15 de abr de 2012

Ai que Vida!

Ai que vida! é um filme de drama e comédia brasileira lançado em setembro de 2008 no Maranhão, dirigido pelo jornalista e cineasta maranhense Cícero Filho. As filmagens foram feitas nas cidades de Amarante e Teresina, no Piauí; Poção de Pedras, Esperantinópolis, Timon e S. Francisco do Maranhão, no Maranhão. Os atores e os técnicos foram pessoas das próprias comunidades.
Sinopse
Em meados dos anos de 1990, a fictícia cidade de Poço Fundo, no interior do nordeste, está vivendo um verdadeiro caos em sua administração pública. O prefeito Zé Leitão é um corrupto de mão cheia, capaz de tudo pelo dinheiro.
A micro-empresária Cleonice da Cruz Piedade se revolta com os absurdos administrativos de seus governantes, e decide "acordar" o povo sobre a real situação da cidade. Ela luta pelos direitos do povo e consegue arrastar multidões para ouvir seus discursos, tornando-se assim querida por toda a população.
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Azeredo, pai do mensalão, se banhou na cachoeira

O ex-governador mineiro Eduardo Azeredo, que foi o primeiro a utilizar o esquema Marcos Valério, também fez negócios com empresas de Carlos Cachoeira; bicheiro teve concessão para fazer negócios com a Loteria Mineira e deixou prejuízo estimado em R$ 286 milhões
O ex-governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo, do PSDB, tem cumprido uma triste sina. Em 2005, quando o escândalo do mensalão ameaçava o mandato de Lula, descobriu-se que o esquema Marcos Valério foi gestado em sua administração (1995-1999) à frente do Palácio da Liberdade. Graças a isso, os petistas conseguiram neutralizar parte dos ataques. As agências de publicidade de Valério, DNA e SMPB, tiveram papel decisivo no financiamento de campanha de Azeredo à reeleição – numa disputa em que ele foi derrotado para Itamar Franco.
Agora, vem à tona uma nova ligação constrangedora de Azeredo. Foi também na administração Azeredo, que Carlos Cachoeira conseguiu exportar seus negócios ligados à jogatina de Goiás para outros estados do Brasil. A Jogobrás, subsidiária da Gerplan, empresa de Cachoeira, explorou em Minas uma loteria privada chamada Sorteca. A concessão também permitiu que o bicheiro explorasse caça-níqueis no estado, em parceria com a multinacional americana GTech.
Em Minas, Cachoeira já tinha o hábito de gravar encontros com autoridades. Uma de suas fitas derrubou o ex-procurador-geral Márcio Decat e toda a cúpula da Loteria Mineira. À época, o jornal Estado de Minas publicou diversas reportagens sobre os negócios de Cachoeira no estado. Graças a elas, as vídeo-loterias foram suspensas.
Neste domingo, uma reportagem do jornal Estado de Minas revela que os contratos feitos na gestão de Azeredo causaram prejuízos de mais de R$ 286 milhões ao governo mineiro.

Cachoeira em Minas: negócios antigos


Os tentáculos dos negócios do bicheiro Carlinhos Cachoeira em Minas Gerais mostram negócios em pelo menos seis empresas do estado. Há mais de duas décadas o contraventor atua em Uberlândia, Araxá e Belo Horizonte. Hoje, o contraventor toca apenas uma dessas seis empresas: a Bet Capital, de Araxá, no Triângulo Mineiro.
Cachoeira é investigado pelo Ministério Público estadual desde 2000. Em 2003, ele operou, sem licitação, jogos da Loteria do Estado de Minas Gerais, por meio da Jogobrás do Brasil Ltda, que pertencia a ele. Em julho de 2000, um documento da Loteria Mineira revela prejuízo de R$ 286,3 milhões durante a gestão do ex-governador Eduardo Azeredo, do PSDB.
Leia abaixo reportagem de Alessandra Mello, Alice Maciel e Maria Clara Prates publicada no jornal Estado de Minas:

Acusado de corrupção, bicheiro Carlinhos Cachoeira já comandou seis empresas em Minas


O contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso durante a Operação Monte Carlo, tem em Minas Gerais um importante território para a operação dos seus negócios ilegais com o jogo. Cachoeira, assim como seu parceiro, o senador goiano Demóstenes Torres (sem partido), montou empresas no estado em diversas áreas de atuação, há mais de duas décadas, em Uberlândia, no Triângulo mineiro, e em Araxá, no Alto Paranaíba, além de Belo Horizonte. O bicheiro, acusado também de corrupção e formação de quadrilha, já esteve à frente de seis empresas no estado, mas atualmente toca apenas uma delas, a filial da Bet Capital, instalada em Araxá, onde aparece como representante legal . Essa empresa abocanhou um contrato milionário com a prefeitura, já encerrado, mas ainda sob investigação do Ministério Público Estadual por suspeita de superfaturamento na prestação dos serviços.
De acordo com relatório da Procuradoria da República em Goiás, pelo menos 4% dos negócios do contraventor, que já foi dono de, no mínimo, 59 empresas em todo o país, sendo 38 ativas, é movimentado em Minas. No entanto, interceptações telefônicas, feitas pela Polícia Federal com autorização judicial revelam que as empresas legais serviam, na verdade, para ocultar as transações com as máquinas caças-níqueis. Em um diálogo, em julho do ano passado, Lenine Araújo de Souza, sócio da empresa Capital, em Araxá, conversa com um parente de Cachoeira sobre uma comissão de 30% paga a donos de caças-niquéis e um sistema de gerenciamento dos jogos que estava sendo implantado em Uberlândia.
Em outra interceptação, Idalberto Matias, conhecido como Dadá, araponga de Cachoeira, conversa com uma pessoa identificada apenas como professor sobre o esquema de jogos na capital mineira. Na conversa, o “professor” diz a Dadá que vai viajar a Belo Horizonte para se encontrar com uns políticos, “gente forte da área lá” para resolver uma pendência. O inquérito da PF não traz detalhes sobre o negócio.
Desde 2000, Cachoeira vem sendo investigado pelo Ministério Público Estadual (MPMG). A Promotoria de Combate ao Crime Organizado do MPMG iniciou uma devassa nos negócios dele em Minas, mas decisão do Conselho de Procuradores barrou a iniciativa, por entender, que as investigações de contravenção penal, são de responsabilidade do Juizado Especial Criminal. Em 2003, o bicheiro foi protagonista de um escândalo em Minas por operar, sem licitação, jogo da Loteria do Estado de Minas Gerais por meio da Jogobrás do Brasil Ltda, empresa que pertencia a ele.
Documento elaborado pela Assessoria de Planejamento e Coordenação da Loteria Mineira, em julho de 2000, revela que o contrato firmado causou um prejuízo da ordem de R$ 286.254.760 durante a gestão do ex-governador Eduardo Azeredo (PSDB).
Os negócios e as relações políticas de Cachoeira, em Goiás e Minas, tiveram a força de atrair até Goiânia uma comissão de deputados da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), para conhecer uma iniciativa de projeto de lei para regulamentar a jogatina naquele estado. Na ocasião, em 2002, a comissão foi recepcionada pelo secretário de Segurança Pública de Goiás, o então promotor de Justiça Demóstenes Torres, no governo de Marconi Perillo (PSDB). Hoje, o senador e Perillo (PSDB), que retornou ao governo de Goiás no ano passado, são suspeitos de beneficiar o bicheiro Carlinhos Cachoeira, conforme investigação da Procuradoria da República daquele estado. A iniciativa dos parlamentares mineiros, no entanto, não rendeu os frutos desejados. O MPMG, depois da acusação de envolvimento do então procurador-geral de Justiça de Minas Márcio Decat com a jogatina, fez uma dura investida contra os bingos, caça-níqueis e jogo de bicho, enterrando a possibilidade de legalização da contravenção.

Assim como Carlinhos Cachoeira, o senador Demóstenes Torres tem empresa em Minas


Seguindo os passos do bem-sucedido Carlos Cachoeira, ao decidir se arriscar no mundo dos negócios, o senador goiano Demóstenes Torres (sem partido), escolheu Minas para receber sua primeira empresa, uma faculdade em Contagem, na região metropolitana da capital. Em 2008, Demóstenes se associou a sua assessora no Senado, Renata Carla de Castro Costa, e ao empresário Marcelo Henrique Limírio Gonçalves para criar o Instituto de Nova Educação Ltda. A composição societária da faculdade terminou por revelar mais uma vez que os caminhos de Demóstenes e Cachoeira se cruzam com frequência. Limírio é sócio do contraventor na empresa ICF – Instituto de Ciências Famarcêuticas de Estudos e Pesquisa Ltda, em Goiânia, que teria faturado R$ 30 milhões em 2010. A ICF, na verdade, está registrada em nome da ex-mulher de Cachoeira, Andréa Aprígio de Souza e fornece testes para laboratórios.
Limírio é dono da empresa Hypermarcas, que integra o conglomerado de empresas Bionovis, e fez negócio de pai para filho com Demóstenes Torres. Ele investiu R$ 600 mil no negócio, sendo que coube ao senador a aplicação de R$ 200 mil divididos em 25 prestações de R$ 8 mil mensais, quitadas há dois anos. Registrada em 2008, a faculdade foi inaugurada no final de 2009 com um coquetel que contou com a presença de Demóstenes. A comemoração foi feita na própria sede da universidade, que oferece cursos de administração, ciências contábeis, direito, farmácia e enfermagem. A terceira sócia de Demóstenes, Renata Costa, passou a ser diretora-executiva da instituição depois de ser exonerada do cargo de chefe de gabinete do senador. Antes de se mudar para Brasília, ela ocupou um cargo comissionado na Assembleia Legislativa de Minas. Sua participação foi adquirida nas mesmas condições de Demóstenes Torres.
De acordo com o Ministério Público, manter relação com o contraventor Cachoeira não é crime. No entanto, as investigações da Procuradoria tentam esclarecer o enriquecimento rápido daqueles que transitam por sua rede de negócios. A faculdade do político em Minas é um dos alvos da apuração. Ontem, a diretora Renata Costa negou que o instituto tenha qualquer vinculação com as investigações da Procuradoria da República em Goiás. Garantiu não conhecer o contraventor, mesmo tendo sido chefe de gabinete de Demóstenes. Disse ainda que desconhecia o relacionamento de seus sócios com Carlinhos Cachoeira. “Eu os conheço apenas profissionalmente. Não tenho qualquer conhecimento da vida pessoal deles”, diz. O envolvimento de Demóstenes foi revelado no final de fevereiro, quando Cachoeira e mais 34 pessoas foram presas durante a Operação Monte Carlo, que fez devassa na organização criminosa especializada na exploração do jogo.
O senador é acusado de tráfico de influência para favorecer o contraventor depois da interceptação de telefonemas entre Demóstenes e Cachoeira, que chegaram a quase 300. Nele, o político chama Carlinhos Cachoeira de “professor” e demonstra preocupação com projetos de lei em tramitação que possam prejudicar os negócios do amigo. Em uma delas fica, ele deixa claro sua posição ao assumir o lobby pela legalização do jogo no Brasil. Além disso, Demóstenes recebeu vários mimos de presente de Cachoeira.
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Jornalismo de resultados

Leio na coluna do ombudsman da Folha de S.Paulo que o Painel FC atribuiu ao dirigente do São Paulo, Carlos Eduardo Barros e Silva, o Leco, uma frase que não disse, pronunciada num lugar em que nunca esteve.
Não é um episódio isolado, uma anomalia, mas exprime uma tendência do jornalismo contemporâneo, imagino, à revelia dos Manuais de Redação. O jornalismo de resultados entrega-se à sanha de conquistar leitores ou arrebatar audiência a qualquer custo. Se a notícia é “quente” pouco importa a apuração do fato e muito menos avaliar suas circunstâncias. Ouvir o “outro lado”, nem pensar. Se, por descuido, isso ocorre, não passa de um ritual farsesco. Esse jornalismo de resultados e seu séquito de pretensos opositores na internet são agentes do novo totalitarismo, especialistas nas proezas da manipulação, da intimidação e da censura da opinião alheia.
No estágio atual da sociedade de massa, o controle social despótico dispensa a obviedade dos dólmãs, dos coturnos ou da cadeira do dragão. O totalitarismo do Terceiro Milênio não usa coturnos nem câmaras de gás. Usa a “informação” que não pensa em si mesma. O propósito da manipulação e da espetacularização da notícia é tornar os “pacientes” incapazes de compreender a natureza perversa da frenética guerra de fatos e versões “construídas” sob o acicate da concorrência para alcançar o “fundo do poço”.
Em 1947, a Comissão sobre a Liberdade de Imprensa nomeada pelo Congresso dos Estados Unidos advertia em seu relatório final: existe uma razão inversamente proporcional entre a vasta influência da imprensa na atualidade e os grupos sociais que podem utilizá-la para expressar suas opiniões. Enquanto a importância da imprensa para o povo aumentou enormemente com o seu desenvolvimento como meio de comunicação de massa, “diminuiu em grande escala a proporção de pessoas que podem expressar suas opiniões e ideias através da imprensa”. O relatório procurou apontar “o que a sociedade tem direito de exigir de sua imprensa”. Definiu duas regras essenciais para o legítimo exercício da liberdade de informação e de opinião: 1. “Todos os pontos de vista importantes e todos os interesses da sociedade devem estar representados nos organismos de comunicação de massa”. 2. “É necessário que a imprensa dê uma ideia dos grupos que constituem a sociedade. Dizer a verdade a respeito de qualquer grupo social – sem excluir suas debilidades e vícios – inclui também reconhecer os seus valores, suas aspirações, seu caráter humano”.
As recomendações exaradas no relatório da Comissão sobre a Liberdade de Imprensa refletem o espírito do tempo nos Estados Unidos e na Europa Ocidental: a aposta no aperfeiçoamento dos processos de controle democrático sobre o Estado e o poder privado. O trauma das duas guerras mundiais e da Grande Depressão saturou o ambiente intelectual dos anos 40 do século XX da rejeição ao mercado descontrolado e ao totalitarismo.
O sociólogo Karl Mannheim, pensador representativo de sua época, escreveu em 1950 no livro Liberdade, Poder e Planejamento Democrático: “Não devemos restringir o nosso conceito de poder ao poder político. Trataremos do poder econômico e administrativo, assim como do poder de persuasão que se manifesta através da religião, da educação e dos meios de comunicação de massa, tais como a imprensa, o cinema e a radiodifusão”. Mannheim dizia temer menos os governos, que podemos controlar e substituir, e muito mais os poderes privados que exercem sua influência no “interior” das sociedades modernas. Não é preciso ter lido Michel Foucault para suspeitar de truculências que não dizem o seu nome, mas são impiedosamente exercidas nas “malhas do poder”, tecidas em silêncio no interior das sociedades.
Hannah Arendt abordou nas Origens do Totalitarismo as transformações sociais e políticas na era do capitalismo tardio e da sociedade de massa. A economia dos monopólios substituiu a empresa individual pela coletivização da propriedade privada, ao mesmo tempo que promovia a “individualização do trabalho”, engendrada pelas novas modalidades tecnológicas e organizacionais da grande empresa. A operação impessoal das forças econômicas produziu, em simultâneo, o declínio do homem público e a ascensão do homem massa, cuja principal característica não é (somente) a brutalidade e a rudeza, mas o seu isolamento e sua falta de relações sociais normais.
Trata-se da abolição do sentimento de pertinência, da descontrução dos laços familiares, afetivos e de companheirismo. “As massas surgiram dos fragmentos da sociedade atomizada, cuja estrutura competitiva e concomitante solidão do indivíduo eram controladas quando se pertencia a uma classe.” A escória, na visão de Arendt, não tem a ver com a situação econômica e educacional dos indivíduos, “pois até os indivíduos altamente cultos se sentem particularmente atraídos pelos movimentos da ralé”. O massacre capitalista das tradições liberais fomentou os desatinos que hoje contaminam o mundo da informação.
Luiz Gonzaga Belluzzo
No CartaCapital
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Gobierno de EEUU pagará a tribus indias por uso de tierras y bienes

Gobierno de EEUU pagará a tribus indias más de mil millones de dólares por uso de tierras y bienes
El gobierno de Estados Unidos pagará a las tribus indias más de mil millones de dólares en compensación por el uso de los recursos naturales extraídos de su territorio, informó el jueves por The Associated Press.
En respuesta a una demanda colectiva de parte de 41 tribus indias que viven en los estados de Colorado, Utah y Nuevo México que exigían el pago monetario del gobierno por la extracción de petróleo, gas, madera y pastoreo en su territorio, la Fiscalía de EEUU entregaron una compensación de US$1.000 millones a los demandantes por los daños causados.
De acuerdo con declaraciones del fiscal general, Eric Holder, la compensación otorgada debe poner punto final al conflicto histórico sobre la gestión de los recursos naturales en el territorio de las tribus.
El representante de los indios, Gary Hayes, dijo que la compensación permitirá compensar la falta de financiación que las tribus tuvieron que enfrentar durante muchos años y que los fondos serán utilizados para modernizar el sistema de salud, mejorar la seguridad pública y desarrollo de la infraestructura en las zonas indias.
"Los granos que hoy sembramos dará sus frutos en el futuro, en beneficio de las generaciones futuras", dijo Holder.
En 2010, una demanda colectiva similar fue presentada por otras tribus indias representadas en la Corte por Elouise Cobell, conocida como la Mujer Yellow Bird, que logró una indemnización de US$ 3,4 mil millones.
No RIA/Novosti
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Para não investigar as ligações criminosas Demóstenes-Cachoeira, a Veja vem de "mensalão"


É mais do que sintomático o comportamento da Veja, cuja matéria capa desta semana tenta tirar os holofotes das gravíssimas denúncias em torno do esquema criminoso comandado pelo contraventor e empresário Carlos Cachoeira, com tentáculos em esquemas de governo e no qual estão envolvidos políticos de diversos partidos, muito especialmente os da oposição.
Para desviar o foco das investigações e da mobilização pela instalação de uma CPI no Congresso Nacional, a Veja vem com a tese de que o PT quer usar a CPI para investigar as ligações entre Cachoeira, o senador Demóstenes Torres (ex-DEM, hoje sem partido) e outros políticos para encobrir o chamado “escândalo do mensalão”. E para que os envolvidos não sejam julgados.
Nada mais falso. Eu sou réu neste processo e sempre disse que quero ser julgado para provar a minha inocência. O que a Veja quer fazer, secundada por outros veículos da grande mídia, é transferir ao PT o seu modus operandi de jogar poeira nos olhos dos leitores para turvar a realidade, desviar o foco e anestesiar os fatos para construir a pauta política que lhe convém. No caso, tenta, desde 2005, quando eclodiu o escândalo do uso de recursos de caixa dois para pagar dívidas de campanha de partidos da base do governo Lula, transformar o crime eleitoral em crime político de compra de votos de congressistas em matérias de interesse do governo. E segue ignorando os autos do processo.
Pressão aos juízes
O que ocorre agora é mais um movimento dessa campanha, centrada na pressão aos juízes do STF para um julgamento político do “mensalão”, no lugar de um julgamento baseado em fatos e provas. Nada de novo, com o agravante de que, ao trazer o escândalo do “mensalão” para o centro dos debates tentando atropelar o julgamento do processo, tem claramente o interesse de confundir o público e tirar os holofotes do escândalo da ligação de Cachoeira com o senador Demóstenes, e da cadeia de interesses dela decorrente.
Só para lembrar: o caso do mensalão emergiu dentro do escândalo Cachoeira-Demóstenes pelo fato de o ex-prefeito de Anápolis, Ernani José de Paula, ter denunciado que a gravação de entrega de propina nos Correios em 2005 – que deu origem à CPI dos Correios e ao mensalão – foi patrocinada pelo esquema de Cachoeira.
Na esteira dessa gravíssima denúncia de relações e contaminação da máquina pública por interesses privados e criminosos, uma triste constatação. A de que alguns órgãos de imprensa, onde se destaca a Veja, pretensa guardiã da ética e bons costumes das elites, serviram-se de informações engendradas no esquema criminoso de Cachoeira para produzir matérias denuncistas. Que fatídica aliança! Com esta matéria de capa, a Veja tenta livrar sua própria pele e escamotear seus métodos de fazer jornalismo que atentam contra a ética da profissão; em suma, contra a democracia.
José Dirceu
No Blog do Zé
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Soldados israelenses atacam brutalmente palestinos e ativistas ISM em passeio ciclístico

Ciclistas palestinos e internacionais foram brutalmente atacados pelas forças de ocupação israelenses neste sábado (14), quando eles tentaram pedalar na Route 90 - principal rodovia Norte-Sul que atravessa o Vale do Jordão. Os ciclistas foram protestar contra as políticas de apartheid de Israel naquele Vale, que limitam o acesso palestino à estradas, como parte de uma campanha permanente de limpeza étnica contra as comunidades beduínas nativas do Vale do Jordão.
Para mais informações visite "International Solidarity Movement" (Movimento Internacional de Solidariedade).
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Pela libertação dos prisioneiros políticos no Brasil

Free Carlinhos
Aos que sofrem nas masmorras do comunismo brasileiro, alijados da sociedade pela stasi bolchevista, perseguidos pela cruel ditadura lullodilmal, devemos enviar nossas mensagens de esperança e fé para que unidos a eles em pensamento busquemos a tão almejada libertação. Façamos pois um grande movimento pela soltura de todos os presos políticos do regime. Buscaremos apoio na embaixada americana, no Vaticano, no semanário dos homens bons, em Honduras, onde for preciso pois nosso irmão tem de ser libertado. Combatentes do bem, à luta!
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Charge do Amarildo

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CPI vs. Mensalão

Semana passada, o assunto político mais importante foi a criação da CPI do Cachoeira. Só se falou dela no Congresso e na imprensa.
De acordo com o requerimento para sua instalação, a comissão mista de senadores e deputados deverá investigar as ligações de Carlos Cachoeira com “agentes públicos e privados”. Poderá, portanto, examinar as relações do bicheiro e de seu grupo com parlamentares, governos estaduais, prefeituras e empresas.
É uma CPI inusitada, a começar pelo fato de ter sido proposta e bancada pelos partidos governistas. Normalmente, quem insiste na criação de CPIs são as oposições, para embaraçar o governo, gerar noticiário negativo e manter o foco da mídia em temas que o desgastem.
Não por outra razão, o governo costuma convocar seus aliados para evitá-las.
Quem correu para que a nova CPI fosse instalada foi o PT, secundado pelo PMDB. Com o apoio dos maiores partidos, a proposta queimou etapas e a comissão deve começar a funcionar na terça feira.
Ela recebeu o endosso de Lula, o que não é pouco. Mais que apenas por cálculo partidário, o ex-presidente teria motivos pessoais para querer que fosse criada. Consta que a vê como oportunidade para acertar as contas com adversários na política e na indústria de comunicação.
Pelo pouco que se conhece, até agora, da atuação de Cachoeira, parece que, em termos ideológicos, ele se alinhava preferencialmente com as oposições, seja na política nacional, seja em Goiás. Sua intimidade com Demóstenes Torres, o paladino do combate anti-petista no Senado, é reveladora dessa inclinação.
Assim como a ligação umbilical que mantinha com alguns órgãos de imprensa assumidamente hostis ao PT e ao governo, como a revista Veja. Os dois viveram uma longa e mutuamente recompensadora parceria.
Não que essas afinidades inibissem o comportamento empresarial de seu grupo. Pelo contrário, na hora de ganhar dinheiro, Cachoeira não olhava as diferenças entre gregos e troianos. Políticos de vários partidos surgiram nas investigações da Polícia Federal.
Para Lula e o PT, o prejuízo da CPI expor os vínculos de correligionários - incluindo o governador do Distrito Federal - com os esquemas do bicheiro deve ter sido avaliado como inferior aos benefícios que poderia gerar.
Nas oposições, a CPI não encontrou defensores entusiasmados, mas tampouco teve adversários. Vendo que era inevitável, suas lideranças não lhe colocaram entraves.
Com isso, teremos, nos próximos meses, o assunto Cachoeira em pauta. Quanto a se a CPI será capaz de gerar novidades relevantes, só saberemos à medida que avançar.
Muitos comentaristas acham que sua criação é uma espécie de manobra diversionista do PT. Na sua opinião, ela teria sido criada fundamentalmente - ou, quem sabe, apenas - para desviar a atenção da população do julgamento do mensalão.
A suposição se assenta em duas premissas. Em primeiro lugar, que o Supremo pretende - ou tem condições técnicas - de iniciá-lo logo. Se não, porque querer instalá-la rapidamente?
Isso, no entanto, está longe de ser certo. Pelo contrário.
A outra é que a opinião pública estará interessada no julgamento. Se não, por que seria preciso distraí-la com algum estratagema?
Não é, porém, uma hipótese provável.
Embora temido por governistas e desejado por oposicionistas, o julgamento do mensalão - quando ocorrer - não tem os elementos que criam os fatos de opinião relevantes: surpresa, extensão e drama.
O caso é velho, seu tamanho está delimitado, perdeu a emocionalidade.
Para a opinião pública, o julgamento já aconteceu. A vasta maioria inocentou o único que a interessava: Lula. E aqueles que o culparam também já deram seu veredicto.
Com ou sem CPI, pouca coisa muda no modo como as pessoas vão acompanhar a decisão do Supremo.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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O rolo compressor lulista OU o espaço que resta às oposições

Pensemos alto, sem grandes compromissos com a precisão.
O que motiva lulistas a entregarem o governador Agnelo Queirós à guilhotina?
1) PT perderia um governo estadual, de baixa repercussão nacional e, possivelmente, alguns deputados;
2) Na outra ponta, os democratas seriam dizimados, o que diminuiria o valor de seu passe para qualquer fusão após as eleições de outubro;
3) Ao PSDB, acolher democratas em seu partido teria um custo razoável na sua imagem pública;
4) Imaginemos que, neste momento, lulistas ofereçam partidos aliados como nova moradia aos democratas. O resultado seria imediato: pulverizaria o discurso oposicionista dos demos;
5) Restariam, na oposição com visibilidade pública, o PPS, o PSDB e o PSOL;
6) Imaginemos que PPS e PSDB, e parte do DEM, acabem se fundindo após as eleições de outubro. O único cenário positivo para embalar esta fusão seria a vitória de Serra e ACM Neto;
7) Caso Serra e ACM Neto vençam, haveria algum fôlego, mas com democratas esfacelados, em qualquer situação. Mas caso percam...
8) Caso percam, a fusão de partidos de oposição será evidente demonstração de fracasso;
9) Num cenário deste tipo, a outra ponta da estratégia lulista (a aliança pontual com tucanos) poderá deslanchar com segurança, comendo pela borda;
10) Enfim, o lulismo poderá manejar ou desmontar o atual sistema partidário tupiniquim. Diminuirá os espaços da oposição e terá valido a pena entregar algumas cabeças pelo "presidencialismo de coalizão" revitalizado
No de Esquerda em Esquerda
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CE e GO: blogueiros incomodam a mídia

Neste final de semana ocorrem dois encontros estaduais de blogueiros: no Ceará e em Goiás. Os eventos devem reunir centenas de ativistas digitais e lutadores sociais, que tem como ponto de unidade a luta pela democratização da comunicação no Brasil. Isto explica porque a velha mídia está tão incomodada. Nos últimos dias, Veja e Folha destilaram o seu veneno contra estas iniciativas.
No caso da Veja, que até agora não explicou direito a sua intima relação com a máfia de Carlinhos Cachoeira, os ataques partiram do blogueiro oficial da publicação, conhecido por sua agressividade doentia. Já a Folha publicou neste sábado (14) uma “reporcagem” que nada informa sobre a rica programação do Webfor, no Ceará. O seu único objetivo é estigmatizar o encontro estadual.
A histeria conservadora
Segundo o título da matéria, “evento com patrocínio do governo debate regulamentação da mídia”. No destaque, mais veneno: “Fórum vai discutir 'papel da mídia contra interesses da nação'”. Para a mídia patronal, só mesmo os empresários devem ter apoio oficial para realizar seus eventos – a maioria deles, em defesa de seus interesses mesquinhos contra os anseios da sociedade.
A gritaria da velha mídia contra a blogosfera é compreensível. Além de perder o monopólio da palavra, com a explosão dos blogs e das redes sociais, os barões da mídia vivem uma crise do seu modelo de negócios – com a queda das tiragens dos jornalões e a redução da audiência das tevês. Daí a histeria conservadora, que não deve assustar o jovem e pulsante movimento da blogosfera.
Altamiro Borges
No Blog do Miro
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Investigar Cachoeira, uma ameaça à liberdade de expressão

Por dever de ofício, li o texto de capa de revista que tenta provar que investigar os crimes do Carlinhos Cachoeira, no Congresso, é um atentado à liberdade de expressão.
O que chamou minha atenção foi a frase abaixo, que interpretei como defesa do uso de fontes-bandidas:
Qualquer repórter iniciante sabe que maus cidadãos podem ser portadores de boas informações. As chances de um repórter obter informações verdadeiras sobre um ato de corrupção com quem participou dele são muito maiores do que com quem nunca esteve envolvido. A ética do jornalista não pode variar conforme a ética da fonte que está lhe dando informações. Isso é básico. Disso sabem os promotores que, valendo-se do mecanismo da delação premiada, obtêm informações valiosas de um criminoso, oferecendo-lhe em troca recompensas como o abrandamento da pena.
Registre-se, inicialmente, a tentativa dos autores de usar os promotores de Justiça como escada. Tentam sugerir ao leitor que o esforço da revista, ao dar espaço em suas páginas a fontes-bandidas, equivale ao dos promotores de Justiça.
Sonegam que existe uma diferença brutal: os promotores de Justiça usam a delação premiada para combater o crime. Os criminosos que optam pela delação premiada têm as penas reduzidas, mas não são perdoados. E a ação ajuda a combater um mal maior. Um resultado que pode ser quantificado. O peixe pequeno entregou o peixe grande. Ambos serão punidos.
O mesmo não se pode dizer da relação de um jornalista com uma fonte-bandida. Se um jornalista sabe que sua fonte é bandida, divulgar informações obtidas dela não significa, necessariamente, que algum crime maior será evitado. Parece-me justamente o contrário.
O raciocínio que qualquer jornalista faria, ao divulgar informações obtidas de uma fonte que ele sabe ser bandida, é: será que não estou ajudando este sujeito a aumentar seu poder, a ser um bandido ainda maior, a corromper muito mais?
Leiam de novo esta frase: As chances de um repórter obter informações verdadeiras sobre um ato de corrupção com quem participou dele são muito maiores do que com quem nunca esteve envolvido.
Não necessariamente. Ele não tem qualquer garantia de que as informações são verdadeiras se vieram de um corrupto. Que lógica é esta?
O policial que não estava lá mas gravou a conversa que se deu durante um ato de corrupção provavelmente vai fornecer uma versão muito mais honesta sobre a conversa do que os corruptos envolvidos nela.
O repórter que lida com alguém envolvido em um ato de corrupção sabe, antecipadamente e sem qualquer dúvida, que a informação passada por alguém que cometeu um ato de corrupção atende aos interesses de quem cometeu o ato de corrupção. Isso, sim, é claro, não que as informações sejam necessariamente verdadeiras.
O repórter sabe também que, se os leitores souberem que a informação vem de alguém que cometeu um ato de corrupção, imediatamente perde parte de sua credibilidade. Não é por acaso que Carlinhos Cachoeira, o bicheiro, se transformou em “empresário do ramo de jogos”.
É por saber que ele era um “mau cidadão” que a revista escondeu de seus leitores que usava informações vindas dele. Era uma fonte inconfessável.
Não foi por acaso que Rubnei Quicoli, o ex-presidiário, foi apresentado como “empresário” pela mídia corporativa quando atendia a determinados interesses políticos em plena campanha eleitoral. A mídia corporativa pode torturar a lógica, mas jamais vai confessar que atende a determinados interesses políticos.
Carlinhos Cachoeira não é, convenhamos, nenhum desconhecido no submundo do crime. Vamos admitir que um repórter seja usado por ele uma vez. Mas o que dizer de um repórter usado durante dez anos, por uma fonte que ele sabe ser bandida?
Sim, porque o texto, sem querer, é também uma confissão de culpa: admite que a revista se baseou em informações de um “mau cidadão”. Ora, se a revista sabia tratar-se de um “mau cidadão” e se acreditava envolvida em uma cruzada moral para “limpar a sociedade” de “maus cidadãos”, não teria a obrigação de denunciá-lo?
Concordo que jornalistas não têm obrigação de dar atestado de bons antecedentes a todas as suas fontes.
Mas onde fica a minha obrigação de transparência com meus leitores se divulgo seguidamente informações que sei serem provenientes de um “mau cidadão”? Qual é o limite para que eu seja considerado parceiro ou facilitador do “mau cidadão”?
Se imperar, a lógica da revista será muito conveniente para aqueles policiais presos por associação ao crime.
Tudo o que terão de dizer, diante do juiz: “Ajudei a quadrilha de assaltantes de bancos, sim, doutor, matando e prendendo os inimigos deles. Mas foi para evitar um mal maior, meritíssimo: uma quadrilha que era muito mais bandida”.
À CPI, pois.
Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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Reportagem da IstoÉ sobre Dadá, o espião empregado de Cachoeira, é dadaísta

Reportagem de Claudio Dantas Sequeira publicada na IstoÉ (também pertencente ao grupo dantesco) faz de tudo para ligar Idalberto Matias de Araújo, conhecido como Dadá, ao PT, e embaralhar o jogo que o liga e a seu chefe - o "empresário de jogo" (como diz a Folha rs) Carlinhos Cachoeira - aos partidos de oposição, especialmente ao DEM, via Demóstenes Torres, e ao PSDB, via governador de Goiás Marconi Perillo.
É o jogo que está sendo jogado pela mídia corporativa para tentar embaralhar as cartas que estão na mesa.
O problema é que o repórter acabou fazendo uma reporcagem dadaísta (inconscientemente, é claro) sobre Dadá.
Vou pegar trechos dela e comentar em seguida:
"...o espião Idalberto Matias de Araújo. Conhecido como Dadá, ele tem 51 anos, é ex-sargento da Aeronáutica e está preso em uma unidade militar do Distrito Federal."
Anotaram a idade dele? 51 anos. Nasceu em 1960 ou 1961, portanto. Vamos supor 1960, para dar mais margem ao repórter - vocês vão ver o porquê.
"Maranhanse de Bacabal, Dadá chegou a Brasília junto com os fundadores da capital no início da década de 1960. Sem estudos, buscou na Aeronáutica um meio de sobrevivência."
Nasceu em Bacabal e chegou com os fundadores. Certamente de fralda, pois Brasília foi fundada em abril de 1960.
"Serviu cerca de seis anos como taifeiro e foi trabalhar na 2ª Seção, o setor de informações da FAB."
Se serviu como taifeiro na FAB, deve ter começado aos 18 anos. Como ficou no cargo por seis anos, parou aos 24, em 1984, a um ano do fim da ditadura - 1985.
"Em plena ditadura, da 2ª Seção ele foi para o temido Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica (Cisa), agência integrante do SNI, o aparato repressivo criado pelos militares."
Saiu de taifeiro diretamente para o Cisa, no último ano da ditadura...
"Mantida em segredo até agora, uma das primeiras missões do araponga a serviço do Estado foi monitorar o advogado e ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh. Em 1980, o petista fundou em São Paulo o Comitê Brasileiro de Solidariedade aos Povos da América Latina (CBS), grupo de direitos humanos que fazia denúncias de tortura durante a ditadura e crítica aberta à doutrina de Segurança Nacional que ainda predominava no Brasil. Dadá integrou a equipe que seguia os passos do advogado, registrava seus encontros com membros de partidos até então clandestinos e grupos de esquerda de outros países, como Cuba e Nicarágua."
Mas em 1980, época do tal Comitê, ele era taifeiro...
Com o mesmo "rigor" das informações anteriores, o repórter joga o jogo da mídia corporativa.
Mas a máscara caiu.
Eles têm que mostrar os 200 diálogos de Cachoeira com o diretor da Veja Policarpo Jr.
Civita tem que explicar se o diretor era um aloprado ou agiu a mando dele e do grupo Abril.
Tem que aparecer também o diálogo a respeito de um repórter das Organizações Globo, conforme mostra postagem do Blog do Marco Aurélio Mello.
Protógenes, Delta, eles podem vir com todo o alfabeto grego de alfa a omega, porque o país quer a CPI do Cachoeira para desvendar as relações do Partido da Imprensa com o submundo do crime e da política.
No Blog do Mello
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Brasil age como "gringo" na defesa das fronteiras

CÁCERES, Mato Grosso  - Durante os 500 primeiros anos da história do Brasil, praticamente qualquer coisa que quisesse cruzar suas fronteiras poderia fazê-lo em relativa paz, e isso valia para gado, índios ou intrépidos exploradores.
Essa era agora está chegando ao fim. A ascensão econômica do Brasil obriga o país a lidar com um problema que durante muito tempo foi visto como exclusividade de nações ricas como os Estados Unidos: a necessidade de proteger suas fronteiras e reduzir o fluxo de drogas, contrabando e imigrantes ilegais.
A presidente Dilma Rousseff, sob pressão política para combater a epidemia de crack nas cidades brasileiras, está gastando mais de 8 bilhões de dólares e revendo as defesas estratégicas do país para enfrentar uma questão que tem implicações para o comércio, a agricultura e a economia como um todo.
A prosperidade brasileira criou uma nova classe de consumidores, com dezenas de milhões de pessoas, num país que por acaso faz fronteira com os três maiores produtores mundiais de cocaína: Colômbia, Bolívia e Peru. O Brasil é hoje o segundo maior consumidor mundial dessa droga, atrás apenas dos Estados Unidos, segundo dados do governo norte-americano. É também um crescente mercado para a maconha, o ecstasy e outros narcóticos.
Os esforços do governo Dilma para sufocar o fluxo de drogas podem gerar muito dinheiro para empresas brasileiras, como a Embraer, que planeja produzir uma nova linha de aviões não-tripulados para patrulhar as fronteiras. Companhias estrangeiras, como Boeing e Siemens, também podem se beneficiar.
Mas a proteção de uma área que tem cinco vezes o tamanho da fronteira EUA-México, que serpenteia por quase 16 mil quilômetros - sendo grande parte na Amazônia - e que estabelece limites com dez países é um enorme desafio. Também gera um debate sobre a conveniência de o governo despender tanto dinheiro e esforço.
Para o tenente da Polícia Militar do Mato Grosso Rafael Godoy de Campos Marconi, instalado em um solitário posto de controle fronteiriço entre as cobras do Pantanal, a tarefa parece inglória.
A unidade de Marconi é responsável por patrulhar um trecho de 200 quilômetros na fronteira com a Bolívia, origem de cerca de 80 por cento da cocaína consumida no Brasil. Num dia qualquer, Marconi acredita que dezenas de contrabandistas conseguem se infiltrar pela sua jurisdição, com drogas escondidas nos sapatos, camisas e cuecas.
O problema, segundo Marconi, é que ele tem apenas 10 a 12 homens para abranger toda a área. A última apreensão deles foi há duas semanas.
"Ah, eles estão por aí", suspirou o policial, varrendo o horizonte com os olhos e suando muito sob o calor úmido. "Mas somos tão poucos que eles sabem exatamente onde estamos."
Mesmo com o dobro dos recursos atuais, acrescentou, seria "muito difícil" controlar uma região tão remota do interior brasileiro. Com um sorriso maroto, ele mencionou uma solução que está na boca de muitos brasileiros da região. "Talvez se construirmos um muro, como os Estados Unidos têm (na fronteira com o México). Talvez então possamos reduzir o fluxo dessa gente."
O Brasil não está construindo nenhum muro. Mas está tentando absorver outras lições dos Estados Unidos, e recorrendo a Washington para receber recursos e capacitação técnica. O chefe Do Estado-Maior das Forças Armadas brasileiras viajou no ano passado a El Paso, no Texas, junto à fronteira com o México, para se reunir com militares dos EUA e com funcionários do Departamento de Segurança Doméstica.
A nova ênfase do Brasil no controle das fronteiras, e o óbvio subtexto disso - que o Brasil vê seus vizinhos com crescente desconfiança -, estão começando a gerar na América do Sul um tipo de ressentimento que habitualmente era reservado a um certo país do norte do continente onde se fala o inglês.
"Dói-me dizer isso, mas já ouvi gente dizendo que somos os novos gringos", disse o senador Pedro Taques (PDT-MT), cujo Estado faz fronteira com a Bolívia. "Controlar a fronteira é um problema que o Brasil nunca pensou que teria de enfrentar..., e está nos obrigando a fazer algumas coisas desconfortáveis."
Mas Taques disse que uma maior proteção da fronteira é "crítica" para a saúde econômica e social do Brasil, e manifestou frustração com a demora nos resultados, depois de mais de um ano da posse do governo Dilma. "Até agora, vimos muitos discursos", disse ele. "Mas as pessoas que vivem na fronteira não estão vendo resultados suficientes."
FRONTEIRA INVISÍVEL
Não faz muito tempo, ninguém no Brasil levava as fronteiras a sério - nem seus presidentes.
Em sua autobiografia, Fernando Henrique Cardoso conta das férias que passou no Pantanal depois de ser eleito para o seu primeiro mandato presidencial, em 1994.
Durante um passeio, seu grupo sem querer foi parar no território boliviano, onde após cerca de uma hora um soldado armado os abordou pedindo documentos. Nem FHC, nem sua mulher, Ruth Cardoso, nem o segurança tinham identificação.
"Foi preciso uma boa meia hora explicando, apaziguando e implorando, mas finalmente conseguimos convencer o soldado boliviano da minha identidade", escreveu o ex-presidente. "Ele disse... que éramos as primeiras pessoas que ele precisava impedir de cruzar a fronteira brasileira, e então pediu desculpas por ter nos assustado com a arma."
Historicamente, havia dos dois lados das fronteiras poucas razões para protegê-las. O Brasil não trava guerras com seus vizinhos desde 1870. E, na maior parte da sua história, a hiperinflação e a instabilidade política fizeram com que a economia brasileira fosse apenas mediana pelos padrões sul-americanos. Por isso, pouca gente vinha procurar trabalho no país.
Isso tudo começou a mudar na época em que FHC tomou posse. Políticas favoráveis aos investidores e programas de redução da pobreza vêm desde então garantindo um desempenho econômico estelar para o Brasil, que se aproveita de um movimento mais amplo no equilíbrio global de poder, pendendo agora para os mercados emergentes.
No ano passado, o Brasil superou a Grã-Bretanha como sexta maior economia mundial, e agora só três dos seus dez vizinhos têm uma renda per capita mais alta.
Esse dinamismo, e a moeda excepcionalmente valorizada, atraem imigrantes de toda a América do Sul, que costumam ganhar aqui três ou quatro vezes mais do que nos seus países de origem. Mais de 1,46 milhão de estrangeiros estavam formalmente registrados no Brasil em julho de 2011 - um aumento de 50 por cento em relação ao ano anterior.
O afluxo de trabalhadores estrangeiros ajuda a aliviar uma escassez de mão de obra qualificada, num momento em que o desemprego do Brasil atinge o menor nível da história. Mas esse fenômeno também começa a causar inquietação, especialmente entre os sindicatos, que formam uma das principais bases de apoio de Dilma.
O governo dela prometeu em fevereiro reforçar os controles fronteiriços e as práticas de deportação, depois de ter anistiado mais de 4.000 haitianos que entraram ilegalmente no Brasil, a maioria no Acre, vindos do Peru. O número total de imigrantes sem documentos no Brasil pode chegar à casa das centenas de milhares.
"Muitas dessas pessoas estão vindo em busca de melhores empregos. Esse é o problema", disse o deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical.
A negligência do Brasil com suas fronteiras também tem contribuído com uma enxurrada de produtos importados baratos, o que segundo políticos prejudica a indústria local.
Em entrevista, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, disse que "incontáveis" produtos da China e de outros lugares entram no Brasil pelos países vizinhos sem serem detectados e sem pagarem impostos.
Apesar de tudo isso, o maior problema - enfatizado por Dilma ao apresentar sua iniciativa para as fronteiras, em junho de 2011 - é o crescimento no uso de drogas, sempre acompanhado pelo crime organizado.
São Paulo e outras grandes cidades têm testemunhado a proliferação das chamadas "cracolândias", onde centenas de pessoas esfarrapadas se reúnem para consumir crack à vista das autoridades. A opinião pública tem ficado chocada com imagens exibidas na imprensa de grávidas e crianças fumando a droga.
Quadrilhas de traficantes na prática dominam territórios em várias cidades, inclusive o Rio, que será sede da Olimpíada de 2016. A campanha presidencial de 2010 foi provavelmente a primeira na história do Brasil em que o uso de drogas surgiu como uma questão importante, e isso gerou uma pressão para que Dilma reagisse logo depois da sua posse.
"Uma das principais prioridades para a presidente Dilma, voltando à campanha, é a questão de combater a violência e as drogas", disse em entrevista o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. "Controlar as fronteiras é uma parte crítica dessa estratégia."
"UMA DESGRAÇA"
Na linha de frente, porém, a mudança tem sido lenta.
Em seu posto de fronteira, 50 km a oeste de Cáceres (MT), o tenente Marconi e seus colegas policiais vivem em casebres metálicos sobre palafitas. Galinhas ciscam ao redor, e homens com chapéu de boiadeiro passam lentamente de bicicleta, aparentemente alheios à presença policial.
Embora seja o único posto policial importante em um dos maiores corredores do narcotráfico no Brasil, o local não tem aparelhos de raios-X nem scanners para detectar drogas em veículos. Para as inspeções, os carros sobem em uma plataforma de madeira de aspecto frágil. Cães farejadores raramente são empregados, segundo Marconi.
"Isso é uma desgraça", disse o promotor Mauro Zaque, que visitava o local. "Não é possível que você me diga que o Estado não tem 2 milhões de reais para colocar uma instalação decente aqui. O que falta é vontade política."
A fronteira, na verdade, fica a mais de 30 quilômetros. Isso levou um visitante a perguntar: os contrabandistas não poderiam simplesmente contornar o posto?
Marconi fez uma careta. "É, parece que muitos deles fazem isso."
As autoridades da região do Pantanal já detectaram inúmeras rodovias clandestinas abertas por contrabandistas para evitar os controles. Mas especialmente difíceis de detectar é o silencioso exército de "mulas" que cruzam da Bolívia a pé, geralmente à noite, para desovar suas cargas em pontos previamente combinados, de onde outros se encarregam de distribuí-las para as cidades brasileiras.
Ao fazer uma patrulha numa tarde recente, Marconi apontou aberturas em cercas de fazendas, que segundo ele foram feitas por contrabandistas.
A própria fronteira é tão mal demarcada que Marconi às vezes não sabe exatamente onde ela fica, entrando em alguns momentos no que pode ou não ser a Bolívia. "Não devemos ficar aqui por muito tempo", disse ele a certa altura.
Aliás, essa é uma região até fácil de patrulhar para os padrões brasileiros: plana e relativamente sem árvores. Cerca de 10 mil quilômetros das fronteiras brasileiras - uns 60 por cento do total - são formados por selvas densas, cortadas por rios que nascem em países vizinhos e entram em território brasileiro, o que facilita a vida dos contrabandistas.
Os integrantes de alto escalão do governo federal dizem não ter ilusões quanto aos obstáculos que enfrentam. "Não podemos supor ou ter a visão antiga de que faremos isso colocando em fileira homens para proteger 16 mil quilômetros de fronteiras", disse Dilma ao lançar a iniciativa para as fronteiras no ano passado. "Isso não é possível."
A presidente tem focado em soluções que aproveitem os recursos humanos já existentes. Uma das primeiras medidas dela foi ampliar o papel dos militares na proteção das fronteiras, basicamente lhes dando poder de polícia, como a autoridade para parar e vistoriar veículos a até 150 quilômetros da fronteira.
Ela também exigiu uma coordenação total entre os militares e as várias forças policiais brasileiras - algo que antes não existia. Marconi disse que, em dois anos trabalhando na fronteira, só teve contato com o Exército uma vez. Ao saber disso, Cardozo assentiu tristemente. "Estamos trabalhando nisso", afirmou.
Um novo comando conjunto para questões de fronteira foi construído na sede do Ministério da Defesa. O vice-presidente Michel Temer começou a comandar reuniões multidepartamentais, abrangendo não só Exército e polícia, mas também autoridades ambientais, comerciais e de outras áreas.
Esse novo foco representa uma mudança fundamental para as Forças Armadas, que vinham desempenhando um papel não muito claro desde o fim do regime militar, em 1985. O general José Carlos de Nardi, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, pendurou junto à porta do seu gabinete, em Brasília, uma foto da visita a El Paso, como lembrança das suas novas prioridades.
"É uma mudança para nós, certamente", disse De Nardi em entrevista. "Essa será uma parte central da nossa estratégia durante décadas."
MAIS RECURSOS
Cientes dos desafios enfrentados por seu pessoal de campo, De Nardi, Cardozo e outras autoridades concluíram que os dois principais fatores para o sucesso do Brasil serão tecnologia e trabalho de inteligência.
Uma das mais eficazes novas ferramentas, dizem eles, são os aviões não-trupulados capazes de detectar barcos, pessoas e até gado - um elemento crítico para proteger o setor pecuarista, maior exportador mundial, com vendas de 4 bilhões de dólares por ano, contra pragas devastadoras, como a febre aftosa.
Caças de última geração da FAB, radares terrestres, embarcações fluviais e outros equipamentos também serão adquiridos. De Nardi disse que o Brasil está apenas começando a obter os recursos necessários, e que haverá muitas oportunidades para empresas locais e estrangeiras. "Vamos precisar de muitas ferramentas", disse ele.
Cardozo disse que o governo vai duplicar o contingente da Polícia Federal na região da fronteira até 2013, em parte ao obrigar que todos os agentes recém-contratados passem um período ali. Instalações como a cabana do tenente Marconi serão melhoradas, e um projeto de lei será enviado ao Congresso oferecendo um incentivo salarial a funcionários que trabalhem na região da fronteira, segundo o ministro.
Mas alguns se perguntam se tanto gasto vale a pena, especialmente com relação às drogas. Se os Estados Unidos, com todos os recursos decorrentes do fato de ser a maior economia do mundo, não conseguem impedir a entrada da cocaína pelas suas fronteiras, como o Brasil vai conseguir?
Entre os céticos está o ex-presidente FHC, que se tornou nos últimos anos um importante crítico da "guerra às drogas" internacional. Ele disse que, embora um maior grau de segurança nas fronteiras seja necessário por razões econômicas e estratégicas, o Brasil dificilmente conseguirá tolher a enorme demanda por entorpecentes.
"Não faz sentido", disse o ex-presidente, que defende a legalização das chamadas drogas leves, como a maconha. "A experiência da América Latina durante os últimos 30 anos mostra que resistir a essas forças só gera mais violência."
De fato, o Brasil está ampliando seus esforços justamente quando países da região parecem explorar alternativas, depois de sofrerem enormes custos humanos e financeiros ao enfrentarem com rigor as quadrilhas de traficantes nos últimos anos.
O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, disse no ano passado que daria "boas vindas" à legalização se isso privasse os traficantes do lucro. Seu colega mexicano, Felipe Calderón, sugeriu num discurso em setembro de 2011 que estaria aberto a algo semelhante.
O coronel João Henrique Marinho, que comanda o Segundo Batalhão de Fronteira do Exército, em Cáceres, observou que, no momento, os traficantes brasileiros na região da fronteira não chegam nem perto dos cartéis mexicanos e colombianos em termos de sofisticação ou poder de fogo. Segundo Marinho, eles mantêm uma operação "artesanal", baseada em "mulas" e aviões pequenos.
Questionado sobre a razão para os traficantes locais não terem se organizado em cartéis do estilo mexicano, Marinho levantou as sobrancelhas e respondeu: "Será porque não estamos resistindo?".
OPERAÇÕES NO EXTERIOR
As preocupações com os cartéis são igualmente acentuadas no outro lado da fronteira. Na poeirenta localidade boliviana de San Matías, próxima a Cáceres, os locais sussurram que já viram um amedrontador aumento no número de criminosos no último ano. Mas os malvadões, dizem eles, são brasileiros.
"São os brasileiros que comandam as coisas por aqui", disse o comerciante José Contreras, fazendo um sinal de gatilho com o indicador. "Sabe, os brasileiros culpam os bolivianos por tudo, mas são eles que roubam e matam. Eles usam isto aqui como base. Está piorando."
Cardozo admitiu que há questionamentos e possíveis riscos na estratégia do governo. Mas disse que o Brasil irá perseverar.
Dilma descarta a legalização das drogas, e disse em 2010 à revista Rolling Stone que "a sociedade não está pronta para uma mudança dessa natureza".
Cardozo observou que o Brasil já tentou uma espécie de abordagem tolerante com relação às drogas - com resultados desastrosos, visíveis nas cracolândias, nas favelas dominadas pelo tráfico e em outros lugares.
Questionado sobre como o Brasil pode ter sucesso onde os EUA não conseguiram, Cardozo disse que a chave é "ter uma relação com esses países (produtores) para que a questão possa ser atacada no território deles."
Para tal, o Brasil começou a se envolver com práticas muito parecidas com aquilo que Washington faz há décadas na América Latina toda. Cardozo disse que agentes da PF entraram no Paraguai no ano passado e destruíram pessoalmente plantações de maconha, com autorização das autoridades locais.
O ministro disse que uma ação semelhante aconteceu em agosto de 2011 no território peruano para erradicar plantações de coca, a matéria-prima da cocaína. Ele também citou um novo acordo de cooperação envolvendo EUA, Brasil e Bolívia, pelo qual as forças brasileiras irão oferecer treinamentos e equipamentos aos bolivianos.
Felipe Cáceres, vice-ministro de Defesa Social da Bolívia, disse que o acordo ajudará o seu país, o mais pobre da América do Sul, ao proporcionar "apoio logístico para cobrir a extensa geografia (da Bolívia)".
Cardozo disse ter havido progressos significativos desde que o plano de fronteiras foi lançado. De junho de 2011 a fevereiro de 2012, as forças de segurança brasileiras apreenderam 123 toneladas de maconha e 17 toneladas de cocaína em operações conjuntas na fronteira, segundo dados do Ministério da Justiça. Mais de 5.000 pessoas foram presas em decorrência disso.
As apreensões também incluíram carros roubados, armas, munições, explosivos e centenas de milhares de dólares em outros produtos de contrabando. "É um bom começo, e é muito importante proteger todos os nossos setores da economia", disse o ministro Pimentel.
Na linha de frente, alguns estão igualmente esperançosos.
Augusto César de Borges, funcionário do Indea (Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso), trabalha em um pequeno posto fiscal novo, com ar condicionado, bem na fronteira, em frente a San Matías, basicamente vistoriando carros à procura de contrabando.
Até 2007, não havia presença do Estado por aqui, e "qualquer coisa podia entrar" no Brasil, segundo ele. "Isso tudo é novo para nós, e estamos melhorando", disse Borges. "Agora, só precisamos de mais ferramentas."
Como quais?
"Sei lá", disse ele, com um sorriso. "Talvez um muro."
Reportagem adicional de Alice Pereira, Nacho Doce e Jeferson Ribeiro, em Brasília
No  Reuters Brasil
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Energia Azul

Pesquisadores da cidade holandesa de Leeuwarden vão trocar seu laboratório pelo dique Afsluitdijk, no norte do país, para fazer experimentos com ‘energia azul’.
De um lado do Afsluitdijk há um enorme reservatório de água doce, o lago Ijsselmeer, e do outro lado uma massa muito maior de água salgada, o Mar Frísio. É justamente o que se precisa para produzir energia azul: a diferença entre água salgada e doce. Isso proporciona uma tensão diferencial que gera corrente elétrica.
A licença para a construção da primeira usina experimental de energia azul já foi outorgada.
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No RNW
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Novo prefeito de São Luiz Gonzaga suspende licitação para privatização da água

Mário Meira foi empossado na Câmara de Vereadores
O novo prefeito de São Luiz Gonzaga, Mário Meira (PP), empossado no cargo nesta sexta-feira (13), decidiu suspender a licitação para a privatização do abastecimento de água e saneamento no município. Em entrevista à rádio Missioneira, Meira anunciou que estudará a proposta apresentada pela Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) para a execução desses serviços.
O até então prefeito do município, Vicente Diel (PSDB), foi afastado do cargo hoje, em sessão extraordinária da Câmara de Vereadores do município. Diel foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Estado por interferir indevidamente na licitação do transporte escolar do município, em 2005, quando era vice-prefeito e secretário de Obras do município. A pena de dois anos e três meses de prisão em regime semiaberto foi convertida em prestação de serviços à comunidade e pagamento de 50 cestas básicas para entidades assistenciais.
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Veja faz fumaça também para defender agiotagem dos bancos

A revista Veja não fez cortina de fumaça só contra a CPI do Cachoeira. Fez a mesma coisa para defender os juros extorsivos dos bancos privados.
A revista começa fazendo cortina de fumaça dizendo "a estratégia dos bancos públicos é louvável" (também se entrasse de sola dizendo-se contra, desagradaria seus próprios leitores de classe média), para em seguida repetir a mesma ladainha do lobby pela agiotagem dos banqueiros privados, que foram ao Palácio do Planalto dizer que, para baixar os juros, precisam mamar nas tetas do governo.
A revista comete ato falho e confessa o lobby neste trecho onde toma as dores da FEBRABAN (Federação de bancos):
Ao criticar as demandas feitas pela Federação dos bancos (Febraban) para reduzir os juros, Guido Mantega afirmou que as instituições privadas querem jogar a responsabilidade do spread “nas costas do governo” e que elas “têm margem para reduzir taxas”. A declaração evidencia uma avaliação tacanha do problema. Os bancos inegavelmente possuem – como ocorre na maioria dos países, aliás – elevada rentabilidade, mas o alto custo final do dinheiro no Brasil está longe de se resumir a essa questão. Boa parte da explicação está nas deficiências da própria economia e sua solução depende sim do Planalto.
Só que pouco antes, a revista caiu em contradição ao dizer:
A ação do BB e da CEF, seguida pelo privado HSBC... [o HSBC também cortou juros para pessoas física]
Ora, se um banco privado estrangeiro, que atua em centenas de países, acompanhou o corte de juros, é a confirmação cristalina de que o ministro está certo, e havia margem de sobra para cortar, e aquela conversa de "deficiências da própria economia" não passa de lobby da Veja e da FEBRABAN.
Não sei como que o leitor da revista, de classe média, usuário de serviços bancários, não se dá conta que a revista o está chamando de otário, com essa argumentação tacanha.
Em outro trecho a revista faz proselitismo para desestimular clientes mudarem de banco, escondendo do leitor a existência da portabilidade de financiamentos regulamentada pelo Banco Central, e da "transferência automática de salário" para quem tem conta-pagamento:
Até então, seguras da “dor de cabeça” que é trocar de banco, as supostas concorrentes não moviam grande esforço para assediar clientes umas das outras — e tampouco sacrificavam suas margens.
Bradesco patrocina a Veja, e Itau é grande anunciante
O banco privado Bradesco patrocina o acervo digital da revista Veja, além de fazer grandes anúncios nas páginas impressas:
O Banco privado Itaú também é grande anunciante da Veja, em páginas duplas:
O Bradesco ainda patrocina na TV o "Jornal Nacional" e o Itaú o "Jornal da Globo".
Como se vê, há fortes indícios de uma ação política entre os bancos e a mídia pela manutenção dos privilégios e do projeto de poder demotucano.
É por isso que é importante pessoas progressistas engajadas em romper com os 500 anos de atrasos e golpismo contra a prosperidade do povo e da nação, devem tomar a decisão POLÍTICA de mudar suas contas dos bancos privados para os bancos públicos. Porque se continuarem sendo clientes destes bancos privados, além de enfraquecerem o controle público sobre o sistema financeiro nacional, acabam por ajudar a financiar estas revistas e telejornais golpistas.
ZéAugusto
No Amigos do Presidente Lula
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Mantega: temos o maior spread do mundo e isso não se justifica

Nesta sexta-feira (13), o ministro da Fazenda, Guido Mantega, elevou o tom e fez duras críticas à postura dos bancos privados na concessão de crédito e no custo do dinheiro. E avisou que não atenderá às propostas feitas pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) na terça-feira (10).
Para Mantega, o país possui todas as condições para que os bancos brasileiros deixem de ser "os campeões do spread".
Segundo ele, "se eles [os bancos privados] não tivessem lucratividade, a gente poderia dizer: vamos mexer nos tributos, reduzir a cunha fiscal, mexer no compulsório. Mas eles têm margem para aumentar o crédito neste momento, e é necessário que isso seja feito sem mexer em nada".
Situação fiscal
O ministro afirmou que os bancos privados não estão liberando crédito e estão cobrando juros muito elevados, mesmo considerando a atual situação do Brasil.
"A economia brasileira está bastante sólida, estamos com inflação baixa, em torno de 4,5%, estamos com uma situação fiscal ótima, estamos com superávit, diminuindo a dívida pública, os consumidores estão com vontade de consumir, com mais salários, porém está havendo uma retenção de crédito por parte dos bancos", acrescentou.
Mantega lembrou que as taxas de captação do dinheiro pelos bancos privados são de 9,75% ao ano, mas emprestam para o consumidor a taxas de até 80% ao ano, dependendo das linhas de crédito.
"Essa situação não se justifica. A economia brasileira tem condições jurídicas sólidas. A economia brasileira tem o maior spread do mundo e isso não se justifica", criticou.
O ministro ressaltou que, no passado, até havia alguma insegurança jurídica, por causa de leis que não garantiam a devolução do recurso, mas o Brasil avançou muito nesta área.
"Temos nova Lei de Falências, alienação fiduciária que garante a retomada dos bens e até o cadastro positivo já foi aprovado. Os bancos diziam que iriam reduzir o spread quando nós aprovássemos o cadastro positivo. Ele está regulamentado e valendo", argumentou. Procurada, a Febraban não comentou o caso.
Diálogo com a Febraban
Após reunião com o presidente da Febraban, Murilo Portugal, na terça-feira (10), Guido Mantega deixou claro seu incômodo com a posição da federação.
"O Murilo Portugal esteve aqui outro dia e, em vez de trazer soluções anunciando aumento de crédito, veio para fazer cobranças. Se os bancos estão tão lucrativos, eles têm margem sim para reduzir as taxas e aumentar o volume de crédito", comentou o ministro, em claro sinal de contrariedade.
Bancos públicos
O ministro ressaltou o papel dos bancos públicos neste processo e disseque os bancos públicos federais terão autonomia para avaliar as condições de mercado para decidir se farão novas reduções nos juros cobrados nos empréstimos
“Os bancos públicos são autônomos para fazer isso e, portanto, estarão reduzindo as taxas. Mas as taxas já foram reduzidas bastante. Houve taxa que caiu para um terço. Eles que têm que se definir em relação a isso”, disse. Nos últimos dias, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal anunciaram redução dos juros de linhas de crédito.
O ministro destacou ainda que os bancos públicos registram um menor índice de inadimplência e têm rentabilidade tão alta quanto as instituições privadas. “Eles não poderiam agir se expondo a riscos. Tem que agir dentro da prudência e dentro das garantias necessárias. Os bancos [públicos] terão mais lucro porque irão emprestar mais”, avaliou.
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Os dez livros fundamentais do jornalismo

segundo Luiz Cláudio Cunha *
As pedras fundamentais do jornalismo
É difícil e injusto estabelecer um filtro, sempre indevido, para as obras que são importantes ou marcam a vida de um jornalista, até pela visão pessoal e diversa de cada um. Mas, ao longo do tempo, existem bons exemplos de contadores de histórias que resumem este ofício. A começar pelo mais antigo de todos, o ateniense Tucídides, do quinto século antes de Cristo, que pode ser considerado de fato o primeiro repórter da história, mesclando nele as virtudes e os atributos que a academia identifica no profissional da imprensa: o historiador do presente, o repórter da atualidade que, pelo conhecimento acumulado, acaba de fato registrando a história do passado que vai prevalecer no futuro.
Minha lista dos ‘Dez Mais’ pode ser discutida, contestada, certamente é incompleta pela injusta restrição da dezena, mas todos os exemplos abaixo trazem um ou outro atributo essencial da profissão: o testemunho do repórter, o talento do texto, o sabor da frase, o tempero da inteligência, a relevância da história, qualidades que podem garantir a eternidade do reconhecimento para um trabalho geneticamente amaldiçoado pelo efêmero, pelo transitório, pelo passadiço.
Estes textos, estes autores, nunca passaram, nunca passarão.
Ficaram na história. E na minha memória.
Minha lista dos ‘Dez Mais’:
1. A Primeira Vítima, de Phillip Knightley (lançamento, 1975)
Phillip Knightley, repórter do The Times e do The Sunday Times de Londres, disseca aqui o sonho profissional de muitos jornalistas: a função de correspondente de guerra. Das frentes de batalha da Criméia (1854) ao Vietnã (1975), Knightley desfia uma coleção espantosa de histórias que tornam o jornalismo uma experiência de vida fascinante.  Uma edição mais recente, de 2000, inclui relatos de correspondentes do conflito das Malvinas, da primeira guerra do Golfo e dos combates no Kosovo.
Um livro soberbo, viciante, que conta histórias reais que parecem inventadas por serem tão inacreditáveis. Mas é apenas a essência da reportagem, deslizando sobre o gume quente, afiado, arriscado, eventualmente letal dos conflitos humanos.
2. A História da Civilização, de Will Durant (lançamento entre 1935 e 1975)
O historiador e filósofo Will Durant produziu uma prodigiosa história do mundo em onze volumes, os últimos cinco deles em autoria com sua mulher, Ariel Durant. É a série historiográfica de maior sucesso editorial de todos os tempos, redigida ao longo de quatro décadas num estilo leve, agradável, bem humorado, inteligente, irônico, sem nunca perder a densidade, o contexto e a abrangência de 25 séculos da civilização.
No volume sexto, sobre a Reforma, ao descrever um afamado humanista francês do Século 16, Guillaume Budé, que se dizia “companheiro, sócio e amante da filosofia”, Durant dá um exemplo de sua picardia: “[Budé] lamentava que tivesse de roubar tempo aos estudos para comer e dormir. Em um momento de distração, casou-se e teve 11 filhos”. Quando se lê a última linha do último volume, dá vontade de começar tudo outra vez. Não existe maior homenagem a um contador da história.
3. Memórias da Segunda Guerra Mundial, de Winston Churchill (lançamento entre 1948 e 1954)
Figura decisiva da guerra, o primeiro ministro inglês Winston Churchill teve a férrea disciplina de registrar toda noite, sob os bombardeios da Luftwaffe sobre Londres, a rotina dramática das graves decisões que influíram no maior conflito da história humana. Tirou dali, com o talento de sua prosa inigualável, o mais rico relato da resistência ao nazismo e da vitória aliada, em seis volumes envolventes de 4.135 páginas na edição inglesa (a brasileira, num único volume, tem 1.193 páginas) que lhe deram em 1953 o Nobel de Literatura.
Concentrava nele o papel de um jornalista talentoso que era, simultaneamente, um dos maiores estadistas do mundo num momento singular da história. Uma dupla raridade que desponta, íntegra, nesta obra impressionante pela dimensão dos fatos e dos personagens.
4. Todos os Homens do Presidente, de Bob Woodward e Carl Bernstein (lançamento em 1974)
A reportagem política de maior impacto do Século 20. A investigação de dois repórteres obstinados (Bob Woodward e Carl Bernstein) e de um jornal determinado (The Washington Post) confronta o presidente mais vigarista (conhecido como Dick Tricky) da história americana, desafiando a Casa Branca e as mentiras do homem mais poderoso do mundo.
Um clássico do jornalismo como ofício ético devotado à denúncia de um poder imoral e a serviço do interesse público. Tem a carga elétrica de um thriller policial com a dramaticidade de um evento real, que levou Nixon à renúncia e deu ao jornalismo a enganosa indulgência do mito.
5. Declínio e Queda do Império Romano, de Edward Gibbon (lançamento entre 1776 e 1788)
Obra em seis volumes do Século 18, Declínio e Queda… é o trabalho que deu fama ao historiador e cético iluminista Edward Gibbon, apontado como o autor da primeira ‘obra moderna de história”.  Ancorado em fontes primárias, desprezando a interpretação religiosa vigente em tempos de forte influência da Igreja, Gibbon desprezava visões místicas da história para apoiar seu relato em fatos induzidos pela sociedade, pela cultura, pela política. Em três mil páginas, a história de 1.400 anos do esplendor e decadência de Roma imperial descia do plano celestial para a realidade da vida terrena.
Dono de um estilo refinado e pujante, com um ritmo literário que dá leveza e elegância à narrativa, Gibbon, já na primeira frase de seu monumental trabalho, exibe a força e a índole de uma obra que sobreviveria ao império dos Césares: “No segundo século da era cristã, o império de Roma abrangia a mais bela parte da terra e o segmento mais civilizado da humanidade”.  É a porta de entrada para o que de melhor existe no espírito humano.
6. Os Sete Pilares da Sabedoria, de T.E. Lawrence (lançamento em 1935)
Winston Churchill, que entendia do ofício, definiu: “Um dos maiores livros já escritos na língua inglesa”. A guerra de guerrilhas das tribos árabes contra os opressores do império turco, unificadas sob a inesperada liderança de T.E. Lawrence, acontece nas areias escaldantes do deserto, oculta na periferia mais distante e empoeirada da I Guerra Mundial. Ali assoma a figura mítica do arqueólogo que virou militar, do inglês que assumiu a identidade de árabe, do homem anônimo que ganhou a dimensão de lenda ainda em vida como Lawrence da Arábia. Tudo isso graças a este livro autobiográfico escavado no subsolo da memória.
Lawrence perdeu todos os manuscritos numa troca de trens, na Inglaterra, em 1919. Insatisfeito com a segunda versão, refeita no ano seguinte, destruiu tudo. A nova e definitiva versão só brotou em 1935, depurada na versão viva, quente, imortal de um dos personagens mais fascinantes da fronteira entre dois mundos, o Ocidente e o Oriente. É um monumento único de estilo, erudição, história, filosofia e reportagem, que inspira e emociona.
7. 1964: a Conquista do Estado, de René Armand Dreifuss (lançamento em 1981)
O historiador e cientista político uruguaio René Armand Dreifuss produziu uma obra seminal da história brasileira: desfez a lenda de que a derrubada de João Goulart em 64 foi uma mera quartelada, provando que ela foi resultado de uma científica, longa conspiração de militares, empresários, grande imprensa e a Igreja conservadora, unidos no que foi, de fato, um clássico golpe civil-militar. Confirmou esta tese debulhando documentos, relatórios e atas de arquivos áridos que, tratados com habilidade e visão política, renderam um trabalho devastador, fonte obrigatória para historiadores e exemplo didático para todo repórter no manuseio correto de papéis aparentemente burocráticos.
O livro de Dreifuss revelou, para sempre, os nomes ocultos e os ilustres sobrenomes de quem trabalhou para a derrocada do governo constitucional e a tomada do aparelho de Estado para impor ao país a mais longa e sangrenta ditadura (1964-1985) de sua história. Uma aula meticulosa de jornalismo preciso para repórteres interessados nos documentos e arquivos que iluminam a história e jogam luz sobre seus poucos heróis e muitos vilões.
8. Cinco Dias em Londres, de John Lukacs (lançamento em 1999)
Autor de três dezenas de livros, a maioria deles sobre o duelo de gigantes entre Winston Churchill e Adolf Hitler no limiar entre civilização e barbárie, o historiador húngaro John Lukacs, naturalizado americano, conseguiu lapidar uma joia histórica neste enxuto (204 páginas), clássico e inovador relato sobre cinco dias cruciais de maio de 1940 que mudaram a história do mundo. Reconta a assunção de Churchill ao poder em maio de 1940, três semanas antes da épica retirada de Dunquerque, quando a vitória nazista e a rendição britânica pareciam iminentes.
Percorrendo meandros nunca antes trilhados pela multidão de historiadores que dissecam o rico universo churchilliano, Lukacs descobriu um detalhe instigante do líder britânico recém-chegado ao poder. A teimosa, brava resistência de Churchill  entre sexta (24 de maio) e terça-feira (28) contra a corrente derrotista no governo de Londres que defendia uma trégua precoce, quase uma rendição ao poder avassalador dablitzkrieg de Hitler, salvou o mundo de uma impensável capitulação ao nazismo.
O trabalho de repórter feito por Lukacs, num livro construído com o suspense do choque de pensamentos que poderia decidir o futuro da humanidade naqueles cinco dramáticos dias, é uma inspiração e um estímulo para o jornalista sagaz e persistente.
9. Chatô, o Rei do Brasil, de Fernando Morais (lançado em 1994)
O livro marca o encontro de duas figuras memoráveis: o repórter Fernando Morais e seu personagem central, Assis Chateaubriand. Conhecido pelo apelido de ‘Chatô’, era o dono de um império que inaugurou a moderna comunicação no país na primeira metade do Século 20, que ele dominou como uma versão real, ainda mais poderosa do que o Cidadão Kane da ficção do cinema. Chefe de uma corporação que reunia uma centena de emissoras de rádio e TV, jornais e revistas (incluindo a maior do país, a semanal O Cruzeiro), ‘Chatô’ tinha o estilo de um jagunço, a ousadia de um conquistador, a criatividade de um revolucionário, que agia com a determinação invulgar de um homem onde se mesclavam charme, truculência, sedução, brutalidade, invenção, rudeza e modernidade.
Era o personagem ideal em busca de um grande repórter. ‘Chatô’ teve a sorte de encontrar Morais, responsável talvez pela mais impressionante biografia do jornalismo brasileiro. O texto brilhante, vivo, abrangente, quase sempre cômico, inevitavelmente trágico, é uma exaltação ao talento do repórter e o ponto supremo do jornalismo biográfico.
Chatô de Fernando Morais é uma aula de Brasil, uma lição para jornalistas e uma delícia para leitores que apreciam uma bela história narrada de forma admirável.
10. História da Guerra do Peloponeso, de Tucídides (edição inglesa em 1628, brasileira em 1982)
O primeiro repórter da história, Tucídides, nasceu em 460 a.C, quando o ‘pai da história’, Heródoto, era um jovem curioso de 25 anos. Ao contrário do mestre, porém, Tucídides produziria este clássico, fundamento da história como ciência, em oito volumes calcados na experiência e no testemunho direto de quem, como general ateniense, acompanhou a guerra por dentro.
Tucídides registrava a história como produto das escolhas e das ações dos seres humanos, não como resultado da ira dos deuses. Desprezando lendas, superstições e relatos de segunda mão, Tucídides preferia ouvir testemunhas oculares e entrevistar participantes dos eventos, relegando a suposta intervenção divina nos assuntos humanos.
O tradutor Mário da Gama Kury lembra que Dionísio, um crítico literário nascido quatro séculos depois em Halicarnassos, terra natal de Heródoto, definiu as qualidades maiores de Tucídides, que valem ainda hoje para um bom repórter: “concisão monolítica, pungência austera, veemência, capacidade de inquietar e comover e, sobretudo, um profundo comando do patético”.
O olhar soberano do repórter, como ensina esta longa e viva reportagem realizada no campo de batalha há 25 séculos, quando ainda não existia Google nem Twitter, prova que a receita do bom profissional continua a mesma: é preciso estar lá, para ver e sentir a notícia, sem intermediários.
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Breve perfil do autor:
Luiz Cláudio Cunha (Caxias do Sul, 15 de abril de 1951), colunista do Sul21, trabalhou, entre outros, no O Estado de S.Paulo, Jornal do Brasil, O Globo, Correio Braziliense, Zero Hora, Diário da Indústria e Comércio, e nas revistas VejaIstoÉ Afinal. Foi editor-contribuinte da revista Playboy. Comandou a redação da Veja em Porto Alegre (1973-1980) e em Brasília (1981-1983). Em Brasília, chefiou a redação de IstoÉ (1984)e Afinal (1985-1986), e de O Estado de São Paulo, Jornal do Brasil, Zero Hora e Diário da Indústria e Comércio. Sua carreira jornalística está marcada pela reportagem investigativa e pelo jornalismo político. Ganhador de vários prêmios jornalísticos, escreveu sobre crimes contra os direitos humanos realizados pelas ditaduras militares do Cone Sul.
Dentre seus trabalhos, destaca-se a série de reportagens realizadas entre 1978 e 1980, sobre o “Sequestro dos Uruguaios”, uma tentativa ilegal de militares brasileiros e uruguaios para a prisão de ativistas uruguaios, no âmbito da clandestina Operação Condor. O trabalho, realizado em conjunto com o fotógrafo J.B. Scalco, rendeu-lhe o prêmio principal do Esso de Jornalismo de 1979. Em 2008, lançou o livro Operação Condor: o Sequestro dos Uruguaios — uma reportagem dos tempos da ditadura, que ganhou um Prêmio Jabuti e uma menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, ambos na categoria de Livro-Reportagem. O livro também ganhou, em 2010, a menção honrosa em Literatura Brasileira de não ficção do Prêmio Casa de Las Américas, em Cuba. Foi agraciado em 2011 com o título de ‘Notório Saber em Jornalismo’ pela Universidade de Brasília.
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