23 de mar de 2012

Os 30% de Demóstenes

A Polícia Federal tem conhecimento, desde 2006, das ligações do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com o senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás.
Três relatórios assinados pelo delegado Deuselino Valadares dos Santos, então chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros (DRCOR), da Superintendência da PF em Goiânia, revelam que Demóstenes tinha direito a 30% da arrecadação geral do esquema de jogo clandestino, calculada em, aproximadamente, 170 milhões de reais nos últimos seis anos.
Segundo relatório da Polícia Federal, 30% é o percentual que o senador do DEM recebia do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Foto:Renato Araújo/ABr
Na época, o império do bicheiro incluía 8 mil máquinas ilegais de caça-níqueis e 1,5 mil pontos de bingos. Como somente no mês passado a jogatina foi desbaratada, na Operação Monte Carlo, as contas apresentadas pela PF demonstram que a parte do parlamentar deve ter ficado em torno de 50 milhões de reais. O dinheiro, segundo a PF, estava sendo direcionado para a futura candidatura de Demóstenes ao governo de Goiás, via caixa dois.
A informação, obtida por CartaCapital, consta de um Relatório Sigiloso de Análise da Operação Monte Carlo, sob os cuidados do Núcleo de Inteligência Policial da Superintendência da PF em Brasília. Dessa forma, sabe-se agora que Demóstenes Torres, ex-procurador, ex-delegado, ex-secretário de Segurança Pública de Goiás, mantinha uma relação direta com o bando de Cachoeira, ao mesmo tempo em que ocupava a tribuna do Senado Federal para vociferar contra a corrupção e o crime organizado no País.
O senador conseguiu manter a investigação tanto tempo em segredo por conta de um expediente tipicamente mafioso: ao invés de se defender, comprou o delegado da PF.
Deuselino Valadares foi um dos 35 presos pela Operação Monte Carlo, em 29 de fevereiro. Nas intercepções telefônicas feitas pela PF, com autorização da Justiça, ele é chamado de “Neguinho” pelo bicheiro. Por estar lotado na DRCOR, era responsável pelas operações policiais da Superintendência da PF em todo o estado de Goiás. Ao que tudo indica, foi cooptado para a quadrilha logo depois de descobrir os esquemas de Cachoeira, Demóstenes e mais três políticos goianos também citados por ele, na investigação: os deputados federais Carlos Alberto Leréia (PSDB), Jovair Arantes (PTB) e Rubens Otoni (PT).

Escutas da Operação Monte Carlo mostram que o bicheiro citou mais três políticos goianos: Rubens Otoni (PT) (à esquerda), Carlos Alberto Leréia (PSDB) (centro) e Jovair Arantes (PTB)
Ao longo da investigação, a PF descobriu que, nos últimos cinco anos, o delegado passava informações sigilosas para o bando e enriquecia a olhos vistos. Tornou-se dono de uma empresa, a Ideal Segurança Ltda, registrada em nome da mulher, Luanna Bastos Pires Valadares. A firma foi montada em sociedade com Carlinhos Cachoeira para lavar dinheiro. Também comprou fazendas em Tocantins, o que acabou por levantar suspeitas e resultar no afastamento dele da PF, em 2011.
O primeiro relatório do delegado Deuselino Valadares data de 7 de abril de 2006, encaminhado à Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Patrimônio (Delepat) da PF em Goiânia. Valadares investigava o escândalo da Avestruz Master, uma empresa que fraudou milhares de investidores em Goiás, quando conheceu o advogado Ruy Cruvinel. Cruvinel chamou Valadares para formar uma parceria a fim de criar “uma organização paralela” à de Carlinhos Cachoeira. O suborno, segundo o delegado, seria uma quantia inicial de 200 mil reais. Ele, ao que parece, não aceitou e decidiu denunciar o crime.
Em 26 de abril de 2006, o relatório circunstanciado parcial 001/06, assinado por Deuselino Valadares, revelou uma ação da PF para estourar o cassino de Ruy Cruvinel, no Setor Oeste de Goiânia. Preso, Cruvinel confessou que, dos 200 mil reais semanais auferidos pelo esquema (Goiás e entorno de Brasília), 50%, ou seja, 100 mil reais, iam diretamente para os cofres de Carlinhos Cachoeira.
Outros 30% eram destinados ao senador Demóstenes Torres, cuja responsabilidade era a de remunerar também o então superintende de Loterias da Agência Goiânia de Administração (Aganp), Marcelo Siqueira. Ex-procurador, Siqueira foi indicação de Demóstenes e do deputado Leréia para o cargo. Curiosamente, ao assumir a função, um ano antes, ele havia anunciado que iria “jogar duro” contra o jogo ilegal em Goiás.

Réplica do infográfico montado pelo delegado Deuselino Valadares dos Santos
Em 31 de maio de 2006, de acordo com os documentos da Operação Monte Carlo, Deuselino Valadares fez o relatório derradeiro sobre o esquema, de forma bem detalhada, aí incluído um infográfico do “propinoduto” onde o bicheiro é colocado no centro de uma série de ramificações criminosas, ao lado do senador do DEM e do ex-procurador Marcelo Siqueira. Em seguida, misteriosamente, o delegado parou de investigar o caso.
“Verificado todo o arquivo físico do NIP/SR/DPF/GO não foi localizado nenhum relatório, informação ou documentos de lavra do DPF DEUSELINO dando conta de eventual continuidade de seus contatos com pessoas ligadas à exploração de jogos de azar no Estado de Goiás”, registrou o delegado Raul Alexandre Marques de Souza, em 13 de outubro de 2011, quando as investigações da Monte Carlo estavam em andamento.
A participação do senador Demóstenes Torres só foi novamente levantada pela PF em 2008, quando uma operação também voltada à repressão de jogo ilegal, batizada de “Las Vegas”, o flagrou em grampos telefônicos em tratativas com Carlinhos Cachoeira. Novamente, o parlamentar conseguiu se safar graças a uma estranha posição da Procuradoria Geral da República, que recebeu o inquérito da PF, em 2009, mas jamais deu andamento ao caso.
Veja aqui documentos da Operação Monte Carlo .
Leandro Fortes
No CartaCapital
Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 1119

Leia Mais ►

Spread: o banquete dos banqueiros

O uso da palavra spread é o caso típico de usar expressões em inglês para dificultar sua compreensão em português. O que significa spread?
Pelos dicionários, há varias acepções: extensão, amplitude, envergadura, colcha, pasta, etc., etc. Mas há uma que corresponde melhor ao fenômeno realmente existente: banquete, exibição, ostentação.
O governo vem baixando a taxa de juros, mas os juros bancários, os juros realmente existentes, continuam estratosféricos, hoje, na casa dos 34,90% ao ano. O economista-chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento, Nicola Tingas, justifica as taxas de juros muito mais altas do bancos, dizendo que “o perfil dos novos tomadores de empréstimo não é bom” (sic) e que “a gente vive numa economia de incerteza”. E assim eles faturam mais ainda, vendendo incertezas e mantendo taxas de juros estratosféricas. São os profissionais da cafetinagem da incerteza que eles mesmos propagam.
Para saber realmente o que é o tal do spread, basta que uma pessoa inadvertida entre num banco e diga que quer aplicar 100 reais na caderneta de poupança. O tipo atrás do balcão dirá que é uma aplicação, dirá para voltar no mes seguinte para retirar 0,6 ou 0,9 a mais na aplicação.
Aí a mesma pessoa dá a volta no balcão e diz que quer um empréstimo de 100 reais. O mesmo funcionário dirá que é um ótimo negocio, que leve 100 reais e no próximo mês traga 112 ou 120 reais para pagar o empréstimo.
A diferença entre o que o banco paga e o banco cobra é o tal do spread. Em inglês parece algo mais sério do que simplesmente tunga, extorsão, ganhar sem produzir bens, nem empregos.
Por isso se deveria substituir a palavra spread pela correspondente palavra, traduzida ao português, de banquete. O nível do banquete hoje é de tanto. Os banqueiros dizem que vão manter o nível de banquete elevado porque os novos empréstimos não são seguros, porque vivemos em tempos de incerteza...
Spread, teu nome é banquete.
Emir Sader
No Blog do Emir
Leia Mais ►

Instrucciones para un intelectual latinoamericano que quiera escribir en El País

Si usted es miembro de esa clase incomprendida de los intelectuales latinoamericanos y desea exponer sus ideas en ese baluarte del progresismo peninsular que es El País, siga estas instrucciones para que su articulo resulte todo un éxito.
1. Todo su análisis debe basarse en los conceptos de caudillismo y populismo. En última instancia, esos conceptos explican la historia de Latinoamérica desde el siglo XIX, sin tener que entrar en complejidades históricas, que aburren a su lector. La historia de nuestros países no ha cambiado desde la época de la independencia.
2. Mencione la pobreza y el hambre, producto del caudillismo y el populismo. Es bueno mostrar un poco de la sensibilidad del pensador comprometido con la realidad social. Pero aclare que la pobreza y el hambre son culpa exclusiva de nuestros pueblos, evitando usar palabras tan desagradables como “colonialismo”, “imperialismo” o “saqueo de recursos naturales”. Menos aún tenga el mal gusto de referirse a la esclavitud o la explotación de comunidades indígenas.
3. No se olvide de hablar de corrupción. Y de aclarar que la corrupción en nuestros países es producto del hambre y la pobreza, que son producto del caudillismo y el populismo. Tenga la delicadeza de no mencionar que son las compañías multinacionales (incluyendo las españolas) las que pagan suculentos sobornos para obtener beneficios impensables en sus países de origen. Explíqueles a sus lectores que la corrupción es siempre culpa de la clase política latinoamericana.
4. Insista con que las instituciones no funcionan, producto de la corrupción que es producto del hambre y la pobreza, que son producto del caudillismo y el populismo. Las instituciones latinoamericanas están en constante crisis y nuestros países tienen democracias limitadas. Use anécdotas insignificantes desde el punto de vista estadístico pero que resuenen en la mente de su lector. Por ejemplo, cuénteles lo difícil que es obtener algún certificado en un ministerio cualquiera. O qué fácil es sobornar a un agente de aduana. Aunque usted no haya hecho jamás ninguna de las dos cosas.
5. Recuérdele a sus lectores que los gobernantes latinoamericanos sólo buscan perpetuarse en el poder - lo que demuestra el caudillismo y el populismo que genera corrupción e instituciones fallidas. No importa si en España el jefe de estado es un monarca hereditario que gobierna desde hace treinta y siete años y fue nombrado por un dictador que gobernó el país por casi cuarenta años. Ni siquiera mencione que Felipe González gobernó por catorce años con cinco mandatos sucesivos. Eso es muy distinto a un presidente latinoamericano que pretende tener tres mandatos por doce años. En este último caso, estamos frente a un claro intento de perpetuarse en el poder. En España no, porque las instituciones funcionan.
6. No se olvide de condimentar todo esto con alguna referencia a una ponencia suya en algún foro internacional, fuera de los países latinoamericanos llenos de caudillismo y populismo. La presentación de un paper en una universidad norteamericana basta para demostrar que usted es diferente al resto de los pensadores latinoamericanos que sólo escriben en medios locales. Alternativamente, puede mencionar alguna charla de café que tuvo hace cinco años con un escritor español de moda. Si algún libro suyo fue publicado por Alfaguara o Crítica, aclárelo como al pasar en el primer párrafo. Su éxito estará garantizado.
7. Use alguna cita de un latinoamericano de lustre, como Borges, Cortázar o García Márquez. Roberto Bolaño también sirve.
8. Recuerde que Brasil no existe. Salvo para elogiar las políticas “de izquierda inteligente” de Lula.
9. Fidel Castro es malo, malísimo. Aunque, claro, diga que la Revolución Cubana tuvo algunos éxitos menores en el campo de la salud y la educación.
10. Chávez también es malo, malísimo. Y sin éxitos menores.
11. Los gobiernos progresistas latinoamericanos quieren destruir a la prensa independiente, como consecuencia de su genética caudillista y populista. No como la izquierda inteligente de Alan García o el centro moderado de Piñera o Santos.
12. La prensa privada latinoamericana siempre es independiente. Los monopolios u oligopolios mediáticos no existen.
13. América Latina todavía está en transición democrática, a consecuencia del caudillismo y el populismo que todavía imperan. España ya la ha superado, por la madurez de la sociedad española y la inteligencia de su clase dirigente.
14. Para finalizar, aclare que esta situación le genera angustia y desazón, y que su refugio está en el pensamiento crítico de algunos intelectuales como usted que no han sido comprados por el poder corrupto o las ideologías acabadas imperantes en nuestros países.
Siguiendo estos consejos, su artículo será leído con interés por los lectores de El País. Usted logrará confirmarles lo que ya piensan pero no pueden decir abiertamente porque iría en contra de lo que creen son sus convicciones de izquierda. También obtendrá una suculenta remuneración en euros que no debe depositarla en su país, ya que en cualquier momento se la podrán robar los gobiernos corruptos, producto del hambre y la pobreza, producto del caudillismo y el populismo.
Daniel Plotkyn/Cubainformación
No CubaDebate
Leia Mais ►

Que está por trás dos movimentos anti-aborto?

Manifestantes que se apresentam como católicos e são contrários ao aborto retomaram a distribuição do famoso panfleto originalmente distribuído nas eleições de 2010 – e recolhido pela Polícia Federal em pleno segundo turno - no qual se recomenda que os brasileiros "deem seu voto somente a candidatos ou candidatas e partidos contrários à descriminalização do aborto". Claro, o folheto também critica o PT e Dilma Rousseff, à época, candidata à presidência.
Os cerca de 1 milhão de panfletos, apreendidos no auge da campanha eleitoral, foram liberados pela Justiça no ano passado. Assinados pela Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que atua no Estado de São Paulo, tem entre os seus enfáticos apoiadores dom Luiz Bergonzini, bispo emérito de Guarulhos. Durante as eleições, o religioso foi uma figura ativa, recomendando seus fiéis a não votar em candidatos pró-aborto. A recomendação foi repetida pelo bispo, ontem, em uma manifestação com uma centena de pessoas em frente à catedral da Sé, em São Paulo.
Em nota ele afirma: "Nos atribuíram a 'mentira' de Dilma Vana Rousseff e o PT serem a favor da liberação do aborto. Provamos que o PT e Dilma Rousseff eram e continuam sendo a favor da liberação do aborto". Entre os fiéis que engrossavam o movimento, claro, constavam membros do Instituto Plínio Corrêa de Oliveira, que se inspira nos preceitos da entidade de extrema-direita Tradição, Família e Propriedade, a velha e conhecida TFP.
"Menos pior"
Era possível ler nos cartazes ali empunhados dizeres como "Fora Assassina Ministra Eleonora Menicucci (chefe da Secretaria de Políticas para Mulheres)”, conhecida por sua posição a favor da descriminalização do aborto. Um desenho de péssimo gosto ainda mostrava um bebê morto por uma estrela vermelha, símbolo do PT, e por uma foice e um martelo, símbolos do comunismo.
Para o autor do texto e coordenador da Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB, padre Berardo Graz, no entanto, a pré-candidatura do deputado federal Gabriel Chalita (PMDB) – católico atuante - lhe preocupa mais do que a de Fernando Haddad (PT), na disputa pela Prefeitura de São Paulo. “Ele é um oportunista porque quer os votos dos católicos para empurrá-los para decisões que não são conforme a nossa doutrina”, declarou. Já o pré-candidato José Serra (PSDB), seria, na sua concepção, a opção “menos pior”.
Quem financia esse movimento?
A propaganda anti-aborto é só um pretexto para a ex-TFP, uma organização fascista, ressurgir, agora, sob as asas e o patrocínio de setores reacionários da Igreja Católica. A pergunta que fica aqui é: quem a financia?
Vejamos. A quantia é expressiva. Estamos falando de cerca de um milhão de panfletos. A sua publicação foi, de fato, bancada pela regional sul da CNBB, pelo bispo de Guarulhos, pela ex-TFP? Ou será que estamos diante de algum partido e candidato que se esconde - de novo - detrás de setores da Igreja Católica para fazer propaganda contra o PT, contra candidatos como Chalita e a favor, de novo, como em 2010, de José Serra?
Foi o que um dos porta-vozes da pequena e insignificante manifestação não escondeu. Quando misturam a foice e o martelo com a estrela do PT nos seus cartazes não escondem o que pretendem. Querem, como em 1964, implantar um regime de intolerância e autoritário no país. Estão com saudades dos tempos em que a Igreja e o Estado eram uma única coisa e os bens públicos e da igreja idem, com poder de vida e morte sobre os cidadãos.
ZéDirceu
No Blog do Zé
Leia Mais ►

SP: MP denuncia cartel no metrô tucano

Saiu na capa do caderno Metrópole do Estadão:
“Promotor denuncia 14 executivos por cartel (sic) em obra na Linha 5 do metrô.”
Eles teriam fraudado a licitação da obra e cometido crimes contra a ordem econômica e a administração pública.
A acusação recai sobre as empreiteiras Camargo Corrêa, Mendes Junior, Heleno&Fonseca, Carioca, Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão e Consben -, que teriam combinado o preço da obra (a ninharia de R$ 8 bilhões), com a desinteressada colaboração dos funcionários do metrô.
O metrô de São Paulo, como se sabe, compete com o Robanel dos Tunganos em denúncias de irregularidades.
É o mesmo metrô que abriu uma cratera, na estreia do glorioso governo do "Padim Pade Cerra", em São Paulo.
Enquanto isso, como se vê neste vídeo impressionante, é um exemplo mundial de eficiência e qualidade!
Esses tucanos de São Paulo, não fosse o PiG, não passariam de Pinheirinho, na Dutra.
Paulo Henrique Amorim
No Conversa Afiada
Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 1118

Leia Mais ►

Serra tenta atrair seus eleitores

Leia Mais ►

Presidente da União Africana telefona para Lula e recebe solidariedade na condenação do golpe de estado em Mali

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou no início da tarde desta sexta-feira, dia 23, com o presidente de turno da União Africana, Thomas Boni Yayi, e expressou sua solidariedade à União Africana na condenação ao golpe que derrubou o governo eleito no Mali. Thomas Boni Yayi, que também é presidente da República do Benin, esteve em Brasília hoje para uma reunião com a presidenta Dilma Rousseff e em seguida ligou para desejar pronta recuperação ao ex-presidente, que estava na sede do Instituto Lula, em São Paulo.
Lula e Boni Yayi conversaram também sobre as relações entre Brasil e África e o ex-presidente reiterou seu compromisso de participar no Seminário que o BNDES vai organizar, dia 3 de maio, no Rio, para apresentar aos brasileiros o Programa para Desenvolvimento das Infraestruturas na África, o Pida (leia mais sobre o seminário abaixo).
Sobre os acontecimentos no Mali, Lula declarou que é “inadimissível aceitar qualquer golpe de estado que atente contra um governo eleito democraticamente”, disse Lula.
Um golpe militar, liderado por jovens oficiais, derrubou o presidente Amadou Toumani Touré nesta quinta-feira, dia 22. Os militares renegados decretaram a suspensão da constituição o fechamento das fronteiras e impuseram um toque de recolher em todo o território do país. Ao menos quatro pessoas morreram e 40 ficaram feridas durante o golpe. Os golpistas alegaram que o presidente não armava suficientemente o exército para enfrentar os conflitos com os grupos armados no norte do país. Novas eleições presidenciais estavam marcadas para 29 de abril.
Além da União Africana, a Comunidade Européia e o Conselho de Segurança da ONU já condenaram publicamente o golpe, assim como fizeram Brasil, Estados Unidos e França, antiga metrópole colonial do Mali.
Leia Mais ►

Com Serra, o PSDB só tem a perder

Caso Serra seja o escolhido nas prévias do PSDB para concorrer à Prefeitura de São Paulo, será também escolhido o mais novo lema do partido: em time que está perdendo não se mexe. A pior forma de solidão é a companhia de José Serra. É por isso que o PSDB está na iminência de cometer mais um erro político: escolhê-lo como candidato a prefeito de São Paulo. O candidato derrotado por Dilma Rousseff de maneira acachapante não prima por ser um homem partidário. Não custa lembrar o que ele fez na última eleição para prefeito de São Paulo: apoiou um candidato de outro partido, Gilberto Kassab, fazendo tudo para que Geraldo Alckmin, o candidato do PSDB, fosse derrotado.
É impressionante que haja tucanos dispostos a apoiar um político que fez isso. Aliás, trata-se de um comportamento inimaginável no PT. Se Geraldo Alckmin não tivesse sido candidato a prefeito em 2008, contra a vontade de Serra, provavelmente ele não seria hoje o governador de São Paulo. É preciso sublinhar a gravidade desse comportamento e chamar a atenção para o fato de Serra ter traído os interesses de seu partido em 2008. Vale repetir: ele não apoiou o candidato de seu partido na última eleição para prefeito, ele apoiou um candidato de outro partido, de um concorrente do PSDB. Não se tratou de algo sem consequências para o PSDB. Isso contribuiu para que o partido perdesse votos e densidade política.
omportamentos antipartidários não param aí. Enquanto exerceu o cargo de prefeito e de governador, houve muito pouco espaço para importantes deputados federais do PSDB de São Paulo que hoje fazem um excelente trabalho como secretários de Estado de Alckmin. Tais secretários são homens partidários de primeira qualidade que foram colocados quase inteiramente de lado no período em que Serra governou São Paulo.
A falta de compromisso do candidato derrotado com seu partido tem como um dos maiores símbolos as suas campanhas eleitorais para presidente. Serra jamais defendeu o que foi realizado por Fernando Henrique Cardoso. A propósito, a importância política que Serra passou a ter no cenário nacional deve muito a FHC. Não tivesse ele sido ministro da Saúde, dificilmente teria alcançado o "recall" que possibilitou sua primeira candidatura a presidente em 2002. Porém, Serra não se sente devedor de ninguém, nem mesmo de um ex-presidente. Nas campanhas eleitorais de 2002 e de 2010, ele ignorou solenemente tudo o que foi feito quando o Brasil foi governado pelo PSDB. O ponto culminante desse comportamento antipartidário foi quando Serra colocou em sua propaganda eleitoral de 2010 ninguém menos do que Lula.
Aliás, a campanha de 2010 foi absolutamente sofrível. O candidato derrotado não permitiu que seu partido tivesse nenhum controle sobre a propaganda; ele tomou sozinho todas as decisões importantes. Justamente por isso ele negou ser um tucano. Ele não fez uma campanha para presidente, mas para prefeito de cidade pequena. Não falou de grandes temas como o consumo da população pobre, mas somente de questões provincianas, tais como mutirões de cirurgia de próstata, varizes e cataratas, dois professores por sala de aula, 400 quilômetros de metrô nas principais capitais, multiplicação de Fatecs pelo Brasil afora, enfim, um rosário interminável de questiúnculas irrelevantes para o eleitor médio. Não por acaso foi humilhado por Dilma nas urnas. Quando tratou do tema das privatizações, Serra acusou o PT de ser privatista, ou seja, ele negou de forma veemente ser favorável a algo que foi muito importante no governo de FHC.
Serra é tão desagregador que a simples colocação de seu nome como pré-candidato já resulta em uma importante cizânia interna. No último fim de semana foi amplamente noticiada pela mídia uma discussão pública entre o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, e o senador Aloysio Nunes. O motivo do conflito público, obviamente, gravitava em torno de Serra. A natureza desagregadora de Serra é amplamente conhecida no meio político. Na famosa entrevista que FHC deu a "The Economist" em janeiro, o ex-presidente chamou a atenção para o fato de que não foi possível sequer unir todo o partido em torno de Serra em 2010. Se isso acontecer novamente nas eleições para prefeito de São Paulo, será mais uma prova da dificuldade que os tucanos têm de aprender com os próprios erros.
O comportamento político recente de Serra mostra que ele não é confiável para o PSDB. Assim, caso o PSDB o escolha candidato a prefeito em 2012, estará optando por perder a eleição qualquer que seja o resultado dela. É uma obviedade que, se o candidato Serra perder, se tratará de mais uma derrota para os tucanos. Porém, se Serra for eleito, também será uma derrota. Uma vez na prefeitura e diante da eleição para governador de Estado em 2014, caso Kassab seja candidato enfrentando Alckmin, o prefeito da capital vai apoiar Kassab. Ele já fez isso uma vez, o que torna mais fácil ainda fazer uma segunda vez. Ainda mais quando se sabe que a entrada de Serra no páreo das prévias em muito deve aos movimentos políticos de Kassab.
Caso Kassab seja candidato em 2014 e Serra o apoie, a tarefa de Geraldo Alckmin rumo à reeleição será muito mais arriscada. Kassab, diferentemente do PT, disputa o mesmo eleitorado de Alckmin. Isso está mais do que provado pelo resultado eleitoral da última eleição para prefeito na capital paulista. Kassab, junto com Serra em 2014, vai tirar votos do atual governador fazendo com que a eleição ocorra entre três candidatos competitivos e não somente dois, como seria o caso de uma disputa entre o PT e o PSDB. É exatamente por isso que Kassab quer muito que Serra se torne prefeito de São Paulo.
Adicionalmente, Serra já declarou que o sonho dele de se candidatar a presidente está adormecido. O que está adormecido pode acordar a qualquer momento, basta um despertador com um som alto o suficiente. Serra prefeito será uma pedra no sapato de Aécio Neves. Enganam-se os que acham que Serra é controlável e, uma vez na prefeitura, ele vai apoiar de maneira decidida e inquestionável Aécio. É mais fácil acreditar na existência de Papai Noel. Serra fará com Aécio no futuro o que fez com Fernando Henrique no passado: não o defenderá. Serra vai agir politicamente para prejudicar ao máximo Aécio.
A eventual escolha de Serra para ser o candidato do PSDB estará mais baseada no medo de perder as eleições do que na disposição de se renovar e dar ares novos para o partido. O PT tem se renovado e o PSDB não. Pode-se dizer tudo de Dilma, menos que ela não é renovação. Lula escolheu uma pessoa que nunca tinha disputado uma eleição, mais renovação é impossível. O mesmo está ocorrendo agora para a Prefeitura de São Paulo. A escolha do PT foi a favor da renovação - buscou-se um político inteiramente novato em eleições. Funcionou com Dilma e pode funcionar novamente.
A possível escolha de Serra como candidato terá a função de diminuir o medo que o PSDB tem de perder as eleições. De um lado medo e falta de ousadia, de outro Lula com sua enorme capacidade de arriscar e apostar. O medo dos tucanos é tecnicamente infundado. No Município de São Paulo qualquer candidato do PT ou do PSDB será eleitoralmente competitivo. Não é preciso ser um estudioso da geografia eleitoral da cidade nem dos resultados das últimas eleições para prefeito para detectar que PT e PSDB têm, cada um, pelo menos 30% de votos certos. Lula tomou a decisão tecnicamente correta. Os tucanos, como de costume, movem-se orientados pela cautela e pelo medo.
Todos se recordam de que Serra derrotou Marta na eleição para prefeito de 2004. Poucos se lembram, todavia, que foi uma eleição muito difícil e que no primeiro turno Marta cresceu mais do que Serra. Além disso, quando em 2009 as pesquisas testavam separadamente os nomes de Serra e Alckmin para governador de São Paulo, Alckmin, que não era governador, se saía melhor do que Serra, que era o governador. Ou seja, Serra é um político sem carisma. Até pode ganhar uma eleição, mas é um processo bem mais sofrido do que quando o PSDB lança um candidato simpático e com carisma.
A derrota de Serra nas prévias é improvável, mas possível. Não há nenhuma pesquisa feita junto aos habilitados a votar. A cobertura de mídia desse evento foi muito ruim. Não houve sequer uma matéria baseada em uma boa apuração do que pensam aqueles que vão escolher o candidato tucano a prefeito. A mídia se limitou a cobrir a disputa dentro da elite política. Há muito tempo, no Brasil, os de baixo deixaram de ser carneirinhos nas mãos dos de cima. Os filiados com direito a voto no PSDB não vão necessariamente seguir esta ou aquela liderança. O voto no Brasil de hoje é muito menos controlado do que pensam muitos de nossos analistas. Foi graças a isso que Lula chegou ao poder, será somente graças a isso que o PSDB vai de fato se renovar.
Quanto a uma eventual vitória de Serra nas prévias, Lula e o PT agradecem. Afinal, o PSDB terá consagrado seu mais novo lema: "Em time que está perdendo não se mexe".
Alberto Carlos Almeida, sociólogo e professor universitário, é autor de "A Cabeça do Brasileiro" e "O Dedo na Ferida: Menos Imposto. Mais Consumo". E-mail: alberto.almeida@institutoanalise.com www.twitter.com/albertocalmeida
No Valor Econômico
Leia Mais ►

Hora da Verdade

Diz a sabedoria popular que aquele que não conhece os erros do passado está fadado a repeti-los. Lugar comum à parte, não vale pagar para ver: a Comissão da Verdade, aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado e cujos integrantes estão por ser indicados pelo governo federal, tem a importante missão de esclarecer o que aconteceu no submundo de um ciclo autoritário que, infelizmente, ainda é nebuloso para grande parte dos brasileiros; sabe-se que ocorreram graves desrespeitos aos Direitos Humanos, mas não suas exatas circunstâncias.
Por isso, espanta-me que, mesmo entre os setores mais progressistas da política, encontremos resistência, ou até indiferença, à sua instalação definitiva.
Há muito repito que o Brasil precisa colocar um ponto final nessa história e oferecer uma resposta oficial às famílias que até hoje não tiveram a oportunidade de reencontrar seus entes desaparecidos, mesmo que mortos.
Conheço o sofrimento dos que talvez não possam encontrar mais que as ossadas de seus entes queridos, mas sentem todos os dias a ausência de quem deixou de existir de repente, sem sequer haver um corpo a ser enterrado. Não existem argumentos que sejam capazes de opor-se à urgência de apurar esses crimes cometidos por agentes do Estado brasileiro.
Em primeiro lugar, porque a Comissão da Verdade não está em conflito com a Lei de Anistia —seu papel é investigar para fins de registro histórico, e assim deve ser. Nesse ponto, as críticas à comissão vêm tanto de quem é contra, como de quem é a favor de punições.
Pode haver manifestações junto ao Judiciário nesse sentido, e já as existem hoje, mas caberá aos magistrados decidir sobre esse assunto, como deve ser no Estado Democrático de Direito.
Instituir um tribunal de exceção, enviesado para qualquer dos lados, seria justamente o tipo de atitude pertencente a uma cultura política que o Brasil quer dar por encerrada com a comissão.
José Dirceu, advogado, ex-ministro da Casa Civil e membro do Diretório Nacional do PT
Leia Mais ►

Ministério Público e a rádio de Aécio

Folha e Estadão têm alardeado à decisão do Ministério Público Estadual (MPE) de Minas Gerais de instaurar inquérito civil para investigar os repasses de recursos do governo mineiro para a rádio Arco-Íris, de propriedade da família de Aécio Neves. Não se sabe ainda a razão dos dois jornalões paulistas darem destaque para o assunto. Houve dedo de José Serra contra o “óbvio” presidenciável tucano?
Segundo o noticiário, a investigação devera apurar os repasses ocorridos entre 2003 e 2010, época em que o Aécio foi governador. Além dele, também consta no inquérito civil MPMG-0024.12.001113-5, o nome de sua irmã, Andrea Neves, coordenadora do Núcleo Gestor de Comunicação Social, responsável pela distribuição da publicidade oficial durante a gestão do irmão.
O escândalo do bafômetro
O Estadão apimenta o noticiário ao informar que “a propriedade da rádio por parte de Aécio e Andrea veio a público em abril do ano passado, quando o senador teve a sua carteira de habilitação – vencida – apreendida e foi multado em R$ 1.149,24 após se recusar a fazer o teste do bafômetro ao ser parado em uma blitz da Lei Seca no Rio de Janeiro”.
No escândalo do bafômetro, logo abafado pela mídia, Aécio dirigia o Land Rover placas HMA-1003, comprado em novembro de 2010 em nome da emissora, que detém uma franquia da Rádio Jovem Pan FM em Belo Horizonte. O Land Rover é um dos 12 veículos registrados em nome da emissora, que está registrada com capital social de R$ 200 mil e faturou R$ 5 milhões em 2010.
Estranhas liberações de recursos
Na época, a oposição chegou a propor instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembléia Legislativa, mas foi derrotada – já que os tucanos mandam no parlamento local. Agora, porém, a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público do MPE decidiu apurar as estranhas liberações de recursos oficiais para a rádio do ex-governador.
No período em que comandou o estado, as despesas com “divulgação governamental” chegaram a R$ 489,6 milhões, segundo o Sistema Integrado de Administração Financeira de Minas Gerais (Siafi-MG), valor que ultrapassa R$ 815 milhões quando incluídos gastos de empresas, fundações e autarquias controladas pelo Executivo em vários veículos de comunicação.
Além da Rádio Arco Íris, o MPE também investigará se as empresas Editora Gazeta de São João del Rei Ltda. e a Rádio São João del Rei S/A, que têm Andrea como sócia, receberam recursos do governo durante a gestão do irmão. A irmã de Aécio Neves chegou a ser cotada entre lideranças tucanas de Minas Gerais para disputar o governo do Estado em 2014 pelo PSDB.
Altamiro Borges
No Blog do Miro
Leia Mais ►

Chico Anysio

 Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho 
(Maranguape, 12 de abril de 1931 — Rio de Janeiro, 23 de março de 2012)

Leia Mais ►

Seminário "Governança Metropolitana"

Leia Mais ►

Desgovernos Serra e Alckmin: desastre também na educação!

Serra e Alckmin espantados com o resultado da política tucana na educação
Matéria no site Folha.com de hoje mostra o desastre que é a política de educação dos desgovernos tucanos, desde o governo Covas (Alckmin era o vice, lembram?). Para quem ainda não sabe, trata-se do Programa “Emburrece São Paulo”
Diz a matéria que “A rede estadual de ensino de São Paulo não terá mais atividades de reforço fora do período regular de aula para alunos com dificuldades de aprendizagem -o que acontecia desde 1997.”
Informa também “que o atendimento aos estudantes passará a ser feito, em maio, por um professor auxiliar durante a própria aula. Só as turmas maiores, porém, terão dois docentes.”
Arremata mostrando a causa do desgoverno na educação: “A medida que acaba com as aulas de reforço durante o ano letivo é anunciada em meio a uma crise de falta de professores”
Ou seja, a pergunta que não quer calar é como um desgoverno que se autoproclama tão eficiente deixa chegar ao ponto de não ter professores suficientes para cumprir sua obrigação constitucional?
É fácil de explicar:
1. Esse é o resultado do tal Xoque de Jestão tucana, que tem como objetivo enxugar a máquina pública de tal jeito, que o governante não precisa fazer nada (esporte preferido do Serra e do Aécio)
2. A imprensa é a principal responsável por isso, na medida que não acusa os desgovernos tucanos desse descalabro. Se bobear, daqui a pouco, acusará os governos Lula e Dilma por isso.
Abaixo, apresento gráficos de execução orçamentária na educação (SP), realizado pelos desgovernos tucanos, entre 2002 e 2010. Leiam com atenção e digam se não tenho razão.
Desde já, autorizo o Folha.com a utilizar os gráficos produzidos por este humilde blog sujo, com base em dados dos relatórios oficiais do orçamento do estado, para mostrar aos paulistas e paulistanos “o jeito tucano de desgovernar”
*
*
No FBI
Leia Mais ►

Los caminos que conducen al desastre

Esta Reflexión podrá escribirse hoy, mañana o cualquier otro día sin riesgo de equivocarse. Nuestra especie se enfrenta a problemas nuevos. Cuando expresé hace 20 años en la Conferencia de Naciones Unidas sobre Medio Ambiente y Desarrollo en Río de Janeiro que una especie estaba en peligro de extinción, tenía menos razones que hoy para advertir sobre un peligro que veía tal vez a la distancia de 100 años. Entonces unos pocos líderes de los países más poderosos manejaban el mundo. Aplaudieron por mera cortesía mis palabras y continuaron plácidamente cavando la sepultura de nuestra especie.
Parecía que en nuestro planeta reinaba el sentido común y el orden. Hacía rato que el desarrollo económico apoyado  por la tecnología y la ciencia semejaba ser el Alfa y Omega de la sociedad humana.
Ahora todo está mucho más claro. Verdades profundas se han ido abriendo paso. Casi 200 Estados, supuestamente independientes, constituyen la organización política a la que en teoría corresponde regir los destinos del mundo.
Alrededor de 25 mil armas nucleares en manos de fuerzas aliadas o antagónicas dispuestas a defender el orden cambiante, por interés o por necesidad, reducen virtualmente a cero los derechos de miles de millones de personas.
No cometeré la ingenuidad de asignar a Rusia o a  China, la responsabilidad por el desarrollo de ese tipo de armas, después de la monstruosa matanza de Hiroshima y Nagasaki, ordenada por Truman, tras la muerte de Roosevelt.
Tampoco caería en el error de negar el holocausto que significó la muerte de millones de niños y adultos, hombres o mujeres, principalmente judíos, gitanos, rusos o de otras nacionalidades, que fueron víctimas del nazismo. Por ello repugna la política infame de los que niegan al pueblo palestino su derecho a existir.
¿Alguien piensa acaso que Estados Unidos será capaz de actuar con la independencia que lo preserve del desastre inevitable que le espera?
En pocas semanas los 40 millones de dólares que el presidente Obama prometió recaudar para su campaña electoral solo servirán para demostrar que la moneda de su país está muy devaluada, y que Estados Unidos, con su insólita y creciente deuda pública que se acerca a los 20 mil millones de millones de dólares, vive del dinero que imprime y no de lo que produce. El resto del mundo paga lo que ellos dilapidan.
Nadie cree tampoco que el candidato demócrata sea mejor o peor que sus adversarios republicanos: llámese Mitt Romney o Rick Santorum. Años luz separan a los tres de personajes tan relevantes como Abraham Lincoln o Martin Luther King. Es realmente inusitado observar una nación tan poderosa tecnológicamente y un gobierno tan huérfano a la vez de ideas y valores morales.
Irán no posee armas nucleares. Se le acusa de producir uranio enriquecido que sirve como combustible energético o componentes de uso médico. Quiérase o no, su posesión o producción no es equivalente a la producción de armas nucleares. Decenas de países utilizan el uranio enriquecido como fuente de energía, pero este no puede emplearse en la confección de un arma nuclear sin un proceso previo y complejo de purificación.
Sin embargo Israel, que con la ayuda y la cooperación de Estados Unidos fabricó el armamento nuclear sin informar ni rendir cuentas a nadie, hoy sin reconocer la posesión de estas armas, dispone de cientos de ellas. Para impedir el desarrollo de las investigaciones en países árabes vecinos atacó y destruyó los reactores de Irak y de Siria. Ha declarado a su vez el propósito de atacar y destruir los centros de producción de combustible nuclear de Irán.
En torno a ese crucial tema ha estado girando la política internacional en esa compleja y peligrosa región del mundo, donde se produce y suministra la mayor parte del combustible que mueve la economía mundial.
La eliminación selectiva de los científicos más eminentes de Irán, por parte de Israel y sus aliados de la OTAN, se ha convertido en una práctica que estimula los odios y los sentimientos de venganza.
El gobierno de Israel ha declarado abiertamente su propósito de atacar la planta productora de uranio enriquecido en Irán, y el gobierno de Estados Unidos ha invertido cientos de millones de dólares en la fabricación de una bomba con ese propósito.
El 16 de marzo de 2012 Michel Chossudovsky y Finian Cunningham publicaron un artículo revelando que “Un importante general de la Fuerza Aérea de EE.UU. ha descrito la mayor bomba convencional -la revienta-búnkeres de 13,6 toneladas- como ‘grandiosa’ para un ataque militar contra Irán.
“Un comentario tan locuaz sobre un masivo artefacto asesino tuvo lugar en la misma semana en la cual el presidente Barack Obama se presentó para advertir contra el ‘habla a la ligera’ sobre una guerra en el Golfo Pérsico.”
“…Herbert Carlisle, vice jefe de Estado Mayor para operaciones de la Fuerza Aérea de EE.UU. [...] agregó que probablemente la bomba sería utilizada en cualquier ataque contra Irán ordenado por Washington.
“El MOP, al que también se refieren como ‘La madre de todas las bombas’, está diseñado para perforar a través de 60 metros de hormigón antes de detonar su masiva bomba. Se cree que es la mayor arma convencional, no nuclear, en el arsenal estadounidense.”
“El Pentágono planifica un proceso de amplia destrucción de la infraestructura de Irán y masivas víctimas civiles mediante el uso combinado de bombas nucleares tácticas y monstruosas bombas convencionales con nubes en forma de hongo, incluidas la MOAB y la mayor GBU-57A/B oMassive Ordnance Penetrator (MOP), que excede a la MOAB en capacidad destructiva.
“La MOP es descrita como ‘una poderosa nueva bomba que apunta directamente a las instalaciones nucleares subterráneas de Irán y Corea del Norte. La inmensa bomba -más larga que 11 personas colocadas hombro a hombro, o más de 6 metros desde la base a la punta’.”
Ruego al lector me excuse por este enredado lenguaje de la jerga militar.
Como puede apreciarse, tales cálculos parten del supuesto de que los combatientes iraníes, que suman millones de hombres y mujeres conocidos por su fervor religioso y sus tradiciones de lucha, se rendirán sin disparar un tiro.
En días recientes los iranios han visto como los soldados de Estados Unidos que ocupan Afganistán, en apenas tres semanas, orinaron sobre los cadáveres de afganos asesinados, quemaron los libros del Corán y asesinaron a más de 15 ciudadanos indefensos.
Imaginemos a las fuerzas de Estados Unidos lanzando monstruosas bombas sobre instituciones industriales capaces de penetrar 60 metros de hormigón. Jamás semejante aventura había sido concebida.
No hace falta una palabra más para comprender la gravedad de semejante política. Por esa vía nuestra especie será conducida inexorablemente hacia el desastre. Si no aprendemos a comprender, no aprenderemos jamás a sobrevivir.
Por mi parte, no albergo la menor duda de que Estados Unidos está a punto de cometer y conducir el mundo al mayor error de su historia.
Fidel Castro Ruz
Marzo 21 de 2012
7 y 35 p.m.
Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 1117

Leia Mais ►

Territórios livres

Imagine que você é o Galileu e está sendo processado pela Santa Inquisição por defender a ideia herética de que é a Terra que gira em torno do Sol e não o contrário.
Ao mesmo tempo você está tendo problemas de família, filhos ilegítimos que infernizam a sua vida e dívidas, que acabam levando você a outro tribunal, ao qual você comparece até com uma certa alegria. No tribunal civil será você contra credores ou filhos ingratos, não você contra a Igreja e seus dogmas pétreos.
Você receberá uma multa ou uma reprimenda, ou talvez, com um bom advogado, até consiga derrotar seus acusadores, o que é impensável quando quem acusa é a Igreja. Se tiver que ser preso será por pouco tempo, e a ameaça de ir para a fogueira nem será cogitada.
No tribunal laico, pelo menos por um tempo, você estará livre do poder da Igreja. É com esta sensação de alívio, de estar num espaço neutro onde sua defesa será ouvida e talvez até prevaleça, que você entra no tribunal. E então você vê um enorme crucifixo na parede atrás do juiz.
Não adianta, suspiraria você, desanimado, se fosse Galileu. O poder dela está por toda a parte. Por onde você andar, estará no território da Igreja. Por onde seu pensamento andar, estará sob escrutínio da Igreja. Não há espaços neutros.
Um crucifixo na parede não é um objeto de decoração, é uma declaração. Na parede de espaços públicos de um país em que a separação de igreja e estado está explicita na Constituição, é uma desobediência, mitigada pelo hábito. Na parede dos espaços jurídicos deste país, onde a neutralidade, mesmo que não exista, deve ao menos ser presumida, é um contrassenso — como seria qualquer outro símbolo religioso pendurado.
É inimaginável que um Galileu moderno se sinta acuado pela simples visão do símbolo cristão na parede atrás do juiz, mesmo porque a Igreja demorou mas aceitou a teoria heliocêntrica de Copérnico e ninguém mais é queimado por heresia. Mas a questão não é esta, a questão é o nosso hipotético e escaldado Galileu poder encontrar, de preferência no Poder Judiciário, um território livre de qualquer religião, ou lembrança de religião.
Fala-se que a discussão sobre crucifixos em lugares públicos ameaça a liberdade de religião. É o contrario, o que no fundo se discute é como ser religioso sem impor sua religião aos outros, ou como preservar a liberdade de quem não acredita na prepotência religiosa.
Com o crescimento político das igrejas neopentecostais, esta preocupação com a capacidade de discordar de valores atrasados impostos pelos religiosos a toda a sociedade, como nas questões do aborto e dos preservativos, tornou-se primordial.
A retirada dos crucifixos das paredes também é uma declaração, no caso de liberdade.
Luís Fernando Veríssimo
Leia Mais ►

La verdad de la Coca-Cola

Tu también has oído hablar mil y una veces del secreto mejor guardado del mundo... la formula secreta de la Coca Cola... se cuenta que muy pocos la conocen, y que se encuentra guardada dentro de una caja fuerte, en uno de los bancos mas seguros del planeta. Pero hoy en día, con los avances científicos que existen, sería cuando menos extraño que no se pudiese obtener de una u otra forma...
El autor del siguiente texto prefiere mantener el anonimato, el dice que por motivos obvios... así que bueno, no diremos de quien es, pero lo importante es el contenido... los secretos de la Coca Cola..
Todo sobre la Coca Cola
En realidad, la formula secreta de la Coca-Cola se puede detallar en 18 segundos en cualquier espectrómetro óptico, y básicamente la conocen hasta los perros. Lo que ocurre es que no se puede fabricar igual, a no ser que uno disponga de unos 10 billones de dólares para competir con Coca-Cola ante la justicia (ellos no lo perdonarían).
La formula de la Pepsi tiene una diferencia básica con la de la Coca-Cola y es intencional, para evitar el proceso judicial. No es diferente porque no pudieron hacerla igual. Es a propósito, pero suficientemente parecida como para atraer a los consumidores de Coca-Cola que prefieren un gusto diferente con menos sal y azúcar.
Mi profesión
Me tocó, entre otras cosas, aprender todo sobre las gaseosas para fabricar Guarana Golly en EE.UU.
Tuve que aprender química, entender todo sobre componentes de gaseosas, conservantes, sales, ácidos, cafeína, enlatado, producción, permisos, aprobaciones y mucho más. Monté un mini-laboratorio de análisis de producto, con equipos hasta para analizar sólidos. Incluso, desarrollé programas de PC para cálculo de la fórmula con base en los volúmenes y tipo de envase (plástico o aluminio), pues eso cambia los valores y el sabor.
¿Sal en la Coca Cola?
Es exactamente el Cloruro de Sodio en exageración el que refresca y al mismo tiempo da el doble de sed, como para pedir otra gaseosa. Y no resulta desagradable porque la sal mata literalmente la sensibilidad al dulce... del que por cierto también tiene mucho: 39 gramos de azúcar. Es ridículo. De los 350 gramos de producto líquido, más del 10% es azúcar, o sea que en una lata de Coca-Cola más de un centímetro y medio es puro azúcar. Aproximadamente ¡¡tres cucharadas soperas llenas de azúcar por lata!!
La formula de la Coca Cola es muy sencilla:
  • Concentrado de azúcar quemado -caramelo– para dar color oscuro y gusto
  • Ácido fosfórico (sabor ácido)
  • Azúcar (HFCS-jarabe de maíz de alta fructosa)
  • Extracto de hojas de la planta de Coca y otros pocos aromatizantes naturales de otras plantas
  • Cafeína
  • Conservante que puede ser Benzoato de Sodio o Benzoato de Potasio
  • Dióxido de Carbono en cantidad para freír la lengua cuando se bebe
  • Sal para dar la sensación de refrigeración
El uso del ácido fosfórico y no del ácido cítrico como todas las demás gaseosas, es para dar la sensación de dientes y boca limpia al beber. El ácido fosfórico literalmente fríe todo y en alta cantidad puede hasta causar daños al esmalte de los dientes, cosa que el ácido cítrico ataca con mucho menos violencia.
Trata de comprar ácido fosfórico para ver las mil recomendaciones de seguridad que dan para su manipulación (quema el cristalino del ojo, quema la piel, etc...). Está prohibido usar el ácido fosfórico en cualquier otra gaseosa; sólo la Coca Cola tiene permiso. Porque claro, sin él, la Coca Cola quedaría con gusto a jabón.
El extracto de coca y otras hojas casi no cambia en nada el sabor. Es más bien un efecto cosmético, así como no se siente el gusto ni el olor del guaraná (que es amargo). El extracto forma parte de la Coca-Cola porque legalmente tiene que ser así. Pero sin él, no se nota ninguna diferencia en el gusto, que está dado básicamente por las cantidades diferentes de azúcar, azúcar quemado, sales, ácidos y conservantes.
¿Sabores a qué...?
Hay una empresa química aquí en Bartow, sur de Orlando. Los he visitado muchas veces. Ellos producen aromatizantes y esencias para zumos. Mandan sales concentradas y esencias el día entero, camión detrás de camión. Ellos los producen para fábricas de helados, gaseosas, jugos, enlatados y comida colorida y aromatizada.
Visitando la fábrica, pedí ver el depósito de concentrados de frutas, que debería ser inmenso, lleno de reservorios inmensos de naranja, piña, fresa y tantos otros. El encargado me miró, se rió y me llevó a visitar los depósitos inmensos... de colorantes y más de 50 tipos de componentes químicos.
  • La gaseosa de naranja es la que no tiene naranja.
  • En los zumos de fresa, hasta los puntitos que quedan en suspensión están hechos de goma (una liga química que envuelve un semi-polímero).
  • Piña, es un festival de ácidos y más goma.
  • La esencia para helado de aguacate usa hasta peróxido de hidrógeno (agua oxigenada) para dar aquella sensación espumosa típica del aguacate, en el paladar al comer.
La segunda gaseosa más vendida en EE.UU. es Dr. Pepper, siendo el producto más antiguo de todos, más aún que la propia Coca-Cola. Esa gaseosa era vendida, obviamente sin refrigeración y sin gasificación allá por 1800 y algo, en botellitas tapadas con corcho, como medicamento, en las carretas ambulantes que se ven en las películas del viejo oeste americano.
Aparte de curar el dolor de barriga y la uña encarnada, también quitaba la mancha de óxido de una cortina y ayudaba a renovar la grasa de los ejes de las carretas.
Para el que no lo sepa, Dr. Pepper tiene un sabor horrible, muy fácil de reproducir en casa: abre la boca y aprieta el spray del Reflex (producto que usan mucho los jugadores de fútbol para calmar rápidamente los dolores de golpes y contusiones). Ese es el gusto del Dr. Pepper.
Bebidas light
Ahora ¿queréis saber la cantidad de basura que tiene un refresco "light"? Yo no la uso para destapar la pileta de mi cocina porque me dan pena los tubos de PVC. La teoría sería buena si no fuera porque los productos endulzantes "light" tienen vida muy corta. Por ejemplo el aspartamo, después de tres semanas mojado, pasa a tener gusto de trapo viejo sucio.
Para evitar eso, se agregan una infinidad de otros productos químicos, uno para alargar la vida del aspartamo, otro para neutralizar el color –para que los dos químicos juntos dejen el líquido turbio–, otro para mantener el tercer químico en suspensión –porque si no el fondo de la gaseosa queda oscuro–, otro para evitar la cristalización del aspartamo, otro para realzar, dar más intensidad al ácido cítrico o fosfórico que acaba sufriendo por la influencia de los cuatro productos químicos iniciales... y así sigue, la lista es enorme.
Un consejo final
Después de toda mi experiencia con producción y estudio de gaseosas, puedo afirmar: la mejor bebida es el agua, si es mineral tanto mejor, naranja o limón exprimido y hielo. Nada más, ni azúcar ni sal.
Interesante texto, al que no hemos añadido ni quitado nada... y que al menos te hará pensar, igual que a mi, en que es lo que realmente estamos tomando al pedir uno de estos apetecibles refrescos...
Espero que te haya gustado la información. Muchas gracias por tu visita... y por tu solidaridad con mi pagina, jeje.
Carlos Alberto Morales Paitán
Pediatra - Hospital del Niño - Lima, Perú
Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 1116

Leia Mais ►

Vendas no varejo cresceram 2,6% em janeiro


O comércio varejista inicia 2012 registrando aumento de 2,6% no volume de vendas e de 3,6% na receita nominal, ambas as taxas com relação ao mês anterior (ajustadas sazonalmente). Nas demais comparações, obtidas das séries originais (sem ajuste), o varejo nacional obteve, em termos de volume de vendas, acréscimos da ordem de 7,3% sobre janeiro do ano anterior e de 6,6% no acumulado dos últimos 12 meses. Para os mesmos indicadores, a receita nominal de vendas apresentou taxas de variação de 12,1% e de 11,4%, respectivamente. A publicação completa da pesquisa pode ser acessada na página www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/comercio/pmc/default.shtm.
Entre as atividades, sete têm variação positiva
Em janeiro de 2012, das dez atividades pesquisadas, sete obtiveram resultados positivos para o volume de vendas na série com ajuste sazonal. Em ordem decrescente das taxas, os resultados foram: hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (7,4%); tecidos, vestuário e calçados (5,2%); outros artigos de uso pessoal e doméstico (3,9%); material de construção (3,7%); livros, jornais, revistas e papelaria (2,0%); artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (1,2%); móveis e eletrodomésticos (0,4%); combustíveis e lubrificantes (-0,3%); equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-2,3%) e veículos e motos, partes e peças (-2,9%).
Na comparação entre janeiro de 2012 e o mesmo mês do ano passado (série sem ajuste), apenas combustíveis e lubrificantes obteve resultado negativo (-0,7%). Os demais resultados foram: 7,6% para hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo; 11,9% para móveis e eletrodomésticos; 15,1% para outros artigos de uso pessoal e doméstico; 8,6% para artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos; 32,7% para equipamentos e material para escritório, informática e comunicação; 3,1% para tecidos, vestuário e calçados e 10,3% para livros, jornais, revistas e papelaria.
O segmento de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo inicia o ano com variação de 7,6% no volume de vendas em janeiro sobre igual mês do ano anterior, sendo responsável pelo maior impacto na formação da taxa (50%). Isso ocorreu em virtude do aumento do poder de compra da população, decorrente do crescimento da massa de rendimento real habitual dos ocupados, bem como da estabilidade do emprego, além do provável aumento da demanda, provocado pelo comportamento dos preços dos alimentos, abaixo da média, nos últimos 12 meses. Nos últimos 12 meses, a atividade cresceu de 7,6%.
A atividade de móveis e eletrodomésticos, com aumento de 11,9% no volume de vendas em relação a janeiro do ano passado, foi a responsável pela segunda maior contribuição da taxa global do varejo (21%). No acumulado dos últimos 12 meses, o segmento registra crescimento de 15,9%. O resultado mensal é atribuído ao crédito, à estabilidade do emprego e à estabilidade de preços, principalmente dos eletrodomésticos (-5,3%, nos últimos 12 meses, para aparelhos eletrônicos, segundo o IPCA).
Outros artigos de uso pessoal e doméstico, com o terceiro maior impacto na formação da taxa do varejo (14%), apresentou variação de 15,1% no volume de vendas em relação a janeiro de 2011. Englobando segmentos como lojas de departamentos, ótica, joalheira, artigos esportivos, brinquedos, etc., esta atividade teve seu desempenho também influenciado pela evolução positiva da massa de salários e pelo crédito. A taxa acumulada nos últimos 12 meses foi de 4,8%.
O segmento de combustíveis e lubrificantes, com -0,7% de variação do volume de vendas em relação a janeiro de 2011, ficou responsável pelo menor impacto na formação da taxa global. A taxa acumulada nos últimos 12 meses foi de 1,0%. Com os preços subindo a 6,1% no setor, e sem condições de substituição, provavelmente houve retração de demanda.
Varejo ampliado varia 1,4% em janeiro
O comércio varejista ampliado, que inclui o varejo e as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material de construção, variou 1,4% no volume de vendas e 1,7% na receita nominal, ambas com ajuste sazonal (comparadas com dezembro de 2011). Em relação ao mesmo mês do ano anterior, houve crescimento de 7,7% para o volume de vendas e de 10,4% na receita nominal. No acumulado dos últimos 12 meses, as taxas de variação foram de 6,4% para o volume de vendas e 9,1% e para a receita nominal.
A atividade de veículos, motos, partes e peças cresceu 6,9% em relação a janeiro de 2011. Este resultado mostra uma aceleração do setor, pois as taxas de novembro e dezembro foram de -2,7% e -0,7%, respectivamente. Na comparação com dezembro, os resultados foram de –2,9% para o volume e de –2,1% para a receita nominal. No acumulando dos últimos 12 meses, a variação foi de 5,5% para o volume de vendas. Quanto a material de construção, as variações para o volume de vendas, foram de 13,7% em relação a janeiro de 11 e de 9,0% no acumulado dos últimos 12 meses. A atividade tem resultados positivos desde abril de 2011.
Resultados foram positivos em 25 estados na comparação com janeiro de 2011
Vinte e cinco das 27 unidades da federação apresentaram resultados positivos no volume de vendas, quando comparados a janeiro de 2012 com o mesmo mês do ano anterior. As variações negativas ficaram com Amazonas (-0,2%) e Rio Grande do Norte (-1,2%). Quanto às variações positivas, os destaques foram para Roraima (24,5%); Tocantins (22,8%); Mato Grosso do Sul (18,5%); Paraná (17,1%) e Amapá (15,3%). Quanto à participação na composição da taxa, sobressaíram São Paulo (7,8%); Paraná (17,1%); Rio Grande do Sul (10,2%); Santa Catarina (12,5%); Minas Gerais (4,6%) e Bahia (7,6%).
Em relação ao varejo ampliado, no que tange ao volume de vendas, apenas Amazonas (-1,5%) apresentou resultado negativo. Outros destaques foram Paraná (17,0%); Roraima (14,2%); Maranhão (14,7%); Piauí (11,8%) e Goiás (11,1%). Quanto ao impacto no resultado global do setor, os destaques foram São Paulo (9,4%); Paraná (17,0%); Rio Grande do Sul (9,6%); Santa Catarina (7,1%); Bahia (7,9%) e Goiás 11,1%.
Ainda por unidades da federação e para o volume de vendas, os resultados com ajuste sazonal foram negativos em cinco estados: Minas Gerais (-0,4%); Amazonas (-0,6%); Rio Grande do Norte (-0,7%); Mato Grosso (-1,6%) e Tocantins (-5,4%). Os maiores acréscimos ocorreram em Roraima (17,8%); Paraná (9,4%); Amapá (8,6%) e Mato Grosso do Sul (6,6%). 
No IBGE
Leia Mais ►

"Stalinismo" igual ao Nazismo?

             
Em meados do ano passado, mais uma pérola anti-comunista foi lançada pela União Européia. A OSCE (Organização para Segurança e Cooperação na Europa) tratou de igualar o chamado "Stalinismo" ao Nazismo, e não só isso criaram uma resolução que igualava os papéis da URSS e da Alemanha Nazista durante a Segunda Guerra Mundial. O dia 23 de Agosto (O dia que foi assinado o Tratado de Não-Agressão Molotov-Ribbentrop) se tornaria então o dia para se lembrar das vítimas do "Stalinismo" e do Nazismo. Qualquer que saiba pelo menos um pouco de História deveria ficar horrorizado com este ato criminoso de propaganda. Até onde eu sei, os verdadeiros criminosos foram a Grã-Bretanha e os Estados Unidos.
A primeira com seus tratadinhos de paz com os alemães que acabaram por entregar países inteiros para as mãos dos nazistas - Lembram-se do Tratado de Munique e da Tchecoslováquia? Provavelmente não. Pois o Ocidente adora apagá-los da memória. Advinhem o que a URSS fazia enquanto a Grã-Bretanha entregava a Europa de mão beijada a Hitler? Convocava incessantes encontros diplomáticos com França e Grã-Bretanha para se formar uma Aliança Anti-Fascista sólida, mas as "democracias" ocidentais não deram muita bola. Simplesmente adoravam demais a idéia de ver uma suástica tremulando no Kremlin, em vez de uma foice e um martelo.
E quanto aos Estados Unidos? Há dois pontos. Primeiro, seus bancos e grandes empresários basicamente financiaram Hitler e, segundo, seu isolacionismo covarde aponta para uma atitude parecida com a das potências européias. Deixe Hitler livrar o mundo do comunismo! Quem cala, consente.
Aí é que teve que entrar a astúcia da diplomacia soviética. Abandonada pelo resto do mundo e frente a frente com uma impiedosa e sanguinária máquina de guerra, a URSS aceitou o Tratado de Não-Agressão apresentado pela Alemanha Nazista. Já que em 1939 seria suicídio enfrentar a Wehrmacht sozinha. E vocês me perguntam então: Porque a Alemanha propôs este Tratado à URSS? Simples. Nesta mesma época, a URSS estava em negociações com a Grã-Bretanha e a França para firmar a Aliança Anti-Fascista. E desta vez realmente parecia que as coisas iam engrenar. Hitler preocupou-se - lutar em dois fronts seria a derrota alemã. Então ele mandou diplomatas para a URSS numa tentativa de salvaguardar seu front oriental. O problema é que as coisas só pareciam que iam para frente, pois a legação britânica enrolou várias semanas para chegar na URSS e quando chegou, revelou que não tinha poderes para formar uma Aliança Militar de verdade. Aquilo seria só um pré-acordo. Ora, um pré-acordo não ajudaria a URSS caso os panzers alemães invadissem suas fronteiras! A saída foi assinar o Tratado de Não-Agressão com a Alemanha, pois a legação alemã veio com poderes dados pelo próprio Führer para firmar um acordo decente. Um acordo que deu quase dois anos para as indústrias soviéticas montarem uma máquina de guerra que enfim derrotaria o nazismo.
Outro ponto interessante é o Nazismo era genocida. Temos o Holocausto e a Guerra de Extermínio contra a URSS como prova de massacres que dizimaram milhões e milhões de vidas humanas. E o "Stalinismo"? Primeiro que nem existe "Stalinismo". Quem é rotulado de "Stalinista" pelo Ocidente considerava-se Bolchevique, ou simplesmente Comunista. Segundo ponto, não há nenhuma evidência que aponte para a URSS como um Estado genocida. Vocês podem pesquisar os resultados da pesquisa de John Arch Getty sobre o sistema penal soviético após a abertura dos arquivos no início dos anos 90. Podem pesquisar os resultados das pesquisas de Robert Thurston, de Yuri Zhukov e de tantos outros gigantes da História. E simplesmente não vão encontrar nenhum pingo de genocídio. Encontrarão certamente uma faixa de 300.000 a 600.000 mortos pelo regime até 1953. Uma parte era de assassinos e outros tipos de criminosos não-políticos que foram sentenciados à morte por seus crimes. Outra parte era de criminosos políticos, entre eles kulaks que pegaram em armas para defender o regime de servidão e que queimaram plantações inteiras, destuíram tratores e mataram animais como atos de terrorismo contra o Estado soviético. Mas grande parte deste número é formada por pessoas executadas sem julgamento, portanto possivelmente inocentes. Que a justiça seja feita, não sou nenhum fanático. Então Paulo, estas são as vítimas do "Stalinismo"! Me desculpe, mas devo discordar.
Primeiro é preciso entender o contexto histórico soviético dos anos 30. A ascensão do fascimo e sua retórica militarista e anti-comunista aterrorizava cada um dos cidadãos soviéticos. Além disso, a luta entre burocratas do partido e leninistas se tornava cada vez mais encarniçada. O que seriam estas duas facções políticas? A primeira é herdeira da burocracia do Império Russo, são sujeitos de mentalidade retrógrada que não tem escrúpúlos quando o assunto é poder e riquezas. Um de seus mais conhecidos nomes no Ocidente é Nikita Sergueievich Khruschev. E hoje em dia, Vladimir Putin. Um verdadeiro herdeiro da burocracia soviética. A segunda é herdeira de Lênin, defensora do socialismo e do poder aos sovietes, são sujeitos muitas vezes humildes que defendem a igualdade a todos os custos. Sua figura mais proeminente é justamente Josef Vissarionovich Dzhugashivilli, o famoso Stálin.
Enquanto os burocratas tentavam centralizar cada vez mais o poder em suas mãos, Stálin tentava descentrálizá-lo nas mãos dos Sovietes. A briga torna-se mais feroz com o advento da nova Constituição Soviética. Stálin e seus companheiros criaram uma Constituição que minava o poder dos burocratas, apelando para eleições competitivas, secretas e diretas, além da completa separação do Estado e do Partido. O Partido passaria a ter apenas a função de propaganda, libertando assim, o Estado das mãos dos burocratas. As eleições acabariam por dizimar os últimos inimigos do povo, já que os leninistas é que detinham a aprovação da população. O problema é que estes artigos revolucionários foram recusados, já que a nomenklatura (outro nome para os burocratas) deteve maioria nos sovietes e no Birô Político do Partido. Stálin morreu lutando por isso, assim como Beria. E com eles o marxismo-leninismo foi enterrado de vez na União Soviética.
As conspirações de Tukacheviskii e dos direitistas tiveram grande papel nesta vitória da nomenklatura. Já que elas serviram como forte sustentáculo da burocracia soviética, que espertamente desviou a atenção da nação da Nova Constituição para o perigo extremo da Contra-Revolução. Além do que, isto tudo lhes deu pretexto para a repressão em massa em defesa da Pátria Mãe. Vários opositores da nomenklatura foram executados sumariamente - só Kruschev tem o peso de 80.000 vidas em suas costas - ou presos sem mais explicações. As troikas espalharam o terror pelo país, tudo por causa de um exagero enorme acerca das Conspirações anti-soviéticas da década de 30. Stálin, pressionado pelas troikas, acabou por assinar um documento que as apoiava. Yuri Zhukov, historiador chefe da Academia de Ciências de Moscou, diz que se ele não tivesse assinado, provavelmente seu nome estaria no Memorial das vítimas da Grande Repressão.
Portanto estas milhares de vítimas não são vítimas do "Stalinismo", mas sim da nomenklatura soviética. Tanto que Stálin fez questão de colocar Béria no poder, assim que o medo disseminado pelos burocratas veio abaixo e a situação se acalmou. Lavrentii Béria então normalizou o caos que se encontrava na nação. Levando o NKVD a fazer inúmeras investigações que acabaram por prender e executar Ezhov e Yagoda, além de outros membros do NKVD que prenderam e mataram ilegalmente. Além disso, centenas de milhares de pessoas foram libertas, após as investigações concluírem que não havia nada contra elas.
Logo, como igualar o Nazismo ao "Stalinismo"? Eram dois regimes antagônicos que se odiavam mais do que tudo neste mundo. Um era um regime racista, genocida e militarista. O outro levantava a bandeira do internacionalismo proletário e da luta contra a exploração do homem pelo homem. O fato é que a União Européia teme e teme muito o impacto que as idéias de Lênin e Stálin podem causar. Teme que o gigantesco desenvolvimento social, cultural e econômico da URSS em um espaço de 20 anos possa levar mais e mais pessoas a acreditar em uma alternativa ao capitalismo. Como aliás vem acontecendo na Rússia, na Ucrânia, na Hungria e em algumas outras ex-repúblicas socialistas. A força de manifestações comunistas nestes países é cada vez maior, como os aniversários da Revolução de Outubro e de Josef Stálin demonstraram ano passado, juntando centenas de milhares de pessoas em torno dos estandartes vermelhos que tanto aterrorizam as elites ocidentais.
Isso tudo não passa de lavagem cerebral descarada. Não duvido que as próximas resoluções virão criminalizar o Comunismo. Colocando-o novamente na clandestinidade. Forçando o ensino das próximas gerações a enfiar a ideologia liberal goela abaixo das crianças - mais ainda do que hoje em dia -, forçando o ensino a elevar propagandas puramente ideológicas ao status de "verdade absoluta e incontestável". Logo mais falar em Lênin, Stálin e URSS será como defender a tese do "Holoconto" e o Nazismo. Pessoas serão presas e reprimidas por isso.
Abaixo à criminalização do Comunismo! Abaixo à lavagem cerebral capitalista!
Glórias eternas à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas! E à verdadeira democracia popular!
Bibliografia: "Life and Terror in Stalin's Russia" de Robert Thurston, "Stalin and the Struggle for Democratic Reform" de Grover Furr, "Inoy Stalin" de Yuri Zhukov e "Victims of the Soviet Penal System in the Pre-War Years: A First Approach on the Basis of Archival Evidence" de John Arch Getty, Gabor T. Rittersporn e Viktor N. Zemskov.
Leia Mais ►