6 de abr de 2012

Perillo contrata hackers para bloquear oposição nas redes sociais

Perillo é alvo de investigação da Polícia Federal
Na esteira dos escândalos que atingiram o governador de Goiás, Marconi Perillo, ativistas do movimento Fora Marconi Perillo denunciaram ao Correio do Brasil, nesta quinta-feira, a ação de hackers na página mantida por eles em uma rede social como forma de mobilizar a população goiana para a série de movimentos em curso no Estado em favor do impedimento do atual chefe do Executivo. A prática da interceptação de mensagens eletrônicas foi uma prática adotada por Carloso Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com o qual Perillo e o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) estariam envolvido para a prática de crimes, segundo investigações da Polícia Federal.
“O movimento continua firme e forte, mas hackers foram contratados para desarticular o evento na rede social. Estamos lutando para que o movimento continue e cresça, pois dessa o Estado não escapa. A população quer justiça e teremos a nossa vontade feita”, disse o ativista identificado apenas por Dann. “O governo (Perillo) domina todos recursos de divulgação local e estadual das sujeiras e vergonhas que vêm acontecendo, cada tentativa de fazer o movimento ser suprimido ou fragmentado é mais um motivo para nos unir e fortalecer. Tomou banho de Cachoeira agora segura o tsunami de eleitores indignados com as injustiças e a forma como tudo isso tem ocorrido. Queremos a nossa justiça e o Fora Marconi será apenas o começo”, acrescenta.
Outro ativista, com o codinome Caio, denuncia também a truculência do governo Perillo contra os manifestantes e a censura praticada, possivelmente, por agentes do governo goiano:
“Marconi tem se valido de práticas chinesas de censura à internet, ao tentar desarticular o grupo do Facebook. Vários foram expulsos por hackers do governo. O movimento está com 8 mil pessoas, mas era para ter mais de 9 mil. Tem havido bloqueio à participação”, garante.
Edson Freitas, codinome de outro ativista do movimento Fora Marconi, reafirma a ação de hackers contratados para dificultar o acesso da oposição ao governo Perillo às redes sociais:
“Como goiano e participante do movimento Fora Marconi, estamos sendo impedidos de postar livremente os evento no facebook, com certeza isso parte de membros do governo que estão entrando em nossas páginas e nos bloqueando. Divulguem isso a nível nacional, o governo vai querer impedir os cidadãos goianos de fazer este manifesto”, alerta.
Interceptação
Segundo relatórios da Polícia Federal, divulgados nesta quinta-feira, agentes da PF e do Ministério Público encontraram ligações entre Cachoeira e uma empresa formada por arapongas (espiões contratados a soldo particular), em um bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro. A firma, de propriedade do agente aposentado da Polícia Federal, Joaquim Gomes Thomé Neto, era encarregada de inteceptar mensagens eletrônicas de rivais e inimigos de Cachoeira e seus associados, entre eles o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO).
A empresa foi um dos alvos de busca e apreensão durante a Operação Monte Carlo, deflagrada pela PF entre fevereiro e o mês passado, na qual Cachoeira aparece como líder de um grupo que explorava o jogo ilegal e pagava propinas a agentes públicos, parlamentares e integrantes do alto escalão do governo de Perillo. Esta mesma operação permitiu que a PF flagrasse conversas de Cachoeira com o senador Demóstenes Torres, que após as denúncias deixou o seu partido, o DEM, e corre o risco de ter o mandato cassado.
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Cachoeira chega a Perillo

Gravações revelam que o esquema de Carlinhos Cachoeira recebia proteção do governo de Goiás. Assessores do governador Marconi Perillo antecipavam operações policiais para o bicheiro
RELAÇÕES PERIGOSAS
Cachoeria (abaixo) indicava auxiliares de Perillo (acima)
e assim influenciava setores estratégicos do governo
A organização criminosa montada pelo bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, revela-se aos poucos muito mais ampla do que se pensava. Após a derrocada do senador Demóstenes Torres, que foi obrigado a abandonar o DEM e corre o risco de perder o mandato por suas ligações com Cachoeira, o dilúvio de informações que constam no inquérito da Operação Monte Carlo chega ao governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). De acordo com a PF, pessoas ligadas diretamente a Perillo vazaram previamente a Cachoeira informações sigilosas sobre ações policiais, permitindo ao bicheiro se antecipar a operações de repressão à jogatina. Além disso, o monitoramento de Cachoeira também identificou laços estreitos com políticos e empresários e sua influência na nomeação de dezenas de pessoas para ocupar funções públicas no governo de Goiás.
Em diálogo gravado pela PF, obtido com exclusividade por ISTOÉ, Carlinhos Cachoeira pede ao ex-presidente da Câmara Municipal de Goiânia Wladimir Garcez, apontado pela PF como arrecadador de campanha de Perillo, informações sigilosas sobre ações do grupo tático (GT3), a unidade de elite da Polícia Civil local. Wladimir, então, promete apurar com o corregedor-geral de Segurança Pública do Estado, Aredes Correio Pires, e com “Edmundo”, que a PF identifica como o delegado Edemundo Dias Filho, também tesoureiro do PSDB de Goiás. “Vai lá no Aredes pra ver o que que tá acontecendo”, ordena Cachoeira, a quem Wladimir se refere como “chefe”. “É, tô indo aqui do Edmundo. Já tô chegando aqui. Vou ligar pro Aredes.” Horas depois, Wladimir retorna com a informação sobre uma atuação policial na região de Valparaíso, no entorno de Goiás. “Não. Tava previsto só essa ação e uma em Val. Ele vai ver, mas não tem nada previsto mais, não. Mas ele vai confirmar isso para mim agora. Só tava previsto isso... essa aí e... GT3 não tá mais previsto pra lá, não em nenhuma ação”.
Numa outra conversa, Wladimir descreve para Cachoeira um diálogo que manteve com Aredes Pires, em que o corregedor de Segurança Pública fala no “governador” ao tratar de um “processo do Edmundo”. “É o seguinte: eu tava com o Aredes aqui, agora, ficamos um tempão. Ele tá tentando pegar os locais pra gente na inteligência agora”, disse Wladimir Garcez. “Aí eu perguntei pra ele o negócio da... o Edmundo. O Edmundo não tá preocupado com isso, não? Ele falou: ‘Não, tá nem um pouco preocupado’. O governador disse que ia resolver para ele. Tá confiando no governador.”
Cachoeira pede então ao ex-vereador que determine a Edemundo Dias Filho a transferência de responsabilidade sobre as operações de repressão ao jogo do GT3 para a Força Nacional. “Liga no celular do Edmundo, rapaz. Vai lá na casa dele”, manda Cachoeira. Em seguida, Cachoeira fala com o próprio corregedor sobre as ações da polícia no combate ao jogo ilegal. Falando como quem tivesse prestando contas, Aredes tenta tranquilizar o contraventor. “Eu tenho que conversar com o pessoal da inteligência de lá. Lá tem um grupo grande que tava fazendo o serviço. Mas num tá previsto pra esse final de semana, não tá”. O chefe da Polícia Civil e tesoureiro tucano negam qualquer relação com o bicheiro. Na análise dos áudios, a PF indica que Cachoeira pagava regularmente aos integrantes do governo Marconi Perillo “para ter acesso a informações de interesse financeiro ou político da organização criminosa”. Além de Aredes, outro chefe da segurança em Goiás comprovadamente envolvido é o coronel Massatoshi Sérgio Katayama, o “Japão”, comandante da PM. Nos diálogos gravados pela PF, o auxiliar de Katayama, conhecido como Ananias, chamava Cachoeira de “chefe”, a exemplo de Wladimir. O empresário do jogo também exercia influência sobre a Secretaria de Indústria de Comércio, onde trabalhariam seis parentes de Cachoeira e do ex-presidente da Câmara Municipal. O presidente do Detran goiano, Edivaldo Cardoso, também é citado no inquérito da operação.
Segundo os investigadores, Wladimir Garcez, que também explorava máquinas caça-níqueis, mantinha contato frequente com Perillo, tendo trocado dezenas de torpedos pelo celular com o governador. Ele até ajudou na coordenação da campanha de 2010, quando teria atuado como um dos arrecadadores. O próprio Perillo, na quarta-feira 4, admite que vendeu a mansão onde morava para o ex-vereador e que este a repassou a um empresário, que, por sua vez, emprestou a casa justamente para Cachoeira. “Não sabia que Cachoeira estava morando lá”, alegou Perillo. O governador disse que suas relações com o bicheiro eram apenas “esporádicas”. Lembrou que esteve com ele em “um aniversário e dois jantares” e acreditava que Carlinhos “havia abandonado a contravenção”. Durante a semana passada, o governador começou a mobilizar sua defesa com advogados e uma tropa de especialistas em comunicação. A turma foi engrossada pelo presidente do PSDB, Sérgio Guerra, que teve que emitir uma nota e defesa de Perillo.
PROTOCOLAR
O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, teve que vir
a público fazer uma defesa do governador Perillo
Mesmo negando qualquer relação com o esquema do jogo, Perillo não conseguiu explicar por que o bicheiro e sua chefe de gabinete, Eliane Pinheiro, mantinham comunicação frequente. A PF, em seu relatório, revela que ambos trocaram uma série de telefonemas e mensagens de texto por celular. Cachoeira teria dado a Eliane detalhes dos alvos da Operação Apate, que investigou em 2011 supostas fraudes tributárias em prefeituras do interior goiano.
Segundo a PF, a chefe de gabinete alertou o prefeito Geraldo Messias (PP), de Águas Lindas de Goiás, que é aliado de Perillo. Dessa maneira, de acordo com o Ministério Público Federal, Cachoeira causou “prejuízo à administração pública ao passar informação de que haveria operação de busca na casa do prefeito”. Nas conversas, o bicheiro indaga Eliane. “Falou com o maior?”, e ela responde: “Falei, estou com ele aqui. Tá aqui. Imagina como que tava.” Eliane também usou um rádio Nextel com uma linha habilitada nos EUA, assim como o senador Demóstenes Torres. A turma de Cachoeira acreditava que os aparelhos eram imunes aos grampos da PF. Na terça-feira 3, Eliane pediu demissão do cargo. Na carta, disse que foi confundida pela PF com “outra Eliane”. “Injustamente fui vítima de um grande equívoco. Não tenho nada a temer”, escreveu. Antes, no entanto, disse que se lembrava das mensagens de Carlinhos Cachoeira e que avisou Geraldo Messias por “amizade”. “Eu queria falar para o Geraldo Messias tirar os filhos de casa porque haveria uma operação lá”, disse.
A ex-chefe de gabinete cuidava da agenda de Marconi Perillo, atividade que exercia desde o governo passado. Ainda na gestão de Alcides Rodrigues (PP), antecessor de Perillo, ela atuou na articulação do tucano para que prefeitos do PP apoiassem a campanha de Marconi ao governo estadual. Eliane Pinheiro afirmou que foi apresentada a Cachoeira em 2003 pelo ex-chefe Fernando Cunha, secretário de Assuntos Estratégicos, morto no ano passado. Uma filha de Cunha é casada com um dos irmãos de Cachoeira. Esse tipo de relação familiar, aliás, se repete no esquema Cachoeira. O bicheiro casou-se com a ex-mulher do suplente do senador Demóstenes Torres, o empresário Wilder Pedro de Morais, que vem a ser secretário de Infraestrutura do governo de Marconi Perillo.
A partir de conversas mantidas entre o bicheiro e o senador Demóstenes Torres, a Polícia Federal firmou a convicção de que Cachoeira pretendia ampliar seus negócios para além das fronteiras de Goiás e do Distrito Federal. Um dos passos idealizados pelo grupo seria a transferência do senador para o PMDB. Em um telefonema, Cachoeira faz essa recomendação e diz que seria bom para o grupo que Demóstenes se aproximasse da presidenta Dilma Rousseff. Fora de Goiás, no entanto, os negócios de Cachoeira caminhavam para Tocantins. Em conversa gravada em abril de 2011, o bicheiro pede a Demóstenes que interceda junto ao ministro Luiz Fux, do STF, para garantir a posse do ex-governador de Tocantins Marcelo Miranda no Senado. Sua posse estava em julgamento, pois fora condenado por abuso de poder político durante a campanha de 2006. “Ele é um cara nosso”, disse Cachoeira. Demóstenes prometeu ajudar, mas Fux julgou contra Miranda e na semana passada afirmou que nunca fora procurado por Demóstenes para tratar desse caso. A decisão, no entanto, não atrapalhou completamente a ação do grupo em Tocantins. Em uma conversa em maio de 2011 com o empresário Cláudio Abreu, na época diretor da Delta Construções, o bicheiro diz que o secretário de Relações Institucionais de Tocantins e filho do governador, Eduardo Siqueira Campos, apesar de inimigo político de Miranda é amigo do grupo e afirma: “Foi ele quem mandou dar o negócio lá para nós. A inspeção veicular em Tocantins.”
Segundo as investigações da PF, ao lado de 38 pessoas não vinculadas diretamente ao poder público, foram identificados 43 agentes públicos – sendo seis delegados da polícia civil, 30 PMs, dois policiais federais e um agente administrativo, além de um policial rodoviário federal – que teriam participado do esquema comandado pelo contraventor. Por motivos óbvios, a área de segurança pública era o foco de Cachoeira. Vale lembrar que Demóstenes foi secretário de Segurança Pública do primeiro governo de Perillo (1999-2002). No fim de 1999, ISTOÉ denunciou a complacência do governo tucano com o jogo do bicho. Após a reportagem, Demóstenes garantiu que faria uma operação limpeza no Estado. Hoje, sabe-se que o então secretário limpou, sim, a área, mas para Carlinhos Cachoeira, eliminando seus concorrentes.
Claudio Dantas Sequeira
No Isto É
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Charge online - Bessinha - # 1159

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O alvo deles era Dilma

A carreira política do senador Demóstenes Torres era manipulada por Carlinhos Cachoeira para ampliar seus negócios e se aproximar do Planalto
Cachoeira pediu a Demóstenes
para interceder no STF para
Marcelo Miranda assumir como
senador
Como qualquer empresa, as organizações criminosas têm seus planos de sobrevivência e expansão. O grupo do empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, inovou em muita coisa, mas não nesse aspecto. Cachoeira tinha negócios escusos e planos de novos empreendimentos em Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso e Tocantins, onde contava com a ajuda de políticos e agentes públicos, de acordo com as investigações da Polícia Federal. Mas Cachoeira queria mais. Conversas telefônicas entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (ex-DEM, agora sem partido), gravadas com autorização judicial e obtidas com exclusividade por ÉPOCA (ouça os áudios ao fim desta reportagem), mostram que os dois planejavam se aproximar de alguma forma do Palácio do Planalto. Numa das ligações captadas, Cachoeira orienta Demóstenes a aproveitar um convite para trocar o DEM pelo PMDB, com o propósito de se juntar à base de apoio do governo e se aproximar da presidente, Dilma Rousseff. “E fica bom demais se você for pro PMDB... Ela quer falar com você? A Dilma? A Dilma quer falar com você, não?”, pergunta Cachoeira. Demóstenes responde: “Por debaixo, mas se eu decidir ela fala. Ela quer sentar comigo se eu for mesmo. Não é pra enrolar”. Cachoeira se empolga: “Ah, então vai, uai, fala que vai, ela te chama lá”. Como se fosse um bom subordinado, Demóstenes acata a recomendação.
Quando esse diálogo ocorreu, no final de abril de 2011, Demóstenes estava em plena negociação com caciques do PMDB, como os senadores Renan Calheiros e José Sarney, para mudar de legenda. Um dos maiores opositores do governo – e carrasco de petistas acusados de corrupção – tencionava aderir ao governo do PT. Segundo dirigentes do PMDB, àquela altura a mudança de partido já tinha o aval do Palácio do Planalto. Tudo nos bastidores, porque em público Demóstenes continuava oposicionista. As gravações mostram agora que um dos objetivos da radical troca de lado era estar mais bem situado para ajudar o esquema de Cachoeira.
O plano de Cachoeira de se aproximar do governo deu errado. Demóstenes, ao que tudo indica, ficou com receio de acabar alijado do Congresso. Ele estava convencido de que a cúpula do DEM pediria à Justiça a cassação de seu mandato por infidelidade partidária. A assessoria do Palácio do Planalto afirma que a presidente, Dilma Rousseff, não falou com Demóstenes desde que assumiu a Presidência.
Cachoeira, preso pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo, em 29 de fevereiro, está trancado no presídio federal de Mossoró, Rio Grande do Norte. No ano passado, quando ainda em liberdade, ele tinha outro projeto concreto, além da aproximação de Dilma. Sua intenção era conseguir apoio do PMDB para que Demóstenes chegasse um dia a ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Seria um ativo inestimável para suas atividades.
De acordo com as gravações, o STF já era alvo de ações de Cachoeira. Na mesma conversa em que fala sobre Dilma, ele pede a Demóstenes para tentar influenciar uma decisão do ministro Luiz Fux, do STF. Estava na mesa de Fux um recurso do ex-governador do Tocantins Marcelo Miranda, impedido de assumir uma vaga para a qual fora eleito no Senado, por ter sido condenado por “abuso de poder político” na eleição de 2006. “Ele (Miranda) é um cara nosso”, afirma Cachoeira a Demóstenes. Miranda recorreu ao STF, e Demóstenes prometeu atender ao pedido de Cachoeira e ajudar. O ministro Fux afirma não ter sido procurado por Demóstenes. “O senador não falou comigo sobre isso”, disse Fux a ÉPOCA. “Se ele tivesse me procurado, eu o teria recebido, sem nenhum problema.” Em uma primeira decisão, Fux deu ganho de causa a Miranda. Dez dias depois, mudou sua decisão e cassou o registro da candidatura. “Depois que fui informado de que ele havia sido cassado na Justiça Eleitoral por abuso de poder político, e não pela Lei da Ficha Limpa, eu modifiquei a decisão”, afirmou Fux.
OUSADIA
Cachoeira, Demóstenes e a transcrição do diálogo. Cachoeira queria que Demóstenes mudasse para o PMDB para se aproximar do Planalto e falar com a presidente, Dilma Rousseff. Não deu certo (Foto: Celso Junior/AE e Sergio Lima/Folhapress)
Outra gravação revela que, entre uma e outra decisão de Fux, houve tempo para a turma de Cachoeira comemorar a vitória parcial. A conversa ocorreu entre Cachoeira e Cláudio Abreu, diretor agora afastado da Delta Construções, apontado pela polícia como sócio de Cachoeira numa empresa. Num papo cheio de intimidades, um empolgado Abreu chama Cachoeira carinhosamente de “viado” e “desgramado”. Ele o avisa da decisão sobre Miranda. “Chefia, o Marcelo Miranda é senador”, diz Cláudio. “O bom é que eu sei que ele vai ser procurador seu e meu, né?”
Na mesma conversa, Abreu e Cachoeira emendam outro assunto de estratégia político-empresarial no Tocantins. Abreu defende que a parceria com Miranda não represente uma ruptura com o adversário dele, o ex-senador Eduardo Siqueira Campos. Eduardo é secretário de Relações Institucionais no governo chefiado por seu pai, José Wilson Siqueira Campos, conhecido como Siqueirão. Cachoeira questiona se vale a pena continuar apostando em Eduardo Siqueira. “Eduardo também é bom, Carlinhos. Não pode falar mal dele não, cara”, diz Abreu. “Ele mandou dar o negócio pra nós lá: a inspeção veicular do Tocantins.”
Eduardo Siqueira Campos nega ter destinado um contrato para beneficiar empresa ligada a Cachoeira e Abreu. “Não há ainda definição sobre quem executará o serviço de inspeção ambiental em Tocantins”, afirma. Miranda nega ter pedido ajuda a Cachoeira, a Cláudio Abreu ou a Demóstenes para ter sucesso no STF. “Estou surpreso de ver meu nome citado por essas pessoas”, diz ele. “Cachoeira, por exemplo, eu mal conheço, só o cumprimentei uma vez.”
O Palácio do Planalto tem procurado se manter distante do assunto Cachoeira. Assessores da presidente Dilma avaliam que as denúncias podem paralisar o Congresso, com investigações sobre envolvimentos de parlamentares. Até agora, além de Demóstenes, cinco deputados aparecem nas investigações. O Planalto sabe que o governo de Goiás e o do DF serão os mais afetados pelo que ainda pode vir à tona. Governado pelo petista Agnelo Queiroz, o DF é uma preocupação do PT.
Em outra conversa captada pela polícia, Cachoeira e Abreu discutem a possibilidade de a Delta Construções obter um contrato na agência do governo de Brasília responsável pelo transporte público, a DF Trans. Cachoeira queria que a Delta fosse agraciada com um contrato de R$ 60 milhões para atuar no sistema automatizado de cobrança de passagem nos ônibus. Segundo ele, seria possível aumentar o valor do contrato em 30%. Cachoeira pede a Abreu que fale em nome da Delta porque “aí pesa mais”. A Delta afirmou que desconhece qualquer assunto relativo ao DF Trans e afirma não ter contratos com a estatal.
NEGÓCIOS
O governador de Goiás, Marconi Perillo (ao lado), o iate Casino Princesa e a transcrição da conversa captada pela PF. Cachoeira tinha interesses na área de obras do governo Perillo. Em Miami, comprou um cassino iate por uma pechincha (Foto: Monique Renne/CB/D.A Press e reprodução)
Cachoeira também foi recebido por Jayme Rincón, presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), uma espécie de secretaria responsável pelas obras em Goiás. Rincón foi um dos principais arrecadadores de dinheiro para a campanha eleitoral do governador Marconi Perillo (PSDB) em 2010. Ele é citado no inquérito da PF como alguém que conversou sobre a venda de uma casa com o ex-vereador tucano Wladmir Garcez. Segundo a Polícia Federal, Garcez é um dos principais assessores de Cachoeira.De acordo com Rincón, Cachoeira foi à Agetop acompanhado de Garcez e de um empresário do Tocantins. Segundo a PF, Garcez servia de intermediário nas conversas entre Cachoeira e Perillo e ajudou o governador a vender uma casa num condomínio nobre de Goiânia. Cachoeira morava nessa casa quando foi preso pela PF. Rincón disse a ÉPOCA que conhece Garcez, mas que jamais tratou sobre negociação de qualquer casa com ele.
Diante das crescentes denúncias envolvendo personagens da política de Goiás, Cachoeira começou a provocar baixas no governo goiano. Na terça-feira, Eliane Pinheiro, chefe de gabinete do governador Perillo, pediu para ser exonerada. Dias antes, ÉPOCA revelou que Eliane fora flagrada pela polícia em conversas com Cachoeira. Ela soube por Cachoeira que a PF iria à casa do prefeito de Águas Lindas, Geraldo Messias (PP), e o avisou. Diante do alerta, Messias fugiu.
O senador Demóstenes Torres tem preferido o silêncio. Seu advogado, Antônio Carlos Almeida Castro, o Kakay, disse que pedirá ao STF a anulação das provas em mãos da PF, especialmente as escutas telefônicas. Segundo Kakay, o STF deveria ter sido comunicado da investigação imediatamente após a descoberta do envolvimento de Demóstenes. Como senador, ele só pode ser investigado com autorização do Supremo. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirma que os procedimentos da polícia e as escutas são legais.
Demóstenes foi levado, pela cúpula do DEM, a deixar o partido, na terça-feira. Por muitos anos, ele foi uma importante fonte de credibilidade e votos para a legenda. Agora, Demóstenes tenta retardar seu processo no Conselho de Ética do Senado. Conversou com o presidente da Casa, José Sarney, e com o líder do PMDB, Renan Calheiros. A presidência do conselho está vaga, e ninguém quer a posição. Os três conselheiros do PMDB – Renan Calheiros, Edison Lobão Filho e Romero Jucá – já foram protagonistas de escândalos. “Me deixa fora dessa!”, diz Lobão Filho. “Me botaram lá no conselho contra a minha vontade.”
A partir da investigação da PF é possível inferir que Cachoeira tinha uma estratégia ambiciosa. A crise financeira de 2008 abriu oportunidades nos Estados Unidos – e Cachoeira não as desperdiçou. Amigos afirmam que Cachoeira comprou um cassino instalado num iate de luxo, de 200 pés, o Casino Princesa. De acordo com a PF, Cachoeira e o empresário Mauro Sebben negociavam a compra de outro barco cassino, o Big Easy. No auge da crise, ofereceram uma ninharia. Os antigos donos haviam investido cerca de US$ 40 milhões no barco, mas não conseguiram pagar as contas. Numa conversa gravada pela PF em novembro de 2008, Sebben diz que o “velho”, sócio dele e de Cachoeira nos EUA, propôs que fizessem uma oferta de US$ 2 milhões. “É excelente. Mas não podemos pagar mais do que dois”, afirma Cachoeira. Na mesma época, numa conversa, Cachoeira e Sebben avaliam a compra de um contrato da empresa Multimedia Games com a loteria de Nova York. Sebben calcula que o faturamento anual seria de US$ 10 milhões. Os planos de Cachoeira não tinham limites – financeiros, geográficos ou políticos.
Escuta de 27 de abril de 2011
Carlinhos Cachoeira e Demóstenes Torres

Carlinhos Cachoeira pede a Demóstenes para ajudar o ex-governador de Tocantins Marcelo Miranda (PMDB) no Supremo Tribunal Federal, para que ele pudesse tomar posse como senador (nas eleições de 2010, Miranda foi o segundo mais votado do Estado, mas não pôde tomar posse por causa da Lei da Ficha Limpa).

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Demóstenes consulta Cachoeira sobre uma possível mudança de partido. O senador diz que pensava em deixar o DEM.
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Cachoeira estimula o senador a trocar o DEM pelo PMDB para se aproximar da presidente Dilma Rousseff.
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Escuta de 4 de maio de 2011
Carlinhos Cachoeira e Cláudio Abreu, ex-diretor da Delta Construções

Cachoeira e Cláudio Abreu falam sobre o ex-governador de Tocantins Marcelo Miranda (PMDB-TO) – segundo mais votado para o Senado em 2010 – e a respeito do secretário de Relações Institucionais de Tocantins e ex-senador, Eduardo Siqueira Campos (PSDB-TO).
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Escuta de 18 de novembro de 2008
Carlinhos Cachoeira e Mauro Sebben, empresário

Os dois conversam sobre negócios relacionados a uma loteria em Nova York.
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Cachoeira e Mauro Sebben falam da eleição de Maguito Vilela (PMDB-GO) para a prefeitura de Aparecida de Goiânia (GO) e a influência de Maguito no Banco do Brasil.
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Mauro Sebben fala a Cachoeira sobre a oferta de um barco de US$ 40 milhões. A ideia é comprá-lo para ser usado como cassino no Brasil.
Andrei Meireles e Murilo Ramos
No Época
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Os milagres são a salvação da ICAR # 4

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Parabéns, Policarpo!

Grampo publicado pelo JB mostra Carlinhos Cachoeira parabenizando o diretor de Veja por reportagem; conversa se deu após denúncia de corrupção em Brasília; em agosto do ano passado, os dois almoçaram juntos; na sequência, ministros foram filmados no Naoum; na edição desta semana, Veja silencia
Uma semana atrás, a revista Veja publicou trecho de uma conversa entre o bicheiro Carlos Cachoeira e o araponga Jairo Martins, relacionada a seu diretor em Brasília, Policarpo Júnior. “O Policarpo nunca vai ser nosso”, disse Cachoeira a Jairo e, com este atestado de idoneidade, fornecido pelo bicheiro, Veja tentou virar a página e encerrar a discussão sobre seu polêmico relacionamento com um dos maiores contraventores do País. Pois neste fim de semana, o Jornal do Brasil reabriu o caso. Na sua página, o JB publicou todo o inquérito da Operação Monte Carlo e dois trechos de grampos constrangedores para a maior revista semanal do País (leia mais aqui).
No dia 30 de julho de 2011, segundo a Polícia Federal, Carlos Cachoeira enviou uma mensagem a Policarpo Júnior. Nela, o bicheiro parabenizava o jornalista por uma reportagem. Também de acordo com a PF, Policarpo respondeu agradecendo. Na reportagem do JB, não se faz menção a nenhuma reportagem específica. Mas o mais provável é que ela diga respeito a uma matéria publicada por Veja no dia 27 de julho de 2011, sobre Daniel Tavares, ex-funcionário do laboratório União Química, que acusava – e ainda acusa – o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, de receber propinas. Ela foi assinada pelo repórter Gustavo Ribeiro, que é o mesmo que se envolveu na polêmica tentativa de invasão de um quarto no Hotel Naoum, onde se hospedava o ex-ministro José Dirceu – há suspeitas de que o filme também tenha sido produzido por pessoas ligadas a Cachoeira. Embora seja mais conhecido por suas atividades no ramo de jogos ilegais, o contraventor Cachoeira também tem negócios na área farmacêutica.
Depois, no dia 11 de agosto de 2011, Cachoeira fala com o interlocutor Lenine sobre um almoço que teria com Policarpo Júnior. E pede a Lenine que busque o diretor de Veja no “aeroporto pequeno”, no que seria um eventual indício de uso de jato particular. O relatório da Polícia Federal, publicado pelo JB, também não menciona qual teria sido o assunto tratado por Policarpo e Cachoeira no referido almoço. Vinte dias depois, Veja publicou a polêmica capa sobre os encontros do Hotel Naoum. Além de José Dirceu, foram filmados ministros, como Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, e o ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. O caso contribuiu para a queda do então redator-chefe de Veja, Mario Sabino, pois coincidiu com a chegada de Fábio Barbosa, que prega um discurso ético, ao comando da Abril.
Silêncio absoluto
Na edição desta semana, Veja, mais uma vez, evita fazer uma autocrítica. Não há nenhuma menção ao caso Policarpo Júnior. Sobre a Operação Monte Carlo, uma reportagem do repórter Rodrigo Rangel sobre possíveis depósitos milionários na conta do senador Demóstenes Torres, feitos pela quadrilha de Cachoeira. O mesmo Demóstenes que já foi classificado por Veja como um “mosqueteiro da ética”.
Escândalos semelhantes, em outros países, têm provocado investigações sérias. No Reino Unido, James Murdoch, filho do magnata australiano Rupert Murdoch, afastou-se do comando do grupo BSkyB depois da revelação de que os tabloides da família publicavam grampos clandestinos.
No Brasil, há um pacto de silêncio entre os grandes veículos em torno do caso Veja-Cachoeira, mas ele foi quebrado, no Parlamento, pelo deputado Fernando Ferro (PT-PE), que, da tribuna, disse que “Veja se associou ao crime organizado”. De acordo com o parlamentar, só uma investigação isenta, numa CPI, poderá esclarecer o vínculo real entre a revista e o bicheiro.
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Movemo-nos

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Os milagres são a salvação da ICAR # 3

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Mais alguns pontos ligados: Veja e Cachoeira

Os vazamentos da Monte Carlo

A mensagem de Cachoeira a Policarpo se deu no dia 30/07/2011, um sábado.
Ele deve estar falando, portanto da edição da revista da semana anterior - edição 2227, de 27/07/2011:
http://veja.abril.com.br/270711/index.shtml

http://veja.abril.com.br/acervodigital/home.aspx?edicao=2227&pg=0

Aquela edição também trazia uma reportagem contra o governador de Brasília, o "petista Agnelo Queiroz", com uma questão interessante no índice: "Denunciador ou chantagista?"
Seja qual for a resposta, a Veja não tem escrúpulos e publica a denúncia.
Na semana seguinte a Veja volta a falar da Conab:
http://veja.abril.com.br/030811/index.shtml

http://veja.abril.com.br/acervodigital/home.aspx?edicao=2228&pg=0

Foo
No Advivo
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Ligando os pontos até a grande reportagem de Veja

Os vazamentos da Monte Carlo
"Policarpo também teria se encontrado com Cachoeira pessoalmente em 2011, sendo que o contraventor mandou um dos membros da quadrilha buscá-lo no aeroporto."
Esta conversa se deu no dia 11/08/2011, uma quinta-feira. É possível que estivessem se encontrando para tratar da grande reportagem que sairia dali a três semanas?
O fato é que, de acordo com a revista, as imagens captadas no Hotel Naohum são de 06/06 a 08/06/2011 - ou seja, a câmera havia sido colocada no corredor há quase dois meses!!! Teria sido obra do mesmo jornalista trapalhão que tentou invadir o quarto de Dirceu às vésperas da publicação da reportagem? E por que a Veja demoraria dois meses para fazer uma denúncia? Uma hipótese já levantada é que a câmera teria sido plantada pela equipe de Cachoeira, e não pela própria Veja. O encontro de Cachoeira com Policarpo teria sido para preparar o escândalo. Esta hipótese faz mais sentido cronologicamente, pois, na semana subsequente a Veja já tinha uma denúncia de capa (contra o ministro da agricultura), e, na semana seguinte, uma reportagem neutra sobre "dor". (A Veja tem o hábito de intercalar capas bombásticas com temas mais amenos, como dietas e remédios milagrosos.) Sendo assim, o material fornecido por Cachoeira no dia 11/08 poderia ser usado na edição de 31/08, que é quando a reportagem efetivamente saiu.







Foo
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Os milagres são a salvação da ICAR # 2

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Cachoeira e Veja, "sentinelas avançadas" contra a corrupção

Policarpo Júnior - Eurípedes Alcântara
Abaixo o texto de Eurípedes Alcântara, na "Carta do Leitor" reconhecendo a grandeza da parceria Cachoeira-Veja - e inspirando o bicheiro a enviar o email de congratulações a seu parceiro Policarpo Jr
Carta do Leitor
Revista Veja - 01/08/2011
Sentinela avançada
A sucursal de VEJA em Brasília é a sentinela avançada da luta contra a corrupção por meio de reportagens investigativas. Nesta semana, enquanto ainda perdiam seus cargos os últimos acusados de corrupção no Ministério dos Transportes identificados por VEJA há três semanas, os repórteres de Brasília, sob o comando de Policarpo Junior, enviavam à sede da revista, em São Paulo, o resultado de uma nova frente de apuração, desta feita pondo em xeque a lisura dos negócios tocados pelos políticos na Conab, órgão do Ministério da Agricultura. "Ali só tem bandido", declarou a VEJA Oscar Jucá, irmão do líder do governo Romero Jucá, que diz ter recebido uma oferta de propina do próprio ministro da Agricultura.
Policarpo e sua equipe são uma pedra no sapato dos corruptos do mundo oficial. O trabalho constante e disciplinado de investigação da sucursal já prestou inestimáveis serviços ao Brasil. Policarpo foi peça crucial como repórter, editor ou chefe de sucursal nas mais relevantes reportagens investigativas da imprensa brasileira nas duas ultimas décadas - dos escândalos da era Collor à descoberta do balcão de negócios instalado na Casa Civil de Lula pela ministra Erenice Guerra, passando pelo escândalo do mensalão, da máfia dos anões do Orçamento, até a revelação da existência de um aparelho clandestino no governo anterior que espionava jornalistas e autoridades
VEJA e seus leitores contam com a vigilância permanente de Policarpo e dos repórteres da sucursal de Brasília. "Ao contrário do que às vezes pode parecer, a imprensa tem uma influência tremenda quando trabalha com rigor e transparência", diz Policarpo. "Mesmo nos momentos mais trevosos da gestão Lula, nossas reportagens investigativas produziram resultados e muitos corruptos perderam seus postos no governo.” Vários deles voltaram logo depois, é certo. Impunemente. Mas muitas práticas subterrâneas continuam esperando a ação da imprensa para ser dedetizadas pela luz solar - e muito, muito mais precisa ser feito pela própria imprensa, pelos procuradores, pelos policiais federais e pela Justiça, idealmente cobrados pela opinião pública.
Luis Nassif
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A Lista de Cachoeira

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Os milagres são a salvação da ICAR # 1

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Charge online - Bessinha - # 1158

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Deputado Leréia (Tucano-GO) e a gravação da troca de favores


Deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) ajudando um delegado criminoso, da quadrilha de Cachoeira, que pede pesoalmente o favor.
João Goiano
No Advivo
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O que muitos já sabiam: VEJA a serviço do crime organizado

As suspeitas levantadas nos últimos anos sobre a revista VEJA pela imprensa independente e blogs, estão sendo confirmadas pelas revelações feitas no óvazamento das informações da operação Monte Carlo. Da fabricação de factóides políticos à espionagem ilegal, a revista esteve todo o tempo representando interesses de uma organização criminosa da qual faz parte.
Seja com o intuito de livrar criminosos da condenação, como aconteceu na cruzada para inviabilizar juridicamente a operação Satiagraha e desmoralizar os responsáveis por ela, seja para criar crises institucionais no governo federal, ou para defender interesses financeiros do consórcio que faz parte, a revista e seus prepostos cometeram crimes e atentaram gravemente contra o estado de direito democrático.
Confirmada a relação próxima do diretor da Sucursal de Brasília da revista, Policarpo Junior, com o conhecido contraventor Carlinhos Cachoeira e seus arapongas, começam a aparecer os indícios que a VEJA usava com frequência os serviços de espionagem de políticos, ministros e personalidades públicas para servir de base as suas reportagens.
Essa semana o Correio Braziliense publicou uma matéria que aponta que as imagens publicadas pela revista do Hotel onde se hospedava José Dirceu teriam sido obtidas pela equipe de arapongas do contraventor. Até hoje a VEJA jurava que as imagens tinham sido obtidas pelo circuito interno do Hotel. Na época, nós analisamos as imagens e afirmamos, em primeira mão, que pelas suas características tinham sido obtidas através de câmeras espiãs (Clique aqui para ler o artigo VEJA passou recibo do crime).
Diálogos captados pela Polícia Federal mostram que Carlinhos Cachoeira gabava-se por ser a maior fonte da revista. Foram registradas mais de duzentas ligações entre o contraventor e Policarpo Junior, além de encontros pessoais. A revista, por sua vez, utilizava o material obtido ilegalmente por Cachoeira, imagens, vídeos, áudios e e-mails interceptados, e atribuía a “fontes” na ABIN, com o intuito de acusar o governo federal de tentar atacar adversários políticos utilizando os métodos que a própria revista praticava, e ao mesmo tempo tentando enfraquecer a agência de inteligência e a Polícia Federal.
O conhecido episódio do suposto grampo da conversa entre o Senador preferido do Contraventor, Demóstenes Torres, e o Presidente do STF à época, Gilmar Mendes, cujo áudio nunca foi mostrado pela revista, e que investigações recentemente concluídas pela PF afirmaram que nunca existiu, foi motivo de grande estardalhaço no país, com o governo Lula sendo acusado de estado policialesco, gerando grande desconforto quando Mendes declarou publicamente que “chamaria o Presidente às falas”, e culminando com a demissão de Paulo Lacerda da ABIN, um profissional qualificado que vinha se dedicando a desmontar o crime organizado no país.
A grave farsa que colocou em risco a estabilidade política do país e o equilíbrio entre os poderes, tramada por personagens que as investigações da operação Monte Carlo revelaram serem sócios (Demóstenes, A VEJA e provavelmente Gilmar Mendes) apesar de ter sido completamente desmontada por investigação séria, não motivou qualquer retratação da revista ou dos outros personagens envolvidos que cobraram explicações do governo federal à época.
Em um país com uma imprensa e judiciários sérios, esses episódios seriam suficientes para levar a revista a encerrar suas atividades e levar seus responsáveis ao banco dos réus, mas os tentáculos da organização criminosa alcança o poder judiciário e outros veículos de comunicação ( com raras exceções como no caso da revista Carta Capital).
Muita informação ainda está por ser revelada, como o conteúdo das conversas entre o contraventor e o representante da VEJA, portanto preparem seus narizes para o mau cheiro que essas informações vão exalar.
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A verdade sobre a ditadura militar

Ao contrário da grande imprensa — que se faz de avestruz quando o assunto é o reconhecimento de que a ditadura deixou muitas feridas abertas — a juventude brasileira está viva, felizmente.
Viva e atuante,exercendo o papel que lhe cabe: o de contestar, reagir, refletir e, sobretudo,relembrar tantos outros jovens brasileiros — muitos dos quais deram a própria vida em sua luta pela democracia e pela liberdade.
Isso ficou evidente na semana que passou, quando se completaram 48 anos do Golpe Militar de 1964, que mergulhou nosso país nas sombras, instaurando uma longa ditadura de 21 anos, cujas consequências nefastas para o desenvolvimento do nosso país ainda sentimos.
Se, por um lado, setores saudosistas das Forças Armadas contrariaram a extinção dos atos comemorativos e insistiram em celebrar o que chamam cinicamente de revolução, por outro lado, vários atos de jovens e artistas, com as marcas da irreverência, condenaram os apoiadores da ditadura e denunciaram algumas das sinistras heranças da época, como a violência policial.
No último domingo, 1º de abril, o intitulado Cordão da Mentira reuniu centenas de manifestantes em São Paulo, em marcha que percorreu lugares emblemáticos, como a sede da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição Família e Propriedade (TFP), o elevado Costa e Silva e a antiga sede do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), entre outros locais.
Os organizadores deixaram claro que o propósito foi revelar pessoas, entidades e instituições que apoiaram e colaboraram com o golpe, aberta ou veladamente.
O Cordão da Mentira foi apenas um dos manifestos dessa natureza em uma semana marcada pela afirmação da necessidade de resgate da memória de um período triste. No dia 27 de março, jovens ligados ao Levante Popular da Juventude realizaram os chamados “escrachos”, em sete capitais brasileiras.
Inspirados em ações similares ocorridas na Argentina e no Chile, foram às portas de ex-torturadores da ditadura para deixar claro que, embora continuem impunes, a sociedade não os esqueceu e vai cobrar a apuração de seus atos criminosos.
No Rio de Janeiro, na quinta-feira passada (29/3), outras centenas de jovens se reuniram diante do Clube Militar, onde militares aposentados promoviam uma acintosa comemoração ao 31 de março.
Os manifestantes projetaram fotos e vídeos de mortos e desaparecidos e clamaram pela abertura dos arquivos militares, exigindo que o Brasil pague a sua dívida com as famílias dessas vítimas da truculência do regime ditatorial e com sua própria consciência.
Esse ato teve reação violenta por parte da polícia, que tentou impedir a livre circulação dos participantes, usando bombas de gás e cassetetes.
Curioso, e triste, é que muitos dos que apoiaram o Golpe Militar, conspirando contra a Constituição e a democracia, agora, façam-se de desmemoriados. O silêncio de boa parte da imprensa em seus editoriais e de sua tímida cobertura a esses acontecimentos é revelador.
Afinal, como já disse Desmond Tutu, um dos ícones na luta contra o Apartheid na África do Sul, “se você é omisso em situação de opressão, você escolhe o lado do opressor”.
Não é mera coincidência que isso tudo aconteça logo após a criação da Comissão da Verdade, que está para ser instalada e tem a importante missão de investigar as graves violações aos Direitos Humanos, ocorridas durante o regime.
Exacerbar o debate em torno desses movimentos é essencial para que essas questões saiam dos gabinetes e ganhem as ruas, levadas pela mobilização popular e principalmente pelos jovens, a quem quase sempre é delegada a missão de manter viva a memória de um povo e de lutar para que seja conhecida a verdade de sua história.
Memória fundamental para que atrocidades como as cometidas durante a ditadura não se repitam e para que a banalização da impunidade, plantada lá atrás, seja combatida e extirpada.
Nesse sentido, o papel primordial da comissão será o de levar a todo povo a verdade e a memória sobre o Regime Militar. Afinal, a criação da comissão é uma vitória da democracia e da sociedade.
ZéDirceu
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Charge online - Bessinha - # 1157

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Eles disseram isso e nem ficaram corados!

 Demétrio Magnoli, na revista Época 
(Clique aqui para ampliar)
 Aécio Neves, no senado da República 

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