7 de mai de 2012

O dia em que Policarpo salvou Cachoeira

Jornalista diz ter gravações de conversas de André Luiz

José Carlos Oliveira
Direito2
Começou há pouco reunião do Conselho de Ética da Câmara, que investiga a acusação de extorsão feita pelo empresário de jogos Carlos Cachoeira contra o deputado André Luiz (sem partido-RJ). Neste momento, presta depoimento o editor especial da revista Veja Policarpo Júnior, que afirmou possuir um CD com cerca de cinco horas de gravação de conversas de André Luiz com emissários de Cachoeira. Em uma das conversas, o deputado teria pedido a Cachoeira R$ 4 milhões para evitar a inclusão de seu nome no relatório da CPI da Loterj, da Assembléia Legislativa do Rio.
Policarpo afirmou também que, antes de publicar as gravações, a revista submeteu a fita ao perito Ricardo Molina, da Unicamp, que atestou sua autenticidade. Daqui a pouco, o próprio Molina vai prestar depoimento.
Daniel VM e José Carlos Lima
No AdVivo

Editor de Veja defendeu Cachoeira no Congresso


A matéria da Agência Câmara, abaixo, foi sugerida pelo Biruel e é de fevereiro de 2005. Ela mostra Policarpo Júnior, editor de Veja, defendendo Carlinhos Cachoeira em depoimento dado ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. Leia a íntegra da nota, veja o vídeo e tire suas próprias conclusões.
Novos depoimentos dificultam a situação do deputado André Luiz, acusado de tentar extorquir o empresário de jogo Carlos Cachoeira. O Conselho de Ética ouviu hoje o perito Ricardo Molina, da Unicamp, que analisou a gravação da conversa entre o deputado e Cachoeira. E o jornalista Policarpo Júnior confirmou a existência de outras gravações que comprometem o deputado.
No Blog do Rovai

É o crime organizado mandando ver. Bando de safados. Alguém tem o vídeo do Policarcarpo Jr prestando depoimento na CPI da Loterj. Quer dizer que naquela época o mundo não caiu por causa da sua ida à CPI, agora não pode né. Com uma rápida busca no Google achei isso sobre a ida de Policarpo à CPI da Loterj para livrar o Cachoeira do xilidró. Como se sabe, a CPI já havia sido encerrada, a prisão de Cachoeria havia sido decretada mas a matéria falsa da Veja, com a mãozinha de PJ, livrou o contraventor da prisão:

Marcos Abrahão e Policarpo Júnior vão depor no Caso Calazans

MARCOS ABRAHÃO E POLICARPO JUNIOR SÃO OS PRÓXIMOS A DEPOR NO CASO CALAZANS A Comissão de Constituição e Justiça da Alerj ouviu, nesta quarta-feira (02/03), o depoimento do ex-presidente da Loterj e atual secretário estadual de Administração, Rogério Vargas, para a investigação de quebra de decoro parlamentar do deputado Alessandro Calazans (sem partido). A reunião também definiu os próximos depoentes. A pedido da defesa de Calazans, o deputado Marcos Abrahão (sem partido) falará à Comissão na próxima terça-feira (08/03). E a pedido do relator, deputado Noel de Carvalho (PMDB), será agendado o testemunho do jornalista Policarpo Júnior, da revista Veja, autor do texto que deu início às denúncias de irregularidades na CPI da Loterj. O depoimento de Rogério Vargas não acrescentou novidades à investigação. Apesar de afirmar conhecer Alessandro Calazans (sem partido) há aproximadamente 10 anos, o secretário disse não ter relações pessoais com o deputado. Vargas também afirmou não conhecer Jairo Martins, assessor do deputado federal Carlos Rodrigues (PL) que foi gravado, em conversa com Calazans, supostamente negociando a retirada do nome de Carlos Augusto Ramos do relatório final da CPI. "Nunca encontrei com ele. Sequer sabia que era assessor do parlamentar", afirmou. Rogério também desconhecia que seu nome havia sido citado no relatório da CPI e, posteriormente, retirado a pedido de Calazans, então presidente da comissão. No fim dos trabalhos, Calazans, através de seu advogado, pediu que fosse arrolado, como testemunha, o deputado Marcos Abrahão, alegando que o parlamentar tem dados a acrescentar à investigação. Os deputados aceitaram o pedido por 5 votos a 1. Durante a reunião, o relator da Comissão pediu que também fosse chamado para depor o jornalista Policarpo Júnior. Segundo Noel, o repórter tem muito a dizer. "Conversei com o Policarpo e ele disse que tem cinco horas de gravação, sendo que uma hora é inédita e ainda vai ser objeto de matéria da revista. Com certeza ele tem histórias interessantes para contar, que podem ser esclarecedoras para nós", afirmou o deputado. Também foi discutida uma nota, apresentada pela bancada do PT, com quatro considerações sobre o processo. Dois pontos foram acatados pelo presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani (PMDB): a remessa, para a Comissão, da relação de viagens do deputado Alessandro Calazans no ano de 2004 e o registro de entrada nos prédios da Alerj no dia 17 de agosto, para averiguar se Jairo Martins, que supostamente teria conversado com Calazans em seu gabinete, esteve na Casa. Foram negados pela CCJ os pedidos de que não haja uma nova perícia na fita com a denúncia, e que as testemunhas Alexandre Chaves Ribeiro e Jairo Martins de Souza sejam ouvidas em seus domicílios. Segundo Noel, o processo não ficará falho sem os depoimentos. "Pediremos provas emprestadas ao Conselho de Ética da Câmara Federal", afirmou.
No Alerj
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Desmanche

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Alckmin e o vale tudo na notícia: Lula Seja Louvado

 Atualizado às 22h15min 

O Twitter de Geraldo Alckmin é fake!

O deputado federal Roberto Freire (PPS), pagou "mó mico" de todos os universos hoje, no Twitter e que tais, ao comentar para seus mais de 14 mil seguidores uma pérola criada pelo não menos magnífico G17:
Seria cômica se não fosse tão trágica a falta de conhecimento estrutural do Sr. Roberto.
Porém, para compensar tamanha expertise, um buraco mais fundo surgiu há pouco. Olha só a "catiguria" da defesa do nosso distinto senhor governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, depois da vergonha total, ampla e irrestrita pela qual passou seu fiel correligionário Roberto Freire.
Disse Alckmin no Twitter:
Fala aí, gente do bom jornalismo, isso não explica a preferência de Alckmin e confrades pela Veja e afins?
Vale o repeteco, em cor condizente, só para firmar bem a lógica do governador de São Paulo:
"Ninguém é obrigado a verificar a veracidade da notícia antes de publicá-la."
Geraldinho liberou geral.
Cachoeira seja louvado...
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Ditadura gay? O que está em construção é uma ditadura evangélica

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Charge online - Bessinha - # 1230

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Pega na curva

Por 3 votos a 2, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) cassou liminar anteriormente concedida pelo ministro Albino Zavascki e mandou executar dívida de R$24 bilhões que a Vale tem com a Fazenda Nacional, principalmente de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica(IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido(CSLL).
Evidentemente, essa é o tipo da notícia que não sairá na Futrica Barbálhica (Diário do Pará) temerosa que deve estar de ver uma fábula ter que ser devolvida aos seus verdadeiros donos - os contribuintes - quando podiam ter uma parte abastecendo os cofres do "coronel" Barbalho e seus projetos pilantrópico/políticos, principalmente com o financiamento de campanha eleitoral de uma chusma de patifes espalhados por todo o Estado.
No Ilharga
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Encontrado deputado que nunca telefonou para Cachoeira

Diocleciano, ao fundo, coordena uma reunião com seus assessores
BRASÍLIA - Um movimento civil, formado por programadores do Google, cães farejadores e gandulas do Botafogo logrou êxito na missão de encontrar um parlamentar sem ligações com Carlinhos Cachoeira. "Foram meses e meses de buscas. Dormimos pouco, passamos fome e privações terríveis. Abrimos mão até das verbas indenizatórias e pensamos em desistir, mas perseveramos. Finalmente, podemos mostrar à sociedade que existem pessoas de bem na política", explicou Luciano Huck, idealizador da caçada, vestido com casaco xadrez e chapéu de feltro, enquanto inspecionava os repórteres com uma lupa.
Diocleciano Maria dos Prazeres (sem partido), de 84 anos, foi descoberto enquanto batia à máquina memorandos para o mimeógrafo dos Centros Populares de Cultura (CPCs). O parlamentar, que entrou como segundo substituto de um suplente de um ex-cunhado de Sarney, disse que não faz uma ligação telefônica desde 1988. "Minha esposa insistiu para eu aderir à tecnologia. Pressionado, comprei recentemente um teletrim", alegou.
Ao ser perguntado sobre Carlinhos Cachoeira, Diocleciano franziu a testa: "Conheço o Carlinhos da mercearia. Ele sempre me manda um telegrama quando sai pão quente. É esse?", perguntou, solícito.
Emocionado, Luciano Huck prometeu que reformaria o apartamento funcional e a lataria do Corcel 73 de Diocleciano. Disse ainda que fecharia Fernando de Noronha por uma semana para que o político pudesse desfrutar em paz as maravilhas naturais do lugar.
Informados de que a ilha estaria fechada, Aécio Neves e Sérgio Cabral protestaram pelo twitter.
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A mídia, a direita e o jornalismo de esgoto

Ao ler a Carta Capital que está nas bancas neste sábado sinto-me com a alma lavada. Não só pela capa, brilhante, que coloca a foto de Robert Civita com o título “Nosso Murdoch (vocês vão ver logo o porquê), mas pela profundidade e pertinência, pela forma inteligente como coloca o debate sobre a questão da mídia e do jornalismo no Brasil.
Começo por uma citação de Lorde Puttnam, membro do Partido Trabalhista inglês e que foi presidente da comissão do Parlamento que analisou a Lei de Comunicação de 2003. Não vou transcrever todo o artigo, publicado originalmente no The Observer, sob o título “Pelo bom jornalismo” , que merece ser lido por todos os que têm interesse no fortalecimento da democracia brasileira.
Lorde Puttnam escreve exatamente sobre como os políticos transformaram-se em reféns de uma mídia que, praticando um tipo de jornalismo de esgoto, graças à fragilidade da regulação e à tibieza dos próprios políticos, acabaram facilitando o trabalho de Murdoch e fortalecendo a direita.

Dois trechos do artigo de Lord Puttnam

O primeiro, que situa o problema: “Nos últimos 30 anos o império Murdoch tentou minar e desestabilizar governos eleitos e reguladores independentes, em nome de uma agenda política que, enquanto se ocultava por trás da cortina de fumaça da ortodoxia do livre-mercado, não é nada menos que uma tentativa sofisticada de maximizar o poder e a influência da News Corporation e sua agenda populista de direita”.
O segundo, onde buscar a solução: “Eu afirmaria que a lei da concorrência, em um setor ágil como a mídia, deve ser capaz de levar em conta e fazer julgamentos com base em um domínio do mercado “altamente provável”, assim como “real”. Isso exige uma clara estrutura regulatória que incentive e na verdade permita o florescimento da pluralidade da mídia. Não podemos, por exemplo, legislar pelo bom jornalismo, mas podemos legislar pelas condições sob as quais o melhor jornalismo é nutrido e sustentado. Podemos criar estruturas em que cada nova tecnologia se torne um incentivo à diversidade, e não um instrumento de sua erosão”.

Os esgotos, lá e aqui

O texto de Lord Puttnam é o coroamento da edição que Carta Capital faz envolvendo os escândalos da mídia lá e aqui. Lá, o assunto está em andamento. Não adiantou Murdoch fechar seu jornal de fofocas, o News of the World. Ele foi obrigado a prestar um depoimento de 10 horas devido ao chamado inquérito Levenson (utilização ilegal de escutas telefônicas). No depoimento saíram comprometidas figuras como os ex-secretário de estado para a Cultura, Jeremy Hunt, o ex-primeiro ministro Tony Blair, assim como os atuais primeiros ministros da Inglaterra, David Cameron, e da Escócia, Alex Salmond. Não é pouca coisa!
Aqui, em reportagem de Cynara Menezes, com o título “Os desinformantes”, explica-se, afinal, por que a capa com Roberto Civita como o “nosso Murdoch”. A reportagem traz à luz as engrenagens de um sistema em que a revista de maior circulação do país se prestou a promover os interesses do bicheiro Carlos Cachoeira. Traz, de forma mais esmiuçada, o que já mostramos aqui: a troca de telefonemas entre o chefe da sucursal da revista em Brasília e a turma de Cachoeira; como se montaram reportagens de capa como aquela de 31 de agosto de 2011 em que se pretendeu juntar minha imagem à de um mafioso, com minha foto e o título “O poderoso chefão”; a entrevista nas páginas amarelas com o senador Demóstenes Torres, ação dentro da estratégia de transformá-lo, quem sabe, em ministro do STF (sic); e como Cachoeira era transformado pela revista em um verdadeiro pauteiro e editor: além de indicar os conteúdos de notas e reportagens, era consultado também sobre onde deveriam ser publicadas, se na coluna Radar, ou então na Veja.online ou, quem sabe e outro espaço mais ‘nobre’...

Um ‘olho’ revelador

Ao lado da reprodução da capa com minha foto e da abertura da entrevista de Demóstenes Torres, a edição de Carta Capital traz o seguinte ‘olho’: “Denúncias sem sustentação serviram para acuar os adversários do esquema criminoso”.
A frase em destaque explica minha alma lavada. Até agora nenhuma publicação jornalística havia feito a relação. Para mim, que tenho uma história de militância política de esquerda, que tenho uma vida pública e um patrimônio moral a defender – minha própria vida –, é importante que a verdade apareça no ambiente do jornalismo, que tem suas técnicas e sua ética própria, que só pode prestar o serviço à sociedade quando exercita a busca pela verdade.

Veja, um caso sério. Mas não único

Complementa o foco da edição de Carta Capital nos problemas da mídia e do jornalismo brasileiros os textos do editor especial da revista publicado sob o título “Veja, um caso sério”, e o editorial de Mino Carta, que pergunta: “Por que a mídia nativa fecha-se em copas diante das relações entre Carlinhos Cachoeira e a revista Veja?” (leia a íntegra)
O próprio Mino responde: porque o jornalismo brasileiro sempre serviu à casa-grande, mesmo porque seus donos moravam e moram nela. Quanto a isso, ninguém precisa se perder em explicações mais detalhadas.
Mas até quando continuará assim? Os parlamentares que integram a CPMI podem ajudar a jogar luz nos mecanismos de como a mídia e a direita (que, não por acaso, se confunde com os moradores da casa grande) se servem do mau jornalismo para esconder a verdade. E podem começar convocando a direção da Veja para explicar como foi armado o conluio com a turma de Carlos Cachoeira. Será um bom começo para se pensar sobre o que e como fazer para, a exemplo do que diz Lorde Puttnam na Grã Bretanha, criar por aqui também “uma clara estrutura regulatória que incentive e na verdade permita o florescimento da pluralidade da mídia”.
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O problema de Veja é criminal, não apenas ético

Alguns analistas teimam em analisar o comportamento da Veja - nas relações com Cachoeira – como eticamente condenável.
Há um engano nisso.
Existem problemas éticos quando se engana a fonte, se adulteram suas declarações, desrespeita-se o off etc.
O comportamento da Veja é passível de enquadramento no Código Penal. Está-se falando de suspeita de atividade criminosa, não apenas de mau jornalismo. Sua atuação se deu na associação com organizações criminosas visando objetivos ilegais, de obstrução da Justiça até conspiração.
O acordo da revista com o crime organizado trazia ganhos para ambos os lados:
  1. O principal produto de uma revista é a denúncia. O conjunto de denúncias e factóides plantados por Cachoeira permitiram à revista a liderança no mercado brasileiro de opinião - influenciando todos os demais veículos -, garantiu vendagem, permitiu intimidar setores recalcitrantes. O poder foi utilizado para tentar esmagar concorrentes da Abril no setor de educação. Principalmente, fê-la conduzir uma conspiração visando constranger Executivo, Legislativo, Supremo e Ministério Público.
  2. A parceria com Veja tornou Cachoeira o mais poderoso contraventor do Brasil moderno, com influência em todos os setores da vida pública.
Há inúmeras suspeitas contra a revista em pelo menos duas associações: com Carlinhos Cachoeira e com Daniel Dantas que necessitam de um inquérito policial para serem apuradas.
Em relação a Dantas:
  1. A matéria sobre as contas falsas de autoridades no exterior, escrita por Márcio Aith.
  2. O dossiê contra o Ministro Edson Vidigal, do STJ. Nele, mencionava-se uma denúncia de uma ONG junto ao CNJ. Constatou-se depois que a denúncia tomava por base matéria da própria revista (que sequer havia sido publicada ainda), demonstrando total cumplicidade da revista com o esquema Dantas.
  3. A atuação de Diogo Mainardi, levando o tal Relatório italiano ao próprio juiz do caso. Na época, procuradores do MPF em São Paulo explicaram qual seria a estratégia de Dantas (contaminar o inquérito da PF com o princípio do "fruto contaminado", as provas ilegais do relatório italiano) e sustentaram que Mainardi atuava a serviço de Dantas. Atacados virulentamente por Mainardi, procuradores federais de São Paulo recuaram.
  4. A matéria falsa sobre o grampo no Supremo Tribunal Federal.
  5. O “grampo sem áudio”, entre Gilmar Mendes e Demóstenes Torres.
Em relação a Cachoeira:
  1. O episódio do suborno de R$ 3 mil nos Correios, que visou alijar o esquema do deputado Roberto Jefferson e abrir espaço para o esquema do próprio Cachoeira. No capítulo que escrevi sobre o tema (na série O Caso de Veja) mostro que, depois de feito o grampo, Policarpo Jr segurou a notícia por 30 dias. Um inquérito policial poderá revelar o que ocorreu nesse intervalo.
  2. A invasão do Hotel Nahoum com as fotos de Dirceu, clara atividade criminosa.
  3. A construção da imagem do senador Demóstenes Torres, sendo impossível – dadas as relações entre Veja e Cachoeira – que fossem ignoradas as ligações do senador com o bicheiro.
  4. Levantamento de todas as atividades de Demóstenes junto ao setor público, visando beneficiar Cachoeira, tendo como base o ativo de imagem construído por Veja para ele.
Luis Nassif
No Advivo
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Outra capa da revista Veja

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Roberto Freire se expõe ao ridículo e acredita que Dilma colocará #LulaSejaLouvado em cédulas

"Nunca antes na história deste país" um deputado conservador se expôs tão facilmente ao ridículo em sua sanha de fazer oposição a todo e qualquer custo contra o governo Dilma e ao ex-presidente Lula.
A notícia abaixo é um fake, perfeitamente captado por qualquer pessoa com mediano nível de informação. Eis que foi tratado a sério por Roberto Freire (deputado federal e presidente do PPS) e mereceu um twitter indignado sob o argumento que no momento tudo é possível no país.
 A falta de discernimento é que levou políticos como Freire a aceitar qualquer bobagem. Antes de destilar seu ódio contra o Lula, o "nobre deputado" poderia ter um pouco mais de compostura e senso de ridículo.
Dilma pede e Banco Central coloca em circulação notas com a frase "Lula seja louvado"
Banco Central colocou em circulação nesta segunda-feira (7) notas de real com a frase "Lula seja louvado". De acordo com o BC, a mudança foi um pedido da Presidente Dilma Rousseff, que quis homenagear o ex-presidente Lula. 
Segundo informações da Assessoria de Dilma, no Palácio do Planalto, a frase "Deus seja louvado" estava provocando confusão e atrito entre religiosos e Ateus. "Nem Deus, nem Zeus, nem Goku nem Galileu, coloquem o nome do Lula", teria dito a Presidente Dilma, para encerrar a confusão.

A mudança nas cédulas de real, com a frase "Lula seja louvado" está sendo feita aos poucos pelo Banco Central. A expectativa do BC é que, até o final do ano, todas as notas estejam com o nome de Lula.
No Aldeia Gaulesa
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Record expõe relações Veja-Cachoeira: segredo de Poli-chinelo em horário nobre

Bob Civita ficou mais parecido com Rupert Murdoch – o barão da mídia investigado por ações criminosas na Inglaterra.
Bob e Abril foram pra tela da TV, em horário nobre: 15 minutos devastadores de reportagem – bem editada, didática, com texto sóbrio e ótimos entrevistados. E isso tudo não se passou num canal de notícias, a cabo. Não. Foi na TV aberta, num domingo à noite. As relações entre ”Veja” e a quadrilha de Carlinhos Cachoeira foram expostas de maneira inédita para milhões de brasileiros.
Quem navega pelos blogs e as redes sociais talvez já conhecesse boa parte das informações apresentadas na boa reportagem de Afonso Mônaco, no Domingo Espetacular da Record. Mas o público da TV aberta é outro. Esse foi o grande mérito da matéria. Falou para gente que ainda não sabia detalhes dos fatos.
Além disso, serviu para “furar o cerco”. Há, claramente, um pacto entre a chamada “grande imprensa”. Ninguém avança nas investigações sobre “Veja”/Cachoeira. Nesse domingo mesmo, de forma tímida, a ombudsman da “Folha” cobrou do jornal mais informações. Pelo que se sabe, os chamados “barões da imprensa” fizeram um pacto e teriam mandado recados ao governo: não aceitarão a convocação de nenhum deles à CPI.
É um pacto contra a verdade. Contra o jornalismo. Essa gente me faz lembrar aquela velha figura do sujeito que, diante da enchente que ameaça romper uma represa, acha que pode conter o desastre colocando um dedo na rachadura da barragem. Não adianta, minha gente! As águas vão rolar. Já rolaram, aliás…
”Veja”, “Globo”, “Folha” são sócios na campanha iniciada lá atrás, em 2005, quando decidiram partir pra cima do governo Lula. Quem não se lembra? Semanas seguidas, a “Veja” dava uma capa bombástica contra o governo e, no sábado à noite, lá vinha o “Jornal Nacional” pra “repercutir” a reportagem. Em geral, o JN promovia uma “leitura” televisiva de “Veja”. Na época, na Globo, até brincávamos: Ali Kamel tinha descoberto uma nova linguagem de telejornalismo – recheava a tela com páginas da revista, e colocava um repórter para ler o conteúdo. Era televisão por escrito.
Mais que isso. Em 2006, perto do primeiro turno das eleições, lembro-me perfeitamente da semana em que a “Istoé” trouxe uma entrevista do empresário Vedoim, com sérias denúncias que respingavam nos tucanos. Foi na mesma semana em que os “aloprados” acabaram presos com dinheiro quando se preparavam pra comprar um dossiê contra tucanos (supostamente, o conteúdo do tal dossiê era semelhante ao da reportagem da “Istoé”). A Globo, naquela semana, criou uma força-tarefa para detonar os aloprados. Jornalisticamente, estava certo. Era assunto relevante. Mas e o outro lado? Foi o que eu e alguns colegas perguntamos ao chefe da Globo em São Paulo. “Não vamos repercurtir a capa da Istoé, do mesmo jeito que fazemos toda semana com a Veja?”, indaguei do chefe. Ele deu um sorriso maroto, e concluiu: “a Istoé é uma revista sob suspeita”.
Lembro de ter perguntado a ele: “quem decide que a Veja é séria, e a Istoé é suspeita?”. Ele respondeu com outro sorriso. Hoje, a “Veja” é uma revista sob suspeita. E isso, de certa, forma respinga pro lado da Globo. A grande fonte do JN de Kamel, durante anos, bebia nas águas de Cachoeira.
A Suzana Singer – ombudsman, jornalista correta que eu conheço há muitos anos – pode continuar cobrando que a “Folha” exponha os podres da “Veja”. A direção do jornal já tomou sua decisão de blindar a “Veja”. Decisão inútil, aliás. Porque a relação entre a revista de Bob Civita e a quadrilha de Cachoeira tornou-se um segredo de Poli-chinelo.
Nas redes sociais, a “Veja” segue apanhando. No twitter, pela terceira semana seguida, a revista foi parar nos TTs (espécie de ranking que aponta assuntos mais comentados): #VejaBandida, #Vejapodrenoar, #VejavaipraCPI.
A revista tenta se defender nas redes sociais, de forma patética. É batalha perdida.
O que pode fazer a Abril? Conversava sobre isso com outro blogueiro sujo nesse domingo à noite. A conclusão: o melhor que a editora pode tentar, a essa altura, é agir em silêncio, pressionando nos bastidores, para evitar a convocação de Bob Civita.
Pode até conseguir – dada a tibieza de algumas lideranças no campo governista. Mas será impossível evitar que a “Veja” vire tema da CPI.
“Poli” e “PJ” (nos grampos, era assim que a turma do Cachoeira tratava Policarpo Junior, o diretor da “Veja” em Brasília). “Pensei que ele fosse me dar um beijo na boca”, disse um dos cachoeirentos num momento de maior descontração, citando o amigo Poli…
Cachoeira virou um editor, a escolher as seções da revista onde gostaria de ver publicadas as notinhas e matérias que lhe interessavam.
Tá tudo nos grampos, escancarado.
Isso não é relação de jornalismo com fonte – como bem explicou o professor Laurindo Leal Filho, na reportagem da Record.
A “Veja” que arrume outra desculpa. Ou que entregue a cabeça de Poli pra salvar a de Bob Civita.
Rodrigo Vianna
No Escrevinhador
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A Esfinge dos Pampas

GETÚLIO VARGAS – A ESFINGE DOS PAMPAS, por Richard Bourne – Geração Editorial – Abril de 2012 – 313 paginas – Bourne é um respeitado professor da Universidade de Londres, especialista em temas latino-americanos e já fez uma biografia de Lula. Este novo lançamento é uma visão moderna, abrangente e interpretativa do grande estadista brasileiro do Século XX, um personagem que marca definitivamente o Brasil moderno.
Não existem muitas biografias escritas sobre Getúlio Vargas. Um historiador estrangeiro tem o olhar de fora que muitas vezes os naturais do país não conseguem ter e pode exercitar a história comparativa e inserida em um campo global, o Brasil como parte da História mundial.
Não há espaço aqui para uma análise de todo o livro mas a obra trata em dois capítulos de um dos episódios mais intrigantes e menos conhecidas da biografia de Vargas. Trata-se da queda do ditador em outubro de 1945, pouco mais de um mês antes das eleições gerais marcadas para 2 de dezembro do mesmo ano. Porque Vargas foi derrubado pelas Forças Armadas, de forma até certo ponto humilhante, ele sendo um ditador de longo período, o mais poderoso na história moderna do Brasil? Como explicar sua saída pela porta dos fundos do Poder?
....
Bourne compõe um enredo de coerente credibilidade e vai desde as causas visíveis e imediatas para chegar às razões profundas e menos conhecidas. Os pontos centrais dessa observação de longo alcance e formulada a partir das grandes variáveis da realidade:
1. Vargas de fato nunca controlou, como um ditador, as Forças Armadas. Contou com a colaboração do Exército para implantar o Estado Novo em 1937, mas o mesmo Exército foi lento em defendê-lo da perigosa investida integralista em 1938, uma atitude que não passou despercebida a Vargas e sempre foi um mistério histórico.
2. Com a esmagadora vitória dos aliados em maio de 1945 o vento mudou no mundo, o Brasil apoiou e colaborou com o campo anglo-americano mas o Estado Novo era uma clonagem do Estado fascista de Mussolini e apesar de apoiado pelos militares, a conta do Estado Novo seria paga integralmente pelo ditador, para que as Forças Armadas livrassem sua responsabilidade perante a nova ordem mundial, baseada na Carta das Nações Unidas e na legitimação da Democracia no mundo ocidental como a forma de governo aceitável para os grandes países.
3. Quando marcou as eleições gerais, para Presidente e depois para Governadores para a mesma data, 2 de dezembro, antecipando a de governadores que anteriormente estavam marcadas para maio de 1946, havia cada vez maior desconfiança nas Forças Armadas que Vargas repetiria o golpe de 1937, quando também marcou eleições e depois as cancelou. Essas desconfianças aumentaram muito de grau quando Vargas nomeou seu irmão Beijo Vargas, de má reputação e perfil nitidamente autoritário, para Chefe de Polícia. A nomeação de Beijo funcionou como gatilho para os que acreditavam em um novo golpe. Os generais exigiram que Vargas tornasse sem efeito a nomeação de Beijo, o que foi considerado por Vargas como sua deposição.
4. O homem chave para a deposição de Vargas foi o General Góis Monteiro, Ministro da Guerra que substituiu o General Dutra, em campanha para a Presidência da República.
Góis tinha grande ascendência sobre a cúpula do Exercito, foi companheiro de Getúlio e também peça chave da Revolução de 30 e do esmagamento da revolta paulista em 1932. Os dois candidatos à Presidência eram militares, o Brigadeiro Eduardo Gomes e Dutra, o que diminuía consideravelmente a margem de manobra de Vargas para um eventual cancelamento das eleições.
Mas havia um fator externo importante para o qual Bourne chama nossa atenção. Enquanto se desenrolavam os acontecimentos no Brasil, na Argentina o ex-Secretário do Trabalho, Coronel Juan Domingo Peron, deposto do cargo e preso pelos militares, era libertado por um movimento de massas, recolocado no cargo e tornava-se o político mais forte da Argentina. Esse episódio influenciou os dois lados no Brasil, Vargas pensou em um movimento de massas para permanecer no poder e os militares desconfiavam que Vargas poderia tentar isso, repetindo o golpe branco argentino.
Outro fator importante foi a influência das ideias democráticas captada pelos oficiais brasileiros que participaram da campanha da Itália a partir do convívio com os generais americanos aos quais estavam subordinados. Os soldados brasileiros estavam lutando na Itália contra um Estado parecido com o que Vargas montou e chefiava no Brasil, o que parecia uma contradição e influenciou a oficialidade que retornaria pouco antes das eleições.
A análise de Bourne é bem mais complexa e nuançada do que aqui relatei. O ponto mais importante entre todos e que está muito bem delineado é que Vargas não tinha e nunca teve o real comando das Forças Armadas, a relação era de aliança e não de subordinação, desfeita a aliança termina o poder de Vargas e ele se retira da cena sem resistência, exilando-se em São Borja de onde não deveria sair.
Quem comunica a Vargas no Catete que sua missão terminou e que deveria sair de cena foi o General Cordeiro de Farias, que teria um papel também marcante nos acontecimentos de 1964.
O livro tem excelentes fotos, inclusive uma que nunca tinha visto antes, de Ernesto Geisel ao lado de Vargas no Catete e outra foto impactante de Vargas com o General Góis Monteiro, imponente em trajes civis , foto de 1938.
Uma biografia imperdível, ousada e moderna, que traça um perfil pessoal de Vargas.
Um enredo para conhecer melhor essa fascinante personalidade que explica muito o Brasil de hoje.
Andre Araujo
No Advivo
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Charge online - Bessinha - # 1229


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Técnico do time da Veja está na Papuda

O Conversa Afiada reproduz e-mail que recebeu de amigo navegante que prefere ler a Carta Capital:
Olha aí, me mandaram a foto do time de futebol da Veja, com os dois atacantes em destaque, Gustavo Ribeiro e Policarpo, cuja tática 1-7-1 era a de invadir a área do Hotel Nahoun. O técnico do time, responsável por todos os furos da equipe, contudo, não aparece na foto. Está concentrado no presídio da Papuda, em Brasília.
abs
"Jornalista bandido bandido é" - Protógenes Queiroz
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Miss Representation

Documentário sobre a imagem da mulher na mídia norte-americana e seus efeitos.
Dirigido por Jennifer Siebel Newsom, premiado no Festival Sundance de 2011.

No Bule Voador
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Jornalista, procura-se

 Não deixe de ler  

Procura-se jornalista que devote suas energias à busca da verdade e não dos holofotes, que saiba distinguir a diferença entre o personagem que é noticia e aquele que transmite a notícia, que seja tão arejado a ponto de compreender que a luz é boa não importa em que lâmpada brilhe.
Procura-se jornalista que esteja sempre prestes a levar consigo um telescópio para o olho esquerdo e um microscópio para o olho direito de forma a ver a realidade sobre ângulos variados e apto a celebrar que a grande beleza da vida está no entendimento da rica diversidade humana.
Procura-se jornalista que seja especialista em cultura geral, que escreva sobre o que entende e saiba o exato tamanho de sua ignorância sobre o assunto que pretende abordar, que saiba fazer o artesanato dos fatos, ideias e palavras, sem deixar pontas soltas nem fios desencapados.
Procura-se jornalista que saiba distinguir entre liberdade de expressão, de impressão, de pressão; que veja sua atividade não como o Quarto Poder, mas sim como um serviço essencial à vida organizada da sociedade, como um espelho do mundo dotado de visão e fala.

Equação biquadrada

Procura-se jornalista que seja generoso no uso dos substantivos e parcimonioso no uso dos adjetivos, que em caso de dúvida não ultrapasse o sinal vermelho da ética e do bom senso e que concorde que a ética do jornalista é a mesma do marceneiro.
Procura-se jornalista que se sinta indignado e denuncie a quem de direito qualquer empresário ou político, artista ou profissional liberal que lhe acene ou lhe ofereça qualquer vantagem financeira em troca da publicação de notícia favorável aos seus negócios, à sua carreira ou à sua área de atuação político-partidária.
Procura-se jornalista que, em confronto com as forças da natureza, testemunha ocular de eventos catastróficos, ocupe-se em ajudar a salvar uma ou mais vidas, em socorrer e amparar feridos, e que seja sábio o suficiente para deixar de lado obrigações contratuais imediatas como a observância de data-limite para envio de matéria, tomada de fotos específicas e que nunca pergunte a quem se encontra com a vida por um fio “como você está se sentindo?”
Procura-se jornalista que tenha uma visão muito apurada do que é justiça, ética, liberdade, democracia, equidade, bem-estar social, distribuição de renda, mobilidade social, inclusão social, inclusão digital, inclusão étnico-racial e que tenha uma sede de conhecimento insaciável, sempre se atualizando sobre o estado da arte no mundo.
Procura-se jornalista que não resenhe livro sem antes tê-lo lido, não critique filme a que não tenha assistido e não elogie álbum sem antes ter escutado todas as músicas, que se orgulhe mais dos livros que leu do que dos livros que escreveu e que saiba declamar “Navio Negreiro”, de Castro Alves, cortar com a mão direita, equação biquadrada de segundo grau, fração e saiba conjugar o verbo “resfolegar”.

Matérias arredias

Procura-se jornalista que não se submeta a qualquer forma de pressão, seja ideológica ou econômica e que se apresente de hora em hora ante o tribunal de sua consciência, o único dotado de poderes para julgá-lo de maneira equânime.
Procura-se jornalista que seja tão bom na crítica quanto na autocrítica, que entenda tanto da Ilíada de Homero como do efeito-estufa, que entenda causas e efeitos das crises econômicas mundiais de 1929 e de 2009, que esteja bem familiarizado com índices e siglas como IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), FIB (Felicidade Interna Bruta), PIB (Produto Interno Bruto), Índice de Gini, Dow Jones, Nasdaq.
Procura-se jornalista que possua senso crítico, conhecimento do idioma, latitude de ação, humildade para conferir e voltar a conferir suas anotações antes de enviar seu texto para publicação.
Procura-se jornalista que respeite os direitos do leitor, não rotule sua opinião como informação, trate a informação de maneira imparcial sem exigir credenciais ideológicas e que considere muito natural ouvir o outro lado, principalmente quando se tratar de assunto que diga respeito também à honorabilidade de personagens enfocados.
Procura-se jornalista que cultive a independência de pensamento, que não deseje ser mais realista que o rei, mais católico que o papa, que respeite a linha editorial de quem lhe propicia o emprego, mas que não que renuncie à condição de ser pensante e esteja confortável tantas vezes quantas forem necessárias para ser voto vencido em uma discussão editorial.
Procura-se jornalista que apenas numa vista d´olhos saiba diferenciar entre um escândalo real de corrupção e um escândalo pré-fabricado de corrupção, que não empreste seu nome a reportagens tão arredias à verdade dos fatos como os morcegos são à claridade do dia.

Pior tragédia

Procura-se jornalista que entenda a toponímia de São Luiz do Paraitinga, Berlim e Caruaru, que compreenda que as cidades têm alma, que são mais que meras aglomerações humanas, e que possa fazer ampla exposição sobre o que são hidrônimos, limnônimos, talassônimos, orônimos e corônimos.
Procura-se jornalista que entenda tanto de Fernando Pessoa quanto de Umberto Eco, que conheça amiúde as biografias e o pensamento vivo de Winston Churchill e Boris Pasternak, Rui Barbosa e Cláudio Abramo, que compreenda que a História é a também o relato encadeado da vida dos grandes homens.
Procura-se jornalista que conheça em profundidade o que é um linotipo e uma gralha, um tipógrafo e um scanner, um prefácio e um posfácio, prolegômenos, uma composição bem feita, um hipertexto e uma nota de rodapé, uma orelha e um texto indicativo, a gramatura do papel que se tem na mão e a marca d´água, a folha de rosto e o que significa 1.844 terabytes.
Procura-se jornalista bastante familiarizado com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que saiba relacionar seus artigos com a crítica de políticas públicas para a população urbana e rural, para brancos e negros, índios e ciganos, meninos nas creches e meninos de rua, católicos e evangélicos, judeus, muçulmanos e bahá´ís, budistas e hindus, seguidores do candomblé e do Santo Daime, espíritas e ateus.
Procura-se jornalista que entenda, de uma vez por todas, que a pior tragédia na vida de um ser humano é aquilo que morre dentro dele enquanto ele ainda está vivo.
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A aula de Glauber Rocha

O cineasta brasileiro Glauber Rocha em seu quadro no Programa Abertura, da TV Tupi, no final dos anos 1970. As intervenções de Glauber neste programa foram significativas na relação histórica dos cineastas brasileiros com o vídeo, em uma época na qual muitos artistas assumiram uma posição adversa em face dessa nova tecnologia.
Nesse quadro, Glauber entrevista um xará do político Brizola em uma rua do Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo lúdico e sagaz, Glauber provoca o entrevistado, mas sem constrangê-lo negativamente. Não uma há submissão do entrevistado ao entrevistador, o que pode ser observado na própria improvisação da pauta sobre a qual dialogam.
Ao contrário do que é feito, atualmente, em programas supostamente engajados como o CQC, temos aqui um exemplo de apropriação criativa e verdadeiramente crítica de um meio de comunicação.
O gesto de conceder a fala a uma pessoa desconhecida do grande público, representante de um "povo brasileiro" pouco visto nas telas do cinema ou da televisão, acena para o significado do Cinema Novo na cultura brasileira. O Cinema Novo foi um movimento político e estético que teve Glauber Rocha como principal idealizador e liderança.

As intervenções de Glauber neste programa foram significativas na relação histórica dos cineastas brasileiros com o vídeo, em uma época na qual muitos artistas assumiram uma posição adversa em face dessa nova tecnologia.
Baseado no que ele falou sobre Ferreira Gullar, Super Homem e a novela Feijão Maravilha, isso aí foi gravado na primeira semana de abril de 1979.
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