2 de mar de 2012

Gilmar a e justiça que não funciona

Ministro que já detonou a independência do juiz detona agora seu trabalho

Gilmar Dantas Mendes
Reagindo à proposta de extinção do foro privilegiado, que volta à baila, após reportagem sobre a longa tramitação dos processos de competência originária nas Cortes Superiores, o ministro Gilmar Mendes soltou outra de suas pérolas: “a primeira instância não funciona”.
Alguns anos atrás, Gilmar já havia se insurgido contra o “independentismo” dos juízes, porque, afinal de contas, já existe o STF para tomar as decisões...
Na primeira instância, por exemplo, o médico Roger Abdelmassih foi condenado a mais de duzentos anos de reclusão por dezenas de crimes sexuais.
Houve defesa, oitiva de várias vítimas, testemunhas, alegações das partes e sentença. Nada disso importa quando Gilmar Mendes, em férias forenses, aprecia liminar em um Habeas Corpus que fora rejeitado no Tribunal de Justiça de São Paulo, no Superior Tribunal de Justiça e, posteriormente o seria, no próprio STF, para conceder a liberdade provisória ao réu – até hoje foragido por causa dela.
A primeira instância de fato não funciona – não tanto quanto as suas liminares no recesso.
Juízes não deveriam decidir com independência, supõe Gilmar – mas sempre seguir a jurisprudência, especialmente a do STF.
Quando veio o Plano Collor e suas incontáveis inconstitucionalidades, os juízes que quisessem esperar a posição do STF, ficariam com processos parados por mais de duas décadas.
O Supremo simplesmente se negou a decidir a questão que as primeiras instâncias tomaram para si, com decisões posteriormente confirmadas nos tribunais.
Para quem se especializou em ser o advogado do poder, de fato, a independência não ajuda nada.
A falta de regulação dos planos de saúde e das inúmeras objeções que frequentemente fazem para internação e custeio de seus conveniados, já teriam deixado um sem-número de pacientes sem tratamento, quem sabe se não mortos, não fosse a rebeldia de alguns juízes “independentistas” dessa primeira instância que não funciona. Não para quem só pensa em privilégios do poder.
E a união estável, que hoje tem estatura constitucional, também nasceu de decisões de juízes da ineficaz primeira instância, quando ainda não havia qualquer lei de proteção à chamada “concubina”.
Os juízes superaram o moralismo vigente na lei e forte na jurisprudência. Quanto tempo demoraria se fossem depender da provocação do STF?
Para reconhecer o absurdo da inconstitucionalidade da Lei dos Crimes Hediondos, por exemplo, o Supremo, em composições com a presença de Gilmar Mendes, demorou apenas 15 anos.
O STF reconheceu recentemente a união homoafetiva, depois de inúmeras decisões das instâncias inferiores.
Os juízes da primeira instância, pelos mesmos fundamentos, ou seja, o prestígio à isonomia, já estão permitindo o casamento gay.
Não vão esperar outros 15 anos para dizer o direito a quem lhes procura. Nem a justiça que não funciona está disposta a esperar tanto tempo.
Marcelo Semer
No Sem Juízo
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No Conversa Afiada
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O falso equilíbrio da fórmula do “outro lado”

A preocupação em ouvir os dois lados de um problema levou o jornalismo contemporâneo a desenvolver uma fórmula que passou a ser aplicada mecanicamente, gerando uma falsa impressão de equilíbrio e de isenção. Esta tendência começa a ser revertida a partir da revisão dos códigos de ética e dos manuais de redação de alguns jornais e emissoras de rádio, como é o caso da emissora pública norte-americana National Public Radio (NPR) .
A automatização da fórmula “fulano disse, sicrano disse” surgiu naturalmente em função da aceleração do ritmo industrial de produção de notícias e reportagens em jornais, revistas, emissoras de rádio e TV, bem como nos sites de notícias na internet. Mas essa falsa impressão de equilíbrio editorial se mostra cada vez mais defasada em relação à realidade informativa na qual o jornalismo é um componente-chave.
A fórmula foi criada para atender à preocupação em dar os dois lados de um tema transformado em notícia, tratando-o de forma imparcial. Ela fazia parte de um contexto onde os manuais de redação e códigos de ética estavam mais preocupados em proteger os jornalistas das acusações de conduta tendenciosa do que em propor normas para buscar o esclarecimento dos fatos.
O uso de uma declaração contra e outra a favor para transmitir a percepção de imparcialidade na notícia tornou-se ineficaz na medida em que a realidade foi se revelando mais complexa do que a visão simplista do bom ou mau, do verdadeiro ou falso, do justo ou injusto. O jornalismo começou a ter que lidar com contextos cada vez mais polarizados por percepções diversificadas, nos quais há uma dificuldade crescente para encaixar as declarações de entrevistados tanto na categoria "a favor" como na categoria "contra".
Mas a força do hábito e a rotina industrial impedem a maior parte das redações de constatar essa mudança em curso no ambiente onde se movem os profissionais. Daí a relevância dos projetos de mudança dos manuais de redação e de códigos de ética em que a abordagem dicotômica da ecologia informativa é substituída por uma preocupação mais centrada na visão de que o esclarecimento dos fatos implica mais do que uma mera preocupação em identificar quem está contra e quem está a favor.
Basta ver num telejornal atual como as notícias, especialmente as políticas, contemplam declarações telegráficas de um lado e do outro para preencher o requisito da isenção, mas a percepção de equilibro não resiste à mais rápida e superficial análise dos contextos tanto dos entrevistados como do problema em foco. É possível construir uma noticia perfeitamente tendenciosa ouvindo os dois lados.
O jornalista tem como se defender de qualquer acusação de favorecimento, mas os leitores e principalmente os protagonistas diretos dos fatos e eventos abordados na notícia sabem que a realidade é bem diferente.
A formula do “fulano disse, sicrano disse” está se transformando num recurso caricatural na medida em que as sofisticadas técnicas desenvolvidas pelos publicitários, marqueteiros e especialistas em comunicação empresarial atropelaram a postura muitas vezes ingênua dos jornalistas diante de experts treinados na manipulação das percepções.
A complexidade crescente da nova realidade informativa, em tese, obrigaria os jornalistas a “desmontar” tudo o que ouvem ou vêem para identificar até onde vai o interesse do entrevistado ou protagonista, e o que corresponde à realidade. Mas isso se choca com a velocidade da produção jornalística e passa a ser uma preocupação geralmente sacrificada em nome da pressa e da exclusividade.
Um fato relevante no novo manual elaborado pela NPR é que ele dá menos destaque à defesa contra acusações de parcialidade informativa e aumenta a ênfase na preocupação com a diversidade de enfoques numa investigação jornalística. Procura também repor o eixo da atividade noticiosa no leitor e não no profissional, revertendo uma distorção desenvolvida ao longo dos anos em que as redações se preocuparam mais em cumprir agendas do que com o leitor, telespectador, ouvinte ou visitante de site noticioso.
O abandono do “fulano disse, sicrano disse” não será rápido e nem fácil porque é uma fórmula antiga, entranhada nos hábitos dos profissionais e principalmente porque exigirá uma mudança de perspectivas e valores. Não é fácil deixar de ver o mundo como dividido apenas entre os bons e os maus, para aceitar que entre um extremo e outro há posições intermediárias e cada uma delas tem seu contexto específico.
Carlos Castilho
No Observatório da Imprensa
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Charge online - Bessinha - # 1075

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Quem são os lobos da Igreja?

Bertone. O secretário de Estado do Vaticano
está no epicentro das intrigas.
Foto: Andreas Solaro / AFP
A revelação de documentos secretos do Vaticano reavivou o escândalo do “VatiLeaks”, como foi batizado o inédito vazamento de informações sigilosas que desde janeiro causa alvoroço na Santa Sé. O jornal italiano Il Fatto Quotidiano voltou a publicar cartas assinadas por cardeais, a desnudar uma insidiosa disputa pelo controle do Instituto Giuseppe Toniolo.
A instituição controla a Universidade Católica do Sagrado Coração, maior rede privada de ensino da Europa, e a famosa Policlínica Gemelli, onde o papa João Paulo II esteve internado diversas vezes.
A crise começou quando uma tevê divulgou, no início do ano, cartas do arcebispo Carlo Maria Viganò, ex-vice-governador da cidade do Vaticano e atual núncio apostólico nos EUA. Destinadas ao secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, e ao próprio papa Bento XVI, as cartas revelam que Viganò foi afastado após denunciar uma suposta rede de corrupção na Igreja.
Outros vazamentos dizem respeito ao Banco do Vaticano, que prometeu dar transparência às suas ações para se adequar às regras da União Europeia, mas estaria, na prática, apagando os rastros de seu passado de escândalos, como o que resultou na quebra do Banco Ambrosiano há 30 anos.
O incômodo é tamanho que o jornal oficial do Vaticano, num texto sobre o 30º aniversário da chegada a Roma do cardeal Joseph Ratzinger, atual papa Bento XVI, denunciou o “comportamento irresponsável e indigno” contra o pontífice, que “não será parado por lobos”. Só não ficou claro se o editorial do L’Osservatore Romano se referia aos autores do vazamento ou aos cardeais que travam a intestina disputa de poder no Vaticano.
No CartaCapital
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Aposentadoria de servidores públicos: benesse de marajá?

Engraçado como a imprensa em geral aborda essa questão da aposentadoria dos servidores públicos.
Faz um paralelo entre duas pessoas – uma da iniciativa privada e um servidor público – que ganham R$ 26.900,00 e opta por “simplificar a questão” dizendo que o primeiro vai se aposentar com R$ 4.300,00 (teto da Previdência Social) e o segundo vai se aposentar com os mesmos R$ 26.900,00 da ativa. Revoltante não?
Não diz de forma clara que o servidor paga um preço altíssimo para essa “benesse”. Não diz que este servidor, pra se aposentar com o salário de R$ 26.900,00, pagará à sua previdência durante 35 anos de serviço, R$ 3.000,00 todo mês, enquanto que o da iniciativa privada que ganha os mesmos R$ 26.900,00, paga míseros R$ 340,00.
Caso esse “detalhe” fosse dito de forma clara não haveria a revolta da sociedade, a benesse seria vista como ela de fato é: um tratamento diferente a quem contribui diferente por toda a vida profissional. Mas ao invés do falar de forma clara, a imprensa (quando muito), fala, de forma repartida e diminuindo o volume da voz, que o servidor “contribui com 11%”.
Ora, a maioria da população não é treinada para decifrar charadas! Quantos dos ouvintes raciocinarão que 11% de R$ 26.900,00 é mesmo R$ 2.959,00? E que isso se dá todo mês?
É o triunfo da meia-verdade! É querer dizer que servidor público é tudo igual: grandes oportunistas do cargo que ocupam.
E ainda põe o camarada da iniciativa privada dizendo que gostaria de manter o seu padrão na aposentadoria, dando, triunfante, a palavra final.
Ora, ele pode sim manter o padrão! Tem a opção. Basta fazer o plano de aposentadoria complementar e entregar a um banco mais R$ 2.500,00 todo mês pra, depois de 35 anos (R$ 30.000,00 por ano; R$ 1,05 milhão em 35 anos), manter o seu padrão. Mas... será que ele quer? Será que está disposto a abrir mão do presente, das viagens para a Europa com a família, pra investir num futuro seguro?
O servidor, ao contrário, não tem esta opção. Ao ingressar num cargo de R$ 26.900,00 não poderá optar por descontar apenas R$ 340,00 por mês e arcar com a aposentadoria baixa. Terá que contribuir compulsoriamente com R$ 2.959,00 por mês. Passará os 35 anos de serviço temendo o golpe final – alguém dizer a ele que é igual a todo mundo e que por isso terá que se aposentar ganhando R$ 4.300,00.
Francamente. Eu esperava isso de diversos setores da imprensa, deixei de ser assinante de Veja de forma definitiva justamente por causa dessas verdades de conveniência. Mas ouvir isso no Jornal Nacional, esperando até o final que fosse dita toda a verdade e não a ouvindo, por uns momentos me faz acreditar que a imprensa é realmente toda igual. Um bando de oportunistas da função que exercem, pois adoram falar meias-verdades."
Nicomedes Lopes do Rego Filho, servidor público concursado do estado de Pernambuco, empossado aos 20 anos de idade (somente se aposentará com 58 anos, portanto contribuirá 38 anos) e desconta não 11%, mas sim 13,5% todo mês.
Com a dica de Itárcio José de Sousa Ferreira
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Vozes do passado, desafios do presente

Os militares que assinaram manifesto de insubmissão ao governo parecem perdidos no passado, mas também presos ao passado se encontram algumas personalidades políticas civis. Os oficiais da reserva, que acompanham os presidentes dos clubes das três armas, não podem contestar a autoridade do Ministro Celso Amorim. Ele tem toda a legitimidade constitucional para exercer o cargo em sua plenitude. Foi nomeado por uma presidente, eleita pelos cidadãos brasileiros, não só para a chefia de governo, mas, principalmente, como Chefe de Estado. Mesmo que não pertençam mais aos quadros da ativa, os militares estão sujeitos ao dever de obediência ao comandante supremo das Forças Armadas, e esse comandante é Dilma Roussef. Sua autoridade é a de todo o povo brasileiro, conforme o sistema republicano que a Constituição Federal consagra.
É hora de entender-se uma coisa singela: os militares não são os tutores políticos e ideológicos da nação. Eles são servidores do povo, e servidores com uma responsabilidade ainda maior, decorrente, mesmo, da grandeza de sua missão. Ao ingressar nas academias militares e alistar-se nos exércitos de terra, mar e ar, os jovens se comprometem a defender o país e suas instituições. Infelizmente esse compromisso foi violado em tempos passados.
A nação reagiu contra o regime militar de 1964. A partir de paciente trabalho em favor da democracia, que envolveu civis e militares, foi possível a transição de 1985 e a nova Carta Política de 1988.
Tratou-se, sim – e não nos envergonhemos, de um lado e de outro – de exaustivas e pacientes conversações, discretas ou públicas, que levaram à anistia recíproca, em 1979, como o primeiro passo para o retorno ao estado de direito. O ato de 1979 levou à restauração das eleições diretas para os governos dos Estados, em 1982, com a vitória da oposição nos mais importantes deles. A partir de então – e isso é História – Tancredo Neves pôde conduzir o processo, tecendo, com habilidade, a aliança política que atraía para o centro os setores mais lúcidos da esquerda e das forças conservadoras. Ele mesmo, em mais de um discurso, deixara claro que não se pretendia a construção de um movimento que fosse governar para sempre. Tratava-se de construir um governo de conciliação e de transição: quando o país se estabilizasse politicamente, com nova constituição, cada um dos grupos políticos da aliança, com suas idéias e convicções, buscaria seu próprio curso.
A oposição, embora tivesse a plena consciência de que não cometera qualquer crime, mas, apenas, exercera o sagrado direito da resistência, anuiu na solução política de que a anistia consistiria no esquecimento dos atos de violência cometidos dos dois lados. As negociações políticas se exercem no campo da possibilidade. O propósito era o de fechar um capítulo penoso da História e dar oportunidade para a conciliação, como, de resto, outros capítulos difíceis haviam sido fechados com o mesmo tirocínio, no passado, desde as insurreições do século 19, com as anistias concedidas por sugestão do maior chefe militar do Império, o Duque de Caxias.
Vale a pena, para entender as razões políticas do pacto que se estabeleceu, ler o item 17, do parecer que o futuro Ministro do STF, José Paulo Sepúlveda Pertence redigiu, em nome da Ordem dos Advogados do Brasil, sobre a lei de anistia proposta pelo Governo:
“Nem a repulsa que nos merece a tortura impede reconhecer que toda amplitude que for emprestada ao esquecimento desse período negro de nossa História poderá contribuir para o desarmamento geral, desejável como passo adiante no caminho da democracia”. O Brasil não se podia dar o luxo de viver em sobressaltos institucionais em cada geração, como vinha ocorrendo em nossa história republicana.
A lei da anistia, examinada e aprovada pelo Congresso Nacional, pode não ter sido a melhor para nenhuma das partes, no momento em que foi promulgada. Tratou-se de um pacto, e nos pactos, cada um dos pactuantes perde, para que todos ganhem. Nós estávamos construindo a paz, e a paz tem os seus custos. É melhor que esses custos tenham sido e continuem sendo políticos. O Supremo Tribunal Federal, como o guardião da nossa Carta Política, confirmou, pçor 7 votos a 2, a constitucionalidade da anistia, ao aprovar o voto do relator da Adin proposta pela OAB, o Ministro Eros Grau. Grau se lembrou que a anistia de 1979 fora aprovada pela mesma OAB, que vinha refutá-la em abril de 2010.
Há, e respeitemos as suas razões, quem pretenda revogar uma lei, resultado de compromisso político nacional, negociado por quem tinha o poder de fato, por um lado, e o poder político, do outro. As pessoas, atingidas pela repressão, diretamente, ou em seus familiares e amigos, têm, em seu sofrimento, o direito sagrado de exigir a punição dos culpados, diretos ou indiretos, pela tortura e a morte das vítimas. Mas o Estado, em sua perenidade como organização política das sociedades nacionais, não tem, nem pode ter, emoções. As ideologias e doutrinas se alternam nos sistemas republicanos, mas a república deve ser, em si mesma, uma realidade blindada contra as paixões.
Sendo assim, embora as organizações sociais e partidos políticos possam, dentro das liberdades civis de um país democrático, pedir a revogação de uma ou outra lei, os servidores do Estado, que participem da mesma opinião, estão obrigados ao obsequioso silêncio. Eles acompanham, em seus deveres, o juramento prestado pelo Chefe de Estado, que é o de cumprir e fazer cumprir a Constituição e as leis.
Alega-se que outros países – e, no caso, o exemplo maior é o da Argentina – já revogaram leis semelhantes, mas temos que examinar as nossas próprias razões e interesses. Desde a Independência, mesmo com os embates sangrentos internos, nós sempre nos orientamos pela idéia de que o papel da política é o de construir a paz, e que – para lembrar uma frase de Tancredo – a lei deve ser a organização social da liberdade. Foi com o propósito de assegurar a liberdade permanente do povo brasileiro que se negociou a anistia. Tampouco podemos admitir a interferência da OEA – a mesma OEA que bem conhecemos – e de órgãos secundários da ONU, em nossos assuntos internos. A OEA, como todos sabemos, autorizou a invasão de países latino-americanos soberanos, a serviço de Washington, e a ONU autorizou a invasão do Iraque pelos Estados Unidos. Assim como repudiamos a intervenção desses organismos internacionais em outros países, com razões muito mais fortes, não admitimos que venham impor suas decisões contra a soberania nacional. E mesmo que houvesse todas as razões para essa interferência – o que não é o caso – não podemos admitir a violação do princípio da auto-determinação dos povos. Quando admitimos essa violação por um bom motivo – e repetimos, não é o caso – temos que admiti-la sob qualquer pretexto.
Reabrir um confronto entre militares e civis, que se fechou com os entendimentos de há 33 anos, é um erro que, nesta fase de turbulência histórica no mundo, não nos podemos permitir. Permiti-lo será enfraquecer-nos no momento em que devemos reunir todos os esforços a fim de garantir a soberania nacional, diante da escancarada cobiça externa sobre os nossos imensos recursos, naturais e humanos. Mordendo os próprios dentes dentro dos lábios fechados, temos que pensar nisso, e ver o Brasil para além de nosso efêmero tempo de vida.
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Charge online - Bessinha - # 1074

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The City of Samba

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General, a verdade só machuca quem mente

Os nossos chefes militares, de quem só se pode louvar o comportamento que têm tido de respeito às instituições democráticas, sabem, pela experiência que têm com a disciplina e a hierarquia que, quando se deixa passar a pequena transgressão, vêm outra e outra e outra, sempre maiores.
Resolveu-se, há dias, sem apelo aos regulamentos militares, pelo diálogo, uma nota mal-posta dos dirigentes dos clubes militares. Muito bem, melhor sempre a conversa que a ordem.
Mas, na instituição militar mais fortemente que nas civis, é preciso ordem.
A manifestação do general da reverva Luiz Eduardo Rocha Paiva no jornal O Globo, hoje, vai além de uma simples expressão de opinião. É um desrespeito não apenas a uma decisão legislativa mas, também, à própria figura da presidenta da República, sua comandante-em-chefe.
Mais: constitui-se num incitamento a que militares da ativa se insurjam contra ambas, à medida em que diz que os que não manifestarem insatisfação “não são dignos de serem chefes”.
O general chama de “parcial e maniqueísta” uma comissão que sequer se instalou e nem ainda funciona. Como poderia ser parcial ou maniqueísta?
E chega, vejam, a dizer sobre Wladimir Herzog: “quem disse que ele foi morto pelos agentes do Estado?”
Com todo o respeito: teriam sido marcianos, general?
A Comissão da Verdade é, exatamente, contra este tipo de encobrimento, que ainda hoje nega às familias o direito de enterrar seus mortos, como se lê na entrevista de Eliane Paiva, filha do ex-deputado Rubens Paiva, outro a quem o general vilipendia com uma postura eivada de cinismo.
O General Paiva prestou um imenso desserviço às Forças Armadas. Não é contra elas, nem contra seus integrantes, a Comissão da Verdade.
O general leva, com este comportamento, seus chefes à dura e desagradável decisão de puni-lo, nos moldes do regulamento que ele conhece e que a reserva não deixa de obrigar a respeitar.
Talvez, até, seja esse seu objetivo: o de “chamar a punição” para fazer-se de vítima da “intransigência” da esquerda.
O general não é vítima. Vitima é quem é tratado com deboche por ele: os mortos da ditadura, a lei civil legítima e as autoridades a quem ele deve obendiência.
Fernando Brito
No Tijolaço
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Serra: "O Brasil chama Estados Unidos do Brasil'.


I-n-a-c-r-e-d-i-t-á-v-e-l!
Em entrevista ao jornalista Boris 'Gari' Casoy, ontem à noite na Band, o eterno candidato tucano a qualquer cargo José Serra diz que o Brasil se chama Estados Unidos do Brasil e se surpreende ao ser corrigido por Casoy: - Mudou?
Sim, Serra, desde 1967 o Brasil é República Federativa do Brasil.
No Blog do Mello
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Andrade Gutierrez e Banrisul: um caso Ford ao contrário

O Rio Grande do Sul assiste hoje a uma novela repleta de suspense, intrigas e acusações. A empreiteira Andrade Gutierrez é a protagonista central da trama que tem a Copa do Mundo de 2014 como pano de fundo. Não demorou muito para que alguns espectadores dessa novela estabelecessem comparações com outra que marcou época no Estado, a novela Ford. Nos últimos dias, algumas notas mais ou menos tímidas em jornais e na internet falaram do medo do governador Tarso Genro reviver a novela Ford se a Andrade Gutierrez não iniciar logo a reforma do estádio Beira Rio. A comparação é curiosa e irônica sob vários aspectos. A considerar o tom da cobertura midiática dos últimos dias e a narrativa oficial dominante sobre aquele episódio trata-se, na verdade, de um caso Ford ao contrário, ao menos na percepção predominante sobre o caso.
O governo Olívio Dutra foi duramente criticado por não ter aceitado os termos do acordo que teria sido feito pela Ford com seu antecessor, Antonio Britto. Olívio e o PT acabaram carimbados com a acusação de ter “mandado a Ford embora”, para a Bahia, para ser mais preciso. Agora, aparecem vozes dizendo que, mais uma vez, um governo do PT vai mandar um empreendimento embora, no caso, a Copa do Mundo de 2014. A comparação é esdrúxula, obviamente, pois se trata de duas situações completamente distintas, desde a natureza do negócio envolvido, passando pelos personagens e chegando as respectivas responsabilidades do setor público e da empresa envolvida. Mas, paradoxalmente, essa comparação esdrúxula tem um aspecto didático, inclusive para refletir sobre o caso Ford.
A desastrada nota da Andrade Gutierrez acusando o Banrisul pelo atraso na retomada das obras no Beira Rio mexeu com os brios do povo gaúcho, a começar pelos de sua mídia que passaram 24 horas por dia, nos últimos dias, destacando a gravidade da atitude da empreiteira e elogiando a atitude da direção do Banrisul que se nega a conceder um empréstimos sem as garantias bancárias consideradas adequadas. E eis que de repente, não mais do que repente, vários de nossos bravos comunicadores descobrem que grandes empresas capitalistas têm uma predileção por correr poucos riscos e usar o máximo de dinheiro público. Mas, alguém poderá se perguntar, o caso Ford não tinha algo a ver com isso: riscos (poucos) privados, dinheiro (muito) público?
Como assim, uma grande empresa querer fazer um grande negócio com dinheiro público? Com o nosso dinheiro? Assim até eu sou empresário…Essas são algumas das declarações que se repetem nos últimos dias em vários meios de comunicação. E a direção do Banrisul é saudada, com justiça e correção, pelo seu zelo com o dinheiro público. O mesmo Banrisul que, naquele período onde se começou a discutir a vinda da Ford para o Estado, foi incluído na lista das privatizações.
De repente descobrimos que é bom termos um banco público e dirigentes que zelam pela coisa pública; e que é ruim termos grandes corporações querendo maximizar lucros minimizando riscos e usando recursos públicos para tentar atingir esse objetivo. Agora, que redescobriram a importância do interesse público, nossa valorosa mídia poderia dar um passo adiante e dedicar um pouco de atenção aos milhares de portoalegrenses que já estão sendo afetados pelas obras da Copa e que permanecem quase que completamente invisíveis nos noticiários diários. E permanecem invisíveis por conta da mesma lógica que anima a obsessão pelo lucro máximo com o risco mínimo.
A atitude da Andrade Gutierrez não é um ponto fora da reta. Alavancar negócios privados com recursos públicos, correndo o mínimo risco possível, é uma das molas mestras do nosso capitalismo. A empreiteira só deu azar. Montou sua estratégia e divulgou sua nota no lugar errado e na hora errada. Fosse alguns anos atrás, aqui no Rio Grande do Sul, poderia ter encontrado um Banrisul privatizado e governantes menos contaminados por esse ranço do interesse público.
Marcos Weissheimer
No RS Urgente
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Como 'O Globo' desinforma

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