8 de mai de 2012

O fenômeno Cachoeira

“Porque existem fronteiras que não podem nem devem ser rompidas.” Foram estas as palavras que escolhi para colocar um ponto final em meu último artigo no Observatório da Imprensa (“Sem interesse pelos escândalos”), tratando do Festival de Grampos Legais que Assolam o País (Fegralap), clara alusão ao saudoso Stanislaw Ponte Preta com seu genial Festival de Besteiras que Assola o País (Febeapá). Pois bem, retorno ao tema, pois há muito ainda a explicitar e muitas linhas que temem ser esmagadas pela contundência das entrelinhas.
As fronteiras – sempre tênues em se tratando de imprensa e crime organizado – são necessárias quando vivemos em um Estado de direito. Essas fronteiras são demarcadas pelas leis. E fora destas o que existe é a lei do mais forte, a tirania e a vilania em toda a sua gama de obscuridades. São as fronteiras éticas e morais que distinguem civilização e barbárie.
Agora, o país assume-se perplexo ante à enxurrada de gravações de ligações telefônicas conseguidas de forma legal, absolutamente dentro dos marcos do Estado de direito. Tais gravações escancaram o grau de cumplicidade que a imprensa e contraventores, agentes públicos e empresários, políticos e profissionais da arapongagem alcançaram em seu intento para fortalecer ampla gama de atividades criminosas.
Por ironia do destino, o personagem central até o momento ostenta como alcunha o vocábulo “cachoeira”. E cachoeira é, senso comum, queda d’água. Não qualquer queda d’água, mas, sim, quedas com grande volume de água, o que lhes dá um aspecto majestoso e turístico, a exemplo das cataratas do Iguaçu (Brasil), de Niágara (Estados Unidos), Khon (Laos), Vitória (África). Cachoeira não é catarata, ensina-nos os dicionaristas. Esta última exige que haja um grande caudal e que se apresente em forma de cortina. A catarata se caracteriza pela extrema força da água a corroer as rochas em sua parte parte baixa. Cachoeira, alerta-nos os expecialistas no vernáculo lusitano, é bem diferente de cascata, uma vez que esta possui uma queda que nasce de uma massa de rochas de inclinação irregular, no sentido vertical, na qual a água desliza sobre uma série de declives acidentados. Cachoeira não é salto. Este recebe o nome devido à sua queda ser em forma de esguicho, e em queda ininterrupta de grande altura.
Agora surge uma rara oportunidade de se agregar novos significados ao vocábulo “cachoeira”. E o terreno é o da política, aquela política que vive de quedas, cascatas, saltos e sobressaltos. É já nome de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, reunindo 16 senadores e 16 deputados e com prazo inicial de duração de 180 dias. É nesta CPMI que serão levados à luz os novos significados de Cachoeira, tais como:
1. Epíteto do insígne contraventor brasileiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, personagem singularíssimo que ganhou notoriedade da imprensa e opinião pública brasileira, referido inclusive pelo New York Times como “Charlie Waterfall”, e que saiu do quase completo anonimato pelo site e pelas páginas da revista Época, em edição de 13/2/2004, onde, em imagens gravadas por ele mesmo, é extorquido por Waldomiro Diniz, então funcionário da Casa Civil da Presidência da República, dando-se então início a todo um tumultuado processo político alcunhado “mensalão” pela grande imprensa;
2. Epíteto do dublê de empresário de jogos e principal contraventor atuante na seara de jogos ilegais Carlinhos Cachoeira, dono de ambição desmedida, como a de colocar um seu protegido, o senador goiano Demóstenes Torres como futuro prefeito de Goiânia, futuro governador de Goiás, futuro candidato à Presidência da República do Brasil e futuro membro do Supremo Tribunal Federal do país;
3. Epíteto do mentor do maior esquema de crimes até o momento desbaratado pela Polícia Federal, tendo como protagonistas centrais políticos de prestígio considerados pela grande imprensa como “acima de qualquer suspeita”, governadores de estado de amplo leque político-partidário, integrantes das altas esferas do Poder Judiciário, e com o auxílio luxuoso de uma das mais audaciosas empreiteiras brasileiras, empresa esta que em menos de uma década saiu de um simples traço em grau de importância econômico-financeira para ocupar o espaço de um titã da construção civil, com obras monumentais como o Maracanã, no Rio de Janeiro, e boa parte da malha rodoviária nacional;
4. Epíteto do idealizador do mais vasto, antigo, organizado, contínuo e ousado sistema ilegal de escutas telefônicas do país, empregando ex-agentes do antigo Serviço Nacional de Informação na tarefa de flagrar, em situações suspeitas, alvos a serem corrompidos, chantageados e achacados, fossem da esfera pública ou da esfera privada;
5. Epíteto do personagem mais eficiente na arte da delinquência pura e simples, criando seu próprio braço midiático e, com este, elevando bandidos com estatura moral da altura de lâmina de barbear deitada aos píncaros da retidão de conduta e da ilibada moral que somente se pode exigir de cidadãos que se autoinvestem do dever de pontificar sobre as virtudes da moral e da ética no trato da res publica, além de “pautar” os destinos da vida política do país por intermédio de veículo de comunicação com alta capilaridade nas classes média e alta, plantando notas, notícias e reportagens contra seus inimigos potenciais, erodindo o capital moral de governos democraticamente eleitos, sabotando suas políticas públicas e levando o país a seguidos ataques de nervos – ora estamos na “República dos Grampos”, ora vivemos num “Estado Policialesco”, ora estamos investidos da ira santa de derrubar ministros de Estado em série;
6. Epíteto da personalidade acostumada tanto às sombras espessas do submundo do crime quanto aos holofotes da ribalta, negociando propinas no varejo e a granel, adquirindo laboratórios farmacêuticos, bens imóveis de alta voltagem, seja na bucólica Goiânia ou na na reluzente Miami, a Meca de dez em cada dez novos ricos brasileiros em terra americana;
7. Epíteto de articulador político imbatível, reunindo sob seu extenso guarda-chuva de benesses, privilégios e ilicitudes desde deputados estaduais a promotores públicos, deputados federais e autarquias estaduais, de senador da República a chefe de sucursal de veículo de imprensa com circulação nacional, de governador de estado a diretor de empreiteira bem aquinhoada com a verbas públicas em estados tão diversos quanto Goiás, São Paulo e Rio de Janeiro;
8. Epíteto de sagaz arquiteto de negócios e negociatas que, não obstante os muitos tentáculos de sua organização criminosa, explicitados em cerca de 3 mil horas de escutas feitas com autorização judicial, nas quais pululam vozes inconfundíveis de pessoas até há bem pouco blindadas pela grande imprensa – grande imprensa que se sente tolhida a erguer à sua volta pesada cortina de constrangedor silêncio, sem poder noticiar condutas claramente ilegais por parte de seus pares, dentro de uma lógica corporativista que, como diria certo ex-presidente da República, nunca antes fora vista neste país. Fato é que à falta de temas “suculentos” a noticiar, assuntos em que os malfeitos sejam personificados pelos outros (e não por eles mesmos), optam por destacar em suas matérias de capa questões tão relevantes quanto a altura pessoal na busca do sucesso profissional ou a não menos tonitruante descoberta de que o poder finalmente é das mulheres.
Interesses subalternos
Hannah Arendt foi assertiva quando disse que só pode existir espaço comum e público criado voluntariamente pelas pessoas. Porque para além desse espaço o que existe é a não-existência, a luta fraticida de todos contra todos, no mais cândido cenário de barbárie institucionalizada. Sempre que se busca alçar à condição de plataforma política temas como “implacáveis com a corrupção”, “a serviço da moral e da ética” ou “paladinos do bem-estar social sem cobrança de impostos”, é sinal de que algo muito errado está acontecendo nas entranhas do país.
É fato que a ocorrência de escândalos de corrupção, existentes ou pré-fabricados, reais ou ilusórios, sempre precede os golpes de Estado, a supressão das garantias fundamentais da pessoa humana, o império do arbítrio e da tirania. De acordo com Hannah Arendt, como bem assinalou um leitor, quando alguém ou algum grupo, seja político, econômico ou midiático, pretende desestabilizar o governo para derrubá-lo, o que na verdade está promovendo é a expansão da terra arruinada, do descrédito das instituições democráticas e a supressão do espaço diálogico que pode ser ensejado pela política.
Então, há que se omitir do bom combate? Não, muito ao contrário. Há, sim, que se destinar à justiça e aos seus muitos tentáculos, códices de leis e experiência jurisprudencial, os meliantes que corrompem e que são corrompidos, sejam das esferas política, econômica e midiática ou não.
Existem, também, fronteiras que não podem ser ultrapassadas sem que se arque com as consequências – uma destas é a prática do jornalismo arredio à busca da verdade, apaixonado pela mais recente versão a sair do forno de interesses mesquinhos, subalternos e delituosos, e cúmplice da realidade que deseja criar, avesso à realidade dos fatos, aprisionado às suas próprias circunstâncias e à falibilidade que, de tão humana, lhe é inerente.
Washington Araújo
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Marcha das Vadias de Brasília

Marcha das Vadias DF, 26 de maio de 2012.
Concentração às 13h, em frente ao Conic, próximo à rodoviária do Plano Piloto.
No Maria da Penha Neles!
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Estudo sobre homicídio de mulheres coloca Brasil em 7º lugar no ranking mundial

Estados com maiores números de casos violentos foram Espírito Santo, Alagoas e Paraná
Um estudo divulgado nesta segunda-feira, 7, apontou que o Brasil tem o sétimo maior índice de homicídios entre as mulheres entre 84 países. De acordo com a pesquisa, a taxa de homicídio no país ficou em torno de 4,4 vítimas para cada 100 mil mulheres.
El Salvador lidera o ranking, com taxa de 10,3 vítimas para cada 100 mil mulheres. Na frente do Brasil ainda aparecem Trinidad e Tobago (7,9), Guatemala (7,9), Rússia (7,1), Colômbia (6,2) e Belize (4,6).
Com taxa zero, Marrocos, Egito, Bahrein, Arábia Saudita e Islândia estão na outra ponta do índice de homicídios entre as mulheres.
A pesquisa, coordenada pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, foi batizada de 'Mapa da Violência de 2012: Homicídios de Mulheres no Brasil' e foi feita com apoio da Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais - FLACSO - e do Instituto Sangari.
O objetivo do estudo é traçar um panorama da evolução do homicídio de mulheres entre 1980 e 2010, quando foram assassinadas 91.932 mulheres, sendo quase a meta e - 43.486 mortes - na última década desse período.
Os Estados com maiores taxas, no ano de 2010, foram: Espírito Santo, Alagoas e Paraná, com taxas de 9.4, 8.3 e 6.3 homicídios para cada 100 mil mulheres, respectivamente.
Um detalhe também significativo é o local onde aconteceu a agressão: em 69% das vítimas femininas atendidas pelo SUS, foi na própria casa.
O relatório completo do estudo pode ser acessado pelo site: http://www.mapadaviolencia.net.br/
No Estadão
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Pau de arara

Carlos Lyra ainda vivia sua fase de maior criatividade — que coincidiu com o melhor período do contemporâneo Tom Jobim — quando começou a sua parceria com Vinícius de Moraes. Então, certo dia, ao entregar ao poeta uma fita com várias melodias para serem letradas, dele recebeu a sugestão de transformarem aquele repertório num musical.
Assim surgiu Pobre Menina Rica, com Vinícius criando-lhe as letras, o enredo e os personagens que, após uma mudança de teatro, vários atores foram substituídos, Entre estes estava o paulista Ary Toledo, que pediu a Lyra para gravar Pau de Arara, a música que cantava no palco.
Depois de uma gravação realizada em estúdio e lançada num compacto, Ari Toledo voltou a gravar Pau de Arara, desta vez ao vivo, no Teatro Record, durante o programa O Fino da Bossa, versão que ganhou gargalhadas estrepitosas da plateia e de Elis Regina, o que acabou enriquecendo em alegria e espontaneidade a performance do intérprete.
O sucesso do disco foi tamanho, que fez muita gente pensar que Ary Toledo era realmente um mísero cearense, autor de O Comedor de Gilete, nome pelo qual a composição ficou conhecida.
Pau de arara 
Carlos Lyra e Vinícius de Moraes
Eu um dia cansado que tava
da fome que eu tinha
eu não tinha nada
que fome que eu tinha ,
que seca danada no meu Ceará
eu peguei e juntei
um restinho de coisas que eu tinha:
duas calças velhas e uma violinha
e num pau de arara
toquei para cá.
E de noite eu ficava na praia de Copacabana
zazando na praia de Copacabana
dançando o chachado pras moças olhá

Virgem Santa
que a fome era tanta
que nem voz eu tinha
Meu Deus quanta moça
que fome que eu tinha

Mais fome que tinha no meu Ceará
puxa vida que num tinha uma vida
pior do que a minha
que vida danada , que fome que eu tinha
zazando na praia pra lá e pra cá
quando eu via toda aquela gente
no come que come
eu juro que eu tinha saudades da fome
da fome que eu tinha no meu Cearà
e ai eu pegava e cantava
e dançava o xaxado
e só conseguia porque no xaxado
a gente só pode mesmo se arrastá.

Virgem Santa
que a fome era tanta
qu'inté parecia que mesmo xaxado
meu corpo subia
igual se tivesse querido voar.

Vou-me embora pró meu Ceará
porque lá tenho um nome
aqui não sou nada
sou só Zé com fome
sou só Pau de Arara
nem sei mais canto
vou picar minha mula
vou antes que tudo rebente
porque estou achando que o tempo está quente
pior do que antes não pode ficar.
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Maringá (PR) vai receber caravanas na Parada Gay

O site oficial da Parada LGBT de Maringá confirmou na manhã desta terça-feira (8) caravanas de 34 cidades na manifestação social em prol da garantia dos direitos civis da população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT).
Depois que a Parada LGBT de Maringá chegou a um nível de repercussão nacional, sendo destaque na Globo e na Folha de S.Paulo, lideres regionais entraram em contato com os organizadores e confirmaram presença.
As cidades são: Apucarana (PR), Arapongas (PR), Astorga (PR), Blumenau (SC), Campo Mourão (PR), Cascavel (PR), Cianorte (PR), Cornélio Procópio (PR), Curitiba (PR), Foz do Iguaçu (PR), Guapirama (PR), Guarapuava (PR), Ibiporã (PR), Jacarezinho (PR), Jandaia do Sul (PR), Loanda (PR), Londrina (PR), Mandaguari (PR), Marialva (PR), Marília (SP), Medianeira (PR), Nova Esperança (PR), Paiçandu (PR), Paranavaí (PR), Pato Branco (PR), Presidente Castelo Branco (PR), Presidente Prudente (SP), Santa Terezinha de Itaipu (PR), Santo Antônio da Platina (PR), São Miguel do Iguaçu (PR), São Paulo (SP), Sarandi (PR), Toledo (PR) e Umuarama (PR).
A Parada LGBT de Maringá acontecerá no dia 20 de maio e a concentração será ao lado da prefeitura às 14h, seguindo pela avenida Duque de Caixias até o Estádio Regional Willie Davids.
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Absurdo: no Maranhão escola Paulo Freire vira Roseana Sarney

Essa gente não se emenda, além de fazer do Maranhão, um dos estados mais pobres do País, sua capitania hereditária, a família do patrono do fisiologismo pátrio, José Sarney, batiza 161 escolas com o sobrenome de sua raça ruim. Não satisfeitos trocaram o nome de uma escola que homenageava o grande educador Paulo Freire para o da deseducadora e atual mandatária da capitania, Roseana Sarney.
Isto no ano em que Paulo Freire foi proclamado patrono da educação brasileira, e o Brasil é governado por um governo de esquerda, que por um troço que chamam de governabilidade, é aliado do imortal e dono do Maranhão, o crápula José Sarney.
Paulo Freire, gostando-se ou não de suas propostas, foi um dos grandes brasileiros do século passado, um homem que passou sua vida dedicando-se a construir um mundo mais justo e solidário, não merecia uma desfeita deste porte, realizada por gentinha que acha que batizando prédios públicos com seus nomes, ficarão para a História. Ficarão sim, no lixo que ela reserva a este tipo de gentalha!
A diferença entre Paulo Freire e José Sarney é que um foi cassado, preso e depois exilado pela ditadura militar, por não se vergar perante os coturnos da opressão; já o outro, se verga perante qualquer poder ou ideologia, desde que se mantenha ao lado dos poderosos da vez!
Quem quiser conhecer um pouco sobre a vida e  a obra de Freire vá no Instituto Paulo Freire
No Interrogações
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Reta final para o III BlogProg: programação e local do evento confirmados!

Na reta final para o III Encontro Nacional de Blogueiros, que ocorrerá nos dias 25, 26 e 27 de maio em Salvador (BA), 279 ativistas digitais de todo o país já se inscreveram no sítio do Centro de Estudos Barão de Itararé. A meta é atingir 400 participantes. Toda a estrutura do evento está montada. Graças aos vários apoios, foi possível garantir hospedagem e alimentação aos inscritos. O III BlogProg será feito no Hotel Sol Bahia (Rua Manuel Antônio Galvão, 1075, Patamares, a 12 quilômetros do aeroporto).
Conforme definido pela comissão nacional organizadora, o III BlogProg terá dois eixos básicos: a defesa da liberdade de expressão e da blogosfera, alvo de intensos ataques no último período; e a luta pela democratização da comunicação, com a deflagração de um debate democrático na sociedade sobre o novo marco regulatório do setor. Com base nestas premissas e a partir de inúmeras sugestões, também já foi fechada a programação oficial do encontro.
Programação final do III BlogProg
25 de maio, sexta-feira
15 horas – Reunião da comissão nacional organizadora;
17 horas – Início do credenciamento
18 horas – Abertura do III BlogProg e ato político em defesa da blogosfera e da liberdade de expressão;
19 horas – Debate: Nas redes e nas ruas pela democratização da comunicação
- Franklin Martins – ex-ministro da Secretaria de Comunicação do governo Lula;
- Emiliano José – Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e Direito à Comunicação (Frentecom);
- Rosane Bertotti – coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC);
- Robinson Almeida – secretário de Comunicação Social do Governo da Bahia;
- Barbara Lopes – Blogueiras feministas;
26 de maio, sábado
9 horas – Em defesa da blogosfera e da liberdade expressão: – Paulo Henrique Amorim (SP); – Lucio Flavio Pinto (PA); – Emílio Gusmão (BA); – Esmael Moraes (PR); 11 horas – Mídia e blogosfera: experiências internacionais: – Ignácio Ramonet (Le Monde Diplomatique – França); – Andres Thomas Conteris (Democracy Now e Ocuppy Wall Street – EUA); – Osvaldo Leon (Agência Latinoamericana de Informação – Equador); – Iroel Sanchez (Blog La Pupila Insomne – Cuba);
14h30 – Mesas autogestionadas simultâneas
1- A batalha pelo marco civil da internet (responsável: Renata Mielli) – João Arruda (deputado federal do PMDB/PR e presidente da comissão que analisa o projeto); – Jandira Feghali (deputada federal do PCdoB/RJ e integrante da comissão) – Sérgio Amadeu (integrante do Comitê Gestor da Internet); – Renata Mielli (diretora do Centro de Estudos Barão de Itararé);
2- Estado laico, religião e diversidade na mídia (responsável: Daniel Dantas Lemos): – Keila Simpson – presidente do conselho Nacional LGBT; – Pastor Marcos Dornel; – Jean Wyllys – deputado federal do PSOL/RJ; - Pastor Marcos Monteiro;
3- Direito de resposta e o novo marco regulatório. (Responsável: Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação)
4- Cobertura política sem sexismo (responsável: blogueiras progressistas);
- Bárbara Lopes;
- Marília Moschkovich;
- Maíra Kubik Mano;
- Tâmara Freire;
5- Liberdade de expressão e direitos humanos (responsável: Tiago Aguiar);
- Adriana Amorim;
- Marcelo Barreto;
- Tiago Aguiar
* Exibição do documentário “Gente de ferro e de flor”
16h30 – Mesas autogestionadas simultâneas
6- A mídia e as eleições na Venezuela (responsável: Igor Felippe): – João Pedro Stedile (coordenação do MST); – Maximilien Arvelaiz (embaixador da Venezuela no Brasil); – Fernando Moraes (Jornalista); – Eric Nepomuceno (Jornalista);
7- A viabilidade de um jornal diário (responsável: Sérgio Telles) – Paulo Salvador – Rede Brasil Atual; – Claudia de Abreu – (Sindipetro do Rio de Janeiro); – Vito Giannotti – Núcleo Piratininga de Comunicação;
- Paulo de Tarso (Federação dos Bancários do Espírito Santo);
8- Oficina prática de WordPress (responsável: Tatiane Pires);
9- Redes sociais e subjetividade (Responsável: Conselho Federal de Psicologia);
- Marilda Castelar (CPF);
- Roseli Goffman (CPF e FNDC).
10- Cinema autogestionado (responsável: Carlos Pronzato);
18 horas – Apresentação e debate sobre Associação de Apoio Jurídico à Blogosfera:
- Rodrigo Sérvulo e Rodrigo Vianna;
19 horas – Lançamento oficial do Blogoosfero –plataforma livre e segura para a blogosfera e redes sociais;
Responsáveis: Fundação Blogoosfero, Colivre, TIE-Brasil e Paraná Blogs;
27 de maio, domingo:
9 horas – Reuniões em grupo – troca de experiência, balanço da blogosfera e desafios futuros;
11 horas – Plenária final – aprovação da Carta de Salvador e eleição da nova comissão nacional;
14 horas – Primeira reunião da comissão nacional eleita.
Prazo final de inscrição
Os interessados em participar do III BlogProg devem acelerar o passo. O prazo de inscrição se encerra no dia 21 de maio. Para inscrever-se, acesse aqui. Todos terão garantido hospedagem e alimentação. Para isto foi fundamental o apoio dos “amigos da blogosfera”, que perceberam a importância do fortalecimento destas novas mídias. A comissão nacional agradece o apoio:
Amigos da blogosfera
1- CUT
2- Força Sindical
3- CTB
4- UGT
5- Federação dos Comerciários de São Paulo
6- Associação Nacional de Inclusão Digital (Anid)
7- Fundação Maurício Grabois
8- Fundação Perseu Abramo
9- Confederação Nacional dos Trabalhadores nos Estabelecimentos de Ensino (Contee)
10- Federação Única dos Petroleiros (FUP)
11- Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar)
12- Federação dos Servidores no Judiciário Federal
13- Rede Brasil Atual
14- TVT
15- Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
16- Sindicato dos Bancários do Paraná
17- Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté e Região
18- Federação dos Trabalhadores na Indústria de Alimentação do Rio Grande do Sul
19- Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari/BA
20- Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE)
21- Revista Fórum
22- Assembléia Legislativa do Mato Grosso
23- Blog Viomundo
24- Blog Conversa Afiada
25- Sindicato dos Petroleiros do Rio Grande do Norte
26- Associação dos Professores de São Paulo (Apeoesp)
27- Sindicato dos Bancários de Salvador/BA
28- Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe
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Freire, vítima de seu próprio ódio

Mais um membro da oposição levou um tombo. Dessa vez, porém, não foi na Cachoeira, mas no Twitter. Roberto Freire, presidente do PPS, levou a sério uma piada do site G17, que acusava Dilma de mandar substituir a inscrição Deus seja Louvado por Lula seja Louvado nas cédulas de 50 reais. O caso virou febre no Twitter por motivos óbvios. Não é todo dia que se flagra um político cometendo um erro tão idiota. O caso de Freire tem um agravante: não é um erro inocente, mas motivado por uma maneira de fazer política ancorada no ódio, no preconceito, num fanatismo partidário às avessas (um antipetismo doente).
Essa cultura do ódio definitivamente não é democrática e não faz bem à saúde das pessoas. O ódio de Freire causa cegueira ideológica e, como se vê, bloqueia a inteligência. Em suas desculpas, Freire expõe, para quem quiser ver, a origem de sua imbecilidade política:

Ao dizer que “tudo pode ser verdade” , Freire apenas revela que não possui senso crítico. Qualquer informação ou denúncia que seja negativa para o campo político adversário, ele a tomará como verdade. Alguém que analise seu twitter, ficará horrorizado em ver que ele gasta grande parte de seu tempo destilando rancor na internet. Obviamente, recebe o troco. Militantes políticos rebatem, e o deputado então passa o dia inteiro envolvido no esporte de xingar seus detratores.
Apesar do pano de fundo dessa história ser uma piada, há um lado sério. Freire promove a generalização burra do “lulodilmismo”. Ele não faz um debate político qualificado. Restringe-se a pintar uma caricatura grosseira de seu inimigo. Acabou por fazer uma caricatura de si mesmo, e se tornar motivo de chacota. Bem feito.
Não deveríamos perder tempo com Freire, um político decadente. Ele habita um melancólico limbo político. Seu partido tornou-se uma legenda esquizóide, um emaranhado ideológico incompreensível, cujo única razão de ser é o antipetismo hidrófobo e (para ser delicado) pouco esclarecido de seu presidente. Dante Alighieri escreveu sobre esse tipo de gente, cuja mediocridade os mantêm junto aos portões do inferno, sem sequer a dignidade de habitar algum dos círculos internos. Virgílio, guia do poeta-peregrino nos rincões do mal, assim explica a condição deles:
“Questi no hanno speranza de morte
e la lor cieca vita è tanto bassa
che ‘nvidiosi son d’ogni sorte.
Fama de loro il monde esser non lassa:
misericordia e giustizia li sdegna:
non ragionam di lor, ma guarda e passa” 
Estes não têm esperança de morte,
sua vida cega foi tão  baixa
que tem inveja de todo outro destino.
O mundo não lhes guarda o nome,
misericórdia e justiça os desprezam:
não repare neles, olha e passa.
(Tradução literal minha).
Miguel do Rosário
No O Cafezinho
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O ataque de O Globo à blogosfera

Em editorial publicado hoje (08/05), O Globo, no afã de defender sua comparsa de denúncias e factoides, a revista Veja, sobe o tom dos ataques da mídia corporativa contra a blogosfera (veja reprodução comentada no blog da Maria Frô).
A peça, que vem com as digitais do “imortal” Merval Pereira, intitula-se “Roberto Civita não é Rupert Murdoch”, e é nosso dever admitir que, ao menos no título, está certa. Com efeito, o megaempresário proprietário do jornal sensacionalista News of the World é acusado tão-somente de grampear meio mundo no Reino Unido, enquanto as acusações que pesam sobre a publicação de Civita são muito mais sérias - pois, como aponta Luis Nassif, "A parceria com Veja tornou Cachoeira o mais poderoso contraventor do Brasil moderno, com influência em todos os setores da vida pública".
Quem te viu, quem te vê: O Globo, um jornal sempre tão sensível às denúncias de corrupção, agora que a casa cai descarta como insignificante o envolvimento de Veja com o maior contraventor de nossos dias...

Folha corrida

Em post histórico, Nassif, que tem o mérito indiscutível de ter revelado com grande antecedência o grau de perversidade das práticas de Veja - sofrendo retaliações judiciais e ataques a sua família -, elenca nada menos do que nove suspeitas "que necessitam de um inquérito policial para serem apuradas", advindas das relações da publicação com Daniel Dantas e com Carlos Cachoeira. Há desde invasão de quarto de hotel até publicação de matéria falsa, passando por tentativa de manipulação da Justiça e negligência para informar o público como forma de beneficiar o esquema do bicheiro nos Correios.
Temos, portanto, uma vez mais, de concordar com o perspicaz editorialista: “Comparar Civita a Murdoch é tosco exercício de má-fé”.

Tática desqualificadora

O Globo – que ajudou a repercutir quase todas as denúncias de Veja contra o governo federal – abre o editorial cuspindo fogo: “Blogs e veículos de imprensa chapa branca que atuam como linha auxiliar de setores radicais do PT desfecharam uma campanha organizada contra a revista 'Veja'”.
É a mesma lenga-lenga de sempre, tentar desautorizar a opinião divergente desqualificando-a como ideológica e partidariamente engajada (como se as do jornal não o fossem...). Pior: trata-se de uma dupla mentira. Primeiro, porque qualquer analista que se dedicar a examinar, com isenção, os blogs até agora citados neste post – o de Maria Frô, o de Nassif e este aqui -, além de vários outros, há de constatar a presença de diversos textos críticos em relação ao governo federal (sendo que cansei de ler acusações raivosas, por parte de governistas, a mim e a Frô devido a nossas ponderações).

Jornalismo partidário

A outra mentira é a afirmação de que se trata de uma “campanha organizada”. O que move a maioria absoluta da blogosfera não é uma inexistente palavra de ordem partidária, mas a genuína indignação pelo estado a que chegou o jornalismo brasileiro após uma década de ação irracional, não profissional, esta sim partidarizada (como a própria Judith Brito, executiva do Grupo Folha e sindicalista patronal, admitiu, com a insolência característica).
Uma ação, por um lado, descaradamente engajada na defesa do grande capital, do demotucanato e do mercado financeiro (como a reação ante o corte de juros promovido pelo governo federal ilustra de forma inconteste); por outro lado, hidrófoba no trato com tudo o que diga respeito a avanços sociais, democracia racial e o cumprimento, ainda que tímido, do programa das forças de centro-esquerda que venceram, de forma legítima, as eleições.

Inverdades a granel

Esperar que o editorialista de O Globo admitisse tais fatos seria o cúmulo da ingenuidade. Ao invés disso, ele prefere gastar parágrafos numa digressão sobre ética jornalística em que, citando até os “Prinípios Editoriais das Organizações Globo” - pausa para a gargalhada – faz uma tremenda ginástica verbal para fingir não apenas que os procedimentos de Veja não pertencem à esfera criminal, mas que são eticamente legítimos. Mais cara de pau impossível.
Por fim, o editorial recorre a mais uma inverdade, ao afirmar que “não houve desmentidos das reportagens de 'Veja' que irritaram alas do PT”, emendando com uma das poucas afirmações verdadeiras da peça: “Ao contrário, a maior parte delas resultou em atitudes firmes da presidente Dilma Roussef, que demitiu ministros e funcionários, no que ficou conhecido no início do governo como uma faxina ética.”

Dilma e a mídia

Neste ponto só nos resta lamentar, por um lado, que o editorialista de O Globo trate seus leitores como idiotas, ao negligenciar-lhes o fato óbvio de que houve um cálculo político – em que pesou o receio de que o bombardeio denuncista midiático pudesse afetar a governabilidade e o grau de aprovação da administração – a motivar a decisão de Dilma em relação à maioria das demissões.
Por outro lado – e provando inverídica, uma vez mais, a acusação de chapa-branquismo – é preciso reafirmar nossa posição contrária à maneira como Dilma Rousseff administrou suas relações com a mídia no primeiro ano de seu governo, cortejando-a e cedendo com tibieza às pressões advindas das denúncias e factóides, ao invés de reagir de forma condizente e fazer valer o poder do Executivo no sentido de pressionar por um jornalismo ético.

Crise de confiança

A blogosfera política é muito mais ampla e diversificada do que O Globo quer fazer crer – e ele poderia facilmente constatar tal fato se se propusesse a praticar jornalismo de verdade ao invés de se enlamear em tramas fantasiosas, denuncismo tendencioso e associações suspeitas.
O crescimento e o peso crescente da blogosfera e das redes sociais como fatores de contrainformação não pode ser explicado pela fórmula simplista do engajamento partidário. Tal sucesso advém, em larga medida, justamente da descrença no consórcio Abril-Rede Globo-Grupo Folha, descrença esta que tende a se difundir exponencialmente à medida que as reportagens da TV Record sobre a Veja atingirem um público exponencialmente maior.
Um editorial como o de O Globo de hoje só açula o descrédito e a desconfiança em relação ao jornalismo que o jornal pratica e que endossa.
Maurício Caleiro
No Cinema & Outras Artes
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Civita e Cachoeira queriam derrubar Lula e dar a Serra

O ansioso blogueiro assistiu à entrevista gravada com Fernando Ferro à Record News – clique aqui para ler “Ferro, CPI: Civita é cúmplice” – e se permitiu fazer como o Mino Carta e dialogar com os próprios botões.
(Clique aqui para ver o vídeo da entrevista, no R7.)
Existe um nexo que organiza as atividades agora reunidas sob a CPMI da Veja.
Basta identificar os elementos do conjunto.
Demóstenes e Cachoeira filmam Valdomiro Diniz a chantagear Carlinhos Cachoeira.
Dois anos depois, divulgam a fita na Globo e na Veja, quando Diniz trabalhava no gabinete de José Dirceu.
Dirceu veta nomeação de Demóstenes Torres para o cargo de Secretário Geral de Justiça, onde supervisionária a política governamental para o jogo – legal ou não.
Clique aqui para ler “TV Record melou o mensalão”.
Demóstenes e Cachoeira filmam o ato de suborno nos Correios e dão origem ao mensalão, que, como diz o Mino, ainda está por provar-se.
A Globo e a Veja dão à cena do suborno máxima relevância.
Roberto Jefferson dá “um furo” à Folha e diz que aquilo é o mensalão.
No depoimento à CPI dos Correios, Jefferson apontou para o Palácio do Planalto do Lula e disse “o problema está lá”, ou seja, a roubalheira está lá.
Nessa CPI, o Lula só não caiu, porque o Feijóo não deixaria e o Fernando Henrique disse ao Agripino Maia para deixar o Lula sangrar, sangrar tanto, que chegasse às eleições exangue – e Fernando Henrique voltaria ao poder nos braços do povo (de Higienópolis).
Simultaneamente, o ínclito delegado Protógenes Queiroz investigava o banqueiro condenado por passar bola a um agente da Polícia Federal – clique aqui para ver o vídeo exibido pelo jornal nacional e que o ex-Supremo Presidente Supremo do Supremo ignorou.
Daniel Dantas subornou o policial errado.
Porque Protógenes Queiroz e o destemido Juiz Fausto De Sanctis temeram pelo destino da Satiagraha, depois que um policial agora preso com Cachoeira compartilhou com uma “repórter” da Folha a informação de que a Satiagraha estava para ser deflagrada e a “repórter” avisou Dantas.
Foi preciso “trocar” de delegado e Dantas não foi nada “brilhante” – subornou o falso Protógenes.
Quando Dantas foi preso, aparece no jornal nacional a declaração de um empregado dele: Dantas só tem a temer a Primeira Instância porque, nas mais Altas Instâncias ele “tem facilidades”.
Dantas obteve dois HCs Canguru, num espaço de 48 horas, concedidos por aquele que se tornou famoso como Gilmar Dantas.
Um dos motivos para um dos HC Canguru foi para proteger a supra-mencionada “repórter” da Folha da “sanha” do ínclito delegado Protógenes: uma ameaça à liberdade de imprensa!
Este mesmo Ministro do Supremo aparece num grampo sem áudio em conversa com o senador Demóstenes Torres.
Gilmar Dantas se vale deste grampo sem áudio, divulgado pela Veja de Robert(o) Civita e amplificado pelo jornal nacional, para destituir o ínclito delegado Paulo Lacerda, desmontar a Satiagraha e tirar Daniel Dantas da forca, de novo.
(O então diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, que perseguiu Protógenes Queiroz com dezenas de ações judiciais, ainda não achou esse áudio até hoje.
Recentemente, Corrêa foi dispensado chefia da área de Segurança da Copa, nomeado pelo inesquecível Ricardo Teixeira, por suspeitas de corrupção.)
Nas escutas autorizadas da Satiagraha, aparece um diálogo de Dantas com uma funcionária de seu banco, a discutir sobre quando entrar com HC no Supremo.
Ele prefere entrar quando o Supremo estivesse em recesso, para que a decisão fosse de seu Supremo Presidente de plantão, Gilmar Dantas.
Foi o que se deu.
Uma das “reportagens” de capa da Veja foi a “denúncia” de que Lula tinha conta secreta no exterior.
A reportagem – segundo a própria Veja – foi escrita a quatro mãos por um de seus repórteres (depois assessor de imprensa de Cerra) e Daniel Dantas.
E a própria Veja confessa que não teve como confirmar a informação.
E mesmo assim publicou.
Depois, o senador Heráclito Fortes, que empregava a filha do Fernando Henrique e se notabilizou por liderar a Bancada Dantas no Senado, reuniu em casa para jantar o Daniel Dantas e o então Ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos.
Dantas provou que era um santinho, especialmente entre esfihas e grão de bico com muito azeite.
Hoje, Thomaz Bastos é advogado de Cachoeira.
Que já desistiu da “delação premiada”.
Até aí, amigo navegante, o que se tem é a conjunção de esforços com o objetivo de desmanchar o Governo Lula – através de José Dirceu – e salvar Daniel Dantas, ou seja, o Governo Fernando Henrique, que presidiu a Privataria e nomeou Gilmar Dantas para o Supremo.
Como Advogado Geral da União de Fernando Henrique, Gilmar Dantas deu a substância jurídica para a Privataria.
Depois, o livro do Amaury Ribeiro Junior revelou que o clã Cerra foi quem mais se beneficiou – em dinheiro – da Privataria, a maior roubalheira numa Privataria latino-americana.
A “ação criminosa” que uniu Robert(o) Civita a Cachoeira tinha por objetivo – entre outros muitos – beneficiar a empreiteira Delta.
A empreiteira Delta operava com Cachoeira e o empregado de Robert(o), o Policarpo.
(Na Inglaterra, o Parlamento considerou que Rupert Civita foi “leniente” com a ação criminosa de seus “repórteres”.)
Eram “reportagens” para o Cachoeira e a Delta ganharem dinheiro.
A Delta operava em Goiás, no Distrito Federal, no Rio e no Governo Cerra, em São Paulo.
No auge da campanha presidencial, Cerra precisava de um favorzinho no Supremo e, ao telefone, se dirigiu a Gilmar Dantas como “meu presidente!”.
Demóstenes diz a Cachoeira que “Gilmar mandou buscar” no Supremo um processo que interessava aos negócios de Cachoeira.
Como disse Fernando Ferro, a Veja e Cachoeira pretendiam fazer de Demóstenes, o “Catão do Cerrado”, Ministro do Supremo.
José de Abreu revelou no twitter que Robert(o) Civita disse a um interlocutor que seu objetivo na vida era destruir o Lula.
Numa boa.
Agora, o PiG se fecha em bloco para proteger o Robert(o) Civita.
Tocou nele, tocou em todos nós.
E a vingança será implacável.
A Globo tem sido a mais conspícua defensora do Robert(o).
O Merval (veja o que o Mauricio Dias pensa dele) e a Urubologa acham muito natural jornalista conversar com bandido.
Dar 200 telefones a um mesmo bandido, com a mesma finalidade: derrubar o Lula.
Muito natural.
Como os cem telefonemas que o Eduardo Jorge dava ao Juiz Lalau, da sala ao lado do gabinete presidencial do Fernando Henrique.
Muito natural.
Claro que a Globo tem que defender o Robert(o).
A Globo não tem produção própria.
Ela pega o detrito sólido de maré baixa da Veja e transforma em Chanel # 5.
Sem a Veja e o Chanel # 5 do Ali Kamel, o Golpe ficaria mais fraco.
Caro amigo navegante, não é preciso ter a argúcia de um "colonista" do PiG para perceber.
Por trás dessa grande confusão, é como diz o Amaury das operações de lavagem de dinheiro do clã Cerra na Privataria: era tudo muito simples.
É tudo muito simples.
É só dar o fio que ordena as contas do colar.
O negócio era e é derrubar o Lula e entregar ao Cerra.
A CPI da Veja é a CPI do Golpe.
Paulo Henrique Amorim
No Conversa Afiada
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Mentiras em nome da liberdade de expressão


Mais uma vez o colunista de O Globo, Merval Pereira (na foto de fardão ao lado de tucanos de alta linhagem),  se supera, claro que para baixo. Agora, em comentário sob o título “Pela Liberdade de Expressão”, o jornalista imortal  aborda o tema de forma simplória e tendenciosa.
Ao atacar governos latinoamericanos que julga estarem criando restrições à liberdade de imprensa e de expressão,  Pereira abre as baterias, para variar, contra a Presidenta argentina Cristina Kirchner. 
Aí o colunista de O Globo menciona o que considera “expropriação” da fábrica de papel que estava sob controle do grupo Clarin. Encerra o parágrafo afirmando que a medida faz parte de “uma já longa disputa pelo controle da informação pelo governo de Cristina Kirchner, prosseguindo o projeto que foi iniciado no governo de seu falecido marido Nestor Kirchner”.
Nesta visível demonstração de desacreditar a Presidenta, como se ela não tivesse iniciativa própria, o jornalista imortal omitiu um fato relevante que ajuda a entender melhor o acontecimento.
A fábrica de papel na época da ditadura era de propriedade de empresários que foram reprimidos com extrema violência, um deles assassinado, pelo general Rafael Videla, hoje cumprindo pena de prisão perpétua pelos crimes cometidos neste período, inclusive sumiço de bebês entregues a famílias vinculadas à repressão. A fábrica de papel mudou de proprietário a força e caiu nas mãos do grupo Clarin.
Merval Pereira não mencionou o fato, limitando-se a protestar repetindo os argumentos apresentados pela Sociedade Interamericana de Imprensa e, claro, pelo grupo Clarin.  E quem tiver curiosidade deve consultar a Biblioteca Nacional para verificar qual foi a posição de O Globo sobre a ditadura argentina.
Em relação ao Equador, o perdão de Rafael Correa  de uma multa alta decretada pela Justiça contra o jornal El Universal e um ex-editorialista por difamação ao presidente foi considerado por Pereira, não como um ato de grandeza, mas de fraqueza, para atender à pressão internacional. Pereira culpa Correa por tudo, como se decisão da Justiça dependesse dele, dando a entender que o Poder Judiciário no Equador não é autônomo. 
Em outro trecho, o colunista não faz por menos e sai em defesa incondicional da revista Veja e do chefe de sucursal de  Brasília, Policarpo Junior, envolvido com Carlos Cachoeira de lama.
E, pasmem, Merval Pereira considera ameaça à liberdade de expressão a tentativa de levar a grande imprensa, representada pela revista Veja, à investigaçao na CPI do Cachoeira.
Quer dizer que convocar um jornalista da cúpula de uma revista para esclarecer fatos, inclusive mais de 200 telefonemas trocados com Cachoeira de lama, atenta contra liberdade de expressão?
E parece que o Deputado Miro Teixeira pensa blindar Policarpo Jr, sob a alegação de  preservaçao do sigilo da fonte. Se fizer isso, Teixeira estará se equivocando feio. Fica alinhado com Merval Perera, 
Policarpo é chefe da sucursal e não repórter que teria Cachoeira como fonte. Como bem lembrou recentemente o atual Ministro do Trabalho, Brizola Neto, em sua coluna “Tijolaço”, Policarpo “é alguem, que pelo seu cargo, tem relações diretas com a administração empresarial da revista”.
Tem trechos de papos telefônicos em que Cachoeira de lama falando com Claudio Abreu, um mafioso do time do meliante, fica feliz com matérias da revista Veja, inclusive a que resultou na queda de Luiz Antonio Pagot chefe da diretoria geral do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit), que estava atrapalhando os negócios da construtora Delta. Coincidência?
A Polícia Federal localizou o vínculo ao fazer o grampo, permitido pela Justiça, de Cachoeira de lama. Seria absolutamente normal a convocação de Policarpo, da mesma forma que o dono da publicação, Roberto Civita, em função da gravidade do caso. Nada a ver com algo atentatório à liberdade de expressão.
Como o poder de manipulação da mídia de mercado é forte, amanhã,  se acontecer a convocação de Policarpo pela CPI, protestos vão surgir vindos de diversos lados, não só de Merval Pereira como da Sociedadde Interamericana de Imprensa, por exemplo. Se a CPI for séria mesmo terá de convocar Policarpo e muito mais gente considerada acima de qualquer suspeita, como o governador Sergio Cabral.
No artigo, Merval destila ódio contra a “democratização da comunicação” atribuindo a ideia ao Partido dos Trabalhadores.
Merval desconhece que a democratização dos meios de comunicação é algo em debate há vários anos por inúmeras entidades representativas dos movimentos sociais.
O PT tem todo o direito de apoiar, como outros partidos e parlamentares, como, por exemplo, Brizola Neto, que já se posicionou nesse sentido em sua coluna na internet em várias ocasiões.
Mas se o leitor imagina que as observações do jornalista imortal pararam  por aí em matéria de manilpuação, engana-se  O colunista reviveu, por exemplo, a proposta do Conselho Nacional de Jornalismo, atribuindo a ideia, mais uma vez erradamente, ao governo Lula. A proposta, repudiada antes mesmo de ser debatida,  foi uma iniciativa da diretoria da Federação Nacional de Jornalistas e não do govenro Lula, como “informou” (só pode ser entre aspas mesmo) Merval Pereria.
Não por acaso, na mesma edição de sexta-feira, 4 de maio, o jornal O Globo publicava na página internacional um artiguete, estilo tijolaço, com o título “Cerco”, apresentando o resultado de uma reunião em Santiago do Chile de associações patronais midiáticas de seis países, entre eles o Brasil, representado pela Associação Nacional de Jornais (ANJ). Foi divulgado então um documento  sobre “o agravamento do cerco à liberdade de imprensa” e assim sucessivamente.
E também, não por acaso, logo abaixo do comentário aparece matéria procedente de Caracas mostrando que “Chávez tem fratura no fêmur, diz jornalista”. A tônica da “notícia” repete a de outros dias com base nas elocubrações do blogueiro venezuelano Nelson Bocaranda, um jornalista vinculado aos movimentos anticastristas de Miami.
Por sinal, Bocaranda de vez em quando “informa”com base no que escreveu Merval Pereira sobre a doença de Chávez e vice-versa. Os dois se entendem muito bem, só falta agora Bocaranda aparecer no Brasil convidado pelo Instituto Millenium e, quem sabe, proferir uma palestra no Clube Militar, como faz de vez em quando Merval Pereira e é  aplaudisíssimo pelos militares da reserva que tinham postos de comando durante a ditadura, alguns deles executores do esquema da repressão.
Por estas e muitas outras, a democratizaçao dos meios de comunicação é uma necessidade, exatamente para que os brasileiros possam ter mais e mais veículos para se informar e formar opinião. Até porque, como o acesso à informação é um direito humano, tudo deve ser feito para o seu aperfeiçoamento, quer queira ou não Merval Pereira e o patronato midiático manipulador.
Na verdade, Pereira mistura propositalmente as bolas. O que ele defende mesmo é a liberdade de empresa e não a de imprensa. Desta forma vai tentando enganar incautos, seguindo a linha de seu jornal e das Organizações com o mesmo nome.
Mário Augusto Jakobskind
No Direto da Redação
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Coragem é a marca do governo Dilma

Os bancos já estão chiando contra a cruzada da presidente Dilma Rousseff para baixar os juros e aumentar o crédito. É normal, é um bom sinal. O sistema financeiro estava habituado há tanto tempo a nadar de braçada e impor ao país a sua própria "política econômica", que não se poderia esperar outra coisa.
A melhor prova de que a presidente mexeu numa ferida, e está certa na sua decisão, é que os bancos já convocaram seus "consultores" e "especialistas", todos muito bem remunerados, para criticar as medidas do governo em jornais, revistas e emissoras.
Para não dar muito na vista, eles qualificam as medidas como "populistas", de um lado; de outro, imaginem, eles se mostram preocupados com os pequenos poupadores após as mudanças introduzidas semana passada no rendimento das cadernetas de poupança.
Com Dilma não tem tema tabu nem áreas em que é melhor não mexer só porque, afinal, "foi sempre assim". No encontro que teve na semana passada com empresários para explicar as novas regras da poupança, ela cortou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que queria fazer média ao apoiar as medidas tomadas aproveitando um momento de alta popularidade da presidente.
"Eu tenho que fazer as coisas que entendo que deva fazer, independentemente dos índices de popularidade".
Tem sido assim desde a sua posse. Antes de completar um ano e meio no gabinete presidencial do Palácio do Planalto, Dilma Rousseff já está deixando a sua marca.
Se o governo Fernando Henrique Cardoso foi marcado pela estabilização econômica e o do presidente Lula pela inclusão social de mais de 30 milhões de brasileiros, o de Dilma vem sendo caracterizado pela coragem ao enfrentar obstáculos dentro e fora do governo para o desenvolvimento do país, que não são poucos. "A vida quer é coragem" - não por acaso, este é o título do ótimo livro de Ricardo Amaral sobre a trajetória política e pessoal da presidente Dilma Rousseff.
Foi assim na chamada "faxina ética", que marcou seu primeiro ano de governo, sem medo de enfrentar o descontentamento de líderes dos partidos da sua base aliada. E será assim de novo, quando vetar pontos do novo Código Florestal aprovado por ampla maioria na Câmara.
"Fazer o que tem que ser feito" parece ser o seu lema, até com assuntos delicados como o da Comissão da Verdade, que deverá ser instalada ainda este mês. Os nomes já estão sendo definidos. O fato é que a mulher presidente vem fazendo coisas que seus antecessores homens não tiveram coragem de fazer.
Quem a conhece sabe que Dilma não tem medo de cara feia. Ainda na semana passada, quando recebeu um aviso dos barões da mídia, repassado pelo vice presidente Michel Temer, de que eles aceitariam a convocação de jornalistas da "Veja" na CPI, mas não a do dono da Editora Abril, Roberto Civita, respondeu com apenas duas palavras: "Problema deles".
Afinal, não é a presidente da República quem convoca ou deixa de convocar alguém para depor na CPI e, além do mais, ela vem mantendo uma saudável distância dos trabalhos da comissão.
Em pleno funcionamento de uma CPI, cuja instalação foi apoiada pela base do governo, o que não é muito normal, Dilma continua tocando a sua agenda sem dar muita bola para os embates no Congresso Nacional. "O governo tem que governar. Cepeizar é com o Congresso", ouvi de um importante interlocutor da presidente na minha passagem pelo Palácio do Planalto na semana retrasada.
Na outra ponta, em que a oposição perdeu completamente o discurso da moralidade, depois da descoberta da parceria Demóstenes-Cachoeira, o eterno presidente do PPS, Roberto Freire, usou o twitter para atacar o governo e cair no ridículo.
"Isso é uma ignomínia! Dilma pede e B.C. (Banco Central) coloca em circulação notas com a frase "Lula seja louvado"", repicando piada do site de humor G17, sem se dar conta de que a "notícia" era uma brincadeira.
Seria bom também alguém avisar Roberto Freire que é falso o Facebook criado com o nome da presidente Dilma, citado hoje na coluna de José Simão, na "Folha". É uma brincadeira a frase que ele reproduziu, mas não deixa de expressar um sentimento verdadeiro para quem convive com Dilma no Palácio do Planalto.
"Se fosse para ser simpática, seria guia da Disney, e não presidenta".
Por mais que às vezes seja difícil, só não podemos perder o bom humor.
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Fontes corruptas são corruptoras; submeter-se a governos é aceitar suborno

No exato momento em que a CPMI do Congresso inicia formalmente o trabalho de investigação do escândalo Cachoeira e todos os seus desdobramentos, convém lembrar que a mídia sempre foi uma entusiasmada parceira e beneficiária dos arapongas (públicos ou privados) produtores de fitas, vídeos e dossiês secretos.
A expressão “jornalismo fiteiro”, cunhada no Observatório da Imprensa há mais de uma década [ver abaixo], não surgiu por acaso: inspirou-se na dobradinha prazenteira em que a fonte oferece bombásticas revelações desde que o jornalista privilegiado garanta não apenas o seu anonimato, mas também uma cortina de fumaça sobre os procedimentos que envolveram o vazamento das denúncias.
Nestes três lustros de denuncismo ensandecido, a mídia brasileira não parou uma única vez para discutir a promiscuidade entre jornalistas, corruptos e corruptores. Calou-se e sacramentou o vale-tudo. Se o tivesse feito uma única vez – no caso de Waldomiro Diniz, por exemplo –, teria interrompido a produção e o fluxo do material “fiteiro”, já que a arapongagem brasiliense trabalha num sistema de vasos comunicantes ao qual não estão alheios alguns repórteres ditos investigativos.
Um mínimo de transparência e nossa imprensa hebdomadária seria salva da tentação marrom que a avacalha implacavelmente. A amoralidade é a-ideológica. Em ambientes altamente impregnados pelas toxinas do poder, como é o caso de Brasília, o embate ideológico é reduzido, importam mais as conexões e os alvos invisíveis.

Aética e acrítica


Os editores de Veja abusaram do seu poder de fogo e da prática de acionar a metralhadora antes de perguntar quem vem lá. Algumas vezes ofereceram evidências consistentes embutidas na vociferação panfletária – caso da ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra e mais recentemente da cúpula do DNIT. Geralmente, contentavam-se com a panfletagem.
Mesmo quando a concorrente IstoÉ embaralhou-se com a publicação de um dossiê pago por falsários – caso dos “aloprados”, em setembro de 2006 –, as cobranças concentraram-se nos supostos mandantes e na acirrada disputa eleitoral [ver, no Observatório da Imprensa, “Jornalismo de quinta categoria” (26/09/2006), "A imprensa e os aloprados" (26/9/2006) e “Só a crítica genuína acabará com o ‘jornalismo fiteiro’”]. O comportamento indecoroso do rival foi omitido porque o pacto de silêncio adotado pelo patronato midiático não permite qualquer questionamento sobre a conduta jornalística dos pactuantes. Mesmo quando apostam suas fichas em interesses opostos.
Fontes corruptas são inevitavelmente corruptoras. A submissão a partidos, governos e religiões é uma forma disfarçada de embolsar propinas e aceitar suborno.
Nesta escuridão aética e acrítica só pode prosperar uma espessa promiscuidade entre a sede denuncista e a fome pelo poder. Ambas insaciáveis. Os holofotes, embora tardios, são bem-vindos. Desde que dispostos a esquadrinhar os desvãos, sótãos e porões onde se aninham os vermes que corroem os restos da “última profissão romântica”.
***
A capa de CartaCapital comparando Roberto Civita a Rupert Murdoch é uma vendeta pessoal. Indecente.
Alberto DinesNo Observatório da Imprensa
A mídia e o jornalismo fiteiro – livro em PDF com coleção de artigos
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Por que a Veja ainda não demitiu Policarpo Junior?

A Veja deveria ser coerente com seu histórico de arrogância e usar contra o diretor da revista em Brasília, Policarpo Junior, os mesmos métodos fascistas e truculentos que a consagraram como Diário Oficial da Nova Inquisição. Nem que fosse por hipocrisia, outra marca do semanário da família Civita.
A credibilidade desse jornalista virou pó. Se ele fosse ministro do governo Dilma, estaria queimando numa fogueira de denúncias em praça pública. Mas não. Sabe o que Veja fez no primeiro dia útil deste 2012? Promoveu Policarpo a redator-chefe, ao lado de Thaís Oyama, Fábio Altman e Lauro Jardim, com a saída de Mário Sabino no último dia de 2011.
Voltemos ao caso em questão.
Não há mais dúvidas de que a relação do escrevinhador com o bicheiro Carlos Cachoeira foi criminosa ou, no mínimo, promíscua e incompatível com o mais frouxo dos códigos de ética jornalística.
Não param de vir à tona novos fatos que comprovam que Policarpo era usado como porta-voz e escriba dos interesses do crime organizado. Leia aqui.
Para a sociedade, o cara já está morto profissionalmente. Ele não passa de aspone de contraventor. Mais que uma fonte, Cachoeira praticamente pautava a publicação, sempre a partir dos interesses mais espúrios. Gravações telefônicas grampeadas pela Polícia Federal, com autorização da Justiça, deixam isso muito claro.
O mais provável é que a Veja entregue a cabeça de seu colaborador numa bandeja de prata, mas com fundo falso. O cara vai cair pra cima. Deve ganhar algum cargo corporativo e ser colocado na geladeira, longe da redação. Uma espécie de exílio na Sibéria, só que numa sala com ar condicionado e secretária. Logo a Veja, que critica tanto o stalinismo e aqueles que reescrevem a história queimando arquivos e apagando seus crimes e erros.
O jornalismo “investigativo” dos Civita foi feito com informações repassadas por um bicheiro com o único objetivo de beneficiar um grupo criminoso. Para aplicar essa “política editorial”, recrutaram mentirosos, arapongas e gente desqualificada. Eles devem explicações não só a seus leitores, mas à opinião pública.
É preciso insistir neste assunto, diante do pacto de silêncio decretado pela chamada grande mídia. Nós não veremos nem ouviremos nada sobre isso na Folha de S.Paulo e nas Organizações Globo.
Por que essa blindagem, essa cortina de fumaça, esse cordão de isolamento? São perguntas sérias, que a CPI do Cachoeira, instalada em Brasília, tem a obrigação de responder. E nós, a de cobrar.
Marco Antônio Araújo
No Blog do Saraiva
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Roberto Civita não é Rupert Murdoch?

Leandro Fortes comenta no Facebook o editorial d'O Globo "Roberto Civita não é Rupert Murdoch":
O império contra-ataca, da forma caricatural de sempre:
1) O Globo classificar qualquer imprensa de "chapa-branca" é, por si só, uma piada;
2) Essa defesa da "liberdade de expressão" é uma piada e meia: foi a direção de O Globo que censurou, há pouco mais de um mês, o Blog do Moreno, do jornalista Jorge Bastos Moreno, um dos decanos da empresa, por ter postado a informação de que Policarpo Jr., da Veja, havia trocado 200 telefonemas com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Se, como diz o editorial, não havia nada demais, por que houve a censura?
3) Num trecho do editorial se lê: "Até aqui, nenhuma das gravações divulgadas indica que o diretor de 'Veja' estivesse a serviço do bicheiro, como afirmam os blogs, ou com ele trocasse favores espúrios". Bom, primeiro, não são os blogs que afirmam, mas a Polícia Federal. E, pelo jeito, o editorialista de O Globo não leu uma única página do inquérito da Operação Monte Carlo, ao que parece.
4) Comparar a relação da Veja com Cachoeira à relação do Washington Post com o "Garganta profunda", no caso Watergate, nem piada é: é deboche mesmo.
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Parlamentares defendem investigar a Veja na CPI

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Globo responde a Record e CartaCapital e sai em defesa de Veja

As Organizações Globo não demoraram a responder às duas reportagens contundentes da TV Record e de CartaCapital que mostraram as ligações perigosas entre a revista Veja e o bicheiro Carlinhos Cachoeira, alvo de uma CPMI no Congresso Nacional.
Em editorial publicado hoje em O Globo (o órgão-pai das Organizações), partiram para o ataque, curiosamente utilizando a mesma linguagem do semanário de Civita:
"Blogs e veículos de imprensa chapa branca que atuam como linha auxiliar de setores radicais do PT desfecharam uma campanha organizada contra a revista "Veja", na esteira do escândalo Cachoeira/Demóstenes/Delta" - começa o editorial.
E segue repetindo a mesma ladainha de Veja, de que as relações entre repórter e fonte (que se arrastam há pelo menos cinco anos) são apenas isso, jornalismo, e não há nada de reprovável nelas.
Isso deve animar ainda mais a mídia corporativa. Folha e Estadão devem ter entendido o recado e podem partir para ataque similar logo, logo.
A mídia corporativa, como era de se esperar, se junta - ainda que seja um abraço de afogado. Ao sair em defesa de Veja, as Organizações Globo se arriscam a descer correnteza abaixo, assim que vierem a público as ligações entre o diretor de Veja Policarpo Junior e o bicheiro Carlinhos Cachoeira.
No Blog do Mello
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A CPI Murdoch e a CPI Civita

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Charge online - Bessinha - # 1231

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Delegado Paulo Lacerda espera pedido de desculpas de Gilmar Mendes e Demóstenes

Paulo Lacerda
Agência Brasil
O delegado Paulo Lacerda, que por seis anos e meio dirigiu a Polícia Federal e a Abin durante os governos Lula, aguarda um pedido de desculpas. Ele espera (talvez sentado) que Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e o senador Demóstenes Torres reconheçam as respectivas responsabilidades nos seus dois anos e meio de exílio.
Início da tarde de 9 de setembro de 2008. A sessão vai começar em instantes. O delegado Paulo Lacerda, diretor da Abin, está na ante-sala da Comissão Mista das Atividades de Inteligência do Congresso Nacional. Uma dezena de parlamentares na sala. Sorrateiro, quase sem ser notado, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), ex-secretário de Segurança Pública de Goiás, aproxima-se de Paulo Lacerda e diz:
- Eu o conheço. Sei que o senhor é um homem sério e, com certeza, não está envolvido com estes fatos, com grampos. Estou aqui pessoalmente para lhe prestar minha solidariedade e demonstrar o meu apreço…
Exatos dois meses antes, a Polícia Federal havia prendido o banqueiro Daniel Dantas na Operação Satiagraha, comandada pelo delegado Protógenes Queiroz, hoje deputado federal do PCdoB (SP).
No rastro da operação, e tornados personagens de reportagem da Revista Veja de 3 de setembro, o senador Demóstenes Torres e Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), denunciaram: tinham sido grampeados pela Agência Brasileira de Inteligência, a Abin, dirigida por Paulo Lacerda.
O juiz Mendes, em companhia de outros ministros do STF, fora ao Palácio do Planalto "chamar o presidente Lula às falas". Paulo Lacerda seria temporariamente suspenso de suas funções; depois, sob intensa pressão política, seguiu para o exílio. Por quase dois anos e meio, com a família junto, Paulo Lacerda foi Adido Policial na embaixada do Brasil em Portugal.
Nessa tarde de 9 de setembro de 2008, Lacerda ouve, perplexo, a manifestação de solidariedade sussurrada por Demóstenes, justamente um dos homens que o acusam de ter comandado grampos durante a Satiagraha. Acusam-no de ter ordenado, ou permitido, escuta ilegal contra um senador da República e um ministro do Supremo Tribunal Federal.
Recuperado da surpresa, percebendo a pressa de Demóstenes, prestes a deixar a sala, Paulo Lacerda responde ao senador:
- Que bom que o senhor pensa assim, que vê as coisas desse modo. A sessão já vai começar e aí o senhor terá a oportunidade de dizer isso, de dizer a verdade, e esclarecer as coisas…
- Tenho um compromisso, vou dar uma saidinha, mas voltarei a tempo – promete o senador Demóstenes Torres.
A sessão arrastou-se por horas. O senador Demóstenes, o acusador, não voltou.
Naquela tarde, o delegado Lacerda foi duramente questionado. E acusado de ter montado um esquema de grampos ilegais na Abin. Em vão, ele repetia:
- Não comandei, não participei, não compactuei, nem tomei conhecimento de qualquer ilegalidade no procedimento da Abin…
Naquele dia, a estrela da comissão foi o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM). Às 16h53, Virgílio perguntou a Paulo Lacerda se o ministro da Defesa, Nelson Jobim, tinha mentido ao dizer que a Abin possuía "equipamento de escutas". Lacerda pediu ao senador para "fazer a pergunta a Jobim".
Levemente exaltado, com um tom avermelhado na pele, o político amazonense bradou: disse não ser um "preso", nem estar "pendurado" num pau-de-arara. E que Paulo Lacerda não estava "numa delegacia" e, sim, numa sessão do Congresso. Como acusado.
Fim da sessão. O senador Arthur Virgílio se aproxima de Paulo Lacerda e discorre sobre o que é a política:
- O senhor entende… eu sou da oposição, temos que ser duros…
Paulo Lacerda é o delegado que comandou a prisão de PC Farias e a investigação do chamado "Caso Collor", quando mais de 400 empresas e 100 grandes empresários foram indiciados num inquérito de 100 mil páginas. Tudo, claro, dormitou nas gavetas do Judiciário, ninguém acompanhou nada e tudo prescreveu.
Anos depois, no governo Lula e com o Ministério da Justiça sob direção de Márcio Thomaz Bastos, por quase cinco anos Paulo Lacerda dirigiu – e refundou – a Polícia Federal. A PF teve, então, orçamento que jamais teve ou voltaria a ter.
Mais de 5 mil operações foram realizadas, centenas de criminosos de "colarinho branco" foram presos, o PCC foi atacado em seu coração financeiro. Na Satiagraha, a PF, já sob direção de Luis Fernando Correa, dividiu-se. Uma banda trabalhou para prender Daniel Dantas e os seus. Outra banda trabalhou contra a Operação; com a estreita colaboração, digamos assim, de jornalistas e colunistas que seguem por aí.
Paulo Lacerda, no comando da Abin, foi acusado por um grampo que nunca ninguém ouviu, que, pelo até hoje se sabe, nunca existiu. Demóstenes e Gilmar Mendes, por exemplo, nunca ouviram o suposto grampo; souberam por uma transcrição.
De resto, aquele teria sido um grampo inédito na história da espionagem. Não flagrou nenhum conversa imprópria. Um grampo a favor.
A Polícia Federal, ao investigar o caso, não encontrou vestígio algum de grampo feito pela Abin. Mas, claro, a notícia de inexistência do grampo saiu em poucas linhas, escondida, aqui e ali.
Quase quatro anos depois, caiu a máscara de Demóstenes Torres, o homem de muitas faces. Uma delas abrigava em seu gabinete uma enteada do amigo, o ministro Gilmar Mendes.
Paulo Lacerda voltou do exílio. Toca sua vida. E aguarda que Demóstenes Torres e Gilmar Mendes, entre tantos outros, lhe peçam desculpas.
Bob Fernandes
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Juros encabrestados

A presidente teve a coragem de enfrentar a bancada da Febraban e os famosos analistas econômicos dos grandes jornais, tão interessados em defender as corporações financeiras, e tão pouco empenhados em defender o desenvolvimento econômico do país.
Não há melhor definição da importância e da perversão dos bancos do que a de um comitê de intelectuais – entre eles editores de jornais – que se reuniu em março de 1829, na cidade de Filadélfia. Depois de uma semana de discussão, o comitê redigiu sua conclusão sobre o sistema financeiro, por unanimidade. O sumo do documento foi publicado por The Free Advocate em sua edição semanal de 9 a 16 de maio do mesmo ano:
“Que os bancos sejam úteis como instituições de depósito e transferências, nós podemos admitir prontamente, mas não podemos concordar que esses benefícios sejam tão grandes como para compensar os males que produzem, ao criar artificial desigualdade de riquezas e, dessa forma, artificial desigualdade de poder. Se o atual sistema bancário e de papel moeda ampliar-se e perpetuar-se, os trabalhadores devem abandonar todas as esperanças de adquirir qualquer propriedade”.
Do Comitê participavam dois economistas destacados e editores de jornais, William Gouge, da Philadelphia Gazette, e Condy Raguet, do Free Trade Advocate; William Dune, velho jornalista jefersoniano; o filantropo Robert Vaux, Ruben Whitney, ex-diretor do Banco e os líderes sindicais William English e James Ronaldson. O encontro foi registrado por Arthur M. Schlesinger, Jr. em seu estudo clássico sobre o período, “The Age of Jackson”, publicado em 1945.
O formato atual do sistema se iniciou durante o mercantilismo europeu, com o surgimento de agentes financeiros, que emitiam notas de câmbio descontadas por seus correspondentes nas principais praças comerciais do continente, e se desenvolveu a partir do Renascimento, com as casas bancárias de Veneza e Florença, no Sul, e de Hamburgo e Amsterdã, no Norte.
O acúmulo de recursos lhes permitiu envolver-se com a política, no financiamento dos estados nacionais, como ocorreu na Guerra dos Cem Anos, quando banqueiros florentinos, os Bardi e os Peruzzi, emprestaram um milhão e duzentos mil florins de ouro a Eduardo III, a fim de custear o início da Guerra dos Cem Anos, no século 14.
Os Fugger da Alemanha, os maiores capitalistas do século seguinte, foram banqueiros dos papas, encarregando-se de recolher e administrar o dinheiro das indulgências vendidas pelo Vaticano e dos impostos cobrados pelos estados pontifícios.
O libelo dos cidadãos de Filadélfia continua atual. Os bancos não só patrocinam a desigualdade social, ao destinar os recursos dos estados e do povo aos próprios negócios, e no financiamento aos milionários, mas também os utilizam para eleger seus delegados aos parlamentos e, assim, frequentemente corromper e controlar o poder político. Assim, os governantes atuam em sua defesa, como ocorreu em nosso país com o Proer e a entrega de bancos nacionais aos estrangeiros por preços simbólicos, como ocorreu na “venda” do Bamerindus, do Banespa e de outras instituições. O Santander é um exemplo: seu último balanço exibe resultados superiores a duas vezes os seus ativos no país.
Na Europa, como sabemos, os governos emitiram um trilhão de euros e os entregaram ao BCE, para recuperar a economia continental. Em lugar de fazê-lo, a instituição os repassa aos bancos privados a juros de 1% ao ano, a fim de que estes emprestem aos estados em dificuldades - mas a taxas de 6 a 8,5% ao ano. Para honrar esses juros, os governos cortam na saúde, na educação, nos investimentos produtivos, levando o desemprego ao paroxismo, e multiplicando a miséria, como está ocorrendo na Espanha, na Grécia e em Portugal.
No Brasil, a audácia dos banqueiros privados vai além de toda a cautela. Os juros cobrados dos mais pobres – os que são compelidos a valer-se dos empréstimos de curto prazo, mediante o cheque especial, e do refinanciamento das faturas dos cartões de crédito – são infernais: 238% ao ano, no caso dos cartões, e de 185% nos cheques especiais.
Para que tenhamos uma idéia do assalto: na Grã Bretanha, com as dificuldades conhecidas, os juros sobre as faturas não saldadas dos cartões de crédito não ultrapassam 30% ao ano, ou seja, são de cerca de 1/8 das taxas cobradas em nosso país.
A presidente teve a coragem de enfrentar a bancada da Febraban e os famosos analistas econômicos dos grandes jornais, tão interessados em defender as corporações financeiras, e tão pouco empenhados em defender o desenvolvimento econômico do país. Suas providências técnicas, como a da redução dos juros pagos às cadernetas de poupança – em proporção insignificante, mas suficiente para empurrar as taxas de remuneração das aplicações financeiras para baixo, não prejudicam os clientes dos bancos, mas impõem uma sensível redução do spread. Enfim, encabresta os agiotas do sistema bancário, tão danosos ao país quanto a organização de Carlos Cachoeira.
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