10 de jan de 2012

Ignorância e Preconceito papal

O papa bento XVI constuma dar algumas declarações infelizes, como afirmar que a distribuição e uso de preservativos podem aumentar o problema da Aids. Isso demonstra certo desleixo com uma mínima educação científica ou compromisso com a verdade.
Que ele seja preconceituoso também não me surpreende, pois isso está no cerne da religião que ele lidera. Na verdade, eu nem deveria dar atenção a um cara desse. Mas como há muitas pessoas que realmente ouvem o que ele diz, vale a pena perder um tempinho para jogar uma pá de cal em algumas de suas opiniões.
Nesta segunda-feira, 09/01/2012, o referido papa declarou que o casamento homossexual é uma das várias ameaças atuais à família tradicional e que ameaçaria “o próprio futuro da humanidade“, pois segundo ele a educação das crianças precisa de “ambientes adequados” e “o lugar de honra cabe à família, baseada no casamento de um homem com uma mulher“. A família seria, na visão do papa, “a célula fundamental de cada sociedade“, e a conclusão a que ele chega é que “políticas que afetam a família ameaçam a dignidade humana e o próprio futuro da humanidade“.
Vejam bem, não é preciso ser nenhum gênio para interpretar as palavras de Joseph Ratzinger. Ele pretende estabelecer uma relação direta entre o casamento homossexual e uma suposta ameaça à dignidade humana e educação de crianças em ambientes inadequados. E é aí que reside todo seu podre preconceito, e como não poderia deixar de ser, tal preconceito é filhote direto da ignorância.
Não há qualquer indício de evidência que aponte para problemas decorrentes da criação de crianças por casais homossexuais, e não é por falta de estudos. Por exemplo, um trabalho de 1995 publicado no periódico Developmental Psychology sugere que, se há alguma diferença na forma como são criadas crianças por casais tradicionais ou por casais de lésbicas, as crianças com duas mães levam vantagem. Como apontou Carlos Orsi em um texto publicado sobre o assunto, uma metanálise publicada em 2010, avaliando vários estudos sobre o impacto do tipo de família (casal heterossexual, pai solteiro, mãe solteira, casal gay masculino, casal gay feminino) na criação dos filhos conclui que crianças criadas por duas mães tendem a receber mais amor, atenção e carinho, mas que “o sexo dos pais (…) tem uma significância mínima na saúde psicológica ou no sucesso social” dos filhos.
Está pouco? Tem mais. Abaixo há uma lista de estudos que pode ser conferida em um post do blog “Paul Cameron refutado“; são trabalhos que evidenciam o fato de uniões homossexuais reportarem o mesmo nível de estresse que relações heterossexuais e crianças não serem afetadas psicologicamente por serem criadas por famílias homossexuais, o que ajuda a destruir a argumentação rasteira do papa:
2005 Lambert S. Family Journal: Counseling & Therapy for Couples & Families 13(1): 43-51. “Gay and Lesbian Families: What We Know and Where to Go From Here”
2004 Wainright J. Child Development 75(6): 1886-1898. “Psychosocial Adjustment, School Outcomes, and Romantic Relationships of Adolescents With Same-Sex Parents”
2003 Golombok S. Developmental Psychology 39: 20-33. “Children with lesbian parents: A community study.”
2003 Millbank J. Australian Journal of Social Issues 38: 541-600. “From here to maternity: A review of the research on lesbian and gay families.”
2002 Vanfraussen K. Journal of Reproductive and Infant Psychology 20: 237-252. “What does it mean for youngsters to grow up in a lesbian family created by means of donor insemination.”
2002 Golombok S. British Medical Journal 234: 1407-1408. “Adoption by lesbian couples.”
2002 Anderssen N. Scandinavian Journal of Psychology 43(4): 335-351. “Outcomes for children with lesbian or gay parents: A review of studies from 1978 to 2000″
2002 Perrin E. Pediatrics 109: 341-344. “Technical report: Coparent or second-parent adoption by same-sex partners.”
2001 Stacey J. American Sociological Review 66: 159-183. “(How) Does the Sexual Orientation of Parents Matter?”
2000 Patterson C. Journal of Marriage and the Family 62: 1052-1069. “Family relationships of lesbians and gay men.”
1999 Fitzgerald B. Marriage and Family Review 29(1): 57-75. “Children of lesbian and gay parents: A review of the literature”
1999 Tasker F. Clinical Child Psychology and Psychiatry 4(2): 153-166. “Children in lesbian-led families: A review”
1998 Binder R. Journal of the American Academy of Psychiatry and the Law 26(2): 267-276. ” American Psychiatric Association resource document on controversies in child custody: Gay and lesbian parenting, transracial adoptions, joint versus sole custody, and custody gender issues.”
1998 McNeill K. Psychological Reports 82:59-62. ” Families and parenting: A comparison of lesbian and heterosexual mothers”
1998 Parks C. American Journal of Orthopsychiatry 68(3): 376-389. “Lesbian parenthood: A review of the literature”
1997 Brewaeys A. Human Reproduction 12:1349-59
1997 Brewaeys A. J of Psychosomatic Obs and Gyn 18:1-16
1997 Patterson C. Advances in Clinical Child Psychology 19:235-282. “Children of lesbian and gay parents”
1997 Tasker F. Journal of Divorce and Remarriage 1997 28 (1-2) 183-202. “Young People’s Attitudes toward Living in a Lesbian Family: A Longitudinal Study of Children Raised by Post-Divorce Lesbian Mothers”
1996 Allen M. J of Homosexuality 32(2):19-35. “Comparing the impact of homosexual and heterosexual parents on children: Meta-analysis of existing research”
1996 Golombok S. Developmental Psychology 32 (1) p3-11. “Do Parents Influence the Sexual Orientation of Their Children? Findings from a Longitudinal Study of Lesbian Families.”
1996 Patterson C. Journal of Social Issues 52(3): 29-50. “Lesbian and gay families with children: Implications of social science research for policy”
1995 Bailey J. Developmental Psychology 31(1): 124-129. “Sexual orientation of adult sons of gay fathers.”
1995 Flaks D. Developmental Psychology 31(1): 105-114. “Lesbians choosing motherhood: A comparative study of lesbian and heterosexual parents and their children.”
1995 Fowler G. Family and Conciliation Courts Review 33(3): 361-376.”Homosexual parents: Implications for custody cases”
1995 Tasker F. Am J of Orthopsychiatry 65:203-15. “Adults Raised as Children in Lesbian Families”
1995 van-Nijnatten C. Medicine and Law 14(5-6): 359-368. “Sexual orientation of parents and Dutch family law.”
1995 Victor S. School Psychology Review 24(3): 456-479. ” Lesbian mothers and the children: A review for school psychologists.”
1994 McIntyre D. Mediation Quarterly 12(2), winter, 135-149. “Gay Parents and Child Custody: A Struggle under the Legal System”
1993 Patterson C. , Annual Progress in Child Psychiatry and Child Development 33-62 “Children of Lesbian and Gay Parents”
1992 Baggett C. Law and Psychology Review 16: 189-200. “Sexual orientation: Should it affect child custody rulings.”
1987 Kirkpatrick M. J of Homosexuality 14:201-11. “Clinical Implications of Lesbian Mother Studies”
1986 Green R. Archives of Sexual Behavior 15:167-184. “Lesbian Mothers and Their Children: A Comparison with Solo Parent Heterosexual Mothers and Their Children”
1986 Kleber D. Bulletin of the Am Acad of Psychiatry and Law 14(1):81-87. “The impact of parental homosexuality in child custody cases: A review of the literature”
1983 Golombok S. J of Child Psychology and Psychiatry 24:551-572. “Children in lesbian and single-parent households: Psychosexual and psychiatric appraisal”
1982 Green R. Bulletin of the Am Acad of Psychiatry and Law 10:7-15. “The best interests of the child with a lesbian mother”
1981 Hoeffer B. Am J of Orthopsychiatry 51:536-44. “Children’s acquisition of sex-role behavior in lesbian-mother families”
1981 Kirkpatrick M. Am J of Orthopsychiatry 51:545-551. “Lesbian mothers and their children: A comparative survey”
1981 Miller J. J of Homosexuality 7(1):49-56. “The child’s home environment for lesbian vs. heterosexual mothers: A neglected area of research”
1980 Lewis K. Social Work 25:198-203. “Children of Lesbians: Their Point of View”
Parafraseando o que escreveu Carlos Orsi no texto citado, talvez seja um pouco demais pedir que um senhor que acredita que “um biscoito se transforma em carne humana ao mesmo tempo em que continua a ser um biscoito” seja capaz de ver um pouco além de suas crenças e seus preconceitos e estude o conhecimento científico pertinente a um tema antes de dar declarações tão graves como essas.
Mas eu espero que, pelo menos, parte dos milhões de católicos que existem por aí não caiam na lábia preconceituosa do atual liíer supremo de sua igreja.
Alex Rodrigues
Adaptado do blog O Lado Oculto da Lua
No Bule Voador
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Latuff mostra o que é o Partido da Imprensa Golpista (PIG)

Este vídeo foi produzido com trechos de editoriais de jornais brasileiros logo após o golpe militar de 1º de abril de 1964. Baseado na postagem de Cristiano Freitas Cezar no blog Crítica Midiática.
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Maurício Porto in Concert

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A nova ameaça dos Estados Unidos

Com as prévias dos republicanos em Iowa, iniciou-se o processo eleitoral norte-americano. Barack Obama não pôde ou não quis cumprir suas promessas de candidato, durante o primeiro mandato. Provavelmente, além do cerco da direita republicana e de seu próprio partido, lhe tenha faltado o carisma, esse atributo necessário aos grandes líderes a fim de mobilizar o povo, sobretudo na sociedade mitológica dos Estados Unidos. O mundo grego foi criado a partir dos deuses e titãs; os Estados Unidos se construíram na eliminação dos nativos e se consolidaram com a invenção dos rangers texanos e dos cowboys da fronteira do sudoeste. A violência é um dos fundamentos da alma norte-americana.
Obama não parecia esculpido desse mesmo barro e poderia ter sido o homem destinado a liderar novo ciclo de esquerda na história norte-americana, como foram os períodos de Jackson, Lincoln, Cleveland, Wilson e Franklin Roosevelt. A realidade demonstrou que, se o povo podia mudar os rumos do país, Obama não conseguiu ser o líder que ele esperava.
Obama não é o melhor para o seu país nem para o mundo, mas seu sucessor republicano – se a direita vencer em novembro – será ainda pior. Mitt Rommey, que ganhou, por pouco, o “caucus” do Iowa e, provavelmente, será vencedor das primárias de New Hampshire, é visto como “moderado”, de acordo com seu desempenho como governador de Massachusetts. No entanto, para agradar ao eleitorado mais conservador, Rommey está se alinhando à extrema direita. Os sinais, com o fraco desempenho do Tea Party, e a divisão dos republicanos, na prévia de Iowa, estão indicando a reabilitação de Barack Obama. Ele pode não ser o melhor, mas qualquer republicano seria pior.
Obama acaba de anunciar a redução dos gastos militares norte-americanos, mas não se trata de alívio para o mundo, e sim, de nova ameaça. O presidente reafirma o velho panfleto do “Destino Manifesto”, ao assegurar que os Estados Unidos, com tal medida, não irão perder a hegemonia, mas, ao contrário, consolidá-la. Parte do projeto – vista como claro desafio aos chineses – é o de aumentar a presença dos Estados Unidos na Ásia. Mas continuarão a exercer sua influência na América Latina, e a usar mais recursos tecnológicos e menos homens nos combates e na ocupação. Em suma, pretendem usar armas de destruição em massa teleguiadas, como as bombas-voadoras recentemente testadas, robôs manejados do Pentágono para a ocupação de áreas “inimigas”, guerra no ciberespaço, mais espionagem ainda,operações clandestinas para a eliminação de adversários no exterior e, embora não esteja explícita, a guerra biológica. As linhas básicas são as de “combate ao terrorismo” e de proibição do acesso à tecnologia nuclear e outras.
O projeto, do Secretário de Defesa, pode parecer efetivo, mas, do ponto de vista estratégico, é menos convincente. O que determina a ocupação militar é o pé do soldado, e o que consolida a vitória é a conquista política dos povos inimigos. Essa conquista política, apesar dos embasbacados admiradores do american way of life, parece descartada no horizonte histórico.
Para nós, latino-americanos, asiáticos e africanos, o que importa é a resistência à auto-arrogada hegemonia de Washington, com o retorno ao velho princípio da autodeterminação dos povos e da não intervenção nos assuntos internos dos países soberanos. No caso do Brasil, é necessário reafirmar a necessidade de fortalecimento de nossa capacidade de defesa, da qual nos descuidamos por falta de recursos durante o fim do governo militar e durante o governo Sarney, e por opção capitulacionista de Collor e Fernando Henrique.
Todos os esforços de qualquer nação se dirigem a um objetivo comum: o de garantir a soberania contra a agressão militar e as pressões diplomáticas do exterior. O Brasil é um dos países que menos gastam com a defesa e, por isso mesmo, vulnerável a um ataque estrangeiro, pelo menos no primeiro momento. É certo que a potencialidade do país para rechaçar qualquer invasão é imensa, tendo em vista sua dimensão territorial e o patriotismo de seu povo, que não de suas elites. É verdade que grande parte da sociedade, ainda traumatizada pelo regime militar, vê com reservas o fortalecimento das Forças Armadas. É preciso, sim, promover seu profissionalismo, retomar as pesquisas tecnológicas e incentivar os compromissos nacionalistas de seus quadros, afastando-os de perniciosas influências estrangeiras. Devemos gastar o que for necessário para prepará-las para o pior – o que é sempre uma eventualidade.
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Exportações do agronegócio registram US$ 94,59 bilhões e batem recorde histórico

Recorde histórico alcança mais de US$ 94 bi na venda de produtos.
Foto: Silvio Ávila/MinAgricultura
As exportações brasileiras do agronegócio registraram recorde histórico em 2011, somando US$ 94,59 bilhões, valor 24% superior ao alcançado em 2010, quando atingiu a marca de US$ 76,4 bilhões. O bom desempenho fez de 2011 o melhor ano para a balança comercial do agronegócio desde 1997. A meta do governo federal para 2012 é ultrapassar US$ 100 bilhões, com estimativa de 5,7% de crescimento, segundo o Ministério da Agricultura.
Os produtos do complexo soja – grãos, farelos e óleo – foram os que mais contribuíram para o crescimento nas vendas externas e os que registraram o maior valor de exportação, sendo responsáveis por 38,7% do crescimento total de US$ 18,15 bilhões no agronegócio. Em seguida, encontram-se o café (16,4%), os produtos do complexo sucroalcooleiro (13,2%), as carnes (11,1%) e os cereais, farinhas e preparações (8%).
Em conjunto, os cinco principais setores somaram US$ 74,33 bilhões em exportações, sendo responsáveis por 78,6% do total das vendas externas de produtos brasileiros agropecuários em 2011. Essa participação representa um aumento na concentração da pauta exportadora. Em 2010, os mesmos setores foram responsáveis por 77,9% dos embarques.
“O Brasil está se mostrando apto a suprir o mercado internacional, um mercado que continua crescendo, apesar da crise financeira”, destacou o secretário nacional de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Manoel Bertone.
Os principais destinos dos embarques de produtos nacionais foram os mercados da União Europeia, China, Estados Unidos, Rússia e Japão.
Importações
As importações brasileiras de produtos agropecuários atingiram US$ 17,08 bilhões, valor 28% superior ao registrado em 2010, resultando em um superávit de US$ 77,51 bilhões na balança comercial do agronegócio no ano passado. O saldo do setor agropecuário é quase três vezes superior ao acumulado no resultado global da balança comercial brasileira, que fechou o ano de 2011 com superávit de US$ 29,8 bilhões.
No Blog do Planalto
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Desembargador recebe R$ 150 mil para reparar casa

Ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, o desembargador Celso Luiz Limongi recebeu do órgão R$ 150 mil para reparar seu apartamento na capital paulista.
A informação foi revelada ontem pelo jornal "O Estado de S. Paulo". Segundo Limongi, o valor foi pago em quatro parcelas em 2010 e destinou-se a uma "reforma de urgência". A cobertura de três quartos sofria com as chuvas.
"Chovia dentro do apartamento, pingava pelas lâmpadas, tábuas ficaram empenadas, móveis apodreceram", conta Limongi. "Era impossível não agir, mas o ordenado não dava para a reforma."
De acordo com Limongi, a verba que recebeu diz respeito principalmente a férias que vendeu ao longo da carreira e não se trata de privilégio.
"Quando me aposentei [em 2011], o valor foi descontado. O TJ ainda me deve ao menos R$ 1 milhão, mas esse dinheiro ficou para as calendas."
Limongi afirma que, quando presidiu o TJ-SP, no biênio 2006-2007, também liberou pagamentos excepcionais a magistrados e funcionários.
"Inclusive adversários receberam. Quando há uma situação emergencial, o tribunal precisa se sensibilizar, até por ser um dinheiro devido."
Nos últimos meses, o Conselho Nacional de Justiça investigou pagamentos irregulares em TJs de todo o país. Em São Paulo, o foco são 17 magistrados que teriam recebido até R$ 1 milhão cada um.
Limongi diz não estar entre eles e critica a suposta irregularidade: "Salvo em uma situação extraordinária, não é justo haver essa desigualdade".
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Juízes de MG distribuem privilégios. E o CNJ vai fechar

Saiu na capa da Folha:
“Juízes de Minas são acusados de favorecer colegas.”
“Associação de magistrados entra com ação no CNJ em que aponta privilégio e desrespeito ao critério de antiguidade.”
“O CNJ está jugando pedido para anular promoções de 17 juízes ao cargo de desembargador do Tribunal de Justiça de MG, informa Frederico Vasconcelos.”
“Para uma associação de juízes estaduais, o TJ privilegiou parentes de desembargadores em detrimento de juízes mais antigos.”
É por essas e outras que o Ministro Marco Aurélio Melo, na douta companhia de Cezar Peluso, quer fechar o Conselho Nacional de Justiça de Eliana Calmon.
Clique aqui para ler a analise que Wálter Maierovitch fez do “Governo Peluso no STF”.
Paulo Henrique Amorim
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Marco Aurélio Mello no Roda Viva: O CNJ 'não é um super-homem'

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, disse nesta segunda-feira, 9, no programa Roda Viva, da TV Cultura [ver vídeo abaixo], que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) “não é um super-homem” e que, ao acatar a liminar que paralisou suas investigações, no final do ano passado, simplesmente cumpriu o seu dever. Rejeitou, porém, a ideia de que isso enfraquece o conselho. “Cumpri o meu dever. Não podia deixar para depois. E não foi tirado poder. Ninguém é contra o CNJ, mas temos um poder maior que a todos submete: a Constituição.”
Para ele, “o que está em jogo, a esta altura, é o justiçamento. Vamos procurar correção de rumos? Vamos. Mas há um preço a pagar por isso.” E acrescentou que “a concentração ilimitada de poderes (no caso, pelo CNJ) é sempre perniciosa. Ele (o CNJ) não é um super-homem”.
Questionado por falar em concentração de poder quando a corregedora do CNJ, Eliana Calmon, tem autonomia jurídica para as decisões que toma, ele reagiu com ironia: “Ela tem autonomia? Quem sabe ela venha a substituir até o Supremo…” Mas admitiu que é preciso “repensar uma modificação do sistema”. Ele diz ter julgado, no último ano, cerca de 8.700 processos.
Veja como foi a entrevista:
22h00 - Começa o programa Roda Viva, com a participação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello.
22h06 - Mario Sérgio Conti inicia perguntando porque o ministro concedeu a liminar que esvaziou o CNJ. “Quando eu liberei, eu liberei porque não havia urgência na medida cauteladora”, diz o ministro, que disse ter acionado o regimento interno e cumprido seu dever. “Não (poderia ter deixado para depois do recesso), porque senão seria até mesmo incoerente.”
22h07 - “Ninguém é contra a atuação do CNJ, mas temos no País uma lei maior a que todos se submetem.” O ministro ressalta que a “concentração ilimitada de poderes é sempre perniciosa”. Para ele, “o ideal teria sido a atuação do colegiado.” “Talvez eu não estaria pagando o preço que estou pagando”, observa.
22h08 - Fausto Macedo, do jornal O Estado de S.Paulo, pergunta se o ministro não quer acabar com o poder de investigação do CNJ. O ministro nega e acrescenta: “Nós esperamos que ele realmente atue, mas precisamos compreender que temos 90 tribunais no País, com corregedorias.” “Se formos à Constituição Federal, vamos ver que a função do Conselho é zelar pela atuação”, acrescenta.
22h09 - Fausto observa que as corregedorias historicamente não funcionam. O ministro indica que o CNJ pode avocar os casos se houver demora na investigação. “Ele não pode atropelar as corregedorias e relegá-las à iniquidade.”
22h10 - Mario Sergio Conti pergunta se para o ministro é melhor não haver investigação do que desrespeitar a Constituição. “A Constituição não é um documento romântico, não é um documento lírico”, responde Mello. “O meio justifica ao fim, e não o fim ao meio, com risco de que se tenha o justiçamento.”
22h13 - Fausto pergunta se a corregedora do CNJ, Eliana Calmon, agiu errado. Mello tergiversa e não dá uma resposta afirmativa sobre a pergunta.
22h15 - Ao ser questionada pelos membros da bancada a lentidão do STF, o ministro observa que defende que os casos sejam julgados por ordem cronológica. “Essa decisão não pode ficar a cargo apenas do presidente do Conselho.”
22h19 - Cristine Prestes, do jornal Valor Econômico, pergunta se a liminar foi uma forma de forçar o STF a julgar a questão. “Evidentemente, aí se abriu margem para atuação do relator e eu atuei”, diz o ministro, que afirma que prefere pecar pelo excesso do que pela omissão.
22h21 - O ministro afirma ser taxativamente contra a concentração de poder pelo CNJ. “CNJ não é um super-homem. Ele é passível de falha, e acima dele está o Supremo.”
22h24 - Marco Aurélio Mello afirma ter sido contra a criação do CNJ porque vê ele ferir a independência do Judiciário nos estados. “Os Tribunais de Justiça nada mais são do que os poderes dos Judiciários nos Estados”, observa. “Nós não temos órgão federal exercendo controle quanto ao legislativo dos Estados, quanto ao executivo dos Estados, então porque ter da Justiça?”
22h27 - O ministro do STF afirma que o poder de investigação é uma “prerrogativa das corregedorias” estaduais. Se elas não atuam, aí o CNJ deve agir, observa Mello. “Vamos terminar com 90 corregedorias e criar uma super corregedoria nacional que atue em todo país? Será que isso se aduna com o regime geral das coisas? Aonde vamos parar?”
22h31 - Mello cita proposta do senador Demóstenes Torres que propõe reforçar os poderes do CNJ e afirma que espera “não vivenciar” o dia que teremos esse “super órgão”. “O que está em jogo para mim a esta altura é o justiçamento. Vamos procurar a correção de rumo (…), mas se paga um preço vivendo o Estado de Direito, e esse preço é módico. (…) Fora isso, teremos o justiçamento e não a Justiça.”
22h34 - Questionado se o clamor público pelo fortalecimento dos órgãos é retrato de uma falta de confiança na Justiça, ele rechaça a tese: “Se chegarmos a esse dia em que não houver mais confiança nos juízes, em que se supor que todos são salafrários até que se prove o contrário, teremos que fechar o Brasil para balanço.”
22h36 - “Vamos rasgar e vamos colocar em segundo plano a Constituição Federal”, ironiza o ministro, que indica que “enquanto houver um órgão como o STF que zela pela Constituição, isso não deve ocorrer.” E acrescenta: “A corrupção na Justiça não é regra.”
Questionado por Fausto Macedo se a Justiça não precisa de um xerife, o ministro do STF endurece o tom: “E porque não outros órgãos da República? E porque não outros órgãos privados, como o jornalismo?” Ao ser perguntado ele insinua a censura á imprensa com a resposta, Mello nega e diz que é totalmente favorável à liberdade de imprensa.
22h41 - Mello é questionado sobre quantos juízes condenou quando era corregedor. Ele responde: “Eu não tinha a obrigação, eu fazia correição quanto aos órgãos.” E indica que a Justiça não precisa de um super órgão de fiscalização: “Nós não temos no Judiciário um xerife e não vivemos uma época de faroeste.”
22h51 - Mario Sergio Conti pergunta sobre as férias de dois meses e sobre as regalias dos juízes. “Em todo setor há desvios de condutas, há mazelas. E nós precisamos combater essas mazelas”, observa Mello. “Eu sou a favor das férias que são previstas para os servidores em geral, de trinta dias. Não sou a favor de privilégios porque, como disse, todo privilégio soa mal.”
22h55 - Ao falar sobre o TJ-SP, Mello defende devolução dos valores dados aos desembargadores que receberam benefícios excessivos, mas recusa a sugestão de prisão para os beneficiados pelo esquema.
23h00 - Ao ser questionado sobre o fato que a maior punição dada a magistrados que cometem crimes no Brasil é a aposentadoria, ele observa que o magistrado “pode perder o cargo mediante sentença judicial. Ele pode inclusive perder a aposentadoria mediante sentença.”
23h05 - Mario Sergio Conti pergunta como é possível evitar conluio entre advogados e juízes. O ministro diz que é necessário ética e sentido da própria função, mas admite que existem associações inaceitáveis e é necessário procurar a “correção de rumos, mas sem atropelo”.
23h08 - Sobre a Lei Geral da Magistratura, que deve ser encaminhada em breve ao Legislativo, Mello diz que esta é bem-vinda. “Que venha a lei, prevendo direitos e deveres dos juízes. Agora não venha o CNJ como se fosse o Congresso, impondo deveres que não existem.”
23h11 - “Eu não vejo como conciliar essa atuação do Coafi com a Constituição da República”, diz Mello. Ele destaca que o sigilo fiscal só pode ser quebrado com autorização de um juiz e mesmo assim frente a um fato concreto. Para o ministro, o Ministério Público deve atuar, as corregedorias devem atuar, e somente após isso o CNJ pode agir, caso estes não cumpram suas funções.
23h20 - Ao ser questionado por Cristine Prestes se essa observação sobre o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) indicaria que os tratados internacionais sobre o combate à lavagem de dinheiro ferem a Constituição, Mello afirma que “Os tratados internacionais não se sobrepõem a Constituição”. “O CNJ não pode ignorar que existe um sistema no Brasil que deve ser respeitado”, acrescenta.
23h24 - Fausto Macedo afirma que as corregedorias são fechadas para o público em geral e para a imprensa, não sendo possível cobrá-las senão através de outros órgãos do Judiciário. O magistrado discorda: “Precisamos marchar com cautela, e sem atropelo, pois senão teremos o justiçamento, e não a Justiça. E de bem intencionados o Brasil está cheio.”
23h27 – O repórter do Estado pergunta se Mello imagina que a atuação de Eliana Calmon tenha motivações políticas. “Não imagino”, responde o magistrado, que afirma não ter pretensões políticas. “Meu único objetivo eleitoral é ser um dia presidente do clube de regatas do Flamengo”, brinca.
23h30 - Ao final, é pedido ao ministro do STF que mande um recado para Eliana Calmon. Ele diz: “Que ela marche observando as regras estabelecidas, principalmente a Constituição Federal, é o que provocará um avanço cultural. Que ela cobre a atuação das corregedorias. Eu tenho certeza que ela tem a base técnica para efetuar essa cobrança.”
Gabriel Manzano, de O Estado de S.Paulo
No Terra Brasilis
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Brasil é o primeiro país a gerar energia limpa na Antártica

Estação Antártica Comandante Ferraz, operada pela Marinha do Brasil
Em uma iniciativa pioneira, o Brasil vai iluminar a Estação Antártica Comandante Ferraz com um motogerador a etanol. A ação faz parte da comemoração dos 30 anos da Estação, operada pela Marinha do Brasil. O ministro da Defesa, Celso Amorim, chega hoje (10) à Antártica para visitar a estação, onde dará partida na operação do motogerador a etanol.
A partir de hoje, o motogerador – que fornecerá toda a energia necessária às operações e aos programas científicos da estação – passará a operar continuamente na Antártica, dando início ao programa científico. Com a iniciativa, o Brasil passa a ser o primeiro país do mundo a utilizar biocombustível para produção de energia no continente.
O ministro Celso Amorim destacou que a iniciativa brasileira coloca o país em destaque no cenário tecnológico mundial. Lembrou, ainda, que a estratégia está alinhada à meta das Organização das Nações Unidades, que declarou 2012 como o Ano Internacional de Energia Sustentável para Todos.
O projeto – O motogerador a etanol brasileiro foi desenvolvido com tecnologia totalmente nacional e gera energia limpa, sem qualquer tipo de aditivo, a partir de um sofisticado equipamento de controle e comando via internet. A Petrobras fornece 350 mil litros de etanol, idêntico ao utilizado nos veículos nacionais, e fará o acompanhamento tecnológico para validar a utilização do biocombustível em condições climáticas severas.
O equipamento e o biocombustível partiram em outubro do Brasil para a Antártica no navio de Pesquisas Oceânicas Ary Rongel. Em seguida, uma equipe de engenheiros brasileiros partiu para o continente para realizar as instalações e os testes necessários ao funcionamento do equipamento.
Durante um ano, o motogerador vai operar em total sincronismo com os motogeradores já existentes a diesel, preservando o parque energético atual como uma medida adicional de segurança.
Estação Antártica Comandante Ferraz – A estação brasileira é operada pela Marinha do Brasil e foi instalada na Baía do Almirantado, localizada na Ilha Rei George, no verão de 1984. A partir de 1986, passou a ser ocupada anualmente por militares da Marinha do Brasil e pesquisadores, podendo acomodar até 58 pessoas. A estação possui laboratórios destinados às ciências biológicas, atmosféricas e químicas.
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Antonio Veronese: BBB - A masturbaçao nacional

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Cordel que deixou Rede Globo e Pedro Bial indignados


Antonio Barreto nasceu nas caatingas do sertão baiano, Santa Bárbara/Bahia-Brasil. Professor, poeta e cordelista. Amante da cultura popular, dos livros, da natureza, da poesia e das pessoas que vieram ao Planeta Azul para evoluir espiritualmente. Graduado em Letras Vernáculas e pós graduado em Psicopedagogia e Literatura Brasileira. Seu terceiro livro de poemas, Flores de Umburana, foi publicado em dezembro de 2006 pelo Selo Letras da Bahia. Vários trabalhos em jornais, revistas e antologias, tendo publicado aproximadamente 100 folhetos de cordel abordando temas ligados à Educação, problemas sociais, futebol, humor e pesquisa, além de vários títulos ainda inéditos. Antonio Barreto também compõe músicas na temática regional: toadas, xotes e baiões.
Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.

Há muito tempo não vejo
Um programa tão 'fuleiro'
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.

Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, 'zé-ninguém'
Um escravo da ilusão.

Em frente à televisão
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme 'armadilha'.

Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.

O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.

Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.

Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.

Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Da muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.

Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social

Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério - não banal.

Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.

A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os "heróis" protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.

Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.

Talvez haja objetivo
"professor", Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.

Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.

É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos "belos" na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.

Se a intenção da Globo
É de nos "emburrecer"
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.

A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.

E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.

E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.

E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados

Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.

A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.

Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.

Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?

Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal.
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal.

O apresentador Pedro Bial se deu mal no “Altas Horas” deste sábado (8). “Eu gosto de ver coisa ruim em televisão. Com os piores programas é onde eu aprendo mais”, disse Bial. Sem que concluísse a frase, o todo poderoso diretor da Rede Globo, Boni, disparou: “Quer dizer que você assiste BBB”. Gargalhadas no estúdio. Caetano é quem ri mais. Talvez a maior ironia da cena seja o fato do filho de Boni, o Boninho, ser o diretor do reality show.
Com a colaboração do amigo Itárcio
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Alzheimer poderá ser detectado dez anos antes de primeiros sintomas

O Mal de Alzheimer é uma doença neuro-degenerativa debilitante, associada à perda de memória, demência e eventualmente perda de funções motoras. Frequentemente é difícil diagnosticá-la antes que ela já tenha progredido em um paciente. De acordo com o Centro Internacional de Alzheimer, cerca de 10 milhões de pessoas sofrem de demência apenas na Europa, sendo que o Alzheimer responde pela maioria dos casos. Durante anos, cientistas em todo o mundo têm tentado encontrar novos tratamentos ou mesmo a cura para ao mal, mas poucos até agora se mostraram realmente efetivos.
Em um novo relatório científico publicado na edição do dia 1º de janeiro deste ano na revista Archives of General Psychiatry, um grupo de pesquisadores suecos mostrou ser possível detectar indivíduos com alto risco de desenvolver Alzheimer dez anos antes de eles apresentarem qualquer sintoma. Se essa técnica mostrar êxito, ela poderia se tornar uma importante ferramenta para tratar futuramente os pacientes.
Para saber um pouco mais sobre o assunto, a Deutsche Welle conversou com Oskar Hansson, professor de neurociência da Universidade de Lund, na Suécia, coautor do estudo.
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Hansson: ‘doença começa muito mais cedo do que a gente pensava’
Deutsche Welle: Suas pesquisas sobre Alzheimer realmente sugerem que é possível detectar a doença dez anos antes de os sintomas aparecerem?
Oskar Hansson: Sim, o que temos mostrado é que é possível detectar as pessoas que têm alto risco de desenvolver o Mal de Alzheimer dez anos antes de elas desenvolverem a demência. O teste não é 100% preciso, então não é que se possa diagnosticar os pacientes antes de desenvolverem a demência, mas se pode identificar aqueles que têm alto risco de terem a doença no futuro.
Como se chegou a essa teste?
A pesquisa vinha nesta área havia dez anos. Estes bioindicadores, como os chamamos – os beta-amiloides e as proteínas tau – são conhecidos por sua associação com o Mal de Alzheimer. Mostramos que eles se alteram durante os estágios bem iniciais da doença.
Então, em outras palavras, a presença de alterações nestes bioindicadores aponta aumento da probabilidade de alguém desenvolver a doença.
Sim, é isso.
Anteriormente sua pesquisa fizera uma descoberta semelhante, mostrando ser possível detectar a tendência cinco anos antes dos sintomas. Agora, fala-se em dez anos. O que mudou?
Temos acompanhado os mesmos pacientes por um período adicional de cinco anos. O que mostramos é que a doença começa muito mais cedo do que pensávamos. Também é interessante do ponto de vista básico científico evidenciar que a patologia dos beta-amiloides parece ser um dos primeiros fatos que precedem a patologia tau, que vem logo em seguida. Mostramos isso claramente com o estudo.
O que são exatamente estas substâncias que estão observando, os beta-amiloides e a proteína tau?
Beta-amiloide é um pequeno peptídeo, uma proteína pequena que compõe as placas que se formam no cérebro de pacientes com Alzheimer. Isso é conhecido já há muito tempo. Tau é a proteína que se encontra sobretudo dentro dos neurônios afetados pelo Alzheimer. Eles formam o que chamamos de “emaranhado” nos neurônios. O que vemos no líquido cefalorraquidiano é que os níveis de beta-amiloide ficam mais baixos, por estarem presos nessas placas no cérebro. A proteína tau, no entanto, é maior no líquido cefalorraquidiano, porque os neurônios estão danificados e a tau escorre para fora deles.
Como se encontram, ou se medem, esses bioindicadores?
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Alzheimer causa danos irreversíveis aos neurônios
Fazemos uma punção lombar. É um procedimento simples, que leva entre 15 e 20 minutos. Não tem efeitos colaterais. Às vezes indivíduos mais jovens apresentam breves dores de cabeça. Geralmente não é feito por clínicos gerais, mas sim em clínicas neurológicas.
O valor ou a quantidade dessas substâncias varia, com o passar do tempo?
Níveis beta não variam muito com a idade, já os níveis tau aumentam levemente com a idade, de maneira geral. Mas no caso do Alzheimer eles parecem se alterar durante estágios bem iniciais – sabemos que pelo menos cinco, dez anos antes da doença. Talvez ocorra ainda mais cedo, mas isso realmente ainda não sabemos. Daí depois dessa alteração inicial, eles parecem se estabilizar durante a doença.
Quais implicações essa descoberta pode ter no tratamento do Alzheimer?
Acho que terá implicações principalmente nas avaliações clínicas. Porque muitas das avaliações quanto à efetividade dos novos tipos de terapia, com o fim reduzir ou mesmo deter a doença, não têm mostrado resultados promissores quando usadas em pacientes que já apresentam demência.
Então nós e muitos outros propomos que é preciso começar mais cedo com esses diagnósticos, quando os pacientes ainda apresentam sintomas amenos. Se se consegue identificar estes indivíduos com sintomas fracos, mas alto risco de desenvolver a doença, a probabilidade de alacançar efeitos positivos com as novas terapias será muito maior. Porque então se pode iniciar a terapia antes de danos neurológicos generalizados, e talvez antes que as alterações sejam irreversíveis.
Entrevista: Cyrus Farivar (msb)
Revisão: Augusto Valente
No Correio do Brasil
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Internautas organizam "churrascão da gente diferenciada" na Cracolândia

O "churrascão da gente diferenciada", mobilização bem-humorada na web que ganhou ruas de Higienópolis, na capital paulista, em maio do ano passado, deve ter uma segunda edição. Desta vez, internautas organizam a "versão Cracolândia", uma forma de protestar contra a ocupação iniciada pela Polícia Militar no Centro de São Paulo na semana passada.
Para divulgar a manifestação, foi criada uma página na rede social Facebook, convocando os usuários. Até por volta das 17 horas desta terça-feira (10), 360 pessoas - entre 5.719 convidados - haviam confirmado presença. O "churrascão" foi agendado para o próximo sábado (14), às 16h, na Rua Helvétia com Dino Bueno.
Confira o protesto:
Churrascão diferenciado versão Luz: porque na "Cracolândia" todo mundo é gente como a gente.
Neste sábado, venha mostrar para o governo que sua polícia não é bem-vinda em nossas ruas.
Sem oferecer alternativas decentes aos dependentes e sem respeitar os direitos humanos deles e dos outros usuários, trabalhadores e freqüentadores da região da Luz, o governo paulista vem ocupando militarmente, desde o dia 3 de janeiro, a zona conhecida como "Cracolândia".
Higienismo, preconceito, segregação, violência, intolerância, tortura, abuso de autoridade e mesmo suspeitas de assassinato passaram a ser ainda mais constantes nos dias e principalmente nas madrugadas do bairro.
Luiz Alberto Chaves de Oliveira, coordenador de Políticas sobre Drogas do governo, defendeu que a operação teria como objetivo trazer "dor e sofrimento" para os dependentes, forçando-os a buscar tratamento. Fica claro, no entanto, que os seres humanos que ali freqüentam ou vivem são a última preocupação de nossos governantes, que sabem muito bem que questões de saúde nunca poderão ser resolvidas por uma das polícias mais assassinas do mundo.
O objetivo da dor e do sofrimento é meramente expulsar aquelas pessoas dali para que o projeto da "Nova Luz", que prevê demolição de um terço das construções da região e reconstrução do espaço com vistas ao lucro da especulação imobiliária, possa ser implementado.
Em reação a isso, dezenas de coletivos, grupos e entidades organizaram para este sábado mais um "churrascão diferenciado", tipo de mobilização que ficou marcada na cidade como forma de combater, de forma bem humorada e crítica, o preconceito e o racismo dos políticos e das elites paulistanas. Traga seus instrumentos, cartazes, ideias, alimentos e o que mais achar necessário para tornar agradável este sábado de protesto e diálogo em defesa de políticas corretas, respeitosas e abrangentes em relação à população de rua (ou em situação de rua) e aos usuários e dependentes de drogas.
Primeira versão
A primeira versão do "churrascão da gente diferenciada" surgiu a partir de uma brincadeira nas redes sociais, motivada pela indignação de internautas após a reação contrária de moradores de Higienópolis à construção de uma estação de metrô na avenida Angélica, que corta o bairro, um dos mais valorizados da capital paulista. Diante da pressão, o governo de São Paulo, alegando razões técnicas, anunciou na época a mudança de local da estação.
O termo "gente diferenciada" foi adotado como ironia à declaração de uma moradora do bairro, que, em entrevista à Folha de S.Paulo, usou a expressão para se referir às pessoas que "ficam ao redor das estações do metrô".
Ana Cláudia Barros
No Terra Magazine
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A CPI e a "palhaçada" de Serra

José Serra, o derrotado presidenciável tucano, começou o ano furioso, irritadiço. Numa solenidade hoje (10) no Instituto do Câncer de São Paulo, ele foi ríspido com os jornalistas ao responder sobre o pedido protocolado na Câmara Federal de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar os crimes cometidos no processo de privatizações das estatais no triste reinado de FHC.
Acompanhando o governador Geraldo Alckmin, o papagaio de pirata primeiro disse desconhecer o pedido de criação da CPI apresentado pelo deputado Protógenes Queiroz (PCdoB) - que colheu 185 assinaturas em pleno final do ano, 14 a mais do que o mínimo constitucional de um terço dos 513 deputados. Na seqüência, mais agressivo, atacou: "Não foi instalada nenhuma CPI ainda... Isso é tudo palhaçada, porque eu tenho cara de palhaço, nariz de palhaço, só pode ser palhaço".
Episódio confirma desespero
Segundo o jornalista Raoni Scandiuzzi, da Rede Brasil Atual, José Serra se mostrou incomodado com as perguntas. Depois de criticar a "palhaçada", ele se afastou bruscamente dos repórteres "sem responder aos outros questionamentos sobre o tema". O episódio confirma que o ex-governador está apavorado com os desdobramentos da CPI, que tem como fonte principal o livro de Amaury Ribeiro, "A privataria tucana".
A obra, que já vendeu mais de 100 mil exemplares, apresenta inúmeros documentos, obtidos na Justiça, que comprovam a lavagem de dinheiro e outras maracutaias ocorridas durante o processo de privatização das estatais. O ex-ministro José Serra aparece como o maior beneficiário do esquema de corrupção. Sua filha, seu genro, seu primo e seu ex-tesoureiro de campanha seriam os pivôs dos crimes das privataria.
Ex-todo-poderoso no picadeiro
Serra garante que não tem "cara de palhaço ou nariz de palhaço", mas a sua atitude intempestiva deve ter rendido algumas gargalhadas - inclusive junto ao "fogo amigo" no interior do PSDB. O ex-todo-poderoso tucano adora brandar pela abertura de CPIs e se travestir de vestal da ética. Agora, diante da possibilidade de apuração do "maior assalto ao patrimônio público" da história do Brasil, ele perde o rebolado. Ele finalmente está na picadeiro!
Altamiro Borges
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Os atos são do tamanho de seu autores

Há um mês, Carlos Lupi deixou a presidência do PDT.
Na ocasião, todos aplaudimos sua decisão de reconhecer que não tinha, depois de tudo o que aconteceu, condições de representar o partido nas tratativas com o Governo, do qual o PDT é integrante, embora esteja fora, neste momento, de qualquer cargo de primeiro escalão.
O próprio Lupi reconheceu ter cometido sérios erros ao comportar-se como se comportou diante da ofensiva da mídia.
Muito daquilo de que o acusavam se mostrou falso ou insignificante. Outros fatos, porém, criaram constrangimentos verdadeiros.
Faltou-lhe, numa palavra, a postura política condizente com a situação de Ministro de Estado.
Naquela ocasião, foi acertado que seu eventual retorno à presidência do Partido dependeria de uma reunião do Diretório Nacional, no dia 30 de janeiro.
Hoje, vinte e um dias antes da reunião acertada, e unilateralmente, Lupi decide voltar à presidência do partido numa decisão surpreendente. Uma reunião da Executiva - para a qual fui convocado no final da semana passada,registro, mas que até por isso teve muitas e importantes ausências - tinha como pauta as eleições municipais e, como me disse o próprio Lupi, ao telefone, seria uma troca de ideias sobre o debate que teríamos no final do mês.
A caminho da reunião, leio declarações de que estava tudo acertado para que ele reassumisse, hoje, a presidência do Partido.
Diante disso, parei antes de chegar ao local da reunião e desisti de comparecer a um debate “de mentirinha”, adrede preparado para um único resultado.
Desde o início, jamais me associei às acusações de ordem moral a Carlos Lupi na gestão do Ministério, embora até neste campo algumas de suas atitudes o tenham vulnerado.
Minhas divergências com ele eram de outra ordem: a forma autoritária, personalista, monocrática e antidemocrática com que ele conduz o PDT. E o que fez hoje só mostra como isto está acontecendo.
Pessoas merecedoras e minha maior consideração apelaram para que eu refreasse estas críticas, em razão da fragilidade de sua posição e da necessidade de que o PDT estivesse unido para situar-se de novo no cenário político e na sua própria participação no Governo.
Concordei com a necessidade desta trégua em nossas divergências internas.
Mas, infelizmente, Lupi a rompeu, movido pela sua ansiedade incontrolável de enfeixar em suas mãos o controle absoluto do partido, que, por definição,deve ser democrático e aberto.
Repudio esta atitude que desrespeita um entendimento político sereno e consensual que levou ao pacto firmado há um mês.
Pacto que pressupunha grandeza pessoal dos que o firmaram e a colocação do interesse e da unidade partidária acima de todas as conveniências políticas de qualquer um de nós.
Mas que, como provam os fatos de hoje , parece que não existem, quando se trata de controlar apetites.
A fome de poder e a falta de decoro ao buscá-lo podem fazer bem sucedidos os pequenos golpes de esperteza.
Mas que logo revelam a pequenez de quem os pratica.
Brizola Neto
No Tijolaço
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Merkel quer CPMF. Urubóloga e FHC são contra

Saiu no Brasil Econômico, na capa:
“Alemanha exige criação de CPMF na Europa para acabar com a crise.”
“A chanceler alemã, Angela Merkel, reafirma que um imposto sobre transações financeiras é a ‘resposta certa’ para os problemas econômicos da Zona do Euro e estabelece prazo para que os países do bloco aceitem a proposta; Sarkozy diz que a França criará a taxa de qualquer forma.”
Isso tudo é uma brincadeira, na melhor das hipóteses.
Na pior, manobra eleitoreira de baixo calão.
Populismo.
Merkel não tem base parlamentar para aprovar isso.
E Sarkozy apenas corteja a esquerda, já que é candidato, este ano, à re-eleição.
Portanto, não perca o seu tempo.
Isso não é para valer.
CPMF – nem por cima do meu cadáver.
Esse foi o veredito irreversível da Urubóloga, no Bom (?) Dia Brasil, que será transmitido ao longo do dia, em toda a Europa – e ajudará a sepultar essa ideia rasteira.
A Urubóloga foi tão convincente que a Renata Vasconcelos, que faz um curso, de Alta Economia, ao vivo, todo dia, ao lado da Urubóloga, cantou no mesmo tom: já que isso aí da Merkel e do Sarkozy não passa de uma…
Quem também é contra é o Farol de Alexandria.
Foi ele, beneficiário, quando presidente, da CPMF do Ministro Adib Jatene, na hora de renovar a CPMF ele liderou a campanha “vamos tirar o remédio da boca das crianças”.
Com o apoio do inigualável Arthur Virgilio Cardoso e do Tasso tenho jatinho porque posso, Fernando Henrique derrotou a CPMF no Senado e deu uma pnhalada nas costas do Lula.
É o que ele mais quer(ia).
Um gesto que se inscreverá na biografia desses três tucanos estadistas.
Arthur Virgilio Cardoso é aquele que disse que ia dar uma surra no presidnete Lula e levou DUAS surras do eleitorado amazonense.
Portanto, Merkel é uma coitadinha.
O maciço apoio que tem no eleitorado e no Congresso da Alemanha se evaporam diante da dialética tucana e global.
Mal sabe ela do poder da Urubologa e do Farol de Alexandria.
Clique aqui para ler “O Brasil está no caminho certo”.
Paulo Henrique Amorim
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A atribulada e paradoxal trajetória da taxa Tobin

Concebida pelo economista liberal James Tobin nos anos 70, repudiada pela direita liberal, defendida pelos militantes anti-globalização de todo o planeta durante décadas, principalmente pela ong Attac, bandeira do socialismo europeu e tema recorrente nas negociações internacionais (G20, G7), desde que estourou a crise em 2008, a taxa Tobin está prestes a se materializar graças à iniciativa de um dos presidentes mais liberais da União Europeia, Nicolas Sarkozy.
A taxa Tobin sobre as transações financeiras conheceu um dos destinos mais paradoxais dos últimos 40 anos. Concebida pelo economista liberal James Tobin nos anos 70, repudiada pela direita liberal, defendida pelos militantes anti-globalização de todo o planeta durante décadas, principalmente pela ONG ATTAC, bandeira do socialismo europeu e tema recorrente nas negociações internacionais (G20, G7), desde que estourou a crise em 2008, a taxa Tobin está prestes a se materializar graças à iniciativa de um dos presidentes mais liberais da União Europeia, Nicolas Sarkozy. O presidente francês saiu do círculo do consenso e anunciou que a França colocará em prática a taxa Tobin sem esperar que seus sócios europeus cheguem a um acordo para implementá-la.
Berlim, Londres e Roma mostraram-se particularmente hostis ao fato de que Paris avance sozinha neste princípio que dorme no caixão dos desacordos há muitos meses. Apesar disso, a França manteve o rumo. O conselheiro especial do presidente francês, Henri Guaino, disse que a França tomaria uma “decisão a respeito” antes do final do mês de janeiro.
O planeta financeiro colocou-se contra o famoso, mas quase nunca tangível imposto às transações financeiras. Os primeiros a fazer cara feia foram os alemães, os ingleses e os italianos. Quase em uníssono, Berlim, Roma, Londres e a Comissão Europeia lembraram com visível mal-estar que um imposto como a taxa Tobin só teria sentido se aplicado com um “enfoque coerente”, dentro dos países da União Europeia e não de forma “solitária”.
Londres foi um pouco mais longe e pediu um imposto não dentro dos 17 países da zona euro, mas sim em escala mundial. O governo francês parece disposto a não dar bola para as críticas e avançar sozinho na rota do imposto, sem que se conheçam ainda os percentuais do imposto nem sua metodologia de funcionamento.
A aparição de tal ideia a apenas quatro meses das eleições presidenciais suscita evidentes desconfianças. Será verdade ou trata-se de um movimento eleitoral? É lícito reconhecer outro paradoxo desta história: o ultra-liberal Nicolas Sarkozy fez da “refundação do capitalismo” um de seus credos políticos. A taxa Tobin talvez seja um dos primeiros gestos para cumprir sua promessa. A julgar pelas reações do mundo financeiro e dos economistas, a decisão de Sarkozy parece ser séria. A associação Europlace que agrupa quase todos os atores do setor financeiro francês considerou que a instauração da taxa Tobin só vai “debilitar a economia francesa”. Europlace lançou uma contraofensiva articulada na catástrofe e no medo. Para essa associação, a taxa Tobin limitada à França acarretaria a fuga de bancos, companhias de seguro e gestores para outras praças financeiras.
História de uma ideia que se tornou bandeira de luta
Essa guerra entre liberais no próprio coração do liberalismo só acentua a acidentada trajetória da taxa Tobin. Desde seu nascimento até hoje, a ideia atravessou fronteiras muito díspares e gerou consensos incomuns.
Ela foi inventada por um liberal, defendida pela esquerda e agora é um tema prioritário da direita. O seu primeiro passo fundador já é um paradoxo. Em 1972, durante uma conferência na Universidade de Princeton, o economista James Tobin colocou sobre a mesa a ideia de um imposto sobre as transações financeiras. Tobin buscava “lançar grãos de areia na engrenagem das finanças internacionais” e frear assim o aumento da especulação no curto prazo. O percentual proposto por Tobin oscilava entre 0,05% e 0,2%. O economista norteamericano recebeu o prêmio Nobel de Economia em 1981, mas sua ideia nunca foi verdadeiramente colocada em prática.
O único país que a aplicou foi a Suécia. Entre 1984 e 1990, a Suécia implantou um imposto de 0,5% sobre as transações realizadas no mercado de ações, mas o princípio foi realizado em 1990 por causa da fuga de capitais que provocou. Esta experiência alimentou os argumentos dos inimigos do imposto, para quem toda intenção de aplicar um imposto às transações financeiras acabaria tendo um efeito contrário ao desejado.
A taxa Tobin voltou ao noticiário em meados dos anos 90. Em 1994, o falecido presidente socialista François Miterrand defendeu a necessidade de um imposto sobre as transações financeiras na cúpula social de Copenhague, mas a proposta não saiu do papel. Utópica, complicada, perigosa, delirante, irracional, os adversários da taxa Tobin a combateram com todo o peso de seus interesses. No entanto, a taxa Tobin reencarnou em uma luta que superou de longe as intenções de seu inventor liberal. Em dezembro de 1997, o jornalista Ignacio Ramonet publicou um editorial no Le Monde Diplomatique defendendo a criação de um imposto sobre os lucros como “uma exigência democrática mínima”.
Neste texto intitulado “Desarmemos os mercados”, Ignacio Ramonet deu à taxa Tobin um campo de aplicação mais amplo e terminou defendendo a criação, em escala planetária, da ONG Ação para uma Taxa Tobin de Ajuda aos Cidadãos (ATTAC). Deste editorial, nasceu a ATTAC um ano depois. Em 1998, a ATTAC passou a ser a Associação para a Taxação das Transações Financeiras e a Ação Cidadã. Com base nesta plataforma, a ATTAC se converteu também no eixo do movimento mundial dos altermundistas. Os militantes anti-globalização da ATTAC e seus seguidores ampliaram o conceito da taxa Tobin. O economista norteamericano só queria alguns “grãos de areia” como ferramenta contra a especulação. A ATTAC, em troca, militou a favor de uma ferramenta capaz de englobar a finança mundial e todos os seus produtos: mercado de câmbio, ações, operações nas bolsas de valores, mercados de derivativos, produtos financeiros.
O mais curioso deste combate pela recuperação de fundos sacados dos bolsos daqueles que usurpam tudo e não pagam nada reside no fato de que o próprio Tobin se distanciou da ATTAC e seus partidários. James Tobin qualificou de “arruaceiros” os grupos anti-globalização e impugnou a forma pela qual a ONG pensava a instauração da taxa que levava seu nome. Em uma entrevista publicada pelo semanário alemão Der Spiegel, James Tobin explicou que, enquanto a meta dos altermundistas consistia em lutar contra a livre expansão dos mercados, ele era “um partidário do livre comércio”.
Ao longo dos anos, a taxa Tobin passou por várias etapas, umas mais contraditórias que as outras. Os socialistas europeus a defenderam durante as campanhas eleitorais para logo em seguida esconder o imposto no desemprego e no esquecimento quando chegaram ao poder. A taxa Tobin funcionou como um apanhador de eleitores, sem jamais morder o bolso dos liberais. Em novembro de 2001, a Assembleia Nacional francesa (com maioria socialista) adotou o princípio de um imposto às transações realizadas no mercado de câmbio, mas a entrada em vigor da medida ficou subordinada à aprovação de um esquema idêntico por outro país da União Europeia. Prova de que as boas ideias da esquerda podem servir á direita, em 2006 o presidente conservador Jacques Chirac instaurou um imposto sobre os bilhetes de avião, que logo foi adotado por outros 27 países. Com esse dinheiro se aumentaram os fundos destinados à ajuda ao desenvolvimento. Passaram-se quatro anos e, outra vez, a direita abraçou um princípio de seus adversários ideológicos. Em 2008, a quebra do banco norteamericano Lehman Brothers desatou a crise das “subprimes” e com ela a necessidade de regular o turvo e impune mundo das finanças internacionais.
Nesse contexto, a taxa Tobin apareceu como um instrumento ideal. Em 2009, Adair Turner, o responsável da autoridade britânica dos serviços financeiros, se pronunciou a favor da taxa Tobin, sendo seguido imediatamente pelo ex-primeiro ministro Gordon Brown (trabalhista).
Em novembro do mesmo ano, o tema “Tobin” entrou nas discussões do G20. O grupo encarregou o Fundo Monetário Internacional de fazer um estudo sobre a possibilidade de criar um imposto semelhante, mas seu então diretor-gerente, o socialista (sim, sim, “socialista”) Dominique Strauss-Kahn se opôs à medida. Com o FMI contra, Washington e os mercados também, o imposto Tobin não tinha muitas possibilidades de passar de ideia à realidade. Mas a crise grega e seus estragos mexeu a balança em favor do imposto: a Comissão Europeia propôs a aplicação de um imposto sobre as transações financeiras que seria implementado a partir de 2014. Sempre tão generosa e humana, a Comissão destinou esses fundos não à ajuda ao desenvolvimento, mas sim ao seu próprio orçamento.
Em agosto de 2011, a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy concordaram que taxar as transações financeiras era uma “necessidade evidente”. Ambos os dirigentes anunciaram uma iniciativa franco-alemã nesta direção, mas sua declaração se converteu em hecatombe: as bolsas de Londres, Bruxelas, Amsterdã, Lisboa, Madri, Paris e Nova York vieram abaixo. Sarkozy retomou a ideia da taxa Tobin na cúpula do G20 realizada em Cannes, no ano passado. “Um imposto sobre as transações financeiras é tecnicamente possível, financeiramente indispensável, moralmente inevitável”, disse Sarkozy então.
O presidente francês prepara agora um novo movimento: materializar suas palavras em um imposto real apesar da oposição de seus sócios europeus, da China e dos EUA. Ninguém sabe ainda como funcionará esse imposto sobre os fluxos financeiros, mas o certo é que a taxa Tobin ilustra ao absurdo as contradições do sistema internacional: seu inventor renegou seus adeptos, os altermundistas nunca renunciaram a ela, os socialistas a defenderam e logo depois a desativaram, a direita liberal sempre a combateu até que, em plena crise, tenha aberto a ela a porta dos sonhos. Só resta saber qual será a dose de sonho e qual a de realidade.
Eduardo Febbro - Direto de Paris
Tradução: Katarina Peixoto
No Carta Maior
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O noticiário político nos EUA é “papo” de idiotas

Danny Schechter
O primeiro comentário de Rick Santorum, depois de ver sua “avançada” comemorada como grande sucesso, com reles 30 mil votos em Iowa foi: “Segue o jogo”. E, sem nem perceber, entregou logo o jogo e os pontos, só por ter chamado o jogo de jogo.
A questão é que não é só jogo político: é também jogo “midiático”. Pseudo eventos como esse, são o ar que a mídia respira, o alimento, sem o qual a mídia morre: dá trabalho à mídia, faz os jornalistas sentirem-se importantes (e com carteira assinada, no Brasil-2012!). E cria-se como uma bolha de ar, espaço e tempo para infindáveis comentários de ‘especialistas’ e espetáculo, que vai fazendo passar o tempo, e ajuda a sobreviver ao infinitamente tedioso inverno em Iowa.
Para os iowanos, é a chance de “participar” em algo que parece muito importante; para os jornalistas, é a rotina da notícia, ritual santificado. O que a mídia faz, de fato, é apresentar um clip de publicidade [dela mesma], fantasiado de noticiário.
Semanas e semanas de ‘cobertura’ diária, ininterrupta, dia e noite, incluindo pesquisas e ‘análises’ de publicidade na televisão, e ninguém, absolutamente ninguém, fala sobre o quanto as empresas-imprensa lucram só por inventar um falso sentimento de expectativa e de excitação, com o qual conseguem extrair lucros do dinheiro que tantos gastam em infindáveis anúncios de propaganda deles mesmos (mas que são pagos às redes de televisão) – como os $17 milhões de dólares que o governador do Texas, Rick Perry, investiu em sua corrida para lugar algum. (Quanto você supõe que custe cada voto?).
Em Undernews, Chris Crawford chama atenção para vários fatos da realidade que vivem enterrados e praticamente jamais apareceram à luz do sol dos noticiários políticos de televisão:
1. Os Cáucuses não elegem ninguém e nada (nem delegados às convenções partidárias).
2. Todos os eleitores que elejam o “vencedor” não enchem nem ¼ de um estádio de futebol americano.
3. Dos três milhões de habitantes de Iowa, só 100 mil participam.
4. Os presidentes Gephardt, Huckabee, Harkin, Robertson.
5. Dizer que aquilo “areja” o campo político, é o cachorro que ganha migalhas do banquete e lambe os beiços.
6. O vencedor ganha talvez seis delegados, que podem desistir de votar nele (para ser indicado candidato, é preciso garantir os votos de 1.100 delegados).
7. No Iowa, o rebanho suíno é maior que o rebanho humano.
Analistas de mídia que analisaram a cobertura repetiram que a coisa parece mais corrida de cavalos que discussão de problemas e posições.
O Projeto para Excelência em Política disse que o noticiário esteve mais focado na corrida de cavalos com revezamento que atrasou a aparição noturna de Rick Santorum, segundo análise do Projeto, examinando os principais temas da narrativa que a imprensa inventou para Iowa.
“Essa análise, baseada em amostra de mais de 11.500 websites de notícias, concluiu que elementos típicos de corridas de cavalos (estratégia, arrancada e apostas) foram o tema de mais alta ocorrência (27%) na cobertura da volátil competição em Iowa. Em segundo lugar, aparecem os recordes anteriores e posições de largada (19%). Em terceiro, referências ao próprio sistema do cáucus em Iowa (16%). Referências aos problemas e atividades dos eleitores de Iowa aparecem no fim da fila (6%).”
Muitos veículos chamaram a atenção para a total irrelevância do circo de Iowa, mas cobriram o circo, mesmo assim, como se tivesse alguma importância – o que deu grande importância ao circo de Iowa, porque lhe deu enorme visibilidade, convertendo o circo de Iowa em farsa, mas com grande visibilidade e importância. Muitos dos analistas desossados que comentaram a farsa, falavam da farsa, mas nem por isso se apresentaram como farsantes, e lá ficaram eles, falando e fazendo-se de importantíssimos.
Marvin Kitman, crítico de mídia, escreveu que “Basicamente, o formato do evento, que não é sequer uma primária, pode ser comparado ao número de pessoas que compareciam a uma reunião do Politburo, antigamente, nos tempos de pouca democracia na URSS”.
“Como na democracia leninista, o Cáucus de Iowa é baseado no princípio do centralismo democrático, pelo qual pequenos grupos reúnem-se para eleger grandes grupos. É um cruzamento entre votar numa primária de verdade e a grande tradição dos EUA de selecionar candidatos em salas de ar irrespirável, pura fumaça dos cigarros, antes de uma convenção.
“Na verdade, o Cáucus de Iowa é muito menos democrático que uma eleição do Politburo, porque desqualifica como eleitor, muita gente: o pessoal que trabalha às 3ªs.-feiras à noite; quem não tenha dinheiro para pagar alguém para ficar com o bebê; todos os soldados que estão lutando as guerras de Obama pelo mundo; todo o pessoal que viajou a negócios; todo o pessoal que não sai à noite, de medo do escuro. Seja qual for a razão, só uns 80 mil iowenses dar-se-ão ao trabalho de votar.”
Agora, toca para New Hampshire, para mais do mesmo, com tripulação ainda menor de jogadores a postos. Bachman foi-se. Perry faz pose de campanha de reavaliação. Gingrich foi curto-circuitado pela insatisfação ele mesmo inflou tanto. Huntsman ainda tem um pouco do dinheiro de papai para torrar por aí.
Media Tenor, outro grupo que monitora a imprensa, escreveu:
“Com a mídia cobrindo as “melhoras” na economia [já estavam hoje, as tais “melhoras”, nos “noticiários” vergonhosos da Rede Globo, desde cedo, de manhã (NTs)], o presidente Obama passará a ser visto sob luz mais favorável, o que significa que os candidatos Republicanos terão de pensar em outros temas, para seduzir a base e eleitores indecisos” – segundo Racheline Maltese, pesquisadora de Media Tenor.
Iowa responde seguidamente a questões sociais, por causa do baixo número de participantes nos caucuses. É oportunidade para ver-se que mensagens os candidatos estão passando aos apoiadores, mas nem sempre reflete o tom mais amplo das eleições” – observa ela.
“Nem sempre reflete” – é dizer muito pouco. Até aqui, o vencedor é, por irônico que pareça, Barack Obama – só porque nada faz para mostrar-se “presidencial”, ou quando faz uma pausa no jogo de golfe, ou quando não está assinando “declarações”, na calada da noite, na véspera de Ano Novo, nas quais manifesta “reservas” – mas mesmo assim assina, emenda inconstitucional à Lei de Segurança Nacional dos EUA para 2012.
E a corajosíssima “imprensa” norte-americana continua a mais esconder que cobrir a crise financeira, o desespero dos mais pobres e a violenta pressão econômica sobre tantas famílias norte-americanas. O fracasso da imprensa nos EUA é efeito da decisão, dos principais jornalistas e empresários da mídia nos EUA, que se recusam a ver que o próprio jornalismo, os próprios jornalistas e suas práticas contribuem para aprofundar uma crise que se aproxima rapidamente do colapso.
O New York Times não se peja de converter-se, cada dia mais, em jornal para o 1%: o preço do jornal nas bancas subiu para $2,50. Você tem de pagar mais para ler cada dia menos sobre a inflação que não pára de crescer.
E os “noticiários” de televisão são cada dia menos noticiários, como observa o Washington Post:
“Os noticiários de TV são alimentados cada dia mais com publicidade comercial mascarada como noticiário – e o governo federal quer intervir nesse processo. Preocupado com a evidência de que essa sutil “compra de noticiário” já ocupa quase totalmente o serviço jornalístico, a Federal Communications Commission propôs uma lei regulatória, segundo a qual todos os 1.500 veículos das redes da televisão-empresa dos EUA passariam a ser obrigados a informar, nos próprios noticiários, quais as empresas beneficiadas por cada notícia distribuída aos consumidores.
“A proposta, que exigiria muitos meses de trabalho até ser implementada, foi elogiada por grupos de críticos e de militantes a favor do direito dos consumidores, que têm criticado o sistema vigente, que obriga os veículos a informar quais os anunciantes que pagaram para que uma ou outra notícia fosse ao ar, mas só no final do programa, nos créditos da equipe técnica.
“A menos que alguém espere até o último crédito técnico, não se fica sabendo que empresa pautou cada notícia” – disse Corie Wright, conselheiro sênior do instituto Free Press, grupo de pesquisadores de mídia que está apoiando a proposta da FCC. – Se cada jornal e jornalista dos noticiários de televisão for obrigado a declarar, no próprio noticiário de televisão, a empresa que pautou uma ou outra notícia, o consumidor passa a poder verificar se o noticiário é isento e jornalístico, ou se não passa de publicidade paga, impingida aos consumidores pagantes como se fosse jornalismo.
A regulação agora proposta visa aos noticiários oferecidos a telespectadores como se fosse trabalho de jornalismo independente, mas que, de fato, são modelados pelos patrocinadores, quando não são diretamente pautados por eles”. [2]
O problema, de fato, é que nem o noticiário que não seja modelado, ou diretamente pautado pelos patrocinadores, tem qualquer credibilidade, nem induz ao julgamento crítico ou democrático, nem sugere qualquer possibilidade de o consumidor poder, efetivamente, contestar um status quo cada vez mais corrupto, em todo o jornalismo que lhe é impingido.
O que hoje se conhece como “mídia” não passa de papo infinitamente requentado, entre idiotas, para que todo o público consumidor de notícias continue a ser, como hoje está sendo, perfeitamente enganado.
Notas dos tradutores
[1] Segunda-feira, Janeiro 09, 2012: “Ministério da Verdade”.
[2] 3/1/2012, Washington Post, “FCC seeks to change regulation of corporate interests disclosures on TV news”.
Danny Schechter, Consortium News
Traduzido e comentado pelo pessoal da Vila Vudu
No Redecastorphoto
Entreouvido na Vila Vudu
“Grandes EUA! Viva os EUA! Aioooou, Silver! Me Tarzan, you Jane! De buc iz ôn de têibol!
Que baita país, os EUA! 
Porque, no Brasil-2012, É MUITO PIOR! No Brasil-2012, o noticiário e o colunismo político já não passam de grotesco arremedo de “aula magna” ministrada por autoproclamado “professor” udenista golpista, comentada por arremedo de jornalista autoproclamado “isento” e “bem informadíssimo” (só rindo!), em que tooooodos fazem propaganda de tucano-uspeanos-udenistas sem votos e sem poder – e todos esses, sempre, absolutamente convencidos de que:
(1) no Brasil, o ELEITOR e o CONSUMIDOR seriam idiotas;
e de que
(2) quanto menos votos tenha hoje o ex-presidente, ex-governador, ex-ministro, ex-embaixador, ex-sub-do-sub em geral, mais entrevistável seria o tucano-udenista paulista sem-votos entrevistado da hora. 
Desses, o espécime hoje mais em voga – e dos mais abjetos –, é um “historiador” e “professor” da UFSCar, Marco Antonio Villa, convidado infinitamente requentado nos programas da GloboNews comandados por William Waack. 
Hoje, o mesmo fascista sincero incansável está na Folha de S.Paulo  [1], espinafrando, dessa vez, até os jornalistas (raríssimos!) que tiveram coragem de escrever que, desse “historiador” e “professor” da UFSCAR, erigido em “especialista” nos programas políticos do vergonhoso “jornalismo” paulista, não se aproveitam nem as vírgulas! 
Convenhamos: no Brasil é MUITO PIOR do que o que se lê acima, sobre o jornalismo nos EUA.
O “jornalismo” político no Brasil-2012 é o PIOR DO MUNDO!”
[Pano rápido]
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