31 de jan de 2012

O racha na “intelectualidade” tucana

A divisão no bloco neoliberal-conservador no Brasil não se dá apenas por motivos pragmáticos. Não decorre somente da disputa entre os candidatos demotucanos para as próximas eleições – a municipal deste ano que pavimenta o caminho para a presidencial de 2014. O racha é muito mais profundo. Deriva da falta de projeto programático da direita, que está fraturada e sem rumo.
Prova disto é que nem a chamada intelectualidade tucana se entende mais. Nesta semana, dois artigos evidenciaram a dificuldade da oposição. No Estadão, um dos mais fanáticos intelectuais da direita nativa, o historiador Marco Antonio Villa, fez duras críticas à postura “conciliadora” do PSDB. No artigo intitulado “Oposição sem rumo”, ele manifesta o seu desejo por mais sangue!
Conclusão demolidora
O seu alvo é FHC, que em recente entrevista defendeu Aécio Neves como candidato “óbvio” da sigla. O serrista Villa avalia que esta é mais uma “análise absolutamente equivocada da conjuntura. Esse tipo de reflexão nunca foi seu forte”, ironiza o “professor”, que cita vários erros de leitura do ex-presidente – como quando ele defendeu o ingresso do PSDB no governo de Collor de Mello.
Para Villa, golpista notório, um dos erros de FHC ocorreu em 2005. “No auge da crise do mensalão, ele capitaneou o movimento que impediu a abertura de processo de impeachment contra o então presidente Lula. Espalhou aos quatro ventos que Lula já era página virada na História e que o PSDB deveria levá-lo, sangrando, às cordas, para vencê-lo facilmente no ano seguinte. Deu no que deu”.
A conclusão do historiador, que goza de amplos espaços na mídia demotucana, é demolidora e contém algumas verdades:
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A ação intempestiva e equivocada de Fernando Henrique [em defesa de Aécio] demonstra que o principal partido da oposição, o PSDB, está perdido, sem direção, não sabendo para onde ir. O partido está órfão de um ideário, de ao menos um conjunto de propostas sobre questões fundamentais do País. Projeto para o País? Bem, aí seria exigir demais. Em suma, o partido não é um partido, na acepção do termo.
Fernando Henrique falou da necessidade de alianças políticas. Está correto. Nenhum partido sobrevive sem elas. O PSDB é um bom exemplo. Está nacionalmente isolado. Por ser o maior partido oposicionista e não ter definido um rumo para a oposição, acabou estimulando um movimento de adesão ao governo. Para qualquer político fica sempre a pergunta: ser oposição para quê? Oposição precisa ter programa e perspectiva real de poder. Caso contrário, não passa de um ajuntamento de vozes proclamando críticas, como um agrupamento milenarista.
O medo de assumir uma postura oposicionista tem levado o partido à paralisia. É uma oposição medrosa, envergonhada. Como se a presidente Dilma Rousseff tivesse sido eleita com uma votação consagradora. E no primeiro turno. Ou porque a administração petista estivesse realizando um governo eficiente e moralizador. Nem uma coisa nem outra. As realizações administrativas são pífias e não passa uma semana sem uma acusação de corrupção nos altos escalões.
O silêncio, a incompetência política e a falta de combatividade estão levando à petrificação de um bloco que vai perpetuar-se no poder... Em meio a este triste panorama, não temos o contradiscurso, que existe em qualquer democracia. Ao contrário, a omissão e a falta de rumo caracterizam o PSDB... Numa democracia ninguém é líder por imposição superior. Tem de apresentar suas idéias.
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Xico Graziano fustiga o “sabichão”
Diante de críticas tão ácidas e apocalípticas, Xico Graziano, um dos principais intelectuais orgânicos do PSDB, saiu em defesa do ex-presidente e da atual direção da legenda, hoje controlada por apoiadores de Aécio Neves. Num artigo no sítio Observador Político, abrigado no Instituto FHC, ele confirmou que o ninho tucano está em chamas e que ninguém mais se respeita nem se tolera.
Conhecido por sua língua ferina – o MST é um dos principais alvos de seus textos hidrófobos –, o ex-deputado do PSDB partiu logo para o ataque, qualificando o artigo de Marco Antonio Villa de “pretensioso e equivocado”. Além de defender caninamente o ex-presidente, com que sempre “estive ao lado”, Xico Graziano manifesta apoio à entrevista de FHC sobre as eleições de 2014.
“Quero eu entender do sabichão professor: onde está escrito que é errado um partido definir um candidato com antecedência? O PT fez isso com Lula durante 16 anos, e nada indica que tenha errado na estratégia”. Em síntese, os tucanos não têm unidade nem na leitura da conjuntura política, muito menos na definição dos rumos futuros da oposição de direita no Brasil.
Altamiro Borges
No Blog do Miro
Leia também: Villa, o PSTU da direita
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“Os ricos mais ricos e os pobres mais pobres”

Foto: Carol de Goes
Participante de atividades do Fórum Social Temático de Porto Alegre, Samuel Pinheiro Guimarães, o ex vice-chanceler de Lula e alto representante do Mercosul diferenciou, em entrevista ao jornal Página/12, a integração do comércio, falou sobre a crise econômica mundial e de suas próprias contradições. "A conta está chegando ao povo para que a pague. Os bancos e as companhias de auditoria iniciaram a crise e a montaram e depois explodiu tudo. Os governos socorreram os bancos. Os bancos seguramente vão terminar em boa situação".
Entrevista concedida por Samuel Pinheiro Guimarães, no estúdio da TV Carta Maior, em Porto Alegre.
Porto Alegre - Samuel Pinheiro Guimarães está fora do Itamaraty, a Chancelaria brasileira e é considerado um dos mais importantes intelectuais brasileiros. Trabalha há um ano como alto representante (diretor) do Mercosul por sugestão de Lula e aceitação unânime da Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai. Ele concedeu entrevista ao Página/12, em Porto Alegre:
– Não lhe toca um mundo fácil para estar responsável pelo Mercosul.
– Não, ainda que as situações sejam diferentes em diferentes países e continentes. Na Europa predominam os programas de ajuste financeiro e pressão muito forte sobre a população em geral. Todas as medidas são contra os mais pobres e contra os trabalhadores. Ao mesmo tempo estamos vendo o resultado final do processo. Os bancos sofreram prejuízos. Receberam aporte dos governos para comprar títulos. Agora os governos nacionais aumentam impostos e reduzem programas sociais e modificam a situação do trabalho para pagar dívidas. Neste ponto a conta está chegando ao povo para que a pague. Os bancos e as companhias de auditoria iniciaram a crise e a montaram e depois explodiu tudo. Os governos socorreram os bancos. Os bancos seguramente vão terminar em boa situação. Os bancos que emprestaram sabiam que os governos não poderiam pagar. Mas emprestaram. Então vão contra o povo.
– E nos Estados Unidos acontece a mesma coisa?
– É um pouco diferente. Há certa ênfase em aumentar os empregos, mas houve uma reação de direita muito grande. O governo quer aumentar impostos sobre os mais ricos e lhe dizem que isto é comunismo. Os bancos foram salvos, mas assim mesmo Barack Obama não se salva da agressão. Assim mesmo, como há certa necessidade de ajuste fiscal, o governo provavelmente acabe aumentando os impostos. A pergunta é: a quem ajustará? Aos mais ricos ou a os mais desfavorecidos?
– Ásia e China?
– É diferente. Há uma grande preocupação de que se reduza drasticamente o crescimento pelo descenso da atividade nos Estados Unidos e Europa. Não estou tão seguro de que isso aconteça. Assim mesmo as taxas de crescimento serão elevadas. Pensavam que para 2010 a taxa seria de oito e foi de dez por cento.
– Que há no fundo da crise?
– O problema é o controle político, a hegemonia política em longo prazo.
–O controle de que?
– A crise é das pequenas e médias empresas. As grandes estão bem. E os trabalhadores estão mal. Os velhos, os jovens e as empresas de porte médio estão em dificuldades. Esta crise é diferente da crise de 1929, quando o capitalismo era muito mais nacional e o grau de globalização financeira e produtiva era menor. A pressão sobre o governo para resolver a crise era maior. Hoje é menor. Com o Occupy Wall Street não chega. Há que tomar medidas. O pré-candidato presidencial Mitt Romney pagou menos de 15% de Imposto de Renda e sua secretária, 30%. A demora em resolver a crise é preocupante e a instabilidade ronda. Por sorte hoje não tem como chegar a uma guerra como a Segunda Guerra Mundial, mas cuidado com as guerras localizadas.
– A América do Sul não está em crise.
– Não. O problema é outro: os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.
– Não melhorou essa situação?
– Vou colocar em outros termos. Sou menos rico que o outro se ele tem mais que eu. Eu posso aumentar minha renda, mas ele pode estar se distanciando. É bom que 30 milhões de pobres tenham saído de sua situação vulnerável. Mas os super-ricos no Brasil têm rendimentos incríveis. Falo de pessoas. Os bancos não existem. Existem os acionistas dos bancos. Existem os mecanismos de concentração.
– E o Estado?
– O governo tenta concretizar mecanismos de desconcentração, como bolsa-família, a ajuda aos estudantes, a Contribuição Universal por Filho na Argentina. E está muito bem. A fonte dos problemas é a distribuição da riqueza, não do ingresso. Mas temos que lembrar que os Estados são criados pelas classes hegemônicas. Incluo aí como são escolhidos os juízes, para dar o exemplo de um setor específico. Os governos em geral são instrumentos das classes hegemônicas. O Partido dos Trabalhadores, inclusive no Congresso, não só no Executivo, ocupa uma parte do poder, não todo o poder. As classes conservadoras querem participar com suas posições ante as tentativas de redistribuição. Dá-se em todos os campos.
– Em quais?
–O que é o orçamento? É o que o governo ou o Estado arrecada com impostos. Depois se dá a luta para recuperar esses impostos. Estão os grandes empréstimos dos bancos oficiais a taxas de juros mais baixas. Os ricos estão contra as políticas sociais públicas, mas quando se aplicam querem que sejam privatizadas e terceirizadas. Falo deste assunto porque se avançou muito em tudo isso. O esforço foi muito grande, com uma resistência conservadora permanente que vem de séculos.
– Como a crise afeta os países do Mercosul?
– Hoje os países sofrem um impacto de diferente tipo. Um da China e outro dos Estados Unidos e da crise européia. Os chineses são grandes demandantes de produtos agrícolas e minerais. Isto afeta os quatro países. Isso, por um lado, gera um ingresso muito interessante. Por outro lado, a China é uma grande provedora de produtos manufaturados a preços baixos, o que afeta as estruturas industriais e o funcionamento do Mercosul em relação ao seu comércio interno. Diminuem os incentivos aos investimentos industriais. Se você é investidor não vai colocar seu dinheiro para montar uma fábrica para vender produtos manufaturados aos chineses, mas em agro ou mineração, para vender matérias primas a eles.
– É uma relação necessária e ao mesmo tempo contraditória.
– O importante é como transformar a relação com China para que os chineses contribuam com o desenvolvimento industrial. As populações são urbanas. Tem de haver emprego urbano. A agricultura emprega cada vez menos porque é de grande escala. Com a mineração acontece a mesma coisa. Além disso, os países sofrem variação de preços das matérias primas. Têm que aproveitar essas relações, mas não pensar que se pode viver eternamente delas.
– Há um ano que é o virtual chefe do Mercosul. Está satisfeito?
– Deixe-me lembrar algo. O Mercosul nasceu em 1991 sobre a base de governos neoliberais. Os que assinaram o Tratado de Asunción foram Carlos Menem, Fernando Collor, Andrés Rodríguez e Luis Lacalle, presidentes de governos tipicamente neoliberais, que pensavam na integração regional como um instrumento prévio à integração aberta com o mundo. E isso não pode ser. O regionalismo aberto é como um casamento aberto. É um contra-senso, porque os acordos de livre comércio com terceiros obviamente destruiriam o Mercosul em razão das tarifas zero. O casamento aberto implica que não há preferência. Isso dissolveria o Mercosul. Por isso ele tem que ser transformado em um instrumento de desenvolvimento industrial dos quatro países. Em qualquer sistema de integração os países maiores se beneficiam mais, mas deve haver mecanismos de compensação através da infra-estrutura. A visão atual do Mercosul ainda é de livre comércio. E essa visão choca com alguns exemplos da própria realidade. No comércio entre Brasil e a Argentina, 40% é automotivo, e não se trata de um intercâmbio surgido do comércio livre. É feito por multinacionais, não por empresinhas nacionais. Assim organizam a sua produção. Com liberdade de comércio e sem acordos, quiçá a indústria automobilística houvesse se concentrado em um só país. Terminar com essa visão, por isso, é urgente, e mais ainda pela ofensiva chinesa. O livre comércio não leva ao desenvolvimento. Leva à desintegração.
– Por onde haveria que começar?
– Por convencer os países maiores. O fundo de compensação que existe hoje é um passo muito pequeno. O Mercosul é como um carro que atolou no barro. O motorista acelera e joga barro em todas as direções, mas o carro não sai do lugar. Que fazer? Que os passageiros mais fortes saiam do carro e o empurrem. Nisso estamos. Se não é muita reunião, mas não se resolve nada. Ao mesmo tempo devo dizer que o comércio se expandiu, há muitos investimentos, principalmente dos países maiores. Mas isso é comércio. E a integração é outra coisa.
– O senhor é embaixador, foi ministro de Lula e vice-chanceler. Como foi sua formação?
– (Rindo) Uma explicação para aborrecer os diplomatas: meu tataravô ocupou o mesmo cargo.
– E outra explicação?
– Bom, na família da minha mãe havia empresários. Do lado do meu pai a família era de políticos abolicionistas e republicanos. Mas na vida a gente vai se fazendo com todas as contradições. Fui a um colégio de elite, o Colégio dos Jesuítas São Ignácio, no Rio. E ao mesmo tempo jogava futebol com os garotos das favelas. Comecei a ver o que tinha cada um e como era. Foi meu contato com as diferenças. Meu pai simpatizava com Getúlio Vargas, com Juscelino Kubitschek. Era anticlerical e ateu e me colocou num colégio de jesuítas. Eu estava em meio às contradições. O mundo é muito complexo, não? Fui à universidade para estudar Direito em 1958, uma das épocas mais politizadas do Brasil. Ingressei na política estudantil na época da política exterior independente. E em 1961 ingressei no Itamaraty.
– Qual é seu maior orgulho como vice-chanceler de Lula?
– Antes de Lula já me havia dedicado à luta contra a ALCA. Continuei e conseguimos, em 2005, que os países mais importantes da América do Sul não formassem uma área de livre comércio de toda a América. Também lembro a briga, no Brasil, contra os acordos de proteção de investimentos. A Argentina sofre muito, ainda hoje, com esses acordos que Menem assinou. O Ministério da Fazenda do senhor Antonio Palocci queria e eu não. Como sou amigo de Celso Amorim, que era chanceler, isso foi importante. Também pusemos muita ênfase na América do Sul. Foi uma diretiva do presidente Lula, mas faltava implementar. Fizemos. Aumentamos em 30% a dotação de nossas embaixadas. Obrigamos todos os diplomatas que tivessem como primeiro destino uma embaixada na América do Sul. Não na América latina, na América do Sul. É uma forma prática de compreender as realidades e as assimetrias. E bom, também está o terreno do pensamento. Já em 1975 escrevi sobre a importância de romper com o colonialismo português e com a África do Sul. Quando se estuda as coisas, a gente começa a compreender elas um pouco melhor, não é verdade?
Martín Granovsky - Página/12
Tradução: Libório Junior
Do Carta Maior
No Blog do Saraiva
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É muita hipocrisia e escárnio!

O sujeito zomba com a inteligência alheia. Deve ser por isso que só faz monólogo; não aguenta, nem deve ter argumentos consistentes para uma contraposição.
Assim é que a farsa da ICAR é mantida.
Sobre a "pobreza" do Vaticano...
No Opinião & Cia
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Aquecimento Global: A Farsa Acabou

O Rio Tâmisa congelado em 1684 | Pintura de Abraham Hondius
Esqueçam o aquecimento global - É com o Ciclo 25 que nós precisamos nos preocupar (e se os cientistas da NASA estiverem certos, o Tâmisa congelará de novo)
Met Office libera novos dados que mostram que não houve aquecimento global nos últimos 15 anos
O suposto "consenso" sobre o aquecimento global produzido pelo homem está enfrentando um desafio inconveniente após o lançamento de novos dados de temperatura que mostram que o planeta não se aqueceu nos últimos 15 anos.
Os gráficos sugerem que poderíamos até estar caminhando para uma mini era do gelo para rivalizar com a queda de temperatura que durou 70 anos e que viu feiras realizadas no rio Tâmisa congelado no século 17.
Com base em leituras de mais de 30.000 estações de medição, os dados foram divulgados na semana passada, sem alarde pelo Met Office e a Universidade de East Anglia Climatic Research Unit. Eles confirmam que a tendência de elevação das temperaturas no mundo acabou em 1997.
Enquanto isso, os principais cientistas do clima ontem disseram ao jornal The Mail on Sunday que, depois de emitir níveis anormalmente elevados de energia ao longo do século 20, o Sol agora está caminhando para um "grande mínimo", ameaçando verões frios, invernos rigorosos e um encurtamento de estações disponíveis para cultivo de alimentos.
A atividade solar passa por ciclos de 11 anos, com elevado número de manchas solares visto em seu pico.
Estamos agora no que deveria ser o pico do que os cientistas chamam de "Ciclo 24" - motivo pelo qual a tempestade solar da semana passada resultou em avistamentos da aurora boreal mais ao Sul do que o habitual. Mas os números de manchas solares estão funcionando a menos da metade do que as observadas durante os picos dos ciclos no século 20.
A análise feita por especialistas da NASA e da Universidade de Arizona - derivada de medições de campo magnético 120 mil milhas abaixo da superfície do Sol - sugerem que o ciclo 25, cujo pico é esperado em 2022, será muito mais fraco ainda.
De acordo com um estudo divulgado na semana passada pelo Met Office, há uma chance de 92% que o Ciclo 25 e os que se realizam nas décadas seguintes serão tão fracos quanto, ou mais fraco do que o "mínimo de Dalton" de 1790 -1830.
Neste período, em homenagem ao meteorologista John Dalton, as temperaturas médias em partes da Europa caíram 2ºC.
No entanto, também é possível que a nova queda de energia solar possa ser tão profunda como o "mínimo de Maunder" (astrônomo Edward Maunder), entre 1645 e 1715 na parte mais fria da "Pequena Idade do Gelo", quando eram comuns as feiras no Tâmisa congelado. Os canais da Holanda também congelaram.
No entanto, no seu documento, o Met Office afirmou que agora as consequências seriam negligenciáveis ​​- porque o impacto do Sol sobre o clima é muito menor do que o do dióxido de carbono emitido pelo homem. Embora a saída do Sol é susceptível de diminuir até 2100, "Isto só causaria uma redução nas temperaturas globais de 0.08C." Peter Stott, um dos autores, disse: "Nossos resultados sugerem uma redução da atividade solar para níveis não vistos em centenas de anos, mas seria insuficiente para compensar a influência dominante de gases de efeito estufa."
Essas descobertas são ferozmente contestadas por outros cientistas especialistas no Sol.
"As temperaturas mundiais podem acabar se tornando muito mais frias do que agora por 50 anos ou mais", disse Henrik Svensmark, diretor do Center for Sun-Climate Research at Denmark’s National Space Institute. "Vai ser uma longa batalha para convencer alguns cientistas do clima que o Sol é importante. Pode bem ser que o Sol vá demonstrar isso por conta própria, sem a necessidade da ajuda deles."
Ele ressaltou que, ao afirmar que o efeito do mínimo solar seria pequeno, o Met Office estava confiando nos modelos do mesmo computador que estão sendo desmoralizados pela atual pausa no aquecimento global.
Os níveis de CO2 continuam aumentando sem interrupção e, em 2007, o Met Office afirmou que o aquecimento global estava prestes a "voltar com tudo '. Ele disse que entre 2004 e 2014 haveria um aumento global de 0.3C. Em 2009, ele previu que pelo menos três dos anos de 2009 a 2014 iriam quebrar o recorde de temperatura anterior estabelecido em 1998.
Até agora não há nenhum sinal de que isso vai acontecer. Mas ontem um porta-voz do Met Office insistiu que seus modelos ainda eram válidos.
"A projeção de dez anos continua sendo a ciência inovadora. O prazo para a projeção original ainda não acabou", disse ele.
O Dr. Nicola Scafetta, da Universidade Duke, na Carolina do Norte, é o autor de vários artigos que discutem os modelos climáticos do Met Office e mostram que segundo esses modelos deveria ter havido um "aquecimento constante de 2000 até agora".
"Se as temperaturas continuarem a ficar estáveis ou começar a esfriar novamente, a divergência entre os modelos e os dados gravados acabará por se tornar tão grande que toda a comunidade científica vai questionar as teorias atuais", disse ele.
Ele acredita que como o modelo do Met Office atribui uma importância muito maior para CO2 do que para o Sol, e por isso eles foram obrigados a concluir que não haveria resfriamento. "A questão real é se o modelo em si é preciso", disse o Dr. Scafetta. Enquanto isso, um dos especialistas do clima mais eminentes da América, a Professora Judith Curry, do Georgia Institute of Technology, disse que achou a confiante previsão do Met Office de um impacto "insignificante" difícil de entender.
"A coisa responsável a fazer seria a de aceitar o fato de que os modelos podem ter graves deficiências no que se refere à influência do Sol," disse a Professora Curry. Como do aquecimento anterior para a pausa atual, ela disse que muitos cientistas não ficaram surpresos".
Ela argumentou que está se tornando evidente que outros fatores, mais do que o CO2 desempenham um papel importante no aumento ou diminuição do calor, como os ciclos de 60 anos na temperatura da água nos oceanos Pacífico e Atlântico.
"Eles têm sido insuficientemente apreciados em termos de clima global," disse a Prof. Curry. Quando ambos os oceanos eram frios no passado, como entre 1940 e 1970, o clima esfriou. O Ciclo do Pacífico "capotou" de volta para o modo de quente para frio em 2008 e o do Atlântico também, acredita-se que vai virar provávelmente nos próximos anos.
Pal Brekke, conselheiro sênior do Centro Espacial Norueguês, disse que alguns cientistas acharam a importância dos ciclos da água difícil de aceitar, porque isso significa admitir que os oceanos - e não CO2 - causaram grande parte do aquecimento global entre 1970 e 1997.
O mesmo vale para o impacto do Sol - que foi altamente ativo durante a maior parte do século 20.
"A natureza está prestes a realizar uma experiência muito interessante", disse ele. "Dentro de 10 ou 15 anos a partir de agora, seremos capazes de determinar muito melhor se o aquecimento do final do século 20 realmente foi causado pelo CO2 lançado pelo homem, ou pela variabilidade natural."
Enquanto isso, desde o final do ano passado, as temperaturas globais caíram mais de meio grau, porque o efeito do frio do 'La Niña' ressurgiu no Sul do Pacífico.
"Agora estamos bem na segunda década da pausa", disse Benny Peiser, diretor da Fundação Global Warming Policy. "Se nós não encontrarmos evidências convincentes do aquecimento global até 2015, começará a ficar claro que os modelos são um desastre. E, se forem, as implicações para alguns cientistas poderão ser muito graves."
David Rose
Tradução Maurício Porto
No Terrorismo Climático
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Homofobia é estupidez

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Charge online - Bessinha - # 1017

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Cadê nossos poetas, por onde andam!

Vagalume
Vitor Simon e Fernando Martins,
"Rio de Janeiro
Cidade que nos seduz
De dia falta água
De noite falta luz

Abro o chuveiro
Oi, Não cai um pingo
Desde segunda
Até domingo
Eu vou pro mato
Oi, pro mato eu vou
Vou buscar um vagalume
Pra dar luz ao meu chatô"

De madrugada, explode adutora. A tarde, explosão no metrô. É o PSDB governando São Paulo*

Mais uma adutora da Sabesp explodiu na madrugada de hoje (31),na região central de São Paulo,provocando alagamento de ruas próximas. Um buraco de mais de cinco metros se abriu no local, atingindo casas e carros.-- No dia 18 de janeiro, explodiu essa adurora Em dezembro, explodiu essa aqui Também em dezembro de 2011, explodiu esse bueiro aqui em São Paulo
Enquanto isso...A tarde....Explosão no do metrô de São Paulo prejudica usuários
Uma explosão causada por uma falha elétrica em um trem que circulava pela estação Praça da Árvore, na linha 1 (azul) do metrô de São Paulo, assustou os passageiros que estavam na composição, causando tumulto na estação.
Segundo a assessoria de imprensa do Metrô, explosão ocorreu às 15h07 e foi causada por uma sobrecarga elétrica em um dos carros da composição, o que provocou um “forte estrondo”. Os passageiros tiveram que ser retirados do trem, e a circulação no sentido Jabaquara foi interrompida. As informações são da Folha
*Pescado d'Os Amigos do Presidente Lula
GUERRILHEIROS VIRTU@IS: como diz o título, por onde andam nossos poetas para 'atualizarem' a marchinha...

'São Paulo,
cidade que nos sacode
:
De dia nos alaga,
de tarde nos 'explode'!

Saroba
No Guerrilheiros Virtuais
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Ministério Público arquiva representação contra Eliana Calmon

Brasília – A Procuradoria-Geral da República (PGR) arquivou hoje (31) representação que pedia investigações sobre a conduta da corregedora-geral de Justiça, Eliana Calmon. O documento foi protocolado no último dia 23 de dezembro pelas três maiores associações de juízes do Brasil – a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) e a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe).
As entidades pediam que o Ministério Público apurasse se a corregedora cometeu crime ao investigar a evolução patrimonial de juízes e servidores. Elas alegam que houve quebra ilegal de sigilo de mais de 200 mil pessoas. A solicitação foi encaminhada à PGR na mesma semana em que o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu liminar suspendendo o pente-fino nas folhas de pagamento em 22 tribunais do país.
De acordo com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que assina o documento, não houve quebra de sigilo porque o relatório de movimentações atípicas produzido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) trazia apenas informações genéricas, sem citar nomes ou números de CPF (Cadastro da Pessoa Física). Ele também relata que a inspeção na folha de pagamento dos tribunais, iniciada em dezembro, foi devidamente comunicada aos conselheiros do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão ao qual a Corregedoria Nacional é vinculada.
Gurgel refutou a acusação de que houve vazamento de dados da inspeção para a imprensa, tais como possíveis quantias recebidas pelos ministros do STF Cezar Peluso e Ricardo Lewandowski, já que o relatório do Coaf não trazia detalhes. “Somente isso é suficiente para afastar a imputação de que houve vazamento de dados sigilosos. A corregedora nacional não poderia ter divulgado dados de que não tinha conhecimento, não poderia municiar a imprensa de informações sigilosas que jamais deteve”.
O procurador destacou que a ministra Eliana Calmon não foi a autoridade que instaurou o procedimento que levou o Coaf a analisar dados de magistrados e servidores. O autor do pedido foi o ex-corregedor Gilson Dipp e a atual corregedora apenas recebeu o resultado da apuração ao assumir a corregedoria do CNJ meses depois.
Citando o ministro Celso de Mello, também do STF, Gurgel entende que a instauração de inquérito pode representar uma violação aos direitos fundamentais, em especial ao princípio da dignidade. “No caso dos autos, seria ainda impor indevida pecha de delituosa à atuação da Corregedoria Nacional de Justiça e do próprio Conselho Nacional de Justiça, com injustificado gravame à sua relevantíssima missão constitucional”, completa.
O arquivamento do pedido de investigação ocorre na véspera de o STF julgar uma ação de constitucionalidade que pretende limitar o poder correicional do CNJ. Foi essa a ação em que o ministro Marco Aurélio Mello decidiu, em dezembro passado, suspender parte da resolução que disciplinava como o CNJ deveria agir na apuração de desvios cometidos por magistrados.
Débora Zampier
No Agência Brasil
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Charge online - Bessinha - # 1016

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Coletiva da presidenta Dilma em Havana

No Blog do Planalto
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Pressão arterial deve ser medida nos dois braços, mostra revisão de estudos

Valores diferentes podem indicar risco de doença vascular periférica no paciente
No Brasil, diferença-limite na medição de pressão
entre os braços é de 20 mm Hg
SÃO PAULO - Uma revisão de 28 estudos publicada nesta segunda-feira, 30, na versão online da revista The Lancet aponta que os médicos deveriam medir a pressão arterial nos dois braços do paciente - e não apenas em um, como ocorre na maioria dos consultórios. Isso porque medidas diferentes de pressão nos braços podem indicar risco aumentado de doença vascular periférica.
Medir a pressão nos dois braços já é recomendado nas diretrizes de hipertensão da Sociedade Brasileira de Cardiologia - a última atualização foi publicada em 2010. A norma orienta que na primeira consulta os médicos meçam a pressão nos quatro membros do paciente: nos dois braços e nas duas pernas - o que nem sempre acontece.
A revisão de estudos foi conduzida pelo médico Christopher Clark, da Universidade Exeter (Grã-Bretanha), e demonstrou também que uma diferença de pressão sistólica acima de 15 milímetros de mercúrio (mm Hg) entre os dois braços está associada ao maior risco de ter uma das artérias parcialmente obstruída.
Seria o caso, por exemplo, de um paciente ter a pressão arterial de 120 mm Hg por 80 mm Hg (12 por 8) em um dos braços e de 140 mm Hg por 80 mm Hg (14 por 8) no outro. A diferença de 140 para 120 é 20. Segundo o estudo, nesses casos o paciente deveria ser encaminhado para exames mais específicos.
Aqui no Brasil, as diretrizes recomendam uma investigação mais aprofundada apenas nos casos em que a medição da pressão apresentar uma diferença superior a 20 mm Hg entre os dois braços. Para o cardiologista Luiz Aparecido Bortolotto, diretor da Unidade Clínica de Hipertensão do InCor, esse é um ponto que poderá ser reavaliado no País.
“Uma das coisas mais importantes desse estudo é que a diferença de pressão entre os dois braços a ser considerada perigosa é de 15, enquanto aqui no Brasil o valor é 20. Talvez a gente tenha de rever as diretrizes e também baixar esse número”, diz.
Exame clínico
Para o cardiologista Marcelo Ferraz Sampaio, chefe do Laboratório de Biologia Molecular do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, a revisão de estudos vem reforçar a necessidade de os médicos fazerem um exame clínico bem feito e mais demorado.
“Medir a pressão nos dois braços faz parte do bom exame clínico e faz parte da diretriz. O problema é que no sistema acelerado de atendimento muitos médicos não fazem o exame corretamente por pressa”, avalia.
A mesma opinião é compartilhada pela cardiologista Fernanda Consolim Colombo, diretora da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp). “Os resultados chamam a atenção para a necessidade de os médicos fazerem o melhor exame físico possível no paciente, independentemente da queixa. Esse exame é o momento em que o médico pode surpreender uma doença assintomática como a hipertensão”, diz Fernanda.
Para medir a pressão corretamente, o paciente deve estar sentado, descansado, de bexiga vazia e não deve ter fumado.
Fernanda Bassette
No O Estado de S. Paulo
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Santiago na Redação

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O problema de Direitos Humanos em Cuba está em Guantánamo

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Tucano mineiro ameaça censurar marchinhas

Léo Burguês justificou gastos de mais de R$60 mil reais com notas fiscais do bufê de sua madrasta
Circula nas redes sociais uma marchinha de carnaval que satiriza o episódio envolvendo o presidente da Câmara dos Vereadores de Belo Horizonte, Léo Burguês (PSDB), e os recursos para a verba de gabinete que teriam sido direcionados à compra de lanches no bufê de sua madrasta. Reportagem do jornal O Tempo revelou que as verbas direcionadas para a minimercearia chegam a R$62 mil entre 2009 e 2011.
A marchinha, chamada “Na Coxinha da Madrasta”, ironiza a justificativa de gastos da verba indenizatória do vereador, que teria usado notas fiscais do bufê para explicar o emprego de uma verba equivalente a cerca de R$1,5 mil por dia no período, sob a rubrica "lanche". A quantia seria suficiente para comprar cerca de 3 mil coxinhas diariamente.

Ouça também:
Melodia e letra de Ana Cristina. Arranjo de Caio Gracco Guimarães. Feita em 28/01/2012, para o concurso de Marchinhas Mestre Jonas.
A Coxinha
A coisa tá ficando feia
Pro lado do burguesinho
Tudo começou com uma vontade
Desejo de salgadinho
Ele comprou no atacado
De conhecida lá no mercado
Mas o detalhe que a gente não sabia
Era a madrasta quem fornecia!
Sessenta mil reais por mês
É salgadinho pra bom freguês
E o povo paga sem saber que a coxinha
Era a desculpa desse burguês
A coisa tá ficando feia
Pro lado do meliante
Reclama porque não pode
Comer cem mil salgados com refrigerante
E agora, quando ele aparece
O povo grita: coxinha
Coxinha, coxinha
Tu vai roubar galinha da tua vizinha
Ô seu burguês, ô seu burguês,
Tu agora merece é um regime no xadrez!

Compositor tira marchinha do ar após ameaça de Léo Burguês
O que era para ser uma brincadeira de Carnaval virou uma polêmica com direito a ameaças de processo na Justiça. A marchinha "Na coxinha da madrasta", composta pelo músico belo-horizontino Flávio Henrique, incomodou o "homenageado" Léo Burguês (PSDB), presidente da Câmara Municipal.
Mesmo de férias nos Estados Unidos, o vereador tucano acionou o advogado, que entrou em contato com o autor. Por volta das 19h dessa sexta-feira, o músico recebeu a notícia de que Burguês não estava nada satisfeito com a sátira.
"O advogado me disse que a marchinha estava causando dano moral ao vereador", contou. Flávio também procurou seu advogado, que o aconselhou a retirar a música da internet até que a letra fosse cuidadosamente analisada.
O áudio da marchinha foi divulgado nas mídias sociais e, em apenas 13 horas, já havia sido compartilhado por quase 500 pessoas no Facebook e somava mais de 150 citações no Twitter. Segundo Flávio Henrique, a composição foi feita para ser inscrita no concurso de marchinhas da Banda Mole para o Carnaval de Belo Horizonte.
"Como eles deixam divulgar a marchinha antes da hora, eu coloquei na internet, mas não imaginei que ia causar essa confusão toda", afirmou, deixando claro que não tem nenhum interesse político no tema.
"Eu disse para o advogado que tudo era só uma brincadeira, que tem que ter bom humor. Quem levantou o fato foi a imprensa. Eu só fiz uma brincadeira", defendeu-se, indignado.
Flávio Henrique, que é músico profissional e já lançou seis discos durante a carreira, estava em São Paulo quando foi surpreendido pela ligação do advogado do vereador. "Quem vai julgar o Léo Burguês é a população, não sou eu. Eu estava repercutindo uma matéria. Não estou a serviço de ninguém, não ganhei um tostão para fazer isso. É para ser algo jocoso, só isso".
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Villa, o PSTU da direita

Há uma característica comum aos artigos de Marco Antonio Villa, critique Lula ou FHC: a mediocridade absoluta, indecorosa, ofensiva a qualquer forma de inteligência.
O debate público brasileiro já contou com radicais terríveis, como Olavo de Carvalho. O radicalismo entranhado necessita de brilho para ser digerido. E Olavo dá esse brilho. Outros intelectuais aproveitaram a demanda por radicais da velha mídia para emprestarem seu nome a afirmações oportunistas. Mas recheavam as declarações com um mínimo de embasamento.
Mas Villa é um acinte pela mediocridade tosca, vazia. Só conseguiu o espaço que tem pela reduzida oferta de intelectuais dispostos a falar para o Homer Simpson perseguido pela mídia. De quem dá espaço para ele, só resta a mesma avaliação de Chico Buarque para o intelectual que dirigia a Veja (após ler o seu livro): bem feito!
Luís Nassif
No Advivo
~ O ~
Oposição sem rumo
Nesta semana fomos surpreendidos por uma entrevista de Fernando Henrique Cardoso. Não pela entrevista, claro, mas pela análise absolutamente equivocada da conjuntura brasileira. Esse tipo de reflexão nunca foi seu forte. Basta recordar alguns fatos.
Em 1985 iniciou a campanha para a Prefeitura paulistana tendo como aliados o governador Franco Montoro e o governo central, que era controlado pelo PMDB, além da própria Prefeitura, sob o comando de Mário Covas. Enfrentava Jânio Quadros, um candidato sem estrutura partidária, sem programa e que entrou na campanha como livre atirador. Fernando Henrique achou que ganharia fácil. Perdeu.
No ano seguinte, três meses após a eleição municipal, propôs, em entrevista, que o PMDB abandonasse o governo, dias antes da implementação do Plano Cruzado, que permitiu aos candidatos da Aliança Democrática vencer as eleições em todos os Estados. Ele, aliás, só foi eleito senador graças ao Cruzado.
Passados seis anos, lutou para que o PSDB fizesse parte do governo Fernando Collor. Ele seria o ministro das Relações Exteriores (e o PSDB receberia mais duas pastas). Graças à intransigência de Covas, o partido não aderiu. Meses depois, foi aprovado o impeachment de Collor.
Em 1993, contra a sua vontade, foi nomeado ministro da Fazenda por Itamar Franco. Não queria, de forma alguma, aceitar o cargo. Só concordou quando soube que a nomeação havia sido publicada no Diário Oficial (estava no exterior quando da designação). E chegou à Presidência justamente por esse fato - e por causa do Plano Real, claro.
Em 2005, no auge da crise do mensalão, capitaneou o movimento que impediu a abertura de processo de impeachment contra o então presidente Lula. Espalhou aos quatro ventos que Lula já era página virada na nossa História e que o PSDB deveria levá-lo, sangrando, às cordas, para vencê-lo facilmente no ano seguinte. Deu no que deu, como sabemos.
Agora resolveu defender a tese de que a oposição tenha um candidato presidencial, com uma antecedência de dois anos e meio do início efetivo do processo eleitoral. É caso único na nossa História. Nem sequer na República Velha alguém chegou a propor tal antecipação. É uma espécie de dedazo, como ocorria no México sob o domínio do PRI. Apontou o dedo e determinou que o candidato tem de ser Aécio Neves. Não apresentou nenhuma ideia, uma proposta de governo, nada. Disse, singelamente, que Aécio estaria mais de acordo com a tradição política brasileira. Convenhamos que é um argumento pobre. Ao menos deveria ter apresentado alguma proposta defendida por Aécio para poder justificar a escolha.
A ação intempestiva e equivocada de Fernando Henrique demonstra que o principal partido da oposição, o PSDB, está perdido, sem direção, não sabendo para onde ir. O partido está órfão de um ideário, de ao menos um conjunto de propostas sobre questões fundamentais do País. Projeto para o País? Bem, aí seria exigir demais. Em suma, o partido não é um partido, na acepção do termo.
Fernando Henrique falou da necessidade de alianças políticas. Está correto. Nenhum partido sobrevive sem elas. O PSDB é um bom exemplo. Está nacionalmente isolado. Por ser o maior partido oposicionista e não ter definido um rumo para a oposição, acabou estimulando um movimento de adesão ao governo. Para qualquer político fica sempre a pergunta: ser oposição para quê? Oposição precisa ter programa e perspectiva real de poder. Caso contrário, não passa de um ajuntamento de vozes proclamando críticas, como um agrupamento milenarista.
Sem apresentar nenhuma proposta ideológica, a "estratégia" apresentada por Fernando Henrique é de buscar alianças. Presume-se que seja ao estilo petista, tendo a máquina estatal como prêmio. Pois se não são apresentadas ideias, ainda que vagas, sobre o País, a aliança vai se dar com base em qual programa? E com quais partidos? Diz que pretende dividir a base parlamentar oficialista. Como? Quem pretende sair do governo? Não será mais uma das suas análises de conjuntura fadadas ao fracasso?
O medo de assumir uma postura oposicionista tem levado o partido à paralisia. É uma oposição medrosa, envergonhada. Como se a presidente Dilma Rousseff tivesse sido eleita com uma votação consagradora. E no primeiro turno. Ou porque a administração petista estivesse realizando um governo eficiente e moralizador. Nem uma coisa nem outra. As realizações administrativas são pífias e não passa uma semana sem uma acusação de corrupção nos altos escalões.
O silêncio, a incompetência política e a falta de combatividade estão levando à petrificação de um bloco que vai perpetuar-se no poder. É uma cruel associação do grande capital - apoiado pelo governo e dependente dele - com os setores miseráveis sustentados pelos programas assistencialistas. Ou seja, o grande capital se fortalece com o apoio financeiro do Estado, que o brinda com generosos empréstimos, concessões e obras públicas. É a privatização em larga escala dos recursos e bens públicos. Já na base da pirâmide a estratégia é manter milhões de famílias como dependentes de programas que eternizam a disparidade social. Deixam de ser miseráveis. Passam para a categoria da extrema pobreza, para gáudio de alguns pesquisadores. E tudo temperado pelo sufrágio universal sem política.
Em meio a este triste panorama, não temos o contradiscurso, que existe em qualquer democracia. Ao contrário, a omissão e a falta de rumo caracterizam o PSDB. Para romper este impasse é necessário discutir abertamente uma proposta para o País, não temer o debate, o questionamento interno, a polêmica, além de buscar alianças programáticas. É preciso saber o que pensam as principais lideranças. Numa democracia ninguém é líder por imposição superior. Tem de apresentar suas ideias.
Marco Antonio Villa, historiador, é professor da Universidade Federal de São Carlos UFSCAR)
O Estado de S.Paulo
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Escala F

Na década de 50, o filósofo alemão Theodor Adorno (1903-1969) uniu-se a um grupo de psicólogos sociais norte-americanos para desenvolver um estudo pioneiro sobre o potencial autoritário inerente a sociedades de democracia liberal, como os Estados Unidos.
O resultado foi, entre outras coisas, um conjunto de testes que permitiam produzir uma escala (conhecida como Escala F, de "fascismo") que visava medir as tendências autoritárias da personalidade individual.
Por mais que certas questões de método possam atualmente ser revistas, o projeto do qual Adorno fazia parte tinha o mérito de mostrar como vários traços do indivíduo liberal tinham profundo potencial autoritário.
O que explicava porque tais sociedades entravam periodicamente em ondas de histeria coletiva xenófoba, securitária e em perseguições contra minorias.
O que Adorno percebeu na sociedade norte-americana vale também para o Brasil. Na semana passada, esta Folha divulgou pesquisa mostrando como a grande maioria dos entrevistados apoia ações truculentas como a internação forçada para dependentes de drogas e intervenções policiais espetaculares como as que vimos na cracolândia.
Se houvesse pesquisa sobre o acolhimento de imigrantes haitianos e sobre a posição da população em relação à ditadura militar, certamente veríamos alguns resultados vergonhosos.
Tais pesquisas demonstram como a idealização da força é uma fantasia fundamental que parece guiar populações marcadas por uma cultura contínua do medo.
É preferível acreditar que há uma força capaz de "colocar tudo em ordem", mesmo que por meio da violência cega, do que admitir que a vida social não comporta paraísos de condomínio fechado.
Sobre qual atitude tomar diante de tais dados, talvez valha a pena lembrar de uma posição do antigo presidente francês François Mitterrand (1916-1996).
Quando foi eleito pela primeira vez, em 1981, Mitterrand prometera abolir a pena de morte na França. Todas as pesquisas de opinião demonstravam, no entanto, que a grande maioria dos franceses era contrária à abolição.
Mitterrand ignorou as pesquisas. Como se dissesse que, muitas vezes, o governo deve levar a sociedade a ir lá aonde ela não quer ir, lá aonde ela ainda não é capaz de ir. Hoje, a pena de morte é rejeitada pela maioria absoluta da população francesa.
Tal exemplo demonstra como o bom governo é aquele capaz de reconhecer a existência de um potencial autoritário nas sociedades de democracia liberal e a necessidade de não se deixar aprisionar por tal potencial.
Vladimir Safatle
No Folha
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#jogodogabinete

Ato #jogodogabinete quer Alckmin fora do Twitter
Internautas se manifestam contra o ‘gabinete antiprotesto’ criado por Alckmin para monitorar atos de oposição ao governo; objetivo é usar a tag #jogodogabinete e denunciar o perfil do governador como spam, até que ele seja expulso do site; no aniversário da cidade, ele conseguiu escapar das ovadas levadas por Kassab após monitoramento nas redes
A fim de se proteger contra protestos organizados pelas redes sociais, o governador Geraldo Alckmin criou uma força-tarefa focada em monitorar esses atos na internet. Segundo reportagem publicada hoje na Folha de S. Paulo, Alckmin não esteve em dois eventos em que tinha presença confirmada, nos últimos seis dias, por terem sido marcados por atos contra o governo. As manifestações foram detectadas antes pelas equipes da Casa Civil e da Comunicação do Palácio.
Com a nova estratégia, Alckmin conseguiu escapar do protesto organizado para o feriado do aniversário de São Paulo, em 25 de janeiro, cujo foco se virou contra o prefeito Gilberto Kassab, alvo de ovadas da população, de dentro do carro da Prefeitura, quando saía da missa celebrada na Catedral da Sé. Os protestos eram contra a desocupação do acampamento de Pinheirinho, em São José dos Campos, e a operação da Polícia Militar na Cracolândia, ambas marcas do governo paulista.
O governador também escapou de sacos de chuchus – levados especialmente para serem arremessados contra ele, que há tempos ganhou como apelido o nome do vegetal – no mais recente evento em que não esteve, no último sábado, na inauguração da nova sede do Museu de Arte Contemporânea (MAC). Segundo a reportagem da Folha, a assessoria do governador alegou que ele não esteve na missa do aniversário de São Paulo por “questão familiar” e que não havia confirmado presença na inauguração do Museu e, por isso, não seria uma falta. Os protestos são monitorados pela subsecretaria de Comunicação e por um assessor do governo.
Usuários querem Alckmin fora do Twitter
A criação do ‘gabinete antiprotesto’ de Alckmin gerou, como era de se esperar, outro protesto. E claro, nas redes sociais. Na manhã desta terça-feira, os usuários levaram a tag #jogodogabinete aos Trending Topics nacional (lista de assuntos mais comentados no site). O movimento incentiva o bloqueio do perfil do governador e a denúncia ao site como sendo um spam, a fim de que ele seja expulso do microblogging.
“Jogo do Gabinete Antiprotesto: entre na conta de @geraldoalckmin_ e use block + report for spam. Use a tag #jogodogabinete”, escreveu o cartunista André Dahmer (@malvados), um dos incentivadores do ato virtual, que já foi reuitado mais de 50 vezes. A usuária @karinereis também protestou: “’Governador’ e ‘prefeito’, esquecem que foi o povo que os colocaram no poder, se fazem protesto, fazem com total a razão! #jogodogabinete”.
No Brasil 247
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O Massacre de Pinheirinho e o Futuro da Luta

Foto: Roosevelt Cassio/ Reuters
Lembremos, para sempre, Pinheirinho. Num país em que a desmemória é tanto uma política oficial de Estado como uma espécie de requisito para o exercício capenga e precário da cidadania, reiterar uma e outra vez o que aconteceu já é um primeiro passo. No dia 22 de janeiro de 2012, domingo, como naquele 22 de janeiro que, na Rússia, ficou conhecido como Domingo Sangrento, em São José dos Campos, São Paulo, aconteceu isto.
A combinação de elementos que compõem o massacre é uma espécie de catálogo da história do Brasil, com todos os componentes que vemos reiterados, uma e outra vez, ao longo dos anos: 1) um terreno que era propriedade do Estado (desde o assassinato de seus donos originais, em 1969) passa às mãos de um megaespeculador, já acusado de quebrar uma instituição financeira do poder público; isso não impede que a propriedade estatal seja transferida a mãos privadas por misteriosos caminhos, com fortes indícios de grilagem; 2) o poder público se exime de uma de suas mais elementares obrigações, a de recolher tributos sobre o terreno, que acumula trinta anos sem pagamento de IPTU; 3) uma comunidade de pobres, à qual foi negado um direito básico, consagrado na Constituição, o da moradia, ocupa o terreno e passa a reinventá-lo: constroem suas casas; montam um sistema de arruamento e de coleta de lixo; preservam todas as matas ciliares e nascentes do local; 4) o poder público não só se recusa a fazer o que estaria na sua alçada para ajudar os pobres (adjudicar o terreno e regularizá-lo), como atua, efetivamente, como advogado do grileiro especulador, movendo ações contra os moradores em nome do interesse privado sem nunca lembrar-se de cobrar os milhões de IPTU devidos; 5) o Tribunal de Justiça de São Paulo, o mesmo que, como bem lembrou o jurista e poeta Pádua Fernandes, anulou a condenação do Ubiratan do Carandiru, emite ordem de reintegração de posse, num contexto de conflito de competências com a Justiça Federal, que concedera ao movimento uma liminar que suspendia dita ordem; 6) com pressa e desespero que estavam em flagrante contraste com as décadas e décadas de abandono do terreno até que nele chegassem os moradores, em descumprimento de acordo político supostamente selado dias antes, em desobediência à ordem da Justiça Federal (cuja tensão com a ordem da Justiça Estadual sugeriria, para além de qualquer discussão técnico-jurídica, que o mais sensato seria esperar), em aparente contradição com a Súmula nº 150 do Superior Tribunal de Justiça (lembrada por Samuel Martins no blog de Pádua), a prefeitura e o governo estadual realizam uma invasão policial de surpresa, numa manhã de domingo, com blindados, balas de borracha e cães, impondo sobre os moradores um horror que estende durante todo o dia, sob o silêncio impassível do governo federal, com a exceção da declaração de um Ministro, de que “acompanhamos o desdobramento do caso” e a presença de um assessor, baleado pela Polícia de forma “grave mas não imperdoável”, segundo palavras de seu superior. Lançados ao relento sem nenhum plano de nenhuma instância governamental, eles voltam à condição em que os quer ver o poder. Já não são os cidadãos orgulhosos apesar de pobres, sujeitos de um poder constituinte, apesar de oprimidos, de Pinheirinho. Já eram puro homo sacer, a vida que (aos olhos do poder) não vale nada, a vida que pode ser sacrificada sem ser objeto de luto. Saltei várias etapas, mas mesmo um relato exaustivo não teria apresentado uma lógica diferente: os ricos privatizando o Estado à margem da lei, o Estado como braço armado dos ricos, com frequência ao arrepio da própria lei, o Judiciário como fundamentação legal de um saqueio já definido a priori, como fato consumado.
É um próprio membro do Ministério Público Federal, o mestre em Direito e professor da UFBA Vladimir Aras, quem caracteriza o episódio como naufrágio da Justiça, afirmando: Essa grave e vergonhosa violação de direitos fundamentais precisa ser reparada. Se não o for mediante uma intervenção federal (art. 34, inciso VI ou VII, alínea `b`, da CF) ou num incidente de deslocamento de competência (art. 109, V-A, da CF), que o seja perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos, numa ação de responsabilização internacional do País.
Por que foram expulsos os moradores de Pinheirinho? A melhor resposta me parece ser a de Bruno Cava: Qualquer um em Pinheirinho sabe porque foram removidos. Sabe melhor do que os acadêmicos de direito. Basta ouvir os moradores. Porque tem muito dinheiro envolvido, porque os poderosos não podem aceitar vida fora das regras instituídas (a propriedade e o trabalho), porque não pode virar um tão mau exemplo para os pobres do mundo. Lidar com um Pinheirinho já dá tanto trabalho, imaginem mil, dez mil ocupações atrevidas? Não pode. Em outras palavras, como apontou João Telésforo em texto que faz perfeita dobradinha com o de Bruno, equivoca-se Elio Gaspari ao confundir Justiça com pacificação: O jornalista da Folha compartilha da perspectiva comum de que a solução justa é a que “pacifica” a questão, ainda que com prejuízos à parte mais fraca – na verdade, com o maior prejuízo possível que ela seja capaz de aceitar. Se a parte não aceita o “acordo” que se busca impor a ela, e como resposta recebe a violência, a culpa do conflito é dela!
É por isso que esse Poder precisa mentir. Como destacou meu amigo Hugo Albuquerque em um post memorável que está entre os melhores da história do Descurvo, essas mentiras são “consciente e oportunamente utilizada[s] pelo Poder”. Cada uma delas – e Hugo foi certeiro na compilação das dez “melhores”, ou seja, as mais cínicas – embute uma longa história que se repete a cada atrocidade contra os pobres em nossa história: a que justifica o massacre com argumentos legalistas (5), a que manipula a própria lógica legalista de classe (3), a que pura e simplesmente falseia a realidade da violência (1, 4), a que culpa as vítimas, atribuindo-lhes atos e atributos que estão disseminados por todo o corpo social, que não são exclusividade sua (6, 8), aquela a que recorrem os partidários da instância do poder público que é autora do massacre, culpando como autor justamente a instância que se omitiu (7), aquela a que recorrem os partidários da instância do poder público que se omitiu, isentando-se com o argumento de que nada podia ser feito nem dito (9), a que culpa as vítimas simplesmente por terem defendido o único que tinham, o único que os distinguia enquanto sujeitos sociais (2) e, finalmente, a que é a mais própria do Brasil, a que é a cara da nossa História, aquela que o Poder — em todas as suas instâncias — quer nos impor agora, na hora do luto (10).
Que essa mentira seja, como as outras, recusada. A luta — e não o conformismo, a desmemória, o cinismo e a servidão voluntária ao Poder — se impõe. E ela se impõe não porque tenhamos certeza de seu sucesso. Ela se impõe porque, hoje, não nos está dada a possibilidade de não lutar.
No Outro olhar
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PSDB ou assessor do SBT: o escândalo do Vivaleite

Imaginem quantos minutos o Jornal Nacional dedicaria ao tema para uma reportagem apontando que o PT havia vinculado filiações ao Bolsa Família. Ou imagine quantos discursos o tema renderia ao sempre atento senador Álvaro Dias, o único veemente opositor que como não tinha que disputar a reeleição em 2010 conseguiu continuar no Senado. Outros, como Mão Santa, Heráclito Fortes e Arthur Virgilio, não tiveram a mesma sorte. Também imagine se isso não seria a pedra de toque dos comentários de zelosos colunistas da moral pública que atuam em veículos tradicionais. Mas nada disso vai acontecer. A reportagem-denúncia de ontem no Estadão, já virou pó no noticiário de hoje.
E olha que a reportagem tem elementos bastante constrangedores, como o de uma senhora quase cega que cotejada com a pergunta se era filiada ao PSDB, respondeu: assessora do SBT?
Leia este trecho:
A senhora é filiada ao partido?
Não entendo o que é.
A senhora é filiada ao PSDB?
Auxiliar do SBT?
É militante do PSDB, do partido?
Não sou…
O nome da senhora consta de uma lista de filiados. A senhora nunca preencheu documentos para se inscrever em um partido político?
Não, nunca preenchi nenhum documento. Inclusive tenho deficiência visual. Sou especial pelo problema meu, não dá para eu ler nada. Perdi a visão total num olho num acidente e tenho apenas 20% em outro.
Alguém lhe pediu o título de eleitor?
Uma vez me pediram, mas não lembro pra que era.
A senhora está em algum cadastro do governo?
Eu tenho o Bolsa Família. E também recebo o leite para o meu neto.
A assimetria da mídia na cobertura política quando trata de “mal feitos” do PSDB e de partidos como o PT, PCdoB, PDT ou PSB é algo que beira o ridículo. Não dar mole para os partidos de centro-esquerda não é um problema. A questão é tratar os erros dos partidos de centro-direita com tanta tolerância.
Renato Rovai
No SpressoSP
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FHC se livra do carma Serra

Dias antes da entrevista que concedeu ao The Economist – na qual dizia que Aécio Neves deveria ser o próximo candidato do PSDB à presidência e responsabilizava José Serra pela derrota de 2010 – o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso teve uma conversa com diplomatas.
Segundo o Correio Braziliense, nessa conversa ele disse que sua “cota de Serra já deu”. Dias depois da entrevista, segundo Jorge Bastos Moreno, de O Globo, Serra teria dito que “Fernando Henrique está gagá”.
Chega ao fim o maior erro político de FHC.
A relação entre ambos foi alimentada por dona Ruth Cardoso que, em dezembro de 1994 convenceu o marido a nomear Serra Ministro do Planejamento. FHC já conhecia suficientemente o parceiro para identificar suas fraquezas. Mas cedeu ao apelo da esposa.
Serra sempre foi um ministro desleal. Para fora passava a ideia de que era um resistente contra os erros do câmbio, os excesso da privatização. Jamais dava uma declaração pública. Na medida em que o quadro foi se completando, com relatos de dentro do governo, emergia de Serra o perfil de um sujeito pusilânime, que se inibia intelectualmente ante o maior preparo dos economistas do Real e que estava mais empenhado em fazer acordos sigilosos com protagonistas da privatização do que em gerir a pasta.
Esse jogo de dubiedades sempre permeou a vida política e pessoal de Serra. No domingo foi colocado no Youtube um vídeo bastante significativo (http://youtu.be/BkVzB9Nbrcs). Nele, Serra diz que pode ser acusado de muitas coisas, “menos de ser desonesto e de ser privatizante”. Em seguida, uma entrevista de FHC dizendo que Serra foi o que mais lutou pela privatização dentro do seu governo, tendo papel decisivo na Vale e na Light.
O livro de Amaury Ribeiro Jr – revelando os ganhos pessoais de Serra com a privatização, fecham o ciclo.
Aliás, foi o livro o principal fator a dar a FHC energia para romper emocionalmente com Serra. O que segurava era a lembrança de dona Ruth e a impressão de que, apesar de cabeçudo, Serra tinha uma vida limpa.
Foi por isso que, depois de ter apoiado a indicação de Serra como candidato do PSDB em 2002, FHC teve paciência para suportar os ataques (por trás) que lhe foram desferidos. Serra dizia a quem quisesse ouvir que FHC o boicotara nas eleições porque sabia que ele, Serra, faria um governo melhor que o dele.
Pura jactância.
Em São Paulo, Serra provavelmente entrará para a história como o mais inoperante governo que o estado já teve. Não se envolveu com a gestão, não comandava uma reunião conjunta sequer do seu secretariado, fugiu nos momentos decisivos (greve da Policia Civil, crise de 2008, enchentes na cidade).
O coroamento de sua carreira veio com a campanha de 2010 e, agora, com as revelações de que enriqueceu usando os diversos cargos públicos.
Serra acabou; FHC permanecerá como uma referência para o partido. Mas o PSDB vive seu pior momento, sem quadros de expressão nacional, sem ideias claras sobre o que pretende ser, sem renovação.
Depois do tormento Serra, parece que nem grama nasce mais nos campos do partido.
Luís Nassif
No Advivo
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Alckmin institui 'gabinete antiprotesto'

Palácio dos Bandeirantes monitora manifestações organizadas nas redes sociais e muda agenda do governador
Em seis dias, tucano deixou de ir a dois eventos; assessoria nega que protestos pautem atos do governo
Governador Geraldo Alckmin visita obras no rio Pinheiros,
em SP; o tucano tem evitado comparecer a eventos
em que pode ser alvo de protestos
Luiz Carlos Murauskas/Folhapress
O Palácio dos Bandeirantes passou a monitorar manifestações organizadas nas redes sociais para evitar que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) seja alvo de protestos em agendas públicas.
Nos últimos seis dias, Alckmin não foi a dois eventos em que sua participação estava prevista. Ambos foram marcados por atos contra o governo, detectados antes pelas cúpulas da Casa Civil e da Comunicação do Palácio.
O primeiro furo na agenda oficial foi na última quarta-feira, quando o governador deixou de participar de missa na catedral da Sé pelo aniversário de São Paulo.
A decisão foi tomada na noite que antecedeu o evento, após reunião com os secretários da Casa Civil e da Comunicação.
A missa ficou marcada pelas imagens do prefeito Gilberto Kassab sendo atingido por ovos atirados por pessoas que protestavam contra a desocupação de Pinheirinho, em São José dos Campos.
Ciente da manifestação, Alckmin perguntou ao vice, Guilherme Afif Domingos, se poderia representá-lo.
O mesmo aconteceu no último sábado, quando o governador faltou à inauguração da nova sede do Museu de Arte Contemporânea (MAC). Também houve protesto na saída do evento, mas dessa vez, além de ovos, os manifestantes levaram sacos com chuchus para arremessar contra as autoridades.
Os vegetais eram referência a apelido dado ao governador pelo colunista da Folha José Simão, que o chamou de "picolé de chuchu".
As manifestações, organizadas com auxílio de militantes de partidos que fazem oposição ao governador, são monitoradas pela subsecretaria de Comunicação e por um assessor de Alckmin.
Como contraponto, os aliados organizam duas grandes agendas externas, esta semana, fora da capital.
Em nota, a assessoria de imprensa do governo negou que Alckmin tenha faltado à inauguração do MAC. Disse que o governador não havia confirmado presença tanto que cumpriu outra agenda, na região da Nova Luz.
O texto diz ainda que Alckmin não foi à missa do aniversário de São Paulo "por uma questão familiar".
"A hipótese [de que Alckmin está evitando protestos] é um desrespeito à história do governador e uma tentativa de travestir grupelhos truculentos de movimentos democráticos", finaliza a nota da assessoria do governo.
Daniela Lima
No Folha
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PSDB de São José dos Campos recebeu R$ 427 mil do ramo imobiliário em 2008

O comitê municipal único do PSDB em São José dos Campos recebeu R$ 427 mil de doações declaradas de 22 empresas do ramo imobiliário nas eleições de 2008. O valor representa aproximadamente 20% dos R$ 2.109.475 recebidos pelo comitê. Destes mais de R$ 2 milhões do comitê, cerca de R$ 630 mil foram destinados à campanha vitoriosa do atual prefeito Eduardo Cury (PSDB).
O deputado estadual Fernando Capez (PSDB), irmão do desembargador do TJ-SP Rodrigo Capez, que coordenou a ação policial em Pinheirinho, também recebeu bastante apoio do ramo imobiliário nas eleições de 2010. Quinze empresas do ramo doaram um total de R$ 424.462,02 para a campanha de Capez, 38% de tudo o que ele arrecadou (R$ 1.114.443,90).
Pinheirinho tem área de 1,3 milhão de m² e estava ocupada por 1,6 mil famílias desde 2004. A Prefeitura de São José dos Campos obteve propostas dos governos estadual e federal para inscrever a área em projetos habitacionais sem que tivesse que pagar o valor do terreno, que pertence ao especulador Naji Nahas, mas não quis fazê-lo. Na ação de desocupação, o desembargador Rodrigo Capez esteve no local representando o TJ-SP e ordenou a continuidade das ações — mesmo que liminares da Justiça Federal colocassem um impasse jurídico, só resolvido pelo STJ no dia seguinte à reintegração de posse.
As informações foram extraídas do site do TSE. Veja abaixo:
Felipe Prestes
No Sul21
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O padrão tucano de Cury, prefeito de São José dos Campos

Eduardo Cury maltrata moradora em rádio de São José dos Campos
No Advivo
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