17 de fev de 2012

2Cellos

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Charge online - Bessinha - # 1055

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Se a Veja fosse sincera

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Serra tem a unidade do ódio

A tucanagem paulistana não está em pé de guerra, como algumas notícias de jornal poderiam fazer crer. Gemidos, ranger de dentes, mas logo estarão convivendo com o inevitável, do qual quiseram escapar.
Serra, candidato, será a solução natural da direita.
Não há, entre seus quadros, alguém que a traduza tanto o ódio, o despeito, o inconformismo com o que a elite vê a “gentalha” que passou a ser importante no Brasil.
O que a candidatura Serra tem a oferecer a São Paulo, além disso? Um ano e alguns meses de “gestão” até que ele vá, como um fantasma que arrasta as correntes de sua maldição, candidatar-se a Presidente, outra vez. Aliás, um curto tempo em que estará mais ocupado em sabotar Aécio do que com a cidade?
Serra só pode oferecer o ódio e por isso sua cabia tentar evitar sua candidatura.
O ódio nunca é revolucionário, embora a raiva estar presente nas revoluções e às revoluções seja um desafio contê-la. Mas o ódio tem um nível de premeditação e egoísmo que só o reacionário alcança, porque quer impedir e não aceitar.
Qualquer candidato de esquerda, tem de conceder, transigir, abranger, incluir para representar a São Paulo cosmopolita e polibrasileira.
Tem de ser o avanço, o sim.
Serra tem de ser o candidato do passado, do “não”.
Serra, e nenhum outro, pode expressar isso tão plenamente.
Ele é o mal em estado puro e vai arrastar, na sua partida, “almas” que em torno dele gravitaram e que não lhe podem escapar, vencendo ou perdendo. Estão, as forças de direita, todas com eles, mas muitas delas loucas por escapar-lhe.
Porque Serra é um vórtice, não uma fonte; um inverno, não uma primavera. Um destruidor, não um construtor.
Ao contrário de Lula, alguém consegue imaginar Serra estendendo a mão a um adversário? Construindo um caminho comum com alguém, uma nova alternativa?
Serra será o candidato dos que odeiam. Um candidato da carranca, do rancor, da tristeza, da treva.
Contra o qual a alegria e luz podem ser, se o compreendermos e fugirmos do sectarismo, invencíveis.
No Tijolaço
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Os desafios estratégicos do PT

Ao completar 32 anos de existência e serviços prestados ao país na forma da defesa de uma sociedade mais igual e menos opressora, o Partido dos Trabalhadores recebeu da presidenta, Dilma Rousseff, duas missões estratégicas, apresentadas em seu discurso aos militantes.
A primeira tarefa é fazer uma reflexão sobre o processo de emergência de uma nova classe trabalhadora, que se forma a partir da ascensão de milhões de pessoas à chamada classe C, na esteira das políticas de esquerda que o PT levou ao governo federal e implantou em conjunto com os demais partidos da base aliada — primeiro no governo Lula, agora na gestão Dilma.
O êxito dessas políticas, cujo objetivo maior é combater a desigualdade historicamente enraizada no Brasil, obriga nosso partido a buscar maneiras de dialogar mais proximamente com essa classe em formação.
Em segundo lugar, o PT tem o desafio de ampliar o alcance das políticas de crescimento com distribuição de renda e geração de empregos para outras esferas, quer dizer, atender à necessidade de o país implementar mudanças sociais e culturais, não apenas econômicas.
Essas duas tarefas estratégicas apontadas pela presidenta Dilma se inserem no exercício constante que o partido faz — e deve seguir fazendo — de deflagrar um debate público sobre o futuro do Brasil e sobre o papel do próprio partido.
Avalio que o discurso de Dilma como histórico, especialmente porque terá desdobramentos substanciais no futuro próximo, à medida que desencadear uma ampla discussão sobre os pontos abordados. Tais repercussões serão tão mais profundas quanto melhor o partido compreender os desafios que lhe são colocados para os próximos anos.
Uma das condições importantes para essa reflexão é entender que o governo Dilma, assim como foi o governo do ex-presidente Lula, deve ser apoiado e abraçado pelo PT, mas compreendido como um governo de uma coalizão ampla.
Portanto, cabe ao PT o duro papel de defender o governo e ao mesmo tempo de criticá-lo e apontar caminhos, disputando no interior da base partidária os destinos do governo.
Os desafios propostos por Dilma passam por uma aproximação com a nova classe trabalhadora, numa espécie de reedição do papel que o PT exerceu na década de 1970. Na época, a classe trabalhadora expressa no novo sindicalismo da região do ABC (SP) e na liderança do então sindicalista Lula deu origem ao PT — e, posteriormente, à CUT (Central Única dos Trabalhadores).
O que se espera é que consigamos como partido representar essa classe em ascensão, identificando seus anseios e debatendo propostas para solucionar os problemas a ela inerentes.
Trata-se de passo necessário para concretizar o segundo desafio estratégico, o de fazer as mudanças de acesso a condições básicas de cidadania se transformar em um conjunto mais amplo de direitos sociais.
Um dos temas cruciais nesse novo ambiente socioeconômico é a questão da Educação. “Temos no nosso partido um compromisso fundamental e estratégico com a Educação como forma de garantir oportunidades iguais a todos”, sintetizou Dilma. De fato, a razão da existência do PT está em introduzir na pauta política nacional o debate sobre como ampliar as oportunidades de acesso à Educação, Cultura, cidadania política e aos avanços sociais.
O momento internacional é um complicador ao cumprimento dessas tarefas. Afinal, precisamos repensar o Brasil no contexto do novo mundo que surge. Um mundo com a China cada vez mais atropelando as demais potências econômicas, a caminho de se tornar a número 1, e com o impacto cada vez maior da revolução tecnológica, particularmente nos meios de comunicação com a convergência das novas tecnologias.
Ademais, o quadro é de profunda crise do capitalismo, de ascensão dos emergentes e de dar importância à intensificação da integração sul-americana como pré-requisito para combatermos as desigualdades regionais, fortalecer as relações com nossos vizinhos e encontrarmos saídas próprias para os problemas do nosso continente.
Para tanto, faz-se necessário discutir e enfrentar também a “nova-velha” hegemonia diplomática, militar e comercial das potências nucleares e econômicas, que vêm se expressando na forma de intervenções militares — na Líbia e, agora, na Síria, para citar apenas alguns.
Não são desafios pequenos, tampouco simples. Mas a história do PT é de sonhar alto e criar condições para realizar os sonhos. Junto com os trabalhadores, o PT tem sido um importante ator político no processo de transformação para melhor de nosso país.
Compreender e avançar nos desafios colocados pela presidenta é fundamental para que o partido continue liderando as mudanças que iniciou há 32 anos.
José Dirceu, advogado, ex-ministro da Casa Civil e membro do Diretório Nacional do PT.
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Neste carnaval, beba com contrrrrole...

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Miltinho, Ed Motta e Rildo Hora

Este belo samba-canção foi composto há quarenta e tantos anos e interpretado pelo grande Miltinho, o cantor que melhor sabe dividir tempo na MPB. Foi regravado por Ed Motta, que o chamou para acompanhá-lo.
Neste vídeo está o grande e original intérprete, com 83 anos, o genial gaitista e maestro, Rildo Hora, além, é claro, do ótimo Ed Motta.
Dica do Itárcio
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União aprova R$ 2 milhões para ONG de Galvão Bueno

Uma organização não governamental ligada ao narrador Galvão Bueno aprovou um projeto de R$ 2,2 milhões no Ministério do Esporte.
O governo federal autorizou a Associação Beneficente Galvão Bueno a captar o valor em doações e patrocínios por meio da Lei de Incentivo Fiscal. A decisão foi publicada no "Diário Oficial da União" de anteontem.
O dinheiro é destinado ao projeto chamado "Escola de Formação de Pilotos". Dois filhos de Galvão, Cacá e Popó, são pilotos de automobilismo, antiga paixão do narrador, especialista em F-1.
Galvão e a direção da entidade foram procurados pela Folha na manhã de ontem. No fim da noite, ele respondeu que decidiu pedir o cancelamento do projeto nos próximos dias. "Nenhuma medida no sentido de implementá-lo será adotada", disse, em nota curta, via assessoria.
Galvão é presidente de honra da associação que leva seu sobrenome e sua mãe, Mildred Galvão Bueno, a presidente efetiva. A ONG tem sede em Londrina (PR), onde Galvão montou residência.
A entidade recebeu o aval do ministério para se beneficiar da lei de incentivo. Por meio dela, o governo federal abre mão de arrecadar impostos devidos por empresas (1%) e pessoas físicas (6%) em troca do uso do recurso como patrocínio esportivo.
Ou seja, o dinheiro que deveria parar nos cofres públicos vai para ações ligadas ao esporte. No caso de Galvão, o valor de captação pode chegar a exatos R$ 2.191.696,96.
O processo de aprovação do projeto no Ministério do Esporte durou três meses. A ONG fez o pedido em 15 de setembro de 2011. Em 20 de dezembro, houve a aprovação, e a decisão foi publicada anteontem. Quem assina é Ricardo Capelli, ex-presidente da União Nacional dos Estudantes e presidente da comissão que analisa projetos.
A ONG tem até 31 de dezembro para arrecadar os recursos. "O Galvão não tem nada com isso, ele é presidente de honra. A gente exerce o trabalho da melhor maneira possível", disse Mildred.
Galvão participa de eventos da ONG. O site da entidade o mostra em "feijoadas solidárias". Os filhos pilotos e artistas, como Zezé Di Camargo, aparecem em fotos nos encontros da instituição.
A ONG, fundada em 2003, tem como objetivo, segundo o site, "a convivência familiar bem-sucedida". Diz reunir "profissionais liberais (especialmente da área médica) e empresários em torno da liderança do sr. Galvão Bueno, reconhecido comunicador da área esportiva, e sua mãe, sra. Mildred Galvão Bueno".
No Folha
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Charge online - Bessinha - # 1054

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Etnia: Gaúcho e Colorado

A falta de transmissão dos jogos da Libertadores da América na TV fechada tem motivação e gênese que infringem direitos dos consumidores e a livre concorrêcia. Cabe ao CADE zelar pela preservação da livre concorrência e defesa do consumidor, reprimindo o abuso de poder econômico.
Esses dias tive de preencher uma ficha médica e me questionaram sobre a minha etnia. Não tive dúvidas: colorado (Internacional de Porto Alegre). Tomei o cuidado, inclusive, de colocar a observação entre parênteses.
Inspirado na ficha médica, resolvi entrar em contato com a NET, minha provedora de canais a cabo, a fim de convencê-los de que eu merecia poder ver os jogos de meu time do coração na TV fechada.
Nem preciso dizer que a conversa foi absolutamente infrutífera. Em primeiro lugar, porque a atendente disse não ser relevante a minha etnia. Depois, não conhecia o Colorado e, por último, disse que a culpa de eu não poder ver os jogos da Libertadores da América na TV fechada era do canal Fox Sports.
Num só diálogo fui triplamente ofendido. Vi que minha etnia era desconhecida, senti-me um membro de uma tribo isolada em um canto do mundo, com língua e cultura própria (hummm...). O Internacional, Campeão de Tudo, time que mais venceu nesse milênio, era desconhecido da moça – um absurdo. Agora, a TV fechada não passar os jogos do Inter na Libertadores, por culpa da Fox Sports (será?) pareceu-me um evento antijurídico.
Moro em São Paulo.
Por tal motivo, jamais verei na TV aberta um jogo do colorado. Nem a final da Libertadores de 2010 foi transmitida na TV aberta. Preferiram transmitir o jogo do Santos na Copa do Brasil.
Entretanto, faz sentido que a TV aberta, em São Paulo, não queira mostrar jogos do Internacional. Os nativos querem ver os seus times na Globo. Em Porto Alegre, em compensação, se passasse um jogo do Corinthians, ao invés do Colorado, iniciar-se-ia verdadeira revolução.
Agora, merece atenção essa questão que envolve o canal Fox Sports e as operadores de TV a cabo NET e Sky, detentoras, pelo que se divulga, de setenta por cento do mercado da TV por assinatura.
A gênese do problema é a de sempre: quem manda são as organizações Globo. Ou se diz amém ao plim plim ou nada feito. Basta que se lembre do episódio do treinador da seleção brasileira Dunga (igualmente de etnia colorada). Embora tenha sido um sucesso durante todo o período de preparação para a Copa do Mundo, sempre foi objeto das mais duras e, no mais das vezes, injustificáveis críticas. Ao contrário do atual treinador da seleção, não era afeito às entrevistas exclusivas dos veículos da Globo. Quando a seleção foi eliminada, tornou-se um pária. Foi queimado pelo poço de virtudes que é o Sr. Ricardo Teixeira, presidente, ao menos por enquanto, da CBF. Aliás, a entrevista do Sr. Ricardo Teixeira, na qual Dunga foi duramente criticado, foi exclusiva para a Globo.
As organizações Globo são donas dos canais Sportv. O ingresso da FOX Sports na grade de programação das operadoras de TV a cabo significará perda de audiência da Sportv. Haverá concorrência! E aí não há Bozó que suporte.
Dessa forma, o que poderia ser uma reclamação de torcedor (ou de secador – por acaso alguém acha que os gremistas, os sãopaulinos e os palmeirenses não têm interesse em ver os jogos da Libertadores?), passa a ser um caso de infração às regras de concorrência. O art. 21, da Lei 8884/94, determina: “Art. 21. As seguintes condutas, além de outras, na medida em que configurem hipótese prevista no art. 20 e seus incisos, caracterizam infração da ordem econômica: IV - limitar ou impedir o acesso de novas empresas ao mercado; V - criar dificuldades à constituição, ao funcionamento ou ao desenvolvimento de empresa concorrente ou de fornecedor, adquirente ou financiador de bens ou serviços.”
A posição dominante no mercado exercida pela Globo e seus longos braços, esgana todos os consumidores que gostariam de ver os jogos de seus times na TV fechada.
Futebol é coisa séria. Trata-se de patrimônio cultural do povo brasileiro. Basta lembrar da Copa do Mundo e a mobilização da União, Estados e Municípios para viabilizar o evento.
Futebol é questão tão séria que há interesse social nas notícias a ele ligadas. Não fosse assim, os notáveis debates nos tribunais envolvendo o jornalista Juca Kfouri, a CBF e o Sr. Ricardo Teixeira, teriam solução diversa.
Se Ricardo Teixeira pode ser chamado de “sub-chefe da máfia do futebol nacional” por Juca Kfouri é porque o futebol e tudo que o cerca estão sujeitos à crítica – por mais dura que seja – inspirada pelo interesse coletivo (conforme trecho da decisão do Ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello, no AI 675276/RJ).
A não transmissão dos jogos da Libertadores da América na TV fechada deve ser tratada com a seriedade que a questão impõe. Cabe ao CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) zelar (art. 7º, L. 8884/94) pela preservação da livre concorrência e defesa do consumidor, reprimindo o abuso de poder econômico (art. 1º, L. 8884/94).
Entidades privadas, ligadas por interesses nada nobres, não estão acima do consumidor de futebol. Ou melhor, evidente que estão! É por tal motivo que os órgãos de controle do Estado devem se fazer presentes, a fim de reequlibrar essa relação sempre desigual. Hoje, é a Libertadores que, de certa forma, é objeto de uma censura motivada por infração à ordem econômica e social. Ontem, esses entes privados estavam conectados para dar a mais ampla divulgação ao esporte bretão. Enquanto mais alto, melhor. Afinal, os gritos nos porões da ditadura tinham que ser de alguma forma abafados.
Esse manuseio da paixão nacional é ilegal. É imoral.
(E o mais curioso nessa história toda é que o Sr. Ricardo Teixeira, se for mesmo morar em Miami, poderá ver a Libertadores da América na Fox Sports. E nós, não!)
Márcio Mello Casado, Gaúcho, Colorado, Advogado, Mestre e Doutor em direito PUC/SP.
No Carta Maior
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Fenômeno da Globo defende Mr. Teixeira

Saiu na pág. D2 da Folha:
“Ricardo Teixeira deixa isolamento só por algumas para ser defendido publicamente pelo parceiro Ronaldo.”
“Com os inimigos que tem, ele trouxe a Copa para o Brasil”, diz Ronaldo.
“(Lá) para a frente ninguém sabe, não sabemos o futuro”, disse Ronaldo.
Amigo navegante, quem é mais “global” – Mr. Teixeira did you accept the bribe, ou Ronaldo, o Fenômeno, que empurrou a barriga pra cima do Corinthians, em parceira com a Globo, até que o senso do ridículo se impusesse?
Quem deu mais entrevistas (exclusivas, inesquecíveis, fantásticas!) ao Cala a Boca Galvão – o Mr Teixeira did you accept the bribe ou Ronaldo, o Fenômeno?
Paulo Henrique Amorim
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Kissinger califica de “impresionante” el apoyo de los sirios a su presidente

WASHINGTON, 15 de febrero.— El exsecretario de Estado de Estados Unidos, Henry Kissinger, calificó de "impresionante" el respaldo de la mayoría de la nación siria al presidente Bashar al Assad, informa HispanTV.
Kissinger manifestó este martes que "los sirios apoyan de forma increíble a su Presidente", reseña la agencia iraní Irna.
"Hice un gran esfuerzo en el pasado para llegar a un acuerdo con el expresidente sirio Hafez al Assad, y tengo que reconocer mi derrota. Ahora su hijo me ha dejado sorprendido, la mayoría de sus compatriotas le aman", expresó.
Asimismo, aseguró que "Siria tiene un ejército unido. La educación y los servicios sanitarios son casi gratuitos, además, cuenta con un abastecimiento de trigo para cinco años. Para poner en jaque al presidente sirio hay que actuar desde el interior".
En este sentido, grupos armados sabotearon hoy con explosivos un oleoducto en Homs, que abastece de combustible diésel a Damasco.
Entretanto, Al Assad emitió hoy un decreto en el que fija el próximo 26 de febrero como fecha para la celebración de un referéndum sobre la nueva Constitución, anunció la televisión oficial.
Por su parte, el ministro de Exteriores de Francia, Alain Juppé, instó al Consejo de Seguridad de la ONU a crear "corredores humanitarios" en Siria para "asistir" a los ciudadanos, refiere Telesur.
No Granma
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Dilma ‘sai da sombra de Lula’, avalia ‘The Economist’

Revista diz que presidenta impõe cada vez mais o seu estilo pessoal ao governo
RIO - A presidenta Dilma Rousseff, após um ano de mandato, sai da "sombra" de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, e impõe cada vez mais o seu estilo pessoal ao governo brasileiro. Esta é a conclusão de um artigo publicado nesta sexta-feira pela revista britânica "The Economist". O texto cita as demissões de sete ministros acusados de desvios éticos como uma mudança de postura do governo petista.
"Em um ano de mandato, o governo Dilma mostra que é firme em seus princípios. É mais técnico, leal e, de longe, mais feminino do que foi o de Lula".
Com o título "Sendo ela mesma", a publicação é acompanhada de uma charge em que a presidenta é ilustrada dirgindo um ônibus e entrando na rua "Dilma's Way' (caminho de Dilma). Políticos caem pela janela do ônibus e Lula aparece assustado na calçada, ao lado do veículo.
A revista avalia que "a maioria das sucessões ministeriais anunciadas pela governo foi feita por escolha pessoal". Mas ressalta que o pragmatismo prevaleceu em algumas situações. A troca de Mário Negromonte do Ministério das Cidades por Aguinaldo Ribeiro é um exemplo citado como exceção, já que a indicação foi feita pelo PP.
As indicações de Maria das Graças Foster para presidência da Petrobras e de Marco Antonio Raupp para o Ministério da Ciência e Tecnologia são avaliadas como técnicas e de gosto pessoal da presidenta. A nomeação de Eleonora Menicucci para a Secretaria de Políticas para as Mulheres também é citada como exemplo de independência de Dilma. Companheira de cela da presidenta durante o regime militar, a ministra tem sofrido críticas por ser uma defensora do aborto.
A aprovação de 59% de Dilma é citada como um ponto positivo para a tranquilidade do governo, bem como a maioria folgada no Congresso.
No O Globo
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Dilma e Hitler

Adolf Hitler (foto: Gety Images)
Estimados leitores, não é todo dia que a gente tem o privilégio de ver uma mente como a do deputado Anthony Garotinho em funcionamento, talvez devido à baixa frequência com que esse fenômeno ocorre, quem sabe.
Agora, por exemplo, nosso bravo deputado, vem dizer em alto e mau tom que nossa presidente pode ser comparada a Hitler. Dilma Rousseff? Hitler?
Segundo o deputado, assim como Dilma é popular, Hitler também o foi. O que eu imagino, a favor do deputado, é que com os eventuais neurônios atordoados por citações bíblicas nas vinte horas por dia que ele se dedica aos seus afazeres de evangélico, ele não faça ideia do que esteja dizendo. E, com a intenção de contribuir para com a formação, digamos, intelectual, do deputado, vamos tentar explicar a ele por que, se se pode comparar Hitler com alguma coisa, isso jamais seria possível ser feito com relação à nossa presidente.
Por exemplo, deputado, Dilma é uma mulher humanista, democrata, e culta. Ela seguramente é uma pessoa de convicções, mas soube trocar as que talvez tivesse aos 19 anos por teses mais de acordo com as ideias libertárias que foram se impondo ao longo do século 20. Hitler nunca mudou, nunca evoluiu, nunca deixou de acreditar no que acreditava, por mais insano e insensato que fosse - no que se parece sabe com quem, deputado?
A popularidade de Dilma e de Hitler vêm de origens absolutamente distintas e inversas. A origem da popularidade de Hitler não pode ser comparada com a de Dilma, mas pode sim ser comparada sabe com qual tipo de popularidade, estimado deputado Garotinho? Ora, com a sua, vejam só!
Hitler se tornou popular por oferecer promessas irrealizáveis a pessoas desesperadas. Ele também se tornou popular por propor a repressão a minorias indefesas. Não eram apenas os judeus, estimado deputado, mas os ciganos, por exemplo. Por quê? Quem entende a mente de um Hitler, caro deputado? Eu, por exemplo, não entendo. Assim como não entendo o ódio dele pelos homossexuais. Aliás, isso o senhor deve entender muito melhor do que eu, não é mesmo? Isso o faz popular junto aos públicos tomados pela ignorância e pelas trevas, casualmente o mesmo público que Hitler adorava. Viu que coincidência?
Hitler era um populista e prometia simplicidades. Soa familiar?
O senhor se diz cristão. Ora, veja que maravilha! Hitler também! Mas, e aqui vai a opinião singela deste colunista que definitivamente não é cristão: nem Hitler, nem o senhor me parecem minimamente parecidos com o que Cristo, o próprio, dizia que esperava dos cristãos. Ele esperava amor ao próximo, caridade, tolerância para com os diferentes, a busca incessante por justiça.
Quem lutou por justiça, foi presa e barbaramente torturada foi a Dilma, não foi? Que nunca usou isso para nada, nem a seu favor nem contra ninguém. Me parece muito digno, e talvez por isso ela seja popular, quem sabe?
Já o senhor, na relação com a justiça, pelo menos a federal, foi condenado por formação de quadrilha, não foi? Quem se aproxima mais dos ideais cristãos?
Cristo apoiaria gente que se torna popular promovendo a intolerância e a perseguição a inocentes? Pois eu, no meu não-cristianismo, acho que não.
Quem se tornou e busca a popularidade por esses métodos, caro deputado? A Dilma é que não. Ela nos impressiona talvez pelo jeito sério com que conduz a sua vida e a sua presidência. Todos temos nossos medos em relação às intenções dos políticos, mas creio que acreditamos na sinceridade dela, mesmo os que não concordam com as suas teses. Ela pode não ser de muitas palavras, mas lembra como ela beijou a bandeira do Brasil durante a sua posse? Nem eu, nem ninguém esperávamos por aquele gesto, talvez porque nós, brasileiros, e com bons motivos, suspeitamos de demonstrações exageradas de patriotismo. Mas ela estava nos dizendo a que tinha vindo e o que fazia ali, o que a movia. E enquanto não acreditamos em um só fio de cabelo seu, nobre deputado, acreditamos nela. Por isso ela é popular junto a todos, e o senhor, bom...
Já Hitler se tornou popular por ser um monstro e cativar os monstros que vivem nas sociedades. Ele foi popular por explicar que todos os problemas eram causados pelos judeus, pelos ciganos, pelos eslavos, pelos homossexuais. Tão simples! O senhor nos diz que os problemas são causados pela falta de valores cristãos na sociedade, que basta eliminar os ímpios e pfffui, estaremos bem. Claro que, diferentemente dele, o senhor não quer eliminar ninguém pra valer, basta que eles sumam da vida pública e social e pronto, a paz reinará.
O nazismo era horrível porque se acreditava resultado de uma vontade praticamente divina, à qual todos deveriam se render, caro deputado. Nisso, o nazismo encontra similares sabe onde? Nas teocracias, onde o senhor se sentiria tão à vontade, desde que fosse a sua. Olhem o Irã, a Arábia Saudita, o Paquistão. Igual a eles. Uma teocracia evangélica, deusnoslivre, seria algo muito parecido e feliz, não? Não foi no seu governo que se propôs que o estado passasse a pagar pela recuperação de gays?
Hitler era um dinossauro, carnívoro. Não foi durante o seu governo do pobre estado do Rio de Janeiro que quiseram ensinar nas escolas públicas o estúpido criacionismo, no qual o senhor deve acreditar? Que diz que dinossauros, nós, todos vivemos juntos, livres e felizes há menos de 6 mil anos, mesmo que isso seja tão maluco que ninguém sério possa levar a sério?
Nas escolas do Hitler se ensinava que os judeus não eram gente como a gente. O senhor se opõe a que as nossas escolas ensinem que todos somos igualmente gente. Qual a diferença? Explique aí.
Senhor deputado Garotinho, foi um prazer vê-lo tão bem disposto e fazendo tais declarações que mostram, mais do que tudo, que o senhor fica muito melhor quando fala somente do que entende. O que talvez demonstre, se não mais muita coisa, o quanto ficar calado lhe faz bem.
Marcelo Carneiro da Cunha é escritor e jornalista. Escreveu o argumento do curta-metragem "O Branco", premiado em Berlim e outros importantes festivais. Entre outros, publicou o livro de contos "Simples" e o romance "O Nosso Juiz", pela editora Record. Acaba de escrever o romance "Depois do Sexo", que foi publicado em junho pela Record. Dois longas-metragens estão sendo produzidos a partir de seus romances "Insônia" e "Antes que o Mundo Acabe", publicados pela editora Projeto.
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MPF aciona casal Garotinho por desvio de verbas

O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com uma ação civil pública por improbidade administrativa contra os ex-governadores do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho – atual deputado federal pelo PR –, Rosinha Matheus – sua mulher e atual prefeita de Campos (RJ) pelo mesmo partido–, e outras 17 pessoas. Todos são acusados de participar de um esquema de desvios de verbas em favor de campanhas eleitorais do casal. 
Entre os acusados estão funcionários e dirigentes da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) e das ONGs Fundação Escola de Serviço Público (FESP-RJ) e Instituto Nacional para Aperfeiçoamento da Administração Pública (Inaap). 
De acordo com o MPF, as instituições foram favorecidas em processos licitatórios irregulares e recebimento de pagamentos de serviços não realizados. Se condenados, os réus podem perder os direitos políticos por até 10 anos, serem obrigados a ressarcir os prejuízos aos cofres públicos, além de outras penas como perda da função pública e proibição de contratar com o poder público.
No Aqui o monstro da censura não tem vez nem voz
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Caiu! uhhhhhhhhhhhhhaaaaaaaaa

Christian Wulff deixa o cargo depois de dois meses de suspeitas de que ele tenha usado sua posição de governador da Baixa Saxônia para se favorecer. Queda de confiança em seu trabalho motivou sua saída, disse.
Christian Wulff renunciou à presidência da Alemanha nesta sexta-feira (17/02). O anúncio foi transmitido ao vivo por vários canais de televisão da Alemanha, diretamente do palácio presidencial Bellevue, em Berlim.
A renúncia vinha sendo esperada desde o momento em que Wulff convocara a coletiva de imprensa nesta manhã. Também pela manhã, a chanceler federal Angela Merkel cancelou seu embarque para a Itália e anunciou um pronunciamento logo após o de Wulff.
Vai tarde
Ao lado da esposa, Christian Wulff, que foi o mais jovem presidente da Alemanha, alegou que a queda da confiança em seu trabalho por parte do povo alemão o forçou a renunciar. No entanto, na noite desta quinta-feira, a promotoria pública de Hannover, capital do estado onde Wulff fora governador antes de ser eleito presidente, solicitou a suspensão da imunidade de Wulff para que ele pudesse ser investigado criminalmente.
Por mais de dois meses, Wulff vinha resistindo em meio a um fogo cruzado de muitas críticas. Depois dessa investida dos promotores, o escândalo atingiu um nível insustentável.
"As reportagens publicadas feriram a mim e minha esposa", declarou Wulff. Ele agradeceu o apoio da família e admitiu ter cometido falhas. "Eu desejo a todos os cidadãos, pelos quais me sinto responsável, um bom futuro", disse ao se despedir.
Caso inédito
Pela primeira vez na história da Alemanha, um presidente foi ameaçado de perder a imunidade. Depois de uma apuração extensa, há fortes suspeitas de que ele tenha usado sua posição de governador da Baixa Saxônia para se favorecer, diz o relatório da promotoria.
O presidente – assim como todos os chefes de governo, ministros e parlamentares – é protegido contra investigações durante seu mandato. Somente o Bundestag, a câmara baixa do Parlamento alemão, pode caçar a imunidade. Nesse caso, as regras preveem que a promotoria pública faça o pedido ao ministro da Justiça, que então encaminha a solicitação ao Parlamento.
Uma longa tensão
As acusações contra Wulff começaram há dois meses. E praticamente todos os dias surgiam novos detalhes sobre favorecimentos do presidente. Wulff teria aceitado o financiamento de uma casa em condições favoráveis e tirado férias com tudo pago com empresários com quem mantinha relações comerciais na época em que era governador.
Um desses empresários é o produtor de filmes David Groenewold. Ele teria pago as férias de Wulff na ilha de Sylt, no norte da Alemanha, e o convidado para festejar a Oktoberfest em Munique. Groenewold também teria presenteado Wulff com um telefone celular. A promotoria pública agora tenta descobrir se, em troca, o então governador da Baixa Saxônia teria disponibilizado milhões para projetos de Groenewold.
Em seu discurso, Wulff disse que abre caminho para a escolha do novo presidente alemão. Ele chegou ao posto em meados de 2010, tendo sido eleito apenas depois de três rodadas de votação na Assembleia Federal. Ele derrotou o concorrente Joachim Gauck, ativista da antiga Alemanha Oriental. Christian Wulff sucedera a Horst Köhler, que também renunciou após ter dado declarações polêmicas.
Deutsche Welle
Autora: Nádia Pontes
Revisão: Roselaine Wandscheer
No Brasil, mostra a tua cara!
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Gilmar e a “tal opinião pública”

Saiu na Folha, na pág. 4, um resumo do voto inesquecível de "Gilmar Dantas" na Ficha Limpa (leia, por favor, “Gilmar ignora a “turba”):
“Não se deve esquecer, ademais (sic) que essa tal opinião pública (que quer a lei) é a mesma que elege os chamados candidatos fichas sujas.”
Formidável.
Designado por Fernando Henrique Cardoso – sua mais desditosa herança – só poderia ser assim: essa “tal” de opinião pública.
Deve ser a “tal” opinião pública que elegeu o Fernando Henrique duas vezes, no primeiro turno.
“Tal”!
Na mesma Folha está o mestre Joaquim Falcão, que merecia ter ido ao Supremo e que se notabilizou no Conselho Nacional de Justiça, ao aposentar um Juiz de Goiás que acumulava as funções de administrador da Lei com a administração de seus negócios particulares – na área da Educação.
Bateu na trave, não foi isso, Ministro "Gilmar Dantas"?
Vamos ao que disse o mestre Falcão, nesta quinta feira, depois de a “tal “opinião prevalecer e aprovar a Ficha Limpa:
Aprovação da Lei da Ficha Limpa dá início a uma nova forma de democracia
JOAQUIM FALCÃO
ESPECIAL PARA A FOLHA
Até que ponto o Supremo Tribunal Federal deve ir contra a vontade do povo? Vontade do povo, concretizada em emenda popular, votada, aprovada e transformada na Lei da Ficha Limpa pelo Congresso Nacional?
Lei que obteve o consenso da mídia, redes sociais, demonstrado por pesquisas? Este foi o debate principal da decisão do STF de ontem.
Quem oportunamente levantou essa questão foi o ministro Luiz Fux. Não viu motivos para o Supremo ir contra a vontade do povo constitucionalmente fundamentada na moralidade da vida política e socialmente sustentada. Logo apoiado pelos ministros Joaquim Barbosa, Lewandoski, Cármen Lúcia, Ayres Brito e Rosa Weber.
O ministro Gilmar Mendes, porém, foi contra. Tentou, sem êxito, minimizar a influência da opinião do povo, mídia e congressistas, na decisão de um ministro da corte.
O Supremo teria função, em alguns casos, de limitar a vontade da maioria popular e congressual. Declarar a ficha limpa constitucional.
O debate clássico no direito é este. Quem influencia uma decisão do Supremo? Em nome de quê um ilustre autor estrangeiro deve influenciar o voto de um ministro do Supremo, mais do que a opinião da maioria de seus cidadãos?
Esta discussão aparentemente teórica tem importância vital para o Brasil de hoje e amanhã. A maneira pela qual a Lei da Ficha Limpa foi feita - mobilização popular, apoio da mídia, mobilização tecnológica, emenda popular, transparência na votação do Congresso - aponta para um novo tipo de democracia.
É uma democracia além de eleitoral, participativa também das grandes e cotidianas decisões nacionais.
A liberdade de imprensa, a tecnologia das redes sociais e a maturidade educacional dos cidadãos, tudo conduz a uma maior demanda de participação popular. Este é futuro democrático inevitável.
A maioria dos ministros entendeu que não havia justificativa para desprezar a vontade popular e dos congressistas. A maioria do povo não pede o holocausto nem a crucificação de Jesus. Pede só mais moralidade pública.
Como disse a ministra Rosa Weber, a Constituição não assegura o direito adquirido à elegibilidade. Ao contrário, a Constituição a condiciona à moralidade e à probidade.
Em que momentos, muitos especiais, o Supremo deve assumir o que se chama de posição contramajoritária? O debate sobre os limites de um Supremo acima da vontade popular está colocado.
JOAQUIM FALCÃO é professor de direito constitucional da FGV Direito-Rio.
Permita o mestre Falcão um pitaco.
Nessa nova democracia, Gilmar Dantas e Marco Aurélio (Collor de) Melo, o que se refere à “turba”, não tem mais espaço.
Sobreviverão num opulento escritório de advocacia – o de Sergio Bermudes, quem sabe ? -, como parece ser o destino de "Gilmar Dantas".
Ou na pedante obscuridade, que é o que parece estar destinado a (Collo de) Melo.
O Conversa Afiada faz questão de ressaltar que o conservadorismo de Celso de Mello e de Cezar Peluzo – que também votaram contra a Ficha Limpa – se manifesta em termos elevados e compatíveis com a batalha das ideias que deve prevalecer numa Democrcia.
Democracia que só se legitima na soberania da “tal” opinião pública.
Em tempo: a charge do Bessinha sobre o grampo sem áudio se ilustra com Luiz Fernando Corrêa, que acaba de ser defenestrado da elevada função de Responsável pela Segurança da Copa de Mr. Teixeira, embora, até hoje, não tenha achado o áudio do grampo da conversa de Gilmar Dantas com o senador Demóstenes Torres. Aquela conversa que resultou na degola do ínclito delegado Paulo Lacerda e o consequente torpedeamento da Operação Satiagraha, que sobreviverá. Inclusive na blogosfera, onde está mais viva do que nunca!
Paulo Henrique Amorim
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Provável candidatura de Serra desordenou planejamento do PSD para 2014

PT já começa a retaliação contra Kassab
A primeira reação do PT à perspectiva de aliança entre o PSD do prefeito Gilberto Kassab e o PSDB do ex-governador José Serra na sucessão paulistana se deu ontem, em Brasília. Em uma tentativa de reduzir o poder do PSD, o presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), decidiu que o partido não tem direito de presidir comissões permanentes nem temporárias da Casa.
A decisão do parlamentar petista aconteceu um dia depois de o prefeito e fundador do PSD reunir-se com a presidente Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto, para explicar o provável apoio a Serra na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Kassab tentou minimizar o desgaste da provável ruptura com o PT e a pré-candidatura de Fernando Haddad, mesmo depois de articulação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O PT, no entanto, mostrou que a relação entre os dois partidos foi abalada. Ao isolar a participação do PSD na Casa, o presidente da Câmara disse que o partido de Kassab, criado depois das eleições, no ano passado, não terá os mesmos direitos dos outros partidos. “O PSD não faz jus à Presidência de nenhuma comissão permanente, tendo em vista o acordo firmado no início desta legislatura, com base nas bancadas formadas pelas eleições de 2010″, escreveu Marco Maia, em um ofício ao PSD. O presidente da Câmara disse que o acordo foi firmado pelas bancadas eleitas e tem validade por toda a legislatura. “Em consequência disso, o PSD não deve ser considerado no cálculo da proporcionalidade partidária para os fins de definição dos lugares nas comissões permanentes ou temporárias”, afirmou.
Maia respondeu a uma “questão de ordem” levantada pelo líder do PSD, deputado Guilherme Campos (SP). O partido de Kassab alegou ter direito a presidir comissões em razão tamanho de sua bancada, com 47 deputados. O PSD é o quarto maior partido da Casa.
O presidente da Câmara, no entanto, disse que fica “assegurado” o direito de o PSD integrar, como membro titular, pelo menos uma comissão permanente. Na prática, a sigla ficará com vagas que sobrarem nas comissões.
O PSD pode compor um bloco parlamentar, mas a representatividade, para os fins de cálculo da proporcionalidade partidária, não levará em conta a bancada do PSD. Só serão contabilizadas bancadas “efetivamente eleitas” do bloco.
O PSD vai entrar com mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) contestando a decisão de Maia. Segundo o advogado do PSD, Admar Gonzaga, a regra da proporcionalidade entre os partidos não pode levar em conta apenas o regimento, que fixa como base do cálculo as bancadas eleitas. Ele lembra que essa regra é anterior à decisão sobre a fidelidade partidária, que reconheceu o direito dos parlamentares de trocar de partido para criar um novo. “Os parlamentares que compõem o novo partido foram eleitos, não foram nomeados. Mudar de partido para criar nova legenda não fere a fidelidade partidária, eles têm que exercer o mandato com todas as prerrogativas da soberania popular, porque não houve traição ao eleitor”, diz Gonzaga.
O PSD já havia entrado com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo participação proporcional da legenda ao fundo partidário. Pretende pedir na Justiça direito de tempo para propaganda eleitoral na televisão. A expectativa do partido, agora, é que uma eventual decisão do STF a seu favor na questão da Câmara possa influenciar também o julgamento desses outros casos
Apesar da reação, o comando do PT preocupa-se em manter o partido de Kassab na base governista. O PSD tem uma das maiores bancadas na Câmara e, caso se alinhe ao PSDB e DEM, fará com que a oposição tenha um quarto das cadeiras da Câmara.
Um dos testes da fidelidade da bancada do PSD ao governo Dilma, segundo o líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), foi na votação da prorrogação da Desvinculação das Receitas da União (DRU), em 2011, quando 100% da bancada votou com o governo.
O possível afastamento em relação ao PT também preocupa o PSD. A perspectiva de aliança entre Serra e Kassab ainda carece de garantias ao PSD. Ao trocar Fernando Haddad por Serra, o partido do prefeito arrisca-se a perder o apoio petista junto ao TSE para conquistar tempo de televisão, pode ficar sem a eventual indicação para um ministério, além da vaga na chapa para disputar o Senado em dois anos.
A provável candidatura de Serra desordenou todo o planejamento feito pelo PSD com vistas a 2014. Ao dar apoio aos petistas na capital paulista, Kassab teria em seu horizonte a indicação para vice na chapa de Fernando Haddad, a participação no primeiro escalão do governo Dilma Rousseff e destaque na chapa para disputar governo estadual.
Já o PSDB de Serra não deixou clara qual deve ser a participação de Kassab ao compor um grupo político para disputar as próximas eleições. Parte dos tucanos vê o apoio do prefeito como uma espécie de “obrigação”, já que ele herdou a prefeitura paulistana quando Serra deixou a prefeitura para disputar o governo do Estado, em 2006. “Em caso de vitória do tucano, “Kassab ficaria com um crédito enorme junto ao PSDB, mas não se sabe onde iria cobrar”, comentou uma liderança do PSD.
Quando o PSD tentou negociar com o PSDB, por meio do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o acordo não vingou. A proposta apresentada por Kassab era que o PSD encabeçasse a chapa à prefeitura, com o PSDB na vice. Em troca, Kassab não enfrentaria Alckmin em 2014, quando o governador buscará a reeleição. Nesse cenário, o Senado também seria o caminho do prefeito paulistano. Agora, com Serra, permanece a indefinição sobre 2014.
Uma parte do PSD resiste à construção de uma aliança com Serra e o PSDB nesta eleição, com receio de ficar à reboque do partido. “Não queremos ser uma muleta do PSDB como o DEM se tornou”, comentou um dos principais articulados do PSD. Esse grupo comenta que Kassab terá um problema na Câmara, já que a maioria dos parlamentares do Congresso, que migraram para a nova legenda, não deseja ficar na oposição.
No PSDB, a pré-candidatura de Serra é tida como certa e propagada por tucanos próximos ao ex-governador. Há um impasse a ser resolvido com os quatro pré-candidatos tucanos, que querem a realização de prévia para definir o candidato. A cúpula partidária, no entanto, articula para que não haja prévia.
Na noite de ontem, militantes organizaram um ato em favor das prévias, com cerca de 90 militantes, na sede do diretório estadual da sigla, em São Paulo. Nenhum parlamentar ou pré-candidato do partido compareceu ao evento, composto essencialmente por representantes de segmentos da legenda.
Daniela Martins, Raquel Ulhôa, Vandson Lima e Cristiane Agostine
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Em janeiro, desemprego foi de 5,5%


A taxa de desocupação foi estimada em 5,5%, a menor para o mês de janeiro desde o início da série (março de 2002), e registrou alta de 0,8 ponto percentual frente a dezembro de 2011 (4,7%). Em comparação com janeiro do ano passado (6,1%), recuou -0,6 ponto percentual. A população desocupada (1,3 milhão de pessoas) cresceu 15,9% no confronto com dezembro (mais 180 mil pessoas procurando trabalho). Frente a janeiro do ano passado, recuou -7,7% (menos 110 mil). A população ocupada (22,5 milhões) declinou -1,0% em comparação a dezembro (menos 220 mil ocupados). No confronto com janeiro de 2011, ocorreu aumento de 2,0% nessa estimativa (mais 433 mil ocupados). O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado (11,1 milhões) não registrou variação na comparação com dezembro. Na comparação anual, houve uma elevação de 6,3%, representando um adicional de 664 mil postos de trabalho com carteira assinada.
O rendimento médio real habitual dos ocupados (R$ 1.672,20, o valor mais alto para o mês de janeiro desde março de 2002) apresentou alta de 0,7% na comparação mensal e de 2,7% frente a janeiro do ano passado. A massa de rendimento real habitual (R$ 37,9 bilhões) caiu -0,5% em relação a dezembro e cresceu 3,6% em relação a janeiro de 2011. A massa de rendimento real efetivo dos ocupados (R$ 47,2 bilhões), estimada em dezembro de 2011, subiu 14,8% no mês e 3,9% no ano.
A Pesquisa Mensal de Emprego é realizada nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. A publicação completa da pesquisa pode ser acessada na página www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/.
Desocupação cai em três regiões metropolitanas frente a janeiro de 2011
A taxa de desocupação (proporção de pessoas desocupadas em relação à população economicamente ativa, que é formada pelos contingentes de ocupados e desocupados) foi estimada em 5,5% para o conjunto das seis regiões metropolitanas. Regionalmente, na análise mensal, a taxa de desocupação registrou variação significativa em Recife (de 4,7% para 5,7%), Belo Horizonte (de 3,8% para 4,5%), Rio de Janeiro (de 4,9% para 5,6%), São Paulo (de 4,7% para 5,5%) e Porto Alegre (de 3,1% para 3,9%). Na região metropolitana de Salvador não ocorreu variação significativa. Frente a janeiro de 2011, a taxa caiu em Salvador (-2,4 pontos percentuais), em Recife (-1,4 ponto percentual) e em Belo Horizonte (-0,8 ponto percentual) e nas demais registrou estabilidade:
Na análise mensal, o contingente de desocupados (pessoas sem trabalho que estão tentando se inserir no mercado) aumentou em Porto Alegre (24,8%), Recife (22,1%), Belo Horizonte (20,5%), São Paulo (16,5%) e no Rio de Janeiro (13,9%). Ficou estável apenas em Salvador. No confronto com janeiro de 2011, verificou-se queda expressiva no número de desocupados na região metropolitana de Salvador (-24,9%) e em Recife (-16,9%) e nas demais regiões não ocorreram variações significativas.
Nível da ocupação fica em 53,5%
O nível da ocupação (proporção de pessoas ocupadas em relação às pessoas em idade ativa), estimado em 53,5% no total das seis regiões, caiu -0,5 ponto percentual frente a dezembro último e não variou significativamente em relação a janeiro do ano passado. Regionalmente, na comparação mensal, a maioria das regiões metropolitanas mantiveram resultados estáveis. Nas regiões metropolitanas de Porto Alegre e de São Paulo, o indicador caiu -1,1 e -0,8 ponto percentual, respectivamente. Frente a janeiro de 2011, ocorreu variação positiva em Recife e em Belo Horizonte (1,9 e 1,2 ponto percentual, nesta ordem).
A análise da ocupação segundo os grupamentos de atividade mostrou que, de dezembro para janeiro, ocorreu variação apenas nos Serviços domésticos, queda de -4,2%. No confronto com janeiro do ano passado, ocorreram variações na Construção (alta de8,8%, equivalente a 142 mil pessoas), e nos Serviços prestados a empresas, aluguéis, atividades imobiliárias e intermediação financeira (alta de 6,9%, equivalente a 238 mil pessoas).
Na comparação anual, rendimento médio aumenta em quatro das seis regiões
Na análise regional, o rendimento médio real habitual dos trabalhadores (R$ 1.672,20 no conjunto das seis regiões) subiu frente a dezembro em Recife (7,3%), Salvador (3,0%), Belo Horizonte (1,7%) e Porto Alegre (4,0%). Caiu no Rio de Janeiro (-1,6%) e manteve-se estável em São Paulo. Na comparação com janeiro de 2011, o rendimento cresceu em Recife (2,5%), Salvador (16,6%), Belo Horizonte (6,4%) e São Paulo (2,2%). Ficou estável no Rio de Janeiro e em Porto Alegre:
Na classificação por grupamentos de atividade, o maior aumento no rendimento médio real habitualmente recebido em relação a janeiro de 2011 foi de 13,8%, referente à Construção:
Já na classificação por categorias de posição na ocupação, o maior aumento no rendimento médio real habitualmente recebido em comparação com janeiro do último ano foi para os Militares e funcionários públicos (6,0%):
No IBGE
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O velho ser ou não ser

José Serra pode decidir-se pela candidatura a prefeito, mas, todos sabemos, ser prefeito não é o seu desejo. Se efetivada tal decisão, uma de duas: ou será por Serra adotar a ideia de que não restam perspectivas ao seu notório desejo, ou será para tornar-se, como já se deu uma vez e se repetiu quando governador, um prefeito com a cabeça e os atos voltados para o passo seguinte do seu projeto pessoal.
Nos dois casos, é Serra em ação contra Serra. Assim como foi quando prefeito só para ser governador e governador só para o que era sua convicção de ocupar a Presidência. E com este desvio, mais do que qualquer dos outros fatores preliminares, José Serra fez o alicerce básico de sua derrota para Lula.
Pelo que se convencionou considerar um bom prefeito, Serra não foi bom prefeito de São Paulo. Uma passagem veloz, bem ostensivos o desinteresse e o desajuste.
Pelos mesmos critérios, e para quem -ele diz- "preparou-se a vida toda" para exercer o poder, Serra não foi bom governador, não fez nem pensou para o Estado o mínimo necessário a deixar memória. Logo, nem o mínimo para projetar-se no país como o administrador competente, inovador e com visão clara dos problemas.
A imagem do grande governante é que seria a sua plataforma eficiente, capaz de contrapor-se ao esperado petismo de Lula e, quando o adversário surgiu com outra caracterização, à simpática enrolação do "Lulinha, paz e amor".
Bons governantes só se mostram no poder, não antes. Ser bom ou ruim de pesquisa nada assegura, por antecipação, sobre o futuro governante. Essa é uma das grandes falhas do sistema eleitoral das democracias à maneira ocidental: o poder não é entregue necessariamente ao mais apto para exercê-lo. No caso de Serra, as experiências anteriores de governança não justificariam, em princípio, que retirasse a oportunidade à renovação, para a qual o seu próprio partido oferece vários pretendentes.
Mas Serra, outra vez em princípio, tem potencial para ser o prefeito que foi esperado dele, sem correspondência. Com a condição, porém, de que queira ser prefeito para assumir, não uma escada, senão a mais rica cidade do país à espera ainda de que sua riqueza se transforme em bem-estar da população. A não ser assim, não valeria a pena Serra chegar à prefeitura. E nem mesmo sair do seu balancear hamletiano.
Janio de Freitas
No Folha
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Charge online - Bessinha - # 1053

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