12 de abr de 2012

Bicho de Sete Cabeças

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“Não houve o mensalão”

 En­tre­vis­ta com Aristides Junqueira 

Ex-procurador-geral da República critica o MP, ataca a mídia, diz que não houve pagamento mensal a deputados federais da base aliada nem desvio de recursos públicos para os cofres petistas, mas admite a utilização de caixa 2
O ex-procurador-geral da República Aristides Junqueira faz, em Goiânia, a defesa do ex-tesoureiro nacional do PT Delúbio Soares de Castro
Fernando Leite/Jornal Opção

O ex-procurador-geral da República Aris­tides Junqueira diz ao Jornal Opção que o mensalão, escândalo detonado por Roberto Jefferson (PTB-RJ) que abalou a república petista em 2005, não existiu. “Não pode haver mensalão, já que não há repetição mensal de pagamento. Se houve um ou outro pagamento eles não foram contínuos durante meses”, afirma.
Após criticar o Ministério Público Federal, ele frisa que não houve desvio de recursos públicos para bolsos privados nem para abastecer os cofres petistas e de legendas aliadas. “A denúncia também não consegue provar isso. Não demonstrou nada disso. Evidentemente está provado nos autos que os recursos foram oriundos de empréstimos em bancos particulares”, explica.
Segundo ele, a denúncia do MP é improcedente.”Não se trata de uma crítica ao MP, mas um reconhecimento da improcedência dela quando se leva em conta a defesa feita por esse grupo de advogados, com relação a um réu apenas, já que são 40. Hoje, parece-me que são 38: um morreu e outro foi reconhecido que a denúncia contra ele era improcedente, que é o Luiz Gushiken”.
O advogado exorciza supostos pecados da mídia. “Ele já está condenado pela mídia. Aliás, não é só ele. É um grupo. Eu diria que eles já estão até demonizados. A defesa dele não quer que ele seja santificado, mas que não seja também demonizado eternamente. O fato é que com esse resultado todo falar em Delúbio Soares é um palavrão muito grande que a sociedade não pode admitir.”
Com ironia, o ex-procurador-geral de Justiça diz que o Ministério Público “coloca quadrilha em tudo”. Mais: avalia que não há risco de prescrição. “Não. Em pouco tempo não prescreve não. Isso não é interessante”, adianta. Ele ingressou no auditório do Bloco B da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) escoltado por Delúbio Soares e Marcus Vinícius de Faria Felipe, ex-presidente da Agecom.
Aristides Junqueira participou de fórum, na PUC, Câmpus 5, em Goiânia, ao lado do ex-prefeito de Goiânia Darci Accorsi, hoje secretário Legislativo do prefeito da Capital, Paulo Garcia (PT). O ato era para debater os aspectos jurídicos da denúncia do MP Federal e da defesa do matemático de Buriti Alegre Delúbio Soares, apontado como um dos chefes do mensalão do PT.
Qual é o objetivo do debate sobre a defesa jurídica de Delúbio Soares?
O objetivo do debate é saber se juridicamente a defesa apresentada pelos advogados de Delúbio Soares é uma peça satisfatória e que possa levar à improcedência da denúncia. Esse é o objetivo.
A defesa de Delúbio Soares diz que o mensalão não existiu. A tese tem fundamento jurídico?
Primeiro, eu quero saber o que é mensalão. Eu não sei. Nós temos de perguntar ao Roberto Jefferson, que inventou a palavra e não explicou direito o que é isso. E também ao Ministério Público. Para saber o que que é mensalão. A defesa do Delúbio, que não foi feita por mim, estou apenas apreciando, mas por um grupo de advogados capitaneado pelo advogado Arnaldo Malheiros Filho, de São Paulo, demonstra que não pode haver mensalão, já que não há repetição mensal de pagamento. Se houve um ou outro pagamento eles não foram contínuos durante meses.
Não houve pagamento regular pelo governo a deputados federais da base aliada?
Não houve. Não houve. Pelo menos dentro dos autos, a defesa diz que isso não está provado. Dentro dos autos ele não está provado. Não houve pagamento mensal a deputados da base aliada.
Houve desvio de recursos públicos para bolsos privados?
A denúncia também não consegue provar isso. Não demonstrou nada disso. Evidentemente está provado nos autos que os recursos foram oriundos de empréstimos em bancos particulares
Existem provas desse empréstimos?
Os empréstimos estão provados. Empréstimos de bancos particulares. Isso não é negado por ninguém.
Trata-se de uma crítica à denúncia do Ministério Público Fe­deral?
Não. Não diria que é uma crítica à denúncia do Ministério Público, mas um reconhecimento da improcedência dela quando se leva em conta a defesa feita por esse grupo de advogados de Delúbio Soares, com relação a um réu apenas, já que são 40. Hoje, parece-me que são 38. Já que um morreu e outro foi reconhecido que a denúncia contra ele era improcedente, que é o Luiz Gushiken.
A defesa de Delúbio Soares diz que os grandes conglomerados de comunicação querem condená-lo previamente...
Eu penso que ele já está condenado pela mídia. Aliás, não é só ele. É um grupo. Eu diria que eles já estão até demonizados. Penso que a defesa dele não quer que ele seja santificado, mas que não seja também demonizado eternamente como é hoje. O fato é que com esse resultado todo, falar em Delúbio Soares é um palavrão muito grande que a sociedade não pode admitir.
O advogado Luiz Eduardo Green­halgh admite a utilização de recursos não contabilizados.
E daí? Se forem ler a defesa que Arnaldo Malheiros faz de Delúbio Soares, ele confessa isso. Mas trata-se de um crime eleitoral cuja prescrição já ocorreu.
Há indícios de formação de quadrilha, como apontou o Mini­stério Público federal?
O Ministério Público Federal vê e coloca [formação de] quadrilha em tudo.
Existe risco de prescrição?
Não. Em pouco tempo não prescreve, não. Isso não é interessante.
Renato Dias
No Jornal Opção
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CPI de Cachoeira pode detonar a Veja

A mídia demotucana, que sempre bajulou o senador Demóstenes Torres, parece que já deu o braço a torcer. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), proposta para apurar as sinistras relações do ex-demo e de outros políticos (como o governador tucano Marconi Perillo, de Goiás) com a quadrilha mafiosa de Carlinhos Cachoeira, vai ser finalmente instalada. Parece que não tem mais retorno!
Segundo antecipou Ricardo Noblat, blogueiro do jornal O Globo, “José Sarney (PMDB-AP), presidente do Senado, e Marco Maia (PT-RS), presidente da Câmara dos Deputados, acabaram de bater o martelo: até o fim desta semana esperam instalar a CPI Mista para investigar crimes cometidos pelo ex-bicheiro Carlinhos Cachoeira, sua turma e o senador Demóstenes Torres (GO)”.

A convocação de Roberto Civita

Noblat ainda deu outra notícia explosiva: “Fernando Ferro, deputado federal pelo PT/PE, revelou que apresentará requerimento à CPI para que seja ouvido Roberto Civita, dono da Editora Abril, responsável pela publicação da revista Veja. Carlinhos Cachoeira era informante da revista. Em uma conversa grampeada pela Polícia Federal, ele diz que ofereceu grandes furos à revista”.
Confirmada estas informações, o cenário político nacional deverá sofrer abalos. A CPI do Cachoeira poderá representar um duro golpe na oposição de direita, enterrando de vez o seu falso discurso moralista em pleno ano de eleições municipais. Os demos até poderão antecipar a sua passagem para o inferno. Já os tucanos farão de tudo para livrar a cara do governador de Goiás.

Pior do que Murdoch

Já no caso da convocação de Roberto Civita, ela poderá estimular o debate sobre a situação da mídia no Brasil. No Reino Unido, as revelações de que o império de Rupert Murdoch promovia escutas ilegais e corrompia autoridades resultaram numa intensa discussão, que continua em curso, sobre o poder manipulador dos monopólios midiáticos e sobre a necessidade da regulação do setor.
A situação da Editora Abril, como tem insistido o blogueiro Luis Nassif, é bem mais grave ainda. Tudo indica que a revista Veja, o veículo direitista da famiglia Civita, associou-se ao crime organizado. Carlinhos Cachoeira deu mais de 200 ligações para o editor-chefe da publicação, Policarpo Jr, segundo revelaram os grampos legais efetuados pela Operação Monte Carlo da Polícia Federal.

Perguntas necessárias e incômodas

Quais os assassinatos de reputações foram cometidos pela revista Veja para difamar os adversários do mafioso? Quais capas sensacionalistas foram editadas para difundir seus negócios ilícitos e lucrativos? O que Cachoeira e o editor-chefe da Veja tramaram nos inúmeros telefonemas? O que combinaram nos secretos jantares? Até onde chega o poder corruptor da mídia nativa?
Como se observa, a CPI do Cachoeira promete fortes emoções.
Altamiro Borges
No Blog do Miro
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Charge online - Bessinha - # 1181

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Protógenes solicita informações ao Procurador-Geral

Em ofício enviado hoje (11/04/2012) ao Procurador-Geral da República, Dr. Roberto Monteiro Gurgel Santos, o Deputado Delegado Protógenes (PCdoB-SP) solicita informações da investigação sobre o caso “Cachoeira” que possam incriminar sua atuação parlamentar, conforme matéria tendenciosa veiculada no jornal “O Estado de São Paulo”.
No documento, o Parlamentar questiona a existência de dados, além de áudios e vídeos envolvendo seu nome e se os mesmos evidenciam conduta criminosa relacionada com o esquema de contravenção do empresário goiano “Carlinhos Cachoeira”, desbaratado pela Polícia Federal através da Operação Monte Carlo.
Por fim, Protógenes pede o encaminhamento das supostas informações com urgência, uma vez que é o autor do pedido de criação da CPI do Cachoeira, que tem como objetivo investigar o envolvimento de parlamentares nos negócios ilícitos do contraventor de Goiás.



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Abafando a cachoeira

Desde ontem, a grande imprensa começou a tornar evidente aquela “Operação Abafa” sobre o caso Demóstenes-Cachoeira.
Primeiro, o Estadão, com áudios  absolutamente vazios de supostas conversas entre o deputado Protógenes Queiroz e o agente “Dadá”, que -ao que parece – arapongava para meio mundo. Protógenes, um delegado de polícia, não tem nenhum diálogo comprometedor com o agente e, se teve, nada melhor que esclarecer isso numa CPI. Aliás, é estranho que seis telefonemas vazios de Protógenes a alguém que, oficialmente, pertencia à um órgâo de investigação sejam notícia e não o sejam os 200 telefonemas entre o próprio Cachoeira e o editor da revista veja, Policarpo Júnior, numa parceria “pelo bem do Brasil” que já durava oito anos.
Mas hoje O Globo deixa mais claro o jogo, servindo-se de uma declaração do presidente do PT, Rui Falcão, que liga o caso Cachoeira a possíveis montagens contra o Governo Lula feitas com a ajuda da conexão Cachoeira-Veja, que parece continua a ser um tabu para a mídia.
Logo, em nome do esclarecimento do dito “mensalão”, abafe-se a Cachoeira…
A democracia não pode conviver com a divulgação seletiva de irregularidades. É preciso que o inacreditável poder de um bicheiro sobre a mais altas figuras da política e da imprensa não fique sendo demonstrado aos pedaços, contra aqueles a que “interessa” desmoralizar, mas encobrindo as figuras que o conservadorismo e a mídia tem no seu altar.
Corrupção não é assunto que requeira “segredo de justiça” em sua apuração, salvo em ocasiões especialíssimas, no curso de investigações. E são a mídia e a Polícia Federal, apenas, quem está escolhendo o que deve ser divulgado, a conta-gotas.
O povo brasileiro e a própria credibilidade da democracia brasileira exigem que tudo venha à tona.
Se Carlos Cachoeira tem ligações com a investigação sobre o “mensalão”, que elas apareçam. Se tem ligação com as denúncias que, onda após onda, a Veja apresentava, servindo-se de escutas e filmagens providenciadas pelo bicheiro, que se apure. Existem pessoasdo esquema Cachoeira que o afirmam expressamente.
O que não se pode é fazer da divulgação parcial e seletiva de gravações, escolhendo os personagens e os contextos “que interessam”, uma “verdade” conveniente, que determina quem deve ser execrado e quem  deve ser preservado.
Do contrário, seria melhor que se desistisse de uma CPI e se deixasse o próprio STM – Supremo Tribunal da Mídia, a mais alta corte política do Brasil – decidisse – como decide há anos – quem deve ser impiedosamente decapitado e quem vai, como fez Demóstenes Torres durante muitos anos, posar de paladino da moralidade, embora enterrado até o pescoço no pântano das cumplicidades escusas.
Fernando Brito
No Tijolaço
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Cachoeira planejava assumir a Lemat

Mensagem enviada ao cunhado do bicheiro revela que grupo dava como certo o controle da loteria em Mato Grosso
Carlinhos Cachoeira está preso acusado de explorar jogos ilegais.
Interceptações feitas pela Polícia Federal (PF) revelam que o grupo do bicheiro Carlinhos Cachoeira, acusado de comandar um esquema de jogo em Goiás e de ter influência sobre políticos daquele Estado, estava certo de que iria assumir o controle da recém-recriada Lemat (Loteria do Estado de Mato Grosso), sobretudo após a reeleição do governador Silval Barbosa (PMDB).
As conversas, por e-mail, envolvem Adriano Aprígio de Souza - cunhado e, segundo a PF, um dos laranjas de Cachoeira - e o argentino Roberto Coppola, consultor do bicheiro. Às 8h39 de 5 de outubro de 2010, dois dias após a eleição em que Silval foi reconduzido ao cargo de governador, Adriano enviou a seguinte mensagem ao argentino: “Roberto, viu o resultado no Mato Grosso? Foi reeleito o governador. E como ficou Santa Catarina agora? Paraná (sic) aquele encontro foi bom com o governador eleito?”, escreveu Adriano.
Em resposta, às 18h52 do mesmo dia, Coppola traça, em um texto no qual mistura português e castelhano, as metas do grupo para loterias nos três Estados, a partir do resultado das eleições. A fim de facilitar a compreensão, o Diário traduziu a mensagem.
“Agora vamos implantar a loteria em Mato Grosso. Em Santa Catarina também foi bom com [o governador Raimundo] Colombo porque o presidente da loteria era o chefe da campanha de Colombo”, escreveu Coppola. “No Paraná, falei com o [governador] Beto Richa, o problema é que [o ex-governador Roberto] Requião fechou a loteria e vai demorar porque tem que fazer uma nova lei”, concluiu.
O Diário conseguiu acesso à parte do inquérito da chamada operação ‘Monte Carlo’, que desarticulou o esquema de jogo ilegal de Cachoeira e revelou suas estreitas ligações com o senador Demóstenes Torres (sem partido), até então considerado um político sem mácula. Após o episódio, ele foi obrigado a deixar o DEM e, agora, responde a processo no Conselho de Ética do Senado, o que pode resultar em sua cassação.
A transcrição e os ofícios relativos às interceptações telefônicas e telemáticas aos quais o Diário teve acesso consumiram 7,4 mil páginas do total de documentos da operação Monte Carlo. Uma conversa entre Cachoeira e Demóstenes, gravada pela PF, revela que o bicheiro tinha – ou dizia ter - influência no governo de Mato Grosso.
No dia 11 de abril do ano passado, o senador pediu a Cachoeira que ajudasse uma agência de publicidade de Goiás a vencer uma licitação para serviços de marketing da Copa do Mundo, em Mato Grosso. “Cê acha que consegue?”, questionou o senador. “Acho um negócio bacana. Se for do interesse seu...”, respondeu o bicheiro.
Anselmo Carvalho Pinto
No Diário de Cuiabá
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Carlos Alberto Leréia. Você ainda vai ouvir falar dele

Leréia: não parece com a indignação do Demóstenes?
Carlos Alberto Leréia é membro do Diretório Nacional do PSDB
Na companhia do que há de melhor no PSDB: Perillo, Never, Eduardo Azeredo, Cássio Cunha Lima, Sérgio Guerra, Álvaro Dias, Márcio Fortes (êpa ! êpa !), Yeda Crusius, Barjas Negri (êpa ! êpa !), Aloysio 300 mil, Eduardo Graeff (o dos Brucutus), Padim Pade Cerra, Arthur Virgílio Cardoso (que ia dar uma surra no Lula e levou uma surra de mulher na eleição para o Senado), Eduardo Jorge (que gostava muito de telefonar para o Juiz Lalau), e Marcelo Itagiba, de gloriosas passagens na Lunus e na CPI dos Amigos do Dantas.
Gente finíssima!
Leréia, amigo navegante, é do PSDB de Goiás.
O amigo navegante ainda vai ouvir falar muito dele.
Por que?
- Porque ele é a ponte entre o Cachoeira e o PSDB, disse o passarinho que pousou na janela lá de casa.
- Ponte grande, pontilhão, ou uma pinguelinha ?, perguntou o ansioso blogueiro.
- Grande!, respondeu.
- Quer dizer que se ele abrir o bico…
- Vai voar mais pena de tucano!
E lá se foi o passarinho de volta para Brasília que, como se sabe, em Goiás está.
Paulo Henrique Amorim
No Conversa Afiada
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Conheça os governadores que são inimigos da educação

Eles não cumprem a Lei 11.738, que determina o pagamento do piso nacional do magistério e a implantação de 1/3 de hora-atividade 
No Maria da Penha Neles!
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“Eu existo, Merval”

Quem diz é o ex-prefeito de Anápolis, Ernani de Paula, que testemunhou a montagem da denúncia que deu origem ao mensalão por Carlos Cachoeira e Demóstenes Torres
Ontem à noite, quando assistia à Globonews, o empresário Ernani de Paula, ex-prefeito de Anápolis, quase caiu da cadeira quando ouviu o comentário do jornalista Merval Pereira, que denunciava à editora de política Renata Lo Prete uma possível ficção criada pelo PT para melar o processo do mensalão. Segundo Merval, “inventaram” um certo Ernani de Paula para tumultuar o caso. Através do 247, Ernani mandou um recado ao comentarista da Globo. “Merval, eu existo”, disse ele. “Fui testemunha ocular da história e conheci de perto todos os personagens”.
Ernani, de fato, conhece de perto a realidade de goiana. Foi prefeito de Anápolis, cidade natal de Carlos Cachoeira, e conviveu com o contraventor. Mais: sua ex-mulher, Sandra Melon, foi suplente de Demóstenes Torres na sua primeira eleição para o Senado, em 2002. “Eu o ajudei muito e os votos de Anápolis foram cruciais para ele”, diz Ernani. Em 2004, um ano após a posse de Lula, havia um projeto de poder, que envolvia Demóstenes, o governador Marconi Perillo e o bicheiro Carlos Cachoeira. Demóstenes migraria do DEM para o PMDB e seria Secretário Nacional de Justiça. Assim, Sandra Melon, ex-mulher de Ernani se tornaria senadora. “É por isso que eu sabia de tudo que se passava na política goiana”.
Ernani era uma testemunha tão próxima do que ocorria naquelas bandas que chegou até a figurar na famosa fita em que Waldomiro Diniz, ex-secretário da Casa Civil, é filmado pedindo propina a Carlos Cachoeira. “Antes da conversa filmada com o Waldomiro, o Cachoeira atende um telefonema, meu, e tenta me convencer a trabalhar para o PT. Em seguida, ele desliga, me xinga e diz que eu era pior do que o Waldomiro. Ou seja: ali fica claro que ele tinha a intenção de filmá-lo para comprometê-lo. Isso está na fita, que inclusive a Globo tem. O Cachoeira tinha uma estratégia padrão. Ele atraía as pessoas para o seu big brother, prometia dinheiro e acabava comprometendo um monte de gente.”

A denúncia do mensalão

Com a fita de Waldomiro Diniz, Cachoeira pretendia constranger o governo a fazer do senador Demóstenes secretário Nacional de Justiça. “E a pressão quase surtiu efeito. No início do governo Lula, foi feita sim uma comissão de estudos para legalizar o jogo no Brasil e federalizar o que já era permitido em Goiás”, diz Ernani de Paula. Só que, como o plano não surtiu efeito, Cachoeira partiu para uma segunda denúncia. E foi assim, segundo Ernani de Paula, que nasceu a fita de Maurício Marinho, apadrinhado de Roberto Jefferson, recebendo uma propina de R$ 3 mil nos Correios. Ela foi filmada pelo araponga Jairo Martins, que a repassou à revista Veja. E foi assim que se desencadeou o maior escândalo política da história recente no Brasil. “Isso não quer dizer que o esquema do Marcos Valério não existiu”, diz ele. “O Marcos Valério existe, a Fernanda Karina existe, o Merval existe e eu também existo”, diz Ernani de Paula, que oferece ao articulista da Globonews seu email (ernanidepaula@uol.com.br) e seu telefone (011-89555671).
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Vamos comparar - 2

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CPMI Demo-Cachoeira já tem hino oficial

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Primeiros sinais da teia

É uma teia imensa, intrincada e surpreendente que se forma com pessoas, situações e instituições de algum modo incluídas na história, que apenas se começa a perceber, centrada até agora em Carlinhos Cachoeira.
Se a CPI mista decidida pelos presidentes do Senado e da Câmara, José Sarney e Marcos Maia, conseguir aprovação das duas Casas; se conseguir razoável composição; se conseguir fazer trabalho sério e produtivo, nem assim conseguirá penetrar em certos meandros da teia para explicá-los. Seja porque nem o seu grande poder bastaria, seja por dificuldade excessiva.
A Operação Satiagraha, por exemplo, nada tinha a ver com Carlinhos Cachoeira e redes clandestinas de jogo. Mas o hoje deputado, e delegado da operação, Protógenes Queiroz, já se vê colhido pela vigilância sigilosa ao círculo de Cachoeira.
O deputado dispõe de incontáveis modos de citar sua atividade policial como motivo dos contatos. Mas não é tão simples.
Protógenes e o então juiz Fausto De Sanctis eram os alvos imediatos da exaltada acusação do ministro Gilmar Mendes, à época da Satiagraha, de que vivíamos "um Estado policial". Como provava, dizia ele, a gravação grampeada de um telefonema seu, no próprio Supremo Tribunal Federal. Com quem era o telefonema?
Com o senador Demóstenes Torres, que confirmou: "Sim, eu conversei por telefone com o ministro Gilmar". E nada mais disse nem lhe foi perguntado, por ninguém. Nem ao menos para saber se tinha ideia de como fora feita a gravação. Sobre a qual também Gilmar Mendes não teve ou não pôde dar qualquer esclarecimento.
Uma coisa, porém, ficou clara à época. A Satiagraha ultrapassou as finalidades que lhe estavam atribuídas e, com isso, tornou-se ela o alvo, por intermédio também dos ataques do ministro ao juiz De Sanctis. Eram muitos a querer encerrá-la. Algo havia batido em uma casa de maribondos.
Ninguém duvide: tanto os arquivos da PF guardam material valioso daquela fase, como parte dele é uma das inspirações da Operação Monte Carlo - esta que levou Cachoeira para a prisão, em fevereiro. E deu nos espantos que aí estão.
Mas por que, se há tanto tempo coletava gravações e outros materiais em torno de Carlinhos Cachoeira, a PF decidiu desfechar sua investida em fevereiro passado?
Tal explicação não aparece no pinga-pinga de seus vazamentos para a imprensa. Em todo caso, por falar em fevereiro, nesse mês ressurgiu das sombras um processo que lembra Carlinhos Cachoeira sem, no entanto, incluí-lo ou sequer citá-lo.
Esse processo ficou cinco anos guardado com o ministro Cezar Peluso, que desde 2005 o recebera para relatá-lo. É a ação do Ministério Público de Goiás contrária, por inconstitucionalidade, a um decreto e uma lei aprovada pela Assembleia goiana em 2000, ambas liberando a exploração de uma tal loteria instantânea.
Outro nome para o jogo em caça-níqueis, especialidade de Cachoeira. O Tribunal de Justiça de Goiás derrotou os procuradores do Ministério Público, que voltaram a recorrer. Mas, como jogo de azar é assunto federal, o recurso foi para o Supremo Tribunal.
Na redistribuição dos processos em mãos de Peluso, quando feito presidente do STF em 2010, o de Goiás foi entregue a Gilmar Mendes. Em abril, foi mandado ao procurador-geral da República para dar parecer. Roberto Gurgel demorou 20 meses para fazê-lo, até meados de dezembro do ano passado. E, afinal, a solução: em fevereiro, o ministro Gilmar Mendes mandou o processo ao arquivo. Com o argumento de que, ainda em Goiás, os procuradores queixosos perderam o prazo para recorrer.
Mas não perderam. Um agravo seu já demonstrara a antecedência da entrega, feita em 19.8.2002, conforme o recibo. A data posta no recurso pelo tribunal goiano foi, porém, 25.8.2002, adotada por Gilmar Mendes para o arquivamento.
Erro de um dia, dois, seria compreensível. Mas sete dias de erro, uma semana, ao registrar a data do dia em curso, é impossível. Só por má-fé. O poder dos interesses no decreto se preveniram com esperteza.
O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, recorreu para reconsideração de Gilmar Mendes. Não ocorrida, até ontem. O ministro limitou-se a dar entrevista afirmando que uma decisão vinculante do STF, em caso de 2007, já negava validade à exploração do jogo em caça-níqueis.
A decisão de arquivar a ação dos procuradores de Goiás, contra a inconstitucionalidade da liberação do jogo naquele Estado, não considerou a sentença do caso de 2007.
E estamos no começo da história.
Janio de Freitas
No Folha
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STF suspende sessão: 5 a 1 a favor do aborto de anencéfalos

Tendência da Corte é conceder o direito, segundo aposta dos próprios integrantes do tribunal

Bule Voador resume o voto contrário do Ministro Ricardo Lewandowski ao aborto de anencéfalos
Autor dos tweets do Bule: Eli Vieira
Lewandowski começa seu voto antecipando que vai votar contra o direito à descontinuação terapêutica de gestação de anencéfalo.
@BuleVoador
BuleVoador - LiHS
Lewandowski comete a falácia de igualar anencefalia a deformidades. Não há "forma" em anencéfalo: sem encéfalo, sem criança, sem vida.
@BuleVoador
BuleVoador - LiHS
Lewandowski apelando para relativismo epistêmico e filosofia continental para não olhar para sofrimento de gestantes de anencéfalo.
@BuleVoador
BuleVoador - LiHS

Alguém acompanhou onde Lewandowski queria chegar com essa logorreia de "nenhum homem conhece a verdade"? Me perdi totalmente aqui.
@BuleVoador
BuleVoador - LiHS
Jogo: conte quantas vezes Lewandowski fala "exegese" e "hermenêutica". Valendo uma bala para cada contagem.
@BuleVoador
BuleVoador - LiHS
Ai minha insulina RT @: Jogo: conte quantas vezes Lewandowski fala "exegese" e "hermenêutica". Valendo uma bala para cada contagem
@vidadeleticia
Letícia F.
Lewandowski falando alemão e inglês no @ pra quê mesmo?
@BuleVoador
BuleVoador - LiHS
Depois de três rodadas de destilação de ruídos em alemão e inglês, compreendi que Lewandowski tá jogando a responsabilidade pro Legislativo.
@BuleVoador
BuleVoador - LiHS
Enfim, é isso: Lewandowski vai insistir na falácia de que anencefalia é igual a qualquer deformidade genética.
@BuleVoador
BuleVoador - LiHS
"Anencefalia é um termo que induz ao erro" - ah, então Lewandowski não quer mexer no Legislativo, mas quer mexer na biologia.
@BuleVoador
BuleVoador - LiHS
"Ich liebe dich, the book is on the table, wingardium leviosa, expecto patronum", acrescenta o ministro Ricardo Lewandowski.
@BuleVoador
BuleVoador - LiHS
@ Legal mesmo é o Lewandowski dizendo de como os ROMANOS atiravam crianças defeituosas de penhascos.
@ @ os romanos jogavam as crianças com defeitos do Monte Tarpéia POR MOTIVOS RELIGIOSOS...
@flavialages
Flávia
"Suposta anencefalia fetal" - não, ministro Lewandowski, não é suposta, é diagnosticada! Ufa, ele parou de falar.
@BuleVoador
BuleVoador - LiHS
A votação continua amanhã. A sessão no @ de hoje foi encerrada depois de minutos insuportáveisde lero-lero relativista.
@BuleVoador
BuleVoador - LiHS
É novo pra mim que a gente tinha um ministro no STF que vem com app do gerador de lero-lero.
@EliVieira
Eli Vieira
Não perca, logo mais, entrevista com ministro Lewandowski em aramaico e quéchua.
@BuleVoador
BuleVoador - LiHS
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As luvas pretas da Gilda

O Heleno de Freitas era chamado de “Gilda” — pelos adversários, claro — porque era bonito e temperamental como uma diva. E a diva em evidência na época era a Rita Hayworth no papel de Gilda, num filme que causava escândalo porque tinha uma cena de strip-tease.
“Nunca houve uma mulher como Gilda” era a frase promocional do filme e até hoje tem gente que diz que nunca houve uma mulher como a Rita Hayworth fazendo Gilda, e que sua primeira aparição no filme é um dos momentos luminosos da história do cinema.
Sobre o strip-tease que escandalizava. Não me recordo se o Millôr incluiu no seu livro de expressões em português vertidas hilariantemente para o inglês (“The cow went to the swamp”) o nome para vestidos que só o busto da mulher e a providência divina mantêm no lugar: “tomara que caia”. Em inglês seria hope it falls?
De qualquer maneira, é um tomara que caia preto e longas luvas negras que a Gilda veste quando se levanta da mesa da boate, onde esteve bebendo demais, e começa a cantar “Put the blame on Mame” e a dançar. E começa, lentamente, a tirar uma das luvas pretas, que depois gira no ar e atira para a plateia de mulheres indignadas e homens babosos.
E começa a tirar a segunda luva preta, expondo, pouco a pouco, o outro braço nu. Neste ponto o marido — ou Glenn Ford, o amante, não me lembro mais — intervém e a tira do palco, mas não a tempo de evitar que o filme fosse proibido até 18 anos no Brasil.
O strip-tease era só isto, duas luvas sendo despidas, com a pressuposição de que a etapa seguinte seria o zíper sendo aberto para que o tomara que caia caísse. O cinema americano levou alguns anos até abrir o zíper e desnudar os seios de uma atriz, completando o que Gilda começara em 1946.
Mas mesmo incompleto o strip-tease da Gilda causou sensação. De certa maneira, o strip-tease implícito era mais excitante do que um impensável — na época — strip-tease de verdade.
O filme foi proibido para menores de 18 anos não pelo que mostrava, mas pelo que sugeria. Compare-se o apenas sugerido em “Gilda” com o que é visto no cinema hoje em dia e se terá uma ilustração perfeita do que o tempo faz com a moral e os costumes. Em algum lugar devem estar expostas as luvas pretas da Gilda como relíquias daquela nossa pré-história.
Pré-história pessoal: nós passávamos uma temporada em Caxambu, onde o único cinema da cidade estava exibindo “Gilda”. Não havia fiscalização, entrava todo mundo, até os muito menores de 18 como eu. Meu primeiro filme proibido. Não vou dizer que as luvas pretas da Gilda rondaram os meus sonhos, depois de ver o filme. Mas que perturbaram, perturbaram.
Luís Fernando Veríssimo
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