4 de abr de 2012

Barão convida Ayres Britto para abrir encontro de blogueiros sujos

Ayres Britto, PHA, Cesar Marcos Klouri e Miro Borges: a liberdade de expressão é a maior expressão da liberdade
O Ministro Ayres Britto, do Supremo Tribunal Federal, recebeu do presidente do Barão de Itararé, Miro Borges, o convite para abrir o encontro de blogueiros sujíssimos em Salvador, na sexta-feira 25 de maio.
No encontro realizado na noite desta terça-feira, no gabinete do Ministro, no Supremo, Miro foi acompanhado deste ansioso blogueiro e seu advogado para causas cíveis – são umas 40 – Cesar Marcos Klouri.
Miro explicou que o Encontro se centrará sobre dois eixos: a luta pelo Marco Regulatório da Comunicação e a crescente censura a blogueiros pela Justiça.
Ayres Britto informou que aceitará o convite, desde que não haja um impedimento técnico: assunto correlato estar em julgamento no Supremo.
Se não for, concordou em enviar mensagem que possa ser lida como abertura oficial do evento.
De qualquer forma, Miro informou que o Encontro reproduzirá o que fez no I Encontro Nacional de Blogueiros Sujos, em São Paulo, dois anos atrás: colocar um banner acima da mesa de abertura, com uma frase do Ministro, considerado o Patrono da Liberdade na Internet brasileira.
Ayres Britto sugeriu, então, não uma, mas duas frases.
A liberdade de expressão é a maior expressão da liberdade”, de Ayres Britto.
E “os excessos da liberdade se corrigem com mais liberdade,” de Alexis de Tocqueville.
Britto disse que não vê necessidade de qualquer lei que regule a liberdade na Comunicação, porque a Constituição regula tudo.
Está tudo lá, ele disse.
Sobre a crescente judicialização da censura à liberdade de expressão, Britto acredita que o próprio STF já se pronunciou em diferentes decisões – inclusive dele, Britto – de forma a assegurar a liberdade.
Especialmente da Internet, que deve merecer liberdade ainda maior.
Aos poucos, ele acredita, o Judiciário incorporará esses conceitos, inclusive em relação à Internet.
O Judiciário progressivamente entenderá inclusive a linguagem irreverente – à la Itararé – e crítica da Internet, observou Klouri: que precisa ser diferente da linguagem da mídia tradicional, inclusive por seu caráter interativo.
É uma questão de tempo, disse Britto.
A conquista da liberdade de expressão no Brasil é irreversível – ponderou o Ministro.
E influencia, positivamente, a atitude em relação à imprensa, em toda a América Latina.
Klouri lembrou que, em recente vitória do ansioso blogueiro na Justiça do Rio contra Daniel Dantas, corajosa decisão da Juiza se baseou em muitos pontos em decisões de Britto.
Miro lembrou que uma das ações do Encontro em Salvador será um ato solene na Praça Castro Alves, em que este ansioso blogueiro, com voz de locutor de baile de debutante, lerá trechos do poema “O livro e a América”.
E, como num jogral improvisado, o Ministro e o ansioso blogueiro recitaram “o livro caindo n’alma é germen que faz a palma, é chuva que faz o mar!
E ele escreveu isso com 24 anos! , lembrou o poeta Ayres Britto.
Aí a conversa seguiu em direção a Tom Jobim – vocês viram o filme do Nelson Pereira dos Santos?, ele perguntou – a Chico Buarque – o Ministro pretende ver o novo show -, Villa Lobos, Pixinguinha, Noel – morreu com 24 anos!, lembrou ele – Caymmi e terminou com uma breve polêmica: qual o maior: Eça ou Machado?
Machado!, foi o voto do ansioso blogueiro.
Paulo Henrique Amorim
No Conversa Afiada
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Charge online - Bessinha - # 1152

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Concurso Cultural

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Apoio de Kassab vale pouco ou quase nada

Existem políticos cuja ascendência deriva de sua capacidade de estabelecer laços afetivos com o eleitorado. Por razões às vezes misteriosas, conseguem que milhões de pessoas gostem deles, sem, aparentemente, despender qualquer esforço. Têm aquilo que Max Weber chamava carisma.
Em nossa história, conhecemos alguns. Os mais velhos se lembram de Juscelino. E há hoje um exemplo maior: Lula.
Outros adquirem liderança sem contar com o carinho da população, apenas através do exercício do poder. Mandam e são obedecidos. Mais que respeitados, são temidos, pois as pessoas supõem que, assim como fazem o bem quando querem, podem fazer o mal - e o fazem.
Na Bahia, havia quem sentisse genuíno amor por Antonio Carlos Magalhães, mas sua força vinha, principalmente, do controle que mantinha da vida do estado. O cidadão comum acreditava que aborrecê-lo custava caro.
A imagem de alguns está lastreada na inteligência e no saber. Não despertam afeições ou submetem pela autoridade. São técnicos habilidosos, que estudaram as respostas aos problemas que a sociedade enfrenta. As pessoas os seguem por pragmatismo: porque funcionam.
Há uns anos, Jaime Lerner entrou por essa porta na vida política. Foi prefeito de Curitiba, governador e chegou a ser cogitado para a presidência. Até hoje, é citado como especialista em gestão.
Grandes são os políticos que reúnem todos esses elementos. Quando carisma, autoridade e competência – em graus variáveis - se combinam, surgem os líderes verdadeiros, os que influenciam o resultado das eleições.
E quando faltam os três? Que tamanho tem um político que não consegue que as pessoas o queiram, sigam ou admirem?
O prefeito de São Paulo é um desses. Hoje - apesar de ser percebido como articulador astuto -, a população da cidade não acha que ele seja um bom administrador, não deseja a continuidade de seu trabalho e não pretende levar em conta sua indicação na escolha do sucessor. Pelo que dizem nas pesquisas, se pudessem, não votariam para que permanecesse.
Que influência eleitoral pode ter um político com essa imagem? Que papel pode ter Gilberto Kassab nas eleições na cidade? E em outros municípios? Modesto, para dizer o mínimo.
E o PSD?
Depende. Fundamentalmente de uma coisa: se terá tempo de televisão. E as chances de que o obtenha são incertas.
Admitir que o PSD faça jus ao tempo a que teria direito se tivesse eleito a bancada que hoje possui equivale a considerar que o dono exclusivo do mandato é o eleito e não a legenda. Algo que a legislação em vigor e as decisões do STF e do TSE não reconhecem. Pelo contrário.
Os peesedistas sustentam que a criação de um novo partido equivale à fusão de dois ou mais existentes, situação em que a legislação admite que o que surgir terá seu tempo somado. Os casos são, porém, diferentes: na fusão, nenhum partido diminui.
O tempo total de televisão é finito, o que quer dizer que, se o PSD ganhar algum, outros perderão. Ou seja: o tempo deles deixaria de ser calculado do modo que a legislação prescreve, pelo tamanho das bancadas no início da legislatura - e não a cada momento, exatamente para coibir o troca-troca de partidos.
Mas, com a tradição de complacência de nossos tribunais em questões desse tipo, é possível que o PSD acabe tendo o tempo que deseja.
Só assim terá significado nos arranjos eleitorais deste ano. Senão, será apenas uma curiosidade identificar o candidato que recebe “o apoio de Kassab”.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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Como Cachoeira usava a mídia goiana

Eu resolvi olhar o inquérito da polícia que deu ordem de prisão ao Cachoeira. Lá tem algumas conversas muito interessantes, que ainda não vi divulgadas na mídia, entre elas uma que fala sobre o governador do estado. Talvez ajude as pessoas a entender melhor o caso ou até instigar alguns jornalistas a investigar algumas pessoas. O fato é que todo o comado da polícia civil, militar e o ministério público do estado estava envolvido com a quadrilha, que por vezes comentava sobre o governador.
 ***
  • WLADIMIR = Wladimir Garcez (PSDB-GO), ex-presidente da Camara Municipal de Goiânia. Uma personalidade central na administração da quadrilha.
  • AREDES = Aredes Pires, delegado e corregedor geral da Segurança Pública (GO)
  • EDEMUNDO = Edemundo Dias (PSDB-GO), delegado-geral –comandante - da Policia Civil (GO) e tesoureiro do PSDB goiano. Atualmente está no controle da AGSEP – Agencia Goiana do Sistema de Execução Penal.
  • GT3 = Grupo Tático da Policia Civil
  • CARLINHOS = Carlos Augusto Ramos, famoso contraventor e chefe da quadrilha.
  • GOVERNADOR = Marconi Perillo (PSDB-GO)
Essa transcrição foi comentada pelo jornal O Popular, mas não foi publicada na integra. É possível encontrar a reportagem no site do sindicato. Além do envolvimento de chefes da segurança do estado fica claro que a quadrilha tem um certo poder sobre o GT3.
***
# Transcrição da conversa gravada em 30/5/2011 as 09:40:02
WLADIMIR: Não, é o seguinte... eu tava com AREDES aqui agora, ficamos um tempão. Ele tá tentando pegar os locais, pra gente, da INTELIGENCIA agora. É... não tem definição, mais porque tirou do comando. Então... só aqueles endereços que ele falou. Ai eu perguntei pra ele o negócio (do processo do EDEMUNDO) da... o EDEMUNDO... do trem, da... do processo do EDEMUNDO, pra mim tocar no assunto com EDEMUNDO e tal, né? O EDEMUNDO não tá preocupado com isso não? Ele falou que não, que tá nem um pouco preocupado. O GOVERNADOR disse que ia resolver pra ele. Tá confiando no GOVERNADOR. E fui conversar com ele, ele falou isso: Mas parece que ele não vai trabalhar nem hoje... por causa desse ( problema) -... tá com enxaqueca, segundo a secretária dele aqui.
CARLINHOS: Não, moço, mas e ai, cadê? Não resolveu nada então.
WLADIMIR: Nada, ele vai pegar... o AREDES ficou de passar para mim os endereços... é que é aqueles endereços que a INTELIGENCIA levantou e deixou pra GT3 fazer. A GT3 tá com hora extra para fazer. A INTELIGENCIA saiu do caso. Não mexe mais, segundo... não tem mais determinação. Que negocio do ENTORNO ai? É aquele trem da FORÇA NACIONAL?
CARLINHOS; Não, isso ai não é da FORÇA não. Foi a GT3, uai!
WLADIMIR: Foi a mando do EDEMUNDO, ainda falou, foi a mando do EDEMUNDO, já tava previsto que era pra ter sido... foi feito. entendeu?
CARLINHOS: Mas a GT3 não vai entrar mais, até sexta-feira?
WLADIMIR: Não, CARLINHOS, o que ele falou pra mim foi o seguinte: aqueles endereços que a INTELIGENCIA levantou, a GT3 pode fazer, segundo ele. (...) Ai ele falou: "o que tenho certeza é TOCANTINS, RUA 3 e a T-4. Esses eu tenho certeza."(...). Ele falou : " WLADIMIR, eu tenho que ir pessoalmente. Eu vou ver e eu levanto. Eu te passo isso ai". A GT3 e a INTELIGENCIA... a INTELIGENCIA saiu, não tem mais ordem pra eles hoje. Mas isso não impede que a GT3 faça, segundo ele. A GT3 pode fazer porque tão recebendo até hora extra.
***
Além de Aredes, outro chefe da segurança em Goiás que está comprovadamente envolvido é o coronel Massatoshi Sergio Katayama, o "Japão”, que é, então, o comandante da Policia Militar em Goiânia. Seu auxiliar, o Ananias, chegava a tratar Carlinhos nas conversas como seu chefe.
De O Popular - 17 de março de 2012
Cachoeira enfrentou até a Força Nacional de Segurança
Quadrilha dos jogos de azar tentou evitar a apreensão de caça-níqueis e a prisão de vários comparsas
A atuação da Força Nacional de Segurança no Entorno do Distrito Federal (DF), a partir de abril do ano passado, preocupou a quadrilha liderada pelo empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, que passou a enfrentá-la ao se sentir ameaçada. Convocada para reduzir os índices de violência na região, a Força Nacional começou a atuar também no enfrentamento a outros tipos de crimes, inclusive a exploração ilegal de jogos de azar.
Por meio do vazamento de informações, a quadrilha tentava evitar o recolhimento de caça-níqueis e a prisão de comparsas, segundo revela o inquérito da Operação Monte Carlo. Além disso, investigações da PF mostram que Cachoeira tentou desmoralizar a Força Nacional por meio da mídia local.
Nos primeiros dez dias de atuação, com ações concentradas em bares, a Força Nacional apreendeu 13 máquinas caça-níqueis no Entorno. Depois, até agosto, foram mais de cem equipamentos. Isso teve reflexo direto na contabilidade da quadrilha, visto que, conforme as investigações da Polícia Federal, uma casa de jogos de azar clandestina em Valparaíso, com até 30 máquinas, chegava a faturar mais de R$ 1 milhão em um mês.
Para driblar a ação da Força Nacional, Cachoeira contou com o apoio de policiais militares – incluindo o comandante do 5º Comando Regional da Polícia Militar (CRPM) de Luziânia, major Uziel Nunes dos Reis, de policiais civis e federais, e de pelo menos um jornalista. Outro policial militar do Entorno que aparece com frequência nas conversas telefônicas e que citou algumas vezes a ação da Força Nacional é o cabo Francisco Miguel, que seria, segundo as investigações, responsável por gerenciar a segurança dos bingos de Cachoeira em Valparaíso.
Em uma conversa interceptada no fim de junho, Miguel pede ao major o “cronograma da festa”, referindo-se à agenda de atuação da Força Nacional na Região do Entorno do DF. As informações estariam em um bloco de anotações na mesa de Uziel. Neste mesmo dia, o então comandante da 5ª CRPM teria ligado para Lenine Araújo de Souza, considerado o primeiro na linha sucessória da quadrilha depois de Cachoeira, e repassado toda a agenda.
Agosto foi o mês em que a Força Nacional é mais vezes citada nas conversas entre membros do grupo de Cachoeria interceptadas pela PF. No dia 5 de agosto, Raimundo Washington de Souza Queiroga, que administrava as casas de jogos em Valparaíso, pediu para Francisco que visse com o major Uziel informações sobre a atuação da Força Nacional para que antecipassem medidas para evitar o fechamento dos bingos clandestinos. “Era duas horas da manhã, passou lá na porta do bingo. Precisa saber se ela tá hoje, se tava ontem” (sic), disse Washington em uma conversa com o cabo da PM.
Em outra conversa interceptada em agosto entre um soldado da PM que trabalhava para o grupo em Valparaíso e Francisco, os dois falam sobre “um problema com a Força Nacional” no dia 6 de agosto, que atrasou o pagamento de uma propina ao soldado.
Cachoeira contava também com o apoio de informantes dentro da Polícia Civil. Em uma conversa com o empresário, interceptada no dia 30 de maio, o ex-vereador Wladmir Garcêz – que fazia a ponte entre Cachoeira e o então corregedor da Polícia Civil, delegado Aredes Pires – explica que as operações contra os caça-níqueis no Entorno do DF saíram das mãos do Grupo Tático da Polícia Civil (GT3) e passaram para a Força Nacional.
Ainda na mesma conversa, segundo o ex-vereador, que hoje se encontra preso no Núcleo de Custódia da Casa de Prisão Provisória (CPP), em Aparecida de Goiânia, a transferência de responsabilidade foi uma determinação do então delegado-geral Edemundo Dias, hoje presidente da Agência Prisional.
Para enfrentar a Força Nacional, Cachoeira recorria até à imprensa. Em uma conversa telefônica interceptada pela Polícia Federal no dia 24 de junho, Lenine e um jornalista de uma rádio do Entorno do DF combinavam a atuação do jornalista no programa dele criticando a Força Nacional. “Vou passar uns quatro, cinco dias batendo para ver se eles desanimam um pouquinho”, disse o jornalista.
Subordinação
A secretária nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Regina Miki, que responde pela atuação da Força Nacional em todo o País, afirmou que a PM de Goiás coordena todas as operações desenvolvidas com a equipe de cerca de 50 homens da Força Nacional. Além disso, segundo a secretária, a equipe usava o mesmo sistema de rádio da PM, o que facilitaria vazamentos de informações. Regina ressalta que desconhece o conteúdo do inquérito da Operação Monte Carlo, mas reconhece que a Polícia Militar tinha acesso a todas informações das atividades da Força Nacional.
Regina diz que a ação da Força Nacional em bares e locais onde foram encontrados caça-níqueis se deu principalmente porque foram identificados como os pontos onde os índices de violência eram maiores. “A Força Nacional buscou atacar o problema diretamente. E se precisava fechar bares irregulares, casas de jogos, boca de fumo, a equipe agia neste sentido”, disse.
No Entorno desde abril, a Força Nacional já esticou o prazo de permanência duas vezes. Uma em novembro e outra em fevereiro. “A equipe fica pelo menos até maio, mas se o governo estadual pedir novamente estenderemos o prazo”, informou Regina.
Delegado foi afastado no meio de investigação
Responsável por um relatório de três meses de investigação e cerca de 500 páginas sobre a exploração ilegal de jogos de azar em Goiás, o delegado Alexandre Lourenço diz que foi informado sobre sua transferência para a Delegacia de Homicídios logo após a entrega do documento, em setembro do ano passado. O relatório foi citado em reportagem da revista Época deste fim de semana.
Em entrevista ao POPULAR, Alexandre desmente o delegado Edemundo Dias, diretor-geral da Polícia Civil em 2011, que afirmou ao jornal que a transferência foi informada antes a Alexandre e que o relatório seria para que o trabalho dele tivesse continuidade por outra equipe. A investigação, entretanto, foi interrompida após a transferência do delegado. Ao ser informado da declaração de Edemundo sobre o aviso prévio de sua transferência, Alexandre foi direto: “Isso não é verdade.”
O delegado foi designado para investigar a exploração ilegal de caça-níqueis em junho de 2011 pelo próprio diretor-geral. Alexandre estava no 12º Distrito Policial e foi realocado, então, para o Serviço de Inteligência da Polícia Civil. “Fiz o relatório para concluir um ciclo de investigação. Quando apresentei, fui informado da transferência”, disse. O delegado disse que não tem autorização para falar sobre o conteúdo da investigação, mas reforçou que até a entrega do documento não sabia sobre sua transferência para a Homicídios.
Edemundo afirma que o relatório apresentava um levantamento de endereços, nomes, telefones e outras informações sobre pessoas que exploravam máquinas caça-níqueis, mas não tinha nenhum nome de autoridade pública ou líderes de quadrilhas. Disse também que o relatório foi encaminhado para um recém-criado grupo de combate ao crime organizado. Entretanto, esse grupo nunca chegou a funcionar direito por falta de estrutura e recursos. “A intenção era que esse relatório fosse aprofundado, mas eu saí em novembro da direção da Polícia Civil, antes que pudesse estruturar o grupo”, disse Edemundo, que hoje comanda a Agência Prisional.
O ex-diretor-geral diz que Alexandre era delegado de sua confiança e que precisou dele na Delegacia de Homicídios. “Ele sempre fez um excelente trabalho por onde passou e considerei necessária sua ida para reforçar o trabalho na Delegacia de Homicídios”, disse. Alexandre ficou responsável por investigar homicídios ocorridos antes de 2007, objeto da Meta 2, fixada pelo Ministério da Justiça, para apurar todos os processos sem solução.
Nas investigações feitas pela Polícia Federal do Distrito Federal e pelo Ministério Público Federal em Goiás, Alexandre aparece citado em uma conversa telefônica interceptada em junho do ano passado entre o então corregedor-geral da Segurança Pública de Goiás, o delegado Aredes Pires, e Carlinhos Cachoeira. O empresário queria saber as chances de corromper Alexandre. “Zero, zero… Cara complicado. Não dá nem para conversar com esse cara. Foi bem achado, viu, acharam o cara”, teria dito Aredes a Cachoeira, segundo a transcrição da conversa. A reportagem tentou contato com a diretora-geral da Polícia Civil, a delegada Adriana Accorsi, mas ela não atendeu aos telefonemas.
Edemundo confirma contato com ex-vereador
O ex-diretor-geral da Polícia Civil de Goiás, Edemundo Dias, confirmou que recebeu o ex-vereador Wladmir Garcêz em seu gabinete no primeiro semestre do ano passado, mas negou que tivesse tratado com ele sobre investigações contra exploração de jogos de azar. Segundo Edemundo, o ex-vereador – preso durante a Operação Monte Carlo por suspeita de ser um dos principais braços direitos do empresário Carlinhos Cachoeira – o procurou para falar em nome de uma “grande empresa” que pretendia criar um sistema de biometria em massa.
“Ele me ligou inúmeras vezes, mas eu nunca atendi. Até que resolvi recebê-lo em meu gabinete, como sempre faço com todo mundo que me procura. Ele veio falar em nome desta empresa, disse que ela pensava em participar da Copa de 2014 e que esse sistema poderia interessar à Segurança Pública. Foi tudo registrado. Talvez ele tivesse tentado abordar algum outro assunto, mas não encontrou abertura da minha parte”, disse.
Edemundo nega que tenha determinado a transferência de responsabilidade sobre as investigações dos caça-níqueis no Entorno do Distrito Federal do Grupo Tático 3 (GT3) da Polícia Civil para a Força Nacional, conforme foi sugerido por Garcêz em conversa interceptada pela polícia com Cachoeira. “O GT3 não ficava sob minha jurisdição. Muito menos a Força Nacional. E eu nunca determinei que um delegado deixasse de investigar algo relacionado a caça-níqueis”, disse.
Joao Goiano
No Advivo
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Merkel ataca Dilma

A primeira-ministra alemã Angela Merkel, atacou com grosseria a presidenta Dilma pelas críticas feitas durante a visita à Alemanha:
"Essa senhora vem à Alemanha nos dizer o que temos que fazer? Ora, a Alemanha vai bem obrigado apesar de tudo. Mas eu vou aproveitar para dar um conselho a ela... antes de vir aqui reclamar das nossas políticas econômicas, por que ela não diminui os gastos do governo dela e diminui os juros que são exorbitantes no Brasil? Se eu posso emprestar dinheiro a juros baixos e o meu povo pode ganhar juros absurdos lá no país dela, não vou ser eu que direi ao meu povo para não fazer isso. Ela que torne a especulação no país dela menos atraente", disse Merkel em entrevista à revista Manager-Magazin.
A crítica de Dima não é quanto aos juros da Alemanha, e sim pelo Banco Central de lá imprimir dinheiro sem lastro, só para desvalorizar a moeda e tornar as exportações alemãs mais competitivas, de forma trapaceira e desleal. Além disso, a Alemanha não está apoiando medidas anti-cíclicas pra aumentar o consumo interno na Europa de forma a debelar a crise, e sem o apoio a esse consumo, o dinheiro impresso sem lastro vai para a especulação.
Diante da hostilidade do governo alemão, tanto econômica, como diplomática, só resta aos brasileiros boicotarem seus produtos. Pior para as empresas alemãs como Volkswagen, Continental, Osram, Bayer, Mercedes, Siemens, etc.
Que tal mandar um recado para estas empresas?
No Amigos do Presidente Lula
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Aprovação popular a estilo de Dilma vai a 77%

Ma che!!!
Para Confederação Nacional da Indústria, dados sugerem que presidenta ganhou pontos ao enfrentar atritos com a base aliada no Congresso
São Paulo – Pesquisa do Ibope divulgada hoje (4) mostra que a aprovação popular ao estilo de governo de Dilma Rousseff foi a 77% em março, cinco pontos a mais que o levantamento anterior, publicado em dezembro. E 72% confiam na presidenta, quatro pontos a mais que a última sondagem.
Flávio Castelo Branco, economista-chefe da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que encomendou o levantamento, considera que a melhoria da imagem de Dilma foi a principal variação detectada nos últimos meses. “Houve uma atuação mais clara em relação ao posicionamento de conflitos com a própria base aliada, em que mostrou firmeza na substituição de ministros. Isso deve ter passado sensação de maior firmeza, maior controle.”
Durante a apresentação do estudo, Castelo Branco enfatizou que houve crescimento à aprovação de Dilma em todas as regiões. No Nordeste, 82% consideram o estilo de governo da presidenta ótimo ou bom, crescimento de seis pontos frente a dezembro, a mesma oscilação registrada no Sudeste, agora com 75%.
Entre os entrevistados, 5% se lembraram espontaneamente de notícias sobre corrupção relacionadas ao governo, contra 28% na sondagem de dezembro. 9% das citações abordaram programas sociais voltados às mulheres e 7% se lembraram das viagens internacionais de Dilma. 39% não souberam responder.
Os pontos relativos à aprovação do governo se mantiveram altos e estáveis, com 56% de ótimo ou bom, o que sugere que a imagem da presidenta é ainda mais forte que a da gestão. Com isso, a popularidade de Dilma supera as de Luiz Inácio Lula da Silva e de Fernando Henrique Cardoso em igual período de governo.
58% têm expectativa de que o governo se mantenha ótimo ou bom, 25% acreditam em uma gestão de desfecho regular e 10% entendem que o balanço final será ruim ou péssimo.
Impostos (65%), saúde (63%) e segurança pública (61%) figuram entre os temas que mais preocupam a população. Houve uma queda na avaliação da atuação do governo em educação, de 51% para 47%, e agora a maioria desaprova a gestão do setor. As políticas mais elogiadas são o combate à fome e à pobreza (59%), combate ao desemprego (53%) e as políticas relativas ao meio ambiente (53%). "Sem dúvida nenhuma, o ponto básico do governo, desde Lula, é o combate à fome e à pobreza", disse Castelo Branco. 60% consideram que o atual governo é igual ao do antecessor.
Foram entrevistadas 2.002 pessoas em 142 municípios entre 16 e 19 de março.
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Charge online - Bessinha - # 1151

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Exoneração de Chefe de gabinete é para proteger Perillo de elo com Cachoeira

Eliane Pinheiro, pediu exoneração da chefia de gabinete do governador Marconi Perillo (PSDB/GO), alegando não querer expor o governo do Estado à "especulações da mídia".
Relatório da Polícia Federal aponta ela trocando telefonemas e mensagens de texto com Carlinhos Cachoeira, para informar com antecedência o prefeito Geraldo Messias (PP), de Águas Lindas de Goiás, que sua casa seria alvo de busca e apreensão.
Segundo a PF, Eliane também teria uma das linhas Nextel com Cachoeira, habilitada nos Estados Unidos, para fugir dos grampos da PF.
Ela alega que quem aparece nas gravações não é ela: "Fui também vítima de um grande equívoco pela coincidência do meu nome com o de uma outra Eliane, que desconheço, e que protagoniza conversas telefônicas grampeadas na investigação", disse a ex-assessora na carta de demissão.
Ela coloca culpa na imprensa, por linchamento sem direito a um processo judicial, porém é pouco convincente, por dois motivos:
1) Se ela diz que a Eliane do telefone é outra, é só exigir perícia da voz, e mostrar que os números dos telefones grampeados legalmente não são do gabinete, nem dela.
2) Se ela nada tivesse a ver com tais telefonemas, seria melhor para Perillo mantê-la, pois demonstraria confiança na inocência. O afastamento soa como confissão de culpa e tentativa de apenas esvaziar a denúncia, sem apurá-la, para não chegar ao governador.
ZéAugusto
No Amigos do Presidente
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Cachoeira vazava operações da PF para chefe de gabinete de Perillo

BRASÍLIA - O contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, usou sua rede de policiais para obter informações sobre operação da Polícia Federal e vazá-las para a chefe de gabinete do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Segundo relatório da Operação Monte Carlo da PF, Cachoeira trocou telefonemas e mensagens com Eliane Gonçalves Pinheiro que, como o senador Demóstenes Torres (sem partido), também foi presenteada com um telefone criptografado comprado no exterior para poder falar com o contraventor. Cachoeira usou o mesmo esquema de acesso a policiais para repassar informações sobre ações da PF à construtora Delta.
Num dos trechos das gravações interceptadas com autorização judicial, o contraventor pergunta a Eliane se ela falou “pro maior” (sic). Ela responde que sim, e acrescenta: “Estou com ele aqui. Tá aqui. Imagina como que tava”. Não fica claro se “o maior” é o próprio governador.
A ação em questão foi desencadeada no dia 13 de maio de 2011 com o nome de Operação Apate. O objetivo foi combater um esquema de fraudes contra a Receita Federal nos estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Pará e Minas Gerais. Foram expedidos 82 mandados de busca e apreensão e 13 mandados de prisão. A Receita Federal havia identificado indícios de que em Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), apresentadas por prefeituras e outros órgãos municipais, havia informações falsas sobre retenções do imposto de renda. Os operadores do esquema contavam com a colaboração de alguns prefeitos e servidores do primeiro escalão municipal. A estimativa da Receita Federal é que o prejuízo aos cofres públicos tenha alcançado cerca de R$ 200 milhões.
Antes do telefonema, o contraventor trocou mensagens de texto com a chefe de gabinete de Perillo, informando da ação da PF. O primeiro torpedo ocorreu no dia 12 de maio do ano passado, às 20h16. Ele anuncia: “vai ter busca na casa e prefeitura, ok”. E ela responde: “ok, entendi.” Depois, continua Carlinhos: “somente busca.” E ainda dá conselhos: “pede a ele que tire as filhas de lá.”. Eliane tranquiliza o interlocutor: “elas estão na casa dele em Taguatinga. Vc. acha q eles vão procurar lá tbem? Ele tem as duas residências”. Carlinhos responde: “acredito q não. Uruaçu, Minaçu”, informa, referindo-se a dois municípios onde deveriam se desencadear as ações da Polícia Federal. Depois encerra: “Entendeu? Falou pro chefe?”
Delta também pediu dados
Doze minutos depois da troca de torpedos, o contraventor telefona para Eliane para confirmar se ela recebeu as mensagens.
Carlinhos: Eliane?
Eliane: Estou ouvindo.
Carlinhos: Falou pro maior (sic)?
Eliane: Falei, estou com ele aqui. Tá aqui. Imagina como que tava.
Antes de encerrar o diálogo, a chefe de gabinete de Marconi Perillo procura saber se a operação da Polícia Federal tem mais gente envolvida.
Carlinhos: Não. Já, já eu te falo. O que eu sei é esses aí (sic). Num (sic) tem ninguém grande não.
Mas Eliane insiste para que ele a avise sobre as novidades: Se você ficar sabendo, me fala. Tem uns pequenos aí que interessa (sic) a gente.
Por meio da assessoria de imprensa, Eliane confirmou que conhece Carlinhos desde 2003. Sobre os diálogos, ela afirma, que a Eliane citada em relatório da PF pode ser uma advogada. No relatório da PF, Eliane é identificada pelo sobrenome, número do CPF e até os telefones utilizados por ela. A chefe de gabinete de Marconi Perillo negou que tenha recebido um Nextel de Cachoeira e afirma que foi um amigo, Wladimir Garcez, que lhe emprestou um aparelho quando ela fez uma viagem ao exterior. Garcez é ex-vereador e, segundo a Polícia Federal, também integra o esquema de Carlinhos Cachoeira. Há vários diálogos interceptados entre os dois. O governador Marconi Perillo disse, por meio da assessoria, que desconhece qualquer relação entre sua chefe de gabinete e Carlinhos Cachoeira.
Relatório da Polícia Federal mostra que Cachoeira também repassou informações para Cláudio Dias Abreu, ex-diretor da construtora Delta em Goiás. Conversas interceptadas pela PF revelam que Abreu recorreu ao amigo para se proteger de eventual investigação sigilosa da Polícia Federal. Integrantes da organização conversam também sobre movimentação financeira supostamente irregular da empresa.
Abreu recorreu aos serviços de Cachoeira em 14 de julho do ano passado para saber sobre operação que a Polícia Federal faria no Pará.
- É deixa eu te falar, nós ficamos sabendo que vai ter uma operação lá no Pará, dá pra você levantar se vai ter reflexo aqui? - pede o executivo.
Cachoeira diz que, se houvesse reflexo, um dos delegados subordinados à organização já teria vazado a informação. Segundo relatório da polícia, Cachoeira tinha uma extensa rede de espionagem.
Em outros diálogos, aparecem referências a suposta lavagem de dinheiro utilizando fornecedores da empreiteira. Por intermédio da assessoria de imprensa, o presidente do conselho da Delta, Fernando Soares, negou qualquer vínculo da empresa com Cachoeira. Segundo ele, Abreu foi afastado em 8 de março, uma semana depois da deflagração da operação. “A Delta Construção está em atividade há 50 anos. Tem uma longa tradição no mercado de construção civil e hoje figura entre as sete maiores e mais respeitadas empresas do setor”, disse a assessoria da empresa.
Chico de Gois Jailton de Carvalho
No O Globo
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Os semelhantes se atraem?

O diálogo ocorreu em 11 de abril de 2011, às 16h06. Cachoeira pergunta se Demóstenes tem um bom relacionamento com o senador paraense. A resposta é afirmativa: "Muito bom". O empresário então diz: "Vou precisar de um negócio aí...". Segundos depois, a conversa é retomada: "O Detran lá é dele", diz Cachoeira. "Ah, então tá bom. Aí você me avisa o que é", responde Demóstenes.
A conversa reforça os indícios de que o democrata atuava corriqueiramente para atender os interesses do amigo, preso em 29 de fevereiro pela Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. Cachoeira é acusado de chefiar uma quadrilha que controlava os jogos ilegais em Goiás e, para se manter impune, corrompia policiais federais, civis e militares.
Até agora, os áudios divulgados pela imprensa mostram que o senador goiano pedia e concedia favores a Cachoeira. Demóstenes abria portas para o amigo em órgãos do Executivo e defendia seus interesses no Congresso Nacional. O senador também teve o nome mencionado em negociações financeiras do grupo que controlava os caça-níqueis em Goiás – numa das conversas, revelada pelo Jornal Nacional, o chefe do bando faz referência a valores e cita “O 1 milhão do Demóstenes".
Por meio de sua assessoria, o senador Mário Couto negou ter recebido de Demóstenes qualquer pedido de interesse de Cachoeira – até porque, segundo o parlamentar paraense, a relação entre ele e o colega de Goiás não era próxima. Demóstenes Torres tem se mantido em silêncio.
Ouça a conversa e veja a transcrição do diálogo:
11 de abril de 2011 – 16h06
(Cachoeira pede ajuda a Demóstenes para abrir um canal com senador Mario Couto; interesse em negócio no Detran do Pará, que segundo o contraventor é comandado por aliados de Couto)
Demóstenes – Fala, professor.
Cachoeira -- Como é que é o relacionamento seu com aquele senador lá do Pará, o Mario Couto?
Muito bom. Mario, inclusive o povo acha que, que... depois eu te falo. Mas eu te ligo. É muito bom meu relacionamento com ele.
Eu vou precisar de um negócio aí...
(...)
O Detran lá é dele.
Ah, então tá bom. Aí você me avisa o que é.
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"Clube Nextel" para manter conversas com o bicheiro

Ingresso entre os VIPs era celebrado pelos integrantes da cúpula da organização
BRASÍLIA - O senador Demóstenes Torres (GO) não era o único a usar um Nextel habilitado nos Estados Unidos para manter conversas secretas com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Todos os integrantes da cúpula da organização usavam o aparelho, supostamente à prova de grampo, para falar com o chefe Cachoeira. A existência do “clube Nextel”, uma espécie de distinção dentro da organização, é descrita em conversas do próprio grupo, captadas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo.
Em 28 de junho de 2011, a polícia registrou uma curiosa conversa entre o então chefe da Divisão de Combate ao Crime Organizado da PF de Goiás, Deuselino Valadares, e Gleyb Ferreira da Cruz, um dos sócios de Cachoeira. No diálogo, Gleyb celebra a entrada de Deuselino na lista de VIPs da organização.
- Aí jovem, boa noite, bem-vindo ao clube Nextel (risadas) - saúda Gleyb.
Aparentemente satisfeito com o crescimento, o delegado confirma o ingresso no seleto grupo.
- Bem-vindo ao Nextel clube. E aí ? - diz o delegado.
Na sequência da conversa pelo Nextel, o sócio de Cachoeira diz que estava saindo de uma reunião “maravilhosa” em Brasília.
- Hã! Beleza. Tava roubando aí ou tava fazendo o quê ? - pergunta o delegado.
Na sequência da conversa, os dois falam sobre uma sociedade, lucros e movimentação financeira da Delta. A Polícia Federal descobriu a existência do clube Nextel na Operação Vegas, concluída em 2009 e remetida, desde então, à Procuradoria Geral da República. As investigações, reiniciadas em 2010 na Operação Monte Carlo, confirmaram que, mesmo depois de tanto tempo, o grupo continuava usando o rádio Nextel com a ilusão de que o equipamento era à prova de grampo.
Segundo relatório da PF, o uso do Nextel teria sido sugerido pelo delegado da PF Fernando Byron e pelo sargento da reserva da Aeronáutica Idalberto Matias, o Dadá. Para o delegado Matheus Mela, coordenador da Monte Carlo, o erro do clube VIP foi fundamental para a obtenção de provas contra a organização. Foi a partir de escutas sobre os rádios Nextel que a polícia interceptou diálogos em que Demóstenes Torres e outros políticos tramam negócios com Cachoeira.
Até a entrada no clube Nextel, Deuselino Valadares era um ícone dentro da Polícia Federal. Ele foi um dos principais investigadores do escândalo da Sudam, no início da década passada.
No O Globo
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Gurgel: grampos que flagraram Demóstenes Torres são legais

Brasília – O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse hoje (3) que não há qualquer ilegalidade nas apurações da Polícia Federal que levaram à conexão entre o senador goiano Demóstenes Torres (ex-DEM) e o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
Demóstenes tem prerrogativa de foro por ser parlamentar, e sua defesa alega que a Justiça Federal de Goiás deveria ter obtido autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) para investigá-lo. Como isso não ocorreu, seu advogado disse que entrará com uma reclamação no STF na próxima segunda-feira (9) pedindo a nulidade das provas.
Para Gurgel, trata-se de uma estratégia que não terá respaldo no STF. “Claro que a defesa tem que procurar socorrer-se daquilo que lhe parece, já que o mérito está cada vez mais complicado”.
Segundo o procurador-geral, não há ilegalidade no trabalho da Justiça Federal em Goiás porque o senador não era o alvo da investigação, e sim Cachoeira. “Agora, o senador ligava com uma frequência imensa para Cachoeira, por isso há muitos áudios com o senador”.
Ele também garante que em nenhum momento foram iniciadas apurações a partir das falas de Demóstenes e que não houve ilegalidade na retenção do caso em Goiás por três anos. “Isso [a ilegalidade] se justificaria se a investigação tivesse avançado em relação a ele”.
Débora Zampier
No Agência Brasil
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O ditador e seus amigos

Como o dinheiro do presidente da Guiné Equatorial comprou apoio nos EUA – de lobistas, advogados, políticos e ONGs. Até a luva brilhante de Michael Jackson entrou na trama
Por mais de uma década, o ditador da Guiné Equatorial, país na África subsaariana, e a sua família gastaram uma fortuna nos Estados Unidos, comprando desde imóveis até roupas em lojas como Dolce & Gabanna e Louis Vuitton. No final de outubro do ano passado, o governo americano finalmente decidiu agir para refrear as compras do círculo íntimo do presidente Teodoro Obiang Nguema; o Departamento de Justiça abriu um processo pedindo o confisco de dezenas de milhões de dólares em bens do filho e herdeiro de Nguema.
A petição afirma que Teodorin, filho do ditador e ministro de florestas do país, usou recursos provenientes de lavagem de dinheiro para comprar uma mansão de US$30 milhões em Malibu, em Los Angeles, um jatinho particular e até relíquias que pertenceram a Michael Jackson – como a luva encravada de cristais usada pelo astro pop na turnê do álbum “Bad”.
Segudo a petição, oficias do alto escalão do regime de Obiang “adquiriram uma enorme fortuna” através de métodos como “extorsão, apropriação indevida, roubo e desvio de verbas públicas”. Ao anunciar a ação legal, o advogado-geral assistente Lanny Breuer afirmou: “estamos enviando uma mensagem clara: os Estados Unidos não servirão de esconderijo para a riqueza de líderes corruptos”.
Não é bem assim. Afinal, a base da riqueza do regime de Obiang é o petróleo explorado por empresas americanas como ExxonMobil e Amerada Hess. Com uma produção estimada de cerca de 300 mil barris por dia, a Guiné Equatorial é o terceiro maior produtor na África subsaariana. A ação do Departamento de Justiça – que vem muito depois de dois relatórios do Senado detalharem, já em 2004, a renda do petróleo pelo clã de Obiang – confirma a reputação do regime como um dos mais corruptos do mundo.
Mas passou quase desapercebido que tamanha corrupção tenha sido facilitada por agentes dos Estados Unidos: empresas de energia que enriqueceram Obiang fazendo acordos mais que amigáveis com ele; banqueiros e contadores que ajudaram o clã a lavar seu dinheiro; lobistas generosamente pagos que fizeram propaganda para ganhar apoio político nos EUA; e até duvidosos grupos pró-democracia que, com financiamento das petroleiras, enviaram observadores para validar eleições fraudulentas no país africano.
A maior parte dos facilitadores do regime não fizeram nada ilegal; porém, deram alegremente proteção política ao regime de Obiang. Apenas seus intermediários financeiros podem vir a ser escrutinizados legalmente – além de eticamente.
“Corrupção em grande magnitude não é apenas um problema local, é internacional, pois muitas vezes envolve múltiplas jurisdições”, explica Mark Vlasic, professor de direito na Universidade de Georgetown e ex diretor da Iniciativa para Recuperar Bens Roubados, do Banco Mundial.
“Oficiais corruptos não usam o PayPal para fazer transações com largas somas em dinheiro”, diz Vlasic. “Eles precisam de pessoas que os auxiliem, e esses facilitadores também têm que ser punidos pelos crimes”.
Auxílio classe A
Ainda hoje, o herdeiro Teodorin consegue obter auxílio Classe A nos EUA para resolver seus crescentes problemas. Advogado de escritórios renomados como Cleary Gottleib estão sempre à mão para lidar com seus problemas legais. Tanto ele quanto seu pai pagam uma das maiores empresas de Relações Públicas em Washington para polir a sua imagem. Documento judiciais e entrevistas conduzidas pelo site 100Reporters, parceiro da Pública, mostram que Teodorin emprega também intermediários americanos para constituir empresas para ele, gerir suas transações financeiras e agir como testas-de-ferro.
Até 1990, nem o governo americano nem ninguém prestava muita atenção à Guiné Equatorial. Era um dos países mais pobres e isolados do mundo. Obiang, que chegara ao poder através de um golpe de Estado em 1979, era considerado um pária internacionalmente.
Mas isso tudo mudou no começo dos anos 90, quando a Walter International, uma empresa sediada do Texas, começou a explorar um campo de gás natural no país. Para conseguir a permissão de exploração, a Walter (que depois conseguiu vender seus direitos sobre a operação por nada menos que US$ 46 milhões) financiou os estudos de Teodorin em um curso de inglês na universidade de Pepperdine, em Malibu.
Para seu desgosto posterior, a Walter concordou em pagar todas as despesas de Teodorin, despesas que chegariam a US$ 50 mil em cinco meses, incluindo excursões para compras luxuosas em Beverly Hills e uma suíte no hotel Beverly Wilshire.
A entrada da Walter International na Guiné Equatorial foi negociada com o então embaixador americano, Chester Norris, que mantinha uma relação amigável com o regime de Obiang. Tanto que, depois de se aposentar na carreira diplomática em em 1991, ele virou representante oficial do presidente da Walter International.
O governo de Obiang gostava tanto de Norris que deu o seu nome a uma rua em uma área residencial de luxo para executivos da indústria petroleira, na capital do país.
Apesar do conhecido histórico de repressão política do governo, Norris diz acreditar que Obiang é um líder “bem intencionado”, embora reconheça que não havia feito o suficiente para ajudar os pobres, e que “deveria estar construindo casas, escolas e hospitais”.
A entrada das petroleiras
A verdadeira frenezi a respeito de Obiang teve início em meados da década de 90, depois de empresas americanas descobrirem grandes reservas de petróleo no litoral do país governado por ele. Meses antes, a embaixada americana local havia fechado suas portas, em parte porque o novo embaixador John Bennett, sucessor de Norris no cargo, indulgiu-se menos com os excessos do regime, e começou a ser ameaçado de morte pelas suas críticas às violações contra direitos humanos.
Assim, as petroleiras passaram a ajudar Obiang, na esperança de melhorar as suas relações com os Estados Unidos. Em 1996, antes da sua fusão com a Exxon, a Mobil ajudou a custear a viagem de observadores eleitorais da Fundação Internacional para Sistemas Eleitorais por ocasião das primeiras eleições sob o governo Obiang. O conselho executivo da fundação, na época, incluía Peter G. Kelly, um lobista que representava o regime de Obiang em Washington.
A fundação criticou a eleição – Obiang ganhou com 98% dos votos – mas não tanto quanto a maioria dos observadores internacionais independentes. No ano seguinte, ela enviou uma delegação ao país que concluiu que, apesar dos problemas, havia “oportunidades para o governo, para os partidos políticos e para a comunidade internacional trabalharem conjuntamente em prol da ampliação do espaço democrático”.
Quatro anos depois, a Mobil contratou uma ONG chamada Instituto para Estratégias Democráticas para enviar observadores às eleições municipais. De novo, observadores independentes criticaram veementemente aquelas eleições, mas a equipe paga pela indústria de petróleo viu diferente, relatando que foram eleições livres e justas.
No mesmo ano, um deputado do estado de Louisiana William Jefferson encabeçou a primeira delegação de congressistas dos EUA a visitar a Guiné Equatorial. Foi recebido com entusiasmo pelo governo e recebeu a chave da capital, Malabo.
Nove anos depois, Jefferson (popularmente conhecido no seu estado natal como “Dólar Bill”) foi sentenciado a 13 anos de prisão por pagamento de propinas e conspiração para violar a Lei Anti-Corrupção no Exterior (FCPA, na sigla em inglês). Parte desses crimes se devia aos seus esforços para ajudar empresas americanas a ganhar concessões de petróleo na Guiné Equatorial.
Foi mais ou menos nesta época que a empresas americanas começaram a produzir grandes quantidades de petróleo no país, que se tornou um importante aliado energético dos Estados Unidos. Isso levou a uma aproximação política entre Washington e Malabo, lubrificada por um lobby intenso pago pela empresa petrolífera Amerada Hess. O coordenador dessa campanha de lobby era K. Riva Levinson, que havia trabalhado anteriormente com o lobista Peter G. Kelly.
“A maior parte das concessões de petróleo e gás natural na Guiné Equatorial acabam nas mãos de empresas americanas”, escreveu Levinson em um memorando para a administração Bush em 2001. “Diferentemente dos outros países da região, onde o Estado Unidos perdem para competidores [europeu]”. Logo depois deste documento, a administração anunciou a reabertura da sua embaixada.
Entram os bancos
Enquanto isso, a Guiné Equatorial estava depositando centenas de milhões de dólares de receita provenientes do petróleo no Riggs Bank em Washington, numa conta estatal efetivamente controlada por Obiang.
O banco Riggs também abriu dezenas de contas pessoais para o presidente e os seus parentes, algumas delas em paraísos fiscais. “O banco Riggs ignorou evidências de que estava administrando dinheiro proveniente de corrupção internacional, e permitiu que diversas transações suspeitas ocorressem sem jamais alertar as autoridades”, concluiu uma investigação do Senado em 2004.
Mais do que isso: o banco designou o seu vice-presidente, Simon Kareri, para servir como gerente pessoal da família de Obiang. O diligente Kareri aumentou o limite pessoal do cartão de débito da primeira dama para US$10 mil por dia, para se adequar às suas ambições de compras quando ela viajava aos EUA. “O limite de US$ 2.500 é insuficiente para as suas necessidades”, explicou o banqueiro em um memorando obtido pela comissão do Senado.
Kareri, já falecido, ajudou o presidente a comprar duas mansões em Potomac, Maryland, por cerca de US$ 4 milhões. Em dinheiro vivo. Ele também ajudou o irmão de Obiang, Armengol Ondo Nguema, a comprar uma casa de US$ 349 mil na Virginia, no ano de 2000.
Apenas um ano antes, um relatório do Departamento de Estado americano sobre violações de direitos humanos na Guiné Equatorial havia mostrado que Ondo Nguema, à época chefe do aparato de segurança do país, ordenara a seus homens urinar em prisioneiros, cortassem suas orelhas à faca e jogar óleo sobre eles, para atrair a picada de formigas. “O senhor Armengol Ondo Nguema é um prezado cliente do banco Riggs Bank”, escreveu o vice-presidente Kareri a um agente imobiliário a respeito da compra da propriedade na Virgínia, garantindo que seu cliente tinha dinheiro para pagar pela propriedade.
O Senado também descobriu que as empresas petroleiras estavam pagando milhares de dólares ao núcleo duro do governo do país, o que “pode ter contribuído para práticas corruptas”, segundo o relatório.
A ExxonMobil vendeu ao presidente Obiang 15% em uma negociação de venda de petróleo, pela qual ele pagou à época US$2.300. Em seis anos, o valor da sua parcela no contrato havia aumentado em 280 vezes.
Tanto a ExxonMobil quanto a Amerada Hess contrataram a empresa de segurança privada Sonavi, cujo diretor era ninguém menos que Ondo Nguema, o torturador.
A Amerada Hess pagou a membros do governo e seus familiares mais de US$2 milhões para alugar propriedades no país, dos quais cerca de ¼ foram pagos a um menino de 14 anos, parente de Obiang, num contrato assinado em 2000.
O relatório do Senado acabou sendo altamente vexaminoso para a Guiné Equatorial e seus amigos americanos.
O banco Riggs foi multado em US$16 milhões por violações à Lei do Sigilo Bancário, e acabou sendo vendido para o banco PNC Financial Services.
Executivos das petroleiras foram intimados a testemunhar em uma audiência pública sobre o relatório, na qual o senador Carl Levin afirmou: “Não vejo nenhuma diferença fundamental entre negociar com Obiang e com Saddam Hussein.”
Eles sabiam
Na audiência, Andrew Swiger, executivo da ExxonMobil, afirmou que na Guiné Equatorial “muitas empresas têm relações familiares com algum membro do governo, e virtualmente todos os servidores do governo têm seus próprios interesses comerciais”. Ele contou que era “virtualmente impossível fazer negócios…sem fazer negócios com um membro do governo ou o parente de algum membro do governo”.
A ExxonMobil e a Amerada Hess disseram ao Senado que a Sonavi monopoliza os serviços de segurança, então não havia outra opção a não ser contratá-la.
Porém, o relatório do Senado não evitou que o clã Obiang recrutasse mais facilitadores americanos, em especial o herdeiro Teodorin.
Embora alguns bancos tenham se recusado a abrir contas para ele, o herdeiro contratou Michael Berger e George Nagler – um advogado especialista em falência sediado em Los Angeles e outro que trata de direito imobiliário e financeiro, de Beverly Hills – para montar empresas de fachada e contas bancárias controladas por Teodorin, mas sem vínculos legais com ele.
Foi através de uma dessas empresas, a Sweetwater Malibu Inc., que Teodorin comprou a sua mansão em Malibu. E no caso de outra empresa, a Sweet Pink, Teodorin nomeou como presidente a rapper Eve, sua namorada à época.
Todo ano, o herdeiro do ditador da Guiné fazia uma festança na sua casa que tinha até nome próprio, a “Nguema Summer Bash”. Em 2007, o advogado Berger marcou presença. “Muito obrigado por me convidar para a sua festa e por ser tão bom para mim”, escreveu o advogado, por email, no dia seguinte. “A comida estava excelente, a bebida estava melhor ainda, a casa, a vista, o DJ, e o tigre branco… SO COOL!”
No mês seguinte Teodorin conseguiu que Berger fosse convidado ao “Kandy Halloween Bash”, a festa de Dia das Bruxas realizada na mansão da revista Playboy. O flyer da festa prometia “modelos com o corpo coberto de pinturas”, “go-go dancers” e “mil gatas escolhidas a dedo e com os modelitos mais sexy”.
Depois dessa festa, Berger enviou outro email efusivo a Teodorin. “Me diverti horrores. Conheci muitas mulheres bonitas… Se elas souberem que você está procurando uma noiva, mulheres do mundo todo vão ficar ainda mais loucas por você”.
Os lobistas e profissionais de RH não pensaram duas vezes sobre trabalhar para Obriang, apesar da corrupção flagrante e das violações de direitos humanos cometidas pelo seu regime – desde que ele pagasse bem.
Um dos especialistas contratados foi Lanny Davis, ex consultor especial do presidente Bill Clinton, um proeminente oportunista de Washington que já teve na sua carteira de clientes apoiadores do golpe de 2009 em Honduras e Laurent Gbagbo, presidente da Costa do Marfim que foi forçado a sair do poder.
Ironicamente, Davis, que tinha um contrato anual de US$ 1 milhão, processou seu antigo chefe por não pagar a conta.
A investigação inicial do Departamento de Justiça dos EUA e da ICE a respeito das atividades de Teodorin no país veio a público em 2009, em reportagem na revista Harper’s. Documentos da investigação mostravam que Teodorin conseguiu complementar o seu parco salário ministerial de US$5.000 por mês criando um “imposto revolucionário” sobre a extração de madeira, que as madeireiras internacionais deviam pagar a uma empresa de sua propriedade.
No ano passado, um relatório do Senado dos EUA detalhou as atividades de Berger, Nagler e outros profissionais que trabalhavam para Teodorin, mostrando que ele transferiu mais de US$100 milhões para os Estados Unidos através dessas empresas de fachada.
A luva brilhante de Michael Jackson
Hoje em dia, Teodorin ainda consegue contratar americanos para ajudá-lo a resolver seus problemas financeiros e corporativos. Além das empresas que já trabalham para ele, o filho de Obiang contratou os serviços de uma pequena empresa de contabilidade de Los Angeles chamada James McCaleb. De acordo com o seu site, a McCaleb – que também tem um escritório em Honolulu, no Havaí – ajuda seus clientes a “concentrar todos os recursos no que mais importa: aumentar a renda e pagar menos impostos”. A McCaleb, que registrou várias das empresas usadas por Teodorin, não respondeu aos telefonemas do site 100Reporters pedindo uma entrevista.
A petição governamental para confisco de bens afirma que um intermediário não identificado de Los Angeles ajudou Teodorin a comprar as relíquias de Michael Jackson, registrando-se para o leilão em Beverly Hills e na China.
O intermediário enviou um email para a casa de leilões em que dizia: “Por favor, certifique-se que o nome Teodorin não apareça em lugar algum, ele deve ser invisível”. Logo depois, o mesmo intermediário fez lances vencedores sobre diversos itens, num total de US$ 1,4 milhão. As mercadorias foram então faturadas na conta de “Amadeo Oluy” e enviadas para a Guiné Equatorial.
Teodorin contratou diversos advogados para lidar com seus problemas legais nos Estados Unidos. Um dos maiores é a atual tentativa do governo de bloquear seus bens em função das diversas ações judiciais movidas por ex-empregados de sua propriedade em Malibu, em Los Angeles, que denunciam falta de pagamento. Nos processos, os ex empregados fornecem muitas informações sobre o luxuoso estilo de vida de Teodorin.
A equipe de advogados recém contratada inclui alguns peixes pequenos, mas também renomados advogados como Duane Lyons do escritório Quinn Emanuel (Lyons foi defensor do governo de Los Angeles) e Juan Morillo, do escritório Cleary Gottlieb, que figura na lista dos 50 melhores advogados com menos de 45 anos dos Estados Unidos.
Teodorin e o governo de seu pai empregam também a Qorvis Communications, empresa de relações públicas de Washington que chegou a faturar US$ 70 mil por mês dos dois clientes. Como mostra um recente artigo no site Salon, a Qorvis, que também trabalha para os governos do Bahrein e da Arábia Saudita, é especialista em tentar enganar o algoritmo do Google ao soltar um fluxo constante de press releases positivos a respeito de seus clientes na esperança de enterrar as inevitáveis notícias ruins relacionadas aos seus nomes.
Ainda em 2009, o procurador-geral Eric Holder disse, no Fórum Global em Doha, que “quando os ‘cleptocratas’ saqueiam os cofres de suas nações, roubam seus recursos naturais e desviam a ajuda para o desenvolvimento, eles estão condenando suas crianças à fome e doenças. Em face desta injustiça, recuperar os ativos [desse saque] é um imperativo global”.
Assim como o auto-controle por parte dos países que se beneficiam desse saque.
Jantares e black-tie
No dia 15 de dezembro de 2011, o presidente Obiang recebeu uma ajuda de outro facilitador americano, quando ganhou o prêmio “Inspiração da África”, concedido em um jantar na Fundação Leon H. Sullivan, no hotel Marriott-Wardman Leon, em Washington.
O evento foi realizado para homenagear os destinatários de suas “exemplares contribuições para melhorar a vida das pessoas mais vulneráveis da África”. O prêmio foi dado à União Africana, e Obiang o recebeu como presidente da entidade. O governo da Guiné Equatorial alegou, como era previsto, que o presidente foi pessoalmente honrado.
Um comunicado de imprensa dizia que a elegante Hope Masters, líder da fundação, elogiou-o “pela sua liderança exemplar e por suas contribuições na reconstrução de Guiné Equatorial”. Na página do governo no Flickr há diversas fotos de Obiang durante a cerimônia – incluindo uma com Masters –, todas com a legenda: “presidente Obiang ganha prêmio Sullivan”.
A fundação diz que “capacita pessoas desprivilegiadas ao redor do mundo”, o que faz, na maioria das vezes (julgando pelo seu site) através de videoconferências, happy hours, jantares chiques em estilo black-tie e premiações. Pelos seus esforços diligentes em ajudar os menos afortunados do mundo, somando salário e benefícios, Masters recebeu cerca de US$ 194 mil em 2006. Seu marido, Carlton, que é afiliado a fundação, dirige uma firma de consultoria que faz negócios na África.
O presidente da fundação é Andrew Young, o antigo embaixador estadunidense nas Nações Unidas e também ex-prefeito de Atlanta. Ele agora dirige a GoodWorks Internacional, uma empresa de consultoria que já trabalhou com diversos governos africanos notoriamente corruptos. Seu sócio na Goodworks, Carlton Masters, é casado com Hope Masters.
Em outubro de 2011, ativistas reclamaram para a fundação depois que ela lançou um release que incluiu Obiang na lista de pessoas que deveriam receber uma menção honrosa no jantar. A fundação lançou então uma série de tweets se desculpando, negando que seria uma homenagem a Obiang. A confusão seria resultado de “um infeliz erro no release”, erro taxado como “HORROROSO”. A fundação, diz outro tweet, “NUNCA faria tal homenagem”.
Em resposta a perguntas enviadas por e-mail, Aly Ramji, coordenador de projetos especiais na Fundação Sullivan, negou que o presidente Obiang ou seu governo tenham feito doações para a fundação. Ainda assim, segundo a transcrição do seu discurso feito no jantar, Obiang diz que “a Guiné Equatorial contribui hoje no financiamento” da fundação “como já foi feito no passado”.
Ken Silverstein é bolsista da Open Society Foundation e editor contribuinte da Revista Harper’s. Clique aqui para ler o texto original, em inglês.
No Pública
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É provocação? José Roberto Wright será ouvidor na CBF

Pode isso, Arnaldo? Árbitro do polêmico Atlético-MG e Flamengo pela Libertadores de 1981, quando expulsou quatro jogadores do time mineiro em 34min, Wright vai dar, na prática, pitaco sobre as arbitragens no país
Parece provocação, mas é verdade. O polêmico ex-árbitro, atualmente comentarista de arbitragem da TV Globo, José Roberto Wright, foi convidado pela CBF para dar sua opinião sobre erros dos juízes nas quatro linhas. Ele será uma espécie de ouvidor desses assuntos na entidade. O acordo ainda não foi fechado, mas o próprio Wright admite que ele está encaminhado e vê com bons olhos a nova função. O convite partiu do novo presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, que está insatisfeito com o nível das arbitragens.
Se confirmado, o acordo vai dar o que falar principalmente em Minas Gerais. O árbitro é talvez a figura do futebol mais odiada pela torcida do Atlético Mineiro. Wright conseguiu ser o protagonista numa partida que contava com jogadores como Zico, Leandro, Mozer, Raul, Reinaldo, Palhinha, Éder e Toninho Cerezo.
Era uma autêntica decisão. Quem vencesse passaria para a fase seguinte da Copa Libertadores de 1981 - e, pela qualidade do elenco que tinha, seriam favoritos à conquista. Como estavam empatados com 8 pontos, Galo e Flamengo fizeram um jogo extra, em estádio neutro: o Serra Dourada, em Goiânia.
Os atleticanos já haviam estranhado o fato de um carioca apitar a partida. Logo aos 10min, Reinaldo, maior estrela mineira, fez uma falta em Zico e foi expulso. Muita reclamação. Minutos depois, Éder esbarrou no juiz e também foi expulso. Aí começou a confusão. Diretores, atletas reservas e imprensa cercaram José Roberto Wright. Palhinha e Chicão, na bagunça, também foram expulsos.
A partida foi reiniciada com a intervenção da PM. Com sete jogadores, ficaria impossível para o Atlético-MG. O goleiro João Leite então simulou uma contusão, o que motivou o fim da partida, já que o Galo passaria a contar com apenas seis atletas em campo. No tapetão, o Flamengo foi declarado vencedor do confronto - depois, o time carioca, que realmente era sensacional, ganhou a Libertadores.
Wright depois disso continuaria apitando, até com sucesso. Foi, por exemplo, o árbitro brasileiro na Copa de 1990, quando foi considerado pela Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS) o melhor do torneio. A mesma IFFHS, em um levantamento de 2010, apontou o árbitro como o melhor brasileiro de todos os tempos, e o 23º no mundo. Apitou três finais de Libertadores e sete de Campeonato Brasileiro.
Mas seu nome nunca foi esquecido pelos torcedores do Atlético-MG. Se a CBF confirmá-lo como ouvidor de arbitragem, pode-se esperar muita reclamação em Minas. Por enquanto, o juiz e atual comentarista da Globo aguarda apenas o retorno de Marin ao Rio (o presidente da CBF está em Recife) para fechar o acordo.
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Charge online - Bessinha - # 1149

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