1 de dez de 2012

A Guerra da Burca, Persépolis & um calendario de iranianas Nuas

A GUERRA DA BURCA
Em 14 de Abril de 2010 o senado Francês Aprovou uma lei que proíbe o uso da Burca e do niqab, "trajes tradicionais islâmicos" em locais públicos, a lei entrou em vigor em Abril desse ano (2012), e desde então vem dividindo opiniões e causando críticas e protestos por parte das mulheres muçulmanas mais ortodoxas que moram no país.  A lei se baseia na alegação de que este tipo de vestimenta provocaria danos às regras que permitem a vida em comunidade, além de ofender a dignidade da pessoa e a igualdade entre os sexos. Segundo estatísticas 82% dos franceses apoiaram tal lei. O uso da Burca e de suas vertentes como o Niqab, o Hidjab e o Xador, deve-se ao fato de muitos muçulmanos acreditarem que o livro sagrado islâmico, o Alcorão, e outras fontes de estudos, como Hadith e Sunnah, exigem que homens e mulheres vistam-se e se comportem modestamente em público. No entanto, esta exigência tem sido interpretada de diversas maneiras pelos estudiosos islâmicos e comunidades muçulmanas, já que a burca não é especificamente mencionada no Corão e nem no Hadith.
Independentemente as opiniões e especulações feministas ou governamentais, acerca da obrigatoriedade do uso da burca. O fato é que tais vestimentas para algumas muçulmanas, mais do que meros trajes são uma demonstração pública de sua fé e de suas crenças morais, assim como o crucifixo o é para os cristãos e o Quipá para os Judeus, e tirar dessas cidadãs o direito a liberdade de aderir ou não a tal costume religioso, é um ato um tanto quanto despótico, além de ferir a Declaração Francesa de 1789 sobre os Direitos do Homem e do Cidadão. 
Algumas muçulmanas alegam que a proibição seria uma forma de diminuir a influência dos países muçulmanos no território francês, visando garantir a soberania da França, da sua cultura e dos seus valores, já que o país é um dos que mais recebe imigrantes muçulmanos em seu território, contando com aproximadamente 5 milhões de adeptos.
DA OCIDENTALIZAÇÃO MUÇULMANA
Mas existe também uma grande vertente de mulheres que já se movimentaram anteriormente, em protesto contra a obrigatoriedade do uso da Burca e seu significado sexista, como é o caso da egípcia Aliaa Magda Elmahdy, que causou alvoroço em Novembro de 2011 ao postar em seu blog (Diário de uma rebelde) e posteriormente no Twitter, uma foto sua sem roupas e se definir como “Revolucionária Da Foto Nua”. Aliaa definiu o ato em seu Facebook como um grito contra a violência, o racismo, o sexismo, o assédio sexual e a hipocrisia. O Egito um país de maioria também Muçulmana sempre foi um país conservador, onde a maioria das mulheres tapa o rosto e corpo.
Em função de tais fotos e declarações, Aliaa e seu namorado e também activista Kareem Amer, receberam uma série de ameaças de morte e até mesmo processos judiciais. Segundo as leis islâmicas Aliaa pode receber uma série de punições, a Coalizão Egípcia de Graduados em Direito Islâmico já fez uma representação contra a blogueira. Que poderá receber, se condenada, 80 chibatadas em praça pública ou pena de morte.
Mais tarde ainda rolou uma campanha intitulada "Uma Lei para Todos". Visando protestar contra o Islã político, termo usado para designar a mistura da religião com a política. O Movimento contou com um calendário (disponível para leitura aqui no ópio clicando na imagem acima), onde diversas mulheres posaram nuas em solidariedade à egípcia Aliaa Magda Elmahdy.
Bom, o lance é que essa briga em torno do uso da burca e dos demais costumes muçulmanos esta longe de acabar, além do que, mexer com os ideais, a cultura ,e a religião islâmica, já se mostrou uma fria, e não me espantaria se qualquer dia desses um grupo extremista qualquer, postar no You tube o vídeo de uma turista francesa sendo degolada, sob a acusação de ter feito topless no golfo Pérsico.

AS OBRAS:

Bom fora os livros sagrados o Alcorão, o Hadith, e a Sunnah, disponíveis para leitura nos respectivos links, e o calendário Nude Photo Revolutionaries Calendar (disponível para leitura clicando na imagem da capa), postei também a obra Persépoles,  uma Grafic Novel autobiográfica escrita pela iraniana Marjane Satrapi, que viu seu país ser virado do avesso a partir de 1979, com a revolução islâmica. Em questão de meses o Irã entrou numa onda de conservadorismo e repressão que fez o país se fechar para o resto do mundo e empurrou-o, em muitos aspectos, de volta à Idade Média. Alias a HQ rendeu um longa de animação lançado em Fevereiro de 2008 e dirigido pela própria Marjane Satrapi (Saiba mais clicando aqui).

NUDE PHOTO REVOLUTIONARIES CALENDAR VÍDEO:
No Ópio do Trivial
Dica do amigo Itárcio José de Sousa Ferreira

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