3 de fev de 2012

Petrobras: quem não se comunica, se trumbica

Ontem, um dia depois do anúncio, pela Petrobras, do vazamento de óleo no Campo do Carioca, da Petrobras, já tinhamos tudo: sobrevôos, fotos aéreas, inquéritos da Marinha, do Ministério Público…
O Ibama, que levou 15 dias para multar a Chevron, gastou só 24 horas para multar a Petrobras.
Que bom, porque é assim que deve ser. O meio-ambiente é propriedade comum e todas as pessoas têm não apenas o direito de serem informadas como o de cobrarem as responsabilidades dos que operam atividades potencialmente danosas a eles, como é a extração de petróleo.
E que diferença que aconteceu no campo do Frade, quando ficamos dias a fio dependendo só do que dizia a Chevron!
Como se disse aqui, logo que ocorreu o fato, com a Petrobras seria muito diferente. Com a empresa pública e brasileira, todos são “valentes”, não é?
Ninguém que conheça a empresa tem, em qualquer momento, nenhuma dúvida quanto ao rigor com que a petroleira brasileira trata a segurança de suas atividades.
É severíssima.
Não apenas porque é seu dever ser, mas porque sabe que está no foco de um projeto de Brasil que, a todo momento, querem inviabilizar e destruir.
Mas a comunicação da Petrobras, embora tenha sido imediata, parece que não percebe a diferença que deve existir quando se faz comunicação para uma empresa com estas características.
Conquanto tenha avançado, em certa época, ela voltou a ser fechada, hermética, lacônica.
Nas contas dos comunicólogos, é informação “negativa” e sua quantidade deve ser minimizada.
As regras do manual da “comunicação empresarial” , que servem bem a uma empresa privada, nem sempre se adequam a uma empresa que tem como maior patrimônio a confiança, a admiração e , até, o amor que lhe devota o povo brasileiro.
A Petrobras não terá lucro (ou menor prejuízo) de imagem limitando as informações à descrição de fatos e providências.
Deveria marcar sua diferença - real – com os responsáveis por outros episódios e isso mais claramente ficaria percebido se tudo fosse explicado em detalhes.
O que foi o acidente no litoral de São Paulo? Uma imperícia, uma “barbeiragem” operacional como no caso da Chevron? Não.
A linha de produção, onde ocorreu o vazamento, é um duto entre o poço – onde está instalada uma válvula, conhecida como “árvore de natal molhada” e o navio plataforma.
Este duto, conhecido como riser, foi o que apresentou vazamento.
É bem raro que isso ocorra, mas nada tem a ver com o “poço” propriamente dito e, portanto, com sua profundidade e características no subsolo. Ou seja, tanto faz se o poço é no pré-sal ou no pós sal.
O que pode influir, sim, é a profundidade da lâmina d´água, que determina a extensão do riser. Neste caso, como era um poço pioneiro e o único ligado ao navio-plataforma, o comprimento do riser é apenas um pouco maior que a profundidade do solo marinho, que tem ali cerca de 2,1 km. A trajetória vertica do riser o expõe a esforços provocados pelas correntes e por seu próprio peso. O movimento do navio-plataforma, gerenciado por satélite, ajuda a compensar estas pressões e, algum vezes, são usados flutuadores e tensionadores, para evitar a formação de ângulos perigosos na junção entre o duto e a válvula na “cabeça” do poço, onde há uma válvula.
Esta válvula é automaticamente fechada quando se detecta uma variação de pressão no duto, que pode ser causada, entre outras razões, por um vazamento. Isso é quase imediato e até independente de ação humana.
Então porque vazaram cerca de 160 barris, e como se sabe desta quantidade? Esse é o petróleo contido no extenso duto, que tem um diâmetro considerável – não foi informado, mas é, seguramente, entre 4 e 6 polegadas, ou entre 10 e 15 centímetros, além de um pequeno diferencial que pode ser estimado tanto pelo ponto de rompimento quanto pela vazão do duto que, no caso deste poço, era muito alta, cerca de mil barris (perto de 160 mil litros) por hora. Por mais rápidos que sejam a detecção e o fechamento da válvula, com esse fluxo, a quantidade que escapa não é pequena.
Por isso, é uma bobajada dizer que o pré-sal vazou ou que o poço vazou. O que vazou – e tem de ser apurada com rigor a causa – foi o cano que leva o óleo do poço ao navio. Se foi defeito do material do duto, dos conectores, da manobras de posicionamento do navio-plataforma, é isso o que tem de ser descoberto e corrigido.
E é isso que a Petrobras, a esta hora, deveria estar explicando, didaticamente, a todos.
E não deixar que a especulação em torno do vazamento - na tubulação e imediatamente contido, enquanto o da Chevron, no poço, está deixando escapar petróleo, em pequena quantidade, até hoje – coloque sombras sobre o assunto.
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Mudanças na Petrobrás e a soberania do país

Certos jornais e alguns de seus analistas políticos estão, de maneira dissimulada e com as artimanhas conhecidas, insinuando e apoiando a saída do geólogo Guilherme Estrella da mais importante das diretorias da Petrobras, a que cuida, exatamente, da pesquisa e produção. Do ponto de vista técnico, parece improvável que o Brasil disponha de outro quadro como Estrella. Ele entrou para a empresa mediante concurso público, há 48 anos, logo depois de formado – e se destacou, em seguida, como um dos mais competentes profissionais da instituição.
Sua trajetória, a partir de então, se insere na construção da história da empresa. Participou das primeiras pesquisas e exploração do óleo no mar brasileiro. A partir de suas investigações teóricas sobre a geologia marítima, conduziu os estudos pioneiros que levaram à descoberta das jazidas do pré-sal. Como geólogo de campo, e trabalhando para a Petrobrás no Iraque, descobriu, em 1976, o gigantesco campo de Majnoon, com reservas superiores a 10 bilhões de barris. Como se sabe, o Brasil renunciou à exploração desse campo, por iniciativa do então Ministro de Minas e Energia, Shigeaki Ueki.
Estrella foi o coordenador da instigante investigação científica, que atribui a origem do petróleo brasileiro a depósitos lacustres, anteriores à separação dos continentes africano e sulamericano. Assim se formou o pré-sal, com o Atlântico ocupando o espaço lentamente aberto, durante séculos geológicos. O diretor de Pesquisa e Produção da Petrobrás é, assim, um dos mais importantes geólogos do mundo. Sem dúvida, é o mais competente profissional da área em nosso país, ao associar o saber teórico à prática, como pesquisador de campo – que foi durante décadas – e ao êxito no cumprimento da responsabilidade pela descoberta e produção de nossas jazidas.
Mas o geólogo Guilherme Estrella tem dois defeitos gravíssimos, e, por isso, todos os interesses antinacionais – internos e externos – se unem para derrubá-lo, neste momento de mudanças na empresa. O primeiro deles é o seu confessado nacionalismo. O diretor de pesquisas e exploração foi nomeado pelo governo Lula, em sua política de recuperar a empresa, minada pela administração entreguista e irresponsável do governo Fernando Henrique Cardoso.
Seu antecessor no cargo, José Coutinho Barbosa, protelava as perfurações exploratórias, a fim de que, ao vencer o prazo para as prospecções, em agosto de 2003, as áreas novas fossem devolvidas à ANP. Com isso, seriam outra vez levadas a leilão, a fim de serem arrematadas pelas empresas estrangeiras. Em poucos meses – de janeiro a agosto – Guilherme acionou a equipe de geólogos, conduziu-a com seu entusiasmo e capacidade de trabalho, e conseguiu descobrir mais seis bilhões de barris, dos 14 bilhões das reservas brasileiras antes do pré-sal. Assim, impediu a grande trapaça que estava em andamento.
A outra razão é a transparente visão humanística de Guilherme Estrela. O geólogo não separa a ciência de sua responsabilidade pela busca da justiça e da igualdade social para todos os homens. Em dezembro último, ao falar em Doha, no Qatar, durante o 20º Congresso Mundial do Petróleo, ele, depois de seu excurso técnico sobre o óleo no mundo, suas reservas e perspectivas, aproveitou sua palestra para denunciar o sofrimento de grande parte da humanidade, sobretudo da parcela africana, em conseqüência da desigualdade e da injustiça. “Todos nós devemos ter vergonha disso” – resumiu.
Os maiores interessados na substituição de Guilherme Estrella são, em primeiro lugar, as empresas multinacionais, que têm, no profissional, o principal guardião dos interesses brasileiros. Não só as petrolíferas, mas, também, as fornecedoras de equipamentos. Desde 2003, o diretor de Pesquisa e Exploração da Petrobrás vem revertendo, na medida do possível, a danosa situação imposta pelo governo neoliberal, que, ao nivelar, nos mesmos direitos legais, as empresas estrangeiras com as brasileiras, promoveu a falência de indústrias nacionais, entre elas algumas fornecedoras de equipamentos para a Petrobras.
Guilherme Estrella tem procurado encaminhar as encomendas para as empresas genuinamente brasileiras, sem prejudicar o desempenho da Petrobrás como um todo. Graças a essa política, ditada pelo interesse nacional, e recomendada pelo governo, reativou-se a indústria naval, e as plataformas, antes encomendadas no Exterior, estão sendo produzidas no Brasil, com a redução da participação estrangeira ao absolutamente necessário.
Outros interessados pela substituição do diretor são os notórios fisiólogos do PMDB. Como é de incumbência dessa diretoria as compras de equipamentos caros e pesados, ela vem sendo disputada pelo partido. Está claro que o ministro Edison Lobão deseja a substituição de Guilherme Estrella. Mas é improvável que o padrinho político do Ministro, o senador José Sarney – reconhecidamente um nacionalista – aceite, e nesse momento internacional difícil, a co-responsabilidade pela saída do atual diretor de Pesquisa e Produção da Petrobrás. Recorde-se que em seu governo o presidente Sarney resistiu e não privatizou nenhuma empresa. E quando Fernando Henrique decidiu privatizar a Vale do Rio Doce, Sarney escreveu-lhe uma carta vigorosa condenando a iniciativa.
O conhecimento é o principal instrumento da soberania. Homens como Guilherme Estrella não se escolhem com critérios políticos menores, mas, sim, em decisões maiores de política de Estado. E cabe um esclarecimento: quando Lobão diz que o diretor está pretendendo deixar o cargo, emite um palpite, ou expressa desejo pessoal – que não lhe cabe manifestar. Ao ministro cabe executar uma política de governo.
É certo que os inimigos do geólogo o têm submetido a solerte guerra de desgaste, com o propósito, deliberado, de provocar uma reação emocional de sua parte. Mas Estrella é bastante arguto para perceber quem está por detrás da campanha para afastá-lo. Aos 69 anos, está ainda jovem para abandonar a missão de que se encarregou, no dia em que começou a trabalhar na empresa – a primeira e única ocupação de sua vida. Ele sabe, que, no fundo, isso constituiria quase um ato de traição ao Brasil e ao seu povo.
Não lhe cabe, por isso mesmo, demitir-se do cargo que ocupa.
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Danny Glover surpreende à imprensa dos EUA com mensagem para Obama

Este oportuno vídeo de menos de três minutos se intitula “Conferencia de imprensa de Danny Glover” e nele o célebre ator norte americano faz importantes revelações que surpreendem toda a imprensa dos EUA.
No vídeo abaixo, Glover se dirige a famosos jornalistas norte-americanos, como la ex decana da sala de imprensa da Casa Branca, Helen Thomas, e lhes diz: “Espero que todos vocês, do corpo de imprensa da Casa Branca, encontrem mais informações e se manifestem sobre a injustiça que está sendo praticada contra os Cinco cubanos e digam ao presidente Obama que os coloque em libertade”.
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Adestramento

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Porque a ação no Pinheirinho foi ilegal

Defensor público Jairo Salvador fala durante audiência pública em defesa dos moradores do Pinheirinho na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, convocada pelo deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL-SP).
Na fala, ele explica porque a ação no Pinheirinho não poderia ter ocorrido como ocorreu e denuncia irregularidades no processo.
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Rede Globo não divulga notícia que está na sua porta

Matéria sobre o protesto do cineasta e jornalista Pedro Rios Leão, que se acorrentou na frente da TV Globo e está em greve de fome há 4 dias em protesto ao silêncio da mídia quanto ao massacre/desocupação da comunidade PINHEIRINHO.
Matéria de Geane Senra
Direção e Edição: Pedro Paulo Carneiro
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Pequim rejeita sanções contra a Síria

Li Baodong, Embaixador da China na ONU
NAÇÕES UNIDAS/DAMASCO – A China manifestou hoje sua oposição a intervenção militar ou imposição de novas sanções, como via para resolver o conflito na Síria, divulgou alerta de viagem e alertou cidadãos chineses que vivam na Síria, para que redobrem as precauções de segurança.
“A China opõe-se firmemente a qualquer tipo de ação para “mudança forçada de regime”, que viola os objetivos e princípios da Carta das Nações Unidas e as normas básicas que governam as relações internacionais” – disse Li Baodong, embaixador da China na ONU, durante reunião no Conselho de Segurança para discutir a Síria, na 3ª-feira.
O Conselho de Segurança debatia um projeto de resolução apresentado pela Liga Árabe, que “exige” que o presidente sírio renuncie. China e Rússia disseram, durante a reunião, que esse projeto sugeria muito claramente uma “mudança forçada de regime”.
Para o embaixador Li, “sanções, além de não ajudarem a resolver problemas, levam a complicações ainda maiores”. Disse também que a China apoia a posição dos russos, na discussão sobre a Síria.
Na primeira expressão completa da posição da China sobre a questão síria, as palavras de Li mostraram claramente que a China não deseja que se repitam os eventos que se viram na Líbia – disseram analistas chineses. No caso da Líbia, o Conselho de Segurança adotou resolução, ano passado, que autorizou “todas as medidas necessárias” para proteger cidadãos líbios. Em seguida, aconteceu o ataque militar da OTAN contra cidades e populações desarmadas.
Yin Gang, especialista em questões do Oriente Médio na Academia Chinesa de Ciências Sociais, disse que os dois países, China e Rússia, não admitirão que o Conselho de Segurança seja usado como anteparo para intervenção militar. “O sistema político sírio talvez precise ser melhorado, mas qualquer tentativa de melhorá-lo terá de ser feita por meios pacíficos” – acrescentou Yin.
Na 3ª-feira, Li disse também que o povo sírio encontrará solução para seus problemas. “A Síria e os sírios são suficientemente capazes e competentes para inventar um sistema político e um regime de crescimento econômico que se integrem harmonicamente com as condições daquele país.”
Durante os debates na 3ª-feira, o embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, disse que a Síria “é capaz de decidir por ela mesma” – reiterando a oposição dos russos a sanções e deslocamento de soldados.
Mas estados árabes, os EUA e países europeus tentam empurrar o Conselho a adotar um projeto de resolução que imporia à Síria o que seus apoiadores estão chamando de “transição política”; e encampa um plano dos árabes que tenta forçar o presidente Bashar al-Assad a renunciar.
Para Jihad Makdissi, porta-voz do ministro sírio de Relações Exteriores, falando a China Daily na 4ª-feira, a atual crise é cheia de complexidades e não pode ser tratada como questão de “ou branco ou preto”. E concluiu: “A Síria é favorável ao diálogo e o governo aceitará qualquer iniciativa que seja construtiva, não destrutiva.”
Para Ye Hailin, pesquisador do Oriente Médio na Academia Chinesa de Ciências Sociais, não há dúvidas de que a Liga Árabe e o Conselho de Cooperação do Golfo terão participação importante em qualquer resolução que venha a ser aprovada.
Zhang Yuwei e Li Lianxing, China Daily, Pequim
“Beijing against sanctions on Syria”
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
No Redecastorphoto
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Charge online - Bessinha - # 1023

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Ministra Eliana Calmon

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Conselho Nacional de Justiça

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Dossiê Pinheirinho vai à OEA

Dossiê do Pinheirinho denuncia ação policial e judicial
Deputados paulistas vão entregar documento que relata abusos ao Conselho Nacional de Justiça e à OEA
A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo vai entregar ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) um dossiê com denúncias do abuso policial ocorrido no Pinheirinho, em São José dos Campos, em 22 de janeiro, durante a reintegração de posse do terreno que favoreceu o investidor Naji Nahas. O dossiê foi apresentado em audiência pública na tarde desta quarta-feira (1º). O objetivo é que também haja investigação da ação judicial que permitiu a reintegração de posse.
O mesmo documento será entregue à Organização dos Estados Americanos (OEA), denunciando o governo do estado e a prefeitura de São José, que comandaram a operação. Um grande ato está sendo organizado para esta quinta (2), na cidade do interior paulista, no Vale do Paraíba, a 97 quilômetros da capital. Movimentos e ex-moradores pedem a desapropriação do terreno.
O suporte jurídico dado ao caso foi um dos principais pontos discutidos na audiência, que contou com a presença dos parlamentares da casa, militantes de partidos como PT, PSOL e PSTU, sindicatos, movimentos sociais e ex-moradores do Pinheirinho. O público, que lotou o auditório, fazia intervenções com cartazes e gritos. “O governador do estado e o prefeito de São José dos Campos (Geraldo Alckmin e Eduardo Cury, ambos do PSDB) permitiram que acontecesse este massacre. Mas, sobretudo, o Tribunal de Justiça do estado, que deu todo o suporte jurídico”, reclamou o deputado estadual Carlos Giannazi (Psol).
A decisão da juíza Marcia Loureiro passou por cima de liminar da Justiça Federal que suspendia a ação de reintegração por 15 dias. “Não podemos deixar de denunciá-la”, ressaltou Giannazi. A audiência pública já havia sido marcada antes da desocupação. Acreditava-se que um acordo estaria próximo de acontecer, uma vez que deputados estaduais, senadores e governo federal articulavam uma solução sem confrontos. O juiz auxiliar do TJ Rodrigo Capez cassou as liminares dos movimentos sociais.
Entre os relatos ouvidos, a repórter da Rádio Brasil Atual Lúcia Rodrigues contou o que presenciou no Pinheirinho. Ela acompanhou o caso desde o início e foi alvo de dois tiros disparados por um integrante da Guarda Civil de São José, que por pouco não lhe tiraram a vida. “Eu vi e sei, eles não estavam só com armas de bala de borracha, estavam com armas letais sim”, garantiu Lúcia. Ela afirmou que irá processar a prefeitura da cidade por permitir o uso de armas de fogo por profissionais despreparados. “Foi uma coisa combinada entre o governo estadual, prefeitura e justiça”, acusou.
O deputado estadual Adriano Diogo (PT) comparou os abrigos oferecidos pela prefeitura da cidade a campos de concentração. Após a desocupação, os moradores foram distribuídos entre quatro abrigos improvisados em galpões, escolas e ginásio poliesportivo. “São situações inumanas às quais aquelas pessoas estão sendo submetidas”, disse. Os ex-moradores são obrigados a andar com uma pulseira de identificação. Para receber o auxílio aluguel de R$ 500 anunciado na terça-feira (31) pela prefeitura, terão de ficar confinados nos abrigos.
A questão poderá ser tratada também na Câmara dos Deputados. O deputado federal Ivan Valente (PT-SP) afirmou que irá entrar com pedido de audiência pública na Comissão de Direitos Humanos.
Revista
Um grupo de ex-moradores do Pinheirinho foi revistado pela Polícia Militar na entrada da Assembleia. Segundo o deputado Giannazi, a ordem para a revista partiu do presidente da Casa, deputado Barros Munhoz (PSDB). “É uma questão que levaremos para discutir com toda a certeza ao Colégio de Líderes”, frisou.
“Por acaso a polícia revista empresários quando visitam aqui? Não. Então não podem fazer esse tipo de coisa”, disse Giannazi. Com o auditório lotado, as pessoas tiveram de acompanhar o debate do lado de fora.
Durante audiência, o deputado Adriano Diogo, que presidia a mesa, interrompeu sua fala para pedir aos policiais que vigiavam a entrada que liberassem o acesso das pessoas à galeria do auditório. “Já basta o massacre que vocês fizeram no Pinheirinho, não continuem insistindo no erro”, disse, aplaudido pela plateia.
Procurados, os PMs afirmaram que a revista é um procedimento padrão.
Letícia Cruz
Da Rede Brasil Atual
No Sintonia Fina
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