27 de abr de 2012

"Personal araponga" emerge da cachoeira


Leia Mais ►

Os principais pontos aprovados e rejeitados no novo relatório do Código Florestal

APPs
* extensão da Área de Proteção Permanente (APP) em torno de rios depende de sua largura, variando de 30 metros (para rios de 10 m) a 500 metros (para rios mais largos que 600 m);
* manguezais passam a ser protegidos como APP;
* imóveis rurais de até 15 módulos fiscais poderão praticar aquicultura se adotarem práticas sustentáveis de manejo do solo e da água. Precisará de licenciamento ambiental;
* obras de defesa civil ou de segurança nacional, em caráter de urgência, não precisarão de licença do órgão ambiental nas APPs;
* atividades agrossilvipastoris, de ecoturismo e turismo rural que já existiam em APPs até 22 de julho de 2008 poderão continuar e serão consideradas áreas consolidadas;
* a recomposição de APP em rios de largura de até 10 metros nas áreas consolidadas poderá ser feita pela metade (15 metros);
* os agricultores familiares e os proprietários de imóveis até 4 módulos poderão recompor a APP em torno de rios de até 10 metros tomando como limite total de APP o estabelecido para a reserva legal;
* nas bordas de tabuleiros ou chapadas, topos de morros com inclinação média maior que 25°, áreas de altitude superior a 1,8 mil metros e encostas com declividade superior a 45° poderão ser mantidas atividades florestais, culturas de espécies lenhosas e infraestrutura de atividades agrossilvipastoris;
* em área urbana de ocupação consolidada que abranja APP, a regularização fundiária de interesse social dependerá de projeto de elaborado na forma da Lei 11.977/09.
Reserva legal
* os índices de reserva legal continuam os mesmos do código atual:
- 80% para imóvel em área de florestas na Amazônia Legal
- 35% para imóvel em área de cerrado na Amazônia Legal
- 20% para imóvel em área de campos gerais na Amazônia Legal e nos demais biomas
* a recomposição de reserva legal poderá ser feita com a regeneração natural da vegetação, pelo plantio de novas árvores (permitido o uso de até 50% de espécies exóticas) ou pela compensação;
* a recomposição poderá ser feita em até 20 anos e as espécies exóticas poderão ser exploradas economicamente;
* a compensação poderá ocorrer por meio de compra de Cota de Reserva Ambiental (CRA), arrendamento, doação ao Poder Público de área no interior de unidade de conservação de domínio público pendente de regularização fundiária, ou cadastramento de área equivalente no mesmo bioma;
* imóveis com até 4 módulos fiscais poderão manter, a título de reserva legal, a área de vegetação nativa existente em 22 de julho de 2008;
* quem desmatou respeitando os índices de reserva legal vigentes na ocasião está dispensado de recompor a reserva segundo os percentuais da lei;
* para fins de recomposição, o Poder Público poderá reduzir a reserva legal para até 50% em áreas de floresta na Amazônia Legal se o imóvel estiver situado em município com mais de 50% da área ocupada por unidades de conservação públicas ou terras indígenas homologadas;
* ouvido o conselho estadual de meio ambiente, o Poder Público poderá reduzir a reserva legal para até 50% em áreas de floresta na Amazônia Legal se o imóvel estiver situado em estado com mais de 65% do território ocupado por unidades de conservação públicas ou terras indígenas homologadas. Será preciso ter Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE);
* os estados terão cinco anos para realizar e aprovar seu ZEE;
* atividades na área de reserva legal desmatada irregularmente após 22 de julho de 2008 deverão ser suspensas imediatamente e o processo de recomposição deverá ser iniciado;
* o manejo sustentável para exploração florestal da reserva sem propósito comercial e para consumo próprio não precisará de autorização, mas o limite será de 20 metros cúbicos por ano;
* as APPs poderão ser usadas no cálculo da Reserva Legal se isso não implicar novos desmatamentos. Isso valerá para a regeneração, a recomposição e a compensação de reserva.
Agricultura familiar
* aos imóveis de agricultura familiar e com até 4 módulos fiscais permite-se computar, na manutenção da reserva legal, árvores frutíferas, ornamentais ou industriais;
* o manejo sustentável da reserva legal não precisa de autorização se for para uso próprio, mas será limitado a 2 m³ por hectare ao ano e 15 m³ por propriedade ao ano;
* pequenas propriedades poderão plantar culturas temporárias – como o arroz – em várzeas;
* programas de apoio técnico e financeiro deverão ser criados para estimular os pequenos proprietários a preservar voluntariamente acima dos índices mínimos, proteger espécies da flora ameaçadas de extinção e recuperar áreas degradadas.
Exploração florestal
* o Plano de Manejo Florestal Sustentável (PMFS) deverá ter ciclo de corte compatível com o tempo de restabelecimento do volume de produto extraído da floresta;
* empresas industriais que utilizem grande quantidade de matéria-prima florestal são obrigadas a elaborar o Plano de Suprimento Sustentável (PSS);
* empresas siderúrgicas, metalúrgicas e outras que consumam grande quantidade de carvão vegetal ou lenha poderão usar madeira oriunda do PMFS;
* para controlar a origem da madeira, o Ibama implantará um sistema de dados compartilhado com os órgãos ambientais dos estados;
* a exportação de plantas vivas e outros produtos da flora dependerá de licença ambiental.
Uso do fogo
* o uso do fogo na vegetação passa a ter exceções: para peculiaridades locais justifiquem ou para atividades de pesquisa, ambos os casos com aprovação do órgão ambiental competente; e na queima controlada em unidades de conservação;
* na apuração de responsabilidade pelo uso irregular do fogo, a autoridade competente deverá provar a relação entre a ação e o dano causado;
* os órgãos ambientais deverão manter planos de contingência para o combate a incêndios florestais;
* o governo federal deverá estabelecer uma Política Nacional de Manejo e Controle de Queimadas.
Programa de apoio
* o novo código autoriza o governo federal a instituir, no prazo de 180 dias de publicação da futura lei, um programa de apoio à conservação do meio ambiente;
* o programa poderá fazer pagamentos em retribuição a serviços ambientais, tais como o sequestro de carbono, a conservação das águas e da biodiversidade, e a manutenção de APPs e Reserva Legal;
* entre as compensações pela conservação ambiental poderão ser fornecidos crédito agrícola com taxas menores, linhas de financiamento para proteção de espécies ameaçadas e isenção de impostos de insumos e equipamentos (bombas d’água, fios de arame e outros);
* os incentivos à recomposição de áreas desmatadas serão viabilizados por meio de recursos públicos a fundo perdido ou não, com a liberação de verba para pesquisa científica e tecnológica ligada à melhoria da qualidade ambiental, e pela permissão de deduzir no imposto de renda parte dos custos com o replantio;
* os benefícios do programa de apoio não poderão ser concedidos a quem descumprir termos de compromisso do Programa de Regularização Ambiental (PRA);
* as concessionárias de serviços de abastecimento de água e de geração de energia hidrelétrica deverão investir na recuperação e manutenção de vegetação nativa em APPs.
Cadastro e regularização ambiental
* o novo código cria o Cadastro Ambiental Rural (CAR), obrigatório para todos os imóveis rurais e destinado a integrar informações sobre a localização das reservas legais e das APPs;
* a inscrição deverá ser feita no prazo de um ano, prorrogável por mais um;
* a União, os estados e o Distrito Federal terão até dois anos de prazo, contados da publicação da futura lei, para implantar programa de regularização ambiental (PRA);
* a União terá 180 dias para estabelecer regras gerais;
* a inscrição no CAR é condição obrigatória para adesão ao PRA;
* as multas por infrações ambientais cometidas até 22 de julho de 2008 serão suspensas desde a publicação da lei e enquanto o proprietário que aderiu ao PRA estiver cumprindo o termo de compromisso ajustado;
* quando cumpridas as exigências do termo de compromisso ou do programa de regularização as multas serão convertidas em serviços de preservação do meio ambiente;
* os PRAs deverão ter mecanismos que permitam acompanhar sua implementação, considerando as metas nacionais para florestas.
Cota de Reserva Ambiental
* o mecanismo de comprar cotas de reserva florestal para compensar reserva desmatada passa a ser chamado de Cota de Reserva Ambiental (CRA);
* cada título representará 1 hectare de área com vegetação nativa primária ou de áreas em recomposição;
* não poderá ser emitida CRA com base em vegetação nativa que seja parte de reserva legal exigida, mas apenas para o excedente;
* a exceção é para a pequena propriedade, que poderá usar sua reserva legal para amparar a emissão da cota;
* a cota somente poderá ser usada para compensar reserva legal de imóvel situado no mesmo bioma da vegetação vinculada à CRA.
Principais dispositivos rejeitados
* imóveis de agricultura familiar e os com até 4 módulos poderiam recompor pela metade a APP em torno de rios maiores que 10 metros, com um mínimo de 30 m e um máximo de 100 m;
* conselhos estaduais de meio ambiente definiriam as extensões e os critérios para recomposição de APP em torno de rios maiores que 10 metros de largura para imóvel com área superior a 4 módulos;
* imóveis dentro dos limites de unidades de conservação de proteção integral criadas até a data de publicação da futura lei não poderiam ter áreas consolidadas;
* a carcinicultura e salinas em salgados e apicuns existentes até 22 de julho de 2008 poderiam ser mantidas se o empreendedor se comprometesse a proteger a integridade dos manguezais arbustivos adjacentes;
* excluídas as ocupações consolidadas, cada estado poderia permitir a exploração de até 10% de salgados e apicuns no bioma amazônico, e até 35% nos demais biomas;
* os empreendedores deveriam manter a integridade dos manguezais arbustivos, tratar os efluentes e resíduos, pedir licenciamento ambiental;
* a licença ambiental desses empreendimentos seria de 5 anos e eles teriam de realizar Estudo Prévio de Impacto Ambiental (Epia) ou Relatório de Impacto Ambiental (Rima) se ocupassem área maior que 50 hectares;
* quem desmatou ilegalmente vegetação nativa após 22 de julho de 2008 seria proibido de receber benefícios do programa de apoio;
* quem não desmatou poderia contar com esses benefícios imediatamente e aqueles que estivessem cumprindo termos de compromisso de recomposição teriam de obedecer aos prazos do programa de regularização;
* ao menos 30% dos recursos conseguidos com outorga pelo uso da água deveriam ser usados na manutenção e recuperação de APPs na respectiva bacia hidrográfica;
* em áreas de preservação permanente ocupadas por atividades rurais consolidadas até 22 de julho de 2008 os proprietários teriam de recompor 30 metros de mata em torno de olhos d’água.
Eduardo Piovesan | Agência Câmara
No Blog do @Porra_Serra_
Leia Mais ►

Deputados motosserras

Leia Mais ►

Quatro “grampos” de separação

A cada novo “grampo” vazado da Operação Monte Carlo se aprende um pouco mais sobre o funcionamento da República. Sabe-se, por exemplo, que o senador Demóstenes Torres (ex-DEM) era um ágil despachante dos interesses do empresário preso Carlinhos Cachoeira: pedia favores, cobrava contrapartidas, intercedia junto a agentes públicos. Tudo em nome do amigo com quem manteve mais de 300 conversas telefônicas em curto período de tempo.
Aprende-se também que para ser nomeado para um cargo público de chefia no governo de Minas Gerais (e em Goiás, em Brasília etc) não é preciso nem currículo. Basta uma sequência de telefonemas entre poderosos e seus cupinxas e o emprego se materializa com rapidez de corar burocrata.
Mônica Vieira liga para o primo Carlinhos Cachoeira, que liga para o amigo Demóstenes Torres, que liga para o colega de Senado Aécio Neves, que obtém o aval do governador Antonio Anastasia para o secretário de Governo de Minas Gerais ligar para Mônica comunicando sua nomeação. O ciclo se fecha com 4 graus de separação, ou melhor, de conhecimento. Na contabilidade do repórter Fausto Macedo, bastaram 12 dias e 7 telefonemas.
Se todo brasileiro desfrutasse de tanta presteza e gentileza do poder público o Brasil não seria o Brasil.
Mônica disse à reportagem do Estado que foi nomeada para ser chefe regional da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de Minas por sua “competência”, por seus 25 anos de carreira. Pode ser, mas quem apadrinhou sua nomeação não sabia disso.
Aécio perdera o currículo de Mônica. Foi o que Demóstenes relatou a Cachoeira, em telefonema na noite de 20 de maio do ano passado. Aos repórteres, o senador tucano disse desconhecer a origem do pedido de nomeação. Mesmo sabendo muito pouco ou quase nada, passou-o à frente. Talvez retribuísse algo, ou quisesse ficar com crédito junto a Demóstenes, contra quem até então “não recaía questionamento”, nas escolhidas palavras de Aécio.
Patrocinador da nomeação de Mônica, Cachoeira não enfatiza as qualidades profissionais da prima ao despachar com o amigo Demóstenes. O apelo é pessoal: “É importantíssimo pra mim. Você consegue por ela lá com o Aécio (…). Pô, a mãe dela morreu. É irmã da minha mãe”. Só se preocupam com o salário, que não pode ser menos do que R$ 10 mil -“se não estou perdida”, na expressão de Mônica. E quem não estaria? Uns 190 milhões de brasileiros.
Em outro “grampo”, descobre-se que Demóstenes - mais uma vez no papel de despachante de Cachoeira - deixou “intranquilo” Maguito Vilela (PMDB), um ex-governador de Goiás que agora é prefeito de Aparecida de Goiânia. A intranquilidade seria fruto de conversa do senador com o político goiano. Demóstenes relata ter dito que Cachoeira estava “uma onça” com Maguito, por causa da falta de celeridade no cumprimento de um acordo entre ambos.
Não fica claro o porquê de Demóstenes ser o intermediário da cobrança, de ser ele a dizer que seu representado estava uma fera, em lugar de o próprio Cachoeira arreganhar os dentes para Maguito. Pelo jeito, cada um com seu papel.
Entre um despacho e outro com Cachoeira, Demóstenes encontrava tempo para cobrar honestidade de seus pares, em entrevistas a meios de comunicação e em discursos na tribuna do Senado. Antes dos “grampos”, só essa parte de sua vida pública era de conhecimento público.
Com a CPI que se instala nesta quarta-feira, mais “grampos” devem ser desengavetados. Mais lições sobre o funcionamento da República serão oferecidas aos interessados. Mais bastidores da vida pública aparecerão.
O maior bem que a CPI pode fazer à sociedade é liberar todos os “grampos”. Os vazamentos pontuais implicam uns mas podem omitir outros. O controle do fluxo de informações em escândalo dessa magnitude é o que todos os partidos buscam, para defenderem-se e atingirem os adversários. Só a liberação geral e irrestrita das gravações minimiza o uso político e eleitoral da CPI. A alternativa deixa o público a quatro ou mais “grampos” de separação da verdade.
José Roberto de Toledo
Leia Mais ►

Patrícia Amorim nega ter assumido o Barcelona

Messi negou ter treinado pênaltis com Loco Abreu
SAGRADA FAMÍLIA - De férias pela Europa, a presidenta do Flamengo, Patrícia Amorim, enviou um cartão postal para a redação do jornal O Globo para negar que tenha assumido o Barcelona. "Vocês acham que o Guardiola teria permanecido mais de seis meses como técnico se eu fosse presidenta daquela bagaça?", escreveu a mandatária rubro-negra no verso de uma foto do Camp Nou.
Em seguida, completou: "Essa derrota deixa claro que esse negócio de ter estádio próprio, salário em dia e centro de treinamento não serve para nada". Com outra caligrafia, o trecho final do texto critica a falta de atitude da diretoria do Barcelona. "Teria trocado de técnico assim que o Barça fez 2 a 0. Joel Santana, que fala um catalão fluente, teria fechado aquela zaga como ninguém".
A mensagem de Patrícia ainda não foi lida porque todo o departamento de esportes do jornal O Globo está de férias.
Leia Mais ►

Íntegra do inquérito do STF contra Demóstenes

Leia a íntegra do inquérito ou o documento dividido em sete volumes, pelos links abaixo:
Volume 1
Volume 2
Volume 3
Volume 4
Volume 5
Volume 6
Volume 7

No Brasil 247
Leia Mais ►

Os "erros" e "acusações falsas" na memória da Globo

NOVO SITE MEMÓRIA GLOBO
Globo lança novo site com o histórico dos fatos que marcaram a Rede Globo: http://memoriaglobo.globo.com/
Interessante que há dois tópicos no referido site: “ERROS” e “ACUSAÇÕES FALSAS
ERROS
ACUSAÇÕES FALSAS
Para cada fato a Rede Globo apresenta a sua versão.
Interessante que no caso da “Bolinha de Papel” a Globo afirma que: “O que dizem, portanto alguns blogues sobre o episódio é pura distorção, pura invenção.”
No caso da “Queda do Avião da Gol” a Globo afirma que: são mentiras “Nascidas em Carta Capital, volta e meia são citadas por blogues na internet.”
Pelo visto a poderosa Rede Globo está sentindo os golpes desferidos pelos “blogues sujos” e a internet começa a balançar o gigante. Será que David vai novamente vencer o Golias???
José Antonio
No Advivo
Leia Mais ►

Escolaridade e rendimento aumentam e cai mortalidade infantil

O IBGE divulga os Resultados Gerais da Amostra do Censo 2010, que apresentam uma série de mudanças ocorridas no país de 2000 para 2010, com detalhamento, inclusive, por município, além de trazerem informações pesquisadas pela primeira vez. A pesquisa inclui informações sobre características de migração, nupcialidade, fecundidade, educação, trabalho e rendimento, pessoas com deficiência, domicílios e deslocamento para trabalho e estudo, e tempo de deslocamento para trabalho.
No período de dez anos, o número de óbitos de crianças menores de um ano caiu de 29,7 para 15,6 para cada mil nascidas vivas, um decréscimo de 47,6% na taxa brasileira de mortalidade infantil. Entre as regiões, a maior queda foi no Nordeste, de 44,7 para 18,5 óbitos, apesar de ainda ser a região com o maior indicador.
Por outro lado, a taxa de fecundidade no Brasil também caiu, de 2,38 filhos por mulher em 2000 para 1,90 em 2010, número abaixo do chamado nível de reposição (2,1 filhos por mulher) que garante a substituição das gerações.
Em 2010, havia 45,6 milhões de pessoas com pelo menos uma das deficiências investigadas (visual, auditiva, motora e mental), representando 23,9% da população.
O nível de instrução da população aumentou: na população de 10 anos ou mais de idade por nível de instrução, de 2000 para 2010, o percentual de pessoas sem instrução ou com o fundamental incompleto caiu de 65,1% para 50,2%; já o de pessoas com pelo menos o curso superior completo aumentou de 4,4% para 7,9%.
De 2000 para 2010, o percentual de jovens que não frequentavam escola na faixa de 7 a 14 anos de idade caiu de 5,5% para 3,1%. As maiores quedas ocorreram nas Regiões Norte (de 11,2% para 5,6%, que ainda é o maior percentual entre as regiões) e Nordeste (de 7,1% para 3,2%).
Em 2010, o rendimento médio mensal de todos os trabalhos das pessoas ocupadas com rendimento de trabalho foi de R$ 1.345, contra R$ 1.275 em 2000, um ganho real de 5,5%. Enquanto o rendimento médio real dos homens passou de R$ 1.450 para R$ 1.510, de 2000 para 2010, o das mulheres foi de R$ 982 para R$ 1.115. O ganho real foi de 13,5% para as mulheres e 4,1% para os homens. A mulher passou a ganhar 73,8% do rendimento médio de trabalho do homem; em 2000, esse percentual era 67,7%.
As pessoas que ganhavam mais de 20 salários mínimos de rendimento mensal de todos os trabalhos representaram 0,9% da população ocupada do país, em 2010, enquanto a parcela das sem rendimento foi de 6,6% e a das com remuneração até um salário mínimo, 32,7%.
No Brasil, 32,2 milhões de pessoas (52,2% do total de trabalhadores que trabalhavam fora do domicílio) levavam de seis a 30 minutos para chegar ao trabalho em 2010 e 7,0 milhões (11,4%) levavam mais de uma hora. Já no Rio de Janeiro, 2,0 milhões (38,6%) levavam entre seis minutos e meia hora, 1,6 milhão (30,7%) levava entre meia e uma hora e 1,2 milhão (23,1%) levava mais de uma hora.
No Sudeste, o deslocamento para estudar em outro município foi de 2,0 milhões (8,5%) de estudantes, a maioria em São Paulo: 1,1 milhão de pessoas (57,0% do total do Sudeste). Santa Catarina tinha o percentual mais elevado do país: de seus 1,8 milhão de estudantes, 184 mil (10,1%) se deslocavam para outro município.
Em 2010, o país recebeu 268,5 mil imigrantes internacionais, 86,7% a mais do que em 2000 (143,6 mil). Os principais países de origem dos imigrantes foram os Estados Unidos (51,9 mil) e Japão (41,4 mil). Do total de imigrantes internacionais, 174,6 mil (65,0%) eram brasileiros e estavam retornando; já em 2000, foram 87,9 mil imigrantes internacionais de retorno, 61,2% do total dos imigrantes.
A migração de retorno dentro do país, referente às pessoas que nasceram no estado em que residiam na data de referência do Censo e que moravam em outra unidade da Federação cinco anos antes, passou de 22,0% do total de migrantes (1,1 milhão de pessoas) para 24,5% dos migrantes (1,2 milhão de pessoas).
A proporção de uniões consensuais passou de 28,6% em 2000 para 36,4% em 2010 e diminuíram os casamentos do tipo civil e religioso, de 49,2% para 42,9%. No Amapá, as uniões consensuais chegaram a 63,5%.
A publicação completa dos Resultados Gerais da Amostra do Censo 2010 pode ser acessada em http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2010/resultados_gerais_amostra/default_resultados_gerais_amostra.shtm
O IBGE também disponibilizou um aplicativo que permite construir mapas e cartogramas com informações da Amostra do Censo 2010 e detalhamento até o nível de município. O link é http://www.censo2010.ibge.gov.br/amostra
Em dez anos, mortalidade infantil caiu 47,6% no país
De 2000 para 2010, a taxa de mortalidade infantil caiu de 29,7‰ para 15,6‰, o que representou decréscimo de 47,6% na última década. Com queda de 58,6%, o Nordeste liderou o declínio das taxas de mortalidade infantil no país, passando de 44,7 para 18,5 óbitos de crianças menores de um ano por mil nascidas vivas, apesar de ainda ser a região com o maior indicador. O Sul manteve os menores indicadores em 2000 (18,9‰) e 2010 (12,6‰).
Na última década, a diminuição das desigualdades sociais e regionais contribuiu para a formação do quadro atual de baixa na mortalidade infantil e de maior convergência entre as regiões. Todavia, ainda há um longo caminho a percorrer para que o Brasil se aproxime dos níveis das regiões mais desenvolvidas do mundo, em torno de cinco óbitos de crianças menores de um ano para cada mil nascidas vidas.
Em 2010, taxa de fecundidade era de 1,90 filho por mulher
A taxa de fecundidade no Brasil apresentou queda de 20,1% na última década, passando de 2,38 filhos por mulher, em 2000, para 1,90 em 2010, número abaixo do chamado nível de reposição (2,1 filhos por mulher) que garante a substituição das gerações. O declínio ocorreu em todas as regiões, observando-se as maiores quedas no Nordeste (23,4%) e no Norte (21,8%), seguidas pelo Sul e Sudeste (cerca de 20,0%, ambas) e pelo Centro-Oeste, com a menor queda (14,5%).
As taxas de fecundidade variam bastante, inclusive dentro da mesma região. Na região Norte, o Acre teve a taxa mais alta do Brasil (2,82 filhos por mulher), enquanto Rondônia estava bem perto do nível de reposição (2,15 filhos por mulher); Maranhão e Alagoas tiveram as taxas mais altas do Nordeste (2,50 e 2,22, respectivamente). No Centro Oeste, o Distrito Federal teve uma das taxas mais baixas do país (1,74) e Mato Grosso, 2,11. Os indicadores foram baixos no Sul e no Sudeste, entre 1,67 em São Paulo e 1,85 no Paraná.
A tendência no Brasil até o ano 2000 era de aumento da concentração da fecundidade nos grupos entre 15 e 24 anos o que indicava um rejuvenescimento do padrão da fecundidade. Porém, de 2000 para 2010, os grupos de 15 a 19 anos e de 20 a 24 anos diminuíram suas participações de 18,8% para 17,7% e de 29,3% para 27,0% da fecundidade, respectivamente. Apesar desse último grupo ainda responder pela maior percentagem da fecundidade nacional, o padrão em 2010 está mais dilatado, com aumento da participação na faixa acima de 30 anos. A idade média da fecundidade passou de 26,3 anos em 2000 para 26,8 em 2010.
O comparativo regional mostra convergência entre as taxas no grupo etário a partir dos 30 anos, enquanto nos grupos mais jovens as diferenças foram mais marcantes. A Região Norte, que apresenta as maiores taxas nos grupos etários com até 29 anos, tem o padrão mais jovem, bastante concentrado na faixa de 20 e 24 anos. Por outro lado, as Regiões Sul e Sudeste apresentaram uma estrutura de fecundidade mais envelhecida, concentrada nas idades finais dentro do período fértil.
Percentual de jovens fora da escola na região Norte diminuiu, mas ainda era o maior do país
De 2000 para 2010, o percentual de jovens que não frequentavam escola na faixa de 7 a 14 anos de idade caiu de 5,5% para 3,1%. A comparação foi feita usando sete anos como limite inferior porque, em 2000, essa era a idade definida para iniciar o ensino fundamental. As maiores quedas ocorreram nas Regiões Norte (de 11,2% para 5,6%, que ainda permaneceu como o maior percentual entre as regiões) e Nordeste (de 7,1% para 3,2%).
Em 2010, 966 mil jovens de 6 a 14 anos de idade (3,3% da população nessa faixa etária) não frequentavam escola em 2010. A Região Norte tinha o maior percentual de crianças que não frequentavam escola nesse grupo (6,1%), mais que o dobro da Sudeste (2,8%) e da Sul (2,5%). Os maiores percentuais ficaram com o Amazonas (8,8%), Roraima (8,3%) e Acre (8,2%), seguidos pelo Pará (5,5%). No outro extremo, o menor percentual desse indicador foi registrado em Santa Catarina (2,2%).
Na faixa de 15 a 17 anos de idade, 16,7% não frequentavam escola em 2010, bem menos do que em 2000 (22,6%). O Sudeste manteve o menor percentual em 2000 (20,1%) e 2010 (15,0%). Os maiores percentuais em 2010 ficaram com as Regiões Norte e Sul, ambas com 18,7%. Em 2000, a Região Norte já detinha o maior percentual, 27,1%, e registrou a maior queda entre as regiões no período. O Acre tinha a maior parcela de adolescentes de 15 a 17 anos de idade fora da escola, 22,2%, seguido pelo Mato Grosso do Sul (20,5%), enquanto os menores percentuais foram os do Distrito Federal (11,6%) e Rio de Janeiro (13,1%).
A rede pública de ensino atendia a 78,1% das pessoas que frequentavam escola ou creche no país em 2010. Este percentual foi mais elevado na Região Norte (86,0%), bem maior do que o segundo lugar, da Nordeste (80,5%). Em seguida, vieram Centro-Oeste (74,9%), Sudeste (75,1%) e Sul (77,7%). Entre as unidades da Federação, o percentual variou de 61,4% no Distrito Federal a 90,3%, no Acre.
Percentual de pessoas com curso superior completo subiu de 4,4% para 7,9%
Na análise da população de 10 anos ou mais por nível de instrução, de 2000 para 2010, o percentual de pessoas sem instrução ou com o fundamental incompleto caiu de 65,1% para 50,2%, enquanto o de pessoas com pelo menos o curso superior completo aumentou de 4,4% para 7,9%. Houve avanços em todas as grandes regiões. No Sudeste, o percentual de pessoas sem instrução ou com o fundamental incompleto caiu de 58,5% para 44,8%, e o das pessoas com pelo menos o superior completo subiu de 6,0% para 10,0%. No outro extremo, estavam a Região Norte (de 72,6% para 56,5% e de 1,9% para 4,7%, respectivamente) e a Nordeste (de 75,9% para 59,1% e de 2,3% para 4,7%).
O Distrito Federal deteve o mais alto nível de instrução em 2010, com o menor percentual de pessoas sem instrução ou com o fundamental incompleto (34,9%) e o maior de pessoas com pelo menos o superior completo (17,6%). Em seguida, vieram São Paulo, com 41,9% e 11,7%, e Rio de Janeiro, com 41,5% e 10,9%, respectivamente.
Mulheres tiveram ganho real de 13,5% no rendimento de trabalho e homens, de 4,1%
Em 2010, o rendimento médio real de todos os trabalhos das pessoas ocupadas com rendimento de trabalho foi de R$ 1.345, contra R$ 1.275 em 2000. Enquanto o rendimento médio real de trabalho dos homens passou de R$ 1.450 para R$ 1.510, 2000 para 2010, o das mulheres foi de R$ 982 para R$ 1.115. Em termos de ganho real, a diferença foi de 5,5% para ambos os sexos, 13,5% para as mulheres e 4,1% para os homens. A mulher passou a ganhar 73,8% do rendimento médio de trabalho do homem; em 2000, esse percentual era 67,7%.
A Região Sul manteve os menores percentuais do rendimento médio de trabalho das mulheres em relação ao dos homens, passando de 63,2% para 69,0%. No outro extremo ficou a Região Norte, onde o rendimento médio de trabalho da mulher passou de 74,6% para 82,3% do recebido pelo homem. Entre os estados, em 2010, o Amapá deteve o maior percentual do rendimento médio de trabalho das mulheres em relação ao dos homens (88,6%) e Santa Catarina ficou com o menor, com as mulheres ganhando 67,4% do rendimento médio de trabalho dos homens.
A parcela sem rendimento ou com rendimento nominal mensal domiciliar per capita até ¼ do salário mínimo abarcava 19,6% dos domicílios particulares permanentes do país em 2010. Destacaram-se o Norte (28,5%) e Nordeste (28,6%), bem distantes das demais regiões, que se situaram de 12,5% a 17,4%. Na faixa de mais de cinco salários mínimos de rendimento mensal domiciliar per capita encontravam-se 6,5% dos domicílios. Este indicador alcançou 8,3% nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste e 7,1% na Região Sul, bem acima dos percentuais encontrados para as regiões Norte (3,6%) e Nordeste (3,2%).
Em termos de ganho real no rendimento mensal domiciliar dos domicílios particulares permanentes, de 2000 para 2010, no país, houve elevação de 15,5% (de R$ 2.297 para R$ 2.653), com aumentos registrados em todas as regiões, sendo que o menor foi o da Sudeste (11,0%, de R$ 2.812 para R$ 3.122) e, nas demais, variou de 21,5% a 25,5%. Mesmo mantendo o menor rendimento mensal domiciliar em ambos os anos, o Nordeste teve o maior ganho real (25,5%, de R$ 1.361 para R$ 1.708).
32,7% da população recebiam até um salário mínimo de rendimento de trabalho
Na análise por classes de rendimento, as pessoas que ganhavam mais de 20 salários mínimos de rendimento mensal de todos os trabalhos representaram 0,9% da população ocupada do país em 2010, enquanto a parcela das sem rendimento foi de 6,6% e a das com remuneração até um salário mínimo, 32,7%. As pessoas que ganhavam mais de 10 salários mínimos de remuneração mensal de trabalho abrangiam 3,1% da população ocupada.
As Regiões Norte e Nordeste apresentaram os maiores percentuais de pessoas ocupadas sem rendimento de trabalho (11,9% e 13,6%, respectivamente) e também de pessoas ganhando até um salário mínimo de remuneração mensal de trabalho (41,6% e 51,2%, respectivamente), valores bem diferentes dos das outras regiões, que variaram de 23,4% a 28,9%.
Em 2010, os rendimentos médios mensais de trabalho mais elevados foram os das Regiões Centro-Oeste (R$ 1.579) e Sudeste (R$ 1.512) e o mais baixo, do Nordeste (R$ 946), que representou 83,9% do da Norte (R$ 1.128) e perto de 60,0% do auferido na Centro-Oeste. O rendimento médio mensal de trabalho teve incremento real, de 2000 para 2010, em todas as grandes regiões, exceto na Sudeste, que apresentou pequena retração (0,7%). Esta redução decorreu da influência da pequena queda no rendimento médio real de trabalho da parcela masculina (1,7%), uma vez que o da feminina teve aumento (6,5%), ainda que bem menor do que os das outras grandes regiões.
Região Sul manteve o maior nível de ocupação em 2000 (53,5%) e 2010 (60,1%)
De 2000 para 2010, o nível da ocupação (percentual de pessoas ocupadas, na semana de referência, na população de 10 anos ou mais de idade) no país subiu de 47,9% para 53,3%. De 2000 para 2010, o nível da ocupação da Região Sul cresceu de 53,5% para 60,1%, mantendo-se como o mais elevado, enquanto que o da Nordeste permaneceu o mais baixo, mesmo aumentando de 43,6% para 47,2%. O nível da ocupação da região Norte passou de 45,3% para 49,4%, de 2000 para 2010, continuando mais próximo do resultado do Nordeste do que daqueles das Regiões Sudeste (54,8%) e Centro-Oeste (57,9%) em 2010. O nível da ocupação de Santa Catarina (63,1%) se destacou como o mais elevado, seguido pelo Rio Grande do Sul (59,3%), Paraná (59,2%) e Distrito Federal (59,0%). Os mais baixos níveis da ocupação foram os de Alagoas (44,0%) e do Maranhão (44,9%).
Quatro seções de atividade econômica concentravam 50,3% da população ocupada no país
A análise da distribuição da população ocupada por atividade econômica em 2010 mostrou que 50,3% se concentravam em quatro das 21 seções de atividade. A seção de comércio de mercadorias, reparação de veículos automotores e motocicletas concentrava 17,0% das pessoas ocupadas; agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, 14,2%; indústria de transformação, 11,8%; e construção, 7,3%. Outras três seções tiveram participação de mais de 5% da população ocupada: serviços domésticos (6,9%), educação (5,6%) e administração pública, defesa e seguridade social (5,4%).
A estrutura da atividade econômica apresenta marcantes distinções regionais que se refletem na distribuição da população ocupada. O percentual de pessoas na seção da agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura na população ocupada da região Nordeste (24,2%) ficou próximo ao da Norte (23,0%), ambos bem acima dos percentuais registrados nas demais regiões. Já na indústria de transformação, a Região Sul se destacou, com 16,4%.
Pessoas com carteira de trabalho assinada eram 63,9% dos empregados
No país, o percentual de empregados na população ocupada cresceu de 66,6% para 70,8% de 2000 para 2010. A segunda maior parcela da população ocupada, formada pelos trabalhadores por conta própria, passou de 23,5% para 21,5%. A categoria com carteira de trabalho assinada aumentou sua participação no contingente nacional de empregados de 54,8% para 63,9%, enquanto a dos militares e funcionários públicos estatutários passou de 8,5% para 7,6%. O percentual de pessoas que trabalhavam habitualmente de 40 a 44 horas semanais no trabalho principal subiu de 34,0%, em 2000, para 46,0%, em 2010.
No Brasil, 11,4% dos trabalhadores levavam mais de uma hora para chegar ao trabalho; no Rio de Janeiro, eram 23,1%
A análise do tempo de deslocamento entre a residência e o trabalho revelou que, no Brasil, 32,2 milhões de pessoas (52,2% do total de trabalhadores que trabalhavam fora do domicílio) levavam de seis a 30 minutos para chegar ao trabalho em 2010 e 7,0 milhões (11,4%) levavam mais de uma hora. Já no estado do Rio de Janeiro, 2,0 milhões (38,6%) levavam entre seis minutos e meia hora, 1,6 milhão (30,7%) levava entre meia e uma hora e 1,2 milhão (23,1%) levava mais de uma hora.
No Brasil, do total de 86 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade ocupadas em 2010, 87,1% trabalhavam no próprio município de residência, sendo que 20 milhões (26,6%) trabalhavam no próprio domicílio e 55 milhões, fora dele. Já os que trabalhavam em outro município atingiram 11,8% da população ocupada (10,1 milhões). O deslocamento para o trabalho em outro município em São Paulo envolvia três milhões de ocupados (29,6% daqueles que se deslocavam para outro município). No Rio de Janeiro, 1,2 milhão (12,0 %) faziam esse tipo de deslocamento.
8,3% dos estudantes frequentavam creche ou escola em outro município
Das 59,6 milhões de pessoas que frequentavam escola ou creche em 2010, 55,2 milhões (92,7%) estudavam no próprio município de residência. No Sudeste, o deslocamento para estudar foi de 2,0 milhões (8,5%) de estudantes, a maioria em São Paulo: 1,1 milhão de pessoas (57,0% do total do Sudeste) se deslocavam para outro município para estudar. Em termos proporcionais, Santa Catarina mostrou o percentual mais elevado do país: de um total de 1,8 milhão de estudantes, 184 mil (10,1%) se deslocavam.
174,6 mil brasileiros retornaram ao país entre 2005 e 2010
O Censo 2010 registrou um grande aumento no movimento de entrada no país em relação a 2000. Foram 286,5 mil imigrantes internacionais pelo critério de data-fixa, ou seja, indivíduos que residiam no Brasil na data de referência do Censo, mas que moravam em um país estrangeiro cinco anos antes. Esse número foi 86,7% maior do que em 2000 (143,6 mil). Os principais estados de destino desses imigrantes foram São Paulo, Paraná e Minas Gerais que, juntos, receberam mais da metade dos imigrantes internacionais do período.
Do total de imigrantes internacionais, 174,6 mil (65,0%) nasceram no Brasil, portanto eram imigrantes internacionais de retorno. Em 2000, foram 87,9 mil imigrantes internacionais de retorno, 61,2% dos imigrantes do período.
Os principais países de origem dos imigrantes foram os Estados Unidos (51,9 mil imigrantes), Japão (41,4 mil), Paraguai (24,7 mil), Portugal (21,4 mil) e Bolívia (15,8 mil). Em 2000, os principais países de origem eram o Paraguai (35,5 mil), Japão (19,7 mil), Estados Unidos (16,7 mil), Argentina (7,8 mil) e Bolívia (6,0 mil).
Santa Catarina teve o maior crescimento de imigrantes do país de 2000 para 2010
O Censo 2010 detectou uma redução na migração interna da população. Entre 1995 e 2000, havia 30,6 migrantes para cada mil habitantes, enquanto que de 2005 a 2010, eram 26,3 migrantes para cada mil habitantes.
O aumento do número de imigrantes em Santa Catarina, que foi de 59,1% entre os dois períodos, resultou em um saldo migratório (balanço entre entradas e saídas de pessoas) entre 2005/2010 de 174,1 mil pessoas, quase o triplo do saldo contabilizado em 1995/2000, que foi de 59,9 mil pessoas.
Os estados da Região Nordeste continuam a perder população, a exceção dos estados do Rio Grande do Norte e Sergipe, que apresentaram saldo migratório positivo.
Percentual de migrantes de retorno foi maior entre os estados do Nordeste
Em 2000, os migrantes de retorno representavam 22,0% do total de migrantes (1,1 milhão de pessoas) do Brasil. Em 2010, esse percentual subiu para 24,5% dos migrantes (1,23 milhão de pessoas).
A “migração de retorno”, referente às pessoas que nasceram no mesmo estado em que residiam na data de referência do Censo, mas que moravam em outra unidade da Federação cinco anos antes representou mais de 40,0% entre os estados da Região Nordeste, com exceção do Rio Grande do Norte e Sergipe.
O maior percentual de imigrantes de retorno do país, de 46,6%, foi encontrado no estado do Ceará e o segundo maior, 44,2%, no Rio Grande do Sul.
Uniões consensuais aumentaram de 28,6% para 36,4%
Segundo o Censo 2010, a proporção de pessoas divorciadas passou de 1,8% em 2000 para 3,1% em 2010, liderada por Mato Grosso, Rio de Janeiro e Distrito Federal (4,1%, 4,1% e 4,3%, respectivamente), enquanto o Maranhão teve o menor indicador (1,2%). A proporção de dissoluções das uniões conjugais passou de 11,9% para 14,6%, enquanto aumentaram as uniões consensuais (casais vivendo juntos sem casamento civil ou religioso, mas podendo ter contrato de união estável registrado em cartório), de 28,6% em 2000 para 36,4% em 2010. Já os casamentos do tipo civil e religioso diminuíram de 49,2% para 42,9%. A união consensual teve crescimento mais significativo no Norte e Nordeste, com destaque para o Amapá, cuja proporção chega a 63,5. Houve também redução no número de pessoas que declararam nunca ter vivido em união de qualquer tipo (35,4%, em 2010, contra 38,6%, em 2000).
23,9% da população tinha pelo menos um dos tipos de deficiência investigados
Em 2010, havia 45,6 milhões de pessoas com pelo menos uma das deficiências investigadas (visual, auditiva, motora e mental), representando 23,9% da população. A diferença em relação aos dados do Censo 2000 (14,3% da população) se deve a um aprimoramento metodológico, que possibilitou uma melhor captação da informação.
O maior percentual foi encontrado na Região Nordeste (26,6%), enquanto que a Sul e a Centro-Oeste mostraram as menores proporções (22,5%). Rio Grande do Norte (27,8%), Paraíba (27,8%) e Ceará (27,7%) apresentaram os maiores percentuais. Já Roraima (21,2%), Santa Catarina (21,3%) e Mato Grosso do Sul (21,5%) tiveram as menores incidências.
A deficiência visual foi a mais frequente, atingindo 35,8 milhões de pessoas com dificuldade para enxergar (18,8%), mesmo de óculos ou lentes de contato. A deficiência visual severa (pessoas que declararam ter grande dificuldade de enxergar ou que não conseguiam de modo algum) atingia 6,6 milhões de pessoas, sendo que 506,3 mil eram cegos (0,3%).
A dificuldade de locomoção incidia sobre 13,3 milhões de pessoas (7,0%). A deficiência motora severa (pessoas com grande dificuldade ou incapazes de se locomover) foi declarada por 4,4 milhões de pessoas, das quais 734,4 mil não conseguiam caminhar ou subir escadas de modo algum (0,4%). Já a deficiência auditiva acometia 9,7 milhões de pessoas (5,1%), sendo que a deficiência auditiva severa (pessoas com grande dificuldade ou incapazes de ouvir) foi declarada por 2,1 milhões de pessoas, das quais 344,2 mil eram surdas (0,2%). A deficiência mental ou intelectual, também considerada severa, foi declarada por 2,6 milhões de pessoas, representando 1,4% da população.
Percentual de domicílios com microcomputador no Sudeste (48,0%) era mais que o dobro do Norte (22,7%) e Nordeste (21,2%)
Segundo o Censo 2010, os micromputadores faziam parte dos bens de 38,3% dos domicílios, sendo 30,7% com acesso à internet, proporções com mais que o dobro de diferença entre o Sudeste (48,0% e 39,6%, respectivamente) e as regiões Norte (22,7% e 15,4%) e Nordeste (21,2% e 16,8%).
Enquanto, em 2000, havia, no Brasil, 39,7% de domicílios com linha telefônica instalada, em 2010, eram 87,9% com telefone fixo, ou celular, ou ambos. Os domicílios só com telefone fixo eram apenas 4,7% do total. No Sul do país, os domicílios com linha telefônica chegam a 93,5%, enquanto o menor percentual foi no Nordeste (77,3%).
Também ocorre grande variação regional no percentual de domicílios com máquina de lavar roupa, de 65,5% no Sul a 19,0% no Nordeste. A pesquisa traz mais um dado novo: a presença de motocicleta para uso particular, que chega a 19,5% dos domicílios no país, sendo o maior percentual regional no Centro-Oeste (26,8%).
No IBGE
Leia Mais ►

O piso do magistério gaúcho

Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - #1209

Leia Mais ►

Em gravação, Carlinhos Cachoeira diz que elegeu Perillo

Contraventor, em diálogo com ex-presidente do Detran: ‘Quem pôs o Marconi lá fomos nós’
Carlinhos Cachoeira foi preso em fevereiro na operação Monte Carlo
O Globo - Gustavo Miranda
BRASÍLIA - Conversas gravadas pela Polícia Federal mostram que o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, cobrou do ex-presidente do Detran de Goiás Edivaldo Cardoso a fatura pelo apoio à eleição do governador Marconi Perillo (PSDB). No diálogo, o bicheiro e o ex-auxiliar do governador discutem a partilha da verba publicitária do Detran, segundo Edivaldo, no valor total de R$ 1,6 milhão. Cachoeira lembra da participação que teve na campanha de Perillo e exige a maior fatia do bolo.
— Quem lutou e pôs o Marconi lá fomos nós — diz Cachoeira.
A conversa foi interceptada pela Polícia Federal em 2 de março do ano passado, logo no início do governo do tucano. Cachoeira descobriu que um jornal de Anápolis, de oposição ao governador, receberia uma verba mais expressiva que o jornal dele, que, segundo a Operação Monte Carlo, está em nome de um laranja do bicheiro. Contrariado, Cachoeira diz que a partilha não está correta e deve ser revisada.

"Aquele jornal foi contra o Marconi”, diz Cachoeira


Em um dos trechos, Cachoeira fala especificamente do Canal 5 de Anápolis, contratado para transmitir as sessões da Câmara Municipal e que tem como diretor Carlos Nogueira, o Butina, que ao Globo assegurou ser o dono da emissora. O mesmo grupo é dono do jornal “Estado de Goiás”. O contraventor vai direto ao ponto:
— O jornal “O Anápolis” vai ganhar do Detran? Aquele jornal foi contra o Marconi o tempo inteiro. O Butina falou que viu (o documento) na mão do cara (do governo) — contesta Cachoeira.
O ex-presidente do Detran nega a veracidade da informação:
— Não viu, não. Eu fechei isso ontem. Tinha televisões (e outros jornais) — disse Edivaldo, antes de complementar, dizendo que deu atenção especial ao jornal de Carlinhos.
— Eu pedi para incluir o seu (jornal) lá — disse Edivaldo.
A partir desse momento, em um diálogo de três minutos e quinze segundos, o contraventor interpela o ex-dirigente do Detran sobre a partilha de valores e compara a fatia abocanhada por concorrentes e pelos veículos ligados ao grupo.
— O nosso tem que ser muito mais. Quem lutou e pôs o Marconi lá fomos nós! — diz Cachoeira.

Presidente do Detran foi demitido, após escândalo


Pressionado, Edivaldo chega a concordar com Cachoeira que a verba aos jornais que fazem oposição ao governo de Marconi Perillo “não se justifica”. Cachoeira então volta a cobrar a suposta parceria com o governo goiano.
— Parceiro só para conversa, não tem jeito. Você tem que nos mostrar em números — conclui o contraventor.
Edivaldo foi demitido no começo de abril deste ano, após o surgimento de outras gravações nas quais aparece em conversas com Cachoeira. O tema da conversa era um possível encontro a ser agendado entre o governador e Cachoeira.
Butina sustentou que ele é o dono do jornal “Estado de Goiás” e da Canal 5. O advogado do governador Marconi Perillo, Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay, informou que não comenta trechos pinçados e descontextualizados do relatório da Operação Monte Carlo.
Leia Mais ►

A terceira derrota de Ali Kamel: 10 x 0! Brasil vira a página do “racismo cordial”

Não somos racistas!
O Ali Kamel, diretor da Globo, levou uma sova no STF. Por 10 x 0 (dez votos a zero), o tribunal decidiu que são constitucionais - sim!!! – as quotas para negros nas universidades brasileiras.
Kamel, como se sabe, nega que haja racismo no Brasil. “Não somos racistas” é o título de um livro dele. Kamel é contra as quotas. E não está sozinho. Outros ideólogos contra as quotas são Demétrio Magnoli, ex-trotskista hoje especializado em dizer o que a Globo gosta de ouvir, e Demóstenes Torres, amigo de sala e cozinha de Carlinhos Cachoeira. (E ainda Bóris Casoy, veja aqui).
Foi a terceira derrota acachapante sofrida por Ali Kamel em 6 anos. Em 2006, ele apostou tudo contra a reeleição de Lula. Eu trabalhava na Globo, e vi de perto todo o processo. A indignação seletiva nos telejornais, a forma como os aloprados eram sempre caracterizados como “do PT”, enquanto os tucanos eram tratados como “funcionários do governo anterior”, a forma como se escondeu o que havia no famoso dossiê contra Serra que os “aloprados” supostamente iriam comprar, a maneira como o “dinheiro dos aloprados” foi parar no JN na antevéspera do primeiro turno, a trama do delegado Bruno exposta pelo Azenha e depois pela CartaCapital… Tudo isso é história – que um dia precisa ser contada com mais detalhes.
O bombardeio da Globo contra Lula começara antes, em 2005, na cobertura do chamado Mensalão. O jornalista Marco Aurélio Mello escreveu um belo texto sobre isso. A Globo queria “sangrar Lula”, para derrotá-lo nas urnas em 2006. Aliou-se até ao pequeno ACM Neto. Não deu. Ali Kamel perdeu feio.
Em 2010, Ali Kamel pôs a Globo contra Dilma. Quem não se lembra do episódio da bolinha de papel? O perito Molina - que já atuara a favor de Kamel em causas pessoais do diretor da Globo no Judiciário – foi usado no JN para criar a teoria de que Serra fora atingido por um misterioso objeto. Só faltou acharem um Lee Osvald! A Globo passou ridículo. Serra virou Rojas. E Ali Kamel perdeu pela segunda vez.
A terceira derrota veio agora, no STF. “Ninguém assistiu ao formidável enterro de tua última quimera”. Ninguém encampou a tese kameliana de que quotas seriam uma forma de “acirrar” as disputas raciais no Brasil. Demóstenes (recolhido à cozinha de Cachoeira) fez falta, porque era valoroso defensor dessa tese. Chegou a dizer, numa audiência pública, que o racismo não fora tão violento assim, e que a mistura entre negros e brancos se deu através de estupros cometidos pelos senhores, sim, mas que eram “consentidos” pelas escravas. Segundo ele, “uma história tão bonita de miscigenação”. Essa é a turma contra as quotas.
Ali Kamel é um pouco mais sutil. Mas também encampa teses estranhas: por exemplo, relativiza a cor da pele como elemento definidor da Escravidão no Brasil. Por que digo isso? Porque ele me falou sobre o tema numa troca de e-mails pessoal, em 2005. Eu cobrira, pela Globo, a visita a São Paulo de um enviado especial da ONU sobre racismo. A matéria não foi ao ar no JN. Kamel derrubou. Escrevi a ele no Rio, para saber o que acontecera. Trocamos e-mails de forma muito civilizada. E fiquei sabendo como ele pensava.
Já falei sobre isso numa entrevista a Marcelo Salles, mas sempre evitei dar detalhes dos e-mails, afinal a troca de mensagens se dera de forma reservada. Só que Ali Kamel não se importou com isso: usou os e-mails num processo judicial que move contra mim! Que deselegância! Usou para tentar provar que eu o tratava muito bem, e que depois passei a criticá-lo.
Sim, na troca de e-mails eu o tratei de forma cordial, como faço com todo mundo. Não tenho nada, absolutamente nada, contra ele pessoalmente. Nossas diferenças são políticas e jornalísticas, são formas diferentes de ver o mundo e de intervir no debate.
Desde o início do governo Lula, Ali Kamel se posicionou contra o Bolsa-Família (“assistencialista”, o certo era investir em educação),  contra o Prouni, contra as quotas (afinal, se “não somos racistas”, pra que quotas?).
Por isso, essa terceira derrota de Ali Kamel, no STF, deve ter sido a mais dolorosa. “Ninguém assistiu ao formidável enterro de tua última quimera”. Não apareceu ninguém para defender a “sociologia kameliana” no STF. Ele levou uma surra.
Nos e-mails de 2005, com alguma arrogância, tentou ensinar-me quem era Gilberto Freyre. Ali Kamel provavelmente acredite que é o novo Freyre, o novo formulador da “democracia racial” brasileira. Um Freyre incompetente. Porque mesmo entricheirado na emissora mais poderosa da América Latina, ele perde todas. Perde o debate no STF, perde as eleições, perde a capacidade de influir nas decisões do Estado brasileiro. Um bom sinal.
Rodrigo Vianna
No Escrevinhador
Leia Mais ►

O pior é que ninguém vai fazer autocrítica

O placar de 10 a 0 a favor das cotas no Supremo deveria fazer seus adversários refletir sobre a própria atuação.
Seria razoável levantar algumas perguntas: aonde erramos? Por que se aprovou uma medida que combatemos com tanto empenho, por uma diferença tão colossal? Será que todos os argumentos a favor das cotas são apenas demagógicos e absurdos?
Duvido que isso vai acontecer. E é fácil entender por que.
Ao longo dos últimos dez anos as cotas foram combatidas pelo conjunto dos grandes meios de comunicação do país. Formou-se uma unanimidade que não se viu sequer no tempo da abolição da escravatura. Em 1888 o Estado de S. Paulo e o Diário Popular, por exemplo, tinham a abolição do cativeiro como ponto de honra. O Estado combatia a escravidão em editoriais e artigos. O Diário ia além. Recusava-se até a publicar anúncios de compra e venda de escravos.
Mesmo assim, o STF, instituição que não funciona com base no voto popular, e tem manifestado uma sensibilidade imensa em relação a opinião dos meios de comunicação, resolveu aprová-las. Por que?
Porque as cotas não foram aprovadas como uma idéia que nasceu nos últimos dez anos, num supostos plágio ideológico de um processo vivido nos Estados Unidos na década de 60. Ainda que seja puro provincianismo de ocasião falar em modismos importados num país que trouxe ideias excelentes de fora – como a democracia, a própria abolição do cativeiro, a liberdade de imprensa, as universidades públicas – as cotas foram plantadas, semeadas e colhidas como um produto autenticamente brasileiro.
Sua base real não se encontra na pregação de militantes do MNU e seus descendentes que, abnegados, esforçados, injustiçados e bem intencionados, jamais tiveram acesso a um espaço tão amplo, generoso e positivo como seus adversários. Pergunte pelo nome de um adversário das cotas e logo vários vêm à mente. Com destaque para o senador Demóstenes Torres, aquele que se dedicava a defender a democracia racial sempre que a agenda de Carlinhos Cachoeira permitia. Mas pergunte pelo nome de um militante das cotas. Não temos nenhum. Foi uma luta sem Dante de Oliveira (das diretas), sem Nelson Carneiro (do divórcio), sem Maria da Penha (da lei Maria da Penha).
As cotas são a contrapartida histórica e inevitável da iniquidade estrutural da sociedade brasileira. Estava na cara que o país vivia e alimentava uma perversidade que não poderia ser mantida para sempre.
As cotas foram plantadas, irrigadas e colhidas desde que, abolida a escravidão, jamais se deu ao negro brasileiro o direito a uma reparação capaz de compensá-lo pelo massacre histórico do cativeiro. Foram 124 anos de abandono, opressão e desprezo. Hoje parece absurdo mas todas as políticas em relação ao negro brasileiro neste período foram exercícios para fingir que ele não tinha motivos para se queixar.
A democracia racial nunca passou de um mito destinado a simular uma igualdade que nunca foi real. Nunca. Na grande maioria dos casos a miscigenação – base de uma utópica sociedade “única” e “diferente” — sempre se baseou em contatos mistos do tipo senhor e escrava, desiguais, opressores, uma “falocracia”, como definiu o professor Alfredo Bosi.
Já o racialismo foi a doutrina-recorde: tenta culpar por antecipação a vítima do racismo pelo surgimento de eventuais “tensões raciais” toda vez que o brasileiro negro conquistar um grama de direitos democráticos. É claro que não poderia convencer ninguém.
Em vez de acreditar em lendas sem base na realidade, os adversários das cotas poderiam ter assumido outra atitude, se tivessem, de fato, solidariedade e compaixão pelos brasileiros que formam o chão da sociedade, como os mais pobres entre os pobres, os mais calados entre os silenciosos. Poderiam ter feito aquilo que sempre se soube que era preciso fazer: dar boas escolas, meios de trabalho e de integração aos brasileiros que saíram do cativeiro. Isso teria evitado as cotas, pois daria nascimento a uma sociedade mais equilibrada e mais igual.
Essa seria a autocrítica a se fazer.
Em vez de se tomar medidas dolorosamente óbvias, preferiu-se jogar os negros brasileiros em qualquer canto, mas sempre no último lugar da fila, imaginando que seriam eternamente incapazes de reagir e encontrar uma saída.
Doze décadas depois, o vergonhoso atraso social do Brasil chegou a um ponto tão escandaloso que não havia mais tempo histórico para mudanças convencionais, lentas, evolutivas. Para muitas pessoas, ficou claro que era preciso tomar providências para responder a anseios legítimos de justiça e igualdade, há muito reprimidos. Essa é a raiz das cotas. Foi essa compreensão que levou o Supremo a aprová-las.
A incapacidade de compreender o que ocorria e agir a tempo está na origem dos 10 a 0 de ontem. Nada mais do que isso. Mas você espera uma autocrítica?
Paulo Moreira Leite
No Vamos combinar
Leia Mais ►

STF aprova Cotas e desagrada reacionário Boris Casoy

...aquele Casoy, do alto de sua tribuna, o do Brasil 'escravocatra' (sic), o mais baixo da escala do jornalismo...

Leia Mais ►

Novo código florestal exigirá que Eike reimplante o cabelo

Ruralistas e ambientalistas concordam que o bigode de Aloísio Mercadante ultrapassa os limites 
 aceitáveis da cobertura capilar. “Há parques nacionais menos densos”, espantou-se Carlos Minc. 
WERNER’S CABELEIREIRO – Os ruralistas obtiveram ontem grande vitória ao aprovar, na íntegra, o novo código que regerá a preservação da cobertura vegetal das terras brasileiras. A lei, considerada leniente por ambientalistas, tornará legal desmatar até 98% das matas com mais de sete árvores.
Abatendo uma caramboleira em frente ao Congresso, o deputado Ronaldo Caiado explicou: “Seremos rigorosos e não deixaremos ninguém derrubar nenhuma dessas sete árvores, contanto, claro, que não se tratem de espécies exógenas, estejam no caminho do gado, façam sombra para a soja ou sejam consideradas feiosas por uma comissão liderada pela deputada Katia Abreu.”
A poda, contudo, será permitida.
Petistas, ruralistas e comunistas do PCdoB estavam alinhados e não divergiram sequer em relação à medida que obriga todos os condomínios residenciais a liberarem pelo menos 70% da área de lazer para o plantio de transgênicos. Também houve pouco dissenso quanto à medida que propõe transformar o que resta da Mata Atlântica em estacionamento.
A oposição tentou obstruir a sessão, sem sucesso. A única clausula do novo código que contou com o apoio unânime dos 513 deputados da Casa foi a que dispõe sobre o implante de Eike Batista. “Aquilo é uma afronta à sensibilidade ecológica nacional”, exaltou-se o senador Blairo Maggi, “não é possível que esta seja a imagem capilar que o Brasil projeta para o mundo.”
Eike terá até trinta dias para reimplantar o cabelo. Caso não cumpra, será obrigado a prestar serviços comunitários ao topete do ministro Edison Lobão.
Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 1208

Leia Mais ►

Aécio: Cerra pode largar Prefeitura pela Presidência em 2014

Saiu na Folha:
(…)
Folha/UOL: José Serra ao dizer que se ganhar a Prefeitura de São Paulo ficará quatro anos no mandato de prefeito, ele também afasta em certa medida então a especulação sempre existente de que ele ficará dois anos e daí que ele vai desejar ser candidato a presidente em 2014. O sr. acha que, se ele vence a eleição para a Prefeitura de São Paulo, está afastada de vez a hipótese de ele ser candidato a presidente?
Aécio Neves: Acho que nada, de pronto, pode ser afastado. Porque se amanhã ele se transformar na opção mais viável do PSDB, poderá ser. Eu não coloco isso como algo definitivo.
Folha/UOL: Mesmo sendo prefeito e assumindo isso agora?
Aécio Neves: A sua intenção é essa. Pelo que eu estou conversando com ele, com o governador Geraldo [Alckmin, do PSDB-SP], a sua intenção é ficar em São Paulo.
Folha/UOL: Porém…
Aécio Neves: Porém as circunstâncias lá na frente podem demonstrar que ele é a grande alternativa para a sucessão presidencial. Eu não afasto isso de maneira peremptória e definitiva.
Folha/UOL: Seria bom para o PSDB se essa circunstância existisse, ele de novo ser o candidato?
Aécio Neves: Não sei. Ele só será o candidato se for o melhor para o PSDB. É o inverso, ele não será candidato apenas por querer ser. Até porque o que ele demonstra querer é ficar na Prefeitura, vencendo as eleições. Mas, se amanhã, seja ele, seja o governador Geraldo Alckmin, seja o governador Beto Richa [do PSDB-PR], o PSDB tem quadros, tem nomes colocados. O candidato do PSDB será aquele que melhores condições tiver para o enfrentamento, que melhor amalgamar as forças do nosso partido e outras. Porque eu acredito que nós chegaremos lá na frente encorpados, fortalecidos seja pelo desgaste do governo ou pela incapacidade do governo do PT de fazer o que precisa ser feito. O PT, Fernando, abriu mão. Abdicou de ter um projeto de país para se contentar em ter, exclusivamente, um projeto de poder. E isso a população vai perceber com muita clareza. E isso a população vai perceber com muita clareza. E aí entra nessa vale tudo. O PSDB tem a responsabilidade de ocupar esse vácuo apresentando a própria agenda para os próximos 20 anos no Brasil.
Folha/UOL: Então só para concluir esse caso, está completamente aberto então o quaro de nomes para serem candidatos do PSDB em 2014 e José Serra, mesmo sendo eleito prefeito é um nome que será considerado?
Aécio Neves: Pela sua dimensão pessoal, pelo que representa e pela representatividade que demonstrou ter na última eleição certamente será também avaliado. Mas nós não temos porque falar de 2014 antes de 2012. Nós temos que centrar os nossos esforços, forcarmos fortemente nas eleições municipais e sairmos dela ainda mais fortes do que estamos hoje.
(…)
Aécio Never conhece a peça.
O Padim só pensa na Dilma e no câmbio.
Nao deixe de ler “por que Haddad vai derrota "Cerra": o novo x o velho”.
Em tempo: o que Aécio quis dizer quando falou em “o que 'Cerra' representa”? Será que é o dossiê que o "Cerra" ia fazer do Aécio e deu origem ao Privataria Tucana? Esses tucanos têm a estatura Moral do Marconi Perillo.
Paulo Henrique Amorim
No Conversa Afiada
Leia Mais ►

A prescrição Veja para remédios antiaids

Não é de hoje que a revista Veja monta matérias no mínimo suspeitas sobre medicamentos.
Quando preparava a série sobre a Veja, deparei-me com uma matéria estranha, de um remédio antiaids da Pfizer que a revista - sem o respaldo de uma fonte científica sequer - sugeria para compor o coquetel antiaids do Ministério da Saúde.
Era uma reportagem comum, não um artigo científico, assinada por uma repórter sem formação médica (http://veja.abril.com.br/150807/p_101.shtml).
Falava das maravilhas de um novo princípio ativo da Pfizer, que traria avanços consideráveis no combate à aids, o Maraviroc.
Nos EUA, o FDA acabara de aprovar a droga. No Brasil, a Anvisa atuou de forma surpreendentemente rápida, aprovando-a no mesmo ano.
E aí, uma repórter sem nenhuma especialização na área médica, sem pesquisar sites especializados no assunto, sem recorrer a uma fonte médica sequer, sugere que o remédio passe a integrar o coquetel antiaids do Ministério da Saúde.
A matéria fecha com isso:
"É muito provável, de acordo com os médicos, que as duas novas classes de drogas antiaids logo venham a fazer parte desse cardápio farmacêutico (o coquetel antiaids do Ministério da Saúde, sonho de todo laboratório que produz antivirais)".
A fonte da revista são "os médicos".
O que estava por trás desse soluço científico da revista?
A medicação só é eficaz para pacientes que possuam um determinado co-receptor. Na época, nem o Ministério da Saúde nem a Sociedade Brasileira de Infectologia concordavam com a inclusão do novo princípio ativo, justamente devido ao fato de se exigir o teste prévio do paciente, oferecido por apenas um laboratório norte-americano associado à Pfizer.
Havia um conflito latente, discussões técnicas no Ministério da Saúde e em organismos científicos. Aí a empresa monta essa estratégia de se valer de uma revista sem nenhuma base científica, para "sugerir" ao Ministério a adoção do remédio.

Histórico do Caso Maraviroc (Celsentri).


15/8/2007 – A revista "Veja" faz propaganda disfarçada do medicamento anti-retroviral Maraviroc, exaltando suas qualidades na matéria "Esperança Dobrada", de Adriana Dias Lopes.
24/9/2007 – "A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou ontem um novo medicamento anti-retroviral indicado para pacientes com resistência ao coquetel antiaids, distribuído gratuitamente pelo Ministério da Saúde."
Em matéria baseada na assessoria de imprensa da Pfizer, redigida por Léo Nogueira e publicada no mesmo dia (24/9/2007), lê-se:
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou hoje o anti-retroviral Celsentri (maraviroc). O medicamento vai integrar o coquetel de produtos para tratamento de pacientes com HIV/Aids que apresentam resistência ou que não toleram os remédios disponíveis.
Favas contadas, portanto.
11/1/2008 – Na matéria " 'Conflito de interesse' pode atrapalhar negociação de Maraviroc no SUS, diz Mariângela Simão diretora do Programa Nacional de DST/Aids", vem a informação de que um pré-requisito para a utilização do medicamentos por pacientes portadores do vírus da Aids seria simplesmente este:
"... antes de utilizar o remédio, o paciente deve se submeter a um teste que está disponível em apenas um laboratório nos Estados Unidos, que mantém relações comerciais com a Pfizer. 'Temos uma situação complexa, há um potencial conflito de interesse, uma vez que o único laboratório que faz o teste de genotipagem tem relações comerciais com esta indústria farmacêutica', explicou em entrevista à Agência de Notícias da Aids."
Quer mais?
"... Só tem um laboratório no mundo que faz isso e foi contratado pelo laboratório produtor do Maraviroc [Pfizer] para validar o seu estudo [sobre a eficácia do medicamento]."
A clássica situação "Tamos juntos".
Repare como a matéria da "Veja" não mencionou essas duas informações jornalisticamente relevantes para o entendimento do caso.
2012 – O Celsentri não faz parte do coquetel antiaids (19 medicamentos) distribuído gratuitamente pelo Ministério da Saúde para cerca de 200.000 pessoas.
Luis Nassif - O Escritor
No Advivo

Leia também: As capas médicas de Veja e os laboratórios
Leia Mais ►

Cachoeira deu dinheiro a Perillo, diz PF

Policial relata conversa entre contraventor e contador com menção a ‘provável grande quantidade de dinheiro enviada à sede do governo goiano
O inquérito da Polícia Federal na Operação Monte Carlo indica que intermediários do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, entregaram “grande quantidade de dinheiro” para o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), no Palácio das Esmeraldas, sede do Poder Executivo local. Gravações telefônicas realizadas pela PF no dia 10 de junho do ano passado flagraram o contador de Cachoeira, Geovani Pereira da Silva, informando ao chefe que estava enviando, via dois assessores, uma caixa de computador “com aquele negócio” para ser entregue no Palácio. Tratava-se de dinheiro, segundo trecho de relatório da PF intitulado “Entrega de dinheiro no Palácio do Governo de Goiás”. O agente responsável pela análise observa que era preciso cruzar as informações com dados da movimentação financeira da quadrilha. “Provável grande quantidade de dinheiro”, escreve o policial no relatório, ao qual o Estado teve acesso.
De acordo com as investigações, os dois auxiliares de Cachoeira que combinaram a entrega do dinheiro são Gleyb Ferreira da Cruz, apontado como braço direito para assuntos financeiros da quadrilha, e o ex-vereador do PSDB de Goiânia Wladimir Garcez Henrique – ambos presos em fevereiro. As gravações telefônicas da PF mostram que Gleyb buscou o dinheiro com Geovani e se encontrou com Wladimir, que já estava esperando no Palácio das Esmeraldas. Todos os passos dos auxiliares eram monitorados por Cachoeira. As gravações dos registros da PF foram veiculadas na internet pelo blog Quidnovi, do jornalista Mino Pedrosa, no início da noite de ontem. Segundo ele, o montante enviado por Cachoeira a Perillo somava R$ 500 mil.

Encontro

As conversas indicam que houve um atraso no encontro. Marcado para às 13h, a reunião entre os auxiliares de Cachoeira e o governador teve que ser adiada para depois das 16h. Wladimir explicou para Gleyb, por telefone, que uma pessoa identificada como “tenente”, provável integrante da equipe de segurança de Perillo, o informou que o governador ainda não confirmara o horário do encontro.
“Estou o esperando o tenente me ligar. Eu até já liguei lá e ele falou: ‘Wladimir, o governador inclusive falou pra você daqui a pouco vim pra cá (sic), mas não falou que horas, não’. Como eu estou enrolado, eu falei: ‘Não, tenente, vê aí pra mim que você marca e eu chego em menos de 20 minutos’”, diz o ex-vereador para Gleyb, que já estava levando a caixa de computador entregue por Geovani. Em outra conversa, Cachoeira pergunta para Wladimir se eles já foram atendidos pelo governador. O ex-vereador responde que não. Perillo negou, por meio de sua assessoria, que tenha recebido dinheiro do grupo de Cachoeira. Ele classificou o assunto de “esdrúxulo” e assegurou que o encontro nunca ocorreu. “O governador nunca tratou, no Palácio, de assuntos que não fossem de interesse do governo. Ele rechaça com toda a veemência qualquer afirmação em contrário.”
No Estadão
Leia Mais ►

Amartya Sen: inventor do IDH defende aliança entre Estado e mercado

O indiano Prêmio Nobel de Economia esteve presente no ciclo de conferência Fronteiras do Pensamento, em Porto Alegre.
Para Sen, o Estado precisa dar uma cobertura social básica
 para todos os cidadãos.
 (Foto: Ramiro Furquim/Sul21)
O economista Amartya Sen, um dos inventores do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), está em Porto Alegre para uma palestra na edição 2012 do ciclo de conferências Fronteiras do Pensamento. Aos 79 anos, ele é considerado uma autoridade mundial em estudos sobre desenvolvimento alinhado a justiça social e liberdade. Desde 1998 – ano em que recebeu o Prêmio Nobel de Economia – o indiano é reitor do Trinity College, na Universidade de Cambridge, além de dar aulas em Harvard. Em 2012, ele recebeu a Medalha Nacional de Humanidades das mãos do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, por ser “único em suas ideias sobre as causas da pobreza, da fome e da injustiça”.
Avesso a posições extremas tanto à esquerda como à direita, Amartya Sen defende a existência de uma relação complementar entre Estado e mercado. Para o indiano, esses dois atores possuem papéis fundamentais na economia e podem melhorar a vida dos cidadãos se agirem juntos. “Quando comecei a estudar economia, nos anos 1960, havia dois problemas: o ceticismo em relação ao mercado e a ausência de pensamento sobre como o Estado pode promover conquistas que o mercado não é capaz de implementar”, recordou o economista durante coletiva à imprensa na manhã desta terça na Capital gaúcha.
Para Amartya Sen, “as principais conquistas do mundo na segunda metade do século XX não foram por causa do capitalismo”. Ele acredita que o fortalecimento do Estado de bem-estar social na década de 1940 na Europa e em alguns países da Ásia possibilitou o desenvolvimento dessas nações nas décadas posteriores. “Havia um mercado ativo e um Estado ativo. Essa é a principal lição da segunda metade do século XX”, entende, acrescentando que o Estado precisa dar uma cobertura social básica para todos os cidadãos, ao mesmo tempo em que deve preservar a liberdade de escolha das pessoas.
O economista utiliza como exemplo desse pensamento o sistema de saúde. Amartya Sen é um convicto defensor da universalização do atendimento em saúde e também da educação pública. Mas acredita que os mais ricos devem ter preservados seus direitos de optarem por outros serviços – ou mesmo de proverem esses serviços.
Questionado sobre em que ponto as bandeiras da esquerda e da direita poderiam convergir para encontrar soluções que melhorem a vida da população, o indiano preferiu teorizar sobre o significado desses conceitos políticos. E aproveitou para lembrar que é amigo de Fernando Henrique Cardoso.
“Não sei o que significa ser de direita no Brasil. Ouço que meu amigo Cardoso é um pensador de direita. Nos Estados Unidos ele seria considerado um pensador de extrema-esquerda”, compara.
Ainda sobre o Brasil, o economista avalia que as políticas mais voltadas ao crescimento econômico não redundaram em desenvolvimento humano. Isso só começou a ocorrer, segundo o indiano, nos últimos 20 anos. “O Estado se tornou muito mais ativo, fornecendo educação, saúde e uma renda mínima para quem não tinha nada”, elogiou.
Apesar desse entendimento, Amartya Sen vê com ressalvas os programas de distribuição de renda implementados pelos governos Lula e Dilma, como o bolsa-família. “Apoio essas políticas, mas o Estado tem outros compromissos. É uma questão de dosar os investimentos. Fornecer um ganho mínimo à população é muito importante, mas não se pode resolver o problema da pobreza só com isso”, opinou.
Samir Oliveira, Sul 21
No Rede Brasil Atual
Leia Mais ►