29 de abr de 2012

Indignadas do high-society ou aquelas quem nem sabem o que discutem

Leia Mais ►

“O esquema Cachoeira roubou a minha história”

Quem diz é o ex-prefeito de Curitiba e ex-ministro Rafael Greca, que foi atacado pelo jornalista Mino Pedrosa (dir.) quando, em 1999, confrontou os interesses de Carlos Cachoeira (esq.); máfia goiana arruinou sua reputação e ele agora concorre novamente à prefeitura de Curitiba; leia entrevista exclusiva
Em 1999, Fernando Henrique Cardoso convidou Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba para assumir o Ministério Turismo e dos Esportes. Tanto FHC como Ruth Cardoso nutriam admiração intelectual por Greca, que havia sido o prefeito melhor avaliado do Brasil e também o deputado federal mais votado do País.
Greca chegou ao Ministério do Turismo e dos Esportes em 1999, ocupando uma cadeira que, antes dele, havia sido de Pelé e Paulo Renato de Souza, no governo FHC. Havia, ali, uma bomba relógio. Desde a Lei Zico, convertida depois em Lei Pelé, os bingos eram legalizados no País e 7% da arrecadação deveria ser destinada a atividades esportivas. Máquinas de jogo podiam ser utilizadas, desde que estivessem relacionadas ao bingo, e não a caça-níqueis tradicionais.
Tais máquinas eram importadas livremente e algumas eram montadas em Goiânia. Como ministro, Greca tomou duas decisões: (1) transferir para a Caixa Econômica Federal o controle sobre a arrecadação dos bingos, uma vez que a instituição já tinha experiência com loterias e também porque o dinheiro dessas casas não era devidamente repassado ao esporte e (2) fechar o cerco contra a importação de caça-níqueis.
Foi aí que começou seu inferno astral. Em reportagens capitaneadas pelo jornalista Mino Pedrosa, que depois veio a ser assessor formal de Carlos Cachoeira, Greca foi duramente atacado – era acusado de estar ligado a máfias espanholas e de estar montando um milionário caixa de campanha no Ministério dos Esportes. Demóstenes Torres ainda não era senador, mas outro parlamentar goiano atacava duramente o ministro – era o senador Maguito Vilella (PMDB-GO), que, da tribuna, disparava torpedos diários.
Greca contou com o apoio explícito de FHC, mas não resistiu ao ataque constante na imprensa. Entregou o cargo, teve sua reputação manchada e, desde então, vive uma espécie de ostracismo político, do qual tenta sair, concorrendo à prefeitura de Curitiba neste ano – ele é pré-candidato do PMDB.
Ao 247, ele falou sobre sua passagem pelo Ministério do Turismo e dos Esportes. Leia:
– O senhor já consegue enxergar com clareza os interesses que o derrubaram?
– Foi essa cachoeira de lama. Os ataques, muito virulentos, partiam desse jornalista Mino Pedrosa. Na época, eu não sabia que ele era tão ligado ao Carlos Cachoeira.
– Quais foram suas medidas no ministério?
– Eu me reuni com os atletas no Jockey Club do Rio de Janeiro e todos diziam que o dinheiro dos bingos não chegava às confederações. Em relação ao jogo, tomei duas decisões: transferir o controle da arrecadação para a Caixa Econômica Federal e fechar a importação desenfreada de máquinas caça-níqueis.
– Foi aí que começaram os ataques?
– Sim, o Mino Pedrosa dizia que eu queria montar um esquema de caixa de campanha, ligado à máfia espanhola. Respondi a 899 processos e fui inocentado em todos. O Fernando Rodrigues, da Folha, que é um jornalista decente, passou um mês investigando o meu patrimônio e o da minha esposa e não encontrou nada.
– Se o senhor era inocente, por que abandonou o governo?
– Ninguém aguenta o massacre. O Fernando Henrique foi solidário. Ele sabia que eu nunca entrei numa casa de bingo. Nunca vi uma máquina caça-níqueis. Meu interesse maior no ministério era o turismo, era promover o Brasil na festa dos 500 anos do descobrimento. Em relação ao esporte, eu realmente acreditava que a Caixa poderia fiscalizar a arrecadação do jogo. Mas isso bateu em interesses poderosos e eu fui massacrado. A tal ponto que a saída foi uma decisão para proteger o governo do presidente Fernando Henrique.
– Quais foram os impactos para a sua carreira política?
– Eu fui massacrado. Arruinaram minha reputação. Roubaram a minha história. Eu era um prefeito premiado no mundo inteiro. Fui o deputado mais votado do Brasil, em termos proporcionais. Agora estou tentando uma nova chance, porque amo a cidade de Curitiba.
– As pesquisas, em Curitiba, não o colocam entre os favoritos?
– No Ibope, dizem que eu sou “rejeitado”, mas o Ibope não mostra essa pesquisa. Nas nossas sondagens, o eleitor reconhece que sou o candidato com mais experiência e preparo. Quero muito ser prefeito. O que arruína um país são duas coisas: a política sem convicção e o dinheiro sem trabalho. Faço política por convicção. E foi derrubado por pessoas que ganham dinheiro sem trabalho.
Leia Mais ►

Donos de Portugal

Donos de Portugal é um documentário de Jorge Costa sobre cem anos de poder económico. O filme retrata a protecção do Estado às famílias que dominaram a economia do país, as suas estratégias de conservação de poder e acumulação de riqueza. Mello, Champalimaud, Espírito Santo – as fortunas cruzam-se pelo casamento e integram-se na finança. Ameaçado pelo fim da ditadura, o seu poder reconstitui-se sob a democracia, a partir das privatizações e da promiscuidade com o poder político. Novos grupos económicos – Amorim, Sonae, Jerónimo Martins - afirmam-se sobre a mesma base.
No momento em que a crise desvenda todos os limites do modelo de desenvolvimento económico português, este filme apresenta os protagonistas e as grandes opções que nos trouxeram até aqui. Produzido para a RTP 2 no âmbito do Instituto de História Contemporânea, o filme tem montagem de Edgar Feldman e locução de Fernando Alves.
A estreia televisiva teve lugar na RTP2 a 25 de Abril de 2012. Donos de Portugal é baseado no livro homónimo de Jorge Costa, Cecília Honório, Luís Fazenda, Francisco Louçã e Fernando Rosas, publicado em 2010 pelas edições Afrontamento e com mais de 12 mil exemplares vendidos.

Leia Mais ►

Aquecimento global: pai da “hipótese Gaia” se retrata de seu alarmismo

James Lovelock, pai da “hipótese Gaia”,
se retrata de seu alarmismo
James Lovelock, criador da hipótese ambientalista segundo a qual a Terra formaria um só organismo “vivo” apelidado “Gaia”, admitiu em entrevista à MSNBC que foi “alarmista” a respeito de “mudança climática”.
À guisa de desencargo de consciência, comentou que também outros ambientalistas famosos, como Al Gore, caíram no mesmo erro.
Um dos pais fundadores do ambientalismo hodierno, Lovelock tem esperança de que a suspirada “mudança climática” ainda aconteça, mas lamentou que não virá tão rápido quanto ele anunciava.
Em 2006, em artigo no jornal inglês “The Independent”, Lovelock escreveu que “antes do fim deste século bilhões de homens terão morrido e os poucos casais que sobrevivam ficarão no Ártico, onde o clima ainda será tolerável”.
Agora, em entrevista telefônica com a MSNBC, reconheceu que estava “extrapolando demais”.
Parafraseando os argumentos dos cientistas objetivos, explicou:
– “O problema é que não sabemos o que é que o clima vai fazer. Há 20 anos nós achávamos que sabíamos. Isso nos levou a escrever alguns livros alarmistas – o meu inclusive – porque parecia evidente, porém não aconteceu”.
– “O clima está fazendo suas trapaças habituais. Em verdade, não há muita coisa acontecendo ainda, quando nós deveríamos estar num mundo a meio caminho da fritura”.
– “O mundo não se aqueceu muito desde o milênio. Doze anos é um tempo razoável ... ela [a temperatura] manteve-se praticamente constante, quando deveria ter ido aumentando”.
Em 2007, a revista “Time” incluiu Lovelock na lista dos 13 líderes e visionários “Heróis do Meio Ambiente”, onde também figuravam Al Gore, Mikhail Gorbachev e Robert Redford.
Interrogado se agora tinha virado um “cético” do aquecimento global, Lovelock respondeu à MSNBC: “Depende do que o Sr. entende por “cético”. Eu não sou um negacionista”.
Ele explicou que ainda acredita que a mudança climática esteja acontecendo, mas que seus efeitos serão sentidos num futuro mais longínquo do que se acreditava. “Teremos o aquecimento global, mas ficou adiado um pouco”, explicou.
“Eu cometi um erro”
Lovelock esclareceu que não se importava em dizer: “Tudo bem, eu cometi um erro”.
Na entrevista, ele insistiu que não tirava uma só palavra de seu livro base “Gaia: um novo olhar dobre a vida na Terra”, publicado em 1979. Mas reconheceu que no livro “A vingança de Gaia”, de 2006, ele tinha ido longe demais falando da Terra superaquecida no fim do século.
– “Eu deveria ter sido um pouco mais cauteloso, porém, teria estragado o livro”, brincou cinicamente.
Militantes ambientalistas só puderam concordar, embora desanimados, com o mea culpa de Lovelock.
Peter Stott, chefe do monitoramento do clima no Met Office Hadley Centre, da Inglaterra, disse que o guru foi alarmista demais prevendo que os homens seriam obrigados a viver no Ártico por causa do “aquecimento global”. Também concordou que o aquecimento dos últimos anos foi menor do que o previsto pelos modelos climáticos.
Keya Chatterjee, diretor internacional de política climática do grupo ambientalista WWF-EUA, disse em comunicado que estava “difícil não se sentir esmagado e ficar derrotista”, e sublinhou que a conversa alarmista não ajuda a convencer as pessoas.
A credibilidade das hipóteses ambientalistas está efetivamente caindo cada vez mais baixo.
Leia Mais ►

Tarso Genro responde ao Zero Hora

Pela segunda vez neste mês, um articulista de ZH utiliza o espaço do jornal para fazer ataques diretos a políticos do governo do Estado, reportando-se diretamente à pessoa do governador. Neste domingo, foi a vez da jornalista Rosane de Oliveira "sentenciar" que Tarso Genro será "incoerente ou irresponsável", na solução para o pagamento do piso nacional do magistério. A colunista desconsidera o fato de que o governo da Unidade Popular Pelo Rio Grande adotou uma outra posição para retirar o estado da crise, que não a do governo anterior de criação do "déficit zero", que diminuiu as funções do Estado, sucateou a administração pública e congelou salários.
Neste sábado, ao ler a coluna, quando voltava de mais uma edição da Interiorização de Governo, em Rio Grande, o governador fez algumas considerações sobre o novo episódio de ideologização da notícia, através do falseamento da verdade.

1- Sobre o Colunismo Político predominante

"É um certo tipo de colunismo político que ainda não se esgotou no país, mas que tende rapidamente a esgotar-se pela falta de credibilidade, pois ele vem perdendo a sua capacidade de transmitir informações e críticas fundadas. Ele perdeu a “fala” universal, que caracterizou os grandes colunistas políticos do país, com capacidade de informar e criticar com seriedade e passou a defender posições ideológicas dissimuladas, “adaptando” ou inventando os fatos, para contentar um público determinado –aquele que este tipo de jornalismo cativa, com seus malabarismos factuais e lugares comuns: os que adoraram as ideias do neoliberalismo que está levando a Europa à ruína e que, aqui, foram retratados no famoso “déficit” zero. Aliás, não é de graça que a colunista de política da Zero Hora é a mais saudosa do “déficit zero”, que não só paralisou o estado, mas aplicou um brutal arrocho salarial nos servidores, situação que agora estamos começando a reverter".

2- As constantes criações de factóides e inverdades

"O mesmo estilo de jornalismo político que "define" que o governador será incoerente ou irresponsável, é o mesmo que inventou, por exemplo, que eu defendi uma posição contrária aos sistema de PPPs no caso da RS 10, quando, na verdade, defendi e defendo a PPP e tenho negociado com os prefeitos a adaptação para baratear a proposta. Nunca fui contrário a PPPs. O que sou contrário é que elas sejam apenas um negócio bom para as empresas e não atendam o interesse público. Sou, inclusive, um dos elaboradores da atual lei que rege as parcerias público-privadas no país, cuja redação foi comandada pelo Fernando Haddadd quando ele era Secretário do Ministério do Planejamento e eu era ministro do CDES, no primeiro governo Lula. Este tipo de jornalismo inventa, por exemplo, que prometi “mundos e fundos” para os servidores e que prometi pagar o piso dos professores imediatamente. Isso é uma deslavada inverdade, pois está gravado nos debates e está escrito numa carta remetida ao CPERS que nós criaríamos as condições para pagar o piso e que isto ocorreria de forma processual. Esta foi e é a minha posição. Nunca prometi "mundos e fundos", mas uma política de recuperação salarial que está sendo implementada, e que, aliás, está sendo criticada pela oposição, representada na coluna de ZH de domingo pelo presidente do PP e ex-secretário de Relações Institucionais do governo anterior, Celso Bernardi. Este jornalismo, recentemente, também inventou que a nossa proposta de aumento para uma parte da categoria dos professores era a mesma da governadora Yeda. E o fez rapidamente, sem ter a mínima noção do que é uma transação judicial. Omitiu deliberadamente que a posição do governo não exigiu nenhuma renúncia de direito pelos servidores do magistério; que a nossa posição não retira a proposta de alcançar o piso até 2014; que ela não exigiu a alteração do "quadro de carreira" e que o aumento atual constituiu-se, apenas, em mais um aumento -um adiantamento de aumento ao magistério. Ao dizer isso -que a nossa proposta era igual a da governadora Yeda- a colunista revela duas coisas: primeiro, que não se informou sobre o que estava acontecendo e, segundo, que se apressou a forjar uma suposta informação que confirmaria a nossa “incoerência”. Na verdade, quando ela fala em incoerência, quer é lembrar que o bom era o “déficit zero”. Por isso sua análise das nossas medidas salariais envolve dois extremos: critica os aumentos excessivos aos servidores e diz, ao mesmo tempo, que os aumentos -no caso dos professores- são insatisfatórios".

3- Sobre a estratégia, pouco compreendida ou não aceita pela oposição ao nosso governo, de consolidar o Estado como indutor do desenvolvimento ecônomico e social

"A nossa estratégia, até agora, está dando certo: usar os recursos próprios para reorganizar a máquina pública que estava destruída e melhorar os salários dos servidores; buscar recursos do Governo Federal para investimentos -inclusive através do recebimento da dívida da União com a CEEE; buscar financiamentos no BID, no Banco Mundial e no BNDES; aumentar, com meios técnicos adequados, as receitas sem aumentar impostos; estabelecer uma política de relações internacionais para atrair investimentos produtivos; retomar o crescimento no estado tendo como ponto de partida a base produtiva local, voltados para a renovação da nossa base tecnológica; fazer um “déficit” responsável sem cair na armadilha neoliberal de reduzir políticas de proteção e promoção social, deixando os pobres a ver navios".

4- A utilização das redes socias e dos blogs para responder à grande mídia

"Eu passei a responder através dos “blogs” e das redes, porque esta forma de colunismo que estamos falando é, também, uma armadilha: constrói fatos para promover a sua visão de mundo, de Estado e de política, e também quer monopolizar o debate, frequentemente só publicando parte das respostas daqueles que são alvos da suas invenções. Quando se tratam de matérias que contam fatos verdadeiros e que pendem, sobre ela, uma interpretação política, ideológica ou econômica, acho adequado que se responda pelo próprio jornal, quando ele permite a resposta, como, aliás, é o caso da Zero Hora".

5- Direito de resposta também em tom crítico

Tenho respeito pela colunista Rosane de Oliveira. Acho que ela cumpre rigorosamente o seu papel crítico, que é esperado pelo jornal a que serve, que, como sabemos, não pode ser considerado simpatizante do projeto que nós, do PT e da esquerda, representamos. Mas ela merece, da nossa parte, a atenção e respeito que temos com todas as forças políticas democráticas do estado. Nem acho que se trata de má-fé, mas de miopia ideológica: se os fatos não tem confirmado que o Tarso é incoerente, mas, ao contrário, tem confirmado que temos aplicado o nosso programa de governo de forma coerente, é preciso “adaptar” os fatos e repetir a acusação de incoerência para, ao final, consolidar uma “verdade” pela repetição. E também, imediatamente, para salvaguardar a defesa do “déficit zero”, que sempre foi apresentado pela colunista como um exemplo de boa gestão pública".

6- Sugestão

"Assim como fui cobrado como governador, também defendo que a colunista seja mais responsável e não crie falsas incoerências ou irresponsabilidades. Recomendo à ela, por exemplo, que leia todas as colunas do falecido Carlos Castello Branco, do Márcio Moreira Alvez e do grande Newton Carlos, paradigmas da seriedade no jornalismo político".
No PT Sul
Leia também: Quem é o incoerente?
Leia Mais ►

Quem é o incoerente?

Entendo que a situação de parte da imprensa gaúcha é mesmo delicada. Por exemplo, Rosane de Oliveira, a colunista de política da RBS. Como criticar o governo do estado por não pagar o piso ao magistério se ela apoiou os governos que mais contribuíram justamente para sucatear o salário da categoria?
Não é fácil mesmo resolver esse problema. Aí resta apelar para a incoerência e fazer uma manobra pra criticar sem se contradizer abertamente e, ao mesmo tempo, sem ficar mal com a opinião pública, o que aconteceria se defendesse que o governo simplesmente não pagasse o piso. O resultado é um texto publicado na Zero Hora deste domingo que deixa o governador sem alternativa: ou é irresponsável ou incoerente. Se correr o bicho pega; se ficar o bicho come.
Segundo a argumentação da colunista, não tem escapatória: ou Tarso dá o piso e é, portanto, irresponsável, já que o estado não tem dinheiro para isso; ou não dá o piso e é incoerente com seu discurso de campanha. O engraçado é que Rosane demonstra concordar com o governo, sabe que não tem como pagar o piso integral, mas não pode simplesmente dizer isso, porque aí estaria elogiando um governo que ela não apoia. Não pode, né. Mas por que ela não apoia um governo com o qual concorda?
E o Tarso é que é incoerente…
Mas não é tão difícil assim achar a explicação. Rosane não pode dizer que o governo tem que dar o piso, mesmo que pensasse isso, porque apoiou os governos anteriores, que não só não deram os R$ 1.451,00 como concederam reajustes pífios à categoria (e a todas as outras categorias do funcionalismo). Então, em vez de dizer que o governo atual está dando um reajuste histórico e valorizando a categoria como há muito tempo não se via, ela diz que ele está sendo incoerente.
É uma postura estranha essa, mas não incompreensível. É estranha porque não liga muito para o contexto, o que não condiz com o bom exercício da profissão. Mas não é incompreensível quando a gente pensa que os interesses do jornal não são mesmo fazer bom jornalismo e valorizar o cidadão gaúcho.
Ironicamente, ao contrário do que diz dos outros, é Zero Hora que é incoerente com o discurso. Mas é extremamente coerente com sua postura comprometida com o empresariado e com interesses neoliberais, que sempre adotou e mantém até hoje.
No Somos andando
Leia Mais ►

Usando a Veja para chantagem

É surreal o jogo de sofismas para explicar o envolvimento da Veja com Carlinhos Cachoeira. Pega-se um diálogo aqui ou ali para se tirar conclusões taxativas sobre a lisura das relações com o bicheiro.
Mesmo ainda sem as gravações de Policarpo Jr. – o que apareceu até agora foram relatórios sobre o senador Demóstenes Torres - tem-se todo o quadro de crime organizado: comando central, influência no Judiciário, Legislativo e Executivo e braço midiático.
O que diferencia Carlinhos Cachoeira de tantas outras organizações criminosas foi sua extraordinária influência política. E ela se devia, na maior parte, ao acesso que tinha à revista Veja, à possibilidade de detonar adversários ou recalcitrantes com matérias escandalosas – mesmo, muitas delas, não obedecendo sequer aos critérios de verossimilhança.
Confira aí no Apenso 1, Volume 7, página 6 (ou 110) a conversa do Cláudio, da Delta, com Carlinhos Cachoeira (PJ é Policarpo Jr):
CLÁUDIO: Deixa eu falar, o DADA me posicionou aqui, aquela história, nós não pediu nem nada, mas, deu uma reviravolta na turma lá, tudo desesperado né ? O DADA já me falou que você falou pra ele "botou a cabeça, agora deixa!" eles que tem que resolver, não resolvem minhas coisas lá, bicho.

CARLlNHOS:Falei pro DADA, eu liguei pro nosso amigo, falei: "ó solta o bete" (...) é ao contrário, vai bater, aí, depois de arrumar os seus negócios, ele para, entendeu?
CLÁUDIO: É, exatamente (...).
(...)
CLÁUDIO: Arrebentou, hein, o bicho arrebentou, hein.

CARLlNHOS:Foi bom demais, hein.

CLÁUDIO: Mas eu já tinha falado isso pro PJ lá: "PJ, vai nesse caminho", bicho se o PJ for no em cima do cara que eu falei do "alcoforado (?)" , rapaz do céu, vai estourar trem pra cacete.
Há jornalistas experientes que, no afã de mostrar serviço à casa, estão desmoralizando-se, interpretando esses jogos como mera oferta para publicar notinhas inofensivas em colunas de fofocas.
Aí estão provas insofismáveis de crime, de organização criminosa. Cadê a lógica da tal “delação premiada” – tese estapafúrdia desenvolvida pela Veja para justificar esses crimes?
A cada divulgação do inquérito vai se comprovando que o poder de Cachoeira residia no acesso que tinha à revista. E que ela a utilizava recorrentemente para chantagear adversários.
Luis Nassif
.::.
Este é o resumo: o que era a organização criminosa de Cachoeira em 2004, quando se associou a Veja com a gravação do Waldomiro, e o que era agora, quando foi desbaratada.
E esta é a questão: sem a Veja, teria chegado a tanto ?
Se o sr. Civita provar que não existe correlação entre o conluio com a Veja e o crescimento desta máfia, parabéns! Não será fácil, em tempos de internet, como bem sabe o Kamel e o Bolina, perdão Molina.
Caso contrário, quedará demonstrada a contribuição da Veja em muito da riqueza e poder acumulados criminosamente pela quadrilha, e portanto a revista terá sido 'pelo menos' cúmplice de muitos dos seus crimes.
Por que 'pelo menos' ? Porque é difícil acreditar que a Veja e Cachoeira sejam pares, ou que Veja serviu a Carlinhos. Ora, a Veja é o porta-voz da elite econômica dominante no país, que manda e desmanda no Brasil há séculos, e Cachoeira/Demostenes/Perillo/etc, por mais longe que pareçam ter ido, nada mais são que bandidos periféricos com mania de grandeza.
O que interessa a esta turma que a Veja vocaliza não é espalhar caça-níqueis em cidades-satélite, e sim apossar-se de um país. Recuperar-se da incompetência de seus representantes políticos, PSDB/FHC/PFL e caterva, ao permitir a "esta gente da esquerda" assumir o poder central, mostrar e executar um outro projeto de Nação. E, uma vez que democraticamente, se tornou muito dificil agora, "não tem arrego, vamos derrubar este governo" nem que seja através de um golpe, e, se é preciso usar dos serviços de tão reles criminoso, "às favas os escrúpulos".
Portanto, se nesta história há um chefe de quadrilha ele não está em Goiás, e sim na marginal, em São Paulo. E se esta CPI não chegar até ele, não terá valido a pena.
Francisco de Assis
No Advivo
Leia Mais ►

As conclusões da Ata do Copom

Um dos grandes avanços da política monetária brasileira foi o aparelhamento técnico do Banco Central, a partir de 2002, para se contrapor aos departamentos técnicos de instituições financeiras e às consultorias econômicas.
Dentro do modelo desenvolvido a partir dos anos 70, radicalizado nos anos 90, as consultorias tornaram-se centros de lobbies relevantes, tentando conduzir as expectativas do mercado através de um suposto conhecimento técnico superior.
Desde a gestão Armínio Fraga, o BC passou a incorporar as teorias de ponta na elaboração dos cenários, a prospectar vários indicadores, desde físicos até de expectativas empresariais.
Mesmo assim, as conclusões das sucessivas atas ainda embutem um grau de arbitrariedade inescapável.
Inicialmente, as atas descrevem toda a parafernália de indicadores, com um grau de detalhamento louvável. Na hora das conclusões, torna-se sintética, muitas vezes hermética.
No pior período de Henrique Meirelles, com o Copom dominado por falcões do mercado, muitas vezes havia completa dissintonia entre os fatos descritos e as conclusões apresentadas.
Nos últimos tempos, as atas passaram a ser mais lógicas e consistentes, embora algumas conclusões – como a redução da taxa de juros de equilíbrio (a taxa que supostamente permitiria o máximo de crescimento com estabilidade de preços) – continuem aparentando mero achismo.
Em geral, as Atas juntam um conjunto de indicadores visando monitorar dois pontos específicos: o nível de atividades (e seus reflexos futuros sobre os preços) e a análise dos próprios indicadores de preços.
Da extensa relação de análises da Ata da 166a reunião do Copom, sobressaem as seguintes conclusões:
  1. O nível de atividade econômica continua retraído, com leves sinais de recuperação em alguns setores e, principalmente, nas expectativas dos agentes econômicos. Mas o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) continua desacelerando desde novembro de 2009, chegando a meros 1,9% anual em fevereiro.
  2. Em relação ao cenário internacional, a ata continua refletindo a esquizofrenia dos mercados. Na penúltima, previa tempos de calmaria. Na última, tempos de incerteza, “devido à exposição de bancos internacionais às dívidas soberanas de países com desequilíbrios fiscais”. Mesmo assim, estima que a atual crise terá um impacto de cerca de um quarto daquele registrado na crise de 2008/2009. 
  3. Aposta em uma redução nos preços das commodities internacionais – que já caíram 17,5% (agrícolas) e 20% (metálicas) em relação ao pico de abril de 2011. Toda a ciência do BC não resiste à evidência de que tanto o aumento da inflação no ano passado quanto sua queda agora se devem aos movimentos das cotações de commodities.
Depois dessa ampla exposição, a Ata revela que o Copom tenderá a ser mais parcimonioso nas novas reduções de juros.
Mas não abre o motivo principal dessa parcimônia. Simplesmente o fato de que, para baixar mais os juros, o BC terá que rever a remuneração da poupança.
E não se mexe na poupança em período eleitoral.
Luis Nassif
No Advivo
Leia Mais ►

Enquanto isso em São Paulo...

Leia Mais ►

E agora, Globo?

Inquérito cita R$ 100 mil por mês para jornalistas derrubarem Agnelo


Num dos telefonemas gravados na Operação Monte Carlo da Polícia Federal, de fevereiro deste ano, o ex-sargento Dadá diz que o jornalista Mino Pedrosa (ex-assessor de Cachoeira) teria um contrato de R$ 100 mil por mês com Filippelli (vice-governador do Distrito Federal e principal cacique do PMDB-DF) :
"Sombra" citado, remete ao jornalista Edson Sombra, que tem um blog de oposição ao governador petista.
A Rede Globo andou investindo nesta linha de derrubar Agnelo.
Há 15 dias, o "Blog da Helena" na Rede Brasil Atual, apontou que o "Jornal Nacional" noticiou de forma inversa aos fatos, e chegou a editar diálogos, transformando-os em monólogos para tirar o contexto da conversa que era favorável à inocência de Agnelo (aqui e aqui).
Agora, com o vazamento do inquérito na internet, merece destaque alguns trechos da conversa de Dadá com Cachoeira, após uma matéria na revista Veja atacando o governador Agnelo:

Após 25 minutos
Leia também:
Leia Mais ►

Blogueiros dizem ter medo e revelam novas ameaças no Maranhão

Morte do blogueiro Décio Sá, na última segunda-feira, expôs realidade vivida por repórteres e editores no Estado
A morte do jornalista Décio Sá, repórter de política do jornal "O Estado do Maranhão", veículo de comunicação da família Sarney e titular do blog com a maior audiência no Estado, trouxe uma sensação de pânico e medo à imprensa maranhense. De quebra, expôs feridas antes consideradas pontuais e mostrou que tentativas de cerceamento à liberdade de imprensa no Estado são mais comuns do que se imagina.
Polícia procura pistas dos assassinos de Décio Sá
Apenas nos últimos três anos, vários jornalistas e veículos foram censurados ou sofreram tentativa de cerceamento da liberdade de imprensa. Em 2010, o repórter Itevaldo Júnior, editor de Política de "O Estado" e dono de um blog especializado na análise do Poder Judiciário maranhense, foi proibido de citar o nome do juiz Nemias Nunes Carvalho após uma denúncia segundo a qual o magistrado teria, supostamente, comprado uma fazenda de uma foragida da justiça beneficiada por uma decisão judicial de Carvalho.
Um ano antes, uma outra decisão da Justiça do Maranhão obrigou o “Jornal Pequeno”, veículo de oposição à família Sarney, a retirar do site uma reportagem com dados da Operação Factor, que citava o nome do empresário Fernando Sarney. No ano passado, a repórter Carla Lima, de O Estado do Maranhão, foi agredida por seguranças do prefeito de São Luís João Castelo (PSDB). O Estado faz oposição à prefeitura da capital.
Os chamados bloqueiros são os mais ameaçados no Estado. Alguns já receberam ligações ou comentários anônimos com ameaças de morte por causa das postagens de suas páginas pessoais. O blogueiro Caio Hostílio que já responde a 86 processos impetrados por políticos e gestores públicos que foram alvo de denúncias é um destes casos. Ele foi um dos maiores críticos da greve da Polícia Militar ocorrida no final do ano passado. “Com a morte do Décio, percebemos que os comentários com ameaças podem se cumprir a qualquer momento”, disse Hostílio.
O jornalista Marco Aurélio D’Eça, repórter de política de "O Estado do Maranhão", também tem sido constantemente alvo de ameaças. Alvo de seis processos, D’Eça disse que a morte de Décio obrigou todos os jornalistas a mudarem hábitos e rotinas no Estado. “Eu não ando mais tranquilo. Quando uma moto chega próxima do meu carro, surge o receio de que algo aconteça”, afirmou. “Se eles conseguiram matar Décio, que era o braço direito de Sarney, o que não podem fazer com gente que é ‘peixe-pequeno’”, complementou o jornalista Marcelo Vieira, também titular de um blog sobre política.
Após a morte de Décio Sá, pelo menos dois jornalistas foram ameaçados de morte. O repórter Neto Ferreira recebeu uma mensagem de um internauta segundo o qual “logo logo calaria o blogueiro”. O jornalista Gilberto Léda também recebeu ameaças horas depois. Os dois casos foram denunciados ao secretário de Segurança do Maranhão, Aluísio Mendes. Antes da execução de Sá, Mendes já tinha informações de ameaças de morte contra jornalistas maranhenses.
Segundo colegas de Sá, ele mesmo foi ameaçado, mas não procurou ajuda. Sá era acostumado com esse tipo de intimidação. Polêmico, era alvo constante de agressões verbais e tentativas de intimidação. Em 2006, durante a cobertura das eleições gerais, Sá evitou ir ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Estado após defender publicamente em seu blog a eleição da Roseana Sarney (PMDB). Roseana perdeu aquela eleição para o já falecido Jackson Lago. Na cobertura diária de política, Décio dificilmente frequentava eventos promovidos por opositores ao grupo Sarney com receio de eventuais agressões físicas ou verbais.
Décio Sá era considerado um jornalista com muitos amigos e muitos inimigos. Os aliados viam nele um cidadão ímpar, um repórter de primeira linha; os adversários criticaram o seu exercício jornalístico. Segundo eles, às vezes na base da “chantagem e busca de interesses pessoais”. “Tem essa acusação, mas Décio era um cara inocente. Ele morreu porque foi usado. De certa forma foram as pessoas que usaram o blog do Décio para denunciar que mataram ele”, defendeu Caio Hostílio.
Uma mostra dessa dicotomia em torno do nome do jornalista envolveu o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Maranhão (OAB-MA), Luís Antônio Pedrosa. Ele divulgou um texto em seu blog pessoal na qual afirmou. “Não derramei lágrimas de crocodilo no velório, no qual não aceitaria confortavelmente comparecer. Sempre discordei dessa linha de jornalismo, que, no Estado, é composta por um pequeno número de gorilas diplomados”. A frase gerou revolta na categoria e ensejou uma representação do Sindicato dos Jornalistas contra Pedrosa junto à OAB.
Nessa semana, a Polícia Civil do Maranhão decretou sigilo das investigações. Um suspeito foi preso e mais duas prisões preventivas foram decretadas. O caso é tratado como prioridade absoluta pela Policia do Maranhão. O inquérito conta com a análise de 22,7 mil itens e mais de 1,8 mi ligações feitas por Sá.
Wilson Lima
No iG
Leia Mais ►

Reinaldo está com medo. E por isso, novamente, ataca

Bateu desespero na Editora Abril. Só isso explica o novo ataque de Reinaldo Azevedo ao 247; leia a resposta de Leonardo Attuch
Reinaldo Azevedo está com medo. Só isso é capaz de explicar o novo ataque que faz, neste domingo, ao 247. No texto de Reinaldo (leia mais aqui), ele resgata uma reportagem de Veja da qual a revista deveria se envergonhar. Afinal, os ataques que Veja desferiu contra mim renderam à Abril uma condenação judicial com direito a indenização financeira (leia mais aqui) e retratação formal, publicada nas suas páginas (leia mais aqui).
Ou seja: quando brigou comigo nos tribunais, a Abril perdeu. E, no confronto de ideias, perderá novamente.
Reinaldo nos acusa de sair em defesa do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz. Tudo porque decidimos publicar uma reportagem, com um diálogo extraído dos grampos da Operação Monte Carlo, publicados em primeira mão no 247.
- “Será que agora ele cai?”, pergunta Carlos Cachoeira a Cláudio Abreu, diretor da Delta, referindo-se ao governador Agnelo Queiroz.
- “Arrebentou, hein, o bicho arrebentou, hein”, responde Abreu.
- “Foi bom demais”, prossegue Cachoeira.
- “Mas eu já tinha falado pro PJ lá: PJ, vai nesse caminho”.
“PJ” é Policarpo Júnior. E o tema da conversa é uma reportagem publicada na revista Veja, associando o governador Agnelo Queiroz à prática de grampos ilegais. “Será que agora ele cai?”
Quando um veículo de comunicação se presta a ser usado por um bicheiro/empreiteiro, que tenta emparedar governos legitimamente eleitos na busca de seus interesses comerciais, isto é notícia. Pelo menos, no 247. Na Veja de outros tempos, também seria. Mas, hoje, a revista está acuada. Age nos bastidores para que seu publisher, Roberto Civita, não seja convocado a depor na CPI.
Compreensível. Civita teme ser humilhado. Reinaldo, não. Dá a cara a tapa. E, nele, o medo provoca reações extremas. Até mesmo o delírio de que tinha em mim um fã.
O que está ocorrendo no Brasil de hoje é muito simples. Antes, quatro famílias controlavam a informação no Brasil e ditavam a agenda pública. Hoje, com a democratização da internet e o avanço das redes sociais, todos participam do processo de elaboração e depuração das notícias. O modelo não é mais vertical. Na era do jornalismo 2.0, é horizontal. Com isso, antigos impérios se tornam vulneráveis.
Neste novo mundo, as famiglias tradicionais perdem poder. E tendem também a perder anunciantes, uma vez que haverá cada vez mais fornecedores de conteúdo jornalístico num mundo plural, interativo e democrático. Se Veja tem seu público, há também aqueles que preferem defini-la como #VejaBandida ou #VejaGolpista, duas hashtags que se tornaram os assuntos mais comentados do mundo no Twitter.
Reinaldo nos ataca dizendo que José Dirceu e Delúbio Soares publicam artigos aqui. Mas ele não menciona César Maia, Arthur Virgílio, Gabriel Chalita, Eduardo Braga, Manuela D´Ávila, Walter Feldman, Marcos Cintra, Xico Graziano, Luciano Siqueira e muitos outros, de variados perfis políticos. Até mesmo Demóstenes Torres e Reinaldo Azevedo poderiam publicar artigos na nossa página, porque, no 247, a opinião é livre – é isto que garante a pluralidade. Também nos condena dizendo que somos “livres como um táxi”. Mas os passageiros aqui são os leitores. E muitos continuam garimpando informações nos inquéritos da Operação Monte Carlo sobre a parceria editorial entre Cachoeira e Veja, que rendeu benefícios políticos e comerciais ao contraventor.
É disso que Reinaldo tem medo.
Leonardo Attuch
No Brasil 247
Leia Mais ►

As novas estratégias neocoloniais e a aliança do Pacífico

Com a queda do muro de Berlim, vicejou a teoria, em meio a certos “pensadores” ocidentais – festejada e divulgada por diferentes grupos de comunicação - de que chegáramos ao “fim da história”, com a imposição definitiva do ideário neoliberal em um novo mundo, de permanente “Pax Americana”. Nesse período, que durou até a chegada do novo milênio, o Ocidente achou que poderia redividir o planeta e a Espanha alimentou, baseada em sua súbita e artificial prosperidade, o sonho neocolonial de promover nova reconquista no espaço geopolítico latino-americano.
Para isso, a diplomacia e os ”think-tanks” espanhóis resgataram até mesmo um velho termo, a “Íbero-américa”, um continente mítico que, começando nos Pirineus, chegaria até a Terra do Fogo, englobando a Espanha, Portugal, México, a América Central, e todos os países da América do Sul, até os limites do Estreito de Magalhães.
Transformados, de repente, em novos-ricos – esquecendo-se de que sua qualidade de vida assim como o relativo poder de suas empresas advinha de bilhões de euros em ajuda da União Européia para o desenvolvimento, repassada pela França e a Alemanha; e de dinheiro barato, a juros baixíssimos, emprestado a seus bancos pelo Banco Central Europeu - a Corte, os banqueiros, os políticos neo-liberais espanhóis e os aventureiros de ocasião se lançaram, com o ânimo de um Cortez, ao saqueio da América Latina.
O estrangulamento da maioria dos nossos países pela inflação – e por dívidas questionáveis -, e a ausência de iguais condições de acesso a crédito farto e barato por parte do nosso empresariado levou ao maior processo de desnacionalização da história.
Um processo que foi trágico para a iniciativa privada, com a entrega de empresas centenárias e de sua tecnologia para estrangeiros como aconteceu com a Metal Leve, do saudoso José Mindlin, por exemplo. Mas que foi muito pior, e particularmente nefasto, no setor público, no qual novos cruzados ibéricos como Emilio Botin, do Santander, Antonio Brufau, da Repsol, Cesar Alierta, da Telefónica e oportunistas como Gregorio Marin Preciado – alguns deles hoje investigados por sonegação de impostos e lavagem de dinheiro - contaram com a abjeta e interessada cumplicidade dos colaboracionistas de sempre para o desmonte, esquartejamento e desnacionalização do patrimônio nacional e dos nossos ativos estratégicos.
No Brasil, está provado, hoje, que os excitados seguidores do Consenso de Washington gastaram mais dinheiro (engordando as galinhas para a entrega às raposas durante a “preparação” das estatais para a privatização) do que arrecadaram, para o Tesouro, com os leilões dessas privatizações.
Alegou-se à época, que seria abatida a dívida pública, mas a relação dívida/PIB praticamente dobrou em oito anos. Foi dito que o preço das tarifas ia diminuir para o consumidor, mas em telefonia ou banda larga, por exemplo, pagamos, segundo instituições internacionais, as mais altas faturas do mundo. Isso sem falar, em primeiro lugar, da péssima qualidade dos serviços - que já levou à proibição da venda do Speedy da Telefónica em São Paulo durante algum tempo.
Quem quiser confirmar o extravagante e nocivo conteúdo da Lei Geral de Telecomunicações - aprovada no governo FHC e voltada para penalizar o tempo todo o consumidor - que se informe na ANATEL, ou tente resolver algum problema – por telefone -com a sua operadora. A Lei prevê até mesmo orelhões que não “precisam” completar chamadas interurbanas. E nem é necessário falar da propalada universalidade de acesso à telefonia e à internet. Quem mora no interior, que se habilite.
Outro argumento da época era o da existência de “cabides de emprego” nas estatais. Neste quesito, basta lembrar que Antonio Carlos Valente, Presidente da Vivo no Brasil, foi um dos homens que comandou, desde o início, a privatização da telefonia em nosso país, e um dos primeiros conselheiros da ANATEL - criada justamente para fiscalizar seus futuros patrões. E que o genro do Rei da Espanha - que, como entendido em telecomunicações é um excelente jogador de polo - encontra-se “pendurado no cabide” no Conselho da Telefónica do Brasil, ganhando, há muito tempo, dezenas de milhares de euros por ano.
A farra privada com as estatais foi tão grande, e os ganhos tão fartos, que Francisco Luzón, o “executivo” do Santander que comandou o processo de aquisição do BANESPA, aposentou-se há poucos meses, levando para casa, como recompensa por seu trabalho na América Latina, uma gratificação de 70 milhões de euros, ou a módica quantia de 175 milhões de reais.
Na telefonia, no petróleo, no sistema financeiro, a tática espanhola é investir o mínimo e levar o máximo de lucro para a Europa. Se for preciso colocar dinheiro, que outros o façam, como ocorreu com Santander Brasil, que quando precisou levantou dinheiro no nosso próprio mercado com uma OPA : e com a Repsol do Brasil que vendeu parte do capital para a SINOPEC chinesa.
Precisou de recursos para cumprir sua obrigação: investir em expansão da infraestrutura, por exemplo? Pegue-se com o BNDES, a juros subsidiados, como aconteceu como a Vivo no ano passado que recebeu do nosso principal banco de fomento três bilhões de reais emprestados. Sem deixar, nem por um momento, de enviar, para a matriz, suas remessas de lucro de bilhões de euros por ano.
Pois é, como dizem os italianos, tanto trovejou, que chove. A Argentina se cansou do descaramento das empresas espanholas. Transformada - graças às privatizações - de nação produtora em país importador de petróleo, resolveu retomar o controle da YPF, Yacimientos Petroliferos Fiscales, desnacionalizada no governo neoliberal de Carlos Saul Menem.
O de Cristina Kirchner interveio na empresa na semana passada, destituindo os “executivos” espanhóis da Repsol e trocou a segurança do prédio. Os bons moços, como abutres, “secaram” os poços que encontraram funcionando quando compraram a empresa, mandando os lucros para o exterior, sem arriscar um centavo de peso para explorar novas reservas.
Com um risco-país de quase 500 pontos, o povo espanhol se encontra acossado pela desastrada situação em que o meteu a incompetência de sua elite dirigente. Mesmo assim, a direita conseguiu se eleger, usando a xenofobia para colocar a culpa não nos banqueiros, mas na imigração. E trata de ir, agora, ainda mais fundo contra os cidadãos, retirando e ”flexibilizando” os direitos dos trabalhadores, na saúde, na educação e no trabalho.
O Governo do Primeiro-Ministro Mariano Rajoy - como o rato que ruge – ameaçou agir com “contundência” e afirmou que a decisão da Presidente Cristina Kirchner acarretará para a Argentina, “duras consequências”.
Como a Itália, no caso Battisti, a Espanha pediu ajuda da Comunidade Econômica Européia, que - com exceção de algumas declarações protocolares – lavou as mãos e disse que não existem tratados que lhe permitam interferir no assunto, que deve ser visto como uma questão bilateral. A mídia ocidental exerceu - com alguns de seus representantes locais - seu direito de espernear. Em visita ao Brasil, Hillary Clinton afirmou que a Argentina deve "justificar e assumir sua decisão" e, coerente com a cantilena - tão desfiada e tão praticada pelos EUA - de defesa do "livre mercado, lembrou que em energia e commodities a liberdade é o melhor modelo de concorrência e de acesso aos mercado.A Espanha, no entanto, ficou decepcionada. Seu Ministro das Relações Exteriores disse que esperava mais de seu “aliado” norte-americano, ao qual seu país tem sido tão subserviente nos últimos anos, participando, entre outras coisas, de operações militares na Libia e no Afeganistão. E acabou reconhecendo o fato de que os Estados Unidos, atualmente, “tem os seus próprios interesses na Argentina”.
Com 23% de desemprego, um alto déficit em suas contas públicas, que a UE já reconheceu que o país não conseguirá diminuir antes de 2017; uma dívida externa de 165% do PIB (a do Brasil, por exemplo, é de 13%); 80% de dívida interna líquida (a do Brasil é de 39%), e cerca de 30 bilhões de dólares em reservas internacionais (as do Brasil são de 12 vezes mais, ou 371 bilhões de dólares); o governo espanhol está aproveitando o episódio da Repsol para tentar desviar a atenção da opinião pública dessa realidade.
Os maiores jornais tem apresentado, em seus editoriais e na cobertura do fato, a expropriação da empresa petrolífera como um insulto, uma agressão e uma traição à Espanha . Assim como aconteceu no caso da adoção de medidas de reciprocidade - para a entrada de cidadãos espanhóis no Brasil - por parte das autoridades brasileiras, agora, na rede, grande número de internautas prega que as empresas espanholas demitam todos os empregados argentinos na Espanha. Alguns, também a exemplo do caso brasileiro, exigem que se promova a expulsão de todos os imigrantes argentinos que vivem naquele país, esquecendo-se da solidariedade argentina no século XX, e do fato de que muito mais espanhóis vivem hoje na Argentina, do que argentinos na terra de Cervantes.
Mas, uma minoria se pergunta, ironicamente, quantos acionistas da Repsol há entre os que estão defendendo a empresa. Lembram que a empresa, há muito tempo, já não pertence ao povo espanhol; que no seu capital há participação chinesa ; de fundos de investimento dos Estados Unidos; e de “investidores” que enriqueceram, suspeitamente, nos “anos dourados” - e que também são responsáveis pela crise em que se encontra mergulhado o país.
A aparente indignação do governo espanhol, portanto, está dirigida não à defesa dos interesses da nação ou do povo, mas de “investidores” privados. Moral para questionar a decisão argentina, o Reino da Espanha não tem. A Constituição Espanhola, em seu artigo 128, reza que:
“Toda a riqueza do país em suas distintas formas e seja qual seja sua titularidade está subordinada ao interesse geral. Se reconhece a iniciativa pública na atividade econômica. Mediante a lei se poderá reservar ao setor público recursos ou serviços essenciais, especialmente em caso de monopólio e, assim mesmo, acertar a intervenção em empresas quando assim o exigir o interesse geral.”
Com decrescente influência na América Latina, se é que teve alguma nas últimas décadas, a Espanha busca aliados aonde pode. O Presidente Felipe Calderón, do México, manifestou-se em Cartagena, e no “Forum Mundial na América Latina”, em Puerto Vallarta, onde recebeu o Primeiro-Ministro espanhol, contra o “protecionismo e as nacionalizações”. No caso de “protecionismo” mandou um recado ao Brasil, que exigiu a imposição de quotas de importação para veículos mexicanos, depois da valorização do real com relação ao peso em 88% em dez anos, e também depois que terceiros países passaram a mandar suas autopeças para juntá-las no México para burlar as leis brasileiras e entrar no nosso mercado automobilístico, que já o quarto maior do mundo, sem pagar tarifas de importação. O alerta quanto às “nacionalizações” estava dirigido à Argentina. A Pemex mexicana possui quase dez por cento da Repsol, e, com figuras como Carlos Slim - dono da America Móvil e homem mais rico do mundo – o México foi o único país na América do Sul, além do Chile, que se aproveitou das privatizações nos anos 1990, na América do Sul.
México e Espanha precisam muito mais do exterior do que o Brasil, no qual a corrente de comércio não chega a 13% do PIB. No entanto, o fato de depender em mais de 90% de suas exportações para os Estados Unidos e de ser um país que “maquila” - devido aos seus baixos salários - produtos destinados aos norte-americanos, limita a possibilidade do México adotar uma política comercial soberana e independente. E o mesmo acontece com a Espanha, que há muito abdicou de sua soberania, submetendo-se, na economia e no comércio às decisões e regras da União Européia.
Fracassada a tese da “ibero” América - a última cúpula “iberoamericana” realizada no final do ano passado em Assunção, no Paraguay, brilhou pela ausência de 16 dos 22 presidentes convidados, que deixaram plantados a ver navios o rei Juan Carlos e Zapatero - a Espanha, junto com os Estados Unidos, aposta, agora, na “Aliança do Pacífico”.
A intenção é usar o México para cooptar governos de corte mais neoliberal, como a Colômbia e o Chile, para se contrapor, junto com o Peru, e observadores como Panamá e Costa Rica, ao processo de integração continental capitaneado pelo Brasil, em organismos como o Mercosul, a UNASUL e o Conselho de Defesa Sul-americano.
Este último movimento da estratégia neocolonial parece, no entanto, também estar condenado ao fracasso. O presidente peruano Omanta Humalla não demonstra entusiasmo pela iniciativa, lançada pelo seu antecessor, Alan Garcia, e já disse que não vai participar da primeira cúpula presidencial do grupo, marcada para junho deste ano, em Santiago do Chile.
Leia Mais ►

O achaque de Veja e Cachoeira contra Agnelo

Através dos grampos, agora todos sabem que o número 1 era o Perilo. Nada a ver com o Agnelo, que como se pode ver abaixo, era um obstáculo aos interesses dos mafiosos.
A mídia inteira consciente, ( e alguns poucos inconscientemente), fizeram direitinho o jogo da Máfia. Tentar derrubar o Agnelo.
Dadá previu a queda de Agnelo em 3, 4 meses
O jogo de pressões contra Agnelo Queiroz
No dia 28.01.2012, a revista Veja publicou reportagem intitulada O PT na Caixa de Pandora, baseada em entrevista com o delator Durval Barbosa. A reportagem acusava o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, de ter se beneficiado politicamente da Operação Caixa de Pandora, que detonou José Roberto Arruda (DEM) e abriu caminho para a eleição de Queiroz.
Como está claro neste grampo entre o araponga Idalino Matias, o Dadá (ou Chico), que trabalhava para Cachoeira, o grupo sabia sobre a publicação da reportagem antes dela sair:

O senador Demóstenes Torres (agora acusado formalmente pelo procurador Roberto Gurgel de ser sócio oculto da Delta) se manifestou e, em entrevista à Veja, acusou Agnelo de ter agido de forma criminosa:
Vejam agora o que Carlinhos Cachoeira comentou sobre o caso, nos dias subsequentes:
Notem que, no pé desta última degravação, Cláudio Abreu, diretor da Delta, se orgulha de ter orientado o diretor da revista: “PJ, vai nesse caminho”.
A Delta tem contratos para coleta de lixo no DF desde os tempos de Arruda.
Aparentemente, o grupo de Cachoeira fazia pressão para obter algum acerto com o governador Agnelo Queiroz e usou a imprensa para fazê-lo.
Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
Leia Mais ►

Sem Civita e Marinho CPI será uma farsa

Saiu na Carta Capital desta semana, na pág. 30, reportagem de Leandro Fortes sobre “O xadrez da CPI”.
A certa altura, a revelação estarrecedora:
“A semanal da Editora (o detrito solido de maré baixa – PHA) conta com o apoio explicito de suas coirmãs de repercussão nacional. O Palácio do Planalto foi informado por um qualificado mensageiro das Organizações Globo (que transforma o detrito sólido de maré baixa em Chanel # 5 – PHA) que, caso o empresario Robert(o) Civita, dono da Abril, seja mesmo convocado para depor na CPI, o Governo terá de enfrentar a furia do baronato (PiG – PHA) dos meios de comunicação, numa guerra sem limites ( ou seja, o Golpe – PHA).”
Na Record News, Nirlando Beirão tratou dessa revelação de Leandro Fortes, ao falar de “baronato” da midia e seu “festim de privilégios” -
Chegamos à beira do precipício.
Se o Robert(o) for depor o PiG dá o Golpe.
E ainda se diz que isso aqui é uma Democracia!
(Na Argentina, expulsaram o Cesare Civita.)
O Demostenes é gato morto.
O Perillo é gato morto.
Da Delta o PiG fez um gato morto.
Dez Agnellos não valem um José Dirceu.
Quem tem que ir para o banco dos reus são o Robert(o) Civita e os filhos do Roberto Marinho.
Os filhos do Roberto Marinho se reduziram a um “qualificado mensageiro”.
Imagine, amigo navegante, se o Dr Roberto teria um “mensageiro qualificado”.
Se estivesse ameaçado de subir ao banco dos reus, o Dr Roberto já tinha invadido pessoalmente o Palácio do Planalto há muito tempo.
E por que os quatro, juntos, de mãos dadas, o Robert(o) Civita e os tres filhos do Roberto Marinho precisam subir à forca?
Porque eles são a corda e a caçamba.
O jn não tem produção própria.
A Veja não tem repercussão nacional.
O crime organizado se organiza na Veja e se expande no jornal nacional, na liturgia trevosa de seu Cardeal Ratzinger, o Ali Kamel.
O jn transforma em Chanel # 5 o detrito solido de maré baixa da Veja.
Foi assim na cena da corrupção dos Correios – com que a TV Record melou o mensalão - e no grampo sem audio (que o Luiz Fernando Correa não achou até hoje).
O mensalão – que está por provar-se – e a prisao do Daniel Dantas – “chamar o Presidente às falas”- foram os momentos mais próximos da desmoralização do Governo Lula.
Esta não é a CPI do Demóstenes – que já morreu.
Esta é a CPI da Veja.
Esta é a CPI do PiG, do Golpe que a midia nativa põe em marcha, sempre.
Se não for a CPI da Veja (e da Globo), não será.
Arrastará o PT e seus aliados ao deboche.
O PT tem medo da Globo.
O Brizola não tinha.
E contra o Dr Roberto se elegeu duas vezes governador do Rio.
E chamava o PT de UDN de tamancas.
Paulo Henrique Amorim
Leia Mais ►

Câmara Daqui, Senado de Lá

Na semana que passou, houve votações de grande importância na Câmara dos Deputados brasileira e no Senado argentino. Ambas foram concluídas na quarta feira.
Cessam aí as coincidências. Brasil e Argentina são muito diferentes em sua cultura política.
Aqui, naquele dia, o governo foi derrotado por uma expressiva maioria. Apurados os votos, a proposta do novo Código Florestal, já aprovada no Senado e que contava com o apoio explícito do governo, recebeu o endosso de apenas 189 deputados. Contra, manifestaram-se 274. 2 abstenções foram computadas.
Lá, o Senado aprovou, por quase unanimidade, o decreto presidencial que expropriava as ações da espanhola Repsol na YPF, a maior empresa petroleira do país. De 70 senadores, 63 pronunciaram-se a favor, 3 contrários e 4 se abstiveram.
Foram decisões a respeito de temas polêmicos e de impacto relevante na vida e no futuro dos dois países. Entre outras coisas, por afetar suas relações internacionais e imagem externa.
Um Brasil menos disposto a fazer com que sua agropecuária seja pautada por regras rigorosas de proteção ambiental pode enfrentar dificuldades crescentes para permanecer como um dos principais abastecedores do mercado mundial. É possível que não tenhamos problemas para continuar vendendo a compradores pouco exigentes. Mas é provável que eles se multipliquem quando, do outro lado da mesa, estiverem consumidores ambientalmente zelosos.
O anúncio de que Cristina Kirchner desapropriaria a participação da Repsol na YPF - desde que aprovada pelo Congresso – foi recebido com veementes protestos, vindos de vários lados.
Puxando a fila, estavam, naturalmente, os acionistas e administradores da Repsol. Também o governo espanhol, que queria tudo, menos ter de lidar com novas dificuldades, justo quando mal consegue responder à crise econômica que atinge o país. Apoiando-o, os demais governos europeus repudiaram a medida, alguns apenas por solidariedade, outros pensando com o bolso.
Os comentaristas de economia mais “liberais” ficaram escandalizados com a desfaçatez argentina. Para eles, invocar o interesse nacional e reestatizar a YPF é um pecado tão abominável que merece castigo eterno: passaram a profetizar que o país nunca mais receberia um tostão de investimento externo.
Aqui, o governo perdeu para uma coalizão esdrúxula. De um lado, constituída por parlamentares ligados ao agronegócio e eleitos em regiões de fronteira - cujo voto é legítimo e inquestionável. De outro, formada pelos deputados da oposição, que queriam infligir uma derrota a seus adversários do lulopetismo.
Se votassem com a consciência, muitos teriam agido de outra maneira, aprovando a redação do Código desejada pelo governo Dilma – como fizeram alguns senadores oposicionistas quando a matéria estava na Câmara Alta. Mas não foi esse seu comportamento: preferiram deixar suas convicções em segundo plano e votar “politicamente”.
Na Argentina, a quase unanimidade sugere que os senadores pensaram de maneira diferente. Embora minoria, os políticos da oposição – pois, na Câmara, espera-se consenso semelhante – votaram sem considerar a filiação partidária.
Das muitas lições que, humildemente, podemos receber de outros países, nos deram uma: há momentos e situações que exigem, das oposições, mais que coerência anti-governo.
Nesses, que votem no que acreditam. Mesmo que isso as leve, circunstancialmente, a concordar com o inimigo.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
Leia Mais ►

'Game Over' para a Veja: faltam vazar 1 volume e 2 apensos

Quem sentiu falta de mais telefonemas vazados entre Policarpo Júnior (da revista Veja) e Carlinhos Cachoeira, aguarde porque tem mais chumbo quente vindo por aí.
O vazamento Inquérito nº 3430 do STF, publicado no portal Brasil247, foi só o primeiro volume. Ainda falta o segundo.
Também só foi vazado um apenso. Ainda faltam dois.
Mesmo assim, o que já foi vazado é suficiente para provar a promiscuidade na associação entre a revista Veja e a organização criminosa.
Senador tucano tenta negar "batom na cueca" da Veja
O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) saiu em socorro da sua amada revista Veja, fazendo declarações na maior cara-de-pau, que equivalem a querer negar "batom na cueca".
Com isso o senador tucano se afoga junto com a revista nas águas turvas do Cachoeira.
Não custa lembrar que o senador já montou uma operação de arapongagem semelhante às do bicheiro, quando receptou em seu gabinete documentos roubados da Casa Civil da Presidência da República, e repassou na surdina para a revista Veja. Depois de dois meses de investigação e perícia nos computadores da Casa Civil, o senador foi desmascarado e teve que depor na Polícia Federal.
Leia Mais ►

Pateticamente Merval tenta defender a 'Veja' e 'PJ'

Vazamentos
Os vazamentos dos documentos sigilosos referentes à investigação da Polícia Federal sobre a relação do Senador Demóstenes Torres com o bicheiro Carlinhos Cachoeira que o Supremo Tribunal Federal enviou ao Congresso estão por toda a parte, e já nem são mais seletivos. Há fatos para todos os gostos.
Tanto a chamada “grande imprensa” quanto uma variedade imensa de blogs, de várias tendências políticas e com diversos interesses em jogo, estão divulgando sem parar documentos e gravações, para desespero, suponho, do senador autointitulado bedel da CPI.
Aliás, muitos dos documentos vazaram enquanto estavam sob a guarda do Supremo, e continuaram vazando mesmo antes de chegarem ao Congresso.
Eles demonstram mais uma vez que o relacionamento de jornalistas da revista Veja com o bicheiro Carlinhos Cachoeira e seus asseclas nada têm de ilícito, ficando preservada, por tudo que se conhece até o momento, a tênue linha que separa a ética jornalística de atos que podem comprometê-la.
O caso do jornal popular inglês News of the World, que colocou seus diretores e proprietários no banco dos réus na Inglaterra, é exemplar dessa diferença: lá os jornalistas contratavam arapongas para espionar celebridades e políticos.
Aqui, até o momento está demonstrado que a revista se utiliza de gravações realizadas para revelar os escândalos da República.
E em diversos momentos, como revelam as gravações, a revista se colocou contra os interesses de sua fonte de informações, divulgando notícias que desagradaram o bicheiro e sua turma.
A já conhecida gravação em que Cachoeira se queixa de que o diretor da sucursal de Brasília da revista Policarpo Junior não dá nada em troca das informações que recebe é uma evidência disso.
O máximo que aparece nas novas gravações é um tratamento íntimo do bicheiro com o jornalista, e um pedido de uma notinha na revista, fatos que podem desagradar os que tentam politizar o caso para se vingar, mas não chegam a condenar a revista nem seus jornalistas.
As gravações mostram também, de maneira evidente, o trabalho do senador Demóstenes Torres de proteger a empreiteira Delta por interesse direto do bicheiro.
Tanto que o PSOL já decidiu aditar à sua representação contra Demóstenes no Conselho de Ética do Senado, todo o material que receber da investigação da Polícia Federal sobre o esquema Cachoeira, através do senador Randolfe Rodrigues, seu representante na CPI.
O Partido Socialismo e Liberdade, aliás, indica que terá nessa CPI um papel semelhante ao que o PT originalmente tinha quando estava na oposição.
Seus membros são praticamente todos oriundos da base petista, formados na dissidência primeiramente dentro do próprio partido, depois na formação de um novo partido que se quer distante do “pragmatismo” que passou a ditar as regras do governo Lula.
Por motivos errados a meu ver, pois o gatilho para a dissidência foi a reforma previdenciária que o ex-presidente Lula acertadamente tentou levar adiante no início de seu governo, o PSOL já pressentia os rumos que o PT no governo tomaria, e seus fundadores desembarcaram dele antes que estourasse o escândalo do mensalão, em 2005.
Embora insista em teses arcaicas como a implantação do socialismo no país, objetivo que o próprio PT deixou como letra morta em seu estatuto, o PSOL guarda uma certa indignação com as atitudes pouco republicanas na prática política brasileira que é saudável.
Seu instrumento de pressão, a maioria das vezes inócuo pelos próprios vícios do sistema em vigor, são as comissões de Ética e as CPIs no Congresso, como a reforçar a ideia de que o primeiro passo para uma reforma política seria a reforma de nossas práticas políticas.
O partido pretende ampliar o anexo de sua representação à Comissão de Ética com diálogos 'pouco republicanos' de Demóstenes com o contraventor, publicados na imprensa, segundo seu líder, o deputado federal Chico Alencar.
Ele contesta a tendência declarada pelo relator da Comissão de Ética, senador Humberto Costa, de desconsiderar as gravações, afirmando que “não se sustenta” a tese de que elas podem ser anuladas pelo Supremo.
Alencar utiliza-se do argumento do próprio Humberto Costa, que já declarou que o julgamento do senador de Goiás no Conselho é político, e não se cinge às tecnicalidades jurídicas.
“Portanto, tudo o que — sendo veraz, por óbvio — contribui para a análise política da quebra da Ética e do Decoro Parlamentar tem que ser levado em consideração. Assim cobraremos”.
Na análise do líder do PSOL, “há alguns parlamentares na CPMI que confiam uns nos outros, pois são independentes e não têm medo de seu passado e de seu presente, isto é, não têm ‘telhado de vidro’. Nem estão ali para blindar correligionários”.
O deputado Chico Alencar admite que “não são muitos os que não recuarão por conveniências políticas, é verdade”.
Mas acha que os “independentes” são em número suficiente para, em último caso, fazer um voto em separado, denunciando o que, na verdade, está em questão: “o padrão degenerado da política brasileira, no qual os interesses privados, legais e ilegais, imbricam-se com os negócios públicos, e capturam, para o enriquecimento ilícito de pessoas e empresas, as instituições”.
Chico Alencar considera que o caso guarda semelhanças, nesse aspecto da promiscuidade do público com o privado, com o caso do mensalão:
“Trata-se da tarefa de ‘republicanizar a República’, e a oportunidade é singular”, diz ele.
Ele chama a atenção para uma declaração do governador petista do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, segundo quem "tomar a denúncia como produto de uma conspiração é errado: é deixar de lado que o Estado brasileiro — historicamente cartorial, bacharelesco e barroco nos seus procedimentos, e forjado sob o patrocínio de um liberalismo antirrepublicano — tem um sistema político, eleitoral e partidário totalmente estimulante a desvios de conduta e a condutas que propiciam a corrupção".
Genro, por sinal, foi uma das poucas lideranças petistas que, em decorrência do escândalo do mensalão, tentou liderar um movimento dentro do partido para sua “refundação”.
Merval Pereira
No O Globo
Leia Mais ►

'Chanceler' Cachoeira mediou para Berlusconi receber Demóstenes na Itália

Demóstenes Torres deveria  pedir desculpas "em nome do povo brasileiro", no encontro, pela não extradição de Cesare Battisti.
O bicheiro Carlinhos Cachoeira também atuou como uma espécie de "Chanceler" informal do DEM (ministro informal das relações exteriores para o senador Demóstenes Torres).
Em junho de 2011, através de uma conhecida, o bicheiro articulou um convite do então primeiro-ministro Silvio Berlusconi para receber Demóstenes Torres (ex-DEM) na Itália
O deferência teria uma contrapartida imprópria para a soberania nacional: Demóstenes se abaixaria" diante de Berlusconi para pedir desculpas "em nome do povo brasileiro", pela não extradição de Cesare Battisti. O senador concordou e disse: "Faço isso com o maior prazer".
O plano de Cachoeira previa avisar a velha imprensa brasileira, para ampla cobertura:
Poucos dias antes deste telefonema, Demóstenes havia feito um discurso na tribuna do Senado bajulando Berlusconi:  Pediu desculpas à nação italiana pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de não extraditar Cesare Battisti.
Leia Mais ►

Crimes, temos por aqui. Falta um país.

Quando o grampo telefônico e a minicâmera escondida ainda não eram instrumentos de denúncia e moralização, o político corrupto podia contar com uma certa tolerância tácita dos seus pares e do público.
Mesmo quando não havia dúvidas quanto a sua corrupção, havia a disposição de perdoá-lo, até de folclorizá-lo — e o político que roubava mas fazia tinha o privilégio do artista, de ser um canalha em particular se sua obra o redimisse.
Uma única gravura do Picasso absolve uma vida de mau-caráter. A obra do Marquês de Sade é estudada com a mesma isenção moral dedicada à obra de Santo Agostinho — que nem sempre foi santo — e ninguém quer saber se o escritor engana o fisco ou bate na mãe se seus livros são bons.
Ou querer saber, queremos, mas só pelo valor de fuxico.
A absolvição custa um pouco mais quando o pecado do artista é o da ideologia errada. Pois se se admitia no político a perversão privada do artista, a única inconveniência intolerável no artista era a incorreção política.
Assim um Louis Ferdinad Céline e um Wilson Simonal tiveram que esperar a remissão que o tempo acabou dando a Kipling, Claudel, Nelson Rodrigues, Jean Genet, etc. Mas a receberam.
O político que declaradamente roubava mas se redimia fazendo tinha um pouco desta imunidade de artista. Sua obra justificava seus pecados, quando não era uma decorrência deles.
Todo o sistema de conveniências e deixa-pra-laísmo que domina o Congresso brasileiro e que está sendo testado agora presume a mesma desconexão entre moral privada e moral aparente. A cultura do clientelismo, onde o suposto proveito político substitui a ética, está baseada nela.
O que causou a atual revolta contra a roubalheira e a tolerância com a corrupção no Brasil, além das modernas técnicas de averiguação, é a constatação crescente de que aqui não se tem nem a ética nem o proveito, rouba-se para poucos e não se faz para a maioria.
Em cleptocracias mais avançadas a obra dos artistas do desenvolvimento, todos bandidos, redimiu-os. Empresários corruptores e políticos corruptos fizeram dos Estados Unidos, por exemplo, o que eles são hoje.
O capitalismo selvagem americano domou a si mesmo depois de construir um país, ou controlou-se razoavelmente, mas nos seus tempos desinibidos escandalizaria até o Cachoeira. Aqui se tem o crime mas ainda não se tem o país.
PALAVRAS AVULSAS
O “rude e doloroso” idioma de Bilac é falado por mais gente do que fala francês, mas temos razões para nos queixar da sua relativa obscuridade. Ao contrário da Espanha, que perdeu seu império americano mas deixou um imenso mercado para o García Márquez e o Vargas Llosa, Portugal não foi muito pródigo com a sua língua.
Seus navegadores, catequizadores e comerciantes apenas largaram palavras avulsas pelos caminhos da sua exploração do mundo, como pepitas raras. Até hoje na Costa Ocidental da África usam a palavra “dash” para gorjeta. Vem do português “deixar”, como em “Vou deixar uns trocados para você, ó mameluco!”.
No Japão, o prato de camarão com legumes fritos chamado “tempura” tem este nome por causa dos portugueses que só comiam peixe durante os “Quattuor Tempora”, ou Quatro Tempos, de cinzas e contrição, do ano litúrgico.
O “mandarim” chinês vem de “mandar” mesmo, combinada com o sânscrito “mantrin”, ou conselheiro.
Algumas palavras portuguesas andaram pelo mundo e voltaram com seu sentido mudado.
“Casta”, substantivo, camada social, vem do português “casta” adjetivo. “Fetishe” começou a vida como feitiço. E o “joss” do chinês pidgin, significando ídolo, é uma corruptela do “Deus” chiado dos portugueses.
Enfim, não é muito mas é nosso.
Luís Fernando Veríssimo
Leia Mais ►