teriam.
Salvo evidências em contrário, a boa-fé de Gurgel não está em jogo - a menos que se queira desqualificá-lo com segundas intenções, como é o caso do PT.
É sobre isso que ele fala em entrevista a O Globo: "A atividade do Ministério Público tem como uma das suas características a de desagradar a muitos, se não a todos. Portanto, faz parte do nosso ofício saber que vamos ser alvos de pessoas que já foram alvos, e alvos notórios do Ministério Público, e que agora têm chance de tentar uma retaliação. E é isso que se está fazendo", concluiu.
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Quanto o leitor da Veja paga para ser enganado?

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Eternos chapa-branca

Símbolo. Dos serviços prestados à ditadura, à "democracia"
de Sarney e ACM, e de FHC, presidente da privataria tucana
O jornal O Globo toma as dores da revista Veja e de seu patrão na edição de terça 8, e determina: “Roberto Civita não é Rupert Murdoch”. Em cena, o espírito corporativo. Manda a tradição do jornalismo pátrio, fiel do pensamento único diante de qualquer risco de mudança.
Desde 2002, todos empenhados em criar problemas para o governo do metalúrgico desabusado e, de dois anos para cá, para a burguesa que lá pelas tantas pegou em armas contra a ditadura, embora nunca as tenha usado. Os barões midiáticos detestam-se cordialmente uns aos outros, mas a ameaça comum, ou o simples temor de que se manifeste, os leva a se unir, automática e compactamente.
Não há necessidade de uma convocação explícita, o toque do alerta alcança com exclusividade os seus ouvidos interiores enquanto ninguém mais o escuta. E entra na liça o jornal da família Marinho para acusar quem acusa o parceiro de jornada, o qual, comovido, transforma o texto global na sua própria peça de defesa, desfraldada no site de Veja. A CPI do Cachoeira em potência encerra perigos em primeiro lugar para a Editora Abril. Nem por isso os demais da mídia nativa estão a salvo, o mal de um pode ser de todos.
O autor do editorial exibe a tranquilidade de Pitágoras na hora de resolver seu teorema, na certeza de ter demolido com sua pena (imortal?) os argumentos de CartaCapital. Arrisca-se, porém, igual a Rui Falcão, de quem se apressa a citar a frase sobre a CPI, vista como a oportunidade “de desmascarar o mensalão”. Com notável candura evoca o Caso Watergate para justificar o chefe da sucursal de Veja em Brasília nas suas notórias andanças com o chefão goiano. Ambos desastrados, o editorialista e o líder petista.
Abalo-me a observar que a semanal abriliana em nada se parece com o Washington Post, bem como Roberto Civita com Katharine Graham, dona, à época de Watergate, do extraordinário diário da capital americana. Poupo os leitores e os meus pacientes botões de comparações entre a mídia dos Estados Unidos e a do Brasil, mas não deixo de acentuar a abissal diferença entre o diretor de Veja e Ben Bradlee, diretor do Washington Post, e entre Policarpo Jr. e Bob Woodward e Carl Bernstein, autores da série que obrigou Richard Nixon a se demitir antes de sofrer o inevitável impeachment. E ainda entre o Garganta Profunda, agente graduado do FBI, e um bicheiro mafioso.
Recomenda-se um mínimo de apego à verdade factual e ao espírito crítico, embora seja do conhecimento até do mundo mineral a clamorosa ignorância das redações nativas. Vale dizer, de todo modo, que, para não perder o vezo, o editorialista global esquece, entre outras façanhas de Veja, aquele épico momento em que a revista publica o dossiê fornecido por Daniel Dantas sobre as contas no exterior de alguns figurões da República, a começar pelo presidente Lula.
Anos de chumbo. O grande e conveniente amigo
chamava-se Armando Falcão
Concentro-me em outras miopias de O Globo. Sem citar CartaCapital, o jornal a inclui entre “os veículos de imprensa chapa-branca, que atuam como linha auxiliar dos setores radicais do PT”. Anotação marginal: os radicais do PT são hoje em dia tão comuns quanto os brontossauros. Talvez fossem anacrônicos nos seus tempos de plena exposição, hoje em dia mudaram de ideia ou sumiram de vez. Há tempo CartaCapital lamenta que o PT tenha assumido no poder as feições dos demais partidos.
Vamos, de todo modo, à vezeira acusação de que somos chapa-branca. Apenas e tão somente porque entendemos que os governos do presidente Lula e da presidenta Dilma são muito mais confiáveis do que seus antecessores? Chapa-branca é a mídia nativa e O Globo cumpre a tarefa com diligência vetusta e comovedora, destaque na opção pelos interesses dos herdeiros da casa-grande, empenhados em manter de pé a senzala até o derradeiro instante possível.
Não é por acaso que 64% dos brasileiros não dispõem de saneamento básico e que 50 mil morrem assassinados anualmente. Ou que os nossos índices de ensino e saúde públicos são dignos dos fundões da África, a par da magnífica colocação do País entre aqueles que pior distribuem a renda. Em compensação, a minoria privilegiada imita a vida dos emires árabes.
Chapa-branca a favor de quem, impávidos senhores da prepotência, da velhacaria, da arrogância, da incompetência, da hipocrisia? Arauto da ditadura, Roberto Marinho fermentou seu poder à sombra dela e fez das Organizações Globo um monstro que assola o Brazil-zil-zil. Seu jornal apoiou o golpe, o golpe dentro do golpe, a repressão feroz. Illo tempore, seu grande amigo chamava-se Armando Falcão.
Opositor ferrenho das Diretas Já, rejubilado pelo fracasso da Emenda Dante de Oliveira, seu grande amigo passou a atender pelo nome de Antonio Carlos Magalhães. O doutor Roberto em pessoa manipulou o célebre debate Lula versus Collor, para opor-se a este dois anos depois, cobrador, o presidente caçador de marajás, de pedágios exorbitantes, quando já não havia como segurá-lo depois das claras, circunstanciadas denúncias do motorista Eriberto, publicadas pela revista IstoÉ, dirigida então pelo acima assinado.
Pronta às loas mais desbragadas a Fernando Henrique presidente, com o aval de ACM, a Globo sustentou a reeleição comprada e a privataria tucana, e resistiu à própria falência do País no começo de 1999, após ter apoiado a candidatura de FHC na qualidade de defensor da estabilidade. Não lhe faltaram compensações. Endividada até o chapéu, teve o presente de 800 milhões de reais do BNDES do senhor Reichstul. Haja chapa-branca.
Impossível a comparação entre a chamada “grande imprensa” (eu a enxergo mínima) e o que chama de “linha auxiliar de setores radicais do PT”, conforme definem as primeiras linhas do editorial de O Globo. A questão, de verdade, é muito simples: há jornalismo e jornalismo. Ao contrário destes “grandes”, nós entendemos que a liberdade sozinha, sem o acompanhamento pontual da igualdade, é apenas a do mais forte, ou, se quiserem, do mais rico. É a liberdade do rei leão no coração da selva, seguido a conveniente distância por sua corte de ienas.
Acreditamos também que entregue à propaganda da linha auxiliar da casa-grande, o Brasil não chegaria a ser o País que ele mesmo e sua nação merecem. Nunca me canso de repetir Raymundo Faoro: “Eles querem um País de 20 milhões de habitantes e uma democracia sem povo”. No mais, sobra a evidência: Roberto Civita é o Murdoch que este país pode se permitir, além de inventor da lâmpada Skuromatic a convocar as trevas ao meio-dia. Temos de convir que, na mídia brasileira, abundam os usuários deste milagroso objeto.
Mino Carta
No CartaCapital
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Os chapa-branca da casa-grande

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A ética da Veja: ensinamentos de jornalismo ou de hipocrisia

Na condição de ex-professor de jornalismo, mais especificamente da disciplina de Planejamento Editorial, tive a paciência de ler por diversas vezes o artigo do diretor de redação da revista VEJA, Eurípedes Alcântara, intitulado “Ética jornalistica: uma reflexão permanente”, onde procura justificar a relação do veículo com Carlinhos Cachoeira. Poderiamos escrever uma tese para demonstrar que longe de nos oferecer ensinamentos de jornalismo e ética, o referido diretor nos agracia com uma verdadeira aula de hipocrisia. Nos basta, porém, analisar exclusivamente o argumento principal de Alcântara para confirmamos esta hipótese.
Para justificar a relação do veículo com o referido personagem, o senhor Eurípedes usa como alicerce para o seu texto a afirmação de que “o ensinamento para o bom jornalismo é claro: maus cidadãos podem, em muitos casos, ser portadores de boas informações”. Para sustentar a sua tese, o mesmo faz uma analogia de tal situação com a de um conhecido intrumento judicial, afirmando que “um assassino que revela na cadeia um plano para assassinar o presidente da República é possuidor de uma informação de interesse público – e pelo mecanismo da delação premiada ele pode ter sua pena atenuada ao dar uma informação que impeça um crime ainda pior do que o cometido por ele. Portanto, temos aqui uma situação em que a informação é de qualidade e o informante não, por ser um assassino”. Desta forma, o diretor da Veja procura nos convencer de que o relacionamento do veículo com Cachoeira foi ético e que a revista visava exclusivamente o interesse público.
De imediato, não podemos prosseguir sem deixar claro que a concessão do benefício da delação premiada compete exclusivamente ao poder judiciário, e não a quaquer policial e muito menos a um jornalista ou veículo de imprensa. Faz-se necessário esclarecermos também que tal benefício só pode ser concedido a indivíduo que não só se dispõe a delatar, mas que também demonstre arrempendimento de seus crimes e que ofereça garantias de abandono da atividade criminosa. A mesma é firmada por escrito e na forma de contrato.
Fica claro, portanto, para qualquer pessoa com um mínimo de inteligência, que a analogia proposta por Eurípedes Alcântara é absolutamente descabida. Mas uma vez que a mesma foi feita, podemos utilizá-la para aprofundar a demonstração de o quanto é hipócrita a argumentação do referido diretor.
Suponhamos que um determinado criminoso procure um juiz ou promotor e se disponha a delatar um rival, oferendo provas da atividade criminosa. A condição da delação proposta é a de que, caso venha a ocupar a atividade criminosa deste rival, não será denunciado ou perseguido por este juiz ou promotor. Convenhamos, não é preciso ser jurista para afirmar categoricamente que tal juiz ou promotor que aceite referida proposta estará se associando ao crime, tornando-se criminoso tanto quanto o delator ou delatado. Não há a menor margem para que os mesmos afirmem que agiram na defesa do interesse público aceitando tal pacto.
Sobre a figura de Carlinhos Cachoeira, a quem a grande imprensa rotula de “contraventor”, há muito é de conhecimento público que suas atividades vão da operação de jogos de azar (contravenção propriamente dita) ao aliciamento de agentes públicos para fraudes licitatórias (crime), passando por todos os tipos de atividades ilegais entre estes dois extremos. Em resumo, fosse “The Godfather” uma obra brasileira e recente, não seria exagero afirmar que Mario Puzo se inspirou no Cachoeira para criar os personagens Vito e Michael Corleone.
Desde a reportagem em 2005, que desencadeou a crise do mensalão, é de conhecimento público que o flagra no Maurício Marinho foi armado e fornecido à Veja por funcionários de Cachoeira e que o objetivo dos mesmos foi o de retomar o espaço que haviam perdido nos correios para fraudes e outros crimes. Também fica claro hoje, a partir do vazamento dos telefonemas entre Cachoeira e jornalistas da revista, que praticamente todas as reportagens publicadas pela Veja envolvendo corrupção no governo federal tiveram por fonte o “contraventor”. Mais, que todas as informações fornecidas pelo “contraventor” ao semanário tinham por objetivo remover obstáculos ou rivais de posições públicas para ocupar espaços para suas atividades criminosas. As gravações mostram que Cachoeira inclusive influenciava a revista sobre a melhor ocasião e forma de publicar as suas denúncias.
Alguém deve estar se perguntando se os editores da revista são tão ingênuos, ou até mesmo imbecis, a ponto de não perceberem que foram instrumento da atividade criminosa do senhor Carlinhos Cachoeira nestes últimos sete ou oito anos. Obviamente que não. Tinham plena e total consciência de que estavam se associando a atividade criminosa.
Estaria eu afirmando que a revista Veja operava também com ações de fraudes em parceria com o Cachoeira?
Não, pois não acredito nesta hipótese.
Como é possível então explicar esta associação ao crime por parte da revista?
Carlinhos Cachoeira não tem cor política, partidária ou ideológia. Entre outras atividades criminosas, atua em todos os níveis dos poderes públicos, independente de que quem esteja no poder seja vermelho, amarelo, laranja, verde, roxo ou preto. Quando queria detonar algum esquema rival que atuava em um governo de uma cor, usava um determinado meio, quando queria detonar um rival que atuava em um governo de outra cor, usava a revista Veja.
Para a Veja, pouco importava se o esquema de Carlinhos Cachoeira iria roubar mais, menos ou igual àqueles a quem a revista estava detonando no interesse do “contraventor”. O que interessava é que sua associação ao criminoso lhe fornecia artilharia contra os inimigos de seus aliados políticos. Em síntese, esta é a lógica da associação promiscua e criminosa entre as partes.
Assim, seria mais produtivo ao senhor Eurípedes Alcântara, ao invés de tentar nos dar uma aula de boas práticas jornalísticas para justificar a relação da Veja com Cachoeira, simplesmente afirmar que a ética da revista é a mesma de Franklin Roosevelt. Certa feita um assessor do ex-presidente norte-americano o questionou sobre sua aliança com o saguinário ditador nicaraguense Anastácio Somoza, afirmando que o mesmo não passava de um “son of a bitch”. Roosevelt respondeu de bate-pronto que “he´s a son of a bitch, but he's our son of a bitch”.
No mínimo seria menos hipócrita.
Jorge Gregory, jornalista, consultor em gestão de educação superior, foi professor de jornalismo.
No Ornitorrinco
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Os encontros entre Policarpo, da Veja, e os homens de Cachoeira

Levantamento feito a partir de documentos da Operação Monte Carlo indicam que o editor da revista Veja esteve, pelo menos, 10 vezes com o contraventor Cachoeira e membros de sua organização. Em geral, os temas dessas conversas acabaram se transformando em matérias da revista. Operação no Hotel Nahoum, que envolveu tentativa de invasão do quarto de José Dirceu, também foi tema dessas conversas.
Brasília - Um levantamento do inquérito 3430, resultado da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal (PF), indica que o editor da revista Veja em Brasília, Policarpo Júnior, e a quadrilha do contraventor Carlinhos Cachoeira se encontraram presencialmente, pelo menos, 10 vezes. Só com Cachoeira foram 4 encontros.
O número pode ser maior, uma vez que a reportagem de Carta Maior teve acesso apenas ao apenso 1 do inquérito, com 7 volumes. Entretanto, existem mais dois apensos que, juntos, tem 8 volumes.
O primeiro destes encontros foi marcado para o dia 10 março de 2011. Em ligação telefônica no dia 9 daquele mês, às 22:59, Cachoeira diz ao senador Demóstenes Torres (então do DEMo, hoje sem partido):
“É o seguinte: eu vou lá no Policarpo amanhã, que ele me ligou de novo, aí na hora que eu chegar eu te procuro.”
No dia 27 de abril, Cachoeira anunciou ao diretor da construtora Delta no Centro-Oeste, Cláudio Abreu, outro encontro com o jornalista. Sobre a ligação, interceptada às 07:19, o inquérito da PF relata:
“Carlinhos diz que vai almoçar com a prefeita de Valparaíso e com Policarpo da revista Veja”.
Às 09:02, o contraventor avisa a Demóstenes do almoço com Policarpo:
“Eu vou almoçar com o Policarpo aí. Se terminar o almoço e você estiver lá no apartamento eu passo lá.”
O senador respondeu:
“Ok... o Policarpo me ligou, tava procurando um trem aí. Queria que eu olhasse pra ele algumas coisas. Pediu até pra eu ligar para ele mais tarde, não quis falar pelo telefone”.
Nesta mesma conversa, Demóstenes pediu conselhos a Cachoeira sobre sua mudança de partido. Cachoeira afirmou que “esse DEM já naufragou” e disse:
“Tem que ir pro PMDB, até pra virar do STF né?”

O terceiro encontro: o alvo é Zé Dirceu, não a Delta

A partir do dia 7 de maio de 2011, aparecem conversas da quadrilha de Cachoeira sobre a reportagem “O segredo do sucesso”, assinada por Hugo Marques e publicada pela revista Veja na edição 2216, daquele mesmo fim de semana. A matéria relaciona o crescimento da empresa Delta com os serviços de consultoria de José Dirceu.
Em ligação do dia 8 de maio, às 19:58, Cachoeira diz a Cláudio Abreu que Demóstenes vai trabalhar nos bastidores do Senado para abafar a reportagem.
No dia 9, às 23:07, Cláudio pergunta ao bicheiro se ele irá “no almoço com aquele Policarpo” no dia seguinte. Cachoeira responde:
“Ah o Policarpo eu encontro com ele em vinte minutos lá no prédio, é rapidinho”.
No dia 10, às 14:43, Cachoeira conversa com Cláudio. O resumo da ligação feito pela PF diz: ”Carlinhos conta a Cláudio sobre a conversa que teve com Policarpo, da Veja, a respeito da reportagem que saiu na revista no último final de semana”.
Em outra ligação, no dia 11, às 09:59, Idalberto Matias de Araujo, o Dadá, tido pela PF como braço direito de Cachoeira, conta ao bicheiro que conversou com o repórter da Veja, Hugo Marques, que lhe revelou que o alvo de sua reportagem era “Zé Dirceu e não a Delta”.
O quarto encontro foi com Cláudio Abreu. No dia 29 de junho de 2011, às 19:43, Cláudio disse a Cachoeira que esteve com Policarpo e passou informações sobre licitação da BR 280. As informações foram parar na reportagem “O mensalão do PR”, publicada na edição 2224 da revista Veja, dando origem as demissões no Ministério dos Transportes.
No dia 7 de julho, às 09:12, Cláudio conta a Cachoeira que “o JR” quer falar com ele.
Cachoeira: “Que que é JR?”
Cláudio: “PJ, né amigo.”
Cachoeira: “PJ?”
Cláudio: “Pole.”
Cachoeira: “O que?”.
Cláudio: “Engraçado lá, Carlinhos. Policarpo, porra.”
No dia 26 de julho de 2011, Policarpo perguntou a Cachoeira, em telefonema às 19:07, como fazer para levantar umas ligações entre o deputado Jovair Arantes (PTB-GO) e “gente da Conab”.
No dia 28, às 17:19, uma ligação interceptada pela PF entre Jairo Martins, o araponga de Cachoeira, e uma pessoa identificada apenas como “Editora Abril” é sucintamente resumida pela palavra “encontro”.
No fim de semana seguinte a revista é publicada com a reportagem “Dinheiro por fora”, trazendo informações sobre o financiamento de campanha de Jovair e de outros políticos de Goiás por empresa favorecida pela Conab.

Invadindo o hotel Naoum

No dia 2 de agosto de 2011, às 10:46, Jairo Martins, marca encontro por telefone “no Gibão do Parque da Cidade” com “Caneta”, identificado inicialmente pela PF como alguém da Editora Abril. Às 12:04, Jairo informa a Cachoeira que irá almoçar com “Caneta” às “15 pra uma” para tratar “daquela matéria lá (...) que ta pronta”.
Às 14:30, o araponga informa ao bicheiro que “Caneta” quer usar imagens do hotel “pra daqui a duas semanas, que naquele período que ele me pediu, o cara recebeu 25 pessoas lá, sendo que 5 pessoas assim importantíssimas” (sic). Ele também se mostra preocupado e diz que o combinado era não usar as imagens. Cachoeira diz:
“Põe ele pra pedir pra mim”.
Às 21:03, Cachoeira revela a identidade de “Caneta”. O contraventor conta a Demóstenes:
“...o Policarpo vai estourar aí, o Jairo arrumou uma fita pra ele lá do hotel lá, onde o Dirceu, Dirceu, é, recebia o pessoal na época do tombo do Palocci”.
Segundo Cachoeira, Policarpo pediu para “por a fita na Veja online”.
No dia 4, às 17:18, Cachoeira fala com Policarpo ao telefone e pede para ele ir encontrar Cláudio Abreu, da Delta, que está esperando. Às 17:31, Cachoeira diz para Claudio mandar Policarpo soltar nota de Carlos Costa.
Às 17:47, Cláudio pergunta onde a nota deve ser publicada. Cachoeira diz que no “on-line já ta bom”, mas “se for na revista melhor”. Às 18:37, o bicheiro informa ao diretor da Delta que Policarpo “está com um problema sério na revista”, pediu para desmarcar o encontro e receber a nota por email.
No dia 10 de agosto, às 19:11, Cláudio conta ao chefe da quadrilha que estará em Brasília no dia seguinte para falar com “PJ”. No mesmo dia, às 19:22, Jairo e Policarpo combinam por telefone um “encontro no churrasquinho”. Às 20:41, Jairo e Cachoeira falam sobre liberação das imagens.
No dia 11, às 08:58, Carlinhos fala a Demóstenes que almoçará com Policarpo. O resumo de uma ligação às 14:09, entre Cachoeira e Cláudio, afirma que “Carlinhos está no Churchill, possivelmente com Policarpo Júnior”. Às 20:05, em conversa com Demóstenes, Cachoeira conta que encontro com Policarpo foi para ele “pedir permissão para o trem lá do Zé”.
No dia 15, às 10:12, Cachoeira orienta Jairo para “matar a conversa com Policarpo”:
“Nós temos que pedir aquele assunto para ele.”
Às 19:04, Policarpo marca encontro com Jairo “em 10 minutos no espetinho”. O resumo de uma ligação entre os dois às 19:26 diz “encontro”.
O resumo de uma ligação às 12:45 do dia 16 descreve:
“Carlinhos diz que liberou, que só falta ele liberar. Jairo diz que falta pouca coisa. Acha que hoje ele libera.”
No fim de semana de 27 e 28 de agosto de 2011, a revista Veja deu uma capa com o título “O Poderoso Chefão”, em alusão a influência que o ex-ministro José Dirceu ainda tinha sobre o PT e o governo de Dilma Rousseff. A reportagem trouxe imagens de vários políticos visitando Dirceu dentro do Hotel Naoum, onde ele se hospedava em Brasília, afirmando que Dirceu articulou a queda do então ministro da Casa Civil, Antônio Palloci.
O repórter da Veja, Gustavo Ribeiro, foi acusado de tentar invadir o apartamento de Dirceu. A polícia também investiga como as imagens do circuito interno do hotel foram capturadas.
Vinicius Mansur
No Carta Maior
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Gurgel faz papel de líder de oposição em horário nobre da TV de Jô Soares

O Jornal Nacional mostrou na edição da quarta (9) o Procurador Geral da República (PGR), Roberto Gurgel (aliás, teve gente que achou que a Globo estava usando o Jô Soares para falar de mensalão e atacar o PT...)
Gurgel era questionado pela reportagem sobre críticas de membros da CPMI do Cachoeira, que buscam explicações sobre por que ele, digamos assim, sentou em cima da Operação Vegas da Polícia Federal, desde 2009, e não abriu inquérito para investigar o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), o deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), e outros parlamentares, cujos malfeitos já apareciam naquela época.
Gurgel respondeu como respondem os líderes da oposição demotucana e os editores da revista Veja. Depois de falar sobre "estratégia de investigação", disparou: “... Eu já disse e repito: uma das possibilidades é que isso parta de pessoas que estão muito preocupadas com o julgamento do mensalão que deverá acontecer proximamente”.
O PGR respondeu como costuma responder José Serra quando cobrado por escândalos envolvendo o seu nome; diz que é tititi e trololó petista, além de classificar as evidências contra si de “lixo”, como fez com o livro de Amaury Ribeiro Jr, A Privataria Tucana.
Além de dissimular, a resposta de Gurgel tem um agravante. Falada no telejornal de maior audiência do Brasil, cairia bem na voz de um líder partidário do PSDB ou do DEM, mas nunca na voz de um Procurador-Geral da República, cuja compostura recomenda se conter para manter o posicionamento que dele se espera: a neutralidade.
Se ele pensa diferente, deveria se licenciar do Ministério Público e se candidatar ao parlamento pelo DEM ou pelo PSDB, como já fez outro ex-catão da República, Demóstenes Torres.
Sua declaração partidarizada só faz aumentar a necessidade de a CPMI ouvi-lo, pois reforçou a ideia de atuação conforme simpatias partidárias. A Procuradoria seria rápida e ágil para processar membros de alguns partidos e, no mínimo, lenta para processar políticos de outros, em geral os da elite demotucana.
Detalhe: ao que consta, nenhum membro da CPMI é réu no processo do chamado "mensalão", como Gurgel sugere em sua declaração em que assume papel de líder de oposição. E parlamentares de oposição aos petistas como Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Onix Lorenzoni (DEM-RS), também cobram de Gurgel respostas convincentes, e não "morrem de medo" do "mensalão".
O senador Pedro Taques (PDT-MT), que é mais independente do que governista, também é procurador de carreira, e não entendeu que "estratégia de investigação" foi essa, optando pelo engavetamento. Ele também cobra explicações convincentes.
Gurgel diz que não pode, legalmente, ser testemunha em uma CPI a portas fechadas, mas se meteu a dar seu testemunho no Jornal Nacional para o Brasil inteiro, sobre outro processo que promove, o "mensalão"?
Se não pode comparecer como testemunha, como ele afirma, que seja convocado na condição de investigado. Afinal, o que se deseja é apurar que procedimentos foram adotados de forma completamente fora do normal, do lícito e do legal, a respeito da Operação Vegas.
Helena Sthephanowitz
No Rede Brasil Atual
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Charge online - Bessinha - # 1236

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Os integrantes da Comissão da Verdade


Cláudio Fontele
Graduou-se em Direito pela Universidade de Brasília (1969).
Mestrado em Direito pela Universidade de Brasília (1983).
Ingressou no Ministério Público Federal em 1973.
Exerceu o cargo de Procurador-Geral da República de 2003 a 2005. Foi indicado para o cargo pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
Como subprocurador-geral da República, grau mais alto da carreira, atuou no Supremo Tribunal Federal na área criminal.
Coordenou a Câmara Criminal (1991) e a antiga Secretaria de Defesa dos Direitos Individuais e Interesses Difusos - Secodid (1987).
Foi presidente do Conselho Penitenciário do Distrito Federal (1983-1985).
Exerceu o magistério por quase 40 anos.
Atuou politicamente como secundarista e universitário, tendo sido membro da AP (Ação Popular), movimento estudantil ligado à esquerda católica que comandou a UNE na década de 60.
É membro do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, tendo se destacado, anteriormente, na luta pela demarcação de terras indígenas.
Atualmente, dedica-se a trabalhos de assistência social e ao estudo da Teologia. Católico, é membro leigo da Ordem de São Francisco.
Gilson Dipp
Ministro do STJe do TSE
Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, Diplomado pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 1968.
Ministro do Superior Tribunal de Justiça desde 1998.
Membro da Corte Especial, do Conselho de Adminstração e da Comissão de Jurisprudência do STJ.
Ministro do TSE desde2011.
Presidente da Comissão de Juristas com a finalidade de elaborar o anteprojeto do Código Penal.
Principais Atividades Exercidas:
Juiz do Tribunal Regional Federal da 4ª Região – 1989.
Membro do Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Rio Grande do Sul – 1995/1997.
Presidente do TRF da 4ª Região – 1993/1995.
Corregedor Nacional de Justiça - Biênio 2008/2010.
José Carlos Dias
Advogado criminalista e político brasileiro.
Graduado em direito pela Universidade de São Paulo (USP).
Exerceu as seguintes funções públicas:
Presidente da Comissão de Justiça e Paz de São Paulo.
Secretário da Justiça do estado de São Paulo durante o governo de Franco Montoro – 1983/1987.
Ministro da Justiça durante o governo Fernando Henrique Cardoso – julho de 1999/abril de 2000.
Foi Conselheiro da Associação dos Advogados de São Paulo, da Ordem dos Advogados do Brasil, secção de São Paulo, tendo presidido a banca de Direito Penal e Processual Penal em vários exames da Ordem.
Foi Presidente do Conselho Superior de Coordenação do – Instituto Latino Americano das Nações Unidas para a Prevenção do Delito e Tratamento do Delinqüente (Ilanud).
Coordenou a elaboração do programa do Governo Montoro na área de Justiça e Segurança. Durante a realização de tal trabalho, em 1982, participou de uma programação organizada pela Fundação Konrad Adenauer, em várias cidades da Alemanha, juntamente com outros assessores do então candidato a Governador de São Paulo.
Atualmente, é sócio do escritório "Dias e Carvalho Filho - Advogados", conselheiro da Comissão Justiça e Paz de São Paulo e membro do conselho curador da Fundação Padre Anchieta.
É conselheiro da Comissão Justiça e Paz tendo sido membro efetivo e Presidente.
É membro do Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta – Centro Paulista de Rádio e TV Educativas.
É autor de dois livros de poesia – Miragens do meu Deserto (1957) e Vozes Perdidas (1957).
José Paulo Cavalcanti Filho
Advogado no Recife, escritor e consultor.
Consultor da Unesco e do Banco Mundial.
Ex-Presidente do CADE – 1985/1986.
Ex-Ministro Interino da Justiça no governo José Sarney .
Ex-Secretário-Geral do ministério da Justiça no governo José Sarney.
Ocupa a cadeira 27 da Academia Pernambucana de Letras.
Acaba de ganhar o título de livro do ano, no Prêmio Brasília de Literatura, promovido pela 1ª Bienal do Livro e da Leitura, na categoria biografia.
Obra: Fernando Pessoa – Uma quase autobiografia.
Maria Rita Kehl
Psicanalista, ensaísta, crítica literária, poetisa e cronista brasileira.
Formada em psicologia pela USP.
Em 1979, cursou mestrado em psicologia social e sua dissertação recebeu o título de "O Papel da Rede Globo e das Novelas da Globo em Domesticar o Brasil Durante a Ditadura Militar".
Em 1997 doutorou-se em psicanálise pela PUC-SP com uma pesquisa que resultou no livro Deslocamentos do Feminino - A Mulher Freudiana na Passagem para a Modernidade (Imago Editora, 1998).
Em 2010, foi vencedora do Prêmio Jabuti de Literatura na categoria "Educação, Psicologia e Psicanálise" com o livro O Tempo e o Cão.
Editora do Jornal Movimento, um dos mais importantes nomes do jornalismo alternativo durante o regime militar no Brasil ao lado do Opinião e d’O Pasquim.
Teve participação na fundação do jornal Em Tempo.
Escreveu como jornalista freelancer para meios de comunicação como Veja, IstoÉ e Folha de S. Paulo, além de coluna quinzenal no Caderno 2, em O Estado de S. Paulo.
Paulo Sérgio de Moraes Sarmento Pinheiro
Professor de Ciência Política, escritor e consultor.
Livre-docente pela Universidade de São Paulo, USP, Brasil.
Doutorado em Troisiéme Cycle, Doctoral ès études politiques. Université Paris 1 (Panthéon-Sorbonne), SORBONNE, França.
Graduação em License en Sociologie . Unviersité de Vincennes, Paris.
É Coordenador de pesquisa do programa CEPID/FAPESP/Núcleo de Estudos da Violência, Universidade de São Paulo, USP.
Lecionou na Brown University, Columbia University, na Notre Dame University, nos EUA, na Oxford University, na Grã-Bretanha e na École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris.
É Comissionado e Relator da Infância da Comissão Interamericana de Direitos Humanos.
De 2004 a 2007 Foi membro do grupo de consultores internacionais do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, ICRC, Genebra.
Em 2003, foi indicado pelo Secretário-Geral da ONU como especialista independente, para preparar um estudo em profundidade sobre violência contra crianças.
Relator Especial da ONU para a Situação dos Direitos Humanos em Burundi de 1995 a 1998 e em Myanmar de 2000 a 2008.
Secretário Especial dos Direitos Humanos, no governo FHC e relator do Programa Nacional de Direitos Humanos, PNDH, em suas duas primeiras versões em 1996 e 2002.
Nomeado em janeiro de 2010 pelo Presidente Lula para representar a sociedade civil num grupo de trabalho de seis membros para preparar um projeto de comissão verdade no Brasil.
Membro do Conselho Curador da Empresa Brasileira de Comunicação – EBC.
Rosa Maria Cardoso da Cunha
Advogada, professora e escritora
Graduada pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1969.
Mestrado em Direito Penal na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (anos 70).
Doutorado em Ciência Política no Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro- IUPERJ (anos 80).
Advogada Criminalista desde 1969 ( trabalhando como Solicitadora a partir de 1967).
Nos primeiros 10 anos desta atividade a signatária especializou-se na defesa de crimes políticos, com intensa atuação nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal, onde trabalhou, especialmente, junto ao Superior Tribunal Militar e Supremo Tribunal Federal.
Posteriormente passou a desenvolver atividades em todos os campos da advocacia criminal, com maior destaque nos delitos previstos em legislação especial (crimes contra o meio-ambiente, contra o mercado financeiro, contra a ordem tributária e a economia popular, contra o consumidor, contra a propriedade industrial e intelectual e delitos praticados pela imprensa).
Membro do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (1999/2002).
Professora do Curso de Especialização em Políticas Públicas e Governo do IESP/UERJ (1995/2012).
Subsecretária (Secretária Adjunta) de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (1991/1994 ).
Professora com concurso e de carreira nas Universidades Federais Fluminense -UFF e Universidade de Santa Catarina das disciplinas Direito Penal, Metodologia da Pesquisa, Epistemologia Jurídica e Ciência Política, onde lecionou em cursos de Graduação e Pós Graduação ( 1975/2001 );
Professora em outras Universidades do Brasil e do exterior (Universidade Nacional de Buenos Aires, Universidade de Belgrano, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Unisinos, Universidade Federal de Santa Maria;
Autora de artigos, publicações didáticas e livros na área política e jurídica.
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Imprensada

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