26 de fev de 2012

Pat Metheny

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Paulo Henrique Amorim e o Negro da Casa Grande

“É necessário saber que, historicamente, havia duas espécies de escravos: o negro da casa e o negro do campo. O negro da casa vivia junto do senhor, na senzala ou no sótão da casa grande. Vestia-se, comia bem e amava o senhor. Amava mais o senhor do que o senhor amava a ele. Se o senhor dizia: — Temos uma bela casa. Ele respondia: — Pois temos. Se a casa pegasse fogo, o negro da casa corria para apagar o fogo. Se o senhor adoecesse dizia: — estamos doentes. Se um escravo do campo lhe dissesse ‘vamos fugir desse senhor’, ele respondia: — Existe uma coisa melhor do que o que temos aqui? Não saio daqui. O chamávamos de negro da casa. É o que lhe chamamos agora, porque ainda há muitos negros de casa.”
Malcolm X
Em um dos seus discursos, cujo trecho reproduzi acima, Malcolm X, um dos maiores ativistas negros pelos direitos civis posicionava-se frente a muitos negros que agem a serviço dos brancos. Negros que não honram a sua negritude e assim prestam um desserviço a comunidade negra, pois aos olhos menos atentos parece que ele ascendeu, mas, na verdade, ele é uma fração que age como serviçal e se coloca sempre ao lado do não negro por algum benefício, seja salarial, seja “meritocrático”, ou por algum tipo de honraria que recebe como forma de gratidão a “serviços prestados”.
O nigeriano Wole Sowinka, primeiro negro a receber o prêmio Nobel de Literatura pronunciou a célebre frase: “O tigre não precisa proclamar a sua tigritude. Ele salta sobre a presa e a mata”. Na verdade a postura de alguns jornalistas como Heraldo Pereira demonstra como a frase de Sowinka é tão atual.
Ora, é este o mesmo jornalista que se apresenta como um funcionário ou um negro da Casa Grande da Rede Globo e nunca fez um comentário sequer quando a emissora se posiciona contra as cotas, contra as comunidades quilombolas e sobre qualquer tipo de avanço da comunidade negra. Este mesmo jornalista não fez ou faz um único comentário ou reflexão acerca do livro “Não somos racistas” escrito pelo seu chefe, o diretor de jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel. Este mesmo repórter se curva frente ao ministro Gilmar Mendes, atitude diametralmente oposta à postura digna, honrada e altiva do Excelentíssimo Ministro Joaquim Barbosa que o enfrenta e diz a verdade acerca da postura de um ministro que representa a elite branca, burguesa, aristocrática, ruralista, machista e homofóbica deste país.
Eis que, de repente, o repórter Heraldo Pereira, sempre silencioso frente às maiores questões raciais deste país, sente a sua negritude desrespeitada pelo Jornalista Paulo Henrique Amorim. Sem dúvida a postura é a mesma que Malcolm X dizia em seu discurso. Um verdadeiro negro da Casa Grande.
O histórico de Heraldo Pereira o coloca como um indivíduo subserviente a serviço da elite. E toma para si a dor do seu chefe, tentando desqualificar um jornalista com posição de vanguarda e anti-racista como Paulo Henrique Amorim (para quem não conhece basta visitar o site: www.conversaafiada.com.br) e assim colocá-lo na posição de racista. Logo Paulo Henrique Amorim, um dos poucos jornalistas da grande mídia deste país que enfrenta verdadeiramente os representantes da elite e que é curiosamente processado por todos eles. Só para exemplificar Ali Kamel, o famoso “não somos racistas”, foi testemunha de acusação neste processo juntamente com o próprio Gilmar Mendes.
Daí cabe um desagravo à figura de Paulo Henrique Amorim que, ao utilizar o termo negro de alma branca, nada mais fez do que trazer à tona um debate antigo, mas de forma antagônica à maneira tradicionalmente utilizada.
Outrora o termo negro de alma branca era utilizado em casos de negros “educados”, “civilizados” e que agiam como brancos, com toda a civilidade do outro. A expressão era utilizada com a idéia de um sujeito dotado de polidez, um ser letrado, que avançou, apesar das adversidades a que os de sua raça estavam expostos.
O que Paulo Henrique Amorim fez foi descortinar a expressão e colocá-la como de fato deveria ser. O termo “negro de alma branca” deste modo caracteriza-se como um negro a serviço de um determinado setor, uma pessoa que não dignifica a sua ancestralidade e origem, ao se dispor a fazer determinado papel, e quando não assume responsabilidade para com os seus. É como imaginar um judeu nazista de pensamento ariano, para mim algo impensável.
Evoco então Milton Santos que pontuou: “É por isto que no Brasil quase não há cidadãos. Há os que não querem ser cidadãos que são as classes médias, e há os que não podem ser cidadãos que são todos os demais, a começar pelos negros que não são cidadãos. Digo-o por ciência própria. Não importa a festa que me façam aqui e ali, o cotidiano me indica que não sou cidadão neste país… (sic) o meu caso é o de todos os negros deste país, exceto quando apontado como exceção. E ser apontado como exceção além se ser constrangedor para aquele que o é, constitui algo de momentâneo, de impermanente, resultado de uma integração casual”.
Enfim, o que envergonhava Milton Santos serve de júbilo para Heraldo Pereira. Uma lástima para nós, verdadeiramente negros de alma negra.
Marcos Rezende
Membro do Fórum de Entidades Nacionais de Direitos Humanos e bacharel em História, Marcos Rezende lecionou em escolas públicas e particulares buscando aproximação dos alunos com a história da cidade, enfatizando a questão da desigualdade social e racial.
Além de ser principal voz de resistência contra o episódio da derrubada do terreiro Oyá Onipó Neto, no Imbuí, presta auxílio a pequenas entidades e afoxés que participam do Carnaval e atua com destaque no Coletivo de Entidades Negras (CEN), organização não-governamental, sem fins lucrativos e sem vínculos político-partidários, que tem o objetivo de estabelecer o diálogo e diminuir a intolerância entre diferentes segmentos raciais e sociais. Também é Conselheiro Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, recebeu a Medalha Zumbi dos Palmares da Câmara Municipal de Salvador por serviços prestados a comunidade negra. É Religioso do Candomblé.
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Secos e Molhados

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Princípios estratégicos socialistas

Lutam para alcançar os fins e interesses imediatos da classe operária, mas no movimento presente representam simultaneamente o futuro do movimento”.
Marx e Engels, Manifesto do Partido Comunista, 1848
Esta breve citação do manifesto sintetiza os dois princípios estratégicos da política socialista. Sem olhar a estes princípios, há camaradas de luta política que avaliam as decisões e as lideranças políticas por uma lógica limitadamente maquiavélica. Isso é um erro estratégico.
Maquiavel, pela sua reflexão política, era um republicano, considerava a forma republicana a que mais convinha 'ao governo da cidade'. Porém também era um profissional daquilo que hoje chamamos 'assessoria política' e, assim sendo, as suas receitas para a conquista e manutenção do poder por parte do príncipe têm esse carácter amoral. Fala em amor do povo, em contentamento do povo mas apenas na medida em que este seja instrumento para a conquista e para a manutenção do poder do príncipe. A visão nua e crua da política, inaugurada por Maquiavel, leva a que seja considerado um precursor da ciência política. Considerar que o objectivo da política é a conquista, a manutenção e o exercício do poder é acertado. Se esse é o objectivo de todos os actores políticos, também o é para nós, socialistas; mas não é indiferente para os socialistas o que se faz com o poder, a quem serve o poder. Por isso convém falar nestes princípios estratégicos socialistas.
O acervo de lutas, reivindicações e conquistas do socialismo foi crescendo com a experiência histórica das lutas populares e as próprias formas da emancipação socialista evoluíram com essa prática. Se era claro para Marx que a Comuna de Paris fornecia pistas para o que seria o poder dos trabalhadores, se Gramsci não tinha dúvidas que não era preciso inventar formas políticas porque a Revolução de Outubro tinha já criado o sistema soviético; hoje, as formas políticas da emancipação socialista são também herdeiras das lutas populares pelo Estado de direito, a democracia representativa, os avanços de democracia participativa e o conteúdo social da cidadania.
O socialismo moderno é feminista, anti-capitalista, ecologista, democrata, anti-imperialista e anti-racista. Foi a luta popular pelo progresso que incrementou o acervo socialista de reivindicações e conquistas. Este progresso programático em nada contradiz, antes aprofunda, a base fundacional do socialismo moderno. A teoria da mais-valia de Marx fundou o socialismo moderno ao definir o antagonismo de interesses entre a classe trabalhadora e a classe que se apropria da mais-valia, a burguesia. Esta diferença de campos políticos, de interesses opostos entre exploradores e explorados, marcou todo o socialismo moderno, incluindo todas as correntes políticas socialistas que degeneraram, capitularam e abandonaram o socialismo. Apesar da sobredeterminação da luta de classes sobre o todo social, assumindo estas como motor da história, importa sublinhar que embora o capitalismo parasite, impulsione, se cruze com as mais diversas formas de opressão e alienação, estas não se resumem à luta de classes. Para exemplo: o patriarcado é anterior ao próprio capitalismo e há dimensões transclassistas da violência de género e do poder patriarcal; isso não nega a luta de classes e a importância que a luta anticapitalista tem para a luta feminista, mas também não subordina a luta feminista à luta anticapitalista.
O argumento justo da não subordinação de lutas é muitas vezes subvertido, traficado, por aquelas e aqueles que seguem a máxima bernesteiniana de 'o movimento é tudo, o fim é nada'. Esta visão bernesteiniana é antagónica aos princípios estratégicos socialistas modernos segundo os quais: a esquerda socialista luta para alcançar os fins e interesses imediatos das exploradas e dos oprimidos, mas no movimento presente representa simultaneamente o futuro do movimento.
Quando, hoje, os neo-bernesteinianos nos dizem que em nome da justa não-subordinação de lutas, a esquerda socialista deve aceitar participar em governos dos partidos social-democratas com a sua política anti-trabalhista, a sua política lesiva da propriedade pública e a sua política da guerra; quando nos dizem isto, o que querem dizer os neo-bernesteinianos? Querem perverter a não-subordinação de lutas, tornando-a o seu contrário. Isto é, para os neo-bernesteinianos, o conteúdo classista e internacionalista do socialismo é negociável contra os próprios princípios da melhoria das condições actuais das exploradas e dos oprimidos e, principalmente, contra o futuro do movimento emancipatório. De capitulação em capitulação, em nome do tal neo-bernesteinianismo, é traído o presente, o passado e o futuro da luta emancipatória. Como aceitar alianças com quem destrói conquistas de décadas ou até de mais de um século de lutas populares?
Um partido político socialista não é um movimento social [de objectivos limitados] traficado em partido, o seu objectivo é ser poder é realizar (seja só, seja em coligação) um programa político que se enquadre nos referidos princípios estratégicos. Não pode ser um 'partido-sindicato' que, apenas preocupado com a luta económica e sem um programa político, negoceie lugares de ministro e medidas avulsas do seu sector indiferente a políticas conservadoras que venham no pacote da aliança governista. Do mesmo modo, não pode ser como os verdes europeus que aceitam ser ministros de guerras imperialistas. Um partido socialista também não pode ser um partido-queer capaz de suportar um governo anti-social em nome justos progressos em direitos civis (como o casamento livre para todas e todos, uma adopção livre das 'fobias', uma lei avançada para a identidade de género), esquecendo, por exemplo: estudantes bissexuais, precários intersexuais, trabalhadoras lésbicas, gays desempregados e pensionistas transexuais.
Todas e todos pela luta toda não é só um slogan, decorre daqueles princípios socialistas. A melhoria da vida das exploradas e dos oprimidos, o preenchimento dos seus interesses imediatos sem trair as outras lutas e o futuro da luta toda, exige o empenho da política unitária na defesa de cada uma das causas, com todas as aliadas e todos os aliados democratas que se possam juntar nessa defesa. Assim, por exemplo, os conservadores sociais-cristãos podem estar ao nosso lado em momentos concretos da defesa do Estado social. Noutros momentos, os liberais da fúria privatizadora podem ser grandes aliados contra os referidos conservadores, quando a luta é pela despenalização do aborto. Não temos qualquer problema em ter conservadores ou liberais como aliados em causas concretas e para o preenchimento dos interesses em jogo. Mas esses fins são concretos e efémeros, não são razões para fazermos governos com uns ou com outros, o que trairia umas lutas em nome de outras. Do mesmo modo que os partidos da Internacional Socialista que quiserem levar a cabo políticas de dilapidação da propriedade pública encontrarão melhores parceiros nos partidos da Intencional Liberal, e que encontrarão melhores parceiros de governo nos Verdes Europeus para apoiar as guerras da NATO.
A esquerda socialista quer ser poder para cumprir o seu programa político. Isso exclui alianças com sociais-democratas? Não. A questão é alianças para quê, com que objectivos. O poder pelo poder, sem princípios, não serve. São precisas tácticas e uma estratégia de luta, mas há princípios estratégicos. E estes princípios não caíram do céu, nasceram da fusão do pensamento socialista com o movimento popular, derivam do seu progresso e da sua experiência.
O maquiavelismo é um pensamento limitado. E a célebre frase 'os fins justificam os meios' nem sequer é rigorosa com o pensamento de maquiavélico. A lógica de Maquiavel não é finalista é consequencialista, não são as intenções mas os efeitos: 'os efeitos justificam os meios'. Note-se que este consequencialismo é muito limitado, avalia tudo a posteriori com base nos resultados. Fizemos x e se depois disso conquistámos ou mantivemos o poder, 'fazer x é bom'. Noutra circunstância, fizemos x e não preenchemos aqueles objectivos, então 'fazer x é mau'. Naturalmente há o 'livro de receitas' O Príncipe e obras semelhantes, que nascem também das experiências de conquista e manutenção do poder, mas com esse objectivo a esgotar-se em si mesmo.
O critério maquiavélico não pode ser um critério para a política socialista. Mas é o critério que consciente ou inconscientemente está em muitas avaliações dos sucessos e insucessos da nossa política. O maquiavelismo é fraco e corrompe. Fizemos x e subimos de votação, 'então x é bom e a direcção política é boa'. Depois verifica-se que também em resultado do mesmo x, mas mais adiante, a escolha do passado resultou em descida de votação, então 'fazer x' e os dirigentes responsáveis por x já são maus. E isto pode continuar indefinidamente. Pode servir para a táctica do curto prazo, mas é um erro estratégico para o socialismo, uma irresponsabilidade.
A liderança política não pode estar refém da contabilidade de curto prazo. A liderança política define rumos, direcções a seguir. E a avaliação das escolhas políticas não pode ter como único critério o resultado imediato, como se tudo dependesse de nós, como se em política não houvesse outros actores políticos e outros factores. Até a táctica mais acertada aplicada da forma mais acertada pode falhar. Quando uma táctica falha e/ou se revela errada, não temos de deitar fora com ela toda a estratégia e muito menos os princípio estratégicos.
Bruno Góis
No A Comuna
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O impasse tucano em São Paulo

Não faz muito tempo, brincava-se, nos meios políticos, com a mania que os petistas tinham de criar complicações para si mesmos. Complicações desnecessárias, que podiam perfeitamente evitar.
Era um que falava demais, outro que dizia inconveniências, alguns que não sabiam se comportar. Por uma razão ou por outra, expunham suas desavenças e criavam embaraços para todos. O que devia ficar entre quatro paredes saía no jornal.
Os próprios petistas eram seus maiores inimigos.
Hoje, depois de oito anos de Lula, e neste início de segundo ano de Dilma, o PT parece estar pacificado. As futricas internas e as clivagens entre seus grupos e correntes não desapareceram, mas foram apaziguadas. Ninguém dá caneladas nos companheiros, seja por descuido ou de propósito (a não ser com discrição, longe dos holofotes).
Enquanto isso, o PSDB, em sua mais tradicional cidadela e na eleição de maior visibilidade nacional, age de maneira oposta. Nos últimos quinze dias, fez tudo que podia fazer de errado.
A escolha do candidato tucano a prefeito de São Paulo se tornou um espetáculo de forte desgaste para o partido. Que poderia ter sido evitado, pois quem o inventou e encenou foi o próprio PSDB.
Seria um exagero dizer que a secção paulista do partido define sua imagem nacional. Afinal, apenas 20% de bancada parlamentar do PSDB vem do estado e o “candidato óbvio” a presidente em 2014 — nas palavras de seu mais ilustre expoente, o ex-presidente Fernando Henrique — é o mineiro Aécio Neves.
Mas é impossível negar o peso que os paulistas têm no partido. Apenas para ilustrar: desde sua criação, em 1988, todos seus candidatos à Presidência da República vieram de São Paulo — Mário Covas, Fernando Henrique, Serra e Alckmin.
Nas idas e vindas do episódio de agora, o PSDB paulista só emitiu sinais negativos. Que não é capaz de definir como prefere escolher seu candidato, hesitando entre fazer prévias com seus filiados ou deixar que os “notáveis” decidam. Que está fragmentado e confuso, dividido em alas que mal conseguem dialogar. Que não tem lideranças que exerçam, com legitimidade, a função de liderar.
Nas palavras de Arnaldo Madeira, peessedebista paulista de alta plumagem — foi líder do governo Fernando Henrique na Câmara e secretário da Casa Civil de Geraldo Alckmin: “O partido não sabe para aonde vai. Essa falta de rumo afeta o PSDB há alguns anos, não é de agora (...). O partido está sem direção, perdido nacionalmente e em lugares como São Paulo, único em que o partido existe para valer”.
Fora os exageros, a irritação de Madeira talvez decorra da crise atual — pois parece não engolir a submissão de seu partido aos vacilantes humores de José Serra, em sua hamletiana dúvida entre ser ou não ser candidato —, mas o diagnóstico que faz sobre o PSDB é mais profundo — e verdadeiro.
No momento em que o PSDB mais precisaria mostrar-se capaz de se tornar (ou de voltar a ser) um meio de expressão e um canal de representação para uma parcela importante da sociedade brasileira — contrapondo-se ao PT, a Lula e a Dilma —, marca passo e retrocede em São Paulo.
Seus líderes locais parecem fortes, mas estão “perdidos”, como diria Arnaldo Madeira. As lideranças nacionais tucanas assistem de longe. Deixam nítido que o partido não tem uma instância de articulação nacional para evitar que conflitos paroquiais o afetem como um todo.
E ainda tem gente que não entende por que Lula e o PT se tornaram o que são no Brasil.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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União investiga origem de Pinheirinho - se é grilada ou não

O governo federal irá investigar a origem da titularidade do terreno de Pinheirinho, no município de São José dos Campos (SP), pertencente à massa falida da empresa Selecta, do investidor Naji Nahas. A dúvida quanto à idoneidade da escritura (se é grilada ou não) surgiu a partir de uma entrevista publicada no jornal Folha de São Paulo, no último dia 29, com Benedito Bento Filho, empresário do ramo imobiliário, que vendeu o terreno à Selecta em 1981.
Na entrevista, Bento Filho, 75, também conhecido como Comendador Bentinho, conta que adquiriu o terreno onde fica Pinheirinho, com cerca de 1,3 milhão de metros quadrados, de Reston Zotanio Lahud e Salim Lahud Neto, em junho de 1978. O que chamou atenção do governo federal foi o fato de Bento Filho dizer que a Chácara Régio, que pertencia à família de alemães Kubitzky, nunca esteve dentro de Pinheirinho.
Os irmãos Kubitzky, Hermann Paul, Arthur Moritz, Erma Erica e Frida Elza, a mais nova com 68 anos e o mais velho com 76 anos, foram assassinados no dia primeiro de julho de 1969, por quatro jovens - um de 23 anos, e outros três menores de idade. Como não tinham herdeiros, e nem foram casados, tanto o terreno - onde ficava a Chácara Régio, com 30 mil metros quadrados, dentro da área de Pinheirinho -, quanto seus demais bens financeiros ficaram com o Estado.
"Eu tinha 16 anos quando esses quatro irmãos foram assassinados e lembro perfeitamente do caso. O bairro onde Pinheirinho se insere chama-se Campo dos Alemães, onde a Chácara Régio ficava. É um dever nosso investigar se toda essa passagem é correta", afirmou o secretário Nacional de Articulação Social da Presidência, Paulo Maldos, que participou junto com representantes do Ministério das Cidades, Secretaria de Patrimônio da União e Advocacia Geral da União (AGU), de reunião para encontrar soluções para as seis mil famílias que ficaram desalojadas após a reintegração de posse do terreno, realizada no domingo, 22 de janeiro, às seis horas da manhã.
O repórter Igor Carvalho, da Revista Fórum, publicou recentemente parte de levantamento do histórico de titulares do terreno.
Através da certidão retirada em cartório, verificou que o terreno onde se encontra Pinheirinho se chamava Bairro do Rio Comprido e pertencia a Bechara Lahud, passando em fevereiro de 1962 para Paulo Lahud e Reston Lahud. Foi vendido em junho de 1978 para Benedito Bento Filho. E em dezembro de 1982 para a Selecta.
Pouco tempo depois do assassinato dos Kubitzky a imprensa divulgou que o terreno deveria ficar mesmo com o Estado, possivelmente com a Universidade de São Paulo (USP). Mas, segundo assessoria da Advocacia Geral da USP, o terreno não ficou com a instituição. Como não é impossível registros em cartórios serem adulterados, Maldos explica que as investigações serão feitas não apenas pela matrícula do imóvel.
Futuro das famílias
Maldos explicou que, além das investigações quanto à titularidade do terreno de Pinheirinho, o encontro entre secretarias e AGU serviu para estruturarem proposta para realojar as famílias.
Uma delas é aproveitar a dívida que a própria Selecta tem com a União, hoje calculada em R$11 milhões de impostos atrasados. A ideia é transformar o débito em parte física do terreno, que corresponda a esse valor, e construir unidades de moradia verticalizadas, ou seja, colocar todos em prédios. Entretanto, o secretário afirma que como a empresa está falida, juridicamente os trabalhadores prejudicados teriam que ser contemplados antes dos ocupantes do bairro. "Segundo informações que nós temos, o núcleo inicial de ocupantes de pinheirinho é exatamente dos trabalhadores com quem a massa falida tem dívidas", completa.
A segunda proposta abordada na reunião é levantar outras empresas em situação de falência e endividadas com a União para construir conjuntos habitacionais. O objetivo é analisar localizações próximas ao centro de São José dos Campos, assim como era Pinheirinho, para não deslocar ainda mais as famílias. A terceira proposta será aproveitar os terrenos da União que fazem parte da Rede Ferroviária Federal S.A., nos trechos desativados, e que passam pela cidade. Tudo isso vai depender, também, da situação jurídica e da importância atual desses espaços para a rede.
Violência e humilhação
A reintegração de posse de Pinheirinho prejudicou 20 mil pessoas. Parte delas está acomodada em alojamentos cedidos pela prefeitura, outra parte ainda está morando em casa de amigos, parentes ou até mesmo nas ruas. Um dos ex-ocupantes de Pinheirinho é Vanderlei, de 37 anos, que teve uma costela quebrada por um policial da Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam) durante a ação de despejo, ao tentar ajudar um jovem jornalista que estava sendo espancado pelo PM.
Vanderlei, que morava há quatro anos no Pinheirinho, e que tem uma esposa e filha de dez meses, conta que a situação nos alojamentos é ruim e humilhante, com pessoas dividindo banheiros, crianças tendo que tomar mamadeira estragada, e assistentes sociais oferecendo passagens para as famílias voltarem para as regiões Norte ou Nordeste do país. "Os abrigos da prefeitura parecem verdadeiros campos de concentração. Ninguém pode mais entrar ou sair depois das dez horas da noite".
Há sete anos a situação do terreno é de litígio
As famílias começaram a ocupar Pinheirinho depois de esperarem por casas da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) prometidas pela prefeitura e Estado durante anos. Como nunca eram entregues, decidiram construir com as próprias mãos, e assim deram origem ao bairro, em 2004.
A decisão de reintegração de posse foi finalmente dada pela Justiça Estadual, em janeiro de 2012. A 18ª Vara Cível de São Paulo pediu a suspensão da ação por 15 dias, contados a partir do dia 18 de janeiro, até que se discutisse uma saída para os moradores que ficariam desalojados. O que não foi acatado pelo Estado. No domingo, 22 de janeiro, dois mil soldados, entre policiais militares e Guarda Civil Metropolitana, invadiram o bairro e retiraram de surpresa as seis mil famílias.
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¿Quién está detrás de Yoani Sánchez?

Prueban fraude tras seguimiento a Yoani Sánchez en Twitter
El influyente diario mexicano La Jornada publica un texto del investigador francés Salim Lamrani que demuestra el falso liderazgo de la bloguera Yoani Sánchez en la red social Twitter, logrado no por el seguimiento natural de la audiencia, sino por la intervención de tecnología y grandes sumas de dinero.
La cuarta parte de los seguidores de Sánchez en Twitter son fantasmas sin seguidores o “mudos” que jamás han emitido un tweet. En junio de 2010 la bloguera llegó a abonarse a más de 700 cuentas en un día, algo sólo posible con robots informáticos y muy lejos de las posibilidades de alguien que dice acceder a Twitter sólo por sms desde un teléfono celular o a partir de una conexión semanal a Internet en un hotel.
¿Quién está detrás de Yoani Sánchez?
El artículo de Salim Lamrani en "La Jornada"
Yoani Sánchez, famosa bloguera habanera, es un personaje peculiar en el universo de la disidencia cubana. Jamás ningún opositor se ha beneficiado de una exposición mediática tan masiva ni de un reconocimiento internacional de semejante dimensión en tan poco tiempo.
Después de emigrar a Suiza en 2002, decidió regresar a Cuba dos años después, en 2004. En 2007, integró el universo de la oposición en Cuba al crear su blog Generación Y, y se vuelve una acérrima detractora del gobierno de La Habana.
Jamás ningún disidente en Cuba – quizás en el mundo – ha conseguido tantas distinciones internacionales en tan poco tiempo, con una característica particular: han suministrado a Yoani Sánchez suficiente dinero para vivir tranquilamente en Cuba el resto de su vida. En efecto, la bloguera ha sido retribuida a la altura de 250.000 euros en total, es decir un importe equivalente a más de veinte años de salario mínimo en un país como Francia, quinta potencia mundial. El salario mínimo mensual en Cuba es de 420 pesos, es decir 18 dólares o 14 euros, por lo que Yoani Sánchez ha conseguido el equivalente a 1.488 años del salario mínimo cubano por su actividad de opositora.
Yoani Sánchez está en estrecha relación con la diplomacia estadounidense en Cuba, como señala un cable, clasificado “secreto” por su contenido sensible, que emana de la Sección de Intereses Norteamericanos (SINA). Michael Parmly, antiguo jefe de la SINA en La Habana, que se reunía regularmente con Yoani Sánchez en su residencia diplomática personal como lo indican los documentos confidenciales de la SINA, hizo partícipe de su preocupación respecto a la publicación de los cables diplomáticos estadounidenses por Wikileaks: “Me molestaría mucho si las numerosas conversaciones que tuve con Yoani Sánchez fueran publicadas. Ella podría pagar las consecuencias toda la vida”. La pregunta que viene inmediatamente en mente es la siguiente: ¿por cuáles razones Yoani Sánchez estaría en peligro si su actuación, como lo afirma, respetan el marco de la legalidad?
En 2009, la prensa occidental mediatizó fuertemente la entrevista que el presidente Barack Obama había concedido a Yoani Sánchez, lo que se consideró como un hecho excepcional. Sánchez también había afirmado haber mandado un cuestionario similar al presidente cubano Raúl Castro y que ése no se había dignado en responder a su solicitud. Sin embargo, los documentos confidenciales de la SINA, publicados por Wikileaks, contradicen esas declaraciones.
Se descubrió que en realidad fue un funcionario de la representación diplomática estadounidense en La Habana quien se encargó de redactar las respuestas a la disidente y no el presidente Obama. Más grave aún, Wikileaks reveló que Sánchez, contrariamente a sus afirmaciones, jamás mandó un cuestionario a Raúl Castro. El jefe de la SINA Jonathan D. Farrar confirmó esta realidad en un correo enviado al Departamento de Estado : «Ella no esperaba una respuesta de éste, pues confesó que nunca las [preguntas] había mandado al presidente cubano”.
La cuenta Twitter de Yoani Sánchez
Además del sitio Internet Generación Y, Yoani Sánchez dispone también de una cuenta Twitter y reivindica más de 214,000 seguidores (registrados hasta el 12 de febrero de 2012). Sólo 32 de ellos residen en Cuba. Por su lado, la disidente cubana sigue a más de 80,000 personas. En su perfil, Sánchez se presenta del siguiente modo: “Blogger, resido en La Habana y cuento mi realidad en trozos de 140 caracteres. Twitteo via sms sin acceso a la web”.
No obstante, la versión de Yoani Sánchez es difícilmente creíble. En efecto, resulta absolutamente imposible seguir a más de 80,000 personas, sólo por sms o a partir de una conexión semanal desde un hotel. Un acceso diario a la red es indispensable para ello.
La popularidad en la red social Twitter depende del número de seguidores. Cuanto más numerosos son, mayor es la exposición de la cuenta. Del mismo modo, existe una fuerte correlación entre el número de personas seguidas y la visibilidad de la propia cuenta. La técnica que consiste en seguir numerosas cuentas se utiliza comúnmente para fines comerciales, así como por la clase política durante las campañas electorales.
El sitio www.followerwonk.com permite analizar el perfil de los seguidores de cualquier miembro de la comunidad Twitter. El estudio del caso Yoani Sánchez es revelador en varios aspectos. Un análisis de los datos de la cuenta Twitter de la bloguera cubana, que se realizó a través del sitio, revela a partir de 2010 una impresionante actividad de la cuenta de Yoani Sánchez. Así, a partir de junio de 2010, Sánchez se ha inscrito en más de 200 cuentas Twitter diferentes cada día, con picos que podían alcanzar 700 cuentas en 24 horas. A menos de pasar horas enteras del día y de la noche en ello – lo que parece altamente improbable – resulta imposible abonarse a tantas cuentas en tan poco tiempo. Parece entonces que ha sido generado mediante un robot informático.
Del mismo modo, se descubre que cerca de 50,000 seguidores de Sánchez son en realidad cuentas fantasmas o inactivas, que crean la ilusión de que la bloguera cubana goza de una gran popularidad en las redes sociales. En efecto, de los 214,063 perfiles de la cuenta @yoanisanchez, 27,012 son huevos (sin foto) y 20,600 revisten las características de cuentas fantasmas con una actividad inexistente en la red (de 0 a 3 mensajes mandados desde la creación de la cuenta).
Entre las cuentas fantasmas que siguen a Yoani Sánchez en Twitter, 3,363 no tienen a ningún seguidor y 2,897 sólo siguen la cuenta de la bloguera, así como a uno o dos cuentas. Del mismo modo, algunas cuentas presentan características bastante extrañas: no tiene ningún seguidor, sólo siguen a Yoani Sánchez y han emitido más de 2,000 mensajes.
Esta operación destinada a crear una popularidad ficticia vía Twitter es imposible a realizar sin acceso a Internet. Necesita también un apoyo tecnológico así como un presupuesto consecuente. Según una investigación que realizó el diario La Jornada, titulada “El ciberacarreo, la nueva estrategia de los políticos en Twitter”, sobre operaciones que implicaban a candidatos presidenciales mexicanos, numerosas empresas de Estados Unidos, Asia y América Latina ofrecen este servicio de popularidad ficticia (“ciberacarreo”) a precios elevados. “Por un ejército de 25 mil seguidores inventados en Twitter -dice el periódico- se pagan hasta dos mil dólares, y por 500 perfiles manejados por 50 personas se pueden gastar entre 12 mil y 15 mil dólares”.
Anuncio de ciberacarreo en el sitio www.sophatia.com
Yoani Sánchez emite un promedio de 9,3 mensajes al día. En 2011, la bloguera publicó un promedio de 400 mensajes al mes. El precio de un mensaje en Cuba es de 1 peso convertible (CUC), lo que representa un total de 400 CUC mensuales. El salario mínimo en Cuba es de 420 pesos cubanos, es decir alrededor de 16 CUC. Cada mes Yoani Sánchez gasta el equivalente de dos años de salario mínimo en Cuba. Así, la bloguera gasta en Cuba una suma que corresponde, si fuera francesa, a 25,000 euros mensuales en Twitter, es decir 300,000 euros anuales. ¿De dónde proceden los recursos necesarios a estas actividades?
Otras preguntas surgen de modo inevitable. ¿Cómo Yoani Sánchez puede seguir a más de 80,000 cuentas sin un acceso permanente a Internet? ¿Cómo ha podido abonarse a cerca de 200 cuentas diferentes diarias como promedio desde junio de 2010, con picos que superan las 700 cuentas? ¿Cuántas personas siguen realmente las actividades de la opositora cubana en la red social? ¿Quién financia la creación de las cuentas ficticias? ¿Con qué objetivo? ¿Cuáles son los intereses que se esconden detrás de la figura de Yoani Sánchez?
Salim Lamrani, graduado de la Universidad de La Sorbona, es profesor encargado de cursos en la Universidad Paris-Descartes y la Universidad París-Est Marne-la-Vallée y periodista francés, especialista en las relaciones entre Cuba y Estados Unidos. Autor de Fidel Castro, Cuba y Estados Unidos (2007) y Doble Moral. Cuba, la Unión Europea y los derechos humanos (2008), entre otros libros.
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Minha turma

Agora que o sangue serenou e todas as garrafas que lancei ao mar com mensagens ao desconhecido voltaram sem resposta, ou com o texto corrigido, agora que nem o eco responde aos meus gritos no precipício, ou responde mas com o tom enfarado de quem não aguenta mais repetir sempre a mesma coisa, sempre a mesma coisa, sempre a mesma coisa, agora que descobri que nenhum dos meus gurus tinha a resposta certa e um até confessou que nem ouvia as minhas perguntas e só fazia sim com a cabeça por boa educação, o que explica ele ter respondido sim quando eu perguntei se deveria seguir o Bhagavad Gita, o Kama Sutra, o Capital ou uma combinação dos três, agora que já não se distingue a voz e uma secretária de outra no telefone pois todas são eletrônicas e iguais, e da última vez que implorei por um contato humano, alguma coisa viva — uma hesitação, um erro de concordância, um resfriado, até, em último caso, uma reação irritada — a voz disse “para reação irritada, digite 4”, agora que eu não quero mais respostas, agora que eu desisti, vem você me dizer que eu não estou sozinho, que há outros como eu que já não esperam mais nada salvo a resignação dos mortos num bom sofá com controle remoto e talvez pipoca, que abominam a despersonalização, principalmente das pessoas, a pulverização de todas as certezas, o espargimento de todas as dúvidas, a eterização de todas as coisas — e que eles têm um site na internet!
Mas acho que você me deu o endereço errado pois, na minha caça desesperada a ávidos de resignação e burrice programada como eu, já dei num site que ensina a fazer bombas caseiras, outro de quem tem tara por Matildes, outro de um homem que propõe a troca de fotografias do seu bigode ridículo com as de bigodes ridículos de todo o mundo com a possibilidade de casamento e, veja você, um de alguém que propôs comprar vários dos meus órgãos para comer.
Não que eu fosse aceitar, sou muito apegado a todos os meus órgãos apesar do que alguns têm me feito passar, mas só por curiosidade perguntei como ele prepararia, por exemplo, meu fígado e, num rasgo de sentimentalismo, sugeri que o servisse acompanhado de um Sauternes de boa safra.
Talvez seja esta a autoindulgência que nos reste, no momento do nosso desencanto, antes do último sofá. O tal cara que estava a fim das minhas tripas à moda de Caen não respondeu mas descobri que eu tinha entrado num fascinante mundo doente, ao entrar na internet atrás da minha turma.
Quando tudo se volatiza e vira impulso pelo ar o que sobra é isso, o ser humano reduzido às suas fomes e às suas esquisitices primevas, livre de qualquer controle ou compunção. A cara mais terrível da liberdade: cara nenhuma, ou apenas a cara que se quiser mostrar na net.
Terroristas, fetichistas e canibais são — ou espero que sejam — minorias entre os habitantes deste mundo. Mas, sei não. Há algo de assustador nessa variedade de prospecções predatórias, de buscas globais por afinidades estranhas, só esperando o toque numa tecla de computador para entrar na nossa casa e na nossa vida.
Sei lá se eu não tenho alguma obsessão secreta (pés de noviças, por exemplo) só esperando um correspondente para se manifestar.
Desisti de localizar meus similares na internet, os revoltados até com a revolta, começando por secretárias com voz de máquinas, quando me dei conta que a primeira condição para ser mesmo da minha turma seria não frequentar a internet.
Luís Fernando Veríssimo
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“A sociedade caminha para relações amorosas múltiplas”, diz psicanalista

Regina Navarro Lins: "Daqui algumas décadas a escolha do
objeto amoroso  será pelas características de personalidade
e não mais pelo gênero"
Foto: Arquivo Pessoal
Há no mínimo cinco mil anos o sexo é algo reprimido na sociedade. Em pleno século 21, diante do aumento da exposição da intimidade e das preferências sexuais, o tema ainda mexe com valores culturais e morais a ponto de manter preconceitos. Psicanalista há 38 anos e autora de mais de dez livros sobre o assunto, a carioca Regina Navarro Lins conversou sobre amor e sexo com o Sul21.
Para a psicanalista, os valores tradicionais de relacionamento não estão dando mais respostas satisfatórias e, com isso, se abre espaço para uma nova forma de viver. “Daqui algumas décadas a escolha do objeto amoroso será pelas características de personalidade e não mais pelo gênero homem ou mulher”, diz. Ela afirma, ainda, que o cavalheirismo é um retrocesso para o feminismo, uma vez que reforça a ideia de que a mulher é frágil e incompetente, necessitando de proteção do homem.
Com nove anos de site sobre relações amorosas e sexuais, ela recortou os principais desejos da maioria das pessoas e defende que traição não está relacionado a relações extraconjugais. “Eu não tenho dúvida, que as pessoas viveriam muito mais felizes e satisfeitas se elas entendessem que o que o outro faz quando não está comigo e não me diz respeito”, afirma.
Sul21 – A senhora tem dez livros sobre amor e sexo. Está prestes a lançar mais um este ano. Como você diferencia o amor e o sexo, já que da atração sexual surgem amores, assim como, pessoas podem amar outras que inicialmente não se sentiam atraídos?
Regina Navarro Lins – Amor e sexo são totalmente distintos. Você pode sentir tesão por alguém e não sentir amor por esta pessoa. Não necessariamente do tesão nasce o amor. Pode acontecer. Assim como você pode amar alguém e não ter tesão por esta pessoa. Isso acontece em muito casamentos. As pessoas se amam, gostam de estar juntas e ter projetos a dois e uma vida conjunta, mas não sentem tesão um pelo outro. Por isso, digo que são duas coisas totalmente distintas.
Sul21 – Manter o tesão pela mesma pessoa que se ama ou se convive há muito tempo é a forma de se manter fiel?
Regina Navarro Lins - O maior problema dos casamentos é o sexo. No casamento é onde menos se faz sexo. Há vários motivos. Podemos falar da excessiva familiaridade, excessiva intimidade, mas eu acredito que existe um grande vilão nesta história que ninguém fala: a exigência de exclusividade. O casamento se presta muito ao desenvolvimento de uma dependência emocional mútua. Isto porque, nós saímos do útero da mãe e somos tomados pelo sentimento de falta e desamparo. Além de vivermos em uma cultura onde se acena o tempo todo que vamos encontrar a alma gêmea, a outra metade da laranja, alguém que nos completa e outras mentiras do mito do amor romântico. Isto tudo como se você pudesse, na relação com outra pessoa, ficar livre desta sensação de abandono. Por isso repetimos o comportamento que temos quando somos crianças, de possessividade em relação à mãe para que ela não nos abandone. Se a mãe não der cuidados emocionais ou atenção, a criança morre. Quando o adulto cresce e entra na relação amorosa, ele reedita o mesmo vínculo primário que tinha com a mãe e se torna possessivo, ciumento, controlador. Então, no casamento as pessoas depositam um no outro a ideia de que não irão mais ficar sozinhas, desamparadas. Nisso se desenvolve a dependência emocional mútua. Se você sabe que o outro depende de você, que tem pavor de te perder, não há mais conquista ou sedução. A exigência de exclusividade acaba com isso, deixamos para amanhã… E vamos nos tornando amigos e irmãos e não tendo mais tesão.
 O amor romântico é calcado na idealização. Você olha para uma pessoa e vê nela algo que ela não é e passa a vida tentando transformá-la. 
Para você viver uma relação amorosa e um bom casamento, as pessoas precisam reformular as expectativas que elas alimentam a respeito da vida a dois. Regidos pelo mito amor romântico, as pessoas acreditam que vão se transformar numa só, que todas as necessidades serão satisfeitas pelo outro, que quem ama não tem tesão por mais ninguém, que só se tem olhos para o companheiro. Aí se abandona os amigos e outros interesses.
Sul21 – As pessoas devem te perguntar a receita mágica de como ser feliz no amor. O que você responde?
Regina Navarro Lins - Pode ser ótimo se não tiver controle de um e de outro, liberdade de ir e vir, não ficar sabendo onde o outro anda e se está transando com outra pessoa. As pessoas respeitarem a liberdade um do outro. A questão da simbiose é só entre bebê e mãe. Não se pode reeditar isso na vida adulta. Se for reformulada as expectativas e não ficar controlando a vida do outro, se transou ou não transou com outra pessoa, é melhor. A exigência da exclusividade é algo que vira obsessão para as pessoas. A maioria das pessoas vivem com a neura dessa preocupação. A palavra traição, para mim, não tem nada a ver com relação extraconjugal. Ninguém tem que se preocupar se o parceiro transou ou não com alguém. Tem que ser perguntar: Eu me sinto amado(a)? Me sinto desejado(a)? Se a resposta for sim para as duas perguntas, o que o outro faz quando não está comigo não me diz respeito, não é da minha conta. Eu não tenho dúvida que as pessoas viveriam muito mais felizes e satisfeitas.
Sul21 – Pela pesquisa que a senhora fez para um de seus livros, 73% dos que responderam dizem ter desejo por sexo a três e 80% diz que não considera o casamento fundamental. Levando em conta que todos disseram a verdade, temos uma mostra de que a sociedade está se direcionando para relacionamentos mais liberais. Voltaremos à década de 60?
Regina Navarro Lins – A mentalidade começou a mudar depois da pílula anticoncepcional, mas em 60 e 70 ainda eram grupos pequenos a mudar a sua visão, era o movimento gay, movimento hippie, poucas pessoas. Eu acredito que, com o tempo, menos pessoas vão querer se fechar numa relação a dois e mais pessoas vão optar por relações múltiplas e variadas. A mudança das mentalidades é lenta e gradual. A exigência da exclusividade também está mudando. Como eu trabalho com isso eu fico atenta aos sinais. Observando as casas de swing, que aqui no Rio de Janeiro tem muitas e Porto Alegre também tem algumas. Eu inclusive fui conhecer o Sofazão, mas dei azar porque fui em um dia que só tinha três casais fazendo sexo em uma sala.
 As pessoas não assumem moralmente seus desejos, mas os tem 
Eu trabalho com casais no consultório. E você não imagina a quantidade de casais que chegam com aparência de conservadores, com filho pequeno e que todo final de semana vai para casas de swing. Neste caso específico, a mulher transa mais que o homem com outras pessoas. Tem outro casal, uma médica de 39 anos e um marido de 35, que planejam ter filhos e tudo, e que ele insiste que ela vá em uma casa de swing, diz que quer ver ela com outro homem. Mas estas pessoas jamais contaram isso para amigos. Então, de repente a pessoa que trabalha ao teu lado aí na redação pode ter estes desejos e você nem imagina olhando para ele. Entendeu como funciona? (risos)
A atriz Leila Diniz escandalizou
 a tradicional família brasileira ao exibir
 sua gravidez em 1971
Foto: Reprodução
Tem pessoas que fazem terapia e também não contam. Vem se tratar comigo de forma paralela ao terapeuta. Isto é um sinal de que as mentalidades estão mudando. Assim como se tornou natural as moças não casarem virgem de uma época para outra, o que na década de 60 isso era impensável. Eu conheço uma moça que teve que fazer plástica na vagina para casar “virgem”.
A sociedade está preparada hoje para essa mudança? Eu digo que tanto quanto estava na época em que moças só casavam virgens. Quando olhamos, as coisas já aconteceram. A separação também era um escândalo. As mulheres separadas eram discriminadas, era um horror ser desquitada. O mesmo quando a Leila Diniz abriu caminho para a exposição das barrigas das grávidas. Tudo é um processo que só se percebe quando se conclui, aí está transformada a realidade.
Sul21 – Então, a senhora afirma que a monogamia está com dias contados?
Regina Navarro Lins - Eu não tenho a menor dúvida. Cada vez as pessoas começam a ter relações extraconjugais mais cedo e o número de mulheres que tem relações extraconjugais é igual aos homens, se não maior. Já atendi mulheres que têm o mesmo tempo de relação com o marido e com o amante há dez ou 20 anos. Só que não contam para ninguém. A diferença é que os homens contam, porque sempre foi permitido culturalmente a ele ter mais de uma mulher. A mulher não podia porque tudo estava relacionado à procriação. Quando o patriarcado surgiu, há cinco mil anos, surgiu a propriedade privada. As mulheres foram trancadas porque os homens tinham medo de deixar a herança para filhos de outros homens. Já eles podiam ter filhos com outras mulheres. Então, não tenho dúvida de que ainda vamos assistir a muitas mudanças, mas até a maioria das pessoas optarem por relações múltiplas levará 20 ou 30 anos. Não é algo para o próximo verão.
Sul21 – Isto significa dizer que outros valores constituídos pela sociedade conservadora também irão modificar, como o próprio casamento? Segundo o IBGE há um crescente no número de casamentos. Isso não é um sinal de que o amor romântico ainda é uma busca da humanidade?
Regina Navarro Lins – Quando eu fiz a minha pesquisa eu estudei estes dados do IBGE. Este crescimento é constituído por casamentos coletivos, sem cobrança de taxas, recasamentos e não o aumento decasamentos pela primeira vez. São dados gerais e variáveis. Eu aponto tendências. Haverá pessoas que vão continuar se casando. Mas eu acredito que cada vez mais pessoas vão se dar conta que é possível amar mais de uma pessoa. A grande vantagem do momento em que vivemos é cada um escolher a sua forma de viver. Não acho que tenhamos que substituir um modelo por outro, o importante é não ter modelo. A medida que os modelos tradicionais não forem servindo para as pessoas, elas vão poder escolher outras formas de viver. Se você quiser ficar numa relação durante 30 anos e só fazer sexo com essa pessoa, pode. Quem quiser três parceiros também pode. Eu aposto na liberdade como forma de viver.
Sul21 – De nove anos de site sobre amor e sexo você conseguiste fazer dois livros: “A Cama na Rede” e “Se Eu Fosse Você”. Como foi isso?
Livro "Se eu fosse você", de Regina Navarro Lins.
Editora Best Seller
Foto: Reprodução
Regina Navarro Lins – O livro tem o nome da ideia do site, que era “Cama na Rede”. Na época, quando começou o boom da internet, um investidor me procurou porque desejava investir no site. O conteúdo era exclusivamente sobre relacionamento amoroso e sexual. Os dois livros foram links que fizeram muito sucesso na rede. Eu lançava perguntas de situações hipotéticas. A pergunta mais respondida foi se as pessoas tinham vontade de fazer sexo a três. Quase 1,5 mil pessoas responderam que sim. E eu lancei a pergunta devido aos inúmeros emails que eu recebia pedindo por este tema. Eu fiz dois livros a partir deste site, mas o conteúdo poderia gerar inúmeros livros.
Sul21 – O quanto e como a era da internet está influenciando nas transformações das relações amorosas e sexuais?
Regina Navarro Lins – A internet está mudando o mundo todo. As pessoas nem se dão conta das mudanças. Mas as relações têm mudanças absurdas, como as relações à distância sendo cultivadas de forma muito mais próxima. As redes sociais da internet estão no dia a dia do nosso trabalho, inclusive nas relações amorosas e sexuais. Na questão dos parceiros múltilplos tem a influência da internet. Você usa o chat para conversar com mais de uma pessoa ao mesmo tempo e se você não gosta de qualquer coisa você deleta e acabou. Na vida real você sai para jantar com alguém para conhecê-lo e se ele for uma mala, você tem que esperar a noite toda para ir embora. Na internet não. Assim se transfere para a vida real.
Sul21 – Os desejos que expressamos diante da tela do computador são reais, mas nem sempre assumidos na vida fora do computador. Há de fato uma transferência do modo de se relacionar na internet para as relações presenciais?
Livro "A cama na rede" expõem verdades difíceis
 de assumir publicamente. Editora Best Seller
Foto: Reprodução
Regina Navarro Lins – Isto vai sendo absorvido para a vida real. Mas não é só isso que influenciou para o desejo de ter relações múltiplas. O amor romântico surgiu no século 12 e nunca foi permitido no casamento. O amor entra como possibilidade no casamento no século 19, mas, passou a ser um fenômeno de massa a partir de 1940 quando todos passaram a querer casar por amor. A influência de Hollywood ajudou. O amor é uma construção social. Para o último livro que escrevi, O Livro do Amor, que será lançado em junho, pesquisei da Pré-História, passando por Grécia, Roma, Idade Média, Renascença, Iluminismo, Século XIX, Século XX, e século XXI. Serão dois volumes. O amor é uma construção social que muda conforme a época. Hoje, as pessoas vivem que o amor é sempre o mesmo, ou seja, amor romântico. Mas este tipo de amor só existe no Ocidente e está dando sinais de sair de cena. Hoje existe uma grande busca da individualidade e não tem a ver com egoísmo. As pessoas não estão a fim de abrir mão dos seus projetos pessoais. Então, o amor romântico prega exatamente o oposto disso: a fusão das almas gêmeas, os dois se transformarem em um só. A grande viagem do ser humano hoje é estar dentro de si mesmo. É saber das suas potencialidades. E o amor romântico prega que você se feche na relação com uma pessoa.
 O amor romântico dá sinais de que irá sair de cena e irá levar com ele uma das suas características básicas: a exclusividade sexual. 
Sul21 – O sexo é uma das coisas mais procuradas na internet. Que análise a senhora faz desta relação de procura e oferta?
Regina Navarro Lins – Primeiro: o sexo é uma coisa muito boa e há dois mil anos é reprimidíssimo. Desde o advento do cristianismo é visto como algo sujo e, apesar das mudanças de hoje, ainda há muitos preconceitos. Há mulheres, por exemplo, que ficam de beijos ardentes, mas na hora de ir para cama dizem que não transam no primeiro encontro. Ela não transam não porque não estão com tesão, e sim por submissão ao homem, com medo de que ele não irá ligar no dia seguinte. E por ai vai. O sexo é usado para outros objetivos que não o prazer sexual. Continuidade da relação, conquistar alguma coisa. Enfim, a repressão ainda é grande. A internet rompe com alguns destes preconceitos. Antigamente os homens compravam as revistas Playboy como única possibilidade. Agora você tem tudo disponível na internet. Na medida em que o sexo começar a ser percebido como algo bom, natural, que faz bem, as pessoas irão fazer sexo de mais qualidade. Isto não impede que você de ter desejo de querer ver pessoas transando. E na internet você pode combinar de se relacionar em encontros casuais. Tem estudos que comprovam que as mulheres se excitam tanto quanto os homens ao ver os órgãos genitais dos homens.
Sul21 – Apesar das transformações da sociedade atual, a igualdade de gênero ainda é uma busca das mulheres. Há uma parcela feminina que ainda espera o homem abrir a porta do carro, pagar a conta do motel. Cavalheirismo e romantismo tem influência negativa para o feminismo?
Regina Navarro Lins – No meu livro, a pesquisa respondida pela internet mostra que 69% acham que as mulheres deveriam dividir a conta do motel. Eu tenho amigas psicanalistas falando que dividem tudo, menos a conta do motel. É uma ideia ainda que a mulher é objeto e o homem tem que pagar. É a origem da prostituição. As mulheres eram tão oprimidas que, com o seu corpo, satisfaziam as necessidades masculinas e ganhavam presentes em troca, roupas ou comida. Há mulheres que usam como argumento o fato de que elas já gastam com depilação e demais cuidados estéticos, então não devem dividir o motel. Quer dizer, as mulheres querem os benefícios da emancipação feminina e não querem o ônus dessa emancipação. Porque não dividir a despesa de motel se o homem e a mulher vão ter prazer?
Quanto ao cavalheirismo, é péssimo para a mulher. Gentileza é algo que homens e mulheres podem e devem ter. Agora, esperar que o homem abra porta do carro ou puxe a cadeira para a mulher sentar é reforçar a ideia de que a mulher é incompetente, afinal, foi assim que ela foi considerada durante milênios. Está embutida a ideia de que a mulher é inferior, frágil, que não pode administrar aspectos simples da vida.
Sul21 – O sexo e a moral ainda geram muitas contradições nas práticas da sociedade. Religiosos praticam pedofilia, pais de família buscam travestis nas calçadas, enfim. Porque sexo ainda é tão polêmico e mexe tanto com as pessoas?
Regina Navarro Lins – Por conta da repressão. Uma criança na nossa cultura nasce e cresce aprendendo que toda a ofensa está ligada a sexo. Não tem um xingamento que não seja ligado a sexo. Então, sempre quando se quer ofender alguém se fala de sexo. Já crescemos com o sexo como algo sujo. No caso da homossexualidade, durante muito tempo foi um preconceito horrível. A homossexualidade já foi considerada pecado, crime, doença. O século 18, a homossexualidade e a masturbação eram consideradas abomináveis. Em 1973, a associação médica americana tirou a homossexualidade da categoria de doença. Mas, ficou arraigado a ideia de que tudo que não levasse a procriação era pecado. A pílula anticoncepcional dissociou o sexo da procriação e o aliou ao prazer. Até o movimento gay se beneficiou com a pílula, na medida em que a prática hétero e homo se aproximaram, ambas visando o prazer. Mas, tudo é um processo. Ainda estamos caminhando. Tem muito preconceito, mas os gays já ganharam mais espaço e vão ganhar mais ainda. Acredito que a tendência seja a bissexualidade. O patriarcado dividiu a humanidade em duas partes: o masculino e o feminino. O ideal masculino é força, sucesso, poder, coragem, ousadia. Mulheres, por outro lado, são doces, meigas, cordatas, submissas. Na derrocada do patriarcado com a chegada da pílula, onde as mulheres passam a gerenciar a reprodução, houve o golpe fatal nesse sistema, que a partir daí começou a desmoronar. Hoje, nós queremos ser o todo. Todos somos fortes e fracos, corajosos e medrosos, passivos e ativos. Não queremos ser só um lado. O homem quer chorar, falar de emoções. Mulheres querem ser fortes. As pessoas querem ser o todo e não mais mutiladas. Acredito que daqui algumas décadas a escolha do objeto amoroso será pelas características de personalidade e não mais se é homem ou mulher.
Sul21 – Qual o conselho que você dá para que as pessoas não se submetam à moral imposta e consigam viver o mais possível em sintonia com seu desejo?
Regina Navarro Lins – É fundamental que as pessoas reflitam a respeito dos valores e das crenças aprendidas e, aos poucos, irem deletando o moralismo e os preconceitos. Isso, se você quiser viver bem. Mas, para viver bem, ter que ter coragem.
Rachel Duarte
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