20 de fev de 2012

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Após 20 anos, movimento “O Sul é o Meu País” volta a se organizar

Celso Deucher, presidente do movimento, com a bandeira do novo país ao fundo: 30 mil filiados em 800 cidades do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul
Ideia da separação foi retomada no ano passado. No mês que vem, “sulistas” fazem congresso para comemorar as duas décadas da causa e ganhar novo fôlego
Separar os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul de seu grande inimigo: o Estado brasileiro. Essa é a polêmica luta do movimento “O Sul é o Meu País”, que completa 20 anos em 2012 com a pretensão de voltar a ganhar a discussão das ruas. Nos próximos dias 17 e 18 de março, os sulistas que querem a separação do resto do país fazem um congresso na Assem­­­­bleia Legislativa de Santa Cata­­­­rina, em Florianópolis, para celebrar as duas décadas de existência e ganhar novo fôlego.
Tratado com ironia e procurando livrar-se do estigma de ser “racista” em relação à população de outras regiões do Brasil, o movimento foi retomado no ano passado após a realização de uma pesquisa que teria indicado um grande apoio popular à causa separatista nas capitais do Sul.
O atual presidente do movimento, Celso Deucher, diz que o sonho dos “sulistas” seria a realização de um plebiscito para a criação do novo país, livre do “imperialismo centralizador“ e da “terrorismo tributário” da federação brasileira – nas palavras dele. Participaria da consulta toda a população do Sul do Brasil.
No caminho do movimento, porém, há uma cláusula pétrea da Constituição Federal que diz que a República brasileira é “formada pela união indissolúvel” dos estados e municípios – o que torna inconstitucional qualquer intenção de criar um novo país.
Assim, por prudência, os adeptos do movimento evitam falar em separatismo, preferindo a expressão “autonomia”. Como base legal da luta, explica Deucher, está o direito à liberdade de expressão e o princípio do Direito internacional da “autodeterminação dos povos”.
Ele ainda rebate a acusação de que o movimento é racista. “Isso sempre é usado para nos desacreditar. É uma besteira. O Sul do Brasil é uma das regiões mais múltiplas, com presença de várias etnias”, diz Deucher. Ele afirma estar concluindo um livro sobre a presença negra no Vale do Itajaí, em Santa Catarina – o que seria uma prova do caráter não racista da causa.
Criado no Rio Grande do Sul, o movimento se diz herdeiro de outros levantes separatistas sulinos – como a Revolução Farrou­­­pilha, no século 19. Segundo seu presidente, o movimento tem hoje representação em 800 municípios dos três estados e cerca de 30 mil filiados. O alto número de simpatizantes, no entanto, não se traduz em arrecadação financeira. Segundo Deucher, a organização sobrevive de doações dos 26 diretores e de mensalidades de R$ 15 pagas por cerca de cem membros.
Críticas
Para o professor de História Carlos Antunes Filho, da UFPR, as ideias separatistas no país são apoiadas em bases suspeitas. “É um delírio baseado em segregação racial e intolerância que destoa da forma coletiva e plural da construção da nação brasileira”, diz ele. O professor Herbert Toledo Martins, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, também desacredita a ideia. “Não é um movimento sério; não tem representatividade política.”
Acostumado a críticas, Deu­­­cher rechaça as acusações de que o movimento é delirante. “Pode ser um sonho; mas tem muita gente sonhando junto”, diz ele, que é professor de História numa escola de Brusque (SC), jornalista e marqueteiro político.
Sonho de independência
Uma nação com seleção e municípios fortes
Um Estado do tamanho da França, que privilegia os municípios e tem uma grande seleção de futebol. Esse é o país vislumbrado pelos separatistas. Segundo o presidente do movimento “O Sul é o Meu País”, Celso Deucher, a organização não tem legitimidade para fazer conjecturas sobre a nova nação. A tarefa cabe ao Grupo de Estudos Sul Livre, formado por intelectuais simpáticos à causa e do qual ele é o secretário-geral.
Até agora, os debates indicam que o Estado sulista adotaria um modelo descentralizado de poder batizado de “Confederação Municipalista”. “A vida real acontece nos municípios. Estados e União são ficções”, diz Deucher.
A principal diferença em relação ao Estado brasileiro seria a inversão da lógica da arrecadação tributária, diz ele. Os municípios ficariam com 70% do arrecadado e a Confederação com o restante – apenas para manter as Forças Armadas e um Parlamento ao estilo sueco, que só se reúne quando surge a necessidade de convocação. “Não queremos criar uma classe de burocratas sustentados pelos impostos, como acontece no Brasil”, afirma Deucher.
Além da questão tributária, outros fatores que motivariam a separação são o descontentamento com a democracia representativa brasileira e ausência de autonomia legislativa dos atuais estados brasileiros – que hoje têm restrições para editar leis.
Deucher também diz que, com o novo país, haveria ainda uma suposta capacidade maior de reação contra injustiças. De quebra, mesmo sem ser fã do futebol, ele vislumbra um país com uma ótima seleção. “Muitos dos melhores jogadores e técnicos do mundo são da nossa região” gaba-se Deucher. (SM)
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Barbárie na Líbia. Cadê a mídia?

Na quinta-feira (16), a "insuspeita" Anistia Internacional divulgou que as milícias armadas que derrubaram e mataram o ex-presidente Muamar Kadafi, com a ajuda indispensável dos misseis da Otan e dos mercenários dos EUA, estão totalmente "fora de controle”. Segundo a organização, "há um ano, os líbios arriscaram a vida para exigir justiça. Hoje, as suas esperanças se vêem prejudicadas por milícias armadas ilegais que pisoteiam os direitos humanos com impunidade".
Segundo o relatório, as gangues apoiadas pelas potências capitalistas efetuam prisões ilegais, torturam e matam pessoas suspeitas de serem simpatizantes de Kadafi. A Anistia Internacional visitou 11 presídios no centro e no oeste da Líbia durante janeiro e o início deste mês. As prisões são usadas pelas milícias e a organização coletou relatos de inúmeros detentos que foram torturados e maltratados nos locais.
Torturas e mortes com impunidade
Desde setembro passado, houve a confirmação de apenas 12 mortes nas prisões comandadas pelas milícias. O governo fantoche da Líbia não iniciou qualquer investigação sobre os assassinatos. A Anistia Internacional culpa o CNT (Conselho Nacional de Transição) por não combater as violações de direitos humanos. A impunidade garante a ampliação da barbárie no país.
Em janeiro, a organização Médicos Sem Fronteira (MSF) já havia anunciado que encerraria seu trabalho em prisões da cidade de Misrata. Ela constatou que o governo líbio torturava os presos. Desde agosto passado, a organização já havia tratado de 115 presos torturados. Em pronunciamento oficial, ela afirmou que as autoridades do país não tomaram providências contra os abusos.
Oito mil prisioneiros
"Algumas autoridades tentaram obstruir o trabalho médico do MSF. Pacientes eram trazidos para serem tratados entre os interrogatórios para que estivessem em forma para a próxima sessão. Isso é inaceitável. Nosso papel é oferecer cuidado médico em casos de guerra e presos doentes, não tratar repetidamente dos mesmos pacientes entre sessões de tortura", afirmou o diretor geral da MSF, Christopher Stokes.
Segundo a ONU, cerca de oito mil simpatizantes de Kadafi foram presos durante os confrontos no país - além de milhares de mortos, a maior parte atingida pelos misseis da Otan. A situação dos prisioneiros é de total desrespeito aos direitos humanos. "A falta de controle por parte das autoridades centrais criam um ambiente propício para a tortura e os maus tratos", alerta Navi Pillay, a alta comissária da ONU para Direitos Humanos.
Os mercenários da mídia
A mídia imperial e seus satélites colonizados, que deram total apoio às milícias e aos bombardeios das potências capitalistas, agora estão em silêncio. Pouco ou nada falam sobre as torturas e mortes patrocinadas pelos mercenários que agora comandam a Líbia. Cadê o Jornal Nacional da TV Globo com suas matérias sensacionalistas sobre os direitos humanos no país? Cadê o Estadão e a Folha com seus editoriais raivosos contra a ditadura líbia?
De fato, não há muita diferença entre os mercenários líbios, apoiados pelos EUA e pela Europa, e os mercenários da mídia! Eles cobiçam as mesmas riquezas e defendem os mesmos interesses do capital!
*  *  * 
Na sexta-feira (17), a apresentadora de tevê Hala Misrati, famosa por sua defesa do ex-presidente Muammar Kadafi, foi assassinada numa prisão da Líbia. Segundo relatos, a jornalista de 31 anos foi vítima de torturas e de estupros. O governo fantoche da Líbia, bancado pelos EUA e Europa, confirmou a morte, mas não deu detalhes sobre a tragédia.
O assassinato ocorreu no mesmo dia das “comemorações” do primeiro aniversário da vitória das milícias “rebeldes”, armadas pelas nações imperialistas e auxiliadas pelos mísseis da Otan. Neste um ano, os mercenários têm promovido inúmeros atos de crueldade contra os simpatizantes de Kadafi. Cerca de 8 mil pessoas vegetam nas prisões e sofrem torturas constantes, segundo relatos da própria ONU, da Anistia Internacional e da ONG Médicos Sem Fronteira.
Hala Misrati, símbolo da resistência
Hala Misrati é um dos símbolos da resistência à agressão imperialista no país. Em agosto passado, quando as milícias “rebeldes” já combatiam em Trípoli, a apresentadora de televisão protestou ao vivo diante das câmeras. De revólver em punho, ela afirmou que “com esta arma morrerei ou matarei”. Ela garantiu que não aceitaria entregar a emissora para o controle dos mercenários e concluiu: “Protegerei meus companheiros e nos converteremos em mártires”.
Com a derrubada e o assassinado de Kadafi, ela foi presa e exibida como um “troféu” pelos mercenários. Sua última aparição diante das câmeras se deu em 30 de dezembro passado. Ela apareceu em silêncio, segurando uma folha com a data da gravação, e com o rosto cheio de hematomas. O boato que circulou no país é que tinham cortado sua língua. Depois disso, mais ninguém soube do paradeiro de Misrati.
O silêncio da mídia mercenária
O tirânico Conselho Nacional de Transição (CNT), que já acertou os detalhes da entrega do petróleo para as nações imperialista, evita se pronunciar sobre os atentados aos direitos humanos na Líbia. Além de não garantir julgamento justo aos presos políticos, ele incentiva as crueldades patrocinadas pelas milícias. Segundo a Anistia Internacional, a violência está totalmente “fora do controle” neste sofrido país – alvo da cobiça dos EUA e da Europa.
A mídia hegemônica também é cúmplice desta barbárie. Ela difundiu a imagem de que os “rebeldes” promoveriam a “democracia ocidental” e os direitos humanos na Líbia – e, infelizmente, muita gente se iludiu com essa propaganda mentirosa, sendo pautada pela imprensa. Atacaram Kadafi não pelos seus erros, que foram muitos, mas sim para defender os interesses das potências capitalistas.
Agora, a mesma mídia evita dar destaque às torturas e assassinados patrocinados pela “sua” milícia de mercenários. Cadê as matérias sensacionalistas da TV Globo sobre a Líbia? Cadê os “calunistas” de plantão da mídia colonizada? Cadê a gritaria em defesa dos direitos humanos das associações patronais?
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Síria: O fiasco dos agentes secretos franceses em Homs

Enquanto Paris acusa Damasco de ter organizado o assassínio do jornalista da France-Télévisions, Gilles Jacquier, em Homs, uma equipa de jornalistas russos acaba de apresentar uma outra versão diferente dos factos. Segundo o seu inquérito, o senhor Jacquier comandava, sob a cobertura da imprensa, uma operação dos serviços secretos militares franceses que redundou em fiasco. As acusações francesas não passam de uma forma de mascarar a responsabilidade de Paris nas ações terroristas empreendidas para desestabilizar a Síria.
Réseau Voltaire / Moscovo (Rússia) / 17 de janeiro 2012
O jornalista francês Gilles Jacquier foi morto quando fazia uma reportagem em Homs, na quarta-feira, 11 de janeiro. Tinha ido cobrir os acontecimentos na Síria para o magazine Envoyé spécial.
Persuadido de que não havia grupos terroristas, mas uma revolução reprimida em sangue, tinha recusado a proteção dos serviços de segurança e não usava capacete nem colete anti-balas. Com outros colegas que partilhavam as suas convicções, alugaram três minibuses e encontraram "pontos fixos", quer dizer, pessoas locais capazes de ajudá-los a encontrar pontos de referência, a marcar encontros e serviços de tradutores.
Todos em conjunto tinham pedido para encontrar-se com representantes alauitas antes de se dirigirem para os bairros revoltados de Bab Amr e Bab Sbah. Chegados ao Hotel As-Safir, tinham reencontrado por acaso um capitão que lhes propôs acompanhá-los com o seu destacamento até ao bairro alauita de Najha onde eram esperados por um assistente do governo de Homs. Com a sua ajuda, os jornalistas puderam encontrar personalidades e interrogar as pessoas na rua. Às 14:45 horas, a representante do governo tinha-lhes pedido que abandonassem o local o mais depressa possível, pois o cessar-fogo acabava de facto, em cada dia, às 15 horas precisas. No entanto, os jornalistas da rádio televisão belga flamenga (VRT) tinham-se aventurado mais longe em casas particulares até ao bairro de Akrama, pelo que o grupo demorou mais tempo a sair dali. Membros da associação das vítimas do terrorismo que tinham previsto manifestar-se em frente de um carro alugado pelo Ministério da Informação para cerca de quarenta jornalistas anglo-saxões, mas que não os tinham encontrado, acharam que seria útil gritarem slogans pelo presidente Bachar em frente das câmaras de televisão que ali se encontravam. Às 15 horas, como em cada dia, a batalha de Homs recomeçou. Um projétil explodiu no terraço de um edifício, destruindo um reservatório de óleo lubrificante. Um segundo projétil caiu sobre uma escola, depois um terceiro sobre os manifestantes pró-Assad, matando dois deles. Os jornalistas subiram ao terraço para filmar os estragos. Houve uma acalmia. Gilles Jacquier, pensando que os tiros tinham acabado, desceu com o seu ajudante para ir filmar os cadáveres dos manifestantes. Chegado ao vão da porta foi morto com seis militantes pró-Assad por uma quarta explosão, que o projetou sobre a pessoa que lhe servia de guia. Essa jovem foi ferida nas pernas.
Na confusão geral, o morto e a ferida foram evacuados em carros para o hospital. Este incidente fez nove mortos no total e vinte e cinco feridos.
A batalha de Homs prosseguiu com numerosos outros incidentes durante a tarde e a noite. À primeira vista, tudo era claro: Gilles Jacquier tinha morrido por acaso. Encontravase no lugar errado no momento errado. Sobretudo, as suas convicções sobre a natureza dos acontecimentos na Síria levaram-no a acreditar que só devia recear as forças governamentais e que não corria nenhum risco fora das manifestações antiregime. Por isso tinha recusado uma escolta, não tinha usado capacete e colete antibalas, não tinha respeitado a hora fatídica do fim do cessar-fogo. Definitivamente, não tinha sabido avaliar a situação, porque foi vítima da diferença entre a propaganda dos seus colegas e a realidade que ele negava.
Nestas condições, não se compreende muito bem porquê, depois de uma primeira reação de cortesia, a França, que tinha legitimamente exigido um inquérito às circunstâncias da morte do seu cidadão nacional, insinuou subitamente que Gilles Jacquier tinha sido assassinado pelos sírios e recusou que a autópsia tivesse lugar no local em presença dos seus especialistas. Estas acusações foram publicamente explicitadas por um dos jornalistas que acompanhavam Jacquier, Jacques Duplessy.
Para a imprensa francesa os factos não foram tão evidentes como parecia: persiste uma dúvida sobre a identificação dos projéteis mortais. Segundo a maior parte dos repórteres, tratava-se de tiros de morteiros. O exército sírio confirma que esta arma é quotidianamente utilizada pelos terroristas em Homs. Mas segundo alguns testemunhos, foram roquetes atirados a partir de um lança-roquetes portátil, e a televisão privada síria Ad-Dúnia mostrou as asas do roquete. Há quem se apaixone por este assunto, não sem segundas intenções. Em França, os anti-Assad acreditam no morteiro e acusam o exército sírio de o ter atirado. Enquanto que os pró-Assad acreditam no roquete e acusam os terroristas. Em definitivo, este detalhe não prova nada: é certo que o exército sírio utiliza morteiros, mas não deste calibre e os grupos armados utilizam lança-roquetes, mas nada impede cada campo de variar o seu armamento.
De resto, se é que se tratou de tiros de morteiro, os dois primeiros permitiram ajustar o tiro do terceiro e quarto para atingir os manifestantes que eram o seu alvo. Mas se se tratava de tiros de roquete, era possível visar com muito mais precisão e matar uma pessoa em particular. A tese do assassínio tornava-se possível.
O estudo das imagens e dos vídeos mostra que os corpos das vítimas não estão ensanguentados e crivados de estilhaços, como quando da explosão de um obus que se fragmenta. Pelo contrário, eles estão intactos, correndo o sangue, segundo os casos, pelo nariz e os ouvidos, como quando da explosão de um roquete termobárico, cujo impacto comprime os órgãos provocando hemorragias internas. Da mesma forma, os pontos de impacto sobre o passeio não indicam nenhum traço de fragmentação.
Note-se que certos testemunhos falam de granadas, o que não faz de modo nenhum avançar a nossa compreensão, porque existem granadas de sopro e granadas de fragmentação. Em definitivo, só a hipóteses de arma de sopro (RPG ou granada) é compatível com os elementos médico-legais visíveis nas fotos e vídeos. Acorrendo ao local, os investigadores sírios e os observadores da Liga Árabe encontraram caudas de morteiro de 82 mm e uma cauda de roquete de fabrico israelense.
Por consequência, as autoridades francesas têm razão para estudar a possibilidade do assassínio, mesmo quando se trata para eles de aproveitar um drama para instrumentalizar e justificar a sua ambição de guerra contra a Síria. Portanto, os diplomatas franceses, se tiverem por objetivo procurar a verdade, têm também manifestamente o objetivo de assegurar-se de que os sírios não a descubram. Assim, impediram todos os francófonos de se aproximarem da fotógrafa Caroline Poiron, companheira do jornalista Gilles Jacquier, que velava o seu corpo durante toda a noite. A jovem, em estado de choque, não conseguia dominar o seu comportamento e teria muito que dizer.
Depois, proibiram a autópsia no local e repatriaram o corpo o mais depressa possível. Qual é portanto a hipótese por que a França quer verificar sozinha, mas esconder do grande público?
Aqui começa o nosso mergulho no mundo dos serviços especiais ocidentais que conduzem na Síria uma "guerra de baixa intensidade", comparável às que foram organizadas nos anos oitenta na América Central ou, mais recentemente, na Líbia, para preparar e justificar a intervenção da NATO.
Gilles Jacquier era um repórter apreciado pelos seus colegas e premiado profissionalmente (Prémio Albert Londres, Prémio dos correspondentes de guerra, etc.). Mas não era só isto…
Numa carta com o cabeçalho de France-Télévisions , datada de 1 de dezembro de 2011 , as redatoras chefes da revista Envoyé spécial – a emissão política mais vista no país – tinham solicitado um visto do ministério sírio da informação [1] . Pretendendo querer verificar a versão síria dos acontecimentos segundo a qual "os soldados do exército sírio são vítimas de emboscadas e de grupos armados que grassam pelo país" elas pediam que Jacquier pudesse seguir o quotidiano dos soldados da 4.ª divisão blindada, comandada pelo general Maher-el-Assad (irmão do presidente) e da 18.ª divisão blindada, comandada pelo general Wajih Mahmud. As autoridades sírias ficaram surpreendidas pela arrogância dos franceses: por um lado, enquadram grupos armados que atacam as tropas leais, por outro pretendem infiltrar um agente da informação militar nas suas tropas, para informar os grupos armados das suas deslocações. Não foi dado seguimento a este pedido.
Assim, Gilles Jacquier tentou uma outra via. Pediu a intermediação de uma religiosa greco-católica de linguagem franca, estimada e por vezes temida pelo poder, Madre Agnès-Mariam de la Croix, com um cargo de direção no Mosteiro Saint-Jacques de l'Intercis. Ela tinha facilitado a primeira viagem da imprensa aberta aos jornalistas ocidentais. A célebre religiosa pressionou portanto o Ministério da Informação, até à obtenção de um visto para Jacquier e o seu acompanhante.
As coisas aceleraram-se em 20 de Dezembro – outros média pediram à Madre Agnès- Mariam que lhes obtivesse o mesmo favor. Quanto a Gilles Jacquier, este solicitou outro visto para a sua companheira, a fotógrafa Caroline Poiron, e para a repórter Flora Olive, representando as duas o Paris-Match. No total, devia ser um grupo de quinze jornalistas franceses, belgas, holandeses e suíços. Com toda a verosimilhança, os franceses e os holandeses eram na maior parte, ou todos, agentes da DGSE [2] . Havia urgência na sua missão.
Aqui, é indispensável fazer uma pequena retrospetiva:
Para enfraquecer a Síria, os grupos armados pela NATO empreendem diversas ações de sabotagem. Embora o centro histórico da rebelião dos irmãos muçulmanos seja Hama, e que só dois quarteirões de Homs os apoiem, a NATO escolheu esta cidade para concentrar as suas ações secretas. Com efeito, ela está no centro do país e constitui o principal nó de comunicação e de abastecimento. Sucessivamente, os "revolucionários" cortaram o oleoduto, depois os engenheiros canadianos que dirigiam a central eléctrica foram repatriados a pedido dos Estados Unidos. Enfim, cinco engenheiros iranianos encarregados de fazer voltar a funcionar a central foram retirados em 20 de Dezembro de 2011.
Os média receberam uma reivindicação de uma misteriosa brigada contra a expansão chiita na Síria. Depois, a embaixada confirmou ter iniciado uma negociação com os raptores de reféns. Bastava que estes transmitissem uma "prova de vida", por exemplo uma fotografia datada dos reféns de boa saúde. Contra toda a expetativa, esta não foi enviada directamente à República Islâmica, mas publicada pelo Paris-Match (edição de 5 de Janeiro). Um fotógrafo da revista, dizia-se, tinha conseguido entrar secretamente na Síria e realizar essa foto. Talvez os leitores franceses se tivessem interrogado se esse repórter era realmente humano para tirar fotografias de reféns sem lhes ter prestado auxílio. Pouco importa, a mensagem era clara: os engenheiros estão vivos e os raptores de reféns são controlados pelos serviços franceses. Nenhuma reação oficial nem de um lado nem do outro. Era portanto porque as negociações continuavam.
Chegados a Damasco, os média franceses e holandeses foram alojados pelas autoridades em hotéis diferentes, mas Jacquier reagrupou-os imediatamente no Fardos Tower Hotel. O diretor deste estabelecimento não é outro senão Roula Rikbi, a irmã de Bassma Kodmani, porta-voz do Conselho Nacional, com base em Paris. O hotel serve de esconderijo aos serviços secretos franceses.
Em resumo, um agente de informação militar, tendo por companhia um fotógrafo cujo colega conseguiu entrar em contacto com os reféns, formou um grupo de "jornalistas" com uma missão ligada aos reféns, provavelmente a sua entrega por franceses aos iranianos. Dirigiram-se a Homs depois de se terem desembaraçado dos serviços de segurança, mas o chefe da missão foi morto antes de poder estabelecer o contacto previsto.
Compreende-se que, nestas condições, o embaixador da França se tenha tornado nervoso. Ele tinha o direito de considerar que Gilles Jacquier tivesse sido assassinado por membros dos grupos armados, inquietos com a deslocação da aliança militar França-Turquia, e extremistas de uma guerra da NATO. Hostis à negociação em curso, teriam feito ir por água abaixo a sua conclusão.
O embaixador da França, que não tinha tido tempo de reconstituir os acontecimentos, esforçou-se portanto para impedir que os sírios o fizessem. Contrariamente às normas internacionais, recusou que a autópsia fosse realizada no local, em presença do especialista francês. Os sírios aceitaram infringir essa regra, com a condição de fazerem uma radiografia. Na realidade, eles aproveitaram para fotografar o cadáver sob todos os ângulos. Segundo as nossas informações, o corpo apresenta vestígios de estilhaços no peito e de cortes na fronte.
Depois, o embaixador levou nos seus carros blindados os " jornalistas " franceses e o holandês, e os restos mortais do defunto. Partiu com eles acompanhado por uma forte escolta, deixando em terra a Madre superiora estupefacta e um jornalista da Agência France Presse: o diplomata apressado tinha recuperado os seus agentes e abandonado os civis. Os carros blindados foram recuperar as bagagens de cada um ao hotel As-Safir de Homs, depois regressaram à embaixada em Damasco. O mais depressa possível, chegaram ao aeroporto, onde um avião especial fretado pelo Ministério francês da Defesa evacuou os agentes para o aeroporto de Paris-Le Bourget. Os agentes secretos não fingiram mais realizar as reportagens na Síria, esqueceram-se de ter obtido um prolongamento do seu visto, e fugiram à justa antes que os sírios descobrissem o arranjinho desta operação falhada. Chegado a Paris, o corpo foi imediatamente transferido para o instituto médico-legal e autopsiado, antes da chegada dos peritos mandatados pela Síria. Violando os processos penais, o governo francês invalidou o relatório da autópsia, que cedo ou tarde seria rejeitado pela Justiça, e afastou definitivamente a possibilidade de estabelecer a verdade.
A fim de impedir os jornalistas franceses (os verdadeiros) de meter o nariz nesta questão, os jornalistas (os falsos) que acompanhavam Jacquier, uma vez regressados a França, multiplicaram-se em declarações contraditórias, mentindo de maneira desavergonhada, para criar a confusão e mascarar a verdade. Assim, embora oito manifestantes pró-Assad tenham sido mortos, Jacques Duplessy denuncia "uma cilada montada pelas autoridades sírias " para eliminá-lo com os seus colegas. Verificado isto, o senhor Duplessy trabalhou afincadamente para uma ONG, conhecida por ter servido de biombo …à DGSE. Para os iranianos e os sírios, a morte de Jacquier é uma catástrofe. Deixando circular o grupo de espiões franceses e vigiando-o discretamente, esperavam chegar aos raptores e, ao mesmo tempo, libertar os reféns e prender os criminosos.
Desde há um ano, os serviços secretos militares franceses foram postos ao serviço do imperialismo estado-unidense. Organizaram um início de guerra civil na Costa do Marfim. Em seguida, manipularam o separatismo da Cirenaica, para dar a ideia de uma revolução anti-Kadhafi e apoderar-se da Líbia. Agora, enquadram os cadastrados recrutados pelo Qatar e a Arábia Saudita para semear o terror, acusar o governo sírio e ameaçar com a sua mudança. Não é certo que o povo francês gostasse de saber que Nicolas Sarkozy rebaixou o seu país ao nível de um vulgar raptor de reféns. Não devemos admirar-nos se um Estado que pratica o terrorismo em terra alheia, se venha a confrontar um dia com ele na sua própria terra.
NT
[1] Este documento pode ser visto no final da página do sítio em referência
[2] Direção Geral da Segurança Exterior – serviço do Estado francês, sob a autoridade do poder executivo, que tem por objetivo a proteção dos interesses franceses, designadamente a proteção dos cidadãos franceses em qualquer parte do mundo.
Boris Vian, Correspondente do Komsomolskaya Pravda em Damasco
O original encontra-se em http://kp.ru/daily/25819/2797223/, a versão francesa em New Orient News (Líbano) e em
http://www.voltairenet.org/Le-fiasco-des-barbouzes-francais-a, a tradução de MT do francês para português em http://www.pelosocialismo.net/
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Videla: “Nosso pior momento chegou com os Kirchner”

Em uma entrevista para a revista espanhola Cambio 16, o chefe da última ditadura argentina, Jorge Rafael Videla, reivindicou a chegada dos militares ao poder em 1976 como um "ato de salvação" de um país com “vazio de poder, paralisado institucionalmente e sob risco de anarquia”. Ele enfatizou o apoio prestado pelos empresários e pela Igreja Católica para o golpe e criticou o que chamou de "revanchismo" do casal Kirchner que o colocou atrás das grades para o resto da vida.
Buenos Aires - Em uma longa entrevista para a revista espanhola Cambio 16, o chefe da última ditadura argentina, Jorge Rafael Videla, reivindicou a chegada dos militares ao poder em 1976 como um ato de salvação de um país com “vazio de poder, paralisado institucionalmente e sob risco de anarquia”. Ele enfatizou o apoio prestado e a excelente relação dos militares com a Igreja Católica, assim como a colaboração dos empresários que perguntavam desesperados: “vão dar o golpe ou não”. Além disso, criticou a reabertura dos julgamentos de militares por crimes de direitos humanos, chamou o casal Kirchner de “revanchista” por impulsionar esses processos e se considerou vítima de uma vingança. “Nosso pior momento chegou com os Kirchner”.
Videla vive desde outubro de 2008 em uma cela da prisão de Campo de Maio, um antigo cárcere militar, agora sob o comando do Ministério da Justiça. Neste lugar estão acusados e condenados pela prática de crimes contra a humanidade. Antes dessa data, o ex-ditador estava cumprindo suas penas em dependências militares ou em sua casa. No entanto, uma ação movida pelas Abuelas de Plaza de Mayo, por causa do plano sistemático de roubo de bebês, fez com que perdesse o benefício da prisão domiciliar.
O ex-militar foi julgado e condenado em 1983 a prisão perpétua e perda da patente militar por numerosos crimes contra a humanidade cometidos durante a ditadura. No dia 22 de dezembro de 2010 foi condenado à prisão perpétua em cela comum pelos fuzilamentos na unidade penitenciária de San Martín, Córdoba, ocorridos entre março e outubro de 1976.
Na entrevista, Videla interpreta e contextualiza o que, na sua avaliação, foram os fatos que possibilitaram o golpe militar de 1976. Enfatiza a crise institucional que a Argentina vivia na década dos 70 e acusa de “subversivos” os jovens peronistas mais radicalizados. “Esses jovens estavam armados e iam continuar pela via violenta seu objetivo de fazer a revolução”.
Para Videla, os primeiros passos que tentaram “impor ordem” à crise institucional no início dos anos 70 se deram com a criação da Triple A – Aliança Anticomunista Argentina -, dirigida por um homem de confiança de Perón, o então ministro de Bem-Estar Social, José López Rega, que organiza e se dedica a executar as ordens dadas pelo velho general e que “nem sempre se ativeram à legalidade”.
Morto Perón, assumiu sua esposa, a vice-presidente Isabel Martínez de Perón, e a situação do país piorou: “Havia um vazio de poder, paralisia institucional e risco de anarquia”. Frente a esse estado de coisas, a cidadania, dirigentes políticos e sociais pediram a intervenção das Forças Armadas”.
Para Videla, a decisão tomada pelas Forças Armadas e o terrorismo de Estado resultante do golpe não se deram sem apoio de lideranças políticas civis. Pelo contrário , disse, contou com o apoio de, por exemplo, radicais e peronistas no poder. O então presidente provisório, após a saída de Isabel Perón, Ítalo Argentino Luder, pediu aos militares um plano para “enfrentar as ações terroristas”, aprovou as propostas mais duras e assinou o decreto para “aniquilar” essas forças. “O poder político deu aos militares licença para matar”, assinalou.
“Os decretos de Luder nos deram todo o poder e competência para desenvolver nosso trabalho, excedendo inclusive o que havíamos pedido; Luder, na prática, nos deu licença para matar, e digo isso claramente. A realidade é que os decretos de outubro de 1975 nos deram essa licença para matar e quase não seria necessário dar o golpe de Estado. O golpe foi dado por outras razões, que expliquei antes, como o desgoverno e a anarquia”.
Sobre a relação com o mundo civil, o ditador assegurou que, enquanto foi presidente, teve uma boa relação com o empresariado e a Igreja Católica. “Os empresários colaboraram e cooperaram conosco. Nosso ministro de Economia de então, Alfredo Martínez de Hoz, era um homem conhecido da comunidade de empresários da Argentina, e havia um bom entendimento e contato”, definiu. Quanto à Igreja Católica, disse que teve uma relação “excelente, muito cordial, sincera e aberta”.
A respeito de sua situação criminal, Videla sustentou que ele e outros repressores estão presos por causa do “revanchismo” e do “espírito de vingança dos Kirchner”: Alfonsin respeitou os indultos a sua maneira; Menem também, do seu modo, cumpriu com os indultos. E chegamos ao casal Kirchner, que fez todo esse assunto retroceder à década de setenta e vem cobrar o que não puderam cobrar naquela década”.
“Fazem isso com um espírito de absoluta revanche e, esta é uma opinião pessoal, com o agravante de que podendo fazê-lo não o fizeram em seu momento. Estes senhores eram burocratas que distribuíam panfletos e não mataram nem uma mosca na época. E isso lhes dá vergonha, claro, razão pela qual quiseram exagerar a acusação para fazer um papel de valentes em um filme do qual não participaram”.
Segundo Videla, a situação que a Argentina vive hoje é “muito parecida com a dos anos 70”. “Hoje a República desapareceu. As instituições estão mortas, paralisadas, numa situação muito pior que na época de Maria Estela Martínez de Perón”.
Francisco Luque - De Buenos Aires
Tradução: Katarina Peixoto
No Carta Maior
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O novo comando de Zero Hora

Zero Hora entrou a semana sob nova direção. Depois de menos de quatro anos como diretor de Redação, Ricardo Stefanelli passa o posto para Marta Gleich, uma das diversas mudanças de chefia que o grupo está fazendo. Nesse período, dizem os dados do jornal, a Zero Hora ampliou sua circulação, mas convenhamos que, em termos de qualidade, não avançou muito.
Foi no período de Stefanelli que Zero Hora inaugurou seu novo parque gráfico e investiu em melhorar o jornal impresso, quando diversos veículos no mundo todo já começavam a abandonar o papel para assumir com exclusividade as plataformas digitais. Era o jornal gaúcho priorizando o impresso. Pelo menos era o que parecia, mas depois o grupo lançou seu novo portal. A Zerohora.com foi provavelmente a iniciativa mais acertada deste período, principalmente para um grupo que se propõe grande mas contava apenas com um portal tão pouco funcional como o ClicRBS.
Marta Gleich estava à frente deste projeto, como diretora de Internet do Grupo RBS. Mestre em jornalismo digital, deduz-se competente, aparentemente, e dedicada. Afinal, sempre trabalhou na Zero Hora, desde antes de formada em jornalismo pela UFRGS. Tenho minhas enfáticas restrições com quem se dedica quase 30 anos a uma empresa tipo RBS. Por lidar com informação, sua orientação ideológica influencia fortemente o trabalho de seus funcionários, que precisam estar alinhados para aguentar tanto tempo e ir galgando posições lá dentro, até chegar a diretora de Redação.
Zero Hora passa a ser dirigida por uma funcionária antiga, que tende a aprofundar ainda mais esse viés ideológico com o qual certamente se identifica. Um viés à direita, que criminaliza movimentos sociais, vê manifestações políticas como meros problemas de trânsito, esforça-se há décadas por despolitizar ao máximo seus leitores e compra briga com qualquer governo mais à esquerda que assuma qualquer nível da administração pública no país. Em perfil da nova diretora de Redação feito pelo site Coletiva.net, Marta é chamada de “uma Führer otimista”, apelido concedido pelo colega (já que no Brasil, como sempre pontua Mino Carta, jornalista chama patrão de colega) David Coimbra por seu caráter, digamos, um tanto autoritário. E, bom, vale dizer que ela sentiu-se “lisonjeada” com o apelido.
Stefanelli despediu-se, na edição de domingo, entregando o cargo para ir para Santa Catarina. Parece evidente, com a mudança, que Marta entra para investir no digital, tentar transformar o jornal em referência na área. Isso tudo sem mudar a linha de Zero Hora. Linha que, aliás, começou a ser definida com a grande transformação implementada por Augusto Nunes – aquele mesmo que fica dizendo asneira atrás de asneira nas páginas da revista Veja – na primeira metade dos anos 1990. Foi a grande modernização do jornal e, contraditoriamente, ao mesmo tempo, sua virada à direita.
Desde então, Zero Hora nunca retrocedeu nesses propósitos. A qualidade técnica até pode aumentar. As plataformas de distribuição da notícia, de divulgação, modernizam-se, ampliam-se. Mas, jornalisticamente, o conteúdo perde a cada dia. O bairrismo ufanista só faz aumentar, expondo o ridículo de quem compõe aquelas matérias deturpadas para enfatizar a participação, mesmo que minúscula, de algum gaúcho em qualquer coisa que aconteça em qualquer lugar do mundo. O preconceito, especialmente o de classe, assusta, principalmente porque vai de encontro às transformações por que passa o país, reduzindo a pobreza, incluindo tanta gente num futuro que antes não tinham. A manipulação e o “dois pesos, duas medidas” se tornaram parte da rotina, prática diária. Enfim, o futuro de Zero Hora não parece muito promissor para quem considera qualidade da informação e pluralidade mais importantes do que as plataformas em que elas circulam.
No Somos andando
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FHC estraga o carnaval de Serra

Pelo jeito, o Carnaval dos tucanos não está sendo nada divertido – está mais com cara de Cinzas. Na véspera da folia, José Serra se sentiu o próprio Rei Momo, o dono da festa. Foi paparicado até por seu rival, Geraldo Alckmin, para ser o candidato do partido às eleições paulistanas. Metido, ele exigiu que todos se curvassem a sua realeza e que a fantasia das prévias do PSDB fosse rasgada.
Mas, pelo jeito, houve uma rebelião dos carnavalescos tucanos. Dos quatro pré-candidatos às prévias, três se recusam a rasgar as alegorias. Apenas Andrea Matarazzo, o candidato das abotoaduras de ouro, topou viajar com Serra para Buenos Aires. Trocou o samba pelo tango! Para piorar, o verdadeiro dono da escola, o carnavalesco FHC, resolveu tumultuar o desfile tucano.
O bloco tucano vai definhar?
Um de seus porta-bandeiras, Eduardo Graeff, assessor do ex-presidente, avisou que Serra não está com esta bola toda e que seu reinado de Momo tem limites. Não dá para descartar os foliões das prévias. “O PSDB vai definhar se continuar sendo apenas um clube parlamentar e uma federação de ‘caciquias’ estaduais. O PSDB precisa se conectar com os seus filiados”, alertou.
O racha na cúpula da escola tucana pode até atrapalhar o jogo pragmático de outro folião, o prefeito Gilberto Kassab. Diante dos desarranjos no desfile, ele submeterá o seu bloco carnavalesco – que “não é de esquerda, nem de direita e nem de centro” – aos planos de desajeitado e prepotente Rei Momo? Pelo jeito, a quarta-feira de Cinzas será prolongada! A devassidão vai correr solta!
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Charge online - Bessinha - # 1057

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A ilusão da escolha

A mídia nunca foi tão concentrada. Seis gigantes controlam 90% de tudo que os americanos (e o mundo, por extensão) leem, assistem ou ouvem.
Em 1.983, 90% da mídia americana era propriedade de 50 empresas, em 2.011, os mesmos 90% pertencem a 6 empresas.
A variedade que alegam existir é uma farsa.
No Esquerdopata
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Mais uma reintegração de posse na USP

Em meio ao carnaval Polícia Militar de SP age contra a moradia autônoma da USP
Durante a madrugada de hoje, dia 19 de fevereiro, a Polícia Militar de São Paulo aproveitou o momento de esvaziamento devido ao carnaval para agir contra o espaço de moradia autônomo dos estudantes, conhecido como Moradia Retomada da Universidade de São Paulo.
Bombas foram utilizadas e nenhum estudante dos outros blocos de moradia puderam se aproximar para ao menos filmar as ações. 12 estudantes foram presos e há ao menos uma menor de idade. Os estudantes estão neste momento no 14º DP da Polícia Militar localizado na R. Deputado Lacerda Franco, 369.
Os estudantes detidos estão sendo acusados de desobediência civil e danos ao patrimônio público e só sairão sob fiança. Poucos estudantes que estão acompanhando os detidos pedem para que todxs que estejam em São Paulo para comparecerem à delegacia para apoiar o movimento e pensar próximas ações
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Na manhã da segunda-feira, dia 6, o aviso sobre movimentação de policiais perto da portaria principal da Cidade Universitária mobilizou Movimento Estudantil e apoiadores. Era o prazo final para a execução da reintegração de posse da Moradia Retomada, localizada no térreo do bloco G do Conjunto Residencial da USP (CRUSP).
Depois de uma série de violações de Direitos Humanos durante a reintegração de posse da Reitoria Ocupada no final do ano passado, perseguição ao Sindicato dos Trabalhadores, demissões em massa, e ataque ao espaço do Núcleo de Consciência Negra, o reitor segue sua gestão coordenando a USP como se fosse uma empresa. Desta vez decidiu fazer a "limpeza" da Cidade Universitária poucos dias antes da matrícula dos calouros que se dará nos dias 8 e 9 deste mês.
O prédio onde hoje é a Moradia Retomada é um espaço auto-gestionado desde 17 de março de 2010. O local era antes a administração da COSEAS, Coordenadoria de Assistência Social. Os estudantes exigem políticas de permanência estudantil e o fim da vigilância que a COSEAS exerce sobre os moradores do Conjunto Residencial dos Estudantes da USP, CRUSP, mantendo relatórios sobre suas atividades políticas e pessoais.
O espaço é legítimo e provou ao longo de quase 2 anos dar mais assistência aos calouros do que o sistema burocrático destinado a isto. Contando com organização interna os integrantes da Moradia Retomada planejam atividades para recepção dos novos alunos. O espaço deve ser preservado como pólo importante para a luta dos estudantes.
Do CMI Brasil
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Grávida está entre 12 estudantes presos na USP
por ALCEU LUÍS CASTILHO
Uma estudante grávida está entre as seis mulheres e seis homens presos na manhã deste domingo, na Cidade Universitária, durante reintegração de posse de parte do bloco G, no Conjunto Residencial da USP (Crusp). O prédio estava ocupado pelos alunos desde maio de 2010.
A informação de colegas é a de que a estudante está no quinto mês de gravidez. Ela já tinha sido retirada durante o despejo de ocupantes do antigo espaço do DCE-Livre, em janeiro. Na época os estudantes divulgaram uma foto de um portão sobre seus ombros. Há relatos, não confirmados, de que ela teria sido levada desacordada para o camburão.
O major Marcel Lacerda Soffner, porta-voz da Polícia Militar, disse inicialmente que “provavelmente” ela não era estudante da USP. Depois foi mais categórico: afirmou que ela não estuda na universidade. Mas moradores do Crusp dizem que, além de estudante de um cursinho popular na Cidade Universitária, ela é, sim, aluna da Matemática.
Segundo Soffner, 3 entre os 12 estudantes detidos não são estudantes da USP. O blog apurou que pelo menos uma das pessoas presas, do Sul, estava de passagem exatamente nestes dias, durante o carnaval, hospedada no apartamento do amigo – também preso.
Os estudantes foram levados ao 14º Distrito Policial, em Pinheiros. O porta-voz da PM definiu a desocupação, iniciada por volta das 6 horas, como “pacífica”. Desde as 4h50, pelo menos, os policiais estavam no local, bloqueando as entradas para o bloco. Soffner informou que 100 policiais militares participaram da operação.
A polícia cumpriu um mandado expedido na sexta-feira pela juíza Ana Paula Sampaio de Queiroz Bandeira Lins, da 4ª Vara de Fazenda Pública. O autor do pedido de reintegração de posse é a USP. Os reús, a Associação dos Moradores do Crusp “e outros”. Leia aqui o motivo de Ana Paula ter tomado a decisão logo antes do feriado.
Moradores do terceiro andar do bloco F mostraram balas de borracha que, contam, foram atiradas pelos policiais. Vídeos registram os estilhaços. Os estudantes protestavam contra a reintegração – mas estavam impedidos de acessar o bloco G. O porta-voz da PM não quis entrar em detalhes sobre o conflito. Disse que tudo foi registrado em vídeo e será apurado.
Os seis estudantes expulsos da USP, em dezembro, estão entre as pessoas que ocuparam o bloco G, em maio de 2010. O local era conhecido como Moradia Retomada. Uma das primeiras providências da USP, durante a manhã de hoje, enquanto as entradas para o local eram lacradas, foi a de apagar as inscrições feitas pelos estudantes, com o nome “Moradia Retomada”.
O porta-voz da PM disse, em rápida entrevista coletiva às 9 horas, que o prédio já foi entregue juridicamente à USP. E que os estudantes foram fazer exame de corpo de delito, “para comprovar que não houve violência”. “Houve resistência normal, legítima, resistência passiva”, afirmou.
Pouco depois ele informou ao repórter da Globo que os estudantes responderão por resistência e por dano ao patrimônio público. “A polícia vai se manter aqui para monitorar a reintegração”, afirmou. Leia mais aqui sobre a entrevista com o porta-voz.
O estudante William Santana Santos, morador do Crusp, falou em nome dos estudantes. Disse que os estudantes pediram diálogo com a Coseas (a coordenadoria de Assistência Social da USP) para que não houvesse a desocupação.
O delegado Noel Rodrigues, do 14º DP, não quis falar sobre o caso. Disse que só falaria depois do almoço.
ESTUDANTES X PM
A Cidade Universitária vive desde outubro conflitos diretos entre estudantes e Polícia Militar. Em outubro, alunos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) reagiram à detenção de três estudantes que portavam uma pequena quantidade de maconha no estacionamento da história.
Em seguida estudantes ocuparam um prédio da administração da FFLCH. Uma semana depois, a reitoria da USP. No início de novembro houve reintegração de posse da reitoria, com centenas de policiais e a prisão de 73 pessoas – a maior parte alunos da USP. Uma estudante conta ter sido torturada.
Diante da desocupação da reitoria, os estudantes decidiram entrar em greve, progressivamente esvaziada durante os dois últimos meses - mas oficialmente prevista até a próxima assembleia geral, no início de março. Entre as reivindicações dos alunos estão a saída do reitor João Grandino Rodas e o fim do convênio entre a USP e a própria PM.
Em janeiro, um vídeo mostrou o estudante Nicolas Menezes Barreto sendo agredido por um sargento da PM, durante a desocupação do antigo DCE-Livre. Ele acusou a polícia de racismo. “PM me escolheu porque eu era o único negro”, disse ele ao blog Outro Brasil.
No EduFuturo
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Espanha: protestos em 57 cidades contra reforma trabalhista

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O Confuso PSDB Paulista

O que se passa com o PSDB em São Paulo? Dito de outra forma: que falta faz Mario Covas!
Criado em 1988, o PSDB nasceu em São Paulo. Foi lá que um grupo de políticos da “ala do bem” do PMDB resolveu que havia limites para tudo: o começo da administração de Orestes Quércia, no ano anterior, mostrava que o partido era pequeno demais para eles e o governador.
Não querendo compactuar com o que imaginavam seria o restante de seu governo, preferiram sair. Estavam certos. Quércia foi tudo que temiam.
(Isso não impediu que, anos depois, um candidato tucano a presidente fosse cortejá-lo, obsequiosamente pedindo seu aval para outra aventura mal sucedida. Antes de falecer, em 2010, Quércia ainda teve tempo de se revelar um sincero e prestimoso aliado de José Serra).
Em São Paulo, o PSDB foi um sucesso. Mário Covas, seu candidato a presidente em 1989 - apenas um ano após a criação do partido -, ficou em quarto lugar e ganhou o respeito do país, pela campanha que fez e pela coerência de apoiar Lula no segundo turno.
(Isso não desencorajou alguns quadros tucanos paulistas a se dispor, alegremente, a integrar o ministério do adversário de Lula. Se não fosse o veto de Covas, o governo Collor teria tido, no mínimo, um tucano de alta plumagem no primeiro escalão. Convidado, havia dito sim).
Com pouco mais de cinco anos de existência, o PSDB paulista tinha feito o presidente da República, o núcleo de seu staff, vário ministros, e estava instalado no governo do maior estado da Federação. Uma trajetória espetacular.
Desde 1994, o PSDB administra São Paulo e bate todos os recordes de permanência de um partido à frente de um governo estadual – sem contar a República Velha.
Ao término do atual mandato, Alckmin completará duas décadas ininterruptas de ocupação tucana do Palácio dos Bandeirantes, coisa que nenhuma oligarquia contemporânea conseguiu em outro lugar do Brasil. Sarney e o finado Antonio Carlos Magalhães teriam muito que aprender com eles.
É verdade que, nesses 20 anos, o PSDB só governou a capital por 15 meses, na fase em que Serra fez uma rápida baldeação à frente da prefeitura - depois de perder a eleição presidencial de 2002, ganhar a municipal de 2004 e antes de renunciar para concorrer ao governo estadual em 2006.
Mas continuou representado na administração municipal, quando Kassab assumiu o lugar deixado por Serra e se reelegeu em 2008. São, portanto, oito anos de presença tucana na prefeitura.
Como entender que o PSDB paulista seja tão incapaz de definir o que vai fazer este ano na sucessão de Kassab? Justo na capital de seu reduto?
Consta que procuraram Serra para ser candidato. Ele disse que não queria – o que pode ser considerado normal em seu caso, pois nunca tem certeza de uma candidatura. Deram-lhe tempo e ele foi peremptório: não o seria em hipótese alguma.
Quatro nomes se ofereceram, todos qualificados. Era a situação clássica para uma prévia entre os filiados. Estão às voltas com ela - a primeira na história do partido -desde o ano passado e a data combinada para fazê-la se avizinha.
E agora? Ficou o dito pelo não dito. Serra fez saber que talvez queira. Os pré-candidatos estão sem saber o que fazer. E se Serra voltar a desistir – o que seria totalmente normal para ele? Aí aconteceriam as prévias? Entre quatro candidatos desmoralizados?
Uma forma de entender porque os tucanos paulistas batem cabeça é imaginar o que estaria acontecendo se Mário Covas estivesse vivo.
É difícil dizer com segurança, pois ele era imprevisível. Mas de uma coisa podemos estar certos: vexame, o PSDB paulista não estaria passando.
No estado, o partido tem hoje líderes demais e liderança de menos. Entre os solipsismos e as obsessões de seus principais quadros, o PSDB paulista não consegue dizer o que quer.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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