8 de abr de 2012

Tropa de Elite - 2

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Nós e eles: a viagem de Dilma aos EUA

As relações do Brasil com os EUA quase sempre foram de subserviência. Hoje mudaram. Não por eles, que continuam imperiais, prepotentes, sem consciência da sua decadência.
Terminada a segunda guerra, Octávio Mangabeira beijou as mãos do presidente dos EUA, Harry Truman, que visitava o Brasil. Instaurada a ditadura militar, Juracy Magalhaes, ministro de Relações Exteriores, adaptando a frase da General Motors, afirmou: “O que é bom para os EUA é bom para o Brasil.” Logo apos os atentados de 2001 nos EUA o então ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Lafer, se submeteu a tirar os sapatos para ser controlado em um aeroporto dos EUA. Os três são da mesma linhagem tucano udenista, sombras que deixamos para trás.
As relações entre o Brasil e os EUA mudaram, porque mudamos nós e porque o mundo está mudando. A Presidenta que chega hoje aos EUA é uma mulher, que lutou contra a ditadura militar que os EUA promoveram e apoiaram, eleita por seu antecessor, um operário que colocou o Brasil no caminho da soberania e do respeito internacional.
Não importa se o tratamento que eles deram ao seu aliado canino há poucos dias, foi pomposa, cheia de reconhecimentos e salamaleques. Que eles se abracem na decadência anglosaxã. Temos certeza que eles trocariam imediatamente esse apoio caquético por uma aliança estratégica conosco, se estivéssemos dispostos a isso.
Mas não estamos. Temos uma política externa independente, digna, que brecou o projeto norteamericano da Área de Livre Comercio das Américas (ALCA), que rejeita Tratados de Livre Comércio com os EUA, que privilegia a América Latina e seus projetos de integração regional, que prefere as relações com o Sul do mundo que com o Norte.
Não estarão na mesa os grandes temas da política internacional nas reuniões de Dilma com Obama. Porque sobre eles nós temos posições irreversivelmente antagônicas – Cuba, Irã, Palestina, crise econômica interacional, entre tantos outros.
Serão relações bilaterais, sobre temas particulares, entre uma potência decadente e uma potência emergente. Uma que projeta o mundo do século XX e outra que reflete o novo mundo, o do século XXI. Ninguem tem dúvidas qual delas tem projetada uma tendência descendente no novo século e qual tem uma tendência ascendente. Ninguém tem dúvidas que o século norteamericano ficou para trás e o novo século já é o século do Sul do mundo. Como representante desse mundo é que Dilma viaja hoje, digna, com a força moral da nossa soberania, aos EUA.
Emir Sader
No Blog do Emir
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Charge online - Bessinha - # 1167

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O dia em que Jô Soares manifestou-se contra o PL122 - (homofobia)

Entrevista com Maria Berenice Dias, ex-desembargadora e advogada especialista em Direito Homoafetivo.
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Bancos mexicanos cancelam contas da Igreja Universal

Pelo menos três bancos do México cancelaram as contas da Igreja Universal do Reino de Deus, depois que o culto foi denunciado no Brasil por fraude e lavagem de dinheiro, noticiou a imprensa mexicana neste domingo.
"O Banamex, atendendo a seus interesses, tomou a determinação de dar por terminado o contrado com o senhor e, como consequência disto, procederemos ao cancelamento de contas e serviços", informou o banco aos encarregados da igreja no México em outubro passado, segundo o jornal Reforma. Os bancos Santander e Ixe adotaram a mesma medida entre este mês e novembro.
Em setembro de 2011, o fundador e líder da igreja, bispo Edir Macedo, e outros três encarregados da instituição haviam sido acusados pelo Ministério Público brasileiros de lavar dinheiro e enviá-lo ilegalmente aos Estados Unidos.
No total foram canceladas no México cinco contas de cheques e um investimento de prazo fixo e a igreja se viu obrigada a retirar os fundos que tinha nelas. Como consequência, a Igreja Universal do Reino de Deus apresentou um amparo por considerar que tem tido negado "o acesso ao serviço que todo mexicano tem de acessar o serviço do Sistema Financeiro Mexicano", revelou o jornal Reforma.
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Charge online - Bessinha - # 1166

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A cova está aberta

O sistema do poder, do dinheiro e da informação prepara o enterro do senador Demóstenes Torres, mais um notável da República que virou cadáver notório. A cova ainda aberta, os senhores da terra já comemoram sua desgraça, arreganhando os sestros das hienas.
Isolado, Demóstenes sai do DEM
e entra na cova dos leões.
Foto: José Cruz/ABr
Demóstenes foi um fiel servidor dos impolutos “investigativos” que agora executam sua liquidação moral e política. Repito o que escrevi há tempos: a língua inglesa tem uma palavra precisa – self-righteousness – para designar as exibições de virtude dos caçadores de corruptos que, como Torres, se ocupam de achincalhar os adversários com as desfeitas do moralismo dos fariseus. O Novo Michaelis define: self-righteous, o cidadão que imposta a self-righteousness, é farisaico, hipócrita.
Há que se admirar, no entanto, o desmazelo da turma dos self-righteous nos labores de selecionar seus operadores políticos. Por causa de tais “falhas de mercado”, o morgue das reputações perdidas é invadido por uma frenética circulação de cadáveres excelentes, todos mortos a golpes de primeira página. Enquanto isso, sobrevive impávida a estrutura de poder real que sustenta a procissão de promiscuidades entre a mídia e a política. Mandam e desmandam os mesmos de sempre, agora reforçados pelas pirotecnias eletrônicas à moda de Ruppert Murdoch.
A grande inovação dos tempos, além da internet e do celular, é a fábrica de grampos, empreendimento comum de arapongas e de certos “operadores” da mídia dita investigativa.
Tempo houve em que o grampo se prestava a finalidades excelentes. Excelentes porque, de fato, excediam sua banalidade ilusoriamente óbvia. O grampo cuidava, então, de adornar os cabelos das estrelas de Hollywood, mulheres inesquecíveis, como Rita Hayworth em Gilda ou, melhor ainda, Kim Novak em Vertigo.
Nem todos se deram conta do poder de sedução abrigado nos prosaicos grampos, quase invisíveis, em seu nobre mister de prender os longos cabelos cuidadosamente repartidos de Rita ou as madeixas prateadas de miss Novak, magistralmente dirigida por Alfred Hitchcock.
Hoje os grampos transformaram-se em meios de troca no intercâmbio de favores entre as improbidades da jogatina ilegal e a reportagem escandalosa. Os senhores tornaram-se mais ferozes na aplicação de métodos suaves. Aprenderam a usar instrumentos mais sutis e eficientes para torturar coletivamente os cidadãos com as técnicas da desinformação, do massacre ideológico e da “espetacularização” da política.
Os cúmplices de ontem e os algozes de hoje enfrentam, porém, uma dúvida terrível: não sabem se, de fato, o cadáver está bem morto. Defunto notório, o senador Demóstenes é possuidor de amplos e reconhecidos saberes a respeito das ligações entre as mazelas da política nativa e as manobras dos “investigadores” que desfrutavam de sua convivência e intimidade. Os estragos de uma ressurreição ou de um último suspiro podem ser pavorosos.
Imagino as angústias que nesta hora oprimem os corações de alguns acusadores de ocasião. Como pistoleiros de aluguel, só vão sossegar o espírito quando convencidos de que o cadáver está completamente morto. Não podem fazer outra coisa senão esperar sua defunção definitiva. Mas aqui só há uma certeza possível: contra ele, todos os golpes já foram desferidos.
Então caberia pesar as conveniências do assassinato de um personagem tão emblemático, uma encarnação perfeita dos vícios e das virtudes do sistema dominante. Os vícios são muitos. Deixo à imaginação do leitor o trabalho de enunciar o elenco. De resto, neste momento o establishment nativo se encarrega do conhecido esporte praticado com os pés, na boa tradição das habilidades brasileiras: o chute ao cadáver. Os barões do pedaço e seus lacaios preparam requintados pontapés na carcaça de quem, enfim, serviu tão bem a seus interesses e apetites.
No Brasil de hoje, uma lógica fatal contamina as instâncias decisivas da vida social e política. O sistema partidário e o financiamento das campanhas eleitorais parecem ter sido engendrados com o propósito de transformar o Congresso num mercado de balcão: os gritos de “compro” e “vendo” tornam ridícula a hipocrisia dos discursos tonitruantes do senador Demóstenes. O arbítrio, o favorecimento, o segredo, a obscuridade, o nepotismo são os demônios da República. Pois os curupiras da Pátria Amada estão aí, livres e folgazões, gargalhando sobre as nossas incríveis angústias.
O povo, entre perplexo e cada vez mais desencantado, contempla o espetáculo da mudança sem esperança, ou como dizia um crítico de Adorno, “a realização das esperanças do passado”. Assim os senhores da terra concebem o progresso.
Luiz Gonzaga Belluzzo
No CartaCapital
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Cadê o pessoal do “inflacionismo”?

Não é possível que pessoas que previam, até seis meses atrás, uma explosão da inflação e o “estouro” da meta inflacionária continuam a dar palpites e a deitar lições sobre a condução da política econômica brasileira.
Não se vexam diante de notícias como a de anteontem – a de que a inflação acumulada no primeiro trimestre do ano foi, simplesmente, a menor dos últimos 12 anos.
Fosse a maior, não de doze, mas de apenas dois ou três anos, a edição dos jornais, nem é preciso dizer, seriam diferentes, e não as notinhas miúdas que você vê aí ao lado.
Falar em “explosão inflacionária” foi, desde o segundo semestre de 2011, apenas uma estratégia para combater o processo de redução dos juros.
E, com isso, manter uma ordem econômica em que nada, neste país, é mais lucrativo, seguro e compensador que aplicar os recursos disponíveis em aplicações financeiras.
Enquanto o Estado renuncia a parte da arrecadação fiscal para estimular investimentos, as empresas têm em caixa, tecnicamentente disponíveis para investir, nada menos de R$ 150 bilhões, como informou, semana passada, o jornal Brasil Econômico, Dinheiro que está, no entanto, em aplicações financeiras, não na produção.
O sistema financeiro, que deveria ser uma alavanca para impulsionar a produção de riqueza real, no capitalismo brasileiro, passou a ser um fim em si mesmo, a búissola e a régua do pensamento econômico de uma subelite que pensa ser normal que o dinheiro é uma espécie de sesmaria, tão intocável quanto a o Brasil colônia e com a vantagem de ser “produtiva”, porque dela se colhe, sem plantar, o farto fruto dos jurque se aufere por direito divino.
De alavanca, o capital converte-se em freio à produção, ao emprego, ao progresso.
Um freio que faz o Brasil da roda-presa.
Fernando Brito
No Tijolaço
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Demóstenes e o ”duplipensar” da grande imprensa

As delicadas relações do senador goiano com o bicheiro Carlinhos Cachoeira - e a possibilidade de que o governador tucano Marconi Perillo venha a ser o próximo alvo, pôs em operação o "duplipensar" orwelliano que, desde a posse de Lula, está incorporado aos manuais de redação.
Qualquer pessoa de bom senso, que tenha lido os articulistas da grande imprensa, desde o surgimento dos escândalos envolvendo o senador Demóstenes Torres, concluirá facilmente que os trabalhadores das oficinas de consenso, aturdidos com o que lhes parece um ponto fora da curva, uma desconstrução dispendiosa e extemporânea, são como aqueles motoristas que imaginam poder dirigir um veículo com os olhos presos ao retrovisor. Não enxergam a clareza da realidade. O círculo do jornalismo de encomenda, minúsculo e cego, está só, murado no seu isolamento.
A pedagogia dos fatos, inexorável nas suas evidências, parece passar ao largo das redações. O que se faz ali não é jornalismo, mas um simulacro de literatura de antecipação marcada por profundo pessimismo e cenários de devastação. Talvez George Orwell e seu clássico “1984” expliquem melhor o suporte narrativo da fábula que não deixa de trazer uma concepção de história autoritária e retrógada.
As delicadas relações do senador goiano com o bicheiro Carlinhos Cachoeira - e a possibilidade de que o governador tucano Marconi Perillo venha a ser o próximo alvo- pôs em operação o "duplipensar" orwelliano que, desde a posse de Lula, está incorporado aos manuais de redação. Como o objetivo é afastar o ex-varão de Plutarco de cena, para prosseguir atacando o governo da presidente Dilma, os "cães de guarda" cumprem a tarefa com afinco.
No reduzido vocabulário da "Novilíngua", o “duplipensamento" é assim explicado por um dos personagens de “1984”: "capacidade de manter simultaneamente duas crenças opostas, acreditado igualmente em ambas(...). Saber que está brincando com a realidade mas, mediante o exercício de tal raciocínio, convencer a si próprio, que não está violentando a realidade. O processo deve ser consciente, pois do contrário não funcionará com a previsão necessária: mas, ao mesmo tempo, deve ser inconsciente para não produzir sensação de falsidade e culpa". Com esse trecho, cremos ter decifrado os sorrisos de Merval Pereira, Dora Kramer, Augusto Nunes, Eliane Catanhede, entre outros, quando confrontados com a palavra "ética".
Para eternizar a ordem que defendem com unhas e dentes o cenário político, submetido ao pensamento único, passa por processos de ocultamento e simplificação, visando a eliminar todas as possibilidades de pensar dos membros do Partido Imprensa.
Outra implicação do "duplipensar" da mídia corporativa é a constante alteração do passado. O registro – e consequentemente a memória - dos fatos ocorridos devem ser refeitos sempre, a fim de adaptarem-se ao presente. O trabalho de um "bom" editorialista é reescrever a visão dos veículos em que trabalha para que não contradiga a realidade de hoje. Assim, por exemplo, Folha, Globo e Estadão podem condenar o golpe de 1964, mesmo o tendo apoiado ostensivamente. Se um livro denuncia um líder político como Serra e outras figuras no seu entorno, a solução é simples: Ele nunca foi escrito e, portanto, jamais será resenhado, sendo passível de punição severa quem não entender como funcionam as "leis naturais".
Além da eliminação do passado como elemento de desarmonia com o presente e como instrumento de verificação das afirmações do Partido Imprensa, este recorre a outros meios, bem mais convencionais, para moldar a consciência de seus filiados e simpatizantes (leitores e telespectadores): educação permanente assegurada pela propriedade cruzada dos meios de comunicação, atividade coletiva sem intervalos, o que pode ser obtido mediante ampla oferta de blogs, sites, jornais e redes que digam sempre o mais do mesmo . Para concluir, vem a valorização do poder político como fim, não como meio.
O incômodo Demóstenes deve, após a sequência de denúncias, ter um diagnóstico clínico que despolitize o seu desvio. Merece, pelos serviços prestados, um roteiro que conte a tragédia do Catão caído, até que, finalmente, desapareça na lata de lixo reservada aos que fugiram da trama original. Assim agem os bons autores ao tomar como ponto de partida uma realidade familiar e palpável e transformá-la em espetáculo perecível. Em tempo: o DEM, assim como o PFL, nunca contou com o apoio das corporações midiáticas por um simples motivo: nunca existiu.
Vejam como operam nossos talentosos colunistas. Orwell ficaria tão contente que, com certeza, lhes arrumaria um lugar no Ministério da Verdade.
"Em um mês, o senador Demóstenes Torres passou de acima de qualquer suspeita para abaixo de qualquer certeza, num episódio que desafia os romances policiais mais surpreendentes. Alem da atuação implacável contra a corrupção, ele tinha a cara, vestia o figurino e se comportava como um incorruptível homem de bem - e talvez seja mesmo sócio da holding criminosa de Cachoeira." (Nélson Motta, 6/04/2012, o Globo).
"Demóstenes Torres não seria beneficiado pelo "vício insanável da amizade" - expressão usada pelo notório Edmar Moreira (o deputado do "castelo") para definir o principal obstáculo a punições -, pois os amigos que fez ali estão entre as exceções e os demais confirmam a regra.Por terem sido alvos do senador na face clara de sua vida agora descoberta dupla, podem querer mostrar-se ao público em brios. O problema, porém, é a falta de credibilidade". (Dora Kramer, 6/04/2012, Estado de São Paulo)
"Esse personagem que o senador criou para si próprio não era uma mentira de Demóstenes, ele incorporou esse personagem e acreditava nele. Podia acusar com veemência seus colegas senadores apanhados em desvios, como Renan Calheiros, enquanto mantinha o relacionamento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira porque, como todo psicopata, não misturava as personalidades." (Merval Pereira, reproduzindo argumento do psicanalista Joel Birman, 30/03/2012, O Globo).
Admiráveis funcionários de um jornalismo inqualificável.
Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil
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Cuba: Reformas sociais e econômicas

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Demóstenes e a Privatização do Jogo

Há males que vêm para bem. A situação do Senador Demóstenes Torres, devido às suas ligações com o contraventor Carlinhos Cachoeira e a divulgação de conversas gravadas - segundo as quais o parlamentar do DEM teria promovido reuniões da cúpula da máfia dos caça-níqueis em seu próprio apartamento funcional, com o objetivo de discutir estratégias visando à legalização do jogo - nos oferecem a oportunidade de discutir o futuro dessa atividade no Brasil.
Der vez em quando, ouvem-se pronunciamentos, no Congresso Nacional, articulados ou não, em defesa da legalização dos bingos ou dos cassinos e caça-níqueis. Alegam que a alteração constitucional poderia dinamizar a indústria do turismo e aumentar a distribuição de renda, gerando milhares de empregos.
Ora, se o jogo, nas mãos do Estado, vai tão bem – ninguém discute o resultado da Loteria Federal, da Quina ou da Mega-Sena, ou suspeita de desvio do dinheiro arrecadado – por que privatizar a atividade?
Em todos os lugares do mundo, sabe-se, sobejamente, que a jogatina, quando entregue à iniciativa privada, não se resume a tomar dinheiro, principalmente de velhinhas e aposentados. Os cassinos e os bingos, assim como as máquinas de pescar moedas, quando não estão sob o controle do Estado, sempre acabam sob o controle de grupos mafiosos. O jogo em mãos mafiosas favorece outras atividades criminosas, como a lavagem de dinheiro, a corrupção da polícia, a prostituição e o tráfico de drogas.
Ninguém precisa ver um filme americano ou visitar Las Vegas para saber como isso é verdade. Há alguns anos, eu estava hospedado em um flat próximo aos Jardins, em São Paulo, cujo nome poderia citar aqui, se quisesse, quando reparei que, todos os dias, às seis, sete da tarde, muitos estrangeiros vestidos esmeradamente de terno, se reuniam no lobby e depois, partiam, um a um ou de dois em dois, em diferentes carros, tomando variadas direções, na noite de São Paulo.
Curioso, me aproximei deles e reparei, pelo sotaque, que eram corsos. E não corsos comuns. Tratava-se de compatriotas de Napoleão que, apesar dos ternos caros, tinham caras de poucos amigos.
Quando saíram, me aproximei do porteiro e perguntei quem eram. - é o pessoal do bingo – respondeu, entre reverente e tímido – cada um toma conta de uma casa. E são mais de vinte...
Vendo a reação daquele porteiro, imaginei aquele bando de corsos que, na minha época, teriam a cara cortada a navalha pela malandragem que conheci nos meus tempos de repórter da editoria de polícia - exercendo a sua arrogância e prepotência em cima de centenas de garçons, porteiros, motoristas e garçonetes brasileiras. Quando deixei o hotel, levei o fato às autoridades, o que não deu em nada.
Há empresários e nobres deputados e senadores preocupados com os empregos do bingo? Simples. Faça a Caixa Econômica Federal um convênio com o SENAI, treinem-se, capacitem-se, cozinheiros e garçons, manobristas, recepcionistas; instalem-se nas futuras casas de bingo ou cassinos, máquinas como as que existem hoje nas agências lotéricas, para controlar a entrada e a saída de dinheiro; abram concursos para a contratação do pessoal, e mãos à obra.
Os empregos das pessoas de quem houvesse trabalhado nessas casas, quando clandestinas, poderão ser preservados, milhares de outros serão criados e o dinheiro perdido pelos incautos apostadores, e auferido pelo sistema, será revertido, como já ocorre com as loterias, em beneficio de toda a sociedade.
É claro que sempre haverá espertas raposas para dizer que o governo não deve mexer com bingo. Que é um absurdo o governo entrar em uma atividade que, em outros países, é explorada pela iniciativa “privada”; que o papel do governo é cuidar, e que está cuidando mal, da saúde e da educação; que a questão do jogo no Brasil – como é o caso do “bicho”, por exemplo – está uma bagunça, que é preciso determinar como irão funcionar as coisas, como será calculado o ganho dos apostadores, qual será a “parcela” da União, Estados, Municípios na féria. Que não sendo o jogo coisa de governo, que o poder público deveria “terceirizar” essa atividade, entregando a sua exploração a “empresários” de “fora”, que tenham experiência, associados a brasileiros.
O caso do Senador Demóstenes Torres, apanhado em ligações perigosas, permitiu que, ao menos por enquanto, as uvas cobiçadas pela raposa – a privatização do jogo no Brasil - ficassem, repentinamente, verdes. Quando essa discussão amadurecer de novo, esperemos que ela seja conduzida levando-se em consideração não os interesses de meia dúzia de malandros, mas, sim, os de todo o povo brasileiro.
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Só a eleição em SP despertará curiosidade

Daqui a seis meses, vamos votar para prefeito e vereador. No domingo, 7 de outubro, temos – menos os eleitores do Distrito Federal - um encontro marcado com as urnas.
Pelo andar da carruagem, das 5565 eleições que acontecerão, apenas uma será de interesse geral. Para os observadores da cena brasileira, somente essa desperta curiosidade.
É a eleição de prefeito de São Paulo, que tem tudo para ser emocionante. O que não quer dizer que possuirá significado real na sucessão de Dilma.
Ela adquiriu importância simbólica mais pelo comportamento das oposições que pelas decisões tomadas por Lula e o PT. Se o PSDB e seus aliados tivessem deixado que seguissem seu curso natural, teriam consequências menores.
O enfrentamento entre Fernando Haddad e um candidato tucano novo – independentemente de quem fosse o vencedor das prévias partidárias -, seria acompanhado com atenção na sociedade e no meio político. É improvável, contudo, que despertasse paixões.
Agora, as coisas ficaram diferentes.
O PSDB paulista deve saber o que faz, escalando um alquebrado Serra para medir forças com Lula e Dilma. Sua performance medíocre no embate interno não sugere a vigorosa candidatura que os amigos imaginavam.
Mas isso fez com que a eleição adquirisse um simbolismo que não tinha. Ela se tornou um capítulo - mais um – na velha peleja entre Lula e os tucanos paulistas.
Concretamente, qualquer que seja seu desfecho, o panorama nacional em pouco – ou nada – vai mudar. Na hipótese de Serra vencer, o PT e o governo pouco – ou nada - perderão de suas chances de permanecer por mais quatro anos no Planalto.
O mesmo vale para a possível vitória de Fernando Haddad, que em pouco - ou nada - afeta a perspectiva de alternância no governo federal.
Das eleições modernas na capital, nenhuma sugere de maneira mais eloquente que a de 1996 quanto seu resultado pode ser irrelevante para o Brasil. A vitória do malufismo e de Celso Pitta não mudou uma vírgula do jogo político nacional (e, a rigor, sequer do estadual: revigorado pelo sucesso, Maluf voltou a se candidatar ao governo em 1998 e voltou a perder, dessa feita para Covas).
Assim como Fernando Henrique ganhou com Marta na prefeitura, Lula venceu com Serra lá instalado. O que apenas sublinha que são eleições diferentes, com pequeno efeito recíproco.
Excluindo São Paulo, as eleições para prefeito serão, como sempre, relevantes em cada cidade. A escolha de quem se encarregará, durante os quatro anos seguintes, das políticas municipais nunca é trivial para a população, especialmente a que mais depende dos serviços públicos.
Nas capitais, elas são significativas pelo papel que têm na formação de lideranças. Disputar a eleição de prefeito da capital sempre qualifica um político em ascensão. Sequer é indispensável vencê-las, como atestam os casos de Fernando Henrique e Aécio: ambos perderam eleições de prefeito e continuaram crescendo.
Mas tudo sugere que teremos eleições sem emoção nas principais. No Rio e em Belo Horizonte, por exemplo, parece que serão resolvidas quase que por W.O. Em diversas, prefeitos no exercício do cargo ou ex-prefeitos são favoritos destacados.
O que não quer dizer que todas serão tranquilas, pois a briga será boa em algumas. Mas de pequeno impacto além dos limites municipais.
No fim das contas, fora São Paulo com sua importância simbólica acrescida, todas as outras são parecidas: fundamentais na política local, significativas - às vezes - no jogo estadual e secundárias – para dizer muito - no nacional.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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Com Cachoeira preso, denuncismo some da capa da Veja

Veja perdeu o ímpeto denuncista após prisão de Carlinhos Cachoeira
Desde que Carlinhos Cachoeira foi preso, no dia 29 de fevereiro de 2012, na operação Monte Carlo da Polícia Federal, a revista Veja já soltou 6 edições, e nenhuma capa é dedicada a denúncias de corrupção.
Mas há uma pauta abundante neste período envolvendo o senador Demóstenes Torres e o governador Marconi Perillo, tratada, sobretudo, pela revista Carta Capital, mas não só por ela. Até o Jornal Nacional tem se dedicado ao tema.
Parece que a revista Veja ficou acéfala no que entende ser "jornalismo investigativo", depois da prisão de Cachoeira e dos arapongas Jairo Martins e Dadá.
Mais do que acéfala, está dando uma enorme bandeira de que tem muito a esconder sobre as relações entre seu editor-chefe Policarpo Júnior e Carlinhos Cachoeira. Segundo Luis Nassif, Policarpo teria trocado em torno de 200 telefonemas com Cachoeira, no período investigado.
A revista já admitiu, defensivamente, que Policarpo e Cachoeira trocavam figurinhas. A revista diz que seriam relações legítimas entre jornalista e fonte. Mas como explicar a notória má vontade da revista em noticiar o caso, tendo um jornalista tão íntimo com os intestinos da organização criminosa (segundo o Ministério Público)?
A revista Veja, pródiga em divulgar até grampos ilegais, não revela um único diálogo entre o bicheiro e seu editor-chefe.
ZéAugusto
No Amigos do Presidente Lula
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Veja como é o jornalismo associado ao crime organizado

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Santa Catarina ignora recado de STF sobre Defensoria Pública

Governos ignoram recado de STF sobre Defensorias
O Supremo Tribunal Federal decidiu pela totalidade dos ministros que o Estado de Santa Catarina deve criar com urgência sua Defensoria Pública.
Considerou inconstitucional a lei que estabelecia que a defesa dos carentes fosse terceirizada a advogados indicados pela OAB local.
Duas semanas antes, o STF, com a mesma unanimidade, já havia considerado inconstitucional um artigo da Lei da Defensoria paulista, que obrigava a instituição a fazer convênio exclusivo com a Ordem para casos que excedessem a capacidade de seus defensores. O convênio acabou se transformando em mercado de trabalho para advogados e acaba por estancar o próprio crescimento do órgão.
As duas decisões se ancoram no mesmo fundamento: o caráter eminentemente público que a Constituição atribuiu à Defensoria, uma instituição cuja autonomia ainda vem sendo desprezada pelos governos.
O recado do Supremo é claro e não tem sido ouvido pelos chefes do Executivo.
A Defensoria Pública é uma carreira essencial à Justiça e é o modelo de assistência jurídica escolhido pelo constituinte. Deve ser não apenas criada, como fortalecida até conseguir atender com suas próprias forças a todos os necessitados.
O ministro Celso de Mello foi além, insinuando que o atraso de vinte e três anos na criação da Defensoria ensejava crime de responsabilidade aos governadores catarinenses, que ignoraram a ordem da Constituição Federal por tanto tempo.
Mas o problema está longe de se limitar a este Estado.
Goiás e Paraná ainda não instalaram as suas Defensorias. E as carências se espalham país afora naquelas já instaladas.
Em São Paulo, por exemplo, onde o atraso também foi significativo, o governador Geraldo Alckmin segura há meses projeto para criação de novos cargos.
Desde que a Defensoria foi criada, há seis anos, com a promessa de um crescimento gradual, apenas cem vagas foram acrescidas ao diminutíssimo quadro, como se o Estado não tivesse milhões de necessitados.
O atraso na criação dos cargos compromete a autonomia, porque aos defensores também é incumbida a atuação em omissões ou abusos praticados por agentes do próprio Estado. Como foi o caso da Cracolândia, por exemplo.
O Brasil, e São Paulo mais especificamente, estão experimentando níveis recordes de encarceramento. A falta de defensores públicos contribui decisivamente para um quadro que se aproxima do catastrófico, enquanto os governos cruzam suas mãos.
Mas garantir a liberdade a réus presos e pobres não é, obviamente, a única função da Defensoria Pública.
Numa época de pleno ativismo no Judiciário, que constantemente reconhece a possibilidade de cobrar dos governos políticas públicas, negar a proteção jurídica a quem só tem carências é multiplicar sua exclusão.
Afinal, quem mais precisa destas políticas de Estado do que aqueles que nada têm?
A situação também não é nada confortável na esfera federal, diante de uma Defensoria da União sem autonomia e com número de profissionais muito aquém das demais carreiras jurídicas, como os membros do Ministério Público ou da própria Advocacia da União. Proposta de criação de cargos também ali se arrasta. Lutar pelos direitos dos pobres, nessas condições, é nada menos do que quixotesco.
Já é passada a hora de se conscientizar da importância das Defensorias Públicas e dos riscos que todos corremos pela sua insuficiência.
Nesse sentido, é importante que o Conselho Nacional de Justiça, que tem amealhado grande projeção na sociedade, também desperte para a urgência e relevância dessa luta.
Afinal, de nada adianta modernizar a Justiça se ela continuar acessível a poucos.
Marcelo Semer é Juiz de Direito em São Paulo. Foi presidente da Associação Juízes para a Democracia. Coordenador de "Direitos Humanos: essência do Direito do Trabalho" (LTr) e autor de "Crime Impossível" (Malheiros) e do romance "Certas Canções" (7 Letras). Responsável pelo Blog Sem Juízo.
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'Coelhinho' da Páscoa moralmente modificado

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Esse é Gustavo Fruet (PDT-PR) candidato a prefeito de Curitiba

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Prefeito de Curitiba leva surra no Ibope

Luciano Ducci (esq.), que foi indicado pelo governador Beto Richa (PSDB), não chegaria ao segundo turno na tentativa de reeleição; Gustavo Fruet (centro) e Ratinho Jr. (dir.) lideram
A vida do prefeito de Curitiba, Luciano Ducci, não deve ser fácil nas eleições municipais deste ano. Pesquisa Ibope-CBN divulgada neste sábado indica que o socialista está bem atrás dos dois principais adversários, o ex-deputado Gustavo Fruet (PDT) e o deputado Ratinho Jr. (PSC). Enquanto os dois aparecem empatados na pesquisa de intenção de voto (com 26% e 24%, respectivamente), Ducci, indicado pelo governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), tem apenas 16%.
Leia matéria publicada pela CBN com os números da pesquisa:
No cenário mais completo da primeira pesquisa Ibope – CBN Curitiba deste ano, Gustavo Fruet (PDT) e o Deputado Federal pelo PSC, Ratinho Jr, aparecem tecnicamente empatados na primeira colocação. Fruet tem 26% e Ratinho Jr. 24% das intenções de voto.
O atual prefeito, Luciano Ducci (PSB), fica num segundo patamar, com 16% das menções dos eleitores em Curitiba. Em seguida aparecem Rafael Greca (PMDB) com 7%, Dr. Rosinha (PT) com 4% e Renata Bueno (PPS) com 2%. Brancos e nulos representam 9% dos entrevistados, enquanto 11% ainda estão indecisos com relação ao voto.
Em um segundo cenário, Fruet fica em primeiro lugar com 37% e Luciano Ducci vem em segundo lugar com 22% das menções. Rafael Greca aparece com 11%, enquanto Renata Bueno alcança 4% das intenções de voto. Diante deste cenário, 13% dos entrevistados declaram a intenção de votar em branco ou nulo e 14% não sabem em quem votariam.
No cenário com as principais forças da corrida eleitoral neste momento, Fruet aparece tecnicamente empatado com o Deputado Federal Ratinho Jr, respectivamente com 32% e 27% das intenções de voto cada um. Luciano Ducci obtém 18% das menções, enquanto 12% dos eleitores declaram a intenção de votar em branco ou de anular o voto. Os eleitores que, neste cenário, ainda não sabem em quem votariam, representam 11% do eleitorado.
Neste momento, em que não há nenhuma definição oficial dos candidatos que concorrerão às próximas eleições, foram testados três cenários de intenção de voto, considerando possíveis nomes para a disputa.A pesquisa está registrada no TRE do Paraná com o número 00001/2012, e foi realizada dos dias 27 a 29 de março, com 812 entrevistas. A margem de erro é de até 3 pontos percentuais para mais ou para menos, e o intervalo de confiança apontado pelo instituto é de 95%.
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Charge online - Bessinha - # 1165

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O presidente Demóstenes em Nova York

Setembro de 2015: Eleito presidente da República em novembro do ano passado, Demóstenes Torres chegou ontem a Nova York para abrir a Assembleia Geral das Nações Unidas. Reuniu-se com o presidente Barack Obama, de quem cobrou uma política mais agressiva contra os governos de Bolívia, Equador e Venezuela, “controlados por aparelhos partidários que sonham em transformar a América Latina numa nova Cuba”.
Antes de embarcar, Demóstenes abriu uma crise diplomática com o Paraguai, anunciando sua intenção de rever o tratado da hidrelétrica de Itaipu.
O presidente brasileiro assumiu prometendo fazer “a faxina ética de que o país precisa”. Para isso, criou um ministério com superpoderes, entregue ao ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes.
Numa reviravolta em relação a suas posições anteriores, o presidente apoiou um projeto que legaliza o jogo no país. Ele reestruturou o programa Bolsa Família, reduzindo-lhe as verbas e criando obstáculos para o acesso aos seus benefícios. Patrocinou projetos reduzindo a maioridade penal para 16 anos, e autorizando a internação compulsória de drogados. Determinou que uma comissão especial expurgue o catálogo de livros didáticos distribuídos pelo Ministério da Educação.
Atualmente, percorre o país pedindo a convocação de uma Assembleia Constituinte. A oposição do Partido dos Trabalhadores denuncia a existência de uma aliança entre o presidente e quase todos os grandes meios de comunicação do país.
Ao desembarcar no aeroporto Kennedy, Demóstenes ironizou as críticas à presença de uma jovem assessora na sua comitiva: “Lamentavelmente, ela não é minha amante, porque é linda”.
À noite, o presidente compareceu a um jantar no restaurante Four Seasons, organizado pelo empresário Claudio Abreu, que até março de 2012 dirigia um escritório regional de relações corporativas da empreiteira Delta. Abreu é o atual secretário-executivo da Comissão de Revisão dos Contratos de Grandes Obras, presidida pelo ex-procurador geral Roberto Gurgel.
Chamou atenção na comitiva do presidente o fato de alguns integrantes carregarem celulares habilitados numa loja da Rua 46. Eles são chamados de “Clube do Nextel”.
Em 2012, a carreira do atual presidente foi ameaçada por uma investigação que o associava ao empresário Carlos Augusto Ramos, também conhecido como Carlinhos Cachoeira, marido da ex-mulher do atual senador Wilder Pedro de Morais, que era suplente de Demóstenes.
O trabalho da Polícia Federal foi desqualificado pela Justiça. O assunto foi esquecido quando surgiram as denúncias do BolaGate contra o governo da presidente Dilma Rousseff envolvendo contratos de serviços e engenharia de estádios para a Copa do Mundo cancelada em 2013.
A eleição de campeões da moralidade é um fenômeno comum no Brasil. Em 1959, Jânio Quadros elegeu-se montando uma vassoura. Em 1989, triunfou Fernando Collor de Mello.
O primeiro renunciou numa tentativa de golpe de Estado e terminou seus dias apoquentado por pressões familiares para que revelasse os números de suas contas bancárias no exterior.
O segundo deixou o poder acusado de corrupção e viveu por algum tempo em Miami, elegeu-se senador e apoiou a candidatura de Demóstenes. O tesoureiro de sua campanha foi assassinado.
Presente ao jantar do Four Seasons, o empresário Carlos Augusto Ramos não quis falar à imprensa. Ele hoje lidera o setor da indústria farmacêutica brasileira beneficiado pelos incentivos concedidos no governo anterior. Ramos chegou acompanhado pelo ministro dos Transportes, Marconi Perillo, que governou o estado do presidente e foi o principal articulador do apoio do PSDB à sua candidatura.
Uma dissidência do PT, liderada pelo deputado Rubens Otoni, também apoiou a candidatura de Demóstenes. O presidente anunciou que a BingoBrás será presidida por um ex-petista.
Abril de 2012: Quem conhece o tamanho do conto do vigário moralista de Fernando Collor e Jânio Quadros sabe que tudo o que está escrito aí em cima poderia ter acontecido.
Elio Gaspari
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Fascinação pelo Rio

Em 1948 o Botafogo jogou em Porto Alegre. O que havia de extraordinário no fato de o Botafogo estar jogando em Porto Alegre? Em primeiro lugar, o próprio Botafogo. Oswaldo, Gerson, Santos (que ainda não era chamado de Nilton para distinguir do Djalma Santos), Geninho, Paraguaio, Otavio...
Em segundo lugar, eu, guri, na arquibancada do estádio do Internacional, com inacreditáveis 64 anos menos, maravilhado.
Em terceiro lugar, um time do Rio estar em Porto Alegre, uma raridade, na época. Havia pouquíssimo intercâmbio de clubes cariocas e paulistas com clubes do resto do Brasil. Nos campeonatos nacionais de seleções estaduais, a seleção gaúcha invariavelmente eliminava as de Santa Catarina e do Paraná e a vi enfrentar a de São Paulo, que invariavelmente nos eliminava. De sorte que vi alguns jogadores famosos de São Paulo em ação.
Do Rio, nenhum. Ademir, Zizinho, Jair etc. — uma geração inteira de estrelas — eu só conheci pelo rádio, ou nas páginas de jornais e revistas (ah, a emoção ainda viva de comprar O Globo Esportivo todas as semanas, com retratos dos ídolos distantes em rotogravuras coloridas na capa...). Mas naquela noite memorável, vi o Nilton Santos em pessoa. Carne, osso e áurea.
O Heleno não era mais do Botafogo em 1948. Acho que já tinha ido jogar na Argentina. Talvez ninguém representasse como ele não só o fascínio que os jogadores cariocas que nunca víamos jogar tinham para nós como nossa fascinação pelo próprio Rio, por aquela vida crepitante à beira-mar que também só víamos na imaginação.
Assim os amores, as brigas, o cabelo engomado e o perfil de cinema do “Gilda” eram parte da sua legenda tanto quanto o seu futebol. E o seu futebol, confirmam todos que o viram jogar, era magnífico. Até hoje se diz que o melhor ataque já formado numa seleção brasileira, pelo menos no tempo em que os ataques eram de cinco, foi: Tesourinha, Zizinho, Heleno, Jair e Ademir.
Heleno era “cerebral”, um adjetivo que caiu em desuso no futebol brasileiro, talvez por falta de cérebros, e ao mesmo tempo um finalizador mortal, e grande cabeceador. Tudo isto eu só posso imaginar.
Ainda não vi o filme que o José Henrique Fonseca fez da história do Heleno, mas já gostei. Que faça sucesso e dê frutos: mais filmes sobre futebol — esta paixão nacional tradicionalmente e curiosamente mal aproveitada na literatura e no cinema. É verdade que personalidades como a do Heleno não são comuns no universo do futebol, mas este tem dramas e comédias sem fim só esperando os roteiristas.
Luís Fernando Veríssimo
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Aécio quebra Minas e vai para Paris

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Charge online - Bessinha - # 1164

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