19 de abr de 2012

A Pena Comprada de Leonardo Attuch (Brasil-247)

No dia 7 de junho de 2011 o Superior Tribunal de Justiça decidiu anular toda a Operação Satiagraha, que resultou na condenação por corrupção da quadrilha do banqueiro Daniel Dantas, dono o grupo Opportunity, a 10 anos de prisão. O STJ concluiu que foi ilegal a participação de integrantes da Agência Nacional de Inteligência - Abin, nas investigações. Um alívio para Daniel Dantas e para o jornalista Leonardo Attuch.
Attuch, repórter da Revista Isto É Dinheiro, da Editora Três, foi flagrado trabalhando em benefício da quadrilha de Dantas e Naji Nahas que saqueava os cofres públicos. O “jornalista” usava a Revista para publicar matérias encomendadas pelo banqueiro, muitas delas redigidas por outras mãos e assumidas por Attuch. O “repórter” era pago pelo Caixa 2 comandado por Humberto Braz, homem da Construtora Andrade Gutierrez, a serviço do apelidado por FHC, “gênio do mal” Roberto Figueiredo do Amaral.
Roberto Amaral indicou Braz para ser o homem de confiança do banqueiro Daniel Dantas. Braz passou a atuar nos “negócios” da Brasil Telecom, chegou a presidência da empresa e foi o grande consultor do Grupo Opportunity até ser flagrado pela Polícia Federal tentando corromper com R$ 1 milhão o delegado que comandava a Operação Satiagraha, Protógenes Queiroz, que costumava chamar Humberto de “o homem da mala”.
Leonardo Attuch foi flagrado na Operação Satiagraha como assessor de comunicação da organização criminosa. Certa vez, Carlos Rodemburg foi chamado na Editora Três, Revista Isto É Dinheiro, pelo presidente Domingos Alzugaray, para mostrar uma matéria feita por Leonardo Attuch denunciando o banqueiro Daniel Dantas usando o nome de laranjas no contrato do Opportunity com o Citybank. A matéria foi produzida a partir de um dossiê da Telecom Itália, que estava em litígio com a Brasil Telecom.
Attuch foi chamado pela direção da Editora Três para apresentar a matéria que tinha produzido. A matéria não foi veiculada. Mas Attuch se cacifou perante Daniel Dantas, tornando-se seu homem de confiança na Imprensa.
A partir daí foram várias as matérias publicadas na Isto É Dinheiro, “confeccionadas” por Attuch. Daniel Dantas fez uma compra de R$ 15 milhões em livros da Editora Três. E Attuch ficava visivelmente satisfeito com os negócios entre a BR Telecom e a Editora Três.
Humberto Braz, “o mala”, era responsável mensalmente pela felicidade de Attuch. A imprensa, na época da Operação Sathiagaha, denunciou Attuch de receber propinas e presentes de Daniel Dantas, como por exemplo uma confortável casa no bairro classe A, de São Paulo, o Alphaville.
A quadrilha de Daniel Dantas até hoje sustenta o “jornalista”. Montaram um site www.brasil247.com, onde Attuch atua sem se identificar, a serviço não só da quadrilha de Dantas, como também cuidando dos interesses de empresários como José Batista Junior, da Friboi, que se filiou ao PSB em Goiás para disputar o governo com Marconi Perillo (PSDB), e empresas como a Odebrech, apadrinhada pelo deputado cassado e personagem central no Mensalão do PT José Dirceu e o Banco BVA.
O site de Attuch ataca os políticos de Goiás preparando o terreno para as eleições de 2014, quando o dono do Frigorífico Friboi sairá candidato ao Governo do Estado. Attuch também abocanha verba na Secretaria de Comunicação do governador do Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz. Parte desses contratos Attuch não pode receber pelo site, porque são propinas pagas através de Caixa 2.
O Quidnovi publica com exclusividade documentos em segredo de justiça do Relatório de Inteligência Policial da Operação Chacal e áudio mostrando a intimidade de Leonardo Attuch com a quadrilha de Dantas numa conversa íntima com Naji Nahas, na qual o “jornalista” desclassifica os jornalistas Diogo Mainardi, Paulo Henrique Amorim, Elvira Lobato e o patrono do Jornalismo Brasileiro Mino Carta por não fazerem parte da quadrilha. Os documentos falam por si. Ponto!


Mino Pedrosa
No Quid Novi
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Quem rompe os contratos?

Os defensores do mercado usam um argumento recorrente toda vez que um Estado nacional rompe relações com empresas privadas, seja por que motivo for. O alerta é de que contratos estão sendo rompidos, o que gera insegurança jurídica e fuga de investidores. Jamais se ouve desses arautos a defesa do Estado, mesmo que este tenha sido lesado nos ditos contratos que tanto prezam. A culpa é sempre dos governos, nacionalistas e jurássicos, que não sabem gerir negócios com a eficiência privada.
A cantilena ressurge agora com a decisão da presidente Cristina Kirchner de expropriar as ações da espanhola Repsol na YPF, petroleira argentina criada nos anos 1920, em torno de uma idéia de soberania nacional sobre um produto estratégico, e vendida nos anos 1990, durante a fúria neoliberal, personificada na Argentina pelo ex-presidente Menem, que iniciou o processo que levaria o país vizinho a uma das piores recessões da história e a uma crise institucional sem precedentes num regime democrático.
Sem entrar no processo de privatização em si, já motivo de questionamentos, a Repsol teria como compromisso, ao assumir o controle da empresa, ampliar a exploração e produção de petróleo e gás no país. Mas o que se viu, foi o movimento inverso. A Repsol reduziu a produção e duplicou suas receitas no último exercício, privilegiando a maximização de lucros no curto prazo e as remessas ao exterior.
De 1999 a 2011, o lucro líquido da Repsol-YPF foi de 16,45 bilhões de dólares, e a empresa distribuiu dividendos de 13,24 bilhões de dólares. Em 2011, a YPF representou cerca de 35% do Ebitda (lucro antes de impostos e amortizações) consolidado da Repsol e pagou cerca de 750 milhões de dólares em dividendos. Ou seja, enquanto a empresa extraía o máximo de resultados, investia o mínimo na expansão da atividade, essencial para a Argentina e sua população.
A Repsol-YPF reduziu em 30% a 35% sua produção de petróleo nos últimos anos e em mais de 40% a de gás, o que obrigou a Argentina a aumentar em mais de 9 bilhões de dólares as importações de hidrocarbonetos. Os números do governo argentino indicam que, entre 2002 e 2011, a produção de petróleo no país recuou de 43,9 milhões de metros cúbicos para 33 milhões de metros cúbicos(dos quais 35% são produzidos pela Repsol-YPF).
Antes do anúncio da expropriação, províncias petrolíferas argentinas já vinham retirando concessões de exploração da Repsol por falta de investimento. Um recente documento de dez províncias argentinas produtoras de hidrocarbonetos indicou quedas de até 18% na produção de petróleo e gás no país nos últimos dez anos.
Como observou Cristina Kirchner ao anunciar a expropriação, se “prosseguisse a política de esvaziamento, de falta de produção e de exploração, nos tornaríamos um país inviável, por políticas empresariais e não por falta de recursos, já que somos o terceiro país no mundo, depois da China e dos EUA, em reservas de gás”.
A falta de investimento da Repsol levou a Argentina a importar ano passado, pela primeira vez em 17 anos, gás e petróleo. O país que sempre foi conhecido pelo excedente de gás, fornecido a países vizinhos, passou a comprar o produto que dispõe em abundância, e cuja produção poderá se multiplicar com a exploração de Vaca Morta, um reservatório extraordinário descoberto na Bacia de Neuquém.
Depois do desastre neoliberal, a Argentina recuperou, diga-se de passagem nos governos Kirchner, o crescimento econômico, que reforçou o contraste entre o declínio da produção de hidrocarbonetos e a expansão do consumo de combustíveis. Entre 2003 e 2010, o consumo de petróleo e gás subiu 38% e 25%, respectivamente, e a produção caiu 12% e 2,3%. A balança comercial do setor petrolífero foi de um superávit de cerca de US$ 2 bilhões em 2010 para um déficit de cerca de US$ 3 bilhões em 2011.
Ao Estado, cabe controlar a produção de seus recursos estratégicos, com vistas ao futuro e ao bem estar de sua população. Isso pode ser feito em parceria com empresas privadas, desde que estas cumpram suas obrigações e tenham compromissos com os países onde operam, o que não parece ter sido o caso da Repsol.
Como observou Cristina Kirchner ao anunciar a expropriação, “não temos problemas com o lucro, mas sim espero que eles sejam reinvestidos no país: tenham a certeza que se acompanharem o país vamos seguir trabalhando lado a lado”.
Mair Pena Neto
No Direto da Redação
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Hospital confirma que Sarney tem todos os tipos sanguíneos

Doações de recursos do PAC e verbas do BNDES na veia do empresariado brasileiro têm tornado parte substancial dos capitalistas brasileiros compatível com o PT
SÍRIO LIBANÊS – Em notícia que causou espanto nos círculos acadêmicos de todo o planeta, e que, a ser confirmada, habilita o cardiologista Ricardo Kalil Maluf ao Prêmio Nobel de medicina, foi revelado que exame clínico do presidente do Senado José Sarney indicou que ele possui a raríssima condição de “compatibilidade ideológica universal”.
Durante a centésima segunda coletiva de imprensa convocada por Kalil Maluf desde que Sarney foi internado há dois dias, o cardiologista explicou que a condição era considerada uma fantasia médica jamais comprovada experimentalmente. “O presidente Sarney possui todos os tipos sanguíneos. Ele é capaz de receber transfusões tanto das alas mais radicais do PT quanto dos setores mais exaltados da bancada ruralista sem correr qualquer risco de choque anafilático. É um processo adaptativo notável”, disse o médico, enquanto articulava a colocação de um stent na reputação do senador Demóstenes Torres.
Kalil Maluf já chamara a atenção da comunidade científica em trabalho publicado na revista inglesa Lancet, no qual demonstrou como o ex-presidente Lula sofrera um processo de alteração do metabolismo até então desconhecido da ciência. Lula chegara à década de 90 com tipo sanguíneo O negativo, de rara compatibilidade, podendo receber transfusões apenas de consanguíneos ou albaneses nascidos até o ano de 1989. Durante os anos 90, entretanto, em processo cuja etiologia ainda não está clara, o sistema imunológico do líder sindical tornou-se progressivamente permeável, a ponto de chegar a 2002 trocando hemácias com o sistema linfático de Jader Barbalho.
Lula, porém, ainda não pode ser considerado um “ideológico universal”. “Estranhamente, o sangue tucano azul ainda lhe faz mal”, explicou o médico, aduzindo, porém, que como o tipo sanguíneo patogênico está em vias de extinção é provável que, em breve, os dois ex-presidentes possam extinguir os bancos de sangue num espetáculo de conciliação nacional em que não haverá mais oposição, atrito ou incompatibilidades entre os corpos políticos.
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As lições de Demóstenes

A primeira reação dos setores conservadores às denúncias contra Demóstenes Torres foi de silêncio estupefato. Demoraram a perceber o que estava acontecendo: um de seus heróis tinha sido apanhado com a boca na botija.
À medida que os detalhes de suas relações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira foram sendo revelados, viram que seria impossível defendê-lo. Tiveram de reconhecer que alguém em quem haviam apostado nada mais era que o cúmplice – para dizer o mínimo – de um suspeito – continuando a dizer o mínimo – de nebulosas transações.
A segunda reação foi apressar-se na condenação. Talvez por raiva do senador, que os fez de bobos. Devem tê-lo imaginado rindo dos aplausos, enquanto brindava com os amigos.
Mas a razão principal estava na necessidade de controlar os prejuízos colaterais. O apodrecimento do senador Demóstenes poderia contaminar um pedaço grande da política brasileira. Que fosse rapidamente extirpado.
A terceira foi uma clássica manobra de luta ideológica: passar para o ataque. Se a defesa é insustentável e se não interessa protelar, o jogo tem de ser mudado.
Era preciso embaralhar as culpas do Demóstenes oposicionista com aquelas de políticos governistas. E era óbvio com quais: os acusados pelo “mensalão”. Eles e Demóstenes tinham de ser igualados.
Se esse diversionismo fosse bem-sucedido, o escândalo terminaria por ser positivo: aumentaria as pressões para que o STF julgasse logo o caso.
Quem conhece o funcionamento do Supremo sabe, no entanto, que a chance de que ele se pronuncie nos próximos meses é pequena. A complexidade das questões que suscita, sua sensibilidade, seus efeitos na dinâmica interna do Tribunal, tudo sugere que o julgamento não vá começar de imediato.
Essa perspectiva não agrada a quem quer utilizá-lo para atingir o PT e suas lideranças. Por extensão, para fragilizar o governo.
Tudo o que esses setores desejam é que o País fique meses a discutir o episódio. Sonham recriar os dias em que a TV Câmara disputava audiência, transmitindo ao vivo as sessões da CPMI dos Correios.
É uma aposta com pequena possibilidade de sucesso. Acreditar que o retorno do “mensalão” pela via judiciária terá o mesmo efeito na opinião pública que a sua revelação original é imaginar muito.
Para a vasta maioria das pessoas, será igual a ler o jornal de anteontem. Tudo é conhecido, não há qualquer fato novo.
Sem falar que a discussão no Supremo dificilmente terá a teatralidade do Legislativo. A leitura de um voto – que pode durar horas – costuma fazer dormir até os especialistas.
Mas quem não tem cão, caça com gato. Confusa em seu discurso, dividida por conflitos internos, a oposição partidária avalia que a volta do assunto às manchetes é uma oportunidade para adquirir novo fôlego. O mesmo vale para os veículos da mídia conservadora, que acreditam que assim poderão fazer seu acerto de contas com o “lulopetismo”.
O problema é que o escândalo Demóstenes e o “mensalão” são completamente diferentes. No primeiro, um político é suspeito de fazer o que os bandidos fazem. No segundo, alguns políticos são acusados de fazer o que todos fazem.
Não são, portanto, nem de longe, a mesma coisa.
A maior parte dos que serão julgados pelo “mensalão” fez, apenas, aquilo que as regras não escritas da política sempre admitiram. E que, por essa razão, seus colegas praticaram – e continuam a praticar. Ou alguém acha que, agora, tudo é feito de maneira ortodoxa?
Ninguém os acusa de advocacia de interesses escusos ou de conluio com os fora da lei. Suspeitar que receberam uma espécie de mesada para votar com o governo é uma simples história da carochinha: petistas ganhando para isso?
No fundo, o esforço de igualar o que é flagrantemente diferente, talvez acabe sendo positivo na hora em que o Supremo julgar. Deixa nítido que o inaceitável é Demóstenes.
Marcos Coimbra
No CartaCapital
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Já é tempo de abrir as caixas negras

A ignorância pode ser, e é frequentemente, o preço que temos que pagar para viver melhor. Não preciso de saber como funciona o meu telefone para usufruir dele. Basta-me saber que, quando marco o número de Danae, é o telefone de Danae que toca. Como é que os aparelhos envolvidos, seja o telefone individual seja a rede, conseguem fazer isso, não me interessa minimamente. Com efeito, se eu investisse tempo e energia mental para perceber o que é que acontece ao certo com os diversos aparelhos que me rodeiam, teria que prescindir de outros tipos de entendimento que considero terem muito mais valor.
Em termos de engenharia, acabo agora de perceber, para mim (tal como para a maioria das pessoas), o meu telefone é uma caixa negra : um aparelho ou um sistema cujo funcionamento interior é opaco e cuja única função que entendo é como transforma os dados que introduzo (por ex., marcar um determinado número) em resultados (o toque do telefone de Danae). Agora que penso nisso, a cabeça da minha mulher também é, para a minha cabeça, uma caixa negra: mesmo que eu fosse um neurocientista de primeira, estaria completamente às escuras quanto ao processo electro-químico que a levou a montar esta exposição. Além do mais, possivelmente porque sei que é uma tarefa impossível, não tenho qualquer ambição em desvendar verdadeiramente este processo electro-químico em particular.
Segundo esta perspectiva, estamos rodeados de caixas negras. No entanto, nem todas as caixas negras são tão inócuas como o meu telefone. Para além dos telefones e dos seres humanos, as empresas e os estados também podem ser encarados como super caixas negras. Nenhum administrador executivo, para não falar dum gestor de categoria mais baixa, pode obter a imagem total de como se chega a cada uma das decisões na sua empresa. Os banqueiros nunca entendem verdadeiramente o conteúdo dos administradores executivos e o arsenal de derivados tóxicos que os seus bancos cozinharam (e depois amassaram para despachar) como se o amanhã não existisse. Olhando para as coisas a um nível mais alto, reparem no exemplo dos Estados Unidos. Regra geral, o Departamento de Estado, a Casa Branca, as pertinentes Comissões do Senado funcionam sem grande coordenação uns com os outros, e no entanto estão a produzir políticas que o resto do mundo reconhece como… política do 'governo' dos EUA.
A diferença entre essas caixas negras (administradores executivos, bancos, governo) e o meu humilde telefone está encerrada numa única palavra: poder. Não o tipo de poder associado à electricidade ou à força esmagadora do oceano mas um outro poder mais subtil: o poder de escrever o programa, de estipular a conversa, de implantar desejos nas nossas almas, de canalizar o fluxo das informações ao longo da grelha existente de poder social, de nos prender na rede que determina como a nossa sociedade funciona e, ai de nós, fracassa rotundamente.
Em 2008, o nosso mundo mergulhou no caldeirão de falências múltiplas, persistentes, espectaculares das diversas 'redes' de poder. A Europa provou ser o elo mais fraco e, dentro dela, a Grécia o elo mais fraco ainda. No entanto, ainda antes transpirar alguma coisa, o nosso planeta já tinha entrado numa trajectória irreversível para a degradação ambiental. Com as suas Crises de várias camadas em cima de nós (em que as principais facetas são a económica e a ambiental, mas não são as únicas), e dada a alta concentração de poder, é quase uma tentação atribuí-la a uma qualquer conspiração doentia dos poderosos. Sobem-nos à cabeça imagens de salas cheias de fumo, com mobiliário pesado e homens manhosos (e mulheres estranhas) a planear como vão obter lucros à custa do bem comum. Claro que isto são alucinações. Se a culpa das nossas circunstâncias terrivelmente diminuídas se deve a uma conspiração, então é uma conspiração em que os conspiradores nem sequer sabem que fazem parte dessa conspiração. Aquilo que para muita gente cheira a conspiração dos poderosos é a característica emergente das redes fechadas, das super caixas negras de poder social.
As super caixas negras assumem muitas formas diferentes mas, na essência, são todas semelhantes: Sempre que um político (que possui informações reservadas) dá um exclusivo a um jornalista, em troca, por uma reviravolta especial do funcionamento interno, esse jornalista fica ligado, subconscientemente, a uma rede de iniciados. As redes de poder social controlam assim o fluxo de informações de um modo que exclui, coopta e guia os seus membros individuais. Desenvolvem-se organicamente, como por vontade própria, e são guiados por um ímpeto supra-intencional que nenhum indivíduo, nem mesmo o presidente, o administrador executivo ou as equipes que gerem os nódulos principais, consegue controlar.
A chave para as redes de poder é a exclusão, a opacidade. Se um qualquer empregado bancário, que toma conhecimento de informações internas que são potencialmente prejudiciais para o banco, dá com a língua nos dentes, por ex. passando a informação para a imprensa, dará cabo imediatamente da sua hipótese de manter qualquer 'poder' para si mesmo. Mas, se trocar esse 'segredo' com informações privadas guardadas em qualquer outra peça da máquina de finanças, então o poder desse par espontaneamente gerado multiplica-se várias vezes. Essa verdadeira conspiração de duas pessoas forma depois alianças, através de mais trocas de informações, com outros grupos do mesmo tipo. O resultado é uma rede de poder dentro de outras redes pré-existentes que envolvem participantes que conspiram de facto sem terem consciência disso, são conspiradores. O que é fascinante é que alguns membros da rede, aqueles que estão apenas levemente ligados à rede, não fazem a menor ideia da rede que estão a reforçar (graças a terem muito poucos contactos com ela).
Considerados como 'redes de poder', como 'conspirações sem conspiradores', os poderes instituídos, com o poder de controlar as nossas vidas (o estado, as empresas, os meios de comunicação, os bancos, os grupos de pressão organizados, etc.), não passam de um monte de super caixas negras: Ninguém percebe como funcionam, nem sequer os indivíduos que vão ao leme. No entanto são eles que convertem todos os nossos dados de entrada em resultados sociais, económicos e ambientais. De modo crucial, ao contrário dos nossos telefones (que legitimamente podemos não estar interessados em entender; em abri-los e inspeccionar o seu funcionamento interno), abrir essas super caixas negras tornou-se hoje um pré-requisito para a sobrevivência da decência, de todos os estratos dos seres humanos, até mesmo do nosso planeta. Em palavras simples, basta de desculpas. Portanto, CHEGOU O MOMENTO DE ABRIR AS CAIXAS NEGRAS!
Porquê agora? Porquê, simplesmente? Que caixas temos que abrir? Precisamos de abrir as caixas agora porque 2008 foi o 1929 da nossa geração. Além disso, a década passada assistiu ao fermentar de um Armagedão ambiental. Ao contrário do meu telefone que funciona perfeitamente, e que não me obriga a abri-lo, a nossa economia social global está avariada. E o mesmo acontece ao ambiente do nosso planeta. As super caixas negras que têm vindo a dirigir o espectáculo desde os anos 70 estão danificadas. Já não conseguem auto-corrigir-se, são impotentes para reproduzir condições para uma vida decente, ou abrimos essas super caixas negras ou elas enfiar-nos-ão, e às gerações futuras, num buraco negro distópico qualquer.
Como devemos fazê-lo? Primeiro, precisamos de adquirir a disposição de reconhecer que também nós, cada um de nós, pode ser um nódulo na rede; um verdadeiro conspirador ignorante. Em segundo lugar, e é este o génio da WikiLeaks, se conseguirmos entrar na rede, como Teseu entrou no Labirinto, e perturbar o fluxo das informações; se pudermos incutir o medo de fugas informações incontroláveis no espírito do maior número possível dos seus membros, então as redes de poder irresponsáveis e defeituosas desabarão sob o seu próprio peso e irrelevância. E assim a humanidade terá mais uma hipótese de organizar a fuga do seu actual beco sem saída. Em terceiro lugar, desistindo de qualquer tendência para substituir as velhas redes fechadas por redes novas.
Nada disto será fácil. As redes reagirão com violência, como já estão a fazer. Tornar-se-ão mais autoritárias, mais fechadas, mais fragmentadas. Mas tudo bem. Sem dúvida, vão fechar-se e fragmentar-se a fim de conter as 'invasões'. Vão despender mais esforços para adiar a abertura das suas caixas negras. Vão ficar cada vez mais preocupadas com a sua própria 'segurança' e monopólio das informações, menos confiantes na gente vulgar. Mas, quanto mais se moverem nessa direcção, mais profundamente esgotarão a sua capacidade de atrair e centralizar aquilo que as faz funcionar: informações frescas, sem nódoas, abundantes, de pessoas que ainda não foram cooptadas.
Claro que nada disto é novo. No seu famoso O Príncipe, Niccolo Machiavelli, um dos primeiros modelos dos conselheiros dos poderes instituídos, aconselhava o seu Príncipe a nunca permitir ao popolo uma breve visão dos demónios que fermentavam dentro das super caixas negras da sua época [1] . Era, reconhecidamente, uma época mais inocente quando ainda era desculpável pensar que o poder centralizado e as informações contribuíam para suavizar a passagem da humanidade para a boa sociedade. Tragicamente, a maré arrebatou esse optimismo. A centralização controlada pelo estado foi punida com o colapso do comunismo em 1991, uma reviravolta dos acontecimentos que deu azo à multiplicação e reforço das caixas negras do 'outro' lado, e em que a conclusão natural desse excesso de confiança foi o Colapso de 2008. Actualmente, no meio do pessimismo pós-2008, para citar Slavoj Zizek, "enfrentamos o cinismo desavergonhado duma ordem global cujos agentes apenas imaginam que acreditam nas suas ideias de democracia, direitos humanos e por aí afora. Através de acções, como as revelações do Wikileaks, a vergonha – a nossa vergonha por tolerar tal poder sobre nós – torna-se ainda mais vergonhosa por ser publicada".
O novo espaço de Danae Stratou avança um passo para além da vergonha e da denúncia. Transforma as caixas negras em objectos de arte que simultaneamente encerram a nossa angústia e as nossas esperanças, a nossa impotência e as nossas capacidades, os nossos constrangimentos desumanos e as nossas aptidões humanas. As suas caixas abertas agem como um incitamento subversivo não só para combater os nossos medos e os poderes futuros duma só vez mas, adicionalmente, para construir ideias de novas formas de poder e prosperidade partilhados.
[1] Assim acontece em assuntos do estado; pois tomar conhecimento (o que só é dado fazer a um homem prudente) dos demónios que estão a fervilhar, torna fácil a sua cura. Mas quando, por falta de tal conhecimento, se permite que eles cresçam até que todos os conseguem reconhecer, já não se encontra qualquer remédio. ( O Príncipe, Niccolo Machiavelli, 1469-1527)
Yanis Varoufakis, Economista, dirige o Departamento de Economia Política na Universidade de Atenas.
O original encontra-se aqui. Tradução de Margarida Ferreira.
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Charge online - Bessinha - # 1195

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A quem interessa desviar o foco das atenções da CPI do Cachoeira?

Terminou como um tiro n'água toda a operação montada por uma parte da mídia para fazer crer que o PT e/ou o Governo estavam contra a CPI do Cachoeira. Com a assinatura de todos os integrantes das bancadas do PT na Câmara e no Senado no pedido de constituição da Comissão cai o pano dessa encenação feita por uma parte dos veículos de comunicação.
Mais do que isso, fica cada vez mais clara a tentativa de vender para a opinião pública que a CPI não interessava ao PT, quando é a oposição - DEM e PSDB à frente - que está no centro do escândalo Cachoeira, o ex-líder do DEMOCRATAS no Senado, senador Demóstenes Torres (renunciou à liderança há duas semanas e há pouco mais de uma desfiliou-se do partido) e o governo tucano de Goiás.
Este, aliás, já perdeu três de seus mais altos integrantes na esteira do escândalo Cachoeira por estarem envolvidos até o pescoço no caso.

Por que a oposição e certa mídia estão aliadas neste caso?

Por uma uma razão muito simples: ambas temem a CPI, pelas relações (da oposição) com o crime organizado; e, de certa mídia, pela produção de matérias jornalísticas políticas com base em gravações e grampos ilegais feitos pela quadrilha que atuava em Goiás com cobertura já comprovada de políticos e governantes do Estado.
Mais canhestra, ainda, do que esta esdrúxula aliança oposição-certa mídia foi a tentativa dessa parte da imprensa de relacionar a CPI com o julgamento da ação penal 470 no Supremo Tribunal Federal (STF), o chamado mensalão.
Por que a aliança oposição-parte da mídia enveredou por aí? Para despistar e abafar o caso Demóstenes-Cachoeira que envolve DEM-PSDB-imprensa. Queriam promover uma operação abafasse o caso, que o levasse ao amortecimento, ou melhor, desaparecimento do escândalo nos jornais.

Matéria de Veja, um caso de polícia

Desviar o foco do escândalo, jogando um pseudo interesse do PT-governo em recuar na instalação da CPI interessava a eles, não a nós. Adotaram esse caminho quando surgiram as evidências de que a matéria sobre os Correios - a primeira, de 2004 - foi feita pela Veja a partir de escutas clandestinas e ilegais produzidas a quatro mãos pela quadrilha Cachoeira e pela revista.
Seguiram essa linha de que ao PT-governo interessava "esfriar" a CPI diante deste fato consumado. Aquela primeira matéria de Veja era um caso de polícia. Isto é um fato comprovado, não pode ser desconsiderado. Registrar, dizer e repetir isto não tem nada a ver com regulação da mídia, ou com liberdade de imprensa.
Tampouco invalida, questiona, ou constitui alguma tentativa de desviar foco da ação penal 470 do STF em relação ao processo a ser julgado pela Suprema Corte. Um julgamento que todos esperamos seja técnico, eminentemente jurídico, como diz o próprio futuro presidente do STF, ministro Carlos Ayres Brito.

Um julgamento jurídico e não político

"Para nós julgadores - disse ontem, à Folha, o futuro presidente do STF - o mensalão impressiona pela quantidade de réus, pelo número de páginas do processo, pelo número de testemunhas. Mas, quanto ao nosso ânimo de fazer justiça, ele é um processo igual aos outros. O que nos cabe é perseverar na isenção, na imparcialidade, na análise objetiva das peças do processo, sem prejulgamentos."
Eu confio e espero que o julgamento não seja político, mas sobre os autos, como é da melhor tradição do STF.
José Dirceu
No Blog do Zé
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O vexame do Dr. Peluso

O ministro Cesar Peluso tem o direito de pensar como quiser e votar, sempre, de acordo com sua consciência no STF.
Mas não lhe fica bem, pouco antes de sua saída da presidência do Supremo, e às vésperas de sua aposentadoria compulsória, dizer como seus pares devam se portar.
O que ele fez ontem, atacando o ministro Joaquim Barbosa e a ministra Cármem Lúcia, do Conselho Nacional de Justiça, é algo de impensável para um magistrado.
E o que fez com a presidenta Dilma Rousseff, ao dizer que o Executivo era autoritário, imperial e que “não era republicano” é espantoso, quando parte do chefe de um dos poderes da República.
A impressão que fica é a de que Peluso guarda um insuperável ressentimento da negativa de Dilma de promover um aumento nas remunerações do Judiciário, a começar pelos ministros, o que desencadearia uma onda de reajustes, a começar pelo Legislativo.
Tudo repercutiu muito mal, embora os ofendidos pelo Dr. Peluso, sensatamente, tenham moderado a resposta. O máximo foi o “ele está se achando” com que Joaquim Barbosa comentou o episódio.
Porém, não satisfeito, o ministro Peluso volta á carga hoje, em outra entrevista, ao Valor.
Diz como os ministros devem trabalhar no julgamento do chamado “mensalão”, um processo com 38 réus e, portanto, 38 advogados de defesa, além do Ministério Público.
“No máximo, 20 dias (corridos) de julgamento”. “Temos que começar na segunda de manhã e terminar sexta à tarde”.
Mas, mero detalhe: o Dr. Peluso já não é mais, desde hoje, presidente do STF e, portanto, não lhe cade definir a dinâmica do julgamento.
E é curioso que, num tribunal que luta para colocar em dia sua pauta de julgamentos – agora mesmo se resolveu um caso que se arrastava desde 1953 – se queira abandonar toda a prestação jurisdicional que compete ao STF – mandados de segurança, habeas corpos, etc, além de todos os demais julgamentos – para atender a uma pressão política.
Porque é simplesmente falsa a alegação que se vem usando na mídia de que haveria prescrição das penas eventualmente impostas aos acusados.
Hoje, em O Globo, o advogado criminalista Renato de Moraes, no artigo “O mito da prescrição” mostra que é absolutamente falsa a história de que as penas possíveis prescreverão nos próximos meses.
Os alegados crimes de corrupção – se não forem desqualificados pelo tribunal – prescrevem em 2023. A única possibilidade de pena por formação de quadrilha ainda não prescrita só o será em setembro de 2015.
Não é essa a razão das pressões sobre – e partidas de dentro dele, também – para apressar um julgamento que, sem dúvida, iria e irá acontecer em prazo breve, dependendo dos votos do relator e do revisor.
Mas isso não basta para alguns: tem de ser sumário, apenas para constar. O Supremo tem de curvar-se a tarefa de, simplesmente, homologar, o que o Tribunal da Mídia decidiu.
Felizmente, a começar do Ministro Ayres Brito, o novo presidente, parece haver resistência a usar o Supremo como praça de linchamento.
Fernando Brito
No Tijolaço
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O rei de Espanha

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Mais peças do quebra-cabeças Civita-Cachoeira

A Folha tem dois bravos repórteres – Cátia Seabra e Rubens Valente – lutando com um braço amarrado. É isso que explica o fato do lide da matéria sobre Cachoeira (a informação mais importante, que deveria estar na abertura) ter ficado no pé:
“Em conversas no primeiro semestre de 2011, Cachoeira disse a Claudio Abreu, diretor da Delta no Centro-Oeste, que estava fornecendo informações sobre irregularidades no Dnit para a revista “Veja” durante a apuração de uma reportagem”.
Na verdade, a Folha (e a Globo) têm muito mais que isso. Pelas matérias divulgadas, a Globo teve acesso às gravações do Guardião – a máquina de grampo da Polícia Federal. A Folha tem acesso a relatórios da Operação Monte Carlo, provavelmente do material reservado que está no Supremo Tribunal Federal (STF), envolvendo o senador Demóstenes Torres e dois deputados federais.
Nesse relatório existem informações relevantes sobre a relação Veja-Cachoeira – que a Folha ainda não deu.
O primeiro, a íntegra das conversas entre Cachoeira e e o diretor da Delta, Cláudio Abreu, comprovando que estavam por trás da denúncia da Veja. O segundo, as negociações da Veja, Cachoeira e o araponga Jairo para combinar a invasão do Hotel Nahoum – na qual foram feitos vídeos ilegais de encontros do ex-Chefe da Casa Civil José Dirceu com políticos e autoridades.
A matéria da Veja sobre o DNIT saiu em 3 de julho de 2011. A diretoria estava atrapalhando os negócios da Construtora Delta. Foi o mesmo modo de operação do episódio dos Correios: Cachoeira dava os dados, Veja publicava e desalojava os adversários de Cachoeira.
Coincidiu com investigações que já estavam em curso na Casa Civil, alimentando algumas versões de que o próprio governo vazara os dados para a revista. Fica claro que era Cachoeira.
No dia 8 de julho, as escutas captaram a seguinte conversa de Cachoeira:
Cachoeira: Não. Tá tudo tranquilo. Agora, vamos trabalhar em conjunto porque só entre nós, esse estouro aí que aconteceu foi a gente. Foi a gente. Quer dizer: mais um. O Jairo, conta quantos foram. Limpando esse Brasil, rapaz, fazendo um bem do caralho pro Brasil, essa corrupção aí. Quantos já foram, rapaz. E tudo via Policarpo.
A partir da divulgação da íntegra do relatório e das escutas, será possível entender alguns dados relevantes das negociações entre as duas organizações – a de Cachoeira e a de Roberto Civita.
Nas negociações sobre o DNIT, Policarpo se compromete a dar matéria em defesa do Bingo Online. A matéria do Bingo Online acabou não saindo na Veja (apenas no Correio Braziliense, em matéria de Renato Alves).
Provavelmente foi o não cumprimento do acordo que levou Cachoeira a se queixar amargamente de Policarpo e a aconselhar os comparsas a não passarem informações de forma descoordenada. Nas conversa, aliás, ele confessa ter sido ele quem aproximou os arapongas da revista Veja.
Cachoeira: Não, Jairo, foi isso não. Deixa eu falar pra você. Se Dadá estiver aí pode pôr até no viva-voz. Olha, é o seguinte: a gente tem que trabalhar em grupo e tem que ter um líder, sabe? O Policarpo, você conhece muito bem ele. Ele não faz favor pra ninguém e muito menos pra você. Não se iluda, não. E fui eu que te apresentei ele, apresentei pro Dadá também. Então é o seguinte: por exemplo, agora eu dei todas as informações que ele precisava nesse caso aí. Por que? É uma troca. Com ele tem que ser uma troca.
Luis Nassif
No Advivo
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Contra a leviandade jornalística, a verdade dos fatos

1. O Jornal “O Globo” noticiou na edição de ontem, 18 de abril, uma visita que fiz ao Ministro Dias Toffoli, do STF, como se fosse um ato doloso ou ilegal. Sem ouvir respeitosamente o outro lado, como determina a regra do bom jornalismo, o jornal apresenta de maneira espalhafatosa, leviana, mentirosa e irresponsável o que na verdade foi apenas um rápido encontro que teve tão somente um caráter formal e protocolar.
2. Para que o jornal possa informar corretamente aos seus leitores, registro que a razão deste encontro deve-se ao fato de que fui entregar ao ministro o Relatório oficial dos trabalhos e projetos debatidos e votados pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania em 2011, quando tive a honra de presidir essa comissão, ajudando a aprovar importantes projetos.
3. Registro também que, quando na presidência, ajudei na criação de três comissões importantes para o Brasil: a reforma do código de processo civil; a comissão de compatibilização de crimes e penas; e a que trata da reforma da Lei de Licitações (8.666), todos, temas diretamente ligados ao meio jurídico.
4. Repito: Um encontro solicitando oficialmente, apenas e tão somente, prestar contas de ações legislativas, que é uma obrigação salutar da boa prática política, foi assim desvirtuado pelo jornal de modo a parecer algo errado.
5. Somente mentes ingênuas ou má intencionadas poderiam aventar a hipótese de que eu iria tratar pessoalmente com os ministros do STF sobre o caso do mensalão. Para tanto, tenho o devido processo legal para manifestar a minha defesa. Como o próprio ministro confirmou, não conversamos sobre este processo, pois sei muito bem respeitar a liturgia dos cargos e a conveniência jurídica e política da ocasião. A versão jornalística, apresentada de forma sorrateira, de que eu fui tratar do caso do mensalão, configura um desrespeito aos ministros do STF e a meu mandato.
6. Que direito tem “O Globo” de desvirtuar os fatos e apresentá-los segundo suas conveniências e interesses? Cumprindo com o meu dever de prestar contas dos trabalhos realizados em minha ação parlamentar, como tenho feito ao longo de mais de trinta anos de uma trajetória política transparente e honesta, estou entregando, desde o dia 18 de março, quando fiz o lançamento no Salão Verde da Câmara dos Deputados, a cópia do referido relatório não apenas aos ministros do STF, como também do STJ, do executivo (AGU, MJ) e outros órgãos públicos, o que prova que não há outros interesses por trás de um simples gesto de prestação de contas de um trabalho legislativo.
7. Encerro solicitando ao “O Globo” que deixe o STF julgar sem precisar sentir o frio da lâmina saltando da bainha de sua redação em direção a carótida dos ministros.
João Paulo Cunha – Deputado Federal – PT-SP
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A Veja logo será O Cruzeiro

Houve um tempo em que O Cruzeiro era a flor do império de Assis Chateaubriand.
Terminou, como se sabe, reduzida a uma circulação pífia, vendido o título a um ex-colaborador do regime militar, Alexandre Von Baumgarten, e usada para obter vantagens do Governo.
Baumgarten, o coveiro da revista, terminaria ele próprio assassinado em circunstâncias obscuras, no que parece ter sido uma queima de arquivo dos anos finais da ditadura.
A Veja parece querer seguir o mesmo caminho, que começa muito antes da decadência das vendas e do faturamento.
Inicia-se da demolição do patrimônio maior de qualquer publicação: na demolição de sua credibilidade.
Ainda imperará, por bom tempo, dividindo com a Caras as salas de espera dos consultórios médicos e dentários.
Mas sua capacidade de pautar a mídia se foi.
A isnstalação da CPI do Cachoeira, sabe-se hoje um misto de fonte e editor de pauta da revista, exporá inevistavelmente as vísceras de uma ligação espúria.
Não haverá corporativismo midiático que possa omitir a revelação das cumplicidades entre ela e o esquema mafioso montado pelo bicheiro pelas TVs da Câmara e do Senado.
Puderam “segurar” a nota do presidente da Câmara, Marco Maia, denunciando os métodos totalitários da revista. Não publicarão nada sobre o fato de o tópico #Vejabandida ter sido o mais presente no Twitter durante o dia de ontem no Brasil e, aliás, em toda a rede mundial de computadores, como você vê na imagem.
Esse corporativismo não é mais capaz , nos tempos de internet de massa, de baixar uma cortina de silêncio sobre os fatos.
Não vão poder segurar o que surgirá na CPI, associando dezenas de matérias – inclusive a que iniciou a temporada de ministros no Governo Dilma – revelando que o esquema de arapongagem de Cachoeira vivia em simbiose com a pauta da revista, que se prestava à demolição dos esquemas que obstavam os apetites de Cachoeira e seus aliados.
É certo que a revista ainda fará muito barulho.
Quem é da roça sabe que certos bichos berram desesperadamente quando sentem que vão morrer.
Fernando Brito
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#VejaBandida explode na internet

Roberto Civita, o dono da Editora Abril, que publica o detrito da Veja, deve estar apavorado. A hashtag #VejaBandida ficou entre os temas mais comentados no twitter mundial. No Brasil, ela ostentou durante vários minutos o primeiro lugar a partir das 20 horas. Os ativistas digitais deram um show, mostrando os podres da publicação mais direitista do país, agora escancarados com as revelações da Polícia Federal sobre as suas relações com o mafioso Carlinhos Cachoeira.
Os grampos legais da Operação Monte Carlo revelaram que o editor-chefe da Veja, Policarpo Jr., fez mais de 200 ligações telefônicas para o mafioso. Nelas, eles combinaram como produzir "assassinatos de reputações" e como interferir nos rumos políticos do Brasil. Pior do que o mafioso Rupert Murdoch, o imperador da mídia mundial que corrompeu policiais e políticos no Reino Unido, a publicação da famiglia Civita manteve intimas relações com o crime organizado.

CPI deve convocar Bob Civita

Na rede mundial de computadores, os internautas deram o troco contra a revista mafiosa. Antes mesmo do horário combinado para o protesto virtual contra a Veja, a hashtag já estava no quinto-lugar entre os assuntos mais comentados da internet - no Trending Topics. Depois das 20 horas, ele ficou em primeiro lugar na lista nacional e foi parar entre os dez mais dos TT´s mundiais.
Os deputados federais e senadores que finalmente aprovaram a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), mista, sobre os crimes da quadrilha de Carlinhos Cachoeira, deveriam ficar atentos aos protestos na internet. Não dá para abafar as denúncias que envolvem a revista Veja. Qualquer tentativa de livrar a cara de Bob Civita será repudiada pelos setores organizados da sociedade brasileira, que não aceitam mais as manipulações da ditadura midiática.
Altamiro Borges
No Blog do Miro
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Serra aciona Amaury e quer lucro do Privataria

O candidato do PSDB a prefeito de São Paulo, ex-governador e duas vezes candidato ao Planalto, José Serra, está acionando na Justiça o autor do livro Privataria Tucana, Amaury Ribeiro Jr. e a Geração Editorial, editora do livro.
Amaury recebeu hoje a notificação. A MPTAP, de Arnaldo Malheiros e sócios, representa o candidato. É uma ação ordinária de indenização por dano moral, em que Serra pede que o cálculo do valor a ser pago, em caso de condenação, tenha relação com a vendagem do livro, considerando o preço de R$ 34,90.
“Esse componente da indenização deverá ser fixado sobre parte do valor de capa, não inferior ao percentual praticado para a remuneração do autor e não inferior à margem de lucro da própria editora, de modo que os réus não prossigam auferindo lucros que resultem de uma conduta ilícita”, diz a ação.
Serra alega ter sido acusado, no livro:
a) ter recebido propina de empresas envolvidas nas licitações realizadas nos processos de privatização de empresas públicas nacionais, valendo-se da sua condição de Ministro do Planejamento e coordenador do programa de desestatização no Governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso;
b) ter criado rede de espionagem para investigar Aécio Neves, Governador do Estado de Minas Gerais — a quem teria chantageado — valendo-se, para tanto, da sua condição de Governador do Estado de São Paulo e do uso de recursos do Tesouro paulista.
Segundo Amaury, Serra nunca foi acusado diretamente no livro de receber propinas. O jornalista diz que dispõe de provas sobre a segunda acusação.
“Como não consegue contestar o conteúdo do livro, a ação indenizatõria se baseia em fatos deturpados por Serra ou distorcidos pela imprensa durante a campanha eleitoral de 2010″, diz Amaury. Na ação, Serra diz que Amaury, ao depor na Polícia Federal, teria confessado a quebra de sigilo de parentes do tucano, “o que não aconteceu”, afirma o jornalista.
“A ação é fraca, uma piada, uma aberração jurídica, que com certeza me dará subsídios para escrever a Privataria Tucana II”, disse.
“Foi feita na prorrogação do segundo tempo, só depois que o Serra se declarou candidato a prefeito, para que ele se justifique se o tema vier à tona durante a campanha eleitoral”, continua.
“Eu nunca perdi uma ação na minha vida e não vou dar ao Serra o prazer de ficar com o dinheiro de meu trabalho”, conclui.
Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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Secretário de Alckmin diz que problemas no trem e no metrô são normais

O secretário estadual de Transportes Metropolitanos de São Paulo, Jurandir Fernandes, minimizou durante reunião hoje (18) na Assembleia Legislativa as frequentes panes nas linhas de trens metropolitanos e do metrô da capital paulista. “É uma barbaridade dizer que há colapso, seja no trem ou no metrô”, afirmou a deputados que o convocaram para saber sobre recentes acidentes na malha.
“Os defeitos estão dentro do quadro estatístico. Não está havendo nenhuma situação de perda de controle”, acrescentou. Questionado sobre os acidentes ocorridos nas linhas 7 e 9 (em fevereiro) e 8 (janeiro) da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que resultaram em revolta da população, o secretário atribuiu a impressão de que há muitas panes na rede metro-ferroviária de São Paulo à facilidade de comunicação dos usuários e equívocos em classificar um defeito como pane. “A interação dos usuários hoje com os meios de comunicação faz com que todos saibam de tudo”.
O secretário admitiu que ao longo dos primeiros cem dias do ano, a CPTM sofreu 14 problemas e se continuar nesse ritmo pode chegar a 50. Em 2011, o sistema apresentou 42 problemas e em 2010, 49. “Se estivesse em colapso população não estaria aderindo cada vez mais”, analisou Fernandes.
Ele também justificou investimentos menores no ano passado, por ter se tratado “do primeiro ano” de um novo governo. Mas citou aumento do valor destinado ao sistema ferroviário em relação aos governos anteriores. “Foram cinco vezes mais se pegarmos 2003”, disse.
A comparação de investimentos entre governos do mesmo partido e em alguns casos do mesmo governador foi contestada pelo deputado estadual Gerson Bittencourt (PT). “O senhor faz comparações relativas ao mesmo partido que comandou o estado”, indagou.
Segundo Fernandes, o estado poderia ter feito mais, mas as linhas 2-verde e 6-laranja ficaram paradas devido à demora nas licenças ambientais. “Apanhamos. Houve muito tempo transcorrido em licenças ambientais”. Denúncias de fraudes na licitação da linha 5-Lilás também paralisaram a expansão da rede metro-ferroviária. “Três obras inteiras com problemas. Passamos o ano parado”, argumentou.
Para o secretário, os investimentos no sistema têm sido suficientes, o treinamento da equipe "está muito bom", mas é preciso modernizar os homens, uma vez que os trens já são novos. "Temos deficiências que é a comportamental. A questão de comportamento (dos trabalhadores) é dramático", descreveu. 
Para Bittencourt, as justificativas do secretário foram “parcialmente satisfatórias” e as ações do governo “precisam ser mais ousadas e criativas”. “A região do ABC tem ônibus com idade média de 10 anos. Tem ônibus rodando com 17, 18 anos, em péssimas condições”, criticou. “São informações que precisam ser aprofundadas, a rede é boa, mas o planejamento deixa muito a desejar.” 
As imagens abaixo são frutos da "deficiência comportamental " dos trabalhadores paulistas, segundo o secretário tukkkano. E o pior é que a maioria desse povo votou e vai continuar votando nos tukkkanos. Falar o quê...

Rede Brasil Atual
No Cappacete
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Desgoverno Alckmin lança novo factóide

Construir mais 126 km de metrô até 2018
Enquanto estiver sob os desgovernos tucanos, o metrô irá disso aí para pior
É tão mentiroso esse compromisso – na verdade, mais um factóide tucano -, que o site Folha.com diz lá:
“Para atingir o objetivo, Alckmin terá de imprimir um ritmo muito diferente do adotado desde que o PSDB chegou ao governo do Estado, em 1995, com Mário Covas.
À época, São Paulo tinha 49 km de metrô – ou seja, em 17 anos de governo, a rede cresceu 25 km. Para chegar à meta em 2018 – quando ainda poderá ser governador, já que deve disputar a reeleição em 2014 –, o tucano precisará construir 21 km ao ano.”
A matéria não diz como esse milagre será feito.
Na verdade, faz de conta que diz: através de parcerias público-privadas.
Como se sabe, obra de implantação de metrô – especialmente em São Paulo – é caríssima.
Logo, não haverá parceiro privado para custear as obras, mas apenas a operação e manutenção.
O que significa que nessa PPP o governo de São Paulo terá que bancar integralmente o custo das obras.
E de onde sairá esse dinheiro? Empréstimo do Banco Mundial?
O governo do estado de SP tem capacidade de endividamento para um investimento desse porte?
Podem anotar, porque até agora não errei uma previsão sequer: a expansão do metrô-SP continuará a passos de cágado e até 2018 se tiver mais uns 30 km já estará muito bom.
A menos que o governo federal reassuma o seu papel de trazer os metrôs, integralmente, para a União.
Num movimento inverso ao que fez o Desgoverno FHC quando passou os metrôs para os estados, com a cumplicidade do Banco Mundial.
 No FBI
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Fernando Cavendish, o dono da empreiteira Delta

Acusado de abastecer empresas do esquema de Carlos Cachoeira, o empreiteiro Fernando Cavendish nega qualquer irregularidade. Ele concedeu ontem entrevista exclusiva à Folha. Confira alguns trechos:
  • "Se apoio projetos, faço doações, não é que depois vá ganhar [licitações para obras]. Mas posso estar pelo menos bem representado, tenho a oportunidade de ter informação dos futuros investimentos, das prioridades políticas".
  • "Por que megaempresas fazem doações a campanhas? Vão ter informação. Não é normal? Não é toma lá dá cá. Tem licitação".
  • "Nunca vi o Demóstenes. Ninguém é sócio da Delta. Põe isso na sua cabeça. Já inventaram dezenas de sócios para a Delta. [O ex-governador do Rio Anthony] Garotinho foi sócio da Delta, o [ex-prefeito do Rio] Cesar Maia foi sócio. Esquece isso. Não existe. É factóide".
  • "Tive um encontro casual no bar de um hotel, o Claudio estava lá e me apresentou, muito rápido". [sobre encontro com Cachoeira]
  • "Eu estive com José Dirceu uma vez só. Ele falou sobre a Índia, outros países. E foram dizer que a Delta é o que é por causa dele. Isso é esdrúxulo".
  • "Como posso, com essa minha conta de retalho, de 'trocentos' contratinhos que, somados, dão R$ 800 milhões, liderar o PAC? Estou liderando p. nenhuma. Mas fica bonito, na hora de bater no PT, dizer que o líder do PAC está cheio de problemas. Esquece. Eu devo estar em décimo no ranking do PAC".
  • "Nós eramos a maior empreiteira do Rio antes do governo Cabral, com Cesar Maia e Garotinho. Eu era chamado o rei do Rio. Hoje a maior é a Odebrecht".
  • "Vou quebrar. Quando a mídia vem com essa intensidade, existe uma reação imediata de órgãos de controle. Agora virei leproso, né? Agora eu só tenho defeitos, eu sou bandido".
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Às entranhas

A questão da liberação ou não do aborto é uma questão antiga como a tragédia grega.
Em “Antígona”, escrita séculos antes de Cristo, Sófocles já tratou do que é, no fundo, o que se discute hoje, os limites da intervenção do Estado na vida e nas crenças das pessoas. Antígona quer enterrar seu irmão, morto em guerra contra Tebas, e por isso condenado pelo rei de Tebas a permanecer insepulto.
A peça é sobre o confronto de Antígona com o rei Créon, do sentimento com a lei, do individuo com o Estado, do poder da compaixão e dos rituais familiares com o poder institucionalizado e prepotente.
A lei de Tebas proíbe o sepultamento do irmão de Antígona, que se rebela e o enterra assim mesmo, com o sacrifício da própria vida.
Em gerações ainda por vir o confronto de Antígona e Créon se repetirá. No caso do aborto, em países como o Brasil em que a legislação a respeito ainda não foi modernizada, a intervenção do Estado chega às entranhas da mulher.
É a lei que decide o que a mulher deve fazer ou não fazer com o filho indesejado, ou que ameaça a sua vida. E esta é uma decisão que deveria acontecer o mais longe possível de qualquer consideração legal, no íntimo da mulher, que é dona do seu corpo e do seu destino.
Nem é preciso lembrar que a legislação atrasada força mulheres a recorrer ao aborto clandestino, em condições precárias, com riscos que não existiriam no caso da legalização.
Discute-se quando começa a vida, o que equivale a fixar em que ponto o feto, de acordo com a lei, passa a ser protegido do Estado. Mas do começo ao fim da gestação o feto faz parte do corpo da mulher. O ideal é o processo se completar sem interrupção, ninguém quer a banalização do aborto, mas até a criança ser “dada à luz” ela pertence à mulher, a quem cabe tomar decisões sobre sua vida tanto quanto sobre sua própria vida.
O Estado não tem nada a fazer neste arranjo particular, salvo assegurar as melhores condições possíveis para o parto ou para o aborto.
SEM SEPULTURA
A analogia com a peça de Sófocles também serve para o que se pretende com a investigação do que houve durante a repressão aos contestadores do regime militar.
No caso a analogia é ainda mais apta, pois um dos objetivos da tal Comissão da Verdade é localizar os corpos dos insurgentes mortos, que permanecem não insepultos, mas em covas desconhecidas, enterrados sem cerimônias ou identificação.
Antígona quer que o Estado devolva o corpo do seu irmão à família, para enterrá-lo. Ele não pertence mais ao Estado, nem a quem o armou para atacar o Estado. Não pertence mais à História. Agora é apenas um irmão morto sem uma sepultura digna.
Luís Fernando Veríssimo
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O Plano de Lula

A Folha interpreta as ações de Lula em relação à CPI do Cachoeira como se estivesse tratando de um jejuno em política. Sugere que depois do ímpeto sanguinário, agora pede calma. Dificilmente alguém chega duas vezes à Presidência da República e se torna a raposa política que Lula se tornou agindo com o estômago.
O que apuro em conversas diárias com lulistas não é bem assim. O pessoal do bastidor afirma que é bem possível que tenha acordão mais à frente. Mas depois de desgastar ao máximo a oposição. A intenção é realmente alterar o sistema partidário. A meta é fortalecer o tal "presidencialismo de coalizão". Faz mais sentido. Mesmo porque, os petistas com medo da CPI não são necessariamente lulistas. Aliás, imagino que sejam eles os autores da lead (ou "lide") de parte da grande imprensa.
No de Esquerda em Esquerda
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Charge online - Bessinha - # 1194

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