26 de jan de 2012

Um novo projeto socialista é possível?

Na avaliação do governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, a grande tarefa dos movimentos e organizações que participam do Fórum Social Mundial hoje é buscar elementos mínimos de unidade para elaborar um programa de resistência e um novo projeto socialista. "A tipologia tradicional dos partidos de esquerda hoje está esgotada e os novos movimentos sociais ainda não conseguiram transcender o nível de mobilização de rua para o de organização política. A esquerda precisa recuperar a ideia de socialismo, mas não há nenhum acordo sobre como fazer isso", defende.
Porto Alegre - “A grande tarefa do Fórum Social Mundial hoje é procurar identificar nas forças políticas e sociais que o constituem elementos mínimos de unidade para elaborar um programa de resistência e um novo projeto socialista. O Fórum foi e permanece sendo um movimento de grande importância para a esquerda mundial”. A avaliação é do governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), ao falar para a Carta Maior sobre os desafios colocados para a articulação de movimentos e organizações que constituem o processo do Fórum Social Mundial.
Após mais de dez anos de estrada e de debates, o FSM busca hoje definir qual é seu papel no atual contexto de crise econômica e instabilidade política e social em várias regiões do planeta. O Fórum, afinal de contas, nasceu para lutar por um outro mundo possível, e o mundo está se movendo rapidamente.
A reflexão de Tarso Genro sobre o Fórum Social procura situar historicamente o movimento no contexto da história da esquerda mundial no século XX. “O Fórum Social Mundial nasceu de duas vertentes que não tem uma mesma fundamentação crítica: os novos movimentos sociais que começaram a surgir na década de 80 e as forças críticas anticapitalistas ligadas à nova esquerda marxista, não leninista, que floresceram após o fim da União Soviética. Essas duas vertentes deram o tom das duas primeiras edições do Fórum”.
Ainda segundo a avaliação do governador gaúcho, o desenvolvimento do processo de globalização pós-queda da União Soviética, sob uma hegemonia neoliberal, não encontrou nestas forças de esquerda ligadas ao Fórum Social Mundial uma resposta minimamente uniforme. “Assim, o Fórum que nasceu para ser uma grande articulação contrária a esse modelo de globalização, passou a ser fundamentalmente um espaço de debates”. Mas, no final da primeira década do século XXI, aponta Tarso Genro, esses debates sofreram um bloqueio importante: “uma parte das organizações, mais ligada à esquerda partidária, queria que o Fórum se tornasse uma nova internacional ; outra, ligada aos movimentos sociais, defendia um tipo de articulação política diferente deste da esquerda mais tradicional; e uma terceira parte achava que o Fórum deveria permanecer como um espaço de debates, sem estrutura organizativa”.
Nos últimos anos, prossegue, o Fórum foi marcado por esse debate e tenta hoje redimensionar sua atuação. “Estamos vivendo um largo período histórico de reorganização da esquerda em meio a um clima de decadência do neoliberalismo. Não existem hoje, na minha avaliação, condições teóricas e organizativas nem uma ideologia socialista compatível com os desafios da conjuntura que estamos vivendo. Não há, do ponto de vista da esquerda, a hegemonia de uma visão sobre como enfrentar as crises do capital globalizado. Não há tampouco, com exceção do Brasil e talvez alguns outros poucos países, um partido de esquerda forte capaz de enfrentar essa agenda”.
Daí, defende Tarso Genro, surgiria a grande tarefa do Fórum: “buscar elementos mínimos de unidade para elaborar um programa de resistência e um novo projeto socialista”.
O governador reconhece os obstáculos para a realização dessa tarefa. A esquerda, do ponto de vista de seus partidos, também atravessa um período de transição, assinala. “Mesmo os partidos mais tradicionais, como os comunistas e os social-democratas, apresentam muitas diferenças entre si. A social-democracia abandonou seu documento mais importante, que era a defesa do programa de proteção social. Alguns países, como Suécia, Noruega e Dinamarca, desenvolveram políticas muito avançadas nesta direção, durante cerca de 30, 40 anos, deixando um legado importante. Mas a realidade hoje é outra. Os PCs também seguiram por caminhos diferentes. Basta ver, para tomar dois exemplos, as políticas adotadas pelo PC chinês e o rumo centrista seguido pelo PC italiano e por outros partidos comunistas europeus”.
A tipologia tradicional dos partidos de esquerda hoje está esgotada, conclui Tarso Genro. “A esquerda precisa recuperar a ideia de socialismo, mas não há nenhum acordo sobre como fazer isso”.
Ele aponta, por outro lado, alguns exemplos e manifestações que indicam a possibilidade de um caminho. “Na América Latina, por exemplo, Brasil, Argentina e Venezuela, cada um ao seu modo, vem demonstrando a possibilidade concreta de construir outro modelo de desenvolvimento. Nos países europeus, novos movimentos sociais organizados rompem com a inércia dos partidos de esquerda mais tradicionais e saem às ruas pedindo democracia real contra a hegemonia do capital financeiro sobre a política”.
Esses movimentos, no entanto, ressalta, também já apresentaram um limite importante: eles ainda não conseguiram transcender o nível de mobilização de rua para o de organização política. “No lado dos partidos, as dificuldades não são menores. Se o PT, por exemplo, não pensar em como reorganizar suas relações com as bases da sociedade, vai envelhecer rapidamente”.
O governador do Rio Grande do Sul destaca, por fim, que nesses novos movimentos de esquerda que estão surgindo, não está presente a ideia do socialismo como um modelo fechado, como um modelo pronto de um novo modo de produção. “Hoje, o socialismo é, cada vez mais, uma ideia reguladora, um horizonte a ser perseguido, e não um modelo de produção pronto e fechado. Temos aí a possibilidade de uma ideia de socialismo renovado, com o surgimento de novas formas de empresas, empresas cooperativadas, empresas públicas sob controle social”.
Essa ideia de socialismo, acrescenta, “não extingue a dualidade entre Estado e sociedade civil, erro cometido por experiências socialistas passadas que acabaram estatizando a sociedade civil e privatizando o Estado”. “Essa foi uma lição cabal que tivemos: a extinção da sociedade civil foi um crime contra a ideia libertária de socialismo. A esquerda, na minha avaliação, não deve mais pensar o socialismo como uma ‘ideia do proletariado’, mas sim como de todos aqueles que querem uma sociedade emancipatória e justa”.
Marco Aurélio Weissheimer
No Carta Maior
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Paredão Brasil

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Os sanguessugas evangélicos

O Brasil descobriu que tem lobos vestidos de pastores; uma corja imunda. São os políticos evangélicos que gatunaram o Ministério da Saúde; testas-de-ferro de igrejas, apóstolos e bispos mentirosos que afirmavam haver necessidade de eleger crentes para o Congresso Nacional com um discurso de que almejavam os interesses do Reino de Deus.
Por favor, não insistam em me pedir que seja misericordioso com esses ratos alados: eles sugaram o sangue de brasileiros pobres. A única sugestão que tenho para eles é que cada um amarre uma corda no pescoço e se jogue de uma ponte para dentro de qualquer esgoto.
Por favor, não insistam comigo. Não serei compreensivo. Estou enfurecido. De nada me valerão argumentos de que esses políticos evangélicos podem ser escuma fétida, mas que pregam uma mensagem libertadora. Não tolero mais ouvir essa desculpa. Não acredito que a causa evangélica precise conviver com tanta ignomínia, desde que “salve almas”. Nenhuma “salvação” seria tão excelente que justifique essa indecência que veio à tona, mas que há tempos corre frouxa nos porões das mega “empresas-igrejas” que mercadejam esperanças.
Por favor, não insistam em me dizer que esses políticos foram inocentes úteis, ludibriados por máfias poderosas. Ora, ora, qual o grande discurso triunfalista evangélico, repetido até cansar? “Somos cabeça e não cauda!”. E agora? Depois que se ouviu tanto que a presença de políticos crentes no Congresso salgaria o Brasil, como se organizará a próxima “Marcha pela Salvação da Pátria?”.
Por favor, não insistam em me dizer que os ladrões são poucos, e que não representam o perfil evangélico. A bancada evangélica foi a maior desse escândalo das ambulâncias superfaturadas. Os crentes lideraram essa gigante maracutaia.
Se alguma igreja, que elegeu um desses congressistas, tivesse um mínimo de brio humano (nem precisaria ser brio cristão), deveria retirar do ar seu programa de televisão; pedir um tempo; expulsar seus políticos; prometer que jamais tentará eleger alguém; e fazer uma Reforma em sua teologia. Porém, sabe-se que isso jamais acontecerá, o que eles menos têm é vergonha na cara.
Por favor, não insistam em me pedir que algum dia me sente em qualquer evento, simpósio ou conferência na companhia dessas igrejas, ou que argumente sobre suas teologias e mentalidades. A Bíblia me proíbe de sentar na roda dos escarnecedores. Não devo considerá-los irmãos; esses pastores, bispos e apóstolos devem ser encarados como escroques, que merecem mofar na cadeia o resto da vida.
Por favor, não insistam que eu me cale diante de engravatados de Bíblia na mão, quando sei que eles tentam esconder sua condição de sepulcros caiados. Neles, cabe a carapuça de raça de víboras; mataram velhinhos, condenaram crianças e acabaram com os sonhos de muitas mães. Igrejas que se beneficiaram do esquema de roubo do orçamento da saúde merecem ser sepultadas numa vala comum, e tratadas com o mesmo desprezo que tratamos as empresas de fachada do narcotráfico.
Por favor, me acompanhe em minha indignação. Os líderes evangélicos não podem permanecer de braços cruzados, corporativamente defendendo meliantes fantasiados de sacerdotes.
Por favor, não esperemos que um próximo escândalo nos acorde de nossa complacência.
Há necessidade de uma reforma ética entre os evangélicos.
E ela tem que ser urgente.
Soli Deo Gloria.
Ricardo Gondim
No Maltrapilho de Abba!
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Truculência tem história

Só a título de curiosidade: a política higienista empreendida pelo governo do Estado no Pinheirinho e da prefeitura na Cracolândia tem antecedentes ilustres.
Em 1914, o então prefeito de São Paulo, Washington Luís (que viria a ser presidente da República, usou as seguintes palavras para justificar a violenta expulsão da população pobre da Várzea do Carmo para a construção do parque D. Pedro, no centro da capital:
“O novo parque não pode ser adiado porque o que hoje ainda se vê, na adiantada capital do Estado, a separar brutalmente do centro comercial da cidade os seus populosos bairros industriais, é uma vasta superfície chagosa, mal cicatrizada em alguns pontos e ainda escalavrada, feia e suja, repugnante e perigosa, em quase toda a sua extensão (...). É aí que, protegida pela ausência de iluminação se reúne e dorme, à noite, a vasa da cidade, numa promiscuidade nojosa, composta de negros vagabundos, de negras emaciadas pela embriagues habitual, de uma mestiçagem viciosa, de restos inomináveis e vencidos de todas as nacionalidades, em todas as idades, todos perigosos (...). Tudo isso pode desaparecer sendo substituído por um parque seguro, saudável e belo. Denunciando o mal e indicado o remédio, não há lugar para hesitações, por que a isso se opõem a beleza, a higiene, a moral, a segurança, enfim, a civilização e o espírito de iniciativa de São Paulo.”
Tirando uma palavra ou outra, parece discurso proferido pelas atuais autoridades paulistas.
Extrato do artigo de Gilberto Maringoni
No Carta Maior
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Petrobras chama Dora Kramer de mentirosa. M-E-N-T-I-R-O-S-A

Patrocínio: carta a Dora Kramer
Dora Kramer à esquerda...
Sobre a nota “Ainda no ar” (versão online), publicada na coluna da jornalista Dora Kramer (26/01), há um erro grave. Uma mentira, inadmissível. A diretora Maria das Graças Silva Foster não tem equipe de transição nem está fazendo levantamentos sobre patrocínios que foram concedidos pela Petrobras. A equipe que está trabalhando com a diretora é rigorosamente a mesma que trabalha com o presidente José Sergio Gabrielli de Azevedo. E a mesma equipe será mantida por ela, sem exceção, ao assumir a Presidência da companhia, no dia 13 de fevereiro.
Lamentavelmente, informações em off são a melhor forma encontrada para esconder interesses, mentiras e camuflar o jogo político. A Petrobras esclarece, ainda, que todas as propostas de patrocínio recebidas passam por análise técnica e jurídica e devem apresentar características como oportunidade de posicionamento da marca da Petrobras em regiões ou junto a públicos estratégicos ou relevância social e cultural. O patrocínio aos blocos e trios de Salvador visa valorizar e ampliar o conhecimento sobre a história do Carnaval baiano, além de expor a marca para milhares de pessoas, reforçando a imagem da Petrobras como maior patrocinadora da cultura brasileira.
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La genialidad de Chávez

El presidente Chávez presentó ante el Parlamento de Venezuela su informe sobre la actividad realizada en 2011 y el programa a ejecutar en el año actual. Después de cumplir rigurosamente las formalidades que demanda esa importante actividad, habló en la Asamblea a las autoridades oficiales del Estado, a los parlamentarios de todos los partidos, y a los simpatizantes y adversarios que el país reúne en su acto más solemne.
El líder bolivariano fue amable y respetuoso con todos los presentes como es habitual en él. Si alguno le solicitaba el uso de la palabra para alguna aclaración, le concedía de inmediato esa posibilidad. Cuando una parlamentaria, que lo había saludado amablemente igual que otros adversarios, solicitó hablar, interrumpió su informe y le cedió la palabra, en un gesto de gran altura política. Llamó mi atención la dureza extrema con que el Presidente fue increpado con frases que pusieron a prueba su caballerosidad y sangre fría. Aquello constituía una incuestionable ofensa, aunque no fuese la intención de la parlamentaria. Sólo él fue capaz de responder con serenidad al insultante calificativo de “ladrón” que ella utilizó para juzgar la conducta del Presidente por las leyes y medidas adoptadas.
Después de cerciorarse sobre el término exacto empleado, respondió a la solicitud individual de un debate con una frase elegante y sosegada “Águila no caza moscas”, y sin añadir una palabra, prosiguió serenamente su exposición.
Fue una prueba insuperable de mente ágil y autocontrol. Otra mujer, de incuestionable estirpe humilde, con emotivas y profundas palabras expresó el asombro por lo que había visto e hizo estallar el aplauso de la inmensa mayoría allí presente, que por el estampido de los mismos, parecía proceder de todos los amigos y muchos de los adversarios del Presidente.
Más de nueve horas invirtió Chávez en su discurso de rendición de cuentas sin que disminuyera el interés suscitado por sus palabras y, tal vez debido al incidente, fue escuchado por incalculable número de personas. Para mí, que muchas veces abordé arduos problemas en extensos discursos haciendo siempre el máximo esfuerzo para que las ideas que deseaba trasmitir se comprendieran, no alcanzo a explicarme cómo aquel soldado de modesto origen era capaz de mantener con su mente ágil y su inigualable talento tal despliegue oratorio sin perder su voz ni disminuir su fuerza.
La política para mí es el combate amplio y resuelto de las ideas. La publicidad es tarea de los publicistas, que tal vez conocen las técnicas para hacer que los oyentes, espectadores y lectores hagan lo que se les dice. Si tal ciencia, arte o como le llamen, se empleara para el bien de los seres humanos, merecerían algún respeto; el mismo que merecen quienes enseñan a las personas el hábito de pensar.
En el escenario de Venezuela se libra hoy un gran combate. Los enemigos internos y externos de la revolución prefieren el caos, como afirma Chávez, antes que el desarrollo justo, ordenado y pacífico del país. Acostumbrado a analizar los hechos ocurridos durante más de medio siglo, y de observar cada vez con mayores elementos de juicio la azarosa historia de nuestro tiempo y el comportamiento humano, uno aprende casi a predecir el desarrollo futuro de los acontecimientos.
Promover una Revolución profunda no era tarea fácil en Venezuela, un país de gloriosa historia, pero inmensamente rico en recursos de vital necesidad para las potencias imperialistas que han trazado y aún trazan pautas en el mundo.
Líderes políticos al estilo de Rómulo Betancourt y Carlos Andrés Pérez, carecían de cualidades personales mínimas para realizar esa tarea. El primero era además, excesivamente vanidoso e hipócrita. Oportunidades tuvo de sobra para conocer la realidad venezolana. En su juventud había sido miembro del Buró Político del Partido Comunista de Costa Rica. Conocía muy bien la historia de América Latina y el papel del imperialismo, los índices de pobreza y el saqueo despiadado de los recursos naturales del continente. No podía ignorar que en un país inmensamente rico como Venezuela, la mayoría del pueblo vivía en extrema pobreza. Los materiales fílmicos están en los archivos y constituyen pruebas irrebatibles de aquellas realidades.
Como tantas veces ha explicado Chávez, Venezuela durante más de medio siglo fue el mayor exportador de petróleo en el mundo; buques de guerra europeos y yankis a principios del siglo XX intervinieron para apoyar un gobierno ilegal y tiránico que entregó el país a los monopolios extranjeros. Es bien conocido que incalculables fondos salieron para engrosar el patrimonio de los monopolios y de la propia oligarquía venezolana.
A mí me basta recordar que cuando visité por primera vez a Venezuela, después del triunfo de la Revolución, para agradecer su simpatía y apoyo a nuestra lucha, el petróleo valía apenas dos dólares el barril.
Cuando viajé después para asistir a la toma de posesión de Chávez, el día que juró sobre la “moribunda Constitución” que sostenía Calderas, el petróleo valía 7 dólares el barril, a pesar de los 40 años transcurridos desde la primera visita y casi 30 desde que el “benemérito” Richard Nixon había declarado que el canje metálico del dólar dejaba de existir y Estados Unidos comenzó a comprar el mundo con papeles. Durante un siglo la nación fue suministradora de combustible barato a la economía del imperio y exportadora neta de capital a los países desarrollados y ricos.
¿Por qué predominaron durante más de un siglo estas repugnantes realidades?
Los oficiales de las Fuerzas Armadas de América Latina tenían sus escuelas privilegiadas en Estados Unidos, donde los campeones olímpicos de las democracias los educaban en cursos especiales destinados a preservar el orden imperialista y burgués. Los golpes de Estado serían bienvenidos siempre que estuvieran destinados a “defender las democracias”, preservar y garantizar tan repugnante orden, en alianza con las oligarquías; si los electores sabían o no leer y escribir, si tenían o no viviendas, empleo, servicios médicos y educación, eso carecía de importancia siempre que el sagrado derecho a la propiedad fuese sostenido. Chávez explica esas realidades magistralmente. Nadie conoce como él lo que ocurría en nuestros países.
Lo que era todavía peor, el carácter sofisticado de las armas, la complejidad en la explotación y el uso del armamento moderno que requiere años de aprendizaje, y la formación de especialistas altamente calificados, el precio casi inaccesible de las mismas para las economías débiles del continente, creaba un mecanismo superior de subordinación y dependencia. El Gobierno de Estados Unidos a través de mecanismos que ni siquiera consultan a los gobiernos, traza pautas y determina políticas para los militares. Las técnicas más sofisticadas de torturas se trasmitían a los llamados cuerpos de seguridad para interrogar a los que se rebelaban contra el inmundo y repugnante sistema de hambre y explotación.
A pesar de eso, no pocos oficiales honestos, hastiados por tantas desvergüenzas, intentaron valientemente erradicar aquella bochornosa traición a la historia de nuestras luchas por la independencia.
En Argentina, Juan Domingo Perón, oficial del Ejército, fue capaz de diseñar una política independiente y de raíz obrera en su país. Un sangriento golpe militar lo derrocó, lo expulsó de su país, y lo mantuvo exiliado desde 1955 hasta 1973. Años más tarde, bajo la égida de los yankis, asaltaron de nuevo el poder, asesinaron, torturaron y desaparecieron a decenas de miles de argentinos, y no fueron siquiera capaces de defender el país en la guerra colonial contra Argentina que Inglaterra llevó a cabo con el apoyo cómplice de Estados Unidos y el esbirro Augusto Pinochet, con su cohorte de oficiales fascistas formados en la Escuela de las Américas.
En Santo Domingo, el Coronel Francisco Caamaño Deñó; en Perú, el General Velazco Alvarado; en Panamá, el General Omar Torrijos; y en otros países capitanes y oficiales que sacrificaron sus vidas anónimamente, fueron las antítesis de las conductas traidoras personificadas en Somoza, Trujillo, Stroessner y las sanguinarias tiranías de Uruguay, El Salvador y otros países de Centro y Sur América. Los militares revolucionarios no expresaban puntos de vista teóricamente elaborados en detalles, y nadie tenía derecho a exigírselos, porque no eran académicos educados en política, sino hombres con sentido del honor que amaban su país.
Sin embargo, hay que ver hasta donde son capaces de llegar por los senderos de la revolución hombres de tendencia honesta, que repudian la injusticia y el crimen.
Venezuela constituye un brillante ejemplo del rol teórico y práctico que los militares revolucionarios pueden desempeñar en la lucha por la independencia de nuestros pueblos, como ya lo hicieron hace dos siglos bajo la genial dirección de Simón Bolívar.
Chávez, un militar venezolano de humilde origen, irrumpe en la vida política de Venezuela inspirado en las ideas del libertador de América. Sobre Bolívar, fuente inagotable de inspiración, Martí escribió: “ganó batallas sublimes con soldados descalzos y medio desnudos [...] jamás se peleó tanto, ni se peleó mejor, en el mundo por la libertad…”
“… de Bolívar -dijo- se puede hablar con una montaña por tribuna [...] o con un manojo de pueblos libres en el puño…”
“… lo que él no dejó hecho, sin hacer está hasta hoy; porque Bolívar tiene que hacer en América todavía.”
Más de medio siglo después el insigne y laureado poeta Pablo Neruda escribió sobre Bolívar un poema que Chávez repite con frecuencia. En su estrofa final expresa:
“Yo conocí a Bolívar una mañana larga,
en Madrid, en la boca del Quinto Regimiento,
Padre, le dije, eres o no eres o quién eres?
Y mirando el Cuartel de la Montaña, dijo:
‘Despierto cada cien años cuando despierta el pueblo’.”
Pero el líder bolivariano no se limita a la elaboración teórica. Sus medidas concretas no se hacen esperar. Los países caribeños de habla inglesa, a los que modernos y lujosos buques cruceros yankis le disputaban el derecho a recibir turistas en sus hoteles, restaurantes y centros de recreación, no pocas veces de propiedad extranjera pero que al menos generaban empleo, agradecerán siempre a Venezuela el combustible suministrado por ese país con facilidades especiales de pago, cuando el barril alcanzó precios que a veces superaban los 100 dólares.
El pequeño Estado de Nicaragua, patria de Sandino, “General de Hombres Libres”, donde la Agencia Central de Inteligencia a través de Luis Posada Carriles, después de ser rescatado de una prisión venezolana, organizó el intercambio de armas por drogas que costó miles de vidas y mutilados a ese heroico pueblo, también ha recibido el apoyo solidario de Venezuela. Son ejemplos sin precedentes en la historia de este hemisferio.
El ruinoso Acuerdo de Libre Comercio que los yankis pretenden imponer a la América Latina, como hizo con México, convertiría los países latinoamericanos y caribeños no solo en la región del mundo donde peor está distribuida la riqueza, que ya lo es, sino también en un gigantesco mercado donde hasta el maíz y otros alimentos que son fuentes históricas de proteína vegetal y animal serían desplazados por los cultivos subsidiados de Estados Unidos, como ya está ocurriendo en territorio mexicano.
Los automóviles de uso y otros bienes desplazan a los de la industria mexicana; tanto las ciudades como los campos pierden su capacidad de empleo, el comercio de drogas y armas crece, jóvenes casi adolescentes con apenas 14 ó 15 años, en número creciente, son convertidos en temibles delincuentes. Jamás se vio que ómnibus u otros vehículos repletos de personas, que incluso pagaron para ser transportados al otro lado de la frontera en busca de empleo, fuesen secuestrados y eliminados masivamente. Las cifras conocidas crecen de año en año. Más de 10 mil personas están perdiendo ya la vida cada año.
No es posible analizar la Revolución Bolivariana sin tomar en cuenta estas realidades.
Las fuerzas armadas, en tales circunstancias sociales, se ven forzadas a interminables y desgastadoras guerras.
Honduras no es un país industrializado, financiero o comercial, ni siquiera gran productor de drogas, sin embargo algunas de sus ciudades rompen el record de muertos por violencia a causa de las drogas. Allí se yergue en cambio el estandarte de una importante base de las fuerzas estratégicas del Comando Sur de Estados Unidos. Lo que allí ocurre y está ocurriendo ya en más de un país latinoamericano es el dantesco cuadro señalado, de los cuales algunos países, han comenzado a salir. Entre ellos, y en primer lugar Venezuela, pero no solo porque posee cuantiosos recursos naturales, sino porque los rescató de la avaricia insaciable de las transnacionales extranjeras y ha desatado considerables fuerzas políticas y sociales capaces de alcanzar grandes logros. La Venezuela de hoy es otra muy distinta a la que conocí hace solo 12 años, y ya entonces me impresionó profundamente, al ver que como ave Fénix resurgía de sus históricas cenizas.
Aludiendo a la misteriosa computadora de Raúl Reyes, en manos de Estados Unidos y la CIA, a partir del ataque organizado y suministrado por ellos en pleno territorio ecuatoriano, que asesinó al sustituto de Marulanda y a varios jóvenes latinoamericanos desarmados, han lanzado la versión de que Chávez apoyaba la “organización narco-terrorista de las FARC”. Los verdaderos terroristas y narcotraficantes en Colombia han sido los paramilitares que le suministraban a los traficantes norteamericanos las drogas, que se venden en el mayor mercado de estupefacientes del mundo: Estados Unidos.
Nunca hablé con Marulanda, pero sí con escritores e intelectuales honrados que llegaron a conocerlo bien. Analicé sus pensamientos e historia. Era sin dudas un hombre valiente y revolucionario, lo cual no vacilo en afirmar. Expliqué que no coincidía con él en su concepción táctica. A mi juicio, dos o tres mil hombres habrían sido más que suficientes para derrotar en el territorio de Colombia a un ejército regular convencional. Su error era concebir un ejército revolucionario armado con casi tantos soldados como el adversario. Eso era sumamente costoso y virtualmente imposible de manejar; se torna un imposible.
Hoy la tecnología ha cambiado muchos aspectos de la guerra; las formas de lucha también cambian. De hecho el enfrentamiento de las fuerzas convencionales, entre potencias que poseen el arma nuclear, se ha tornado imposible. No hay que poseer los conocimientos de Albert Einstein, Stephen Hawking y miles de otros científicos para comprenderlo. Es un peligro latente y el resultado se conoce o se debiera conocer. Los seres pensantes podrían tardar millones de años en volver a poblar el planeta.
A pesar de todo, sostengo el deber de luchar, que es algo de por sí innato en el hombre, buscar soluciones que le permitan una existencia más razonada y digna.
Desde que conocí a Chávez, ya en la presidencia de Venezuela, desde la etapa final del gobierno de Pastrana, siempre lo vi interesado por la paz en Colombia, y facilitó las reuniones entre el gobierno y los revolucionarios colombianos que tuvieron por sede a Cuba, entiéndase bien, para un acuerdo verdadero de paz y no una rendición.
No recuerdo haber escuchado nunca a Chávez promover en Colombia otra cosa que no fuera la paz, ni tampoco mencionar a Raúl Reyes. Siempre abordábamos otros temas. Él aprecia particularmente a los colombianos; millones de ellos viven en Venezuela y todos se benefician con las medidas sociales adoptadas por la Revolución, y el pueblo de Colombia lo aprecia casi tanto como el de Venezuela.
Deseo expresar mi solidaridad y estima al General Henry Rangel Silva, Jefe del Comando Estratégico Operacional de las Fuerzas Armadas, y recién designado Ministro para la Defensa de la República Bolivariana. Tuve el honor de conocerlo cuando en meses ya distantes visitó a Chávez en Cuba. Pude apreciar en él un hombre inteligente y sano, capaz y a la vez modesto. Escuché su discurso sereno, valiente y claro, que inspiraba confianza.
Dirigió la organización del desfile militar más perfecto que he visto de una fuerza militar latinoamericana, que esperamos sirva de aliento y ejemplo a otros ejércitos hermanos.
Los yankis nada tienen que ver con ese desfile y no serían capaces de hacerlo mejor.
Es sumamente injusto criticar a Chávez por los recursos invertidos en las excelentes armas que allí se exhibieron. Estoy seguro de que jamás se utilizarán para agredir a un país hermano. Las armas, los recursos y los conocimientos deberán marchar por los senderos de la unidad para formar en América, como soñó El Libertador, “…la más grande nación del mundo, menos por su extensión y riqueza que por su libertad y gloria”.
Todo nos une más que a Europa o a los propios Estados Unidos, excepto la falta de independencia que nos han impuesto durante 200 años.
Fidel Castro Ruz
Enero 25 de 2012
8 y 32 p.m.
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Charge online - Bessinha - # 1007

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O que houve em Pinheirinho?

A ação realizada pelo governo paulista por intermédio de sua Polícia Militar em Pinheirinho, São José dos Campos, usou o nome técnico de "reintegração de posse". Algum juiz chamaria, com base no direito que aprendeu, de reintegração de posse o que houve em Pinheirinho? Ou haveria como fazê-lo com base nos artigos e princípios reunidos pela Constituição?
Se o nome técnico de reintegração de posse é insuficiente para designar a ação realizada em Pinheirinho, o que houve lá, com a utilização abusiva de um mandado judicial, ato tecnicamente legítimo de um magistrado?
O ataque foi às seis da manhã. Para surpreender, como se deu, os ocupantes da ex-propriedade de Naji Nahas ainda dormindo ou nos seus primeiros afazeres pessoais.
O governo Alckmin e o prefeito de São José dos Campos, ainda que há muito sabedores de que a reclamada reintegração exigiria a instalação das 2.000 famílias desalojadas, não incomodaram nesse sentido o seu humanitarismo de peessedebistas.
Sair para onde? - Eis o impulso da resistência dos mais inconformados ou menos subjugados pelos séculos de história social que lhes cabe representar.
Não posso dizer o que acho que devessem fazer já à primeira brutalidade covarde da polícia. Seja, porém, o que for que tenham feito, o direito de defesa está na Constituição como integrante legítimo da cidadania. E se foi utilizado, duas razões o explicam.
Uma, a ação policial de maneiras e formas não autorizadas pelo mandado de reintegração de posse, por inconciliáveis com os limites legais da ação policial.
Segunda razão, a absoluta inexistência das alternativas de moradia que o governo Alckmin e o prefeito Eduardo Cury tinham a obrigação funcional e legal de entregar aos removidos, para não expulsar, dos seus forjados tetos para o danem-se, crianças, idosos, doentes, as famílias inteiras que viviam em Pinheirinho há oito anos.
Atendidas essas duas condições, só os que perdessem o juízo prefeririam ficar na área ocupada, e alguns até resistirem à saída. Logo, ficam ali caracterizadas as responsabilidades de quem faltou com seus deveres e, por ter faltado, recorreu à arbitrariedade plena: tiros e vítimas de ferimentos, surras com cassetetes e partes de armamentos (mesmo em pessoas de mãos elevadas, indefesas e passivas, como documentado); destruição não só das moradas, mas dos bens - perdão, bem nenhum - das posses mínimas que podem ter as pessoas ainda carentes de invasões para pensar que moram em algum lugar.
O que houve em Pinheirinho, São José dos Campos, SP, não foi reintegração de posse.
Essa expressão do direito não se destina a acobertar nem disfarçar crimes. Entre eles, o de abuso de poder contra governados.
Janio de Freitas
No Folha
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Desemprego fica em 4,7% em dezembro e fecha 2011 com média de 6,0%

A taxa de desocupação foi estimada em 4,7% em dezembro de 2011, a menor para o mês de dezembro e também a menor taxa de toda a série histórica da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) iniciada em março de 2002, registrando queda de 0,5 ponto percentual em relação ao resultado apurado em novembro (5,2%) e de 0,6 ponto percentual na comparação com dezembro de 2010 (5,3%).
Com esse resultado, na média dos 12 meses de 2011, a taxa de desocupação ficou em 6,0%, também a menor média anual, inferior em 0,8 ponto percentual à observada em 2010 (6,7%) e 6,4 pontos percentuais abaixo da média de 2003 (12,4%)
A população desocupada em dezembro de 2011 (1,1 milhão de pessoas) caiu 9,5% no confronto com novembro (menos 119 mil pessoas) e 9,4% em comparação com dezembro de 2010 (menos 118 mil pessoas). No ano de 2011, os desocupados somaram, em média, 1,4 milhão de pessoas, 10,4% a menos que em 2010 (1,6 milhão), o que representou menos 166 mil desocupados em um ano. Com relação a 2003, o contingente de desocupados, de 2,6 milhões, caiu 45,3% ou seja, nesse período a redução atingiu 1,2 milhão de pessoas.
A população ocupada (22,7 milhões) manteve-se estável frente a novembro e apresentou aumento de 1,3% no confronto com dezembro de 2010, o que representou elevação de 283 mil ocupados no intervalo de 12 meses. Na média de 2011, os ocupados somaram 22,5 milhões de pessoas, um contingente 2,1% maior que o de 2010 (22,0 milhões) e 21,3% superior a 2003.
O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado (11,2 milhões) não registrou variação na comparação com novembro e teve elevação de 6,0% na comparação com dezembro de 2010, o que representou um adicional de 638 mil postos de trabalho com carteira assinada no período de um ano. Esses resultados levaram, na média de 2011, a um recorde na proporção de trabalhadores com carteira assinada (10,9 milhões) em relação ao total de ocupados: 48,5%, frente a 46,3% em 2010 e 39,7% em 2003.
O rendimento médio real habitual dos ocupados (R$ 1.650,00, o valor mais alto para o mês de dezembro desde 2002) subiu 1,1% em comparação com novembro. Frente a dezembro de 2010, o poder de compra dos ocupados cresceu 2,6%. A média anual do rendimento médio mensal habitualmente recebido no trabalho principal foi estimada em R$ 1.625,46 (aproximadamente três salários mínimos), o que correspondeu a um crescimento de 2,7%, em relação a 2010. Entre 2003 e 2011, o poder de compra do rendimento de trabalho aumentou em 22,2%.
O rendimento domiciliar per capita aumentou de 2010 para 2011 em 3,8%. De 2003 para 2011, o crescimento chegou a 35,5%.
A massa de rendimento real habitual (R$ 37,8 bilhões) aumentou 0,7% em relação a novembro. Em comparação com dezembro de 2010, a massa cresceu 3,4%. A massa de rendimento real efetivo dos ocupados (R$ 40,9 bilhões), estimada em novembro de 2011, subiu 9,3% no mês e 7,1% no ano.
A massa de rendimento real mensal habitual (média anual) estimada para 2011, em R$ 36,9 bilhões, nas seis regiões metropolitanas, resultou em um aumento de 4,8% em relação a 2010 e 47,9% na comparação com 2003.
A Pesquisa Mensal de Emprego é realizada nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. A publicação completa da pesquisa pode ser acessada na página www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/
Taxa de desocupação de 2011 é inferior à de 2010 em 0,8 ponto percentual
Em 2011, foi registrado um contingente médio de 1,4 milhão de pessoas desocupadas, 10,4% inferior à média de 2010 (1,6 milhão), o que representou menos 166 mil desocupados em um ano. Em relação a 2003 (2,6 milhões de desocupados), houve redução de 45,3% no número de pessoas nessa situação (menos aproximadamente 1,2 milhão de pessoas).
A taxa de desocupação (proporção de pessoas desocupadas em relação à população economicamente ativa, que é formada pelos contingentes de ocupados e desocupados) de 2011 (média de janeiro a dezembro) foi estimada em 6,0%, 0,8 ponto percentual abaixo da observada em 2010 (6,7%). Na comparação com 2003, quando a taxa foi estimada em 12,4%, a redução foi de 6,4 pontos percentuais.
A tabela a seguir mostra a evolução da taxa de desocupação por ano para o total e cada uma das regiões pesquisadas pela PME.
População ocupada tem aumento de 2,1% de 2010 para 2011
A população ocupada no total das regiões da PME em 2011 (média de janeiro a dezembro) foi de 22,5 milhões de pessoas, 2,1% maior que a de 2010 (22,0 milhões) e 21,3% maior do que em 2003, um incremento de 4,0 milhões de pessoas. Esse crescimento foi inferior ao registrado de 2009 para 2010 (3,5%). Este resultado contribuiu para que o nível de ocupação (a proporção de ocupados, no total de pessoas com 10 anos ou mais de idade, na média dos 12 meses), passasse de 53,2%, em 2010, para 53,7%, em 2011 (em 2003 era 50,0%). Em relação a 2003, a população ocupada cresceu 21,3%.
Nas Regiões Metropolitanas de Belo Horizonte, São Paulo e Porto Alegre o nível da ocupação foi superior ao do conjunto das seis regiões metropolitanas, respectivamente, 57,0%, 55,8% e 55,1%, enquanto em Recife foi registrado o menor, de 46,6%.
Em 2011 a população ocupada estava distribuída entre 54,6% de homens (12,3 milhões de pessoas) e 45,4% de mulheres (10,2 milhões de pessoas). Como já observado em anos anteriores, as mulheres continuam sendo minoria na população ocupada e maioria na população em idade ativa. Contudo, a participação da mulher na população ocupada, embora não tenha variado em relação a 2011 (de 45,3% em 2010, para 45,4% em 2011), apresenta tendência de aumento (2,4 pontos percentuais em relação a 2003, quando era 43,0%).
Trabalhadores com carteira são 48,5% dos ocupados
Na média de 2011, 10,9 milhões de trabalhadores eram empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado. O percentual dos trabalhadores com carteira assinada em relação ao total de ocupados passou de 46,3% em 2010 para 48,5% em 2011 (em 2003 eram 39,7%).
Em todas as Regiões Metropolitanas, o percentual de empregados com carteira assinada no setor privado representou, aproximadamente, metade da população ocupada, variando e 43,9% no Rio de Janeiro a 52,0% em São Paulo. A região metropolitana de São Paulo continuou com a maior proporção desta categoria dentre os ocupados (52,0%). O Rio de Janeiro foi a Região Metropolitana que menor cresceu no período de 2003-2011 (6,8%), de tal forma que Recife e Salvador, que apresentaram as menores proporções até 2010, ultrapassaram o Rio de Janeiro em 2011.
Como consequência do aumento do contingente de trabalhadores com carteira assinada, também aumentou o número de trabalhadores que contribuíam para a previdência social. Em 2003, 61,2% das pessoas ocupadas contribuíam para a previdência; em 2010, 68,4% e, em 2011, esta proporção atingiu 71,0%.
Pessoas com 50 anos ou mais de idade representam 22,0% da população ocupada
De 2010 para 2011, houve um aumento significativo da participação da população de 50 anos ou mais de idade (4,0%, em relação a 2010) na população em idade ativa, alcançando o contingente 12,6 milhões. Nos grupos de 25 a 49 anos e 15 a 17 anos de idade, também houve crescimento, porém com menor intensidade (0,9% e 0,7%, respectivamente), enquanto nas demais faixas etárias analisadas houve queda ou estabilidade.
Na população ocupada, a presença das pessoas de 50 ou mais anos de idade no mercado de trabalho passou de 21,5% em 2010, para 22,0% em 2011, enquanto todos os demais grupos etários apresentaram redução ou estabilidade na participação relativa na ocupação no ano. Em 2003 o grupo de 50 anos ou mais representava 16,7% da população ocupada.
Trabalhadores com 11 anos ou mais de estudo são 60,7% da população ocupada
De 2010 para 2011, a escolaridade da população com 10 anos ou mais de idade aumentou. O percentual de pessoas com 11 anos ou mais de estudo cresceu 1,3 ponto percentual (passou de 44,5%, em 2010, para 45,8%, em 2011). Em 2003, este percentual era 34,3% (de 2003 para 2011 cresceu 11,4 pontos percentuais). Entre os trabalhadores, o avanço da população com 11 anos ou mais de estudo também foi percebido, passou de 59,2%, para 60,7%. De 2003 para 2011, o percentual de pessoas ocupadas com 11 anos ou mais de estudo cresceu 14,0 pontos percentuais (passou de 46,7%, para 60,7%).
Rendimento médio de trabalho aumenta, mas disparidades persistem
Em 2011, a média anual do rendimento médio mensal habitualmente recebido no trabalho principal foi estimada em R$ 1.625,46 reais (equivalente a aproximadamente três salários mínimos), a mais alta desde 2003, o que correspondeu a um crescimento de 2,7%, em relação a 2010. Entre 2003 e 2011, o poder de compra do rendimento de trabalho aumentou em 22,2%.
A pesquisa apontou disparidades entre os rendimentos de homens e mulheres e, também, entre brancos, pretos e pardos. Em 2011, em média, as mulheres ganhavam em torno de 72,3% do rendimento recebido pelos homens (R$ 1.343,81 contra R$ 1.857,64). A diferença permaneceu constante em relação a 2010, o que interrompe os avanços que ocorreram desde 2007. A menor proporção foi a registrada em 2003, de 70,8%.
O rendimento dos trabalhadores de cor preta ou parda, entre 2003 e 2011, teve um acréscimo de 38,6% para os pretos e 36,7% para os pardos, enquanto o rendimento dos trabalhadores de cor branca cresceu 22,4%. Mas a pesquisa registrou, também, que os trabalhadores de cor preta ou parda ganhavam, em média, em 2011, pouco mais da metade (pretos eram 52,3% e pardos 54,7%) do rendimento recebido pelos trabalhadores de cor branca – as médias anuais do rendimento foram de R$ 1.073,22 para os trabalhadores de cor preta e de R$ 1.121,44 para os de cor parda, enquanto a dos trabalhadores de cor branca foi de R$ 2.050,25. Em 2010, esta razão era 50,0% para os pretos e 53,7% para os pardos. Destaca-se que, em 2003, não chegava à metade (pretos era 46,2% e pardos 49,0%).
De 2010 para 2011, o rendimento aumentou em todas as formas de inserção: empregados sem carteira de trabalho assinada no setor privado (6,1%); militares e funcionários públicos estatutários (2,1%); trabalhadores por conta própria (4,0%); e trabalhadores com carteira de trabalho assinada no setor privado (1,4%). Para os empregadores o aumento foi de 3,0%.
O mesmo ocorreu nos grupamentos de atividade, todos apresentaram ganho no poder de compra do rendimento do trabalho. Em termos percentuais, os grupamentos com os maiores aumentos foram os que tinham os menores rendimentos. No período 2010-2011, houve ganho no rendimento dos grupamentos: indústria e construção, cerca de 5,0%; nos outros serviços, de 5,7%; nos serviços domésticos, de 5,6%.
Nos serviços domésticos, na comparação 2003 e 2011, foi verificado o maior aumento entre os grupamentos, 42,4%. Ainda em relação a 2003, outro grupamento de destaque foi o da construção, composto em sua maioria por pedreiros, que apresentou ganho de 37,1%, neste período. Apenas o grupamento dos serviços prestados as empresas apresentou perda (-1,8%), entre 2010 e 2011. Este grupamento, de 2003 para 2011, foi o que apresentou o menor percentual de ganho, 10,9%.
O rendimento domiciliar per capita aumentou 3,8% de 2010 (R$ 1.046,13) para 2011 (R$ R$ 1.085,66).
A massa de rendimento real mensal habitual (média anual) estimada para 2011, em R$ 36,9 bilhões, nas seis regiões metropolitanas, resultou em um aumento de 4,8% em relação a 2010 e 47,9% na comparação com 2003.
Resultados de dezembro de 2011: desocupação cai para 4,7%
Regionalmente, na comparação com novembro de 2011, a taxa de desocupação registrou variação significativa apenas no Rio de Janeiro (queda de 0,6 ponto percentual). Frente a dezembro de 2010, a Região Metropolitana de Recife apresentou queda de 2,2 pontos percentuais nesse indicador. Nas Regiões Metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte e São Paulo a taxa de desocupação atingiu o menor patamar da série.
O contingente de desocupados, estimado em 1,1 milhão de pessoas no agregado das seis regiões investigadas, atingiu o menor patamar da série histórica (iniciada em 2002) nas Regiões Metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte e São Paulo, o contingente de desocupados. A análise regional mostrou que, em relação a novembro, o contingente de desocupados assinalou queda no Rio de Janeiro (12,5%) e ficou estável nas demais regiões metropolitanas. No confronto com dezembro de 2010, verificou-se queda expressiva na Região Metropolitana de Recife (32,6%) e nas demais regiões não foram observadas variações significativas.
Para a população ocupada (22,7 milhões de pessoas), em dezembro de 2011, no total das seis regiões metropolitanas, na análise por grupamentos de atividade econômica, de novembro para dezembro de 2011, ocorreu queda de 2,6% na Educação, saúde, serviços sociais, administração pública, defesa e seguridade social e os demais grupamentos não registraram movimentação significativa. No confronto com dezembro de 2010, ocorreram acréscimos nos Serviços prestados a empresas, aluguéis, atividades imobiliárias e intermediação financeira, 10,5% (mais 357 mil pessoas) e na Construção, 7,7% (mais 126 mil pessoas).O grupamento dos Serviços domésticos apresentou retração de 5,0% (menos 81 mil pessoas) e os demais grupamentos permaneceram estáveis.
Considerando o nível da ocupação, estimado em dezembro de 2011 em 54,0% para o total das seis regiões, não variou frente a novembro último e também ficou estável em relação a dezembro de 2010. Regionalmente, na comparação mensal, todas as regiões metropolitanas mantiveram resultados estáveis, exceto a do Rio de Janeiro, onde o indicador apresentou queda de 1,0 ponto percentual. Frente a dezembro de 2010, ocorreu variação significativa apenas em Salvador (declínio de 2,3 pontos percentuais).
Em dezembro de 2011, os trabalhadores com carteira assinada no setor privado (11,2 milhões de pessoas) representavam 49,3% das pessoas ocupadas.
O rendimento médio real habitual dos trabalhadores na análise regional, em relação a novembro de 2011, subiu em Salvador (1,3%), Belo Horizonte (1,3%), Rio de Janeiro, (2,2%) e São Paulo (1,4%). Caiu em Recife (4,2%) e ficou estável em Porto Alegre. Na comparação com dezembro de 2010, o rendimento cresceu em Recife (2,7%), Salvador (12,4%), Belo Horizonte (5,5%) e São Paulo (2,4%). Ocorreu declínio em Porto Alegre (0,5%) e ficou estável no Rio de Janeiro.
Na análise mensal do rendimento médio real habitual por grupamentos de atividade, foi verificado ganho em Indústria extrativa, de transformação e distribuição de eletricidade, gás e água (0,9%), Construção (5,3%), Serviços prestados a empresas, aluguéis, atividades imobiliárias e intermediação financeira (3,3%), Educação, saúde, serviços sociais, administração pública, defesa e seguridade social (1,1%), Serviços domésticos (0,5%) e Outros serviços (1,8%). Foi verificada queda em Comércio, reparação de veículos automotores e de objetos pessoais e domésticos e comércio a varejo de combustíveis (3,2%). Na comparação com dezembro de 2010, foi verificado ganho em Indústria extrativa, de transformação e distribuição de eletricidade, gás e água (1,4%), Construção (13,4%), Serviços prestados à empresas, aluguéis, atividades imobiliárias e intermediação financeira (0,9%), Educação, saúde, serviços sociais, administração pública, defesa e seguridade social (0,9%), Serviços domésticos (5,3%) e Outros serviços (6,2%), enquanto houve queda em Comércio, reparação de veículos automotores e de objetos pessoais e domésticos e comércio a varejo de combustíveis (3,3%).
Por posição na ocupação, em relação a novembro, houve ganho para os empregados sem carteira de trabalho assinada no setor privado (1,5%) e trabalhadores por conta própria (1,1%). Houve queda para os empregados sem carteira de trabalho assinada no setor privado (2,5%). Já para os militares e funcionários públicos, foi verificada estabilidade.
Na comparação com dezembro de 2010, houve ganhos para todas os empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado (2,5%), militares ou funcionários públicos estatutários (1,6%) e trabalhadores por conta própria (4,6%). Já os empregados sem carteira de trabalho assinada no setor privado tiveram queda de 2,7%.
Em relação a novembro, o rendimento domiciliar real habitual per capita dos ocupados (R$ 1.079,86) cresceu 0,9%. Em relação a dezembro de 2010, o aumento foi de 2,5%. Na tabela abaixo, os valores e as variações desse indicador para as seis regiões metropolitanas investigadas pela PME.

No IBGE
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Autoridades não entenderam nada em Pinheirinho

Encerrada a ação de despejo de 6 mil pessoas na comunidade de Pinheirinho, em São José dos Campos, ocorreu uma troca de congratulações e cumprimentos entre as autoridades. Vejam o que disse um coronel da PM: “Estamos bastante exaustos, foram vários dias de trabalho, mas felizes porque não houve nenhuma vítima na relação com a Polícia Militar. Com isso, a PM cumpriu seu papel de apoio ao poder judiciário”.
Um representante da Justiça lembrou do massacre de Eldorado do Carajás, para elogiar o despejo no Pinheirinho. Em 1996, no Sul do Pará, 19 trabalhadores foram mortos pela PM quando realizavam um protesto pela demarcação de terras. Disse ele: “Gostaríamos de expressar nosso agradecimento pelo belo trabalho executado pela Polícia Militar. Uma ação bem planejada e muito bem executada. Para aqueles que imaginavam que haveria um novo Eldorado do Carajás, um massacre, essa ação limpa demonstrou que esses temores eram absolutamente infundados. Hoje se cumpre a reintegração de posse”.
A verdadeira pergunta é: “belo trabalho”?
Do ponto de vista de quem se pode falar numa “ação bem planejada e muito bem executada”? Quem é que está ”exausto” depois de domingo?
Leia uma rápida descrição da vida real num abrigo improvisado:
“Falta de água, calor excessivo, superlotação, pessoas passando mal, crianças chorando: em questão de minutos, o novo abrigo para os moradores despejados da comunidade Pinheirinho, um ginásio no bairro Parque do Morumbi, zona sul de São José dos Campos (SP), virou um caos. Os dois únicos banheiros do ginásio estão sem água. Os chuveiros e as descargas não funcionam. Os desabrigados reclamam do calor excessivo no interior do local. Até as 18h desta quarta-feira (25), pelo menos quatro pessoas foram hospitalizadas após se sentirem mal. As cerca de 1 mil pessoas que foram alojadas no local estavam na igreja do bairro Campo dos Alemães, vizinho ao Pinheirinho, onde não estavam recebendo assistência da prefeitura. Elas haviam se recusado a ir a abrigos da prefeitura — onde os alojados recebem comida, produtos de higiene e colchões — temendo as condições do local.
Hoje, decidiram migrar para o ginásio, após a igreja alegar não ter mais condições de abrigar as famílias. Caminharam por cerca de 4 km, sob um calor de 35ºC, até o novo abrigo. Diante da situação, a Prefeitura de São José dos Campos decidiu que irá distribuir as pessoas em outros abrigos – um deles no Jardim do Sol, também na zona sul do município.”
Diante dessa situação, a troca de congratulações chega a ser falta de pudor. O sofrimento dessas famílias merece mais consideração.
A falta de compaixão expressa a incapacidade de entender que, em qualquer circunstancia, o ponto de honra do Estado deve ser a proteção dos desprotegidos, dos que ficam sem casa nem abrigo, mesmo que essa ação tenha base legal e jurídica. São famílias de trabalhadores.
A situação criada não pode ser motivo de alegria.
Parece tranquilizador mas é preocupante quando uma autoridade se diz feliz porque não ocorreu um novo massacre de Carajás. Quando se recorda que 19 pessoas foram mortas a tiro pela PM do Sul do Pará, cabe perguntar: a PM paulista iria agir com a mesma violência? Não teria outra forma de fazer cumprir a lei?
Cumprir a lei às custas da dor e do desamparo dos mais fracos sempre foi mais fácil.
Mas caberia ser mais cuidadoso diante de uma operação de demolição de um pequeno bairro popular, com biroscas, esgoto a céu aberto, igrejas, para devolver o patrimônio a um mega empresário, Naji Nahas, conhecido pelos cavalos de corrida, comportamento especulativo e por muitas relações incestuosas com tantos governantes.
Os milionários também tem direito a defender seus direitos mas o risco de criar um caso simbólico, uma impressão de esculacho geral em prejuízo dos mais pobres é muito grande.
Quando não se olha para isso, o cumprimento da lei pode ser inócuo e até inútil. Temendo transformar-se em alvo de represálias, o representante da Selecta, empresa que recuperou aquelas terras imensas, nem saiu do carro para assinar o documento de reintegração de posse.
Nossas autoridades não entenderam nada.
Paulo Moreira Leite
No Vamos combinar
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Uma homenagem aos eleitores dos tucanos

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A marca da maldade (e da destruição) de Alckmin e Cury

Nunca vi coisa tão monstruosa como demolir casas de alvenaria (veja o vídeo), levantadas e melhoradas com dificuldade ao longo dos anos, onde era o lar de famílias com crianças e idosos, para deixá-los sem nenhum teto, tornando-os refugiados, para recomeçar a vida do zero.
Até na ditadura, havia construção de conjuntos habitacionais, antes de remover favelas.
Nada explica um prefeito e um governador, em vez de construir casas, demolir.
O cidadão de São José dos Campos e de São Paulo paga imposto para o governo fazer isso?
São José dos Campos tem só 2 mil domicílios em favelas. Facílimo de resolver, para uma cidade tão rica!
A cidade de São José dos Campos tinha 189.587 domicílios ocupados em 2010, segundo o censo do IBGE.
Só 2.015 domicílios são em aglomerados subnormais (favelas). Facílimo de resolver para uma cidade rica. Mais fácil ainda quando 1.700 domicílios eram no Pinheirinho, e o a massa falida de Naji Nahas devia R$ 16 milhões de IPTU.
A cidade é o 19º PIB municipal do Brasil. Tem centros tecnológicos de ponta com investimentos federais (ITA, INPE, etc), e um parque industrial que recebe bilhões do BNDES. Tudo isso alavanca a economia e a arrecadação da cidade.
O mínimo que poderia se esperar de um prefeito com recursos tão grandes e problemas tão pequenos, é promover a ascensão social da pequena parcela da camada mais pobre da população, para a inclusão social e produtiva, erradicando a pobreza na cidade.
Mas o prefeito tucano não se contentou em deixar os mais pobres apenas abandonados, tomou decisões também para arruinar suas vidas.
Demolir aquelas casas, sem ter outra para mudar, é demolir a vida das pessoas, é desestruturar famílias. É semear a revolta em crianças que viram sua família ser arrancada de casa à força, para passar um trator um cima.
É muita maldade fazer o povo sofrido, sofrer à toa de novo, destruindo o pouco que tem, por pura ganância de dinheiro e mesquinharia por poder.
E não me venha falar em ordem judicial, porque quem não concorda, contesta.
E mesmo que a constestação judicial não seja acatada, o governador pode sim, em casos extremos descumprir e "peitar" uma ordem judicial insana. O juiz pode até mandar prender o governador que descumprir, mas isso nunca acontece, pelas consequências políticas, o que sempre obriga a uma conciliação.
Alckmin e o prefeito Eduardo Cury, não foram apenas omissos, eles agiram politicamente para esse desfecho ao criar dificuldades para viabilizar uma solução.
O prefeito queria "limpar a área" para "empreendimentos econômicos" (ele diz isso em uma entrevista: que a área tem "vocação industrial"). E queria quebrar a espinha dorsal de uma comunidade cujo líder comunitário era de um partido de oposição, o PSTU. É coisa de fascista desumano. E Alckmin concordou com tudo isso, pois não moveu um dedo para viabilizar a regularização das casas, e moveu 2000 policias para exterminar 1700 lares.
Alckmin e Eduardo Cury são os senhores desgraça, exterminadores de lares e desagregadores de famílias.
Semeiam a desesperança, a descrença na justiça e no sistema, e a revolta na cabecinha daquelas crianças e de todo mundo que tem um mínimo de senso de humanidade.
Que colham tudo o que plantaram, caindo no ostracismo político do qual nunca deveriam ter saído.
Tomara que nestes corpo-a-corpo de campanha eleitoral, venham pedir voto nas próximas eleições à um ex-morador do Pinheirinho. É só olhar no fundo dos olhos e dizer: o "senhor" arrancou a minha família da minha casa e passou um trator em cima, seu @#&. Vá pedir votos ao Naji Nahas.
Em tempo: A velha imprensa quer "socializar" os senhores desgraça, jogando a responsabilidade para o governo federal. É pura mentira.
Leia a nota da Secretaria-Geral da Presidência da República onde mostra que o acordo de suspensão por 15 dias não foi cumprido.
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Saudade do Ted Boy Marino

Alguma coisa aconteceu no coração do Brasil quando acabaram com as lutas de “catch”. Elas eram um sucesso na TV e seus astros viajavam em caravanas pelo país, apresentando-se em ginásios e circos. As lutas não eram lutas, eram teatro. Não eram exatamente combinadas, mas seguiam um roteiro estabelecido e havia um acordo tácito de que ninguém sairia do ringue machucado, mesmo que saísse arremessado.
O roteiro básico não variava: era os bons contra os maus, e os bons sempre ganhavam. Ou só perdiam quando o adversário traiçoeiro recorria a um golpe especialmente baixo, sob uivos de raiva da plateia. E a reação da plateia fazia parte do teatro. Havia uma suspensão voluntária de descrença, e todos torciam pelo Bem contra o Mal — ou pelo bonito contra o feio, o esbelto contra o barrigudo, o correto contra o falso — com um fervor que não excluía a consciência de que era tudo encenação.
Era fácil distinguir os bons e os maus. Os bons eram atletas como o Ted Boy Marino, caráter tão irretocável quanto os seus cabelos loiros, que lutava limpo. Os maus tinham nomes como Verdugo e Rasputin, e comportamento correspondente ao nome. Lembro de um Homem Montanha, que mais de uma vez derrubou o juiz junto com o adversário. E não havia um Tigre Paraguaio?
Os bons geralmente começavam apanhando e, quando parecia que estavam liquidados e que o Mal triunfaria, vinha a eletrizante reação, durante a qual o inimigo pagava por todas as suas maldades. Humilhação e vingança, nada na história do teatro é tão antigo e tão eficaz. Nove entre dez novelas de televisão têm o mesmo enredo.
Não sei se ainda fazem espetáculos de “catch” pelo interior do país. Hoje na TV o que se vê é o “ultimate fighting”, ou “mixed martial arts”, dois lutadores simbolizando nada trocando socos e pontapés sem simulação, quando não se engalfinham no chão como um bicho de duas costas e oito patas em convulsão.
Nessas lutas não vale, exatamente, tudo — parece que esgoelar o outro e xingar a mãe não pode. Mas é o “catch” despido da fantasia, com sangue de verdade. Não há mais mocinho e vilão, apenas duas máquinas de brigar, brigando.
Nem Ted Boy Marino nem Homem Montanha, apenas a violência em estado puro. Sei não, acho que empobrecemos.
Luís Fernando Veríssimo
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Charge online - Bessinha - # 1006

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Saiba como funciona a mente de um corrupto

Na concepção freudiana todo homem veio ao mundo para cumprir duas premissas básicas: amar e ser amado. Sigmond Freud, indiscutivelmente um dos maiores gênios da humanidade, na primeira metade do século passado sintetizara bem a missão para qual os homens foram predestinados.
Continuando com Sigmond, este estudou e descreveu os mecanismos de defesa inconsciente do ego, que são: recalque, repressão, negação, sublimação, racionalização, projeção, deslocamento e formação de reação.
De posse dessas conclusões, observa-se que certo indivíduo no afã de ser amado e aceito por todos, apega-se ao poder como forma de proteção à sua auto-imagem, ou seja, ele necessita estar exercendo o poder ( e pra isso não tem limites) para se sentir amado e protegido.
Assim, ele desenvolve neuroses e psicoses baseadas na crença de que somente será aceito se estiver no exercício do poder; e poder deriva, na mente deturpada de nosso personagem, de patrimônio; não importando a quem pertença… se for público melhor. Eis aqui o exemplo clássico de que o ter é mais importante que o ser. É a independência completa entre o poder em relação à moral - os fins justificam os meios empregados.
Daí, nosso sujeito predisposto à corrupção, desenvolve uma série de atitudes que culminam com um comportamento constrangedor, doloroso e desorganizador que deságua na deformação da realidade: o poder acima de qualquer coisa.
Este personagem, normalmente dotado de baixa auto-estima, apresenta frustração que o leva a uma desorganização de comportamento, agindo de acordo com os seus interesses e sem grandes considerações à palavra empenhada ou aos acordos estabelecidos; assim a necessidade e desejo de auto-realização jamais serão supridos totalmente, faltar-lhe-á sempre algo.
Aliados a esses fatores, os aspectos do capitalismo que inferem que o poder está vinculado ao dinheiro. Têm-se, portanto, a mistura para a realização dessa desastrosa combustão: a personalidade do corrupto.
O que explica, por exemplo, um magistrado que tem um salário altíssimo receber propina para decidir a favor de fulano ou beltrano?
- É a crença de que mais dinheiro, mais poder, mais amigos, mais felicidade… É O RELATIVISMO MORAL.
Welliton Resende - Auditor - Controladoria Geral da União - CGU
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