27 de mar de 2012

Veja, Demóstenes e o caso Francisco Escórcio

No momento em que o senador Demóstenes Torres pede aos seus pares - e a Renan Calheiros - para não ser julgado politicamente, um dos capítulos de sua parceria com a revista Veja: o caso Francisco Escórcio. Revela bem os métodos utilizados, posteriormente, no caso do grampo sem áudio.
Coube a Demóstenes, em combinação com a revista, deflagrar a manipulação, ao dizer que tinha sido informado - por telefonema de Pedrinho Abrão - sobre as intenções de Escórcio de filmar  Torres e Marconi Perillo no hangar.
Nas investigações posteriores, Abrão negou peremptoriamente e informou que a razão do telefonema foi outra. De nada adiantou: mais um falso escândalo havia sido gestado na usina de Demóstenes e Veja.
Capítulo 1: cria-se a história de que assessor de Renan teria ido a Goiania espionar Demóstenes
No auge das denúncias contra o então presidente do Senado Renan Calheiros, Veja (edição 2029, 10 de outubro de 2007) publica que Francisco Escórcio, assessor de Renan, foi a Goiânia montar um esquema de espionagem contra os senadores Demóstenes Torres (DEM) e Marconi Perillo (PSDB).
A testemunha chave seria o empresário e ex-deputado Pedrinho Abrão, a quem Escórcio teria pedido para filmar embarques dos dois senadores no hangar da empresa de Abrão. O pedido teria sido feito na presença de dois advogados, Heli Dourado e Wilson Azevedo.
Só no último parágrafo da matéria se descobre que nem os advogados nem o empresário confirmam a denúncia: "Pedro Abrão, por sua vez, confirma que os senadores usam seu hangar, que conhece os personagens citados, mas que não participou de nenhuma reunião", diz a revista.
A matéria "O jogo sujo de Renan Calheiros" (http://veja.abril.com.br/101007/p_060.shtml) é assinada, no alto, pelo chefe da sucursal. Policarpo Junior, e no pé, pelo repórter Alexandre Oltramari, que viria a ser assessor de Perilo na eleição de 2010. O avalista principal é Demóstenes Torres.
Capítulo 2: Folha compra a história e repercute, apesar dos desmentidos das testemunhas
Naquele mesmo fim de semana, a Folha de S. Paulo compra a história da revista e ouve um dos advogados citados: Heli Dourado conta que recebeu Escórcio para tratar de processos políticos do Maranhão (foi ele quem redigiu a representação, acolhida um ano depois pelo TSE, que levou à cassação do governador Jackson Lago, adversário de José Sarney, que é o padrinho político de Escórcio).
Dourado diz também que foi Pedrinho Abrão, e não Escórcio, quem falou em filmar Perilo: "E aí o Pedrinho Abrão disse que o senador Marconi Perillo sempre saía do hangar dele e que, se [Escórcio] quisesse, podiam fotografar, filmar ele [Perillo] entrando e saindo", contou Dourado.
A matéria da Folha (http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u334551.shtml) não informa se a sugestão teria sido aceita, mas afirma no título: "Assessor de Renan tratou de espionagem, diz advogado"
Capítulo 3: repórter cede gravação para Demóstenes transmitir no som do Senado
O trecho da gravação da entrevista da Folha, cedido a Demóstenes pelo repórter Leonardo Souza, é reproduzido no sistema de som do Senado, numa das sessões mais vergonhosas da história da casa (aqui o relato da Agência Senado: http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2007/10/09/demostenes-torre...) Uma semana depois, o então corregedor da Câmara, Romeu Tuma, decide ir a Goiânia para ouvir a testemunha-chave, PedrinhoAbrão.
Capítulo 4: testemunha nega formalmente o episódio, mas desmentido não é publicado
Ouvido formalmente, Abrão nega tudo. "Não tratamos de fotos e filmagens" disse Abrão ao corregedor, "mas o senhor pode ver que tenho 18 câmeras aqui, todas elas instaladas como medida de segurança". " Ele me disse também que não ligou para Demóstenes com o intuito de avisá-lo do plano de espionagem, mas para falar de obras no aeroporto de Goiânia, uma vez que Demóstenes é o relator da CPI do Apagão Aéreo" - disse Tuma. O registro está apenas na Agência Senado (replicado aqui no site Direito 2: http://direito2.com/asen/2007/out/17/tuma-vai-conferir-depoimento-de-ped...) Nem a Veja nem a Folha deram uma linha registrando a negativa de mais um escândalo em off)
A encenação de Demóstenes na sessão do Senado, tratando como escândalo uma mentira, denota o mesmo modus operandi do caso do grampo sem áudio. Na ponta midiática, impreterivelmente, a revista Veja.
Brasil
O jogo sujo de Renan Calheiros
O senador manda espionar a vida 
de adversários do PSDB e do DEM

Policarpo Junior e Otávio Cabral 
Fotos André Dusek/AE 
Sob risco de perder o mandato, Renan apela para bruxarias
Para salvar seu mandato, o senador Renan Calheiros já usou a tática de constranger e ameaçar colegas do Parlamento com a divulgação de informações supostamente comprometedoras. Fez isso com dois respeitáveis senadores, Pedro Simon e Jefferson Peres, transformando-os em alvos de boatos sórdidos. Repetiu a fórmula com os petistas Tião Viana e Ideli Salvatti, aliados fiéis que pensaram em se rebelar contra a permanência dele no cargo e acabaram acuados por denúncias de irregularidades. Às vésperas de enfrentar três outros processos no Conselho de Ética, Renan Calheiros é flagrado em outro movimento clandestino e espúrio: a espionagem de senadores. VEJA apurou que Calheiros montou um grupo de arapongas e advogados para bisbilhotar a vida de seus adversários. Na mira estão dois dos principais oponentes do presidente do Congresso: o tucano Marconi Perillo e o democrata Demostenes Torres. Ambos tiveram a vida privada devassada nos últimos três meses. A ousadia chegou ao ponto de, há duas semanas, os arapongas planejarem instalar câmeras de vídeo em um hangar de táxi aéreo no Aeroporto de Goiânia para filmar os embarques e os desembarques dos parlamentares. O objetivo era tentar flagrar os senadores em alguma atividade ilegal para depois chantageá-los em troca de apoio. O plano só não foi em frente porque o dono do hangar não concordou em participar da operação. 
Fotos José Varella/CB e Paulo Rezende
Francisco Escórcio: o assessor de Renan tentou instalar câmeras em hangar do aeroporto de Goiânia
O grupo de espionagem é comandado pelo ex-senador Francisco Escórcio, amigo, correligionário e assessor direto de Renan Calheiros. No dia 24 passado, o assessor se reuniu em Goiânia com os advogados Heli Dourado e Wilson Azevedo. Discutiram uma estratégia para criar uma situação que comprometesse os senadores Perillo e Demostenes. "Vamos ter de estourá-los", sentenciou Escórcio. Um dos advogados disse que a melhor maneira de constranger os senadores oposicionistas era colher imagens deles embarcando em jatos particulares pertencentes a empresários da região. Um dos presentes lembrou que os vôos eram feitos a partir do hangar da empresa Voar, cujo proprietário é o ex-deputado Pedro Abrão, um ex-peemedebista. Na mesma noite, Abrão foi convidado a ir a um escritório no centro de Goiânia. Lá, na presença dos advogados, ouviu a proposta diretamente de Francisco Escórcio: "Nós precisamos de sua ajuda para resolver um problema para Renan", disse Escórcio. Os dois já se conheciam do Congresso Nacional. "Queremos instalar câmeras de vídeo para gravar Perillo e Demostenes usando seus aviões." E completou: "Quero ver a cara deles depois disso, se eles (os senadores) vão continuar nos incomodando". Abrão ouviu a proposta e ficou de estudar. Depois, preocupado, narrou o estranho encontro a um amigo. 
Vivi Zanatta/AE
Marconi Perillo: virou alvo depois de defender o voto aberto

Ex-governador de Goiás, Perillo está em seu primeiro mandato. Na reta final do processo que investigava o envolvimento de Calheiros com o lobista de empreiteira, foi Perillo que apresentou a tese vencedora de que o voto no Conselho de Ética deveria ser aberto. Já Demostenes Torres, ex-promotor público, é hoje um dos mais destacados parlamentares da oposição. Não é a primeira vez que ele, titular do Conselho de Ética, é vítima de arapongas. Em junho passado, logo depois das primeiras denúncias contra Calheiros, Demostenes foi um dos primeiros a defender com veemência a instalação do processo por quebra de decoro. Os arapongas de Renan passaram a investigá-lo desde então. Sem cerimônia, estiveram na cidade de Rio Verde, no interior de Goiás, onde moram pessoas próximas a Demostenes. Lá, procuraram amigos e amigas que já fizeram parte da intimidade do senador. Uma dessas pessoas chegou a receber uma oferta para gravar um depoimento. Os arapongas se apresentavam como advogados, tinham sotaque carregado e, ao que parece, estavam muito interessados em fazer futrica. Não escondiam que o objetivo era intimidar o senador.
Na semana passada, Demostenes Torres e Marconi Perillo foram procurados por amigos em comum e avisados da trama dos arapongas de Renan. Os senadores se reuniram na segunda-feira no gabinete do presidente do Tribunal de Contas de Goiás, onde chegaram a discutir a possibilidade de procurar a polícia para tentar flagrar os arapongas em ação. "Essa história é muito grave e, se confirmada, vai ser alvo de uma nova representação do meu partido contra o senador Renan Calheiros", disse o tucano Marconi Perillo. "Se alguém quiser saber os meus itinerários, basta me perguntar. Tenho todos os comprovantes de vôos e os respectivos pagamentos." Demostenes Torres disse que vai solicitar uma reunião extraordinária das lideranças do DEM para decidir quais as providências que serão tomadas contra Calheiros. "É intolerável sob qualquer critério que o presidente utilize a estrutura funcional do Congresso para cometer crimes", afirma Demóstenes. 
Cristiano Mariz
Demostenes Torres: o líder da oposição teve a vida bisbilhotada
Francisco Escórcio foi contratado em novembro do ano passado pelo senador Calheiros como assessor técnico da Presidência. Antes, trabalhou com o ex-ministro José Dirceu no cargo de assessor especial da Casa Civil. Despacha em uma sala a poucos metros de Renan e ganha um salário de 9.301 reais. O que ele faz? "Faço o que Renan me mandar fazer", disse a VEJA. Escórcio, o advogado Heli Dourado e seu sócio Wilson Azevedo foram ouvidos simultaneamente sobre o plano para bisbilhotar os senadores. Escórcio afirmou que esteve em Goiânia no dia 24 "para pegar umas fotos", que se reuniu com o advogado Heli Dourado e "outras pessoas" num escritório e que, por acaso, o empresário Pedro Abrão "apareceu por lá e eu até disse que ele estava bem magrinho". Heli Dourado confirma que esteve reunido com Escórcio "para discutir um processo judicial de interesse da família Sarney" e garante que "Pedro Abrão não participou da conversa". Wilson Azevedo, seu sócio, diz que "esteve com Escórcio há uns dez dias num encontro informal" e que não vê Pedro Abrão "há uns seis anos". Pedro Abrão, por sua vez, confirma que os senadores usam seu hangar, que conhece os personagens citados, mas que não participou de nenhuma reunião. O empresário, que já pesou mais de 120 quilos, fez uma cirurgia de redução de estômago e está bem magrinho, como disse Escórcio. Renan Calheiros não quis falar.

 Da Agência Senado

Demóstenes Torres cobra a demissão de Francisco Escórcio

Da Redação
[Foto: senador Demóstenes Torres (DEM-GO)]
Em pronunciamento nesta terça-feira (9), em Plenário, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) cobrou a exoneração do assessor da presidência do Senado, Francisco Escórcio, acusado pela revista Veja de ter ido a Goiânia solicitar a ajuda de um empresário para espioná-lo e ao senador Marconi Perillo (PSDB-GO). O plano incluiria a instalação de câmaras em um dos hangares do aeroporto da capital goiana.
Em resposta ao senador por Goiás, o presidente da Casa, senador Renan Calheiros, disse que afastou o funcionário e que ordenou a abertura de sindicância para apurar o caso. Demóstenes Torres, porém, rebateu dizendo que tal informação não correspondia à verdade e que o presidente do Senado poderia ir além. Em nota divulgada na segunda-feira, Renan repudiou alegações de que teria usado um servidor da instituição para "práticas inescrupulosas, imorais e ilegais".
- Todos aqui sabemos o quanto Francisco Escórcio é destrambelhado, para não usar um termo mais desqualificado. Não é Francisco Escórcio que irá me constranger. O Francisco Escórcio não é procurador-geral da República. O Francisco Escórcio não é ministro do Supremo Tribunal Federal. Ele não pode mandar investigar um senador. Ele não tem esse direito. Ele não tem essa competência legal - disse Demóstenes.
Demóstenes disse que manteve contato telefônico com o empresário Pedro Abraão, que teria confirmado a ida de Escórcio a Goiânia.
- Chiquinho Escórcio teria dito a ele que estava lá numa missão de 'arapongagem' e que estava resolvendo também problemas relativos ao Maranhão, mas queria me flagrar e flagrar o senador Marconi Perillo voando de forma ilegal - contou.
Por solicitação de Demóstenes, durante o seu discurso foi reproduzido o som da gravação de uma conversa de aproximadamente cinco minutos mantida entre o jornalista Leonardo Souza, da Folha de S. Paulo, e o advogado Heli Dourado, que também teria se reunido com Escórcio, em Goiânia.
- Vossa Excelência pode verificar, nessas declarações, primeiro, que a reunião aconteceu. Segundo, que Francisco Escórcio mandou buscar Pedrinho Abraão, convidou-o para ir lá. Terceiro, que eles falaram em nome de Vossa Excelência, ainda que indevidamente - disse Demóstenes, referindo-se a Renan Calheiros.
"Onde estamos?"
Depois de ouvir a gravação, o senador Valter Pereira (PMDB-MS) perguntou a Demóstenes Torres: "Onde estamos? No Senado Federal ou numa delegacia de polícia?". Em resposta, o senador pelo DEM goiano afirmou: "Vossa Excelência pode responder. Não sei qual a intenção da pergunta de Vossa Excelência, mas o Conselho de Ética é justamente para apurar quebra de decoro. É isso que Vossa Excelência quis dizer ou quis fazer uma defesa? Se quiser, faça, Vossa Excelência tem direito". Valter Pereira concluiu dizendo: "Estamos diante de um rosário de episódios que deprimem extremamente a imagem do Congresso".
Já o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) pediu que Renan se afastasse da presidência da Casa, como forma de se defender das acusações que pesam contra ele e para que o Senado volte à normalidade. Na avaliação de Cristovam, Demóstenes, "querendo ou não" mostrou que está faltando credibilidade a Renan para exercer a Presidência.
- Mesmo que o senhor esteja com a verdade, a credibilidade se esvaziou. Neste momento, seria um gesto patriótico e inteligente - patriótico para o país e inteligente do seu ponto de vista, da sua defesa - que o senhor não estivesse na presidência do Senado - argumentou Cristovam.
Quando Demóstenes quis conceder mais um parte, Renan o interrompeu dizendo que seu tempo estava esgotado. Demóstenes argumentou que Renan havia falado antes, por 20 minutos, quando teria, igualmente, cinco minutos para se pronunciar. O senador por Goiás exigiu tratamento igualitário. Renan desconsiderou a reclamação e declarou encerrado o tempo de Demóstenes, que agradeceu e deixou a tribuna.
Luis Nassif
No Advivo
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O silêncio hipócrita de Demóstenes e o seu pedido a Cachoeira

O Silêncio:

A decisão do senador Demóstenes Torres (GO) de deixar a liderança do DEMo ocorreu na manhã desta terça-feira em reunião com o presidente da legenda, José Agripino, o líder do DEMo na Câmara, ACM Neto (BA), e o deputado Ronaldo Caiado (DEMo-GO).
No encontro, em seu gabinete, Demóstenes afirmou que precisava deixar a liderança para se dedicar à sua defesa. Gravações feitas pela Polícia Federal, divulgadas por Veja, revelam que o senador trocava confidências com Carlinhos Cachoeira, chefe da máfia que controlava os caça-níqueis em Goiás.
Apesar da pressão de senadores para que Demóstenes se explique, o democrata afirmou aos colegas que só falará publicamente sobre o assunto se receber uma acusação formal do Ministério Público Federal (MPF). Até lá, continuará mudo e fugindo da imprensa. A atitude contradiz o que Demóstenes sempre pregou, que é a necessidade de autoridades envolvidas em denúncias se explicarem.
Cabeça a prêmio? O presidente do DEMo afirmou que, pelo menos por enquanto, o partido não pensa em expulsar Demóstenes Torres da legenda. “Não tem ninguém falando sobre isso até porque seria precipitação”, disse Agripino.
ACM Neto concordou: “Fomos capazes de tomar uma medida severa contra o único governador do partido, que era Arruda. O partido já mostrou que não é complacente com a corrupção. Por outro lado, não dá para o partido condenar alguém sem ter acesso às provas.”

O Pedido:

No FrasesdaDilma e CloacaNews
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Levante Contra Tortura em São Paulo

Cerca de 150 jovens do Movimento Levante Popular da Juventude realizam um protesto contra o torturador David dos Santos Araújo, o Capitão "Lisboa", em frente a sua empresa de segurança privada Dacala, na Zona Sul da cidade de São Paulo, na Av. Vereador José Diniz, 3700.
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Mais um para a turma de Renan

Foto: Agência Senado
Quem disse?
* Corrupção é um negocio suprapartidário. Os malandros estão em todos os governos e, às vezes, migram de um governo para outro.
(3/9/2007 , como relator da CPI do Apagão Aéreo)
* Já esgotei a capacidade de aguentar calado e a paciência se esvaiu. Vou pedir o desligamento dos membros do DEM que estão no governo. Ou saem do governo, ou do partido.
(14/2/2010, falando sobre o mensalão do DEM de Brasília)
* Foi o governo da lassidão moral e da tolerância com a corrupção.
(1/1/2011, num balanço do governo Lula)
* O PT está certo, o governo Lula não foi corrupto, foi super corrupto.
(3/9/2011, à época do 4º Congresso Nacional do PT)
* Os petistas de brio discordam da bandalheira. É necessário conclamá-los à batalha pelo resgate da moralidade no Distrito Federal. 
(5/11/2011, sobre a proposta de impechment do governador Agnelo Queiroz)
Moleza.
Claro que foi Demóstenes Torres (GO), ex-líder do DEM no Senado, quem produziu as frases acima reunidas pelo O Estado de S. Paulo e republicadas na edição do último sábado do jornal.
É assim mesmo. O mundo gira e a Luzitana roda.
No final de maio de 2007, reportagem da Veja denunciou que Renan Calheiros (PMDB-AL), então presidente do Senado, recebia recursos da empreiteira Mendes Júnior, por meio do lobista Cláudio Gontijo, para pagar pensão mensal de R$ 12 mil à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento.
Demóstenes votou pela cassação do mandato de Renan no Conselho de Ética. No dia 12 de setembro daquele ano, por 40 votos contra 35 e seis abstenções, Renan foi absolvido pelo plenário do Senado.
- Ele teve quase 40 votos contrários, não tem como garantir nenhuma votação nesta Casa. Vamos continuar o processo de obstrução e lutar para investigá-lo dignamente -, insistiu Demóstenes.
Dali a um mês, Renan licenciou-se da presidência do Senado por 45 dias. No dia 4 de dezembro, finalmente, renunciou ao cargo. Demóstenes celebrou a renúncia.
Esta manhã, Demóstenes reuniu-se com Renan e pediu sua ajuda para escapar de ser julgado pelo Senado, assim como Renan foi.
Pesa sobre Demóstenes a acusação de ser sócio do empresário Carlinhos Cachoeira na exploração de jornais (sic) ilegais em Goiás.
Renan assumiu o compromisso de ajudar Demóstenes. E saiu da reunião com ele dizendo coisas do tipo:
- Eu acho que em havendo investigação dos órgãos de controle, não há necessidade de uma investigação política aqui no Senado.
A maioria dos Senadores torce para que o Procurador Geral da República peça ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito contra Demóstenes. Se isso ocorrer, eles se sentirão dispensados de julgar o colega.
Uma punição, pelo menos, Demóstenes já sofreu: entrou para a turma de Renan. A turma só faz crescer no Senado.

Ricardo Noblat jogando a toalha.
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O golpe e a ditadura militar

Brasil não era um país feliz antes do golpe de 1964. Mas era um país que dava sequência a um ciclo longo de crescimento econômico, impulsionado por Getúlio, como reação à crise de 1929. Nos anos prévios ao golpe era um país que começava a acreditar em si mesmo. Quem toma com naturalidade agora a Copa do Mundo de 1958 não sabe o quanto ela foi importante para elevar a auto estima dos brasileiros, que carregavam, desde o fatídico 16 de julho de 1950, o trauma do complexo de inferioridade.
Mas isso veio junto com a bossa nova, o cinema novo, o novo teatro brasileiro, um clima de expansão intelectual por grandes debates nacionais, pela articulação com grandes temas teóricos e culturais que começavam a preparar o clima da década de 1960.
O país nao foi surpreendido pelo golpe. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial militares que tinham ido à Italia tinham se articulado estreitamente com os EUA. Na sua volta, liderados por Golbery do Couto e Silva e por Humberto Castelo Branco, fundaram a Escola Superior de Guerra e passaram, a partir dali, a pregar os fundamentos da Doutrina de Segurança Nacional – concepção norteamericano para a guerra fria -, que cruzou a história brasileira ao longo de toda a década de 1950 até, depois de várias tentativas, desembocar no golpe de 1964 que, não por acaso, teve naqueles oficiais da FFAA seus principais líderes.
Durante a década de 1950 o Clube Militar foi o antro a partir do qual articulavam golpes contra o Getúlio – seu inimigo fundamental, pelo nacionalismo e por suas políticas populares e articulação com o movimento sindical. O suicídio do Getulio brecou um golpe pronto e permitiu as eleições de 1955, em que novamente os golpistas foram derrotados.
Fizeram duas intentonas militares fracassadas contra JK e elegeram Jânio, com a velha e surrada – mas sempre sobrevivente, até hoje – bandeira da corrupção. Se frustraram com a renúncia deste e naquele momento tentaram novo golpe, valendo-se do vazio da presidência e da ausência do Jango, em viagem para a China. A mobilização popular e a atitude do Brizola de levantar em armas o Rio Grande do Sul na defesa da legalidade, impediram e adiaram o golpe.
Mas os planos golpistas não se detiveram e acabaram desembocando em primeiro de abril de 1964 no golpe, que contou com amplo processo de mobilizações da classe média contra o governo, com participação ativa da Igreja católica, da mídia, das entidades empresariais, que desembocou na ação da alta oficialidade das FFAA, que liquidou a democracia que o Brasil vinha construindo e instaurou o regime do terror que passou a vigorar no Brasil.
Foi o momento mais grave de virada regressiva da história brasileira. Interrompeu-se o processo de democratização social, de afirmação econômica e política do pais, para impor a opressão econômica e politica, a subordinação externa, mediante uma ditadura brutal. O país, sob o comando dos militares, da Doutrina de Segurança Nacional, do grande empresariado nacional e internacional, do governo dos EUA, optou por um caminho que aprofundou suas desigualdades sociais, colocando o acento no mercado externo e na esfera de alto consumo do mercado, no arrocho salarial, na desnacionalização da economia e na opressão militar.
Completam-se 48 anos do golpe militar. Continua sendo hora de perguntarmos a todos: Onde você estava no momento mais grave de enfrentamento entre democracia e ditadura? Cada um, cada força politica, cada empresário, cada órgão da imprensa, cada igreja, cada militar. Os temas continuam atuais: denuncismo moralista a serviço do enfraquecimento do Estado, abertura escancarada da economia, resistência às políticas sociais e aos direitos do povo, uso da religião contra a democracia republicana e o caráter laico do Estado, uso da mídia como força politica da direita, etc. etc.
Que seja uma semana de reflexão e de ação politica. Que o governo finalmente nomeie os membros da Comissao da Verdade e que não passemos mais um primeiro de abril sem apurar tudo o que o regime de terror impôs pela força das botas e das baionetas ao país e que a democracia faça triunfar a verdade.
Emir Sader
No Blog do Emir
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Sob pressão, Gurgel vai investigar Demóstenes

Após reunião entre o procurador-geral da República e parlamentares da Frente de Combate à Corrupção, o senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP) disse que Gurgel confirmou o pedido de abertura de inquérito sobre as denúncias feitas contra o senador, que deixou hoje a liderança do DEM
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, deve mesmo encaminhar ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedido de abertura de inquérito para apurar a relação do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), entre outros parlamentares, com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Gurgel deu a informação aos parlamentares da Frente de Combate à Corrupção, que se reuniram com o procurador-geral na tarde desta terça-feira.
O encarregado de anunciar a decisão de Gurgel foi o senador Randolfe Rodrigues (PSol-AP). "Nós pedimos, em caso de envolvimento de parlamentares e membros do Congresso Nacional, denúncia ao Supremo Tribunal Federal. Essa providência, por parte do procurador-geral da República, nos foi informada que será tomada", disse Randolfe. “Ele (Gurgel) está em vias de concluir a análise do material que recebeu e isso já já será encaminhado ao Supremo Tribunal Federal”, disse o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), integrante da frente.
Além da pressão dos parlamentares da frente, PT, PDT e PSB protocolaram um pedido de esclarecimentos ao procurador-geral sobre a demora nas investigações sobre as relações entre Cachoeira e deputados e senadores.
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A culpa não é do SUS

A reportagem veiculada pelo programa Fantástico, da Rede Globo, no domingo, dia 18 de março corrente, indubitavelmente choca pela contundência ao exibir imagens explícitas de corrupção ativa e passiva. A prática da corrupção permeia a vida pública e privada brasileira, em todos os seus escalões e níveis, sendo até agora infensa a qualquer tipo de abordagem saneadora, constituindo uma verdadeira praga. É impossível outra atitude que não a de repúdio ao que foi mostrado.
Apesar de deixar claro o repúdio mais absoluto a essa excrescência, a corrupção, que assola a vida nacional, a reportagem veiculada pelo Fantástico e longamente repercutida dia a dia pela Rede Globo, suscita algumas considerações que, embora se refiram a aspectos muito sutis – que se não forem devidamente considerados redundariam em provocações gratuitas –, não podem passar despercebidas. O primeiro aspecto é quanto à ética e à legalidade de uma reportagem concretizada em tais condições.
No entanto, não se pode esquecer que liberdade de imprensa implica compromisso com a legalidade, com a ética, e pede, em contrapartida, responsabilidade. É defensável que um repórter, com o suporte de uma empresa de comunicação de indiscutível competência e ampla penetração na vida brasileira, assuma uma personalidade falsa para obter informações, ainda que seja sobre tema de alta relevância para o aprimoramento da vida nacional? Os fins perseguidos justificam a utilização desses meios? É correto recorrer à falsidade ideológica para tal objetivo? Esse tipo de imprensa deve ser incentivado, suportado e defendido como efetivo exercício de liberdade profissional?
Outra consideração que não pode deixar de ser evidenciada tem a ver com o gestor do hospital público, cenário dos lamentáveis flagrantes registrados pelas câmaras da televisão. O que teria levado o médico Edimilson Migowski a permitir que a operação tivesse lugar na instituição sob o seu comando, o Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG), da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)? O que levaria esse gestor a dar a sua cara a tapa, expondo, na tela da televisão, a sua incompetência para enfrentar a corrupção em curso entre os seus subordinados? Será de fato incompetência ou inapetência para enfrentar o desafio? Que subordinados são esses, e que poder maior que o do diretor os sustenta, para consumar os seus atos de corrupção: respaldo político ou qualquer outra forma espúria de poder que o diretor não pudesse encarar pelos meios oficiais?
Será que esse gestor é tão ingênuo que não considerou um dado irretorquível: o de que ele é conivente com os fatos ocorridos nos porões da sua instituição e que vai responder por eles, na sua qualidade de funcionário público e de cidadão brasileiro? O fato de haver apoiado a estratégia da reportagem configura dois crimes: incentivo ao exercício da falsidade ideológica e conivência com os atos que certamente vinham ocorrendo, desde antes da reportagem, sem que fosse capaz de denunciá-los. De pronto, ele agrediu o Estatuto do Funcionário Público, que não permite a qualquer gestor investir na qualidade de servidor alguém que de fato não o é, permitindo que pratique, em nome da instituição, atos que seriam exclusivos de alguém que fosse concursado ou, no mínimo contratado para o posto pelo regime das leis trabalhistas. O suposto responsável pelas compras era um estranho ao meio funcional. Seria o mesmo que ele permitisse que um falso médico praticasse cirurgias, pondo em risco a vida de outrem, para averiguar irregularidades nas práticas atinentes a um centro cirúrgico.
Também produz estranheza que o segmento escolhido para exemplificar a corrupção tenha sido a saúde pública. Por que motivo isso teria ocorrido, quando há muitos outros, com potencial financeiro infinitamente maior, por movimentarem recursos astronômicos e que são recorrentes, na própria mídia, como indiscutivelmente dados à prática da distribuição de largas propinas, que têm produzido não poucos casos de enriquecimento ilícito fantásticos? O alvo secundário terá sido agredir as políticas públicas de saúde, desvalorizando-as mais do que já estão junto à opinião pública, como forma de favorecer a medicina privada, que cresce a olhos vistos no país, a custa dos preços absurdos dos planos médicos e dos repasses de recursos públicos?
Diante da péssima distribuição de riquezas aqui registrada e da consequente penúria de grande parcela da população nacional, promover políticas públicas de saúde ainda constitui providência de primeira necessidade. É uma compensação para os menos favorecidos. E o Brasil consagrou esse princípio, com base na sua lei maior, a Constituição Federal e em outros dispositivos voltados para assegurar um mínimo de dignidade humana no acesso à saúde dos brasileiros mais carentes.
A maneira pela qual se configurou esse atendimento se traduziu no Sistema Único de Saúde (SUS), que vem sendo bombardeado por todos os lados por seus inimigos. Então, por que exterminá-lo? É uma dívida social e há que ser paga. Portanto, atacar o SUS, tentar bombardear a sua estrutura é um desserviço e a sua concretização fará o país mergulhar em problemas ainda maiores do que os hoje enfrentados.
O SUS hoje é integrado, em todo o país por 6.500 hospitais. Desses, 48% pertencem à iniciativa privada, que recebem perto da metade dos repasses federais para estados e municípios, atualmente, segundo o próprio O Globo, em editorial no dia 21 de março último, da ordem de R$ 175 bilhões, oriundos dos impostos pagos pelos cidadãos. Não será ele também indício de uma corrupção mais aguda e mais profunda do que aquele mostrado na reportagem encenada no IPPMG? Parece que voltamos ao ponto de partida: a corrupção não pode ser analisada no varejo. É coisa do atacado.
Mário Augusto Jakobskind
No Direto da Redação
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FHC visita Lula, para ver se melhora sua imagem, e desagrada Serra

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso visitou nesta terça-feira (27) o também ex-presidente Lula, no Hospital Sírio-Libanês, onde ele faz sessões de fonoaudiologia (exercícios para a voz).
Há algum tempo FHC procura apagar da memória histórica boa parte do que fez de ruim em seu governo neoliberal, buscando melhorar sua imagem em fotografias como esta ao lado de Lula, e outras que já tirou ao lado de Dilma, para melhorar o acervo do Instituto FHC.
É uma espécie de versão "esqueçam como governei" no lugar da frase "esqueçam o que escrevi", atribuída a ele. Mas atitudes como ir à Venezuela fazer campanha para a oposição anti-nacionalista apoiada pelos EUA, e apoiar o candidato da extrema-direita e da Chevron à prefeitura de São Paulo, José Serra, estragam toda essa tentativa.
Lula o recebeu como uma visita pessoal, assim como já solidarizou-se com FHC quando ele perdeu Ruth Cardoso.
O encontro começou às 11h e durou cerca de 50 minutos. Nenhum dos dois divulgou o teor da conversa, dizendo que a visita foi pessoal e não política. Mas dá para imaginar algo como uma conversa civilizada entre corintianos e palmeirenses. Com a diferença de que FHC não é exatamente palmeirense e tem como hobby fazer piadas nos bastidores a respeito de José Serra.
Serra, por sinal, não deve ter gostado muito da visita, pois atrapalha sua surrada estratégia de marketing aplicada em toda eleição: de desconstruir e vilanizar a imagem pessoal do adversário, desqualificando-o de forma infantilizada, como se a campanha se resumisse a chamar o adversário de "bobo, feio e malvado", camuflando as diferenças políticas reais entre os dois projetos de governo: o tucano é neoliberal e o petista é trabalhista.
O marketing serrista também visa camuflar as questões biográficas da vida dos candidatos que o eleitor exige saber, e alguns candidatos insistem em ocultar, como, por exemplo, o lado oculto da vida de José Serra flagrado no livro "A Privataria Tucana" sobre movimentações financeiras em paraísos fiscais da filha, do genro, do primo , de sócios e do ex-caixa de campanha de José Serra.
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Demóstenes chama Bastos de 'defensor de bandidos'

Em 2003, o senador do DEM (esq.) afirmou em entrevista que esse é o viés do ex-ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos (dir.); será que a opinião continua valendo agora que o criminalista também defende seu amigo e "professor" Carlinhos Cachoeira?
Quem diria. Marcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça e atual advogado de defesa do empresário de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, já foi chamado de “defensor de bandidos” por um dos parlamentares mais ligados ao contraventor, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Segundo investigações da Polícia Federal e do Ministério Público, Torres tinha um rádio exclusivo para conversar com o bicheiro, a quem chamava de “professor” e chegou a ganhar uma cozinha inteira de presente de casamento de Cachoeira.
Demóstenes Torres não parece, no entanto, ter apreço pelo advogado do bicheiro. Em uma entrevista concedida em agosto 2003 ao veículo de Goiânia Tribuna do Planalto, Demóstenes afirmou que a vida toda, Thomaz Bastos foi defensor de bandidos: “Precisamos acabar com essa prática de advogado ser ministro da Justiça. Advogado é defensor de bandido. A vida toda ele [Thomaz Bastos] foi defensor de bandido e continua sendo. É o viés dele. Não por desonestidade. A cabeça dele funciona assim, como a cabeça do promotor que só pensa em acusar e punir bandidos”.
Hoje, a situação é outra e o criminalista defende um amigo – como já definiu o próprio senador sobre sua relação com Cachoeira. O bicheiro está na prisão – detido pela operação Monte Carlo, da Polícia Federal – e para sair de lá, precisa de uma defesa de peso. A verba cobrada para os serviços do ex-ministro é tanta que o contraventor chegou a tentar contratá-lo antes, mas achou os honorários muito salgados, segundo a coluna Painel da Folha de S.Paulo desta terça-feira. Viu depois, porém, que seria a melhor decisão, no lugar do advogado Ricardo Sayeg. Nesta segunda-feira, o Tribunal Regional Federal decidiu negar o pedido de habeas corpus apresentado pelo criminalista e manter Cachoeira na prisão.
A dúvida que fica é: será que agora Torres mudou de ideia ou continua pensando o mesmo a respeito de Thomaz Bastos, agora que está nas mãos dele o futuro do bicheiro e amigo? Seria Carlinhos Cachoeira um “bandido” para o senador?
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Demóstenes tem amizade com bicheiro por 'questão de caráter', diz advogado

Senador é suspeito de receber dinheiro e favores de Carlinhos Cachoeira, preso pela PF em GO
SÃO PAULO - O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) reafirma a sua amizade com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, por “uma questão de caráter”, disse nesta segunda-feira, 26, o advogado do parlamentar, Antônio Carlos de Almeida Castro, (foto), ao Estadão Cachoeira foi preso em 29 de fevereiro em Goiânia pela Polícia Federal (PF) na Operação Monte Carlo por envolvimento no jogo do bicho e exploração de máquinas caça-níqueis.
“Demóstenes e Cachoeira são amigos há bastante tempo. Mais de metade de Goiânia era amiga do Cachoeira e agora, depois desse episódio, aparecem os engenheiros de obra pronta que começam a dizer que não o conheciam. O Demóstenes, como demonstração de caráter, mantém sua posição desde sempre”, disse o advogado, conhecido por Kakay. Segundo ele, Demóstenes não desconfiava das atividades ilícitas do amigo. “O Cachoeira havia dito que tinha parado com qualquer atividade de contravenção e trabalhava atualmente com um laboratório”, disse.
Kakay define como uma “mentira deslavada” a informação, publicada pela revista Carta Capital, de relatórios da PF indicando que Demóstenes recebia 30% do faturamento de Cachoeira para alimentar caixa 2 destinado à sua futura campanha ao governo de Goiás. E cobra acesso aos inquéritos da PF a respeito de Demóstenes, que ainda não conseguiu analisar. “O senador é vitima de uma acusação sem rosto, é uma covardia. Isso não coaduna com o Estado Democrático de Direito”, afirma.
Leia a íntegra da entrevista:
Desde quando Demóstenes e Carlinhos Cachoeira se conhecem e qual a natureza da relação dos dois?
Eles se conhecem há bastante tempo, são amigos comuns. Aliás, mais da metade de Goiânia era amiga do Cachoeira e agora, depois desse episódio, aparecem os engenheiros de obra pronta, que começam a dizer que não o conheciam. O Demóstenes, como demonstração de caráter, mantém sua posição desde sempre. É amigo, tem uma relação pessoal, foi ao casamento dele. Todo mundo em Goiânia era amigo do Cachoeira, ele frequentava todas as rodas, era um cara querido. Uma pessoa me ligou de Anápolis dizendo que a cidade está consternada com a prisão dele, que todo mundo gosta dele. Hoje querem demonizar o cara, mas era uma pessoa querida no Estado.
O senador Demóstenes não desconfiava das atividades de Cachoeira com o jogo do bicho e máquinas de bingo?
Não, o Cachoeira havia dito a ele que tinha parado com qualquer atividade de contravenção, que agora trabalhava com um laboratório, atividade lícita, tudo registrado.
Por que Demóstenes tinha um aparelho Nextel registrado nos EUA para falar exclusivamente com Cachoeira?
O Carlinhos veio do exterior com esse aparelho e disse ao Demóstenes: ‘quando você quiser falar comigo, fala diretamente nesse aparelho aqui, é um aparelho que eu trouxe para falar com alguns amigos’. Na época, não tinha nenhuma irregularidade, não chamou a atenção, eles falavam naturalmente. Depois que acontece isso, começam a questionar tudo. Era uma conveniência, mais para o Cachoeira do que para o próprio senador.
Além de uma geladeira, um fogão e um celular Nextel, o senador Demóstenes recebeu mais algum objeto ou dinheiro de Cachoeira?
Que eu tenha conhecimento, não. E não converso com o senador sobre esses detalhes, que do meu ponto de vista são desimportantes do ponto de vista jurídico.
Ligações telefônicas grampeadas pela PF em 2009 mostrariam Demóstenes pedindo a Cachoeira que lhe custeasse despesas de táxi aéreo. Por que esse pedido?
Sobre grampos específicos, a defesa não irá falar. Estamos vivendo algo surreal, já fiz três pedidos pra ter acesso a esse inquéritos e não consegui vê-los. Estão ocorrendo vazamentos pontuais e criminosos e eu não sei se são de grampos que existem ou não existem. Nós não vamos falar de conversas que eu não sei se aconteceram ou não aconteceram. São vazadas conversas pontuais, de forma criminosa, e a única pessoa que não tem acesso é a defesa. O senador está querendo falar, precisa falar, mas é uma irresponsabilidade falar sobre algo que você não conhece. Quem disse que o teor da conversa é exatamente esse? Tem que contextualizar a conversa.
Segundo reportagem da revista Carta Capital, relatórios do delegado da PF Deuselino Valadares dos Santos indicam que Demóstenes recebia dinheiro de Cachoeira para financiar campanhas eleitorais. Isso ocorreu?
É uma mentira deslavada. Eu ouvi dizer que colocaram isso na responsabilidade de um advogado chamado Ruy Cruvinel. Eu tenho uma declaração do advogado desse Ruy dizendo que a reportagem dizia que ele foi preso, e o advogado afirma que ele nunca foi preso nem nunca disse isso. E esse Ruy nem conhece o senador Demóstenes.
Bruno Lupion
No Estadão
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Demóstenes Cachoeira deixa a liderança do DEMo no senado

O senador Demóstenes Torres (DEMo-GO) entregou hoje a liderança do partido no Senado. A renúncia já foi formalizada em nota enviada ao presidente do partido, senador José Agripino Maia (DEMo-RN).
Fora da liderança, Demóstenes terá agora mais tempo para se defender das denúncias de que teria negócios escusos com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.
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Semana do Apartheid israelense: Chame-o como ele é

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Israel tripudia da ONU

Prisioneiros palestinos a caminho das masmorras israelenses
Israel rompeu com o Conselho de Direitos Humanos da ONU.
Tudo isso porque integrantes do Conselho se preparavam para visitar a Cisjordânia a fim de verificar as atrocidades que os israelenses estavam cometendo.
Esta deve ser a milionésima vez que Israel tripudia da ONU.
Israel não reconhece legitimidade da ONU.
Se a ONU não tem legitimidade, o que dizer então de Israel estado criado por essa mesma ONU?
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Lula quer as duas CPIs. E o PT?

Blogueiros sujos, ansiosos e não ansiosos, receberam informação preciosa: o "Nunca Dantes" avisou ao PT que quer as duas CPIs – a do Demóstenes/Cachoeira e a da Privataria.
As duas.
Nessa ordem, ou em qualquer ordem.
As duas têm as assinaturas necessárias, obtidas pelo delegado Protógenes.
As duas estão nas mãos do Presidente da Câmara, Marco Maia.
Por que não as instala?
Será que o PT assinou os pedidos de CPI e depois arrepiou carreira?
Cândido Vacarezza, quando era líder do Governo, disse que, como líder do Governo, não poderia assinar.
Foi para o lugar dele o Arlindo Chinaglia, aliado de Maia.
Que, até agora, não saiu de cima do muro.
O líder do PT era Paulo Teixeira.
Para o lugar dele foi o Jilmar Tatto, também do PT de São Paulo…
E o Jilmar Tatto prefere ver Satanáz nu a pedir a CPI da Privataria.
Por que será, amigo navegante?
Que caroço tem debaixo do angu da CPI da Privataria, para assustar tanto o PT de São Paulo?
Esse caroço tem nome?
Agora, a questão atinge outra dimensão: o Lula quer.
As duas.
Paulo Henrique Amorim
No Conversa Afiada
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Renato Borghetti

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Renato Borghetti e Arthur Bonilla

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Renato Borghetti

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O racismo a serviço do império euroamericano

Podemos talvez encontrar a origem do racismo, a partir do equívoco bíblico, de que Deus fez o homem à sua imagem e semelhança. Levando a idéia ao pé da letra, nasceu a paranóia da intolerância ao outro. A imagem negra de Deus é a de seus deuses africanos, a imagem judaica de Deus é a de um patriarca hebreu, na figura de Jeová. Os muçulmanos não deram face a Alá, nem veneram qualquer imagem de Maomé, mas isso não os fez mais santos. Desde a morte de Maomé, seus descendentes e discípulos se separaram em seitas quase inconciliáveis, que se combatem, todas elas reclamando o legado espiritual do Profeta. Os muçulmanos, como se sabe, reconhecem Cristo como um dos profetas.
Os protestantes da Reforma também prescindiram de imagens sagradas, o que, sem embargo, não os impediu de exercer intolerância e violência contra os católicos, com sua inquisição – em tudo semelhante à de seus adversários.
Essa idéia que associa as diferenças étnicas e teológicas à filiação divina, tem sido a mais perversa assassina da História. Os povos, ao eleger a face de seu Deus, fazem dele cúmplice e protetor de crimes terríveis, como os de genocídio. O Deus de Israel, ao longo da Bíblia, ajuda seu povo, como Senhor dos Exércitos, a “passar pelo fio da espada” os inimigos, com suas mulheres e seus filhos. Quando Cortés chegou ao México, incitou os seus soldados ao invocar a Deus e a São Tiago, com a arenga célebre: “adelante, soldados, por Dios y San Tiago”.
Quando falta aos racistas um deus particular, eles, em sua paranóia, se convertem em seus próprios deuses. Criam seus mitos, como os alemães, na insânia de se considerarem os mestres e senhores do mundo. Dessa armadilha da loucura só escaparam os primitivos cristãos, mas por pouco tempo, até Constantino. A Igreja, a partir de então, se associou aos interesses dos grandes do mundo, e fez uma leitura oportunista dos Evangelhos.
A partir do movimento europeu de contenção dos invasores muçulmanos e do fanatismo das cruzadas, a cruz, símbolo do sacrifício e da universalidade do homem, se converteu em estandarte da intolerância. Nos tempos modernos, o símbolo se fechou – com a angulação dos braços, no retorno à cruz gamada dos arianos – em sinal definitivo e radical da bestialidade do racismo germânico sob Hitler.
Os fatos dos últimos dias e horas são dramática advertência da intolerância, e devem ser vistos em suas contradições dialéticas. O jovem francês que mata crianças judias e soldados franceses de origem muçulmana, como ele mesmo, é o resultado dessa diabólica cultura do ódio de nosso tempo aos que diferem de nós, na face e nas crenças. É um tropeço da razão considerar todos os muçulmanos terroristas da Al-Qaeda, como classificar todos os judeus como sionistas e todos alemães como nazistas. Ser muçulmano é professar a fé no Islã – e há muçulmanos de direita, de esquerda ou de centro.
Merah, se foi ele mesmo o assassino, matou cidadãos do moderno Estado de Israel, como eram as vítimas da escola de Toulouse, mas também muçulmanos do Norte da África, como ele mesmo. Os fatos são ainda nebulosos, e os franceses de bom senso ainda duvidam das versões oficiais, como constatou Teh Guardian em matéria sobre o assunto.
Em El Cajon, nas proximidades de San Diego, na Califórnia – uma comunidade em que 40% de seus habitantes é constituída de imigrantes do Iraque, uma senhora iraquiana, que morava nos Estados Unidos há 19 anos, foi brutalmente assassinada, com o recado de que, sendo terrorista, depois de morta deveria voltar para o seu país. O marido, também iraquiano, é, por ironia da circunstância, empregado de uma firma que assessora o Pentágono na preparação psicológica dos militares que servem no Oriente Médio. E também nos Estados Unidos, na Flórida, um vigilante de origem hispânica (embora com o sobrenome significativo de Zimmermann, bem germânico) matou, há um mês, um jovem de 17 anos, Travyon Martin, provocando a revolta e os protestos da comunidade negra.
Em Israel, o governo continua espoliando os palestinos de suas terras e casas e instalando novos assentamentos para uso exclusivo dos judeus. O governo de Telavive não reconheceu a admoestação da ONU de que isso viola os direitos humanos essenciais. Os Estados Unidos votaram contra a advertência internacional a Israel. Como se vê os direitos humanos só são lembrados, quando servem para dissimular os reais interesses de Washington e de seus aliados e dar pretexto à agressão a países produtores de petróleo e de outras riquezas, como ocorreu com o Iraque, a Líbia e o Afeganistão.
Os episódios de intolerância se multiplicam em todos os países do mundo – e mesmo entre nós. No Distrito Federal, segundo revelações da polícia, um grupo de neonazistas mantinha célula terrorista há cerca de trinta anos, associada a outros extremistas de todo o país. Na madrugada de 28 de fevereiro deste ano, em Curitiba, vinte jovens neonazistas assassinaram um rapaz de 16 anos, a socos, pontapés e facadas. O principal executor, um estudante de direito, foi escolhido para cumprir ritual de entrada no grupo, como prova de coragem. A coragem de matar um menino desarmado. Também em Curitiba e em Brasília foram presos dois racistas, que usavam a internet para expor as suas idéias fascistas e incitar a violência contra ativistas femininas, homossexuais, negros e nordestinos.
Enquanto não aceitarmos a face morena de Jesus, como a mais próxima da face do Deus – criada para dar transcendência ao mistério da vida – o deus que continuará a dominar a nossa alma será Tanatos, o senhor da morte.
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O consumo e o consumidor

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Pinheirinho

Videoclipe com cenas perturbadoras captadas por moradores e profissionais de imprensa na reintegração de posse do Campo dos Alemães (Pinheirinho), em São José dos Campos (SP).
FOME ZERO:
Alexandre Teixeira - Vocal / Guitarra
Dubes Sonego - Guitarra
Alek Ribet - Baixo
Arnaldo Comin - Bateria
Produção Áudio:
Oficina da Arte - http://palazini.com
Produção Vídeo:
Oficina da Arte - http://palazini.com
Edição de Vídeo:
Palazini Oda
Alek Ribet
Direção:
Palazini Oda
Alek Ribet
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Charge online - Bessinha - # 1124

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Escrachos contra torturadores

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Escracho de torturadores em todo o Brasil.

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Charge online - Bessinha - # 1123

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