1 de mai de 2012

Grande imprensa fragiliza tese da autorregulamentação

A tese sustentada pela grande imprensa de que os próprios veiculos jornalísticos teriam a competência de se autorregulamentarem vem sendo fortemente prejudicada pela insistência em não apurar as denúncias contra o envolvimento da Veja com o crime organizado.
Ao contrário do que aconteceu na Inglaterra, onde o escândalo Murdoch foi revelado basicamente pela investigação profissional e competente de jornalistas do The Guardian e da BBC, no Brasil, Folha, Estadão e Globo tentam, sem sucesso, construir uma cortina de silêncio em torno dos desvios éticos da revista Veja e do Grupo Abril, com seu envolvimento já comprovado com a quadrilha de Carlinhos Cachoeira.
A opinião pública surpresa com este tipo de corporavismo recorre às redes, onde a investigação jornalística e independente vem ganhando força, até com adesão de portais como o Terra.
A resistência é tanta que centenas de milhares de acessos diários nas redes, frequencia maior do que a maioria dos jornais deste país, não foram o suficiente para mostrar aos grandes grupos que o tema deve pelo menos ser debatido.
Quando o escândalo Murdoch veio à tona, diversos jornalistas brasileiros disseram que a regulamentação da imprensa não era necessária porque ela própria teria a capacidade de se autofiscalizar.
Mas, pouco tempo depois, diante das revelações das práticas ilícitas do Grupo Abril, esta tese veio abaixo com o silêncio em relação ao caso e até a agresividade sustentada por colunistas contra os profissionais que na rede vêm fornecendo informações comprovadas e importantes para a sociedade.
À época do escândalo, o próprio The Guardian promoveu um amplo debate sobre fiscalização e limites em relação à ação dos jornalistas e dos veículos.
Nem sequer este debate foi promovido pelos grandes meios nacionais, o que mostra imaturidade, despreparo, falta de responsabilidade social e compromisso com a opinião pública.
A tese da autorregulamentação simplesmente vem se mostrando inviável. Não por força dos argumentos contrários. Mas pela incompetência dos próprios argumentadores favoráveis a ela.
Weden
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O trabalho e os pobres que fazem a História

Até recentemente os historiadores desdenhavam os pobres. A crônica do passado se fazia em torno de reis débeis, alguns; corajosos, outros. Também os intelectuais, cientistas e artistas sempre estiveram na vanguarda da história oficial. A civilização se fazia também com os santos, mas os santos da Igreja, em sua maioria, eram recrutados entre os membros da classe dominante na Idade Média, ainda que renunciassem à riqueza, como Francisco de Assis, ou se fizessem mártires nas guerras que, de santas nada tinham, como as cruzadas. Os santos modernos, com raras exceções, são militantes políticos contra os pobres, como o fundador da Opus dei.
Hoje cresce entre os acadêmicos a preocupação com a “História vista de baixo”, embora a razão recomende não estabelecer o que seja alto ou baixo na construção do homem. É bom olhar o trabalho dos pobres, e sua luta por justiça, como o sumo da História. Não foram os faraós que construíram as pirâmides, mas, sim, os escravos; as grandes cidades modernas podem ter sido imaginadas pelos arquitetos geniais, mas não sairiam das pranchetas sem as mãos ásperas dos pedreiros, armadores e carpinteiros. O mundo virtual, abstrato, dos pensadores, prescinde do trabalho pesado, mas a doma da natureza, com a agricultura e o pastoreio, e sua transformação em objetos tangíveis, são conquistas da fadiga cotidiana.
Muitos trabalhadores que hoje estão comemorando o primeiro de maio, não sabem exatamente como surgiu essa tradição. Ela se deve a uma das primeiras greves organizadas nos Estados Unidos, em 1886. No dia 3 de maio, parados havia algum tempo, os trabalhadores de uma indústria de máquinas colheitadeiras de Chicago, a McCormick Harvesting Machine Company, formaram piquetes diante dos portões da fábrica e foram dissolvidos pelos policiais que protegiam os fura-greves, com a morte de vários operários e dezenas de presos e feridos. Como protesto, eles se reuniram, com o apoio de outros trabalhadores, no dia seguinte, na praça do Heymarket, no centro da cidade.
Entre outras reivindicações, os grevistas exigiam a fixação da jornada do trabalho em oito horas diárias. Os patrões, como fazem até hoje, organizaram pelotões de bate-paus, garantidos para ajudar a polícia. Houve o conflito, com os grevistas se defendendo como podiam, e uma bomba explodiu, matando sete policiais. A polícia atirou, matou muitos trabalhadores e buscou suspeitos. Um líder dos trabalhadores, August Spies, embora provasse não estar no local, foi, com três outros, também vistos como inocentes, condenados à forca, e executados em 11 de novembro do ano seguinte. Um dos presos matou-se. Os três que conseguiram escapar do cadafalso foram perdoados, em 1893, pelo governador de Illinois, John P. Altgeld. O movimento sindical, que existia, de forma dispersa e débil, desde a presidência de Andrew Jackson, tomou corpo a partir do episódio, com a reorganização da American Federation of Labor.
O século 20 começou com a criação de novos sindicatos de trabalhadores, principalmente nos Estados Unidos e na Inglaterra (já anteriormente com o incentivo do conservador Disraeli), e na Alemanha. Foram as lutas dos trabalhadores que moderaram, um pouco, a avidez dos capitalistas liberais. Essas lutas se iniciaram em 1848 na Europa, tiveram impulso com a Comuna de Paris, em 1871, e viveram a sua grande data no massacre do Haymarket e suas conseqüências, em 1886.
Na luta contra a Depressão dos anos 30, os países ocidentais (na União Soviética a situação era outra) procuraram incentivar o sindicalismo e contar com seu apoio. Hitler decretou, no dia 1º de maio de 1933, que a data seria festejada sob o nazismo como o Dia do Trabalho. No dia seguinte, fechou todos os sindicatos, prendeu seus líderes e iniciou a perseguição aos socialistas e comunistas. Nos Estados Unidos e no Canadá, para desvincular a comemoração do massacre de maio, a data escolhida foi a da primeira segunda feira de setembro.
O movimento sindical, para ser autêntico, não deve atrelar-se aos governos, ainda que, na defesa do interesse dos trabalhadores, possa apoiar essa ou aquela medida dos estados nacionais. Foi a luta dos trabalhadores ingleses que criou o Labour Party na Inglaterra, em 1906, e conseguiu as reformas das leis do trabalho que permitiram o desenvolvimento econômico e político da Grã Bretanha, e a levaram ao forte desempenho bélico na Primeira e na Segunda Guerra Mundial.
Os historiadores começam a deixar os papéis dos gabinetes oficiais e as alcovas da nobreza, a fim de encontrar os verdadeiros agentes da civilização, no estudo da vida e da resistência dos pobres contra a opressão – o que ela tem de melhor. É hora de que se faça o mesmo em nosso país. É mais importante estudar a resistência dos negros e dos brancos miseráveis do Brasil Colônia – que valiam menos do que os escravos, posto que os últimos, como bens de produção, tinham valor de mercado – do que imaginar como eram os encontros galantes de Pedro I com a Marquesa de Santos. Foi o suor dos desprezados que deu liga à argamassa de nossa nação – e de todas as outras nações.
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Leréia desafiador: “Lula, vem cá !”

Bem que o Conversa Afiada avisou:
Você ainda ia ouvir falar muito desse alto dirigente tucano – clique aqui para “Você ainda vai ouvir falar muito no Leréia”.
Depois, avisou de novo, porque o pessoal do PiG não prestou atenção à generosa advertência: o alto dirigente tucano continuava nas paradas: “você ainda vai ouvir falar muito do Leréia – II”.
Sempre ficava aquela pergunta inaudível: será que o dinheiro do Cachoeira ia para as campanhas nacionais do PSDB, com a solícita ajuda do Leréia?
Esta pergunta certamente o Tatto e Odair farão na CPI da Veja, não é isso, Tatto?
(E o Robert(o) e os Marinho – quando é que voces vão convocar? Ou o PT também vai engolir a Veja, como fez o PiG?)
Bem, aí, a Folha acordou, entrou no Alto Comissariado Nacional Tucano e descobriu o Leréia a desafiar o Lula:

Deputado usou cargo para agilizar vistos do grupo de Cachoeira

Gravação mostra que empresário acionou Leréia para obter autorização para a sogra
Leandro Colon
De Brasília
Gravações feitas pela Polícia Federal apontam que o deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) usou o prestígio do cargo de presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara para agilizar a emissão de vistos internacionais a pedido do grupo do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
Cachoeira, preso na Operação Monte Carlo sob a acusação de comandar um esquema de jogo ilegal, acionou Leréia para conseguir um visto para sua sogra Meire Alves Mendonça e uma babá viajar aos EUA no ano passado.
O tucano também teria obtido vistos para familiares do ex-vereador Wladimir Garcez (PSDB), apontado como operador do esquema. Leréia é alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal que apura suas ligações com Cachoeira.
As gravações obtidas pela Folha mostram Cachoeira celebrando a posse do deputado como presidente da comissão de Relações Exteriores em 2 de março de 2011: “Você agora é o homem dos vistos, é?”.
O deputado brinca e cita o episódio envolvendo os passaportes aos filhos do ex-presidente Lula. “Rapaz, o primeiro que quero chamar é o Lula pra depor. Aquele negócio dos vistos dos filhos dele. Vou falar ‘o Lula vem cá, vamos fazer um acordo’. O pessoal perguntou se falo inglês, falei ‘estudei junto com o Lula, somos colegas de turma’”.
Às 17h10 de 27 de abril, Leréia e Cachoeira comentam a emissão do visto de Meire Mendonça, mãe de Andressa, sua mulher. "Quando que ela tem a viagem dela, tá previsto pra quando?", questionou Leréia. "Você põe aí Leréia a viagem dela quando liberar o visto aí", disse Cachoeira.
O deputado disse: "Vou antecipar pra ela aqui. 9 de maio não sei se dou conta, vou viajar. A data do dia 20 de maio dou conta. Tá bom né?". No mesmo diálogo o deputado cita o visto da filha de Wladimir Garcez: "A do Wladimir também tô resolvendo dele aqui".
Cachoeira respondeu que, como a filha de Garcez já tinha conseguido o documento, era preciso cuidar do visto de sua sogra e da babá Elisângela. Leréia deixou a presidência da comissão no mês passado.
Segundo as gravações, Leréia é suspeito de ter recebido R$ 25 mil de Cachoeira. Num diálogo o empresário chega a passar os números de seu cartão de crédito ao deputado.
Leréia disse que não vai se manifestar enquanto não tiver acesso à integra do inquérito.
A defesa de Cachoeira não foi localizada para comentar o assunto. Os advogados do empresário têm evitado se pronunciar sobre os diálogos sob a alegação de que foram captados de maneira ilícita.
Atente, amigo navegante, para a frase lapidar do dirigente (nacional) tucano: “o primeiro que eu quero chamar é o Lula pra depor!… Lula vem cá!”
Não lembra o “o Gilmar mandou buscar”?
Não lembra o Arthur Virgilio Cardoso, na tribuna do Senado: vou dar uma surra no Lula!
Que firmeza, que rapidez!
É no vapt-vupt!, diria o Chico Anysio.
Paulo Henrique Amorim
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Dia do trabalho ou dia do trabalhador?

Operários - Tarsila do Amaral
No dia internacional do trabalho, celebram-se as lutas operárias em defesa da redução da jornada de trabalho. Lembrar do primeiro de maio serve para que não se esqueça o ocorrido em 1º de maio de 1886 em Chicago nos Estados Unidos. Nestas manifestações, precisamente durante o confronto com a polícia local, ocorreram mortes quando uma bomba explodiu. Por considerar os organizadores das passeatas os responsáveis pelas mortes, os dirigentes sindicais foram condenados pela Justiça à morte na forca. É esse o grosso resumo dos fatos que explicam historicamente o primeiro de maio (veja a história mais detalhada em http://www.culturabrasil.pro.br/diadotrabalho), justificando o epíteto de “os mártires de maio”.
A despeito desta história de luta, morte e injustiça de trabalhadores, o primeiro de maio é designado como “dia do trabalho”. Este título oficialesco representa uma sutil prevalência da ação (trabalho), logicamente em detrimento do sujeito que realiza esta ação (trabalhador). No discurso oficial, celebra-se o trabalho humano na sua acepção genérica e não a luta dos trabalhadores que pagaram com sangue a obtenção da jornada de oito horas. Suprime-se o trabalhador (e sua dor), restando o trabalho, na perspectiva positivista mais neutra possível.
Esta questão de nomenclatura não pode ser tida como um problema pequeno. Isto porque algumas mudanças de nomes, como esta, trazem um conteúdo ideológico de esvaziamento do sentido histórico do termo. Falar hoje em dia do trabalho pouco remete a luta pela redução da jornada de trabalho e as demais lutas dos trabalhadores. Comemorar o primeiro de maio tende a significar somente a exaltação de toda a pessoa que trabalha, que pode ser tanto um empregador que administra sua empresa, um trabalhador autônomo, ou um empregado. Assim, consegue-se, com uma pequena mudança de nome, desfocar as lutas dos trabalhadores, consagradas em parte no Direito do Trabalho.
Celebra-se, enfim, neste dia uma série de conquistas do Direito do Trabalho, muitas atendendo parcialmente aos reclames dos trabalhadores. Rememora-se que estas lutas tiveram um preço histórico grande para serem reconhecidas pelo Estado como direitos trabalhistas, tal como foi a morte de mais cento e trinta mulheres grevistas queimadas numa fábrica de Nova York em 1857, data posteriormente reconhecida como dia internacional da mulher. Mais apropriado, então, é referir-se ao dia de hoje como “dia internacional do trabalhador”, em memória dos mártires de Chicago e em respeito à história das lutas dos trabalhadores e trabalhadoras.
Murilo Oliveira, Juiz do Trabalho(5ª Região) e Professor da UFBA.
No Gerivaldo Neiva
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A superficialidade fútil de FHC

A política é construída de simbolos e mitos. E essa construção depende, e muito, da contribuição acadêmica e, especialmente, midiática.
Na história do Brasil, um dos mitos persistentes foi a do intelectual engajado, o político com formação acadêmica, com supostas luzes intelectuais capazes de conduzir o país a um destino melhor do que nas mãos de políticos tradicionais e/ou pessoas sem formação.
O mito Rui Barbosa foi o primeiro grande engodo na República. O mito FHC foi o último.
O ex-presidente tem inúmeras virtudes, poucas ligadas ao campo intelectual. A maior delas foi justamente a capacidade de operar a baixa política, de montar modelos de governabilidade através da cooptação seletiva de partidos políticos - lição ignorada por Lula no primeiro governo (e que lhe custou o escândalo do chamado "mensalão") e absorvida no segundo.
Mas no plano estrito da construção nacional, o teórico FHC foi um blefe. Limitou-se a repetir bordões da moda, sem a menor capacidade de digerí-los, trabalhá-los e organizá-los em torno de uma ideia forte.
No lançamento no Instituto Fernando Henrique Cardoso, protestou quando taxei seu governo de neoliberal - em uma questão dirigida ao espanhol Manuel Castells. Era surpreendente que, abrindo mão de qualquer forma de intervenção do Estado, até as básicas - a definição de um Projeto Nacional -, anulando todos os setores do PSDB que dispunham de uma visão social-democrata, não aceitasse que seu governo fosse enquadrado na categoria neoliberal.
Na entrevista que fiz com ele - que fecha o livro "Os Cabeças de Planilha" - era patética sua incapacidade de entender o papel de setores básicos para a construção de um país moderno: gestão, inovação, políticas sociais massivas, apoio à pequena e micro empresa, diplomacia comercial. O máximo que apresentava como fórmula de desenvolvimento era o fortalecimento de grandes grupos nacionais - os banqueiros de investimento - que, crescendo, trariam o país atrás de si. Era uma simplificação grosseira, um entendimento primário dos processos de desenvolvimento, fôsse por qual ângulo se analisasse, se de mercado ou de intervenção estatal.
Acabo de receber um email de uma socióloga da USP acerca da crítica que FHC faz ao governo Dilma, de falta de um "projeto nacional".
Confiram.
Alguns críticos acreditavam que existia um projeto de país na cabeça do intelectual, que o presidente não teve condições de implementar. Nem o presidente nem o intelectual entenderam minimamente o caminho que o país deveria percorrer.
ESQUEÇAM O QUE ESCREVI... JÁ QUE EU SEMPRE ME ESQUEÇO TUDO O QUE DEFENDI...
Hoje, tivemos mais uma prova de que Fernando Henrique Cardoso não se preocupa com a coerência. No livro "A Soma e o Resto", ele afirma :"Tenho horror a essa ideia de que falta um projeto nacional, para o Brasil. Isso é uma visão totalitária, a famosa utopia totalitária."( editora civilização brasileira, R. de J., 2011, p. 52).
Pois hoje, dia 30 de abril de 2012, na Folha, caderno Folhainvest, "Mercado Aberto", p. B2, ele dá uma entrevista a Maria Cristina Frias, e, em certo momento, criticando a Presidenta Dilma, ele afirma "Nós não tivemos até agora, nenhuma discussão substancial sobre o que fazer com nosso potencial de petróleo, etanol, eletricidade(...) Não quero dizer que seja a Dilma. Podia estar eu lá e ter o mesmo problema. Precisamos de um projeto nacional. Difícil fazer com que esses temas tenham acolhida. Até no meu próprio partido...".
Ou seja, agora ele sabe reconhecer a falta que nos faz a existência de um projeto nacional!
Anotações de uma professora de sociologia da USP
Luis Nassif
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"Governo acumula forças para enfrentar debate sobre a mídia"

Secretário de Comunicação do Partido dos Trabalhadores diz que os meios de comunicação, a revista Veja em especial, não podem ser poupados das investigações da CPI do Cachoeira. "Se um deputado ou senador tem que responder por associação com o crime organizado, uma empresa de comunicação social também deve”, afirma, em entrevista à Carta Maior, o deputado André Vargas. Para ele, a presidenta Dilma Rousseff enfrentará o tema da concentração dos meios de comunicação.
Em entrevista à Carta Maior, o secretário de Comunicação do Partido dos Trabalhadores, deputado André Vargas (PR), admite que há um descompasso entre as bandeiras históricas do PT para a comunicação e a política praticada pelo governo. Mas afirma que a presidenta Dilma Rousseff enfrentará o problema da alta concentração dos meios de comunicação no Brasil, a exemplo do que vem fazendo com os juros bancários, porque possui mais condições efetivas de fazê-lo do que o seu antecessor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Avalia que a CPMI do Cachoeira ajudará a deslanchar o debate. “A dinâmica dos fatos estabelece uma ligação a ser esclarecida entre a ‘fábrica de crises’ que a grande imprensa utiliza sistematicamente, principalmente no período em que o PT está no poder”, avalia.
Qual é o projeto do PT para a área de comunicações? O PT recuou do programa apresentado nas eleições?
O PT vem sistematicamente, nos seus documentos, retomando um debate que não é só das eleições, mas da história dos 32 anos do partido. A questão da democratização das comunicações está na nossa plataforma. A agenda política permanece não só a mesma, como vem se aprimorando, buscando um foco. O PT continua com suas bandeiras, mas tem a contingência de ser o partido do governo. E a condução do governo tem outro ritmo.
Então existe um descompasso entre o que o PT pensa para a Comunicação e a forma como o governo age?
É natural que haja algum descompasso. Este é um governo de coalizão. Na nossa visão, o marco regulatório já deveria estar em discussão, mas o governo administra sua coalizão, sua governabilidade. O PT ajuda o governo nessa governabilidade, mas discorda e deixa isso bem claro em todos os seus documentos. Nós lutamos por um marco regulatório que, de fato, enfrente questões como o monopólio da mídia, a desconcentração, a propriedade cruzada, a questão do conteúdo regional, que rediscuta os contratos entre as afiliadas, o crescimento da internet etc.
E como se dá a pressão do PT nesse governo de coalizão? Qual o peso dela?
O partido dialoga de forma respeitosa com a presidente e este é tema
recorrente. Nos seus documentos, o PT nunca deixou de manifestar sua opinião, sem deixar de entender que o governo tem o tempo dele e nós temos o nosso. Os grandes veículos exercem também sua pressão sobre o governo.
Nós vivemos em um ambiente democrático. Mas a mídia [tradicional], em especial a Veja, não esconde que tem quase uma fixação pelo PT, que deve ser avaliada no campo da psiquiatria, da psicologia. Agora, a CPI do Cachoeira mostrará mais um pouco disso. Muita coisa que a gente suspeitava pode ser verdade. Os veículos de comunicação bateram também no PSDB, mas no nosso caso há um superdimensionamento.
O sr. está dizendo que a grande mídia usou desses expedientes especialmente nos governos do PT?
Isso ficou claro nos fatos que levaram à CPI do Cachoeira. É a primeira vez que a mídia não apoia uma CPI no seu nascimento. É simbólico isso. E só passou a apoiar forçando uma mudança de foco: elegeram a Delta [construtora responsável por obras do PAC] , e se esqueceram do Demóstenes [Torres, senador por Goiás] e do [Marconi] Perillo [governador de Goiás]. Mas a gente fala mídia como se fosse um ente absoluto. Não é assim.
Não é mais porque a Globo falou que se torna verdade. Isso está muito relativizado. Não existe mais um jornal nacional no país. Jornal impresso, muito menos. Há jornal em São Paulo que pretende ser nacional e não chega no ABC paulista. O governo tem feito alguns movimentos, ainda que não do jeito que a gente gostaria. A questão da regionalização que a Secom [Secretaria de Comunicação da Presidência] faz. Eu gostaria que fizesse muito mais, mas já há mais investimentos na mídia da internet. Antes eram 500 veículos que recebiam publicidade oficial. Hoje já são mais de 8 mil. Já é alguma coisa.
No debate sobre a mídia, a militância reclama que essa questão andou apenas no final do governo Lula e foi relegada a segundo plano no governo Dilma.
Em toda transição entre governos existe uma reacomodação. E o primeiro ano de todo governo é atípico mesmo. Mas eu acredito que o governo Dilma irá fazer muito neste campo, porque as condições de efetivamente fazer estarão melhores do que as condições de efetivamente fazer que o Lula teve.
E, neste aspecto, a CPMI do Cachoeira ajuda?
Ajuda. Não fomos nós que criamos a CPI; não fomos nós que delegamos a um senador moralista ser sócio do crime organizado. Nosso governo investiga mais criminosos, a Polícia Federal tem melhores condições de investigação. Mas não fomos nós que criamos os fatos da CPI. O que nós entendemos é que a dinâmica dos fatos estabelece uma ligação a ser esclarecida entre a fábrica de crises que a grande imprensa se utiliza sistematicamente e o crime, principalmente no período em que o PT está no poder.
Aliás, tem gente que estabelece semelhanças da capas da Veja de agora com as feitas no governo Collor, antes do impeachment. A revista nem foi criativa. Achou que havia escândalo suficiente para derrubar um governo e seguiu o roteiro. Se isso foi feito de forma criminosa, como fez o [Rudolf] Murdoch [o magnata das comunicações, controlador do jornal britânico News of the World, fechado por envolvimento em interceptação de conversas telefônicas de celebridades], esse é um debate legítimo ao qual a sociedade deve ter acesso. Isso será um subproduto da chamada CPI do Cachoeira. Vai estar presente nas investigações.
O que nos move é esclarecer os fatos. Se as gravações obtidas[pela Veja] para construir as matérias foram feitas de forma ilegal, nós queremos apurar. Queremos saber que relações esse jornalista [Policarpo Júnior] tinha com Cachoeira. Se um deputado ou senador tem que responder por associação com o crime organizado, uma empresa de comunicação social também deve, pois não é uma empresa neutra. É uma empresa que influencia opinião. Por que este seguimento não pode ter uma avaliação? Porque não podem se subordinar a uma conferência nacional? Ouvir o povo? No caso da TV Globo, ela é concessão pública.
Como enfrentar esses interesses, num ambiente de mídia concentrada e sem critério de regulação?
A democracia é o melhor dos ambientes. Esse novo Brasil não está sendo construído só pelo PT, pelos partidos, mas também pelo povo. Quanto mais nós conseguimos empoderar essa multiplicidade de comunicações, redes e tudo, maior será o avanço. Nós temos hoje um processo de acesso à informação multiplicado, mas um processo de produção de informação ainda muito concentrado. Eu acredito que o governo está armazenando as condições para encarar esse problema de frente, como fez com os bancos. Nós estamos em uma fase de acúmulo de forças para fazer este debate. Que não é um debate simples de fazer.
Acumulando forças como? E a maioria legislativa do governo?
Nós não temos muita alternativa. Quando nos pronunciamos a favor da regulação e o PSB, do neto do Miguel Arraes [Eduardo Campos, governador de Pernambuco] falou contra o documento do PT [que propõe o novo marco regulatório, democratização da comunicação etc], deu para perceber que não seria fácil . E tudo isso passará pelo Congresso Nacional. Para falar muito claramente sobre a correlação de forças: a Emenda 3, a famigerada, perdemos. O Código Florestal, nós arregimentamos forças e contamos 180 votos. Mas quando foi a voto não chegamos a 120 votos. Esses são os aliados que temos.
E como mudar essa correlação de forças?
Onde é que o povo se manifesta nessa questão? Essa discussão não vai provocar uma passeata com 50 mil pessoas. Há poucas manifestações sobre isso no campo das redes e esse é um debate que a população ainda não assumiu. São importantes estratégias como a do FNDC [Fórum Nacional de Democratização da Comunicação], de fazer uma campanha de popularização do marco regulatório da comunicação. Mas o PT não pode fazer essa mobilização sozinho, inclusive porque o tema fica estigmatizado como sendo algo do PT. Este é um trabalho para o conjunto de partidos, entidades, grupos e movimentos envolvidos nesse debate. Aliás, muito me impressiona entidades do nível da OAB e a CNBB não entrarem nesta agenda, pois isso interessa também a esses seguimentos.
Essa resistência não teria a ver com essa interpretação de que a regulação cerceará a liberdade de expressão?
Por isso é que nossa visão é que a nossa campanha seja pela liberdade de expressão. Por que é isso o que nós defendemos: uma liberdade de ir e vir, de receber, mas também de oferecer, de interagir. E a convergência digital oferecer essa possibilidade.
Por que o senhor assegura que o governo Dilma tem melhores condições de fazer esse debate que o governo anterior?
O governo vai ter que enfrentar este tema, e ninguém do governo disse que não vai enfrentar. O governo tem um desafio histórico de dar conta dessa demanda, que é uma demanda estrutural da sociedade brasileira. Não é uma demanda utópica, uma questão qualquer. É uma questão de fundo. O governo, dentro do processo de governabilidade, está acumulando energia e força. Nós não temos dúvida de que o governo tem este compromisso. Mas o PT vai continuar dizendo e tensionando. Não nos compete avaliar perfil de ministros, mas compete reforçar uma posição que a presidente tem colocado: a de que é favorável à liberdade de imprensa – aliás, isso nunca foi uma dicotomia para nós.
Nós somos favoráveis e somos frutos da liberdade de imprensa. A esquerda, o Lula, a Dilma, tudo isso é fruto da liberdade de imprensa. Mas também sofremos e padecemos da concentração da mídia que, muitas vezes, impõe uma visão que limita o desenvolvimento da sociedade. Nós não queremos que o PT se perpetue no poder, mas que a sociedade brasileira seja cada vez mais civilizada, aberta, sem preconceitos, onde todos tenham direito a comer, beber, vestir, emprego, universidade, lazer, esporte, enfim, a comunicar, a se ver, a ter identidade. Nós não cogitamos a hipótese de que isso não seja por uma via democrática. E a via democrática é o Congresso Nacional. Isso não quer dizer que não vamos debater os temas que não têm apoio da maioria do Congresso. Vamos debater, mas vai chegar a hora de votar. Mas existem passos que não demandam mudança de legislação. É importante, por exemplo, cobrar a instalação do Conselho de Comunicação, que está na Constituição.
Maria Inês Nassif, Najla Passos e Vinicius Mansur
No Carta Maior
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Símbolos religiosos em órgãos públicos?

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#VEJAnaCPI

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Atacar juros é o Plano Real de Dilma

Os bancos não podem continuar cobrando os mesmos juros enquanto a taxa básica cai, a economia permanece estável e a maioria paga as suas contas em dia. O setor financeiro não tem como explicar essa lógica perversa aos brasileiros.
(Presidente Dilma Rousseff, no pronunciamento feito em cadeia nacional de rádio e televisão na véspera do 1º de Maio)
* * *
A decisão tomada pela presidente Dilma Rousseff de partir para o ataque contra os altos juros cobrados pelos bancos vai na mesma linha do combate à inflação desfechado pelo Plano Real que, nos anos 1990. elegeu duas vezes Fernando Henrique Cardoso para a presidência da República.
A diferença é que Dilma já está na presidência há 16 meses e seu governo bate seguidos recordes de popularidade. Se a inflação era o maior problema da economia brasileira no período pós-ditadura, os juros altos são o maior entrave hoje para o crescimento sustentável do país.
Nada mais justo, portanto, que Dilma aproveite a sua lua de mel com a população para fazer o que nenhum antecessor dela teve coragem: confrontar o setor financeiro cujos lucros crescem em progressão geométrica a cada ano.
Meu amigo José Alencar, o vice de Lula, já falecido, com certeza ficaria orgulhoso de ver a presidente falando na televisão. Afinal, ele passou oito anos no governo reclamando dos juros altos. Dilma agora atendeu aos seus apelos.
O governo estava de olho nos bancos desde agosto do ano passado, quando o Banco Central começou a reduzir a taxa básica de juros (Selic), que hoje está em 9% ao ano, a mais baixa dos últimos tempos.
Os grandes bancos brasileiros nem se coçaram com a iniciativa de Dilma e continuam cobrando 185% de juros ao ano no cheque especial. De fato, é um acinte para a população brasileira que o chamado "spread", a diferença entre o que o banco nos paga de rendimentos e o que cobra quando vamos fazer um empréstimo: 176 pontos percentuais.
Para quem a conhece, até que demorou muito para Dilma perder a paciência. Sem subir o tom de voz, com o semblante sereno, mas com firmeza, ela foi direto ao ponto no pronunciamento da noite sesta segunda-feira:
"É inadmissível que o Brasil, que tem um dos sistemas financeiros mais sólidos e lucrativos, continue com os juros mais altos do mundo", cobrou a presidente na TV.
Até abril, o governo tentou negociar a redução dos juros com o presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Murilo Portugal, mas o setor não queria ceder nada e ainda tentou tirar alguma vantagem.
Foi a gota d´água. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, dispensou a interlocução de Portugal e determinou aos principais bancos públicos do pais, o Banco do Brasil e a Caixa Economia Federal, que tomassem a iniciativa de reduzir os juros. Os grandes bancos privados, para não perder a freguesia, teriam que vir atrás, o que de fato já está acontecendo.
Apesar de tratar de um problema econômico, o discurso de Dilma foi essencialmente político, ao pedir diretamente à população que procure as taxas de juros mais baixas.
"A Caixa e o Banco do Brasil escolheram o caminho do bom exemplo e da saudável concorrência de mercado, provando que é possível baixar os juros cobrados dos seus clientes em empréstimos, cartões, cheque especial, inclusive no crédito consignado".
É tudo o que gostariam de ouvir os brasileiros que foram às compras nos últimos anos e agora fazem contas para ver como vão pagar suas dívidas. Com juros menores, eles ganharão confiança até para comprar o que falta - e a economia continuará girando.
É este o Plano Real de Dilma Rousseff, um belo presente para os trabalhadores no seu dia, até para os que estão trabalhando no feriado...
Ricardo Kotscho

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#VEJAnaCPI

 Portal Terra também rompe o silêncio  

Inquérito da PF aponta ligação entre Cachoeira e revista 'Veja'

Gravações feitas pela Polícia Federal (PF), que constam em inquérito da operação Monte Carlo, indicam que o contraventor Carlinhos Cachoeira influenciava os rumos de reportagens da revista Veja. Em conversa com o ex-diretor da empresa Delta Claudio Abreu, o bicheiro comemora a publicação de uma matéria: "Foi bom demais, hein?". Em seguida, Abreu comenta que indicou "PJ" (Policarpo Júnior, diretor da sucursal da revista em Brasília) a continuar no "caminho" de denunciar o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). As informações são do Jornal da Record.
Policarpo e Roberto Civita, dono da editora Abril, podem ser chamados a prestar esclarecimentos à CPI do Cachoeira, que na quarta-feira analisa os pedidos de convocação. "É diferente de jornalismo investigativo essa atitude, que me parece muito mais de cumplicidade", disse o deputado federal Fernando Ferro (PT-SE), em tom similar ao do novo ministro do Trabalho, Brizola Neto, para quem "Cachoeira usava a Veja como instrumento de seu esquema de coação, chantagem", enquanto a revista utilizaria o bicheiro "como fonte de combustível para a fornalha de seu ódio político contra governos de esquerda, Lula e Dilma". Em seu blog, o pedetista acrescenta que "a maior prova é que as ligações de Cachoeira com Demóstenes Torres e Marconi Perillo (...) nunca foram objeto de apuração por parte da revista". Sem mencionar o inquérito da PF, o diretor de redação da revista, Eurípedes Alcântara, publicou texto no último dia 21 no qual pondera que "maus cidadãos podem, em muitos casos, ser portadores de boas informações" e que "ter um corrupto como informante não nos corrompe".
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A Ditadura da Heteronormatividade

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Farmacéuticas bloquean fármacos que curan porque no son rentables

El ganador del Premio Nobel Richard J. Roberts denuncia la forma en la que operan las grandes farmacéuticas dentro del sistema capitalista, anteponiendo los beneficios económicos a la salud y deteniendo el avance científico en la cura de enfermedades porque curar no es tan rentable como la cronicidad
Hace unos días publicamos una nota sobre datos revelados que muestran que las grandes compañías farmacéuticas en Estados Unidos gastan cientos de millones de dólares al año pagando a doctores para que estos promuevan sus medicamentos.
Para complementar reproducimios esta entrevista con el Premio Nobel de Medicina Richard J. Roberts, quien señala que los fármacos que curan no son rentables y por eso no son desarrollados por las farmacéuticas que, en cambio, sí desarrollan medicamentos cronificadores que sean consumidos de forma serializada.
Esto, señala Roberts, también hace que algunos fármacos que podrían curar del todo una enfremedad no sean investigados. Y se pregunta hasta que punto es valido que la industria de la salud se rija por los mismos valores y principios que el mercado capitalista, los cuales llegan a parecerse mucho a los de  la mafia. La entrevista fue publicada originalmente por el diario español Vanguardia:
¿La investigación se puede planificar?
- Si yo fuera ministro de Ciencia, buscaría a gente entusiasta con proyectos interesantes; les daría el dinero justo para que no pudieran hacer nada más que investigar y les dejaría trabajar diez años para sorprendernos.
- Parece una buena política.
- Se suele creer que, para llegar muy lejos, tienes que apoyar la investigación básica; pero si quieres resultados más inmediatos y rentables, debes apostar por la aplicada…
- ¿Y no es así?
- A menudo, los descubrimientos más rentables se han hecho a partir de preguntas muy básicas. Así nació la gigantesca y billonaria industria biotech estadounidense para la que trabajo.
- ¿Cómo nació?
- La biotecnología surgió cuando gente apasionada se empezó a preguntar si podría clonar genes y empezó a estudiarlos y a intentar purificarlos.
- Toda una aventura.
- Sí, pero nadie esperaba hacerse rico con esas preguntas. Era difícil obtener fondos para investigar las respuestas hasta que Nixon lanzó la guerra contra el cáncer en 1971.
- ¿Fue científicamente productiva?
- Permitió, con una enorme cantidad de fondos públicos, mucha investigación, como la mía, que no servía directamente contra el cáncer, pero fue útil para entender los mecanismos que permiten la vida.
- ¿Qué descubrió usted?
- Phillip Allen Sharp y yo fuimos premiados por el descubrimiento de los intrones en el ADN eucariótico y el mecanismo de gen splicing (empalme de genes).
- ¿Para qué sirvió?
- Ese descubrimiento permitió entender cómo funciona el ADN y, sin embargo, sólo tiene una relación indirecta con el cáncer.
- ¿Qué modelo de investigación le parece más eficaz, el estadounidense o el europeo?
- Es obvio que el estadounidense, en el que toma parte activa el capital privado, es mucho más eficiente. Tómese por ejemplo el espectacular avance de la industria informática, donde es el dinero privado el que financia la investigación básica y aplicada, pero respecto a la industria de la salud… Tengo mis reservas.
- Le escucho.
- La investigación en la salud humana no puede depender tan sólo de su rentabilidad económica. Lo que es bueno para los dividendos de las empresas no siempre es bueno para las personas.
- Explíquese.
- La industria farmacéutica quiere servir a los mercados de capital…
- Como cualquier otra industria.
- Es que no es cualquier otra industria: estamos hablando de nuestra salud y nuestras vidas y las de nuestros hijos y millones de seres humanos.
- Pero si son rentables, investigarán mejor.
- Si sólo piensas en los beneficios, dejas de preocuparte por servir a los seres humanos.
- Por ejemplo…
- He comprobado como en algunos casos los investigadores dependientes de fondos privados hubieran descubierto medicinas muy eficaces que hubieran acabado por completo con una enfermedad…
- ¿Y por qué dejan de investigar?
- Porque las farmacéuticas a menudo no están tan interesadas en curarle a usted como en sacarle dinero, así que esa investigación, de repente, es desviada hacia el descubrimiento de medicinas que no curan del todo, sino que cronifican la enfermedad y le hacen experimentar una mejoría que desaparece cuando deja de tomar el medicamento.
- Es una grave acusación.
- Pues es habitual que las farmacéuticas estén interesadas en líneas de investigación no para curar sino sólo para cronificar dolencias con medicamentos cronificadores mucho más rentables que los que curan del todo y de una vez para siempre. Y no tiene más que seguir el análisis financiero de la industria farmacológica y comprobará lo que digo.
- Hay dividendos que matan.
- Por eso le decía que la salud no puede ser un mercado más ni puede entenderse tan sólo como un medio para ganar dinero. Y por eso creo que el modelo europeo mixto de capital público y privado es menos fácil que propicie ese tipo de abusos.
- ¿Un ejemplo de esos abusos?
- Se han dejado de investigar antibióticos porque son demasiado efectivos y curaban del todo. Como no se han desarrollado nuevos antibióticos, los microorganismos infecciosos se han vuelto resistentes y hoy la tuberculosis, que en mi niñez había sido derrotada, está resurgiendo y ha matado este año pasado a un millón de personas.
- ¿No me habla usted del Tercer Mundo?
- Ése es otro triste capítulo: apenas se investigan las enfermedades tercermundistas, porque los medicamentos que las combatirían no serían rentables. Pero yo le estoy hablando de nuestro Primer Mundo: la medicina que cura del todo no es rentable y por eso no investigan en ella.
- ¿Los políticos no intervienen?
- No se haga ilusiones: en nuestro sistema, los políticos son meros empleados de los grandes capitales, que invierten lo necesario para que salgan elegidos sus chicos, y si no salen, compran a los que son elegidos.
- De todo habrá.
- Al capital sólo le interesa multiplicarse. Casi todos los políticos – y sé de lo que hablo- dependen descaradamente de esas multinacionales farmacéuticas que financian sus campañas. Lo demás son palabras…
Biografía
Richard J. Roberts nació en Derby, Inglaterra, en 1943. Estudió inicialmente Química, posteriormente se traslada a Estados Unidos, donde desarrolla actividad docente en Harvard y en el Cold Spring Harbor Laboratory de Nueva York. Desde 1992 dirige los trabajos de investigación del Biolabs Institute, de Beverly, (Massachusetts).
Obtuvo el Premio Nobel de Fisiología y Medicina en 1993, compartido con Phillip A. Sharp, por su trabajo sobre los intrones, fragmentos de ADN que no tiene nada que ver con la información genética. Pudieron describir que la información depositada en un gen no estaba dispuesta de forma continua, sino que se encontraba fraccionada.
Los primeros experimentos los realizaron sobre material genético de virus, particularmente de adenovirus.
Ambos llegaron a la conclusión de que el ARN ha tenido que preceder en la evolución al ADN.
Do Pijama Surf
No Blog do Mário
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Da utilização da Imprensa nos interesses da Organização Criminosa

Com a leitura cuidadosa dos documentos da Operação Monte Carlo pode-se concluir que a quadrilha de CARLINHOS Cachoeira, através de DADÁ e JAIRO, usava jornais e revistas para promoção de suas atividades econômicas ilegais, mas também como ferramenta de ajuda a aliados, chantagem e recrutamento de agentes públicos corruptos. 
Mostra POLICARPO JÚNIOR, Editor da Veja em Brasília, encomendando ao grupo criminoso uma fita obtida de maneira ilegal dentro do Hotel Naoum, enquanto o contraventor e seu sócio Senador DEMÓSTENES conspiram para "por fogo na República" e desestabilizar o governo DILMA ROUSSEFF
Excertos dos documentos da OPERAÇÃO MONTE CARLO
"Ou seja, é muito comum a ORGCRIM contatar jornalistas para auxiliá-los através de reportagens, em tese, direcionadas."
AS RELAÇÕES DA QUADRILHA DE CACHOEIRA COM POLICARPO E A VEJA:
C = CACHOEIRA D = DEMÓSTENES Chico = DADÁ e Poli = POLICARPO
Documentos encontrados nos arquivos publicados por @aleidoshomens e @brasil247.
Fernando Marés de Souza
No Roteiro de Cinema
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