14 de abr de 2012

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Charge do Kayser

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Quem é o “repórter do G”?

A “Veja” tem razão, minha gente. É preciso reconhecer. Está na hora de levantar essa “Cortina de Fumaça” e enxergar o que há atrás.
Depois de receber a orientação da revista, na corajosa edição que chegou às bancas essa semana, um grupo de operários da notícia (não confundi-los com as ”formigas” a que a publicação da marginal faz referência) resolveu dedicar parte da última madrugada a ler a transcrição dos grampos do Caso Cachoeira.
A leitura revela diálogos curiosos. Um deles, transcrito pelo blog Dodeladelá, mostra que Cachoeira e seus arapongas se confraternizam depois de ver publicada uma reportagem no diário Correio Braziliense. Marco Aurelio Mello, responsável por escarafunchar os autos, pergunta no Doladodelá: “A quem interessava aquela notícia?” Ah, essa cortina de fumaça…
Mas o diálogo mais intrigante é outro, também destacado pelo Doladodelá. Dois arapongas conversam. O dia: 19 de maio de 2011. Quatro dias antes, o “Fantástico” da TV Globo havia publicado reportagem sobre a compra de máquinas caça-níqueis. Os arapongas fazem referência à reportagem:
“LENINE – (…) O CHICO sentou com o repórter aí rapaz que fez, cê sabe rapaz, sentou ontem, sentou hoje…
OLÍMPIO – oh rapaz, o duuuu o do G, aquele do G que fez tudo?
LENINE – é o repórter aí homem que fez o trem do FANTÁSTICO pô”
Encerrada a transcrição (que pode ser lida aqui), esclareçamos: ”Chico” é o Dadá, araponga que trabalhava para Cachoeira e para mais meio mundo em Brasília.
Agora, vamos testar hipóteses: o araponga sentou com “o repórter do G” para que? Reparem que não se fala em repórter “da” G, mas “do” G. O que seria esse G, assim, tão próximo da palavra “Fantástico”?
G de “G Magazine”, sugere-me um gaiato no twitter. Ou seria G de “Guarani”? G de “Guaraná”? Alguém na internet falou em “G de Globo”. E aí, sinceramente, fiquei confuso. Globo seria o jornal ou seria aquele biscoito que a gente compra nas praias do Rio? Os dois são muito vendidos.
Para não ser injusto, gostaria de dizer: a reportagem do “Fantástico” parece-me correta. Não vi nada de estranho ali. No twitter, algumas pessoas dizem que a reportagem serviria para detonar adversários de Cachoeira. Não vejo elementos para afirmar isso. E a reportagem também ataca a atividade dos bingos clandestinos de uma forma geral, o que não deve ter agradado Cachoeira.
O estranho é outra coisa: por que Dadá teria se encontrado com “o repórter do G”, que “fez o trem do FANTÁSTICO”?
Esse é apenas um dos fatos que precisam ser investigados na CPI do Cachoeira. Até para que se saiba quais jornalistas faziam parte da quadrilha e quais simplesmente trocavam informações em sua busca incansável pela notícia. Por isso, afirmo: devemos nos somar ao corajoso chamado da Veja e exigir que se exponha ao país o que está por trás da “Cortina de Fumaça”
Jornalistas muitas vezes falam com bandidos para denunciar outros bandidos. Falar não significa virar parceiro. Mas está claro que uma parte da imprensa brasileira usou sistematicamente os serviços do “empresário de jogos clandestinos” (é assim que a “Folha”, respeitosamente, trata Cachoeira; por que será, hem?). E o fez não apenas para publicar reportagens sobre caça-níqueis que, eventualmente, pudesem agradar a turma de Cachô. A parceria, diz o deputado Fernando Ferro, parece ser mais profunda.
Por isso, o deputado quer que Bob Civita seja convocado pela CPI. A Abril precisa explicar os 200 telefonemas entre o diretor da revista (Policarpo) e Cachoeira. E precisa explicar se o escândalo do Mensalão foi mesmo criado a partir de uma parceria “Veja”-Cachoeira.
A velha imprensa brasisleira tá com medo da CPI. medo de ver Bob Civita interrogado. Medo que se descubra quem são os outros jornalistas do esquema. O “repórter do G” é apenas parte dessa imensa teia que precisa ser desvendada. Levantemos a cortina de fumaça pra enxergar o que há atrás. 
A Globo de Ali Kamel tem todo interesse em revelar tudo que se passa, tenho certeza. Não está preocupada apenas em mostrar as ramificações no Distrito Federal. Não. Tanto que a Globo, curiosamente, pediu acesso aos autos que estavam no STF. Curiosidade jornalística sem limites. O site CartaMaior também pediu acesso aos autos. Aí,  o que fez o STF? Decretou segredo de Justiça.
Mas já havia cópias dos autos circulando. E nelas pode-se ler a referência ao “Fantástico” e ao misterioso “repórter do G”. Sobre isso, a Globo ainda não falou.
Rodrigo Vianna
No Escrevinhador
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Capa da Veja que foi censurada por "Victor Civita"

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Na Colômbia, Dilma defende integração dos países da América Latina

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#ForaMarconi: Fotos

O movimento começou no Facebook e agora está nas ruas



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#ForaMarconi é um sucesso!
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No Maria da Penha Neles!
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O medo da Veja

Eu li o artigo da Veja, e só tenho uma observação: a Veja quer enterrar a CPI, custe o que custar.
O caso Cachoeira pega diretamente o senador Demóstenes Torres (DEM/Goiás), o governador Marconi Pirilo (PSDB/Goiás), o deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB/GO) e o editor-chefe da revista Veja, Policarpo Jr.
A primeira reação da mídia, diante do escândalo, foi tentar envolver todo mundo: Agnelo (PT/DF), Protógenes (PCdoB/SP), e a construtora Delta - que, segundo a imprensa, "faz negócios com o Governo Federal" - convenientemente omitindo o fato de que a Delta faz negócios com todas as esferas do governo, em diversos estados, inclusive São Paulo!!!
Notícias recentes da Folha, do Estadão, e da Globo, dizem que a CPI preocupa a Dilma e setores do PT; quando os mais preocupados, obviamente, devem ser o DEM e o PSDB.
Mas vamos assumir que as acusações sejam verdadeiras, e que Agnelo, Protógenes, e o próprio Governo Federal estejam envolvidos no escândalo. Este seria, sem dúvida nenhuma, o maior escândalo da história recente do país. Maior do que o mensalão, que segundo a Veja foi "o maior escândalo de corrupção da história do país". 
A Veja não quer investigação, e usa todos os artifícios que têm à sua disposição para isso: apela para a PT-fobia, para o "risco para a liberdade de expressão", para a imagem de Hitler e Mussolini... nenhum recurso é deixado de lado no objetivo de demonstrar, por A+B, que a CPI será péssima para o Brasil.
Vamos a alguns trechos do artigo (em negrito, intercalado com meus comentários):
"Com o julgamento do mensalão pelo Supremo a caminho, os petistas lançam uma desesperada ofensiva para tentar desviar a atenção dos crimes cometidos por eles no que foi o maior escândalo de corrupção da história brasileira"
Mas quem está fazendo "uma desesperada ofensiva para desviar a atenção dos crimes cometidos" é a própria Veja. (Apenas como exemplo, além dos mais de 200 telefonemas entre Policarpo e Cachoeira, agora temos evidências de que a gravação do Hotel Nahoum - naquela fatídica capa contra "o poderoso chefão" José Dirceu - foi feita pelo bicheiro.)
E a Veja continua, dizendo que "o PT espera desmoralizar na CPI todos que considera pessoal ou institucionalmente responsáveis pela apuração e divulgação dos crimes cometidos pelos correlegionários no mensalão — em especial a imprensa."
A imprensa não precisa do PT para se desmoralizar. Ela tem feito isso por conta própria.
"Esse truque funcionou na União Soviética, funcionou na Alemanha nazista, funcionou na Itália fascista de Mussolini, por que não funcionaria no Brasil?". E responde: "Bem, ao contrário dos laboratórios sociais totalitários tão admirados por petistas, o Brasil é uma democracia, tem uma imprensa livre e vigilante"
O Brasil é uma democracia, e a liberdade de imprensa não está sob ameaça. Qualquer um pode escrever o que quiser, e sites na internet começam a dar furos em tempo real - antes mesmo que as revistas possam chegar às mãos dos assinantes. Isso não significa que a imprensa possa se associar ao crime, ocultar a existência de uma quadrilha por 8 anos em troca de informações privilegiadas, obtidas de maneira ilegal, e promover membros desta quadrilha a "mosqueteiros da ética".
O delírio prossegue: "Uma CPI dominada pelo PT e seus mais retrógrados e despudorados aliados é o melhor instrumento de que a falconaria petista poderia dispor — pelo menos na impossibilidade, certamente temporária para os falcões, de suprimir logo a imprensa livre, o Judiciário independente e o Parlamento."
Aqui a Veja deixa bem claro - na sua opinião, a CPI é um instrumento para suprimir a imprensa livre, o judiciário independente, e o parlamento. É um instrumento para transformar o Brasil em um ditadura. É uma simplificação grosseira - como outras que aparecem no artigo - com o objetivo de causar um mal-estar com relação à CPI.
A essa altura o leitor típico de Veja deve estar pensando: "esta CPI é um perigo!"
"Enquanto o triunfo final não vem, os falcões petistas vão se contentar em usar a CPI para desmoralizar todos os personagens e forças que ousem se colocar no caminho da marcha arrasadora da história, que vai lançar ao lixo todos os que atacaram o PT e, principalmente, seu maior líder, o ex-presidente Lula."
O mais curioso, de acordo com a tortuosa lógica da Veja, é que - mesmo que a rede de corrupção de Carlinhos Cachoeira seja "suprapartidária", isto é, envolva diretamente o PT - esta CPI seria de interesse do partido.
"Lula viu na CPI a oportunidade política de mostrar que todos os partidos pecam. Que todos são farinha do mesmo saco e, por isso mesmo, o mensalão não seria um esquema de corrupção inaudito, muito menos merecedor de um rigor maior por parte do Judiciário e da sociedade. Para os petistas, apagar a história neste momento é uma questão de sobrevivência."
Questão de sobrevivência? A presidenta Dilma tem o maior índice de aprovação de toda a história do país, superando até mesmo o Lula; a oposição está desorientada; a própria Veja diz que o PT estaria caminhando rumo ao poder absoluto. Por que esta seria uma "questão de sobrevivência"? O artigo da Veja não consegue manter-se auto-coerente; a única coisa que está perto de se extinguir é a credibilidade da revista.
"É tamanha a ânsia de Lula e dos mensaleiros para enterrar o escândalo que, se preciso, o PT rifará o governador do Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz, que também aparece no arco de influência dos trambiques da máfia do jogo."
É tamanha a ânsia da Veja para enterrar a CPI que, se preciso, deixará o petista Agnelo Queiroz livre, junto com Cachoeira, Demóstenes, Pirilo, Leréia, e, é claro, o editor-chefe da revista, Policarpo Jr.
Para defender Policarpo, sem citar o seu nome, a revista diz: "A oportunidade liberticida que apareceu agora no horizonte político é tentar igualar repórteres que tiveram Carlos Cachoeira como fonte de informações relevantes e verdadeiras com políticos e outras autoridades que formaram com o contraventor associações destinadas a fraudar o Erário."
É uma simplificação grosseira. Policarpo Jr. fez muito mais do que apenas usar Carlos Cachoeira como fonte. Ele usou e foi usado. Durante mais de 8 anos, em mais de 200 telefonemas gravados e reuniões presenciais, Policarpo Jr ajudou a promover os interesses da quadrilha, enquanto a quadrilha satisfazia os interesses da Veja.
A Veja sabia das relações de Demóstenes com Carlinhos Cachoeira, e nunca falou nada. Ou melhor: enalteceu Demóstenes, chegando ao ponto de dizer que ele era um dos "mosqueteiros da ética" do senado. A Veja também ajudou a melar uma CPI contra Cachoeira em 2004. Em troca, Cachoeira foi responsável por inúmeros "furos" da revista, em gravações ilegais que envolviam terceiros. 
Mas a Veja prossegue com a seguinte lição sobre a ética jornalística:
"Os petistas acham que atacar o mensageiro vai diminuir o impacto da mensagem. Pelo que disse Marco Maia, eles vão tentar mostrar que obter informações relevantes, verdadeiras e de interesse nacional lança suspeita sobre um jornalista. Maia não poderia estar mais equivocado. Qualquer repórter iniciante sabe que maus cidadãos podem ser portadores de boas informações. As chances de um repórter obter informações verdadeiras sobre um ato de corrupção com quem participou dele são muito maiores do que com quem nunca esteve envolvido. A ética do jornalista não pode variar conforme a ética da fonte que está lhe dando informações. Isso é básico."
Se Cachoeira tivesse feito gravações de suas conversas com Demóstenes e Pirilo, isto estaria dentro da ética jornalística.
Mas Cachoeira fez gravações contra terceiros - pessoas que não estavam envolvidas com eles. Para citar um exemplo, hoje sabemos que as filmagens no Hotel Nahoum foram obra da quadrilha. A reportagem de capa de Veja foi ironicamente intitulada "O Poderoso Chefão".
A Veja tinha acesso ao verdadeiro "chefão" - e nunca falou nada.
A Veja teve acesso a todas as informações sobre a máfia de Goiás e nunca denunciou o esquema.
Durante 8 anos a Veja usou e foi usada por Carlinhos Cachoeira. E é por isso que estão com medo.  Mas não é só isso:
"Motivo mesmo para uma CPI seria investigar os milionários repasses de dinheiro público que o governo e suas estatais fazem a notórios achacadores, chantagistas e manipuladores profissionais na internet. Fica a sugestão."
A Veja está com medo porque não controla mais a informação. Se a CPI sair, não haverá como filtrar as informações.
Viva os blogs sujos!
Viva a internet!
Foo
No Advivo
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Fórum vai discutir 'papel da mídia contra interesses da nação'

Órgãos públicos vinculados ao governo federal, ao Estado do Ceará e ao município de Fortaleza patrocinam evento de "comunicação digital" que debaterá neste fim de semana "o papel da mídia contra os interesses da nação", entre outros temas.
O 2º Webfor (Fórum de Comunicação Digital), que começou ontem à noite, havia divulgado como atração uma palestra com o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. O petista cancelou participação. Segundo a organização, ele teve um problema de agenda.
O fórum prevê para hoje um debate sobre "o PT e o marco regulatório das comunicações", com o deputado federal André Vargas (PT-PR).
Desde o governo Lula, o PT propõe novas regras para o setor que aumentariam o controle estatal sobre a mídia.
O patrocínio de R$ 90 mil do governo federal foi concedido por meio do BNB (Banco do Nordeste do Brasil) controlado pela União.
À Folha, o BNB informou ter concedido patrocínio porque o evento debaterá "questões relacionadas à difusão tecnológica e à democratização dos meios de comunicação", algo que, segundo o banco, é de interesse social.
O governo do Ceará disse que destinou R$ 15 mil ao fórum porque apoia eventos que "estimulam a cultura" e o "debate de ideias".
A Assembleia Legislativa do Estado informou que destinou ao evento R$ 2.500 sem conhecer a programação. A prefeitura e a Câmara Municipal não se manifestaram.
O coordenador-geral do evento, Daniel Bezerra, afirma que conseguiu os patrocínios estatais porque tem muita "experiência" e "amizades" em órgãos públicos.
Negou que o evento tenha perfil partidário. Sobre o painel "O papel da mídia contra os interesses da nação", disse ter sido proposto pelo palestrante, o jornalista Messias Pontes, filiado ao PC do B.
Gustavo Hennemann - São Paulo
Graciliano Rocha - Enviado especial a Fortaleza
No Folha
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Quando a imprensa regional olha para o lado

Atenção, atenção: estamos nos transformando num “Estado policial” ou “policializado”. Estado democrático, de direito, mas um Estado onde o interesse social só tem a proteção do Ministério Público, da Polícia Federal, da Receita Federal e dos magistrados que autorizam devassas. O resto – Executivo, Legislativo, imprensa e sociedade civil – está paralisado, entorpecido, inerte diante de um formidável lodaçal que se espalha, se infiltra e se aprofunda irremediavelmente. Nenhum desses poderes quer se comprometer, enredar-se. Todos, sem exceção, têm medo de respingos.
A sociedade brasileira está perdendo a capacidade de se defender, sabe apenas chamar a polícia. E depois entrega os malfeitores a um Judiciário atravancado, aturdido, lerdo, muitas vezes venal. Se o diagnóstico está correto estamos à beira de uma decomposição institucional.
Tudo começa numa imprensa desfibrada, burocratizada e mundana que já não sabe qual o seu papel. A imprensa regional mimetiza aquela que se apresenta como nacional e o resultado deste conluio de equívocos é que não temos vigilância na esquina nem nos grandes espaços.
Vício perigoso
Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, começou na esquina, opera a sua rede de contravenções há pelo menos duas décadas num estado rico, próximo dos grandes centros e onde existe uma mídia regional bem implantada. A Organização Jaime Câmara, estabelecida logo em seguida à fundação de Goiânia (1935), edita o diário O Popular, um dos melhores do país, tem um sistema de rádio e outro de TV com onze emissoras e repetidoras.
Este complexo midiático, porém, não foi capaz de perceber a intensa e ousada movimentação do contraventor-mor, mesmo depois do seu envolvimento com Waldomiro Diniz, assessor do então todo-poderoso ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, no primeiro mandato do presidente Lula da Silva.
Este observador não pretende lançar suspeições sobre o grupo midiático; está, sim, radiografando os sintomas da inércia jornalística que hoje domina grande parte da mídia regional brasileira. O poder da grande imprensa americana veio de uma brava imprensa regional treinada nas trincheiras jornalísticas locais. A interdependência dessas esferas gera uma comunidade atenta, ágil, que só recorre à instância policial na hora do desfecho.
Para não parecer provinciana nossa mídia regional adota um glamour desbotado, cerca-se de colunistas sociais e veste Prada, esquecida de que o seu pedigree ou virá da dedicação ao interesse público ou de nada valerá.
O Estado policializado, dependente do poder de polícia, incapaz de detectar ameaças e denunciá-las, é em última análise fruto de uma imprensa – grande, média ou pequena – viciada no perigoso jogo de olhar para o lado.
Alberto Dines
No Observatório da Imprensa
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“Querem manchar o meu governo”

Em entrevista ao Jornal da Comunidade, o governador do Distrito Federal afirma não ter qualquer relação com as denúncias da Polícia Federal ao contraventor Carlinhos Cachoeira e que tudo não passa de intriga e distorção dos fatos. Para Agnelo, o bicheiro usou o senador Demóstenes Torres para persegui-lo, pedindo inclusive seu impeachment, em 2011, para que ele cedesse às pressões de nomeações no GDF de pessoas ligadas à organização criminosa que atua em vários estados brasileiros
[credito=Fotos: Toninho Tavares]
Nos últimos dias, o nome do governador Agnelo Queiroz, voltou a ser foco na mídia devido a denúncias de um possível envolvimento dele com Carlos Cachoeira, suspeito de comandar um esquema de jogo ilegal em Goiás.
Para Agnelo, o pedido de impeachment feito pelo senador Demóstenes Torres, em 2011, seria uma forma de pressionar o GDF a ceder às investidas de Carlos Cachoeira, que tentou nomear pessoas ligadas ao grupo criminoso em cargos estratégicos do Buriti. “Na época eu não imaginava, mas hoje reflete a insatisfação brutal do grupo e do partido com o meu governo”, disse Agnelo.
O governador se defende das acusações: “Eu também estou fazendo minha apuração. Estamos pedindo compartilhamento das provas, e qualquer fato encontrado será punido”.
Agnelo afirma não ter qualquer relação com as denúncias da Polícia Federal a Cachoeira e que tudo não passa de intriga e distorção de fatos.
Trechos de conversas divulgadas citam nomes de membros do primeiro escalão do GDF, como o secretário de governo, Paulo Tadeu, o secretário de Saúde, Rafael Barbosa, e o assessor, Cláudio Monteiro, que pediu afastamento do cargo para se defender das acusações.
Em entrevista exclusiva ao Jornal da Comunidade, porém, Agnelo Queiroz observa que em nenhum momento a Polícia Federal confirma, de fato, que ele esteja envolvido em algum esquema de corrupção junto a Carlos Cachoeira e afirma: essa onda de denúncias é uma tentativa, não se sabe de quem, de tentar atingir o PT e, particularmente, o governador do Distrito Federal.
As denúncias da operação Monte Carlo ligam o GDF ao esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira...
Essa crise é do DEM e do PSDB, e de Goiás. Por que a Polícia Federal fez uma longa apuração e todo mundo sabe o vigor dessas apurações da Polícia Federal, mas de um ano e meio grampeando esses atores, cujo objetivo era pegar uma ação ilegal do jogo, caça níquel e contravenção. E foi justamente nessa investigação que se identificou as relações desse grupo e essas relações que estão bem caracterizadas nos autos da Polícia Federal. Ressalto: o que sai na imprensa não é o que está na Polícia Federal. Infelizmente, nem toda imprensa dá notícias, especificamente a imprensa nacional. O que a polícia detectou foi a ligação desse grupo com o senador Demóstenes Torres. Trezentas ligações dele pessoais com o Carlos  Cachoeira advogando e legislando pelo jogo no Congresso. Isso é fato e pegou uma série de relações de influência do grupo com o estado de Goiás, envolvimento citado pela polícia. Não estou fazendo juízo de valor, por que não tenho obrigação de fazer isso.
Mas a investigação cita políticos...
O que foi investigado pela polícia, dos nomes políticos que estão vinculados a Carlos Cachoeira, a Polícia Federal indicou, desde o senador, deputados federais, prefeitos, governadores etc. Inclusive, indicação de primeiro escalão. Isso é que está nos autos. Mas o que se vê na TV é atacar o governador do Distrito Federal e ninguém ataca o crime, o jogo. Você não vê também falar sobre as outras ligações políticas, também, com o estado de Goiás, que foi apurado e o que não está nos autos é uma tentativa desesperada, desconexa, contraditória para  envolver o governador do DF e o PT.
O senhor ou o GDF tem negócios com algum dos personagens dos grampos da PF?
Não tenho nenhum negócio com o Carlinhos Cachoeira ou com o grupo dele. Eu não tenho, nem o GDF tem. Tanto é que todos os diálogos  que apresentam mostram a dificuldade que este grupo tem de emplacar alguém no DF. Eles não conseguem  indicar uma pessoa, não conseguem indicar um negócio. Então, não tem um único negócio aqui no DF com anuência do GDF. Essa é a maior prova. A segunda maior prova é a própria divergência desse grupo comigo, por que foi justamente o representante desse grupo, o Demóstenes Torres que pediu meu impeachment. Então, achar que um grupo que tem influência aqui, que está fazendo negócio aqui, está pedindo o meu impeachment, a avaliação do próprio Cachoeira num diálogo, que vocês podem observar  em alguns jornais, ele fazendo referência de que o governo aqui não vai até o final do ano. 
O senhor acha que o pedido de impeachement do Demóstenes não foi uma forma de pressionar o governo a ceder alguma indicação ou algum contrato com o grupo?
Eu penso hoje, por que na época não poderia pensar isso, que reflete a insatisfação brutal do grupo dele com o meu governo. Como eu fechei as torneiras para tudo que é tipo de negócios e isso era uma coisa sistêmica em todo governo do DF, então, tenho certeza que aqui, desse grupo, não tem absolutamente nada no governo do DF. Falo isso com, digamos, com muita segurança. Se algum agente, de qualquer que seja o escalão, por iniciativa individual tentou fazer isso, é responsabilidade individual, não vingou e será punido, por que eu também estou fazendo minha apuração. Temos a Secretaria de Transparência e comunicamos ao STF, já estamos pedindo compartilhamento das provas para receber tudo que diz respeito a qualquer pessoa do DF. Isso  inclui também o governador. Se tiver qualquer coisa, haverá punição. Portanto, se alguém cometer individualmente, paga individualmente. Eu asseguro que do governo do DF não tem absolutamente nada e as transcrições que temos acesso, que tem saido na imprensa, confirmam isso, apesar de que a imprensa faz uma interpretação que tem ligação, essa é a grande contradição, uma forçação de barra para mostrar uma ligação do GDF com esse esquema.
O senhor disse que o grupo de Cachoeira não conseguiu indicar ninguém, mas chegou algum pedido de indicação até o senhor?
Não chegou, isso que é importante. E tem lógica de não ter chegado. Quando eu assumi, a empresa Delta já estava explorando lixo aqui por decisão judicial, teve uma licitação em 2007, no governo Arruda. Em dezembro de 2010, o governador Rosso cumpriu uma decisão judicial. Quando eu recebi o governo, já estava atuando e cumprindo o contrato.
E por que o diretor do SLU saiu do cargo?
Isso foi uma mudança que fiz antes desses episódios, não tem nada a ver com eles. Não houve pressão desse grupo para a indicação de João Monteiro, como vêm dizendo. Isso não é verdade. Eu escolhi o João Monteiro por que ele é  um delegado da Polícia Civil, secretário de Segurança Pública e o motivo pelo qual eu o coloquei lá era justamente por que eu tinha certeza que ele não teria ligação com essa área, no geral.
Porque o senhor escolheu um delegado?
A área de lixo é sempre complicada em qualquer lugar do Brasil. Então, o que fiz? Coloquei um secretário de segurança pública. Ninguém notou um negócio desse. Ele saiu da SSP e foi para SLU. Poder imaginar que ele pudesse ser interesse de alguém não é, pelo menos, razoável. Tem um depoimento que saiu na Folha de S. Paulo, um diálogo desses, do Dadá com o Marcello, onde ele diz “os caras nomearam só inimigos da Delta. O que esses caras me ajudaram até hoje. Ninguém fez p...nenhuma”. Essa é a opinião do cara, representante do Cachoeira, junto à Delta. Não querem saber disso, infelizmente, a campanha que tentaram me envolver. Falo campanha por que não tem denunciante, não tem um partido, um político, estou sendo atacado pela imprensa, com frases desse tipo, para provar uma vinculação. Mas só que, ao apresentar frases, ela nega a acusação. Como pode dizer que esse cara teve influência na indicação se o que está dito é absolutamente o contrário.
O João Monteiro chegou a relatar alguma pressão da Delta ou de alguém ligado ao Cachoeira?
Falam que teve uma reunião entre eu, o João e o Rafael. Um desses diálogos, com bravata, para mostrar influência. Só que eu nunca fiz, nem com Rafael e nem com o próprio João Monteiro, que nunca me relatou nenhum grau de dificuldade e nunca tratei com ele sobre a Delta, nunca despachei com ele. Para mim, era uma área que não tinha problema e eu confiava nele. O que percebo no diálogo de hoje, o cara falando com o cara da Delta, o Dadá, reclamando do Cláudio Abreu que não consegue receber  nem o pagamento devido, o que mostra que esse grupo não tinha facilidade aqui. Não teve um aditivo, não teve  uma ação que pudesse melhorar as condições, que poderia em condições normais. As evidências e os diálogos não provam uma relação com o GDF.
A que o senhor atribui essa onda de denuncismo?
Tentam sujar o PT. Essa crise é do DEM e do PSDB. Estamos perto das eleições municipais no Brasil e aí a tentativa desesperada de embaralhar o jogo, tentar dificultar, achar que isso facilita não sair a CPI. Acho que uma nítida campanha para envolvimento do meu nome. Há coisas espaças, não há nenhuma conversa minha com uma pessoa dessa. Não há conversas do Cláudio Monteiro com alguém. São sempre terceiros. Meu nome aparece somente uma vez, num diálogo que fala que solicitei uma reunião. Nunca aconteceu reunião, nem com o João Monteiro, sobre a Delta. Ele saiu antes desses episódios, foi por um ajuste que estou fazendo no governo. Tentam dizer que eu pedi uma audiência. Isso é forçação de barra e dar interpretação de algo que não está escrito. Nem mesmo a investigação da Polícia Federal, que faz a investigação afirma, de fato, que estou envolvido. Eles dizem que parece se referir a mim. O que tentam passar para a sociedade é que a PF diz que o cara sou eu, mas a polícia não diz que sou eu. Para tentarem reforçar, dar conotação de veracidade, por exemplo, dizem: “o Marcello, assessor do Agnelo”. Como assessor do Agnelo? Ele estava no governo este ano, na Casa Militar, eu não o conheço. Ele nem estava no ano passado. Nunca estive com ele.
Algum desses personagens citados têm alguma relação mais próxima com o senhor?
O Zunga eu conheço, que é do esporte há muito tempo em Brasília. O Marcello, que é o que está nesse diálogo, não é meu assessor, estão tentando induzir que esse cara tem proximidade, quando na verdade  sequer eu o conheço pessoalmente. E ele só entrou no governo porque o Cláudio Monteiro indicou este ano. Esses diálogos são do ano passado.
O senhor encontrou com Cachoeira em Anápolis. O que vocês conversaram?
Eu era diretor da Anvisa e visitei algumas indústrias farmacêuticas por lá e foi uma coisa geral. Tinham várias pessoas lá e as indústrias têm muitos interesses, legítimos. Eu fiz dezenas de reuniões como essa, com todo o setor farmacêutico em Goiás, fiz reunião em São Paulo. Então, não tem nada que não seja legítimo. Estava falando com um empresário do ramo farmacêutico, na área que eu estava atuando. Querem fazer uma vinculação dessa com uma coisa criminosa, eu não era governador e nem candidato. Não estava num exercício de um mandato eletivo. Encontro e vou encontrar com dezenas e centenas de empresários desse país e qualquer político vai encontrar e isso não tem demérito.
O senhor já perdeu o seu chefe de gabinete, Cláudio Monteiro, por ser citado em gravações da PF. Com o surgimento em outros grampos dos nomes dos secretários de Governo, Paulo Tadeu e de Saúde, Rafael Barbosa, eles poderão ser afastados para se defender?
Cláudio recebeu uma acusação de recebimento de dinheiro por influenciar uma indicação. O Cláudio sabe que essa onda é contra o meu governo. Ele foi correto em se afastar, sair do meu governo. São situações diferentes (o encontro dos secretários em um jantar em Brasília, com Cláudio Abreu). Eu confio nos meus secretários. Não podemos condenar reuniões, em que, eventualmente, algum desses interlocutores tiveram algum problema no futuro. Isso será o fim do mundo. Não podemos mais encontrar com ninguém, falar com ninguém?
Caso a CPI seja instalada, o senhor irá se explicar espontaneamente?
Tenho certeza de que a CPI é o pleito correto de voltar à investigação que a PF fez. Temos que nos basear no que foi pesquisado, investigado. Ninguém vai poder inventar nada. Quem me acusa? Qual partido? Não temos respostas. Só a imprensa está me acusando. O que depender para esclarecer da minha parte, irei colaborar. Sou o maior interessado. Tenho convicção de que não tem ação do jogo forte aqui no DF. Essa crise não é de Brasília.
Quando terá fim a greve dos professores? A categoria terá aumento salarial?
Não terá aumento de jeito nenhum. Intensificamos bastante o contato com eles e tenho diversos secretários envolvidos. Queremos acabar com a greve e os números são transparentes. Não há como conceder aumento agora. Eles tiveram 14% de aumento no ano passado. Reajustei o tíquete de refeição, equiparando-o com o do governo federal. Aumentei período extraescolar, para prepararem as aulas e receberem por isso. O piso deles é três vezes maior que o piso do professor nacional.
Quando ficará pronto o plano de carreira da categoria?
Espero resolver isso até o fim do ano. Queremos fazer um esforço para que compreendam isso. Espero sinalizar uma incorporação em 2013, mas agora não posso fazer nada que não poderemos cumprir, por isso, a proposta apresentada não será alterada. A população precisa ver que somos coesos com o que falamos. Cortamos despesas, reduzimos salários de secretários, não estamos contratando concursados. Peço um gesto de confiança, para voltarem a trabalhar e garanto que vamos continuar negociando. Não importa se a greve já durou 30 dias e vai durar mais ou menos. Não terá aumento, portanto, quanto mais cedo conversarmos, melhor. A área da educação foi que a mais recebeu investimentos no meu governo.
Qual o maior desafio na educação?
Melhorar a qualidade do ensino, número de creches, escolas técnicas, implantação de ensino integral, pois é uma área essencial e importante para a vida do povo no DF.
No Aposentado Invocado
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Mas o Policarpo é o dono da Veja?

O site Brasil 247 diz que a Veja cogita lançar seu editor Policarpo Júnior à  cachoeira. Ou ao Cachoeira, o bicheiro Carlos Augusto Ramos, com quem Policarpo mantina intensas relações.
“Acostumada a provocar CPIs, a revista Veja está prestes a se tornar protagonista de uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Congresso Nacional. Tudo em função das estreitas ligações entre o redator-chefe da revista, Policarpo Júnior, e o contraventor Carlinhos Cachoeira. Os dois trocaram mais de 200 telefonemas no último ano. Em conversas interceptadas pela Polícia Federal, Cachoeira se vangloriou de ter repassado diversos furos de reportagem ao jornalista – muitos deles, fruto de grampos ilegais. Num outro diálogo, o bicheiro deu ordens a um assessor para que buscasse Policarpo no “aeroporto pequeno”, num indício de que talvez tenha mandado um avião particular buscá-lo.
Por essas e, possivelmente, outras contidas nas duas centenas de diálogos gravados entre Policarpo e Cachoeira,segundo o 247, ” nesta sexta-feira, discutiu-se na Abril se a melhor saída não seria o afastamento de Policarpo – ainda que temporário – para tentar estancar o problema.”
É duvidoso que tome este caminho, ao menos por enquanto. A Veja deste final de semana é a prova de que, embora pouco sustentável, o caminho da revista será o mesmo que seus comandados da mídia já vinha experimentando ao longo da semana.
Como não dava para, como na edição anterior, escapar de novo pela tangente, a conversa da cortina de fumaça foi a saída.
Ainda não tive acesso ao conteúdo, mas já sei que a revista “culpa” Lula – como também se adiantou aqui – pelo escândalo, como se o ex-presidente fosse o mentor de uma investigação que – não é, Dr. Gurgel? – está parada há tento tempo.
E o Estadão “psicografa” o conteúdo de uma conversa privada entre Lula e Dilma, na qual, claro, a presidente pediria ao “malvado” Lula que não fizesse isso, não…
Dá para compreender o ridículo da estratégia da mídia conservadora?
Se não há nenhuma ligação entre Cachoeira, Demóstenes, seus agentes na imprensa e o dito “mensalão”, em que este poderia ser “cortina de fumaça”?
Em que um homem recém saído de uma dolorosa e massacrante terapia de câncer, cujos passos e encontros têm sido públicos e fartamente divulgados, poderia estar conspirando contra os fatos? Sim, porque nem com uma Polícia Federal tucana e com os radinhos Nextel fajutos que o Cachoeira achava serem à prova de grampo, isso poderia estar acontecendo…
Mas Veja tem lá sua razão. Há mesmo uma cortina de fumaça.
É a dos que não querem que se investigue – ou já antecipam uma desqualificação da CPI – os subterrâneos das conspirações da oposição contra os dois governos Lula e, agora, o governo Dilma.
E essa vai aparecer, porque é impossível separar a atuação de Cachoeira e suas pressões da sua ligação, da sua associação íntima com a Veja – que é uma espécie de quartel-general do “Comando Marrom” .
Nela, Policarpo Júnior era apenas o elo, porque por mais poder interno que tivesse, não tem autonomia para conduzir, por anos a fio, a linha assumida pela revista, embora a ela se prestasse a servir com indizível prazer.
A cortina de fumaça está mesmo lá.
O elo Policarpo conduz ao comando deste sistema de mídia que domina o país.
Talvez aí, de verdade, esteja a verdade da profecia de Carlinhos Cachoeira, na frase em que disse que, com o material que por oito anos “plantou” na Veja, estava limpando esse Brasil, rapaz, fazendo um bem do caralho pro Brasil”.
Sim,o bicheiro talvez termine por fazer isso.
Cachoeira pode mesmo levar a Veja de roldão.
Fernando Brito
No Tijolaço
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Demóstenes continua a editar a Veja

Pig na mira da CPI
VEJA: QUEM ESTÁ ALIMENTANDO O PIG.
Nos últimos dias, o grande alimentador das matérias jornalísticas é o senador Demóstenes Torres. Ele, na condição de réu, passou a ter acesso às peças do inquérito Monte Carlo e, agora, vem vazando as informações que interessam a ele e a Cachoeira serem veiculadas pela imprensa amiga, do jeito que é conveniente a esta veicular. Todo circo montado pela Globo em torno dos telefonemas de Protógenes e em torno da Delta, visam unicamente a tirar Cachoeira, Demóstenes e Perillo do centro das discussões e chantagear os integrantes da CPI. Como na Itália, antes da operação Mãos Limpas, a imprensa brasileira tornou-se hoje um monstrengo em que o partidarismo político casou-se com a criminalidade. Ajudou a sepultar a Operação Satiagraha e a operação Castelo de Areia; fez de conta que não viu o livro Privataria Tucana e, agora, quer sepultar a Operação Monte Carlo. Assim, protege os seus aliados políticos e seus aliados criminosos, que, são ao mesmo tempo suas fontes e seus patrocinadores.
Lenilton
No Conversa Afiada
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A mídia está de gringo no samba

- Sabe por que americano samba com um dedinho levantado em cada mão?

- Não, por que?

- Pra que ninguém lhe olhe os pés, desajeitados…

A brincadeira carioca tem tudo a ver com o comportamento da mídia diante da CPI sobre Carlinhos Cachoeira.

Agora, dizem os jornais, é o Governo e a própria presidenta Dilma quem estariam temerosos de uma investigação. Só falta dizer que o Lula também.

Pura cortina de fumaça.

Pode haver até algum governista preocupado, por razões próprias ou por ser adepto da política de tratar a política como – a expressão é do Brizola – “um clube ameno”,  onde o importante é o Vossa Excelência para cá e para lá e empurrando os dias de poder, algum poder, todos os dias, enquanto durar.

Se a Presidenta, acaso, deu uma “freada de arrumação” na participação de ministros seus na articulação da CPI, fez muito bem. A CPI não é do Executivo, não é “chapa-branca”. E ela é a comandante política do Governo, não os ministros.

Dispensa, portanto, a prudência “muy amiga” que lhe sugere a mídia.

Da mesma forma, é assim a “preocupação” dos jornalões com a possibilidade de que a CPI do Cachoeira “mele” o julgamento do dito “mensalão”.

Porque melaria, se uma coisa, como sustenta Merval Pereira isso não passa de uma  “tentativa desesperada de criar um fato político que possa influenciar a decisão do Supremo sobre o mensalão”?

Se não há ligação entre uma coisa e outra, porque isso se misturaria?

Mas há, ou pelo menos há fortes indícios de que há.

É uma gravação ordenada por Carlos Cachoeira que deflagrou aquele processo.

E essa gravação, segundo um ex-integrante do grupo do bicheiro, foi feita e divulgada com o obejtivo de “vingar” o veto de José Dirceu à nomeação de um homem do esquema Cachoeira – o senador Demóstenes – para o controle de um setor importante para o bicheiro, nada menos que a Secretaria Nacional de Justiça.

Além disso, existem provas materiais da ligação próxima, íntima, entre Cachoeira e Policarpo Júnior, editor do centro daquela e de quase todas as denúncias que se fizeram contra o Governo Lula: a máquina de demolir reputações chamada Veja.

De novo, sirvo-me de uma das expressões do velho Brizola: um dos chefes do “Comando Marrom”.

Que, aliás, só é indulgente quando os escândalos atingem a direita, como no caso Demóstenes e no da “Privataria Tucana”.

Por isso, a nossa mídia está como o gringo no samba: “olhem o meu dedinho apontado para cima, não vejam os meus pés desengonçados”.

Vai apelar para tudo o que puder desviar o olhar de suas vergonhas e distribuir “conselhos prudentes” para que  não se mexa demasiado no assunto, até a pretexto de preservar o Governo.

Anotem aí: falta pouco, muito pouco, quase nada, nada mesmo para que se atribua a Lula e a José Dirceu o escândalo Cachoeira.

Esta que o porta-voz da direita midiática, Merval Pereira,  chama de “tática escancarada pelos blogueiros governistas” e que, segundo ele, “parece ter se tornado um verdadeiro tiro no pé” é, sim, de fato, um tiro no pé.

No pé enlameado de uma mídia que, proclamando-se moralizadora, chafurdou nas imundícies de um bandido para “cumprir” seu objetivo de desaestabilizar governos progressistas.
Uma missão cívica, que o indigitado Cachoeira resumiu  soberbamente:

- Limpando esse Brasil, rapaz, fazendo um bem do caralho pro Brasil, essa corrupção aí. Quantos (furos de reportagem) já foram, rapaz? E tudo via Policarpo.”
Fernando Brito
No Tijolaço
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Presidente do TRF3 propõe ‘habeas mídia’

Desembargador critica o que chama
de 'bandoleiros de plantão'
Marcio Fernandes/AE
Recém-empossado, Newton de Lucca prega ‘limites ao poder de uma certa imprensa’
SÃO PAULO – Sob a incrível montanha de ações que desafiam sua corte, o desembargador Newton De Lucca, presidente do Tribunal Regional Federal da 3.ª Região (TRF3), também poeta e escritor, entregou-se a uma cruzada: defende “irrestritamente” a criação de um “habeas mídia”, segundo sua definição um mecanismo que seria usado para “impor limites ao poder de uma certa imprensa”.
“O habeas mídia seria um instrumento para a proteção individual, coletiva ou difusa, das pessoas físicas e jurídicas, que sofrerem ameaça ou lesão ao seu patrimônio jurídico indisponível, por intermédio da mídia”, propõe.
De Lucca sugeriu pela primeira vez o habeas mídia no discurso de sua posse, em 2 de abril, perante plateia de magistrados, advogados, juristas, três ministros do Supremo Tribunal Federal – entre eles o novo presidente da corte máxima, Ayres Britto -, o cardeal arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, e o vice-presidente da República, Michel Temer, que o aplaudiram.
Ao revelar sua meta, jogou sobre a mídia expressão de autoria da ministra Eliana Calmon, corregedora nacional de Justiça, que apontou a existência de “bandidos de toga” e abriu crise sem igual na magistratura.
Servirá o habeas, prevê De Lucca, “não apenas em favor dos magistrados que estão sendo injustamente atacados, mas de todo o povo brasileiro, que se encontra a mercê de alguns bandoleiros de plantão, alojados sorrateiramente nos meandros de certos poderes midiáticos no Brasil e organizados por retórica hegemônica, de caráter indisfarçavelmente nazofascista”.
Autor de Pintando o Sete e Odes e Pagodes, coletâneas de poesias, De Lucca afirma que já foi “injustamente atacado, em passado não muito distante”. Aponta para “jornalismo trapeiro que impede a criação de uma opinião pública livre e legítima”.
O desembargador declarou, ainda na posse: “Continuarei a nutrir minha aversão congênita pelas pirotecnias enganosas do establishment atual, que não distingue a liberdade da libertinagem, as prerrogativas dos privilégios, a qualidade da quantidade, e ainda faz do embuste e do patrulhamento ideológico o apogeu da tirania”. “Almejamos e preconizamos uma imprensa livre”, afirmou De Lucca. “Enquanto investigativa e criteriosa há de merecer todo nosso respeito e loas. Por outro lado, há de ser solenemente repudiado aquele jornalismo trapeiro.”
Ao Estado, por escrito, De Lucca recorreu à veia poética. “Por jornalismo trapeiro quis me referir àqueles que não estão preocupados em divulgar a verdade dos fatos, a eles absolutamente despicienda, mas em propalar algo que possa despertar uma atitude de suspicácia naqueles que leem a notícia. Claro que trapeiros vem de trapos, e por mim a palavra foi usada como figura de retórica, denotativa de algo desqualificado e rastaquera.”
O desembargador revela confusão quando instado a definir como iria operar o habeas mídia. “É uma expressão cunhada pelo professor gaúcho Sérgio Borja numa conferência por ele proferida na Universidade de Lomas de Zamora.” Segundo De Lucca, também o professor Paulo Lopo Saraiva defende o mesmo modelo. “Trata-se de impor limites ao poder de uma certa imprensa, ou exatamente ao jornalismo trapeiro a que me referi.”
Sobre os “bandoleiros de plantão”, refugiou-se no silêncio. “Prefiro não nominá-los, quer porque preciso ter paz para trabalhar, não podendo perder meu tempo com niquices, quer porque prefiro que cada um vista o seu próprio capuz.”
Fausto Macedo, de O Estado de S. Paulo
No Ficha Corrida
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Quando baixa a cortina de fumaça surge a verdadeira capa da Veja

 Veja finalmente coloca o crime organizado na capa
Com Esquerdopata
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Dadá e o submundo dos grampos

O ex-agente do serviço secreto da Aeronáutica está por trás dos mais recentes escândalos da República. Saiba quem o contratou, quais são seus operadores na polícia e no Ministério Público e como funciona o esquema do araponga
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ESPIÃO
Antes de virar araponga particular, Dadá prestou serviços
à ditadura: foi infiltrado no MST e monitorou políticos
 Em meio aos efeitos devastadores da Operação Monte Carlo, que prendeu o bicheiro Carlinhos Cachoeira, arrastou para a lama o senador Demóstenes Torres e lança suspeita sobre dois governos estaduais e a empreiteira Delta, líder em contratos públicos, um personagem saiu da sombra: o espião Idalberto Matias de Araújo. Conhecido como Dadá, ele tem 51 anos, é ex-sargento da Aeronáutica e está preso em uma unidade militar do Distrito Federal. Dadá é apontado pela Polícia Federal como o principal articulador de uma ampla rede de gravações clandestinas que vem assombrando Brasília há pelo menos uma década. Documentos e gravações telefônicas já analisados por delegados que estão à frente da Operação Monte Carlo indicam que as ações de Dadá extrapolam em muito os limites do esquema montado por Cachoeira e não têm coloração partidária ou ideológica. ISTOÉ obteve, com exclusividade, documentos sigilosos sobre o araponga e conversou com amigos dele, ex-colegas de farda e do submundo da espionagem. Em seu histórico de serviços oficiais prestados ao Estado durante três décadas, Dadá acumulou prestígio invejável dentro da comunidade de informações e fez amigos, muitos amigos, entre políticos, empresários, policiais, promotores e procuradores. Quando deixou de trabalhar para o Estado, Dadá se valeu dos antigos relacionamentos para fins particulares e se tornou o araponga que mais atemoriza os poderosos de plantão. De acordo com a Polícia Federal, Dadá montou o maior esquema de espionagem da história recente do País. Trabalhando na sombra, ele serviu e ajudou a derrubar políticos influentes, como o ex-ministro José Dirceu, por exemplo. Teve participação ativa na gravação que revelou um esquema de corrupção e loteamento político nos Correios que levou ao escândalo do Mensalão e influiu na celebração de contratos públicos em diversos setores.
Para manter em funcionamento um esquema que é capaz de gravar conversas telefônicas, eletrônicas ou pessoais, que acessa dados sigilosos da Receita Federal e dos mais variados órgãos de inteligência do governo federal e dos governos estaduais, Dadá tem a sua disposição uma equipe de colaboradores infiltrados em diversos órgãos. São agentes públicos que criminosamente vazam ao araponga informações sigilosas sobre pessoas e empresas e que também recebem de Dadá colaboração clandestina para investigações em curso. Um dos principais operadores do espião, segundo a PF, é o chefe do setor de Inteligência do Ministério Público do Distrito Federal, Wilton Queiroz. Gravações obtidas por ISTOÉ (leia quadro abaixo) mostram que Queiroz repassa ao espião dados confidenciais sobre inquéritos e processos que tramitam pelo MP. Com essas informações, Dadá pode prevenir seus clientes sobre futuras ações da Justiça. Em troca, o espião faz grampos clandestinos solicitados pelo promotor. Se as conversas interceptadas interessarem ao Ministério Público, posteriormente é obtida uma autorização judicial para a realização de gravações oficiais. Caso não interessem, o próprio Dadá tenta repassá-las a outros clientes. A PF já sabe que, além de Queiroz, há um outro promotor de Brasília que atua em parceria com o araponga: Libânio Alves Rodrigues, também mencionado nas gravações obtidas por ISTOÉ.
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EMPREGADORES
O bicheiro Carlinhos Cachoeira (acima) e o senador Demóstenes Torres
contrataram Dadá para monitorar inimigos políticos e interceder em contratos públicos
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Assim como os promotores, de acordo com as investigações da Operação Monte Carlo, o espião conta com parceiros na Corregedoria da Polícia de Goiás, nos serviços reservados das Polícias Civil e Militar de Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Na esfera federal, agentes da comunidade de informações do Exército, da Aeronáutica e da Marinha ajudam Dadá na elaboração de dossiês, e agentes da Abin contribuem para que o araponga obtenha dados bancários e fiscais de pessoas físicas e jurídicas. Na rede de operadores do esquema Dadá também figuram delegados da própria Polícia Federal, já investigados pela Corregedoria.
Maranhanse de Bacabal, Dadá chegou a Brasília junto com os fundadores da capital no início da década de 1960. Sem estudos, buscou na Aeronáutica um meio de sobrevivência. Serviu cerca de seis anos como taifeiro e foi trabalhar na 2ª Seção, o setor de informações da FAB. “Dadá não sabia cozinhar. Não tinha futuro como taifeiro”, ironiza um colega. Em plena ditadura, da 2ª Seção ele foi para o temido Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica (Cisa), agência integrante do SNI, o aparato repressivo criado pelos militares. Sem formação para o trabalho interno, de análise, Dadá tornou-se agente de campo. Fez curso de operações no Cefarh, antiga Esni (Escola Nacional de Informações), e passou a atuar na coleta de dados na Seção de Busca da Divisão de Operações. Sua missão inicial era colher dados sobre pessoas que os militares chamavam de subversivos. Foi dessa maneira que começou a construir relações com a Polícia Federal e as PMs de vários Estados.
Mantida em segredo até agora, uma das primeiras missões do araponga a serviço do Estado foi monitorar o advogado e ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh. Em 1980, o petista fundou em São Paulo o Comitê Brasileiro de Solidariedade aos Povos da América Latina (CBS), grupo de direitos humanos que fazia denúncias de tortura durante a ditadura e crítica aberta à doutrina de Segurança Nacional que ainda predominava no Brasil. Dadá integrou a equipe que seguia os passos do advogado, registrava seus encontros com membros de partidos até então clandestinos e grupos de esquerda de outros países, como Cuba e Nicarágua. Depois, Dadá foi escalado para espionar os chamados movimentos sociais. Foi ele o responsável pelas primeiras infiltrações no Movimento dos Sem-Terra (MST), por exemplo.
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PATRIMÔNIO
Os rendimentos de Dadá se multiplicaram nos últimos três anos.
O apartamento em Brasília é avaliado em R$ 800 mil
Com a redemocratização do País, o sargento continuou a atuar nos bastidores, mas ainda a serviço do Estado, e não de clientes particulares. Colaborou com a PF em ações contra o narcotráfico em Roraima e no Rio de Janeiro, especificamente na operação contra o traficante carioca Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê. Ali, Dadá ajudou a descobrir um esquema de desvio de armas envolvendo oficiais da própria FAB.
De volta a Brasília, e com a comunidade de informações em declínio, Dadá mergulhou no submundo da espionagem clandestina. Ao contrário de boa parte dos antigos arapongas do regime militar que viraram detetives particulares e passaram a bisbilhotar a vida alheia em busca de casos de adultério, Dadá colocou seus conhecimentos e seus contatos a serviço de empresários e políticos. Em Goiás, no primeiro governo do tucano Marconi Perillo (1999-2002), o bicheiro Carlinhos Cachoeira implantou o jogo do bicho eletrônico e passou a administrar a loteria estadual. Para manter a jogatina, porém, ele precisava do apoio da polícia e acabou se aproximando de policiais civis amigos de Dadá. A ligação foi automática. Cachoeira contratou o espião e o aproximou do PM Jairo Martins, vulgo Índio, que passou a ser um colaborador habitual – como no caso da gravação do diretor dos Correios Maurício Marinho, episódio que levou à eclosão do escândalo do Mensalão.
Os esquemas montados por Dadá começaram a despertar a atenção da Polícia Federal durante a Operação Satiagraha. Quando o delegado e atual deputado Protógenes Queiroz (PCdoB - SP) começou a investigar o banqueiro Daniel Dantas, pediu ajuda a Dadá para recrutar freelancers, como o ex-agente do SNI Francisco Ambrósio, e até servidores da Abin. O problema é que o recrutamento e o consequente compartilhamento de dados sigilosos com agentes de fora da PF acabaram sendo um tiro no pé. A Satiagraha, deflagrada em 2008 com ampla cobertura midiática, virou um escândalo. As provas foram anuladas e Dadá e Protógenes tiveram suas carreiras abreviadas. O delegado se elegeu deputado. Dadá ficou queimado como agente da Aeronáutica e foi obrigado a se aposentar, com rendimento de R$ 4 mil mensais. Mergulhou de vez na clandestinidade e passou a operar como empregado de Carlinhos Cachoeira. A partir daí a vida do espião mudou.
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INVESTIGAÇÃO
Sarney (à esq.) e Marco Maia articulam a instalação de
uma CPI no Congresso e querem ouvir o araponga
Casado com a enfermeira Maria de Lourdes Chagas e pai de dois filhos, manteve por anos uma vida simples, instalado num apartamento funcional da Asa Norte, bairro de classe média de Brasília. Com hábitos espartanos e sem hobbies, Dadá tinha uma Variant II, 1972, de cor azul, que ele chamava de “Mafalda”, por vezes abandonada sem combustível nas entrequadras de Brasília. Mafalda foi substituída por um Corsa 2003, sem ar-condicionado. Nos últimos três anos, porém, Dadá passou a circular de Passat alemão. Comprou um Grand Vitara Suzuki e uma motocicleta. Em janeiro de 2010, segundo a PF, comprou à vista um apartamento avaliado em R$ 800 mil, mas cujo valor registrado em cartório foi de apenas R$ 340 mil. O aumento patrimonial não foi declarado ao Fisco. As mudanças afetaram o jeito de ser do espião. Além de ostentar roupas de grife, o sargento adotou um tom esnobe. “O Dadá de hoje está irreconhecível. Parece ter assimilado os trejeitos e práticas do chefe dele, o Carlinhos Cachoeira”, diz um agente federal amigo do araponga. No mesmo ano de 2010, Dadá voltou às manchetes no caso do grupo de espionagem contratado pelo PT para montar um dossiê contra o candidato tucano José Serra.
Pelo que se depreende da análise de diálogos e relatórios ainda inéditos da Operação Monte Carlo, obtidos por ISTOÉ, Dadá não mudou apenas seu estilo de vida. O ex-espião da FAB assumiu o papel de operador de Carlinhos Cachoeira e da empreiteira Delta. No governo de Goiás, coube a ele a indicação para diversos cargos do segundo escalão. Mais recentemente, ensaiava passos como empresário e sindicalista. Segundo a PF, Dadá é sócio oculto da Agência Plá junto a Marcelo Lopes, o Marcelão, ex-assessor da Casa Militar do Distrito Federal, e Cláudio Monteiro, ex-chefe de gabinete do governador Agnelo Queiroz. Além de expandir os negócios da Plá para Mato Grosso e Rio de Janeiro, Dadá, Marcelão e Monteiro teriam um projeto político independente de Cachoeira, mas que se beneficiaria dos contratos da Delta na área de limpeza urbana. Por isso, Dadá fundou em abril de 2011 a Associação Comunitária dos Trabalhadores em Limpeza Urbana do DF e Entorno. A ideia era evitar pressões sindicais contra a Delta e também mobilizar a massa de trabalhadores para eleger Monteiro deputado distrital, pelo PT.
Relatório reservado da PF ao qual ISTOÉ teve acesso com exclusividade mostra que, na busca e apreensão realizada no apartamento de Dadá, foram encontrados documentos “pertinentes à possível prática de espionagem”. Foram apreendidas mídias eletrônicas, pesquisas de bancos de dados privativos dos órgãos de segurança pública (Infoseg) e relatórios de interceptação de linhas telefônicas de investigações do Núcleo de Combate a Organizações Criminosas (NCOC) do Ministério Público em conjunto com a PF. Os acessos ilegais ao Infoseg tiveram como alvo o deputado federal Fernando Francischini (PSDB/PR), cujos e-mails também foram monitorados. O primeiro acesso foi feito em 25 de outubro de 2011, pelo agente da PF Paulo Áureo Gomes Murta, o Murtinha, amigo de Dadá. Outros dois acessos ao cadastro de Francischini foram efetuados pelos sargentos da PM Leonel Martins e Itaelson Rodrigues, lotados na Casa Militar do Distrito Federal por indicação de Dadá e comando do coronel Rogério Leão. Na época, o deputado vinha questionando possíveis desvios de recursos públicos ocorridos no Ministério dos Esportes e na Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Os telefonemas e e-mails de Francischini também foram acessados pelo agente da PF Joaquim Gomes Thomé Neto, que mora no Rio de Janeiro. Em depoimento sigiloso à Polícia Federal, obtido pela reportagem de ISTOÉ, Thomé admite que foi contratado por Dadá para fazer o trabalho sujo por R$ 3 mil mensais. Esses e outros dados levaram a PF a abrir uma investigação paralela à Monte Carlo para apurar todos os tentáculos do araponga. No Congresso, os presidentes da Câmara e do Senado, Marco Maia (PT-RS) e José Sarney (PMDB-AP), finalizam a instalação de uma CPI. Para deputados e senadores que irão trabalhar na investigação o primeiro desafio será fazer Dadá quebrar o silêncio.
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No Isto É
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A quem interessava aquela notícia?

No dia 07 de agosto de 2011 o repórter Renato Alves dá um furo no Correio Braziliense. Revela que os contraventores encontraram uma forma de driblar a polícia: criaram um bingo virtual com sorteios em tempo real. A jogatina partia de Curaçao, no Caribe, e as apostas eram feitas ao vivo pela internet.
Veja agora a reação desinteressada de Carlinhos Cachoeira e seus comparsas:
No DoLaDoDeLá
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Imperdível

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Família Naoum, o hotel, Cachoeira, a Veja e o MP

No fim do ano passado, o detrito de maré baixa deu na capa denúncia vazia: o ex-ministro José Dirceu fazia do seu quarto no Hotel Naoum, em Brasília, uma espécie de ‘ministério oculto’.
Lá, recebia ministros de Estado, deputados, senadores e presidentes de estatais.
Segundo o detrito de maré baixa, o objetivo de Dirceu era conspirar contra o governo Dilma.
O autor da matéria, Gustavo Ribeiro, é da sucursal de Brasília, portando subordinado a Policarpo Jr., chefe do detrito em Brasília.
Dirceu e o próprio hotel acusaram o “repórter” do detrito de tentar invadir o quarto do ex-ministro duas vezes.
Numa delas, tentou ludibriar a camareira, que a acionou a segurança.
Na segunda, tentou se passar por um assessor da prefeitura de Varginha.
O hotel registrou Boletim de Ocorrência, por desconfiar que o repórter, hospedado lá, fosse um ladrão comum.
Imagens do corredor do andar em que se hospedava Dirceu foram parar nas páginas do detrito de maré baixa.
Semana passada, o jornalista Luiz Carlos Azedo, do Correio Braziliense, insinuou que Cachoeira poderia estar envolvido no vazamento das imagens:
O Conversa Afiada constatou que Ronaldo Mohn Filho, sobrinho de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, é casado com Nathalia Naoum, uma das herdeiras da família Naoum, proprietária do hotel.
A família é de Anápolis, terra de Cachoeira.
Ronaldo é filho de Lúcia Helena Almeida Mohn, irmã de Carlinhos Cachoeira.
Falei por telefone com Ronaldo (o pai do Ronaldo Filho), cunhado do Cachoeira.
Ele não quis conversar e só confirmou a relação de parentesco: a esposa é irmã de Cachoeira e mãe do Ronaldo Filho, casado com a Nathalia Naoum.
E disse que não tem contato com Cachoeira há muito tempo.
A página do Cartório que notícia o casamento – Link: http://www.oanapolis.com.br/pdf/7567/pag%2016.pdf
E o fragmento do documento:
8. RONALDO MOHN FILHO e NATHÁLIA NAOUM SOARES, r.n. Cid.
Ele, n. 11/06/83, f. Ronaldo Monh e Lucia Helena Almeida Mohn. Ela, n. 25/12/85, f. Ulisses dos Santos Soares e Margareth M. Naoum.
Anápolis, 19 de outubro de 2007.
GISLANE DIVINA COSTA-OFICIALA
Em tempo:
A Justiça de Brasília – Terceira Vara Especial Criminal – inocentou o repórter e a empregadora, o detrito de maré baixa, de qualquer crime.
Como era vítima e, não, parte, Dirceu não recorreu.
O Ministério Público não recorreu.
Clique aqui para ler “CPI vai entrar no Judiciário”.
Murilo Silva, editor do Conversa Afiada
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