4 de mar de 2012

Ato falho de Serra reflete mentalidade tucana

Em um samba composto em parceria com Maurício Tapajós, o grande letrista Aldir Blanc contrapõe o Brasil – território lúdico-mítico de “Sertões, Guimarães, bachianas” e de “Jobim, sabiá, bem-te-vi” - ao Brazil – projeção ditatorial de um país subalterno e ignorante, condenado a imitar os modismos, a estética e o consumismo norte-americanos. Gravada magnificamente por Elis Regina, “Querelas do Brasil” tornou-se, se não um sucesso, um objeto de culto nacional.
Que me perdoe Aldir (cujas crônicas boêmias e malandras eu cultuo como a objetos de arte feitos do mais genuíno humor), mas a lembrança da música foi a primeira coisa que me veio à cabeça ao ver José Serra chamando o país em que sonhou um dia governar de Estados Unidos do Brasil.
Para além do aspecto cômico da fala e do que revela de desconhecimento histórico básico, trata-se de uma troca de palavras significativa, que explicita – como o clássico ato falho freudiano que é - a visão de mundo do político peessedebista e evoca a dinâmica da relação entre o nacional e o internacional em um passado não muito distante.
Nunca fomos tão vira-latas
Refiro-me, é claro, aos oito anos em que Fernando Henrique Cardoso esteve no poder, um período durante o qual o deslumbre com o que fosse estrangeiro atingiu um tal nível de transbordamento que só pode ser equiparado à vergonha de ser brasileiro exibida pelo tucanato e por seus eternos apoiadores na mídia – e por estes bombardeada noite e dia à população.
Não que a baixa auto-estima nacional fosse uma novidade trazida pelo tucanato. Nelson Rodrigues, antes da Copa de 1958, afirmava que o “complexo de vira-latas” - por ele definido como "a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo" - era o principal adversário do "escrete canarinho". Mais importante: toda uma reflexão sobre o país, dominante por quase duas décadas a partir de fins dos anos 50 - e que seria tematizada de forma recorrente pela produção cultural do período - identificava no atraso estrutural da nação e em sua condição de subdesenvolvimento a chave para compreender seus problemas e superá-los.
Razões de fundo
A novidade trazida por Collor e aprofundada pelos tucanos foi que o complexo de inferioridade do brasileiro deixou de se apresentar apenas como um sintoma (a ser, portanto, mitigado à maneira que a defasagem estrutural fosse sendo superada) para se tornar objeto de culto, a ser estimulado e agravado - tarefa da qual se incumbiram com deleite jornais, revistas e programas televisivos (cujo exemplo acabado é o anacrônico Méanrratan Conéquichion).
Em uma época em que globalização e neoliberalismo ainda eram largamente compreendidos como termos obrigatoriamente indissociáveis - como se pode aferir pela leitura de alguns dos principais textos teóricos da primeira metade dos anos 90 -, tal operação se deu, sobretudo, devido a um imperativo ditado pelo receituário do Consenso de Washington, adotado como princípio orientador das políticas de Estado: a necessidade de predispor ideologicamente o público a se convencer, primeiro, de estarmos condenados a ser uma nação atrasada e subalterna ante a superioridade insuperável do "primeiro mundo". Em segundo lugar, de que a única solução para nossa redenção seria acatar os pressupostos da "nova ordem econômica mundial" ditada pelos EUA e, enxugando ao máximo o tamanho e as funções do Estado brasileiro, em torno de tal país orbitar, abrindo mão de nossa identidade como nação e aceitando passivamente a incapacidade de comandar nosso destino. O objetivo final a coroar tal empreitada seria a adesão à ALCA, o tratado de "livre-comércio" engendrado por Washington e que - como o exemplo mexicano o demonstra de forma cabal - fatalmente levaria o Brasil a um penoso retrocesso econômico e social.
Príncipes e jecas
É dentro dessa lógica que se insere o fato de que o príncipe – digo, o presidente – de turno, no seu chilique mais aloprado, tenha reagido à pressão popular contrária às medidas recessivas que tomara afirmando que “os aposentados são vagabundos e os brasileiros, caipiras”. O adjetivo “caipira”, nesse contexto, é não só utilizado no intuito claro de desqualificar, mas de atingir seus alvos com uma grave acusação de ignorância e desconhecimento do que seja o mundo. O caipira, para FHC, não diz respeito ao ser social, inserido em uma cultura telúrica e historicamente premido por um processo de "persistências" e "alterações", de que nos fala Antonio Candido - mas a um emblema estático da brasilidade como traço negativo. Daí resulta um paradoxo: ´para o outrora celebrado sociólogo, todos os brasileiros são caipiras, e o problema de ser caipira é justamente ser brasileiro.
Por outro lado mas em sentido semelhante, dizer que algo é “de Primeiro Mundo”, embora fosse uma expressão antiga, tornou-se, nos anos FHC, moeda corrente, a expressão valorativa por excelência. Enquanto a população sofria com os baques que a economia do país sofria à mínima crise internacional (fosse ela russa, mexicana ou nos "tigres asiáticos), o desprezo ao que fosse nacional e o ódio ao que fosse estatal eram incentivados pelo tucanato no poder e pela mídia corporativa (que apoiou o governo FHC com uma subserviência deslumbrada e acrítica indigna de ser chamada jornalismo). Foi nessa toada - e exibindo o salário do mais abonado magistrado como se fosse a regra entre o funcionalismo - que se convenceu parte da população de que as privatizações modernizariam o país e acabariam com os "barnabés" (a gíria pejorativa com que 9,9 de cada dez colunistas - esses mesmos que aí estão - se referiam aos trabalhadores empregados pelo Estado)
Cenário em mutação
O pós-11 de setembro, com a diminuição do poder norte-americano, a ascensão dos BRICs e a chegada ao poder – na América Latina, sobretudo – de governantes de centro-esquerda, trouxe, aos poucos, uma mudança de cenário, a qual, somada às possibilidades interativas da web 2.0 e ao grande acréscimo na inclusão digital mundial, permitiu vislumbrar que o fenômeno globalizante e a ideologia neoliberal não eram, sempre e necessariamente, indissociáveis. Havia, percebe-se, aspectos da globalização - como a ação comunicacional e político-social a partir da internet ou a troca gratuita de arquivos de áudio e vídeo - que permitiam, na verdade, contra-atacar pontualmente e questionar o neoliberalismo.
É no âmbito desse novo cenário que o governo Lula, a partir de sua política externa - caracterizada por prioridade às relações Sul-Sul e aos BRICs, parcerias e auxílio aos países mais pobres da América do Sul, África e Oriente Médio e ímpeto de representar países em desenvolvimento em fóruns internacionais,, recusa à Alca e tentativa de diminuição do poder de influência dos EUA no país - e de sua atuação cultural interna - em que se destacam a valorização da cultura nacional, a pulverização das verbas para além do eixo Rio-SP, e a inclusão sócio-cultural via Pontos de Cultura -, paulatinamente insere uma nova dinâmica no imaginário acerca do locus do Brasil e do brasileiro no contexto de um mundo globalizado.
Um aspecto muito importante a ressaltar em relação a esse processo é constatar que a redenção de um complexo de inferioridade secular, ainda que se dê, atualmente, de modo parcial e para parcelas da população, não foi substituída, via de regra, por um nacionalismo tacanho nem por um patriotismo fanático.
Provincianismo em crise
Há de se considerar, como pontos polêmicos a discutir, a presença do exército brasileiro no Haiti e o temor crescente, entre alguns de nossos vizinhos sul-americanos, de que o Brasil esteja se tornando imperialista (acusação que não é nova: trabalhando como jornalista na Bolívia, em 2001, fui fisicamente agredido por skinheads que demonstravam ódio ao “imperialismo brasileiro”).
Mas é preciso ser obtuso ou desonesto para negar que a melhora da economia real verificada na última década, com decréscimo substancial das taxas de desemprego e aumento do poder de compra, a ascensão de uma nova e volumosa classe média, bem como o acesso - ou o incremento do acesso - a bens de consumo durável, lazer, acesso digital e viagens aéreas acabaram por modificar para melhor a auto-imagem de parcela revelante da população - um fenômeno que tende a se tornar ainda mais evidente ante a contraposição da atual situação brasileira à grave crise econômica que ora levam, infelizmente, a população dos EUA e de vários países europeus a amargar uma penosa débâcle social.
Além disso, não obstante os muitos desafios postos ao Brasil em termos de redução da desigualdade, saúde, educação e demais itens da pauta dos direitos humanos avançados, tanto o grau quanto o perfil axiológico da visibilidade do país no exterior são hoje maiores e mais positivos do que nunca. "A crítica permanente ao Brasil está fundada em excesso de provincianismo", observou o sociólogo Alberto Carlos Almeida, em artigo no Valor Econômico. Mas, com um número cada vez maior de brasileiros viajando ao exterior, cada vez mais gente descobre que a oposição simplista entre um país incompetente e fadado ao fracasse e um "primeiro-mundo" perfeito e irretocável não passa de uma falácia. -certo-apesar-dos-ceticos - o que, evidentemente, também reverte em acréscimo da auto-estima nacional.
A volta do atraso
Tudo isso fez com que o discurso negativista sobre o país, só enxergando suas mazelas, além de alimentar provincianos convictos, se tornasse uma das principais bandeira dos setores conservadores, mais um componente a se juntar ao discurso moralista que se tornou praticamente a única estratégia discursiva de uma oposição que não tem projeto para o país, que há mais de uma década combate o governo de turno valendo-se tão-somente de ataques neoudenistas.
Ora, é a essa mesma oposição a que José Serra pertence. E não é preciso nenhum esforço para enxergar no ora pré-candidato a prefeito de São Paulo a mesma empáfia, a mesma arrogância, o mesmo desprezo pelo Brasil e pelo povo brasileiro que o presidente a que serviu como ministro da Saúde e do Planejamento ostentou por oito anos - os quais só foram dourados na boca e na pena dos colunistas a serviço do mercado, pois para a maioria da população foram de penúria, desemprego e carestia.
Mais do que um lapso eventual, a menção aos "Estados Unidos ao Brasil", feita por Serra, é a expressão do desejo de regresso a um estado de coisas em que as elites brasileira traficavam a riqueza do país em troca das migalhas que se lhes atirava o grande capital internacional, enquanto o povo chafurdava no subemprego e na miséria.
Maurício Caleiro
No Cinema & Outras Artes
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FHC não vai falar da privataria tucana

Em seu artigo no Estadão de hoje (4), o ex-presidente FHC volta a falar sobre o lamentável leilão dos aeroportos patrocinado pelo governo Dilma Rousseff. Num texto provocativo, ele questiona as “justificativas envergonhadas por parte de dirigentes petistas, segundo os quais ‘concessões’ não são privatizações, como se ambas não fossem modalidades do mesmo processo”.
Além de tirar um sarro sobre a terminologia, o egocêntrico aproveita para se jactar dos seus feitos. Ele se acha o máximo, pensa que é Deus! Para ele, as privatizações feitas pelo seu governo “modernizaram” o país. Ele cita, por exemplo, o “obsoleto parque siderúrgico”, mas não diz que o setor foi entregue a preço de banana e que hoje o Brasil exporta ferro e importa trilhos.
Um narcisista patético
FHC também menciona as telecomunicações como exemplo de eficiência. Talvez ele desconheça que as teles são as recordistas em reclamação no Procon. E ainda tem a pachorra de falar na Petrobras, que seu governo tentou privatizar – até gastou uma fortuna para mudar o nome da estatal para Petrobrax. Cínico, FHC até hoje nega a intenção, apesar dos documentos oficiais que provam o contrário.
Ao final, num malabarismo grotesco, FHC afirma que é o grande responsável pela atual fase de desenvolvimento do Brasil. Pena que os eleitores não perceberam esta proeza e expulsaram os tucanos do Palácio de Planalto em três eleições consecutivas. Na maior caradura, o ex-presidente rejeitado e detestado pelo povo brasileiro encerra o artigo de forma patética:
E os milhões nos paraísos fiscais?
“Os que criticam as privatizações são os mesmos que se gabam dessas empresas e de sermos hoje a quinta economia do mundo. Esquecem-se de que isso se deve em muito ao que sempre criticaram: além das privatizações, o Plano Real, o Proer, a Lei de Responsabilidade Fiscal, enfim, a modernização do Estado e da economia”.
Ao invés de se jactar dos seus feitos, FHC poderia usar o generoso espaço cedido pelo Estadão para retrucar as críticas feitas por Amaury Ribeiro no livro “A privataria tucana”. Ele poderia tentar explicar, por exemplo, como a filha, o genro e o ex-tesoureiro do seu ministro José Serra conseguiram desviar milhões das privatizações para os paraísos fiscais. FHC sabia do esquema ou não?
No Blog do Miro
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Uma página em branco

Entre a campanha presidencial de 2010 e a decisão de candidatar-se à Prefeitura de São Paulo, José Serra foi colunista de jornal. Escreveu 21 artigos em "O Estado de S.Paulo" e dez em "O Globo". A íntegra desses artigos está no seu site (www.joseserra.com.br), onde também se encontram discursos feitos em encontros partidários de que participou nesse período, comentários sobre a conjuntura e um artigo sobre goleiros publicado pelo jornal "Lance!".
Os artigos revelam o ex-candidato à Presidência da República, o ex-senador e, eventualmente, o ex-governador do Estado de São Paulo. Em nenhum momento, porém, avoca sua experiência de um ano e três meses frente à prefeitura da capital.
São textos fluidos e ácidos com raras concessões ao lirismo, como no texto em que revela sua simpatia pelos goleiros: "Vê seu time sempre pelas costas e o adversário pela frente. Trabalha com as mãos no esporte dos pés".
Faz revelações de sua infância ao rememorar os 50 anos da renúncia de Jânio. Sua mãe entusiasmou-se pela campanha do tostão contra o milhão. As mulheres consideravam Jânio um político diferente dos outros. O jovem Serra também. Achava que havia feito um bom governo em São Paulo, "operoso e sem escândalos" e, por isso, tinha lhe dado o primeiro voto de sua vida. O pai era contra por sua gestão na prefeitura, quando os fiscais cobravam caixinha dos feirantes do Mercado Municipal.
Serra fez duas estreias. Na imprensa começou com um "Oposição para quê?", em que faz referências não tão veladas à proeminência que o senador Aécio Neves havia adquirido no partido. Diz que o PSDB não sabe fazer oposição e considera razoável o eleitor imaginar que "não sabe governar quem não sabe se opor". Sugere os 10 Mandamentos como cartilha para a oposição e sugere o 11º: "Não ajudarás o adversário atacando teu colega de partido".
Faltou São Paulo nos artigos de José Serra
Ao abrir o site, em um pequeno artigo com o título "Minha primeira vez", cita um conto de Machado de Assis: "As palavras têm sexo, unem-se umas às outras. E casam-se. O casamento delas chama-se estilo".
Na internet e nos jornais o que predomina são os textos de crítica ao governo federal. Desindustrialização, câmbio e infraestrutura são os temas econômicos mais frequentes. Recorre à terceira colocação do Brasil no índice do Big Mac mais caro para fazer suas críticas ao câmbio sobrevalorizado. Reclama de uma política mais agressiva para o turismo, capaz de competir pelos R$ 16 bilhões que os brasileiros gastaram em 2010 no exterior.
Considera o trem-bala "o pior projeto da história" e diz que as concessões petistas das rodovias federais "não foram "a preço de banana", foram de graça mesmo" para concluir que "a pior ideologia é a incompetência".
Faz um único elogio à política econômica, reservado ao site. Quando o Copom baixa meio ponto da Selic defende a credibilidade do Banco Central e o direito de a presidente conversar com seus diretores e ministros da área econômica sobre os rumos da política monetária.
Volta e meia analisa a economia internacional. Diz que o Euro foi o "maior erro de política econômica em escala internacional na segunda metade do século XX".
Faz críticas recorrentes a corrupção e a loteamento de cargos, queixa-se dos rumos da reforma política e do que avalia como abandono do tema dos direitos humanos na política externa. Faz um artigo sobre saúde, relembrando sua atuação no ministério e defendendo a vinculação de recursos. Já este ano escreveu um artigo sobre o Enem em que critica a iniciativa petista de tentar mudar a forma de ingresso nas universidades transformando-o num vestibular gigantesco e mal administrado.
Nos 12 meses em que escreveu Serra não falou do transporte público, das creches, das AMAs (Assistências Médicas Ambulatoriais) ou da limpeza urbana da cidade de São Paulo.
Ele avisara, ao estrear como articulista, que estaria ocupado com o "futuro do Brasil e dos brasileiros". Na carta que entregou ao diretório municipal do PSDB reconheceu que os 44 milhões de votos que recebera em 2010 lhe estimularam a voltar sua atenção a questões nacionais.
Em sua primeira entrevista como pré-candidato, Serra disse que apresentava sua postulação por "necessidade política e por gosto de ser prefeito".
Se nem ele nem seu partido acreditavam ter alternativa, foi efetivamente por necessidade que resolveu se apresentar. Mas que a prefeitura mobiliza seus gostos não havia como adivinhar.
Esta é, no PSDB, uma das principais preocupações de sua campanha. Serra terá, provavelmente, a vantagem de liderar a mais robusta aliança partidária da sucessão paulistana. Além disso, conta com o histórico eleitoral de uma cidade que favorece candidaturas de centro-direita. Apesar disso tudo, porém, esta deve ser uma campanha mais difícil do que aquela em que venceu Marta Suplicy em 2004.
Naquele ano Serra ainda tinha fresco na memória do eleitor a passagem, havia dois anos, pelo Ministério da Saúde, quando fez uma gestão inovadora.
Agora já se passaram dez anos desde que deixou a Saúde. A avaliação é que lhe faltam marcas e sobram desgastes acumulados numa polêmica campanha presidencial. Aquilo que fez na rápida passagem pela prefeitura acabaria sendo creditado na conta de Gilberto Kassab, que ruma para concluir seu segundo mandato no posto. Também é difícil evitar que o que restou de sua administração como governador de Estado durante dois anos e três meses não se diluísse nos mais de sete anos que Geraldo Alckmin já acumula no cargo.
Até pode ser verdade, como diz Serra, que na eleição paulistana disputam-se os rumos da política nacional, dado o peso que os dois principais partidos do país jogam na parada. Mas não parece tão claro que a mão inversa funcione com a mesma fluidez. A blindagem do regime sírio, o futuro do euro, o nó cambial, o loteamento da Funasa ou a reforma política talvez tenham pouca influência sobre o voto paulistano.
Não que se deva esquecer o que escreveu. Há muitos momentos de lucidez nos artigos de Serra. A questão agora é preencher a página de São Paulo que ficou em branco.
Maria Cristina Fernandes, editora de Política.
No Valor Econômico
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A crise do Euro. Alberto dá de 10 a 0 na Urubóloga

O ansioso blogueiro foi tomar café da manhã na Padaria Aracaju, uma das mais importantes contribuições da cidade de São Paulo à culinária brasileira.
Quando não está em Paris, o Farol de Alexandria faz o mesmo.
Na hora de pagar, viro-me para o dono, o Alberto, e reclamo:
– Você desapareceu, nunca mais te vi por aqui.
- Fui a Portugal, visitar a família. Ficamos ali em Vale do Cambra, perto do Porto.
- E como está Portugal?, pergunto.
- Uma desgraça. As estradas vazias. Os restaurantes vazios. Só sobrevivem os muito caros ou que tenham uma clientela fiel.
- E o que houve? Por que essa desgraça?, pergunta o ansioso blogueiro, como se não acompanhasse, febrilmente, as explicações da Urubologa.
- Foi a União Europeia.
- Mas, como? Dizem que ela é ótima!
- Vou te contar uma coisa. Houve uma ruptura em Portugal.
- O que se rompeu?
- A estrutura das famílias. Minha família é da agricultura há séculos. Uma geração após a outra. E isso se rompeu, se dilacerou.
- Mas, o que a União Européia tem a ver com a tua família?
- Lá em Vale do Cambra tinha uma cooperativa de leite. O meu pai tinha uma vaquinha. Com essa vaquinha ele tirava dez litros por dia, entregava à cooperativa e assim a nossa família se sustentava há séculos. Aí, chegou a União Europeia.
– E o que fez a União Europeia?
– A União Europeia chegou para o meu pai e disse: não temos como continuar a subsidiar a tua vaca. Meu pai nunca soube que a vaquinha era subsidiada.
– Mas, e o que queria a União Europeia?
– A União Europeia chegou ao meu pai e disse: vou comprar toda a tua produção por dez anos, e te pago agora. Mas, com uma condição.
– Que condição?
– Matar a vaquinha, coitada, a subsidiada.
– E o teu pai topou?
– Claro: ele não tem um neto que quisesse cuidar da vaquinha.
– O que fazem os netos dele?
– É tudo economista de banco.
– Ah, entendi. Não sabem produzir.
– Não produzem.
– E a cooperativa de leite?, pergunto.
– Fechou. Você chega hoje lá na porta e ela está toda coberta de uma erva daninha, que lá se chama de “Silva”.
– Mas, aqui não convém chamar assim … interrompo.
– Não, claro! É daninha mas dá uma amora muito saborosa. E você sabe o que aconteceu com a fábrica de queijo que comprava da cooperativa do meu pai?
- Ah!, tinha uma fábrica de queijo ali perto?
– Sim, aquele queijinho francês, o Bel.
– Sei. E de quem a Bel agora compra o leite?
– Da Espanha.
– E a Espanha tem leite para consumo próprio e para mandar a Portugal?, pergunto ansioso.
– Não! A Espanha tem que comprar da França.
– Caramba! E isso tudo vai dar em que?
– Já deu!, diz o Alberto.
– Deu em que?
– Sem dar um tiro, a Alemanha vai fazer o que não conseguiu com a Segunda Guerra.
– O que a Alemanha vai fazer?
– Dominar a Europa.
– Mas, como assim, Alberto?
– Depois de Portugal, a Espanha, a Itália, a próxima é a França.
– E a Grécia?
– A Grécia fraudou o balanço para entrar no Euro. Todo mundo sabia que aquilo era uma mentira, mas de mentira em mentira todos ganharam dinheiro!
– E Portugal?
– Portugal era um país de poupadores e virou um país de gastadores. A União Europeia chegou lá, deu um cartão de credito a Portugal e o português saiu a gastar. Como quem ganha 10 não pode dever 11, Portugal quebrou.
– E, Alberto, por que você não volta lá e compra Portugal?
– Não há o que comprar.
Pano rápido
Não é melhor que dez edições do Bom (?) Dia Brasil, amigo navegante?
Paulo Henrique Amorim
No Conversa Afiada
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Mídia expõe e Datafolha pesquisa

Há quase duas semanas, José Serra é presença obrigatória na mídia paulista. É capa dos jornalões e figura de destaque nas tevês. Em meio a esta amplíssima exposição, o Datafolha divulga hoje uma pesquisa – feita entre quinta e sexta-feira – em que o eterno candidato tucano surge como franco favorito para a eleição paulistana. Mera coincidência ou mais uma manipulação grotesca?
Um momento bem oportuno
Segundo o Datafolha – também conhecido como DataSerra –, o pré-candidato do PSDB subiu nove pontos na comparação com a pesquisa anterior, de janeiro, e atinge 30% das intenções de voto. É quase imbatível! Em segundo lugar surge Celso Russomanno (PRB), com 19%; em terceiro, Netinho de Paula (PCdoB), com 10%. O petista Fernando Haddad obtém apenas 3% da preferência.
Como a própria reportagem da Folha reconhece, a pesquisa “foi feita na semana em que Serra teve muita exposição devido ao anúncio de que queria concorrer. Isso ajuda a explicar o crescimento de 2% para 12% em sua intenção de voto espontânea (quando não é apresentado ao eleitor o nome de nenhum candidato)”. Mesmo assim, a Folha fez estardalhaço na sua manchete.
Objetivos matreiros da pesquisa
A pesquisa cumpre vários objetivos. De cara, ela ajuda a enterrar os dois pré-candidatos que disputarão a prévia do PSDB, adiada para 25 de março. Pode ser até que José Anibal e Ricardo Tripoli desistam antes da data marcada para o espetáculo circense – outros dois “flanelinhas”, Andrea Matarazzo e Bruno Covas, já deixaram o lugar vago para o caudilho tucano.
O DataSerra também contribui para as articulações políticas do ex-governador, que se atrasou na definição da sua candidatura – já que ele mesmo considera a prefeitura paulistana um “enterro”. A pesquisa ainda ajuda a pavimentar alianças com os partidos pragmáticos, que costumam apostar no “cavalo ganhador”, e a garantir apoios, principalmente financeiros.
Calcanhar de Aquiles do eterno candidato
Mas nem tudo são flores para o pré-candidato do PSDB. A pesquisa confirmou sua alta rejeição, que oscilou de 33% para 30%, dentro da margem de erro. Ela também aponta que Serra é o mais conhecido do eleitorado (99% sabem quem ele é), enquanto outros ainda são desconhecidos – desvantagem que durante o horário eleitoral na rádio e televisão tende a ser superada.
Para piorar, a pesquisa expôs seu calcanhar de Aquiles. 76% dos entrevistados se lembram que Serra abandonou a prefeitura em 2006, após assinar um documento jurando que não trairia seus eleitores; e 66% acham que ele vai deixar novamente a cidade para concorrer à presidência em 2014. Será que, mesmo assim, o paulistano vai votar num mentiroso contumaz?
No Blog do Miro
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Tomara que o Serra acredite no Datafalha

Como se sabe, o Conversa Afiada não acredita em pesquisa eleitoral no Brasil.
O “mercado” é dominado por duas e só duas instituições.
O Datafalha e o Globope, no PiG, por definição, se transformam em gazuas para fomentar o Golpe contra governos trabalhistas.
Tão simples quanto isso.
As pesquisas iniciais, quando a campanha mal começa – essas, então, são, historicamente, uma beleza.
Servem para anabolizar os candidatos que o PiG quer – e reunir financiadores de peso – e fulminar os que o PiG não quer – e desmobilizar seus financiadores para a campanha que se avizinha.
Tão simples quanto isso.
Nos Estados Unidos, a média ponderada de CEM pesquisas erra.
Como errou agora nas primárias do Partido Republicano.
Aqui, o Globope e o Datafalha tem a consistencia de um editorial da Folha ou do Globo: zero!
Na primeira página deste domingo, a Folha estampa com entusiasmo: “Serra sobe nove pontos!!!”.
Um "jenio".
E diz, complementarmente, que 66% dos eleitores acham que ele vai abandonar a prefeitura, como fez em 2006, embora dissesse na televisão e em papel timbrado da própria Folha que ficaria no cargo até o fim.
Os leitores da Folha foram poupados de informação que se encontra na pág. A6 do Estadão:
“Em seu primeiro dia de campanha na rua, o pré–candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, foi vaiado por jovens que estavam no Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso.”
Aliás, esses tem sido dias especialmente propiciosos ao tucano.
Ele revelou que não sabe qual é o nome do Brasil.
Foi espinafrado por um líder tucano de Ermelino Matarazzo.
Como já tinha sido por uma líder tucana, também.
Aliás, nem o FHC aguenta mais ele. Embora, depois tenha desmentido. Aliás, o FHC desmente sempre – “esqueçam o que eu escrevi”…
E o Kassab confirmou que, contra o Aécio, "Cerra" apoiará Dilma em 2014.
O que só faz reforçar suas chances com o eleitor tucano de São Paulo.
Tomara que ele acredite no Datafolha.
Porque faça chuva ou sol, o Datafalha sempre terá 30% à disposição dele.
Paulo Henrique Amorim
No Conversa Afiada
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“Jornalismo B” ganha força na blogosfera

Conhecido como “Jornalismo B” e criado pelo jornalista Alexandre Haubrich, o projeto de mídia ganhou força extra na semana passada. Em depoimento gravado em vídeo, o redator-chefe da Trip, Lino Bocchini, apoiou a iniciativa. O profissional foi um dos criadores do blog Falha de S.Paulo, que satirizava a Folha de S.Paulo e chegou a sair do ar por decisão judicial.
Bocchini avalia que projetos similares ao do Jornalismo B precisam ser produzidos. “O meu caso é só um dos tantos exemplos de como a gente precisa de mais e mais iniciativas independentes, bacanas e progressistas, como é o caso do Jornalismo B. Por isso eu assino e apoio o projeto”, disse no vídeo.
A campanha para arrecadar fundos e manter o jornal já reúne a ajuda dos deputados federais Paulo Pimenta (PT/RS) e Manuela D’Ávila (PCdoB/RS) e da vereadora de Porto Alegre Fernanda Melchionna (PSOL). Para que o jornal circule neste ano, é preciso de R$13.500,00 dos quais R$3 mil já foram alcançados com a contribuição de 40 apoiadores.
“É no trabalho coletivo que a mídia independente pode se fortalecer e firmar-se como alternativa real em defesa da democracia”, explica o blog do Jornalismo B, que nasceu em 2007 e deu vida, em 2010, ao impresso. O dinheiro, além de pagar as impressões, servirá para remunerar o diagramador – que apoia gratuitamente – e contratar um estagiário, que fará ponte “entre o Jornalismo B (por extensão, a mídia alternativa) e os movimentos sociais, em um diálogo fundamental para fortalecer ambos os lados e construir uma sociedade mais democrática”.
Nathália Carvalho
Do Comunique-se
No Limpinho&Cheiroso
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Presidente do PMDB é acusado de pagar imprensa

O presidente do PMDB, senador Valdir Raupp, é acusado de ser coautor de um esquema que, de acordo com o Ministério Público (MP), desviou cerca de R$ 10 milhões do governo de Rondônia para grupos de comunicação do Estado, em troca de apoio político. Na época das irregularidades apontadas pelo MP, Raupp era governador de Rondônia (1995-1999).
Ele assumiu a direção do PMDB após a eleição de Michel Temer a vice-presidente da República, em 2010. As informações são do jornal Folha de S. Paulo. O processo foi incluído na semana passada na pauta do Supremo Tribunal Federal (STF). Cabe ao presidente do Supremo, Cezar Peluso, a decisão de colocá-lo em julgamento. Raupp foi condenado em 2002, pela 1ª Vara Criminal de Porto Velho (RO), a seis anos de prisão.
Por conta de sua eleição ao Senado naquele ano, o caso foi paralisado e enviado para o STF. Raupp negou ter liderado o suposto esquema. "Quando tomei conhecimento da notícia dos desvios, determinei imediata instauração do procedimento. Houve punição dos envolvidos", disse o senador.
No Terra
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Cigano

No dia em que registrar os valores depreciativos que certos vocábulos assumiram ao longo do tempo for considerado um crime, nossa língua — ou melhor, nossa civilização terá embarcado numa viagem sem volta para a noite escura da desmemória.
Esta semana constatei, não sem surpresa, que muita gente graduada não sabe distinguir uma enciclopédia de um dicionário. É verdade que ambos são fontes de referência que organizam suas entradas por ordem alfabética, providenciais bancos de dados a que recorremos quando precisamos de uma informação a la minuta. A grande diferença entre eles, no entanto, é o tipo de informação que um e outro fornecem: enquanto dicionários como o Aulete ou o Houaiss nos informam sobre palavras, enciclopédias como a sólida Britânica ou a controvertida Wikipedia nos informam sobre os seres e os fenômenos em geral.
E não é pouca diferença! Quero saber o significado de burlantim? Vou ao dicionário (sossegue, leitor; é um simples sinônimo de funâmbulo...). Tenho dúvida sobre o gênero de dó ou hesito na hora de pronunciar o "E" de incesto? Vou ao dicionário e fico sabendo que é masculino ("Sentia um imenso do padrinho") e que incesto tem o "E" aberto, rimando com funesto. Agora, se preciso descobrir quanto dura a gestação do elefante, qual foi o último rei de Cartago ou quem descobriu os anéis de Saturno, só uma boa enciclopédia poderá me socorrer.
O dicionário reúne e organiza dados linguísticos; o seu assunto é a própria linguagem e o uso que dela fazemos. A enciclopédia, por seu lado, reúne dados sobre a natureza, os povos, os personagens históricos, as coisas, as obras de arte; o seu assunto é o mundo real, concreto, extralinguístico. Mesmo que o dicionário muitas vezes não possa prescindir de uma certa dose de informação enciclopédica (carrapato — "designação comum aos ácaros da família dos ixodídeos e argasídeos"), ele sempre vai muito além dela, pois tem a obrigação de registrar (o que seria inadequado numa enciclopédia) que carrapato também designa um "indivíduo importuno, que não larga outro; indivíduo que se apega com muita força a algo". De uma enciclopédia espera-se que apresente os conhecimentos que a Humanidade conseguiu acumular sobre o ilustre carrapato; de um dicionário exige-se que relacione e discrimine os sentidos que os falantes dão (ou deram) a este termo.
Pois não é que esta semana o Brasil inteligente ficou sabendo, estarrecido, que um procurador da República de Uberlândia quer obrigar o Instituto Antônio Houaiss a retirar de circulação todas as edições do dicionário Houaiss, que contêm, segundo a excelentíssima sumidade, "expressões pejorativas e preconceituosas relativas aos ciganos"? Confesso que há muito eu não ouvia tamanho disparate, e fiquei tão chocado com a notícia que, a princípio — imaginando que fosse mais um desses boatos propagados pelas ondas do mar da internet —, pus minha mão no fogo pelo procurador: "Um membro do Ministério Público não vai cometer o erro primário de confundir o texto de um dicionário com o de uma enciclopédia", sentenciei — mas, ai de mim, logo me convenci de que teria feito melhor se tivesse deixado a mão no bolso: era tudo verdade!
Ocorre que este dicionário — de longe, o melhor que já tivemos em língua portuguesa — não faz mais do que a obrigação ao registrar que o termo cigano tem oito acepções, entre elas duas que Houaiss expressamente rotula como "pejorativas": "aquele que trapaceia; velhaco, burlador" e "aquele que faz barganha, que é apegado ao dinheiro; agiota, sovina". Afinal, este é, como vimos, o compromisso tácito que todo lexicógrafo que se preze assume conosco: apresentar o repertório de significados atribuídos a cada palavra e indicar as particularidades de seu uso ("informal", "antiquado", "chulo", "regional", etc.). Nosso douto procurador deveria ter percebido que as informações apresentadas pelo Houaiss — que, desculpem lembrar a obviedade, não é uma enciclopédia — se referem ao termo, e não ao povo cigano. No dia em que registrar os valores depreciativos que certos vocábulos assumiram ao longo do tempo for considerado um crime, nossa língua — ou melhor, nossa civilização terá embarcado numa viagem sem volta para a noite escura da desmemória.
O problema é tão sério que voltaremos a ele na nossa próxima coluna. Enquanto isso, prezado leitor, divirta-se e instrua-se com a leitura do excelente texto de Danilo Nogueira, Santa Ignorância, no site www.tradutorprofissional.com, que contribui com novos argumentos para esta cruzada contra o obscurantismo.
Cláudio Moreno
No Sua Língua
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Google oferece até US$ 1 milhão para quem hackear o Chrome

Google oferece até US$ 1 milhão para aqueles que encontrarem falhas no Chrome
O Google anunciou nesta segunda-feira (27/02) que oferece um prêmio de até US$ 1 milhão para aqueles que encontrarem falhas no Chrome durante o já tradicional Pwn2Own. O evento acontece na próxima semana durante a conferência de segurança CanSecWest, em Vancouver, no Canadá.
Não é a primeira vez que o Google premia quem encontra falhas no navegador. Porém, nunca o prêmio foi tão alto. Além disso, a empresa pagará US$ 20 mil para qualquer participante que encontrar falhas em jogos nas plataformas Windows e Flash, em dispositivos de segurança, ou em localização de problemas que afetam os usuários de todos os navegadores.
O valor sobe para US$ 40 mil para cada falha encontrada no Chrome. Os hackers que explorarem os bugs no navegador ganharão US$ 60 mil por cada erro. O limite é de US$ 1 milhão. As recompensas superam os prêmios oferecidos pela própria organizadora do concurso, a Zero Day Initiative, propriedade da HP.
Nos últimos dois anos, mais de US$ 300 mil foram pagos para usuários e funcionários do Google que encontraram falhas de segurança. No entanto, no ano passado, quando o Google ofereceu US$ 20 mil adicionais para qualquer pessoa que encontrasse falhas no Chrome, ninguém aceitou o desafio. Neste ano, como a própria empresa alegou estar ansiosa para descobrir os bugs em seus códigos e corrigi-los o quanto antes, as gratificações tornaram-se milionárias.
A companhia explica no blog oficial que o concurso anual dedicado aos hackers é uma forma de testar a confiabilidade do Chrome. Para comprovar o erro detectado, o Google exige que o vencedor apresente o bug em detalhes para a equipe de segurança. Desse modo, é possível a correção dos erros e a melhoria da segurança nas futuras versões.
Eduardo Moreira
No techtudo
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Crivella e o preconceito religioso da Globo

Saiu no Globo, na pág. 4, a propósito da posse de Marcelo Crivella, senador pelo PRB do Rio, com 3 milhões e 300 mil votos, no Ministério da Pesca:
“Um culto no Palácio do Planalto”
“Ao assumir a Pesca, Crivella faz discurso religioso e plateia responde ‘Glória a Deus’ “
“Uma posse com jeito de culto”, dizem as repórteres Isabel Braga e Catarina Castro.
“Por alguns momentos o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, agiu como se estivesse pregando num templo, durante a solenidade em que assumiu o cargo de ministro da Pesca e Aquicultura, no Palácio do Planalto. Houve várias menções a Deus, inclusive para justificar o fato de não ter muita experiência em assuntos relacionado à pesca. Na plateia, foram ouvidas respostas de “Glória a Deus”. Crivella também citou pensamentos do bispo fundador da Igreja Universal, seu tio Edir Macedo.
Crivella encerrou o discurso com uma oração em que pede a Deus que dê sabedoria e discernimento aos colaboradores e funcionários da pasta que comandará, para que não ocorram deslizes éticos. Poucos deputados e senadores da bancada evangélica, no entanto, compareceram à posse. O grupo não se sente representado por Crivella.
Na frente da presidente Dilma Rousseff, Crivella admitiu seu desconhecimento da área e pediu a Deus que lhe oriente na gestão da pasta.
- Muitas vezes Deus não escolhe os mais qualificados, mas, sempre, Deus qualifica os escolhidos (…) Peço a Deus que a vontade do espírito produza a nova missão, que possa ocorrer entre nós o milagre da benção maravilhosa que Jesus realizou (…). Que Deus nos ajude, que nas nossas represas, nas águas do nosso mar os peixes se multipliquem e cheguem às mesas de todos os brasileiros, sobretudo os mais pobres – rezou Crivella, finalizando:
- Peço também que o Senhor nos conceda a todos nós, colaboradores e funcionários do Ministério da Pesca e da Aquicultura, boa vontade, idealismo, sabedoria e discernimento para que continue não ocorrendo em nosso ministério qualquer deslize desses que desunem o povo e faz o cidadão de bem sentir vergonha de ser brasileiro. Por isso, humildemente peço, me ajude, meu Deus!
E se o Crivella fosse Católico e da Opus Dei?
Ele poderia citar o Papa, Torquemada?
E quando o Cerra virou coroinha e passou a frequentar Nossa Senhora da Aparecida?
O Bispo de Guarulhos, pode?
E quando Cerra rezou com os evangélicos de Foz do Iguaçu?
Aí, pode?
Cadê o Manual da Globo?
O problema não é a Isabel, como não são a Catarina nem o Heraldo.
O problema é a Globo e seus Ratzinger.
É aí que reside o perigo, não é isso, Ministro Bernardo?
Paulo Henrique Amorim

No Conversa Afiada
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Andrade Gutierrez diz ter garantias para o Beira Rio

Construtora anunciou dispor das garantias necessárias para obter o financiamento para a reforma do estádio do Internacional, em Porto Alegre, escolhido para sediar a Copa de 2014; Beira Rio corria risco de ficar de fora da competição
A construtora Andrade Gutierrez anunciou dispor das garantias necessárias para obter o financiamento para a reforma do estádio Beira-Rio, do Internacional, em Porto Alegre. Quando os recursos, próximos de R$ 200 milhões, estiverem assegurados, a empresa deve iniciar a obra. Durante a semana, o Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul), repassador da linha de crédito do BNDES, havia recusado duas propostas da construtora por entender que as garantias eram insuficientes.
O primeiro sinal de que o impasse será resolvido foi dado pelo governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), no final da manhã desta sexta-feira, quando revelou ter recebido ligação de um sócio da Andrade Gutierrez, Sérgio Andrade, na qual o empresário assegurou que o estádio vai ficar pronto para que a Copa do Mundo de 2014 seja realizada e que as garantias formais serão apresentadas ao Banrisul.
À tarde, a empresa emitiu nota na qual afirma que "identificou os mecanismos financeiros adequados para o Plano de Garantias perante o BNDES e os agentes financeiros repassadores dos recursos ProCopa". O texto também ressalta que "estas garantias formais, necessárias para o projeto de reforma e modernização do Beira-Rio, asseguram a execução das obras em tempo hábil para que o estádio sedie jogos da Copa do Mundo de 2014, entregando à torcida colorada, a todo o povo gaúcho e a todos os brasileiros que se encantam com o futebol um projeto digno de seus anseios e expectativas".
Ao final, anuncia que "em breve será definida e informada a data de assinatura do contrato com o Sport Club Internacional, bem como o cronograma de obras". O Banrisul não comentou a manifestação da empresa alegando não ter recebido novas propostas.
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Lula é internado em São Paulo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a ser internado neste domingo no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Ele teve uma infecção pulmonar de leve intensidade, de acordo com boletim médico divulgado pela instituição.
Lula apresentava febre baixa e, conforme o hospital, está sendo medicado com antibióticos. O ex-presidente deverá permanecer internado nos próximos dias.
No Esquerdopata
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Acharam o áudio do grampo? Não era o Protógenes!

Dr Corrêa, Dr Corrêa, que feio, Dr Corrêa ...

Com um grampo sem áudio da Veja, Gilmar Dantas e Nelson Johnbim deram um Golpe de Mestre: demitiram Protógenes Queiroz da Satiagraha, removeram Paulo Lacerda para Lisboa e deram alforria ao banqueiro apanhado no ato de passar bola, Daniel Dantas, flagrado no ato do suborno em vídeo exibido pelo jornal nacional.
Salvaram mais do que Dantas.
Salvaram o pescoço da Privataria Tucana.
Por algum tempo, apenas, porque o Amaury contou tudo.
Será por isso que o Luiz Fernando Correa, o diretor geral da PF que substituiu Lacerda e passou a perseguir Protógenes, tinha tanta dificuldade para achar o áudio do grampo?
Porque, se achasse, macularia supremas reputações?
Viva o Brasil!
Nem Al Capone!
Paulo Henrique Amorim
No Conversa Afiada
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Charge online - Bessinha - # 1078

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O bicheiro, o senador e o grampo falso da Veja

A revelação das relações entre o senador Demóstenes Torres e o bicheiro Carlinhos Cachoeira reabre as feridas da Operação Satiagraha e do grampo falso plantado pela revista Veja para reavivar a CPI do Grampo e matar as investigações.
Na série "O Caso de Veja", que escrevi em 2008, um dos capítulos tem por título "O araponga e o repórter" (clique aqui).
Nele, se mostram as relações incestuosas entre Carlinhos Cachoeira e a sucursal brasiliense da revista. Coube a Carlinhos indicar o araponga que, contratado pelo chefe de uma das gangues que dominava os Correios, em aliança com o repórter da revista, deflagrou o escândalo da propina dos R$ 3 mil. O escândalo derrubou o esquema comandado pelo deputado Roberto Jefferson, permitindo a retomada do controle das negociatas pelos parceiros de Carlinhos. Tempos depois, a Policia Federal deflagrou a operação que desarticulou a quadrilha e a revista não deu uma linha sobre o ocorrido.
A cumplicidade era total. O araponga grampeava, o jornalista analisava se o grampo estava bom ou não. Depois, dava um tempo para que, de posse do grampo, o sujeito que contratou o araponga pudesse agir.
Tem-se, portanto, a ligação entre os grampos da revista e Carlinhos Cachoeira.
Tem-se, também, Demóstenes Torres se prestando ao grampo armado, naquela conversa com o presidente do STF Gilmar Mendes. O arquivo de som jamais apareceu para não revelar as fontes. A atuação de Demóstenes no grampo parece com a de uma senhora que, sabendo de antemão que será filmada, trata de vestir sua melhor roupa. A conversa é estudada e consagradora para Demóstenes, que se apresenta como um senador defensor dos bons costumes. É o primeiro caso de grampo a favor da vítima.
Agora, aparecem as relações entre Demóstenes e Carlinhos Cachoeira.
É mais um capítulo sobre as relações terríveis entre crime organizado, jogo político e mídia.
No caso do grampo, houve a tentativa (bem sucedida) de envolver a mais alta instância do Poder Judiciário.
Luis Nassif
No Advivo
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Os juízes condenam as vítimas

Gravura do Livro dos Abraços
O Sistema 1
Eduardo Galeano, Livro dos Abraços
Os funcionários não funcionam
Os políticos falam mas não dizem
Os votantes votam mas não escolhem
Os meios de informação desinformam
Os centros de ensino ensinam a ignorar
Os juízes condenam as vítimas
Os militares estão em guerra contra seus compatriotas
Os policiais não combatem os crimes, porque estão ocupados cometendo-os
As bancarrotas são socializadas, os lucros são privatizados
O dinheiro é mais livre que as pessoas
As pessoas estão a serviço das coisas.

No Gerivaldo Neiva - Juiz de Direito
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Ex-chefão da Veja dançou novamente

O sítio Comunique-se deu em primeira mão uma notícia que desperta muita curiosidades na mídia nativa:
* * *
Exclusivo: 
Ex-Veja, Mario Sabino deixa a CDN após duas semanas
Anderson Scardoelli
O jornalista Mario Sabino não é mais vice-presidente associado da agência de notícias CDN. Redator-chefe da revista Veja até o fim do ano passado, o profissional ingressou na assessoria no dia 14 de fevereiro. A saída dele foi comunicada aos funcionários da empresa em e-mail disparado na manhã desta quinta-feira, 1°. Sabino permaneceu como executivo da CDN por 17 dias.
* * *
Especulações sobre a queda
O que houve com o jornalista, que durante oito anos foi o todo-poderoso redator-chefe da revista Veja? Até hoje não foi bem explicada a sua saída da publicação da famiglia Civita. Agora, ele fica apenas 17 dias na Companhia de Notícias, uma das maiores agências de assessoria de imprensa e relações públicas do país. Qual o motivo desta meteórica passagem?
Mario Sabino caiu no ostracismo? Ele, que já teve tanto poder na mídia, não apita mais nada? Há muita especulação a respeito. Alguns argumentam que ele é uma figura intragável, que só sabe mandar – seu único “amigo” seria o pitbull Reinaldo Azevedo. Outros dizem que ele, com sua fanática militância de direita, poderia prejudicar os lucrativos negócios da CDN.
O “assassino de reputações”
Por enquanto, são apenas especulações. O que se sabe é que Mario Sabino foi um dos responsáveis pela degradação acelerada da mídia nativa. Como redator-chefe da revista Veja, ele protagonizou alguns dos piores momentos da imprensa – como a tentativa de invasão do quarto do ex-ministro José Dirceu num hotel de Brasília, no ano passado, que terminou na delegacia da polícia.
Luis Nassif, que conhece bem a figura, não vacila em afirmar que Mario Sabino é um oportunista a serviço da direita nativa. Ele sempre foi um homem de confiança do ex-governador José Serra e ficou famoso por promover o “assassinato de reputações”. Por isto, ele colecionou tantos desafetos, seja na redação da própria Veja, entre os jornalistas e entre as vitimas de suas calúnias.
No jornalismo, nenhum personagem contemporâneo exprimiu de forma tão explícita esse binômio mediocridade-inveja quanto o ex-diretor de Veja. Nos diversos órgãos de imprensa pelos quais passou, ele se notabilizou pelo ódio intestino, malcheiroso, destrutivo, contra qualquer centelha de talento que passasse por seus olhos”, afirma Luis Nassif.
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O candidato da UDN

Indagação. Quando foi que a máscara caiu?
Foto Fábio Braga/Folhapress
Há dez anos a mídia apresentava José Serra, candidato à Presidência da República pelo PSDB, como cidadão “preparado”. À época, meus dedutivos botões esclareceram que, segundo editorialistas, colunistas, articulistas, todos os demais candidatos eram “despreparados”, a começar, obviamente, por Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-operário metido a sebo. Dez anos depois, o cenário do quartel de Abrantes não mudou.
Os jornalões paulistas vivem em êxtase diante da decisão de José Serra de concorrer à prefeitura de São Paulo.
Parece, até, que o nosso herói se tornou ainda mais “preparado”, o próprio diz representar uma visão distinta do Brasil e da política que convém ao País, em defesa da democracia e da fé republicana, ameaçadas pelo petismo no poder. Na corte tucana, não falta quem denuncie o projeto “chavista” posto em prática pelo partido de Lula e Dilma. Deste, Chávez é o profeta. Palmas febris dos jornalões.
Qualquer partido que atue sobre esta nossa medíocre bola de argila a girar em torno do Sol visa ao poder para manter-se nele quanto mais puder. Talvez Serra tenha esquecido que, ao eleger Fernando Henrique Cardoso, o tucanato urdia o plano de permanecer na cúspide da pirâmide, a contemplar a nação do alto, pelo menos por 20 anos. Temo, porém, que o candidato tenha esquecido coisas mais. Evitarei o pieguismo de evocar as crenças que o moviam na juventude. Refiro-me, simplesmente, ao senso do real.
Hóspede da minha cozinha, há dez anos Serra mostrou-se preparado a consumir risotto ai funghi da lavra do acima assinado, tivesse mais espaço, eu declinaria a receita. De todo modo, o convidado apreciou, enquanto afirmava que em matéria de política social, se eleito, seria muito mais ousado do que Lula. Illo tempore considerava-o um amigo. Tenho motivos para entender que não perdoou a opção de CartaCapital pela candidatura do ex-operário. Salvo raríssimas exceções, os jornalistas nativos e seus patrões estavam com Serra. Como neste exato instante.
Certos apoios custam caro. Não sei, porém, se a observação no caso faz sentido. Há tempo, Serra soube insinuar-se nas graças dos patrões, em primeiro lugar destes antes que dos jornalistas. Melhor ser amigo do rei. A esta altura, admito que uma afinação perfeita se instalou entre o político e quem agora o promove, em função, precisamente, de uma invejável harmonia de ideias e propósitos. Trata-se, tudo indica, de uma convergência natural, de um acerto espontâneo. Diria mesmo fatal porque inescapável.
Serra, não menos que o mundo mineral, está em condições de registrar o óbvio: a mídia nativa representa o reacionarismo mais retrógrado e preconceituoso. Não triunfam ali os mais genuínos valores democráticos e republicanos, Serra sabe disso. E então, o que o leva a se colocar à direita da direita? Pelos atalhos da vida, às vezes os homens enterram o seu passado, honroso ou não, em nome de interesses contingentes ou de impulsos d’alma, redentores ou interesseiros.
Certo é que essa mídia a favor da treva, com extrema coerência, é preciso reconhecer, silencia, por exemplo, a respeito das denúncias do livro A Privataria Tucana, na singular certeza de que não aconteceram os fatos por ela deixados de noticiar. Os fatos, ora os fatos… No libelo do repórter Amaury Jr. há provas de mazelas vergonhosas que incriminam Serra. Vale a pena ignorá-las, contudo, a bem do privilégio na terra dos herdeiros da casa-grande. E assim queira o deus dos prepotentes e dos hipócritas.
O candidato Serra acaba de anunciar que seu sonho de Presidência da República está adormecido até 2016. Ou seja, se for prefeito, cumprirá seu mandato por completo. Fernando Henrique achava o sonho aposentado de vez, mas, já que o homem resiste, mudou de ideia. Supõe, arrisco-me a crer, que vencedor em São Paulo, o velho companheiro de tucanagens ganhará cacife para voltar à carga ao sabor do intuito supremo. Veremos o que veremos. Resta a evidência: o PSDB assumiu o papel outrora arcado pela UDN velha de guerra e José Serra figura à perfeição como seu candidato ao que bem entender.
Mino Carta
No CartaCapital
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Drogas & drogas

Eu até concordaria com a mídia ter o direito de liberdade de expressão para mentir, caluniar, omitir, ser partidária, defender seus interesses empresariais etc. Sem nenhuma responsabilidade socia ou ética. O público é que decidirá se comprará o jornal ou a revista, ou se desligará a TV e o rádio.
Os prejudicados deverão contratar um advogado e entrar com um processo contra o veículo. Coisa fácil, barata e rápida de conseguir.
Certo?
Imagem Activa
Mas só concordaria se esse mesmo critério fosse aceito e adotado para outras drogas: maconha, craque, cocaína etc. Os traficantes também teriam todo o direito e liberdade de produzir, vender e divulgar suas drogas. O público é que decidirá se comprará e usará o produto. Os prejudicados deverão contratar depois um advogado para conseguir que os traficantes paguem todos os tratamentos e prejuízos causados pelo uso. Coisa fácil, barata e rápida de conseguir.
Certo?
Ambos deformam o cérebro, alienam, baixam a auto-estima e já atuam assim.
Enquanto isso, vamos também pensar sobre o judiciário, os partidos e seus políticos?
Do Sr.Com
No Blog do Saraiva
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Nacionalizando São Paulo

Chega a ser comovente a satisfação com que alguns setores da sociedade paulista receberam a decisão de Serra de disputar as eleições este ano. Desde o dia em que fez o anúncio, estão em êxtase.
Foi nítido o aplauso de alguns veículos da grande imprensa da cidade. Editoriais e colunistas celebraram o gesto “de estadista” do ex-governador, com o entusiasmo de quem noticia um fato de importância capital para o Brasil.
Na internet, seja nos blogs da direita, seja nas manifestações “espontâneas”, viu-se um clima que misturava júbilo e animosidade. Vinha daqueles que se sentiam órfãos de uma candidatura que “enfrentasse” o “lulopetismo”. Ficaram felizes quando seu campeão se dispôs a entrar no páreo.
Serra - não fosse ele quem é - parece estar se sentindo bem no papel que lhe está sendo oferecido. Tudo que mais quer é (re)assumir o posto de “líder nacional que luta contra Lula e o PT”.
É como se o passado recente, o presente e o futuro se entrelaçassem em uma só história. Nela, 2012 é apenas uma etapa - em si desimportante - no meio do caminho entre 2010 e 2014.
No discurso em que comunicou a decisão de concorrer, foi explícito: seria candidato para, eleito, impedir, com o “peso e a importância que tem São Paulo”, o “avanço da hegemonia de uma força política no país”, assim solucionando os “dissabores que o processo democrático tem enfrentado” (seja lá o que for que chama “dissabor”).
A proclamação de que entrou na disputa para “conter o avanço do PT” foi logo recompensada. No dia seguinte, o maior jornal conservador da cidade saudou a “federalização” da eleição, dizendo que o gesto de Serra “reanima (sic) a possibilidade (...) de existência de uma alternativa ao lulopetismo no comando dos destinos nacionais”.
Para o ex-governador, rasgou seda: “José Serra cria um fato político que transcende os limites do Município”.
Enquanto prosperava essa troca de amabilidades sob a luz dos holofotes, nos desvãos da internet o tom era mais pesado, ainda que com conteúdo semelhante.
Depois de meses amuados, também os ciber-brucutus do serrismo se sentiram “reanimados” pela perspectiva de derrotar os adversários. Os radicais se alvoroçaram.
Parece perfeito: um político que se oferece para fazer aquilo que um segmento da sociedade almeja e diz o que essas pessoas querem ouvir. Serra deseja ser candidato para derrotar o “lulopetismo” e há quem torça para que a eleição de São Paulo seja isso. Qual o problema?
O problema é que nem ele, nem seus amigos veem a eleição de prefeito como um fim (mas os eleitores sim).
Ou faria sentido “enfrentar o lulopetismo” tomando conta da prefeitura? Administrando a Guarda Municipal, a merenda escolar, o transporte público? Lidando com camelôs e perueiros? Distribuindo uniformes escolares? Tentando acabar com os congestionamentos no trânsito? Construindo piscinões?
Pode haver - e há - quem queira ver sangue no embate PSDB vs. PT. A dúvida é se o ringue apropriado é uma prefeitura - mesmo a de São Paulo que é, apenas, maior que as outras.
Na hora em que a campanha levar o ex-governador ao Jardim Elba, em Sapopemba, o que ele vai dizer aos moradores? Que vai conter o “avanço do PT”? Como? Brigando com o governo federal, com Dilma e seus programas?
Ou vai fazer como em 2010, prometendo que manterá e melhorará iniciativas como o Bolsa-Família, o Prouni, o Minha Casa, Minha Vida? Que vai fazer tudo aquilo com que Fernando Haddad se comprometerá, só que com mais “competência”, pois tem mais “experiência”?
E na hora em que seu vigor anti-lulopetista arrefecer? Na hora em que voltar a ser o Serra de 2010, o “Zé que vai continuar a obra do Lula”?
Só há um jeito de Serra manter a contundência oposicionista que tanto agrada a seus amigos: convencer-se de que a eleição está perdida. Só nessa hipótese será coerente com o que esperam dele.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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Merval Pereira teme Ley de Medios

Em artigo nesta semana no jornal O Globo, Merval Pereira, o “imortal” da Academia Brasileira de Letras, voltou a demonstrar que não é tão imortal assim. Ele tem medo – lembra até a Regina Duarte. O seu maior temor na atualidade parece ser com o avanço do debate sobre a regulação da mídia na América Latina. Para ele, tudo não passa de um atentado à liberdade de imprensa.
No panfleto, ele critica os governos democraticamente eleitos na região. Ou seja: ele também tem medo da democracia, do voto popular. Hugo Chávez (Venezuela), Rafael Correa (Equador) e Cristina Kirchner (Argentina) expressariam a “tentativa de governos autoritários ou ditaduras de conter a liberdade de expressão”. Eleito no chá das cinco da ABL, o “imortal” dá lições de democracia!
Sobrou até para o cordato governo Dilma
De quebra, ele também ataca o cordato governo brasileiro. “No Brasil – uma democracia que se distancia das práticas de outros países como a Argentina, mas que está próxima politicamente de todos esses governos autoritários da região –, há tentativas de controle da liberdade de imprensa por ações propostas por setores petistas, até o momento rejeitadas por Dilma Rousseff”.
O novo “pânico” do imortal decorre de dois fatos recentes: o sigilo sobre a doença de Hugo Chávez e o “perdão” de Rafael Correa aos serviçais do jornal golpista “El Universo”, condenados por calúnia. Para o colunista da famiglia Marinho, estes fatos revelam a carência de democracia. Ele até ligou para “amigos” em Miami para obter informações sobre a saúde do presidente venezuelano.
O “imortal” esqueceu a Colômbia
O interessante é que o artigo, tão preocupado com a liberdade de expressão, não fala nada sobre a Colômbia, país recordista em assassinatos de jornalistas na América Latina. Também não cita o México, onde virou moda o sumiço de blogueiros. Isto confirma que o “imortal” Merval Pereira tem medo apenas dos governos mais à esquerda. Ele adora os governos de direita!
Altamiro Borges
No Blog do Miro
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Charge online - Bessinha - # 1077

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Rede Globo mente, cotidianamente

Fotografia exibida pelo jornal nacional, da rede globo.
Acabei de ler um post sobre uma reportagem do jornal nacional. O assunto me interessou e assisti ao vídeo sobre as descobertas arqueológicas na região do cais do porto, no Rio de Janeiro. A matéria é curta, porém tem uma flagrante mentira, embora esta aparentemente tenha sido usada exclusivamente para dar uma face humana aos restos mortais encontrados. Porém muito cuidado com o texto da emissora a respeito de uma imagem. Pode não ser o que ela está dizendo.
Estas crianças na fotografia foram mostradas como vítimas da escravidão que chegaram ao Brasil em um navio negreiro. Sim, elas estiveram a bordo de uma dessas abominações flutuantes, mas foram resgatadas. Eram 95. Este registro é do dia 1 de novembro de 1868, no HMS Daphne, no litoral oriental da África. Este navio foi utilizado para evitar que mercadores árabes continuassem traficando escravos naquela região. Aliás o mesmo que os britânicos faziam nessa época, no Oceano Atlântico, contra os brasileiros e portugueses destruidores da dignidade humana em seu comércio repugnante.
Como eu sei isto? Já tinha visto uma gravura com esta mesma imagem. Como não sabemos tudo precisamos nos precaver. Numa reportagem não basta o que/quem, como, quando, onde e por quê. O principal é avaliar a quem interessa.
Não podemos confiar no que dizem. O que vemos se transforma no querem que vejamos. O impacto da visão e o sentimento resultante são manipulados pelo texto do apresentador. A imprensa, seja a privada ou a pública, tem um único objetivo: induzir-nos a acreditar que o seu produto é a verdade. Pode se utilizar de uma fraude aparentemente inocente como esta ou nos impingir uma gigantesca mentira.
Gravura sobre foto original de George L. Sullivan nationalarchives.gov.uk
Crianças africanas resgatadas de um navio negreiro
Jair Nogueira Rebolla
No Vermelhos Não
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