11 de fev de 2012

Protesto em Portugal

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Folha mente, descaradamente mente!

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Orelhões curiosos do Brasil

Vila Velha
Poços de Caldas
Bonito
Orelhão em forma de onça (Bonito, MS) - em MT e MS, muitos orelhões em reprodução de animais do Pantanal
Bonito
Bonito
Bonito
Guaíra
Araruama
Sidrolândia
Bonito
São Paulo
Inspirado no Esquerdopata.
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Enquanto isso, no Vaticano, a atividade é febril

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Preço da Internet

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Propuesta de quinto poder, Ignacio Ramonet

Ignacio Ramonet
Foto: René Mazola
El catedrático y periodista hispano-francés Ignacio Ramonet propuso este viernes en Cuba la creación de un quinto poder de los ciudadanos que cuestione el funcionamiento mediático de las sociedades.
Los ciudadanos deben apoderarse de la crítica mediática para construir un contrapoder a los medios, en la medida en que estos no están jugando su papel natural”, afirmó Ramonet tras recibir un Doctorado Honoris Causa en la Universidad de La Habana (UH).
Necesitamos un activismo social que facilite a las personas desalienarse, añadió el periodista e investigador al agradecer el doctorado en Ciencias de la comunicación que recibió este viernes en presencia del ministro cubano de Cultura, Abel Prieto.
Las redes sociales de Internet, explicó, nos permiten ser más activos en la manera de autoinformarnos y de construir informaciones paralelas a la de los grandes grupos de prensa.
Creo que con las nuevas herramientas mediáticas que Internet pone a nuestra disposición otra información es posible“, subrayó en el Aula Magna de la UH, donde estaba también el presidente de la Fundación del Nuevo Cine Latinoamericano, Alfredo Guevara.
Ramonet comparó el papel de los medios de difusión como aparato ideológico de la globalización al que jugó la Iglesia católica en el siglo XVI durante la conquista de América por el colonialismo español.
El rector de la UH, Gustavo Cobreiro, aseguró que el título otorgado al visitante se debe a su solidaridad con los procesos de transformación en América Latina y sus vínculos de honradez intelectual con Cuba.
No ISLAmía
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Charge online - Bessinha - # 1039

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Texto ao bispo: feridas precisam ser limpas para cicatrizar

Criei, anos atrás, o humorado Troféu Frango para premiar declarações estranhas em geral – quem é leitor deste blog já está acostumado com ele. Hoje, o Frango vai para José Benedito Simão, bispo de Assis (SP):

..

Presidente da Comissão pela Vida da regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ele disse ao jornal Estado de S. Paulo (leia aqui) que a recém-empossada ministra da Secretaria de Política para as Mulheres, Eleonora Menicucci, “é uma pessoa infeliz, mal-amada e irresponsável”.
Isso! Não critique o discurso ou o argumento do seu adversário. Desqualifique-o! Aliás, considerando a profundidade das declarações do religioso, acho que ele poderia ter ido além. Por exemplo, dito que Eleonora tem cara de mingau, chulé no pé e não sabe fazer bola com chiclete!
“Ela é infeliz, mas ninguém precisa ficar sabendo. Seu discurso mostra que ela pode estar reabrindo feridas que estavam cicatrizando”, claramente se referindo ao quiorocó causado pelos setores conservadores – entre eles a Igreja – após o lançamento do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos em 2010.
Para cicatrizar uma ferida, primeira é preciso abri-la, retirar toda a sujeira que se acumulou e lavá-la bem. Daí usar os medicamentos apropriados para que não ocorra nenhuma infecção, ou seja, que o problema se espalhe. Aí sim, é hora de fechá-la. O que o bispo pede é diferente. Ele quer que ninguém mexa na ferida, que há séculos produz um pus fétido na sociedade, que é a forma como tratamos o direito das mulheres ao seu próprio corpo. E como o Estado se omite em debater temas importantes, deixando para outras instituições essa responsabilidade.
Mas, afinal de contas, ele tem razão. Que história é essa de pensar que o Brasil é laico e democrático? O Brasil pertence aos pastores de Deus, aos homens e aos héteros. Ah, e aos empresários também.
Recordar é viver: críticas colocaram lado a lado setores da igreja, dos militares e do agronegócio, que possuem em suas fileiras alguns dos maiores bastiões do conservadorismo e do atraso. É realmente o país da piada pronta, como diz outro José Simão, esse muito mais engraçado. Lembra muito aqueles microcosmos de poder do Brasil profundo, presentes nas obras de Dias Gomes: o padre, o delegado e o coronel, tomando uma cachacinha na (ainda) Casa-grande e discutindo sobre os desígnios do mundo. Ou pelo menos do vilarejo.
Com tanta atitude arbitrária e antidemocrática do governo para ser criticada, a igreja vai cutucar logo a defesa dos direitos humamos, que serve para trazer um alento de civilização em nosso país de mentalidade tão tacanha. Traduzindo as reclamações da igreja: “Vemos essas iniciativas como uma forma do Estado ter independência e não seguir as regras que ajudamos a construir ao longo de centenas de anos”.
José também falou sobre as declarações de Eleonora sobre a orientação sexual de sua filha, afirmando que ela “deveria tomar mais cuidado para não dar mau exemplo para nossos adolescentes”.
Eleonora, ao deixar claro que tem orgulho de uma filha lésbica, faz um serviço à sociedade, ao mostrar que isso não deveria assustar ninguém. O bispo que deveria tomar cuidado para não dar mau exemplo aos nossos adolescentes com declarações que podem promover a homofobia e a intolerância.
Apesar de não concordar com várias posições da igreja, acredito que José não fala pelo conjunto dela. A Igreja Católica não é José Benedito Simão, nem Joseph Ratzinger. É muito mais do que isso. É também a Comissão Pastoral da Terra, por exemplo. É Pedro Casaldáliga, Henri des Roziers, Tomás Balduíno, Xavier Plassat. Há muita gente lá dentro que defende, de verdade, uma vida de dignidade.
Mas é engraçado ver alguém que tem medo do debate público. Principalmente, quando este vai revelar o anacronismo de seu próprio discurso. Quiçá sua insignificância.
No Blog do Sakamoto
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O patife do Zé Simão. E não é o do Monkey News!

Só mesmo um integrante dessa igreja xexelenta para dizer tanta asneira:
Zé Simão, vestido de artista
Para bispo, ministra da Secretaria das Mulheres é 'mal-amada e irresponsável'
Presidente da Comissão da Vida da CNBB em SP, d. Zé Simão ataca Eleonora
ARAÇATUBA - O bispo de Assis (SP), d. Zé Simão, presidente da Comissão pela Vida da regional Sul 1 (Estado de São Paulo) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), disse ao Estado que a nova ministra da Secretaria de Política para as Mulheres, Eleonora Menicucci, "é uma pessoa infeliz, mal-amada e irresponsável", que "adotou uma postura contra o povo e em favor da morte" ao defender o aborto em declarações dadas à imprensa. Informada, a ministra não quis comentar as críticas feitas pelo bispo.
"Recebo com muita indignação as palavras da nova ministra, cuja pasta tem uma grande responsabilidade em favor da vida da mulher", afirmou d. Zé Simão – para quem a ministra abriu uma polêmica que pode criar um confronto entre Igreja e governo. "Ela é infeliz, mas ninguém precisa ficar sabendo. Seu discurso mostra que ela pode estar reabrindo feridas que estavam cicatrizando", disse ainda o bispo, referindo-se aos debates ocorridas no fim do governo Lula sobre aborto no Programa Nacional de Direitos Humanos 3 (PNDH-3). "Ela tem obrigação de apresentar programas que gerem vida, e não morte. Deve falar em defesa da mulher, em defesa da vida, mas se posicionou a favor do homicídio, ao defender o aborto", protestou.
O bispo também reclamou das declarações da ministra sobre as preferências sexuais de sua filha, afirmando que ela "deveria tomar mais cuidado para não dar mau exemplo para nossos adolescentes".
Panfletos
D. Zé Simão, de 61 anos, ficou conhecido em janeiro de 2010, quando divulgou panfletos chamando Lula de "novo Herodes", por levar adiante o PNDH 3. Os panfletos voltaram a circular em outubro, em plena campanha presidencial de segundo turno, mas foram apreendidos em uma gráfica do Cambuci, em São Paulo. A gráfica informou que a encomenda lhe fora feita pela diocese de Guarulhos.
Em outro trecho da entrevista de ontem, o bispo de Assis disse que vai seguir de perto os pronunciamentos da ministra. "Vamos acompanhar seu trabalho. Se os discursos forem nessa mesma linha (de defesa do aborto), vamos tomar algumas medidas de protesto, que podem ser panfletos ou manifesto público", acrescentou. E concluiu dizendo que "foi uma escolha infeliz do governo de Dilma", que poderia ter escolhido "uma pessoa mais responsável e equilibrada, mas colocaram essa pessoa para reacender temas polêmicos e complexos e reabrir feridas que estavam se fechando".
No Estadão
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Governo dos EUA financiou oposição na Síria, revela Wikileaks

Parte dos opositores rejeitou ajuda norte-americana, por considerá-la "insultante"
Agencia Efe
O governo dos Estados Unidos financiou a oposição ao regime de Bashir Assad por meio da campanha “Anunciando a Democracia Síria”. A revelação é de um telegrama de 27 de fevereiro de 2006, vazado pelo site Wikileaks em 30 de agosto de 2011.
No documento, enviado por Stephen Seche, diplomata na embaixada em Damasco, o governo dos EUA afirma que a campanha contra o presidente sírio inicialmente provocou reações contraditórias entre os membros da oposição local.
Enquanto alguns políticos oposicionistas enxergaram a situação com mais entusiasmo, outros consideraram a oferta "insultante". No despacho, o diplomata relata a reação de um opositor e ex-preso político, que teria acusado os EUA de quererem apenas instrumentos políticos e não parceiros realmente dispostos a estabelecer democracias no Oriente Médio.
Com o passar do tempo, no entanto, a maior parte dos opositores passou a ver com bons olhos a ajuda norte-americana, um sinal de que Washington “não queria acordo” com o regime de Assad. Eles também deram sugestões de como os EUA poderiam ajudar os opositores
Basil Dahdouh, deputado independente, achava que a oferta de dinheiro era um importante sinal do apoio dos EUA à oposição na Síria. Era um indicativo que os EUA estavam dispostos a cooperar com a queda do regime de Assad. Entretanto, Dahdouh criticou o modo como a oferta foi feita: “burocrática, legalista e pública” demais. Isso poderia enfraquecer a iniciativa, de acordo com o parlamentar.
Em vez disso, Bahdouh sugeriu ajuda financeira às famílias de presos políticos. De acordo com o parlamentar, algumas centenas de dólares mensais evitariam o empobrecimento dessas famílias. O parlamentar não disse como seria possível implementar um programa dessa natureza, mas sugeriu que o dinheiro poderia ser entregue aos familiares dos dissidentes pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha.
Bolsas de estudo, programas culturais, prêmios e outras iniciativas poderiam ser utilizadas para enviar dinheiro à oposição síria. O parlamentar também sugere um “centro de traduções”, no qual seria dada voz à imprensa alternativa, crítica de Assad. O objetivo, segundo Bahdouh, era remeter o dinheiro “sem gerar controvérsias”.
Reação
Uma das mais violentas reações contra a ajuda americana veio do dissidente Yassin Haj Salleh, preso pelo regime de Assad por 18 anos. Ele considerou a proposta insultante e pediu que os EUA “parassem de negociar com os sírios desse modo desrespeitoso”. Para Salleh, os EUA deveriam apoiar não só a democracia na Síria, mas também o governo palestino eleito democraticamente do partido Hamas.
Para Salleh, a postura dos EUA é incoerente: “Vocês cortam milhões de dólares em ajuda à Palestina e oferecem centavos para estimular a democracia na Síria”, criticou o dissidente. Segundo ele, os EUA são hostis à qualquer ideia de real independência árabe, mesmo nos dias de hoje: “Vocês não querem parceiros, querem instrumentos”.
A reação pública à ajuda também foi dividida. Os nacionalistas mais tradicionais rechaçaram qualquer ajuda e as outras reações continham mais nuances.
Hassan Abdul Azim, porta-voz do Grupo Democrático Nacional, coalizão de cinco partidos da oposição, constituído de pan-arabistas e ex-comunistas, disse que seu grupo recusaria qualquer “financiamento ocidental” e puniria membros que aceitassem aquele dinheiro.
Para o ativista Michel Kilo, os problemas da oposição síria não são financeiros, mas políticos. Segundo Kilo, a principal objeção ao dinheiro americano é a política dos EUA para o Oriente Médio e para a Palestina, finaliza o diplomata americano.
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Charge online - Bessinha - # 1038

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E o Congresso criou um monstro

A greve dos policiais militares da Bahia é um monstro criado, essencialmente, pelo Congresso Brasileiro. O bicho nasceu e cresceu a partir das anistias concedidas a movimentos iguais ou semelhantes, deflagrados por bombeiros e policiais militares nos últimos anos, em todo o Brasil.
Anthony Garotinho é bem-sucedido nesta
específica conquista de votos.
Foto: Rodolfo Stuckert
A decisão do Congresso tem sido fortemente impulsionada por interesses eleitorais que criam situações tão cruéis quanto irônicas. Alguns políticos bancam Tiradentes, patrono das forças policiais militares, com o pescoço dos outros.
Um exemplo. Gravações judicialmente autorizadas flagraram políticos do Rio de Janeiro incentivando os PMs baianos à rebeldia. Um dos interlocutores dos policiais acantonados na Assembleia Legislativa, em Salvador, foi o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho. Ele esteve envolvido na greve dos bombeiros cariocas e trabalhou pela anistia na Câmara. Foi bem-sucedido.
Invariavelmente, os recentes movimentos grevistas das PMs apresentam como primeiro item da pauta de negociações a anistia.
A presidenta Dilma já se declarou contra essa possibilidade. O governador da Bahia, Jaques Wagner, também já disse não. Ele tem a prerrogativa da anistia administrativa. Mas como reagirão os parlamentares em ano de eleições municipais?
No caso de agora há um importante diferencial, aparentemente técnico, mas de profunda gravidade política e social. A greve deixou de ser motim e tornou-se uma revolta pelo fato de alguns dos grevistas empunharem armas de fogo. Não importa, perante a lei, que não tenham disparado. O caso é grave.
A motivação inicial dos grevistas é o aumento salarial, atiçado principalmente pela PEC 300, uma emenda constitucional, apresentada há três anos, que acabaria com as distorções entre as forças policiais. O objeto de desejo de todos eles é a tabela salarial com o soldo dos PMs de Brasília (tabela). Ela deixa transparente a desigualdade salarial. Na capital, o policial militar recebe do governo federal e em vários casos o soldo ultrapassa o do Exército.
Comparativo: o salário dos oficiais
da PM no DF
Ao patrão que paga só resta descer o cacete no policial que busca igualdade salarial?
Sufocar a revolta na Bahia não resolve o problema. Há indícios de greve em vários outros estados. Parece ser um movimento articulado. E é.
O debate em torno do veto constitucional quanto à greve de policiais militares, ou mesmo alertar para o fato de que o uso das Forças Armadas da forma que tem sido feita, é também inconstitucional e mantém o problema na superfície do problema.
A prática dos governos estaduais de entregar a arma e o distintivo a um policial e oferecer a ele um soldo miserável no fim do mês para enfrentar a violência das ruas chegou ao fim. Não dá mais.
É preciso entender que o problema da polícia vai além de um caso de polícia. Se não for enfrentado assim, vai persistir. E, fatalmente, piorar.




Mauricio Dias
No CartaCapital
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Falar, para salvar a própria vida

Ante as ameaças de morte, Lorena considerou que sua única possibilidade de sobrevivência era colocar a boca no mundo
Lorena revela detalhes do esquema de tráfico de pessoas e exploração
sexual comandado por seu pai, Raúl Martins - Foto: Reprodução
Lorena Martins nasceu em 1976, o ano do golpe militar na Argentina. Seu pai já era agente da Side (Secretaria de Inteligência do Estado). Nesse órgão, seguia e fotografava militantes que depois seriam sequestrados. Raúl Martins serviu ali de 1974 a 1987, quando se aposentou, quatro anos após o fim da ditadura. Passou para o ramo da prostituição, desenvolvendo uma rede de casas noturnas e apartamentos privados. Suas relações com a Polícia Federal e com o Poder Judiciário lhe permitiram ir tocando o negócio sem maiores problemas.
Em 1998, acusado por tráfico de pessoas, sofreu uma investigação judiciária, que não deu em nada. Mas depois do levante popular de 2001 a impunidade não era mais tão fácil de manter. Enviou sua família para a Espanha e, a partir de 2002, Raúl Martins estabeleceu domicílio no México.
Bienvenido a Tijuana
Foi, num primeiro momento, para Tijuana, onde conseguiu sócios. Martins entrava com as meninas, que mandava trazer da Argentina. Então, foi expandindo seus negócios para Cancún, sob proteção de funcionários do estado e do Zeta, cartel de narcotraficantes particularmente violento que opera em todo o território mexicano aterrorizando a população com cadáveres retalhados que aparecem em pleno centro das cidades.
Já morava em México quando casou novamente. Enquanto isso, sua filha Lorena se divorciou e voltou da Espanha para Buenos Aires, onde começou a trabalhar nos negócios do seu pai. Seja porque descobriu que as propriedades foram passando para a mão da nova família do seu pai, seja pela suspeita de ser seu pai quem mandou matar seu namorado, seja por ter tomado contato com vítimas do negócio, Lorena tomou distância de Raúl Martins. Ele a mandou chamar para o México para dissuadi-la. Foi em Cancún onde ela travou amizade com algumas das moças aliciadas pelo pai. E de lá voltou decidida a denunciá- lo.
Quebrar chicas
Lorena conseguiu o depoimento de uma das meninas aliciadas, Carla. É esse depoimento que explica o modus operandi da organização de tráfico de pessoas.
As moças são atraídas por um anúncio no jornal que oferece trabalho de garçonete ou de vendas. Na entrevista, são escolhidas aquelas que apresentam uma situação familiar e econômica mais vulnerável, e lhes oferecem a oportunidade de viajar para Cancún, para realizar serviços dentro do ramo do turismo. Já nessa cidade, seu passaporte é retido, sob o argumento de que devem a passagem. Começam trabalhando realmente como garçonetes. Mas logo são pressionadas a “ir de copas”, isto é, acompanhar os clientes para induzi-los a beber e assim receber uma comissão pelo consumo.
O passo seguinte é dançar. Para passar à prostituição só falta algo como um “batizado”. Em princípio, ela sabe que faz um programa na casa noturna. Mas a casa está fechada para alguns clientes “de confiança”, que podem ser 20. Ela toma um susto, quer retroceder, mas já não pode. É seviciada, golpeada e, a partir desse momento, já não pode opor resistência. Está “quebrada”. Esse verbo, “quebrar”, era usado nos campos de tortura e extermínio para falar do procedimento com os sequestrados, para obrigá- los a entregar informação.
A denúncia
Lorena voltou para Buenos Aires e radicou a denúncia junto ao Poder Judiciário. O processo foi sorteado, como é de praxe, e caiu nas mãos do juiz Norberto Oyarbide, amigo pessoal do seu pai. Ao mesmo tempo, dois agentes atuais da Side foram enviados ao seu domicílio para intimidá-la. Ela ligou para o chefe deles, que havia sido colega do seu pai e a conhecia desde sempre.
Ante as ameaças de morte, ela considerou que sua única possibilidade de sobrevivência era colocar a boca no mundo. Os grandes meios de comunicação não acolheriam suas denúncias. Precisava aproveitar a tensão entre o governo federal e o prefeito de Buenos Aires, principal expoente da oposição e beneficiado pelas contribuições de campanha do seu pai.
Dirigiu-se aos meios favoráveis ao governo federal, com a convicção de que divulgariam sua denúncia. Já faz um mês que Lorena começou uma corrida contra o tempo. É urgente para ela relatar tudo, informar todos os nomes, todos os implicados. Se falar 99% do que sabe, arrisca a ser morta para que não revele o 1% restante.
Precisa tornar inútil a queima de arquivo. Ela tem consciência disso e não deixa uma minúcia fora. Descreve até os planos das casas noturnas em Buenos Aires. Fala das paredes falsas que comunicam com casas vizinhas, em nome de testas de ferro, para evitar flagrantes. Fala e apresenta provas do acerto mensal de 8 mil dólares para as delegacias da Polícia Federal com atuação nos bairros onde estão localizadas as casas noturnas e para os órgãos responsáveis pela fiscalização.
Segredo e ocultamento
Lorena Martins se recusa a declarar perante o juiz Oyarbide, pela amizade que este cultiva por décadas com o acusado. Mas antes mesmo da sua declaração, e como resultado da divulgação nas mídias, já foi afastado e investigado um delegado da Polícia Federal, que se soma aos 21 já afastados por vínculos com a rede de exploração sexual.
O aparato do Estado, assim como a delinquência, baseia seu funcionamento no segredo, no ocultamento. O poder popular, ao contrário, baseia seu funcionamento na máxima transparência. Algumas vezes, um Estado não consegue manter o segredo. Destrói assim a especialização, o poder que gera a exclusividade do conhecimento.
No caso do combate ao tráfico de pessoas, seja para trabalho escravo, seja para exploração sexual, o segredo se revela inócuo, uma vez que permite a corrupção dos funcionários e a “contaminação” do Estado com o delito. O “escrache”, a exposição pública dos implicados, foi a primeira arma dos movimentos populares para levar para a cadeia os torturadores dos campos de extermínio na Argentina. É um bom instrumento para derrotar o trabalho escravo e o tráfico para exploração sexual.
Silvia Beatriz Adoue é professora da Escola Nacional Florestan Fernandes (Enff) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus Araraquara.
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O pássaro azul do PSDB

O PSDB está escorado em uma tragédia e uma miragem.
A tragédia seria ter que recorrer novamente a José Serra, caso não viabilize uma candidatura alternativa. Seria o fim da legenda, apoiando um candidato rancoroso, desagregador e sob suspeita de corrupção.
Até agora, no entanto, tenta exorcizar o fantasma Serra com a miragem Aécio Neves. Nesse ponto, Serra está coberto de razão: faltam a Aécio vontade política, conteúdo programático, despreendimento em relação aos prazeres da vida.
No Senado, tem participação nula. Vivo, Itamar Franco era a voz da oposição. Morto, o cetro foi ocupado por Aluizio Nunes. Aécio parece boneco de ventríloquo: FHC manda "fala Aécio", e ele fala. Depois, queda mudo de novo.
Todo mundo sabe que a bandeira da gestão será a mais relevante para as próximas eleições, a partir do momento em que os governos Lula e Dilma ocuparam o espaço de centro-esquerda. Nas últimas eleições, a velha mídia teve que recorrer aos fantasmas de Chavez e Fidel para recriar a polarização da guerra fria. Agora, nem ressuscitando Lenin.
Aécio tem uma boa bandeira: os programas de gestão de Minas. Mas não tem nenhum conteúdo. Assim como Serra, não tem a menor ideia sobre o que aconteceu em Minas no seu governo. Foram dois governadores rigorosamente ausentes. Aécio pelo menos teve o mérito de abrir espaço para os programas de gestão e entregar a batuta para sua Dilma Rousseff, o então vice governador Antonio Anastasia. Serra, nem isso.
Se quiser pensar estrategicamente, o PSDB necessita de um plano B, um candidato que ocupe o espaço caso se realizem as profecias sobre Aécio.
Já escrevi uma vez sobre isso: o pássaro azul da candidatura, que o PSDB tanto persegue, está em Minas e seu nome não é Aécio: é Anastasia. Além de ser um gestor do calibre de Dilma, Anastasia é muito articulado, está em linha com os princípios mais modernos de gestão pública, sabe discorrer com notável didatismo sobre os pontos relevantes em educação, saúde, segurança.
Não há outro candidato à vista.
Luís Nassif
No ContrapontoPIG
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