2 de mai de 2012

O bom combate

O velho Brizola, numa reunião de campanha eleitoral, em 1989, na casa de Chico Buarque, quando lhe perguntaram o que faria ao chegar ao poder, disse naquele estilo desconcertante que o marcava:
- Vou consultar os poetas!
Creio que ali, como em tantas outras vezes, ele fazia uma síntese do que era dar a um desejo, um sentimento, um amor, a uma crença, a forma trabalhosa e burilada de um trabalho, de algo que exige ferramentas, habilidades e suor, sem prescindir jamais do sonho.
A política, para os que crêem nela como forma de materializar o desejo humano, é igualmente assim.
Requer trabalho, esforço, arrependimento, exige riscos e rabiscos para que vá tomando sua forma.
Frequentemente está aquém dos sentimentos imensos que se busca expressar.
Mas está sempre muito, muito além da simples e bruta enunciação de intenções.
Porque – viva o poeta! – há distância entre intenção e gesto.
O gesto político está para a vontade de mudar como o verso está para o sentimento.
É o que conduz, de forma harmônica e inteligível, a mudança, aquilo que a torna compreensível, o que a permite ser sentida, desejada: é o que a simboliza e concretiza.
Fizemos aqui, ao longo de quase três anos, o combate no chão raso.
Sempre em movimento, sempre temerário, sempre arriscado e, sobretudo, sempre abandeirado dos melhores sonhos de liberdade, justiça e progresso para o Brasil.
E que bom combate, esse!
Dele sai-se, às vezes, em farrapos e com muitos arranhões, mas com os olhos brilhantes e apaixonados.
É do conhecimento de todos que Brizola Neto assume, nesta quinta-feira, o cargo de Ministro do Trabalho.
O combate agora é em outro plano, já não é o raso. É complexo, tem outras tarefas, e ele explicará tudo aqui no blog, amanhã, antes da posse.
São novas formas para o mesmo desejo de mudança, novos versos para os mesmos sentimentos.
É a sua sina, com o peso e a responsabilidade do sobrenome que carrega com orgulho e dignidade.
Esse colaborador do guri que vi se transformar em um homem maduro, de caráter forte e temperamento suave, segue com ele, para carregar a mochila de experiências e aprendizados que recolhi todos os dias dos mais de 20 anos que caminhei ao lado de seu avô.
Não é o que queria, mas é o meu dever. E do dever não se foge.
Interromper o Tijolaço é doloroso, mas necessário.
A função pública que ele assume não permitirá que o blog, mesmo escrito apenas por mim – como já vem sendo feito há tempos – evite que sobre ela respinguem os reflexos de um espaço que foi e sempre será o blog do Brizola Neto.
Quem leu destes dois últimos dias sabe que é a ele que se atribui o que aqui se disse, mesmo quando escrevo e assino os posts. Não se passou o primeiro dia sem que se revelasse a fúria e o despeito com que vêem um Brizola, mesmo apenas o neto, sendo parte de um Governo popular e trabalhista.
Porque, mais do que ele pessoalmente possa representar, o simbolismo dessa unidade incomoda aos que temem que o passado e o presente se unam para parir o futuro.
Ele, portanto, está correto, porque agora é sobre o Governo a quem servirá como Ministro que repercutirá o que se fizer aqui.
Mas, na medida em que puder e em outros espaços, este índio velho aqui vai seguir fazendo mais do mesmo que fez a vida inteira.
Teimosia ou ideologia, pouco importa, quem nasce com lado, com lado deve viver, cumprindo a profecia do anjo torto de Drummond.
E enquanto durar a vida, lutar o bom combate, onde a palavra é arma dos sentimentos. E lembrando os versos de Rafael Alberti, em seu “Poetas Andaluzes”:
Cante alto, ouvireis que outros ouvidos ouvem
Olhe para o alto, vereis que outros olhos olham
Pulse alto, sabereis que outro sangue pulsa

Não és mais fundo o poeta encarcerado em seu porão
Seu canto ascende ao mais profundo, quando se eleva no ar
E já é o canto de todos os homens.
Fernando Brito
No Tijolaço
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Cachoeira e o desafio da mídia

Nesses tempos de Internet, redes sociais, e-mails, uma das questões mais interessante é a tentativa de monitorar a notícia por parte de alguns grandes veículos de mídia.
Refiro-me à cortina de silêncio imposta pelos quatro grandes grupos de mídia (GAFE) – Globo, Abril, Folha e Estado - às revelações sobre as ligações perigosas do Grupo Abril – da revista Veja – com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.
As provas estão em duas operações alentadas da Polícia Federal – a Las Vegas e a Monte Carlo. Até agora vazaram relatórios parciais da Monte Carlo, referentes apenas aos trechos em que aparece o senador Demóstenes Torres. Ainda não foram divulgados dois relatórios alentados – ainda sobre Demóstenes – nem as cerca de 200 gravações de conversas entre o diretor da Veja em Brasília e Cachoeira e seus asseclas.
O que foi revelado neste final de semana já se constitui nos mais graves indícios sobre irregularidades na mídia desde o envolvimento de outra revista semanal com bicheiros de Mato Grosso, anos atrás. E está sendo divulgado por portais na Internet, por blogs, por emissoras rivais do grupo, vazando pelas redes sociais, pelo Twitter, Facebook em uma escalada irreprimível.
Mostra, por exemplo, como Cachoeira utilizou a revista para chantagear o governador do Distrito Federal, visando receber atrasados acertados no governo José Roberto Arruda. Os diálogos são cristalinos. A organização criminosa ordena bater no governador até que ceda.
Outro episódio foi o das denúncias contra o diretor do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte). Percebe-se que ele havia endurecido nos contratos com a Construtora Delta, parceira de Cachoeira. Nos diálogos, Cachoeira diz ter passado informações para Veja bater no dirigente para acabar com sua resistência.
Em 2005, Cachoeira foi preso. Seu reinado estava prestes a ruir. Sete anos depois, até ser preso pela Operação Monte Carlo, transformara-se em um dos mais influentes personagens da República, operando em praticamente todos os escalões.
Para tanto, foi fundamental sua capacidade de plantar escândalos na Veja e também sua parceria com Demóstenes Torres – erigido em mais influente senador da oposição por obra e graça da revista.
Dado o grau de intimidade da revista com o contraventor, há anos Roberto Civita sabia das ligações de Demóstenes com Cachoeira, assim como o uso irrestrito que Cachoeira fazia de suas ligações com a revista para achaques.
Nenhum poder ficou imune a essa aliança criminosa.
O STF (Supremo Tribunal Federal) se curvou ao terrorismo da revista, denunciando uma suposta “república do grampo” – quando, pelos relatórios da PF, fica-se sabendo que o verdadeiro porão do grampo estava na própria ligação da revista com contraventores.
O ápice desse terrorismo foi a provável armação da revista com Demóstenes, em torno do famoso “grampo sem áudio” – a armação da conversa gravada entre Demóstenes e o Ministro Gilmar Mendes (ambos amigos próximos) que ajudou a soterrar a Operação Satiagraha.
Outros poderes cederam à influência ou ao temor do alcance da revista.
O caso do Procurador Geral - 1
Nos diálogos, há conversas entre a quadrilha sugerindo bater no Procurador Geral da República Roberto Gurgel para ele não ameaçar seus integrantes. No senado, Demóstenes bateu duro. De repente, mudou de direção e ajudou na aprovação da recondução de Gurgel ao cargo de Procurador Geral. Coincidentemente, Gurgel não encaminhou ao STF pedido de quebra de sigilo de Demóstenes, apanhado nas redes da Operação Las Vegas.
O caso do Procurador Geral - 2
A assessoria do MPF atribuiu a relutância do Procurador ao fato de haver outra operação em andamento, a Monte Carlo. Não teria pedido a quebra de sigilo de Demóstenes, pela Las Vegas, para não prejudicar a Monte Carlo. Na verdade, a quebra de sigilo teria permitido à Monte Carlo avançar nas investigações. Agora se sabe que, nesse tempo todo, Demóstenes ficou livre para continuar nos achaques aos órgãos públicos.
A autorregulação da mídia - 1
Em fins dos anos 90, houve grandes abusos na mídia, com denúncias destruindo a vida de muitas pessoas, sem que o Poder Judiciário se mostrasse eficaz contra os abusos. Na época, havia a possibilidade de uma lei ser votada, assegurando direito de defesa aos atingidos. A própria grande mídia aventou a possibilidade da autorregulação, órgão similar ao Conar (Conselho de Autorregulamentação Publicitária).
A autorregulação da mídia - 2
A maneira como se está restringindo o acesso da opinião pública aos dados sobre a Abril enfraquece bastante a tese. Pior, o populismo irrefreável do presidente do STF, Ministro Ayres Britto, influenciou para acabar com a Lei de Imprensa e, com ela, os procedimentos visando assegurar direito de resposta aos atingidos, deixando centenas de pessoas sem acesso à reparação. Tudo isso ajudou a ampliar os exageros.
A autorregulação da mídia - 3
Na Inglaterra, publicações de Rupert Murdoch se aliaram a setores da polícia para vazar informações sigilosas de inquérito e atentar contra o direito à privacidade de centenas de cidadãos ingleses. A constatação do Judiciário inglês foi o de que as ferramentas de autorregulação não foram suficientes para impedir abusos. Em vista disso, está sendo criada uma agência para garantir a defesa dos direitos dos cidadãos.
A autorregulação da mídia – 4
No caso da Abril, a aliança foi com o próprio crime organizado. Hoje em dia há um fortalecimento da imprensa regional, da blogosfera, de portais de notícia, que ajudam a quebrar cortinas de silêncio. Isso tudo levará, dentro em breve, a uma discussão aprofundada sobre liberdade de opinião – um direito sagrado, uma das maiores conquistas democráticas – e as formas de impedir seu uso para atividades criminosas.
Luis Nassif
No Advivo
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Coiteiros de "Veja"

Alguns jornais publicaram que o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) irá propor, com base no artigo 207 do Código de Processo Penal, que jornalistas – por exemplo, o parceiro de Carlos Cachoeira, Policarpo Jr., da “Veja” - não pudessem ser convocados à CPMI para depor. Segundo o deputado, o citado dispositivo legal proibiria “o depoimento de testemunha que por ofício tenha de manter sigilo”.
Se for verdade a notícia, trata-se de um engano do deputado. As razões para convocar Policarpo Jr. nada têm a ver com o ofício de jornalista. Pelo contrário, o problema é exatamente que ele usou o suposto ofício de jornalista para atividades estranhas à profissão, isto é, usou-a como fachada para estabelecer conluio com um criminoso. Portanto, não é por suas atividades jornalísticas, mas por suas atividades criminais, que Policarpo Jr. deve ser chamado a depor.
Seria uma original doutrina jurídica a que estabelecesse que jornalistas podem cometer crimes e não depor porque têm de manter sigilo. Muito pelo contrário, a lei não apenas veda a qualquer cidadão – inclusive a supostos jornalistas – a cumplicidade com o crime, como também veda aos jornalistas cometer eles mesmos o crime, inclusive nas suas funções: por exemplo, falsificar ou inventar fatos para difamar pessoas ou golpear instituições, não é jornalismo, mas crime. Pior ainda quando, para isso, se recorre aos préstimos de um bandido – e durante oito anos se acoberta esse bandido.
Segundo: o artigo 207 do Código de Processo Penal diz exatamente o seguinte: “São proibidas de depor as pessoas que, em razão de função, ministério, ofício ou profissão, devam guardar segredo, salvo se, desobrigadas pela parte interessada, quiserem dar o seu testemunho”.
Entre os ofícios que a lei reconhece que devem guardar segredo, não está, certamente, o de parceiro de um criminoso. Nesse caso, inclusive, a “parte interessada” está na cadeia. Não há segredo ou sigilo a preservar. As provas do inquérito da Polícia Federal são públicas. Policarpo Jr. não vai depor sobre nenhum segredo, mas, exatamente, sobre o que já deixou de ser segredo. Logo, o mencionado artigo do Código de Processo Penal não se aplica a ele.
Terceiro, Policarpo Jr. já depôs, em virtude de uma CPI, no Conselho de Ética da Câmara, quando o então deputado André Luiz foi acusado de extorsão ao sr. Carlos Cachoeira no caso da Loterj. No dia 22 de fevereiro de 2005, Policarpo Jr. depôs contra André Luiz, portanto, a favor de Carlos Cachoeira, e não arguiu nem pretextou sigilo, apesar das ligações ocultas que mantinha com o polvo do Centro-Oeste.
Portanto, a argumentação do deputado Miro Teixeira equivale a estabelecer que Policarpo Jr. só pode depor, como já fez, para defender Cachoeira ou atacar seus desafetos. Não seja por isso. Estamos ansiosos para ver Policarpo Jr. defender Cachoeira na CPMI ou atacar os inimigos do bicheiro. O que é mais uma razão para chamá-lo à CPMI. O deputado deveria perceber que dar um salto ornamental nessa fossa não vale algumas linhas na “Veja”, mais suja do que pau de galinheiro, ou seja lá onde for. Até porque essa malta é muito ingrata e não vai ser ela que lhe proporcionará os votos que precisa, e que já estão escassos. O deputado terá de contar com os eleitores – ainda por cima, os do Rio de Janeiro.
C.L.
No Hora do Povo
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Fui Estuprada e Preciso de Ajuda

Ontem recebi um email desesperado de A. Eu ainda não sei se A, que me mandou os emails, é que foi estuprada, ou se foi uma amiga dela. Mas não importa, o desespero e o desamparo são iguais. Tenho recebido vários emails deste tipo recentemente. Acompanhem e digam como podemos ajudar.
A: Uma das piadas dele durante a viagem foi relacionada a um post na internet de um assunto que envolvia estupro.
Ele tentou me agarrar uma vez no começo da noite, mas não correspondi, fiquei dura e me afastei. Mantive um certo nível de consciência a noite toda, somente perdi a noção quando estava voltando pra casa, no carro dele. Ele me ofereceu bebidas a noite toda.
Acordei com a pior dor que já senti, dentro do carro dele, mas ainda assim não consegui distinguir exatamente o que estava acontecendo, há quanto tempo ele estava ali. Lembro que saí do carro com tudo e que tive um ataque dos nervos em casa. Atirei todas as minhas coisas no chão, andei em círculos, chorei, gritei.
Após acordar no domingo, não conseguia entender ainda o que estava acontecendo. Sentia perfeitamente que havia sido abusada, mas me mantive na cama quase o dia todo. Com dores por todo o corpo, especialmente no ânus.
No dia seguinte ainda não sabia o que devia fazer, me esforcei para fazer o que tinha que fazer, mas passei o dia todo com muita dor por todo o corpo, principalmente para andar. Tive crises de raiva e de choro, enjoo e vômito. Mas ainda não havia me tocado o que realmente poderia ser essa situação.
Passei todo esse tempo sentindo culpa. Qualquer pessoa que eu dividisse isso consideraria que a culpada da situação sou eu, que bebi. Tive hoje um dia de muita dor e humilhação, sofrimento solitário que eu tenho certeza que pode durar pra sempre. Agora percebi que ele pode ter feito tudo isso de propósito, que já havia premeditado que se aproveitaria de mim. Ele praticamente me obrigou a sair com ele, disse que passaria em casa e ficou me rondando para ver se eu estava me arrumando. A princípio eu não tinha a intenção de sair, tentei desconversar, mas ele insistiu. Já conversávamos a um tempo pela internet, porém nunca havíamos saído, tínhamos amigos e eu não tinha planos. Acabei cedendo.
Estou desesperada, passei o dia de hoje me esforçando a fazer minhas coisas. Esta semana era uma semana crucial para minha vida profissional. Apesar de todas as crises que tive e dor, eu tentei de alguma forma não perder o foco. Sentia que isso não ia dar em nada e botaria tudo a perder se me rendesse. Sou alguém que sofre de depressão e de certa forma já está acostumada a viver em meio a dias cinzentos. Mas conforme o dia ia passando a dor só ia piorando. Tudo que vejo agora é que perdi o dia útil seguinte ao abuso e com isso se foram provas e tempo. Como vou conseguir resolver qualquer coisa no feriado?
Só preciso saber se eu posso ter razão. Não estou conseguindo me comunicar com ninguém no momento. Passei o dia fingindo estar cansada, doente, sumida, quieta. Só sei que de uma forma ou de outra estou entrando em profunda depressão. Tenho renda para cobrir um advogad@, preciso de ajuda.
Escrevo em meio a lágrimas.
Eu respondi:  Não conheço muitos advogad@s, muito menos que lidem com estupro. Mas posso perguntar. Em que cidade do Brasil isso aconteceu? Acho que seria melhor ter um advogado da mesma cidade.
Não sei se esse relato aconteceu contigo, mas é importantíssimo que a vítima faça um exame de corpo de delito e denuncie. Não deixe o caso "pra lá". O estuprador precisa ser criminalizado e punido. Já recebi vários emails com relatos quase idênticos e em todos as vítimas não denunciaram, por estarem com medo e não terem certeza do que aconteceu. E em todo os casos o estuprador entrou em contato com elas pouco depois para dizer que não sabe o que aconteceu, o que deu nele... Parece que é mais pra checar mesmo se a vítima vai ou não denunciá-lo, porque o cara SABE que foi estupro. Isso daí vale como prova também. Portanto, se ele entrar em contato por email, msm ou telefone (ao vivo é perigoso), a vítima pode tentar fazer perguntas, tirar mais informações, para que ele chegue perto de uma confissão. Grave a conversa, que ela pode ajudar no processo.
É importante também que a vítima não culpe a si mesma. Isso podia ter acontecido -- e acontece -- com qualquer mulher. Aliás, este tipo de estupro, cometido por conhecidos da vítima, é muito mais comum do que o clichê do estupro que todas somos ensinadas a temer (o estuprador desconhecido numa rua escura e deserta). E é também o tipo de estupro que raramente é denunciado, porque a mulher se sente culpada e com medo, já que conhece o estuprador. Esse tipo de estuprador não costuma estuprar apenas uma conhecida ou amiga, mas várias. Vou publicar um artigo na semana que vem que fala desse tipo de estuprador.
Toda força a você ou sua amiga.
Ela continuou: Ele entrou em contato, tentou ligar uma vez, mas não foi atendido. Tirando isso enviou várias msms, mesmo sem eu responder. Não sei se é possível realizar exame de corpo e delito mais. Até ontem tinham algumas marcas claras, mas nenhum procedimento foi realizado, as marcas já melhoraram.
O caso é de São Paulo.
[Mais tarde]. Foi realizado o exame de corpo e delito, assim como a denúncia. Espero que eu possa te ajudar com esse texto, sinta-se livre para usar meus relatos.
Ainda houve a dificuldade de ser um feriado, as Delegacias da Mulher de São Paulo estavam todas fechadas. Liguei e fui aconselhada a ir numa DP. Chegando lá a falta de um delegado fez com que eles simplesmente me mandassem voltar para casa. Fiquei um tempo na frente da DP, com um amigo, decidindo o que eu deveria fazer. Desespero, medo de não dar em nada, mais a preocupação com a vida cotidiana, se deveria interrompê-la por conta de um caso que nem sei se seria levado a sério.
Felizmente, a escrivã teve empatia, entrou em contato com o delegado contando o que eu já havia relatado. Ele autorizou o BO e ela me chamou novamente para dentro da DP. Feito o BO fui encaminhada para o Hospital Pérola Byington - Centro de Referência da Saúde da Mulher, e fui atendida pelo Projeto Bem Querer Mulher. Realizei o exame sexológico (corpo de delito) e recebi todo o coquetel de retrovirais, algo que irá ocupar minha vida ainda durante meses. Ainda tive de ouvir de uma enfermeira que se fosse filha dela ia tomar uma injeção de um lado e um tapa de um outro (se referindo ao fato de eu estar bêbada durante o abuso).
Aguardo agora quando for chamada novamente para prestar depoimento, além do laudo dos exames. Procuro ainda por um advogad@, pois acho que será necessário futuramente. Mesmo uma mulher que tem informação não sabe como se comportar diante de uma situação dessas. O medo e o julgamento da sociedade é o que primeiramente nos vem a cabeça, sentimos o peso da impunidade antes mesmo que ela aconteça.
A internet pouco ajuda na informação para a mulher nesses casos. São tópicos confusos e notícias aleatórias. Espero que possamos fazer um guia para instruir outras fiquem desnorteadas em meio a essas situações.
Eu de novo: Nos outros pedidos de ajuda que recebi por email, entrei em contato com uma promotora de Brasília. Mas tanto eu quanto ela sentimos falta de um blog ou site na internet que responda dúvidas e oriente vítimas em casos de estupro. Cursos de Direito, mobilizem-se! Que tal algumas universidades entrarem com um projeto de extensão para poderem oferecer este importante serviço? E vamos criar uma lista de advogad@s que tenham experiência em condenações de casos de estupro? Podemos ver claramente que vivemos numa cultura de estupro quando é mais fácil encontrar filmes pornô simulando estupro e piadas de estupro e anúncios estimulando o estupro do que ajuda a vítimas reais de estupro. Até quando?
Lola Aronovich
No Escreva Lola Escreva
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E Agora, Racismo?

Passada uma semana das reações apaixonadas, chegou a hora de perguntar serenamente: e agora, racismo brasileiro, podemos finalmente construir uma nação? Podemos começar a ensaiar os primeiros passos de uma futura igualdade social, a partir dessa primeira garantia de igualdade racial na educação, que o STF fez virar letra de lei? Ou vamos continuar esperneando pelos editoriais dos jornalões, nas baladas chics, nas redes sociais, ou nas mesas de bar contra uma decisão que lavou a alma do país?
Sinceramente, racismo, eu espera um placar de 6 a 4 e já estaria de bom tamanho.Mas o supremo nos mostrou que, apesar de ter um bom número de ministros-conservadores, estes se mostraram pessoas inteligentes e bons leitores do Brasil. Eles sabiam impossível continuar um apartheid de quatro séculos sustentado pelo cinismo, pela desfaçatez e pela crueldade do olvido.No voto de alguns, eu vi a completa destruição do argumento de “morte do mérito” que a elite euro-descendente brandia para condenar as cotas. Ora, como se podia falar em mérito quando, ao longo da história, houve uma reserva de mercado das coisas boas para um segmento e a sonegação de todos os bons caminhos para a outra parte? Escolas boas, empregos bons, contas correntes ótimas; para o outro lado, escravidão, abolição sem cidadania, péssima educação, favelas e cadeias. Ganhar assim era fácil demais, não?
O outro argumento, o de que cotistas não teriam condições de “acompanhar” o ritmo das aulas no ensino superior, esses dez anos de ações afirmativas desmoralizaram totalmente. Reitores de universidades que adotaram as cotas são unânimes em declarar que afrodescendentes e indígenas tornaram-se os melhores alunos, ou sempre estiveram entre os melhores de suas instituições! Sinal de que nunca faltou inteligência ou capacidade de aprender: faltava, sim, oportunidade.
10 x 0! Que placar! Nem a seleção de 1958 ou a de 1970 conseguiriam nos dar, no futebol, um placar tão expressivo. Como nos privaram secularmente não só do conhecimento como também do trabalho digno(uma coisa leva à outra), temos, desde já, duas novas batalhas à vista: a primeira, para implantar a decisão do STF em todas as universidade públicas que se recusavam a fazê-lo; a segunda, pela implantação do sistema de cotas no serviço público, através dos concursos.Isso não é pedido: é cobrança de dívida! Em tempo: essas palavras, racismo brasileiro, não são minhas: são do Supremo Tribunal Federal do Brasil.Vai encarar?
De qualquer modo, quem perde – e perde feio – tem todo o direito de espernear. Podem ficar à vontade.
Jorge Portugal
No Terra Magazine
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Charge online - Bessinha - # 1218

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Memórias de uma guerra suja

“Militantes de esquerda foram incinerados em usina de açúcar”

Delegado revela em livro que viraram cinzas os corpos de David Capistrano, Ana Rosa Kucinski e outros oito opositores da ditadura
Ele lançou bombas por todo o país e participou, em 1981 no Rio de Janeiro, do atentado contra o show do 1º de Maio no Pavilhão do Riocentro. Esteve envolvido no assassinato de aproximadamente uma centena de pessoas durante a ditadura militar. Trata-se de um delegado capixaba que herdou os subordinados do delegado paulista Sérgio Paranhos Fleury na linha de comando das forças de resistência violenta à redemocratização do Brasil.
Apesar disso, o nome de Cláudio Guerra nunca esteve em listas de entidades de defesa dos direitos humanos. Mas com o lançamento do livro “Memórias de uma guerra suja”, que acaba de ser editado, esse ex-delegado do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) entrará para a história como um dos principais terroristas de direita que já existiu no País.
Mais do que esse novo personagem, o depoimento recolhido pelos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros, ao longo dos últimos dois anos, traz revelações bombásticas sobre alguns dos acontecimentos mais marcantes das décadas de 70 e 80.
Revelações sobre o próprio caso do Riocentro; o assassinato do jornalista Alexandre Von Baumgarten, em 1982; a morte do delegado Fleury; a aproximação entre o crime organizado e setores militares na luta para manter a repressão; e dos nomes de alguns dos financiadores privados das ações do terrorismo de Estado que se estabeleceu naquele período.
A reportagem do iG teve acesso ao livro, editado pela Topbooks. O relato de Cláudio Guerra é impressionante. Tão detalhado e objetivo que tem tudo para se tornar um dos roteiros de trabalho da Comissão da verdade, criada para apurar violações aos direitos humanos entre 1946 e 1988, período que inclui a ditadura militar (1964-1988).

David Capistrano, Massena, Kucinski e outros incinerados

Cláudio Guerra conta, por exemplo, como incinerou os corpos de dez presos políticos numa usina de açúcar do norte Estado do Rio de Janeiro. Corpos que nunca mais serão encontrados – conforme ele testemunha – de militantes de esquerda que foram torturados barbaramente.
“Em determinado momento da guerra contra os adversários do regime passamos a discutir o que fazer com os corpos dos eliminados na luta clandestina. Estávamos no final de 1973. Precisávamos ter um plano. Embora a imprensa estivesse sob censura, havia resistência interna e no exterior contra os atos clandestinos, a tortura e as mortes.”
O delegado lembrou do ex-vice-governador do Rio de Janeiro Heli Ribeiro, proprietário da usina de açúcar Cambahyba, localizada no município de Campos, a quem ele fornecia armas regularmente para combater os sem-terra da região. Heli Ribeiro, segundo conta, “faria o que fosse preciso para evitar que o comunismo tomasse o poder no Brasil”.
Cláudio Guerra revelou a amizade com o dono da usina para seus superiores: o coronel da cavalaria do Exército Freddie Perdigão Pereira, que trabalhava para o Serviço Nacional de Informações (SNI), e o comandante da Marinha Antônio Vieira, que atuava no Centro de Informações da Marinha (Cenimar).
Afirma que levou, então, os dois comandantes até a fazenda:
“O local foi aprovado. O forno da usina era enorme. Ideal para transformar em cinzas qualquer vestígio humano.”
E lista no livro dez presos incinerados:
  • João Batista e Joaquim Pires Cerveira, presos na Argentina pela equipe do delegado Fleury;
  • Ana Rosa Kucinsk e Wilson Silva, (“a mulher apresentava marcas de mordidas pelo corpo, talvez por ter sido violentada sexualmente, e o jovem não tinha as unhas da mão direita”);
  • David Capistrano (“lhe haviam arrancado a mão direita”) , João Massena Mello, José Roman e Luiz Ignácio Maranhão Filho, dirigentes históricos do PCB;
  • Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira e Eduardo Collier Filho, militantes da Ação Popular Marxista Leninista (APML).
“A usina passou, em contrapartida, a receber benefícios dos militares pelos bons serviços prestados. Era um período de dificuldade econômica e os usineiros da região estavam pendurados em dívidas. Mas o pessoal da Cambahyba, não. Eles tinham acesso fácil a financiamentos e outros benefícios que o Estado poderia prestar.”

“Delegado Fleury foi morto pelos militares"

Delegado da ditadura diz ter participado da decisão. E confessa o assassinato de dirigente comunista Nestor Veras
Símbolo da linha-dura do regime militar, o delegado Sérgio Paranhos Fleury – titular da Delegacia de Investigações Criminais (DEIC) de São Paulo – foi assassinado por ordem de um grupo de militares e de policiais rebelados contra o processo de abertura política iniciado pelo ex-presidente Ernesto Geisel. É o que afirma Cláudio Antônio Guerra, ex-delegado do DOPS (Departamento de Operações Políticas e Sociais) do Espírito Santo.
Em depoimento aos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros, no livro “Memórias de uma guerra suja”, que acaba de ser editado pela Topbooks, Guerra conta ter participado da reunião em que foi decidida a morte de Fleury.
Ele próprio teria dado a ideia de fazer tudo parecer um acidente. Acabou sendo enviado para liquidar o colega. Mas, por problemas operacionais, a execução teria ficado para um grupo de militares do Cenimar, o Centro de Informações da Marinha.
No livro ao qual o iG teve acesso, o delegado confessa ter sido um dos principais encarregados pelo regime militar de matar adversários da ditadura entre os anos 70 e 80.
Guerra está sob proteção da Polícia federal. Tornou-se uma testemunha-chave às vésperas do início dos trabalhos da Comissão da Verdade, criada para apurar violações aos direitos humanos entre 1946 e 1988, período que inclui a ditadura militar (1964-1988).
Ele conta ter executado pessoalmente militantes de esquerda como Nestor Veras, do Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB), após uma sessão de tortura da qual afirma não ter participado:
“(Veras) tinha sido muito torturado e estava agonizando. Eu lhe dei o tiro de misericórdia, na verdade dois, um no peito e outro na cabeça. Estava preso na Delegacia de Furtos em Belo Horizonte. Após tirá-lo de lá, o levamos para uma mata e demos os tiros. Foi enterrado por nós.”
Além do assassinato de Veras, Guerra conta como matou, a mando de seus superiores, outros militantes contra o regime, como: Ronaldo Mouth Queiroz (estudante universitário e membro da Aliança Libertadora Nacional – ALN); Emanuel Bezerra Santos, Manoel Lisboa de Moura e Manoel Aleixo da Silva (os três, do Partido Comunista Revolucionário – PCR).

Queima de arquivo

“O delegado Fleury tinha de morrer. Foi uma decisão unânime de nossa comunidade, em São Paulo, numa votação feita em local público, o restaurante Baby Beef”, afirma Cláudio Guerra.
Além dele, segundo conta, estavam sentados à mesa e participaram da votação:
O coronel do Exército Ênio Pimentel da Silveira (conhecido como “Doutor Ney”); o coronel-aviador Juarez de Deus Gomes da Silva (Divisão de Segurança e Informações do Ministério da Justiça); o delegado da Polícia Civil de São Paulo Aparecido Laertes Calandra; o coronel de Exército Freddie Perdigão (Serviço Nacional de Informações); o comandante Antônio Vieira (Cenimar); e o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra (comandante do Departamento de Operações de Informações do 2º Exército – DOI-Codi), que abriu a reunião.
“Fleury tinha se tornado um homem rico desviando dinheiro dos empresários que pagavam para sustentar as ações clandestinas do regime militar. Não obedecia mais a ninguém, agindo por conta própria. E exorbitava. (...) Nessa época, o hábito de cheirar cocaína também já fazia parte de sua vida. Cansei de ver.”
Guerra conta que chegou a fazer campana para a execução, mas o colega andava sempre cercado de muita gente. “Dias depois os planos mudaram, porque Fleury comprou uma lancha. Informaram-me que a minha ideia do acidente seria mantida, mas agora envolvendo essa sua nova aquisição – um ‘acidente’ com o barco facilitaria muito o planejamento.”
A história oficial é, de fato, que o delegado paulista morreu acidentalmente em Ilhabela, ao tombar da lancha. Mas Guerra afirma que Fleury na verdade foi dopado e levou uma pedrada na cabeça antes de cair no mar.
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O nome Brizola

Brizola volta do exílio para assustar a "elite": o medo permanece até hoje
Quando entrei no Estadão, no longínquo ano de 1986, o nome Brizola não podia ser escrito nem publicado. Ele era simplesmente o "caudilho". Nem o de Orestes Quércia, vulgo "governador". Maluf também era vetado, seguindo uma tradição dos Mesquitas de tentar apagar da história - pelo menos a do seu jornal - aqueles que considerava inimigos. Ou que eram simples desafetos. Ou de quem simplesmente não gostavam. O exemplo mais antigo que me lembro é Adhemar de Barros, que o jornal grafava, só para espicaçar, como "A. de Barros". Idiossincracias de quem se julgava acima dos mortais comuns...
Brizola, porém, não incomodava só o Estadão. Era detestado por praticamente toda a "elite" brasileira, que tem até hoje nessa imprensa provinciana a máxima expressão de seus sentimentos. As poderosas organizações Globo, por exemplo, viam em Brizola a representação de todo o mal que existe no Universo e simplesmente o tratavam como se deve tratar o demônio, exorcizando-o do corpo infestado.
Ontem, o nome Brizola voltou às manchetes dos jornalões. Seu neto, o deputado federal Carlos Daudt Brizola, mais conhecido como Brizola Neto, foi escolhido pela presidente Dilma Rousseff para ser o seu ministro do Trabalho. Ele tem apenas 33 anos, edita um blog que é referência entre a esquerda nativa, o Tijolaço, remetendo aos textos que Leonel Brizola mandava publicar com esse título em jornais cariocas para se contrapor à campanha incessante que O Globo movia contra ele e, tudo indica, pode fazer um bom trabalho na área trabalhista, honrando, por tabela, a tradição do partido a que está filiado, o PDT fundado pelo avô famoso.
Mas bastou a notícia se confirmar para que o nome Brizola novamente despertasse a ira de tantos quantos dignos representantes dessa imprensa que trabalha noite e dia para derrubar o governo petista legitimamente eleito por ampla maioria da população - e que andavam mais calmos desde que Lula cedeu lugar ao seu "poste".
De uma hora para outra, aqueles que andavam elogiando o governo, sempre com ressalvas, é claro, soltaram o verbo contra a escolha, como se, a partir dela, toda a governabilidade tão arduamente construída pelos partidos que sustentam o governo fosse desmoronar.
É como se Brizola Neto encampasse, por causa do nome, tudo o que seu avô representava contra os interesses da burguesia nacional, essa porção udenista da sociedade brasileira que odeia pobres e pretos, não tolera minorias, só pensa em erguer muros mais altos para separá-los do resto desse Brasil miscigenado, vive apenas em função dos desejos de seus ícones de cabelos loiros e olhos azuis e age como um macaquinho domesticado que imita os gestos de seu dono.
Como essa gente é fraca!
Como é que eles podem ter a pretensão de voltar a mandar no Brasil se ainda não conseguiram nem superar o medo desse nome que transformaram num fantasma aterrorizador?
Ah, por que a presidente Dilma foi escolher logo alguém com o sobrenome Brizola para o seu governo?
Era o que faltava, devem pensar, para que este país se transforme numa república sindicalista, ou, pior, numa verdadeira democracia, onde todos têm oportunidades iguais, não importa o nome que carreguem.
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Quem é o bicheiro Carlinhos Cachoeira e como tudo começou

Família Cachoeira, de pai para filho
É num quarto do Hotel Palace, prédio decadente dos anos 1950 no centro de Anápolis, a 55 km de Goiânia, que mora o mineiro Sebastião Almeida Ramos.
Tião Cachoeira, 82 anos, é pai de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, contraventor preso por suspeita de chefiar a máfia do caça-níqueis no Centro-Oeste.
O bicheiro controla uma rede criminosa com ligações com empresários da mídia, jornalistas, governadores, senadores, prefeitos, juízes, desembargadores, delegados e até padres.
Foi numa cidade em ebulição repleta de migrantes, entre Goiânia e os canteiros da nova capital federal, que Tião começou a trabalhar no comércio ambulante e como apontador de jogo do bicho – o responsável em anotar as apostas.
Mais tarde, ele já estava em sociedade com Pintadinho, um bicheiro tradicional na cidade.

SEPARAÇÃO

Nos anos 1960, Tião se separou da mulher. A separação foi um trauma para os 14 filhos (12 estão vivos), contam ex-vizinhos da família na antiga Vila Góis, em Anápolis.
Carlinhos, Marquinhos, Paulinho e Julinho saíram em defesa da mãe, mas, sem estudo e influência, foram aos poucos ajudar o pai no “negócio” do jogo do bicho.
Tião se desentendeu com Pintadinho. Depois de uma série de atritos, levaram em conta os conselhos de amigos e dividiram as bancas da cidade.
Aos poucos, Carlinhos foi assumindo o “negócio” do pai e abocanhando as bancas de Pintadinho. Já Marquinhos, com quem Carlinhos vivia uma disputa eterna em família, concluiu o ensino médio e passou num concurso do Banco de Brasília.

ASCENSÃO

A guinada de Carlinhos Cachoeira ocorreu nos anos 1990, quando o então governador Maguito Vilela (PMDB) lhe deu a concessão da Loteria do Estado de Goiás, a LEG.
Hoje, Vilela, prefeito de Aparecida de Goiás, se limita a dizer que era apenas um colega de futebol do “menino” Carlinhos nos campinhos de Anápolis.
Foi naquela década que Carlinhos esteve no Rio de Janeiro para se apresentar aos bicheiros Castor de Andrade e Anysio Abraão Davi e frequentar os camarotes das Marquês de Sapucaí, levando sempre os irmãos.
O velho Tião continuava a morar no decadente Hotel Palace, enquanto Carlinhos começava a desenvolver em Goiás.
Carlinhos virou pioneiro no bingo eletrônico e no jogo de caça-níquel no Centro-Oeste. Tião passou a “exercer” a função de jogador incontrolado de caça-níqueis. “Pelo menos o dinheiro volta para a gente”, disse Carlinhos, resignado, numa roda de amigos, segundo um parente.
O velho Tião, que gosta de dizer que é afilhado do ex-presidente Juscelino Kubitschek, é um homem que fala pouco, sempre introspectivo e que não costuma falar de sua vida.

PERILLO

No período que coincide com a chegada de Marconi Perillo (PSDB) ao governo de Goiás, no fim dos anos 1990, Carlinhos ampliou sua rede de contatos e se mudou para Goiânia.
Ali comprou um apartamento no Excalibur, um edifício de apartamentos de luxo no centro da cidade em que residem cantores sertanejos e empresários da soja. Levou junto os irmãos Julinho, visto por alguns como o braço direito dele, e Paulinho, que morava em Uberaba.
Luizinho foi colocado no comando de uma casa de carteado em Anápolis, frequentada por um seleto grupo de empresários. Outro irmão, Juninho, passou a ajudar Carlinhos nas empresas que a família abria em setores legais da economia.

EMPRESÁRIO

Finalmente, Carlinhos virava um empresário do Distrito Agroindustrial de Anápolis, o Daea, aberto há cerca de 25 anos, e que transformou a cidade, atraindo milhares de migrantes.
A cidade que nos anos 1950 tinha 50 mil habitantes hoje abriga 340 mil moradores. A entrada de Carlinhos no Daea era um marco para um homem tímido, que, assim como o pai e os irmãos, nunca ostentou dinheiro e sempre esteve à sombra de poderosos.
Marquinhos deixou o Banco de Brasília e abriu uma loja de factoring em Anápolis. Para o irmão Ricardinho, o Pipoca, sobrou a área que, agora, era a menos rentável: a Girafa, como chamam a “empresa” de jogo do bicho na cidade.

REDE DE AMIZADE

Os amigos da família também foram sendo incluídos nos negócios de Cachoeira. Foi o caso de Frei Valdair, ligado à matriarca Maria José, que recebeu apoio para incrementar a programação da rádio São Francisco, mantida pela Igreja.
Estar perto de Carlinhos também “motivou” os amigos a “crescerem” na vida, afirma um outro parente do contraventor.
Carlos Nogueira, o Butina, amigo apresentado por Frei Valdair, em poucos anos passou de contínuo na rádio para publicitário de sucesso e dono de dois canais fechados de TV e um jornal de abrangência regional.

REDE DO CRIME

A Polícia Federal incluiu na rede comandada por Carlinhos dezenas de políticos, empresários, desembargadores e policiais. É essa rede que a CPI mista do Congresso começará a investigar.
A prisão do contraventor, no dia 29 de fevereiro aparentemente uniu a família, que vivia às turras nos últimos anos. Há cerca de três anos, Marquinhos reclamou que o irmão estava se dedicando demais à “política”. “Virou político”, criticou.
Na última semana, a três amigos, ele contabilizou que o irmão poderia ter repassado R$ 1 bilhão para os “políticos” nestes últimos anos.
“O problema da nossa família é a corrupção. Mas a polícia só quer caçar a gente. Os políticos vão ficar soltos?”, disse.
Da cadeia, Carlinhos Cachoeira mandou dizer que os desabafos em família, e apenas em família, são toleráveis.
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Morales nacionaliza e a urubóloga chia

O presidente Evo Morales anunciou ontem, em plena comemoração do Dia Internacional dos Trabalhadores, a nacionalização da empresa Transporte de Eletricidade (TDE), que pertencia à multinacional Red de Eletricidad de España (REE) e é responsável por 85% do abastecimento de energia na Bolívia. “É uma justa homenagem aos trabalhadores", afirmou Evo Morales.
A estatização da TDE ocorre duas semanas depois da decisão do governo argentino de expropriar a também espanhola Repsol. O anúncio, porém, não gerou a mesma reação histérica do decadente país europeu. A nacionalização já vinha sendo negociada há mais tempo com a diplomacia espanhola, segundo o jornal El País, e houve acerto prévio para o pagamento da indenização.

Queda do investimento em área estratégica


A justificativa para a ação foi a de que a multinacional não vinha cumprindo os contratos, reduzindo os investimentos nesta área estratégica. A medida completa a reestatização do setor elétrico, privatizado durante o reinado neoliberal na Bolívia. Em 2010, Morales nacionalizou as quatro maiores hidroelétricas do país, mas a transmissão seguia sobre domínio da iniciativa “privada”.
“Investimos cerca de US$ 220 milhões na geração de energia para outros se aproveitaram das melhorias. Por essa razão estamos retomando o controle da empresa”, explicou o presidente. Segundo o jornal Valor, a REE teve um lucro de 140,1 milhões de euros no primeiro trimestre deste ano. Já os seus investimentos foram 8,9% inferiores ao primeiro trimestre do ano passado.

As críticas de Míriam Leitão


Mesmo dispondo destes dados e observando a postura mais sóbria do próprio governo espanhol, a mídia brasileira não perdeu a oportunidade para destilar o seu veneno contra o presidente da Bolívia. A jornalista Míriam Leitão, já apelidada de urubóloga por suas análises negativistas, afirmou no sítio do jornal O Globo que a medida foi “mais uma jogada de marketing de Evo Morales”.
“O presidente já tinha agido assim com a Petrobras. Em vez de negociar, ocupou a empresa com o Exército de forma hostil. É uma jogada clara de marketing; Morales está com problemas de popularidade. Vinte empresas já foram nacionalizadas pelo presidente da Bolívia. Há dúvidas se o governo boliviano é um parceiro confiável”, atacou. Seu temor, porém, é que a moda pegue na região.

Visão colonizada da adoradora do mercado


“Bolívia, Equador, Argentina e Venezuela expropriaram empresas nos últimos anos, romperam contratos. O Estado poderia ter optado por mais regulação ou negociação. Porém, tudo é feito de forma espetacular. Pode ficar a ideia de que há uma onda na América do Sul desse nacionalismo que desrespeita contratos. O Brasil tem de deixar claro que não faz parte desse grupo”.
A visão colonizada de Míriam Leitão é explícita! Ela é uma adoradora do “deus-mercado”, principalmente ser for alienígena.
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Mais uma do DEM: Supremo julgará ProUni nesta quarta

Após aprovar por unanimidade a política de cotas raciais para ingresso em universidades públicas, o Supremo Tribunal Federal deve julgar nesta quarta-feira ação que questiona a legalidade do Programa Universidade para Todos (ProUni). A tendência é que os ministros aprovem o programa. Criado por lei em 2005, o ProUni oferece bolsas de estudo em universidades particulares para alunos de cotas raciais e sociais. São beneficiados estudantes que cursaram todo o ensino médio em escola pública ou foram bolsistas em escolas particulares. Também há vagas reservadas a negros, indígenas e portadores de necessidades especiais.
A ação começou a ser julgada em abril de 2008 com o voto do relator, ministro Carlos Ayres Britto, a favor da manutenção do ProUni. O argumento usado foi o mesmo do julgamento da semana passada, de que a iniciativa era uma forma eficaz de reequilibrar as injustiças sociais. Em seguida, Joaquim Barbosa pediu vista. O julgamento deverá continuar hoje, começando pelo voto dele.
A ação foi proposta em 2004 pelo DEMo, pela Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen) e pela Federação Nacional dos Auditores Fiscais da Previdência Social (Finafisp). Segundo a ação, a medida provisória que originou o ProUni não atende aos requisitos de relevância e urgência exigidos pela Constituição. As entidades também argumentam que o ProUni fere a igualdade de oportunidades garantida aos cidadãos brasileiros.
Está na pauta do STF também o recurso proposto por um estudante reprovado no vestibular para Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), embora tivesse alcançado pontuação superior à de outros candidatos. Desde 2008, a instituição reserva cotas para alunos vindos de escolas públicas, que tiveram prioridade na hora da distribuição das vagas.
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A incógnita de Lula

De uns anos para cá, o sistema político brasileiro passou a funcionar com um elemento adicional de imprevisibilidade. E de grande importância, pois deriva do modo como atua seu principal personagem.
Até então, todo mundo achava que conseguia entender Lula muito bem. Havia quem se considerasse Ph.D na matéria, capaz de decifrar cada um de seus gestos à luz do que fizera no passado.
Quem, por exemplo, era versado nas minúcias da vida sindical paulista nos anos 1970 explicava o que ele fazia com base naquelas experiências. Se isso, era porque tinha acontecido aquilo; se o oposto, porque assim ocorrera em um dia determinado.
Tendíamos a avaliar que o Lula do movimento sindical era basicamente o mesmo do presente. Com um ajuste aqui, outro acolá — e as mudanças inevitáveis da idade —, sua persona política tinha sido ali formada e estava pronta.
Um exemplo do quanto mudou é seu papel na CPI do Cachoeira. Tudo que ele fez foi surpreendente — para amigos e inimigos.
A hipótese de que queria lançar uma cortina de fumaça no julgamento do mensalão é pueril. Equivale a imaginar que os ministros do Supremo Tribunal Federal são tão voláteis nas convicções que modificariam seus votos porque o deputado fulano — ou o governador sicrano — estão enrolados nos negócios do bicheiro.
Conhecendo como conhece o STF — e tendo indicado vários de seus integrantes —, ninguém precisaria dizer a Lula que a CPI poderia acabar tendo o efeito inverso, se fosse feita somente para atrapalhá-lo.
Outros que se creem entendidos em Lula interpretaram sua disposição de viabilizar a CPI como uma clássica forma de defesa: partir para o ataque, sem aguardar a investida do adversário. Seria uma tentativa de se proteger do desgaste que o julgamento do mensalão lhe traria que teria levado o PT a apoiá-la.
Quem elabora essas fantasias não deve conhecer a imagem que Lula tem hoje.
Não há nada de parecido em nossa história política: um governante que terminou seu mandato como uma quase unanimidade, com a aprovação de mais de 80% da população. Nenhum dos antecessores, nesta ou nas Repúblicas anteriores, chegou perto disso.
Nas pesquisas atuais, 85% das pessoas dizem ter dele opinião “ótima” ou “boa”. Seu governo é, em retrospecto, o melhor que o Brasil já teve para cerca de 75% dos entrevistados. Superou seus antecessores em tudo — incluindo no combate à corrupção — para proporções parecidas.
Se fosse candidato em 2014, teria algo próximo a 70% dos votos, independentemente dos oponentes (o que não quer dizer que Dilma não seria, também, favorita, se a eleição acontecesse hoje).
Quem tem uma imagem dessas precisa de biombos? Precisa usar a CPI do Cachoeira para se esconder? De quê? De coisas conhecidas há anos?
Mas a criação da CPI não é, nem de perto, o gesto mais surpreendente do Lula dos últimos anos. Alguém duvida que foi a concepção e estruturação da candidatura de Dilma — mulher, técnica, recém-filiada ao PT?
Um lance de alto risco político e que deu certo. Tão certo que criou, para seu partido, um cenário altamente favorável, em que pode permanecer no poder por mais muitos anos.
E agora, com o lançamento da candidatura de Fernando Haddad? Que ninguém imaginava, apostando que o PT paulista faria como os tucanos, colocando suas fichas em nomes conhecidos? E se isso der certo também?
Até onde irá a capacidade de Lula fazer o inesperado? De deixar seus adversários perplexos, tentando antecipar a próxima novidade, o próximo coelho que vai tirar da cartola?
Difícil dizer. Mas o certo é que, com um Lula assim no centro de nossa vida política, ela fica mais interessante. E bem menos previsível.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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Aécio, um estadista

É impressão, ou o senador Aécio Neves (PSDB-MG) estava com cara de ressaca?
Os microfones deveriam ser equipados com um bafômetro para tirar esta dúvida.
Ele se irritou com pergunta de repórter a respeito do aparelhamento do governo tucano de Minas por Carlinhos Cachoeira.
O bicheiro telefonou para o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) pedindo um cargo no governo de Minas para a sobrinha que mora em Uberaba (MG). Demóstenes repassou o pedido ao seu companheiro Aécio Neves e foi atendido. A sobrinha do bicheiro foi nomeada para um cargo de chefia.
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Veja, Folha e Globo contra você

O assunto é sério. Gravíssimo. E é hora de todo cidadão honesto ficar alerta. Os barões da mídia se uniram para que uma CPI não passe a limpo as relações criminosas do bicheiro Cachoeira e parte da chamada grande imprensa brasileira, principalmente a revista Veja.
O País não pode perder essa oportunidade de desmascarar aqueles que toda semana tentam mostrar nas bancas que são os reis da honestidade. Falam de ética, mas agem como traficantes da informação. Investigações da Polícia Federal já revelaram que Veja, revista da família Civita, agiu como porta-voz do bicheiro, preso desde o final de fevereiro, e manteve com ele uma clara troca de favores.
A relação fere, no mínimo, qualquer princípio do bom jornalismo. Evidências mostram que Veja se submeteu aos interesses do crime organizado, jogou a favor de um determinado grupo político por interesses desconhecidos e usou informações obtidas de forma ilegal para atacar seus inimigos.
O diretor de jornalismo da Veja em Brasília virou confidente, amigo íntimo, do bicheiro Cachoeira e de sua turma envolvidos até o pescoço com ações criminosas, como provam as centenas de ligações feitas com autorização judicial. Eles escolhiam até em qual parte da revista a informação "denunciada" seria publicada.
Quando as denúncias contra o senador Demóstenes Torres e seus negócios com o bicheiro Cachoeira ameaçavam trazer à tona toda sujeira, a revista dos Civita preferiu dedicar uma capa ao Santo Sudário. Bem diferente da cobertura dedicada ao Mensalão, que mereceu 27 capas desde maio de 2005. Repito: 27. Vinte e sete. No dia 18 de abril até ensaiaram tocar no assunto como matéria principal, mas fizeram com a palavra MENSALÃO impressa assim, em letras garrafais em meio a uma cortina de fumaça. Coisa que a Editora Abril parece conhecer bem.
Globo e Folha de S. Paulo fazem barricada para proteger Veja. É de dar calafrios quando essa turma se une. Onde estão as reportagens no Jornal Nacional citando a revista e a editora abertamente? Onde se escondeu o jornalismo "plural e independente" da Folha?
Querem proteger os que praticam um crime.
Na edição desta semana, Veja tenta intimidar os parlamentares que podem investigar as ligações de Cachoeira com a revista. “Vou explodir”, avisa Cachoeira da prisão, de acordo com uma chamada no alto da capa. Em entrevista a revista, Andressa Mendonça, mulher do contraventor, diz que o marido pode revelar tudo o que sabe. E agora, Veja?
O mais importante agora é ver a coragem dos parlamentares para levar de fato Roberto Civita, o dono da Veja, a sentar-se em uma das cadeiras da CPI e encarar as perguntas daqueles que estão lá como representantes do povo. O mesmo povo que a Veja tenta enganar todos os finais de semana.
Marco Antonio Araujo
No O Provocador
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O professor e o doutor

Professor                                                                                      Doutor
O autor do texto a seguir, conforme notou o comentarista Domenico Amaral, é um famoso contorcionista das palavras, desses que abundam nas redações. Palmas para ele pelo didatismo como funciona a coisa. Conseguiu escrever sobre as relações entre Cachoeira (o Professor) e Demóstenes (o Doutor) sem sequer tangenciar um dos fatores de sucesso da dupla mafiosa: a velha mídia!
O Estadão, como parte importante do Sistema GAFE de Desinformação, ao lado de Veja, Globo, FSP e associados, foi um dos veículos responsáveis por entronizar na cena política o ‘paladino da moralidade’ Demóstenes e, agora, não tem nada com isso, não sabe nada disso? ‘Outros doutores e professores se preparam para ocupar o seu lugar’. Com a inestimável ajuda da nossa imprensa.

O Professor e o doutor


Doutor e Professor cresceram juntos, não na vida, mas no poder. Trajetórias sincronizadas: a cada favor trocado, um passo adiante e um degrau acima. De sua simbiose política surgem negócios, nomeações, sentenças, manchetes, facilidades. Doutor é a face pública da dupla, reluz nos palanques, tonitrua aos microfones. Professor articula nos bastidores. Deveria ser opaco, pois brilhar nas profundezas onde opera atrai atenção indesejada. Mas a vaidade nem sempre é controlável.
Para entrosar o jogo, falam-se várias vezes ao dia, encontram-se sempre que possível. Ao telefone, Professor só chama o parceiro de doutor. Doutor retribui, íntimo: “Bom dia, professor. Tranquilo aí? Sossegado?”. Ler os diálogos de Doutor e Professor no inquérito em que se transformou sua parceria é uma aula sobre como funciona parte do Brasil. A de cima.
Aprende-se como usar o Estado para agradar o esposo, resolver problemas familiares ou alavancar grandes oportunidades de investimento. Do trivial completo ao banquete de verbas públicas, o cardápio satisfaz magros, gordinhos e ex-gordos.
Doutor quer comprar uma mesa na Argentina, presente para a mulher. Custa-lhe mais do que ganha em um mês como senador. Ao amigo, não reclama do preço, mas da alfândega: “Até que não é cara, mas é difícil de trazer”. O mimo excede 35 vezes o limite de compras no país vizinho. Pede uma mãozinha. “Pode comprar que eu dou um jeito”, tranquiliza Professor.
Professor precisa de um cargo público para a prima, mas em outro estado. Se fosse no seu, dispensaria intermediários. Como não é, pede a Doutor que interceda junto ao colega de Senado que manda naquelas plagas. Após falar com o ex-governador, Doutor explica que as nomeações de chefes regionais no estado vizinho são feitas pelo deputado da região. Carece aprovar com ele também, o que não chega a ser problema. Menos de duas semanas depois a prima está nomeada.
Trivialidades desse tipo são cacos nas conversas da dupla. Na frequência dos bate-papos, banalidades são entremeadas com questões de Estado. Decisões de tribunais superiores misturam-se ao regozijo com a queda de um desafeto comum. Discussões de estratégias eleitorais seguem-se a considerações sobre negócios milionários.
Doutor liga para professor e comemora que um magistrado supremo “mandou buscar” processo em instância inferior para julgar na sua corte. A ação envolve empresa do estado deles. “Deu repercussão geral pro trem aí”, resume Doutor, no palavreado que reserva às conversas com Professor. Não quer dar uma de tribuno com o amigo.
Noutras vezes, a conversa tem que ser em pessoa. Professor não mede recursos para ter o associado por perto com rapidez. Manda buscá-lo onde for: “Não esquece do avião, taí (te) esperando”. Doutor se desculpa: “Dei uma enrolada aqui. Tô chegando aí. Você vai estar na sua casa?”
Professor representa os interesses da empreiteira que mais recebe verbas do governo federal: pelo menos R$ 3,7 bilhões nos últimos 9 anos. Está preocupado com reportagem publicada sobre a empresa. Se o assunto esquentar, a empreiteira pode perder dezenas de milhões em contratos públicos. Doutor aciona seus contatos entre jornalistas e explica ao parceiro: o foco da investigação não é a empresa, mas um inimigo da dupla, que também fazia negócios com a empreiteira.
Até que o azar cruzou a sorte da dupla. Mais especificamente os jogos de azar, atividade que impulsionou a carreira do Professor.
Desde a prisão do Professor, há dois meses, seu nome e o de Doutor ganharam manchetes como nunca. Os dois caíram na boca do povo e nos dedos dos internautas. As pesquisas sobre ambos na internet viraram febre, especialmente no seu estado de origem. Nos primeiros 30 dias de estrelato involuntário, apareciam sempre na mesma frase. Mas isso mudou.
No último mês, Doutor se recolheu, fugiu da ribalta e seu nome perdeu evidência, enquanto o do Professor pipoca cada vez mais. Pela primeira vez em anos os caminhos dos parceiros se separaram. Não há mais telefonemas, muito menos visitas. A estratégia de um é se desvencilhar do outro: provar que as provas de cumplicidade, mesmo que verdadeiras, são formalmente inúteis. Querem apagar seu passado comum.
Já houve tempo em que Doutor e Professor rivalizavam para ver quem bebia os vinhos mais caros, quem tinha a mulher mais jovem e bonita, quem podia mais. Agora, disputam quem tem o advogado mais caro. Sua ascensão simbiótica foi interrompida. Outros doutores e professores se preparam para ocupar o seu lugar.
José Roberto de Toledo
Estadão
No Matéria Incógnita
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Como se devasta um Continente inteiro

Mas isto é em África e talvez pensem que não lhes diga nada... mas então o que se passa na Europa e na América?

O colapso moral da medicina no Ocidente.

O mundo fez uma mudança. Os EUA tinham os melhores cientistas do mundo que foram descobrindo vitaminas, minerais, vacinas e curas para as doenças. Nos tempos modernos, os únicos medicamentos disponíveis são tóxicos com efeitos colaterais terríveis, vazios de nutrientes e no que diz respeito à parte alimentar, usa-se a "química-terrorista" sendo vendidos em quase todos os restaurantes, mercearias e supermercados, alimentos tóxicos, tudo em nome dos lucros das empresas que mantêm o público doente e na necessidade de tratamentos cada vez mais caros.
No início de 1900, a América estava cheia de pequenas propriedades e as famílias comiam alimentos frescos a partir dessas fazendas. Câncer, diabetes, doença cardíaca, quase não existiam porque o solo era rico em nutrientes e minerais, e se você ficava doente um médico virnha a sua casa e dava-lhe algumas tinturas de ervas ou remédios naturais... e era assim.
Após a Segunda Guerra Mundial, muitas famílias deixaram suas propriedades rurais, a vida urbana exigia produção alimentar em massa e começou então o fabrico de comida processada, enlatados e ensacados, sem os nutrientes necessários à saúde e que apenas uma década antes possuiam. Então, as cooporações de fast food como o McDonalds e Burger King invadiram toda a América, alimentando o público com alimentos carregados de gordura saturada e açúcar. Refeições quentes, baratas e convenientes.
Os Estados Unidos da América são a terra e a casa dos livres... alimentos tóxicos e medicamentos venenosos, à espera de seus próximos 80 milhões de vítimas. Aqui estão algumas estatísticas básicas de um país cheio de doenças:
• Câncer: 1.500.000 diagnosticados a cada ano, mais de 50% irão morrer disso.
• Diabetes: 25.000.000 pessoas estão diabéticos agora (incluindo crianças); 80.000.000 são borderline.
• doenças cardíacas e derrames: 81,000,000 (cada adulto ) tem algum tipo de doença cardiovascular.
• Doença de Alzheimer: 5.400.000 têm Alzheimer agora (cada sênior 8)
• defeitos de nascimento: um em cada 33 bebês nasce com um: (responsável por 20% de todas as mortes infantis). (http://www.cdc.gov/ncbddd/birthdefects/data.html)

A maioria dos políticos norte-americanos não têm ética nem moral.

Era uma vez, o insider trading uma lei assustadora que significava tempo de prisão para quem a violasse. Agora, os políticos ganham dinheiro com guerras que declaram entre si, com companhias de seguros de saúde e investiindo em cadeias de fast food que, lentamente, matam os seus próprios clientes. As empresas farmacêuticas (Merck, Pfizer, Bayer, Bristol Meyers, etc) são administradase os seus CEO são pessoas que foram já governadores, senadores e chefes do FDA e do Supremo Tribunal; com assento próprio, os juízes trabalharam já em grandes empresas farmacêuticas. Retomam os seus empregos, depois de fazerem uma nova legislação, para beneficiar os seus próprios investimentos.
Não se engane, os pesticidas utilizados na maioria das fazendas norte-americanas dão humanos com câncer, e os políticos que apoiam os alimentos geneticamente modificados, conhcidos por OGM significa que as mudas de frutas e legumes são genéticamente modificados com pesticidas tóxicos num laboratório, por isso, mesmo que você lave sua comida, você ainda está comendo dioxina, a mesma substância química tóxica (agente laranja), que os EUA despejaram no Vietname, e que causou câncer aos nossos próprios soldados, para não falar dos vietnamitas!
As agências que você confia tanto (FDA / CDC / AMA / CDC / ACS / principais companhias de seguros) apoiam alimentos tóxicos e medicamentos venenosos.
Os políticos deveriam defender o bem da maioria das pessoas, mas vigora a política "bastardizing" o sistema do lucro, tanto quanto possível, antes de ser afastado do cargo 4 anos mais tarde. Alimentos, remédios e vacinas tornaram-se catapultas de tóxicos para exploração pela Big Pharma e agências governamentais (sociedades secretas).
Você já se perguntou como as empresas de seguros de saúde angariam negócios futuros? Eles investem em empresas, cujos produtos causam doenças crônico-degenerativas, reduzindo os custos de cuidados de saúde das pessoas através do telhado. As gigantes canadenses e norte americanas das seguradoras de saúde investem quase US$ 2 bilhões em acções nos gigantes do fast food como o McDonalds, Burger King, KFC e Taco Bell.
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