11 de abr de 2012

Charge online - Bessinha - # 1178

Leia Mais ►

O novo encerramento do Jornal Nacional

Leia Mais ►

Voto de Marco Aurélio é contundente: "Gestação de anencéfalo assemelha-se à tortura"

O ministro relator, ao fundo, à esquerda 
Foto: Elza Fiúza/ABr
Eu ia esperar o fim do julgamento do Supremo Tribunal Federal da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 54 para postar aqui. Mas o voto do relator, Marco Aurélio de Mello, a favor da descriminalização da interrupção da gravidez nos casos de encefalia merece um post à parte, pois é brilhante. Na verdade, reflete o que se espera da mais alta corte do país, cujo dever é zelar pela constitucionalidade das leis de um país laico. E, afinal, como ele próprio lembrou: “Não cogitamos sequer de aborto [no julgamento] mas de interrupção terapêutica de gravidez”.
O voto do relator é cabal. “O Estado brasileiro é laico”. Mais do que cabal, é contundente em algumas passagens. Por exemplo, quando diz: “O ato de obrigar a mulher a manter a gestação, colocando-a em uma espécie de cárcere privado em seu próprio corpo, desprovida do mínimo essencial de autodeterminação e liberdade, assemelha-se à tortura ou a um sacrifício que não pode ser pedido a qualquer pessoa ou dela exigido”.
Afirmou ainda: "Hoje é consensual no Brasil e no mundo que a morte se diagnostica pela morte cerebral. Quem não tem cérebro não tem vida", disse.
Pode-se criticar ou falar o que quiser de Marco Aurélio, mas seu voto e relatório (eruditos como sempre) são históricos, e vamos esperar que o STF, ao final, acabe com a hipocrisia que ronda o tema desde 2004, quando o caso chegou ao tribunal. O ministro lembrou a grande Simone de Beauvoir (autora do monumental O Segundo Sexo, considerado a bíblia do feminismo) em sua argüição: “Simone de Beauvoir já exclamava ser o mais escandaloso dos escândalos aquele a que nos habituamos”.
Leia algumas passagens do voto de Marco Aurélio (o link com a íntegra de seu voto está abaixo neste post):
“A garantia do Estado laico obsta que dogmas de fé determinem o conteúdo de atos estatais. Concepções morais religiosas, quer unânimes, quer majoritárias, quer minoritárias, não podem guiar as decisões estatais, devendo ficar circunscritas à esfera privada.”
“Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.”
“Não cabe impor às mulheres o sentimento de meras ‘incubadoras’ ou, pior, ‘caixões ambulantes’, na expressão de Débora Diniz. Simone de Beauvoir já exclamava ser o mais escandaloso dos escândalos aquele a que nos habituamos. Sem dúvida. Mostra-se inadmissível fechar os olhos e o coração ao que vivenciado diuturnamente por essas mulheres, seus companheiros e suas famílias.”
“Atuar com sapiência e justiça, calcados na Constituição da República e desprovidos de qualquer dogma ou paradigma moral e religioso, obriga-nos a garantir, sim, o direito da mulher de manifestar-se livremente, sem o temor de tornar-se ré em eventual ação por crime de aborto.”
“Franquear a decisão à mulher é medida necessária ante o texto da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher, também conhecida como “Convenção de Belém do Pará”, ratificada pelo Estado brasileiro em 27 de novembro de 1995, cujo artigo 4º inclui como direitos humanos das mulheres o direito à integridade física, mental e moral, à liberdade, à dignidade e a não ser submetida a tortura. Define como violência qualquer ato ou conduta baseada no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto na esfera pública como na esfera privada.”
“Ante o exposto, julgo procedente o pedido formulado na inicial, para declarar a inconstitucionalidade da interpretação segundo a qual a interrupção da gravidez de feto anencéfalo é conduta tipificada nos artigos 124, 126, 128, incisos I e II, do Código Penal brasileiro.”
Após o resultado (esperemos que majoritariamente seguindo o voto do relator), postarei outro texto no blog.
Leia a íntegra do voto de Marco Aurélio de Mello neste link: Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 54 - Distrito Federal
Edu Maretti
No Fatos Etc
Leia Mais ►

Espanha: a "agenda positiva" dos demos

O presidente dos demos, Agripino Maia, decidiu fugirdo desmanche contagioso do seu ex-líder no Senado, Demóstenes Torres, buscando uma agenda positiva no exterior. Agripino escolheu a dedo: montou um périplo de encontros políticos em Portugal e na Espanha onde versões ibéricas dos demos chegaram onde Demóstenes queria chegar, no poder. Má hora. A direita amiga dos Demos empurra a península ibérica ao suicídio ortodoxo.
Nesta 3ª feira, por exemplo, as tesouradas fiscais do governo Rajoy (PP) fizeram estremecer as bolsas da Europa e do mundo: distintas latitudes financeiras temem o efeito dominó de uma quebra da Espanha, hipótese cada vez mais presente no radar dos analistas. Em poucos mais de 100 dias sob governo do PP, 74% dos espanhóis acham que a vida vai piorar. Rajoy teima que não. Uma esfinge algo catatônica o demo espanhol resolveu escalpelar a nação para reduzir o déficit público (dos atuais 8,5% para 5,3% até dezembro) e reconquistar a confiança dos mercados.
A lógica da 'purga redentora' não se mostrou eficaz: a Bolsa espanhola teve a segunda pior queda do ano nesta terça-feira; os mercados respondem às tesouradas cada vez mais ariscos: para aplicar em títulos do cambaleante Estado espanhol exigem taxas de juros entre quatro a cinco pontos acima do rendimento alemão. Hoje a Espanha já gasta mais com juros do que com funcionários públicos. O desemprego atinge mais da metade da juventude. Rajoy não recua: 24 horas depois da greve geral de 29 de março, que levou 800 mil pessoas em protesto às ruas de Madrid, Barcelona, Valencia, o presidente conservador anunciou reforma trabalhista que encoraja, barateia e acelera demissões.
Em seguida, decretou cortes de 22% no orçamento da educação, 7% no da saúde, 25% em pesquisa e tecnologia, 15% na Cultura e 21% no fomento ao emprego. Diante das desconfianças dos mercados não se conteve: ontem fez aprovar mais 10 bilhões de euros em cortes na saúde pública e na educação.
A demenial conduta da direita ortodoxa na zona do euro já causa apreensão até no sindicato mundial dos bancos, o IFF (Instituto Internacional de Finanças). Carta assinada pelo seu diretor-geral, Charles Dallara, divulgada esta semana, figura como uma ilha de sensatez em meio ao austericídio em marcha na zona do euro. Dallara adverte que:
a) a austeridade torna-se contraproducente quando é aplicada de forma desordenada e simultânea - se todas as economias cortam gastos, empregos e salários ao mesmo tempo, a contração da demanda esmaga as importações comprometendo a meta , também de todos, de ressuscitar o crescimento pela via do comércio exterior, leia-se vendendo ao vizinho;
b)'a questão chave', admite o sóbrio Dallara, 'é se a atual fórmula de liquidez (para os bancos) e austeridade (para o setor produtivo e para os cidadãos) funciona'. Agripino, por certo, deve achar que Dallara é um petista keynesiano infiltrado no sindicato mundial dos bancos.
O mais assustador é que Agripino considere o incêndio europeu um refresco perto da fogueira que assa a direita nativa. Eis aí um dado revelador da crise que vive o conservadorismo brasileiro.
Saul Leblon
No Carta Maior
Leia Mais ►

CONVOCAÇÃO

Ato Público pelo Dia do Direito à Justiça no STF em Brasília
Dia 12 de abril, quinta-feira, 13h30
O Supremo Tribunal Federal julgará na próxima quinta-feira, dia 12 de abril, a ação da OAB sobre o cumprimento da sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA no caso Araguaia. Na mesma ação decidirão se os crimes de desaparecimentos políticos estão abrigados pela lei de anistia e ficarão impunes.
Este julgamento tem caráter DEFINITIVO e, caso indeferido, NUNCA MAIS nenhuma ação judicial poderá ser aberta no Brasil sobre os crimes da ditadura!
Teremos pelo menos SETE GRAVES CONSEQUÊNCIAS para todo o povo brasileiro:
1) O Ministério Público Federal ficará impedido de abrir ações de investigação sobre os crimes da ditadura no Brasil;
2) O Direito à Verdade ficará prejudicado, pois sua efetividade depende da complementaridade entre as ações dos tribunais e da Comissão da Verdade, como a experiência internacional demonstra;
3) Caso os militares convocados pela Comissão da Verdade fiquem em silêncio, não poderão ser convocados pela Justiça;
4) O Brasil se tornará o paraíso oficial dos ditadores e torturadores do mundo, pois nossa legislação os protegerá da extradição por crimes que não admitem punição pela lei brasileira;
5) Teremos uma democracia incompleta, pois se reconhecerá que acordos políticos firmados pelos generais há mais de 30 anos restrinjam ainda hoje os direitos humanos dos brasileiros;
6) O Sistema Internacional de Proteção aos Direitos Humanos será enfraquecido e seremos o único país do continente que não cumprirá a determinação da Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA de anular as leis de anistia das ditaduras;
7) Mais uma vez, em nossa história, os criminosos ganharão a impunidade.
O judiciário brasileiro no passado cumpriu um vergonhoso papel ao promover a criminalizarão dos que se opunham à ditadura, segundo a Doutrina e a Lei de Segurança Nacional.
O judiciário aderiu à ‘legalidade autoritária’ do regime militar, negou o habeas corpus, condenou opositores a prisões que eram verdadeiros centros de tortura e morte.
O Congresso Nacional aprovou a lei da Comissão da Verdade.
O Poder Executivo tem promovido reparação e as políticas de memória.
É a hora de o Poder Judiciário sair dos palácios de mármore, ouvir o povo e os jovens e respeitar o Direito à Verdade e à Justiça!
Não à impunidade dos torturadores da ditadura militar!
Pela punição aos crimes de lesa-humanidade, imprescritíveis!
Pela abertura das ações criminais pelo Ministério Público!
Jair Krischke – Presidente
Movimento de Justiça e Direitos Humanos
Porto Alegre, RS
Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 1177

Leia Mais ►

Entrevista com Luiz Pinguelli Rosa

Luiz Pinguelli Rosa - Graduado em Física pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) (1967), mestre em Engenharia Nuclear pela COPPE/UFRJ (1969), doutor em Física pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) (1974). Foi Diretor da COPPE/UFRJ por três mandatos e é ex-presidente da Eletrobrás. Atualmente é diretor da COPPE/UFRJ, professor titular do Programa de Planejamento Energético da COPPE/UFRJ e secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas. Suas áreas atuais de pesquisas são: planejamento energético, mudanças climáticas e epistemologia e história da ciência. Suas pesquisas anteriores estão ligadas às áreas: Engenharia Nuclear, Física de Reatores, Física Teórica e Física de Partículas. Foi pesquisador ou professor visitante das Universidades de Standford (SLAC), da Pennsylvania; de Grenoble e de Cracóvia, na Polônia; do Centre International pour l´Environnement et le Développement, em Paris; do Centro Studi Energia Enzo Tasseli e do Ente Nazioanale per l´Energia Nucleare e Fonti Alternative, ambos na Itália; e da Fundação Bariloche, na Argentina. Foi ainda membro do Conselho do Pugwash (1999-2001) entidade fundada por Albert Einstein e Bertrand Russel, a qual ganhou o Nobel da Paz, em 1995. Participa, ainda, do Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima (IPCC).
Como o senhor vê a produção de energia elétrica no Brasil do ponto de vista dos impactos?
Há diferentes impactos. Cada maneira de gerar energia trás um problema. A maior parte da geração elétrica brasileira é hidrelétrica. O problema que ela traz é a necessidade de mobilizar território para a localização das barragens. Antes tínhamos reservatórios enormes de água e mais recentemente menores. Mas sempre tem problema. Nunca é totalmente isenta de impacto desse ponto de vista porque sempre altera cursos d´água. Se você pensa em termos da geração termelétrica, que é a segunda no Brasil, com combustíveis fósseis, petróleo, gás natural e um pouco de carvão mineral, tem a poluição atmosférica, que atinge a saúde das pessoas e também contribui mais para o aquecimento do Planeta, com o efeito estufa. Nuclear, temos poucas, mas temos o risco da radioatividade, ressaltado agora no acidente de Fukushima, no Japão. As renováveis ou alternativas – a principal delas no Brasil para eletricidade é o bagaço de cana, usado na geração de energia nas usinas de álcool – também tem impactos. A própria produção da cana-de-açúcar toma uma área que alguns dizem fazer falta na produção de alimentos. A eólica, mais nova, que cresce bastante, tem problemas também de utilização de território, atinge aves, tem o problema estético, do ruído. Enfim, cada uma tem os seus problemas.
Como o senhor acredita que o governo deve planejar os investimentos para garantir o fornecimento de energia minimizando possíveis danos?
A tendência do Brasil ainda é a hidrelétrica porque ainda há um potencial enorme não usado. Há um órgão, criado no primeiro governo Lula, chamado Empresa de Pesquisa Energética, a EPE, que procura fazer o balanço de todas as vantagens e desvantagens e prever o que é necessário fazer para atender o crescimento de demanda que tem ocorrido. É bom lembrar que, com essa melhoria de renda de uma parte mais pobre da população tem havido crescimento significativo no consumo de energia.
Falando em hidreletricidade, como o senhor disse, temos os problemas de área. Neste sentido, o que o senhor tem a dizer sobre Belo Monte?
Tem pessoas que têm uma convicção contra qualquer hidrelétrica de proporção maior. E isso é uma opinião, é uma visão. Então não há o que discutir. Entretanto, é um projeto razoável. Não inunda quase nada: 500 quilômetros quadrados ao longo do curso de um rio. Evita a remoção de populações indígenas. Não há nenhuma pessoa afetada. E se compromete em melhorar as condições de vida da população que vive em condições muito precárias, na periferia urbana naquela área da usina. Enfim, foi planejada pela EPE dentro de padrões. A tarifa foi considerada bastante razoável. O valor da energia foi calculado na casa dos R$ 60,00 a R$ 70,00 o megawatt/hora. As termoelétricas estão na faixa de R$ 150,00. As eólicas alcançaram agora R$ 100,00. Então é razoável como um projeto hidrelétrico.
O que o senhor tem a dizer sobre o fator de capacidade?
O fator de capacidade é baixo, mas isso é comum nas fontes renováveis todas, inclusive nas eólicas, que têm fator de capacidade baixo. Você não alcança a potência instalada porque depende da disponibilidade de água (ou de vento, na eólica). E não vai haver reservatório para guardar água. Com isso esse fator de capacidade está na faixa de 42%. Nas hidrelétricas brasileiras em geral ele fica um pouco acima de 50%. É por isso que a comparação deve ser de 42% para 50% porque 100% é impossível. Não há nenhuma usina com fator de capacidade de 100%. E isso vale para todas as renováveis. No caso da solar é muito menor.
Por que, então, tanto barulho? As pessoas argumentam que vai haver um dano que não será compensado por esse fator de capacidade baixo…
É uma visão política e ambiental também. Se você partir do postulado de não se querer nenhuma alteração nas bacias hidrográficas, não vai haver hidrelétrica porque vai haver alteração. Não tem jeito.
E as PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas) seriam uma alternativa?
Seriam uma alternativa verdadeira, mas também com impacto. Tinha PCH que impedia a utilização, por população indígena localizada num trecho de um rio, numa parte do ano, que ficava muito raso. Volto a dizer: cada forma de gerar energia tem o seu problema. Nenhuma é isenta.
Existe alguma fonte de energia na qual o senhor tenha convicção de que o Brasil não deveria mais investir recursos?
Eu acho que tem que ter uma hierarquia de prioridades. Eu acho muito cara a nuclear, e também com riscos que podem se concretizar, como aconteceu no Japão. E nem a nuclear eu vejo como uma coisa a ser proibida porque, em certas circunstâncias, também pode ser necessária.
E em relação às térmicas, sobretudo as térmicas a carvão, qual é a sua posição?
Também não sou partidário de vetar, proibir, mas colocar numa hierarquia. Como nós não teremos mais reservatório nas hidrelétricas – Santo Antônio, Girau, Belo Monte – elas todas dependem de complemento, que está sendo feito ainda com base nas térmicas. E pode ser usado o carvão também. O carvão é o pior combustível do ponto de vista do efeito estufa. Mas há estudos para capturar o dióxido de carbono produzido nas usinas, em particular nas de carvão. Isso é estudado no mundo inteiro e há até uma proposta de fazer uma demonstração em uma usina do grupo EPX. Nós aqui na Coppe fizemos um estudo sobre essa possibilidade, mas ainda não é economicamente viável. Seria uma demonstração tecnológi-ca. O mundo inteiro ainda está neste estágio.
O senhor acredita, então, que há circunstâncias em que esse tipo de fonte ainda é necessária?
Eu não diria necessária, mas possível. Agora a gente tem que escolher. Às vezes a escolha é feita com base em algum critério. Existem fatores econômicos, talvez disponibilidade de carvão a custo menor. Cada empreendimento é visto de uma forma.
Falando, então, em fontes renováveis alternativas, quais são as suas expectativas?
Está crescendo. O custo caiu muito. Nos últimos leilões conseguiram esses valores de R$ 100,00 por megawatt/hora,um pouquinho menor até e, se isso for mantido, vai aumentar a presença da eólica. Talvez seja a que mais cresça no Brasil. Solar talvez seja necessário um plano para intensificá-la. É muito pouco usada no Brasil. É necessariamente distribuída. Não vejo muito sentido em criar uma grande usina solar e sim utilizar telhados e construções existentes para colocar coletores solares. Tem a solar térmica para aquecimento da água, muito mais fácil, muito mais simples, bastaria um plano de estímulo e financiamento, e a solar para geração de eletricidade, a chamada célula fotovoltaica, que exige um maior investimento, que tem caído também e pode haver condições em que seja compensador fazê-lo. Os chineses estão expandindo muito.
Há quem diga que o Brasil não avança por não produzir células, painéis…
Toda a tecnologia é importada. Nós abandonamos o desenvolvimento industrial, tecnológico há décadas atrás, que vinha se dando desde o período do Getúlio Vargas, foi também muito enfatizado no período Geisel. Mas, com o neoliberalismo isso foi passado para o segundo plano. Viramos produtores primários de soja e minério de ferro. É isso que a gente exporta. Enquanto que a Coreia, que estava numa situação pior do que a da gente na década de 1950, quando havia uma guerra lá, ou a China, são hoje países altamente tecnológicos. Veio há poucos dias aqui um professor de uma universidade coreana e ele simplesmente mostrava que a proposta de cooperação conosco envolvia as empresas Sansung, LG e Hyundai. Você vê as marcas das coisas que a gente usa – automóveis, televisões, computadores têm esses nomes e o Brasil não faz nada. E isso coloca os brasileiros numa divisão internacional do trabalho desfavorável. Nós somos os empregados, os faxineiros, os apertadores de parafuso. Somos subcidadãos tecnologicamente falando… Enfim, o Brasil não está conseguindo. Apesar do aumento da produção científica brasileira, o avanço nessa direção, as empresas brasileiras são refratárias à tecnologia, elas são compradoras. O empresário brasileiro não tem uma cabeça tecnológica. Ele é um vendedor de bugigangas.
A Coppe tem se destacado nessa transferência do conhecimento, das pesquisas para o mercado…
A Coppe tem uma tradição de se dedicar muito a isso. E teve muito êxito, particularmente na área do petróleo e gás, numa cooperação muito intensa com a Petrobras e temos um projeto de uso de ondas do mar para a geração de energia elétrica que veio da produção de petróleo off shore, que a Tractebel apoiou a construção no Ceará. Mas é difícil. Temos um ônibus a hidrogênio e estamos procurando uma empresa que produza. Enfim, em alguns casos o êxito ocorre, mas é uma dificuldade. O empresário brasileiro é muito refratário a risco. Ele quer um contrato. Não quer arriscar para conquistar um mercado. Quer que alguém peça para ele fazer: a Petrobras, o governo, uma multinacional. Prefere ser subcontratado e, no fundo, se torna um subempresário do ponto de vista tecnológico.
O que o senhor pode nos dizer em relação à eficiência energética? Estamos bem no que diz respeito a evitar desperdícios?
Não. Estivermos melhor. O Procel, da Eletrobrás, já teve um papel de maior impacto do que tem hoje. Ele tem um papel, mas acho que há muito mais o que fazer do que o que se faz. Estamos longe de um padrão de eficiência energética razoável. Seria possível reduzir o consumo de energia numa faixa que pode atingir 20%, o que não é pouco.
E isso significa uma economia a mais para os nossos recursos naturais?
A perda ocorre muito por um lado na indústria, que faz um processo que poderia ser feito de outro modo mais eficaz, com menos energia. O outro cultural, às vezes por desmazelo, às vezes por consumismo. A classe média acaba se enchendo de equipamentos, automóveis grandes demais, pesados, verdadeiros caminhões, um modismo. Um compra, o vizinho tem que comprar, e vão se enchendo de bugigangas.
Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 1176

Leia Mais ►

Vamos comparar

Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 1175

Leia Mais ►

Sêneca, Demóstenes e a ética na política

Sêneca
Em "A Origem do Cristianismo", Karl Kautsky se refere ao período de decadência do Império Romando, quando a atividade política teria cessado. Nessa época, segundo ele, era moda pronunciar discursos edificantes e fabricar máximas morais. O fim da política e o privilégio das prédicas morais levavam, inevitavelmente, a uma evidente contradição: muitos dos pregadores eram flagrados em desvios graves, morais, semelhantes àqueles que condenavam.
Eu me impressiono com o clima moralista dominante, com a desqualificação permanente da política, com a elevação da moral à condição de deusa suprema. Homens puros e bons se elevam, e vão limpando o ambiente de tantos seres sujos, pecaminosos, e dados à prática da corrupção. Os pregadores alevantam sua voz tonitruante e condenam todos os que estejam ao lado, e que presumivelmente tenham cometido algum pecado. Nem lhes importa investigar se verdade ou mentira, que aos pregadores basta uma notícia para que saiam a campo e, em muitos casos, a notícia é encomendada, lamentavelmente. Saem a campo cheios de pose, com seus dedos incriminadores, seu verbo incendiário, cheios de razão.
É de hoje, é de ontem, é de anteontem essa prática. Se quisermos nos referir ao Brasil, é só lembrar personagem famoso – Carlos Lacerda, O Corvo –, que não se incomodava em inventar histórias fantasiosas para atacar seus adversários pela imprensa, e seu espírito golpista sempre andava de braços dados com o moralismo udenista, que hoje reaparece no Brasil com toda força.
A tentação é recorrer a Marx e dizer que a história nunca se repete – numa ocasião é tragédia, lá com Lacerda, na sequência, é farsa, como nos dias de hoje, com Demóstenes Torres. A moral e a ética não podem substituir a política. Podem e devem servir de substância a ela, se verdadeiras. São um substrato para o exercício da política, mas não podem e não devem substituí-la.
Em geral, mais cedo ou mais tarde, nessas épocas de tentativa de predomínio do moralismo, da substituição da política pela moral, os pregadores acabam bebendo do próprio veneno. O povo diria que o pregador age como o macaco, que não olha para o próprio rabo. É como se pregasse com tanta insistência o respeito à moral, o bom uso do dinheiro público – o que é absolutamente correto – apenas e tão somente para encobrir a montanha de problemas que ele próprio acumula ao longo de sua existência, quando não a montanha de fortuna adquirida exatamente com os métodos que condena.
O mundo que ele prega – de profundo respeito à ética – é uma exigência para os outros, e vale apenas como aparência para ele. Como defesa, quem sabe. Até que a casa caia e, não raramente, cai. Um fariseu, diriam os cristãos. Quando cai, há os que se assustam, perplexos com tal distância entre o verbo e a vida. É bom precaver-se contra os pregadores, os moralistas. São sepulcros caiados – ainda é a bíblia. É bom compreender que o pecado mora ao lado. Quase sempre. Demóstenes está aí para não deixar ninguém se enganar. Ou exigindo muito mais cautela diante dos pregadores.
Esses dias me caiu às mãos o livro “A origem do cristianismo”, de Karl Kautsky. Caiu às mãos é forma de dizer. Eu o procurei por sugestão de meu amigo Venício Artur de Lima. Valeu a pena. Por muitas razões, que não cabe aqui detalhar. Quanto a essa discussão, lembro-me da remissão que Kautsky faz ao período da decadência do Império Romano, quando, na visão dele, todas as atividades políticas tinham cessado. Nessa época, ainda segundo o nosso autor, “chegou a ser moda pronunciar discursos edificantes e fabricar máximas e historietas morais”.
O fim da política e o privilégio das prédicas morais voltadas à perfeição do indivíduo ou à simples valorização das virtudes individuais levavam, inevitavelmente, a uma evidente contradição: muitos dos pregadores eram flagrados em desvios graves, morais, semelhantes àqueles que condenavam. Vê-se que o problema vem de longe. Como exemplo clássico, Kautsky cita Sêneca, filósofo e preceptor de Nero, um severo crítico da riqueza, da avareza e do amor aos prazeres.
Ainda em vida, no entanto, Sêneca viu um tribuno do Senado acusá-lo de ter acumulado grande fortuna praticando a usura e falsificando testamentos. Deixou, ao morrer, uma fortuna de 300 milhões de sestércios, coisa de 6 milhões de marcos, uma das maiores fortunas da época. Não foi fiel à própria doutrina, como se vê.
Demóstenes
E agora o Demóstenes Torres, ora Veja. Não compensa, face ao muito que foi divulgado, sobretudo por blogs progressistas, pela revista CartaCapital e alguns poucos outros veículos, voltar propriamente ao assunto, mostrar a intrincada rede do crime organizado, que envolveu o senador e Carlinhos Cachoeira mais os 200 telefonemas da direção da revista Veja com a inestimável e cúmplice fonte – ele próprio, Cachoeira.
A velha mídia entrou constrangida no assunto, e Veja fingiu que não é com ela, e desfilou de mistérios do Santo Sudário. O que ela deu do assunto beira ao ridículo. O que se deve responder é aonde vamos com esse moralismo udenista, conservador, retrógrado, que vem exatamente de pessoas que não tem nenhum compromisso com a ética em seu sentido mais republicano e filosoficamente mais profundo. Quanta distância entre tudo o que o senador Demóstenes Torres pregava e o que ele praticava cotidiana, sistematicamente.
Temos que discutir política. Temos que colocar a política no posto de comando. Temos que pensar cada vez mais nos instrumentos do Estado de Direito que garantam o respeito ao dinheiro público. Caminhar, como creio estamos caminhando, para um Estado que tenha mecanismos rigorosos de transparência, fiscalização e acompanhamento da aplicação dos recursos provenientes do povo brasileiro. Querer fazer alguém crer que a solução está na soma de virtudes individuais para enfrentar a corrupção é uma mistificação própria dos que não acreditam na democracia.
Ou o Estado de Direito é capaz de frear a corrupção, de acabar com as frequentes tentativas de privatização do Estado, ou, então, a corrupção prosseguirá sem o devido e necessário cotidiano combate. Não são os demóstenes que irão acabar com ela, como estamos vendo. São os mecanismos da política, do Estado de Direito democrático, que podem enfrentá-la, aprofundando a transparência, como tem sido feito pela Controladoria Geral da União, que passou a ter existência efetiva desde o início do governo Lula, quando Waldir Pires, por decisão do presidente, a construiu. E que segue agora, sob o governo da presidenta Dilma.
Se há a pretensão de frear a privatização do Estado, o patrimonialismo, a utilização de cargos do governo para fazer fortuna, trata-se de, com urgência, efetivar a reforma política, garantir o fortalecimento dos partidos políticos com a fidelidade partidária, financiamento público de campanha e voto em lista pré-ordenada, para citar três pontos essenciais.
Como livrar-se da maldição da relação entre o financiador e o financiado? Como evitar que o Congresso seja eleito pelos financiadores privados? Como assegurar que tantos setores do nosso povo, hoje ausentes do Parlamento, possam estar presentes nele? Sem dúvida, com o atual esquema eleitoral, não há chance de um homem do povo, salvo exceções, vir a ser um parlamentar. Onde arrumará o dinheiro para tanto?
Os financiadores privados, para tentar dizer tudo, são procurados, não apenas procuram, e se nem todos aprisionam os candidatos que financiam, boa parte exige contrapartida. Obviamente, participam de um jogo, de uma arquitetura institucional equivocada, que cumpre mudar, para que, afinal, todos ganhem. Tenho convicção de que há empresários que gostariam de trabalhar sob outra modelagem política, que gostariam que os negócios do Estado fossem realizados à luz do dia, de modo republicano, sem a intromissão de outros mecanismos.
Além disso, nosso Parlamento tem a missão de valorizar mais e mais a participação direta do povo. Há uma evidente crise da democracia representativa e, no interior da reforma política, é fundamental pensar mecanismos de intervenção direta do povo que ultrapassem ou complementem o momento das eleições propriamente ditas.
Fora disso, vamos patinar, andar em círculos, ser prisioneiros desse moralismo udenista tardio, vindo de personalidades cujas prédicas entram em confronto direto com suas vidas anteriores e com suas práticas cotidianas atuais. Os que defendem a democracia, os que almejam uma sociedade mais e mais justa, não podem ser reféns de uma discussão rasteira, pobre, fundada nas virtudes ou defeitos individuais desse ou daquele cidadão.
Devem lutar pela continuidade e aprofundamento das mudanças que inegavelmente temos experimentado desde 2003, pela radicalização da revolução democrática em curso no Brasil. Será essa luta que, levada à frente, poderá garantir que haja, de fato, ética na política – que significa, sempre, responder às necessidades da maioria da nossa gente, diminuindo de modo cada vez mais veloz as desigualdades que ainda nos afrontam.
Se é inegável que avançamos muito quanto ao enfrentamento da distribuição de renda sob os oito anos do governo Lula e sob o governo da presidenta Dilma, é também verdadeiro que falta muito que fazer, e para tanto é fundamental que cada centavo do dinheiro público seja aplicado em benefício da população, especialmente daquela mais pobre. É isso que devemos garantir. Isso é a ética na política.
Emiliano José, jornalista e escritor.
Leia Mais ►

Serra está com desempenho intelectual pífio e indolente

Após perder a eleição de 2010 e ficar sem nenhum cargo, José Serra (PSDB/SP) lançou um site, onde publica seus artigos que, em tese, deveriam ser uma bússola para a oposição. Mas em geral são artigos muito ruins e fracos, pois não tem conseguido nem pautar seus seguidores.
Para quem está há um ano e meio sem nenhum trabalho, sem nenhum cargo, com tempo de sobra a vontade, vive se apresentando como se fosse "o mais preparado" intelectualmente, o tucano está deixando muito a desejar.
Entre um artigo e outro lá se vão quase 20 dias, 15 dias. O último, ele praticamente copiou e colou de um estudo da FIESP.
Com desempenho intelectual pífio e indolente destes, como pode querer ser prefeito de uma metrópole como São Paulo, que exige dedicação, capacidade e garra?
Charge do J.Bosco
No Lápis de Memória
No Amigos do Presidente Lula
Leia Mais ►

Nova Pesquisa

A cada vez que é publicada uma nova pesquisa sobre a popularidade do governo - como essa recente que o Ibope desenvolveu para a CNI -, uma pergunta se recoloca: o que será que seus adversários pensam dos números? Que explicação terão para eles?
Realizada entre os dias 16 e 19 de março, trouxe resultados que devem ter aumentado sua perplexidade. No final de um trimestre marcado por notícias de baixo crescimento econômico e sem que tivessem cessado as denúncias de irregularidades na administração, Dilma cresceu.
Entre dezembro e março, a aprovação da presidente subiu 5 pontos percentuais e foi a 77%, o que fez com que ela voltasse a superar seus próprios recordes de popularidade – considerando a altura em que está do mandato. Nem Lula chegou a isso aos 15 meses.
Perguntados sobre como avaliavam o governo, 56% disseram que o achavam “ótimo” ou “bom”. Outros 34% se mostraram menos entusiasmados, afirmando que o viam como “regular”. Restaram 8% contrários: 4% dizendo que era “ruim” e 4% “péssimo”.
Entre esses últimos deve estar a oposição parlamentar e partidária, à esquerda e à direita. De público, suas lideranças não se perturbam quando saem pesquisas com resultados desse tipo. As ignoram e agem como se não existissem.
Em privado, ficam confusas. Não entendem o que está acontecendo. No máximo, culpam-se umas às outras: é porque não demos o devido valor à “herança de Fernando Henrique”, porque não soubemos reivindicar a paternidade do Bolsa Família, não fomos suficientemente críticos, e por aí vai.
Também faz parte dessa parcela a oposição social, incluídos seus núcleos mais vociferantes e mobilizados. Normalmente, gostam de falar e expressar seus pontos de vista na internet. Mas emudecem nessa hora.
Pelo pouco que dizem, parece que alguns desconfiam que pesquisas assim são “armações”. Que os institutos, mancomunados com o governo, inventam os resultados. Que, “na verdade”, o povo está com eles, na sua cruzada contra o lulopetismo.
E existem os analistas e comentaristas da imprensa oposicionista, alguns apenas folclóricos e outros que levam a sério seu papel. Uns e outros têm dificuldade de compreender a aprovação do governo.
Há os que tendem a explicá-la através da ideia de desinformação, recorrendo – de forma explícita ou nas entrelinhas – à suposição de que a avaliação positiva decorre da ignorância da população. Como não gostam do governo e se acham muito bem informados, deduzem que todos seriam igualmente hostis se tivessem informação.
O problema da hipótese é que ela não explica porque Dilma é mais aprovada que, por exemplo, Fernando Henrique em 1996, no apogeu do Plano Real. A menos que acreditássemos que a ignorância e a desinformação cresceram de lá para cá, o que seria uma tolice.
Há os que usam o argumento do bolso cheio, acreditando que os pobres pensam com a barriga (enquanto os bacanas com o intelecto). Mas o que teria ocorrido de dezembro para cá? Enriqueceram? A cesta de consumo barateou? Se a causa da popularidade é o dinheiro no bolso, como entender que tenha aumentado em um trimestre nebuloso?
E é possível que haja alguns que, secretamente, tenham outro convencimento. Semelhante ao de Simão Bacamarte a respeito de seus concidadãos da Itaguaí de Machado de Assis.
Se os Bacamartes modernos estão certo e se suas convicções são inquestionáveis, resta apenas uma explicação para que exista quem deles discorde: só podem ser loucos.
Que não suceda a nossos comentaristas o que terminou acontecendo ao alienista: quando se deu conta que o errado era ele, foi se trancafiar no asilo de onde libertou os que achava desequilibrados.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox populi
Leia Mais ►

Viúvas de Demóstenes na imprensa choram por ele

Abandonado pelos seus pares do DEM e do que restou da oposição parlamentar no Congresso Nacional, o ainda senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) só encontra apoio em alguns setores da imprensa e agora joga todas as suas fichas no Judiciário, pois sabe que não tem como escapar da cassação do mandato. É tudo só uma questão de tempo.
Chega a a ser comovente o empenho de alguns jornalistas em variadas mídias para separar o Demóstenes AC (Antes de Cachoeira), o implacável combatente contra a corrupção, do Demóstenes DC (Depois de Cachoeira), como se isso fosse possível.
Não tem essa história de antes e depois: Demóstenes e Cachoeira são umbilicalmente ligados faz muito tempo, atuavam juntos em atividades clandestinas e um cumpria ordens do outro, segundo as gravações feitas pela Polícia Federal.
Tratado agora como um traidor, Demóstenes sempre foi um impostor, e só se deixou enganar por ele quem o considerava um aliado útil contra o governo, independentemente dos seus objetivos. Agora não adianta chorar.
Tanto que nem o senador nem o seu advogado até hoje apareceram na imprensa para defender a sua inocência, mas apenas para negar a validade das provas obtidas nas escutas telefônicas.
A atividade criminosa pela qual Demóstenes está sendo denunciado é concomitante à sua ativade como parlamentar, na qual se destacou como grande ator, de acordo com seu ex-parceiro Sergio Guerra, presidente do PSDB, que gostava de vê-lo "de dedo em riste".
A tragédia greco-goiana das duas vidas no mesmo personagem protagonizada pelo senador só se tornou pública porque ele tinha certeza de que nunca o iriam pegar.
De um lado, confiou na alta tecnologia do telefone Nextel à prova de grampos, que ganhou do bicheiro; de outro, tinha certeza da impunidade, garantida por seus fortes laços de amizade na alta cúpula do Judiciário e pela teia de apoios montada pelo seu cúplice na área político-policial.
Pois agora é exatamente na Justiça que Demóstenes emprega todos os seus esforços para evitar a cadeia. Ainda nesta terça-feira, como informa a colega Marina Marquez, do R7, em Brasília, a defesa do senador vai entrar com uma ação no Supremo Tribunal Federal pedindo a anulação das provas apresentadas pela PGR (Procuradoria-Geral da República).
A defesa se resume nisso: ao incluir no inquérito contra o senador as gravações entre Demóstenes ( o Doutor) e Cachoeira (o Professor) obtidas durante a Operação Monte Carlo, a Polícia Federal estaria "usurpando" as funções do STF, já que o orgão não autorizou qualquer investigação contra o senador.
Também hoje, o Conselho de Ética do Senado se reunirá para eleger seu novo presidente, primeiro passo para a abertura de um processo contra Demóstenes.
O problema é que o STF negou aos senadores cópia do inquérito da Polícia Federal, o que inviabiliza o processo na Comissão de Ética e praticamente obriga o Senado a instalar uma CPI. Só assim os parlamentares poderão ter acesso às provas.
Se tudo der certo, ainda assim levará pelo menos uns três meses para que o processo de casssação de Demóstenes Torres seja julgado no Senado - o tempo com que ele conta para que todo mundo esqueça o que aconteceu e o STF anule as provas.
"Se conseguirmos trancar as provas, este inquérito estará morto", já comemorava previamente o advogado Almeida Castro.
É bem possível, pelos antecedentes que conhecemos, que o procurador Demóstenes livre-se das garras da Justiça. Mas nem ele acredita numa absolvição política no Senado, onde virou um estorvo, um morto vivo sem chances de ressuscitar.
Com a palavra, os comentaristas do Balaio: o que vai acontecer com Demóstenes?
a) vai ser cassado
b) vai ser condenado e preso junto com Cachoeira
c) não vai acontecer nada
Ricardo Kotscho
No Balaio do Kotscho
Leia Mais ►

CPI para investigar ONG de Ronaldinho é aprovada em Porto Alegre

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Municipal de Porto Alegre aprovou o pedido de abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar supostas irregularidades em convênios com o Instituto Ronaldinho Gaúcho, no valor de R$ 5,7 milhões.
O presidente da Casa, Mauro Zacher (PDT), diz que irá instalar a CPI assim que receber o relatório da votação.
Os convênios com a ONG, que é administrada pela família do jogador, ocorreram entre 2007 e 2010. Um deles, no valor de R$ 2,3 milhões, foi intermediado pela prefeitura com recursos liberados pelo Ministério da Justiça.
Segundo o vereador Mauro Pinheiro (PT), que colheu as assinaturas dos vereadores para que a investigação fosse aberta, há suspeita de desvios e superfaturamento em parte dos contratos, além de problemas na prestação de serviços.
Em um dos casos, o irmão do jogador e presidente do instituto, Roberto de Assis Moreira, assina documentos também como ocupante dos cargos de tesoureiro e chefe do conselho fiscal.
A secretária municipal de Educação, Cleci Jurach, diz que a administração encontrou problemas na prestação de contas do convênio com recursos federais ainda durante a execução do contrato.
Ela diz que deixou de repassar uma parcela dos recursos.
Segundo Jurach, a prefeitura encontrou problemas na prestação de contas do instituto e pediu a devolução de R$ 354 mil. Cabe recurso.
Jurach também afirma que encerrou o convênio após o instituto pedir um aumento de 360% no valor de um convênio que oferecia atividades aos alunos municipais em turno inverso ao escolar.
A ONG - criada em 2006 e inativa desde março de 2011 - oferecia cursos de informática, esporte e até de reforço escolar a crianças e adolescentes.
O advogado do Instituto Ronaldinho Gaúcho, Sérgio Felício Queiroz, nega quaisquer irregularidades e diz que os problemas encontrados na prestação de contas serão esclarecidos para a prefeitura.
Ele diz que está à disposição para esclarecimentos na CPI, mas lamenta a decisão. "Temos certeza de que essa situação tem um caráter mais político por ser um ano eleitoral do que qualquer outra coisa", afirma.
No Folha
Leia Mais ►

O inferno astral da oposição a Dilma

Os partidos oposicionistas estão no meio de um vendaval. E, como a crise é fundamentalmente partidária, também esvazia a força de pressão dos partidos tradicionais aliados ao governo. Quanto maior a base de apoio, mais o governo pode usar da superioridade numérica para dispensar apoios incômodos.
O episódio Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), que revelou as relações do senador de oposição com uma rede ligada ao chefe, o bicheiro Carlos Cachoeira, por Nextel, acresceu vantagens a uma situação que já era favorável ao governo Dilma Rousseff. A presidenta foi presenteada com uma conjuntura particulamente boa ao projeto de trazer as relações com os aliados parlamentares para termos mais republicanos.
A eleição de Dilma, sacramentada pelo apoio de um presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, que deixava o poder com uma popularidade ímpar, deu a ela uma ampla maioria parlamentar, composta por um arco imenso de apoios partidários atraídos para o seu palanque pela estrela de seu antecessor. Ampla maioria, porém pouco sólida. Contudo, as tentativas de "enquadramento" da presidenta pelos aliados têm falhado, pois o governo tem folga aritmética para jogar mais pesado com parceiros incômodos. Ao longo da reforma ministerial que se arrastou por alguns meses, Dilma conseguiu, enfim, escolher auxiliares entre os quadros dos partidos aliados sem engolir prato feito de indicações, e manter nos ministérios uma estrutura profissional que pode prescidir do ministro, caso ele seja alvejado por denúncias.
O caso Demóstenes reduz, por seu lado, a força de uma oposição que, embora minoritária nos governos Lula, teve uma farta cobertura da mídia tradicional e o apoio de figuras-chave de outras instituições (como Justiça, polícias e bancadas de oposição). Esses atores políticos mantiveram um noticiário ofensivo quase 365 dias por ano e erigiram para a opinião pública um cenário constante de crises. E colheram êxito na construção de factóides que mantiveram o governo petista na defensiva, no plano institucional, por quase todos os oito anos de Lula.
O mais novo escândalo enfraqueceu essa estratégia e reduziu quase a pó a já minoria oposicionista. A crise política envolvendo um dos seus deve eliminar, de fato ou de direito, o DEM do quadro partidário. O partido já havia perdido boa parcela de suas bancadas para o PSD de Gilberto Kassab e terminou de ser demolido com a exposição à execração pública de seu mais midiático integrante. Esquálida, a legenda de Agripino Maia (RN) tem como alternativa apenas a incorporação ao PSDB – o partido que foi criado, em 1987, para ocupar o espaço da social-democracia, terminará o seu percurso inexorável rumo à direita abraçado com ACM Neto.
Quanto mais a oposição encolhe, menos efetiva se torna a pressão dos partidos tradicionais aliados ao governo por mais espaço no governo. A crise política encenada pelos aliados insatisfeitos, que obstruíram votações no Congresso, terminou com pontos a favor de Dilma. Os partidos tradicionais governistas estão insatisfeitos com o estilo da presidenta, mas, sem dúvida, ficar no governo ainda é muito mais vantajoso do que se arriscar num bloco de oposição desacreditado. E, desgaste por desgaste, ele é, sem dúvida, muito maior no Legislativo do que no Executivo, em grande parte porque ele foi estimulado pela própria oposição nos dois mandatos de Lula: com dificuldade de desmoralizar um presidente com alta popularidade, a oposição atacou o governante pelo flanco partidário (tanto o PT como os aliados venais do governo) com representação parlamentar.
A estratégia de bater sem o necessário cuidado de enquadrar todo o Legislativo nas práticas republicanas - lembrando os termos da discussão colocados pelo hoje governador Tarso Genro em 2005, no episódio do chamado mensalão -, inclusive os próprios partidos de oposição, fragilizou a instituição como um todo. Hoje,a crise definitivamente é do Legislativo e dos partidos políticos.
Por estratégia do governo ou falta de estratégia da oposição, os fatos deixaram a presidenta à margem da crise partidária. E, para os próprios partidos aliados, sobrou pouca margem de manobra para pressionar o governo. A iniciativa de Dilma de trazer para a negociação parlamentar os governadores, acenando com a mudança no indexador das dívidas públicas dos Estados, retirou o debate federativo da área de pressão dos partidos políticos. Os governadores são os principais interessados nesse debate - embora o desafogo dos Estados tenha também o efeito de liberar dinheiro desses entes federativos para investimentos, colocando-os na roda dos esforços governamentais para aquecer a economia e atenuar os efeitos da crise internacional.
Em época de eleições, e sem espaço de barganha no Legislativo, os partidos estão dirigindo seus esforços por maiores espaços na coalizão federal para os palanques municipais. São Paulo é o principal alvo dessa briga. Os partidos estão retardando ao máximo os acordos eleitorais com o PT da capital paulista porque esta é a disputa mais valorizada pelo partido de Lula e Dilma. Os acordos eleitorais têm mais importância para o governo e o PT neste momento do que as lides parlamentares. Retardar os entendimentos em São Paulo pode dar mais cacife do que bloquear a pauta de votações do Congresso.
Embora nas eleições municipais a motivação eleitoral seja quase paroquial, os partidos andam nelas mais do que um degrau na definição das coligações federais que ocorrem dois anos depois, nas eleições presidenciais. Esse parece ser o raciocínio do PSB. Hoje, o partido é o único, dentro da base de apoio parlamentar, que tem explicitamente um nome à disposição para voos mais longos, inclusive presidenciais: o governador Eduardo Campos, que aproveitou todas as possibilidades de financiamento federal para dar velocidade ao crescimento de Pernambuco, colocando a agenda desenvolvimentista em paralelo com a agenda social do Bolsa Família. O PSB tem valorizado o seu passe para apoiar o candidato do PT à prefeitura da capital, Fernando Haddad. A reticência do partido em relação a uma aliança com o PT de Lula não traz apenas a digital do diretório do PSB paulista que, contra o grupo da deputada Luiza Erundina, tende mais à José Serra (PSDB) que a Haddad. Traz a digital principalmente de Campos. Com a virada do PSD para Serra, o PSB é o aliado que mais interessa ao PT. O partido de Campos tem uma grande oportunidade de transformar um simples apoio eleitoral em instrumento para aumentar a sua importância no governo Dilma e, em consequência, o seu cacife para voos mais altos em 2014, com a Presidência, se Dilma tiver perdido popularidade até lá, ou a vice, desbancando do lugar o até agora aliado preferencial do governo, o PMDB.
A maré está boa para o Campos: ele tem o que interessa para o governo, que é a possibilidade de apoiar Haddad e livrá-lo do isolamento, e é o único partido à esquerda no quadro partidário em franco crescimento. Pode ser um aliado mais conveniente a um governo de esquerda, ou uma “Terceira via”, se tudo der errado para o governo petista.
Maria Inês Nassif, colunista política, editora da Carta Maior em São Paulo.
Leia Mais ►

Conversações na Casa Branca

A primeira referência séria de um líder norte-americano sobre o Brasil foi de Thomas Jefferson. Em maio de 1787 – quando era embaixador em Paris, dois anos antes da reunião dos Estados Gerais e da descoberta da conspiração de Vila Rica – Jefferson se encontrou, em Nimes, no sul da França, com José Joaquim da Maia, que lhe falou sobre a possível independência do Brasil e das relações que poderiam estabelecer-se entre as duas nações, que ocupavam posição predominante no sul e no norte do hemisfério ocidental.
Jefferson enviou seu relatório, bem divulgado pelos historiadores brasileiros, ao futuro Secretário de Estado, John Jay. O documento não tratava somente do Brasil, mas, também, do México e do Peru. No caso brasileiro, além de relatar o que lhe dissera José Joaquim da Maia sobre as riquezas brasileiras, a situação estratégica do Brasil e a possibilidade de uma insurreição vitoriosa – se os brasileiros tivessem armas e alguma assistência militar que estavam dispostos a pagar, conforme seu interlocutor – Jefferson prevê vantagens comerciais para o seu país.
A personalidade de Joaquim José da Maia não é muito conhecida. Não se tem notícia de outra presença sua na História, além do encontro com Jefferson. No ano seguinte, ainda muito jovem, ele morreria. Mas o fato levanta a hipótese de que a conjuração mineira já se encontrava em andamento, e tinha presença entre os estudantes brasileiros de Montpellier – a maioria deles das Minas. Coube a Domingos Vidal Barbosa, como registram os Autos da Devassa da Inconfidência, levar a informação da posição de Jefferson aos inconfidentes.
O mesmo Jefferson voltará a referir-se ao Brasil, 30 anos depois, em carta a La Fayette, seu amigo e um dos combatentes na Guerra da Independência dos Estados Unidos. Retirado em Monticello, o grande homem de Estado comenta os assuntos do mundo e de seu país. Ao discutir os problemas continentais, refere-se ao Brasil – a correspondência é de 14 de maio de 1817, quando a Revolução Pernambucana, iniciada em 6 de março, lhe parecia vitoriosa, embora naquela mesma semana as tropas legalistas tivessem sitiado o movimento, que seria logo debelado. Diz então Jefferson a Lafayette (Jefferson, Writings, The Library of America, 1984, pag. 1409) que Portugal, ávido em manter suas extensões no sul, acabara de perder a rica província de Pernambuco, e que ele não se espantaria se os brasileiros mandassem logo de volta a Portugal sua família real. E se referia ao Brasil como mais populoso, muitíssimo mais extenso, mais rico e mais sábio do que a metrópole.
Ao longo destes dois séculos e algumas décadas de vida das duas nações, poderíamos ter encontrado convivência melhor, mas os norte-americanos – talvez com exceção de Jefferson e alguns poucos mais – sempre nos viram como inferiores e sujeitos à sua vontade. Faltou-nos falar-lhes sem arrogância, mas com firmeza. É constrangedor anotar que, salvo em alguns momentos, como os de Getúlio, no Brasil, e Franklin Roosevelt (não Ted) nos Estados Unidos, os gestos de subserviência partiram das próprias elites brasileiras.
A visita da presidente Dilma Roussef a Washington está sendo vista, por certos observadores, como de poucos resultados. Entre outros fatos, apontam que não lhe foi oferecido um jantar de gala, mas simples almoço de trabalho. Trata-se de bom sinal: a austeridade do encontro demonstra que, nas conversações preliminares, os diplomatas norte-americanos perceberam que a chefe de Estado não chegava aos Estados Unidos para o ritual de vassalagem – conforme ocorria em certo período de nosso passado quase recente – mas como representante de uma nação soberana, disposta a discutir assuntos de interesse recíproco, de forma séria e honrada.
Ao não transformar uma conversa de trabalho em jantar de gala, Obama tratou o Brasil como o Brasil quer ser tratado: um país que não se deixa engambelar por homenagens dessa natureza. Não somos mais dirigidos por personalidades deslumbradas, que se sentem engrandecidas quando são conduzidas ao Palácio de Buckingham em carruagens puxadas a cavalos brancos e de arneses prateados, a fim de serem recebidos por uma rainha astuta.
As relações entre os dois países podem, e devem, ser melhores do que nunca foram – desde que os norte-americanos nos vejam em nossa devida dimensão. O Brasil, ao contrário de certos desavisados, não tem a pretensão de liderar os paises sulamericanos, mas sente o dever de defender a autodeterminação de seus vizinhos, como defende a própria. Não queremos que nos estendam o tapete vermelho, mas que nos recebam com o respeito que os amigos se merecem. Pelo menos, este é o sentimento do povo brasileiro, ainda que não seja o de todos os seus diplomatas e homens públicos.
A viagem de Dilma Roussef deve ser entendida como um êxito. Tratou-se de uma conversa franca, e não de troca de amabilidades chochas, ditadas pelas conveniências da diplomacia. O confronto de interesses entre os dois grandes países é normal. Anormal seria a subordinação dos interesses de um aos interesses do outro. As discórdias se resolvem nos acordos e tratados, sempre que em benefício comum.
Leia Mais ►

STF começa a julgar aborto de anencéfalos

O Supremo Tribunal Federal (STF) vai julgar nesta quarta-feira se mulheres grávidas de fetos anencéfalos (sem cérebro) podem abortar.
A tendência da Corte é conceder o direito, segundo aposta dos próprios integrantes do tribunal. Independentemente do resultado, a previsão é de debates longos e polêmicos. Nesta terça-feira, o ministro Carlos Ayres Britto disse que a discussão será um “divisor de águas” na sociedade. E Gilmar Mendes espera participar de “ricos debates” na sessão desta quarta-feira.
Elba Ramalho participa de ato em frente ao STF contra aborto
- O processo é um divisor de águas no plano da opinião pública, repercute muito no campo da religiosidade, da saúde pública, enfim, é um tema grandioso pelo seu impacto, até no modo de conceber a própria vida, a própria sociedade - disse Ayres Britto, em declaração feita à imprensa durante visita ao Congresso Nacional nesta terça-feira.
Ele ressaltou que o julgamento será repleto de “reflexões e de intuições, porque o sentimento também conta na hora de equacionar os fatos”. Os ministros acreditam que o debate será longo, podendo inclusive terminar na quinta-feira.
Carolina Brígido e Amanda Almeida
No O Globo
Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 1174

Leia Mais ►

Falácias caninas: o culto do extermínio e da extinção na mídia gaúcha

A polêmica resultante da morte da cadela Artemis, uma pitbull, no pátio do Hospital Veterinário da UFRGS, está mostrando uma curiosa semelhança entre argumentos utilizados contra defensores dos direitos dos animais e argumentos usados contra defensores de direitos humanos. Esses argumentos têm uma forma em comum que poderia ser assim resumida (e que é sempre disparada, não sem alguma agressividade na voz, contra os defensores desses direitos): “Quero ver se acontecer com um filho teu”, ou “Se acontecer com um filho meu, eu mato”. É a Lei do Talião em sua versão gaudéria. Todos os dias ocorrem crimes, homicídios e tragédias que sempre envolvem o filho de alguém. Afinal, por definição, toda e qualquer pessoa é filha (ou filho) de alguém. Se todos adotassem para si a regra do “se acontecer com um filho meu, eu mato”, a Lei e o Direito seriam absolutamente desnecessários. Mais do que isso, inexistiriam.
Como se sabe, ou se deveria saber, há alguns séculos, e por alguma razão, a humanidade decidiu que a Lei do Talião não era uma boa regra para a vida em sociedade e passou a desenvolver um outro tipo de Direito. Surgiram direitos, muitos direitos, o que até hoje incomoda muita gente. E, agora, o que parece representar um insulto para alguns, inventaram essa história de “direito dos animais” para dificultar ainda mais a vida de quem reivindica para si o direito da vida e da morte. O tratamento dado ao caso da cadela morta pelo vigilante não parece ser um caso isolado. As palavras e argumentação marcada por algumas falácias e falsidades transbordam para outras áreas, indicando um padrão de pensamento.
Não é preciso recorrer ao “direito dos animais” para questionar a atitude do vigilante que disparou contra a cadela Artemis. Há leis e normas que regulam a atividade de policiais e agentes de serviços de segurança, especialmente no que diz respeito ao uso de armas de fogo. Esse uso é regrado ou deveria ser ao menos. E isso é assim para restringir o mínimo possível o emprego dessas armas. No Rio Grande do Sul, porém, quem questiona esse uso pela polícia em determinados casos é, geralmente, acusado de ser “amigo dos bandidos”.
Isso não ocorre somente aqui, é verdade, mas o “Rio Grande” tem características peculiares. Aqui, resolver o problema à bala, ainda mais se “tiver filho meu envolvido” é uma virtude cantada em prosa e verso e reforçada quase que diariamente na mídia. Atirar em bandido e, se for o caso, em sindicalista e em sem terra é aceitável socialmente. Daí para defender o extermínio de uma raça específica de animais não é preciso nenhum grande salto argumentativo.
Essa cultura de violência e de uma recente atração por palavras como “extermínio” e “extinção” é alimentada por uma série de falsidades e falácias. Várias delas vieram a público nos últimos dias. David Coimbra escreveu em Zero Hora:
“Bastaria que uma única criança tivesse sido morta por um deles para justificar sua eliminação. Está provado que é um animal que não pode conviver com seres humanos”.
A primeira frase é um argumento a favor da pena de morte e da eliminação de qualquer coisa que causar a morte de uma criança. Morrem muito mais crianças atropeladas ou por doenças decorrentes de falta de saneamento, por exemplo, do que por ataques de cães. Quem será “eliminado” neste caso? A segunda frase é uma falsidade pura e simples. Não está provado coisa alguma que o pitbull é um animal que não pode conviver com seres humanos. É um animal que tem um histórico de violência associado a ele, o que se deve a humanos que, esses sim, parecem ter dificuldade em conviver com seres humanos. Mas há inúmeros exemplos de convívios tranquilos com esses animais. David Coimbra poderia apresentar sua “prova”, por exemplo, ao professor Renato Zamora Flores, da UFRGS, que tem a pitbull Lindona, resgatada depois de ter sido abandonada de uma rinha. “Lindona é uma guria sociável e amiga dos gatos e cães de casa”, relata o professor Zamora em sua página do Facebook.
No Correio do Povo, Juremir Machado da Silva questionou:
“Que mundo é este em que aquele que chora a morte do bicho. Silencia quando quem morre esse outro bicho, o menino?”
Esse argumento também apareceu de formas variadas nos últimos dias e repousa em uma premissa falsa: não é verdade que a recente morte de um menino vítima de um ataque de um cão no litoral gaúcho tenha sido cercada de silêncio. Houve o mesmo barulho midiático que está havendo agora. Além disso, essa é uma falsa oposição. Dizer que quem defende os direitos dos animais, de algum modo, “defende menos” os direitos de crianças ou seres humanos é uma falácia grosseira. Há cada vez mais projetos onde cães são usados para o tratamento de crianças vítimas de maus tratos e abandono. É falso também afirmar que há hoje mais gente preocupada com animais do que com gente. O número de animais abandonados nas ruas ou em canis mostram outra realidade. Normalmente quem cultiva esse tipo de oposição não se engaja, na prática, na defesa de direito algum.
Há abusos, irresponsabilidades e exageros envolvendo a criação de animais, assim como ocorre em outros aspectos da vida. É para isso que existe uma coisa chamada Lei. A Lei existe, por exemplo, para impedir que policiais matem colonos sem terra com um tiro de espingarda pelas costas, para impedir que policiais sufoquem sindicalistas até a morte, para impedir que cães machuquem crianças e para impedir que animais sofram maus tratos. A Lei existe para que animais não sejam criados para brigar em rinhas ou para que sejam usados por empresas de segurança em condições de fome e abandono. A Lei existe para que não vivamos na selva, onde cada um possa, por exemplo, usar uma arma nas circunstâncias que achar melhor.
O Rio Grande do Sul é um Estado que gosta de armas, uma parte significativa de sua população ao menos. Foi aqui que os adversários do desarmamento tiveram a maior votação no referendo realizado anos atrás. Foi aqui que o coronel Mendes foi transformado em sinônimo de segurança. Aqui, costuma-se dizer, é terra de macho e as coisas muitas vezes se resolvem na bala ou na marra. Além disso, há quem goste de ter um bicho papão no horizonte, alguém ou algo que possa causar medo e justificar o emprego da lógica do “prendo e arrebento”. Por isso, não parece ser casual a transposição das críticas dirigidas aos defensores dos direitos humanos para os defensores dos direitos dos animais. Por trás disso não está o fato de alguém ser a favor ou contra uma raça determinada de cães, mas sim a pretensão de reconhecimento de uma nova classe de direitos que, obviamente, desloca a visão antropocêntrica tradicional. O jornalista Kenny Braga resumiu esse desconforto de modo curto e grosso, em desabafo na rádio Gaúcha: “esse negócio de bicho tá demais” – disse, referindo-se à crescente presença de animais (cães, principalmente) na nossa vida cotidiana.,
Se cães estão sendo treinados e/ou condicionados para brigar entre si até a morte ou para vigiar obras e prédios no lugar de humanos, com o objetivo de gerar lucro para seus “donos” é mais do que previsível que ocorrerão problemas. Propor o extermínio de animais, ou pior, de uma raça inteira deles, é um indício de que estamos muito longe do “problema” apontado por Juremir Machado da Silva, a saber, que a nossa sociedade estaria se preocupando em cuidar mais de bichos do que de gente. Na verdade, parece que não está cuidando de nenhum dos dois.
Há ainda um outro tema relacionado à reivindicada superioridade da espécie humana sobre as demais espécies no planeta. Esse é um longo e necessário debate, que não será feito aqui. Só uma observação: a humanidade já realizou obras extraordinárias e outras vergonhosas. Em nossos melhores momentos como espécie, aprendemos (ou tivemos a oportunidade de) uma coisa: todo o extermínio é uma tragédia, a preservação da vida é o valor máximo. Contra a morte, a receita não é mais morte e sim mais vida. Simples assim.
Marco Aurélio Weissheimer
No RS Urgente
Leia Mais ►

STF deve autorizar interrupção da gravidez na anencefalia

Decidir de forma contrária é condenar
milhares de mulheres a um sofrimento inútil

Depois de quase oito anos de espera, o Supremo inicia, hoje, o julgamento da autorização para interrupção da gestação do feto com anencefalia.
O processo começou em 2004, quando a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde ajuizou ação no STF (ADPF 54) pretendendo uniformizar a interpretação judicial nos casos em que se descobre antecipadamente que o feto nascerá sem cérebro.
Houve concessão da liminar pelo ministro Marco Aurélio, mas a decisão foi cassada no mesmo ano, por maioria no Plenário.
Desde a liminar, a composição do Supremo se alterou bastante, havendo nos meios jurídicos a expectativa do julgamento de procedência da ação: em outras palavras, que o tribunal finalmente repute como legal a autorização judicial para a interrupção da gestação nestes casos.
Decidir de forma contrária significaria condenar milhares de mulheres a um sofrimento inútil.
A evolução do pensamento jurídico já pôde ser sentida pela inclusão expressa da hipótese nos trabalhos da comissão de elaboração do novo Código Penal.
Na maioria dos casos até agora julgados nas instâncias inferiores, a autorização vem sendo concedida por juízes e tribunais estaduais, com base em dois bons argumentos.
O primeiro é que em se tratando de anencefalia, não há propriamente aborto.
O aborto pressupõe expectativa de vida, o que não ocorre quando há ausência de cérebro.
Fazendo um paralelismo com a lei que autoriza a doação de órgãos, o diagnóstico de morte encefálica já caracteriza legalmente a situação post mortem, exigida para a retirada dos tecidos.
Os juízes também tem se ancorado no princípio da dignidade humana.
Seria uma ofensa à dignidade exigir de uma mãe que suporte por nove meses a gestação de um filho que nascerá sem cérebro e, portanto, sem vida. Tem-se entendido que o Estado não pode impor tal sofrimento à gestante.
Na plateia do julgamento de hoje, deve estar a agricultora pernambucana retratada no documentário “Uma história Severina”, que estava prestes a interromper a gravidez quando o STF cassou a liminar em 2004. Depois de um périplo entre médicos e juízes, acabou dando luz a uma criança natimorta que só veio a conhecer nas imagens do próprio documentário.
Há quem defenda a proibição da conduta pela ausência de regra expressa no Código Penal.
Como se sabe, nossa lei criminaliza o aborto, punindo tanto o médico que o realiza, quanto a gestante que o autoriza, com apenas duas exceções: gestação resultado de violência sexual e aquela que põe em risco a vida da mulher.
Existe uma circunstância jurídica que milita em prol dos defensores da autorização judicial: o Código Penal de 1940 não podia estipular a legalidade desta interrupção, pois não era imaginável quando editado, que a medicina pudesse prever a má formação fetal com tamanha antecedência.
E para os que se aferram na letra fria da lei, ou no caso, da ausência dela, uma lição de recente decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que enfrentou a questão e autorizou a interrupção da gravidez: “É a vida que faz o direito, não o direito que faz a vida”.
A falta de uma norma específica não pode ser álibi para fugir à aplicação de um princípio tão fundamental quanto o da dignidade da pessoa humana, elencado, aliás, na Constituição Federal, como um dos objetivos da República.
Espera-se, sobretudo, que o STF resista à tentação de se embrenhar na questão religiosa e não ceda à forte pressão das Igrejas quando assuntos como esses chegam às pautas, seja do Congresso, seja dos tribunais.
A CNBB, por exemplo, está prometendo uma vigília de religiosos pelo ‘direito à vida’, ainda que, no caso, esta não se exerça nem mesmo por instantes.
Sem desmerecer ou menoscabar os fundamentos e o direito dos religiosos de expô-los, certo é que os princípios morais tutelados pelos diversos credos só dizem respeito a seus próprios fiéis e, diante da centenária separação Igreja-Estado, não podem ser impostos ao conjunto dos cidadãos.
No âmbito político, a potência dos lobbies religiosos tem demonstrado força incomum –o abandono da política anti-homofobia nas escolas é um deles. Espera-se que a violação aos princípios do Estado laico não contamine o Judiciário.
Nunca é demais lembrar que a criminalização do aborto é uma das principais causas de morte de mulheres no país.
E que a defesa abstrata de um conceito moral, contraditoriamente, tem se mostrado uma das mais frágeis formas de proteção da vida.
Marcelo Semer
No Sem Juízo, por Marcelo Semer
Leia Mais ►

Gilmar precisa se declarar impedido de julgar Cachoeira

A defesa de Gilmar Mendes, feita através do “Consultor Jurídico” é uma mera cortina de fumaça (http://www.conjur.com.br/2012-abr-09/decisoes-gilmar-mendes-2004-sao-contrarias-jogo-ilegal), mas com alguns possíveis desdobramentos perigosos.
Gilmar diz que tem sido duro em relação ao jogo. Provas?
Vamos dividir suas decisões entre aqueles que acompanham a jurisprudência do Supremo (contra a qual nenhum Ministro pode se insurgir), as genéricas contra o jogo e as específicas em relação a Carlinhos Cachoeira.

A jurisprudência do Supremo

1. Gilmar teria negado várias vezes a exploração de jogos pelos estados.
Mas é evidente que só podia ter negado, já que faz parte da jurisprudência do próprio Supremo reconhecer que a competência para legislar sobre jogos é da União, e não dos Estados. Em nenhum desses casos, Gilmar poderia se insurgir contra a jurisprudência do STF.

As ações específicas

2. A Ação Penal do STF contra o ministro do STJ Paulo Medina, acusado de venda de sentença para a máfia dos caça-níqueis. Diz a matéria: “A denúncia do Ministério Público Federal contra Medina incluía os crimes de corrupção, formação de quadrilha e prevaricação. Gilmar Mendes votou pelo recebimento em relação ao último”.
Onde está a severidade de Gilmar? Os corruptores estão presos e condenados exemplarmente, porque o processo trilhou outros caminhos e passou ao largo do Supremo. Já em relação a Paulo Medina, havia três tipificações de crime. Gilmar acolheu apenas a mais leve – prevaricação – derrubando as duas mais graves - corrupção e formação de quadrilha.
3. Como Ministro, suspendeu liminares concedidas pelo TFR da 2a Região, autorizando duas empresas a explorar jogos com máquinas de caça-níqueis.
Não existe uma quadrilha ligada ao jogo, mas várias. Nenhuma insinuação, mas o próprio Carlinhos valeu-se da polícia para afastar concorrentes.

O caso Carlinhos Cachoeira

Gilmar Mendes deverá opinar sobre a concessão ou não de habeas corpus a Carlinhos Cachoeira. O final da matéria informa que Gilmar já concedeu habeas corpus ao bicheiro Ivo Noal – como se o fato de conceder HC a um bicheiro o habilitasse a conceder a qualquer outro.
Não sei qual a intenção de Gilmar ao fechar sua matéria com o caso Ivo Noal. Se for para justificar eventual habeas corpus a Cachoeira, exorbitou. Cachoeira comanda uma rede criminosa especializada em achaques, dossiês, escutas telefônicas, crimes de conspiração. Cada caso de habeas corpus é um caso, não pode ser generalizado.
Gilmar deveria se declarar impedido, sim, por suas relações pessoais com um cúmplice direto de Cachoeira – senador Demóstenes Torres -, por ter participado – induzido ou não – de uma farsa, o grampo sem áudio da Operação Satiagraha.
Luis Nassif
No Advivo
Leia Mais ►

Ranking reformulado e atualizado da corrupção nos partidos

Anda circulando pelo Facebook um ranking de corrupção nos partidos, alvo de muita discussão, críticas e elogios. Como é comum na internet, algumas pessoas tecem sua análise crítica de dez segundos, “curtem” ou não, e logo passam pro próximo tópico. No entanto, a pressa é inimiga do esclarecimento. Ler é diferente de navegar. A mesma internet que permite aos antigos boatos circularem como se fossem recentes descobertas científicas, também é um espaço que pode ser usado para se esclarecer as coisas e buscar um pouco de objetividade no conturbado mundo da informação. O processo que levou a este post é um interessante exemplo desta dupla função da rede mundial de computadores.
Bem, para quem gosta de ver apenas os resultados, aí vai o ranking que acabei de produzir, com base naquele que foi divulgado no Facebook e outras informações.
Para quem quiser saber de onde veio isso, eu explico.
Em primeiro lugar, esclareço que, como muita gente, trato a política como trato o futebol. A diferença é que não torço pra time nenhum. Gosto de ver um jogo sem preconceitos. Ou pelo menos me esforço pra isso, porque a mente é uma máquina preconceituosa por natureza.
Pois bem, quando o ranking apareceu “no meu face”, dei uma olhada, gostei e “compartilhei” com meus amigos, como é de praxe nas redes sociais. Por curiosidade, fui ver os comentários e neles havia uma rica multiplicidade de ideias, opiniões e resmungos. Evidentemente, as pessoas eram contra ou a favor dependendo de seu partido político predileto, assim como a qualidade do juiz depende do time para o qual se torce. Mas havia também alguns comentários mais inteligentes, criticando pontos significativos do ranking e questionando sua veracidade.
Com receio de ter enviado uma lorota aos amigos – aos quais prezo muito –, fui procurar a fonte original do ranking e em menos de dez minutos descobri que ele datava de 2007 e tinha como base a tese de doutorado que o juiz Márlon Reis desenvolveu na Universidade de Zaragoza, Espanha. Isto porque, infelizmente para nossa “democracia”, o TSE não produz estatísticas desse tipo, embora tenha as informações. Isso quer dizer que, para realizar sua pesquisa, Márlon Reis teve que analisar os dados processuais de cada caso. Bom, isso me deixou mais tranquilo, porque de fato parecia uma fonte confiável.
A coisa poderia ter parado por aí, mas seja por amor à pátria ou por falta do que fazer, resolvi ir um pouco mais além. Havia pelo menos duas coisas nos comentários que me estavam incomodando.
Uma é que o ranking se baseava em números absolutos, então um partido com 600 políticos eleitos e 3 cassados poderia ser considerado mais corrupto do que um partido com 2 políticos eleitos e ambos cassados. Muita gente fez essa observação, revelando que mesmo as análises críticas de dez segundos podem ser feitas com inteligência, felizmente.
O segundo incômodo é que, como observou um dos “comentaristas”, havia no ranking de 2007 um partido que só foi criado em 2011 (o PSD), o que punha em risco todo o resto, porque as informações são como maças: basta uma podre para que todo o cesto seja jogado no lixo.
Para resolver esses dois incômodos, tive de recorrer aos recursos mais trabalhosos que a internet proporciona.
Em primeiro lugar, para compreender como uma tese de doutorado poderia citar um partido que ainda não existe, dei uma boa olhada no dossiê, mas nada encontrei que pudesse ajudar. Com uma esperança quase ingênua, resolvi enviar um e-mail ao autor da tese pedindo esclarecimentos a este respeito. Para minha surpresa, recebi a resposta no mesmo dia, o que me motivou a escrever este “longo” post e terminar o que havia começado. Márlon me explicou que o PSD, partido que o Kassab criou ano passado, não é o mesmo que aparece no dossiê, trata-se de um partido homônimo que foi extinto em 2003. Muito bem, um incômodo a menos.
Para resolver o segundo incômodo, por sua vez, eu precisava de alguns números. No caso, o número total de políticos eleitos em cada partido entre 2000 e 2007, período ao qual a pesquisa se refere.
Isso me pareceu muito difícil de conseguir, então voltei ao dossiê em busca de alguma dica. Percebi que a grande maioria dos políticos cassados estava nas prefeituras, como se vê na tabela abaixo.
Partindo dessa informação, procurei algum site conhecido que me dissesse quantas prefeituras havia por partido naquela época. Acabei chegando numa reportagem do G1 de 2008, o que levou talvez pouco mais de meia hora. A reportagem informava o número de prefeitos eleitos por partido em 2004, o que estava bastante próximo do que eu queria.
Com os números em mãos fiz a tabela abaixo, a partir da qual pude construir o ranking que está no início do post.
Partido
Políticos cassados entre 2000 e 2007
Prefeituras eleitas em 2004
Porcentagem aproximada* de políticos cassados por partido
PTC
3
16
18,8
PRTB
2
12
16,7
PRONA
1
7
14,3
PSL
3
24
12,5
DEM
69
794
8,7
PSC
2
25
8,0
PDT
23
306
7,5
PSDB
58
870
6,7
PMN
2
31
6,5
PMDB
66
1060
6,2
PTB
24
421
5,7
PP
26
550
4,7
PPS
14
309
4,5
PR
17
383
4,4
PSB
7
174
4,0
PHS
1
25
4,0
PRP
1
37
2,7
PT
10
410
2,4
PV
1
57
1,8
* A porcentagem é aproximada porque a primeira coluna se refere a todos políticos cassados entre 2000 e 2007 – cuja imensa maioria estava nas prefeituras –, enquanto a segunda se refere apenas às prefeituras eleitas em 2004.
Vemos assim que, com um pouco de tempo e paciência, a internet pode ser um excelente instrumento para o esclarecimento. Sem isso, o risco de divulgar lorotas para os amigos é sempre grande.
Por fim, é bom lembrar que, como qualquer outro, isso é só um ranking, não é a verdade universal sobre os partidos políticos. Ele tem diversas limitações, como já expliquei. Mesmo assim, creio que isso é melhor do que o puro “achismo” ou do que opiniões bem escritas mas opacas, que não podem ser verificadas mais a fundo, como se vê em muitas reportagens de “fontes anônimas”.
Obs.: já prevendo algumas críticas, esclareço que não sou do PT, tampouco torço pro Corinthians. Mas gosto de ver um bom jogo.
Rodrigo Travitzki, no Blog do Digão
No Blog Limpinho & Cheiroso
Leia Mais ►