12 de fev de 2012

2Cellos

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Hipocrisia Ocidental

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O Collor venezuelano

Interessante como a Folha de S. Paulo, hoje, traça o perfil do virtual candidato da oposição ao presidente Hugo Chávez, da Venezuela, sem relembrar sua trajetória.
Porque a vida de Henrique Capriles Radonski é o inverso do discurso “paz e amor” que o jornal diz ser adotado pelo candidato.
Radonski é membro de uma das famílias que controlam os meios de comunicação venezuelano, a Cadena Capriles, e filho de um político que, como ele, foi prefeito de Baruta, um dos distritos ricos de Caracas.
Foi escolhido pela família para ser mais um dos políticos de sobrenome Capriles do país, teve uma participação direta na tentativa de golpe que pretendeu derrubar Hugo Chávez em 2002. Ele, prefeito, recusa-se a controlar os grupos que depredavam e ameaçavam invadir a Embaixada de Cuba. Em lugar de dar as garantias diplomáticas que lhe cabia – a polícia estava sob seu comando – Radonski exige revistar a embaixada, para verificar se não estava ali Diosdado Cabello, vicepresidente e, na ordem consitucional, quem deveria assumir com o impedimento forçado de Chávez.
Um de seus apoiadores, na ocasião, depois de depredar carros da missão, que estava com a luz e a água cortadas, vociferou para a televisão, a respeito do ceroc: “eles vão ter de comer as mesas, as cadeiras e as almofadas”.
Embora, para confundir, Radonski diga que seu ídolo é Lula, tanto o estilo que aposta no “jovem e bonito” como programa de governo quanto pelos arroubos de valentia, como o do video acima, onde ele diz “tem as bolas bem seguras”, ao melhor padrão “aquilo roxo” que nós lembramos bem termos tido por aqui, e no que resultou.
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Kassab e a vaia educativa na festa do PT

Kassab vai para qualquer lado
O PT não é o maior partido político brasileiro à toa. Nele, entre outras coisas, as lideranças nem sempre falam a mesma língua, o que faz com que em muitos momentos para se chegar a uma posição seja necessário um amplo debate.
A última demonstração dessa vitalidade foi a vaia a Kassab na festa dos 32 anos do partido. Engana-se quem acha que a vaia foi da base. Nessa festa estavam apenas os “graduados”. E mesmo com Lula defendendo a tese de que o PT deve fazer um acordo com o prefeito de São Paulo, isso não impediu uma reação que em alguns casos poderia entendida como uma “falta de educação”. Nesse caso não. A vaia foi educativa. Mostrou que partidos não precisam e não devem ser instituições monolíticas.
Há muitas lideranças do PT em São Paulo (diria que hoje a maioria) que estão incomodadas com a aproximação que está sendo tentada com o atual prefeito. Mesmo assim Lula tem insistido na tese de que a fissura entre Kassab e o tucanato é a maior oportunidade que o partido já teve para conquistar não só a prefeitura da capital, mas também o governo do estado em 2014.
Os debates internos estão sendo intensos e os disparos de Berzoini e Marta Suplicy via twitter foram propositais e visavam alertar a militância de que não existe uma opinião uníssona da “cúpula” neste tema.
A vaia a Kassab se insere nesta lógica. As lideranças petistas de todo o Brasil que foram à festa dos 32 anos e ajudaram a apupar o prefeito disseram que são contra a aliança. E que esse assunto não vai ser resolvido na carteirada. Conversando com alguns deles que estavam na festa, o que mais se repetiu é que “reconhecem a liderança e a importância de Lula”, mas consideram que “divergir do ex-presidente também é algo natural e ajuda a fortalecer o partido enquanto instituição”.
Se os articuladores do convite a Kassab para a festa do PT achavam que esse fato poderia ajudar na quebra de gelo entre as partes, se deram mal. Ao invés de quebrar o gelo, o convite ajudou a azedar o leite. A partir dessa vaia os que se posicionam contra o acordo vão se sentir mais à vontade para discordar de Lula. Porque sentiram que não são a minoria. Ao contrário.
A festa de 32 anos certamente vai ficar marcada por este fato. Pela vaia ao prefeito paulistano. Se a vaia vai modificar o rumo das articulações, isso é outra história. Até porque o que este blogue tem ouvido é que um acordo com Kassab pode vir a ser feito de forma não explícita.
A base do prefeito em São Paulo tem vários partidos da base do governo Dilma em Brasília. Entre eles, o PCdoB e o PSB. Seria muito difícil para um petista ser contra um vice do PSB para Haddad. Isso poderia ser uma saída para os dilemas do acordo.
O prefeito parece estar disposto a não ser parceiro de Alckmin nesta eleição. A não ser que o governador apoie Afif. O que parece hoje algo descartado.
Kassab também não está disposto a apoiar Chalita, porque o considera o candidato de Alckmin, principalmente se o PSDB sair com Andrea Matarazzo.
Por isso a aproximação com o PT passa a ser uma saída real. Até porque o PT tem o governo federal. E esse talvez seja o alvo do atual prefeito para o futuro. Conseguir uma participação para o seu PSD no ministério de Dilma. Quem sabe, um cargo para ele mesmo. Que sem o mandato ficaria completamente sem poder.
Nos partidos que não são nem de direita, nem de centro e nem de esquerda ficar sem poder é algo mortal. Sem a caneta este tipo de político tende a desaparecer. Serra que o diga.
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Dia do orgulho Ateu

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Haddad quer Ley de Medios. E põe Kassab na roda

Saiu no Estadão uma entrevista que pretendia transformar Fernando Haddad num estalinista comedor de criancinha.
Deu-se mal, o Estadão.
A tal ponto que retirou da versão “completa” online os trechos em que ele trata, por exemplo, dos termos de uma hipotética aliança com o pior prefeito da história de São Paulo, Gilberto Kassab.
(O Farol de Alexandria jamais soube explicar a aliança com Maluf e o PFL do ACM com tanta competência.)
De quebra, Haddad propôs uma Ley de Medios americana para o Brasil.
Sugestão que, frequentemente, faz este ansioso blogueiro.
A elite brasileira quer copiar os Estados Unidos em tudo – menos na Ley de Meios …
Ou, como diz o Franklin Martins: quero uma Ley de Medios para respeitar a Constituição de ‘88.
Coitado do Bernardo, onde foi se meter …
O Estadão e a elite de São Paulo (separatistas desde 1932) querem a liberdade de imprensa para inventar os tucanos de São Paulo – duas malas que, sem o Estadão e o PiG, não passariam de Pinheirinho, na Dutra.
Ao Haddad, que deu o drible da vaca num estalinista do Estadão:
Não incomoda, como intelectual (de esquerda), a frase ‘nem direita, nem esquerda, nem de centro’ do Kassab?
Ele não é filiado ao meu partido, mas a um outro, que tem outra visão de mundo. Em segundo lugar, se você decide participar do jogo da política democrática, você não pode abdicar… deixa eu achar a palavra correta… (pensa alguns segundos) Quando se faz esse compromisso com a democracia, você está, de certa maneira, se comprometendo em respeitar as regras desse jogo. E a democracia é um governo de maioria. É um governo de coalizão. Não estamos num sistema bipartidário, mas pluripartidário. Todo partido que ganhar uma eleição vai ter que promover uma aliança para governar. Como sair dessa aparente contradição? Você tem uma visão de mundo e terá que se aliar com quem pensa diferente de você. A partir do resultado. O governo Lula, apesar de ter feito uma coalizão com partidos que não professam a ideologia do PT, resultou em mais igualdade e mais liberdade para a população. Se uma coalizão colocar em risco os princípios que você defende, aí ela compromete o ideário. Esse é o limite de qualquer aliança. As alianças têm que ser pautadas de tal maneira a não comprometer o objetivo do processo.
O sr. é contrario à regulamentação da midia ?
No que diz respeito a conteudo, sim,
E no que diz respeito à forma?
No que diz respeito a propriedade cruzada, a impedir monopólio, como nos Estados Unidos, por exemplo, eu penso que é agenda até liberal. A questão da propriedade cruzada dos meios de comunicação já foi discutida e solucionada há muito tempo no mundo desenvolvido. Impedir a oligopolização pra que haja mais pluralidade de opiniões, isso não é atividade que incide sobre a reprodução simbólica, mas tem boas repercussões sobre a reprodução simbólica em proveito do pluralismo.
O que deveria ser feito? Uma lei de meios, como na Argentina?
Quando você fala em lei de meios aqui, as pessoas, com razão, até pelo nosso passado autoritário, pensam imediatamente numa lei que vai inibir a circulação de opiniões. O que uma lei de meios poderia fazer era fomentar a circulação de opiniões, impedindo a oligopolização do setor. Quanto mais plural for a sociedade, quanto mais arejados forem os canais de comunicação, quanto mais as pessoas puderem tomar conhecimento do que pensam as outras, e formar livremente seu juízo sobre os temas de interesse público, mais democrática será a sociedade.
O sr., então, é contrário a que uma empresa tenha uma televisão com penetração em 100% do território nacional, um jornal, uma cadeia de radio…
Nos termos da sociedade liberal, penso que deve haver limites pra propriedade cruzada. Mas nos termos de uma sociedade liberal. A lei americana é um bom termômetro.
No Conversa Afiada
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As prioridades do douto e probo judiciário paulista

Enquanto o judiciário paulista se apressa em condenar morador de rua em prisão domiciliar, o que já foi feito para apurar e punir os responsáveis pelo esquema do Rodoanel de São Paulo?
Diante de uma decisão tão estúpida, o Desembargador relator do voto, Figueiredo Gonçalves, do TJ/SP, deveria sofrer punição igual e levar o réu para cumprir a pena de prisão domiciliar na casa dele desembargador.
No Blog do Saraiva
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Eles escandalizaram o templo do racismo em São Paulo

Afrontar a elite branca e racista de São Paulo foi a estratégia de centenas de manifestantes – em maioria, negros – que, no sábado (11), saíram com bandeiras e faixas do largo Santa Cecília, subiram a avenida Higienópolis e ousaram entrar naquele que é o mais genuíno templo do racismo da cidade.
O Shopping Pátio Higienópolis foi inaugurado no dia 18 de outubro de 1999. Instalado no coração do bairro de Higienópolis, região de alto poder aquisitivo em que vive o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, é composto por mais de 245 lojas distribuídas em seis pisos.
Ano passado, o shopping foi alvo de outro ato público, o Churrascão da Gente Diferenciada, levado a cabo em protesto contra abaixo-assinado de 3 mil moradores “higienopolitanos” que pedia ao governo do Estado que não construísse ali uma estação de metro para não atrair gente pobre – ou, como preferiram chamar, “diferenciada”.
A escolha desse shopping para um ato público dessa natureza fez todo sentido porque não há outra parte da cidade em que o racismo hipócrita e visceral que encerra é tão evidente. Só quem conhece o local é capaz de entender. A mera visita a ele desmonta a teoria de que não existe racismo no Brasil.
No Pátio Higienópolis, a sensação que se tem é a de estar em algum país nórdico. Só o que lembra que se está no Brasil são os empregados negros ou mestiços, tais como faxineiros, seguranças e alguns poucos funcionários das lojas. A clientela do shopping é quase que exclusivamente branca.
A manifestação foi convocada pelo “Comitê Contra o Genocídio da Juventude Negra” e protestou contra a reintegração de posse do bairro Pinheirinho, em São José dos Campos, contra a ação truculenta da PM na Cracolândia e contra o caso de uma funcionária negra da escola Anhembi Morumbi que alega que a direção a pressionou a alisar os cabelos.
Em um momento solene e apoteótico da manifestação dentro do shopping um refrão cheio de simbolismo, extraído do poema “Negro Homem, negra poesia”, de José Carlos Limeira, 56, um dos autores baianos de maior destaque na comunidade negra, foi entoado por centenas de vozes, para horror daquela elite perplexa.
Por menos que conte a história
Não te esqueço meu povo
Se Palmares não existe mais
Faremos Palmares de novo
Ver um pequeno exército de negros altivos entoando palavras de ordem enquanto enveredavam por um local em que são raros de se ver e, quando aparecem, estão sempre cabisbaixos e servis, escandalizou e intimidou a clientela habitual. Lojas fechavam as portas e madames debandavam, esbaforidas, rumo ao estacionamento.
A Folha de São Paulo colheu depoimentos das indignadas madames habitués do shopping sobre a “invasão” de sua praia. Suas declarações revelam toda a burrice do racismo.
“Fiquei com medo que saqueassem a loja, podia ter tiros, morte. São uns vândalos, vagabundos”
“Achei ridículo esse negócio de racismo. Onde é que está? Veja a quantidade de seguranças e empregados negros”
Dois depoimentos, duas provas incontestáveis de racismo e burrice. Será que se fosse uma manifestação de estudantes branquinhos da USP haveria medo de saques, tiros e mortes? Será que o fato de só haver funcionários negros, mas não consumidores, não prova o racismo e a desigualdade racial que infecta a sociedade?
Esse é só mais um dos capítulos da guerra contra o racismo, contra o preconceito e contra o higienismo racial e social do governo e de parte da sociedade de São Paulo. Foi travada onde deveria, em Higienópolis (bairro cujo nome não poderia ser mais apropriado). E, desta vez, as forças da igualdade racial e social venceram.
Veja, abaixo, vídeo da manifestação:
Eduardo Guimarães
No Folha13
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Delfim dá uma surra nos neoliberais. E o Brasil melhora!

O Conversa Afiada reproduz trechos da excelente entrevista de Claudia Safatle com Antônio Delfim Netto, na seção “À mesa com o Valor “, na pág. 10 do caderno “Sexta-feria e fim de semana”
Pela primeira vez, Delfim trata de alguns tópicos de sua vida pessoal.
E revela detalhes de sua relação com Mario Henrique Simonsen – que estava longe de ser tão cordial quanto ele descreve.
(Delfim disse a este ansioso blogueiro, que Simonsen fugiu do Ministerio da Fazenda, no Governo Figueiredo, quando viu que o Brasil ia quebrar. Como quebrou, nas mãos do Delfim.)
Assim como a opinião dele sobre Roberto Campos é muito menos generosa do que a entrevista retrata.
(Delfim deu a entender a este ansioso que não considerava o Campos um economista. Ele deveria ser, isso sim, segundo Delfim, botânico. Porque tinha uma vocação infatigável para catalogar espécies.)
O interessante, porém, é como Delfim desmonta de forma impiedosa alguns mitos ou dogmas da Teologia do "neolibelismo", tal qual divulgada no Brasil por sua mais notável evangelista, a Urubóloga.
Vamos ao Delfim, que é sempre divertido (atributo que os "jenios do neolibelismo" não tem.)
(…)
“Me dá vontade de dar risada quando alguém diz: ‘Mas vejam! É um absurdo esse negócio de educação e saúde gratuitos!’. Você até pode discutir se quer cobrar mais de um sujeito ou de outro. Mas a antropologia ensina: o macaco virou homem pelo conhecimento; e o homem só ganha a humanidade se tiver saúde”.
(…)
“O capitalismo não foi inventado por ninguém. O homem foi procurando formas de produzir sua sobrevivência da maneira mais econômica possível. O capitalismo não tem fim. De vez em quando ele quebra, se recupera e sai da crise diferente de como entrou. O que se chama de capitalismo, portanto, nunca é a mesma coisa.” E conclui: “Cada vez que um cérebro peregrino inventa uma nova forma de organização, termina em porcaria”.
(…)
A crise europeia entra na conversa.
“Ah, essa crise, na minha opinião, vai confirmar a nossa teoria. Ou a Europa se salva como uma federação ou vai voltar para a barbárie.” Na hipótese de destruição do euro, o futuro da Europa é sombrio. Se isso ocorrer, o que não acredita, “esses países todos daqui a 20 anos vão fazer uma guerra”.
Haveria o risco de a Europa estar caminhando para uma fase pré-Tratado de Versalhes?
“Se você permitir o desastre, tá tudo perdido! Não posso pedir para o grego: descoma o que você comeu. Não tem como! E você precisa do processo democrático para aperfeiçoar esse sistema. Ele não será aperfeiçoado na marra, a não ser que apareça um Napoleão, ocupe todos os 17 Estados e ponha ordem na casa. Aí, na Itália também vai aparecer um Mussolinizinho….”
(…)
A concepção do Plano Real, que finalmente conseguiu derrubar a inflação, era brilhante, Delfim reconheceu por diversas vezes. Mas quando o país celebrava a existência de uma moeda que valia mais que o dólar, ele chamava a atenção para a crise de balanço de pagamentos que a sobrevalorização do real iria gerar. Enquanto Fernando Henrique Cardoso tomava posse como presidente da República, Delfim insistia que aquela política terminaria de forma melancólica.
(E terminou. Ao final dos oito anos de FHC, nem o cadidato dele à sucessão, Padim Pade Cerra, o defendeu. – PHA)
(…)
“Não existe mercado sem Estado e não existe desenvolvimento sem mercado.” O mercado, é claro, tem seus problemas e excessos. Mas o Estado também os tem. O melhor, segundo ele, é caminhar numa linha intermediária, e difícil: “Nem considerar a teoria econômica como uma religião, da qual o economista é portador, divulgador e defensor; nem achar que o Estado é onisciente e, portanto, não pode ser nem onipresente nem onipotente”.
(…)
A verdadeira revolução ocorreria lá pelos anos 1949, 1950, com a chegada às livrarias do livro “Introdução à Análise Economia”, de Paul Samuelson.
“O Samuelson fez a maior sacanagem com os economistas. A vida inteira ele promulgou que a economia era uma ciência. Antes de morrer, deixou um recado: ‘A economia nunca foi uma ciência e nunca será’. E morreu!”
(…)
“Tenho uma grande confiança na dialética entre a urna e o mercado. Cada vez que a urna exagera nos benefícios, o mercado vem e pune. E cada vez que o mercado exagera, vem a urna e pune.”
(…)
Num momento em que a crise, tanto nos Estados Unidos quanto na zona do Euro, leva pensadores e movimentos sociais a questionar o regime capitalista e a prever seu fim, o ex-ministro não crê em alternativas.
“O capitalismo não foi inventado por ninguém. O homem foi procurando formas de produzir sua sobrevivência da maneira mais econômica possível. O capitalismo não tem fim. De vez em quando ele quebra, se recupera e sai da crise diferente de como entrou. O que se chama de capitalismo, portanto, nunca é a mesma coisa.” E conclui: “Cada vez que um cérebro peregrino inventa uma nova forma de organização, termina em porcaria”.
(…)
De tudo que viveu até agora, para Delfim foi a Constituinte de 1988 a responsável pela grande mudança que deu início ao Brasil de hoje.
“Com todos os seus problemas e suas utopias, a Constituição de 88, na verdade, foi construindo instituições que estão cada vez mais sólidas. Você tem um Executivo funcionando, tem um Legislativo funcionando e tem um Judiciário funcionando. Tem, ainda, uma coisa que não tem em nenhum outro país emergente, que é um Supremo Tribunal Federal independente, que defende as liberdades individuais e que frequentemente é criticado por tentar fazer justiça.”
A Constituição, descreve ele, que foi deputado constituinte, tem três vetores: “Construir uma sociedade republicana em que todos, inclusive o poder incumbente, estejam sujeitos à mesma lei; construir uma sociedade democrática, em que estamos avançando numa velocidade espantosa; e uma sociedade razoavelmente justa”.
“O capitalismo é uma corrida feroz, uma competição. Para a competição ser justa, a justiça se faz na saída. Então, todo mundo tem que sair daqui com os dois pés e uma cabeça, tá certo?”
Independentemente de o sujeito ter nascido numa suíte presidencial do Hotel Waldorf Astória ou debaixo de uma ponte em Brasília, a carta lhe dá acesso à saúde e à educação. O resultado vai depender da sorte, do DNA e de uma porção de outras coisas. É isso que está implícito na Constituição, diz.
“Aparece um sujeito como o Lula e, intuitivamente, descobre que é isso mesmo que o povo quis por lá na Constituição”, completa.
“Quantos votos tem o economista que diz que isso é besteira? Quantos? A mulher dele, provavelmente, não vota nele. Quem decidiu isso tem 50 milhões de votos. É um respeito à forma de organização. O que me parece é isto: Nós estamos nos aperfeiçoando.”
- Ministro, o que o diverte hoje?
Hoje eu me divirto vendo o Brasil melhorar.
(Apesar da Urubologia. PHA)
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Ali Kamel expulso de Copacabana pelo povo

Rede Globo foi expulsa pelo povo hoje, na manifestação pacífica e ordeira dos Policiais e Bombeiros.
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O PIG de lá é como o daqui

“JORNALISMO” DE MERDA: Não deve ser possível descer-se tão baixo – despudor e medo norteiam a capa do “PÚBLICO” de hoje
Repare-se na falta de decência: o protesto de ontem, que superlotou o Terreiro do Paço, é reduzido a uma mera manifestação sobre o “aumento do salário mínimo”. Ou seja, o que esta malta quer é $$, mais $$, sem trabalhar mais, etc. Os populares é o que querem, não, nunca os banqueiros! Estes apenas querem uns trocos para investir na economia (o que sempre fizeram, aliás, empreendedores e beneméritos – ou santos castos).
Depois, a foto escolhida: parece que Carvalho da Silva não cumprimentou, nem saudou, Arménio Carlos; parece que lhe vira as costas, com um aviso de quem diz “não tenho nada a ver com isto”. O jornalismo javardo na sua máxima expressão.
No desenvolvimento da notícia, apenas se diz que os números de manifestantes da CGTP são exagerados (não sabia que o “PÚBLICO” tinha “contadores”, e científicos que eles sempre são – científicos como os de um pateta americano que aí anda a chular uma universidade portuguesa de que não me lembro o nome, nem do americano nem da universidade).
Depois de regressar das 6 horas do Götterdämmerung (Wagner) na Gulbenkian, voltaria à frase: a cupidez é dos trabalhadores, querem sempre mais, os bancos e banqueiros NUNCA!, e lembro-me do que acima escrevi porque, na tragédia wagneriana, o mais portentoso texto anticapitalista (literário e musical) de toda a história das artes, é o $$ (hoje supostamente alemão, somado à mendicidade dos medíocres GASPARES) que nos leva ao fim da civilização, da vida colectiva e do mundo.
Mas isso é por causa dos trabalhadores! É sua a culpa, apenas sua, segundo o “PÚBLICO” de hoje.
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Prévias Tucanas em São Paulo

As prévias partidárias estão na moda. Nos Estados Unidos, os pré-candidatos a presidente do Partido Republicano se engalfinham. No Brasil, o PSDB paulista anda às voltas com elas em diversas cidades, tentando fazê-las para escolher seus candidatos a prefeito.
Em São Paulo, a discussão é especialmente relevante na capital, pelo motivo óbvio de ser a mais importante cidade do estado e a maior do Brasil. A disputa pela sua prefeitura sempre desperta interesse nacional, apesar de ter consequências tênues nas eleições presidenciais - e mesmo nas estaduais - seguintes.
Teremos, este ano, uma eleição aberta na cidade, sem medalhões de qualquer lado. No PT, por escolha do Diretório Municipal, que acatou a orientação de Lula e sua indicação de Fernando Haddad. No PSDB, pelo esvaziamento de Serra, que fez com que ele mesmo preferisse não correr o risco de uma derrota.
O prefeito vai mal de imagem - aliás, muito mal - e tampouco tem um nome forte para lançar. Kassab terminou 2011 como vitorioso no front político, depois que seu PSD cresceu além do que imaginava, mas amargando índices fortemente negativos de avaliação. A ideia de continuidade, bandeira inevitável de um candidato ligado a ele, tem poucos adeptos.
Nada mais natural que o PSDB procure novos rostos. E existem vários em condições de representá-lo em outubro. Mais novos e mais velhos; mais ligados a Alckmin ou a Serra; com atuação na prefeitura ou no governo do estado; com e sem experiência no Legislativo.
Em condições como essa, no mundo inteiro, é comum que os partidos façam prévias. É o que está acontecendo, nos Estados Unidos, com os republicanos. São, atualmente, quatro candidatos, dentre os quais sairá o adversário de Obama.
Lá, é um processo totalmente institucionalizado, tão antigo quanto a democracia - mesmo que seja confuso e misterioso para os não-iniciados.
Aqui, o problema é que nossa legislação a respeito das prévias é simples, mas restritiva. E nossos partidos, com exceção do PT, não têm experiência com elas.
Falar em prévias, no Brasil, é mais fácil que realizá-las. Como está vendo o PSDB de São Paulo.
A legislação admite apenas prévias “fechadas”, em que só filiados podem votar. E aí começam os problemas. De um lado, a vasta maioria dos eleitores identificados com o PSDB não está inscrita, pois filiar-se a um partido - a qualquer partido - não é comum em nossa cultura política. De outro, uma proporção nada irrelevante dos que preencheram ficha de inscrição não tem vínculo com ele.
Nem o PSDB sabe, com certeza, quantos são seus filiados em São Paulo. Até 2009, trabalhava-se com uma estimativa de 40 mil, quando Serra, preocupado com a movimentação de Aécio em favor de prévias na eleição do ano seguinte, mandou fazer uma recontagem. O número caiu pela metade, mas continuava incerto.
O partido contratou, então, uma empresa de telemarketing para checar seu cadastro. Que, até agora, a um mês da data marcada para que as prévias aconteçam, só conseguiu contatar 8,5 mil pessoas.
Quantos eleitores tucanos haverá em São Paulo? Difícil responder, mas sabemos, por exemplo, que Serra teve 3,4 milhões de votos na cidade em 2010. Que Alckmin teve 3,2 milhões para governador, no mesmo ano.
Embora imensa, não seria tão grave a discrepância entre eleitores e filiados (que são, somente, 0,003% dos primeiros) se esses fossem uma espécie de “vanguarda tucana”, cidadãos de tal maneira motivados e dispostos a participar que seria natural que sua decisão fosse acolhida pelos demais.
Quando, porém, se vai à procura dos filiados ao PSDB, o que se encontra, em muitos casos - como registrou a reportagem de um dos mais importantes jornais paulistas -, são pessoas que nem sabiam que o eram, pois acreditavam que haviam “preenchido fichas” para se cadastrar no Minha Casa, Minha Vida, ou para receber leite em programas estaduais. Que não têm qualquer intenção de se envolver nas questões do partido. Que foram arregimentadas por cabos eleitorais ou filiadas por amigos, algumas até simpatizantes do PT.
É bom e salutar que os partidos façam prévias. Elas oxigenam a vida partidária e os fortalecem.
Mas nossos partidos têm que fazer muito para que elas sejam mais que uma ficção. Partidos que nasceram na elite - e permaneceram sendo organizações de quadros - precisam se reinventar se quiserem se abrir à efetiva participação popular.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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Charge online - Bessinha - # 1041

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Acordo automotivo é com México, não com os EUA

Foi preciso que uma agência de notícias estrangeira – a Reuters - viesse esclarecer as razões do governo brasileiro sobre o acordo com o México, que isenta de taxação a importação de automóveis entre os dois países.
Passamos uma semana ouvindo “sumidades” dizendo que o Brasil reclamava do acordo porque, de alguns anos para cá, a balança virou em desfavor de nosso país, quando antes nos era benéfica.
Aí vem a Reuters e explica: o problema é que, segundo uma fonte ouvida pela agência, atualmente “apenas 20 por cento das peças dos carros produzidos no México e importados para o Brasil são produzidas naquele país e o restante é proveniente dos Estados Unidos, usando acordos firmados no âmbito do Nafta”.
O Nafta, como se sabe é o North American Free Trade Agreement, Tratado de Livre Comércio da América do Norte, que isenta de impostos a importação entre México, EUA e Canadá.
Nestas condições, estamos comprando mais de US$ 2 bilhões em veículos, na prática, fabricados nos EUA, com isenção de impostos que estamos negando aos chineses e coreanos. Foram 134, 6 mil veículos em 2011, 80% a mais do que em 2010.
Mais que um contra-senso, um absurdo.
A mídia brasileira, porém, prefere tratar como se fosse um problema com o México. Não é. É com o Tio Sam de sombrero que o Nafta criou.
No Tijolaço
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A missão cumprida de Gabrielli

O maior risco que a Petrobras sofreu, na década passada, foi a tentativa de quebrá-la em várias subsidiárias – distribuição, refino, produção.
Na própria campanha do Petróleo é Nosso, no início dos anos 50, havia a convicção dos técnicos que a integração era fundamental para dar músculos e condições de se tornar um player independente.
No final do governo FHC a Petrobras deu início a programas sofisticados de planejamento estratégico. Mas com o viés negativo da divisão da empresa, para privatização de algumas unidades.
A rigor, o grande feito de José Sérgio Gabrielli – que, nesta segunda, deixa a presidência da Petrobras – foi ter revertido esse modelo, primeiro como diretor financeiro da empresa, depois como presidente.
O segundo grande feito por ter recuperado os programas de qualidade, abandonados no período Reichstull para privilegiar os resultados de caixa da companhia.
E aí se entra no desafio de gerir uma grande estatal. Há muitos públicos a serem atendidos: os trabalhadores, os fornecedores, os acionistas, o Estado (como acionista controlador), os clientes.
O fato de ser estatal ajuda, inclusive na posição de quase monopólio do setor. Mas exige contrapartidas, uma das quais é avaliar os impactos dos reajustes de derivados sobre a inflação. Parte da redução de lucros no ano passado – 5% em relação a 2010 – se deveu ao não repasse, para os preços internos, das altas internacionais de petróleo.
Assim que entrou o governo Lula, a primeira função de Gabrielli foi percorrer o mundo para conversas com investidores, informando que não seria cometida nenhuma loucura à frente da empresa. Em 2003 foram mais de 1.200 reuniões, uma média de 100 por mês.
O segundo passo foi analisar as companhias internacionais e constatar que o modelo de empresa integrada era muito mais rentável do que aquelas meramente produtoras de petróleo ou refinadoras.
No plano estratégico de 2003, se dizia que, mais importante que o resultado de cada área, era o resultado final integrado. Cada setor manteve sua estratégia operacional mas a corporação passou a prover o suporte operacional para todos eles, integrando resultados.
Outro ponto relevante foi a renovação da companhia. De 1990 a 2000 praticamente não houve concurso. Hoje em dia, 52% dos funcionários têm menos de dez anos de quase e 46% mais de 20 anos. No meio ficou a vacância da falta de concursos.
Desde sempre a empresa tinha sistemas de informações azeitados. Com a descoberta do pré-sal, explica Gabrielli, foi necessário conferir uma velocidade maior ao que já existia. Afinal, em 2003 a Petrobras investia US$ 5 bilhões/ano; em 2011 investiu US$ 43 bilhões.
O pré-sal trouxe novas responsabilidades à empresa. Tornou-se operadora de todos os poços do pré-sal – sozinha ou em sociedade com empresas estrangeiras.
O fato da lei ter definido um ritmo razoável de produção – vai crescer de acordo com a capacidade das indústrias nacionais de fornecerem os equipamentos – permitirá à empresa formar quadros para operar o pré-sal.
Gabrielli deixa a companhia conquistando os principais prêmios internacionais destinados a executivos de petrolíferas.

Luis Nassif
No Advivo
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'Chutzpah'

Um exemplo extremo do que os judeus chamam de “chutzpah” é o cara que mata o pai e a mãe e no tribunal pede clemência para um pobre órfão.
“Chutzpah” é algo que ultrapassa o cinismo e provoca até uma certa admiração pela audácia. Se houvesse um prêmio para a “Chutzpah do Ano” de 2012 o vencedor já estaria decidido, pois ninguém poderia concebivelmente igualar o primeiro-ministro britânico David Cameron este ano.
Quando Cameron chamou de “colonialista” a pretensão da Argentina de incorporar as Ilhas Malvinas, Falklands para os ingleses, ao seu território, estabeleceu um novo parâmetro para o “chutzpah” que humilha até o do órfão que pede clemência.
As Ilhas Falklands são os últimos farelos do maior sistema colonial que o mundo já conheceu. Um sistema que levou a espoliação comercial, a prepotência e a morte — junto com o parlamentarismo, o críquete e o chá com bolinhos — a todos os limites da Terra, e ainda se apegava aos seus domínios, muitas vezes por puro orgulho imperial, quando outras potências coloniais já tinham desistido.
Se há alguém que não pode xingar ninguém de colonialista é um inglês. Pelo menos não sem corar.
Você não precisa torcer pela Argentina para lamentar os ingleses no caso das Malvinas/Falklands. Ou vice-versa.
As barbaridades de lado a lado se equivalem. A tentativa de tomada das ilhas pelo governo militar argentino de 1982 — decidida, segundo o folclore, durante uma bebedeira do general Galtieri — foi uma aventura desastrada, tornada ainda mais trágica pela desproporção de forças.
As consequências da aventura também se equilibram. A derrota humilhante decretou o fim do regime militar argentino. A vitória fácil decretou a reeleição da Margaret Thatcher na Inglaterra.
Entre os quase mil mortos argentinos e ingleses na rápida guerra, as razões geopolíticas e eleitorais para o seu sacrifício não fizeram nenhum sentido.
Num plebiscito, a população das ilhas certamente escolheria continuar fazendo parte do Reino Unido. Este é o principal argumento inglês para continuar lá. Tudo bem. Mas o David Cameron poderia ter ao menos corado um pouco.
Luis Fernando Veríssimo
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O estilo “miguelito” ajuda a inflar as greves?

Tempos atrás participei da organização de várias greves, em um grupo político de esquerda ou como diretor da CUT. Uma das que lembro, com grande sucesso pela mobilização, foi a greve do Arsenal da Marinha, em 85, a famosa “Greve dos Mascarados”. Acredito que tenha sido a única realizada pelos trabalhadores do Arsenal da Marinha, com seus piquetes feitos à distância, porque se tratava de área de segurança nacional. Nas discussões sobre como agir, sempre havia sugestões do tipo “vamos espalhar miguelitos por toda parte!”, ou seja, parar a cidade com aqueles pregos de 4 pontas que furam pneus de carros. O bom senso acabava prevalecendo, porque é importante que a população apoie, ao invés de reagir contra a greve.
Foi principalmente na conquista da simpatia popular que os policiais falharam dessa vez. Acreditaram que poderiam repetir o que os bombeiros do Rio fizeram no ano passado e, com essa ideia na cabeça e uma arma na mão, tentaram fazer imensa mobilização nacional. Foram ingênuos, deixaram-se levar por politiqueiros excitados com a chance de faturar mais uns votinhos logo no início desse ano eleitoral. O primeiro erro foi a escolha do momento pré-carnavalesco. Ameaçar a realização da festa do povo? Onde já se viu fazer uma escolha dessas!?! Isso deixou o país inteiro em pânico - o folião, os pequenos comerciantes, os blocos e escolas de samba, a indústria do turismo, a TV Globo, por aí vai. Outro grande erro foi o estímulo ao vandalismo. Queimar caminhão para bloquear estradas é pior do que “miguelito”. As dezenas de assassinatos que surgiram de uma hora pra outra foram aterrorizantes – mães impedindo que os filhos fossem à escola, amigos organizando grupos para saírem à rua com mais segurança, o medo lado a lado com a população. Os tiros contra bancos, viaturas da polícia e emissoras de TV também foram inteiramente desnecessários. O terceiro grande erro foi o de organização, com seus líderes deixando-se grampear facilmente, parecendo estagiários de vigia.
Do outro lado, vimos os governos federal e estaduais extremamente atentos e eficientes. Souberam informar corretamente e venceram logo de cara a guerra das percepções. Aquela onda vermelha e romântica dos grevistas do ano passado transformou-se rapidamente em nuvem negra, ameaçadora, indesejável. Lideranças atrás das grades e um movimento frustrado, que não conseguiu acrescentar nada ao soldo/salário de cada um. A greve dos policiais/bombeiros fracassou e deixou pelo menos duas lições. A primeira reafirma que, para ter sucesso, a greve primeiro tem que vencer a guerra de percepções. A outra deixa claro que os problemas na área de segurança são bem maiores do que a simples reposição salarial, exigem, na verdade, reposição da política nacional de segurança. Que país é esse que, no lugar de uma polícia única e eficiente, tem em cada estado duas polícias em conflito entre si? Que país é esse onde parte da polícia é militar? Investir em uma polícia única em cada estado, que seja civil, que seja eficiente e que esteja a serviço da população – é por esse objetivo que nossos políticos devem lutar. A boa remuneração dos policiais é praticamente consequência natural.
Quanto aos grevistas, é bom aprender de uma vez por todas que esse estilo “miguelito” que só faz agredir a população é sempre uma furada.
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Charge online - Bessinha - # 1040

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Morre Whitney Houston

 9 de agosto de 1963 — 11 de fevereiro de 2012 

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