5 de jan de 2012

Norah Jones

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Sorria, você está sendo curado

É de estarrecer a nota da Agência Estado, dizendo – é literal – que a prefeitura e o Governo de S. Paulo estão buscando usar “dor e sofrimento” como estratégia de combate ao uso de crack.
Seria, em resumo, ir enxotando os usuários e traficantes dos pontos onde se fixam, para forçar os primeiros a buscarem ajuda e os segundos a desistirem do negócio.
Diz o o coordenador anti-drogas da Governo do Estado, Luiz Alberto Chaves de Oliveira, conhecido como Dr. Laco (sem cedilha, por favor):
- A falta da droga e a dificuldade de fixação vão fazer com que as pessoas busquem o tratamento. Como é que você consegue levar o usuário a se tratar? Não é pela razão, é pelo sofrimento. Quem busca ajuda não suporta mais aquela situação. Dor e o sofrimento fazem a pessoa pedir ajuda.
E a secretária municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Alda Marco Antonio, promete até março – até março – que haverá 1.200 vagas para tratamento de dependentes.
O resultado desta genial terapêutica está retratado no portal R7: expulsos da Cracolândia original, proximo à Praça Julio Prestes, na capital paulista, viciados já montaram outra na Zona Sul Paulista e se espalham em pequenos núcleos próximos a região da Luz.
Ora, ninguém pode ser contra ações repressivas que impeçam a formação de “bairros do crack”, nem desconsiderar o direito dos cidadãos que moram e trabalham nestas áreas. Nem compreender que, em alguns casos, tenha de ser contida com mais que um “por favor” a agressividade de pessoas fortemente drogadas e nas condições deploráveis que o crack produz.
Mas um profissional e um chefe de um serviço de saúde pública dizer que causar “dor e sofrimento” seja uma ação terapêutica, pelo amor de Deus! Seria voltar aos primórdios da ciência médica, ou dar razão aos inquisidores da Idade Média que pensavam ser a masmorra e a tortura instrumentos de conversão à fé.
Mas aqueles pobres sujeitos, degradados e abandonados, merecem, não é? Certamente o Dr. Laco (sem cedilha, por favor), acompanha a polícia às festas chiques dos Jardins para provocar “dor e sofrimento” para fazer os consumidores de drogas “pedirem ajuda” para se tratar, segundo o mesmo critério terapêutico.
Fernando Brito
No Tijolaço
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Charge online - Bessinha - # 976

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War Made Easy / Guerra Feita Fácil

Excelente documentário, que explica com fatos reais, como os Estados Unidos da América entraram em todas as Guerras desde a 2ª Guerra Mundial.
A relação entre os Governos e os Meios de Comunicação Social para convencer/enganar a populacao estadunidense.
Legendado em Português - (se necessário, clique em CC). Duração: 1h13min
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Jornais afogados em números

Faz alguns anos que o nordeste brasileiro não aparece no noticiário da imprensa nacional em histórias trágicas sobre seca, migrações, flagelados. Ao contrário, aqueles estados têm apresentado os mais elevados índices de crescimento econômico entre as regiões do país e começam a atrair de volta nordestinos que se mudaram para outros estados e até mesmo trabalhadores especializados do sul e sudeste.
Parte desse milagre é atribuída aos projetos sociais de transferência direta de renda, como foi demonstrado em alguns seminários técnicos sobre o assunto realizados em São Paulo nos últimos anos. Mas no caso das secas, na verdade o que ocorre periodicamente é o atraso no ciclo das chuvas, causando a perda de lavouras.
A construção de açudes e abertura de poços, aceleradas nos últimos anos, ajudarama reduzir o problema climático, enquanto os programas sociais consolidam o combate à pobreza. Mas os açudes também ajudam a conter outro problema ambiental, o das inundações, que com frequência é erradamente chamado de desastre natural.
Tanto no nordeste quanto no sul do país, secas e inundações são fenômenos climáticos produzidos ou agravados pela destruição das matas e a intervenção humana nos cursos dos rios. Para prevenir esses desastres, foi criado o Programa de Gestão de Riscos e Resposta a Desastres, que susbsitui neste ano o antigo Programa de Prevenção e Preparação para Desastres, agregando as ações desse tipo que são atribuições de seis ministérios: Defesa, Ciência e Tecnologia, Meio Ambiente, Minas e Energia, Cidades e Integração Nacional.
As verbas para ações mais típicas de prevenção contra enchentes, como as obras de contenção de encostas e macrodrenagem, estão concentradas no Ministério das Cidades, que tem assegurados R$ 11 bilhões para o período de 2011 a 2015.
No último dia 3/1, terça-feira, o jornal O Estado de S.Paulo incluiu na lista de desastres a própria gestão das verbas do programa preventivo: segundo o jornal paulista, o ministro da Integração Nacional, o pernambucano Fernando Bezerra Coelho (PSB), destinou ao seu próprio estado nada menos do que 90% dos recursos para a contenção de enchentes em 2011. Os demais jornais de circulação nacional entram na história nesta quinta, dia 5, acrescentando que, em 2012, de novo, a verba contra enchente privilegia Pernambuco.
Verbas desviadas
O noticiário, principalmente o do Globo, tem um tom claramente bairrista – ou regionalista – ao comparar as verbas destinadas a Pernambuco com o dinheiro do Ministério da Integração Nacional enviado para Nova Iguaçu, no Estado do Rio. São diferenças astronômicas, de muitos milhões para prevenir enchentes em Pernambuco e alguns milhares de reais para Nova Iguaçu.
Mas o noticiário omite certos detalhes que, se não isentam o ministro Bezerra de ter agido de maneira a privilegiar a região onde tem sua base eleitoral, oferecem outra visão para a aplicação dos recursos.
Por exemplo, ao informar que Pernambuco vai receber em 2012 11,6% do total da verba geral para obras de prevenção, o tom da reportagem é de denúncia, quando na verdade aquele estado fica em terceiro lugar entre as unidades da federação que serão beneficiadas.
Considerando que a distribuição é feita segundo o grau de risco de cada região, não se deve estranhar que Pernambuco fique em terceiro entre as prioridades, atrás de São Paulo e Rio, uma vez que Santa Catarina, outro dos estados onde têm ocorrido enchentes trágicas, vem recebendo verbas e realizando obras há mais tempo.
Além disso, é preciso considerar que a liberação de recursos está condicionada à apresentação de projetos e não é apenas ironia o fato de Pernambuco ter apresentado mais projetos.
Os números indicam que Fernando Bezerra privilegiou realmente seu estado, e os dados da execução orçamentária confirmam que, da verba sob responsabilidade do Ministério da Integração Nacional, 21,9% foram destinados a Pernambuco em 2011.
Mas o noticiário tenta transferir para todo o programa de prevenção o caso isolado de Bezerra, que provavelmente agiu diretamente para acelerar os projetos em sua região.
Para se ter uma idéia do total aplicado nas ações de combate às enchentes, a imprensa deveria contabilizar todos os recursos destinados ao programa, em cada ministério, e cotizar sua aplicação com os projetos apresentados pelos estados. Além disso, é preciso dar conta de outros desvios, como os casos de verbas retiradas do programa de combate a desastres naturais e aplicadas em outras finalidades.
As enchentes estão aí mais uma vez, em muitos municípios as obras preventivas nem começaram e os jornais, empenhados em derrubar o ministro, deixam de informar o leitor sobre o que realmente vem acontecendo, como alguns sinais de corrupção e uso indevido das verbas.
Luciano Martins Costa
No Observatório da Imprensa
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Por que Lula é tão querido

Lula com a mulher Mariza
“Difícil não é subir”, escreveu o historiador francês Jules Michelet. “Difícil é, subindo, você permanecer o mesmo.”
Acho que essa frase explica a razão pela qual todos gostam de Lula, excetuada uma parcela retrógrada da classe média que tem preconceito contra pobres e nordestinos, sobretudo se eles ascendem.
Escrevi, no artigo anterior, sobre o oposto: por que Serra é tão amplamente detestado. Decidi ir para o inverso. Pessoalmente, tenho por Lula uma admiração moderada e distante. Entrevistei-o algumas vezes no começo dos anos 1980, quando os metalúrgicos do ABC sob seu comando articulavam as primeiras greves desde 1964. Nessa época, eu era repórter de economia da Veja. Achei-o vivamente inteligente: jamais confundi QI com a aquisição de diplomas.
Raras vezes votei em Lula. A ocasião em que tive mais convicção para votar nele foi quando seu adversário era Fernando Collor de Mello. Tive, na juventude, alguns problemas com o PT. Meu pai disputou a presidência do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo no final da década de 1970 contra uma chapa formada por pessoas que depois estariam no PT. O candidato rival de meu pai era Rui Falcão, de quem guardo uma imagem lhana e delicada. Jogou limpo e perdeu com dignidade. Mas muitos dos jornalistas que apoiavam Rui me pareceram arrogantes e grosseiros nas assembléias em que se debatia a greve. Alguns chamaram meu pai de “a voz dos patrões” porque ele antevira com presciência as enormes dificuldades que a greve enfrentaria para funcionar. Daí meu incômodo com o PT, que seria fundado em 1980, pouco depois da eleição do Sindicato de Jornalistas vencida por papai.
Lula, talvez por não ser um intelectual, jamais foi o típico petista que vê (ou via) o mundo de cima para baixo. Num determinado momento, muitos suspeitaram de que ele seria manipulado pelos intelectuais que o cercavam e o educavam. O tempo mostrou que isso jamais aconteceria. Lula, por sua extraordinária liderança, sempre comandou seus professores. Em nenhum momento foi teleguiado.
À medida que foi ganhando estatura, mexeu na aparência, mas não no conteúdo. Aparou a barba, colocou paletó e gravata. Mas não se vendeu. No começo de minha carreira, circulou uma história que, verdadeira ou não, mostra como Lula era visto. Uma montadora, no final do ano, teria deixado um carro na frente da casa de Lula como um presente. O objetivo era conquistar a aliança de Lula para que as reivindicações dos metalúrgicos fossem contidas. O carro, segundo a história, foi prontamente devolvido.
Lula é simples sem ser simplório. Fala como o brasileiro das ruas genuinamente. Se numa campanha vai a uma feira comer pastel com os eleitores, parece que está em seu habitat. Com Serra é o oposto: vê-se que ele, como o general Figueiredo, o último presidente militar, não gosta muito do “cheiro do povo”. Serra, para o brasileiro médio, jamais será o “Zé” de suas campanhas.
Lula, sob contínuos ataques da mídia no final de seu primeiro mandato, não vergou – o que é um sinal de força interior. Rumores afirmavam que ele estaria bebendo cada vez mais, e a ponto de renunciar ou cair como Collor. Vistas as coisas em retrospectiva, tais rumores soam como piada.
Um estadista tem que ter musculatura para suportar estoicamente as agressões. Conta-se que Fouquet, revolucionário francês, dormiu na sessão da Convenção em que era julgado e corria o risco de ser condenado à guilhotina.
No poder, Lula foi essencialmente o mesmo de sempre. Mudou o foco da administração para o combate à miséria – um ato que lhe dá um lugar de honra na história do Brasil. Ao mesmo tempo, foi pragmático o bastante para ajudar as empresas brasileiras – sobretudo as exportadoras. Jorge Paulo Lehman contou uma vez numa conversa da qual participei que Lula pegou o telefone e ligou para a embaixada brasileira em Buenos Aires ao saber que a Anbev de Leman enfrentava dificuldades burocráticas na Argentina. “Em situações parecidas, o Fernando Henrique dizia que ia resolver o problema e depois não fazia nada”, disse Leman. Vi também uma vez o então presidente da Vale do Rio Doce Roger Agnelli contar uma história parecida.
Lula subiu sem deixar de ser o mesmo, uma coisa rara como dizia Michelet. Por isso, acima de todos os outros motivos, é tão amado — e é também em consequência disso sobretudo que milhões de brasileiros, entre os quais me incluo, fecham o ano torcendo para que ele se recupere do câncer na garganta tão usada para defender os trabalhadores.
Paulo Nogueira
No Diário do Centro do Mundo
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Por que Serra é tão detestado

Uma unanimidade
Por que Serra é tão detestado?
Me chamou a atenção a alegria com que muita gente recebeu as controvertidas denúncias contra Serra no livro A Privataria Tucana. Me parece que para muitos a principal virtude do livro consiste em atacar Serra.
É irônico vê-lo no papel de privatizador, ele que sempre pareceu contrariado com as privatizações e que jamais se identificou com o ideário neoliberal. Serra é o clássico ‘dirigista’, alguém que acha que o país deve ser guiado de cima para baixo por um Estado forte. Há, aí, uma comunhão de idéias entre ele e o que foi o mais esclarecido presidente nos anos militares, Ernesto Geisel.
Os jornalistas não gostam de Serra por um motivo óbvio: se puder, ele liga para os donos para tentar suspender uma reportagem que ele suspeite que não o tratará como herói. Caso saia um artigo que o irrite, ele também responde com ligações privadas para os donos ou os chefes do autor. Até em bobagens. Uma vez, quando trabalhava na Exame, dei a um texto sobre mais uma derrota eleitoral de Serra um título extraído de um poema de Gonçalves Dias: “Ainda uma vez, adeus”. Meu chefe na época, Antonio Machado, me avisou que Serra tinha ligado para se queixar de mim.
Muitos jornalistas atribuem sua demissão a pedidos de Serra. Em minha carreira, só vi alguém com o mesmo perfil: Delfim Netto, o czar da economia em boa parte do regime militar. Os jornalistas sabíamos que Delfim não hesitava em pedir cabeças quando contrariado com algum texto.
Sabemos, então, por que Serra é rejeitado pelos jornalistas. E pelos demais?
Bem, Serra parece reunir todas as características que fazem as pessoas desgostar de alguém. Tem um claro ar de superioridade, sem que haja razões para isso. Serra é, por formação, economista, mas jamais produziu um livro original, com idéias econômicas inovadoras. Sua arrogância se sustenta muito mais num caráter ególatra do que em bases de realidade, e isso incomoda duplamente. Se é difícil suportar um gênio difícil, pior ainda é aturar uma pessoa normal que se comporta como gênio.
Serra é, também, invejoso. Ele não participou da equipe que fez o Plano Real, e por isso jamais reconheceu nele a importância histórica de devolver aos brasileiros uma moeda que não se corroía continuamente.
Também não é grato. Em 2002, em sua campanha fracassada, jamais deixou claro aos brasileiros que se alinhava com o homem que viabilizara sua candidatura: Fernando Henrique Cardoso. Compare com a atitude de Dilma perante Lula. Dilma, numa cartinha recente a FHC, disse muito mais sobre a importância dele como presidente do que Serra em toda uma vida em que ambos estiveram na mesma trincheira.
A todos os atributos negativos, Serra acrescentou na última campanha um outro: a hipocrisia. Ele quis parecer um homem do povo, alguém que gosta de estar no meio das pessoas numa feira comendo pastel e falando do último capítulo de novela.
Não colou.
Nem vou remeter ao farisaísmo presente na patética tentativa de transformar uma bolinha de papel num atentado na última campanha. Numa hipótese benevolente, isso foi fruto ao mesmo tempo do marqueteiro de Serra e de seu próprio desespero diante das pesquisas que já o davam como morto. Foi um horror, é verdade, mas com atenuantes. Por isso passemos por cima do falso atentado. Fiquemos com a essência: antipatizar com Serra é uma das raras coisas comuns aos brasileiros.
Dizer que o brasileiro não sabe votar é um clichê. Mas não ter levado Serra ao Planalto por duas vezes é uma evidência de que o brasileiro sabe pelo menos em quem não votar.
Paulo Nogueira
No Diário do Centro do Mundo
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Pelo poder


No filme "Tudo pelo poder" alguém diz que o único pecado imperdoável num político americano é o pecado da carne — mesmo na forma branda de rapidinhas com estagiárias predispostas. Um dos pré-candidatos republicanos às eleições presidenciais deste ano nos Estados Unidos já foi obrigado a desistir depois que se revelou que ele era um predador sexual.
Muitos homens públicos americanos tiveram que se submeter a um ritual de contrição pelos seus pecados — geralmente com a esposa estoicamente ao seu lado, diante dos repórteres e das câmeras — antes de renunciar ao cargo ou à candidatura.
O que nos leva a pensar no contraste com o Brasil, onde a vida sexual de cada um é raramente um fator na disputa política. Nossos escândalos são assexuados, a vida privada permanece privada mesmo em meio ao maior tiroteio. E há quem diga que alegações sobre infidelidade matrimonial, voracidade sexual, etc. só aumentariam a popularidade de um político brasileiro. Mas não sejamos cínicos.
O filme "Tudo pelo poder" é bom. George Clooney é um candidato a candidato à presidência em campanha numa primária estadual. É um democrata idealizado, com opiniões que o próprio Clooney gostaria de ouvir de um candidato real — ou seja, o que ele esperava que o Obama fosse, e não foi. Seu opositor na primária mal aparece no filme, não tem nenhuma importância no enredo. O conflito acontece dentro da sua equipe, onde, com uma exceção, todos os personagens principais se revelam, de uma forma ou de outra, carentes, digamos, de caráter.
E aí é que está um dos poucos defeitos do filme: o único personagem que se salva, que tem um comportamento ético e que acaba pagando por ser a exceção é interpretado por Philip Seymour Hoffman, que ninguém nunca viu fazer papel de herói moral.
Além do pouco convincente Hoffman, Clooney, que coescreveu e dirigiu o filme, não livra a moral de ninguém, nem do seu candidato ideal. Fez um filme pessimista sobre a falibilidade humana, mesmo dos melhores humanos. O título em inglês, "Os idos de março", evoca o "Júlio Cesar", de Shakespeare, mas no filme ninguém esfaqueia ninguém à traição. As traições são mais sutis.
INJUSTIÇA
O mais terrível da morte aos 41 anos do Daniel Piza, com quem convivi menos do que gostaria, é não ter contra o que dirigir nossa indignação pela brutal injustiça. Foi a fatalidade, foi a vida... nada que se possa responsabilizar pelo que nos fizeram.
Luis Fernando Veríssimo
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MST responde a editorial de O Globo: “É muito cinismo!”

O MST é um dos maiores e mais bem organizados
movimentos sociais do mundo

Em nota divulgada nesta quarta-feira, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra desconstruiu os argumentos que levaram o diário conservador carioca O Globo a publicar editorial, em sua edição passada, intitulado: A revisão da reforma agrária. Na nota, o MST responde a cada parágrafo, às falácias do editorialista, de forma a restabelecer a realidade dos fatos que emperram, há séculos, a verdadeira democratização do campo e a concessão da terra para quem nela trabalha.
Leia, na íntegra, em itálico e em destaque, a resposta do MST.
A revisão da reforma agrária
A reforma agrária é tema que se eterniza na agenda do país. Até faz sentido, pelo lado histórico, pois foi grande o contencioso agrário herdado pela República de um Brasil Colônia em que doações de extensas áreas de terras a protegidos do Rei lançaram as fundações do latifúndio. Porém, o assunto só continua em pauta, com destaque, na segunda década do século XXI, mais por pressão de grupos políticos organizados do que decorrente de uma contingência da realidade.
É muito cinismo. Um por cento dos proprietários controlam 49% das terras. quatro milhões de famílias vivem no campo sem terra, e o Brasil é o campeão mundial em concentração da propriedade. Isso são dados da realidade, não de discurso!
Não é politicamente correto admitir que o avanço do capitalismo no campo brasileiro fez aquilo que muito discurso ideológico, à esquerda e à direita, prometeu e não cumpriu: gerou renda, empregos, redistribuiu terras e, na prática, acabou com o “latifúndio improdutivo”. Mas esta é a realidade.
O capitalismo no campo se desenvolveu, os capitalistas nacionais e estrangeiros tomaram conta da produção, mas concentrou a renda, O desemprego aumentou e em vinte anos passamos de 10 milhões de assalariados rurais para apenas 2,2 milhões. Nao distribuiu terras. Não acabou com o latifúndio improdutivo. Segundo dados do Incra de 2010, há mais de 170 milhões de hectares em grandes fazendas improdutivas. Isso que o indice aplicado é ainda de 1975.!
E a concentração da produção, esta gerando uma distorção, que 85% de todas terras cultivadas se destinam a apenas quatro produtos de exportação: pecuária extensiva, soja, milho e cana.
A partir da década de 70, na conquista do Cerrado, ao iniciar o salto para se tornar uma potência no setor, o país empurrou a fronteira agrícola em direção ao Centro-Oeste, e tornou pouco importante a reforma agrária. Prova disso é que o ativo abre-alas desta reforma, o MST, há algum tempo enfrenta dificuldades para reunir massas de manobra entre agricultores. Termina tendo de alistar “sem-terra” entre o lumpesinato em pequenas e médias cidades do interior.
Não é verdade que as familias que ocupam terra ou estão acampadas, tenham origem urbana. O Incra fez o levantamento e constatou que apenas 10% tem origem urbana. Mas se tivessem, haveria algum problema de pobre da cidade exigir o direito de trabalhar na terra? Quando políticos de maos lisas compram imensos latifundios, como fez o então senador FHC, ou o banqueiro Dantas, acumula 600 mil ha no sul do Para, alguem pergunta se eles tem vocação agrícola?
Com razão, portanto, a presidente Dilma, no primeiro ano de governo, decidiu rever o programa de distribuição de terras, e só depois de muita pressão dos chamados “movimentos sociais” assinou os primeiros decretos de desapropriação.
O presidente do Incra, Celso Lacerda, confirma a revisão e faz uma pergunta básica: “O que adianta criar assentamentos e não dar estrutura, crédito, assistência técnica?”
Se a reforma agrária fosse movida pelas leis da lógica, com base na racionalidade, e não por combustíveis ideológicos, a pergunta seria desnecessária. Infelizmente, muito dinheiro público tem sido gasto apenas para efeito propagandístico e por pressão de aliados do governo. Fez bem o Palácio ao não perseguir apenas por perseguir a meta de 40 mil famílias assentadas em 2011.
É hilário, a burguesia bater palmas porque o governo fez muito pouco ou preferiu nao fazer!
O resultado de muitos assentamentos dá razão ao Planalto. Há inúmeros casos de venda de lotes por quem os recebeu para explorá-los de forma produtiva – isso quando a terra não é simplesmente abandonada.
Dados oficiais mostram que, de 2001 a julho de 2011, das 790 mil famílias assentadas, 13% (103 mil) terminaram excluídas do programa. Com o detalhe de que 78% delas abandonaram ou venderam os lotes. Em Mato Grosso e no Rio Grande do Sul, 25% das famílias foram alijadas da reforma agrária.
O abandono dos lotes por 13% das familias que originalmente conquistaram a terra faz parte da normalidade que acontece em qualquer assentamento humano, inclusive em condomínios de luxo. Segundo a FAO, a média mundial é de 15% de desistencias, como parte natural das adequações humanas. Isso ocorre na África, Ásia, e até nos condomínios de luxo da Barra da tijuca. Mas O Globo nunca argumentou que não vale a pena ter condomínios de luxo, ou edificios de luxo, só porque mais de 15% mudaram de endereço.
E, aqui no Brasil, ainda o indice de 13% foi engordado pela ocorrência de desistência maior nos projetos de colonização da Amazonia, sem nenhuma condição, onde a desistencia chega a 45%. Já nas regiões Nordeste, Sul e Sudeste, o índice de desistência é insignificante.
A manipulação é tal, que a forma como foi escrito o paragrafo leva o leitor a imaginar que 78% das familias abandonaram…
A imprevidência levou, ainda, a que a reforma agrária seja forte agente de devastação na Amazônia. Mal localizados, sem apoio para o cultivo, assentados não têm alternativa a não ser derrubar a floresta para vender a madeira.
O MST e todos os movimentos sociais do campo sempre foram contra os projetos de colonização na Amazônia. E quando ocorrem são projetos de colonização e não reforma agraria. Manipula-se de novo, como se os movimentos fossem responsáveis pelo desmatamento da Amazônia, quando todos sabem quem são os verdadeiros culpados: o agronegócio da soja, da madeira e da pecuária extensiva!
Caso se consiga dar suporte técnico, financeiro e de infraestrutura aos assentamentos existentes – o óbvio -, já será uma revolução. Se o foco for consertar os erros do passado, o governo entrará em rota de colisão com grupos de sua base política, interessados em manter o franco acesso ao Tesouro em nome da “reforma agrária”. Deverá ser inevitável a reação do aparelho de militantes sem terra instalado no Ministério de Desenvolvimento Agrário e Incra. Mais um “fogo amigo” a ser enfrentado pela presidente.
O MST está cansado de apresentar propostas concretas como programas de desenvolvimento de agroindústrias, de cooperativas, de programas de reflorestamento, de escolas rurais, de moradia, para atender as necessidades das familias assentadas. Só na moradia há um déficit de 180 mil casas, ainda não construídas para as familias que são consideradas assentadas e vivem em condições precárias. É nossa obrigação pressionar e exigir o atendimento de medidas basicas. Mais facil e normal é quando o governo sofre pressão politica, quando não libera verbas de publicidade para a imprensa burguesa, que se formou mamando nas tetas do Estado, e até hoje vive disso!
Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST)
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Aécio Neves tem péssimo desempenho no Senado e frustra os próprios aliados

Levantamento do Valor Econômico sobre o desempenho do senador Aécio mostra uma atuação bastante discreta. Apenas nove projetos apresentados e nenhum aprovado; pouco, para quem tem a missão de articular a oposição
Com José Serra nas cordas, depois do lançamento do livro “A privataria tucana”, pesam sobre os ombros do senador mineiro Aécio Neves todas as esperanças do PSDB para retornar ao poder. Pré-candidato declarado à presidência em 2014, Aécio já começou a viajar pelo País para fazer palestras e angariar eventuais apoios.
Mas a reputação que Aécio possui de bom articulador político está sendo questionada, nesta segunda-feira, numa reportagem publicada pelo jornal Valor Econômico. O balanço dos 12 meses da atuação de Aécio no Senado revela uma atuação bastante discreta, quase invisível. Aécio apresentou apenas nove projetos de lei, e nenhum deles foi aprovado, assim como a única proposta de emenda constitucional colocada por ele.
Em alguns casos, as ideias eram boas, mas faltou articulação. Um dos projetos de Aécio previa abatimento no Imposto de Renda dos empresários que fornecem educação a seus trabalhadores. Outro amplia os benefícios previdenciários de casais que adotam crianças – neste caso, um projeto apresentado em conjunto com o senador Lindbergh Farias, do PT. Os demais estavam relacionados a filigranas tributárias, como as compensações que a União deve pagar a estados e municípios.
Embora o governo disponha de uma base confortável no Senado, Aécio sempre vendeu a ideia de ser capaz de se articular com a oposição, como fez nas eleições municipais de 2008, quando obteve o apoio do PT para seu candidato, Márcio Lacerda, em Belo Horizonte. No Senado, no entanto, sua tarefa vem sendo bem mais difícil.
No Pragmatismo Político
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O senador parlapatão

O senador gaúcho Pedro Simon (PMDB), que só fala de ética acima do rio Mampituba - aquele que faz a divisa do Rio Grande com Santa Catarina -, amigo de Paulo Brossard, Eliseu Padilha, Antônio Britto e Yeda Crusius, dentre outros, vem agora elogiar a presidenta Dilma e seu governo para quem sabe também ganhar alguma popularidade. Por favor, senador, nos poupe!
Dilma e o caminho de San Tiago
O Congresso Nacional realizou uma sessão envergonhada na manhã de 12 de dezembro passado, uma reunião quase sigilosa, virtualmente secreta, sem direito sequer às imagens da TV Senado. Integrado por 594 representantes, o Parlamento brasileiro estava ali com apenas três senadores e um deputado em plenário, além de dois convidados na mesa. Parecia uma homenagem a um subversivo em plena ditadura militar, mas era o reconhecimento, cem anos após o seu nascimento, a um dos grandes democratas de nossa história: Francisco Clementino de San Tiago Dantas, chanceler do fugaz gabinete parlamentarista de Tancredo Neves no Governo João Goulart.
À beira de seu túmulo, morto cinco meses após o golpe de 1964 que derrotou a ele e a todos nós, o economista Roberto Campos, um dos cérebros do novo regime, reconheceu: “San Tiago Dantas é a figura mais extraordinária, mais genial de toda a nossa geração”. Foi o “Homem de Visão de 1963″ em tempos aguçados pelos visionários de todas as tendências. San Tiago marcou época e posição, como chanceler, implantando o conceito da Política Externa Independente numa era que dividia o mundo entre o lado de lá e o lado de cá, União Soviética ou Estados Unidos. San Tiago era a síntese de suas contradições: advogado de grandes empresas, defendia a justiça social como membro do PTB de centro-esquerda; não-marxista, reatou relações de Brasília com o regime de Moscou; admirador do sistema político dos Estados Unidos, defendeu o direito de Cuba à autodeterminação e votou contra sua expulsão da OEA em 1961.
Neste mesmo Congresso, ainda jovem, eu testemunhei em 1962 uma das cenas mais memoráveis: San Tiago aplaudido de pé, durante vários minutos, após apresentar o seu plano de governo para o gabinete que sucederia Tancredo Neves. Era uma peça fantástica, no plano político e econômico. E vi também, nesse dia, um dos fenômenos mais constrangedores da história dessa Casa: aclamado de pé, ovacionado, o orador não foi aprovado como novo chefe do governo parlamentarista.
Meses depois, cessada a experiência parlamentar, João Goulart retomou seus plenos poderes com um ministério que emocionava pela biografia de seus integrantes. Alguns nomes dessa constelação: Darcy Ribeiro, Eliezer Batista, Evandro Lins e Silva, Hélio Bicudo, Hermes Lima, João Mangabeira, José Ermírio de Moraes, Miguel Calmon, Ulysses Guimarães, Walter Moreira Salles, Waldir Pires, Anísio Teixeira, Paulo Freire, além do próprio San Tiago.
Pois veio o golpe, derrubaram e cassaram João Goulart — com o apoio da Igreja e com os editoriais da grande imprensa, que fantasiava e caluniava o governo deposto. Apesar disso tudo, nenhum daqueles nomes apareceu envolvido em malfeitos ou desvios do dinheiro público. Nenhum ministro foi cassado por corrupção — e foram cassados muitos, perseguidos tantos, humilhados todos. Nenhum deles teve uma vírgula de contestação à dignidade, à honorabilidade de biografias que orgulhavam a República e a Nação.
Essa é uma observação importante para a presidente Dilma Rousseff no momento em que completa seu primeiro e exitoso ano de governo, já pensando na saudável reformulação de seu ministério para 2012. Cada vez mais segura e determinada em sua missão, com a cara limpa de seu estilo de governo, sem as heranças e compromissos políticos que restringiram o seu início de mandato, a presidente Dilma poderá, enfim, imprimir a marca pessoal que o Brasil aprendeu a admirar, expressa na aprovação recorde de 72% da população, superando o primeiro ano do governo de seus antecessores, FHC e Lula.
Presidente Dilma: siga o caminho de San Tiago. Faça a sua escolha, exclusivamente sua, tendo como regra os padrões de independência, seriedade, competência e integridade que resumem a biografia deste grande, digno, correto, decente, coerente brasileiro. Trilhando o caminho de San Tiago, presidente Dilma, a senhora poderá dar ao seu Governo e ao País o ministério que os brasileiros esperam e merecem.
Um feliz 2012 para a senhora e para o Brasil.
Pedro Simon (PMDB-RS) é senador da República.
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Sorria, você está no PiG

Fábio Alexandro Sexugi vê o PIG:
No Conversa Afiada
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