28 de abr de 2012

Em Busca do Ouro

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Veja tenta se defender atacando "discurso anti-imprensa"

Neste final de semana, a Veja socorreu-se do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), para quem o “discurso anti-imprensa” teria perdido força com o vazamento do inquérito da operação Monte Carlo, que é quase comemorado pela publicação. Revista seleciona um trecho de uma conversa que supostamente a favoreceria e omite vários outros onde Carlinos Cachoeira parece ter uma insólita influência dentro da redação. As duas últimas capas da publicação, sobre homens altos e mulheres executivas, expõem desconforto editorial com o caso.
A revista Veja não consegue esconder seu desconforto, com a profusão e a natureza das citações que vem recebendo nas conversas interceptadas pela polícia com autorização judicial no curso das investigações lideradas pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira. As conversas e as citações indicam que Cachoeira parecia ter uma insólita influência dentro da redação da revista.
As duas últimas capas da publicação materializam o desconforto: na semana passada, uma antológica “reportagem” sobre as virtudes de ser alto; nesta, outra capa morna com as “lições das chefonas”, um perfil sobre executivas de grandes empresas. Na parte superior da capa, uma pequena chamada, em tom ameaçador, diz que Cachoeira pode “contar tudo o que sabe”. Em outros tempos (recentes), esta seria o destaque de capa. Por alguma razão não é, assim como não foi na semana anterior.
“Vamo detona aquele trem na Veja”, “vou dar (um documento) pro Policarpo. Policarpo vai detonar aquela associação, entendeu (...) Na quarta-feira conforme for a gente senta com o Policarpo”. Esses são trechos de uma conversa travada no dia 6 de junho de 2011, entre Carlinhos Cachoeira e um a pessoa ligada a ele chamada Claudio. “Policarpo” seria Policarpo Júnior, editor chefe da revista Veja em Brasília. Há vários trechos de conversas onde Carlinhos Cachoeira ou pessoas próximas a ele afirmam ter influência direta na definição de pautas da publicação da editora Abril.
Neste final de semana, a Veja socorreu-se do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), para quem o “discurso anti-imprensa” teria perdido força com o vazamento do inquérito da operação Monte Carlo (publicado pelo site Brasil 247). “O vazamento do inquérito da operação Monte Carlo comprova que o suposto conluio entre a imprensa e a quadrilha do contraventor Carlinhos Cachoeira nunca passou de uma invenção de grupos hostis à liberdade de expressão – o que inclui setores do PT e seus aliados. A íntegra das investigações reforça o óbvio: o jornalismo investigativo cumpriu o seu papel sem se sujeitar à máfia”, diz a revista quase que comemorando o vazamento.
A interpretação da Veja é um tanto fantasiosa e agarra-se fundamentalmente a um dos trechos interceptados pela Polícia Federal, onde o senador Demóstenes Torres diz a Cachoeira que tentará “esvaziar os efeitos de uma reportagem de Veja sobre a empresa Delta, publicada há cerca de um ano”. As demais (e numerosas) referências à revista e a Policarpo são simplesmente ignoradas. Álvaro Dias diz que o “discurso anti-imprensa” perdeu força e não se fala mais no assunto. Essa é a ideia apresentada pelo site da revista neste sábado.
O “discurso anti-imprensa” ao qual Veja se refere resume-se na verdade à ela própria e ao suposto envolvimento de funcionários da empresa com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. O restante da chamada “grande imprensa” até aqui mantém ruidoso silêncio sobre o caso.
Marco Aurélio Weissheimer
No Carta Maior
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Os bancos, a desigualdade e o ocaso da velha Europa

Pode ser um bom sinal: chamado às falas pelo Parlamento Europeu e pela Comissão Europeia, o fiel funcionário do Banco Goldman Sachs, que preside o Banco Central Europeu, Mário Draghi, gaguejou. Não pôde explicar aonde foram parar o trilhão de euros que os países centrais da Europa emitiram e entregaram ao BCE, a fim de recuperar a economia do bloco. De acordo com Michel Barnier, Comissário da União Europeia encarregado do mercado interno do grupo, que inclui os serviços financeiros, e de Durão Barroso, o presidente da Comissão Europeia, os bancos beneficiados com os recursos, repassados pelo BCE a juros inferiores a 1%, não os usaram no estímulo à economia. Ao contrário, continuaram emprestando aos estados em dificuldades, a juros que vão de 6 a 10%. Quanto mais dificuldades enfrentam, mais altos são os juros, em uma espiral de arrocho, desemprego e miséria de seus povos.
Mesmo com os imensos recursos de caixa, os bancos privados – encabeçados pelo famigerado Goldman Sachs – reduziram seus financiamentos às empresas em 30% e os empréstimos aos correntistas privados em 43%. As condições para a concessão de créditos à economia real se tornaram ainda mais duras. E os empréstimos aos Estados se fazem sob exigências draconianas.
O Banco Central Europeu não pode emprestar diretamente aos Estados. Como todos os bancos centrais, eles são servidores dos banqueiros, e, de modo geral, operam com autonomia. Temos que sujeitar o nosso Banco Central ao controle direto do poder executivo.
Os bancos, na confidência de um banqueiro europeu anônimo, usam os empréstimos do BCE para refinanciar seus balanços, e soltam o dinheiro a filete de água para o financiamento da produção, do comércio e dos serviços. Esse procedimento faz com que a Europa siga o desastre americano e inglês, que se iniciou em 1980, com Madame Thatcher e Reagan. Nestes últimos trinta anos, nos Estados Unidos, o famoso um por cento dos americanos mais ricos viram sua renda multiplicar 300 vezes. Os americanos mais pobres tiveram um aumento de 40% em seus rendimentos, mas em consequência da participação intensiva das mulheres no trabalho. Essa participação, exigida pela crescente dificuldade dos lares, fez com que houvesse uma melhoria na renda familiar. Sem isso, só com o trabalho dos homens, não teria havido nenhuma melhoria.
A economia moderna – na avaliação de John Plender, um dos mais lúcidos analistas do Financial Times – parece ter duas pistas: uma de altíssima velocidade para os ricos, e outra, vagarosa, para os pobres. Segundo o próprio Financial Times, em matéria de janeiro deste ano, os conselhos de administração das grandes empresas, notadamente as do setor financeiro, têm fixado a remuneração de seus presidentes-diretores gerais em 400 vezes o salário de seus empregados de base. Há três décadas, essa diferença, já extremamente injusta, era de 40 vezes.
O sistema financeiro se tornou incontrolável, nos quadros legais de hoje, na medida em que se tornou grosseiramente obeso, na observação do mesmo jornal britânico.
Os estados nacionais abdicaram do senhorio da moeda, em favor do BCE (leia-se, do Goldman Sachs) mediante o Mecanismo Europeu de Estabilização. Os gestores desse “Mecanismo”, entre outros absurdos, não podem ser processados pela justiça. São invioláveis e impunes, cometam as irregularidades que possam cometer. Por essas razões, começa a crescer, nos meios políticos europeus, a idéia de que é preciso estatizar logo os bancos, antes que a impaciência popular leve a soluções radicais, mediante a articulação revolucionária, ou a ascensão da extrema-direita, que tampouco ama os banqueiros.
O controle mais efetivo da moeda pelos Estados, e sua intervenção direta no processo econômico são o caminho natural para impedir o fim do sistema democrático, ao reduzir a brutal desigualdade entre ricos e pobres e entre países marginalizados pela pobreza e as economias mais desenvolvidas.
Mário Draghi reconheceu que os bancos não atuam como seria de esperar. E prometeu dar explicações mais detalhadas das providências que pretende tomar. Vamos ver o que dirá o fiel servidor do Goldman Sachs.


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Homenagem a Bolsonaro – A ditadura gay por Laerte






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Médicos recusam até bons salários

Alta remuneração, bolsas de estudo e estabilidade. Nada disso tem sido suficiente para atrair novos profissionais de Medicina às cidades de menor porte
Nem mesmo salários superiores a R$ 10 mil e a estabilidade do serviço público, almejada por muitos profissionais, têm sido o suficiente para atrair médicos aos pequenos e médios municípios paranaenses. Competindo com a rede particular e as oportunidades disponíveis em Curitiba e nos grandes centros, as cidades do interior se veem há anos em uma cruzada para preencher seus quadros médicos.
Criado pelo governo federal para tentar reverter essa situação, o Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab) vem se mostrando pouco eficaz. Das 2 mil vagas ofertadas para médicos recém-formados de todo o Brasil, apenas 1,4 mil tiveram interessados.
O Paraná aparece entre os estados que registraram menor número de selecionados no Provab, 25 ao todo. O primeiro colocado no número de aprovados é o Maranhão, cuja população é 35% menor que a paranaense, mas que terá mais de 300 médicos participantes. Mesmo entre os municípios paranaenses contemplados, alguns não irão participar. É o caso de Tibagi, nos Campos Gerais, que teve dois profissionais selecionados, mas que já eram contratados pela prefeitura. “Nosso intuito era valorizar os profissionais do quadro atual, mas depois soubemos que isso não seria possível”, explica a secretária municipal de Saúde, Elisângela de Carvalho.Lançado no ano passado, o Provab busca incentivar profissionais recém-formados a trabalharem por um ou dois anos em municípios de maior necessidade e nas periferias das grandes cidades. Para isso, oferta bolsas de especialização e bônus para concursos de residência. Em todo o Brasil, 1.228 municípios se inscreveram para receber os novos médicos, mas para 233 não houve interessados. No Paraná, das 61 cidades que se cadastraram, apenas 10 tiveram inscritos. Ao todo, as prefeituras informaram ter uma demanda de 7,1 mil profissionais para seus quadros.
Em Manoel Ribas, na Região Central, a secretária de Saúde, Iraci Ianczen, conta que o médico aprovado chegou a se apresentar na prefeitura para iniciar os trabalhos. Depois disso, no entanto, não apareceu mais. “Não sei o que aconteceu, se houve algum desentendimento posterior, mas estamos esperando”, relata. De acordo com a secretária, o intuito era reforçar o quadro do Centro Municipal de Saúde, que presta atendimento básico à população.

Procura

Muitas prefeituras paranaenses estão realizando concursos para selecionar médicos, algumas ofertando salários acima de R$ 10 mil. Em Assis Chateaubriand, no Oeste, o salário proposto chega a R$ 11,4 mil. Já a prefeitura de Prudentópolis, na Região Central, tem vagas para o Programa Saúde da Família (PSF) com vencimentos de R$ 10,9 mil. “Os grandes centros oferecem salários maiores, têm mais clínicas e, com isso, as pequenas cidades sofrem. Mas, dentro das nossas possibilidades, estamos conseguindo suprir a demanda”, diz o secretário de Saúde, Gustavo Luiz de Césaro.
Para os gestores de Coronel Vivida, no Sudoeste, a dificuldade maior está na contratação de pediatras e obstetras. Recentemente, a prefeitura promoveu concurso para as duas áreas, mas não houve aprovados. Com isso, a solução é continuar com profissionais temporários, que vêm de Pato Branco, a 33 quilômetros. “O que nós queríamos era ter alguém que criasse vínculo com a população, que estivesse mais próximo da comunidade”, lamenta Lisete Engelmann, secretária de Saúde licenciada.

Conselho quer plano de carreira para a categoria

A concentração de médicos nas capitais e a consequente dificuldade de angariar profissionais no interior foram confirmadas por um estudo do Conselho Federal de Medicina (CFM), divulgado no final do ano passado. De acordo com o levantamento Demografia Médica no Brasil, o conjunto das capitais tem uma razão de 4,22 médicos registrados a cada mil habitantes. Esse índice é mais que duas vezes superior à média nacional, de 1,95. Com mais de 8 mil profissionais registrados, Curitiba tem uma média de 4,85, enquanto em âmbito estadual esse índice é de 1,82.
Para o conselheiro Mauro Luiz de Britto Ribeiro, membro da Comissão Nacional Pró-SUS Remuneração e Mercado de Trabalho do Médico, a concentração de profissionais nos grandes centros não é exclusiva da categoria médica. Mas como o atendimento à saúde é um direito básico do cidadão, o CFM defende que a atividade no poder público seja regulamentada, nos moldes da Justiça e do Ministério Público. “Assim os médicos teriam um plano de cargos e carreiras, uma remuneração digna e a garantia de estabilidade. Ninguém vai trabalhar em um local se não houver atrativos”, argumenta.
Apesar de indicar os números, o relatório do CFM considera equivocado calcular a relação entre o número de profissionais em atividade e a população domiciliada. “Esse método é útil para o diagnóstico preliminar, mas falha ao tratar como iguais unidades de um universo tão complexo quanto heterogêneo, mostrando-se insuficiente para orientar uma política de saúde capaz de resolver distorções”, diz o texto.

Apoio inicial

Quanto ao Provab, Ribeiro lembra que o conselho apoiou o programa quando de seu lançamento, por entender que seria uma alternativa para atrair mais médicos aos municípios do interior. No entanto, a entidade acusa o não atendimento de alguns compromissos, como garantir contrato pelo regime celetista (CLT) e supervisão aos profissionais selecionados. “Os médicos estão ingressando e não há garantia nenhuma de que isso será atendido. Por isso estamos discutindo se mantemos ou não nosso apoio”.
Gazeta do Povo
No Blog do Mário
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Charge online - Bessinha - # 1212

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#VejaGolpista

Mídia tenta abortar CPI da mídia


Há uma intensa movimentação dos monopólios midiáticos para evitar que a CPI do Cachoeira apure também as relações do crime organizado com setores da imprensa. A Operação Monte Carlo da PF já confirmou a existência desta promíscua relação – só entre o editor da Veja, Policarpo Jr., e o mafioso Carlinhos Cachoeira, foram mais de 200 telefonemas, além de jantares sinistros. Neles muita coisa deve ter sido tramada para interferir nos rumos políticos do país e para beneficiar alguns negócios “privados”.
Apesar de todos os indícios, a mídia quer evitar que a CPI investigue a mídia! E ela se articula neste sentido. Na semana passada, o executivo Fábio Barbosa, atual presidente do Grupo Abril, que edita a Veja, e ex-presidente da federação dos banqueiros, esteve em Brasília. Ele visitou várias “autoridades” da República. Nos bastidores, circulou o boato de que o seu único intento foi impedir que o “capo” do império midiático, Roberto Civita, seja convocado por parlamentares para depor na CPI.

Ameaças de retaliação


Segundo reportagem do sítio Brasil 247, outros dois barões da mídia também já entraram em campo, num “pacto” para abortar qualquer risco de investigação. “João Roberto Marinho, da Rede Globo, fez chegar ao Palácio do Planalto a mensagem de que o governo seria retaliado se fossem convocados jornalistas ou empresários de comunicação. Otávio Frias Filho, da Folha, também aderiu ao pacto de não agressão. E este grupo já tem até um representante na CPI. Trata-se do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ)”.
Por coincidência, numa notinha da coluna Painel da Folha, a jornalista Vera Magalhães confirmou a trama. Intitulado “Vacina”, o texto revela: “O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) vai argumentar na CPI, com base no artigo 207 do Código de Processo Penal, que é vedado o depoimento de testemunha que por ofício tenha de manter sigilo, como jornalistas”. Ou seja: os barões da mídia procuram “vacinas” para se proteger!

Editoriais e colunistas amedrontados


Uma leitura mais atenta dos editoriais e dos principais colunistas da chamada grande imprensa confirma o medo. Os mesmos que sempre vibraram com as CPIs, principalmente no governo Lula, agora falam que ela é “precipitada”, “revanchista”, “imprevisível”. Os mesmos que sempre bravatearam sobre o “jornalismo investigativo”, agora fazem de tudo para abortar qualquer investigação sobre as relações da mídia com o crime organizado. A CPI pode ser transformar num processo bastante educativo, elucidativo!
Altamiro Borges
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Tuitaço hoje 18h - #VejaGolpista e #PolicarpoNaCPI‏

Depois de uma semana cheia de revelações, estamos convidando todos a participarem de nosso tuitaço hoje à partir das 18 horas.
Pedimo a gentileza para que cada um informe e mobilize suas redes a participarem junto conosco deste tuitaço.
Vamos utilizar o twitter, facebook, Orkut e nossas listas de emails, mobilizando para esta atividade.
Usaremos as Tags #VejaGolpista e #PolicarpoNaCPI
Vejam abaixo alguns links que podem ser compartilhados assim como podemos comentar nossas impressões juntamente com as TAGs  #VejaGolpista e #PolicarpoNaCPI
Sugestão de Links
Via @viomundo Demóstenes, sobre grampo de Dirceu: “Aí é ótimo, fantástico”   #VejaGolpista #PolicarpoNaCPI - http://www.viomundo.com.br/denuncias/demostenes-sobre-grampo-de-dirceu-ai-e-otimo-fantastico.html

Via @luisnassiff - Obsessão de Veja com Dirceu cria problemas para Carlinhos #VejaGolpista #PolicarpoNaCPI http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/obsessao-de-veja-com-dirceu-cria-problemas-para-carlinhos

Via @luisnassiff Como Cachoeira utilizava a Veja - #VejaGolpista #PolicarpoNaCPI - http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/como-cachoeira-utilizava-a-veja

Via @brasil247 Uma bomba para “Poli” detonar na Veja   - #VejaGolpista #PolicarpoNaCPI - http://brasil247.com/pt/247/midiatech/56810/Uma-bomba-para-%E2%80%9CPoli%E2%80%9D-detonar-na-Veja.htm

Via Tijolaço: Jornalismo e cumplicidade não são o mesmo - #VejaGolpista #PolicarpoNaCPI http://www.tijolaco.com/jornalismo-e-cumplicidade-nao-sao-o-mesmo/

Via @viomundo O jogo duplo de Demóstenes com a Delta #VejaGolpista #PolicarpoNaCPI - http://www.viomundo.com.br/denuncias/o-jogo-duplo-de-demostenes-sobre-a-delta.html

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A deliciosa história sobre a invenção do jogo do bicho

O jogo do bicho surgiu no Rio de Janeiro em 1893. A criação da loteria popular mais famosa do Brasil se deve ao complicado contexto político daqueles tempos. A República, recentemente proclamada, tentava sepultar os resquícios da Monarquia derrubada — e desse quiproquó entre os adeptos dos regimes surgiu o jogo. Explico.
Nos tempos da Monarquia, o Barão de Drummond, eminência política do Império e amigo da família real, era fundador e proprietário do Jardim Zoológico do Rio de Janeiro — que então funcionava em Vila Isabel.
A manutenção da bicharada era feita, evidentemente, com uma generosa subvenção mensal do governo, suficiente, diziam as línguas ferinas dos inimigos do Barão, para alimentar toda a fauna amazônica por pelo menos dez anos.
Quando a República foi proclamada, o velho Barão perdeu o prestígio que tinha. Perdeu, também, a mamata que lhe permitia, segundo o peculiar humor carioca, alimentar o elefante com caviar, dar champanhe francesa ao macaco e contratar manicure para o pavão.
Sem o auxílio do governo, o nosso Barão cogitou, em protesto, soltar os bichos na Rua do Ouvidor — o que, admitamos, seria espetacular — e fechar em definitivo o zoológico do Rio.
Foi aí que um mexicano, Manuel Ismael Zevada, que morava no Rio e era fã do zoológico, sugeriu a criação de uma loteria que permitisse a manutenção do estabelecimento. O Barão ficou entusiasmado com a ideia.
O frequentador que comprasse um ingresso de mil réis para o Zoo ganharia vinte mil réis se o animal desenhado no bilhete de entrada fosse o mesmo que seria exibido em um quadro horas depois. O Barão mandou pintar vinte e cinco animais e, a cada dia, um quadro subia com a imagem do bicho vitorioso.
Caríssimos, se bobear essa foi a ideia mais bem-sucedida da história do Brasil. Multidões iam ao zoológico com a única finalidade de comprar os ingressos e aguardar o sorteio do fim de tarde.
Em pouco tempo, o jogo do bicho tornou-se um hábito da cidade, como os passeios na Rua do Ouvidor, a parada no botequim, as regatas na Lagoa e o fim de semana em Paquetá. Coisa séria.
A República, que detestava o Barão, proibiu, depois de algum tempo, o jogo no zoológico. Era tarde demais.
Popularizado, o jogo espalhou-se pelas ruas, com centenas de apontadores vendendo ao povo os bilhetes com animais dadivosos. Daí para tornar-se uma mania nacional, foi um pulo. O jogo do bicho deu samba — com trocadilho.
Contei rapidamente a história da criação do jogo para constatar o seguinte: a situação atual do zoológico do Rio de Janeiro não parece ser muito diferente daqueles tempos bicudos do velho Barão de Drummond.
Dia destes, o próprio O Globo veio com uma reportagem chamando atenção para o desleixo a que o jardim está entregue em tempos recentes. Enquanto a loteria popular prosperou e virou uma espécie de instituição nacional, o zoológico não teve a mesma sorte.
O jogo, que a rigor foi criado apenas para tirar o zoológico da situação de abandono e com uma inocência digna das histórias de Polyana, a moça, chegou longe demais. Vejam, por exemplo, as atuais peripécias republicanas do bicheiro Carlinhos Cachoeira (curiosamente chamado por alguns da mídia de “empresário da contravenção”).
A inocente loteria popular ganhou asas e se transformou em uma complexa organização criminosa, com tentáculos inimagináveis que envolvem até mesmo cândidas vestais de ternos e togas do moralismo tupiniquim.
Deixo aqui a minha sugestão: já que o poder público aparentemente não dá pelota para a bicharada, confisquem as fortunas que o crime organizado amealhou em aparente conluio com os bacanas e poderosos da República.
Separem um pouquinho da grana tungada e, por justiça histórica, destinem o tutu ao carente Jardim Zoológico do Rio de Janeiro.
Uma parte do dinheiro do mafioso Cachoeira deve servir ao nobre destino de alimentar cobras, leões, passarinhos e macacos que, afinal de contas, fazem a alegria da criançada carioca em fins de semana.
A César o que é de César. Ou alguém aí sugere a criação de uma loteriazinha inocente que pode salvar o zoológico carioca desse abandono? Não recomendo.
Luiz Antonio Simas, historiador
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O sistema Echelon de vigilância global

A Ilha de Ascensão* é apontada como uma
 das possíveis bases do Sistema Echelon.
Em 2000, parte do Parlamento Europeu esteve reunido para discutir e votar a favor da realização de um relatório que procurava analisar e compreender uma prática que vinha sendo realizada por alguns países ao redor do globo, desde o final da Segunda Guerra Mundial, de captura de dados planetariamente. O chamado sistema Echelon de escuta e vigilância global fora aí pela primeira vez alvo de especulações de fontes oficiais. O estímulo para a investigação vinha da constatação, cada vez mais segura, de que cinco países – Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia – estavam utilizando sistemas de interceptação de satélite para não somente apurar dados militares e de segurança nacional, mas, muito provavelmente, para ter vantagem econômica sobre outros países ou empresas, assim como coletar qualquer espécie de informação que lhes fosse útil, inclusive de civis.
Isto remete à questão dos dados captados por um sistema midiático que se espalha em todos os cantos e sobre tudo. Nessa situação, muitos deputados nem mesmo se mostravam inteirados a respeito da existência de tal sistema, situação que não surpreende, visto que o sistema é operado por agências de inteligência e seguridade, permanecendo no quadro dos assuntos escusos dos governos envolvidos. O panorama, contudo, não pareceu mudar muito, mais de 10 anos depois. Os governos não têm interesse de propagação desse conhecimento e muitos cidadãos são céticos ao depararem com essa possível realidade, indagando-se de que maneira o sistema poderia, de fato, interferir em sua vida privada. Não obstante, muitos ignoram que a simples existência de um sistema dessa natureza, utilizado também em escuta e vigilância de civis, já estará interferindo em seus direitos de privacidade e democracia.
As estações de monitoração
Diversas estações terrestres equipadas e construídas para tal fim compõem o sistema Echelon. São pelo menos 11 estações reconhecidas e expostas no relatório da União Europeia, mas é grande a probabilidade de existirem outros postos que operam com a mesma finalidade. Elas estão construídas e posicionadas de forma estratégica ao longo de quatro continentes – Europa, América, Ásia e Oceania –, visando a facilitar a comunicação com os diversos satélites que orbitam a exosfera, compondo um quadro de monitoração de alcance global. Estas estações estão, desde 1980, equipadas com antenas capazes de captar sinais de comunicação via Intelsat. Trata-se do primeiro sistema mundial de comunicação por satélite que pode interceptar qualquer espécie de informação que trafegue no globo, seja por meio da internet, do rádio, de e-mails, telefones, fax ou telex. Ou seja: o sistema não trabalha apenas para a monitoração de satélites, mas também de cabos e ondas de rádio.
A maior base eletrônica de espionagem
no mundo é a Field Station F83, da
NSA (Agência Nacional de Segurança) - EUA
 e se situa em Menwith Hill, Yorkshire,
na Grã-Bretanha.
Sendo a massa de comunicações efetuadas diariamente ao redor do globo gigantesca, o esforço necessário para filtragem da informação deve ser proporcional. Dessa maneira, mecanismos e sistemas de busca foram desenvolvidos para otimizar o trabalho. Nicky Hager, jornalista neozelandês que estudou o sistema e relatou sua pesquisa no livro Secret Power, New Zealand's Role in the International Spy Network (ainda sem tradução para o português), conta que o sistema Echelon trabalha segundo uma lógica de filtragem que seleciona mensagens que contenham palavras-chave pré-determinadas, que compõem o chamado Echelon Dictionary. As palavras podem tanto ser nomes e localidades, quanto assuntos específicos ou qualquer outra questão que seja do interesse dos grupos que operam o sistema.
Dessa maneira, tarefas são distribuídas entre as estações de monitoração. Há certos postos que interceptam satélites específicos, o que depende de suas posições geográficas. Por exemplo, uma estação de Waihopai, na Nova Zelândia, monitora satélites Intelsat localizados sobre o Pacífico, e outra de Sugar Grove, nos EUA, intercepta comunicações que estão sobre o Atlântico. Contudo, palavras-chave de interesse exclusivo de algum dos países, mesmo que a interceptação seja feita em estação fora de seu território, não serão reveladas às estações que a interceptarem. Destarte, é possível afirmar que o modus operandi é engendrado de forma a ser quase automático, visto que é todo processado e realizado através de computadores, mantendo o sigilo absoluto de tudo o que é procurado e encontrado.
Atividades, comportamento e preferências
Agora vem a pergunta: isso é legal, se todos têm direito à privacidade, em Estados que prezam pela democracia e a liberdade de expressão? O que a Constituição europeia aponta é que, em relação à circulação livre de dados e à proteção da privacidade no setor das telecomunicações, não é aplicado em caso de tratamento de informações ou atividades que tangem a defesa e segurança pública, incluindo o bem-estar econômico do Estado. Ou seja, constitucionalmente o Echelon não infringe as leis de direito, se aplicado a situações de segurança de Estado, uma definição por si só controversa. Sabe-se, contudo, que são os mesmos satélites que carregam informações de interesse do Estado, de empresas e companhias de natureza econômica competitiva e de civis que utilizam qualquer plataforma de comunicação tecnológica, estando a sua interceptação a alguns cliques de distância.
Como saber, então, se a utilização do sistema é, de fato, voltada apenas para a segurança? Utilizada de maneira irregular, essa tecnologia pode pôr em perigo a liberdade que cada indivíduo tem de se expressar e se posicionar contra ideias pré-estabelecidas, ou de fomentar qualquer espécie de movimentação que aja contra a “máquina”, pois todos os seus movimentos passariam a ser vigiados e as transgressões, punidas. Seria mais uma engrenagem da sociedade disciplinar que rastreia, detecta, castiga e corrige. Essa discussão também traz à tona questionamentos a respeito da tecnologia em geral, que estão presentes de forma massiva e modeladora nas sociedades atuais. O nível de exposição que possibilitam é gigantesco, facilitando o rastreamento de atividades, padrões de comportamento e preferências gerais. A questão é que os mecanismos estão dispostos. Só resta saber exatamente para que.

*A ilha de Ascensão é uma pequena ilha britânica no Oceano Atlântico, constituinte do território ultramarino britânico de Santa Helena, Ascensão e Tristão da Cunha. Muito isolada, o seu vizinho mais próximo é Santa Helena, cerca de 1 300 km para sudeste, seguindo-se a costa da Libéria, cerca de 1 700 km para nordeste. A oeste, a porção de terra mais próxima no continente sul-americano é a Ponta do Funil, localizada no município brasileiro de Goiana, no estado de Pernambuco. A distância entre Ascensão e a Ponta do Funil é de 2 249 km. Levando-se em consideração as ilhas oceânicas do Brasil, as distâncias são de 1 923,9 km até o Arquipélago de São Pedro e São Paulo; de 2 039,7 km até a Ilha Rata, em Fernando de Noronha; e de 2 079,9 km até a Ilha Martim Vaz, no Arquipélago de Trindade e Martim Vaz.

Valério Cruz Brittos e Jéssica M. G. Finger são, respectivamente, professor titular no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Unisinos; e graduanda do Curso de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda na mesma instituição
No Observatório da Imprensa
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Tablóide corrupto, Correio Braziliense, esquece que também será investigado por corrupção

O bicheiro usa seus laços com a revista Veja para emplacar reportagens de seu interesse político:
No Aposentado Invocado
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Brasil já é o terceiro maior credor dos Estados Unidos

Até agora, ninguém deu a notícia. Com 372 bilhões de dólares em reservas internacionais, o Brasil acaba de se converter, aplicando mais da metade delas em “treasuries”, no terceiro maior credor individual externo dos Estados Unidos, como pode ser visto na própria página oficial do tesouro norte-americano, cujo link publico abaixo. O acúmulo de reservas internacionais, cujo custo de carregamento tem caído em linha com a redução da taxa SELIC, serve para valorizar o dólar com relação ao real, favorecendo nossas exportações,e é, sobretudo, uma arma geopolítica, que mantêm em situação positiva a imagem do Brasil frente às agências internacionais de classificação de risco e em uma posição de força em organismos como o G-20, o Banco Mundial e o FMI.
Conheço empresários brasileiros de linha mais desenvolvimentista, no entanto, que pensam que a política de acúmulo de dólares poderia ser complementada com a emissão de moeda, no mercado interno, destinada a investimentos diretos do governo na área de infraestrutura, por exemplo. Tal medida, com uma pequena expansão administrável da inflação, derrubaria o valor do real frente ao dólar, favorecendo as exportações, injetaria dinheiro em todos os níveis da economia produtiva, e criaria milhões de empregos.
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Opinião pública, o que é?

Confusões. O Estadão acredita que seu sonho de
vê-los brigar é verdade.
Foto: Pedro Ladeira/Frame/Ag. O Globo
Pergunto aos meus reflexivos botões qual seria no Brasil o significado de opinião pública. Logo garantem que não se chama Merval Pereira, ou Dora Kramer, ou Míriam Leitão. Etc. etc. São inúmeros os jornalistas nativos que falam em nome dela, a qual, no entanto, não deixa de ser misteriosa entidade, ou nem tão misteriosa, segundo os botões.
A questão se reveste de extraordinária complexidade. Até que ponto é pública a opinião de quem lê os editorialões, ou confia nas elucubrações de Veja? Digo, algo representativo do pensamento médio da nação em peso? Ocorre-me recordar Edmar Bacha, quando definia o País como Belíndia, pouco de Bélgica, muito de Índia. À época, houve quem louvasse a inteligência do economista. Ao revisitá-la hoje, sinto a definição equivocada.
Os nossos privilegiados não se parecem com a maioria dos cidadãos belgas. A Bélgica vale-se da presença de uma burguesia autêntica, culta e naturalmente refinada. Trata-se de tetranetos da Revolução Francesa. Só para ser entendido pelos frequentadores do Shopping Cidade Jardim em São Paulo: não costumam levar garrafas de vinho célebre aos restaurantes, acondicionadas em bolsas de couro relampejante, para ter certeza de uma noite feliz. Até ontem, antes do jantar encharcavam-se em uísque.
Em contrapartida, a minoria indiana, sabe das coisas e leu os livros. Já a maioria, só se parece com a nossa apenas em certos índices de pobreza, relativa ou absoluta. No mais, é infelicitada por conflitos, até hoje insanáveis, étnicos e religiosos. Nada de Bélgica, tampouco de Índia. Nem por isso, a diferença, ainda brutal, existe entre brasileiros ricos e pobres, embora desde o governo Lula tenha aumentado o número de remediados.
O Brasil figura entre os primeiros na classificação da má distribuição de renda, pecha mundial. Na semana passada, CartaCapital publicou ampla reportagem de capa sobre vários índices do nosso atraso, a mostrar que crescimento não é desenvolvimento. De fato, o Brasil sempre teve largas condições de ser um paraíso terrestre, como vaticinava Américo Vespucci, e não foi porque faltou o comando de quem quisesse e soubesse chegar lá. Sobrou espaço para os predadores, ou seja, aqueles que, como dizia Raymundo Faoro, querem “um país de 20 milhões de habitantes e uma democracia sem povo”.
A opinião pública que os Mervais, Doras e Mírians da vida acreditam personificar, é no máximo, na melhor das hipóteses para eles, a dos seus leitores. Há outra, necessariamente, daqueles que não se abeberam a essas fontes, e muitos sequer têm acesso à escrita. Votam, contudo, e são convocados pelas pesquisas de opinião. À pressão midiática, que ignoram por completo, preferem optar por Lula e Dilma Rousseff. Temos de levar a sério esta específica e majoritária opinião pública claramente expressa e, em termos práticos, mais determinante que a outra.
A opinião pública que a mídia nativa pretende personificar já condenou o chamado mensalão e decidiu os destinos da CPI do Cachoeira. A opinião pública da maioria está noutra. O resultado do confronto há de ser procurado nas pesquisas e nas eleições, é o que soletram meus botões. Eles são exigentes e me forçam a um exame de consciência. Por que as circunstâncias me levam à referência frequente a mídia nativa? Acontece que a mídia é, sim, personificação da minoria. Aquela do deixa como está para ver como fica.
A mesma que conspirou contra Getúlio democraticamente eleito e contra a eleição de Juscelino. Ou que apoiou Jânio Quadros em 1960, tentou evitar Jango Goulart depois da renúncia e enfim implorou o golpe perpetrado pelos gendarmes fardados em 1964, e o golpe dentro do golpe em 1968. A mesma que desrespeitou o anseio popular por eleições diretas em 1984 e engendrou uma dita redemocratização, de todo patética, em 1985, e hoje ainda dá uma de galo no papel impresso e no vídeo. Será que a rapaziada se dá conta do que está a acontecer de verdade?
A mídia nativa, é fácil demonstrar, na sua certeza de representar a opinião pública do País todo pratica aquilo que definiria como jornalismo onírico. Neste mister, o Estadão de quinta 26 supera-se. Estampa na primeira página que a presidenta Dilma mente ao afirmar, ao cabo de um longo encontro com Lula em Brasília, a ausência de diferenças entre ela e seu mentor. A presidenta responde obviamente a uma pergunta e diz: “Não há diferenças entre nós e nunca haverá”. Então por que perguntam se estão certos de que seu sonho é a própria verdade?
Mino Carta
No CartaCapital
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Charge online - Bessinha - # 1211

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MP desmente Veja e nega investigação sobre arapongas no Distrito Federal

Notícia deve esfriar os ânimos da CPI da arapongagem, criada para investigar suposta rede de gravações clandestinas, que seria comandada pelo Governo do Distrito Federal
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) negou nesta sexta-feira (27), por meio de ofício, que exista qualquer investigação ou processo administrativo envolvendo uma suposta rede de arapongas na Casa Militar do Distrito Federal.
Reportagem da Veja afirmava que o Ministério Público estava com uma investigação em curso sobre uma suposta rede de arapongas ligados ao governo do Distrito Federal que acessaram informações secretas de jornalistas, promotores e políticos, entre eles, o vice-governador Tadeu Filippelli. O próprio vice-governador solicitou esclarecimentos ao MPDFT que negou as informações da revista.
O ofício divulgado pelo MPDFT nesta sexta-feira pode contribuir para esfriar a CPI da Arapongagem instalada na Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Leia o ofício:
No 247
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Jornalismo e cumplicidade não são o mesmo

 
Não está em pauta, na CPI do Cachoeira, o sigilo de fontes jornalísticas.
Ninguém se interessa em saber qual foi a fonte do senhor Policarpo Júnior, da Veja, para os oito anos de matérias bombásticas, com gravações de diálogos escusos e revelação de supostos negócios ilegais.
Não tem interesse, porque todos já sabem: Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, o “empresário de jogos”.
O que se quer saber é outra coisa: como foi o pacto de interesses políticos firmado entre a revista e o contraventor.
Carlos Cachoeira não forneceu uma ou duas informações à Veja. Teve, sim, uma longa convivência que, em termos biológicos, teria o nome de mutualismo: uma interação entre duas espécies que se beneficiam reciprocamente.
Cachoeira usava a Veja como instrumento de seu esquema de coação, chantagem, propinagem.
Veja usava Cachoeira como fonte de combustível para a fornalha de seu ódio político contra governos de esquerda, Lula e Dilma.
A maior prova é que as ligações de Cachoeira com Demóstenes Torres e Marcone Perillo, dois aliados de Veja no campo político, nunca foram objeto de apuração por parte da revista.
Ao contrário, o tal “grampo” do diálogo entre Demóstenes e o então presidente do STF, Gilmar Mendes, foi apresentado como resultado de arapongagem governista e fez estragos dentro da Polícia Federal.
Repito: não se quer saber quem era a fonte de Veja, porque isso já se sabe, mas quais foram as relações entre a revista e a Editora Abril no uso de gravações clandestinas, que eram as ferramentas de chantagem de Cachoeira.
Não existe “sigilo de fonte” na decisão interna de um órgão de imprensa em manter uma  longa sistemática relação com um bandido.
Qualquer jornalista sabe a diferença entre receber informações de um bicheiro sobre algum caso e a de, sistematicamente, receber dele material clandestino que incrimine os policiais que lhe criem problemas. Sobretudo, durante anos e sem qualquer menção à luta de submundo que se desenvolvia nestes casos.
No primeiro caso, é jornalismo. É busca da informação e sua apresentação no contexto em que ela se insere.
No segundo, é cumplicidade. É uma associação para delinquir, criminal e jornalisticamente.
No crime, porque viola, de forma deliberada, direitos e garantias constitucionais. No caso Murdoch, o escândalo foi seu jornal ter grampeado telefones por razões políticas. Neste, o de ter utilizado por anos gravações clandestinas fornecidas por um terceiro, um contraventor.
Sob o ponto de vista jornalístico, a pergunta é: se o “grampeador” de Murdoch tivesse trabalhado de graça, o seu jornal, News of the World,  teria menos culpa?
Cachoeira trabalhou “de graça” para a revista, mas a revista sabia perfeitamente de seus lucrativos interesses em fornecer-lhe “o material”.
Seria o mesmo que o repórter de polícia, durante anos, saber que a fonte das informações que recebia as transmitia por estar interessado em “tomar” outros pontos de bicho e ampliar seu império zoológico.
É irrelevante se o repórter fazia isso por dinheiro ou por prestígio.
Repórter que agia assim, no meu tempo, chamava-se “cachorrinho”. E tinha o desprezo da redação.
Não se ofenda a profissão confundindo as duas coisas e nem se diga que o sr. Policarpo é mero repórter. É alguém, que pelo seu cargo, tem relações diretas com a administração empresarial da revista.
Não tem sentido falar em “preservação de fontes jornalísiticas” quando a fonte e o relacionamento entre ela e um editor – não um simples e inexperiente repórter – já são objeto de registro policial devidamente autorizado pela Justiça.
Sobre o que Veja e Cachoeira conversavam está no processo, não há sigilo a ser quebrado aí.
O que se quer saber é como e porque Veja e Cachoeira viveram esta longa relação mútua e que benefícios para uma e outro advieram dela.
Por isso, o senhor Policarpo Júnior deve prestar, como testemunha, declarações à CPI.
Poderá alegar preservação de fontes quando for perguntado se a direção da editora sabia a origem do material que publicava?
Não parece que isso seja sigilo profissional, do contrário Murdoch escaparia ileso.
As gravações divulgadas hoje pelo jornalista Luis Carlos Azenha, no Viomundo, reveladas a partir dos documentos publicados pelo Brasil 247, são uma pá de cal no tal segredo de justiça que, todos estão vendo, não existe mais.
Dois bandidos assumem que dirigiam as publicações de “escândalos” na Veja.
E isso é um escândalo, que não pode ficar oculto.
Ocultar fatos, sim, é que é um atentado à liberdade de imprensa.
Fernando Brito
No Tijolaço
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Documentos ligam Policarpo Jr. e a Veja ao crime organizado por Cachoeira e Demóstenes

O Blog Limpinho & Cheiroso, após a leitura do documento, separou os principais trechos em que Policarpo Jr., vulgo PJ ou Poli, editor da revista Veja em Brasília, aparece em conversas pouco convencionais com suas “fontes” Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e o senador Demóstenes Torres. Também estão presentes nos diálogos selecionados abaixo Cláudio Abreu, diretor da Delta na Região Centro-Oeste; Aredes Correia Pires, diretor geral da Polícia Civil de Goiás; vereador Wesley Silva, do PMDB de Anápolis (GO); Gleyb Ferreira da Cruz, um dos principais assessores de Cachoeira; e sargento da PM do Distrito Federal Jairo Martins de Souza.
O documento traz provas contundentes que Policarpo Jr. e seu patrão, Roberto Civita, estão envolvidos com os crimes de Cachoeira e sua quadrilha.
Confira a seguir.
23/4/2009 e 13/5/2009 – O senador Demóstenes Torres articulou com Carlos Cachoeira a divulgação pela imprensa de dados sigilosos que seriam entregues informalmente a um repórter pela Polícia Civil do Estado de Goiás. Segundo consta dos diálogos, o plano não se consumou porque o diretor geral da Polícia Civil teria desistido de entregar ao repórter os documentos que conteriam os dados sigilosos. Abaixo segue o diálogo em que é dito o nome do tal repórter.

09/03/2011 – Demóstenes diz que está na cidade e marca de encontrar com Carlinhos na manhã seguinte. Carlinhos diz que vai até Demóstenes depois de passar no Policarpo.

27/04/2011 – Carlinhos diz que vai almoçar com a prefeita de Valparaíso e com Policarpo Jr. da revista Veja.
 
27/04/2011 – Carlinhos e Demóstenes conversam sobre Marcelo Miranda (senador). Demóstenes pede orientação sobre sua situação partidária. Conversam sobre uma lista de materiais e volta o assunto do almoço com Policarpo.
 

28/04/2011 – Carlinhos diz que está com Gleyb e está vendo os negócios de compra de som. E Policarpo Jr. aparece na conversa novamente.

02/05/2011 – Conversa entre Carlinhos e Wesley. Carlinhos diz que o Policarpo Jr. da Veja está atrás da fita. Wesley diz que vai procurar.

09/05/2011 – Carlinhos conversa com Cláudio sobre a Sigma, Delta e mais um encontro com o Policarpo.
10/05/2011 – Carlinhos conta a Cláudio sobre a conversa que leve com Policarpo, da Veja, a respeito da reportagem que saiu na revista no último final de semana.

10/05/2011 – Carlinhos conversa com Dadá. Carlinhos diz que falou com Policarpo, da Veja. Dadá diz que ficou sabendo que quem fez a reportagem foi Hugo Marques. Conversam sobre reportagem que iria sair na Veja envolvendo filmagem de Agnelo com a Delta.

04/06/2011 – Carlinhos e Cláudio conversam: “O Policarpo Jr. vai detonar a associação...”

29/06/2011 – Cláudio diz que esteve com Policarpo Jr. e passou informações sobre reunião em Curitiba sobre licitação da BR-280.
02/07/2011 – Cláudio fala com Carlinhos da reportagem de Policarpo Jr. sobre o Ministério dos Transportes.

07/07/2011 – Carlinhos pergunta para Cláudio o que o Márcio Pontes está ameaçando. Cláudio diz que é falar merda e que dia 13 é a recisão dele. Bilhetagem vai ficar na mão de Valdir e vai querer ajuda financeira de 300 mil agora. E Policarpo Jr. é tratado como “o homem”.

26/07/2011 – Carlinhos conversa com Policarpo Jr., que lhe pergunta como faz para levantar umas ligações entre o deputado Jovair Arantes e a gente da Conab.

04/08/2011 – Carlinhos e Policarpo Jr. conversam por telefone.

04/08/2011 – Cláudio diz a Carlinhos que o PJ – Policarpo Jr., editor da Veja, em Brasília – quer falar com ele em Brasília. Carlinhos fala para Cláudio mandar Policarpo soltar a nota do Carlos Costa. Cláudio diz que está esperando Policarpo no apartamento 1103, do Hotel Meliá.

04/08/2011 – Depois do encontro no Meliá, Claudio diz que ele [Policarpo Jr.] já chegou e perguntou onde era para publicar. Carlinhos diz que pode ser no “Radar” ou no “On-Line”, mas se for como matéria da revista, seria melhor ainda.

04/08/2011 – Cláudio conversa com Calinhos sobre o encontro que teria com Policarpo Jr., mas jornalista não pôde comparecer. Policarpo pede a Cláudio que mandasse o material para seu e-mail: pjunior@abril.com.br.
11/08/2011 – Demóstenes pergunta se Carlinhos deu uma olhada no negócio do Áureo. Policarpo Jr. também aparece na conversa.

10/08/2011 – Jairo se encontra com Policarpo Jr. num churrasquinho.
11/08/2011 – Carlinhos diz a Cláudio que está no Churchill, possivelmente com Policarpo Jr.
11/08/2011 – Carlinhos conversa com Demóstenes, que fala que o primeiro assunto está com o estrangeiro e o segundo já tem reunião. Carlinhos diz que o assunto do Zé vai estremece o partido.

12/08/2011 – Carlinhos liga para Demóstenes e conversam sobre Edivaldo, Paulo Bernardo, Colbert, prisão, Congonhas, Policarpo Jr.

15/08/2011 – Carlinhos orienta Jairo sobre conversa com Policarpo Jr. Diz que eles têm de pedir aquele assunto para ele.

15/08/2011 – Policarpo está entrando de serviço agora e marca encontro com Jairo em 10 minutos no espetinho.

Em determinadas passagens do texto do inquérito, é dito o seguinte sobre Policarpo Jr, José Dirceu, Dilma Rousseff, dentre outros:


O que diz o estulto Reinaldo:


(...) Atenção! NÃO HÁ, PORQUE NÃO HOUVE, E VOCÊS PODEM VER POR CONTA PRÓPRIA, UMA SÓ INFORMAÇÃO, UMA SÓ CONVERSA, UM SÓ DIÁLOGO que revelem o jornalista da VEJA a fazer qualquer outra coisa que não buscar informações que eram do interesse público. Não há uma só sugestão que deixe o profissional da revista em situação incômoda, vexatória ou algo assim. Muito pelo contrário.
AQUILO QUE OS VAGABUNDOS PROMETERAM — O FIM DOS TEMPOS, O SUPOSTO CONLUIO ENTRE A REVISTA E ALGUNS CRIMINOSOS — ERA, EVIDENTEMENTE, FALSO! Ao contrário: nas vezes em que a reportagem de VEJA falou com Carlinhos Cachoeira ou alguém de seu esquema, estava interessada em obter informações que protegiam os cofres públicos da ação de larápios. É uma fantasia idiota a história de que ele era a única fonte. Quando chegou a vez de o próprio Cachoeira virar reportagem, a revista não hesitou. Foi a primeira a publicar matéria sobre os vínculos do senador Demóstenes Torres com o bicheiro. E isso é apenas fato, que petralha nenhum consegue eliminar da história.
Um repórter honesto pode falar com uma fonte suspeita 10, 20, 200 vezes (esse número, aliás, é uma fantasia!). E NÃO se corrompe nas 10, nas 20, nas 200 vezes. (...)
(...) QUEM EDITA A VEJA NÃO SÃO AS SUAS FONTES, SEJAM ELAS PESSOAS DE ÍNDOLE DUVIDOSA OU AS CARMELITAS DESCALÇAS. Das fontes, VEJA quer informações. (...)
(...) VEJA só publica reportagens depois de apurar os fatos. (...)
(...) “Ah, segundo a Polícia Federal, foi o pessoal do Cachoeira que forneceu a fita do circuito interno do hotel em que Zé Dirceu aparece se reunindo com autoridades da República…” E daí? Se foi ou não, a Constituição protege o sigilo da fonte. Que jornalista nestepaiz, de posse daquela fita, não a tornaria pública? Se um ex-deputado, cassado por corrupção, chamado pelo Procurador Geral da República de “chefe de quadrilha” e hoje notório lobista — o nome politicamente correto é “consultor” — despacha com figurões do governo e do Congresso, em reuniões clandestinas, a informação deveria ser amoitada, ainda que tivesse mesmo sido fornecida por alguém de índole suspeita? Ora…
O profissional de VEJA não precisa que um inquérito da Polícia Federal ateste que faz o seu trabalho dentro das regras do jogo e de acordo com a ética da profissão. Durante alguns dias, no entanto, a vagabundagem a soldo especulou à vontade. (...)
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