10 de abr de 2012

Carandiru

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1992, o ano que também não terminou

Vinte anos depois do movimento “Fora Collor”, Fórum reencontra os personagens caras-pintadas e conta passagens inéditas da última manifestação massiva da história brasileira
Há 20 anos, o Brasil registrou o seu último grande movimento de massas, o “Fora Collor”. A efeméride de 1992 ainda não despertou o interesse da mídia tradicional e talvez acabe mesmo passando em brancas nuvens. Uma pena. Ao relembrar a ação dos “caras-pintadas” e ouvir hoje seus protagonistas, somos conduzidos a um debate no mínimo instigante: por que nas duas décadas seguintes nenhuma passeata, bandeira, escândalo ou demanda levou o povo às ruas novamente? As manifestações pontuais registradas aqui e ali – entre elas o “Fora Pitta”, na capital paulista, a “Marcha da Maconha” e pequenas passeatas contra a corrupção mobilizadas via Facebook – definitivamente não merecem um capítulo nos livros de história se comparadas àquela movimentação pelo impeachment do primeiro presidente eleito após o fim do regime militar.
A linha do tempo mostra que parte dos líderes de 1992 forjados no movimento estudantil chegou ao poder junto com Lula. Depois de deixar a presidência da UNE, o paraibano Lindberg Farias, o maior deles, elegeu-se deputado federal pelo PCdoB, migrou para o PSTU e “perdeu o eixo” antes de ressurgir como uma fênix da política. Depois de uma temporada longe dos holofotes, perdeu a silhueta pesada, ganhou corpo de triatleta e filiou-se ao PT em 2002. Começou militando nas franjas radicais da legenda, mas logo passou ao que era o Campo Majoritário, maior tendência da legenda, pela qual elegeu-se deputado. Depois, foi prefeito de Nova Iguaçu e senador pelo Rio de Janeiro.
O número 2 da UNE naquele ano frenético era o tesoureiro da entidade, o baiano Orlando Silva Jr. Ao contrário de Lindberg, ele nunca deixou o PCdoB, partido que o escolheu para ser ministro do Esporte do governo Lula, depois da saída de Agnelo Queiroz. Ele teve ao seu lado figuras como o atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que era dirigente da juventude petista e presidente do DCE da PUC-Campinas; Manoel Rangel, presidente da Agência Nacional de Cinema (Ancine), que era dirigente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes); Floriano Pesaro, vereador do PSDB paulistano e ex-presidente do Centro Acadêmico de Ciências Sociais da USP; e Fernando Gusmão, ex-deputado estadual do Rio.
Depois de apeado do poder, o midiático Fernando Collor, como todos sabem, reinventou se. Voltou ao seu estado, Alagoas, foi eleito senador e tornou-se um leal integrante da base dos governos Lula e Dilma. No final de maio do ano passado, o também ex-presidente José Sarney usou sua prerrogativa de presidente do Senado para tentar jogar o movimento “Fora Collor” na lixeira da memória nacional e, dessa forma, fazer um agrado ao colega nordestino. Ele simplesmente mandou retirar o impeachment dos painéis que contam a história do Senado desde o Império. Pegou mal. Questionado por jornalistas sobre sua motivação, Sarney saiu-se com essa: “Eu não posso censurar os historiadores que foram encarregados de fazer a História. Mas acho que talvez esse episódio seja apenas um acidente que não devia ter acontecido na história do Brasil. Não é tão marcante como foram os fatos que aqui estão contados, que foram os que construíram a História e não os que de certo modo não deveriam ter acontecido”. Bobagem pura e sem gelo.
Qual é a sua cara?
É consenso entre os historiadores que o “Fora Collor” foi um divisor de águas. Mas por que a juventude nunca mais tomou as ruas? “Aquele foi o último suspiro da década de 80, que foi a era dos movimentos sociais: Diretas Já, Tancredo Neves, eleição de 1989...”, pondera o sociólogo mineiro Rudá Ricci, autor do best seller “Lulismo”. Ele afirma que, depois dos caras-pintadas, o país passou por um processo de desmonte gradual dos movimentos sociais. “Não gosto do termo cooptação. O que houve foi uma convergência de interesses, com o estado financiando ONGs e movimentos sociais. As organizações, hoje, estão dentro do Estado, nomeando ministros e definindo o valor do salário mínimo”.
Para o historiador da USP José Carlos Sebe, coordenador do núcleo de história oral da universidade, o hiato de duas décadas sem mobilizações populares é algo natural. “[o filósofo espanhol] Ortega y Gasset diz que todas as gerações têm o seu tom vital. Sou contra a tese de que a juventude perdeu a causa. Isso é saudosismo barato.” Teorias à parte, não há como negar que a efervescência do movimento dos caras-pintadas construiu uma geração de dirigentes políticos bem sucedidos. Tendo como base o primeiro escalão do movimento estudantil da época, Fórum conta a trajetória desses personagens e ouve deles, além de análises de causas e efeitos, saborosas histórias de bastidores.
Não é exagero dizer que, tal qual 1968, o ano de 1992 também não terminou, pelo menos no Brasil. “As raízes dos caras-pintadas devem ser analisadas desde a década anterior, em especial o ano de 1989, que marcou a eleição de Fernando Collor”, pontua o historiador Luiz Antonio Dias em artigo publicado na revista História Agora.
Uma aliança histórica
Sentados na sala do pequeno sobrado da família em uma pacata vila perto da estação Ana Rosa do metrô, na capital paulista, o ex-ministro do Esporte, Orlando Silva Jr, e sua esposa, a atriz Ana Petta, reviram caixas de fotos e recortes de jornal enquanto tentam lembrar detalhes do começo do namoro. Os dois se conheceram quando ele deixou sua terra natal, Salvador, onde presidira o DCE da Universidade Católica, para assumir em São Paulo o cargo de tesoureiro da UNE. Ao achar uma matéria antiga publicada no “Estadão” que mostra Orlando discursando ao microfone, Ana não resiste: “Olha como ele era magrinho...”.
Na época, ela era presidente da União Campineira dos Estudantes Secundaristas e despontava como quadro da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes). Eram tempos de agitação política nas universidades públicas e privadas. Antes das denúncias contra o presidente, Centros Acadêmicos e Diretórios Centrais Estudantis fervilhavam com manifestações por mais vagas e mensalidades menores.
Embalado pelo som da Legião Urbana e Plebe Rude, o movimento estudantil pós-89 tinha sede de ação. “Havia o eco da redemocratização”, lembra Ana Petta. “Logo no começo da gestão Collor, já havia um caldo político que mobilizava as lideranças do movimento estudantil”, lembra Ricardo Abreu, o “Alemão”. Nos anos 1990, ele foi o representante do poderoso Comitê Central do PCdoB nos congressos da UNE. “Foi em um Coneg [Conselho Nacional das Entidades Gerais] da UNE, em dezembro de 1991, em Curitiba, que aprovamos o ‘Fora Collor’ como bandeira do movimento estudantil. Não era fácil argumentar, mas, conforme a recessão e o desemprego foram aumentando, os estudantes foram aderindo”, lembra Alemão. “Esse debate sobre puxar ou não o 'Fora Collor' vinha acontecendo. Na cúpula do movimento estudantil havia uma divisão clara. Como o PT jurava que Lula seria eleito em 1994, muita gente no partido era contra o impeachment. O 'Fora Collor' foi aprovado antes das denúncias e era uma bandeira mais política”, diz Orlando Silva.
Foi nesse clima que Lindberg Farias foi eleito na UNE no Congresso de Niterói, em 1992. Ao puxar pela memória a linha do tempo dos eventos que culminaram com as passeatas dos caras-pintadas, Orlando recorda-se de uma pérola. “A gente roubava os carros de som da campanha do Aloysio Nunes Ferreira, que era ligado ao Quércia e candidato à prefeitura de São Paulo pelo PMDB. Como o MR8 (que era o braço jovem de uma ala do PMDB) estava conosco na direção da UNE, usávamos os veículos nas portas das faculdades e devolvíamos antes das nove da manhã. Ninguém sabe dessa história...”.
No vibrante ano de 1989, quando Lula perdeu para Collor no segundo turno, a UNE era presidida por Cláudio Langone, do PT, e o movimento estudantil ganhou musculatura. (Quase duas décadas depois, Langone seria “vice-ministro” de Marina Silva no Ministério do Ambiente). O Partido dos Trabalhadores dirigia a entidade estudantil desde 1987, quando quebrou a hegemonia do PCdoB. Mas em 1991, quando a popularidade do presidente Collor começou a sofrer os primeiros sinais de desgaste, os comunistas retomaram o comando da União Nacional dos Estudantes. “Em 1992, o PT tinha uma chapa na UNE que chamava 'Dê flores aos rebeldes que falharam'. A tese era que a UNE havia morrido. Teve um dirigente deles que chegou a dizer isso no jornal Globo”, lembra Orlando Silva.
Horizontes ampliados
No amplo gabinete do vereador Floriano Pesaro, líder do PSDB na Câmara Municipal de São Paulo, um detalhe na decoração não passa desapercebido. Embaixo de uma foto do ex-presidente estadunidense JFK e de outra de líderes tucanos, há uma foice e um martelo estilizados em um cartão postal. A imagem é emblemática de um tempo em que Floriano, assim como boa parte de sua geração, ainda não sabia muito bem o que seria feito da esquerda depois da queda do muro de Berlim.
Em 1992, Floriano, com 24 anos e já na juventude social-democrata PSDB, era presidente do Centro Acadêmico de Ciências Sociais da USP. “Naquela época, a gente não discutia a questão ideológica, se o Collor era de esquerda ou direita. Era tudo muito novo para nós. No PSDB, havia uma divisão. Parte do partido havia defendido a adesão ao governo Collor”, conta. A posição dos tucanos começou a mudar conforme a situação do presidente foi se deteriorando.
A confusão ideológica daqueles tempos abriu caminho para uma inusitada aliança. Para enfrentar a hegemonia das correntes petistas na USP, o PCdoB e o PSDB selaram uma aliança. “Para nós, a social-democracia era um meio de chegar ao socialismo. O centro, em 92, era o PL [Partido Liberal]. Nós éramos de centro-esquerda”, lembra Floriano. Diante da ausência de um discurso mais incisivo do PT contra Collor no campus, a dobradinha tucano-comunista foi ganhando um a um todos os centros acadêmicos importantes, até chegar ao DCE. A mesma aliança se repetiu em outro importante núcleo do movimento estudantil, o Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito da USP. “A aliança PCdoB e PSDB na USP durou mais de dez anos”, lembra o vereador tucano. Ele conta que foi justamente esse arranjo político que garantiu aos comunistas a vitória no Congresso da UNE de Niterói, de 1992, quando Lindberg Farias foi eleito presidente da entidade. “Nós (PSDB) levamos 95 delegados para o Conune [Congresso da UNE]. A bancada era tão grande que assustou todo mundo. A princípio, nossa ideia era fazer uma aliança com os independentes. Mas o PCdoB fez a conta e percebeu que sem nós eles perderiam para o PT. Lembro que eram duas da manhã, quando o Lindberg e o Alemão nos chamaram para dizer: 'queremos o PSDB na diretoria da UNE'”, recorda o vereador paulistano.
Depois da vitória, os tucanos escolheram o atual diretor superintendente do Itaú Cultural, Eduardo Saron, para representar a sigla na diretoria da entidade. E foi quem ele mediou a aproximação com Itamar Franco. “Eu liguei para o Lindberg e pedi para marcarmos uma audiência da UNE com o vice-presidente Itamar Franco. A ideia era ampliar horizontes. Com Itamar isolado, a tendência era abrir artilharia contra Collor. Quando a OAB [Ordem dos Advogados do Brasil] e a ABI [Associação Brasileira de Imprensa] adotaram o 'Fora Collor', a pauta ficou mais ampla que a UNE”, relembra Saron.
O papel da mídia
A atriz Ana Petta lembra que as primeiras manifestações contra Fernando Collor em 1991 e 1992 eram vistas com desconfiança pela mídia. Havia no ar uma comparação inevitável com a geração de 1968. Em editoriais e reportagens, os caras-pintadas eram apresentados como despolitizados e a liderança da UNE era constantemente questionada. Vendia-se uma tese de que o movimento era espontâneo. Eduardo Saron, que já não está mais no PSDB, concorda, mas faz uma ressalva. “A mídia não apostava nos caras-pintadas, mas houve um momento em que isso mudou. O seriado Anos Rebeldes, da Globo, ajudou muito”.
Não era o propósito da Globo, mas, ao colocar uma série que retratava a luta estudantil contra a ditadura, a emissora que elegeu Collor criou um caldo de cultura favorável ao movimento. “Quando fomos mobilizar a grande passeata de 11 de agosto de 1992, usamos esse slogan: 'Anos Rebeldes: próximo capítulo é o Fora Collor'”. A turma de comunicação da UNE foi sagaz. A música do Caetano Veloso era o hit: “... caminhando contra o vento, sem lenço sem documento...”, lembra e canta Orlando Silva.
Entre os caras-pintadas que entraram no clima estava o jovem ator da Globo, Marcelo Serrado, que interpreta o mordomo Crô na novela Fina Estampa. O ex-ministro lembra que a obsessão da Folha de S.Paulo em dizer que o movimento dos caras-pintadas não tinha líderes era tão grande, que certa vez o jornal publicou que a saída de uma manifestação seria no vão do Masp, quando na verdade seria no centro. A ideia deu errado e apenas 20 pessoas foram ao local indicado, contra 20 mil que seguiram a orientação da UNE. Entre as gerações de 1968 e 1992 há uma diferença básica que jamais foi devidamente registrada pela mídia: a segunda, pelo menos em um primeiro momento, saiu vitoriosa.
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O papel dos secundaristas
Quando presidiu a UNE, o hoje senador Lindberg Farias acabou incorporando o rosto dos caras-pintadas. Mas apesar do protagonismo da UNE, a massa que enchia as manifestações era majoritariamente formada por estudantes secundaristas. Em 1992, a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) foi reunificada em uma só entidade. Até então, havia duas organizações nacionais, uma dirigida pelo MR8 e outra pelo PCdoB. Com o acordo, definiu-se que dois coordenadores, uma de cada força política, se apresentariam como líderes da Ubes: Mauro Panzera, pelo PCdoB, e Antonio Parente, o Totó, pelo MR8. Hoje, Totó é chefe de gabinete de Lindberg Farias.
Pedro Venceslau
No Revista Fórum
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Sobre Censura e Pontapés

Theófilo Silva
Shakespeare nos diz em Tímon de Atenas, que “Nenhum homem vai para o túmulo sem levar no corpo a marca de um pontapé dado por um amigo”. Se os amigos nos dão pontapés, o que não podem fazer outras pessoas? Já levei tantos pontapés na vida que perdi a conta. Portanto, quando fui impedido de emitir minha opinião, como vinha fazendo semanalmente, há cinco anos no Site do Jornal O Globo, Blog do Moreno, não me assustei, encarei como mais um chute, desses que a vida nos dá de vez em quando.
Afinal de contas a verdade é dura, incomoda e dói! Cometi o mais imperdoável dos crimes no Brasil: mexi com uma corporação. Jornalista não critica jornalista, como disse o dono do Blog – citei o nome de um jornalista e sua revista (Policarpo Júnior e Veja), que estão na boca de todo mundo. O corporativismo é a maior praga do país. Aqui, mesmo o maior dos criminosos, se pertencer a alguma categoria, é protegido por uma guarda pretoriana, impossível de ser furada. Quando um deles é pego, a primeira declaração que a corporação dá é: “É preciso cortar na própria carne!”. E não cortam. Que carne, que corpo?
Não sou jornalista profissional. Escrevo, apenas. O jornalismo é uma escada para a literatura. Jornalistas podem se tornar grandes escritores, a história está cheia deles. Estão aí, Jonathan Swift, Mário Vargas Llosa e Gabriel Garcia Marquez para provar. Mas poetas, romancistas, ensaístas, embora não saibam montar pautas, matérias e entrevistas, sabem opinar.
É preciso denunciar o grande circo em que se tornaram as relações entre políticos e a imprensa. Um jogo danoso para a sociedade, do tipo “eu te protejo, tu me proteges e juntos nos protegemos todos, assim nos locupletamos”. Um jogo em que a informação é eivada de mentiras! Não faço parte desse jogo, nem sou franco atirador. Busco a verdade, o fato, “verum facto”, e com ela uso a imaginação para torná-la mais interessante aos olhos dos leitores. Para isso, conto com a ajuda do meu mestre William Shakespeare que, como um farol, ilumina o que escrevo para a alegria dos leitores.
Muitos lutam para pegar “os nacos jogados pelo chão”; luto para fazer algo legítimo! Algo que torne a vida, tão cheia de mentiras e embustes, algo digno de ser vivido. Sigo o lema do Dr. Johnson – o maior dos ensaístas em língua inglesa – “A mente só repousa na solidez da verdade”. Que é um princípio cristão. Já que Cristo disse: “E direis a verdade e a verdade vos libertará”. Sob este princípio somos todos cristãos.
A filosofia discute o que é a verdade, a literatura acredita nela. Nietzsche, em seus aforismos, afirma que “Nós precisamos de arte para que a realidade não nos esmague”. É a arte que suaviza essa vida “cheia de som e fúria” e armadilhas de que falava Shakespeare.
Quanto ás corporações, os grandes impérios da mídia, que manipulam e escondem os fatos, que não dizem a verdade, a tecnologia está se encarregando de dobrá-los. Os jornalistas de talento estão abandonando-os – algumas publicações são exceções – cansados de serem humilhados, e de cumprir uma pauta que os faz vomitar, impedidos que estão de mostrar os fatos, eles estão criando seu próprio espaço, os Blogs. O que não impede que muitos blogueiros não passem de pistoleiros pagos – falei deles no meu artigo Refúgio de Canalhas. Mas tem muita gente séria nesse negócio.
Minha resposta à censura é continuar no mesmo tom, e lançar o meu livro Shakespeare Indignado, uma coletânea de artigos que escrevi nos últimos cinco anos, em que fiz o que Cervantes recomendou: “Acertei contas relativas a ofensas e insultos, corrigi injustiças, puni arrogância, derrotei gigantes e pisoteie monstros”.
Quem pensa assim está comigo e com a verdade! E vamos em frente!
Theófilo Silva, autor do livro A Paixão Segundo Shakespeare.
~ o ~
A matéria "O Refúgio dos Canalhas", a que o Theófilo Silva se refere acima está aqui, e esta não foi censurada.

Refúgio de Canalhas

“Quem é Charles Augustus Milverton, Holmes? O maior canalha de Londres, Watson”, responde Sherlock Holmes. O maior detetive de todos os tempos não economizou no adjetivo ao qualificar o sujeito, cuja ocupação era achacar pessoas honradas.
Chamo também de canalhas, aqueles que maculam a honra alheia plantando mentiras em veículos de comunicação. A pistolagem moderna – mesmo que ainda existam pistoleiros – chama-se reportagem caluniosa, uma matéria jornalística, imputando um crime a alguém, sem nenhuma prova material. É de pensar que esses textos são feitos apenas por crápulas que escrevem em Blogs de aluguel. Mas não é. A prática está disseminada em grandes veículos de comunicação, que estão rompendo com as mais elementares regras do jornalismo. Não estou me referindo ao caso do ministro dos esportes, nem sobre comentários de leitores em artigos e matérias em geral.
Falo dos órgãos de imprensa que estão entrando no mesmo nível de marginalidade dos adversários que combatem; usando os mesmos métodos vergonhosos de seus acusados; a mesma prática suja dos homens públicos envolvidos em falcatruas, e isso é muito ruim. Governo é para apanhar. A imprensa tem que fiscalizar, escarafunchar, desmascarar, bater mesmo. Outra coisa é colocar pessoas honradas no mesmo saco dos sujos, imputando-lhes crimes para atingir outrem. Essa prática é mercenária.
Ninguém é ingênuo, ao ponto de pensar que órgãos de imprensa e jornalistas não têm lado e que, a verdade não seja sacrificada em nome de interesses, sejam eles quais forem. Mesmo nos EUA e Inglaterra, a imprensa age assim. O velho inescrupuloso, Rupert Murdoch, dono de um império de comunicações, é prova disso. A diferença é que, nesses países, a justiça funciona, e os caluniadores pagam caro por suas canalhices.
Costumo dizer em rodas de conversa, debatendo nossos problemas, que, no Brasil, você gira, gira, discutindo coisas e, no final, conclui que nossas desgraças são causadas pela ineficiência do nosso estado de direito. Nossa justiça é ruim, muito ruim. Não temos como deter a corrupção no Brasil, em suas múltiplas formas, se não punirmos as pessoas. A Inglaterra deu certo por isso, e a Grécia está agonizando por que é corrupta.
Difamadores de aluguel sempre existiram, jornais venais também. Há cinco séculos, um caluniador chamado Aretino vendia sua verve a quem pagasse mais. Era contratado por nobres para destruir a reputação de seus inimigos, com seus panfletos difamatórios. Aretino chegou a ser apunhalado e espancado por suas vítimas, várias vezes.
A imprensa é livre e deve permanecer assim. Tudo que for visto de errado deve ser denunciado, principalmente na esfera pública. Mas o que fazer com os caluniadores e defensores de bandidos, contratados para espalhar mentiras, escondidos nas redações? Infelizmente, o refúgio para esses canalhas, como diria o Dr. Johnson, no Brasil, é o poder judiciário, que, na sua incompetência, não os pune como deveria.
Que ninguém pense que estou atacando o trabalho fiscalizador da imprensa séria. Do mesmo jeito que bato em homens públicos corruptos, todas as semanas, neste espaço, é meu dever também acusar o jornalismo nefasto.
Shakespeare nos disse em Medida por Medida: “Nem a grandeza, nem o poder, neste mundo mortal, podem escapar da calúnia que fere pelas costas e ataca a mais branca das virtudes.”. E pergunta: “Que Rei é bastante poderoso para conter o fel de uma língua caluniadora?”. A resposta é, nenhum!
No passado, os ofendidos defendiam sua honra em duelos com pistolas, mas a lei proibiu a prática. Hoje, apenas os caluniadores podem usar pistolas e atirar pelas costas. No Brasil, a justiça garante!
Theófilo Silva, articulista colaborador da Rádio do Moreno

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Islândia inicia o julgamento do neoliberalismo

Geir Haarde, primeiro ministro da Islândia em 2008, quando se deu a derrocada bancária no país, está sendo julgado por um tribunal especial. No banco dos réus, pela primeira vez, a política neoliberal que originou a bancarrota. Juízes e 60 testemunhas têm refletido durante o julgamento – que está sendo seguido por milhares de islandeses através da internet – sobre as causas de uma situação que não surgiu em 2008 por geração espontânea mas sim pela deriva neoliberal a que o governo sujeitou o país.
Durante o governo de coligação direitista e social democrata de Geir Haarde, os bancos faliram, a economia entrou em colapso. Mais do que julgar o homem que à frente do governo não conseguiu evitar a dramática situação no pequeno país, os juízes tentam apurar o que se passou e as circunstâncias que provocaram a crise. O tribunal considera que não é possível responsabilizar unicamente o ex-primeiro ministro pelo que se passou.
Da sua acusação constam o fato de não ter feito nada para evitar a debandada dos estabelecimentos financeiros, de não ter feito com que o banco online Icesave tivesse o estatuto de filial britânica, o que teria permitido transferir o problema da falência para Londres e evitado ao país a realização de dois referendos e a decisão dos islandeses de se recusarem a pagar por dívidas que não são suas. Este problema está atualmente no Tribunal Europeu de Justiça.
Juízes e cerca de 60 testemunhas têm refletido durante o julgamento – que não é transmitido ao vivo pela TV mas que está sendo seguido por milhares de islandeses através da internet – sobre as causas de uma situação que não surgiu em 2008 por geração espontânea mas sim pela deriva neoliberal a que o governo sujeitou o país.
Em causa estão, principalmente, a privatização das quotas de pesca que proporcionou aos armadores fortunas incalculáveis, um investimento em cascata no estrangeiro, quase sempre com maus resultados, uma privatização desastrosa dos bancos feita frequentemente segundo métodos corruptos e de clientelismo. A este processo seguiu-se uma onda de concessão de créditos bancários sem critérios nem garantias proporcionando, à escala do país, problemas semelhantes aos que se registaram nos Estados Unidos com a bolha imobiliária e o subprime.
Nesta fase, os bancos concederam um volume global de crédito que superou em 11 vezes o PIB islandês; quando o primeiro ministro decretou a sua falência era impossível salvá-los. Além disso, os islandeses não o permitiram e recusaram-se a assumir as dívidas alheias.
A resposta dos islandeses à crise não alinhou pelos caminhos impostos pela União Europeia aos Estados membros, pelo que hoje a Islândia, apesar de sofrer os efeitos de uma forte austeridade econômica e de uma acentuada quebra no consumo, conseguiu salvaguardar o Estado social, o desemprego está em sete por cento e as entidades patronais não foram além de limitar o trabalho extraordinário para conseguirem evitar os despedimentos.
Geir Haarde, político direitista e considerado um fundamentalista neoliberal, tem 64 anos e abandonou a carreira política. Incorre numa pena de dois anos de prisão. Mais do que um chefe de governo incapaz de dirigir o país – é a acusação a que corresponderá a pena que vier a ser aplicada – no banco dos réus está a política neoliberal.
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O Semeador de Estrelas

O "Semeador de Estrelas" é uma estátua que está em Kaunas, na Lituânia, que durante o dia pode até passar desapercebida, um bronze a mais, herança da época soviética. Mas quando a noite chega, a estátua ganha vida. Com a escuridão seu nome passa a fazer sentido.
Durante o dia…

E durante a noite…

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Charge do Aroeira

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Ex-senador é indiciado por suspeita de usurpar função pública

Gilvam Borges
O ex-senador Gilvam Borges (PMDB) foi indiciado nesta segunda-feira (9) pela Polícia Civil do Amapá sob suspeita de usurpação de função pública.
Adversário político da família do atual governador, Camilo Capiberibe (PSB), Borges comanda desde janeiro um chamado "governo paralelo" no Amapá, que vem realizando obras como casas e acessos rodoviários.
Antes do indiciamento, o ex-senador foi ouvido pelo delegado Leandro Totino, titular do Núcleo de Operações e Inteligência da Polícia Civil do Amapá. Segundo a Polícia Civil, Borges não respondeu nenhuma das perguntas feitas pelo delegado.
O político havia sido intimado a comparecer na delegacia na semana passada, quando o Ministério Público do Amapá pediu à polícia que investigasse as ações do chamado "governo paralelo".
Segundo a polícia, a pena por usurpação de função pública varia de três meses a dois anos de prisão e inclui multa. O inquérito agora vai seguir para o Ministério Publico, que deverá decidir se oferece denúncia à Justiça, pede mais apurações à polícia ou mesmo o arquivamento do inquérito.
Procurado pela reportagem, Borges classificou o indiciamento como "tentativa de coerção".
"Não tenho orçamento, poder de polícia. O governo paralelo funciona como uma ONG, uma associação civil. Não faço nada antes de informar o governo eleito. Como posso estar usurpando função pública?", disse Borges.
Outros Atritos
Borges já teve outro atrito com a polícia desde o lançamento do "governo paralelo". No último dia 12 de janeiro, o ex-senador foi preso pela Polícia Militar quando liderava uma equipe de operários que construía, sem licença ambiental, um acesso rodoviário em Macapá.
À época, Borges ficou detido por algumas horas em uma delegacia. Depois de solto, foi carregado por simpatizantes pelas ruas da capital do Amapá. A prisão não freou os planos do "governo paralelo".
Borges, cuja família é dona de retransmissoras da TV e de rádios no Amapá, continuou nos meses seguintes a realizar e divulgar obras, como reparos em escolas e redes de drenagem de Macapá. O ex-senador também prometeu a construção de 25 mil casas populares - apenas uma foi entregue até agora.
Em fevereiro, seu "governo" passou a contar com logotipo e até mesmo um "palácio" em Macapá, um prédio alugado onde o ex-senador despacha.
As iniciativas de Borges contam com o apoio do prefeito de Macapá, Roberto Góes (PDT), que também é adversário da família Capiberibe. O ex-senador afirma que pretende seguir com o projeto até 2014, quando vai se candidatar a governador.
A verba para as obras, segundo a assessoria de Borges, está sendo levantada com doações de empresários locais que simpatizam com a iniciativa.
Desde que Borges começou a se comportar como "governador paralelo", o governo do Amapá tem evitado comentar suas ações. Limitou-se a dizer, em janeiro, que "governar é tarefa de quem foi eleito para isso" e que "desrespeitar a decisão popular é uma afronta à democracia".
Aliado do presidente do Senado, José Sarney (PMDB), Borges perdeu seu mandato de senador no ano passado, quando João Capiberibe (PMDB), pai do atual governador, assumiu a vaga após a Lei da Ficha Limpa ser suspensa para a última eleição.
Jean-Philip Struck
No Folha
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Charge online - Bessinha - # 1173

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Uma Cachoeira de Prazer

A princesa da foto é Andressa Alves de Mendonça, de 30 anos. virou celebridade depois do escândalo envolvendo o Senador Demóstenes e seu atual marido, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso em Mossoró, no Rio Grande do Norte.
Das duas vezes em que visitou o marido seguiu em voo fretado a partir de Goiânia. Pagou pela viagem R$ 60.000,00 ida e volta.
Em Mossoró as regras são rígidas para os presos, quase sempre confinados em celas individuais. A visita íntima, por exemplo, é quinzenal e tem duração de uma hora.
Andressa, que só usa roupas de grife, é dona de uma loja de de lingerie, com uma sex shop e "sala de fetiche" num shopping center de Goiânia.
É no nome dela que está uma fazenda no Distrito Federal avaliada em R$ 20 milhões de reais que ela diz desconhecer.
A jovem é ex-esposa do suplente do senador Demóstenes Torres, Wilder Pedro de Morais.
Este drama envolvendo poder, dinheiro e troca de parceiras pode não ter final feliz. Vamos supor que Andressa decida falar o que sabe? Vamos supor que Cachoeira decida falar o que sabe? Ou se Demóstenes cair atirando?
Mas não se preocupem porque nada disso irá acontecer. Enquanto isso, a fantasia corre solta...
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A mídia que torce pela morte de Chávez

Acompanhar o noticiário dos jornalões brasileiros e latinoamericanos sobre a Venezuela e em especial a doença do Presidente Hugo Chávez acaba se tornando um exercício sobre a mídia. Serve para o mundo acadêmico elaborar teses que ajudariam aos futuros profissionais de imprensa a refletir o conceito de parcialidade e imparcialidade.
Cerca de 19 milhões de eleitores poderão votar para Presidente no próximo dia 7 de outubro. O "poderão" fica condicionado a vontade de cada um, porque o voto por lá não é obrigatório. Neste momento, em plena pré-campanha, as atenções se voltam para o tratamento que o Presidente Chávez está se submetendo em Cuba.
Até bem pouco tempo, o noticiário da doença vinha de Miami através de fontes como Roger Noriega, um funcionário do Departamento de Estado norte-americano que há um ano prevê a morte do líder da Revolução Bolivariana, que estará se submetendo a décima sétima eleição desde que foi escolhido presidente em 1998.
De algumas semanas para cá, o Brasil substituiu Miami, cujo filme está queimado. As agências de notícias geralmente começam os informes assinalando que "segundo o jornal brasileiro O Globo" e também "segundo o jornalista brasileiro Merval Pereira". O complemento tem sido sempre a indução da notícia segundo a qual Chávez está muito mal com metástese e pode não resistir a campanha eleitoral.
De vez em quando surge como "informante" o jornalista Nelson Bocaranda, muito familiarizado entre grupos anticastristas de Miami, para dizer que Chavez vai fazer isso e aquilo, mas poucas previsões se confirmam.
No último comentário de Merval Pereira, com base em Bocaranda, o leitor fica na prática com a certeza de que Chávez está nas últimas. O jornalista tinha anunciado também que o presidente venezuelano viria para o Brasil continuar o tratamento contra o câncer no hospital Sírio-Libanês de São Paulo, fato desmentido menos de 24 horas depois da revelação de Merval Pereira, que de quebra ainda "informou" que o tratamento em Cuba foi mal feito etc. e tal.
Há informações nos bastidores que o jornalista brasileiro está inserido em um esquema internacional que visa exatamente induzir os leitores dos mais variados quadrantes a acreditar que não adianta votar em Chávez porque ele está nas últimas.
A direita internacional, capitaneada pelo Departamento de Estado norte-americano sabe prefeitamente que o seu candidato, Capriles Radowsky, não tem condição de reverter o quadro de vitória de Chávez e que a estratégia que lhe resta é exatamente a que está sendo colocada em prática e vem sendo executada com a ajuda de Merval Pereira, o jornalista que na prática virou um setorista da doença de Chávez, só que com base em informações distorcidas.
De um modo geral o noticiário demonstra claramente a vontade do jornalista de que Chávez morra o mais rápido possível. Não se está fazendo jornalismo, mas sim uma estratégia que se põe a serviço de uma causa, exatamente a de impedir a continuidade de um processo de transformação em curso na Venezuela e com reflexos em toda a América Latina.
É preciso deixar claro o seguinte: a eleição na Venezuela é fundamental para o atual momento latinoamericano. Uma vitória consagradora de Chávez, como até agora indicam as pesquisas, representará o avanço no processo de transformação em todo o continente. Já uma vitória do esquema Capriles Radowsky & Departamento de Estado norte-americano significaria um retrocesso
A direita venezuelana mudou de estratégia e procura apresentar Capriles Radowsky não mais como o extremista que sempre foi, inclusive militante do grupo de direita católico Tradição, Família e Propriedade (TFP), apoiador incondicional da frustrada tentativa de golpe de abril de 2002, incluisive com participação direta no cerco à embaixada cubana em Caracas.
Na tentativa de mudança de imagem, como se sabe, dois marqueteiros do governador Sérgio Cabral foram contratados para cuidar da imagem de Capriles, apresentado agora como seguidor de Luís Inácio Lula da Silva, que restabelecido da doença deverá participar, em Caracas, em julho, da reunião do Fórum de São Paulo, o organismo político que reúne os partidos de esquerda da América Latina. Lula deverá confirmar seu apoio a Chávez.
Este sinteticamente é o quadro atual da pré-campanha eleitoral venezuelana. Não será nenhuma supresa se figuras como Fernando Henrique Cadoso e outros políticos do gênereo forem acionados pelos marqueteiros de Radowsky, sobretujdo depois da declaração de apoio de Lula à Chávez. Não será nenhuma supresa também que qualquer dia destes o candidato da direita apareça no Brasil, quem sabe a convite do Instituto Millenium.
O ex-presidente brasileiro (FHC) esteve recentemente em Caracas participando, juntamente com o ex-premier espanhol Felipe González e o ex-presidernte chileno Ricardo Lagos de debate sobre os rumos da economia mundial. Os três mencionados são responsáveis em seus países por modelos econômicos que - para ser mais suave - deixaram a desejar.
González, socialista, não se diferenciou em seu governo em termos concretos dos partidos defensores de estatégias neoliberais, como o direitista Partido Popular, de José Maria Aznár e do atual chefe do governo espanhol Mariano Rajoy. Lagos, no Chile, levou adiante o esquema da chamada Concertación, que não conseguiu mudar a política neoliberal inicada pelo ditador Augusto Pinochet.
Depos de esgotado o modelo da Concertación, o Chile hoje está às voltas com Sebastián Piñera, o presidente que também não se difere muito do esquema anterior, mas com o agravante de ter ressucitado companheiros de Pinochet e de ter servido ao ditador.
Fernando Henrique Cardoso é conhecido por estas bandas como defensor do Estado mínimo, embora em seus artigos dominicais nos jornalões tente induzir os leitores a pensar ser ele um político moderno.
E, para finalizar, aqui no Brasil seguem os reflexos da manifestação realizada no último dia 29 em frente ao Clube Militar. Nos sites de seguidores do ideário da época da Guerra Fria, um deles o coronel Brilhante Ulstra, militares da reserva, utilizando-se da mesma estratégia dos serviços de inteligência da ditadura, estão apresentando as imagens de jovens considerados por eles como responsáveis pela manifestação com fotos e os ameaçando de processo pelo "crime" de se exprimirem contra quem comemorava o golpe de 1º de abril de 64.
Ah, sim: um dos palestrantes no Clube Militar foi o jornalista Aristóteles Drumond, citado na página 229 do livro de René Dreifuss "A Internacional Capitalista – Estratégia e Táticas do Empresariado transnacional 1981-1986" como responsável por levar ao Chile dinheiro e armas para o grupo extremista Patria y Libertad, que conspirava contra o governo de Salvador Allende.
Este é o nível dos que comemoravam no Clube Militar o golpe contra Jango.
Mário Augusto Jakobskind
No Direto da Redação
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As manobras de despiste do caso Cachoeira

A denúncia envolvendo Olavo Noleto – da Secretaria de Relações Institucionais – é a manobra de despiste típica dos envolvidos no caso Cachoeira. Soltam-se suspeitas para todos os lados visando embaralhar as denúncias e desestimular as investigações.
Wladimir Garcez
É o caso da denúncia de hoje sobre telefonemas trocados entre Wladimir Garcez e Noleto.
Garcez é apresentado como o segundo homem da hierarquia da organização criminosa de Carlinhos Cachoeira.
Mas era também – segundo o próprio relatório da Operação Monte Carlo – "um dos braços direitos, ligado à cúpula do governo do Estado" e "atual corregedor-geral de Segurança Pública do Estado de Goiás". Era homem tão entrosado com o governo Marconi Perillo que cuidou da arrecadação da campanha nas últimas eleições.
A Secretaria visa consolidar as relações institucionais do governo com a classe política. Noleto é subsecretário para assuntos federativos - a área que cuida das relações com estados e municípios. Quem ligava para a Secretaria era obviamente o braço direito do governador Marconi Perillo, não o vice-condestável do império de Cachoeira.
O jornal que fez a denúncia sustentou que a presidenta Dilma Rousseff exigiu a demissão de Noleto.
Agora à tarde, o desmentido.

Nota Oficial - Olavo Noleto

A propósito de reportagem publicada hoje pelo jornal "O Globo", tenho a esclarecer:
1. Fui chefe de gabinete do prefeito Pedro Wilson Guimarães, na Prefeitura de Goiânia, entre 2001 e 2002, mesmo período em que o vereador Vladimir Garcez era presidente da Câmara Municipal de Goiânia.
2. Em virtude das minhas obrigações profissionais, conheci e convivi com Garcez durante os dois anos em que estive na Prefeitura de Goiânia.
3. Como subchefe de assuntos federativos da Secretaria de Relações Institucionais, mantenho relação política institucional com todos os governadores, prefeitos e atores políticos do país, especialmente com os do meu Estado de Goiás.
4. Jamais conversei, conheci ou fui apresentado a Carlinhos Cachoeira.
Olavo Noleto, subchefe de assuntos federativos da Secretaria de Relações Institucionais

E a nota da Secretaria

"A Secretaria de Relações Institucionais informa que são infundadas as informações sobre eventual afastamento do Subchefe de Assuntos Federativos, Olavo Noleto, já que não existe qualquer indício de irregularidade em relação à sua conduta que possa justificar seu afastamento. Informa ainda que não existiu uma suposta reunião entre Noleto, o ministro Gilberto Carvalho e a ministra Ideli Salvatti, nos termos relatados pela imprensa."
Luis Nassif
No Advivo
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Dívida espanhola atinge 165% do PIB, Igreja e rei não sofrem austeridade

A dívida externa espanhola atingiu no final de 2011 o valor de 1,775 bilhões de euros, correspondente a 164,5 por cento do PIB, percentagem que corresponde à que produziu às cruéis intervenções de austeridade na Grécia. Os dados foram divulgados pelo Banco de Espanha no mesmo dia em que o governo de Rajoy anunciou mais cortes de despesas pública, atingindo a saúde pública e a educação.
A relação entre a dívida externa e o PIB em Espanha é das mais altas do mundo. As normas da União Europeia estabelecem uma dívida externa máxima de 60 por cento do PIB; quando se iniciou a intervenção na Grécia a dívida grega era de 120 por cento do PIB, verificando-se que a política de austeridade adotada a fez subir em menos de dois anos para quase 170 do PIB. O governo direitista de Rajoy, em associação com a senhora Merkel e a Comissão Europeia, segue essa mesma política em Espanha, que poderá significar um em cada quatro espanhóis desempregados no fim deste ano. A dívida pública espanhola é sobretudo privada; só 16 por cento correspondem a dívida pública.
Na segunda-feira, o governo de Mariano Rajoy anunciou novos cortes no valor de 10 bilhões de euros na saúde pública e na educação. Apesar do anúncio do aprofundamento da austeridade, os juros da dívida espanhola continuam a aumentar, provocando o que a comunicação social qualifica como "a desconfiança dos mercados". O mesmo acontece com as dívidas da Itália e da Grécia, revelando estas situações o fracasso contínuo das políticas de austeridade.
Mariano Rajoy já anunciou cortes de despesas em três etapas: a primeira de 16 bilhões de euros; a segunda de 40 bilhões; e agora a terceira, de 10 bilhões, sem dar mais explicações.
Entretanto, a revista Europa Laica anunciou recentemente que o estado espanhol, que a Constituição proclama laico, contribui anualmente com cerca de 10 bilhões de euros para a Igreja Católica, verba equivalente à terceira fatia de cortes incidindo sobre saúde e educação. Os gastos do Estado com a casa real, segundo informações desta instituição, atingem 16 bilhões de euros anuais, correspondentes ao valor da primeira fatia de cortes.
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Sócio de Cachoeira doou R$ 800 mil a PSDB goiano

O empresário Rossine Guimarães, que tem uma empreiteira e uma empresa de segurança privada em sociedade com o bicheiro goiano, foi um dos principais doadores para a campanha de Marconi Perillo; ao todo, suas doações somaram R$ 4,3 milhões e também beneficiaram o DEM e o PMDB
Reportagem do jornal O Popular, o mais influente de Goiás, publicada nesta terça-feira, revela que o empresário Rossine Guimarães, sócio de Carlos Cachoeira, fez doações de R$ 4,3 milhões nas eleições de 2010. Deste total, R$ 800 mil foram direcionados ao comitê do PSDB em Goiás e tiveram como principal destino a campanha ao governo de Marconi Perillo. As informações constam do inquérito da Polícia Federal sobre a Operação Monte Carlo. Leia, abaixo, a reportagem do Popular:

Sócio de Cachoeira doou R$ 4,3 milhões nas eleições de 2010

Investigações mostram que Rossine Guimarães deu R$ 800 mil para o comitê financeiro do PSDB de Goiás
Alfredo Mergulhão e Márcio Leijoto
Apontado nas investigações da Operação Monte Carlo como uma espécie de sócio de Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, o empresário Rossine Aires Guimarães doou R$ 4,3 milhões nas eleições de 2010. A informação consta no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O nome de Rossine é o único dos citados no processo diretamente envolvido com Cachoeira que também aparece como doador de campanha. Do total doado, R$ 800 mil foram para o comitê financeiro da campanha do PSDB em Goiás. O restante foi para os comitês do PSDB, DEM e PMDB no Tocantins.
A Construtora Rio Tocantins (CRT), da qual Rossine é sócio majoritário com 82% das ações, também aparece como doadora de R$ 712 mil para o comitê financeiro do PMDB no Tocantins e para as campanhas de um senador e um deputado federal do PMDB tocantinense (veja quadro).
A primeira doação registrada para o PSDB goiano – no valor de R$ 500 mil - data de 26 de outubro de 2010, antes do segundo turno, disputado entre o atual governador Marconi Perillo (PSDB) e o candidato derrotado Iris Rezende (PMDB). O restante foi creditado na conta corrente do partido em 17 de novembro do mesmo ano, já como doação extemporânea.
No Tocantins, as doações ocorreram nas eleições disputadas pelo atual governador Siqueira Campos (PSDB) e por Carlos Gaguim (PMDB), que buscava a reeleição. Rossine é sócio de Gaguim na BPR Empreendimentos Imobiliários, empresa criada em abril de 2010.

Sociedade

Rossine também é sócio majoritário da Ideal Segurança, comprada pelo delegado da Polícia Federal Deuselino Valadares, um dos denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) por envolvimento com Carlinhos Cachoeira.
No inquérito da Operação Monte Carlo, consta que a Ideal é uma sociedade de Rossine com Deuselino, Cachoeira, e o atualmente ex-diretor da regional Centro-Oeste da Delta Construções, Cláudio Abreu.
Rossine é dono de 60% da Ideal Segurança. Segundo o inquérito realizado pelo MPF e pela PF, a empresa seria usada para lavagem de dinheiro da máfia dos caça-níqueis. O empresário assumiu a maioria acionária da Ideal no ano passado. Mas em um telefonema interceptado pela PF em maio de 2011, Gleyb Ferreira da Cruz, apontado como braço-direito para assuntos financeiros da quadrilha, revela que Rossine, Cláudio e Cachoeira possuem - cada um - 20% de participação na empresa (veja quadro). Os outros 40% estão em nome de Edson Coelho dos Santos, suposto laranja de Deuselino.

Influências

A CRT também é citada várias vezes nas conversas telefônicas interceptadas pela Polícia Federal. De acordo com as investigações, Cachoeira teria forte influência na construtora, não apenas interferindo nos negócios da empresa como também usando o nome dela para negociar licitações favoráveis à Delta.
Em uma conversa datada de 14 de junho do ano passado, apontado como braço-direito para assuntos financeiros da quadrilha, Gleyb Ferreira da Cruz, pergunta a Cachoeira se deve fechar um negócio pela Delta ou pela CRT. O empresário responde que é pela construtora de Rossine.
Em outra conversa interceptada pela PF, em 22 de junho, Cachoeira explica à Cláudio Abreu o papel da CRT nas licitações que interessam ao grupo: “Agora a gente vê se fecha com a CRT, podemos usar a CRT na conversa aí. Depois vamos fazer o contrato, com outra empresa, com a Delta. Põe a Delta na frente de tudo e a gente tem um contrato de gaveta, entendeu?”
Num dos relatórios elaborados pela PF como parte das investigações, Rossine é descrito como um financiador de campanhas políticas que possui diversos contratos com a administração pública. Ele já teria sido denunciado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Estadual de Campinas (SP), por envolvimento em fraudes nas empresas imobiliárias que possui.
Na semana passada, o presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), Jayme Rincon, admitiu com exclusividade ao POPULAR, ter recebido Rossine acompanhado de Cachoeira no seu gabinete, em audiência realizada no mês de fevereiro deste ano.

Doação legal

Responsável pela arrecadação na última campanha tucana ao governo estadual, Rincon afirmou que a doação foi feita legalmente e está contabilizada no TSE. “Se Carlinhos Cachoeira doou por meio de terceiros, não tínhamos conhecimento”, disse. “A relação dele (Rossine) com Cachoeira é uma outra questão.”
O presidente da Agetop reafirmou que só esteve com Rossine uma vez, quando recebeu o empresário a pedido do ex-presidente da Câmara de Goiânia, Wladmir Garcêz (PSDB), também preso na Operação Monte Carlo.
Procurado pelo POPULAR, Rossine disse estar na sua fazenda em Redenção (PA). Ele afirmou que não falaria sobre o assunto enquanto estivesse fora de Goiânia e prometeu conversar com a reportagem dentro de 15 dias.
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Vazamento “da Petrobras” é o óleo da Chevron?

A Chevron desviou a perfuração do poço acidentado no campo do Frade para
a  "beira" do campo de Roncador e agora o vazamento é da Petrobras?
O jornal O Globo diz que a  “ANP informa vazamento da Petrobras a 500m do Campo do Frade”.
Vazamento da Petrobras?
A Chevron e – mais grave ainda – a ANP jamais informaram a distância da perfuração onde ocorreu o acidente do limite do campo do Frade, contíguo aCampo do Roncador, onde a Petrobras, sem registro de acidentes, há mais de dez anos.
Esta é uma das perguntas que o deputado Brizola Neto fez ao presidente da Chevron, em novembro passado e que, até agora, está sem resposta.
Sabe-se que o ponto onde ocorreu o acidente, pelos próprios diagramas exibidos pela Chevron (veja a foto mostrada pelo presidente da empresa) , estava a mais de três quilômetros do ponto onde se situava a plataforma da Transocean operada pela petroleira americana, e que esta plataforma estava a quatro quilômetros do limite entre os campos.
Tanto que a mancha do vazamento da Chevron foi avistada não pela tripulação de sua plataforma, mas pela de uma plataforma da Petrobras, localizada no campo de Roncador.
Mas ninguém quis saber e os órgãos oficiais jamais divulgaram, formalmente, estes dados.
O vazamento,ao que tudo indica, é do bolsão de petróleo que se formou na extensão de poço sem revestimento que a Chevron perfurava ali.
Ou, pior ainda, resultado de uma vedação tardia e inadequada, do poço acidentado.
Mas, infelizmente, o relatório da ANP sobre os erros da Chevron na perfuração, entregue à empresa americana, continua “sigiloso”, à espera que a petroleira apresente sua defesa.
É interessante essa inovação jurídica de ser sigiloso um documento público, sobre um assunto de interesse público.
A Petrobras, quando tem problemas, informa à opinião pública, sem subterfúgios, como ocorreu no derramamento de dez litros – o equivalente a um balde – de água poluída por óleo.
Já os milhares de barris de petróleo da Chevron podem ficar na obscuridade.
Dizer que se está esperando o “DNA” do petróleo, para saber de qual campo vazou é irrelevante.
O vazamento que aparece no apartamento 202, depois de um desastre no apartamento 302, é óbvio.
Vai para a conta da Petrobras, que é boa de apanhar, uma Geni da mídia.
Fernando Brito
No Tijolaço
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A noite escura

Deve ser um problema com o nome: "Comissão da Verdade". E também de número: sete pessoas.
Não creio que haja sete caras no mundo que tenham o mesmo conceito de e sobre a verdade.
Sempre prevaleceu a verdade de cada um, o assim é se lhe parece, de Pirandelo. Daí a dificuldade de dona Dilma nomear os membros que examinarão atos e fatos criminosos do período ditatorial.
Cada um de nós tem engasgado na garganta um detalhe daquele tempo. Alguns são sabidos, há documentos, fotos, textos e depoimentos bastante divulgados. Muita coisa, porém, continua em sigilo e é natural que a sociedade cobre do governo a verdade dessa "noche oscura" da vida nacional.
Pessoalmente, gostaria de comprovar um episódio que até hoje não sei se é verdadeiro, mas revelador da repressão naquele tempo. Certa noite, um oficial da Aeronáutica e dois soldados saíram da Base Aérea do Galeão numa kombi para apanhar oito inimigos do regime. Todos na zona sul da cidade. Já quase madrugada, o oficial decidiu voltar ao Galeão com os oito subversivos que constavam na lista que recebera de seus superiores.
Na altura da praça Mauá, ele resolveu contar os presos dentro da kombi e viu que só conseguira apanhar sete. Não podia se apresentar ao comando sem os oito detidos. Naquela hora e lugar, não havia ninguém nas ruas, mas ouviu o barulho de uma banca de jornais abrindo na esquina da rua São Bento para receber os primeiros exemplares. Encostou a kombi e mandou que o dono da banca, um italiano de 45 anos, recém-chegado ao Brasil, entrasse no carro.
Pouco depois, entregava no Galeão os oito subversivos, que foram jogados no mar, perto de Itaipu. Carimbaram em cima da lista que lhe haviam dado: "Recebido".
Carlos Heitor Cony
No Folha
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O partido mídia e o crime organizado

Algumas análises sobre a velha mídia brasileira, aquela concentrada em poucas famílias, de natureza monopolista, e que se pretende dona do discurso e da interpretação sobre o Brasil, pecam por ingenuidade. Pretendem conhecer sua atuação orientando-se pelos cânones e técnicas do jornalismo, como se ela se guiasse por isso, como se olhasse os fatos com honestidade, como se adotasse os critérios de noticiabilidade, como se recusasse relações promíscuas com suas fontes, como se olhasse os fatos pelos vários lados, como se recusasse uma visão partidarizada da cobertura.
Essa velha mídia não pode ser entendida pelos caminhos da teoria do jornalismo, sequer por aquela trilha dos manuais de redação que ela própria edita, e que se seguida possibilitaria uma cobertura minimamente honesta. Ela abandonou o jornalismo há muito tempo, e se dedica a uma atividade partidária incessante. Por partidária se entenda, aqui, no sentido largo da palavra, uma instância que defende uma política, uma noção de Brasil, sempre ao lado dos privilégios das classes mais abastadas. Nisso, ela nunca vacilou ao longo da história e nem cabe recapitular. Portanto, as clássicas teorias do jornalismo não podem dar conta da atividade de nossa velha mídia.
Volto ao assunto para tratar da pauta que envolveu o senador Demóstenes Torres e o chefe de quadrilha Carlinhos Cachoeira. É possível adotar uma atitude de surpresa diante do acontecido? Ao menos, no mínimo, pode a revista Veja declarar-se estupefata diante do que foi revelado nas últimas horas? Tudo, absolutamente tudo, quanto ao envolvimento de Carlinhos Cachoeira no mundo do crime era de conhecimento de Veja. Melhor: era desse mundo que ela desfrutava ao montar o que lhe interessava para atacar um projeto político. Quando caiu o senador Demóstenes Torres, caiu a galinha dos ovos de ouro.
“Esqueçam o Policarpo”. Está certo, certíssimo, o jornalista Luis Nassif quando propõe que se esqueça o jornalista Policarpo Júnior que, com os mais de duzentos telefonemas trocados com Cachoeira, evidenciou uma relação profunda, vá lá, com sua fonte, e se ponha na frente da cena o, vá lá, editor Roberto Civita.
Este, como se sabe, constitui o principal dirigente do partido midiático contrário ao projeto político que se iniciou em 2003, quando Lula assume. Policarpo Júnior apenas e tão somente, embora sem nenhuma inocência, cumpria ordens de seu chefe. Agora, que será importante conhecer o conteúdo desses 200 e tantos telefonemas do Policarpo Júnior com Cachoeira, isso será. Até para saber que grampos foram encomendados por Veja ao crime organizado.
Nassif dá uma grande contribuição à história recente do jornalismo ao fornecer um impressionante elenco de matérias publicadas por Veja nos últimos anos, eivadas de suposições, sem qualquer consistência, trabalhadas em associação com o crime. Civita nunca escondeu a sua posição contra o PT e seus aliados. É um militante aplicado da extrema-direita no Brasil, e que se dedica, também, subsidiariamente, a combater os demais governos reformistas, progressistas e de esquerda da América Latina.
Importante, como análise política, é que o resto da mídia sempre embarcou – e com gosto – no roteiro, na pauta, que a revista Veja construía. Portava-se, não me canso de dizer, como partido político. Não adianta escamotear essa realidade da mídia no Brasil. O restante da velha mídia não queria checar, olhar os fatos com alguma honestidade. Não. Era só fazer a suíte daquilo que Veja indicava. Esse era um procedimento usual dos jornalões e das grandes redes de tevê.
Barack Obama, ao se referir à rede Fox News, ligada a Rupert Murdoch, chamou-a também de partido político, e tirou-a de sua agenda de entrevistas. Não é novidade que se conceitue a mídia, ou grande parte dela, como partido político conservador. Pode lembrar Gramsci como precursor dessa noção, ou, mais recentemente, Octavio Ianni que a chamava de Príncipe Eletrônico. No Brasil, inegavelmente, essa condição se escancara. A velha mídia brasileira sequer disfarça. Despreza, como já se disse, os mais elementares procedimentos e técnicas do bom jornalismo.
Na decisão da Justiça Federal em Goiás, ressalta-se, quase que com assombro, os “estreitos contatos da quadrilha com alguns jornalistas para a divulgação de conteúdo capaz de favorecer os interesses do crime”. Esses contatos, insista-se, não podem pressupor inocência por parte da mídia, muito menos da revista Veja que, como comprovado, privava da mais absoluta intimidade com o crime organizado por Carlinhos Cachoeira e o senador Demóstenes Torres dada à identidade de propósitos.
Esse episódio, ainda em andamento, deve muito, do ponto de vista jornalístico, a tantos blogs progressistas, como o de Luis Nassif (vejam “Esqueçam Policarpo: o chefe é Roberto Civita”); o de Eduardo Guimarães, Blog da Cidadania (vejam “Leia a espantosa decisão judicial sobre a Operação Monte Carlo”); o Portal Carta Maior (leiam artigo de Maria Inês Nassif, “O caso Demóstenes Torres e as raposas no galinheiro”); o Blog do Jorge Furtado (“Demóstenes, ora veja”), o Vi o Mundo, do Azenha, entre os que acessei.
Resta, ainda, destacar a revista CartaCapital que, com matéria de Leandro Fortes, na semana que se iniciou no dia 2 de abril, furou todas as demais revistas ao evidenciar a captura do governo de Marconi Perillo pelo crime organizado de Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira. Em Goiânia, toda a edição da revista foi comprada aos lotes por estranhos clientes, ninguém sabe a mando de quem – será que dá para desconfiar?
A Veja enfiou a viola no saco. Veio de “O mistério renovado do Santo Sudário”, tão aplicada no conhecimento dos caminhos do cristianismo, preferindo dar apenas uma chamadinha na primeira página sobre “Os áudios que complicam Demóstenes” e, internamente, mostrar uma matéria insossa, sem nenhuma novidade, com a tentativa, também, de fazer uma vacina para inocentar o editor de Brasília, Policarpo Júnior. Como podia ela aprofundar o assunto se está metida até o pescoço com Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira?
Impunidade do crime jornalístico
Há algumas perguntas que pairam no ar. O jornalismo pode ser praticado dessa maneira, em associação explícita com o crime organizado, sem que nada aconteça aos que assim procedem? Por menos do que isso, a rede de Rupert Murdoch, na Inglaterra, enfrenta problemas sérios com a Justiça, houve prisões, e seu mais importante semanário, o News of the World, que tinha 168 anos, e era tão popular quanto desacreditado, fechou.
E aqui? O que se fará? A lei não prevê nada para uma revista associada havia anos com criminosos de alto coturno? Creio que se reclamam providências do Ministério Público e, também, das associações profissionais e sindicais do jornalismo. Conivência com isso, não dá. Assim, o crime compensaria, como compensou nesse caso durante anos.
Há, ainda, outra questão, e de grande importância e que a velha mídia ignorou solenemente, e este foi um trabalho realizado primeiro pelo jornalista Marco Damiani, do Portal 247, e completado, de modo brilhante, pelo jornalista Paulo Henrique Amorim, evidenciando a atuação do crime organizado de Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira na construção do que ficou conhecido como Mensalão.
A entrevista com Ernani de Paula (ex-prefeito de Anápolis) feita por Paulo Henrique Amorim é impressionante. Ele fora derrubado da Prefeitura numa articulação que envolveu a dupla criminosa, e agora revela o que sabe, e diz que tudo o que se armou contra o ex-chefe da Casa Civil do primeiro governo Lula, José Dirceu, e contra o governo Lula, decorreu da ação consciente e criminosa de Carlinhos Cachoeira, que se insurgia contra um veto de José Dirceu à assunção de Demóstenes Torres ao cargo de Secretário Nacional de Justiça do governo, depois que ele se passasse para o PMDB.
Em qualquer país do mundo que tivesse um jornalismo minimamente comprometido com critérios de noticiabilidade, ainda mais diante do possível julgamento do processo denominado Mensalão, ele entraria fundo no assunto para que as coisas se esclarecessem. Mas, nada. Silêncio.
É como se a velha mídia tivesse medo de que a construção da cena midiática em torno do assunto, construção que tem muito de fantasiosa e é obviamente contaminada por objetivos políticos, pudesse ser profundamente alterada com tais revelações e, inclusive, ter reflexos no julgamento que se avizinha. Melhor deixar isso confinado aos “blogs sujos” e às poucas publicações que se dedicam ao jornalismo. A verdade, no entanto, começa a surgir. Nós não precisamos mais do que dela, como dizia Gramsci. Insistamos nela. Se persistirmos, ela se imporá. Apesar do velho partido midiático.
Emiliano José, deputado federal do PT-Bahia
No Esquerdopata
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No ACTA

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Charge do Angeli

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Babacas!!!

Nota do Blog do Saraiva:
Não podemos esquecer do apoio que o Serra teve da mídia e das Igrejas Católica e Evangélicas, sendo que de dia ia na missa de uma e a noite ao culto de outra, contando com apoio de um bispo fascista de Guarulhos-SP, Opus-dei, etc., chegando ao ponto da cúpula da igreja do papa nazista entregar a Sra. Mônica Serra uma réplica da imagem de N.S. Aparecida para levar até ao Chile.
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Divulgan imágenes de una base secreta de EEUU en Groenlandia para misiles nucleares

El diagrama de la base
No, estas imágenes no muestran fotografías en blanco y negro de la base rebelde en el planeta helado de Hoth. Es parte de un plan secreto para instalar una base de propulsión nuclear del Ejército de EE.UU., que fue construida bajo las capas de hielo de Groenlandia, a 800 kilómetros del Polo Norte, y conocida como “Camp Century”.
La base fue construida, según versión oficial, para llevar a cabo investigaciones científicas, pero la verdadera razón ha sido develada recientemente: probar la viabilidad de enterrar misiles nucleares bajo el hielo en un esfuerzo conocido como Proyecto Iceworm, en el contexto de la Guerra Fría.
El coronel del ejército de los Estados Unidos, John H. Kerkering, fue el militar puesto al frente de un ambicioso proyecto que construyó literalmente una ciudad subterránea bajo el hielo de Groenlandia.
En 1959 y bajo el nombre en clave de “Proyecto Iceworm”, el Centro de Desarrollo e Investigación Polar de los Estados unidos puso en marcha todo un entramado para construir la ciudad subterránea bajo las capas de hielo de la isla ubicada a 800 kilómetros al sur del Polo Norte, entre los océanos Atlántico y Glaciar Ártico. Era una disposición táctica y geográfica que lo hacía idóneo para cumplir sus objetivos de agresión nuclear contra la URSS.
El lugar elegido para realizar el proyecto fue una meseta a 6.180 pies (unos 1.883 metros) sobre el nivel del mar y con una temperatura media de unos -23 grados centígrados, aunque podía llegar a alcanzar los -56 grados.
Unas potentes tuneladoras fueron trasladas hasta el lugar, realizando todo un entramado de largos pasillos subterráneos que acabaron albergando una central nuclear, cuyo coste de traslado había superado los 5 millones de dólares.
Los 30 edificios interiores estaban realizados por placas de madera prefabricadas y en ellas se encontraban las viviendas, biblioteca, servicios médicos y religiosos, lugares de ocio y servicio (cantina, teatro, peluquería, lavandería), almacenes, laboratorios y todo lo imprescindible para llevar una vida lo más placenteramente posible en un lugar tan hostil, aparte de poder realizar con normalidad el trabajo encomendado a los militares que allí residían (85 en época de invierno y aproximadamente 200 en verano).
El suministro de agua que recibía Camp Century se realizaba a través de un bombeo de vapor de un pozo de hielo, por el que el elemento líquido que se utilizaba pertenecía a la nieve caída sobre Groenlandia dos mil años antes.
A través de una línea ferroviaria de más de tres kilómetros se conectaban los veintiún túneles interiores y una calle central de aproximadamente mil metros de larga.
Todo se preparó para simular un centro de investigación y experimentación científica, pero en realidad escondía todo un entramado de defensa militar que había decidido trasladar hasta allí aquel centro de operaciones debido a su perfecta ubicación a medio camino entre Nueva York y Moscú.
Pero todo aquel monumental montaje que tuvo un costo de 8 millones de dólares, (60 millones si lo trasladamos a nuestros días) de poco sirvió, ya que, tras varios años de construcción, apenas tuvo una producción activa, abandonando el proyecto en el año 1966.
El mayor problema que se encontraron fue el movimiento de los glaciares, ya que éste amenazaba con colapsar los túneles y tal y como se dio por finiquitado fueron derrumbándose.
Hasta 1997 no se dieron a conocer los detalles del Proyecto Iceworm tras desclasificarse los documentos por parte del Instituto danés de política exterior, que facilitó un informe a petición del parlamento de su país que dio debida cuenta de los planes norteamericanos en Groenlandia. Esta isla pertenece a Dinamarca, país que se había declarado, en 1957, territorio libre de armamento nuclear. A los EEUU no le importó en lo absoluto.
La base de agua, así, cavado 150 pies en el hielo, donde el hielo un serpentín de calentamiento luego derretida por el agua potable.
La base se abastecía de agua con una torre de 150 pies en el hielo.
Un serpentín de calentamiento derretía el hielo para obtener agua potable.
Base Militar en Groenlandia
Base Militar en Groenlandia
Base Militar en Groenlandia
Base Militar en Groenlandia
Base militar en Groenlandia
Base Militar en Groenlandia
Base militar en Groenlandia
Base Militar en Groenlandia
Base militar en Groenlandia
Base Militar en Groenlandia
Base militar en Groenlandia
Base Militar en Groenlandia
Base militar en Groenlandia
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Dibujo del pozo de agua de Camp Century.
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La localización de Camp Century
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Golpistas fora das ruas!

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Honrar o país

Aqueles que hoje desafiam a mudez do esquecimento e dizem, em voz alta, onde moram os que entraram pelos escaninhos da ditadura brasileira para torturar, estuprar, assassinar, sequestrar e ocultar cadáveres honram o país.
Quando a ditadura extorquiu uma anistia votada em um Congresso submisso e prenhe de senadores biônicos, ela logo afirmou que se tratava do resultado de um “amplo debate nacional”. Tentava, com isto, esconder que o resultado da votação da Lei da Anistia fora só 206 votos favoráveis (todos da Arena) e 201 contrários (do MDB). Ou seja, os números demonstravam uma peculiar concepção de “debate” no qual o vencedor não negocia, mas simplesmente impõe.
Depois desse engodo, os torturadores acreditaram poder dormir em paz, sem o risco de acordar com os gritos indignados da execração pública e da vergonha. Eles criaram um “vocabulário da desmobilização”, que sempre era pronunciado quando exigências de justiça voltavam a se fazer ouvir.
“Revanchismo”, “luta contra a ameaça comunista”, “guerra contra terroristas” foram palavras repetidas por 30 anos na esperança de que a geração pós-ditadura matasse mais uma vez aqueles que morreram lutando contra o totalitarismo. Matasse com as mãos pesadas do esquecimento.
Mas eis que estes que nasceram depois do fim da ditadura agora vão às ruas para nomear os que tentaram esconder seus crimes na sombra tranquila do anonimato.
Ao recusar o pacto de silêncio e dizer onde moram e trabalham os antigos agentes da ditadura, eles deixam um recado claro. Trata-se de dizer que tais indivíduos podem até escapar do Poder Judiciário, o que não é muito difícil em um país que mostrou, na semana passada, como até quem abusa sexualmente de crianças de 12 anos não é punido. No entanto eles não escaparão do desprezo público.
Esses jovens que apontam o dedo para os agentes da ditadura, dizendo seus nomes nas ruas, honram o país por mostrar de onde vem a verdadeira justiça. Ela não vem de um Executivo tíbio, de um Judiciário cínico e de um Legislativo com cheiro de mercado persa. Ela vem dos que dizem que nada nos fará perdoar aqueles que nem sequer tiveram a dignidade de pedir perdão.
Se o futuro que nos vendem é este em que torturadores andam tranquilamente nas ruas e generais cospem impunemente na história ao chamar seus crimes de “revolução”, então tenhamos a coragem de dizer que esse futuro não é para nós.
Este país não é o nosso país, mas apenas uma monstruosidade que logo receberá o desprezo do resto do mundo. Neste momento, quem honra o verdadeiro Brasil é essa minoria que diz não ao esquecimento. Essa minoria numérica é nossa maioria moral.
Vladimir Safatle
No Folha
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Militares que comemoraram golpe de 64 farão teste do bafômetro

Militar da reserva pleiteou vaga no time titular: “Já me sinto preparado para distribuir sarrafos nos comunistas bichas”, disse um deles. 
CLUBE MILITAR - O que era para ser uma simples comemoração ganhou ares de piquete subversivo. Acossados por maconheiros, vândalos e comunistas, dezoito militares da reserva desembarcaram da nave de Cocoon, no Centro do Rio de Janeiro, para celebrar o aniversário do golpe de 1964. "Vocês precisam saber a verdade: a revolução de 1964 livrou o país das ONGs, das passeatas gays, do hino nacional cantado pela Fafá de Belém e do Big Brother. Disso a imprensa não fala!", discursou o comandante Ernesto Garrastazu Bolsonaro, enquanto desembainhava um Ato Institucional. "Hoje a Susana Vieira faz o que quer sem censura prévia", vituperou, acomodando um militante do PSOL num pau-de-arara.
Com um megafone na mão, o blogueiro Ronaldinho Azeredo tentava promover a paz, a compreensão e o amor solidário entre os homens de boa vontade e bom saldo bancário: "‎Questões que haviam sido superadas, ou que estavam justamente adormecidas, são reavivadas com paixão cruenta", cantarolou ao som de mantras do Homem de Bem. Perguntado sobre a truculência dos torturadores, as arbitrariedades da censura e o destino ainda desconhecido de inúmeros desaparecidos políticos, Azeredo evocou um grão-mestre: "O AI-5 era só um papelzinho", e completou: "Quanto aos desaparecidos políticos, vocês já procuraram no Facebook, seus preguiçosos?"
Antes de regressarem à nave de Cocoon, todos os militares foram forçados a passar por uma blitz da Lei Seca. "Quem chamar o golpe de 'revolução' vai ter de soprar o bafômetro", explicou um policial comunista, maconheiro e subversivo.
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