1 de abr de 2012

Caso Veja-Cachoeira testa fronteiras do jornalismo

“O Policarpo nunca vai ser nosso”, texto da atual edição de Veja, aumenta rol de dúvidas sobre interação entre publicação e contraventor; com senador Demóstenes como seu braço político, a revista seria sua mão editorial?; na Inglaterra, suspeitas de relações desvirtuadas com a polícia levaram o patrão Rupert Murdoch a se explicar no parlamento; aqui, pode acontecer o mesmo com Roberto Civita, dono da Abril, pelo longo flerte com o bicheiro?
Estão faltando peças no tabuleiro das relações entre a revista Veja, a de maior circulação do Brasil em papel, e a do contraventor preso pela Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. Precisamente, cerca de 200 peças, equivalentes ao número de ligações telefônicas grampeadas legalmente pela PF entre o editor-chefe e diretor da sucursal de Brasília da publicação, Policarpo Junior, e Carlinhos Cachoeira. Nelas se poderá verificar o verdadeiro padrão do relacionamento entre o jornalista e sua fonte. Haveria só perguntas e respostas entre eles ou algum jogo de ataques e defesas editoriais, aprimorado ao longo do tempo, no interesse comum de Veja e do contraventor? Ou, ainda, ora do interesse de Veja, ora do interesse do contraventor?
Interrogações deste mesmo tipo, mas sobre outros personagens, com outra nomenclatura, foram feitas na Inglaterra, no ano passado, durante os acontecimentos em torno do escândalo News Corp. O caso resultou no fechamento do centenário tablóide sensacionalista News of the World, cujos jornalistas atuavam em associação direta com a polícia investigativa do país – a Scotland Yard --, para a qual distribuíam dinheiro em troca de informações em primeira mão. O caso começou na redação, apanhou em cheio a editora executiva Rebekah Brooks, mas recaiu mesmo sobre o colo do patrão Rupert Murdoch. Ele se viu obrigado a ir ao parlamento do país pedir desculpas, tentar se explicar e, por fim, anunciar o sepultamento de sua publicação.
Aqui, no caso Veja-Cachoeira, a aliança da revista, por meio de seu editor-chefe, se deu, de maneira ainda obscura, com um contraventor preso sob acusação de liderar um pesado esquema de operação de jogos ilegais e infiltração em diferentes escalões do poder. Na Inglaterra, jornalistas e policiais. Aqui, com bandidos. Há fortes suspeitas de que Cachoeira, pelo método de gravações ilegais com interlocutores de seus próprios auxiliares, tenha até mesmo fabricado provas comprometedoras contra adversários. As ligações perigosas de Cachoeira com o líder da publicação em sua área mais estratégica, a sucursal de Brasília, e as dúvidas sobre uma longa aliança editorial entre eles já demandam, de per si, uma investigação independente. E esta terá, necessariamente, de incluir o dono da publicação, Roberto Civita, presidente do grupo Abril, e não apenas um ou alguns de seus funcionários. É o que lembra, em post deste sábado 31, o jornalista Luís Nassif, em Esqueçam Policarpo: o Chefe é Roberto Civita. “Policarpo realmente não era de Carlinhos Cachoeira. Ele respondia ao comando de Roberto Civita. E, nessa condição, estabeleceu o elo de uma associação criminosa entre Cachoeira e a Veja”, escreve Nassif, que continua: “Não haverá como fugir da imputação de associação criminosa. E nem se tente crucificar Policarpo ou o araponga Jairo ou esse tal de Dadá. O pacto se dá entre chefias – no caso, Roberto Civita, pela Abril, Cachoeira, por seu grupo”. (Leia aqui o artigo completo).
Na edição que chegou às bancas neste sábado, Veja evitou enfrentar o fato de frente. Não há uma linha sequer sobre a informação veiculada durante toda a semana, em diferentes canais, mas especialmente na internet, a respeito do gigantesco volume de grampos nas conversas entre Policarpo e Cachoeira no período de 2008 a 2010. Na semana retrasada, quando o assunto já era de domínio público, a revista não veiculou uma palavra sequer sobre as ligações perigosas entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que resultaram na saída deste da liderança do partido no Senado, em abertura de investigação formal dentro da agremiação e numa solicitação de bastidores para que ele se afaste antes de, inevitavelmente, ser expulso.
O caso que Veja ignorou, na torcida para que não crescesse como cresceu, deriva agora, também, para a revelação de uma série de acertos para ilícitos entre Cachoeira e Demóstenes. Sobrou, na esteira das revelações, até para o até então insuspeito ator e deputado federal Stepan Nercessian (PPS-RJ), que emergiu como beneficiário de um empréstimo de R$ 175 mil feito pelo contraventor. Neste sábado 31, quase simultaneamente à revelação do empréstimo, Nercessian pediu afastamento do PPS e de seu posto na Comissão de Segurança Pública e Crime Organizado da Câmara dos Deputados – sem dúvida um cargo bastante estratégico para o amigo que comanda um poderoso esquema de jogos ilegais.
Mas não apenas. O governador de Goiás, Marconi Perillo, vai ficando cada vez mais chamuscado pelas revelações extraídas das investigações de dois anos da Operação Monte Carlo. A prisão de Cachoeira se deu na elegante residência em Alphaville Ipês, em Goiânia, que pertencera a Marconi e fora vendida por ele a um empresário do setor de ensino do Estado. Este, por sua vez, permitia que Cachoeira ali vivesse. Triangulação de interesses? É uma das questões que está no ar, uma vez que Valter Paulo Santiago, dono da Faculdade Padrão, está entre os beneficiados pelo programa de pagamento a instituições de ensino superior, pelo governo local, de bolsas de estudos. Ou seja, recebedor de recursos do Estado, Santiago comprou uma casa do governador, o titular da autoridade cedente, que, por sua vez, registrou a venda em sua declaração de renda por um valor de aproximadamente um terço do que afirmara – R$ 1,4 milhão em três cheques versus R$ 417 mil declarados.
Por todas estas e outras, o caso Cachoeira-Demóstenes é um dos mais explosivos dos últimos tempos, dada a ampla ramificação de interesses do contraventor e seu apetite por articulações dentro das estruturas de poder. E dentro desse caso há a questão Veja-Cachoeira ou Cachoeira-Veja. Dono de um relacionamento bastante próximo com Policarpo, com que dialogava frequentemente, o contraventor tinha em Demóstenes um braço político e, ao que deixa claro, via em Policarpo sua mão editorial. “Os grandes furos do Policarpo fomos nós que demos, rapaz”, disse, no trecho revelado pela própria Veja, o contraventor a seu auxiliar e ex-araponga da Abin Jairo Martins. “Quantos já foram rapaz. E tudo via Policarpo”, festejou.
Cachoeira e Policarpo são velhos conhecidos. Já em 2004, como resgatou 247, a parceria fonte-jornalista funcionava a pleno. Perseguido por uma CPI aberta na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro para apurar o jogo ilegal e encerrada com a recomendação, por 58 votos a zero, entre os deputados, para sua prisão, Cachoeira teve em Policarpo, então, um cioso interlocutor. Matéria assinada por ele, chamada Sujeira para Todo Lado, repercutiu no então presidente da Câmara Federal, João Paulo Cunha, que ordenou a abertura de uma sindicância, uma vez que, de acordo com Veja, alguns parlamentares eram suspeitos de terem ouvido de auxiliares de Cacheira uma proposta de compra de votos de R$ 4 milhões no total. Importante: a gravação da conversa sobre a discussão da proposta foi feita pelos próprios auxiliares de Cachoeira. Pode-se supor, entre outras hipóteses, que o contraventor resolveu fabricar uma prova, ao enviar emissários com proposta de compra de votos, para levar a CPI ao naufrágio, por desmoralização. Na prática, foi isso o que aconteceu. Cachoeira não foi preso na ocasião, sendo levado pela polícia apenas sete anos depois, em fevereiro deste ano.
Nesse meio tempo, em 2005, Cachoeira foi responsável pela entrega a Policarpo da fita que deu origem ao chamado escândalo do Mensalão, na qual o então diretor dos Correios, Maurício Marinho, recebe um pacote de R$ 3 mil. Essa fita, cujas imagens e diálogos foram veiculados por Veja em primeira mão, foi gravada por auxiliares do próprio Cachoeira. Àquela altura, o senador Demóstenes Torres, que já era o braço político do contraventor, sabia que fora preterido para o cargo de Secretário Nacional de Justiça. Há a suspeita que, em represália, ele teria atuado com Cachoeira para prejudicar o PT, o governo Lula e, mais especialmente, o então chefe do Gabinete Civil José Dirceu, que teria sido o responsável pelo veto ao seu nome. Neste contexto, a propina paga por homens do próprio Cachoeira a Marinho deu a partida para o surgimento do pior fato político possível para os adversários de Demóstenes e de seu grupo, que tem Cachoeira como prócer.
Veja, servindo-se de sua fonte na contravenção, não apenas deu vazão às fitas gravadas pelo pessoal de Cachoeira, como prosseguiu divulgando, nos anos seguintes, todo o material que ele produzia e passava às mãos de Policarpo Junior. É frase dele, repita-se: “Os grandes furos do Policarpo fomos nós que demos, rapaz”. Este material incluiu o ‘furo’ do pedido de dinheiro por parte de Valdomiro Diniz, em fita gravada em 2002, desta feita pelo próprio Cachoeira. A notícia saiu em Veja em 2004, mostrando que a parceria já funcionava bem.
Não é do interesse de Veja, agora, puxar por essa memória. A estratégia, manifestada no curto texto “O Policarpo Nunca Foi Nosso”, na edição desta semana, busca carimbar no editor-chefe a marca do profissional acima de qualquer suspeita. Para tanto, utiliza Carlinhos Cachoeira como avalista: “O Policarpo você conhece muito bem. (...) Ele não faz favor para ninguém e muito menos para você”, disse o contraventor, hoje preso, para seu auxiliar e ex-araponga Jairo Martins, também encarcerado pela Operação Monte Carlo. “Nós temos de ter jornalista na mão, ô Jairo. Nós temos que ter jornalista. O Policarpo nunca vai ser nosso...”. Pelos serviços prestados a Veja, a verdade é que Policarpo Junior poderia ter ganho, nesta semana, uma defesa melhor, de um advogado mais qualificado. No editorial do diretor de redação Eurípedes Alcântara, nenhuma linha a respeito. É como se o diretor da sucursal de Brasília estivesse sozinho em seu relacionamento com Cachoeira, mas há toda uma gigantesca máquina editorial por detrás desse circuito.
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Millôr

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Carta Capital some das bancas de Goiás

Uai, será por móde quê?
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Zero Hora, o golpe de 64 e a ditadura

Em sua edição deste domingo, o jornal Zero Hora publica um artigo intitulado “A dita dura brasileira”, do coronel Sérgio Sparta, defendendo o golpe civil-militar de 1964. Na pretensão de “equilibrar” o debate, o jornal publica também um artigo contra o golpe, “Resgate ao passado”, da psicóloga Luciana Knjinik. O artigo do coronel Sparta é inqualificável, repetindo uma retórica da Guerra Fria que fede à naftalina, para dizer o mínimo. O Brasil estava ameaçado pelo marxismo-leninismo, etc. Para defender a democracia e a liberdade de expressão, os militares e seus aliados civis acabaram com a democracia e a liberdade de expressão. Uma ofensa à lógica, à democracia e a inteligência alheia.
Zero Hora apresenta-se como supostamente “neutra” neste debate, simplesmente publicando uma posição a favor e outra contrária ao golpe. No dia do aniversário do golpe, o editorial do jornal silencia sobre o tema. O veículo do Grupo RBS que supostamente defende a democracia como um valor ainda acredita que o golpe de 64 e a ditadura que se seguiu a ele é “tema de debate” que pode ser tratado na base de um texto a favor e outro contra. Para ZH, aparentemente, a condenação das torturas e assassinatos cometidos pelos agentes da ditadura ainda é “tema de debate”.
ZH poderia ter aproveitado a data para explicar por que apoiou o golpe de 1964 e a ditadura, assim como fizeram vários outros grandes veículos da imprensa brasileira que nunca deram satisfações à sociedade sobre sua postura golpista e sobre os benefícios empresariais que obtiveram com ela.
Como é sabido, o jornal Zero Hora ocupou o lugar da Última Hora, fechado pela ditadura por apoiar o governo constitucional de João Goulart. A certidão de batismo do jornal, portanto, é marcada pelo desprezo à democracia e pela aliança com o autoritarismo, o que fala muito sobre o ethos editorial que a publicação viria desenvolver.
Três dias depois da publicação do famigerado Ato Institucional n° 5 (13 de dezembro de 1968), ZH publicou matéria sobre o assunto afirmando que “o governo federal vem recebendo a solidariedade e o apoio dos diversos setores da vida nacional”.
No dia 1° de setembro de 1969, o jornal publica um editorial intitulado “A preservação dos ideais”, exaltando a “autoridade e a irreversibilidade da Revolução”. A última frase editorial fala por si: “Os interesses nacionais devem ser preservados a qualquer preço e acima de tudo”.
Os interesses nacionais, no caso, se confundiam com os interesses privados dos donos da empresa. A expansão da empresa se consolidou em 1970, quando foi criada a sigla RBS, de Rede Brasil Sul, inspirada nas três letras das gigantes estrangeiras de comunicação CBS, NBC e ABC. A partir das boas relações estabelecidas com os governos da ditadura militar e da ação articulada com a Rede Globo, a RBS foi conseguindo novas concessões e diversificando seus negócios. O restante da história é bem conhecido.
O autoritarismo que marcou o surgimento do jornal Zero Hora parece estar vivo ainda hoje na postura editorial arrogante e covarde que vem se especializando em terceirizar suas posições conservadores pela voz de terceiros. Ao invés de publicar um artigo de um obscuro coronel defendendo o golpe e a ditadura, ZH deveria assumir a responsabilidade pelos seus atos e por sua história. Seguindo o estilo editorial que tanto aprecia poderia inclusive publicar um artigo a favor da posição do jornal pró-ditadura e um contra.
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Lutas.doc - Episódio 4 - Final

Lutas.doc é uma série de documentários, com reflexões profundas sobre a violência, seus contextos e formas de representação na história do Brasil.
A série combina densidade de reflexão com uma linguagem dinâmica e acessível.
Grandes pensadores brasileiros, doutores em filosofia, psicologia, economia, história e sociologia, como Eduardo Gianneti, Olgária Mattos, Laura de Mello e Souza e Contardo Calligaris, ao lado de grandes protagonistas políticos, como Lula, Fernando Henrique Cardoso, Marina Silva e Soninha, e livres-pensadores egressos dos movimentos sociais, como Ferrez, Júnior do AfroReggae, João Pedro Stédile e Esmeralda Ortiz, analisam a realidade brasileira em pé de igualdade.
A história do país é revista, com um olhar crítico e ousado.
Com um ritmo dinâmico e trechos de animação, os episódios procuram levar audiências intelectualizadas e jovens sem grande formação intelectual, do mesmo modo, à reflexão.
A série tem codireção de Luiz Bolognesi e Daniel Sampaio.
Heroína sem Estátua - A luta das mulheres pela igualdade de direitos na sociedade brasileira é o tema desse capítulo. "A evolução das mulheres anda a passos largos", afirma o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um dos entrevistados do programa. Mas nem sempre foi assim. Lutas.doc analisa as batalhas femininas para alcançar conquistas como o direito ao voto, sua inserção na política e no mercado de trabalho.
Na avaliação do historiador Pedro Puntoni, toda revolução histórica é marcada por conflitos e, no caso da questão feminina, o papel da rebelião foi fundamental nesse processo."A rebeldia transforma a história", analisa. Ele conclui que, na política, o brasileiro ainda é muito conservador e a visão machista perdura nas grandes decisões. A professora de filosofia da USP, Olgária Matos, também opina sobre o assunto e declara que na política o que vence a eleição é o marketing eleitoral e não os bons projetos. "A política se converteu em prestação de serviços", comenta Olgária.
Mesmo com todo o avanço das mulheres, a série constata que apenas 9% das prefeituras brasileiras são ocupadas por elas. Outro índice que ainda é um diferencial são os salários: 40% menor do que os dos homens que ocupam a mesma função. Uma das representantes da mulher na política, a senadora Marina Silva (PV-AC) reconhece o rápido aprendizado das mulheres com os homens. E garante que "se os homens não aprenderem com elas terão um grande prejuízo".
Entre pensadores, políticos e representantes dos movimentos sociais que participam do programa estão o historiador Pedro Puntoni, o psicanalista Contardo Calligaris, a sub-prefeita da Lapa em São Paulo, Soninha Francine; o escritor Ferrez, a professora de filosofia- USP, Olgária Matos; o líder do MST, João Pedro Stédile, a professora Esther Hamburger, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a senadora Marina Silva, a filosófa e apresentadora Márcia Tiburi e a jornalista e ex-moradora de rua Esmeralda Oritiz.
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Demóstenes Torres renuncia



Pressionado pelos ataques da imprensa golpista e dos ilibados membros do partido DEMOcratas, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), após consultar - via Nextel - seu amigo Carlos Cachoeira, (que pernoita em presídio de segurança máxima), comunicou agora há pouco, através de nota oficial, que hoje - 1º de abril - renuncia ao fogão e a geladeira recebidos de Cachoeira; amanhã o senador deverá pensar melhor sobre o assunto.

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Lutas.doc - Episódio 3

Lutas.doc é uma série de documentários, com reflexões profundas sobre a violência, seus contextos e formas de representação na história do Brasil.
A série combina densidade de reflexão com uma linguagem dinâmica e acessível.
Grandes pensadores brasileiros, doutores em filosofia, psicologia, economia, história e sociologia, como Eduardo Gianneti, Olgária Mattos, Laura de Mello e Souza e Contardo Calligaris, ao lado de grandes protagonistas políticos, como Lula, Fernando Henrique Cardoso, Marina Silva e Soninha, e livres-pensadores egressos dos movimentos sociais, como Ferrez, Júnior do AfroReggae, João Pedro Stédile e Esmeralda Ortiz, analisam a realidade brasileira em pé de igualdade.
A história do país é revista, com um olhar crítico e ousado.
Com um ritmo dinâmico e trechos de animação, os episódios procuram levar audiências intelectualizadas e jovens sem grande formação intelectual, do mesmo modo, à reflexão.
A série tem codireção de Luiz Bolognesi e Daniel Sampaio.
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Conflito nas Malvinas é anterior a 1982

As ruas de Buenos Aires já estão adornadas por cartazes que reivindicam a devolução à Argentina das Ilhas Malvinas (Falklands, em inglês) por parte da Grã-Bretanha. A razão é a aproximação da data do trigésimo aniversário de início da guerra entre as duas nações pelo domínio arquipélago, que se comemora no próximo dia dois de abril. Porém, a origem das brigas por este pedaço de terra localizado ao sul do Oceano Atlântico é muito anterior ao conflito armado de 1982 e envolve mais países.
Segundo o mestrando da USP Fernando Sarti Ferreira, que estuda história econômica argentina, o primeiro mapa que registra a existência das Malvinas foi feito em 1529 pelos portugueses. A partir daí, conta ele, a região passou a ser frequentada também por holandeses, franceses e britânicos. A primeira tentativa de colonização da região ocorreu em 1764 pela França, que fundou a colônia de Port Louis com o intuito de abastecer navios franceses que rumavam ao Oceano Pacífico. No ano seguinte, os britânicos tiveram a mesma ideia e fundaram Port Egmont, passando a disputar o arquipélago com os franceses. Porém, com base no tratado de Tordesilhas as terras pertenciam à Espanha, que por volta de 1765 começou a reivindicar a posse da região.
Ferreira explica que o navegante francês Luis Antoine de Boungainville, que havia ocupado a região, entregou Port Louis à Espanha em troca de determinado valor correspondente a equipamentos e embarcações transferidos aos espanhóis. "Isto de fato é um antecedente que a diplomacia argentina cita, porque significa que a coroa francesa reconheceu a soberania espanhola", diz Federico Lorenz, historiador argentino e autor dos livros Las Guerras por Malvinas e Fantasmas de las Malvinas.
Com os britânicos o acerto foi mais complicado. Como eles não se demonstraram preocupados com a presença de espanhóis na região anteriormente francesa, a coroa espanhola enviou sua armada ao local e rendeu os britânicos. Segundo Ferreira, o fato gerou alvoroço e resultou na assinatura de um acordo secreto que estipulava a retirada total dos britânicos da região até o ano de 1774. Porém, relata o mestrando, somente em 1790 os ingleses passam a reconhecer efetiva e abertamente a posse do território pelos espanhóis. Além disso, somente "o fato de abandonar o assentamento que haviam fundado às escondidas é visto como um reconhecimento de soberania", acrescenta Lorenz.
Os espanhóis designaram periodicamente governadores militares nas Malvinas. Foram 34 no total. Quando ocorreu a Revolução de Maio, em 1810, as ilhas passaram a pertencer às Províncias Unidas do Rio da Prata, pois nesta época ainda não havia Estado argentino. A partir de então, segundo Lorenz, houve dois anos vagos, sem nenhuma autoridade e, em seguida, o governo da província de Buenos Aires, que estava encarregado das relações exteriores, designou suas próprias autoridades. "O fato que produziu a disputa pela soberania foi a expulsão (por parte dos britânicos) das autoridades designadas pelo governo da província de Buenos Aires nas Malvinas em janeiro de 1833", diz Lorenz. Desde então o arquipélago está ocupado pela Grã-Bretanha.

Reivindicações argentinas pela recuperação do território

Antes da Guerra das Malvinas, ocorrida em 1982, a Argentina nunca havia tentado recuperar as ilhas através da força. Todas as lutas anteriores foram diplomáticas.
Inicialmente, foram feitas reclamações diretamente à coroa britânica e, depois que foram criadas as Nações Unidas, o governo argentino passou a acionar sistematicamente esta instituição. Ferreira destaca que, historicamente, "independentemente do grupo que estivesse no poder, as gestações diretas ou através das Nações Unidas para a resolução da questão do Atlântico Sul nunca foram abandonadas por nenhum governo argentino". Segundo destaca Lorenz, "assim é que se produziram as resoluções da Assembleia Geral e do Comitê de Descolonização de que a situação das Malvinas é de colonialismo". Esse é o estado atual da questão nas Nações Unidas.

A Guerra das Malvinas

O conflito ocorrido em 1982 foi resultado da soma de diversos fatores. O início do processo se deu a partir de um acordo feito entre Leopoldo Fortunato Galtieri, que pertencia ao Exército e foi presidente da junta militar em 1981 e 1982, com o chefe da Marinha, Jorge Isaac Anaya. Galtieri pediu a Anaya que o apoiasse para retirar do poder Roberto Eduardo Viola, que ocupava a presidência em 1981, em troca de apoio para a recuperação das Malvinas.
Lorenz explica que, inicialmente, a guerra não foi pensada como uma revolução definitiva. O objetivo era instalar uma situação de força que obrigasse a Grã-Bretanha a negociar. "As forças armadas argentinas nunca esperavam uma guerra. Pode parecer louco, mas não se preparavam para uma guerra. Não esperavam que a Grã-Bretanha fosse responder", destaca o historiador.
Porém, a situação interna argentina, que registrava uma inquietação cada vez maior com o regime militar, e a pressão britânica, levaram a antecipação da medida de força que, num primeiro momento, estava prevista para o dia 25 de maio ¿ data de início da Revolução de Maio, considerada o começo do processo de independência do país.
Lorenz acredita que a guerra não serviu para nada mais do que provocar várias centenas e mortos e feridos. No total, faleceram 649 argentinos, 255 britânicos e 3 civis islenhos. "Supondo que uma guerra serve para algo, esta não seviu para o objetivo a que se propôs que era a recuperação do território", diz o historiador. Além disso, "produziu um tremendo retrocesso nas relações diplomáticas que vão levar décadas para ser recompostas".
Se o conflito teve algum saldo positivo, Lorenz acredita que foi a queda do regime militar. Ele conta que, naquela época, as forças armadas eram questionadas pelas violações aos direitos humanos por parte da população, mas que isso não era uma reclamação massiva da sociedade. Nem todos resistiram à ditadura. "As forças armadas foram questionadas porque haviam fracassado em sua função específica, que é a defesa", analisa o historiador. De acordo com ele, isso, somado a sensação de defraudação, de derrota e de cansaço, fez do plano que os militares viam como um caminho para se perpetuarem no poder os obrigasse a entregá-lo antes do que desejavam.

Efeitos da guerra na disputa atual pelas Mavinas

O problema atual com relação ao tema da disputa pelas Malvinas é que a questão nacionalista, que é anterior à guerra, segue sendo muito forte. Lorenz aponta que é mais interessante pensar a luta pela soberania argentina sobre as ilhas no panorama atual do que apelar à antiga reclamação.
Há uma série de interesses reais que justificam a preocupação pelas Malvinas. Segundo o historiador, o tema deveria ser tratado como uma problemática regional. "A soberania de uma potência como Grã-Bretanha, associada aos Estados Unidos, no Conesul, é algo que preocupa em termos de recursos, por exemplo, o que, estritamente falando, deveria preocupar mais aos brasileiros que aos argentinos devido às fontes de petróleo encontradas recentemente na região".
Há interesses relacionados também às comunicações - por se tratar de uma passagem via oceânica - e à projeção à Antártida. Mas o que parece realmente preocupá-lo é a relação com a lógica de se criar uma nova guerra de tempos em tempos para seguir predominando no mundo. "O arquipélago das Malvinas é um ponto de acesso direto a todo Conesul, mas principalmente a dois países muito importantes dentro da região, que são Argentina e Brasil", conclui Lorenz.
No JB
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Demóstenes preservou funcionário fantasma do Senado

Em gravação, Demóstenes ensina a burlar fiscalização de contratações irregulares
BRASÍLIA. Além de colocar o mandato a serviço do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) tentou ludibriar a fiscalização da contratação de servidores fantasmas no Senado. Numa das conversas gravadas pela Polícia Federal na Operação Vega, Demóstenes diz ao contraventor que terá que demitir dois servidores e depois recontratá-los. O motivo seria escapar das denúncias de desvio de dinheiro por meio da contratação de assessores fictícios. Acusado de chefiar a exploração ilegal de caça-níqueis, Cachoeira está detido no presídio de segurança máxima de Mossoró (RN).
Devido a esta e outras acusações, o Supremo Tribunal Federal abriu inquérito criminal contra o senador e outros parlamentares na quinta-feira. A conversa foi interceptada às 15h51m do dia 12 de maio de 2009. Depois dos cumprimentos habituais, em que se tratam de Doutor (Demóstenes) e Professor (Cachoeira), o senador vai direto ao ponto que interessa ao colega.
— Tão aqui nos gabinetes procurando servidores fantasmas. Você entendeu ? Então, para evitar problema, no futuro a gente volta a resolver isso aí, falou? — confidencia o senador.
Naquele momento, senadores estavam às voltas com denúncias de atos secretos e contratação de servidores fantasmas. Publicamente, o senador defendia a faxina ética e criticava duramente o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Mas, na conversa com o contraventor, Demóstenes classifica a fiscalização de "caça às bruxas" e dá a receita para burlá-la.
— Caça às bruxas aqui. Mas daqui a uns dois, três meses a coisa aquieta e a gente retorna, falou?
Cachoeira, o “Professor”, endossa a trama:
— O.K., Doutor.
Uma das supostas funcionárias foi identificada como Kênia. O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro negou que Demóstenes tenha feito contratações irregulares.
— Não existe funcionário fantasma. Ela (Kênia) trabalha em Goiás, mas não tenho certeza — disse Kakay, como o advogado é conhecido.
Demóstenes e Cachoeira também acertaram a divulgação de um dossiê com vídeos e fotos para a imprensa. Mas não mencionaram qual seria o conteúdo do dossiê. As gravações mostram ainda Demóstenes e o sargento Idalberto Matias, o Dadá, falando da estratégia de divulgação de dados para a imprensa. Ex-araponga da Aeronáutica, Dadá também foi preso por envolvimento com a organização de Cachoeira.
— Como é que foi a conversa aí ? — pergunta Cachoeira.
— Ótima. Na semana que vem, já falei com o repórter. Ele vem, o rapaz entrega tudo a ele : relatórios, nomes, fotografias, filmagens, sob o compromisso de não aparecer — diz Demóstenes.
Demostenes e Cachoeira usavam rádios Nextel, habilitados nos Estados Unidos, para manter conversas secretas. Ao longo da investigação, a polícia descobriu que podia interceptar as ligações desses aparelhos.
No O Globo
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“A Maggie no le va a alcanzar”

Una carta del presidente Reagan a su secretario de Estado Haig revela los movimientos en la guerra para no generar resistencias en América latina y mantener la supremacía de la alianza con Londres.
Una serie de documentos desclasificados pertenecientes a la Presidencia, al Departamento de Estado y a la Agencia Central de Inteligencia revelan los detalles de la observación y la participación de los Estados Unidos durante la guerra de Malvinas. Una lectura de los 48 textos permitió a Página/12 descubrir para los lectores matices y prioridades de Washington.
Carta de Ronald para Al. Entre los documentos desclasificados por el Departamento de Estado figura una carta personal enviada por el presidente de los Estados Unidos, Ronald Reagan, a su secretario de Estado el general Alexander Haig. Mientras los Estados Unidos exploraban la posibilidad de una retirada argentina tras el desembarco del 2 de abril de 1982 y un régimen interino, queda clara la preocupación de Washington por no herir a Margaret Thatcher y sus posibilidades políticas. La primera ministra conservadora que había asumido en 1979 (y que terminaría consolidada por la guerra y por su victoria sobre la Argentina) aparece amistosamente por su diminutivo, Maggie. Dice Reagan a Haig que “después de haber leído tu informe sobre tus conversaciones en Londres queda clara la dificultad que entrañará lograr un compromiso que le permita a Maggie seguir y al mismo tiempo pase el test de ‘equidad’ con nuestros vecinos latinos”. En esas condiciones “no hay mucho margen de maniobra en la posición británica y no se puede ser optimista”. Reagan propuso a Haig insistir en una presencia multinacional y lograr de Galtieri un compromiso de retiro de fuerzas compatible con lo que se pedía al Reino Unido sobre una distancia mínima de sus submarinos nucleares.
Con Galtieri. El embajador Harry Shlaudeman contó en el despacho secreto 2640 que, a pedido de Galtieri, fue a ver al dictador a medianoche del 29 de abril. Le dijo que no tenía instrucciones para esa reunión pero que quería “evitar una confrontación fatal”. Y añadió: “Le señalé que no había recibido una adecuada respuesta a nuestras propuestas y que al día siguiente anunciaríamos varias medidas contra la Argentina”. Estuvieron más de una hora reunidos. Al final de la charla, Schlaudeman tomó la iniciativa de sugerir a Galtieri que anunciara el retiro unilateral de las tropas de las Malvinas como un primer paso hacia una solución pacífica y “como un gesto de buena voluntad”. Dijo el embajador que Galtieri pareció tomar la propuesta en serio e incluso la escribió, pero transmitió al embajador que él era uno entre tres para tomar decisiones. Aludía a la Junta Militar. Eso parece haber inclinado al embajador de los Estados Unidos a formular la recomendación que sigue: “Sugiero de la manera más firme que no anunciemos las medidas contempladas hasta que yo haya tenido la posibilidad de continuar explorando otras posibilidades con Galtieri mañana por la mañana. Creo que todavía hay una chance, aun pequeña”. Schlaudeman escribió que insistió varias veces ante Galtieri en que la Argentina no fuera la autora de la primera acción ofensiva. Galtieri le dijo que había frenado tres veces el primer disparo en esos días pero que no podría continuar haciéndolo, y dijo que “la Marina está hambrienta de acción”. Aludió a que había utilizado capital político para frenar el hecho del primer disparo.
EE.UU. no fue mediador. Un resumen inicial del Departamento de Estado que se titula “Falkland Islands” comienza así: “A pesar del contacto directo entre el presidente Reagan y el presidente Galtieri, la Argentina ocupó las islas Falkland el 2 de abril”. Sostiene que los Estados Unidos tienen un papel importante en resolución de la crisis. “Uno de nuestros aliados más importantes, el Reino Unido juega un rol vital en las relaciones Este/Oeste a través de su participación en la Organización del Tratado del Atlántico Norte. Un involucramiento del Reino Unido durante un período prolongado en una crisis del Atlántico Sur distraería importantes recursos de defensa lejos de Europa y de Hemisferio Norte. En el caso de la Argentina nuestras relaciones fueron mejorando, lo cual contribuyó a la estabilidad en la región enteramente considerada y con la promesa de una sociedad futura en temas importantes. También queremos evitar daños en el sistema interamericano”. Recuerda el texto que inmediatamente después, los Estados Unidos deploraron el uso de la fuerza por parte de la Argentina y pidieron el cumplimiento de la resolución 502 del Consejo de Seguridad, que reclamaba el cese inmediato de hostilidades, el retiro de las fuerzas argentinas y la negociación diplomática. “Al mismo tiempo que deploraba la violencia, los Estados Unidos mantuvieron un tono balanceado en el trato con la Argentina y con el Reino Unido, necesario si queremos tener éxito en ayudarlos a resolver su disputa.” El informe de situación refiere las visitas del secretario de Estado Haig a Londres y Buenos Aires, aunque “nunca asumimos el rol formal de mediador entre la Argentina y el Reino Unido”. Para el Departamento de Estado, existen posibilidades de que el conflicto empeore. Y si eso sucede, el temor expresado en el texto es que la Junta Militar “busque apoyo donde puede encontrarlo”. Aunque “el régimen es anticomunista, podría volcarse hacia la Unión Soviética en busca de ayuda militar, económica y política”. Un desarrollo de ese tipo “tendría serias consecuencias para la Argentina y para la seguridad estratégica del Hemisferio Occidental”. La última denominación es la usual, y lo era más en tiempos de Guerra Fría, para denominar al continente americano.
Una mirada civil. El cable confidencial 2450 comenta una conversación con “un político bien informado que generalmente apoya al gobierno militar” y refleja, según la embajada de los Estados Unidos, “el pensamiento de los sectores conservadores más importantes que cooperaron con los militares desde 1976”. El personaje en cuestión se mostró “oscuramente pesimista sobre el futuro” y lo analizó en cinco puntos. El primero, que Galtieri caerá si no obtiene el compromiso británico de reconocer la soberanía argentina sobre las islas en un período de entre seis meses y un año. El segundo punto, que con ese compromiso Galtieri podría sobrevivir, pero ni siquiera de manera segura. Si “ganara”, su movida siguiente sería buscar una elección popular para ser presidente por el voto en 1983. (En ese punto el redactor del despacho pone paréntesis y dice, poniendo una valoración, que en opinión de los diplomáticos norteamericanos una aproximación de Galtieri a elecciones libres es muy remota.) Tercer punto, desde la perspectiva de Galtieri sería mejor librar una guerra perdida (“y nuestra fuente está segura de que la Argentina perderá”) que rendirse y deponer el reclamo de soberanía. El cuarto punto es que “no hay ningún político en el país que piense que la invasión de las islas haya sido otra cosa que un error colosal” y que existe la percepción extendida de que “el presidente y sus consejeros son incompetentes”. El quinto punto parece una anticipación del escenario que siguió al hundimiento del Belgrano, el 2 de mayo. Si se produce un enfrentamiento grande y muchos argentinos resultan muertos (“hunden un barco y mueren 400”, dijo el político consultado) el pueblo tendrá una reacción “incontrolable”. Y uno de los blancos será la embajada norteamericana. Si Galtieri se ve obligado a dejar el poder, se abrirían dos caminos. Uno, la dictadura encabezada por un militar nacionalista de extrema derecha. Otro, la selección de un general para que conduzca una transición a la democracia. El general podría ser José Rogelio Villarreal, secretario general de la Presidencia en tiempos de la presidencia de Videla, o el ex ministro de Trabajo Horacio Liendo, “de buenas relaciones con políticos peronistas y con Frondizi”. En el caso de Villarreal, las buenas relaciones se extendían a conservadores y radicales, cosa que dirigentes radicales confirmaron a la embajada de los Estados Unidos.
Dear Francis. Uno de los textos desclasificados es una carta dirigida por el secretario de Estado Alexander Haig a su colega británico, el primer secretario del Foreign Office británico Francis Pym. Le dice que envía adjunto un texto de Nicanor Costa Méndez, el canciller argentino, pero que no quiere ejercer influencia sobre Pym porque a él mismo no lo convence el retroceso del argentino respecto de acuerdos previos. Lo que sí queda asegurado en todos los casos, incluso con negociaciones, una administración interina y el compromiso del retiro, es el control británico. En cuanto al interinato, el compromiso asumido por Costa Méndez es que los consejos locales seguirán siendo soberanos. No habría problemas para la seguridad, porque los submarinos británicos quedarían fuera de las 150 millas náuticas pero se trataría, en tiempo, de solo cinco horas para llegar a las islas. Y dice una parte del texto: “Francis, no está claro quién manda allí (en la Argentina). Hay por lo menos 50 personas, incluyendo a comandantes de cuerpo, que ejercen el derecho de veto, y en este punto no puedo hacer nada”. De cualquiera manera, para Haig un acuerdo sería conveniente y lo contrario supondría costos para todos. El secretario de Estado le pidió a su colega que por favor lo llamara antes de tomar cualquier decisión pública. La propuesta argentina recibida por los Estados Unidos proponía que en siete días la dictadura retiraría la mitad de sus tropas hacia el continente y el Reino Unido no pasaría una distancia de tres mil millas náuticas para sus fuerzas navales. Las fuerzas quedarían retiradas totalmente en 15 días. El Reino Unido se comprometería a terminar el proceso de descolonización el 31 de diciembre de 1982, aplicando el principio de integridad territorial argentina de acuerdo con la resolución 2065 de las Naciones Unidas. Hasta esa fecha las islas continuarían desmilitarizadas. Se mantendrían los derechos y garantías de los isleños “sobre todo en lo que se refiere a la libertad de expresión, de religión, de enseñanza y de movimiento, lo mismo que los derechos de propiedad, las fuentes de trabajo, las costumbres, el estilo de vida y los lazos tradicionales familiares, sociales y culturales con sus países de origen”. El Estado argentino decía estar dispuesto a pagar “un precio justo” por las propiedades de los individuos o las empresas que no desearan continuar sus actividades en las islas. En el período de transición hasta el 31 de diciembre de 1982, la administración de las islas estaría compuesta por un gobernador designado por el gobierno argentino, sería mantenida la administración local excepto la policía, también se mantendrían los consejos legislativo y ejecutivo y se ampliaría el número para integrar un número igual de miembros designados por el gobierno argentino, preferiblemente entre los argentinos ya residentes en las islas. La bandera argentina continuaría flameando en las islas. El Estado promovería viajes, transportes, comunicaciones y todo tipo de comercio entre el territorio continental y las islas. Un grupo compuesto por un número igual de representantes de la Argentina, de los Estados Unidos y del Reino Unido verificará la implementación de las obligaciones que implica el acuerdo. El garante sería el gobierno de los Estados Unidos.
La excitación de Galtieri y los problemas de Thatcher. El 14 de abril de 1982 el primer objetivo de los Estados Unidos seguía siendo “encontrar una vía para permitirle a Galtieri una retirada con honor”. Así lo expuso el secretario de Estado Alexander Haig. Para él, el objetivo podría cumplirse si se complementaban una situación provisoria en Malvinas luego del desembarco argentino, la tensión entre los dos países por la soberanía y “la insistencia británica en la autodeterminación en la negociación de un acuerdo final”. El problema, para Haig, es que “excitó tanto al pueblo argentino que se dejó poco margen de maniobra”. Entonces, retirarse podría ser visto popularmente “como una ignominia” y Galtieri quedaría aún en peores condiciones con Thatcher, cuya suerte Haig también medía. Los dos saltarían de sus puestos. Galtieri por “la volatilidad” y Thatcher por la dificultad en “vender un acuerdo al Parlamento”. En el caso británico incluso un incidente bélico daría por tierra con el plan norteamericano. Cuando expuso esta situación en la Casa Blanca, Haig ya había asistir a la concentración en Plaza de Mayo convocada por Galtieri el 10 de abril.
Situación aérea y participación soviética. Un cable secreto del 4 de abril, dos días después del desembarco, analizaba el escenario aéreo que estaba plasmándose. Londres estaba pensando en una ruta que uniera Tahití, la isla de Pascua y Chile para sus aviones. Pronosticaba la posibilidad de un enfrentamiento militar la semana siguiente porque Galtieri había declarado el 3 que un bloqueo británico a las islas “significaría guerra”. En ese cuadro “aparentemente los soviéticos están respaldando los reclamos argentinos, a pesar de que ese apoyo es de bajo perfil”. La base es la exportación de granos argentinos que salvaron a la Unión Soviética de la escasez de productos del campo. Sin embargo, Moscú “no ofreció ayuda diplomática a Buenos Aires”. ¿Qué podría hacer la Unión Soviética, entonces? Pasar a los argentinos datos de la flota británica.
América latina (y un ojo en Londres). Para la Agencia Central de Inteligencia no cabían dudas de que los ministros de Relaciones Exteriores de América latina aprobarían una resolución que pediría a los Estados Unidos no ayudar más al Reino Unido. El análisis indicaba que el gobierno argentino confiaba en que efectivamente los votos cambiaran la posición norteamericana e hicieran que Washington intercediera ante Londres. Al mismo tiempo, Thatcher conseguía despejar dificultades, las encuestas sobre intención de voto daban una ventaja de dos a uno a conservadores sobre laboristas. Un 85 aprobaba el manejo de Thatcher en la crisis. Había logrado diezmar las capacidades aéreas argentinas, que en una primera etapa produjeron daños serios a los británicos. Las fuerzas británicas eliminaron un tercio de los aviones de primera línea de la Marina y la Fuerza Aérea. La balanza se inclinaría el día en que, ya sin peligro de ataque, los aviones Harrier del Reino Unido pudieran dedicarse ya no a defender la flota, hasta entonces su primer objetivo, sino de lleno a destruir posiciones argentinas.
Observación aérea. La inteligencia norteamericana no se basó solo en filtraciones o en su acceso a militares argentinos. El reconocimiento aéreo le permitió trazar mapas detallados en los que observaba el movimiento del equipamiento militar, en especial del aéreo, que aparecía como la llave de las operaciones. El arqueo era detallado. Por ejemplo, decía que ocho aviones Mirage III/IV estaban en la base de Tandil a la vista, mientras que otros estaban en el área de mantenimiento. La descripción detallaba la situación en Curuzú Cuatiá, Reconquista, General Urquiza, Dr. Mariano Moreno, Buenos Aires, Mar del Plata, Bahía Blanca, comandante Espora y Puerto Belgrano, en todos los casos con indicación del nivel de nubosidad imperante. También eran observados los barcos de la retaguardia. El Murature estaba atracado e Buenos Aires en la Dársena Norte, lo mismo que lo que parecían cuatro buques menores. “No se puede discernir si hay actividad militar o logística en la base naval del Mar del Plata”, informaba la inteligencia norteamericana.
Satélite sobre las islas. Las posiciones argentinas en las Malvinas eran observadas por satélites y procesadas por el Centro Nacional de Interpretación Fotográfica. El 28 de mayo de 1982 el Centro informó que las que denominaba “fuerzas argentinas de ocupación en las islas Falkland” habían logrado mejorar sus posiciones defensivas “alrededor de Stanley”. El texto del informe es certero en partes y conjetural en otros, y habla de que, por ejemplo, fue registrado “un posible Skyhawk”, y “50 probables carpas para dos personas”. Las certezas indicaban la construcción de “aproximadamente 16 posiciones al sur de Stanley”.
La estrategia británica. El Reino Unido fue objetivo de análisis de igual manera, o quizás con mayor profundidad, que la Argentina. En todo momento la Agencia Central de Inteligencia entregó al presidente Ronald Reagan material con posibles escenarios políticos. Un ejemplo: “Londres busca una victoria rápida en las Falklands y sus fuerzas probablemente se consoliden rápido. Los británicos probablemente intenten un asalto directo contra las fuerzas argentinas en Stanley aunque éstas sean sustancialmente superiores en número. El gobierno parece preparado para aceptar la existencia de bajas relativamente altas en compensación con que se vea un rápido triunfo militar. La primera ministra Thatcher podría llamar a elecciones anticipadas, aunque un revés serio podría dar como resultado su reemplazo”. El ideal británico era una campaña de menos de dos semanas que incluyera la consolidación en San Carlos y luego el movimiento hacia la captura de Darwin/Goose Green, a menos de 32 kilómetros, donde hay 600 soldados y un aeropuerto. Recién luego irían a Stanley, 80 kilómetros al este. En Darwin/Goose Green probablemente a los argentinos les costaría resistir el peso de los cinco o seis mil hombres puestos allí a presionar por parte de los británicos. “Aunque los tres mil soldados a bordo del Queen Elizabeth han sido caracterizados como una fuerza de guarnición, podrían comprometerse con las fuerzas ya desplegadas en el territorio” porque, además, los Guardias Escoceses y los Guardias Galeses que viajan en el buque “están entre las mejores unidades británicas”. Mientras tanto, el objetivo del Reino Unido sería destruir el portaaviones argentino, la munición y los suministros y un ataque masivo a Stanley. Sería importante la protección aérea que pudieran dar los aviones Harrier para disminuir la cantidad de bajas británicas en el avance hacia Stanley. Los argentinos, a su vez, podrían lanzar un contraataque desde Stanley. Entretanto, desde el punto de vista político, “puesto que los británicos observan las propuestas de negociación como perjudiciales para sus intereses, una campaña corta y exitosa recibiría apoyo amplio en el Reino Unido”. Entonces, ya “con el respaldo de la opinión pública Thatcher y la mayoría del Partido Conservador probablemente quieran continuar y acepten entonces bajas relativamente más importantes, aunque solo si el resultado es una victoria militar contundente”. Esa campaña militar redoblada se vería facilitada por el apoyo de la alianza socialdemócrata-liberal y por la división en el Partido Laborista, una brecha cada vez más abierta que favorece a los conservadores. “Una campaña corta y exitosa, especialmente con pocas bajas nuevas, podría catapultar a los tories a la posición más fuerte desde comienzos de la década de 1960”, dice el texto de inteligencia. “En ese caso se incrementan las chances de que haya una elecciones a fines de la primavera”, o sea, ya que es el Hemisferio Norte, antes de que comience el verano el 21 de junio. La guerra terminó con la victoria británica una semana antes, el 14 de ese mes. No hizo falta más de una estación. En todo momento, según el análisis de la CIA, las pérdidas están asociadas, en su efecto sobre la popularidad de la primera ministra, al éxito militar. Si el éxito acompaña, las bajas pueden justificarse políticamente. El fantasma es que no haya éxitos y aparezca la peor situación para Thatcher: la erosión de su popularidad y, después, la aceptación de un cese de fuego y de la mediación de Naciones Unidas. El análisis de la CIA se planteaba incluso qué pasaría ante esa posibilidad. “Si Thatcher cae, sería reemplazada por un tory ubicado con menos claridad a favor de políticas militares duras”. Los dimes y diretes señalaban en esa posición a Pym, el primer secretario del Foreign Office. De todos modos, para la CIA era improbable que hubiera una elección general inmediata.
Qué debían hacer los EE.UU. La directiva número 34 del Consejo Nacional de Seguridad de la Casa Blanca con fecha 14 de mayo de 1982 recuerda cuál es la política que guía a los Estados Unidos en lo que denomina “la crisis del Atlántico Sur”. Por un lado, la claridad para hacer explícita la posición norteamericana de apoyar al Reino Unido y “la determinación de no aceptar el uso ilegal de la fuerza para resolver disputas”. Por otro lado, la suspensión de todas las exportaciones de suministros militares a la Argentina, lo cual incluye municiones y provisiones ya en curso y el análisis, para su prohibición de las licencias en trámite. También el retiro de la capacidad argentina de ser elegida para recibir otras provisiones en el futuro. Más allá del mercado de armas, la Argentina quedaría fuera de las operaciones del Eximbank, el banco de exportaciones e importaciones que había castigado originalmente las operaciones financieras durante el gobierno de James Carter (1977-1981) aunque luego el gobierno de Ronald Reagan fue relajando los castigos. Otra forma de escarmiento fue el retiro de las garantías para créditos de commodities y otra más la colocación de trabas cuando se requiriese la aceptación por parte de los Estados Unidos para ventas argentinas a terceros países.
El pulso de los latinoamericanos. El análisis del Departamento de Estado era que el sentimiento latinoamericano hacia la Argentina se solidificó luego del anuncio del apoyo de los Estados Unidos al Reino Unido, el 30 de abril, y el hundimiento del Crucero General Belgrano el 2 de mayo. Eso sí: “El conflicto anglo-argentino dividió a los países de habla hispana de los caribeños anglófonos, puso en peligro el sistema interamericano, le dio a Cuba la posibilidad de restaurar sus relaciones con la Argentina y recibir la solidaridad latinoamericana, encendió sentimientos nacionalistas en el hemisferio y revivió el antinorteamericanismo latente”. Lo último sucedió sobre todo en Venezuela, Nicaragua y Perú. Un análisis país por país seguía a esta visión genérica de la inteligencia del Departamento de Estado. En Brasil, autoridades “dijeron en privado que estaban en desacuerdo y preocupados con el nivel y la amplitud del apoyo norteamericano el Reino Unido” y confiaron que extraoficialmente habían dado su acuerdo para la compra de material bélico. En público los brasileños habían pedido el cumplimiento de la resolución 502, de retiro de tropas de las islas y, según citaba el análisis, la preocupación era que las medidas comerciales, financieras y de suministros de armas contra la Argentina pudieran repetirse para otros países. El caso de la dictadura chilena de Augusto Pinochet era distinto. Aunque la situación próxima a una guerra en 1978 no está citada en el análisis diplomático, en cambio sí está reflejado el pensamiento del gobierno sobre las relaciones con la Argentina en general. En privado, en conversaciones privadas mantenidas en Washington y en Santiago de Chile, los funcionarios chilenos se quejaron de su “frustración por años de interminables conversaciones sobre el Canal de Beagle con la Argentina”, país al que observaban como “intransigente”. También expresaron a diplomáticos norteamericanos su simpatía por el Reino Unido porque lo contrario sería una victoria, preocupante para el futuro chileno, por parte de la Argentina. Los colombianos apoyan el reclamo argentino de soberanía pero no el recurso el uso de la fuerza. Los costarricenses advirtieron a los norteamericanos que con su posición enfrentarían “una tormenta de protestas en América latina”. El gobierno de Rodrigo Carazo incluso pidió retirar la sede de la Organización de los Estados Americanos de Washington. Cuba reaccionó rápido y el vicepresidente Carlos Rafael Rodríguez dijo en una entrevista al diario francés Le Monde que su país estaba listo para ayudar a la Argentina, incluso militarmente. La Habana condenó al Reino Unido, apoyó a la Argentina y convocó a la solidaridad latinoamericana. El líder de la derecha guatemalteca, Mario Sandoval, envió un telegrama al presidente Reagan quejándose de “la política increíblemente estúpida” de los Estados Unidos. La junta militar de Guatemala elogió las “buenas intenciones” del secretario de Estado Alexander Haig pero dijo que el país apoyaría completamente a la Argentina y hasta estaba pensando en mandar un contingente militar. El gobierno mexicano criticó tanto al Reino Unido como a la Argentina pero dijo que apoyaba la soberanía argentina sobre las islas. La conclusión de la diplomacia norteamericana es que incluso las actitudes que en un principio fueron ambiguas se tornarían más claras en el peor sentido para los Estados Unidos. Después del hundimiento del Belgrano y del apoyo norteamericano al Reino Unido de manera abierta, el sentimiento generalizado sería cada vez más “antiimperialista”. En tanto, Venezuela dijo que estudiaría cualquier tipo de pedido por parte de la Argentina, hasta militar.
Después del Belgrano. Un despacho de la embajada de los Estados Unidos en la Argentina da cuenta de los efectos del hundimiento del Belgrano entre los sectores militares gobernantes. La preocupación del embajador Harry Schlaudeman es redoblar esfuerzos contra la idea de que fueron los Estados Unidos los que proveyeron la inteligencia satelital necesaria para localizar el crucero y hundirlo. Dice el texto que lo llamó el jefe del Estado Mayor del Ejército, el entonces general Antonio Vaquero, para decirle que los argentinos “tienen pruebas” de que así fue. También refiere que “Télam, la agencia de noticias del gobierno, puso en su servicio una nota según la cual un informante no identificado del Pentágono dijo que los Estados Unidos tienen como mínimo un satélite espía en el Atlántico Sur y que gran parte de la información obtenida es transmitida al Reino Unido”. El embajador también se quejaba por la confusión a su juicio reinante en la Argentina entre fotografías de satélites meteorológicos y los que se utilizan para obtener información militar. Escribía Schlaudeman: “La prensa aquí también destaca declaraciones del secretario (de Defensa, Caspar) Weinberger sobre que los Estados Unidos darían al Reino Unido todo tipo de apoyo, inclusive logístico, material e informativo”. Se lamenta de que esa declaración es utilizada como confirmación del presunto envío de información antes del hundimiento del Belgrano.
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Lutas.doc - Episódio 2

Lutas.doc é uma série de documentários, com reflexões profundas sobre a violência, seus contextos e formas de representação na história do Brasil.
A série combina densidade de reflexão com uma linguagem dinâmica e acessível.
Grandes pensadores brasileiros, doutores em filosofia, psicologia, economia, história e sociologia, como Eduardo Gianneti, Olgária Mattos, Laura de Mello e Souza e Contardo Calligaris, ao lado de grandes protagonistas políticos, como Lula, Fernando Henrique Cardoso, Marina Silva e Soninha, e livres-pensadores egressos dos movimentos sociais, como Ferrez, Júnior do AfroReggae, João Pedro Stédile e Esmeralda Ortiz, analisam a realidade brasileira em pé de igualdade.
A história do país é revista, com um olhar crítico e ousado.
Com um ritmo dinâmico e trechos de animação, os episódios procuram levar audiências intelectualizadas e jovens sem grande formação intelectual, do mesmo modo, à reflexão.
A série tem codireção de Luiz Bolognesi e Daniel Sampaio.
Recursos Humanos - Um paralelo entre as vítimas das guerras brasileiras e o uso da mão de obra
Muitos historiadores notáveis, economistas e, até dois ex-presidentes, falam sobre a escravidão que teve efeitos sobre a história do Brasil. O ex-presidente Lula discute como a elite do Nordeste queria libertar os escravos em 1817, na Revolução Pernambucana. Mas, muitos setores das classes superiores opuseram porque temiam que os escravos se revoltassem.
"Nunca houve uma preparação intelectual dos escravos no Brasil, como aconteceu nos Estados Unidos com a Guerra Civil", observa o historiador Eduardo Gianetti. "Levamos mais de um século para integrar escravos na força de trabalho, mas não devemos ser orgulhosos, devemos ter vergonha."
Na tela da TV Brasil, uma reflexão que traça o paralelo entre as vítimas das guerras brasileiras e o uso da mão de obra. Os entrevistados questionam também quem é a elite brasileira e como se dá, e ainda se existe democracia racial no país.Alguns destacam os fenômenos que produziram a escravidão como um "negócio" e seus reflexos na atualidade. Analisam e refletem sobre como mecanismos sofisticados que mantêm dezenas de milhões de trabalhadores como reserva de mão de obra barata ao longo dos séculos.
Para chegar ao significado de "trabalho", os depoimentos costuram hipóteses para compreender como funciona o aparelho ideológico que legitima a vida de trabalhadores que ontem estavam em navios negreiros e aldeamentos jesuítas, mas hoje aceitam trafegar em ônibus lotados do trabalho às moradias em bairros de periferia das cidades. Comentam a eficiência dos discursos que, ao transformar escravos em "recursos humanos", reduz o impacto da linguagem e legitima a realidade, diminuindo a percepção de violência.
Além do sociólogo Luis Mir, falam neste programa, o psicanalista Contardo Calligaris, o economista Eduardo Giannetti, a professora de filosofia Olgária Matos, o jornalista Gilberto Dimenstein, o pensador José Júnior, do AffroReggae; os historiadores John Monteiro, Pedro Puntoni e Laura de Mello e Souza, a vereadora Soninha, a escritora e ex-moradora de rua Esmeralda Ortiz, a ex-senadora Marina Silva, além dos ex-presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso.
Lutas.Doc é uma parceria da TV Brasil com a Gullane e Buriti Filmes.
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Lutas.doc - Episódio 1

Lutas.doc é uma série de documentários, com reflexões profundas sobre a violência, seus contextos e formas de representação na história do Brasil.
A série combina densidade de reflexão com uma linguagem dinâmica e acessível.
Grandes pensadores brasileiros, doutores em filosofia, psicologia, economia, história e sociologia, como Eduardo Gianneti, Olgária Mattos, Laura de Mello e Souza e Contardo Calligaris, ao lado de grandes protagonistas políticos, como Lula, Fernando Henrique Cardoso, Marina Silva e Soninha, e livres-pensadores egressos dos movimentos sociais, como Ferrez, Júnior do AfroReggae, João Pedro Stédile e Esmeralda Ortiz, analisam a realidade brasileira em pé de igualdade.
A história do país é revista, com um olhar crítico e ousado.
Com um ritmo dinâmico e trechos de animação, os episódios procuram levar audiências intelectualizadas e jovens sem grande formação intelectual, do mesmo modo, à reflexão.
A série tem codireção de Luiz Bolognesi e Daniel Sampaio.
Guerra sem fim - Este primeiro episódio mostra a história da violência no Brasil, a presença da luta desde antes da chegada dos colonizadores, ou seja, é uma constante na história nacional.. Mesmo antes da chegada dos europeus, as nações indígenas tinham a guerra no centro de suas culturas. São enfocados conflitos pouco conhecidos, massacres, e revistos fatos históricos à luz de um olhar crítico, que questiona a história oficial com argumentos e insights. O mito e o senso comum, segundo o qual o brasileiro é um homem cordial, está no debate, bem como a tese de que o país é um paraíso pacífico e abençoado por Deus. São entrevistados neste episódio: os ex-presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso, a ex-senadora Marina Silva, o escritor Ferréz, índios Guarani-Kaiowá, o jornalista Gilberto Dimenstein, o líder do MST João Pedro Stédile, os historiadores John Monteiro, Laura de Mello e Souza, Pedro Puntoni.
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Exames clínicos de Lula mostram que oposição desapareceu

Fernando Henrique visitou Lula e defendeu a legalização da língua presa
SÃO BERNARDO - O Hospital Sírio-Libanês informou nesta quinta-feira (29) que os exames realizados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostram "ausência total de forças de oposição ao PT". O cardiologista Roberto Kalil Filho, que coordenou o tratamento, ponderou, no entanto, que "o resultado só poderá ser classificado como definitivo se a oposição não reaparecer pelos próximos 5 anos, o que é muito provável".
Em nota, pesquisadores da USP fizeram um alerta: "Identificamos uma mutação alarmante em células da base aliada, que poderiam se transformar em células de oposição dentro do governo. É um caso novo, ainda não estudado pela medicina petista moderna".
Ao tomar conhecimento da nota, o vice-presidente Michel Temer afetou certo espanto: "Nossa, que curioso", disse, com as maõzinhas cruzadas. Procurados, o governador Eduardo Campos (PSB) e Gilberto Kassab (PSD) disseram desconhecer o estudo. "Não sejamos precipitados: as células não são de direita, não são de centro, não são de esquerda", vaticinou o prefeito.
Kalil, no entanto, foi enfático: "O Lula é imune a esse tipo de mutação anômala desde que nasceu".
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Crise Política e Eleição

Nosso presidencialismo está sujeito, por natureza, a crises como a que o governo enfrenta. E não é de hoje.
Elas aconteceram ao longo da República de 1945 inteira e só foram interrompidas pela ditadura. Depois da redemocratização, tornaram-se constantes.
A origem de todas é a mesma: a fragmentação de nosso quadro partidário, dividido entre muitos partidos, a grande maioria dos quais não-programáticos. Em outras palavras, disperso e desorganizado do ponto de vista ideológico.
O sistema político brasileiro sempre se caracterizou por um multipartidarismo sem hegemonia, no qual nunca nenhum conseguiu tamanho suficiente para governar sozinho. Sequer para liderar uma coalizão sem depender de outros no dia a dia do relacionamento entre Executivo e Legislativo.
No Brasil, o normal sempre foi haver quatro ou cinco partidos maiores, outros tantos de porte médio e alguns pequenos. Em 1964, havia 13. Hoje, são 29. Quantos têm, de fato, conteúdo e ideias?
De 1985 para cá, não houve um governo que não vivesse as dificuldades decorrentes da proliferação de partidos sem estrutura e ideologia. Conseguir contar com a maioria do Congresso foi um desafio para Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique e Lula, assim como está sendo para Dilma.
Em todos, a história se repetiu. Depois de um começo sem sobressaltos, em que suas maiorias funcionavam - seja por terem recém saído de vitórias eleitorais, seja por haverem assumido em ambiente de tensão institucional -, passaram a enfrentar turbulências.
A cada novo problema, seus operadores políticos precisavam ter mais argumentos para formá-las e mantê-las. Se a popularidade baixasse, o preço subia. Se o tema em pauta fosse delicado, idem.
Hoje, no cálculo de seus principais estrategistas, o governo não conta, de verdade, com mais de 150 deputados. E as oposições sabem que os seus mal chegam a 100.
Trocando em miúdos: governismo e oposicionismo – em sentido programático e ideológico – representam, somados, apenas a metade da Câmara. A segunda metade, a rigor, nem é uma coisa, nem outra. Pode tanto estar aqui, como lá.
Tende a ser, por conveniência, governista, enquanto isso significa algum ganho. Quando as torneiras se fecham, amotina-se. Com números um pouco diferentes, algo parecido ocorre no Senado.
Como sair de uma situação como essa?
Para o PT - que está e pretende continuar no poder depois de 2014 -, só há um caminho: crescer, de sorte que sua dependência de coalizões governativas instáveis se reduza em um próximo governo.
Daqui a dois anos, a meta do partido seria, portanto, reconquistar a presidência e, ao mesmo tempo, ampliar as bancadas na Câmara e no Senado.
O alcance desse objetivo passa, pelo menos em parte, pelas eleições municipais deste ano. Conquistar prefeituras, especialmente em cidades médias, ajuda a atingi-lo.
Alguns de seus parceiros veem isso com clareza. E não com bons olhos. Particularmente o PMDB, o que mais prefeituras possui.
O primeiro sinal da crise de agora foi um manifesto de cerca de 50 deputados do baixo clero peemedebista – logo encampado por algumas de suas principais lideranças. Entre outras queixas, dizia:
“Estamos vivendo uma encruzilhada, onde o PT se prepara, com ampla estrutura governamental, para tirar do PMDB o protagonismo municipalista e assumir seu lugar como maior partido com base municipal do país”.
É fato. Mas o que está em jogo não é o “protagonismo municipalista”, e sim o peso relativo dos partidos no Congresso a ser eleito em 2014.
Ao PT, é o que resta fazer. E é que o PSDB faria, se estivesse em seu lugar.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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Bandarilheiro

Ele tinha cara e corpo de toureiro. Ou então não de toureiro, que mata o touro. De bandarilheiro, que o irrita. Afinal, o Millor era só meio espanhol. O touro dele era qualquer coisa grande ou metida a grande, qualquer coisa com chifres que assustavam os outros mas não ele, qualquer coisa pomposa e ridícula, qualquer coisa prepotente. Mas acima de tudo, o touro dele era a burrice.
No lombo da burrice ele espetava suas bandarilhas coloridas, seus epigramas pontudos, suas parábolas incisivas, suas frases marcantes, sua inteligência afiada, esquivando-se dos chifres da besta. No fim ele só não conseguiu driblar a coisa mais burra que existe: a morte.
Especulação dolorosa: o que teria passado pelo seu cérebro nestes últimos dias, preso a um corpo inutilizado? Que memórias, que imagens ocuparam sua mente antes do fim? Ele na sua última arena, diante do seu último touro. Arena vazia, só os dois, num cara a cara final. Ele sem seus instrumentos: sem lápis, sem teclado, sem defesa. E na sua frente a burrice na sua forma definitiva.
A burrice total, a burrice imune a argumento ou súplica, a burrice irreversível, a burrice triunfante. Não adianta ele sugerir que ao menos dancem uma valsa, a burrice não tem senso de humor. Nem se pode chamá-la de vingativa — ela sabe que no fim, depois das bandarilhas coloridas e de todas as piruetas, a vitória será dela. Por mais ridicularizada que ela seja, a vitória é sempre dela. E depois vem a burrice eterna.
No seu sonho terminal, o touro começa sua carga. E o bandarilheiro não consegue sair do lugar.
BOZÓ E COALHADA
Cada um tinha seu personagem do Chico Anisio favorito. Os meus eram o Bozó e o Coalhada. O Chico era, antes de mais nada, um grande ator e cada personagem que ele criava vinha completo, não só com trejeitos e personalidades meticulosamente observados mas com biografia e destino claramente subentendidos.
Você adivinhava toda a vida do Bozó, sonhando eternamente com o status de ser da Globo, e do Coalhada, lembrando uma carreira no futebol que tinha pouco a ver com a realidade. Uma dentadura falsa bastava para fazer o tipo do Bozó, mas o Coalhada requeria um estrabismo meio desvairado que não podia ser simulado, era recurso do grande ator.
CHEGA!
Chico Anisio e Millor, um depois do outro. Ninguém está achando graça.
Luís Fernando Veríssimo
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O tucano nas águas de Cachoeira

Deputado recebeu R$ 100 mil de Cachoeira. PSDB finge que não vê e a imprensa silencia

Diálogos interceptados pela Polícia Federal, com autorização da Justiça, revelam que o deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) também negociava com a organização comandada pelo bicheiro Carlos Alberto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. O tucano, segundo as investigações, recebeu depósitos bancários e bens - inclusive imóveis - obtidos com atividades ilícitas.
Leréia é aliado do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e, a exemplo do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), também usava um telefone da marca Nextel, habilitado nos Estados Unidos, cedido por Cachoeira para dificultar grampos nas comunicações do grupo.
Ele é um dos seis parlamentares relacionados até agora como alvos do inquérito criminal aberto no Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Procuradoria-Geral da República. Stepan Nercessian (PPS-RJ), confirmou ter recebido R$ 175 mil de Cachoeira, segundo a edição de ontem do jornal Folha de S. Paulo. Ainda ontem Stepan pediu, por meio de nota, licença temporária do PPS e de todos os cargos e funções que ocupa no partido.
Entre os valores destinados ao deputado tucano e já rastreados estão um depósito de R$ 100 mil, feito na conta de uma empresa comandada supostamente por laranjas - a Linkmidia Tecnologia da Informação e Editoração Ltda - e uma sociedade com Cachoeira em terreno avaliado em R$ 800 mil, em um condomínio de luxo em Goiânia.
A empresa Linkmidia fica em Formosa (GO), a 80 quilômetros de Brasília, e está registrada em nome de Hugo Teixeira, mas pertence de fato ao pai, Leônidas Teixeira, segundo apurou a PF.

Grampos

Em diálogo grampeado em 22 de junho de 2009, na Operação Vegas, Leréia instrui o contraventor Wladimir Garcez Henrique a depositar R$ 100 mil na conta da Linkmídia. Wladimir foi denunciado pelo Ministério Público como um dos membros do esquema de exploração de jogos ilegais comandado por Cachoeira, desmantelado em 29 de fevereiro pela Operação Monte Carlo.
O deputado, segundo a PF, tinha o hábito de conferir cada real depositado em seu favor e, dois dias depois, em novo contato com o contraventor, reclamou que o valor combinado estava incompleto. 
"Eu liguei pro rapaz lá, falou que só fizeram um depósito daquele lá, entendeu? Podia verificar isso aí." Wladimir garante: "Foi feito ontem o outro... foram os dois".
Leréia aceita a resposta, mas com desconfiança: "Tá bom, então tá, um abraço, certeza, né?" E Wladimir encerra a conversa com uma ponta de vacilo: "Certeza, só se o cara tá mentindo, né? Ele não mentiria, não… Foram os dois". Horas depois, a desconfiança de Leréia se confirma num contato de Wladimir com um subalterno, Geovani.
"O Leréia ligou, você olhou aquele negócio, tá confirmado ou não tá?", indaga o chefe. "É... tá faltando... 25 que... é... segundo ele aqui vai conseguir fazer só amanhã. Então, quer dizer que foi (depositado) só 75", responde Geovani. "Fala que amanhã vai entrar os outros 25."
Nesse mesmo dia 24 de junho, em outro diálogo interceptado, Cachoeira, provavelmente acionado por Leréia, ligou para Geovani para tomar satisfações sobre os 25 mil que faltavam.
Os diálogos, aos quais  o jornal O Estado teve acesso, foram travados entre 17 de junho e 3 de julho de 2009, na Operação Vegas, que antecedeu a Operação Monte Carlo, que desbaratou, em 29 de fevereiro passado, a organização criminosa chefiada por Cachoeira.
Helena
No Amigos do Presidente Lula
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Charge online - Bessinha - # 1139

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