5 de abr de 2012

Cidade de Deus

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Charge online - Bessinha - # 1156

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Pessoas contrárias a hidrelétricas na Amazônia vivem 'fantasia', diz Dilma

Presidente adverte que não mudará os planos de desenvolvimento para a região
BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff (PT) aproveitou uma reunião com os integrantes do Fórum do Clima, no Palácio do Planalto, para avisar de vez aos grupos ambientalistas que lutam contra a construção de usinas hidrelétricas na Amazônia que o governo não mudará seu projeto de aumento da oferta de energia e de desenvolvimento da região. Ela chegou a dizer que essas pessoas contrárias à construção das hidrelétricas vivem num estado de "fantasia".
Gleisi Hoffmann, Dilma Rousseff, Luiz Pinguelli Rosa
 e a ministra Izabella Teixeira, na reunião
Dida Sampaio - AE
Ao se referir à participação do Brasil na Rio+20, a conferência das Nações Unidas que será realizada em junho, na capital do Rio de Janeiro, a presidente lembrou aos que estavam na reunião que o mundo real não trata de tema "absurdamente etéreo ou fantasioso". "Ninguém numa conferência dessas também aceita, me desculpem, discutir a fantasia. Ela não tem espaço para a fantasia. Não estou falando da utopia, essa pode ter, estou falando da fantasia", afirmou Dilma.
Dilma disse que o Brasil vai trabalhar pelo desenvolvimento sustentável, para tirar as pessoas da pobreza e para encontrar formas de conciliar o progresso com o respeito ao meio ambiente.
Pouco antes, ao se pronunciar no Fórum do Clima, a representante das ONGs, Sílvia Alcântara, acusara o governo de promover um retrocesso na questão ambiental e de, com o pré-sal, levar o Brasil a ocupar o terceiro lugar entre os países que mais emitem gases de efeito estufa já em 2020. Num pequeno pedaço de papel, Dilma anotou tudo o que a ambientalista falou.
Sem se referir diretamente ao que Sílvia havia dito, Dilma defendeu a energia de fontes hidráulicas e desdenhou da energia eólica e solar, ambas defendidas pelos grupos mais radicais como alternativa às hidrelétricas. Disse que, como presidente, tem de explicar como as pessoas vão comer, ter acesso à água e energia. "Eu não posso falar: ‘Olha, é possível só com eólica iluminar o planeta.’ Não é. Só com solar? De maneira nenhuma."
A presidente disse que foi à Espanha, país citado sempre como referência no aproveitamento da energia eólica, e viu que há oito meses as pás de vento não funcionavam. "Não havia vento", afirmou. "Eu, quando comecei a mexer com esse negócio de energia, cheguei a contar vento. Isso foi no Rio Grande do Sul", disse a presidente.
Para Dilma, a energia eólica deve servir como uma espécie de reservatório alternativo para a energia de fonte hidráulica, quando houver escassez de chuvas. "Reservatório de água a gente faz. Mas não faz reservatório de vento", disse a presidente.
"Deus nos ouça que a eólica consiga ser reservatório de hidrelétrica no Brasil. Deus nos ouça. Vamos ter de suar a camiseta tecnicamente. Não é falta de vontade política, é tecnicamente."
Na Rio+20. A respeito da participação do Brasil na Rio+20, a presidente afirmou que o País pretende exercer um papel de líder na conferência.
"Encontrar um caminho comum é um processo difícil. Desta vez, eu acho que temos uma missão até mais difícil, que é propor um novo paradigma de crescimento", afirmou.
Para Dilma, na Rio+20 todos os temas vão se encontrar: "Mudança de clima, biodiversidade, redução da pobreza, direito a energia, melhores condições de vida. Enfim, como é o futuro do mundo, é isso que vamos discutir na Rio+20. É um ponto de partida, mais que ponto de chegada. Desta vez temos de mudar o patamar da discussão. Nós acumulamos muitas coisas, acumulamos em todas as conferências do clima, em todas as discussões sobre florestas, água. Agora vamos ter de discutir isso na ótica das populações, dos governos, das comunidades científicas, dos organismos da sociedade civil, organizados ou não."
João Domingos e Rafael Moraes Moura
No O Estado de S.Paulo
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Vem aí a campanha pelo casamento civil igualitário

Dentro de oito dias, será lançada a campanha para que o Brasil se junte a Holanda, Bélgica, Noruega, Espanha, Suécia, Canadá, África do Sul, Islândia, Portugal e Argentina (além de alguns estados norte-americanos e a cidade do México) no reconhecimento do direito ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. No dia 12 de abril, o site da campanha publicará uma série de vídeos de artistas, acadêmicos, jornalistas e outras personalidades em apoio à Proposta de Emenda Constitucional do Deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) que altera o Artigo 226 para tornar explícito o direito de que dois brasileiros do mesmo sexo se casem no civil. Também trabalha no projeto o jornalista argentino radicado no Brasil Bruno Bimbi, mestre em Letras pela PUC-RJ e autor de Matrimonio Igualitario: intrigas, tensiones y secretos en el camino hacia la ley (Planeta, 2010), o livro que conta a história da conquista do casamento igualitário na Argentina – e que será lançado em breve no Brasil, em tradução do linguista Marcos Bagno.
Bruno também é autor de uma excelente seção de perguntas e respostas no site da campanha, que contempla desde as mais toscas (“O casamento gay vai destruir a família” ou “Por que não posso me casar então com meu cachorro” – acredite, a gente ouve as duas coisas por aí) até as mais “ponderadas”, mas também equivocadas (“Os gays deveriam se satisfazer com a união civil”). Não custa lembrar que se trata de legislação sobre o casamento civil, ou seja, as igrejas continuam com sua prerrogativa de casar quem quiserem e de recusar sacramento a quem quiserem. Além de ser uma questão cristalina de justiça, o casamento igualitário já tem ampla jurisprudência em outros países, parte dela também compilada no site da campanha. A iniciativa já tem o apoio de Chico Buarque, Zélia Duncan, Ney Matogrosso, Caetano Veloso, Ivan Lins, Sônia Braga, Bebel Gilberto, Sandrá de Sá, Cauã Raymond, Sérgio Loroza e muitos outros.
Vale lembrar que essa emenda à Constituição está no espírito da decisão de maio de 2011, no julgamento conjunto da ADI 4277 e da ADPF 132, em que o STF reconheceu por unanimidade os direitos civis da união estável entre pessoas do mesmo sexo. O relator foi o brilhante Ministro Ayres Britto, e a íntega do voto, de 49 páginas, pode ser lida aqui, ou pode ser assistida pelo YouTube em três partes. Ancorado na norma geral negativa kelseniana, de que “tudo o que não estiver juridicamente proibido, ou obrigado, está juridicamente permitido” e no dado factual de que a Constituição não discrimina entre orientações sexuais, o STF explicitamente desautorizou qualquer interpretação do texto constitucional que impeça o reconhecimento da união contínua, pública e duradoura entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar, entendida esta como sinônimo de família. Como argumentou Luís Roberto Barroso, relator do parecer que sustentou a ação enviada pelo governo do Rio de Janeiro ao STF, a formulação do § 3º do artigo 226 (Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar) “teve o propósito específico de acabar com a discriminação que havia no Direito brasileiro em relação à mulher não casada”, não tendo sentido interpretá-lo como mecanismo de exclusão. Tanto é assim que o § seguinte, o 4º, afirma entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes.
Por que, então, uma PEC para explicitar o direito ao casamento gay? Porque fica claro que falta, como se vê pela própria sessão do STF, por exemplo, nos votos dos Ministros Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, que o legislador se pronuncie de forma a autorizar de vez o vínculo matrimonial entre pessoas do mesmo sexo, pois esse é o espírito da Constituição (remeto de novo ao maravilhoso voto de Ayres Britto). Porque é necessário que o mesmo direito tenha o mesmo nome. Porque “casamento” não é somente um contrato, mas é uma realização simbólica ordenadora de vidas, e não tem sentido dele excluir os casais homoafetivos. Porque é importante que os direitos civis dele advindos sejam automática e inequivocamente aplicados. Porque é justo e é correto, enfim.
Eu estou nessa campanha e me coloco à disposição dos seus organizadores para ajudar no que eu puder.
Idelber Avelar
No Outro olhar
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A mídia, o jornalismo brasiliense e o caso Cachoeira

Aparentemente rompeu-se o longo pacto político de 2005, dos grandes grupos de mídia.
Conforme adiantei na série "O caso de Veja", a revista escondeu-se no macartismo mais primário para montar suas jogadas. Cada loucura da revista, por mais inverossímil que fosse, era repercutida pelos demais jornais e pelo Jornal Nacional, porque havia um objetivo maior, de derrubar o governo. Esse pacto espúrio acabou conferindo à Veja um poder quase ilimitado.
E aí se entra no papel de personagens públicos. Na era do espetáculo, há personagens midiáticos, fabricados e que ganham visibilidade à custa de doses maciças de divulgação.
No período mais escabroso do jornalismo brasileiro, o pacto midiático tentou transformar figuras menores do jornalismo da Veja em personalidades com enorme visibilidade, exclusivamente para conferir-lhes maior poder de fogo no fuzilamento de reputações dos que ousassem denunciar os métodos criminosos da revista. Depois de usados, voltaram ao esgoto.
E como foi fácil esse aliciamento da mídia, valendo-se da transição no comando dos três principais grupos jornalísticos! De nada adiantaram alertas sobre a fria em que estavam entrando. O despreparo os fazia acreditar que se estava ingressando em uma nova fase do jornalismo, em que se aboliam totalmente as divisórias entre o fato e a ficção, ignorava-se a lei, os poderes constituídos, envolvia-se o Supremo nas suas manipulações, tentava se desacreditar a Polícia Federal, como se pairassem acima das instituições..
Agora, a ficha começa a cair. Apesar das enormes pressões sofridas, o Correio Braziliense rompeu o pacto de silêncio em torno de Demóstenes. O Globo, finalmente, começa a dar espaço para seus jornalistas entrarem no tema.
Vai ser uma oportunidade única de desvencilhar a imagem da mídia brasileira do esquema que foi montado por Roberto Civita, em parceria com o crime organizado.
Luis Nassif
No Advivo
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O fascista Bolsonaro devia ser preso

O fascistóide Jair Bolsonaro (PP-RJ) adora provocar. Mas desta vez ele pode ter se exagerado, o que finalmente possibilitaria a sua punição por quebra de decoro parlamentar. Segundo a Agência Brasil, nesta quarta-feira (4), o deputado tentou impedir a realização da primeira audiência da subcomissão de Direitos Humanos da Câmara Federal e ainda ofendeu um servidor do Legislativo.
Agressão e ameaças aos depoentes
Diante das agressões, deputados da Comissão de Direitos Humanos e da Subcomissão da Verdade protocolaram na presidência da Câmara representação contra o parlamentar, que é oficial da reserva do Exército e o principal porta-voz dos saudosos da ditadura militar. Para o deputado Domingos Dutra (PT-MA), presidente da comissão, Jair Bolsonaro abusou das suas prerrogativas:
“O deputado Bolsonaro, que está acostumado a agredir as pessoas e tentar obstruir os trabalhos do Legislativo e, apesar de não fazer parte da subcomissão, tentou obstruir a sessão. Agrediu um servidor, o secretário Marcio Araujo, ameaçou os depoentes, tentou paralisar as atividades da comissão. Como não conseguiu, ele ficou no corredor aos berros ameaçando todo mundo”.
Folclore para satisfazer nicho fascista
Na audiência foram ouvidos dois camponeses e dois militares que participaram da Guerrilha do Araguaia. Jair Bolsonaro, segundo Dutra, tumultuou a sessão e tirou fotos dos depoentes para tentar constrangê-los. Para o Chico Alencar (PSOL-RJ), o fascistóide não só prejudicou o trabalho da subcomissão, como atentou contra o próprio Código de Ética da Câmara Federal.
“Ele ofendeu um servidor. Isso não pode ficar apenas no folclore do Bolsonaro para satisfazer o nicho fascista dele”, argumentou o líder do PSOL. Diante do risco da punição, o deputado provocador – o valentão que sempre foge da briga – tentou se justificar. “Todos os deputados tomaram as dores do servidor. Mas não houve xingamento, mas uma discussão pesada”.
Deu com os burros n'água
Para ele, o pedido de abertura de processo de investigação por quebra de decoro parlamentar é uma tentativa de intimidá-lo por suas críticas à Comissão da Verdade, criada pelo governo Dilma Rousseff. “Essa é uma comissão da mentira. Eles estão revoltados porque eu falei que vou participar de toda e qualquer sessão da comissão que for dentro da Câmara. Eles querem que eu não adentre a subcomissão, mas se essa for a intenção deles, vão dar com os burros n'água”, provocou Bolsonaro.
O pedido de punição do deputado fascista foi entregue ao presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS). Ele deverá encaminhá-lo à Corregedoria da Casa. O corregedor, deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), terá prazo de 45 dias para apresentar parecer sobre o caso. Caso considere que houve quebra de decoro, ele enviará o documento à Comissão de Ética para abertura de processo, que pode resultar na cassação de Bolsonaro. Mas o fascistóide não merece apenas ser cassado. Ele devia estar preso!
Altamiro Borges
No Blog do Miro
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Novo cerco ao Brasil

Se, amanhã, os terrestres vierem a colonizar Marte, como muitos sonham, o feito será, dentro das circunstâncias do tempo e da ciência, menos surpreendente do que foi o desembarque europeu na América do Sul e a ocupação do espaço ainda desconhecido. Sabemos hoje muito mais do planeta vermelho do que os contemporâneos do Renascimento podiam conhecer da América do Sul. Na realidade, nem mesmo podiam ter certeza de que a quarta parte existisse.
Não só a conquista do território continental, mas a construção da consciência de pátria – da plena identidade e da soberania de nossos povos – tem sido ato permanente de luta e de resistência, contra a natureza hostil e contra a opressão política.
Só há dois séculos, na esteira da Revolução Francesa, da Guerra de Independência dos Estados Unidos e das guerras napoleônicas, admitiram a nossa existência como povo, mas sob arrogante tutela e subordinação aos seus interesses. O pior é que as coisas continuam quase da mesma forma. Querem-nos apenas como fornecedores de matérias primas. Ao usar o vocábulo commodities para designar nossos produtos primários, os neoliberais brasileiros engambelam-nos com a sonoridade britânica do termo, como antes os colonizadores nos engabelavam com os espelhos e miçangas. Continuamos exportando minérios e comprando máquinas; exportando soja e pagando royalties por tecnologia; exportando produtos de nossa singular biodiversidade, e importando medicamentos.
Se houvesse sido possível a exportação da cana em seu estado natural, não teríamos construído aqui os primeiros engenhos açucareiros. Só depois da Independência erigimos forjas para a fundição econômica do ferro; até então foices e enxadas vinham da Europa, por via de Portugal. A independência dos países latino-americanos foi de interesse da Grã Bretanha, que substituiu Madri e Lisboa. A partir de então, Londres se livrou dos intermediários e passou a disputar, com os Estados Unidos, que cresciam, o nosso mercado, como fornecedor de matérias primas e comprador de produtos manufaturados.
É interessante notar que todas as vezes que as circunstâncias nos ajudavam, o cerco estrangeiro se fechava sobre o Brasil – e sobre os paises do continente. Nosso desenvolvimento industrial no Segundo Reinado – em que houve, para o bem e para o mal, a aliança da Coroa com Mauá – foi tolhido pela ação britânica, contra a economia brasileira e com o cerco ao grande empreendedor, cuja presença política no continente incomodava a geopolítica imperialista.
A República, não obstante todos os seus avanços, propiciou, pelas dificuldades políticas de sua consolidação, o assédio britânico. As negociações draconianas da nossa dívida com a praça de Londres – o famoso funding loan é o exemplo da arrogância e voracidade dos banqueiros internacionais – favoreceram o desembarque de sua empresas no país, que, logo se associaram às norte-americanas.
Em 1922, em uma visão histórica equivocada, os tenentes se levantaram contra a eleição do mineiro Artur Bernardes, a partir de cartas falsas, a ele atribuídas, e que ofendiam o marechal Hermes da Fonseca. Até hoje não sabemos, exatamente, a quê e a quem serviram os falsários, não obstante as versões divulgadas. Era um bom momento para o Brasil, e que se frustrou em parte, na medida em que o presidente teve que defender, a ferro e fogo, o seu mandato – não tendo, em razão disso, conseguido ampliar as medidas nacionalistas adotadas contra os interesses anglo-saxônicos, entre elas as de nosso desenvolvimento siderúrgico.
Para não lembrar episódios menores no intervalo, o cerco a Getúlio, em seu segundo mandato, é nisso exemplar. O presidente entendera, desde os anos 30, que não teríamos soberania sem que tivéssemos a energia necessária ao desenvolvimento da economia. Por isso, cuidou da Petrobrás e da Eletrobrás, como bases necessárias à economia industrial brasileira.
Os interesses estrangeiros – leia-se, norte-americanos – se mobilizaram, conforme documentos ianques indesmentíveis, com a ajuda dos meios de comunicação brasileiros, e políticos cooptados, a fim de acossar o presidente até a tragédia de 24 de agosto de 1954. Não satisfeitos, desde que o tíbio governo de Café Filho não os garantira, tentaram novamente o golpe, em 11 de novembro de 1955, mediante os seus cúmplices nacionais. Se impedissem a posse de Juscelino, como queriam – e Lacerda vociferava em seus ataques ao mineiro – a primeira medida seria a revogação do monopólio estatal do petróleo.
A reação dos militares nacionalistas, chefiados por Lott, frustrou-lhes os planos, e Juscelino pôde, em seu qüinqüênio presidir ao extraordinário salto do Brasil rumo ao futuro – enfrentando, ao mesmo tempo os interesses estrangeiros e o derrotismo conformista de muitos brasileiros. A facção pró-americana, de civis e militares, que não queria o desenvolvimento autônomo do país, também açulada por Lacerda e outros, iniciou o processo golpista, prontamente contido pela reação de Leonel Brizola, então governador do Rio Grande do Sul. Diante da iminência da guerra civil, houve negociações que mudaram o sistema, implantando-se o parlamentarismo. Jango assumiu reduzido em seus poderes constitucionais, outorgados pelas eleições livres, e era natural que a nação lutasse para que ele os recuperasse, como os recuperou, com a vitória no referendo popular.
O novo momento foi, mais uma vez, usado pelos norte-americanos, com a desavergonhada intromissão em nossos assuntos internos, mediante o IBAD e outros instrumentos. O golpe de 1964 se fez contra o Brasil, e não em defesa da soi-disant democracia hemisférica contra Cuba e a União Soviética. O que eles temiam, e continuam a temer, é a transformação de nosso país em grande potência econômica, provida de conseqüente força militar, capaz de garantir a sua presença política continental e sua soberania no mundo.
Estamos em momento similar, e em plena ascensão. Essa situação auspiciosa, é bom repetir até a exaustão, recomenda a todos os brasileiros, civis e militares, conscientes de seu pertencimento à comunidade nacional, o máximo de prudência. É preciso fechar as nossas portas aos estrangeiros, interessados em retirar o seu butim dos conflitos internos, como fazem no Iraque, no Afeganistão, na Líbia – e se preparam para fazer na Síria e no Irã.
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Deputado Fernando Ferro fala sobre a Operação Monte Carlo

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Demóstenes, Marconi e Policarpo

Sequestrada. Em Goiânia, domingo dia 1º
O caso do senador Demóstenes Torres é representativo de uma crise moral que, a bem da sacrossanta verdade, transcende a política, envolve tendências, hábitos, tradições até, da sociedade nativa. No quadro, cabe à mídia um papel de extrema relevância. Qual é no momento seu transparente objetivo? Fazer com que o escândalo goiano fique circunscrito à figura do senador, o qual, aliás, prestimoso se imola ao se despedir do DEM. DEM, é de pasmar, de democratas.
Ora, ora. Por que a mídia silencia a respeito de um ponto importante das passagens conhecidas do relatório da Polícia Federal? Aludo ao relacionamento entre o bicheiro Cachoeira e o chefe da sucursal da revista Veja em Brasília, Policarpo Júnior. E por que com tanto atraso se refere ao envolvimento do governador Marconi Perillo? E por que se fecha em copas diante do sequestro sofrido por CartaCapital em Goiânia no dia da chegada às bancas da sua última edição? Lembrei-me dos tempos da ditadura em que a Veja dirigida por mim era apreendida pela PM.
A omissão da mídia nativa é um clássico, precipitado pela peculiar convicção de que fato não noticiado simplesmente não se deu. Não há somente algo de podre nas redações, mas também de tresloucado. Este aspecto patológico da atuação do jornalismo pátrio acentua-se na perspectiva de novas e candentes revelações contidas no relatório da PF. Para nos esclarecer, mais e mais, a respeito da influência de Cachoeira junto ao governo tucano de Goiás e da parceria entre o bicheiro e o jornalista Policarpo. E em geral a dilatar o alcance da investigação policial.
Quanto à jornalística, vale uma súbita, desagradável suspeita. Como se deu que os trechos do documento relativos às conversas entre Cachoeira e Policarpo tenham chegado à redação de Veja? Sim, a revista os publica, quem sabe apenas em parte, para demonstrar que o chefe da sucursal cumpria dignamente sua tarefa profissional. Ou seria missão? No entanto, à luz de um princípio ético elementar, o crédito conferido pelo jornalista às informações do criminoso configura, por si, a traição aos valores da profissão. Quanto à suspeita formulada no início deste parágrafo, ela se justifica plenamente: é simples supor vazamento originado nos próprios gabinetes da PF. E vamos assim de traição em traição.
A receita não a dispensa, a traição, antes a exige nas mais diversas tonalidades e sabores. A ser misturada, para a perfeição do guisado, com hipocrisia, prepotência, desfaçatez, demagogia, arrogância etc. etc. E a contribuição inestimável da mídia, empenhada em liquidar rapidamente o caso Demóstenes, para voltar, de mãos livres, à inesgotável tentativa de criar problemas para o governo. Os resultados são decepcionantes, permito-me observar. A popularidade da presidenta Dilma acaba de crescer de 72% para 77%.
E aqui constato haver quem tenha CartaCapital como praticante de um certo, ou incerto, “jornalismo ideológico”. Confesso, contristado, minha ignorância quanto ao exato significado da expressão. Se ideológico significa fidelidade canina à verdade factual, exercício desabrido do espírito crítico, fiscalização diuturna do poder onde quer que se manifeste, então a definição é correta. E é se significa que, no nosso entendimento, a liberdade é apanágio de poucos, pouquíssimos, se não houver igualdade. A qual, como sabemos, no Brasil por ora não passa de miragem.
E é se a prova for buscada na nossa convicção de que Adam Smith não imaginava, como fim último do capitalismo, fabricantes de dinheiro em lugar de produtores de bens e serviços. Ou buscada em outra convicção, a da irresponsabilidade secular da elite nativa, pródiga no desperdício sistemático do patrimônio Brasil e hoje admiravelmente representada por uma minoria privilegiada exibicionista, pretensiosa, ignorante, instalada no derradeiro degrau do provincianismo. Ou buscada no nosso apreço por toda iniciativa governista propícia à distribuição da renda e à realização de uma política exterior independente.
Sim, enxergamos no tucanato a última flor do udenismo velho de guerra e em Fernando Henrique Cardoso um mestre em hipocrisia. Quid demonstrandum est pela leitura do seu mais recente artigo domingueiro na página 2 do Estadão. O presidente da privataria tucana, comprador dos votos parlamentares para conseguir a reeleição e autor do maior engodo eleitoral da história do Brasil, afirma, com expressão de Catão, o censor, que se não houver reação, a corrupção ainda será “condição de governabilidade”.
Achamos demagógica e apressada a decisão de realizar a Copa no Brasil e tememos o fracasso da organização do evento, com efeitos negativos sobre o prestígio conquistado pelo País mundo afora nos últimos dez anos. Ah, sim, estivéssemos de volta ao passado, a 2002, 2006 e 2010, confirmaríamos nosso apoio às candidaturas de Lula e Dilma Rousseff. Se isso nos torna ideológicos, também o são os jornais que nos Estados Unidos apoiaram e apoiarão Obama, ou que na Itália se colocaram contra Silvio Berlusconi. Ou o Estadão, quando em 2006 deu seu voto a Geraldo Alckmin e em 2010 a José Serra.
Não acreditamos, positivamente, que de 1964 a 1985 o Brasil tenha sido entregue a uma “ditabranda”, muito pelo contrário, embora os ditadores, e seus verdugos e torturadores, tenham se excedido sem necessidade em violência, por terem de enfrentar uma resistência pífia e contarem com o apoio maciço da minoria privilegiada, ou seja, a dos marchadores da família, com Deus e pela liberdade. Hoje estamos impavidamente decepcionados com o comportamento de muitos que se apresentavam como esquerdistas e despencaram do lado oposto, enquanto gostaríamos que a chamada Comissão da Verdade atingisse suas últimas consequências.
Agora me pergunto como haveria de ser definido o jornalismo dos demais órgãos da mídia nativa, patrões, jagunços, sabujos e fâmulos, com algumas exceções, tanto mais notáveis porque raras. Ideologias são construídas pelas ideias. De verdade, alimentamos ideias opostas. Nós acreditamos que algum dia o Brasil será justo e feliz. Eles querem que nada mude, se possível que regrida.
Mino Carta
No CartaCapital
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Charge online - Bessinha - # 1155

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Jornal Nacional: Santoro, Cachoeira e o interrogatório da madrugada

A partir do post Quem armou para arrancar Zé Dirceu do governo Lula?, uma leitora conseguiu, por meio de uma empresa de clipping, a edição de 30 de março do Jornal Nacional. Prestem atenção nos personagens envolvidos e em como essa história dos grampos que desencadearam na crise política de 2005 ainda tem muito a revelar.
Jornal Nacional do dia 20 de março, que revela depoimento de Cachoeira ao subprocurador da República José Roberto Santoro, antes de o caso se tornar um escândalo
No Blog do Rovai
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A ética tucana

João Antônio Cardoso, vulgo "Meio Kilo", membro do Conselho de Ética do PSDB de Santo  André.
Informação do mais doce de todos: Jornalismo Wando
No Esquerdopata
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Charge online - Bessinha - # 1154

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Marco Maia assina a criação da 3ª CPI na Câmara

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), assinou a criação da CPI do Tráfico de Pessoas no Brasil.
Com essa, já é a terceira CPI em funcionamento na Câmara. Se somam a ela as CPI do Trabalho Escravo e da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
Ao todo, só podem funcionar na Câmara cinco CPIs ao mesmo tempo.
Marco Maia garantiu que irá guardar espaço para o funcionamento da CPI do Cachoeira, que teve o pedido protocolado pelo deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP).
A definição se sairá ou não deve ser tomada na semana que vem. Para Marco Maia é grande a possibilidade da criação desta CPI.
No Poder Online
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Acesse aqui todos os documentos da Operação Monte Carlo

Os arquivos estão disponíveis em dois formatos: com links para cada documento e a pasta completa compactada com tamanho de aproximadamente um gigabyte
O sítio Lei dos Homens divulga, com exclusividade na Internet, a íntegra do inquérito e de todos os documentos da Operação Monte Carlo, que investiga a máfia dos bingos, cujo pivô é o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal desde fevereiro.
No total, aproximadamente 1 gigabyte de arquivos estão disponíveis. Muitos deles estão em segredo de Justiça e contêm autorizações judiciais para interceptações telefônicas, quebras de sigilos bancários, fiscais e de e-mails e degravações de diálogos entre os suspeitos.
A divulgação da íntegra de todo o conteúdo, sem tratamentos ou filtros, se dá com base no princípio constitucional da liberdade de informação.
Desde a primeira reportagem a respeito da Operação Monte Carlo – que desbaratou a máfia de jogos ilegais que atuava em Goiás, no Distrito Federal e em outros estados – a imprensa vem divulgando, gradativamente, documentos vazados por órgãos oficiais. Por ser uma divulgação seletiva, levanta-se a hipótese de que os conteúdos revelados possam servir a algum interesse, por parte de quem vaza ou por parte de quem divulga. Por que fracionar conteúdos e escolher quem deverá recebê-los? Por que tantos filtros até que as informações cheguem a quem realmente interessa: o cidadão?
Segundo o advogado Antonio Carlos de Oliveira, “o segredo de justiça acaba sendo uma medida do Judiciário para proteger o investigado”. No caso da Operação Monte Carlo, ele afirma que esse instituto jurídico não atende o interesse público. “É apenas uma forma de se criar obstáculo à imprensa”, concluiu.
A partir dos links, navegue em todo o conteúdo da Monte Carlo
Busca e apreensão 1
Busca e Apreensão 2
Comprovante Expresso Turismo
Inquérito Policial
Bancário-Fiscal 
Monitoramento Telefônico

Pasta compactada com todos os documentos acima (aproximadamente 1 gigabyte)
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Demóstenes, Cachoeira e o encontro com “um juiz muito importante” em Berlim

O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) prevê que surgirão novas revelações, caso a defesa de Demóstenes Torres insista em anular, no Supremo Tribunal Federal, as provas do envolvimento do senador com o bicheiro Carlinhos Cachoeira já obtidas pela Polícia Federal:
– O que Demóstenes precisa é revelar, antes que uma CPI o faça, os nomes de todos os que se aproveitaram da malha de poder e dinheiro do Cachoeira. Inclusive contar detalhes daquela viagem que ele e Cachoeira fizeram à Alemanha, na qual esteve presente um juiz muito importante do Brasil.
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Grampo sem áudio: a suspeita que não pode ser esquecida

1. No episódio do grampo dos Correios,  revista Veja se aliou a Carlinhos Cachoeira para expulsar uma quadrilha concorrente do bicheiro. No capítulo "O Araponga e o Repórter", da série "O caso de Veja", descrevo essas relações promíscuas.
2. No caso do grampo sem áudio - o suposto grampo de uma conversa entre Demóstenes e o então presidente do STF Gilmar Mendes -, mostra-se a relação espúria Demóstenes-Veja.
3. Agora, a operação Monte Carlo, mostra as relações de Demóstenes e Carlinhos Cachoeira, inclusive revelando que o bicheiro era informado sobre movimentos políticos de Demóstenes, conforme matérias de hoje.
Insisto na questão: vai-se varrer para baixo do tapete uma suspeita de crime que envolveu todos os poderes da República, o do grampo sem áudio? Até onde foram as relações Veja-Demóstenes-Carlinhos?
À medida em que vão sendo reveladas as influências políticas múltiplas do bicheiro Carlinhos Cachoeira, é hora de tirar outros fantasmas do armário. Especialmente enquanto vai se desnudando a imagem pública do senador Demóstenes Torres.
Um deles talvez seja a mais grave suspeita a pairar sobre a política brasileira: a de que foi engendrada uma falsificação envolvendo o próprio presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), a maior revista do país, dando munição para uma CPI, servindo de instrumento de ameaça ao próprio presidente da República. Uma armação que, na história do país, tem o mesmo nível do Plano Cohen e das Cartas Brandi.
Trata-se do grampo sem áudio da conversa de Demóstenes Torres com Gilmar Mendes divulgado pela revista Veja.
A suspeita mais forte é a de que houve uma ligação de Demóstenes para Gilmar, acompanhada presencialmente por um repórter da Veja. O repórter teria anotado em detalhes as falas de Demóstenes; mas de Gilmar captou apenas frases curtas e soltas, conforme pode-se perceber na reconstituição do diálogo. Além disso, quem liga é Demóstenes, é ele quem dá o mote para a conversa. O que reforça a suspeita de que a transcrição só tinha acesso à fala de Demóstenes - por estar assistindo e anotando a conversa - e reconstituiu posteriormente a de Gilmar.
Aparentemente, Gilmar foi o incauto nessa história e acabou endossando a farsa, inebriado que estava pela catarse montada em torno da Satiagraha, que o colocou no centro de todos os holofotes.
É uma suspeita que não pode ser varrida para baixo do tapete. A CPI do Grampo foi prorrogada devido a esse episódio. Nem parlamentares, nem Ministério Público Federal nem Polícia Federal têm o direito de ignorar essa farsa.
Aqui, a íntegra da conversa captada pelo suposto grampo:
Gilmar Mendes – Oi, Demóstenes, tudo bem? Muito obrigado pelas suas declarações.
Demóstenes Torres – Que é isso, Gilmar. Esse pessoal está maluco. Impeachment? Isso é coisa para bandido, não para presidente do Supremo. Podem até discordar do julgado, mas impeachment...
Gilmar – Querem fazer tudo contra a lei, Demóstenes, só pelo gosto...
Demóstenes – A segunda decisão foi uma afronta à sua, só pra te constranger, mas, felizmente, não tem ninguém aqui que embarcou nessa "porra-louquice". Se houver mesmo esse pedido, não anda um milímetro. Não tem sentido.
Gilmar – Obrigado.
Demóstenes – Gilmar, obrigado pelo retorno, eu te liguei porque tem um caso aqui que vou precisar de você. É o seguinte: eu sou o relator da CPI da Pedofilia aqui no Senado e acabo de ser comunicado pelo pessoal do Ministério da Justiça que um juiz estadual de Roraima mandou uma decisão dele para o programa de proteção de vítimas ameaçadas para que uma pessoa protegida não seja ouvida pela CPI antes do juiz.
Gilmar – Como é que é?
Demóstenes – É isso mesmo! Dois promotores entraram com o pedido e o juiz estadual interferiu na agenda da CPI. Tem cabimento?
Gilmar – É grave.
Demóstenes – É uma vítima menor que foi molestada por um monte de autoridades de lá e parece que até por um deputado federal. É por isso que nós queremos ouvi-la, mas o juiz lá não tem qualquer noção de competência.
Gilmar – O que você quer fazer?
Demóstenes – Eu estou pensando em ligar para o procurador-geral de Justiça e ver se ele mostra para os promotores que eles não podem intervir em CPI federal, que aqui só pode chegar ordem do Supremo. Se eles resolverem lá, tudo bem. Se não, vou pedir ao advogado-geral da Casa para preparar alguma medida judicial para você restabelecer o direito.
Gilmar – Está demais, não é, Demóstenes?
Demóstenes – Burrice também devia ter limites, não é, Gilmar? Isso é caso até de Conselhão.
(risos)
Gilmar – Então está bom.
Demóstenes – Se eu não resolver até amanhã, eu te procuro com uma ação para você analisar. Está bom?
Gilmar – Está bom. Um abraço, e obrigado de novo.
Demóstenes – Um abração, Gilmar. Até logo.
Luis Nassif
No Advivo
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Bob Fernandes: as supostas relações de Demóstenes e Gilmar

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Até onde vai a insubordinação militar

ESTIGMA
É difícil acreditar que não exista, entre os militares, uma corrente, ou talvez até uma maioria, que reprova a atitude dos clubes de reformados das Forças Armadas em relação à Comissão da Verdade e ao esclarecimento final do que houve nos anos de rebeldia e repressão.
Dos clubes militares só se pode esperar bravatas vazias mas ignora-se até que nível vai a mesma insubordinação entre os da ativa.
Entende-se a resistência a remexer lama antiga mas é impossível que se continue a sonegar à Nação uma parte tão importante da sua história. E é impossível que ainda confundam a preservação da honra da instituição militar com o silêncio, e prefiram o estigma das acusações nunca investigadas ao esclarecimento.
LEGADO
Dizem que o legado mais importante de qualquer presidente americano não são suas obras, suas escolhas econômicas ou sua herança política, são suas nomeações de juízes para a Suprema Corte.
Os juízes supremos, com suas decisões e interpretações da lei, são os que determinam os rumos do país, seja quem for o presidente — que é apenas temporário, enquanto eles costumam ser longevos. A Suprema Corte americana (muito mais marcadamente do que a nossa, onde há algumas figuras intermediárias) se divide em conservadores e liberais, e nos últimos anos tem sido dominada pelos conservadores. Que, apesar da antipatia declarada da maioria por uma Corte muito “ativista”, tem se metido bastante em política.
Foi a atual Corte, com duas ou três exceções, que literalmente doou a reeleição ao Bush, quando houve aquele problema da recontagem dos votos para ele e para o Gore na Flórida e havia a ameaça de que a recontagem favoreceria o Gore. A Corte mandou parar a recontagem.
Estes mesmos juízes, quase todos nomeados por republicanos, estavam infernizando a vida do Obama, que tenta criar um programa de saúde publica que só os Estados Unidos não têm, entre as potências industriais do mundo, e que os juízes retalharam.
CAÇA-NIQUEIS
A mesma Suprema Corte americana decidiu eliminar qualquer limite ao que empresas e corporações podem doar aos candidatos a cargos públicos em campanha. Antes, claro, já davam muito dinheiro escondido, ou você pensa que a Caixa 2 foi inventada no Brasil?
Agora podem dar às claras, e o quanto quiserem. E os candidatos prometerem o melhor governo que o dinheiro pode comprar.
No Brasil deveríamos fazer o mesmo, uma espécie de leilão em que o candidato se ofereceria abertamente ao maior patrocinador com o compromisso de defender seus interesses no governo ou no Congresso. O que nos pouparia de espetáculos melancólicos como o do Demóstenes — claramente uma vítima do sistema atual de financiamento de campanhas — negociando apoio clandestino com o rei dos caça-níqueis.
Luís Fernando Veríssimo
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A surra no general

José Maria Rabêlo, aos 82 anos
Em janeiro de 1963 eu aportei em Belo Horizonte me aventurando na vida. Em poucos dias e muita sorte, consegui um bico de redator na Rádio Inconfidência, do Governo de Minas, passando a escrever notas para o programa “O Domingo é Notícia”. Garantia, assim, a mensalidade da pensão no bairro Floresta.
Na emissora, consultando jornais e conhecendo jornalistas, fiquei sabendo da existência do José Maria Rabêlo, editor do jornal Binômio, que dois anos antes (1961) tinha encarado e surrado um general-de-brigada dentro da redação. Ouvi que após a refrega ele sumira, e também que tinha sido morto por militares no interior do Estado. Seu nome ficou na minha memória como primeiro grande herói da imprensa alternativa.
Terça-feira passada, 28 de junho, tive a oportunidade de vê-lo em carne e osso em São Paulo, no lançamento de 12 DVDs sobre a imprensa alternativa, um projeto da Fundação Vladimir Herzog nominado “Resistir é Preciso”. Aos 82 anos, o histórico jornalista me pareceu inteiro e combativo, fazendo jús à fama que tem.
Convidado pela Fundação, eu estava hospedado no Hotel Adress, na zona sul da cidade, juntamente com alguns baluartes da impresa alternativa. Naquela manhã, acabara de tomar café no 16º andar em companhia da viúva de Antônio Callado, Ana Arruda Callado, doutora em comunicação, e da cineasta Tetê  Moraes. Aguardávamos o elevador para descer para o 3º andar, quando a porta se abriu e um senhor alto e elegante, ladeado de sua mulher, saiu sorridente, cumprimentando minhas acompanhantes.
Já no elevador, perguntei a Ana Callado quem era ele: “Você não conhece o Zé Maria Rabêlo?”, – respondeu, indagando.
Voltei incontinente ao salão do café. Muito simpático, carinhoso com a esposa Thereza, que, segundo me disse, foi heróica ao acompanhá-lo no exílio político com sete filhos pequenos, o lendário jornalista não se fez de rogado para me contar sobre seu jornal, o Binômio, e sobre a surra que aplicara no general-de-brigada João Punaro Bley, que o agredira ao contestar uma reportagem que o apontaava  como nazista e antidemocrata.
Elson Martins, José Maria Rabêlo, Thereza Rabêlo e Tetê Moraes
Óleo de Rícino - O Binômio foi fundado em 1952 e logo ficou conhecido como “o jornal que virou Minas de cabeça para baixo”. O nome era uma referência ao plano de Juscelino Kubistchek, então governador, que não passava de um marketing populista. Humor e irreverência, com boa dose de coragem, projetaram o jornal, que logo bateu os concorrentes em vendagem. Mas os poderosos da época o perseguiram e, durante o golpe militar de 1964, fecharam-no.
A reportagem polêmica foi publicada em 1961. Naquele ano, o presidente Jânio Quadrosinha renunciado e os militares se opuseram à posse do vice João Goulart, o Jango, que acabou assumindo, mas em regime parlamentarista. Os militares golpistas ficaram indóceis.
Nomeado para o comando da DI-4 (Divisão de Infantaria), que reunia todas as forças federais em Belo Horizonte um deles, o general João Punaro Bley,  destacava-se como inimigo dos comunistas e da imprensa. Ficara conhecido na crise da renúncia de Jânio Quadros por deter sindicalistas e estudantes, estabelecer censura aos meios de comunicação, cercar a Assembleia Legislativa de Minas e ameaçar de prisão os deputados que defendiam a posse de Jango.
Diante dessa situação, o Binômio pautou a reportagem especial para levantar o perfil reacionário do militar. Descobriu que cometera muitas atrocidades no estado do Espírito Santo, onde, durante a Segunda Guerra Mundial, instituiu um campo de concentração nazista. As atrocidades foram tantas que recebeu o apelido de “Óleo de Rícino”.
A reportagem sobre o general foi escrita pelo repórter político José Nilo Tavares, que, por motivos óbvios, não a assinou. Foi publicada na contracapa do jornal no dia 18 de dezembro de 1961, com o título em caixa alta, pegando oito colunas:  QUEM É, AFINAL, ESSE GENERAL PUNARO BLEY? De quebra, trazia o subtítulo: “Democrata hoje, fascista ontem”.
“Quem escreveu essa merda?” - Rabêlo não interrompia o café para narrar a refrega com o general. Duas ou três vezes levantou da mesa para apanhar mais leite e pão-de-queijo para ele e sua Thereza, fazendo comentários do tipo: “Engraçado! Os paulistas estão comendo mais pão-de-queijo que os mineiros, e os mineiros estão comendo muita pizza, que é mais um hábito de São Paulo!”.
A reportagem foi um furor, ampliando o interesse dos leitores pelo Binômio, que já vendia 25 mil exemplares na época. Três dias depois (21), Rabêlo recebeu telefonema de Punaro querendo ter uma conversa com ele no jornal.  Apareceu por volta das 11 horas, e a  secretária  o anunciou assim: “Tem um senhor fardado, muito nervoso, dizendo que quer falar com você”.
Com ar maroto, Rabêlo conta: “Deixei-o esperando sozinho, algum tempo, o que era uma tática, depois mandei que entrasse na minha sala e tranquei a porta por dentro. Mas o general foi direto: “Eu não vim para conversar” – disse de cara. Tinha uma espécie de bastão metálico numa mão e um exemplar do Binômio na outra. “Quem escreveu essa merda contra mim? - perguntou furioso. “Isso não é merda, é uma reportagem muito bem fundamentada”- respondi. “E eu sou responsável por tudo que sai no jornal.”
Num ímpeto, o general o segurou pelo colarinho e disse: “Então você é um ‘fila’ da puta”. Era um alemaozão enorme, mesmo assim, Rabêlo não se acovardou:
“Eu achei que aquilo foi um desaforo e fui em cima dele. Rolamos pelo chão… E tinha uma outra porta pela qual o pessoal do jornal entrou e me tirou de cima dele. O general ficou com um hematoma no olho esquerdo, um corte no lábio superior e a farda toda rasgada. Foi assim que ele saiu da refrega”.
Enquanto os dois brigavam, a polícia apareceu e autuou os dois por “rixa em ambiente público”. Isso deixou Punaro Bley ainda mais furioso. Duas horas após,  veio a desforra:  200 soldados do Exército e da Aeronáutica, comandados por três coronéis, quebraram tudo na sede do Binômio.
José Maria Rabelo foi avisado por amigos do prédio onde ficava a redação, no centro de Belo Horizonte, e escapou. Refugiou-se em São Paulo e foi acolhido pelo presidente do Sindicato dos Jornalistas, Evaldo Dantas, que dias depois o acompanhou de volta a BH para retomar a direção do Binômio. O jornou voltou a circular, com a ousadia de sempre, até ser fechado durante a ditadura militar em 1964.
Desta vez, José Maria Rabêlo teve tempo de programar um almoço com os amigos e comemorar seu sumiço que durou 16 anos. Passou pela Bolívia, Chile, Canadá e França. Um irmão dele  conseguiu esconder e preservar  as coleções de 12 anos de existência do Binômio, em outro endereço, longe da redação. As coleções somam mais de 800 números, das edições que circulavam em BH e Juiz de Fora.
De volta ao Brasil desde 1983, Rabêlo foi diretor do alternativo “Pasquim” e também diretor do Banco do Estado do Rio de Janeiro, no governo Brizola. Hoje dá palestras em escolas de comunicação,  onde “a meninada morre de rir” das histórias que conta. Para o legendário editor do Binômio, “tem uma revolução em marcha na Internet, mas é a juventude que está nisso, porque os velhos não sabem mexer em compudador”.
No Blog do Almanacre

Nota deste ContextoLivre: ZéMaria Rebêlo, quando eu morava em Belo Horizonte, foi o responsável, junto com Genival Tourinho, por me fazer assinar - pela primeira e única vez - uma ficha de filiação partidária (em 1982), no PDT; que, por exigência minha, foi abonada por meu conterrâneo Leonel Brizola, quando de visita a Belo Horizonte, no lançamento da candidatura de Itamar Franco (PL) ao governo de Minas.
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IPCA de março fica em 0,21%

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - IPCA do mês de março apresentou variação de 0,21%, bem abaixo da taxa de 0,45% registrada no mês de fevereiro. Com o resultado de março, o primeiro trimestre do ano fechou em 1,22%, abaixo da taxa de 2,44% relativa a igual período de 2011. Considerando os últimos doze meses, o índice situou-se em 5,24%, inferior aos doze meses imediatamente anteriores (5,85%). Em março de 2011, a taxa havia ficado em 0,79%.
A publicação completa da pesquisa pode ser acessada na página http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/precos/inpc_ipca/defaultinpc.shtm
O IPCA de março, com resultado de 0,21% é 0,24 ponto percentual menor e representa 46% do IPCA de 0,45% de fevereiro, ou seja, menos da metade do índice daquele mês. Esta forte redução se deve ao grupo educação, que, concentrando 5,62% em fevereiro, exerceu impacto de 0,25 ponto percentual, enquanto em março, com variação de 0,54%, impactou, apenas, 0,02 ponto percentual.
Mas não foi só o grupo educação que contribuiu para a redução do índice de um mês para o outro. À exceção dos grupos alimentação e bebidas (de 0,19% para 0,25%) e transportes (de -0,33% para 0,16%), os demais apresentaram resultados inferiores aos registrados no mês anterior.
Nas despesas pessoais (de 0,88% para 0,55%), o item empregado doméstico mostrou alta mais moderada ao passar da taxa de 1,78%, em fevereiro, para 1,38%, em março. Mesmo assim, deteve o principal impacto no mês, com 0,05 ponto percentual.
Nas despesas com habitação (de 0,60% para 0,48%), o que influenciou o resultado, pela significativa redução na taxa de crescimento, foram os valores dos aluguéis, baixando de 1,19%, em fevereiro, para 0,45%, em março. Além disso, subiram menos os valores do condomínio(de 0,68% para 0,48%) e do botijão de gás (de 0,72% para 0,41%).
Em saúde e cuidados pessoais (de 0,70% para 0,38%), os itens que exerceram influência para baixo foram os remédios, cuja variação foi reduzida de 0,57% para 0,02%, e o item higiene pessoal, que passou de 0,89% para 0,34%.
Os artigos de vestuário - entre os três grupos de produtos e serviços que apresentaram sinal negativo no mês de março - mostraram a queda mais expressiva, passando de -0,23% para -0,61%. Nos artigos de residência, que foram de 0,06% para -0,40%, os destaques foram os eletrodomésticos (de -0,38% para -1,50%) e artigos de TV, som e informática (de -1,73% para -1,59%). Em comunicação, que passou de -0,17% para -0,36%, a influência foi exercida pelo telefone fixo (de -0,52% para -1,07%).
Com resultados acima dos registrados no mês anterior, ficaram apenas dois grupos: transportes (de -0,33% para 0,16%) e alimentação e bebidas (de 0,19% para 0,25%). Sobressaíram, em transportes, as passagens aéreas (de -8,84% para 1,34%) e os combustíveis (de -0,83% para 0,44%). O agrupamento dos não alimentícios passou de 0,53%, em fevereiro, para 0,20%, em março.
No grupo alimentação e bebidas, foram os alimentos de consumo no domicílio que exerceram pressão de alta, ao passarem de -0,03% para 0,21%. Os principais itens com aumento de preços, no mês, estão relacionados na tabela a seguir.
Quanto aos alimentos consumidos fora do domicílio, subiram menos, passando de 0,59% para 0,31%, entre fevereiro e março.
Dentre os índices regionais, o maior foi o de Fortaleza (0,81%) que, influenciado pelo grupo educação (6,27%), refletiu o reajuste das mensalidades dos cursos regulares (9,71%), apropriados em março. O menor índice foi o do Rio de Janeiro (-0,05%), refletindo, basicamente, a queda de 3,22% no item empregado doméstico.
O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980, se refere às famílias com rendimento monetário de 01 a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte, e abrange nove regiões metropolitanas do país, além do município de Goiânia e de Brasília. Para cálculo do índice do mês foram comparados os preços coletados no período de 1º a 28 de março de 2012 (referência) com os preços vigentes no período de 28 de janeiro a 29 de fevereiro de 2012 (base).
INPC varia 0,18% em março
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor - INPC apresentou variação de 0,18%, em março, 0,21 ponto percentual abaixo do resultado de 0,39% de fevereiro. Com isto, o primeiro trimestre do ano fechou em 1,08%, abaixo da taxa de 2,16% relativa a igual período de 2011. Considerando os últimos doze meses, o índice situou-se em 4,97%, abaixo dos doze meses imediatamente anteriores (5,47%). Em março de 2011, o INPC havia ficado em 0,66%.
Os produtos alimentícios apresentaram variação de 0,25% em março, enquanto os não alimentícios aumentaram 0,15%. Em fevereiro, os resultados ficaram em 0,21% e 0,47%, respectivamente.
Para cálculo do índice do mês foram comparados os preços coletados no período de 1º a 28 de março de 2012 (referência) com os preços vigentes no período de 28 de janeiro a 29 de fevereiro de 2012 (base).
Dentre os índices regionais, o maior foi o de Fortaleza (0,63%) que, influenciado pelo grupo educação (5,15%), refletiu o reajuste das mensalidades dos cursos regulares (9,95%), apropriados em março. O menor foi o de São Paulo (-0,06%), onde os alimentos não apresentaram variação, além de queda no grupo dos transportes (-0,24%).
O INPC é calculado pelo IBGE desde 1979, se refere às famílias com rendimento monetário de 01 a 05 salários mínimos, sendo o chefe assalariado, e abrange nove regiões metropolitanas do país, além do município de Goiânia e de Brasília. Para cálculo do índice do mês foram comparados os preços coletados no período de 1º a 28 de março de 2012 (referência) com os preços vigentes no período de 28 de janeiro a 29 de fevereiro de 2012 (base).
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Charge online - Bessinha - # 1153

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Carlos Araújo, ex-marido da Presidenta Dilma Rousseff

Deputados gaúchos e Carlos Araújo no microfone
    foto daniel de andrade simões  
Carlos Araújo surgiu na primeira safra da resistência à ditadura militar de 1964. Foi preso em agosto de 1970 como militante da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), organização de esquerda que propunha a luta armada. Conheceu Dilma Rousseff durante os deslocamentos para responder por crime político. Foi preso e interrogado pelo Romeu Tuma, ex-diretor do DOPS que, cinicamente, após a ditadura se dizia democrata.
Antes da VPR, militou no Partido Comunista Brasileiro (PCB). Nasceu em São Francisco de Paula no Rio Grande do Sul. Aos 14 anos foi detido pela primeira vez, pichando muro em Porto Alegre em defesa de “O Petróleo é Nosso”. Seu pai, Afrânio Araújo, foi um renomado advogado. Faleceu em 1974. Carlos namorava a atriz Bete Mendes, outra militante de esquerda que atuava nas novelas da TV Globo; depois viveu um tempo com a também militante Vânia Abrantes, até conhecer Dilma no presídio Tiradentes, em São Paulo. Os dois se apaixonaram na prisão.
Após dois anos de detenção, Dilma foi solta e passou a visitar Carlos Araújo. Levava livros, cigarros e mantinha com ele relacionamento íntimo, de casal. Assim mantinham-se informados sobre a realidade brasileira e o futuro político. Após a prisão, casaram e viveram 30 anos juntos, até 1999. Têm uma filha fruto dessa união, a linda mulher que desfilou com a mãe no dia da posse como Presidente da República, e que lhes ofereceu um neto.
O casal alinhou-se politicamente com Brizola, Dirceu Collares, Aldo Pinto e Valneri Antunes (o Átila), entre outros, como filiados ao PTB. Após perderem a sigla do PTB para Ivete Vargas, recriaram o PDT. Nesse período, organizaram movimentos sindicais, camponeses e operár ios, o que rendeu a Carlos apoio e votos para as eleições do PDT.
Foi eleito por três mandatos a Deputado Estadual: em 1982, 1986 e 1990. Por duas vezes, perdeu a eleição para os petistas Olívio Dutra e Tarso Genro a prefeito de Porto Alegre. Em 1985, Carlos e Dilma se dedicaram de corpo e alma à eleição de Alceu Collares e pela primeira vez Dilma foi nomeada, com
a indicação do marido, para a Secretaria Municipal da Fazenda do Município de Porto Alegre.
Carlos desligou-se da militância política do PDT em 2000 e voltou a advogar. Desde então, adotou vida discreta e sossegada. É um homem culto e inteligente, grande orador, corajoso, correto na ação e na palavra. É profundo conhecedor do marxismo e da dialética, solidário e humano. Político como ele está em extinção no Brasil. Dilma Rousseff aprendeu com ele, e vice-versa.
Texto do jornalista Elson Martins - http://www.almanacre.blogspot.com
No Saitica
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