16 de abr de 2012

Uma Onda no Ar

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Portugueses do grupo Ongoing compram portal iG

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom
Contrato será assinado nesta segunda feira; empresária Maria Alexandra Vasconcellos controla ainda os jornais Brasil Econômico, Marca e Meia Hora; leia entrevista recente publicada no 247
Depois de uma arrastada novela, em que o portal iG foi oferecido a grupos como RBS e Yahoo, além do banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, o martelo parece ter sido batido com o grupo português Ongoing, que, no Brasil, é dono dos jornais Brasil Econômico, Marca e Meia Hora. Controlado pelo empresário português Nuno Vasconcellos, no Brasil ele é comandado por sua esposa Maria Alexandra Vasconcellos, para atender à legislação brasileira que veda o controle de meios de comunicação impressos por estrangeiros – na internet, não existe a restrição.
O contrato entre o Ongoing e o iG deve ser assinado nesta segunda-feira e abrirá a quarta etapa do portal de internet. Ele foi criado pela Brasil Telecom, quando a empresa era comandada pelo banqueiro Daniel Dantas, que confiou o comando editorial ao jornalista Matinas Suzuki, ex-Folha de S. Paulo. Quando Dantas foi destituído da Brasil Telecom e a empresa foi assumida pelos fundos de pensão, o iG passou a ser editado sob a influência do ex-ministro Luiz Gushiken, que convidou jornalistas como Paulo Henrique Amorim, Luiz Nassif e Ricardo Kotscho. A terceira etapa ocorreu após a compra da Brasil Telecom pelos empresários Carlos Jereissati e Sérgio Andrade, da Oi, que entregaram o comando a Eduardo Oinegue, ex-Veja.
Oinegue saiu no ano passado, depois de ter montado uma estrutura de custos muito pesada. E há tempos a Oi vinha buscando um comprador. Com o grupo Ongoing, o iG terá sua quarta chance de se consolidar como um prestador relevante de informações jornalísticas. O grupo Ongoing é acionista da Portugal Telecom, que, por sua vez, faz parte do bloco de controle da Oi.
Leia, abaixo, entrevista recente de Maria Alexandra Vasconcellos publicada no 247:

“Não podemos manipular as informações”

Por Eder Fonseca
Para alguns, ela é considerada a nova Niomar Muniz Sodré (ex-controladora do "falecido" jornal Correio da Manhã). Para outros, ela é nova Condessa Pereira Carneiro (a lendária manda-chuva do Jornal do Brasil ), mas ela diz não estar preocupada com esses rótulos. Maria Alexandra Vasconcellos, presidente do Grupo Ejesa - dona, dos títulos 'Brasil Econômico', 'Marca Brasil', 'Meia Hora' e 'O DIA' - quer que os seus veículos sejam vistos como bastiões de referência e credibilidade no atual mercado midiático brasileiro.
Casada com o poderoso empresário português Nuno Vasconcellos, que desde 2004 é o presidente da Ongoing Strategy Investments, uma gigantesca holding que têm tentáculos em negócios tão diversos como mídia, telecomunicações, tecnologia, imobiliário e serviços financeiros, ela diz que a liderança dos seus jornais no Brasil será a consequência de trabalho permanente na qualificação dos mesmos e investimentos pesados em sua equipe de profissionais, em tecnologia e crescimento da economia nacional (a qual fez grandes elogios).
Dois momentos em especial chamam a atenção na entrevista que virá logo a seguir. O primeiro foi quando comentamos que os críticos enxergam no jornal 'Meia Hora' um novo 'Notícias Populares'(um dos mais sensacionalistas do seu tempo). Ela respondeu categoricamente que os 187 mil exemplares diários que a publicação vende e o retorno dos leitores já é a resposta para todos os tipos de questionamento. A resposta também foi firme quando perguntada se a Ejesa sofre perseguição do Ministério Público, que sempre levanta dúvidas sobre a entrada do grupo no país, acusando-o de romper a cota destinada a estrangeiros na mídia nacional (em referência clara ao seu marido, que para os mesmos, seria o verdadeiro nome por trás da empreitada), dizendo que isso se dá por alguns não acreditarem ainda que uma mulher pode gerir um grande negócio. Acompanhe agora os pensamentos da nova dama da mídia.
Panorama Mercantil - Muitos dizem que a senhora se tornará, em breve, a mulher mais poderosa da mídia brasileira, uma mistura de Niomar Muniz Sodré com Condessa Pereira Carneiro. Alimenta essa ambição?
Maria Alexandra Vasconcellos - São duas mulheres e jornalistas importantes para a história do Rio de Janeiro e do Brasil. Fico honrada por ser comparada a elas. Porém, são tempos e realidades diferentes. Niomar Muniz Sodré teve um papel importantíssimo na época da ditadura, com a campanha a favor dos direitos dos presos políticos. Comandar um jornal em plena ditadura e contestá-la é uma atitude corajosa e louvável. Já a Condessa Pereira Carneiro revolucionou o Jornal do Brasil após a morte do marido, o conde Pereira Carneiro, transformando o veículo na década de 50 em um modelo de jornalismo moderno. Infelizmente. Ambos acabaram sendo fechados ou transformados em exclusivamente online. Com certeza é uma perda para a história da comunicação brasileira e da cidade do Rio de Janeiro. Não alimento essa ambição de ser a mulher mais poderosa da mídia brasileira, quero apenas fazer meu trabalho com ética e excelência. Investir na qualidade dos jornais da Ejesa - Brasil Econômico, Marca Brasil, Meia Hora e O DIA -, tornando-os cada vez mais veículos de referência e credibilidade.
Panorama - Mino Carta disse que a bagagem cultural e intelectual dos jornalistas brasileiros é medíocre, se comparada com a dos europeus. A senhora que vive entre o eixo Portugal-Brasil tem a mesma visão?
Vasconcellos - Estudei no Brasil até meus 15 anos, no Colégio Santa Marcelina, no Rio de Janeiro, que é uma das melhores escolas brasileiras. Quando me mudei para Portugal, não tive nenhum problema para acompanhar as aulas. Fui muito bem preparada pela escola brasileira. Porém, sei que a realidade atual da escola pública do Brasil é diferente. Ainda é preciso investir muito para dar acesso a uma educação de qualidade para todos no país. A bagagem cultural e intelectual de uma pessoa não é formada apenas por sua educação familiar e escolar, mas também por sua vivência e olhar de curiosidade para todo e qualquer acontecimento, seja no campo cultural, histórico ou político-econômico. Não acredito que a bagagem cultural e intelectual dos jornalistas brasileiros seja medíocre. Mas infelizmente sabemos que no Brasil em geral ainda há uma defasagem muito grande no acesso à informação, no incentivo à cultura e na simples leitura de um livro ou jornal. O estudo "Retratos da Leitura no Brasil" de 2010, por exemplo, mostra que apenas 55% dos brasileiros leem, ou seja, 95 milhões de pessoas. Um número muito baixo comparado aos 190 milhões de brasileiros.
Panorama - A senhora é contra ou a favor da obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão e por que chegou a tal conclusão?
Vasconcellos - Na Ejesa, procuramos sempre contratar jornalistas diplomados. Acreditamos sim que a faculdade dá a base que o jornalista precisa para depois se desenvolver na prática. Muito do conhecimento adquirido no ensino superior, as amizades e as trocas de ideias entre seus pares são fundamentais na formação e na direção que seguirá o profissional. O contato com as teorias da comunicação, política, economia, ética e filosofia permitem ao estudante ampliar sua visão sobre a área e entender melhor o papel do jornalismo, seus deveres e obrigações. Mas acredito que só a faculdade não forma o profissional. É preciso a união de diversos fatores: o estudo, o conhecimento, a bagagem cultural e intelectual, a vontade de crescer, a ética, entre outras tantas características importantes.
Panorama - O que um dono de um grande grupo de comunicação precisa para sobreviver no mercado e resistir às tentações e aos achaques do poder político e econômico?
Vasconcellos - Os donos dos grupos de comunicação não podem sofrer nenhum tipo de pressão política e econômica, esses são princípios fundamentais para a liberdade de expressão. Prestamos um trabalho para a sociedade, que é informar. Não podemos manipular as informações ou deixar de informar um fato por pressão externa, nem interna. O principal bem que os jornais têm é a sua credibilidade. Trabalhamos com informação, portanto credibilidade e ética são fundamentais para manter viva a liberdade de imprensa.
Panorama - Muitos acusam os grupos RBS, Folha da Manhã, Organizações Globo, Editora Abril e Estado de terem formado um oligopólio na mídia nacional. A senhora concorda com essa afirmação?
Vasconcellos - Não diria oligopólios, mas sabe-se que no Brasil a imprensa é formada por grandes grupos familiares. E a chegada da Ejesa balançou um pouco as estruturas ao fazer investimentos no setor como há muito tempo não se via. A formação de oligopólio é prejudicial para a população e à liberdade de imprensa, primeiro pela concentração dos veículos nas mãos de poucos grupos de mídia, segundo pela massificação das informações, que acabam muito parecidas, por seguirem o padrão da organização que pertence.
Panorama - Recentemente uma das maiores publicações do planeta, o britânico The Guardian, afirmou que irá priorizar o online. A senhora acredita que estamos caminhando para o fim dos jornais impressos?
Vasconcellos - Eu acredito que as publicações impressas não deixarão de existir. Pelo menos por enquanto. Há um caminho longo a ser trilhado antes da abolição dos impressos. Em alguns países, realmente, a circulação de jornais e revistas está caindo rapidamente. Mas num país como o Brasil, que tem dezenas de milhões de novos consumidores entrando no mercado, acredito que a informação de qualidade continuará sendo um produto muito valioso. E temos total consciência de que grande parte desses novos milhões de consumidores não vão consumir informação no papel. Mas independentemente da plataforma que utilizamos, somos uma empresa jornalística. Nosso negócio é gerar conteúdo de qualidade, com rigor jornalístico e credibilidade para ser distribuído nas melhores plataformas para os leitores, não importa qual seja. A plataforma online facilita imensamente o acesso às notícias, o que tende a aumentar o consumo dos veículos de comunicação. Por isso, investimos pesado em novas plataformas digitais para distribuir nossos conteúdos. Em São Paulo, no Brasil Econômico, as duas plataformas já produzem conteúdos no mesmo ambiente. A nova sede no Rio vai reforçar essa experiência. As pessoas sempre vão querer e precisar de informação. Estamos preparados para produzir e entregar informação onde, quando e como elas quiserem. A Ejesa é uma empresa de conteúdo jornalístisco independentemente do canal que é utilizado para a leitura.
Panorama - O jornal Meia-Hora, do grupo que a senhora dirige, é visto pelos críticos como popularesco e sensacionalista. Enfim, um desserviço ao jornalismo, um novo Notícias Populares. A senhora se irrita com essa afirmação?
Vasconcellos - Preocupo-me apenas com o que o público leitor do Meia Hora acha da publicação. Usamos as publicações da Ejesa para levar a notícia de interesse para nossos diversos leitores e comunicamos com a linguagem que cada um mais se identifica. A tiragem é de, em média, 187 mil exemplares diárias do jornal (IVC) e o retorno que temos de nossos leitores já é a resposta do Meia Hora para quem acredita que o veículo é um desserviço.
Panorama - Nós temos ainda um número baixo de leitores de jornais, comparando a nossa nação com outros países de menor porte populacional, como a Argentina e o Chile. O que a senhora considera ser o fator-chave para que isso venha a mudar?
Vasconcellos - O Brasil vive um bom momento econômico, apesar da crise mundial, e nossa expectativa é que esse crescimento seja impulsionado ainda mais com a Copa do Mundo (2014) e as Olimpíadas (2016). Uma consequência desse bom momento econômico é o crescimento da renda do brasileiro. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), do início de 2003 até maio de 2011, 48,7 milhões de pessoas entraram nas classes A, B e C no Brasil, quase a população da Espanha. Além disso, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), nestes últimos 10 anos dobrou o número de brasileiros que frequentam cursos superiores. Esses são fatores que costumam contribuir para o crescimento no número de leitores de jornais. Num país como o Brasil, que tem dezenas de milhões de novos consumidores entrando no mercado, acredito que a informação de qualidade continuará sendo um produto muito valioso. E, como disse anteriormente, temos total consciência de que grande parte desses novos milhões de consumidores não vão consumir informação no papel. Por isso, investimos pesado em novas plataformas digitais para distribuir nossos conteúdos.
Panorama - A senhora acredita que o grupo Ejesa sofre perseguição do Ministério Público Federal por ter a ousadia de enfrentar o 'status quo' da comunicação, e emendando, esse 'status quo' tem medo do capital estrangeiro?
Vasconcellos - A Ejesa cumpre a legislação brasileira no que diz respeito ao limite da participação de grupos estrangeiros em empresas de comunicação. A empresa já demonstrou isso ao Ministério Público, que após um cuidadoso procedimento de mais um ano, recomendou o arquivamento do caso. Muito me admira que num país como o Brasil, que acaba de eleger a primeira presidente mulher, ainda se questione a competência e o poder de gestão das mulheres. Eu sou dona da Ejesa e presidente do conselho de administração e tenho muito claro para onde quero levar os jornais que publicamos. E se tem algo que um bom gestor sabe bem é que uma empresa, qualquer que seja, não é feita de uma só pessoa. É feita de várias pessoas. No nosso caso, além de mim, a Ejesa é composta por uma equipe de administradores e de jornalistas altamente competentes e qualificados, que procuram constantemente por inovações, que levem aos nossos leitores as formas mais modernas de leitura, além do melhor conteúdo de negócios, de informações gerais e de esporte.
Panorama - Como está vendo os primeiros meses do Governo da presidenta Dilma Rousseff?
Vasconcellos - Tenho muito esperança de que a primeira mulher do governo brasileiro mostrará ao País e ao mundo o poder e a competência que temos para gerir uma empresa ou um país. A presidente Dilma Rousseff herdou um ótimo cenário econômico, com bons indicadores de emprego e renda da população. Recebeu ainda um País que virou o foco do mundo com a realização dos dois maiores espetáculos esportivos do planeta (Copa e Olimpíadas). Ou seja, Dilma recebeu um Brasil dentro de um contexto inicial bastante diferenciado em comparação a seus antecessores. Em geral, podemos dizer que o balanço desses primeiros meses de governo é bastante positivo. A presidente imprimiu um jeito próprio de governar. Conseguiu mostrar personalidade na hora de governar o país e descolar de seu padrinho político Luis Inácio Lula da Silva. Dilma adotou também uma mudança da postura do Brasil em relações internacionais, como no caso do Irã, e vem encarando com pulso firme os escândalos de tráfico de influência e de corrupção em parte de seus ministérios. Sabe-se, claro, que o cenário mundial não é dos mais promissores. As crises em todas as grandes economias mundiais estão trazendo insegurança para a população em geral e podem refletir no Brasil. Por isso, a presidente tem a frente enormes desafios relacionados a política econômica, taxas de juros e de câmbio, entre outros. Mas acredito sim que o Brasil está preparado para enfrentar a situação e principalmente que a presidente Dilma tem em suas mãos as ferramentas necessárias para fazer um grande governo. Basta continuar firme em suas convicções.
Panorama - A senhora se cobra muito para levar os jornais Brasil Econômico e O Dia à liderança em seus respectivos mercados?
Vasconcellos - Cobro-me para levar um produto de qualidade ao meu leitor. É claro que quero que meus jornais cheguem à liderança e trabalho muito para isso. A liderança será a consequência de trabalho permanente de qualificação dos nossos jornais e investimento na nossa equipe de profissionais, em tecnologia e crescimento da economia.
Panorama - Por que os veículos de comunicação no Brasil não dizem para os seus leitores quais são as suas preferências no campo político, como fez o jornal O Estado de S.Paulo, apoiando na eleição passada o candidato do PSDB José Serra, já que em outras partes do mundo isso é normal e legítimo?
Vasconcellos - O papel da mídia é informar. A mídia precisa ser um lugar de debate, de fomento de opiniões diversas. O jornalismo não deve ser partidário.
Panorama - O grupo Ejesa pretende ter um canal de televisão em rede aberta, para disputar com Record, Globo, SBT e Band a preferência dos telespectadores?
Vasconcellos - Neste momento, a Ejesa está focada em seus produtos. Esse ano, O Dia mudou-se para uma nova sede, que possibilitou a integração entre a redação impressa e online e o jornal Marca.BR passou a se chamar Marca Brasil, pois mantêm uma maior integração com o Marca da Espanha. Estamos focando nos produtos existentes. Investimos em dispositivos móveis para o Brasil Econômico, com o lançamento da versão para iPad e iPhone. A empresa estuda frequentemente novas oportunidades, mas no momento não há novos projetos definidos.
Conteúdo publicado no portal Panorama Mercantil
No Brasil 247
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Os truques na edição jornalística

Deu na telha, após ler um comentário no Nassif de enumerar situações que acontecem no telejornalismo da Rede Globo. Como estamos falando do Poder da velha mídia vou postá-las aqui. Foram feitas de lembranças e a partir das ideias difundidas aqui no Blog e em outros blogs e portais da "mídia alternativa". Falta muita coisa, mas creio que vale postar.
A seletividade da denúncia e da informação na Rede Globo sempre existiu. (Eu não assisto mais a Rede Globo).
Métodos básicos, que sempre assisti nos seus telejornais (lembrando-me, de memória, do tempo em que assistia com meu pai, já falecido, e em locais públicos, onde acabo assistindo a Rede Globo, porque está a TV ligada no canal):
1. Seleção. Corrupção no Governo, hospitais públicos com pessoas em leitos nos corredores, obras superfaturadas, etc. só existem, praticamente, nos Governos que ela não apoia; Os telejornais da Rede Globo selecionam os estados das matérias. Quanto mais perto das eleições mais evidente fica este modo de agir. Elogios são para administrações do DEM, PSDB, PPS e demais opositores do Governo Federal. Toda a reportagem negativa está situada em um Estado que ela não apoia ou na técnica de mostrar problemas em obras ou estabelecimentos "FEDERAIS" no Estado oposicionista.
Na eleição passada, vendo o Jornal Nacional, próximo do dia do voto, observei uma reportagem, apontando problemas estruturais no Hospital São Paulo da capital paulista, ele é administrado pelo Governo federal, pois, pertence à Unifesp - Universidade Federal de São Paulo. Fica a impressão de que a Rede Globo faz reportagens investigativas, denúncias em todos os estados e que só se encontram erros em obras e estabelecimentos do Governo Federal no Estado de São Paulo.
1.1. Seleção do comentarista. Todo comentarista e especialista defende a mesma posição. A emissora tem um grupo de pessoas, que revezam nos seus microfones. Eles aparecem umas 8, 10 vezes ao ano, para dar uma disfarçada. No Jornal Nacional, de vez em quando via um Economista, homem de estatura média para alta, utilizava óculos, cabelo branco, peso normal e fala mansa. Vinha para dar respaldo a toda tese econômica da emissora.
1.2. Seleção da pergunta. Todo apresentador e repórter tem um tipo de pergunta e de atitude para com o entrevistado. Se for seu aliado, ameniza todas as críticas e faz perguntas para "encher a sua bola". Se tiver outro pensamento político, aterroriza nas perguntas, não dá trégua ao entrevistado e busca emparedá-lo.
Em 2010. É só lembrar o tratamento dado pelo JN e seus apresentadores, nas entrevistas da campanha eleitoral. A DILMA quase foi fuzilada pelo apresentador e o SERRA parecia íntimo da casa.
1.3. Seleção do momento de exposição. Alguns políticos, opositores às ideias da emissora, tem vez e voz na Rede Globo, em determinados momentos.
Se surgir uma denúncia contra o Governo Federal, um político da extrema-esquerda pode ser entrevistado, para falar mal do Governo. Não para expor suas ideias, estas não possuem espaço nos microfones da emissora.
Se for útil, em determinado momento, a exposição de um político e suas ideias, de um movimento social contrário às suas ideias, a emissora aceita sua presença diante de seus microfones, e depois, ao bel-prazer a emissora colocará o político ou o movimento social em total descrédito, como é o caso do MST, que do nada ficou, respeitado e conhecido no Brasil todo, por uma novela e foi para as páginas policiais da emissora algum tempo depois.
Como é o caso da Marina Silva e da Heloísa Helena, espécies de "quarentena" da emissora para atacar seus opositores, por terem saído do PT, seus adversários máximos, segundo a lógica da emissora. Quando precisaram delas para atacar o Governo LULA foi só tirá-las da quarentena e colocar na caixa de entrada. Depois, é só jogá-las na quarentena novamente. Marina Silva, que teve até suas ideias políticas veiculadas, para tirar votos de Dilma Rousseff em 2010.
2. Omissão. Quando existe uma denúncia grave de corrupção no Governo, seu aliado, diz-se o nome do denunciado, mas se evita falar a sigla partidária; ou simplesmente, ignora-se o fato. E ainda, se acusam envolvidos, o Governante é poupado; já na corrupção dos seus opositores, o Governante opositor, tem partido e é suspeito de prevaricação.
Certo dia no Jornal local da noite, assisti no médico, houve duas reportagens distintas, com dois prefeitos que foram pegos em atos ilícitos. Um recebia propina, outro não prestara socorro a vitima que atropelou e, ainda, tentou subornar o delegado para sair da cadeia. O prefeito da propina era do PMDB (a reportagem veio antes e o apresentador do telejornal falou a sigla do partido); o da omissão de socorro não foi dito o partido dele. Como sou curioso e atento eu fui à internet e vi, era do PSDB. PMDB - aliado do Governo Federal; PSDB - oposição.
Obras inauguradas da oposição têm partido, belas imagens, sorrisos e discurso; quando é do Governo federal geralmente a Globo não anuncia, como foi o caso da criação do SAMU 2003, em que mostraram o LULA em uma fábrica automotiva do ABCD paulista discursando, mas não disseram o que ele tinha ido fazer lá: criar o SAMU; ou no caso da inauguração em SUAPE, Pernambuco, do Petroleiro Almirante Negro, um momento histórico de recuperação da Indústria Naval brasileira, que não foi motivo de reportagem para a Rede Globo.
3. Edição. Escolha de imagens para ilustrar um ponto de vista da emissora. Subjetividade e propaganda subliminar. A técnica dessa emissora é apurada.
Lembro-me da eleição de 1989, onde, na véspera da eleição, colocaram a imagem do Collor sentado em uma poltrona de couro, dentro de uma biblioteca, lendo um livro; e colocaram a imagem do LULA jogando bola na rua com o filho. Mais editado impossível, aquele era homem culto, preparado, este, um ignorante, que ocupa seu tempo livre jogando bola e pouco preocupado com o cargo que pleiteava de Presidente da República.
Na última eleição, calhou de estar na padaria comendo pizza, bem na hora do JN. E era uns três dias antes da eleição. Outra edição. Aparecia a DILMA toda suada em cima de uma caminhonete, de baixo de um Sol enorme - parecia uma pessoa desesperada a caça de votos; enquanto isso o SERRA aparecia numa moderna sala de reuniões, discutindo "questões importantes" com uma bela assessora, se não falha a memória, sobre o escândalo da licitação combinada do metrô. Moral da história, idêntica a de Collor e de LULA - o SERRA com a imagem de quem decide as coisas, um homem preparado, sábio e sanando questões de corrupção; a DILMA, em desespero, buscando um último suspiro para ganhar alguns votos, uma candidata derrotada.
4. Divisão. Outro truque da Rede Globo é o truque da divisão. Ela coloca o Brasil, quando não gosta de uma decisão do Governo Federal em âmbito internacional, ao lado dos países que ela considera ser ditaduras, sempre as mesmas: Cuba, Venezuela e Bolívia (principalmente) mais o Irã, país da Ásia. Em um assunto que casa as posições desses três países e a do Brasil, dá-lhe divisão. De um lado a Europa, os Estados Unidos e o Japão; do outro o Brasil e as supostas ditaduras.
Pense em qualquer tema: o Irã e a bomba atômica. Quando o Brasil, no Governo LULA, defende que o Irã poderia utilizar a energia nuclear para fins pacíficos, fomos colocados no grupo dos países que defendem ditaduras e citaram os três países de sempre, como, também, partidários do direito do Irã utilizar do enriquecimento do urânio para a produção de energia nuclear. Nesse truque existe a omissão inclusa. Países como Israel, já possuem, até a bomba atômica, e são uma ameaça à paz no Oriente Médio, e não existe nenhuma menção do fato e grita para com eles, talvez, porque são aliados dos Estados Unidos.
É clássico o que vou dizer: em países da África e a da Ásia há ditaduras, se forem aliados os Governantes aos Estados Unidos, mesmo que seja uma ditadura sanguinolenta, a Rede Globo não coloca estes países no grupo seleto das ditaduras, omite ou fica do lado do Ditador.
E a técnica da divisão tem o truque da não citação. Se países de distintas bandeiras políticas possuem uma posição semelhante em determinado assunto e a Rede Globo tem outra, se calhar de fazer uma reportagem dirá assim: Brasil, Cuba, Venezuela, Grécia (está caindo pelas tabelas, inclui para dar um ar de diversidade) são favoráveis; Japão, EUA, Dinamarca são contrários. Só que no grupo em que se encontra o Brasil, podem estar: França, Alemanha, Canadá e a Rede Globo engambela quem assiste o seu telejornal, omitindo a informação. Fica sempre parecendo que o Governo do PT está do lado de ditaduras e/ou de países subdesenvolvidos.
5. Acusação. A emissora decide fazer uma acusação grave contra uma pessoa, partido político, etc.
Exemplo: um Ministro de Estado. O acusado se tem direito de resposta, não é o último a falar. Vem depois dele a personalidade que respalda a acusação. Geralmente, colocam um político da oposição. As figuras "carimbadas" - os "supostamente" paladinos da moralidade e incorruptíveis, de sempre, aqueles políticos que vivem dos holofotes da mídia, para referendar a matéria acusativa. O acusado, por exemplo, de corrupção, está, quase sempre, numa pose desesperada e quem respalda a notícia (o último a falar) muitas vezes aumenta a voz e diz: - são fatos gravíssimos e devemos apurar o mais breve possível! Já parece, de antemão, o julgamento final e a culpabilidade do acusado.
6. Reputação. É clássico na emissora o derrubar de reputações por interesses escusos. Eles dão aos seus opositores políticos um tratamento desrespeitoso.
Quando quiseram atingir o Governo Dilma, as ONGs e por tabela o PCdoB, dá-lhe atacar o Ministro Orlando Silva por todos os lados, sem nenhuma prova contundente. É interessante, que jogam a reputação da pessoa, partido político, país, etc. no chão, sem o menor constrangimento. E qualquer acusado fica marcado como corrupto e mesmo que consiga provar sua inocência e honestidade a Rede Globo não faz nenhuma retração pública.
No quesito reputação é praxe se dizer: Fidel Castro, Evo Morales, Hugo Chaves são uma ameaça para a Democracia. Insistem, nos mesmos inimigos, dia e noite. E vivem propalando que qualquer tentativa de se buscar uma moralização da profissão de jornalista em suas redações, tendo um código de ética e conduta, uma Lei que garanta ao acusado, o direito de resposta às acusações; que as reportagens se pautem pela verdade dos fatos; que sejam realizadas de uma maneira correta, sem ilicitudes, com o equilíbrio da informação, não tendendo a mostrar a ilicitude só de seus opositores seria um cerceamento à liberdade de expressão e uma afronta à Democracia.
7. Investigação. Quando um político opositor aos seus interesses é acusado de algo, imediatamente a Rede Globo repercute, investiga e condena de antemão; mas quando se trata de um aliado político ela não condena, de antemão, e coloca alguém para falar: - só ao término do inquérito policial, do Processo na Justiça é que poderemos dizer se o Réu é culpado ou inocente.
Geralmente, a emissora, desqualifica a denúncia e dá toda voz do mundo para o acusado se defender.
8. Postergação. Um fato de relevância pulula no país e investigações e mais investigações acontecem. A população toma partido e fica do lado da oposição às suas convicções e parceiros, a Rede Globo finca o pé nas suas convicções até o instante que não dá mais para segurar, então, ela posa de partícipe da causa defendida pela população, a um bom tempo.
Nas Diretas Já e no impeachment do Collor demorou a estar do lado vencedor. E será assim, na CPI do Cachoeira. Quando ela sentir que não dá mais para defender o indefensável, irá posar de defensora da verdade desde o limiar do fato e execrar os culpados, que até bem pouco tempo, eram defendidos ardorosamente.
9. Criação. Uma ideia, um personagem é criado no decorrer do tempo. Os dois, ideia e personagem caminham juntos.
A. Vai sendo moldada uma ideia: a do Mensalão do PT, do PT criador de dossiês contra a oposição, etc. Ideia - mensalão, personagem - PT.
B. Vai sendo moldado um político: Collor, o caçador de marajás; Serra, o grande gestor, criador dos medicamentos genéricos, etc. Ideia - Caçador de marajás, personagem - Collor. Ideia - grande gestor, personagem - serra.
9.1. Apartação. A ideia e o personagem podem ser abandonados no decorrer dos meses, anos.
Exemplos clássicos de apartação: o caso do senador Demóstenes Torres e do ex-governador José Roberto Arruda, além do ex-presidente Fernando Collor. Do nada, a intimidade da emissora com o personagem desaparece e o mesmo some de seus holofotes. Parece que o personagem só serve para garantir os interesses de momento da emissora, são como robôs, descarta-se se tornar obsoleto. E ao haver a apartação, outro personagem ocupa o espaço daquele que não serve mais à emissora.
10. Diferenciação. Tratamento desigual para situações semelhantes. Cai um enorme temporal com várias vítimas fatais, em dois estados distintos, um de seu aliado político outro de um opositor às suas ideias. O tratamento é diferenciado.
Em 2010 choveu uma barbaridade na cidade de São Paulo e na cidade de Niterói. Em São Paulo, o governador sequer apareceu para dar entrevistas, visitar os locais afetados, após as enormes enchentes nas avenidas marginais e outros locais. A Rede Globo culpou as chuvas torrenciais e a população pelas enchentes, por jogar lixo nas ruas. A emissora não exigiu do governador, seu aliado, explicações para o ocorrido e nem reclamou de sua conduta, um tanto estranha, de se esquivar de ir aos locais afetados.
Já na cidade de Niterói que fica no Estado do Rio de janeiro, o governador do Estado, opositor da Rede Globo, foi acusado dos transtornos, das enchentes e das mortes ocorridas, naquele ano, por exemplo, no Morro do Bumba, onde aconteceu grande tragédia. Foram pedidas explicações imediatas para ele das chuvas e não se utilizou em defesa do governador do Rio de janeiro, a quantidade de chuvas e nem o lixo jogado pelos moradores da cidade, bem como a população não foi considerada culpada.
No Rio de janeiro parecia um jornalismo policialesco, o fato ocorreu pelo descaso do poder público. Em São Paulo, a culpa foi de São Pedro.
Aqui cabe o tratamento desigual da notícia e do acusado. Os 3 mil reais de propina do Waldomiro valem muito mais que os 1,4 bilhões de reais desviados da Sudene no governo FHC, seu aliado, e o primeiro caso, merece muito mais apuração, mais reportagens da emissora, só pelo fato de ser uma corrupção que pode incriminar e desmoralizar seus opositores.
11. Desqualificação e inversão. Se surge uma notícia (denúncia) que não seja favorável aos seus aliados de momento, a emissora corre logo para desqualificar a denúncia e provar que não é verdade o que está sendo denunciado. A Rede Globo pode até inverter a situação, acusar quem fez a denúncia e provar a inocência do denunciado.
Na Operação Monte Carlo está bem claro este processo. Pegaram o deputado Protógenes Queiróz e começaram a acusar a pessoa que primeiro quis investigar numa CPI o Cachoeira e suas ilicitudes e tentaram incriminá-lo como parte integrante do grupo do contraventor.
11.1. Desqualificação com mudança de foco. Se surge uma notícia (denúncia), impossível de ser contestada, muda-se o foco das reportagens da emissora e aparecem denúncias outras, envolvendo seus opositores.
Na Operação Monte Carlo está bem claro, também, este processo. deputado Protógenes, Governo Federal, Governo do PT do Distrito Federal, Governo do PMDB do Rio de janeiro são colocados no meio das denúncias, enquanto os agentes principais são esquecidos. Fica a impressão de que políticos de todos os partidos estão envolvidos com as ilicitudes do Carlinhos Cachoeira.
Se não tem como envolver seus opositores na denúncia com provas robustas, cria-se outra denúncia explosiva, mesmo sem prova alguma, e centram todas as reportagens nela. Até o esquecimento, quase total, da denúncia com provas robustas.
Alexandre Tambelli
No Advivo
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Gustavo Fruet usará essa foto em sua campanha para Prefeito de Curitiba?


Imagens que mostram o momento em que o ruralista Alessandro Meneghel mata o policial federal Alexandre Drummond Barbosa


Declaração do então candidato a governador Beto Richa (PSDB), em mensagem gravada no final de julho de 2010, e exibida no lançamento da candidatura do ruralista Alessandro Meneghel: "O Alessandro [Meneghel] está preparado para ser um grande representante da região Oeste na Assembleia Legislativa. A experiência do Alessandro foi construída sobre os alicerces da coragem, da ousadia e da coerência. Alessandro já enfrentou com muita energia aqueles que se colocam contra a paz no campo e contra os interesses da sociedade paranaense. Como amigo e aliado político, quero dizer que o Alessandro vai caminhar junto com a gente na campanha eleitoral deste ano. Boa sorte, Alessando, e vamos em frente"
Deputado Eduardo Sciarra (ex-DEM, hoje PSD): "Quem é o Alessandro Meneghel? É o cara que botou o MST pra correr. A pessoa do bem lutando contra aqueles que querem se apossar do que não é seu"
Deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS): "Por que foi importante o combate à quadrilha do MST e a quadrilha que o Lula comanda? Porque ela rouba sonhos [...] Vamos a 40 mil votos para eleger Alessandro Meneghel deputado estadual"

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Novas gravações ligam Judas a Cachoeira

FOZ DO IGUAÇU - Historiadores da Polícia Federal divulgaram interceptações telefônicas que ligam o crupiê Carlinhos Cachoeira a Antonio Conselheiro, Judas Iscariotes, Calabar, Policarpo Quaresma, Dick Vigarista, Galvão Bueno e Mun-Ha. "A influência de Cachoeira não é cascata. Precisamos atualizar os livros escolares. Isso será feito assim que elucidarmos as relações entre o meliante e Pedro de Lara", explicou o professor Joel Lindomar. Em seguida, ponderou: "Mas a influência do cidadão não é totalmente negativa. Nosso departamento de economia calculou que a conta de telefone de Cachoeira elevou o PIB em 2 pontos percentuais".
Imbuído da nobre missão de levar a seus milhões de leitores informações ágeis e independentes, este piauí herald antecipa a seguir, em furo histórico, algumas das principiais denúncias que cercam nosso personagem.
Em conversa interceptada na costa da Itália, Cachoeira conversa com o capitão Schettino: "Pode chegar mais perto aqui da margem, deixa de ser cagão. Aliás, duvido você dar um cavalo de pau", provocou o empresário, enquanto apostava na roleta.

"Garanto que o nome do país é Estados Unidos do Brasil. Acabei de checar num livro didático revisado pelo Ministério da Educação", disse, de forma enfática, o bicheiro, enquanto blefava no pôquer
"Mas não vai dar problema?", perguntou José Dirceu. "Claro que não. O Brasil te adora. Não é por causa de uma mesadinha que o povo vai te sacrificar", respondeu Carlinhos, enquanto sonhava com um pintassilgo para jogar no bicho.
Decidido, Cachoeira ligou para Napoleão e foi enfático: "Leva todo mundo para Waterloo. Não tem erro", previu, enquanto jogava pinball.
"Julio, pode ir pro Senado sem problemas", avisou Cachoeira. "Brutus tá aqui do meu lado garantindo que vão te tratar super bem". Em seguida, comprou uma raspadinha.
"Deu na revista Quatro Rodas. O Fiat Elba é a melhor relação custo x benefício", arrematou Cachoeira numa conversa interceptada com Fernando Collor. No dia seguinte, convidou PC Farias para uma disputa de porrinha
No The i-Piauí Herald
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O Diário do Inferno

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Ditador argentino admite que matou “sete ou oito mil pessoas”

O ditador argentino Jorge Rafael Videla admitiu que matou “sete ou oito mil pessoas” durante a ditadura civil-militar. Friamente, o ditador, hoje preso, afirmou que as vítimas estavam detidas ou sequestradas e que fez desaparecer seus restos “para não provocar protestos dentro e fora do país”. “Cada desaparição pode ser entendida certamente como a maquiagem, ou dissimulação de uma morte”, diz Videla em um livro do jornalista argentino Ceferino Reato.
O relato é cru, mas esclarecedor. O ditador argentino Jorge Rafael Videla admitiu que matou “sete ou oito mil pessoas” durante a ditadura. Friamente, o ditador, hoje preso, afirmou que as vítimas estavam detidas ou sequestradas e que fez desaparecer seus restos “para não provocar protestos dentro e fora do país”. “Cada desaparição pode ser entendida certamente como a maquiagem, ou dissimulação de uma morte”. Estas declarações estão incluídas no livro “Disposição Final, a confissão de Videla sobre os desaparecidos”, do jornalista argentino Ceferino Reato, publicadas nesta sexta-feira (13) pelo jornal La Nación, da Argentina.
Segundo o La Nación, o repressor descreve de forma detalhada o “método” utilizado durante a repressão ilegal, justifica o uso da tortura e destaca a influência da “Doutrina Francesa” usada na Argélia, na luta contra as guerrilhas.
"Não havia outra solução, (os militares) estávamos de acordo em que era o preço a pagar para ganhar a guerra contra a subversão e necessitávamos que não fosse evidente para que a sociedade não percebesse. Havia que eliminar um conjunto grande de pessoas que não podiam ser levadas à justiça nem tampouco fuziladas", afirmou o ditador.
Organismos de Direitos Humanos afirmam que o número de desaparecidos por ação da ditadura cívico-militar na Argentina corresponde a 30.000 pessoas.
No livro, de próxima distribuição, Videla afirma que fez desaparecer corpos de pessoas mortas em tiroteios, como o do chefe do Exército Revolucionário do Povo (ERP) Mario Santucho, porque "era uma pessoa que gerava expectativas; a aparição desse corpo ia dar lugar a homenagens, a celebrações. Era uma figura que devia ser apagada". Sustenta também que a reação da ditadura não estava relacionada com uma “Solução Final”, mas com “Disposição Final”, diz Videla.
O repressor sustenta que as pessoas que “deviam morrer” para ganhar a guerra contra a subversão o foram por sua preparação militar e ideológica. Enfoca seu relato no Exército Revolucionário do Povo (ERP), a quem aponta como “mais inimigo que os Montoneros”. “Era algo alheio, outra coisa. Os Montoneros guardavam algo de nacionalismo, catolicismo, do peronismo com o qual havia nascido”, afirma.
O livro inclui testemunhos de outros chefes militares, guerrilheiros, políticos, funcionários e sindicalistas que permitem reconstruir o contexto histórico no qual Videla e suas tropas decidiram tomar o poder, no dia 24 de março de 1976, e matar e fazer desaparecer os restos dos milhares de pessoas às quais consideravam “irrecuperáveis”.
Com respeito ao destino final dos desaparecidos, Videla sustenta que “não existem listas definitivas, apenas algumas parciais e desorganizadas”. Esta é a segunda vez que o ditador Videla se refere midiaticamente aos desaparecidos. Em dezembro de 1977, frente à conferência de imprensa que procurava resposta sobre as suspeitas de detenção e desaparição de pessoas, Videla filosofou: “O desaparecido, enquanto permaneça como tal, é uma incógnita. Se o homem aparecesse teria um tratamento "x", mas enquanto seja desaparecido, não pode ter um tratamento especial. Os desaparecidos são isso: desaparecidos; não estão nem vivos nem mortos; estão desaparecidos, não têm identidade, não são”.
A cobertura que o jornal La Nación dedicou nos últimos tempos às declarações do ditador Videla e suas justificativas dos crimes de sua ditadura causaram desconforto. Em fevereiro deste ano, o tradicional veículo, pertencente à também tradicional família Mitre, publicou parte da entrevista que o repressor concedeu à revista espanhola Cambio 16. Entretanto, no dia 10 de abril passado, em seu editorial intitulado “Memória completa e reconciliação”, tentou revalorizar a “teoria dos dois demônios” propondo uma espécie de “reconhecimento” aos soldados, oficiais e policiais que morreram “cumprindo com seu dever” na década de 70, além de se pronunciar contra a anulação das leis de obediência devida e ponto final, reivindicando-as junto com os indultos aos genocidas, como “avanços à reconciliação”.
“A este jornal só podemos reconhecer o mérito da coerência histórica. São os mesmos que apoiaram todo golpe de estado presenciaram e protegeram em suas páginas a ditadura militar genocida. São os que fizeram negócios milionários com o governo de fato, cujo caso emblemático é a aquisição da empresa Papel Prensa”, afirmou o presidente da Federação de Estudantes da Universidade de Buenos Aires, Ignacio Kostzer.
Francisco Luque
No O Carcará
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Cristina reestatiza o petróleo argentino

A presidente Cristina Kirchner acaba de enviar ao Congresso argentino uma nova lei de petróleo, recolocando sob controle estatal a Yacimentos Petrolíferos Fiscales (YPF), que era dirigida pela espanhola Repsol.
O projeto tem o objetivo prioritario obter a autossuficência do pais em exploração, refino, transporte e comercialização de petróleo e seus derivados, cria o Conselho Federal de Petróleo, desapropria 51% da YPF, determinando o afastamento de todos os diretores indicados pela parte privada.
Posto aí em cima o video, da leitura da mensagem de Cristina ao Congresso, em ato na sede do Governo, a Casa Rosada, depois do que a presidenta falou em rede de rádio e televisão.
Fernando Brito
No Tijolaço
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Charge online - Bessinha - # 1189

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O Globo explica problemas em Niterói - RJ

Niterói sob influência de Plutão, Urano e Netuno

Mapa pode ajudar a explicar o inferno astral que a cidade vive desde a tragédia do Bumba até a eclosão da violência
Comentário sobre matéria d'O Globo que atribui problemas da cidade de Niterói aos astros.
(a voz ficou mais estridente dessa vez porque FIQUEI MUITO NERVOSA)
Vi no Maria da Penha Neles!
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CPI do Cachoeira pode virar a CPI da Delta

Bem que a presidente Dilma Rousseff mostrava preocupação com os desdobramentos da criação da CPI do Cachoeira que foi montada pela base governista quando estava em viagem aos Estados Unidos, na semana passada.
Em nenhum momento ela incentivou esta iniciativa do PT, sobre a qual sequer foi consultada, mas agora seus assessores próximos calculam que não tem mais volta, a CPI será instalada esta semana e a presidente não tem muito o que fazer.
Se alguém perguntar a Dilma "o que o governo ganha com isso?", ela certamente responderá "nada" - na melhor das hipóteses, eu acrescentaria. "A oposição tem mais a perder do que a gente", conformam-se os estrategistas do Palácio do Planalto.
Será mesmo? Tenho minhas dúvidas porque todo o noticiário deste fim de semana se empenhou em mudar o foco inicial da CPI sobre as relações entre o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) com o contraventor Carlinhos Cachoeira para os negócios da construtora Delta, a principal empreiteira do PAC.
Relatórios da Polícia Federal começaram a vazar nos últimos dias revelando que a Delta Construções S/A, que recebeu R$ 884,4 milhões do governo federal no ano passado, transferiu R$ 39 milhões para duas empresas de fachada de Carlinhos Cachoeira entre 2010 e 1011.
A inversão do foco ocorreu depois que a defesa de Demóstenes recebeu a íntegra do processo sobre a operação Monte Carlo encaminhada pelo Ministério Público ao STF e não é preciso ser nenhum grande sábio para identificar a origem dos vazamentos seletivos sobre a Delta - até porque o senador goiano sempre teve muito boas relações com a imprensa.
Na conversa de quase três horas que tiveram na última sexta-feira em São Paulo, antes desta guinada nas denúncias, a presidente Dilma e o ex-presidente Lula, o principal articulador da CPI do Cachoeira, acertaram os ponteiros sobre como pretendem agir daqui para a frente.
Pelas diferentes posições que hoje ocupam, e até por temperamento, Lula deverá continuar no ataque, enquanto Dilma fecha a defesa para evitar novas crises com a sua base aliada no Congresso e desgastes desnecessários para o governo num momento em que a economia começa a ratear.
Mas perde seu tempo, mais uma vez, quem tentar jogar um contra o outro, aproveitando-se das diferentes visões que eles têm sobre as possíveis consequências políticas da CPI do Cachoeira. Os dois jogam juntos contra um adversário comum.
Até agora, porém, o único efeito concreto de toda a movimentação em torno da CPI foi devolver o caso do mensalão às manchetes, antes mesmo que seja marcado o início do julgamento, no sentido inverso do que pretendia o presidente do PT, Rui Falcão.
Em vídeo gravado para o partido, na semana passada, Falcão convocou a militância para usar a CPI contra o que chamou de "farsa do mensalão". Com isso, deflagrou uma contraofensiva em toda a grande mídia, jogando mais pressão sobre os ministros do STF que vão julgar o caso.
A instalação da CPI mista está marcada para esta terça-feira, mas o momento é de incertezas. Com o presidente do Senado, José Sarney, ainda internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, recuperando-se de uma angioplastia, o líder do PT, Walter Pinheiro, já admite rediscutir a CPI.
"Se mandarem os documentos do STF, e avaliarmos que o que a CPI vai apurar é o que está apurado, aí podemos rediscutir a CPI. Mas confesso que é difícil segurar agora. Podem dizer que é golpe", admite Pinheiro.
De fato, se os documentos já estão nas mãos dos advogados que defendem Demóstenes e Cachoeira, podemos perguntar por que ainda não foram encaminhados à Comissão de Ética do Senado que abriu processo contra o senador.
O fato é que, mesmo controlando todos os postos-chave das investigações, com a sua imensa maioria parlamentar, o governo e o PT correm agora o risco de ver a CPI do Cachoeira transformada em CPI da Delta, pelo menos na imprensa - o principal alvo do partido desde que surgiram as primeiras denúncias sobre o envolvimento do senador moralista com o bicheiro.
Ricardo Kotscho
No Balaio do Kotscho
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Folha revela fato desconhecido e assustador

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Guerra na quadrilha: Cachoeira detona o sócio Cavendish, da Delta

Por meio do ex-assessor e porta-voz Mino Pedrosa, o contraventor Carlos Cachoeira divulga grampo em que Fernando Cavendish, dono da Delta, maior empreiteira do PAC, fala sobre o preço de um político; ele não gosta de raia miúda, mas sim de colocar R$ 30 milhões na mão de alguém; assista
Brasília vai amanhecer nervosa nesta segunda-feira. Na verdade, vai amanhecer fervendo. Por meio do jornalista Mino Pedrosa, que foi seu assessor e tem trabalhado como uma espécie de porta-voz informal, o bicheiro Carlos Cachoeira decidiu incendiar o circo. Mino acaba de postar um vídeo no seu site Quidnovi, em que Fernando Cavendish, dono da Delta, aparece falando sobre o preço de um político. Detalhe: a Delta é a principal empreiteira do PAC e recebeu R$ 884 milhões do governo federal só em 2011. No vídeo, Cavendish diz que não se interessa por “raia miúda”. Diz que seu negócio é botar R$ 30 milhões nas mãos de um político ou R$ 6 milhões nas mãos de um senador. Aí sim, diz ele, o empreiteiro é convidado para fazer “coisa pra caramba”. É o fim da linha para a Delta – e o governo, especialmente o ministro da Corregedoria Geral da União, Jorge Hage, tem a obrigação moral de declarar a empresa inidônea, proibindo-a de participar de licitações públicas (leia mais aqui). Afinal, quando tomou esta providência em relação à Gautama, alvo da Operação Navalha, Hage declarou que sua medida exemplar visava proteger o PAC e inibir a repetição de atos de corrupção. Hoje, o PAC está nas mãos da Delta.
Assista, abaixo, ao vídeo do YouTube:
E leia o texto de Mino Pedrosa:
O que parecia ser uma operação para a prisão de um contraventor do jogo clandestino (leia-se máquinas de caça níqueis) e vincular o crime a políticos de oposição, trouxe à luz um dos maiores lobistas e empresários atuante nos Governos Federal, Estaduais e municipais. Seu nome Carlos de Almeida Ramos: o Carlinhos Cachoeira. O Quidnovi traz com exclusividade o que será o maior escândalo dentro da Operação Monte Carlo. O presidente do grupo Delta, o maior fornecedor do Governo Federal e detentor de quase todas as obras do PAC, Fernando Cavendish, é flagrado como sócio oculto de Carlos Cachoeira, através do presidente executivo do grupo Carlos Pacheco.
Há algum tempo Carlinhos era o responsável pelas operações da Delta no Centro-Oeste. E na tentativa de flagrar o contraventor do jogo, a Operação Monte Carlo acabou desmontando um esquema muito maior, envolvendo políticos de todos os escalões dos Governos Federal e Estaduais. Carlinhos Cachoeira começou sua parceria com a Delta no Governo de Goiás, através de Marconi Perillo (PSDB). O governador estava entregando para Carlinhos concessões em todo o Estado até vir à tona a Operação Monte Carlo. No Distrito Federal o esquema não era diferente. Pelas mãos de Agnelo Queiroz a Delta desbravou Brasília e entorno “cuidando” do lixo e fazendo manobras em todas as áreas, como por exemplo na Saúde, com o laboratório de genéricos; e na Segurança; com as máquinas de caça níqueis.
Mas a Delta tem mesmo um grande aliado é no Rio de Janeiro: o governador Sérgio Cabral. Há indícios que Cabral teria colocado nas mãos de Cavendish grande parte das obras sem licitações, além de ter feito a ponte com o presidente Lula tornando a Delta a maior fornecedora do Governo Federal. Cavendish em reunião de diretoria da empresa fala abertamente como age para conseguir negócios nos governos comprando políticos e recrutando agentes ( leia-se arapongas) para se municiar de informações para facilitar a corrupção a preços mais baixos. Cavendish e Cachoeira costumam usar a mesma linguagem com seus interlocutores. São simpáticos, solícitos, patrocinadores de orgias com mulheres e bebidas requintadas, viagens ao exterior para políticos e familiares. Com as informações da rede de arapongagem descobrem os “pontos fracos” de cada pessoa alvo, para serem utilizados na hora certa e no momento exato.
Até agora, a Operação Monte Carlo não apresentou o bicheiro Carlinhos Cachoeira. O que realmente aparece é o lobista e mega empresário corrompendo políticos, autoridades, polícia, funcionários públicos de alto e baixo escalão, jornalistas... e, em menor grau, surge o empresário do jogo com máquinas de caça-níqueis. Recentemente acompanhamos projeto em votação na Câmara dos Deputados com um forte lobby em quase todos os partidos, principalmente os da base aliada do Governo, para aprovar a liberação dos caça-níqueis e bingos. À frente do lobby o vice-presidente da República Michel Temer, que fala até hoje com o presidente da Abrabin (Associação Brasileira dos Bingos) Olavo Sales da Silveira.
O vice-presidente tinha até pouco tempo o jornalista Gustavo Krigger, seu assessor direto, fazendo a interface entre a Câmara dos Deputados e Abrabin, através da agência de publicidade FSB. Hoje a FSB atende não só a Abrabin como também a Delta e a Michel Temer como vice-presidente. O Quidnovi revela agora a conversa gravada numa reunião da Delta, quando Fernando Cavendish fala com os sócios entre eles Carlos Pacheco, também sócio de Cachoeira, “discutia o que pensa da política e dos políticos brasileiros de maneira geral: “Se eu botar 30 milhões de reais na mão de políticos, sou convidado para coisas para ‘c…’. Pode ter certeza disso!”. E disse ainda que com alguns milhões, seria possível até comprar um senador para conseguir um bom contrato com o governo: “Estou sendo muito sincero com vocês: 6 milhões aqui, eu ia ser convidado (para fazer obras). Senador fulano de tal, se (me) convidar, eu boto o dinheiro na tua mão!”
No Brasil 247
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Maia reduz a Veja a pó. E a mídia inteira...


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Marco Maia rasgou o “Cortinão”

A nota do presidente da Câmara, Marco Maia, por mais que a imprensa a esteja escondendo, acaba de reduzir praticamente a zero a possibilidade de abafarem-se as ligações entre Carlinhos Cachoeira e as campanhas de mídia que se desenvolveram (ou se desenvolvem, melhor dizendo) contra os governos Lula e Dilma.
Aliás, não é outra a razão de terem mandado sua nota pública para “a Sibéria do esquecimento”. Não a publicam.
Porque é o primeiro e mais forte gesto de oposição a uma estratégia perversa que, com um roteiro fácil de adivinhar, vinha sendo seguido pelos jornalões.
Tão fácil que foi antecipado aqui, há dias:
Cabe hoje a Ricardo Noblat assumir que a CPI do Cachoeira não é uma imposição da dimensão do escândalo, mas uma conspiração perversa para encobrir o caso do “mensalão” e, pasmem, desestabilizar o Governo Dilma.
Conspiração de Lula e de José Dirceu, claro.
Folha, Estadão e O Globo, no final de semana, tiveram a mesma ideia, claro que casualmente.
Imprensar o novo presidente do STF, Carlos Ayres Brito, contra a parede, para colocar o caso do “Mensalão” sumariamente em julgamento.
Aliás, de preferência, um julgamento também sumário.
Que independa de provas, de contraditório. Afinal, o STM – Supremo Tribunal da Mídia – já condenou aquele que quer condenar: José Dirceu. Os outros 37 acusados nenhuma importância tem.
Porque a estratégia é simples: se Dirceu era o homem de confiança de Lula, condená-lo é condenar seu chefe.
Mas, aos 45 minutos do segundo tempo, apareceu a ligação entre Cachoeira e o centro da campanha de acusações contra o governo Lula. Apareceu a cumplicidade entre o bicheiro e o centro do “Comando Marrom”, a Veja.
Num movimento de manada, foram todos correr atrás de uma improvável proteção: a da presidente Dilma.
Eles, que “adoram” a Presidenta – todos recordam como provaram isso na campanha, não é? – estão preocupadíssimos com os efeitos que a CPI possa causar a seu governo… Chegam a psicografar diálogos privados entre a Presidenta e Lula, onde ela suplicaria para que o “malvado” não deixasse a CPI sair.
Só um completo pateta pode acreditar nessa história. Claro que Lula e Dilma podem ter visões diversas sobre o timing político, mas é muito mais evidente que Dilma sabe que tudo que atinge o ex-presidente a atinge e vice-versa, porque ambos são protagonistas e alicerces de um único processo de transformação da vida brasileira.
Mas o “Comando Marrom” julga o caráter das pessoas pelas suas próprias deformidades. Vive num mundo de troca de vantagens e privilégios, onde o heroi de hoje é o lixo de amanhã. Não foram a Veja e a Globo que tiraram Fernando Collor do anonimato e fizeram dele presidente da República, para depois lançarem-no à vala, acusado dos mesmos esquemas que o envolviam antes, quando era um simples oligarca local?
Marco Maia furou este balão.
A CPI sai e não esconderá as ligações entre Cachoeira e a Veja.
Não é uma cortina de fumaça, mas o fim de uma cortina de fumaça com que se encobria objetivos políticos inconfessáveis.
Se houve ou não o “mensalão”, cabe ao Supremo, livremente, julgar. Mas à CPI cabe, agora, revelar o submundo de promiscuidade entre a Veja e um bandido.
O Brasil está na iminência de tornar-se uma República.
Fernando Brito
No Tijolaço
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"Magrão!! 001!!! Pede pra sair!!!

Cachoeira
Ana Araújo - Veja
Por Mino Pedrosa*
O PT já admite que a situação do governador do Distrito Federal Agnelo Queiroz está ficando insustentável. Desde as Eleições de 2010, a Revista Quidnovi revela aos leitores  a trajetória política do ex-militante do PC do B que foi convidado pelo presidente Lula a ir para os quadros do PT e lançar-se candidato ao Governo do DF.
De lá pra cá, foram dezenas de denúncias envolvendo o nome do governador e da equipe que o acompanha desde o início da carreira, como por exemplo o atual secretário de Saúde  Rafael Barbosa. Mas foi a partir do epsódio conhecido como "Sudoeste Caboclo" que as ligações perigosas de Agnelo Queiroz começaram a vir à tona.  Foram sucessões de erros, negativas porteriormente admitidas, e mais do que nunca, fatos que agora são comprovados pelo Ministério Público Federal através de gravações autorizadas pela justiça para a Operação Monte Carlo, que envolveu a prisão do cotraventor do jogo Carlinhos Cachoeira e seus tentáculos. Entre os presos está Idalberto Matias de Araujo, o Dadá, braço direito de Cachoeira, que faz a ligação do contraventor com as autoridades, políticos e empresários.
A rede de Cachoeira tem atingido os poderosos da República e chega ao Distrito Federal no que talvez seja considerado o maior escândalo da histórica política do País.
O governador Agnelo Queiroz e alguns de seus homens de confiança são citados em conversas gravadas em  72 áudios que o Quidnovi começa a revelar neste sábado (14). Mas vamos nos reservar a apresentar somente 63; porque as demais tratam-se de conversas entre jornalistas com fontes buscando informações para o melhor desenvolvimento do trabalho.

* Mino Pedrosa, ex-assessor e porta-voz do contraventor Carlos Cachoeira.
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Todos os bastidores da prisão de Carlos Cachoeira

Ex-assessor, Mino Pedrosa, revela que o contraventor teve a cabeça raspada e chorou ao ser preso; PF obrigou esposa Andressa a espalhar joias sobre a cama; na CPI, Cachoeira irá depor careca, algemado e com lágrimas de ódio; segundo Mino, irá abrir as comportas
Num texto que estava perdido na internet, o ex-assessor e porta-voz informal de Carlos Cachoeira, Mino Pedrosa, descreveu todas as cenas da prisão do contraventor. Contou como ele chorou ao ser preso pela Polícia Federal, como a esposa Andressa foi pressionada a abrir o cofre e espalhar as joias da família sobre a cama, e como a enteada de 12 anos presenciou a cena. Mino publicou o texto no Quidnovi, mas depois retirou a peça do ar – talvez a pedido de pessoas próximas ao contraventor e também porque atenuava a culpa do bicheiro e do senador Demóstenes Torres. Mas o texto foi recuperado por um internauta e enviado ao 247. É interessante e revela o estado de espírito de Carlos Cachoeira. Na CPI, ele irá depor algemado, com a cabeça raspada e com uniforme laranja. Terá, segundo Mino Pedrosa, “lágrimas de ódio” nos olhos. Segundo o ex-assessor, que levou a fita de Waldomiro Diniz às redações em 2004, Cachoeira irá abrir as comportas da corrupção (leia mais aqui). Leia, abaixo, o texto perdido de Mino Pedrosa:
Ainda estava escuro, quando às 6 horas da manhã, do dia 29 de fevereiro de 2012, a mansão de luxo, na Rua Cedroarana, Quadra G-3, Lote 11, no Residencial Alphaville Ipês, em Goiânia, de propriedade do governador de Goiás Marconi Pirillo até 2010, foi invadida pela “swat” da Polícia Federal. Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso numa ação cinematográfica. O arrombamento da porta da sala e a chegada dos agentes federais ao quarto de Carlos Cachoeira coroava a Operação Monte Carlo.
Cachoeira, como é chamado, acordou assustado. No corredor, a sua prisão era assistida pela fresta da porta por uma criança de 12 anos, sua enteada, e pela esposa, Andressa. O delegado que comandava a operação pediu que o contraventor abrisse o cofre, mas Cachoeira argumentou que não sabia o segredo. Só Andressa tinha a senha. A polícia entrou no quarto e exigiu que o cofre fosse aberto. Imediatamente a esposa de Cachoeira mostrou o que havia guardado em segredo: joias, inclusive de família, uma quantia em dinheiro de um imóvel vendido por Andressa, documentos e alguns DVDs de conteúdo ainda não revelado.
O delegado espalhou sobre a cama todas as joias, a maioria herança de família, principalmente dos avós e do ex-marido de Andressa Wilder Morais, atual suplente do senador Demóstenes Torres (DEM-GO). A esposa do contraventor pediu ao delegado que deixasse as joias e que não invadisse o quarto que sua filha dormia. O pedido foi atendido. Cachoeira foi levado pela polícia, enquanto a criança atônita tentou ir ao seu encontro, sem entender o que se passava. Até este momento, Andressa estava forte. Mas ao ver a filha, a esposa de Cachoeira desmontou.
A Polícia Federal acreditou ter fechado a Operação Monte Carlo naquele momento, mas não sabia que ali começava um dos maiores escândalos da política brasileira. Cachoeira foi para a carceragem da PF em Brasília e preferiu o silêncio.
Em fevereiro de 2004, Carlinhos foi protagonista do escândalo Waldomiro Diniz, onde o assessor do ministro chefe da Casa Civil José Dirceu, foi denunciado por receber propina do esquema de jogo clandestino no país. Naquele momento, Cachoeira recebeu total apoio do PT comandado por Zé Dirceu, que rotulava o contraventor como “empresário do jogo”, e o Ministério Público como “aparelho repressor e conspiratório.”
O ministro da Justiça era Márcio Tomaz Bastos. O advogado, era Antônio Carlos de Almeida e Castro, o Kakay. Quem acusava era o mesmo Ministério Público, que agora também comanda a operação só que a serviço do PT .
As digitais do PT foram constatadas quando a Polícia Federal começou as investigações sob o comando da sede em Brasília. O Palácio do Planalto acompanhava tudo e aguardava o momento certo para contrapor o escândalo do Mensalão que será votado nos próximos meses pelo Supremo Tribunal Federal.
Cachoeira tinha um forte esquema de proteção na Polícia Federal de Goiás, onde contava com seu fiel escudeiro o chefe da inteligência da Polícia Federal. Cachoeira sempre foi um homem muito bem relacionado. Colaborador de todas as horas nas campanhas políticas, principalmente do PT. As investigações aconteciam e surpreendiam o comando da PF. Políticos de alto escalão se misturavam com empresários e contraventores.
Cachoeira foi transferido como preso comum para a Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Desembarcou na cidade sob um sol escaldante, de 42 graus, e foi levado para a cela 17 do presídio. Parecia que a situação tinha chegado ao fim, quando o contraventor foi chamado para raspar a cabeça e receber o tratamento de preso de alta periculosidade. Enquanto a máquina deixava à vista o couro cabeludo de Cachoeira, lágrimas de ódio rolavam pelo seu rosto. Naquele momento, revendo o filme da prisão de Fernandinho Beira Mar, o silêncio de Carlos Cachoeira se transformava em ira contra o PT. Somente no dia seguinte teve o direito de encontrar seu advogado Ricardo Sayeg.
Aí começava o desabafo de alguém que sabe muito e não vai evitar a vingança. Os responsáveis pela Operação Monte Carlo foram os petistas, o alvo; o líder de oposição Demóstenes Torres (DEM-GO) e a isca; o mesmo Cachoeira que no passado foi tão amigo do PT, e agora tão usado.
Com a chegada do senador Aécio Neves (PSDB-MG) no Congresso, era esperado que naturalmente o neto de Tancredo Neves fosse o líder da oposição ao Governo Dilma. Aécio recebeu algum recado e se mantem apagado no cenário político. Com isso, o líder do Democratas se destacou nacionalmente como o homem que lidera a oposição. Com o destaque, o senador passou a ser o inimigo número um do Partido dos Trabalhadores, que começou a caçada. Aécio Neves, taxado por ter telhado de vidro, trabalhou como bom mineiro, no silêncio, e assiste o colega de oposição servindo de boi de piranha. Nos bastidores se comenta que Aécio só irá assumir a liderança da Oposição no último ano do Governo Dilma evitando o desgaste prematuro.
Apesar do PT ter pesado a mão sobre Demóstenes Torres não foram encontradas provas que possam calar a voz da oposição. A relação do senador com Carlos Cachoeira é meramente social, como as mantidas com outros empresários do estado de Goiás. É menos íntima, por exemplo, do que a mantida entre o ex-presidente Lula e o seu churrasqueiro Jorge Lorenzetti, envolvido num escândalo de repasse de R$ 18,5 milhões em verba pública para sua ONG. Tanto barulho por conta de um fogão e uma geladeira, presente de casamento da esposa de Carlinhos para a esposa de Desmóstenes, amigas de longa data? Com certeza, há mais fartura à mesa do PT.
O exército de Cachoeira também foi desestabilizado. Funcionários públicos, empresários, políticos, policiais, familiares e pessoas que emprestavam o próprio nome para manter a força e o poder de quem hoje detém um arsenal capaz de mudar a história política do país foram presos ou desarticulados com a Operação Monte Carlo.
Cachoeira sempre foi um homem prevenido. Na era dos escândalos detonados dentro e fora dos Governos, o contraventor documentava todos os encontros com seus “parceiros”, em vídeo, áudio, contratos de gaveta, e as transações bancárias no Brasil e no exterior. Monitorava seus “sócios” através de agentes de informações. Durante todos esses anos que transitou nas altas rodas políticas e sociais do país, Carlinhos Cachoeira produziu vários documentários, capazes de mudar o curso da vida, principalmente de quem será julgado ainda este ano pelo Supremo, com a chance de ter o ministro algoz do Mensalão do PT, Joaquim Barbosa, na presidência da maior instância jurídica do País.
No encontro com o seu advogado Ricardo Sayeg, em Mossoró, Cachoeira avisou que a família e amigos tem nas mãos “esse” material que será despejado na imprensa nos próximos dias. Nesta sexta-feira, o contraventor começou a cumprir sua promessa. A Revista Veja, divulgou on line, vídeo no qual Carlinhos tem uma conversa com o deputado federal Rubens Otoni (PT-GO), na qual oferece R$ 100 mil para ajudar o petista e insinua já ter contribuído com a mesma quantia para o candidato em outra campanha.
Só um detalhe: Otoni nunca declarou a quantia ao Tribunal Regional Eleitoral e não consegue explicar o porquê disso.

A TRAJETÓRIA DE CACHOEIRA

Carlinhos Cachoeira cresceu no meio da jogatina. Seu pai fez parte do grupo de Castor de Andrade e levou para Goiás o conhecido jogo do Bicho. Seus irmãos difundiram pelo Estado o jogo e a chegada das máquinas caça-níqueis. Cachoeira, no entanto, se aperfeiçoou com projetos oferecidos em vários Estados batizado de On Line Real Time. Trata-se de um software que permite ligar as caça-níqueis diretamente à Caixa Econômica, buscando, aos moldes das Loterias, a legalização do jogo.
Carlinhos montou várias empresas para gerenciar o jogo nos Estados. E começou sua fortuna. Procurava grupos coreanos, italianos, espanhóis e vendia à vista, a exploração do jogo pelo país. Assim passou a recrutar políticos que viabilizavam a exploração dos jogos de azar pelos Governos estaduais. Cachoeira sofisticou seus negócios a partir da implantação de seu novo sistema com o apoio do então governador de Goiás Maguito Vilella, padrinho do seu primeiro casamento. Carlinhos criou a empresa Gerplan no governo de Vilella.
Com a entrada do governador tucano Marconi Pirillo, o empresário do jogo expandiu seus negócios para vários Estados, até bater de frente com os interesses do então ministro chefe da Casa Civil, o petista Zé Dirceu.
Waldomiro Diniz, assessor de Zé Dirceu na Casa Civil, trabalhava para a família Ortiz, forte concorrente de Carlinhos Cachoeira. Os Ortiz lutavam pela permanência do jogo clandestino, pois reconheciam que o negócio era mais rentável. Carlos Cachoeira queria a legalização porque detinha toda uma estrutura profissional com tecnologia de hardware e software para a arrecadação do jogo pelo governo em tempo real e com a garantia de desconto dos impostos.
Cachoeira então gravou Waldomiro pedindo propina para a campanha do PT em 2002. Com isso, o empresário do jogo usava o flagrante para combater a propina paga pela família Ortiz ao assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz, responsável também pelo pagamento do mensalão do PT dentro do Congresso Nacional.
Waldomiro era tido como uma águia, mas foi abatido pelo Ministério Público em pleno vôo. O escândalo fragilizou José Dirceu permitindo o ataque de Roberto Jefferson, que culminou com a cassação do mandato de deputado e a demissão da Casa Civil.
Cachoeira foi cercado de atenções pelo PT durante todos esses anos para evitar um escândalo maior em torno do financiamento de campanhas em vários Estados. Este roteiro, com conteúdo explosivo, desta vez virá à tona, pois Carlinhos planeja em sua solidão na cela 17 do Presidio de Segurança Máxima de Mossoró, como se vingar do PT que o abandonou e o colocou nesta situação.
Nesse arsenal explosivo tem várias empresas: Construtoras, Laboratórios, Bancos no Brasil e no Exterior. Na próxima edição, o Quidnovi vai mostrar, com documentos, como a máfia do jogo atua com o braço político nos cofres públicos.
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