7 de abr de 2012

Tropa de Elite - 1

Leia Mais ►

Tucano admite pedido de ajuda eleitoral a Cachoeira

Deputado federal e pré-candididato tucano à Prefeitura de Goiânia, Leonardo Vilela não só confirmou o contato com o bicheiro, como informou, em nota, que buscou ajuda política de Cachoeira
Citado em reportagem do Correio Braziliense deste sábado como presente em lista de ligações trocadas com com Carlinhos Cachoeira, o deputado federal e pré-candididato tucano à Prefeitura de Goiânia, Leonardo Vilela, não só confirmou o contato com o bicheiro, como informou, em nota, que buscou ajuda política de Cachoeira.
Em nota oficial, Leonardo diz textualmente: "Na ocasião (do contado), discutia-se a possibilidade de o senador Demóstenes Torres ser ou não ser candidato a prefeito em Goiânia. Eu precisava falar com ele, pois o seu apoio seria importante para qualquer candidatura, caso desistisse. Todos sabem da amizade do senador com o empresário Carlos Ramos. Ele me ajudou a marcar esse encontro com o senador, quando pedi seu apoio à minha pré-candidatura."
Leonardo Vilela é o nome escolhido por Marconi Perillo para disputar a prefeitura. É o seu candidato. E, como tal, recorre a Carlinhos Cachoeira, para articular o apoio do senador. Ato isolado? Orientação superior?
Outra curiosidade da nota oficial do tucano: ele diz ter tido duas conversas com Cachoeira, mas em ambas pediu. Pediu ajuda para sua filha e pediu ajuda para seu projeto eleitoral. Depois disso, só beijando a mão.
Um último detalhe: até o final do mês passado, Leonardo Vilela era secretário de Meio Ambiente de Goiás. Saiu para ser pré-candidato a prefeito, e deu lugar a um promotor de Justiça, Umberto Machado, que coincidentemente foi chefe de gabinete de Demóstenes Torres quando este era Procurador-Geral de Justiça de Goiás - cargo, aliás, ocupado hoje, também coincidentemente, pelo irmão de Demóstenes, Benedito Torres.
Leia a nota do deputado e pré-candidato na íntegra:
Tenho a honra de representar o povo goiano pela terceira vez como deputado federal. Nesses mandatos e também nas minhas passagens pela administração pública, me orgulho de sempre ter adotado uma postura ilibada. Faço este esclarecimento justamente para que não pairem dúvidas sobre a minha conduta e em respeito ao meu eleitorado.
Não tenho nem nunca tive negócios com o empresário (sic) Carlos Ramos. Em todos esses anos em que estou na vida pública troquei duas conversas com este empresário.
A primeira delas aconteceu há mais de um ano. Minha filha é farmacêutica e, por conta da Lei do Nepotismo, precisou deixar seu trabalho no Centro de Distribuição de Medicamentos Juarez Barbosa logo que eu assumi como secretário de Meio Ambiente. Na época, ela descobriu uma vaga no Instituto de Ciências Farmacêuticas (ICF), uma empresa conceituada nacionalmente, e me pediu apoio para conseguir uma entrevista de emprego. Me informaram que o empresário (sic) Carlos Ramos é ex-marido da presidente do instituto e que poderia nos ajudar. Como pai, fiz o pedido e ela conseguiu a entrevista de emprego.
A outra conversa foi no segundo semestre do ano passado. Na ocasião, discutia-se a possibilidade de o senador Demóstenes Torres ser ou não ser candidato a prefeito em Goiânia. Eu precisava falar com ele, pois o seu apoio seria importante para qualquer candidatura, caso desistisse. Todos sabem da amizade do senador com o empresário (sic) Carlos Ramos. Ele me ajudou a marcar esse encontro com o senador, quando pedi seu apoio à minha pré-candidatura. Foi o que aconteceu.
É importante deixar claro que nunca defendi negócios ilícitos nem participei de qualquer votação que pudesse favorecer este empresário (sic). Não sou investigado por qualquer ilicitude pela Polícia Federal, muito menos nesta Operação Monte Carlo. Estou à inteira disposição da sociedade para prestar os esclarecimentos necessários.
Com a consciência tranquila, sigo minha trajetória em defesa do desenvolvimento de Goiás e de melhor qualidade de vida para todos os goianos.
Leonardo Vilela Deputado Federal
No Brasil 247
Leia Mais ►

Os milagres são a salvação da ICAR # 7

Leia Mais ►

Günter Grass defende-se após publicar poema tachado de antissemita

Um polêmico poema afirmando que Israel põe em risco a paz mundial rendeu ao escritor alemão duras críticas. Na sequência, o autor defendeu-se em entrevistas concedidas à mídia alemã, dizendo sentir-se ridicularizado.
O escritor e Prêmio Nobel de Literatura Günter Grass ganhou destaque nas mídias alemã e internacional desde a publicação de seu poema Was gesagt werden muss (O que precisa ser dito, em tradução livre) na última quarta-feira. Em diversas entrevistas concedidas nesta quinta-feira (05/04), Grass defendeu-se das acusações de retrógrado e antissemita.
No poema de 388 palavras, o autor afirma que a potência nuclear Israel ameaça a frágil paz mundial. Após duras críticas depois da publicação, Grass disse sentir-se ofendido e ridicularizado pela imprensa alemã. O escritor de 84 anos de idade declarou à emissora alemã NDR ter previsto que seria rotulado como antissemita. "Trata-se de velhos clichês. Falou-se imediatamente, como era de se esperar, no termo antissemitismo."
Em toda a sua obra literária, o escritor discute o passado alemão, defendeu-se Grass em entrevista ao canal de televisão 3sat. "Em meus livros Die Blechtrommel [O tambor, na tradução brasileira] (1959) e Beim Häuten der Zwiebel [Nas peles da cebola] (2006) está presente o peso da minha geração, a discussão sobre os crimes de responsabilidade dos alemães. E, por isso, essa acusação de antissemitismo é de um ódio atentatório sem igual", declarou.
Olhar crítico
Grass admite ter errado ao falar em seu poema de Israel como um todo e não do governo israelense concretamente. Ele enfatiza sua simpatia pelo país, mas expressa preocupação sobre seu desenvolvimento. Um ataque preventivo contra o Irã poderia provocar um acidente nuclear ou até mesmo uma Terceira Guerra Mundial.
"Essa não é simplesmente uma pequena ação militar. Não é como se alguns mísseis fossem disparados e houvesse apenas algumas mortes, como afirmaram o senhor Barak [presidente dos EUA] e Netanyahu [primeiro-ministro israelense]. Trata-se de uma ação militar que terá consequências. A situação está se agravando. O perigo de operações de guerra em seguida é cada vez maior", considerou Grass.
O escritor também se mantém firme na crítica ao governo alemão, que, segundo Grass, coloca em prática "uma reparação hipócrita" ao fornecer e financiar uma parte dos custos de submarinos a Israel. Três dessas embarcações já estão operando e duas outras deverão ser entregues até o fim de 2012. Em março deste ano, acordou-se sobre o fornecimento de um sexto submarino, que terá um terço de seus custos bancado pela Alemanha.
Alerta de Grass
Grass admite ter errado ao falar em
seu poema de Israel como um todo
e não do governo israelense concretamente
Grass admite ter errado ao falar em seu poema de Israel como um todo e não do governo israelense concretamente
Esses submarinos podem ser equipados com torpedos convencionais e também com ogivas nucleares. "Assim, nos tornamos corresponsáveis", afirma Grass. O escritor alerta também sobre o crescente isolamento da Alemanha em termos diplomáticos.
"Após as experiências da Segunda Guerra Mundial, temos nos esforçado até agora para tentar manter diálogos e negociações. Tais tentativas também estão em curso com o governo de Israel. Essa autocracia, decidir por si mesmo não importa o que os outros digam, é uma ruptura com a tática até então bem sucedida: enquanto se dialoga, não se dispara", diz.
Grass vê como uma obrigação lançar um olhar crítico sobre Israel. Para o autor, não se pode poupar o país. Isso seria "covardia diante dos amigos", citando as palavras do ex-chanceler federal alemão dos tempos da Guerra Fria, Willy Brandt.
Defesa israelense
Em Israel, não houve grande alvoroço sobre o poema de Grass, relata o jornalista e historiador Tom Segev, de Jerusalém. Pessoalmente, ele considera a obra "terrivelmente vã" e "embaraçosa". A comparação ente Israel e Irã distorce os fatos, diz. "É fato que o Irã ameaça destruir Israel, mas Israel nunca teve a intenção de destruir país algum."
Para Segev, Grass não é, porém, nem antissemita nem anti-israelense. "É legítimo criticar Israel, também na Alemanha. Às vezes é até mesmo necessário. Com relação à opressão dos palestinos, a crítica de fora é muito importante. Direitos humanos em um país só podem ser realmente defendidos de fora", opina o jornalista.
Há poucos meses, Segev fez uma visita a Grass. Ele gostaria que o Prêmio Nobel fizesse melhor uso "das últimas gotas de sua tinta" – como escreveu o poeta em um dos versos de seu polêmico poema –, escrevendo um belo romance.
Autora: Claudia Hennen (lpf)
Revisão: Carlos Albuquerque
No DW
Leia Mais ►

O poema que desmascarou Israel

Günter Grass
O escritor alemão Günter Grass, prêmio Nobel de Literatura de 1999, provoca polêmica internacional ao publicar um poema afirmando que Israel é um risco à paz mundial e criticando o país pelo arsenal nuclear e pelas ameaças ao Irã
A polêmica começou em 4 de abril, quando o Süddeutsche Zeitung (literalmente, Jornal do sul da Alemanha) publicou o mais novo poema de Günther Grass, “Was gesagt werden muss” ("O que deve ser dito"). Nele, Grass critica Israel por seu poderio nuclear e pelas ameaças de ataque ao Irã. E vai além, chamando Netanyhau, primeiro-ministro israelense, de “fanfarrão” que quer exterminar o povo iraniano. O escritor também critica a Alemanha, que há pouco tempo vendeu outro submarino nuclear ao governo de Israel. 
Importantíssimas são as sugestões de Grass para que Israel e Irã permitam que autoridades internacionais inspecionem suas instalações nucleares; para que os sionistas renunciem à força; e o desafio à hipocrisia do Ocidente, que silencia diante dos crimes israelenses por temer a acusação de “antissemitismo” – segundo o poeta, uma “gravosa mentira”, uma coação. É preciso lembrar que os sionistas acusam seus críticos de “antissemitas”, procurando identificar esse termo com “antissionismo”.

Na verdade, ambas as palavras referem-se a conceitos muito diferentes. “Antissemitas”, vocábulo cunhado no final do século 19 no contexto europeu de perseguição aos judeus, refere-se – com muita impropriedade, destaque-se, uma vez que grande parte da população árabe é semita e os judeus da Europa não o são – às pessoas que se opõem aos que professam o judaísmo. Já “antissionismo” diz respeito ao crescente movimento mundial daqueles que repudiam a ideologia sionista, considerada racista, militarista, apoiada em mitos que falseiam a história, na violência e na violação de direitos humanos, em função da opressão a que submete o povo palestino há mais de 100 anos.

O sionismo conta com profissionais para criar argumentos que, distorcendo e negando a realidade, fazem a defesa de suas políticas e de suas práticas. Esses argumentos têm como objetivo desviar, do foco das críticas, a situação criada pelos sionistas na Palestina. Enviados a sionistas e judeus do mundo todo, são repetidos por eles à exaustão. Podem convencer ao interlocutor desacostumado a esse debate, mas são facilmente desmontados por aqueles que têm um mínimo de conhecimento sobre a história do sionismo, as pressões internacionais que seus adeptos fizeram para tomar a Palestina e a violência a que os sionistas submetem os palestinos desde fins do século 19.

Günter Grass não chega ao ponto de desmascarar a falsa relação que os sionistas fazem entre antissemitismo e antissionismo ou as falácias que sustentam essa relação. Mas, numa Europa em que a população vive acuada, temendo ser acusada de antissemita, é um grande passo denunciar o uso da palavra como instrumento político de coação, destinado a calar os opositores dos sionistas (instrumento, por sinal, também utilizado no Brasil).

Esses pontos, fundamentais no debate sobre o perigo que Israel representa para a ordem mundial, ao, entre outras ilegalidades, violar a legislação internacional, fabricar e armazenar secretamente armas de destruição de massa, praticar genocídio* contra o povo palestino, foram colocados na pauta mundial por Grass.

Diante desse fato, as qualidades literárias do poema, consideradas abaixo da média pela crítica especializada, e o fato de o poeta ter participado de uma organização nazista aos 15 anos de idade (o que pode ser explicado por sua imaturidade, aliada à confiança que o povo alemão, Grass incluído, depositava no nazismo quando o levou ao poder), não têm a mínima importância.

Trata-se de um poema militante, de um homem que conheceu a barbárie da guerra e teme que a humanidade, indefesa, seja submetida a barbárie muito pior em consequência dos caprichos de governantes desvairados.

Conheça o poema de Günter Grass, traduzido da versão espanhola. 

O que deve ser dito

Günter Grass
Porque guardo silêncio há demasiado tempo
sobre o que é manifesto
e se utilizava em jogos de guerra
em que no fim, nós sobreviventes,
acabamos como meras notas de rodapé.

É o suposto direito a um ataque preventivo,
que poderá exterminar o povo iraniano,
conduzido ao júbilo
e organizado por um fanfarrão,
porque na sua jurisdição se suspeita
do fabrico de uma bomba atômica.

Mas por que me proibiram de falar
sobre esse outro país [Israel], onde há anos
- ainda que mantido em segredo –
se dispõe de um crescente potencial nuclear,
que não está sujeito a nenhum controle,
pois é inacessível a inspeções?

O silêncio geral sobre esse fato,
a que se sujeitou o meu próprio silêncio,
sinto-o como uma gravosa mentira
e coação que ameaça castigar
quando não é respeitada:
“antissemitismo” se chama a condenação.

Agora, contudo, porque o meu país,
acusado uma e outra vez, rotineiramente,
de crimes muito próprios,
sem quaisquer precedentes,
vai entregar a Israel outro submarino
cuja especialidade é dirigir ogivas aniquiladoras
para onde não ficou provada
a existência de uma única bomba,
se bem que se queira instituir o medo como prova… digo o que deve ser dito.

Por que me calei até agora?

Porque acreditava que a minha origem,
marcada por um estigma inapagável,
me impedia de atribuir esse fato, como evidente,
ao país de Israel, ao qual estou unido
e quero continuar a estar.

Por que motivo só agora digo,
já velho e com a minha última tinta,
que Israel, potência nuclear, coloca em perigo
uma paz mundial já de si frágil?

Porque deve ser dito
aquilo que amanhã poderá ser demasiado tarde [a dizer],
e porque – já suficientemente incriminados como alemães –
poderíamos ser cúmplices de um crime
que é previsível,
pelo que a nossa cota-parte de culpa
não poderia extinguir-se
com nenhuma das desculpas habituais.

Admito-o: não vou continuar a calar-me
porque estou farto
da hipocrisia do Ocidente;
é de esperar, além disso,
que muitos se libertem do silêncio,
exijam ao causador desse perigo visível
que renuncie ao uso da força
e insistam também para que os governos
de ambos os países permitam
o controle permanente e sem entraves,
por parte de uma instância internacional,
do potencial nuclear israelense
e das instalações nucleares iranianas.

Só assim poderemos ajudar todos,
israelenses e palestinos,
mas também todos os seres humanos
que nessa região ocupada pela demência
vivem em conflito lado a lado,
odiando-se mutuamente,
e decididamente ajudar-nos também.


*Segundo o artigo 6 do Estatuto de Roma, que fundou o Tribunal Penal Internacional, entende-se por “genocídio” qualquer dos seguintes atos: “perpetrados com a intenção de destruir total ou parcialmente um grupo nacional, étnico,
a) Matança de membros do grupo;
b) Lesão grave à integridade física ou mental dos membros do grupo;
c) Sujeição intencional do grupo a condições de existência que acarretem sua destruição física, total ou parcial;
d) Medidas destinadas a impedir nascimentos no seio do grupo;
e) Transferência, por meio da força, de crianças do grupo a outro grupo”.

As práticas sionistas também se inscrevem em outros crimes estabelecidos pelo Estatuto de Roma: lesa-humanidade (capítulo 7) e crimes de guerra (artigo 8). Esses crimes são imprescritíveis e o leitor pode comprovar pelos artigos abaixo, com seus próprios olhos, que esses crimes foram e continuam sendo cometidos contra o povo palestino.

Visita a Gaza (imagens de Miguel Portas, deputado do Parlamento Europeu)

Baby Siqueira Abrão
Correspondente no Oriente Médio
No Redecastorphoto
Leia Mais ►

Os milagres são a salvação da ICAR # 6

Leia Mais ►

As armações de Demóstenes

Leia Mais ►

Quem cassará o mandato de Demóstenes Torres?

 Atualizado com a inclusão de vídeos  

Apartes ao discurso do senhor Demóstenes Torres no Senado Federal, em 06 de março de 2012.
Os pronunciamentos estão por ordem do aparte concedido.

O Sr. Eduardo Suplicy (Bloco/PT – SP) – Acho importante que V. Exª tenha aberto o seu coração, a sua alma, a sua palavra para todos nós que aqui convivemos com V. Exª há tantos anos. Aprendemos a respeitá-lo como um dos membros do Senado Federal que, sobretudo na área jurídica, na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, que V. Exª presidiu, e como membro do Ministério Público, sempre demonstrou um conhecimento em profundidade da Constituição e das leis brasileiras. Eu me lembro que, ainda na legislatura passada, certo dia, V. Exª protestou veementemente diante da revelação de um diálogo telefônico que tivera com, salvo engano, o então Presidente do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. V. Exª insistiu que deveria ser considerada inadequada a revelação de uma conversa como aquela. Hoje, V. Exª aqui transmite o conhecimento que teve de um número considerável de ligações telefônicas com esse Sr. João Cachoeira, assim conhecido, que de alguma maneira se envolveu com ações que contrariam a legislação. Mas V. Exª aqui procura esclarecer, de uma maneira que me parece adequada, qualquer possível envolvimento e aqui esclarece que não teve qualquer ação que pudesse ser considerada como infringindo a lei e muito menos o seu comportamento do ponto de vista ético, como um Senador. Eu acredito que os esclarecimentos que V. Exª aqui nos transmitiu são muito importantes e que V. Exª tenha tido a iniciativa de aqui revelar o que é de conhecimento de V. Exª. Algo que é assunto de natureza privada, pessoal, não é propriamente o que precisa ser aqui objeto da apuração, porque não envolve qualquer infringência à legalidade. Eu quero transmitir a V. Exª o respeito que sempre caracterizou a minha relação com V. Exª aqui. Muitas vezes, tivemos divergências sobre alguns assuntos, mas eu quero lhe transmitir que considerei e considero muito importante o esclarecimento que aqui dá a todos os seus colegas Senadores e Senadoras e ao povo brasileiro, que certamente o está ouvindo com muita atenção num episódio como este. Há uma questão importante que é: por vezes, Senadores ou pessoas do Poder Executivo, quando envolvidos em certos aspectos, levaram Senadores da oposição a serem quase que apressados em dizer “Olhem aí, essa pessoa está envolvida e tal”. Eu acho que hoje todos nós, que poderíamos ter uma atitude dessa natureza, avaliamos que é importante ouvi-lo com atenção e lhe dar toda a possibilidade de realizar o esclarecimento conforme V. Exª o fez.


O Sr. Luiz Henrique (Bloco/PMDB – SC) – Nobre Senador Demóstenes, quero saudar V. Exª como um verdadeiro homem público, de primeira qualidade. A minha solidariedade e a minha confiança em V. Exª.

O Sr. Jarbas Vasconcelos (Bloco/PMDB – PE) – Meu caro Senador Demóstenes, levantei o microfone de aparte, porque, embora houvesse um entendimento para não se apartear V. Exª, e já que foi feito um aparte, eu não poderia deixar de falar. V. Exª foi uma das boas surpresas que encontrei no Senado desde que aqui cheguei – e já vou exercendo o meu mandato há seis anos –, pela sua correção, pela sua coragem cívica, pela sua determinação e pela sua grandeza. V. Exª é uma pessoa de imensa grandeza. Talvez por isso mesmo tenha merecido destaque por parte da imprensa, que, notando seu nome em um inquérido vazado pela Polícia Federal, deu destaque a uma denúncia que não lhe envolve, diz respeito apenas à pessoa a que V. Exª já se referiu na tribuna. Primeiro, Senador, V. Exª foge hoje ao comum, ao tradicional. A classe política hoje, quando é acusada – um Senador, um Deputado Federal ou Estadual, um Vereador, um Prefeito ou um Governador de Estado –, a primeira coisa que faz é dizer que está sendo perseguida pela imprensa. Hoje, dificilmente, uma pessoa faz isto que V. Exª fez: ir à tribuna para esclarecer o assunto. Vossa Excelência informa a esta Casa que tem amizade pessoal com o investigado, não nega – é um gesto de grandeza de V. Exª –, mas isso não significa que tenha qualquer envolvimento ilícito com o acusado, o Sr. Carlos Cachoeira. De forma que V. Exª hoje esclarece – V. Exª não se defende; V. Exª esclarece – não só a seus companheiros, a seus amigos e amigas do Senado da República, como também ao seu Estado e à opinião pública, o que era completamente desnecessário para quem o conhece e sabe da sua correção, da sua altivez. V. Exª não poderia cumprir o papel que cumpre aqui dentro do Senado e fora dele, se tivesse “rabo de palha”. V. Exª faz tudo que faz, porque sua vida é um livro aberto, como V. Exª reafirmou da tribuna. De forma que eram desnecessários os apartes, como este meu, porque eu o conheço e sei que V. Exª representa uma exceção nesse quadro de profunda mediocridade em que vive o Brasil dos dias de hoje. Por isso foi importante ter ido à tribuna. V. Exª pode contar – desnecessário dizer – não só com a minha amizade, mas também, e sobretudo, com a minha admiração e com meu profundo respeito pela sua atuação.

O Sr. Pedro Simon (Bloco/PMDB – RS) – Olha, vejo em V. Exª, ao longo de todo o primeiro mandato e deste, uma das pessoas mais competentes, que têm mais conhecimento em termos jurídicos – embora V. Exª tenha um colega, que é o Pedro Taques – e que atuou com a mais extraordinária bravura ao longo de toda a sua vida pública. Em todos os momentos, quer nas questões internas do Senado, quer nas questões mais graves, mais difíceis e mais escandalosas que apareceram nesta Casa, V. Exª sempre esteve firme, com argumentos, com conteúdos e com absoluta firmeza. Sinceramente, não me passa pela cabeça a imagem que querem fazer de V. Exª, que é totalmente contrária a toda a sua vida pública, que eu conheço e que aprendi a respeitar. Tenho a convicção de que V. Exª faz muito bem quando exige, pois não está sendo analisado, nem processado e nem coisa nenhuma. De repente seu nome veio à tona. V. Exª agora exige que as coisas sejam apuradas. É importante neste País que as coisas sejam apuradas e que não coloque um nome como foi colocado e não acontecer mais nada. Nós, Senadores, temos obrigação, apresentados fatos, que um colega nosso tenha o direito de ser julgado. É o que V. Exª pede e é o que esperamos que, um dia, exista neste País. Para um homem como V. Exª, com a sua biografia, não será um saco de pena lançado ao léu que haverá de tingir a sua dignidade.

O Sr. Antonio Carlos Valadares (Bloco/PSB – SE) – Senador Demóstenes Torres, na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, atuando há vários anos, tenho acompanhado com muito interesse o trabalho desenvolvido por V. Exª seja como jurista, nas horas em que precisamos do seu aconselhamento, seja como Parlamentar atuante, eficiente, dedicado em todas as reuniões ali comparecendo para dar o seu recado de Senador da República e aqui também no plenário, um Senador aguerrido, um Senador que faz oposição, que não baixa a cabeça diante dos obstáculos para o exercício de missão tão relevante, que é o de fazer oposição com responsabilidade. Portanto, a minha palavra é de confiança de que a sua atuação aqui no Senado e fora do Senado é uma atuação que não compromete a sua honra, a sua dignidade e o seu passado. Parabéns pelo pronunciamento que aqui fez, sem, em nenhum momento, como aqui disse o Senador Jarbas Vasconcelos, atacar a mídia em relação à matéria que foi divulgada.

O Sr. Eduardo Braga (Bloco/PMDB – AM) – Senador Demóstenes Torres, como os demais Senadores que o apartearam anteriormente, inicialmente gostaria de prestar a minha solidariedade ao Senador, ao homem público. Mas, para não ser repetitivo e fazer das palavras dos companheiros Senadores as minhas palavras, gostaria de dizer sobre outro aspecto desse enfoque. Todos nós, homens públicos, antes de sermos homens públicos somos seres humanos. E como seres humanos todos nós temos de ter um princípio básico: respeitar para ser respeitado. Eu gostaria de poder dar um testemunho e uma demonstração de que, em que pesem posições antagônicas, muitas vezes, neste plenário, V. Exª é daqueles que, quando erra, sabe reconhecer o erro e, com o espírito humano, chega até a pedir desculpas. Agora, quando fazem uma acusação a esse ponto, V. Exª vem à tribuna e diz: “Não, não apenas quero refutar as acusações, como me coloco para ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal”. Só assim agem aqueles que têm valores humanos elevados, valores éticos elevados e um comportamento e uma conduta, na função pública, elevados. Portanto, quero cumprimentar V. Exª e congratulá-lo pela postura na tribuna do Senado no dia de hoje.

O Sr. Waldemir Moka (Bloco/PMDB – MS) – Senador Demóstenes Torres, quero dizer a V. Exª que eu não esperava outro comportamento que não fosse esse. Conheço a sua trajetória, a sua luta e a sua postura. Tenho certeza de que, nesta Casa, neste momento – e já é visível aqui no Senado –, V. Exª tem o respeito e, mais do que isso, goza de uma grande credibilidade entre seus Pares. V. Exª, com muita firmeza, traz o tema para o debate. Tenho certeza absoluta de que sairá desse episódio exatamente da mesma forma que fez em sua vida inteira. O importante é que V. Exª tem uma história de vida e uma luta inteira que, tenho certeza, não haverá de ser marcada por um episódio que certamente será esclarecido. A minha solidariedade a V. Exª.

O Sr. Vital do Rêgo (Bloco/PMDB – PB) – Senador Demóstenes, cheguei a esta Casa nutrindo muito respeito por V. Exª, uma admiração a distância. A convivência com V. Exª neste plenário, na Comissão de Justiça, vendo a sua grandeza, a sua coragem cívica, o seu espírito republicano, fez-me aumentar esse conceito, esse respeito e essa admiração. Hoje, V. Exª se consolida para mim, quando, com a mesma coragem que tem no embate, no combate em favor das ideias que professa e que defende, V. Exª assume esta tribuna. Com o espírito que foi demonstrado agora há pouco por todos esses companheiros e colegas Senadores que usaram do microfone para aparteá-lo, de forma espontânea – estávamos combinado, inclusive, todos, como bem disse o Senador Jarbas, de não apartear V. Exª, mas abriu-se este momento –, eu me perfilo como mais um para dizer que os meus conceitos se consolidaram a respeito da sua grandeza, da sua coragem. Assumir as suas relações pessoais sem as desmerecer quando, muitas vezes, provocado para tanto e, ao final de um pronunciamento detalhado e cioso de suas responsabilidades, colocar a sua vida e este episódio para quaisquer investigações que porventura devam aparecer, é, sem dúvida alguma, um momento que engrandece V. Exª neste plenário.

O Sr. Cristovam Buarque (Bloco/PDT – DF) – Senador Demóstenes, feliz aquele que, quando é criticado, acusado, pode subir à tribuna e dizer que não tem nada a esconder, que não precisa usar subterfúgios, que não precisa dizer nem que o que está sendo dito é ou não verdade. Simplesmente diz: “Não tenho nada a esconder, investigue-me. E tudo isso é um fato do qual eu não preciso me envergonhar”. Feliz aquele que pode fazer como o senhor neste momento, em que usa a defesa sem subterfúgio nenhum; simplesmente dizendo: “Aconteceu isso e isso, e eu tenho a consciência limpa”. Além disso, alguns não podem fazer pelo passado que têm, pelas marcas que têm. O senhor pode fazer isso pela imagem que tem nesta Casa, e mesmo aqueles que discordam, mesmo aqueles que divergem sabem que o senhor é o homem não apenas do DEM, mas do bem.

O Sr. Alfredo Nascimento (PR – AM) – Senador Demóstenes, eu ouvi atentamente o que disse V. Exª. E serei rápido e breve, porque nós estamos diante de um companheiro, de um colega do Senado, de um homem que tem passado e presente de retidão, de comportamento ilibado, e que, com todas as forças, tem defendido os interesses do Brasil e do Estado que representa. Tenho certeza de que V. Exª sairá fortalecido desse episódio e, mais uma vez, vai ser mostrado para o Brasil quem é o Senador Demóstenes. Parabéns pelos esclarecimentos e pela decisão de vir a esta Casa e, em primeiro plano, colocar a sua posição e dizer: “Eu quero ser ouvido, eu quero ser investigado”. Como disse o Senador Cristovam, pouca gente pode fazer isso, dizer que quer ser investigado, que quer que avaliem o seu comportamento. V. Exª tem passado, tem presente e, certamente, um futuro muito brilhante no nosso País.

O Sr. Romero Jucá (Bloco/PMDB – RR) – Caro Senador Demóstenes, quero também, como todas as vozes que estão se somando aqui, louvar o gesto de V. Exª e dizer, como foi dito aqui também, que não era necessário esclarecimento. Todos nós sabemos da sua seriedade, do seu compromisso, da sua honestidade. Mas, sem dúvida nenhuma, essa palavra é uma palavra para toda a sociedade brasileira, tranquiliza a Casa, tranquiliza a sociedade brasileira, e faz justiça a V. Exª. Senador Demóstenes, V. Exª deu as explicações necessárias, e todos nós estamos tranquilos, satisfeitos. Quero parabenizá-lo pela coragem e pela determinação.

 O Sr. Lobão Filho (Bloco/PMDB – MA) – Senador Demóstenes, permita-me; eu gostaria de destacar a nota do jornalista Cláudio Humberto, que vou ler nesta ocasião, e eu a leio na íntegra:
Conversas de senador não têm indício de crime.
A Procuradoria Geral da República não recebeu representação, ofício ou denúncia contra o Senador Demóstenes Torres (DEM-GO), cujas conversas com Carlos Cachoeira foram gravadas pela Polícia Federal durante o ano de 2011. Isso quer dizer que não foi encontrado, em quase trezentos telefonemas, qualquer indício de ato ilícito, do contrário, a investigação teria sido transferida para o Supremo Tribunal Federal.
Senador Demóstenes, eu quero registrar, nesta oportunidade, que, como se vê, não é toda a imprensa que o ataca. Quero demonstrar, nesta oportunidade, minha absoluta, inamovível confiança na figura do Senador Demóstenes, na sua probidade, na sua moral inatacável. Diferente do que foi dito aqui anteriormente, eu não me considero um Senador medíocre. Não acredito que alguém nesta Casa seja medíocre, até porque eu acredito que o Brasil de hoje, que este momento espetacular que vive é consequência dos políticos que estão vivendo agora, do seu Executivo e do Legislativo. Mas, entre todos nós, V. Exª é uma figura que realmente merece ser destacada. Registro, mais uma vez, minha absoluta confiança em V. Exª e minha admiração irrestrita pelo seu papel como Senador, como cidadão e como defensor do seu Estado.

O Sr. Cyro Miranda (Bloco/PSDB – GO) – Senador Demóstenes Torres, eu tinha certeza de que o senhor não ia surpreender. Essa é a sua natureza. Mas eu tenho que lhe dizer que conheço mais ainda da sua vida, antes de o senhor adentrar este Parlamento. Conheço a sua probidade como promotor, como Secretário da Justiça, quando ficou conhecido como “o grande justiceiro”, sempre aliado à lei. Melhor do que ser seu colega é ser seu amigo. Obrigado.


A Srª Lúcia Vânia (Bloco/PSDB – GO) – Senador Demóstenes, cumprimento-o pelo discurso sucinto e objetivo. Todos nós, de Goiás, esperávamos de V. Exª uma conduta como essa. V. Exª assume a tribuna, faz as explicações com seriedade e responsabilidade. V. Exª sabe da admiração que o povo brasileiro, especialmente o goiano, tem por sua trajetória. Receba os meus cumprimentos e a minha solidariedade.

O Sr. Alvaro Dias (Bloco/PSDB – PR) – Senador Demóstenes, V. Exª pode prescindir de defensores. Não precisa defender-se. Sua defesa está na sua trajetória, na sua história, na sua postura republicana de todos os momentos. Queremos manifestar, em nome do PSDB, nossa confiança absoluta em V. Exª, nossa crença no seu comportamento e dizer, sobretudo, da importância de V. Exª para o País na Oposição. Somos limitados numericamente na Oposição e sua presença tem oferecido grandeza à tarefa de se opor. Infeliz do país que não tem uma Oposição responsável e competente. V. Exª, nesse episódio, se engrandece, porque enfrenta, e pode enfrentar, tudo de cabeça erguida. Meus cumprimentos a V. Exª por ter comparecido à tribuna numa manifestação de respeito à Casa, aos seus colegas e, sobretudo, ao País. Essa manifestação é de respeito, de respeito ao povo brasileiro. Parabéns por isso!

O Sr. Jayme Campos (Bloco/DEM – MT) – Meu caro Senador líder do meu partido Demóstenes Torres, quero, não só em meu nome pessoal, como Senador desta Casa e seu colega, mas, sobretudo, em nome do meu partido, o Democratas, manifestar aqui a minha solidariedade, a minha admiração, o respeito que todos nós, democratas do Brasil, temos por V. Exª. A sua história, Demóstenes, a sua vida profissional e política falam por si só. V. Exª é um homem público sem mancha; V. Exª, indiscutivelmente, é exemplo de Parlamentar, é exemplo de homem público. Imagino que milhares de brasileiros espelham-se na pessoa de V. Exª. Nesse caso, não tenho dúvida alguma de que nem teria que haver grandes explicações, diante desse fato que, lamentavelmente, quer envolver o nome de uma pessoa de uma retidão de caráter invejável, não só para o povo goiano, mas para o povo brasileiro – e posso falar por ele. Particularmente, quero aqui, desta feita, dizer que V. Exª conta com a nossa admiração, como meu líder e, certamente, da maioria absoluta dos democratas no Brasil e, sobretudo, do povo goiano que lhe deu essa procuração para representá-los aqui no Senado Federal. V. Exª tem todo o nosso apoio. E essa conversa é aquela velha história de “chover no molhado”. Ninguém acredita nela; todo mundo sabe que V. Exª é um homem de retidão, de caráter invejável, não só como promotor, mas, certamente, como Senador da República, que é exemplo para todos nós. Parabéns a V. Exª!

O Sr. Blairo Maggi (PR – MT) – Senador Demóstenes, no dia de ontem, V. Exª me ligou, como deve ter ligado para vários outros colegas Senadores, fazendo algumas explicações do que havia saído na imprensa. Gostaria de dizer a V. Exª que, infelizmente, no nosso País, nós somos condenados pela notícia e não pelos procedimentos que vêm pela frente. Mas poucas pessoas têm o que V. Exª tem, a coragem de vir à tribuna e dizer: “Eu quero, eu desejo ser investigado por aquilo que foi colocado nas matérias que vazaram”. Eu não sei de que forma chegaram à imprensa. E não resta alternativa a todos nós, homens públicos – a mim também já aconteceu o mesmo –, a não ser chegar em determinado momento e dizer: “Estão aqui os meus sigilos fiscais, telefônicos, bancários, tudo o que quiserem, mas eu quero ser investigado. Eu desejo ser investigado”. Talvez seja o único caminho que temos de sair da condenação quando vem pela notícia. Então, quero cumprimentar V. Exª. Disse-lhe, ontem, por telefone, quando conversamos, que não se abata com isso, porque todos nós, homens públicos, estamos sujeitos a esse tipo de situação. Portanto, é um período de turbulência, mas nenhum período de turbulência permanece para sempre. Ele passará e o senhor sairá vitorioso. Muito obrigado.

O Sr. Pedro Taques (Bloco/PDT – MT) – Senador Demóstenes, eu o conheço desde 1996, nas barrancas do rio Araguaia, do rio Tocantins. Nós defendendo a parte lindeira dos nossos Estados. Nós dois fomos forjados na luta contra a criminalidade. O Senador Pedro Simon sempre diz que um Senador que foi do Ministério Público tem um olhar diferente; parece que não tem dó no coração. Mas nós fomos forjados nessa lida. Eu tenho absoluta certeza de que V. Exª está tranquilo no tocante a isso. Conversei com V. Exª ontem à noite. Nós aprendemos a julgar fatos, aprendemos a trabalhar com fatos, e há a tranquilidade de V. Exª ao dar esclarecimentos nesta tribuna, sem atacar quem quer que seja, porque aquele que não tem argumento ataca o argumentador. V. Exª inclusive falou dessa possibilidade de investigação. Eu quero cumprimentar V. Exª pela coragem de subir à tribuna. V. Exª não está sendo acusado, até porque a Constituição da República afirma que um Senador da República só pode ser investigado e acusado perante o foro competente, que é o Supremo Tribunal Federal, de acordo com o art.102 da Constituição. Cumprimento V. Exª pela coragem de subir à tribuna e não de se defender, porque V. Exª não está sendo acusado.

O Sr. Inácio Arruda (Bloco/PCdoB – CE) – Senador Demóstenes, tive oportunidade também de conversar com V. Exª e já de dar a minha opinião, e uma opinião que nós temos discutido sistematicamente no nosso partido a respeito deste tipo de atitude: vazamento de informação, tentativa de chantagear, de fazer linchamento moral. Nós tivemos, há pouco tempo, um jovem, um garoto que faz política como o Ministro Orlando Silva, que foi objeto de um linchamento que envolveu o meu próprio partido. E nós tivemos também que fazer a mesma coisa: acionar judicialmente, querer que a investigação vá às últimas conseqüências, porque só assim você tem a oportunidade, ainda que a manchete não seja a mesma, porque não será a mesma, pelo menos no que nós temos como conhecimento na trajetória da nossa vida política, nos 90 anos do nosso partido. É sempre a manchete para querer incriminar, para querer manchar, macular a imagem daqueles que trabalham como V. Exª aqui, no Congresso Nacional. Nós atuamos em lados distintos, opostos. V. Exª com uma opinião, defendendo uma posição; nós defendendo outra. Mas eu quero associar-me àqueles que falaram aqui da trajetória de V. Exª. Quando considera que cometeu qualquer ato que possa ter sido equivocado ou longe, distante daquilo que defende, prontamente V. Exª... Eu me lembro de um embate recente entre V. Exª e o Senador Valadares, que é testemunha da atuação de V. Exª já por um tempo muito maior do que o meu, em que V. Exª disse: “Não, Valadares, vamos ouvir a sua opinião, porque eu acho que você tem uma alternativa melhor e a gente pode sair corretamente desse procedimento”. A atitude de V. Exª é correta, é importante, mas é importante que a gente compreenda bem o significado desses episódios na nossa vida política. Quase todos nós somos alvo desse tipo de meia chantagem, que é como vejo isso às vezes, para a gente entender do ponto de vista político, para a gente não perceber isso apenas do ponto de vista também moral. Não é apenas uma questão moral. Tem um fundo de natureza sempre política: “quem sabe a gente não mancha a imagem desse e tira-o do combate, da posição e da opinião que ele defende?”. Eu vejo um pouco nesse sentido e, por isso, falei para V. Exª que tinha a minha solidariedade e posso dizer que também tem a solidariedade do meu partido, o Partido Comunista do Brasil.

O Sr. Vicentinho Alves (PR – TO) – Senador Demóstenes, amigo querido, não pude estar presente no pronunciamento de V. Exª, mas cheguei a tempo para poder ainda aparteá-lo. Senador Demóstenes, Goiás e Tocantins somos Estados irmãos. Conheço V. Exª ainda quando éramos Goiás, quando éramos todos goianos. Quando V. Exª ia, ainda muito jovem, à nossa cidade de Porto Nacional, ali nas praias do mês de julho, quando V. Exª tornou-se promotor, trabalhou na cidade de Arraias. Portanto, conheço-o há muito tempo, antes de V. Exª, inclusive, entrar na vida pública. V. Exª sempre teve uma conduta ilibada, uma retidão no comportamento. Portanto, confio em V. Exª. Vim aqui para registrar isso. Quero dizer também, Senador Demóstenes, que gratidão e lealdade devem ser a marca de um homem público. E, para que eu chegasse ao Senado Federal, V. Exª, com a credibilidade pública que construiu ao longo da vida púbica, gravou um programa eleitoral para mim, no Tocantins. Vim aqui dizer que lhe sou grato e um amigo leal. Portanto, confio em V. Exª. Essa sua conduta de abrir ao Ministério Público, ao Supremo, não tenho nenhuma dúvida e tenho segurança de que não vão encontrar nenhum deslize da parte de V. Exª. Por isso, vim aqui de forma muito espontânea para dizer, aos colegas e ao Brasil que nos assistem, que nós, tocantinenses, temos por V. Exª o respeito e a admiração que os goianos têm. Está aqui Ronaldo Caiado, outro brilhante líder de Goiás e amigo nosso do Tocantins, também trazendo a sua solidariedade. Os goianos, da mesma forma. Estou vendo ali o Deputado Sandes Júnior, outro amigo, Deputado Federal por Goiás – nascido na nossa cidade de Porto Nacional –, que veio também trazer a sua solidariedade. Portanto, é uma oportunidade que tenho, finalizando a minha fala, Senador Demóstenes, para registrar que, mais uma vez, por parte deste seu admirador e amigo, V. Exª tenha sempre em mim um amigo e um companheiro leal, que lhe é grato e confia em V. Exª. Muito obrigado.

O Sr. Aécio Neves (Bloco/PSDB – MG) – Ilustre Senador Demóstenes, para nós que o conhecemos e o conhecemos em profundidade talvez soasse desnecessária sua presença hoje na tribuna do Senado Federal para tratar dessa questão. Compreendo a iniciativa de V. Exª de falar ao Brasil, de prestar os devidos esclarecimentos aos brasileiros, em primeiro lugar, porque V. Exª é uma figura nacional; aos goianos que, por duas vezes, o trouxeram a esta Casa; e, por último, a seus pares. A serenidade, Senador Demóstenes que V. Exª demonstra, acompanhada da clareza de seu pronunciamento e da firmeza com que se coloca perante seus Pares só confirmam o caráter de V. Exª e isso torna-se ainda mais relevante porque vem emoldurado pela unanimidade das manifestações dos seus Pares de todas as vertentes políticas. V. Exª é um homem digno, sempre agiu dessa forma em todos os cargos públicos que ocupou. E digo mais, V. Exª, Senador Demóstenes, é dos mais preparados e destemidos homens públicos deste País e, por isso mesmo, dos mais respeitados. Esteja seguro, V. Exª, a sua família, aqueles que como eu tanto o admiram, de que será desta forma que V. Exª continuará a ser visto pelos brasileiros, pelos goianos e pelos seus Pares: com respeito e enorme admiração.

O Sr. Roberto Requião (Bloco/PMDB – PR) – Senador Demóstenes, este Plenário é plural e V. Exª teve a manifestação de apoio de representantes dos mais diversos partidos, de ideologias diferenciadas. Eu diria que as insinuações de que V. Exª foi vítima funcionam como que um círculo, que alguém estivesse num jogo de quebra-cabeça, tentando colocar num receptáculo quadrado, não se compatibilizam com a sua história de vida e com as suas atitudes. Neste Plenário múltiplo, que funciona como uma espécie de júri, todas as insinuações foram rejeitadas. Portanto, recomendo-lhe tranquilidade. A sua história o deixa, neste momento, absolutamente imune às acusações, ou melhor, às ridículas insinuações que lhe foram feitas.

O Sr. Mário Couto (Bloco/PSDB – PA) – Quero pedir licença ao nobre Presidente para apartear o nobre Senador Demóstenes Torres de pé. Faço isso, Senador Demóstenes, primeiro para mostrar o respeito que tenho por V. Exª. Nos cinco anos que milito nesta Casa, foi o primeiro Senador a ir à tribuna não para se defender, mas para comentar o episódio, e que teve todas as fileiras de microfone levantadas. Olhei com bastante atenção, Srªs e Srs. Senadores, Pedro Simon. Todos tiveram a preocupação de falar a esse grande Senador. “Eita Demóstenes bom. Esse cabra é bom!” Ouvir o que V. Exª ouviu de cada um dos Senadores... Tenho certeza que a família de V. Exª está ouvindo ou pela televisão ou em algum lugar aqui nesta Casa e deve, neste momento – seus filhos e sua esposa – estar honrados com o caráter de V. Exª. V. Exª pode aí desta tribuna bater no peito e mandar verificar a sua vida pública, sem nenhum constrangimento e sem nenhum receio. Quem dera, Senador Demóstenes Torres, todos os políticos fossem iguais a V. Exª! Quem dera, Senador Demóstenes Torres, todos os políticos pudessem ter, cada um, o carinho que V. Exª recebeu deste Senado! Nunca tinha visto igual. V. Exª, no dia de hoje, teve uma demonstração do quanto cada um, Senador e Senadora, respeita e confia no seu trabalho, na sua formação, no seu caráter. V. Exª merece deste Senador que essas duas mãos se unam e batam palmas para V. Exª, porque V. Exª é um grande Senador desta República e ajuda muito este País. Parabéns!

O Sr. Eunício Oliveira (Bloco/PMDB – CE) – Senador Demóstenes Torres, acompanho a trajetória política de V. Exª há vários anos por ter negócios e uma propriedade no Estado de Goiás. Portanto, há vários anos, acompanho a trajetória de V. Exª como seu admirador. Como Presidente da Comissão de Constituição e Justiça, convivendo com V. Exª pessoalmente e quase diariamente, venho aqui à tribuna para dizer a V. Exª que esse convívio me permite dar o meu voto de solidariedade e de confiança a V. Exª no dia de hoje.

O Sr. Rodrigo Rollemberg (Bloco/PSB – DF) – Prezado Senador Demóstenes, como Senador do Distrito Federal, vizinho do seu Estado, tenho oportunidade de acompanhar o trabalho de V. Exª há muitos anos. Admiro V. Exª pela luta que desempenha. V. Exª é uma referência inclusive no respeito à lei. Muitas vezes discordamos nesta Casa, mas sempre tive por V. Exª uma grande admiração. Quero elogiar o fato de V. Exª vir à tribuna desta Casa prestar os esclarecimentos necessários. V. Exª o faz porque tem a consciência tranquila. Saiba que V. Exª tem a nossa confiança. Muito obrigado.

O Sr. Cássio Cunha Lima (Bloco/PSDB – PB) – Sr. Presidente, Senador Demóstenes Torres, acredito que todos os oradores que me antecederam já foram pródigos na manifestação de confiança a V. Exª por toda uma trajetória de vida ilibada, honrada, digna, transparente, corajosa. Merece destaque a sua coragem pessoal para defender os seus pontos de vista e cumprir aqui o papel de oposição num País onde o debate está cada vez mais empobrecido sob vários aspectos. Mas o episódio que estamos assistindo hoje acredito que exige de todos nós uma reflexão. O volume das manifestações apresentadas até aqui, em solidariedade a V. Exª, em confiança a sua trajetória, já dita por mim, ilibada e honrada, esconde um debate que o Brasil precisa fazer no que diz respeito, em alguns momentos, à tentativa de criminalização de algumas atividades, que são realizadas com suas virtudes e os seus defeitos, e a política é uma delas. Parece-me um tanto quanto paradoxal que um homem da sua envergadura moral precise receber solidariedade da Casa que o conhece e do País que o respeita. Mas que seja feito assim, e sem que haja aqui qualquer iniciativa, como não houve por nenhum dos que se manifestaram anteriormente, de diminuir a importância do papel da imprensa no acompanhamento, na fiscalização, na investigação da vida de nós outros homens públicos. Mas que, também, não possamos achincalhar de forma vulgar trajetórias como a de V. Exª. Portanto, a minha palavra aqui é para não apenas trazer esta manifestação de apreço, de carinho, de admiração, de reconhecimento ao trabalho que V. Exª realiza, mas também manifestação a preocupação no que diz respeito a essa conjuntura que o Brasil vive; e nós congressistas somos responsáveis diretos pela retroalimentação de um País que, muitas vezes, desvia o sentido central do debate para criminalizar determinadas atividades, dentre as quais uma das mais nobres do ser humano, que é a própria política. Por essa razão, para concluir este meu aparte, é que estarei, já na próxima semana, submetido à apreciação dos meus Pares, um projeto de emenda à Constituição para por fim à imunidade de fórum ou fórum privilegiado, que foi abrigado no nosso regime constitucional mais recentemente, em 1969. A história constitucional brasileira, a nossa história republicana não protegia e aí nós temos de ser precisos no que diz respeito ao art. 5º, da própria Carta Magna, para que nós possamos ter esse debate feito no Senado da República e, posteriormente, na Câmara dos Deputados em consonância à coerência de que todos somos iguais perante a lei. Para que não paire dúvidas sobre honras, para que não paire nenhum tipo de espaço a que ocorra o que está acontecendo com V. Exª, que tem uma trajetória inteira e vive o paradoxo de ter que receber a solidariedade dos seus pares, conhecendo o seu comportamento. Portanto, Senador receba não apenas o meu abraço, não apenas a minha solidariedade, mas o reconhecimento de que o senhor é um dos melhores exemplos de que é possível, sim, se fazer política com honra e com dignidade no nosso País.

O Sr. João Ribeiro (PR – TO) – Senador Demóstenes Torres, eu a exemplo dos demais Senadores... eu, um pouco mais porque sou goiano da cidade de Campo Alegre de Goiás, ali próximo de Catalão, e conheço V. Exª pessoalmente de muitos e muitos anos, fui Deputado Estadual em Goiás, quando nós tocantinenses éramos goianos, depois dividimos, criamos um Estado, mas não deixamos de ser amigos. Tenho falado muito com V. Exª, tenho conversado muito, até para pedir orientação jurídica, V. Exª é um dos juristas mais respeitados, não só desta Casa, mas do Brasil e conheço o Senador Demóstenes Torres. O Senador Ataídes, que é o meu primeiro suplente, que é seu amigo também, me ligou agora a pouco perguntando em que hora eu ia apartear o Senador Demóstenes e para dizer que ele também estaria aqui em espírito, porque o Senador Demóstenes é um dos homens mais corretos que eu conheço. Eu também comungo com ele, penso da mesma forma, Senador Demóstenes. V. Exª é um dos homens públicos mais corretos que eu conheço. Portanto, tenho a mais absoluta convicção de que V. Exª, como disse o Senador Cássio, não precisaria de nenhuma solidariedade neste caso, porque V. Exª não deve, não há acusação contra V. Exª. Apenas fala-se de gravações que fizeram – o que é um absurdo – para ouvir algumas pessoas, e pegam o Senador na conversa, que não tem nada a ver, e a imprensa divulga e publica para deixar alguma coisa no ar, como se alguma coisa tivesse acontecido com V. Exª. Então, tenho a mais absoluta convicção de que o Senador Demóstenes, que pediu aqui para ser investigado, não deve e não tem com o que se preocupar. Sei que sua esposa Flávia, seus filhos, como disse o Senador Mário Couto, sua família está feliz por saber do prestígio que V. Exª tem, não só em Brasília, mas, sobretudo com os seus 80 colegas Senadores desta Casa, que, apesar das divergências políticas em algumas matérias, não há situação ou oposição, pois todo mundo aqui está de acordo com V. Exª. Portanto, meu abraço, não digo de solidariedade, pois sabe que tem de minha esposa Cínthia e de mim, em qualquer assunto, a admiração e o respeito de todos que o conhecem lá em casa. Sucesso, Senador Demóstenes! Tenho certeza de que V. Exª vai conseguir trazer a limpo toda e qualquer dúvida que houver contra V. Exª. Tenho certeza de que não existe nada contra V. Exª. Então, minha compreensão e entendimento de que V. Exª é um homem limpo, um homem público dos mais corretos que eu conheço.

O Sr. Benedito de Lira (Bloco/PP – AL) – Nobre Senador Demóstenes Torres, eu estava presidindo a Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo, muito preocupado. Não preocupado com alguma coisa, mas porque desejava vir ao plenário enquanto V. Exª estivesse na tribuna do Senado. Quem conhece V. Exª não tem absolutamente nenhuma dúvida desse seu gesto grandioso de vir à tribuna do Senado para dar uma explicação para o Brasil e, particularmente, para seus Pares. Minha convivência com V. Exª é de pouco mais de um ano e três meses, mas eu já acompanhava sua história política, sua trajetória e suas manifestações quando Deputado Federal na Casa vizinha. O exercício da democracia é exatamente isso aí... O homem público tem de estar altamente preparado para todas e quaisquer demandas, e nós, homens públicos – eu conversava agora há pouco com o Senador Aloysio –, temos uma missão nobre: representar os Estados e o povo dos nossos Estados no Senado Federal com absoluta dignidade. A sua história de vida, a sua trajetória política, as suas ações, como parlamentar, muito bem dizem da sua responsabilidade, da sua competência. Por isso, nobre Senador Demóstenes, queira receber do seu Colega mais jovem, não jovem biologicamente, mas jovem de Parlamento, não a minha solidariedade, porque não tem por que manifestar solidariedade, mas dizer a V. Exª que o Brasil o conhece e, particularmente, Goiás o conhece. Por essas razões é que V. Exª está recebendo solidariedade de todos os seus Pares, pelo que representa na política nacional, pelo que faz e é aqui na Casa, no Congresso Nacional. Por isso, nobre Senador, cumprimento V. Exª. Quero dizer muito obrigado a Goiás por tê-lo mandado para cá.

O Sr. Casildo Maldaner (Bloco/PMDB – SC) – Senador Demóstenes Torres, não podia ficar calado neste instante sem dizer que por onde ando no meu Estado, Santa Catarina, as pessoas me perguntam como que eles podem conseguir que V. Exª vá lá fazer uma palestra, para que eles o ouçam, e não só na área em que V. Exª é especialista, não só na área do Direito, do Ministério Público, da OAB, em Santa Catarina, na magistratura, mas nos outros setores produtivos. Perguntam-me: que homem é esse? De onde vem, Maldaner, esse homem? Esse é o clamor, isso é o que a gente sente. Eu tinha de dizer isto a V. Exª, que Santa Catarina acompanha de pé a maneira, a coragem, a hombridade, o destemor, as linhas que tem adotado aqui no Senado e neste País. Eu tinha de trazer essas palavras a V. Exª. Fico muito grato.

O Sr. Randolfe Rodrigues (PSOL – AP) – Caríssimo Senador Demóstenes, V. Exª sabe muito bem que um dos princípios fundantes do Estado como nós o conhecemos, do pacto civilizatório que nos rege, é aquele da presunção da inocência. Todos são presumidamente inocentes até que se prove o contrário. Esse princípio em relação a nós, homens públicos, fica invertido. Para nós, homens públicos, para quem exerce o mandato público, para quem exerce, em especial, o mandato parlamentar no Senado, em qualquer câmara, em qualquer assembleia legislativa, tem que estar à disposição para ouvir as acusações que são assacadas contra nós e, até provar o contrário, a presunção aí é do culpado. Porque o tempo que rege nossa vida é o tempo da política, não é o tempo do mundo jurídico, do pacto civilizatório, dos direitos individuais que nos regem. Então, qual a atitude de um homem público numa situação em que pesam sobre ele acusações? Parece-me que a atitude de V. Exª de se dirigir à tribuna... De todo pronunciamento de V. Exª há um aspecto que eu quero destacar, a parte em que V. Exª disse: “Eu quero ser investigado; estou à disposição da investigação”. É assim que se devem comportar pessoas públicas. Porque aqui é lógico que estabelecemos relações. Em particular, tenho a honra de estabelecer relação pessoal com V. Exª, com o querido Senador Pedro Taques. É lógico que estabelecemos e é lógico que às vezes há uma dificuldade enorme em separar a relação do múnus público, do ofício para o qual fomos designados aqui no Senado da República. Por isso, mas separando e compreendendo que é necessário separar em virtude do múnus público e em virtude de entendermos que o múnus público está acima das relações pessoais aqui no nosso ofício. Porque, quando estamos aqui no nosso ofício, temos um dever não entre nós, porque aqui não é um clube de companheiros ou uma confraria, aqui é um espaço da representação da vontade do povo dos nossos Estados e é, por desígnio constitucional, a Casa do equilíbrio da Federação. Então, o que se esperar de alguns de nós aqui quando sobre nós pesam acusações? A atitude que V. Exª tomou: vir à tribuna e dizer... Tudo que V. Exª disse pode ser resumido numa expressão que ouvi de V. Exª: “Quero ser investigado; estou à disposição da investigação”. Parece-me que são essas atitudes que constituem uma República e homens republicanos.

O Sr. Mozarildo Cavalcanti (PTB – RR) – Senador Demóstenes, creio que quase tudo já foi dito, mas quero frisar alguns pontos que considero fundamentais. Geralmente um político, quando é acusado, a primeira coisa que faz é declarar que isso é armação dos seus inimigos políticos, ou que é uma conspiração da imprensa, ou que, por fim, está sendo caluniado. V. Exª, ao contrário, disse que quer ser investigado e, em nenhum momento, se disse vítima de algum tipo de conspiração. Não negou que conhece a pessoa que foi mencionada, o que demonstra – e isso todos nós conhecemos – o caráter e a postura ética e moral de V. Exª. Portanto, parabéns e a minha solidariedade.

O Sr. Flexa Ribeiro (Bloco/PSDB – PA) – Senador Demóstenes Torres, todos os Senadores e Senadoras que me antecederam já falaram, aqui, do respeito que têm por V. Exª. V. Exª tem, de todos nós, o reconhecimento da conduta ilibada. V. Exª subiu, hoje, à tribuna para dizer o que todos ouvimos: que quer ser investigado, abrindo a sua vida para que possa responder perante o Supremo, que é o órgão devido para isso. Com a investigação que vier a ser feita, V. Exª dará a comprovação de que nada teme. Eu disse a V. Exª que não precisaria ter nenhuma explicação por parte de V. Exª, porque o reconhecimento da sua conduta é de todos nós. O que nós vimos aqui, Senadores e Senadoras, não só companheiros seus de oposição, mas da situação, do bloco do Governo, de reconhecimento pelo seu trabalho e pela sua conduta, é suficiente para que a Nação brasileira o tenha como uma das reservas morais do nosso País. Parabéns a V. Exª, Senador Demóstenes Torres.


O Sr. Francisco Dornelles (Bloco/PP – RJ) – Senador Demóstenes Torres, eu queria reiterar a V. Exª o meu maior respeito e a minha maior admiração, e manifestar a minha confiança ampla, geral e irrestrita na conduta e nos procedimentos de V. Exª. Muito obrigado.

A Srª Ana Amélia (Bloco/PP – RS) – Caro Senador Demóstenes Torres, confesso que, no final de semana, ao ler o noticiário sobre a divulgação das gravações de escutas telefônicas das conversas de V. Exª, fiquei perplexa, exatamente porque na política a versão importa mais que os fatos. Em seguida, tive a convicção de que não esperaria de V. Exª outra atitude pessoal, pela formação e pela responsabilidade como Líder da Oposição, que hoje, ou o mais cedo possível, estaria prestando os esclarecimentos. E veio-me a curiosidade: a quem interessa calar a voz mais dura, mais contundente, às vezes até ferina, às denúncias das mazelas da corrupção em nosso País? A quem interessa? Ademais, saber por que foi quebrado um sigilo telefônico nessas circunstâncias de ilegalidade? Quem responde por isso? E como fica a segurança do direito individual ao sigilo telefônico e aos demais? E, num momento de perplexidade, eu fico mais tranquila agora com os esclarecimentos que V. Exª presta a este Plenário, aos seus Colegas que, aqui como eu, aprenderam a admirar essa firmeza e esse compromisso com a legalidade, com a responsabilidade e com o trabalho comprometido com a ética na política. Tenho a convicção de que, ao expor a disposição de se submeter a qualquer julgamento, V. Exª cumpre o dever e não deixa dúvidas a respeito das suas intenções. Eu, então, como Senadora que estou aqui convivendo e vendo a atuação de cada um, que o Líder da Oposição não vai se calar. Obrigada, Senador.

O Sr. Paulo Paim (Bloco/PT – RS) – Senador Demóstenes Torres, convivo com V. Exª há praticamente 10 anos. Nem sempre defendemos as mesmas posições. Mas eu aprendi a respeitar V. Exª pela transparência. Estatuto do idoso: relato e defendo. Aprovado. Estatuto da Igualdade Racial: temos divergências, mas vamos construir o acordo. Aprovado, e é lei. Estatuto da Pessoa com Deficiência: defendo, está na Câmara dos Deputados. Cotas: aí, Paim, não há acordo. Aí vamos divergir sempre. Mas é legitimo que você defenda, vai para a comissão e quem tiver voto ganha. É esta transparência, é esta honestidade intelectual que eu aprendi a respeitar. Por isso, eu não esperava outra posição de V. Exª na tribuna neste momento e, por isso, recebeu o apoio de todos os partidos na Casa por sua posição. Meus cumprimentos a V. Exª.

O Sr. Aloysio Nunes Ferreira (Bloco/PSDB – SP) – Ilustre Senador Demóstenes Torres, não é por acaso que a Casa hoje verifica esta interminável sucessão de apartes ao pronunciamento de V. Exª. É que todos nós aqui o conhecemos. Eu tenho o privilégio de conhecê-lo há muito tempo, já quando V. Exª era Secretário de Segurança do Estado de Goiás e eu era Ministro da Justiça. Depois, acompanhei a sua trajetória política e tenho agora o privilégio de ser seu colega no Senado, na Comissão de Justiça, de receber as suas lições, os seus conselhos, a sua amizade. Então, para quem o conhece, evidentemente, não carecia nenhuma explicação de V. Exª. Agora, há quem não o conheça. Por isso é que V. Exª hoje veio à tribuna, para dar uma explicação absolutamente cabal, para dissipar qualquer dúvida, qualquer controvérsia a respeito dos acontecimentos noticiados pela imprensa. V. Exª não precisa do meu aval, mas considere este meu aparte uma manifestação de solidariedade, de amizade, porque eu sei o quanto esse rumor lhe causou em matéria de sofrimento, ao senhor e a sua família. Quero então que V. Exª receba este aparte como uma manifestação de solidariedade, de amizade, nesta hora difícil que V. Exª enfrenta com tanta galhardia. Muito obrigado.

O Sr. Jorge Viana (Bloco/PT – AC) – Caro Senador Demóstenes, eu sou ainda recém-chegado nesta Casa. Já o conhecia por sua atuação como homem público, na gestão em Goiás, mas especialmente na sua luta, no seu trabalho no Ministério Público. Depois, eu o conheci também como Senador da República e agora tenho o privilégio da convivência, do aprendizado diário aqui, no dia a dia, no contato com V. Exª. Inclusive nós temos uma reunião sempre às terças-feiras, do PT, e eu devo dizer que fiquei feliz de ter participado de uma reunião e visto tanta maturidade do meu partido, dos meus colegas, quando apreciávamos algo que V. Exª, ontem, por telefone, não fez questão de esconder: “Olha, eu, amanhã, devo falar”. E eu, inclusive, no contato com V. Exª, falei: “Eu acho que é muito importante que possamos ouvi-lo, porque eu sei o quanto deve ser difícil para V. Exª passar por essa situação”, como bem disse o Senador Aloysio. Mas V. Exª hoje, aqui, foi muito tranquilo em suas colocações, como era de se esperar; separou as questões. Eu acho que uma questão central é que V. Exª também não acusou ninguém. V. Exª também não fez uma defesa sua, até porque não há acusação. V. Exª abriu a situação toda e explicou que há questões pessoais envolvidas. E, obviamente, há uma pessoa muito complicada no meio disso. Independentemente das relações pessoais e familiares que nós temos, é uma pessoa complicada, tanto é que está detida. Mas isso não pode ser elemento para julgamento precipitado ou coisa que o valha. E mais: V. Exª foi um pouco mais à frente. Se há dúvida, se essas escutas vieram somente de um lado, V. Exª já falou: “Eu estou interessado”. Foi no ano passado que ocorreu esse episódio, e, se houvesse algum diálogo comprometedor, certamente, V. Exª, nesta hora, se estivessem agindo dentro da lei, já deveria ter algum processo aberto junto ao Supremo. Eu queria dizer que, neste País, todos nós – eu, particularmente, que estou chegando a esta Casa – temos a missão de combater a corrupção. É central fazer com que o País ganhe uma fama diferente da que, durante um período, o País carregou. Temos de ter uma atuação baseada em princípios éticos. Eu devo dizer que V. Exª, onde atua... Dou o exemplo do próprio Código Florestal, quando tive sua colaboração importante e decidida, pois V. Exª não veio para facilitar para ninguém, V. Exª veio para dar mais poder para o Estado brasileiro, quando apresentou emendas, aumentando o poder dos órgãos de comando e de fiscalização. Vale ressaltar isso. O nosso Líder, certamente, daqui a pouco, vai falar, até porque o entendimento era esse. Eu iria apartear o meu Líder, mas, como todos os colegas estão se posicionando, achei pertinente trazer aqui um gesto meu de solidariedade a V. Exª. Aqui, não estou fazendo juízo precipitado, mas eu, particularmente, e muitos dos colegas que estão aqui já fomos vítimas, em algum momento, de situações que entendemos que nos atingiram, mas que foram injustas. Existe, no País, um ambiente que em nada ajuda o combate à corrupção, que em nada ajuda a fazermos uma limpeza dos malfeitos: o de tentar nivelar todos. Isso é muito ruim para o País. Em algumas situações, em muitos casos, um questionamento vira denúncia, a denúncia vira acusação, e a acusação vira sentença. Não tenho pendências, mesmo tendo sido Prefeito e Governador, mas meu caso é raro. Na última eleição que disputei, uma indústria de pessoas que deveriam guardar a lei agiu fora da lei; houve uma indústria de denúncia anônima. Com base em denúncia anônima, quebraram o sigilo de quase cinquenta pessoas no Acre, quebraram o sigilo de quem queriam. Quebravam o sigilo, encontravam alguma conversa e, depois, diziam: “Está justificado, porque há uma denúncia anônima”. Combinada com um mesmo juiz? Ou seja, foram atitudes reconhecidamente fora da Constituição, atitudes criminosas. E penso que, além de demonstrar confiança em V. Exª, passado esse período, temos de refletir, no Senado Federal, sobre como esses questionamentos, denúncias, julgamentos e condenações chegam rapidamente aos jornais, sem passar pelas mãos dos juízes, dos tribunais – tudo isso já vai diretamente para os jornais. Algumas figuras da República já são condenadas junto com o questionamento. Hoje, V. Exª tem a confiança desta Casa, porque a conquistou com seu trabalho, com sua postura, com suas atitudes. Espero que V. Exª atravesse esse período, como muitos de nós já tivemos de atravessar. Mas, certamente, V. Exª vai ajudar-nos a fazer com que este País fique um pouco melhor do ponto de vista do manuseio de processos inconclusos, de acusações sem provas e, especialmente, de ilações. Houve relações pessoais e familiares, e V. Exª fez questão de dizer isso. Há questões absolutamente pessoais, que não se podem confundir com a postura pública de V. Exª. Presto minha solidariedade. E devo dizer que para mim é um prazer enorme poder contar com um colega como V. Exª nas Comissões e no plenário desta Casa. Obrigado.

A Srª Marta Suplicy (Bloco/PT – SP) – Prezado Senador Demóstenes, V. Exª é o maior opositor nesta Casa e o mais brilhante, na minha opinião. E, às vezes, é o mais difícil de lidar também, quando estamos conduzindo os trabalhos aqui. Na Comissão de Justiça, compartilho com V. Exª a presença, muitas vezes, na cadeira ao lado, e V. Exª também é – eu diria – o mais atuante e, certamente, o mais prestigiado, pela competência, pela firmeza, pela clareza de posições. Discordamos ferozmente frequentemente, mas tenho por V. Exª grande respeito. Quero dizer que sua atitude de vir aqui e de se posicionar levou toda esta Casa, pela sua trajetória pública e também pela maneira como está lidando com essas insinuações, a ter uma postura uníssona de situação e de oposição, o que é muito raro. E, para V. Exª, no meio de uma situação tão pesada, deve ser muito agradável perceber o respeito que seus companheiros e companheiras desta Casa têm pela sua pessoa e a presunção de inocência, o gesto que todos lhe fizeram. Então, quero dizer que foi muito importante no dia de hoje o que observamos aqui. Ao mesmo tempo, ressalto a seriedade do que aconteceu. Não vou repetir o que disseram os que me antecederam. A seriedade de acusações desse tipo, vazamentos, insinuações fazem com que o cidadão, no caso um Senador brilhante de oposição, passe por uma situação absolutamente constrangedora. Assim, sinto-me feliz por esta Casa, hoje, ter se solidarizado nesse processo.

A Srª Kátia Abreu (PSD – TO) – Obrigada, Senador. Eu gostaria de fazer coro com os colegas que ouvi neste momento. Senador Demóstenes Torres, do Estado de Goiás, meu conterrâneo, tivemos uma convivência maravilhosa durante todo esse período, fomos do mesmo Partido, aprendi a conhecê-lo. Sei da sua competência e da sua determinação, do quanto é estudioso e aplicado nas matérias do Senado, para orgulhar o seu Estado e o seu Partido. Tenho a certeza absoluta, a convicção de que tudo isso não vai passar de um grande dissabor e de que V. Exª vai provar sua inocência, como já está fazendo neste momento: com muita dignidade, sobe à tribuna, pede o apoio dos colegas, fala sua versão, trabalhando com transparência, como sempre fez no Senado Federal. Quero dizer ao Senador Demóstenes, ao amigo Demóstenes que conte com minha solidariedade. Estamos juntos, torcendo sempre para que tudo seja esclarecido o mais rapidamente possível.

O Sr. Ricardo Ferraço (Bloco/PMDB – ES) – Estimado Senador Demóstenes Torres, vou lembrar o Padre Antônio Vieira, um dos maiores teóricos da Igreja Católica, quando, em seu testemunho, afirmava que as pessoas que falam com palavras falam ao vento e que as pessoas que falam com obras tocam o coração. A obra de V. Exª como Promotor e como Secretário de Estado de Segurança Pública, com o combate destemido ao crime organizado em Goiás, e a trajetória de V. Exª no Senado da República já me faziam ser seu admirador ainda a distância, quando, do meu Estado, eu admirava a forma destemida, com o coração aberto, com o peito aberto, com que V. Exª sempre exerceu suas convicções. Desse modo, este é o reconhecimento que seus colegas trazem hoje ao Senado: de força, de fé e de possibilidade de continuarmos, com muita energia, superando nossa dificuldade. V. Exª está colhendo no Senado aquilo que plantou não apenas ao longo de sua trajetória nesta Casa, mas também ao longo de sua vida pessoal e de sua vida profissional. Receba a minha solidariedade.

O Sr. Armando Monteiro (PTB – PE) – Meu caro Senador Demóstenes Torres, quero dar um testemunho do apreço que tenho por V. Exª, da admiração que tenho pelo seu conhecimento. A proximidade do convívio me permitiu ser testemunha de sua atuação, do zelo e da seriedade no desempenho de seu mandato. Tudo isso me faz constatar, Senador Demóstenes, conhecendo-o antes de assumir aqui o meu mandato, que V. Exª é uma daquelas figuras que tem mais ou menos o tamanho da legenda. Há homens públicos que são bem menores do que a legenda, e, quando nos aproximamos, verificamos que eles são menores. V. Exª tem o tamanho da legenda, da marca da sua trajetória. Receba, portanto, o testemunho do meu apreço e a manifestação da minha confiança.


O Sr. Antonio Russo (PR – MS) – Professor Demóstenes, eu queria agradecer-lhe os ensinamentos que nos oferece neste momento. Afinal de contas, há pouco tempo na Casa, V. Exª me falava dos bônus e dos ônus de ser político. Com muita altivez, V. Exª paga um preço bastante pesado. E, com altivez, dando um ensinamento, o senhor dá um exemplo do que é a classe política, do quanto ela paga, de qual o preço que ela paga, injustamente às vezes. O senhor nos ensina – acredito que o senhor ensinou muita gente –, e eu, como aluno do senhor, quero agradecer-lhe pelo aprendizado obtido por meio de suas palavras. Parabéns!

O Sr. José Agripino (Bloco/DEM – RN) – Senador Demóstenes, no plenário, há o registro de 72 presenças; dos 81 Senadores, 72 estão presentes, ou seja, 90% do Plenário estão presentes. Este Plenário costuma ser muito sábio. Quantos embates nós já tivemos aqui em torno de assuntos da maior importância, nos quais a matéria entrava de uma forma e saia de outra, sempre melhorada? É um Plenário composto por ex-Presidentes da República, por ex-Ministros, por ex-Governadores, figuras interessantes do País que têm a capacidade política de discernir. E este Plenário – V. Exª não sabe disso – não sabia o que V. Exª iria dizer em seu discurso escrito, mas os Líderes, num canto do plenário, haviam feito um entendimento no sentido de não apartear V. Exª, um entendimento prévio pluripartidário, independentemente de Governo e oposição. O entendimento era o de não apartear, porque não se conhecia o teor do pronunciamento de V. Exª. A cautela recomendava que as pessoas não fizessem qualquer tipo de aparte. Para surpresa do Plenário, quando V. Exª ia descer da tribuna, o Senador Suplicy pediu um aparte. O Senador Suplicy é uma figura queridíssima do Plenário, é um homem com defeitos e com virtudes, mas é um homem que tem um traço característico: não tem papas na língua e não livra a pele de ninguém. O Senador Suplicy fez a primeira manifestação, que o Plenário ouviu. Em seguida, falaram todos do Plenário, acho que se manifestaram todos os partidos políticos. E a conclusão a que eu chego, como Presidente do Partido de V. Exª, como seu amigo, é que o discurso de V. Exª e os apartes do Plenário reduziram a questão, ou a acusação de que V. Exª é alvo, à sua real dimensão. V. Exª é acusado de ter feito 198, creio, ligações telefônicas para uma pessoa sua amiga, reconhecidamente sua amiga, que lhe deu um presente de casamento valioso e que está presa. Qual é o seu crime? V. Exª desafia. Ao final, fala claramente que quer que o Supremo o investigue. O crime é o de ter feito as ligações, é o de ter recebido o presente? Eu me casei e recebi presentes. Onde é que está o crime? É porque V. Exª é o Senador Demóstenes Torres. Então, como há a figura emblemática de um homem que não convive com a ética, potencializa-se, magnifica-se o fato, e V. Exª é trazido à tribuna. Mas este Plenário, sábio como é, pela voz dos seus líderes, dos seus integrantes, reduziu o fato à sua real dimensão. O fato é que ocupou alguns espaços da imprensa. V. Exª não cometeu nenhuma afronta à ética! V. Exª não cometeu nenhuma afronta à ética! V. Exª não está denunciado à Procuradoria-Geral da República, porque não há fato que o justifique, nem ao Supremo Tribunal Federal, porque não há fato que o justifique. V. Exª deu telefonemas e aqui trouxe sua palavra de esclarecimento aos seus Pares, que reconheceram a lisura do seu comportamento e que lhe passaram atestado de reconhecimento de probidade e de que V. Exª não cometeu nenhum pecado mortal. Quero, portanto, manifestar, com esta minha opinião, o apreço que lhe tenho no plano pessoal e o respeito que lhe tenho no plano político. O nosso Partido continua a se orgulhar do Líder Demóstenes Torres.

O Sr. Ivo Cassol (Bloco/PP – RO) – Fico grato, Senador Demóstenes. Quero aqui ser solidário a V. Exª. Há uma frase que eu sempre dizia – e continuo dizendo – especialmente quando fui Governador de Rondônia: cada cidadão responde pelo seu CPF. Portanto, tenho certeza absoluta de que o senhor ocupou, nesta tarde, essa tribuna, para, mais uma vez, colocar-se à disposição da imprensa, da sociedade e desta Casa, para que se possa separar o joio do trigo. Portanto, não é uma ligação telefônica para um compadre, para uma comadre, para um amigo, para um primo ou para um parente... De repente, alguém de dentro da família, infelizmente, no meio da caminhada, pode seguir um caminho torto, e o restante da família não se pode sacrificar. Portanto, sou solidário ao senhor. Cada um responde pelo seu CPF. Não é uma ligação só de amizade que vai atrapalhar o trabalho que V. Exª faz nesta Casa e no Brasil.

Fontes:
Secretaria-Geral da Mesa - Secretaria de Taquigrafia
Secretaria de Informação e Documentação - Subsecretaria de Informações
Senado Federal

Discurso do senhor Demóstenes Torres e os primeiros apartes de apoio:

Segunda parte dos discursos de apoio:

Terceira parte das declarações de solidariedade a Demóstenes:
Leia Mais ►