28 de fev de 2012

Governo e Mídia nos EUA agem para silenciar os críticos

“Em 2010, o FBI invadiu a casa de ativistas pela paz em vários estados e apreendeu bens pessoais, no que chamou de “investigação de atividades relacionadas com o apoio ao terrorismo” (e tendo orquestrado falsos “grupos terroristas”).
Os que protestavam contra a guerra foram intimados a depor perante um júri, enquanto a acusação fabricava o argumento de que a oposição às guerras de agressão de Washington representa apoiar e encobrir terroristas. O objetivo dessas buscas e intimações era refrear e desmobilizar o movimento antiguerra.
Na semana passada, de uma assentada, os últimos dois críticos do imperialismo de Washington/Tel Aviv foram eliminados dos grandes meios de comunicação social. O popular programa de Andrew Napolitano, “Freedom Watch”, foi cancelado pelo canal Fox, e Pat Buchanan foi despedido da MSNBC. Ambos especialistas tinham muitos espectadores e eram apreciados por falarem com franqueza.
Muitos suspeitam de que Israel usou a sua influência junto dos anunciantes da TV para silenciar os que criticam os esforços do governo israelita para levar Washington para a guerra com o Irã.
A questão é que a voz dos grandes meios de comunicação é agora uniforme. Os norte-americanos ouvem uma voz, uma mensagem, e a mensagem é propaganda. A dissidência é tolerada apenas em assuntos como, por exemplo, saber se os cuidados de saúde a cargo dos empregadores deverão incluir contraceptivos. Os direitos constitucionais foram substituídos por direitos a preservativos grátis.
Os média [mídia] ocidentais demonizam aqueles a quem Washington aponta o dedo. As mentiras chovem para justificar a agressão de Washington: os Talibãs são misturados com a Al-Qaeda, Sadam Hussein tem armas de destruição massiva, Kadhafi é um terrorista e, ainda pior, dava Viagra aos seus soldados para que violassem as mulheres líbias.
O Presidente Obama e membros do Congresso, ao lado de Tel Aviv, continuam a afirmar que o Irã constroi uma arma nuclear, apesar de terem sido publicamente desmentidos pelo Secretário de Estado da Defesa dos EUA, Leon Panetta, e pelo relatório dos Serviços Secretos da CIA. De acordo com relatórios noticiosos, o chefe do Pentágono, Leon Panetta, disse aos membros da Câmara dos Representantes, em 16 de fevereiro, que “Teerã não tomou uma decisão quanto a prosseguir com o desenvolvimento de uma arma nuclear”.
No entanto, em Washington, os fatos não contam. Apenas os interesses materiais de poderosos grupos de interesse têm importância.
Neste momento, o “ministério da verdade [1] norte-americano divide o seu tempo entre mentiras relativas ao Irã e à Síria. Houve, recentemente, algumas explosões na longínqua Tailândia e o Irã foi responsabilizado por isso. Em outubro passado, o FBI anunciou a descoberta de uma conspiração iraniana para pagar a um vendedor de carros usados mexicano que teria contratado traficantes de droga mexicanos para matar o embaixador da Arábia Saudita nos EUA.
O imbecil que falava pela Casa Branca afirmou acreditar nessa inacreditável “conspiração” e declarou ter “fortes evidências”, mas nenhuma foi divulgada. O objetivo do anúncio dessa conspiração foi justificar as sanções de Obama, que representam um embargo (um ato de guerra) contra o Irã pelo desenvolvimento de energia atômica.
Como um dos signatários do Tratado de Não-proliferação Nuclear, o Irã tem o direito de desenvolver energia nuclear. Os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) estão, permanentemente, no Irã e nunca reportaram qualquer desvio de material nuclear para um programa de armas.
Por outras palavras, de acordo com os relatórios da AIEA, o relatório dos Serviços Secretos e o atual Secretário de Estado da Defesa, não há evidência de que o Irã tenha armas nucleares ou de que esteja a fabricá-las. No entanto, Obama impôs sanções ao Irã quando a própria CIA e o seu próprio Secretário de Estado da Defesa, em simultâneo com a AIEA, reportaram que não existe base para as sanções.
A ideia de que os EUA são uma democracia, não tendo, em absoluto, uma imprensa que funcione como um observador atento, é risível. Mas os média [da mídia] não estão a rir. Estão mentindo. Tal como o Governo, cada vez que os grandes meios de comunicação abrem a boca ou escrevem uma palavra, estão a mentir. De fato, os grandes senhores corporativos pagam aos seus empregados para mentir. É esse o seu trabalho. Se disserem a verdade, passam à história, como foi o caso de Buchanan e Napolitano e Helen Thomas.
Rebelde sírio
O “ministério da verdade” chama “manifestantes pacíficos brutalizados pelo exército de Assad” ao que são, na verdade, rebeldes armados e financiados por Washington. Washington fomentou uma guerra civil. Reclama a intenção de “salvar o povo sírio, vítima de opressão e maus-tratos de Assad”, tanto quanto “salvou o povo Líbio, vítima de opressão e maus-tratos de Kadhafi”. Hoje, a Líbia “libertada” é uma imagem do seu passado, aterrorizada por milícias em confronto. Graças a Obama, mais um país foi destruído.
Os relatórios de atrocidades cometidas contra civis sírios pelo exército poderão ser verdadeiros, mas provêm dos rebeldes que querem a intervenção do Ocidente para subirem ao poder. Além disso, em que diferem essas baixas civis das infligidas à civis no Bahrein pelo seu governo, apoiado pelos EUA, e cujo exército foi reforçado com tropas da Arábia Saudita? Não se ouvem protestos na imprensa ocidental quando Washington fecha os olhos às atrocidades cometidas pelos seus estados fantoches.
Em que diferem as atrocidades sírias, se forem reais, das atrocidades de Washington no Afeganistão, no Iraque, no Paquistão, no Iêmen, na Líbia, na Somália, em Abu Ghraib, na prisão de Guantánamo, e em prisões secretas da CIA? Porque se mantém o “ministério da verdade” norte-americano em silêncio em relação a essas violações massivas dos direitos humanos e sem precedentes?
Recordem-se, também, os relatórios das atrocidades sérvias no Kosovo que Washington e a Alemanha usaram para justificar o bombardeamento de civis sérvios pela NATO e EUA, incluindo o consulado chinês, considerado outro dano colateral.
Treze anos mais tarde, um destacado programa de TV alemão revelou que as fotografias que despoletaram a campanha de atrocidades “foram mal interpretadas” e “não eram fotografias de atrocidades cometidas por sérvios”, mas de “separatistas albaneses mortos num tiroteio entre albaneses e sérvios”. As baixas sérvias não foram reveladas.
O problema no conhecimento da verdade é que os ocidentais da mídia mentem continuamente. Nas raras instâncias em que as mentiras são corrigidas, isso acontece sempre muito depois dos acontecimentos terem tido lugar e, portanto, os crimes permitidos pela mídia já estão consumados.
Washington pôs a Síria em causa perante os seus fantoches da Liga Árabe, com o objetivo de isolar perante os seus congêneres, para melhor poder atacá-la. Assad evitou que Washington pusesse a Síria no caminho da destruição quando marcou um referendo nacional por uma nova constituição que possa alargar a perspectiva de poder para além do Partido Baath (o partido de Assad).[O referendo foi realizado ontem, 26].
Poderíamos pensar que, se Washington e o seu ministério da verdade realmente quisessem a democracia na Síria, Washington apoiaria esse gesto de boa vontade por parte do partido do poder e aprovaria o referendo. Mas Washington não quer um estado democrático. Quer um estado fantoche.
A sua resposta é de que o covarde Assad enganou Washington dando passos em direção à democracia na Síria antes que Washington conseguisse esmagá-la e instalar um fantoche. Eis a resposta de Obama às medidas de Assad pela democracia: “É na verdade risível; é gozar com a revolução síria”, disse o porta-voz da Casa Branca Jay Carney a bordo do “Air Force One”.
Obama, os neoconservadores e Tel Aviv estão realmente contrariados. Se Washington e Tel Aviv conseguirem descobrir como contornar a Rússia e a China e derrubar Assad, irão julgá-lo como criminoso de guerra por propor um referendo democrático.
Bashar al-Assad
Assad era oftalmologista na Inglaterra até que o seu pai morreu e ele foi chamado para chefiar o conturbado governo sírio. Washington e Tel Aviv demonizaram Assad por recusar ser seu fantoche.
Outro ponto nevrálgico é a base naval russa em Tartus. Em Washington, estão desesperados para expulsar os russos da sua única base no Mediterrâneo, para fazer deste um lago norte-americano. Washington, inculcada com visões neoconservadoras de domínio mundial, quer o seu próprio mare nostrum [2].
base naval russa em Tartus
Se a União Soviética ainda existisse, os planos de Washington para Tartus seriam suicidas. Mas a Rússia é política e militarmente mais fraca que a União Soviética. Washington infiltrou-se na Rússia com organizações não-governamentais que trabalham contra os interesses da Rússia e irão perturbar as próximas eleições. Além disso, as “revoluções coloridas[3] financiadas por Washington fizeram, do que eram partes da antiga União Soviética, estados fantoches de Washington. Washington não espera que a Rússia, esvaziada de ideologia comunista, prima o botão nuclear. Desse modo, a Rússia está lá para tirar proveito.
A China representa um problema mais difícil. O plano de Washington é cortar-lhe o acesso a fontes independentes de energia. O investimento chinês em petróleo no leste da Líbia é a razão pela qual Kadhafi foi derrubado e o petróleo é uma das razões fundamentais por que Washington aponta agora para o Irã. A China tem grandes investimentos em petróleo no Irã e vai buscar 20% do seu petróleo no Irã. Vedar-lhe esse acesso, ou converter o Irã num estado fantoche de Washington, ameaça 20% da economia chinesa.
A Rússia e a China levam tempo a aprender. No entanto, quando Washington e os seus fantoches na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) fizeram um uso abusivo da resolução da Organizações das Nações Unidas (ONU) relativamente à zona de exclusão área na Líbia, infringindo-a e transformando-a numa agressão militar contra as forças armadas líbias, que tinham todo o direito de reprimir uma rebelião apoiada pela CIA, a Rússia e a China finalmente perceberam que não podem confiar em Washington.
Desta vez, a Rússia e a China não caíram na armadilha de Washington. O seu veto no Conselho de Segurança da ONU impediu ataque militar à Síria. Agora, Washington e Tel Aviv (entre esses dois, nem sempre é claro quem é o fantoche e quem o manipula) têm de decidir se irão prosseguir, face à oposição russa e chinesa.
Os riscos para Washington multiplicaram-se. Se Washington prosseguir, a mensagem que é transmitida à Rússia e à China é que, a seguir ao Irã, chegará a sua vez. Portanto, a Rússia e a China, ambas dispondo de armas nucleares, provavelmente irão pôr o pé na linha traçada sobre o Irã. Se os loucos militaristas em Washington e Tel Aviv, com a fúria arrogante que lhes corre forte nas veias, ignorarem a oposição russa e chinesa, o risco de confronto perigoso aumenta.
Por que razão os da mídia norte-americana não questionam esses riscos? Vale a pena rebentar o planeta para impedir o Irã de ter um programa de energia nuclear ou mesmo uma arma nuclear? Pensará Washington que a China ignora que aquela [estratégia dos EUA] aponta para as suas fontes de energia? Pensará que a Rússia ignora que está a ser cercada de bases militares hostis?
Que interesses estão sendo servidos pelas guerras infinitas de Washington, que custam tantos trilhões de dólares? Certamente, não os interesses de 50 milhões de norte-americanos que não têm acesso a cuidados de saúde, nem as 1.500.000 crianças sem abrigo, que vivem em carros, quartos de motéis abandonados, cidades de acampamentos e coletores de águas dos temporais no subsolo de Las Vegas, enquanto enormes somas de dinheiros públicos são usados para resgatar bancos e esbanjados em guerras pela hegemonia mundial.
Os EUA não têm imprensa e televisão independentes. Tem prostitutas midiáticas [4] pagas pelas mentiras que proferem. O Governo dos EUA, na prossecução dos seus fins imorais, obteve o estatuto do governo mais corrupto da história da humanidade. E, no entanto, Obama discursa como se Washington fosse a fonte da moral do homem.
O Governo dos EUA não representa os norte-americanos, representa uns poucos interesses especiais e um poder estrangeiro [Israel]. Os cidadãos dos EUA não contam, e certamente não contam os do Afeganistão, Iraque, Líbia, Somália, Iêmen e Paquistão. Washington encara a verdade, a justiça e a misericórdia como valores risíveis. O dinheiro, o poder, a hegemonia, são tudo o que conta para Washington, a cidade sobre a colina, a luz das nações, o exemplo para o mundo.”
NOTAS DA TRADUÇÃO:
[1] Trata-se de um dos ministérios do governo imaginado por George Orwell em 1984, que se ocupa de fabricar a verdade histórica conforme as conveniências políticas do momento.
[2] Os Romanos chamavam Mare Nostrum ao Mediterrâneo.
[3]Revoluções coloridas”: muitos meios de comunicação social têm assim designado uma série de manifestações políticas no que foi território da URSS, depois CEI, supostamente contra governos e líderes “tiranos”, acusados de serem “ditadores” etc., desde começos da década de 2000.
[4] No original: “presstitutes”
FONTE: escrito por Paul Craig Roberts, estadunidense, economista e cronista. Já foi editor e colunista do “Wall Street Journal”. Transcrito no site português “O Diário.Info” e no portal “Vermelho”  (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=176512&id_secao=9). [Título, imagens do Google e trechos entre colchetes adicionados pelo blog ‘democracia&política’].
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O retorno da política

Em abril, a Europa será palco de duas importantes eleições: o primeiro turno da eleição presidencial francesa e a eleição legislativa na Grécia. Ambas ocorrerão sob o signo do agravamento da crise socioeconômica na zona do euro e do esgotamento de modelos liberais de governo.
A França, sob Nicolas Sarkozy, iniciou um dos mais impressionantes processos, na sua história recente, de desmonte do serviço público, de restrição orçamentária e de redução de impostos para ricos.
Sarkozy havia prometido "aumentar o poder de compra das famílias", diminuir o desemprego por meio da flexibilização do trabalho e colocar a economia francesa em rota de crescimento.
Nada disso foi feito. Em seu lugar, o governo francês divertia-se em expulsar ciganos e criar o Ministério da Imigração e Identidade Nacional, enquanto inúmeros estudos da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) demonstravam a importância da imigração como motor de sustentação da economia europeia.
A situação política francesa parecia o pior dos mundos. Enquanto Sarkozy e François Hollande, candidato do PS (Partido Socialista), digladiam-se na conquista do primeiro lugar, cresce o inacreditável. O FN (Front National), um partido xenófobo, racista, representante da pior tradição da extrema-direita europeia, chegou à casa dos 20%. Não é difícil compreender que, quando o medo torna-se o afeto político central, a extrema-direita sempre capitaliza.
Mas não deixa de ser interessante um movimento político que muitos julgavam impossível. Uma coalizão de agrupamentos de esquerda conseguiu lançar um candidato com densidade eleitoral, Jean-Luc Mélénchon (foto), que chega a 10% das intenções de voto. Um partido à esquerda do PS com dois dígitos de intenção de voto é algo que não ocorre na França desde 1981.
Sem medo de chamar de gato a um gato e de estigmatizar as derivas racistas e isolacionistas da extrema-direita, Mélénchon conseguiu empurrar para a defensiva um partido que cresceu moldando impunemente a pauta do debate político e se colocando como defensor das classes baixas contra o "cosmopolitismo" dos burocratas de Bruxelas.
Em um impressionante debate na TV entre os dois representantes do extremo político, a candidata do FN, Marine Le Pen, preferiu ler ostensivamente jornais diante das câmeras a responder às acusações do candidato da esquerda.
Isso demonstra como vale a pena relembrar uma frase visionária de Jean Baudrillard: "Melhor morrer pelos extremos do que pelas extremidades". Em momentos de grave crise, deixar que o discurso da ruptura seja monopolizado pela extrema-direita é fazer prova de suicídio político.
Vladimir Safatle
No Folha
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Charge online - Bessinha - # 1070

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Merval, o Imortal, Pereira imita Diogo Mainardi e canta derrota do PT como certa

A imagem aqui ao lado é uma reprodução do site da CBN do comentarista Merval Pereira: "Candidatura de José Serra tira a perspectiva de derrota do PSDB" - é o que ele diz.
Como em eleição não pode haver empate, se sai a perspectiva de derrota resta apenas a de vitória. Vale dizer: a entrada de Serra na disputa acaba com as chances dos demais candidatos. E (assim nos ensinou Aristóteles) como Haddad é candidato, logo, Haddad já perdeu a eleição.
Portanto, tratemos de poupar dinheiro de campanha, o saco do eleitor com o horário eleitoral no rádio e na TV, e vamos sentar logo Serra na cadeira de prefeito, assim como fez Fernando Henrique Cardoso numa disputa com Jânio... quer dizer, acho que o exemplo não é muito feliz.
Merval Pereira - talvez por ser um Imortal - fez a afirmação de modo oblíquo, para proteger sua imortalidade. Não foi direto ao ponto, como o fugitivo ex-cronista da Veja Diogo Mainardi, que escreveu, em dezembro de 2005, 10 meses antes das eleições presidenciais:
"Como a eleição já está decidida, com a derrota de Lula..." [clique aqui e confira]
Mainardi estava errado e Lula se reelegeu em 2006. E Merval, o Imortal neo-Mainardi, o homem da metástase do câncer de Chávez, que pode não ser, pode ser?
As urnas dirão.
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Quatro capitais concentram mais de 40% da capacidade de hospedagem no país

A rede de hospedagem das 27 capitais brasileiras contava, em 2011, com 5.036 estabelecimentos, que possuíam 250.284 unidades habitacionais (suítes, aptos, quartos, chalés) e capacidade total de 373.673 leitos. Os estabelecimentos da rede de hospedagem eram, na sua maioria, hotéis (52,1%), tinham em média 50 unidades e 74 leitos por estabelecimento. São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Belo Horizonte lideravam os serviços de hospedagem, concentrando 40,7% do total de estabelecimentos, 45,8% das unidades e 43,0% dos leitos disponíveis nas capitais do país. Embora o maior percentual de hotéis (37,6%) pertença à categoria econômico, 23,2% de toda a rede apresentam padrão inferior de conforto/qualidade dos serviços (categoria simples).Os estabelecimentos declararam que apenas 1,3% de suas unidades são adaptadas para pessoas com necessidades especiais, destacando-se, em número de unidades adaptadas, São Paulo, Rio de Janeiro, Natal, Brasília e Maceió. Estes são alguns dos resultados da Pesquisa de Serviços de Hospedagem (PSH 2011), realizada pelo IBGE em parceria com o Ministério do Turismo, com o objetivo de conhecer a infra-estrutura de hospedagem no país, e que está disponível no site http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/comercioeservico/psh/2011/default.shtm.
Com 972 estabelecimentos (19,3%), a pesquisa mostra que São Paulo possui a maior rede de serviços de hospedagem do país, com 54.065 unidades habitacionais (21,6% do total), e 73.488 leitos (19,7%). Em seguida, vem o Rio de Janeiro, com 429 estabelecimentos (8,5%), 31.594 unidades habitacionais (12,6%) e 45.416 leitos (12,2%). Salvador, com 358 estabelecimentos (7,1%), e Belo Horizonte (5,8%), com 291 estabelecimentos, completam o ranking das quatro capitais com maior participação na capacidade de hospedagem dos municípios das capitais brasileiras.
De acordo com a pesquisa, Salvador possui 15.666 (6,3%) unidades habitacionais, com 22.366 leitos disponíveis (6,0%), enquanto Belo Horizonte conta com 13.353 unidades (5,3%) e 19.031 leitos (5,1%). Outras capitais também se destacam com uma participação expressiva: Fortaleza, com 280 estabelecimentos (5,6%), 12.188 unidades habitacionais (4,9%) e 19.745 leitos (5,3%); Florianópolis, com 254 estabelecimentos (5,0%), 10.098 unidades habitacionais (4,0%) e 20.060 leitos (5,4%); Curitiba, com 242 estabelecimentos (4,8%), 12.780 unidades habitacionais (5,1%) e 19.083 leitos (5,1%) e Brasília, com 222 estabelecimentos (4,4%), 11.980 unidades habitacionais (4,8%), 19.216 leitos (5,1%).
Três capitais da região Norte, de acordo com a pesquisa, possuem as menores redes de hospedagem do país: Boa Vista, com apenas 32 estabelecimentos de hospedagem (0,6%), 1.077 unidades habitacionais (0,4%) e 1.726 leitos (0,5%); Rio Branco, com 36 estabelecimentos (0,7%), 1.231 unidades (0,5%) e 2.047 leitos (0,5%); e Macapá, com 41 estabelecimentos (0,8%), 1.247 unidades (0,5%) e 1.584 leitos (0,4%).
Albergues turísticos representam apenas 1,9% da rede de hospedagem
A rede de hospedagem das capitais totaliza 5.036 estabelecimentos e é constituída, predominantemente, por hotéis (inclusive hotéis históricos, resorts e hotéis-fazenda), que respondem por 52,1% do total (2.627 hotéis). O segundo tipo de estabelecimento mais comum são os motéis (1.184), com 23,5%, seguidos pelas pousadas (714), com 14,2%. Têm menor expressividade apart-hotéis/flats, com 4,2%, pensões de hospedagem (inclusive estabelecimentos do tipo cama e café ou pousadas domiciliares), com 3,1%, e albergues turísticos, com 1,9%. No grupo outros, campings, dormitórios e hospedarias totalizam, apenas, 1,0%.
A pesquisa revelou que, entre as capitais, Brasília possui a maior proporção de hotéis (67,1%), seguida por Curitiba (62,4%), São Paulo (59,1%) e Rio de Janeiro (58,3%). A distribuição revela que a maior concentração de motéis encontra-se em Fortaleza (39,3%), seguido de Belo Horizonte (34,0%) e Porto Alegre (32,1%.) Já o maior percentual de pousadas, entre as capitais, encontra-se em Florianópolis (40,2%), e nas principais capitais da região Nordeste, com destaque para Natal (30,2%), Salvador (26,0%), e Fortaleza (21,4%).
Em números absolutos, São Paulo (574) e Rio de Janeiro (250) são as capitais onde há maior quantidade de hotéis. Boa Vista (16) e Rio Branco (20) registram o menor número desses estabelecimentos. Quanto a motéis, São Paulo (264) lidera o ranking, seguido por Fortaleza, onde há 110 motéis, e Belo Horizonte (99). A capital onde funciona o maior número de pousadas é Florianópolis, com 102 estabelecimentos desse tipo, seguida por Salvador (93 pousadas).
Cerca de 23% da rede tem padrão inferior de conforto/qualidade dos serviços
Os estabelecimentos de hospedagem pesquisados pelo IBGE informaram, na pesquisa, o padrão de conforto em que se enquadram, considerando-se decoração, mobiliários, aparelhos, instalações sociais e esportivas e atendimento.
Na categoria luxo, estão enquadrados, apenas, 3,5% dos estabelecimentos. A categoria superior ou muito confortável responde por 11,0%, enquanto os estabelecimentos considerados turísticos/ médio conforto representam 24,7% do total da rede. O maior percentual de estabelecimentos (37,6%) pertence à categoria econômico. No último grupo, com 23,2%, estão reunidos os estabelecimentos simples.
Embora São Paulo registre o maior quantitativo de estabelecimentos na categoria luxo e na categoria superior/muito confortável (143 nas duas categorias), Rio de Janeiro possui, em termos relativos, a maior proporção desses estabelecimentos na sua rede de hospedagem (23,5%), seguido de Curitiba (21,1%), Porto Alegre (21,0%) e Natal (19,8%).
 
Dentre as capitais que registram maior proporção de estabelecimentos com categoria turístico/médio conforto, destaca-se Florianópolis (50,0%). Em termos absolutos, nessa categoria, lidera São Paulo (155 estabelecimentos), seguido por Florianópolis (127) e Salvador (106). Possuem a maior rede de estabelecimentos, na categoria econômico, São Paulo (359), Rio de Janeiro (133), Fortaleza (121), Salvador (115) e Belo Horizonte (105). Cerca de metade da rede nessa categoria, nas 27 capitais, é integrada por hotéis (975), seguido por motéis (515) e pousadas (288).
Em números absolutos, os estabelecimentos com padrões inferiores de conforto (categoria simples e econômica) nas capitais totalizam 3.064, sendo 1.446 hotéis, 831 motéis, 459 pousadas, 153 pensões de hospedagem, 94 albergues turísticos, apenas 35 apart-hotéis/flats, e 46 de outros tipos. Dentre o total desses estabelecimentos da categoria simples, 315 estão localizados em São Paulo, seguido por Salvador (101), Rio de Janeiro (90) e Belo Horizonte (87). Em termos percentuais, têm maior representatividade, nas categorias econômicos e simples, São Paulo (69,3%), Belo Horizonte (66,0%) e Fortaleza (60,7%).
Rio de Janeiro possui maior média de unidades habitacionais por estabelecimento
Em relação ao porte, os estabelecimentos de hospedagem dos municípios das capitais registraram uma média de 50 unidades habitacionais (suítes, apartamentos, quartos, chalés) por estabelecimento. Com maior média de unidades por estabelecimento, destacam-se o Rio de Janeiro, com a média de 74 unidades, seguido por São Paulo (56), e Brasília, Natal e Porto Alegre, cujas redes possuem em média 54 unidades por estabelecimento cada uma. Com uma média de 106 leitos por estabelecimento, Rio de Janeiro também lidera este indicador, cuja média entre as capitais é de 74 leitos por estabelecimento.
A capacidade média de hospedagem (considerando leitos simples e duplos), nas capitais, é de 110 hóspedes por estabelecimento, destacando-se Rio de Janeiro (157), seguido de Natal (140) e Brasília (123). Ou seja, a capacidade total de hospedagem, nas capitais, é de 554.227 hóspedes.
A pesquisa indica, ainda, que 27,3% do total de estabelecimentos possuem até 19 unidades, 21,0%, entre 20 e 29 unidades, 23,1% entre 30 e 49 unidades e 28,6% com 50 ou mais unidades. A maior proporção de estabelecimentos com mais de 50 unidades habitacionais está no Rio de Janeiro (50,0% do total da rede de hospedagem do município), sendo 18,0% com 100 ou mais unidades e 32,0% com 50 a 99 unidades. Seguem-se Curitiba, com 37,6% com 50 ou mais unidades habitacionais, e Porto Alegre, com 34,2%.
Os estabelecimentos de menor porte (com até 19 unidades habitacionais) estão mais concentrados em Florianópolis (43,6%), Brasília (32,8%) e nas principais capitais da região Nordeste, destacando-se Fortaleza (34,2%), Salvador (32,2%) e Natal (29,7%). Os estabelecimentos situados na faixa intermediária de 20 a 49 unidades habitacionais são mais representativos em São Paulo (49,6% de sua rede de hospedagem), Fortaleza (46,4%) e Belo Horizonte (45,8%).
A pesquisa revelou que apenas 1,3% das 250.284 unidades habitacionais são adaptadas para pessoas com necessidades especiais. Em termos absolutos, São Paulo (511 unidades) e Rio de Janeiro (272 unidades) são as capitais com maior número de unidades adaptadas, seguidas por Natal (237), Brasília (220) e Maceió (219). Macapá, com 14 unidades adaptadas, Boa Vista (15) e Vitória (26) são as capitais com menor número de unidades adaptadas. Percentualmente, possuem os maiores percentuais em termos de unidades adaptadas Maceió (3,4%), Teresina (2,8%), Porto Velho e Aracaju (ambas com 2,5%).
No IBGE
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Veja Não Presta

Veja pertence há Reckitt Benckiser, que faz testes em animais então troque o Veja pelo Ypê!!! Ypê não reliza testes em animais!!!!!!!!
Veja não presta nem na versão líquida nem na impressa.
No Blog do Amoral Nato
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O mais grave atentado à dignidade humana já visto no Brasil

Conheça a história de Marcus Mariano da Silva. O mecânico, que tinha o mesmo nome de um criminoso, foi confundido e passou dezenove anos na cadeia, por engano.
O caso, considerado o mais grave atentado à violação humana já visto no Brasil, chegou ao Superior Tribunal de Justiça.
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O banho de cerveja de Merkel

A Crise Econômica também tem humor, o garçom realizou o sonho de quase todos os famintos e desempregados da Europa, pena que o banho de cerveja não limpe os pensamentos malignos e os planos de mais miséria de Frau Merkel.
Porém Merkel deu um banho mesmo foi no Bundestag ontem ao aprovar oficialmente o aporte para Grécia, uma votação massacrante de 496 a 90, fez com que o pacote de ajuda à Grécia se torne programa de governo, inclusive as pesadas cobranças de austeridade e nenhuma autonomia ao estado grego. Uma anexação “branca”, sem armas, apenas a força do dinheiro.
Merkel se torna mais forte, impõe um ritmo de governo jamais visto na Alemanha desde Hitler, o poderio local, os valores e a prosperidade alemã são usados para ditar o que deve fazer no restante da Europa. O país se reunificou de forma extremamente rápida, absorveu o leste, mas o custo interno foi alto demais.
Durante o governo Social Democrata de Schroeder se aprovou as mais duras medidas contra os trabalhadores de toda a Europa, a famigerada “Agenda 2010″, desregulamentou o mercado de trabalho, criando o chamado “mini-emprego”, que na prática é a nova modalidade de contratação, respondendo por 2/3 de todos os novos empregos. São jornadas menores, com salários aviltantes, feito por jovens ou estrangeiros, que em algumas cidades chega a pagar de 400 a 800 Euros, quando, em tese, o salário mínimo deveria ser de 1500 Euros.
Merkel “surfa” esta onda de crescimento econômico, as empresas pagando salários menores, com apoio estatal para impor aos trabalhadores piores condições, contando no restante da Europa uma situação mais dramática, faz crer que na Alemanha se vive em pleno paraíso. As hordas de estrangeiros que chegaram a Alemanha trazidas pelo desemprego geral chegou apenas no ano passado, mais 450 mil novos trabalhadores, ávidos para “conseguir o “mini-emprego”. São, em regra, trabalhadores muito qualificados que fogem da Grécia, Espanha, Portugal e até da Itália.
Duro e cruel é a nova realidade, mas que as grandes empresas e bancos lucram de forma nunca vista, uma verdadeira gangorra, de quanto pior a situação da Zona Euro, mais forte e melhor fica a Alemanha, melhor dizendo, os grandes capitalistas alemães. Merkel é a expressão melhor acabada deste “sucesso”. Veio do Leste, dura, insensível e ambiciosa, sequiosa por poder.
Parece que o banho de cerveja acaba virando a consagração assim como o banho de champanhe aos vencedores, mas não deixa de causar desconforto à poderosa Merkel.
No Arnobio Rocha - Política, Economia e Cultura
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Curitiba sempre na vanguarda

Morador de rua tem corpo queimado enquanto dormia no centro de Curitiba
Um morador de rua teve o corpo queimado no centro de Curitiba na manhã desta terça-feira (28) enquanto dormia na Praça Santos Dumont, na rua Saldanha Marinho com Ermelino de Leão. Igor Holofica, de 31 anos, teve queimaduras de segundo grau no abdome, tórax, mãos e braços e foi internado no Hospital Evangélico.
A vítima contou aos socorristas do Siate que estava dormindo, por volta das 6 horas, quando acordou com um líquido sobre o corpo, em seguida foi ateado o fogo. Ele saiu correndo desesperado com as chamas e foi ajudado por outros moradores que dormiam no mesmo local.
"Ele arrancou as calças e a blusa e ficou só de cueca gritando de dor. Foi um desespero", disse um garçom que trabalha em um restaurante em frente.
Colegas de Igor disseram que viram uns rapazes carecas saindo correndo, que pareciam skinheads. Um galão com um líquido dentro foi abandonado na praça e recolhido pela polícia.
A Delegacia de Homicídios vai investigar o caso.
A assessoria de imprensa do Hospital Evangélico informou que Igor está sendo operado e que o estado de saúde é estável.
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A newsletter da Stratfor

Essa Stratfor é um serviço de newsletter e boletins temáticos, como existem centenas nos EUA e pelo mundo afora, até em Brasilia tem três firmas com esses produtos. Os boletins estão no site deles, são notícias de conhecimento geral com a análise deles, não tem nada confidencial.
Não tem nada a ver com espionagem, serviços de inteligência, serviços secretos, KGB, MI-6, CIA, DIA, golpes de Estado, espião Cícero, Orquestra Vermelha, Kim Philby, etc
Pegam informações de jornais e conversam com jornalistas, conversam com políticos, diplomatas, nada demais, coisa corriqueira, faz parte do business deles, depois selecionam as informações, condensam, fazem sua própria análise e vendem para os subscritores. O problema desse Wikileaks é que eles pegam um baú de e-mails de qualquer lugar, jogam na rede e aí uma multidão de debiloides pelo mundo afora passa a ver conspirações de mandrakes em baixo da cama, coisas banais viram grandes operações secretas, vai explicar para os coalhadas, eles não querem saber e ainda vão achar que quem explica está tambem na trama.
André Araújo
No Advivo
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Líbia: petróleo e o sangue de 50 mil

Após um ano dos conflitos iniciados na Líbia, capitaneamos pelas nações imperialistas e executados pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o país sofre com graves denúncias de corrupção, exploração e ausência da prestação dos serviços básicos à população.
O pensador marxista, Domenico Losurdo, externou sua indignação frente a essa situação durante uma conferência, na Casa Delle Culture, em Roma.
Em cerca de cinco minutos, o professor explicou o que foi a investida à Líbia, como as nações imperialistas, representadas pela mídia mundial, manipularam, assassinaram e venderam a ideia de que derrubar o então governo seria a salvação daquele país.
No Vermelho
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Os motins que prostituem a democracia

Se os policiais tivessem interesse em se igualar ao povo, em vez de oprimi-lo, exigiriam sua própria desmilitarização.
Um movimento que põe em risco a segurança da população não pode ser apoiado incondicionalmente. Fazer greve usando colete à prova de bala é moleza. Criança como escudo é pior ainda, covardia, puro medo da democracia. Não é greve, é motim. Assim foi na Bahia.
Tentaram exportar o movimento para o Rio de Janeiro e fracassaram. Os bombeiros cariocas, que foram muito apoiados na última greve, se queimaram (com o perdão do trocadilho) ao vincular suas justas reivindicações salariais à truculência da PM baiana.
Não tenho a mínima simpatia pelo governador do RJ, Sérgio Cabral. Mas a culpa pelo autoritarismo da polícia não é dele. Remonta a um parente longínquo: o Pedro Álvares. A existência da polícia como militar é um atentado contra a democracia.
Sendo militares, eles têm que se submeter ao código militar. Quando entram para a corporação, sabem muito bem que este código diz que militar não pode fazer greve, pois é crime. Portanto, se querem poder paralisar suas atividades para reivindicar seus direitos, com a responsabilidade de não prejudicar os da população, eles têm que se desmilitarizar. Mas, claro, perderão regalias…
A quebra de hierarquia militar é outro ponto importante do debate. A “greve” no Rio teve como líder um cabo. Rui Moreira Lima, hoje major-brigadeiro, disse em entrevista a mim que uma das coisas que caracterizam um golpe é a quebra de hierarquia. Assim foi em 64. Militares legalistas, como o Moreira Lima, foram presos por golpistas de patentes inferiores.
Não quero dizer com isso que defendo uma sociedade hierarquizada. Não deveria ser assim. Não se o povo entendesse que o poder está nas mãos dele. Mas se os policiais tivessem interesse em se igualar ao povo, em vez de oprimi-lo, exigiriam sua própria desmilitarização.
Por que não quebraram a hierarquia em Pinheirinho e não se recusaram a executar as absurdas ordens superiores?! Estes seriam os meus heróis.
Alguns deles se autodenominam como “as prostitutas do sistema”. Se é assim, o que aconteceu em Pinheirinho foi putaria. Eles podem mudar isso. Podem se libertar dessa prostituição. É só exigirem a desmilitarização. Militar é treinado para cumprir ordens e, muitas vezes, para matar.
Muitos se transformam em verdadeiros bandidos de farda, com porte de arma legalizado pelo Estado. Isso sem falar naqueles cuja ânsia de “justiça pelas próprias mãos” sobe à cabeça e se transformam em Batmans.
‎É preciso pautar a unificação das polícias. Bombeiros? Em nenhum grande país do mundo, eles são militares. Mudar essa situação é progressismo, mas nenhum partido parece interessado por essa luta.
O que há é o interesse de alguns de se aproveitar do episódio. Tudo em nome da democracia. Essa, sim, prostituída por tanta gente que usa e abusa de seu nome para fazer palanque.
Ana Helena Tavares é editora do site “Quem tem medo da democracia?
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Os Estados Unidos e a intervenção na Colômbia

O reforço da intervenção militar dos EUA na Colômbia e daí ameaçar toda a região limítrofe é uma velha aspiração que Obama agora concretizou através de um acordo com o narcotraficante Álvaro Uribe…
O narco-gângster "presidente" colombiano
Desde 1998/99, setores da administração dos Estados Unidos estavam a excogitar a intervenção militar na Colômbia, a pretexto de combater o narcotráfico, que se tornara a maior fonte de financiamento da guerra de guerrilhas empreendida pelas Fuerzas Armadasde Libertación da Colômbia (FARC) e pelo Exército de Libertação Nacional (ELN),Valdomiro Montesinos, diretor do Serviço de Inteligência Nacional (SIN), do Peru, e cujo codinome na CIA era Mr. Fix, revelou a Genaro Delgado Parker, proprietário da cadeia Global Televisión, que os Estados Unidos articulavam essa intervenção e que a conferência pronunciada pelo presidente Alberto Fujimori no Colégio Interamericano de Defesa, em 4 de fevereiro de 1999, fora coordenada com os americanos, visando a apresentar ao mundo o conflito como um perigo para a sub-região. Ele igualmente anunciou aos generais peruanos que os preparativos para a invasão da Colômbia estavam em andamento e que ela se realizaria com duas divisões aerotransportadas, duas forças especiais de terra, três divisões de marinha e 2000 aviões C-45 e C-141, mobilizando cerca de 120.000 soldados.
Em um período de 45 a 60 dias, apoiados por duas divisões aerotransportadas, duas forças especiais do Exército, três divisões de marines e 200 aviões C-5 e C-141. A intervenção seria executada por tropas de outros países da América do Sul (evidentemente para poupar baixas americanas), ou seja, por uma força militar interamericana proposta, durante reunião dos chefes militares do hemisfério, no Panamá (1999), inicialmente, sem o envolvimento direto dos Estados Unidos, que lhe dariam, no entanto, suporte financeiro de US$ 1,5 bilhão, treinamento, armamentos e apoio logístico.
Em junho de 1999, perante o Comitê de Relações Exteriores do Senado americano, o general Charles E. Wilhelm, então comandante-em-chefe do Southern Command (USSOUTHCOM), confirmou que o Pentágono estava elaborando um plano de contingência para intervir no Panamá, se necessário, e invadir a Colômbia, multilateral ou unilateralmente, se as guerrilhas colombianas chegassem ao Canal do Panamá.
Também general Barry McCaffrey, diretor da National Drug Policy Control Office dos Estados Unidos, informou ao Committee on Government Reform, Subcommittee on Criminal Justice, Drug Policy, and Human Resources, em 6 de agosto de 1999, que as guerrilhas das FARC encontravam santuários no Panamá e também cruzavam as fronteiras do Equador, Venezuela e Peru, de modo que a insurgência, que fora mais um problema interno da Colômbia, estava recebendo combustível com os negócios de droga e ganhando significação para a segurança regional.
E, poucas semanas depois, viajou para a América do Sul, onde visitou o Brasil, Bolívia, Peru e Argentina e, apresentando dramaticamente a situação na Colômbia, urgiu que os quatro países empreendessem uma intervenção multinacional contra as FARC. McCaffrey ponderou que para os Estados Unidos seria "uma loucura" intervir militarmente na Colômbia, razão pela qual era necessário buscar o apoio da região para solucionar o problema.
O plano sugerido pelo general McCaffrey consistia em desencadear uma ofensiva com cinco batalhões colombianos, que Special Forces dos Estados Unidos estavam treinando e equipando, e, caso elas não conseguissem sufocar as guerrilhas, realizar a intervenção militar multilateral. O prazo para que as negociações com a FARC concluíssem um acordo era janeiro de 2000, quando Andrés Pastrana, declararia o estado de guerra interna na Colômbia, caso não alcançasse com acordo de paz, e requeria assistência dos países sul-americanos, como Peru, Equador e Brasil, cujas forças se uniriam aos cinco batalhões treinados por assessores americanos, enquanto navios de guerra dos Estados Unidos, na costa da Colômbia, sustentariam a intervenção com mísseis e ataques aéreos.
O controle da região tornava-se necessário, a fim de assegurar a exploração de petróleo, realizada por várias companhias, entre as quais, a Occidental, British Petroleum e Texas Petroleum, bem como proteger os oleodutos lá existentes, que levavam a produção dos campos de Cupiagua, Cusiana, Guaduas e Orito, e do Equador, para os portos de Coveñas e Tumaco, no Pacífico, e as guerrilhas das FARC incessantemente estavam a atacar. A Colômbia possuía vastas e inexploradas reservas de petróleo, já se tornara o 6° fornecedor dos Estados Unidos e suas exportações, somadas às do Equador e Venezuela, já superavam as do Golfo Pérsico.
O National Energy Report, de 2001, apresentado pelo Policy Development Group ressaltou que a "Colombia has become an important supplier of oil to the United States". A embaixadora dos Estados Unidos em Bogotá, Anne Patterson, declarou que a segurança do petróleo na Colômbia tornara-se a prioridade dos Estados Unidos, que estavam dispostos a proteger não apenas o oleoduto de Caño Limon - Coveñas, mas também 300 pontos críticos, pois o petróleo tornara-se "an increasing priority" na Colombia, conforme declarou Adam Isacson, analista do Center for International Policy.
Também um estudo dothink-tank conservador RAND Corporation ressaltou a importância estratégica da Colômbia importante, devido ao fato de ser um dos quatro maiores países da região, com a segunda maior população, possuir litoral em ambos os oceanos, o Pacífico e o Atlântico, ser contígua à Venezuela, bacia do Caribe, Panamá, ao Canal e à América Central, e ter algumas das maiores reservas de petróleo do hemisfério ocidental.
O combate ao narcotráfico constituía, na realidade, um objetivo secundário e a intervenção na Colômbia, prevista para o ano 2000, permitiria também aos Estados Unidos provar sua capacidade de coordenação das três novas bases, as Forward Operating Locations, ou FOLs, localizadas no Equador, Aruba-Curaçao e El Salvador, assim como experimentar novos armamentos e o desenvolvimento de novas estratégias. Essas Forward Operating Locations, ou FOLs, permitiam que os aviões americanos de reconhecimento e monitoramento tivessem acesso a aeroportos ou bases estrangeiras. As instalações dos aeroportos e bases eram de propriedade e operadas pelos países hospedeiros e nelas ficava estacionado um pequeno número de militares, de agentes do DEA (Drug Enforcement Agency), da Guarda Costeira e da alfândega para apoiar os aviões norte-americanos e coordenar comunicações e coleta de inteligência.
O propósito do presidente Bill Clinton, ao que tudo indicava, era promover a intervenção na Colômbia, no correr de 2000, o que decerto fortaleceria a posição do Partido Democrata na eleição para a presidência, razão pela qual, provavelmente, declarou que daria dois anos ao presidente Andrés Pastrana, para alcançar um acordo de paz com as FARC, e ameaçou resolver o problema a seu modo, caso as negociações de paz, iniciadas em final de 1998, fracassassem. Esse prazo de dois anos demonstrou seu intuito de ordenar a intervenção militar na Colômbia, de conformidade com o princípio estratégico então estabelecido, segundo o qual a decisão de usar a força seria ditada, primeiro e acima de tudo, pelos interesses nacionais dos EUA.
O governo de Washington, entretanto, estava dividido em duas tendências a respeito da intervenção na guerra civil da Colômbia, onde já havia 200 assessores militares norte-americanos treinando o exército na luta contra as FARC, que com 17.000 efetivos controlavam grandes zonas do Sul da Colômbia e uma zona em torno de Bogotá, enquanto o ELN, com 5.000 efetivos, dominavam o território, ao Norte, ou seja, um total de aproximadamente 40% do país.
Alguns setores temiam que a assistência militar resultasse na escalada do conflito, tal como acontecera no Vietnã, tanto que alguns analistas políticos já referiam o esmaecimento das linhas entre a campanha contra as drogas e o combate às guerrilhas como possível "Vietnamization" da política norte-americana na Colômbia.
Outros, liderados pelo general Barry McCaffrey, diretor da National Drug Policy Control Office dos EUA, pretendiam incrementar a assistência e enviar mais assessores militares, a fim de intensificar o treinamento do Exército, ou encorajar uma intervenção militar multinacional na Colômbia, executada por alguns estados da América do Sul, sem um envolvimento direto dos EUA, pelo menos no primeiro momento.
O Brasil e a Venezuela, porém, recusaram até mesmo a permitir que aviões americanos e contingentes de soldados estacionassem nos respectivos territórios para atacar as FARC na Colômbia. O Panamá igualmente se negou a apoiar a intervenção multinacional na Colômbia. A presidente Mireya Moscoso rechaçou a alegação de que o conflito com as FARC pudesse desbordar a fronteira e ameaçasse a segurança do canal. E, por sua vez, o presidente do Equador, Jamil Mahuad, criticado e desgastado por causa da cessão da base de Manta aos Estados Unidos, não se mostrou disposto a entrar em uma aventura de consequências imprevisíveis. Só o presidente da Argentina, Carlos Menem, de conformidade com a doutrina do "realismo periférico", afoitou-se em defender publicamente a intervenção militar na Colômbia e proclamou através da imprensa sua disposição de oferecer tropas para intervir na Colômbia, caso o presidente Andrés Pastrana solicitasse ajuda.
Com a administração em Washington, dividida em duas tendências e sem contar com o suporte do Brasil, Venezuela e Panamá, o plano de intervenção militar na Colômbia foi abandonado. E em 31 de agosto de 2000, em Cartagena de las Indias, anunciou o lançamento do Plano Colômbia, que previa um investimento de US$ 7,5 bilhão, em cinco anos, a pretexto de combater o narcotráfico, fomentar o desenvolvimento econômico do país e financiar culturas alternativas em substituição às plantações de coca.
Do montante de US$ 7,5 bilhões, os Estados Unidos forneceriam apenas U$1,3 bilhão (incluindo U$ 47 milhões como ajuda ao Equador), e US$ 4 bilhões seriam providos pelo Governo da Colômbia, US$ 1.9 bilhão pela Europa e algumas instituições. Essa iniciativa afigurou-se uma estratégia, visando a redesenhar o mapa da América do Sul, e vários militares entenderam que o Plano Colômbia, legitimando a presença dos militares americanos na Amazônia, representava o começo de sua internacionalização.
Luiz Alberto Moniz Bandeira foi professor visitante na Universidade de Heidelberge Universidade de Colônia (Alemanha), Universidade de Estocolmo (Suécia),Universidade Federal de Uberlândia (Brasil), Universidade de Buenos Aires eUniversidade Nacional de Córdoba (Argentina), bem como no Instituto Superior deCiências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa.
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Os assassinos do projeto social democrata europeu

A direita dos dois lados do Atlântico jamais aceitou o projeto social democrata, de um lado, ou politicamente liberal, de outro. Na realidade, também nunca teve, antes, poder político absoluto para impedi-lo ou revertê-lo. Agora, o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, na mais clara demonstração de que seu mandato é político, e não técnico, ousa decretar a necessidade da morte do projeto social democrata para salvar a produtividade europeia.
O projeto social democrata europeu foi o grande responsável pelo equilíbrio social e político da Europa ao longo dos anos de reconstrução do pós-guerra e de mais de quatro décadas de guerra fria. Hoje, sob o pretexto da crise fiscal, está sendo intencionalmente destruído pela direita política do continente que conseguiu fazer encastelar nos postos-chave da União Europeia e nos organismos multilaterais de regulação financeira verdadeiros assassinos da ordem social progressista que, mais do que várias divisões de tanques, havia sido a força de contenção do comunismo na Europa enquanto houve ameaça soviética.
Lembro-me do tempo em que Berlim Ocidental era a vitrina contra a qual a propaganda capitalista expunha as fantásticas vantagens de ordem social e econômica do Ocidente comparada com a vizinha relativamente atrasada do Leste. A despeito do fantástico progresso material norte-americano, não eram os Estados Unidos, mas os Estados sociais democratas, trabalhistas ou socialistas europeus que se apresentavam como modelos de sociedade em face do regime soviético. A agressividade intrínseca da sociedade americana, com seu ritmo exacerbado de competição, não era algo a ser emulado. A Suécia generosa, sim.
É todo esse edifício social democrata que vemos agora ser demolido pela direita que assumiu e detém o poder nos Estados principais da Comunidade Europeia. Politicamente, jamais se viu algo parecido antes. As sociedades europeias, simultaneamente, entregaram o poder à direita na Alemanha, na França, na Inglaterra e na Itália, sem falar nos países menores. Varreram do mapa, literalmente, os progressistas. Claro, o que me espanta, junto com essa convergência, é a extraordinária incompetência das esquerdas e dos progressistas em apresentarem às sociedades uma alternativa política ao desastre que se aprofunda.
Os assassinos da ordem social democrata juntaram políticos e tecnocratas para eliminar as poucas dessas características que o Estado norte-americano, a mais atrasada entre as democracias sociais, tentou construir ao longo do tempo - aí incluída a lei de proteção à saúde em favor dos mais pobres que Barak Obama, com extrema dificuldade, fez aprovar no início do seu mandato. A aprovação dessa lei suscitou ódio dos ricos, e muitos republicanos mantêm na agenda o propósito de eliminá-la. Curiosamente, se observarmos o noticiário e os comentários da grande mídia brasileira, essa questão sequer existe. Não é um fato jornalístico.
Obama também foi bloqueado numa segunda tentativa de levantar a economia por estímulos fiscais de estilo keynesiano, o que teria sido um benefício para os mais fracos da sociedade (desempregados) e um reforço para a recuperação econômica. Nossa mídia não vê isso como uma questão social ou econômica, mas estritamente política. Registra que os republicanos não querem estímulos fiscais, mas não analisa por que os republicanos não os querem. O propósito aqui, assim como na Europa, é claro: destruir o Estado politicamente liberal (não confundir com economia liberal) herdado do New Deal de Roosevelt.
A direita dos dois lados do Atlântico jamais aceitou o projeto social democrata, de um lado, ou politicamente liberal, de outro. Na realidade, também nunca teve, antes, poder político absoluto para impedi-lo ou revertê-lo. Na época de Reagan e Thatcher, por exemplo, a direita democrata cristã assumiu o poder na Alemanha mas os sociais democratas e socialistas estavam no poder na França e na Itália. Seus líderes converteram-se ao neoliberalismo, mas enquanto havia União Soviética a direita social não se atrevia a desmontar o Estado do bem-estar social, exceto na margem, como a Inglaterra.
Agora, o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, na mais clara demonstração de que seu mandato é político, e não técnico, ousa decretar a necessidade da morte do projeto social democrata para salvar a produtividade europeia. Só o conforto de se ver apoiado pela direita política que domina inteiramente a Europa poderia justificar essa arrogância. É claro, porém, que isso não é o fim da história. Por muito menos a Europa se incendiou em 68. O que talvez retarde a extensão do incêndio a partir da Grécia seja a falta de alternativa apresentada pelas esquerdas tradicionais.
Entretanto, mais que as contradições no plano estritamente político, as contradições ao nível das forças produtivas acabarão por arrastar a Europa para uma solução de sua crise seguindo o curso de leis dialéticas tão bem descritas por Marx. É que não existe, em face da atual crise, uma nação hegemônica (como foram os EUA no pós-guerra) com força para por ordem na Europa e no mundo segundo seus próprios ditames. Qualquer solução, por mais que tarde, terá de vir pela via da cooperação interna e internacional, talvez no G-20. Do contrário, haverá instabilidade permanente, e isso é prejudicial também para os ricos e poderosos. (Note-se que o poderoso presidente da Federação Industrial da Alemanha está propondo um Plano Marshall para a Grécia. Sintomaticamente, nossa mídia também não fala nisso.)
O projeto social democrata, sob a égide do Mercado Comum Europeu, foi bom para pobres e para ricos. Mas jamais foi aceito pela direita. Surgiu basicamente de uma coalisão do centro (Democracia Cristã na Alemanha e na Itália) com socialistas (França), ficando de fora a esquerda revolucionária (comunistas). Agora, sob a égide da regressiva União Europeia, o centro europeu (Democracia Cristã) vergou em direção à direita (liberais e neoliberais) em toda a Europa, formando o consenso perverso que objetivamente não é bom nem para os pobres (por óbvio) nem mesmo para os ricos, por causa da instabilidade. (No Brasil, o projeto social democrata nunca vingou: o antigo PSD era dominado por oligarquias e o PSDB de Fernando Henrique jamais passou de uma grosseira mistificação neoliberal.)
As próximas eleições americanas são cruciais. Se Obama reeleger-se e eleger junto um Congresso majoritariamente democrata, talvez o projeto social democrata na Europa se salve por pressão americana. Se reeleger-se sem maioria, nada poderá fazer. Se perder, é possível que o processo dialético seja acelerado, e a sociedade, num momento seguinte, reaja finalmente ao neoliberalismo e ponha para fora, nos EUA e na Europa, seus representantes políticos a fim de que se inaugure uma nova ordem. No intervalo disso, teremos o caos. E, no caos, pode ser que aconteçam coisas tão estúpidas como um bombardeiro de Israel ao Irã!
J. Carlos de Assis, economista, professor da UEPB, presidente do Intersul, e coautor, junto com o matemático Francisco Antonio Doria, de “O Universo neoliberal em desencanto”, recém-lançado pela Civilização Brasileira. Esta coluna sai simultaneamente no site Rumos do Brasil e no jornal Monitor Mercantil.
No Carta Maior
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O Brasil na TV

O Brasil que se vê na TV está restrito ao Rio e à São Paulo, salvo raras exceções. Exibem-se nas novelas e nos telejornais, lindas paisagens e graves problemas urbanos dessas metrópoles para todo o país.
Fico a me perguntar o que interessa ao morador de Belém o congestionamento da Marginal do Tietê, exaustivamente mostrado pelas redes nacionais de TV? Não haveria fatos locais muito mais importantes para a vida dos telespectadores do Pará do que as mazelas da capital paulista?
No entanto, o conteúdo que vai ao ar não é determinado pelos interesses ou necessidades do telespectador e sim pela lógica comercial. Para o empresário de TV local é mais barato e mais lucrativo reproduzir o que a rede nacional de televisão transmite, inserindo alguns comerciais da região, do que contratar profissionais para produzir seus próprios programas.
Para as grandes redes trata-se de uma economia de escala: com um custo fixo de produção, o lucro cresce à medida em que os anúncios são veiculados num número crescente de cidades.
Isso ocorre porque como qualquer outra atividade comercial a lógica do capital é a da concentração, regra da qual a televisão, movida pela propaganda, não escapa. Só que a TV não é, ou não deveria ser, apenas um negócio como outro qualquer.
Por transmitir valores, idéias, concepções de mundo e de vida, ela é também um bem cultural e não uma simples mercadoria. Dai a necessidade de ser regulamentada e ter os seus serviços acompanhados de perto pela sociedade.
Como concessões públicas, as emissoras têm obrigação de prestar esses serviços de maneira satisfatória, atendendo às necessidades básicas de informação e entretenimento a que todos tem direito. Caso contrário, caberiam reclamações, processos e punições, como ocorre em quase todas as grandes democracias do mundo.
Aqui, além de não existirem órgãos reguladores capazes receber as demandas do público e dar a elas os devidos encaminhamentos, não temos uma legislação capaz de sustentar esse processo. Por aqui vale tudo.
E quem perde é a sociedade, empobrecida culturalmente por uma televisão que a trata com desprezo. Diretores de emissoras chegam a dizer, preconceituosamente, que “dão ao povo o que o povo quer”.
Um caso emblemático da falta que faz essa legislação é o da produção e veiculação de programas regionais. Se o mercado concentra a atividade televisiva no eixo Rio-São Paulo, cabe a lei desconcentrá-lo, como determina artigo 221 da Constituição, até hoje não regulamentado.
Sua tramitação é seguidamente bloqueada no Congresso por parlamentares que representam os interesses dos donos das emissoras de TV.
Em 1991 a então deputada Jandira Feghali apresentou um projeto de lei estabelecendo percentuais de exibição obrigatórios para produção regional de TV no Brasil. Doze anos depois, em 2003, após várias concessões feitas para atender aos interesses dos empresários, o texto foi aprovado na Câmara e seguiu para o Senado, onde dorme um sono esplendido até hoje.
São mais de vinte anos perdidos não apenas para o telespectador, impossibilitado de ver o que ocorre na sua cidade e região. Perdemos também a oportunidade de abrir novos mercados de trabalho para produtores, jornalistas, diretores, atores e tantos outros profissionais obrigados a deixar suas cidades em busca de oportunidades limitadas nos grandes centros.
Mas se os interesses empresariais das emissoras bloqueiam esse florescimento artístico e cultural, as novas tecnologias estão abrindo brechas nessas barreiras. O barateamento e a diminuição dos equipamentos de captação de imagens impulsionaram o vídeo popular e a internet vem sendo um canal excelente de divulgação desses trabalhos.
Combina-se a vontade e a capacidade de fazer televisão fora das emissoras tradicionais com a necessidade do público de acompanhar aquilo que acontece perto de sua casa ou de sua cidade.
O que não descarta a necessidade da existência de programação regional nas grandes emissoras, como forma de tornar o Brasil um pouco mais conhecido pelos próprios brasileiros.
Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial). Twitter: @lalolealfilho.
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