7 de ago. de 2012

A comuna de Paris contada em imagens

Em homenagem aos 140 anos da Comuna, a Caros Amigos publica ilustrações do Grupo John Reed, de Nova York, que remontam a história do movimento. No Brasil, atividades em diversas cidades celebram a data. (18 de março de 1871)
No verão de 1870, a burguesia francesa conclamou seu país para uma guerra com a Prússia. O governo e líderes do exército eram corruptos.
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Houve uma série de derrotas. Finalmente, em setembro, 80.000 homens mal treinados e equipados foram jogados contra a potente máquina de guerra prussiana. Os franceses foram cercados e derrotados. Napoleão III, e quase metade de seu exército foi capturado, bem como as tropas de Paris, e os prussianos invadiram a capital.
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Mas, os cidadãos de Paris organizaram uma Guarda Nacional. Eles já sentiam a falta de alimentos: longas filas de famintos esperavam por pão às portas das padarias. Mas, os cidadãos conquistaram vários canhões para defenderem-se dos prussianos e os colocaram nas fronteiras de Paris.
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Neste movimento, os ricos viram um perigo para eles, não menor que para os prussianos. As massas foram despertadas por um fervor revolucionário: as armas poderiam ser utilizadas tão facilmente contra o inimigo prussiano quanto contra a burguesia. O governo francês ordenou a captura dos canhões. O alarme foi dado: todos os trabalhadores da cidade, tanto as mulheres quanto os homens, saíram em sua defesa. E as tropas do governo se confraternizaram com os defensores.
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Em 18 de março a Comuna foi proclamada. O Governo retirou-se com suas tropas para Versalhes, temendo o contágio com a Guarda Nacional rebelada. Os communards permitiram a partida das tropas, do governo e dos ricos, embora as tropas pudessem ter sido conquistadas e a riqueza da cidade pudesse ter sido mantida como refém da garantia de paz.
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A cidade, organizados em distritos e arredores, foi liderada por grupos de Communards - homens e mulheres, trabalhadores e intelectuais - que eram, como afirmou Lênin, criadores de "um novo tipo de Estado – O Estado dos Trabalhadores".
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E nas ruas a multidão se levantou para ler as proclamações desse novo Estado:
· separação da Igreja;
· nenhuma noite mais de trabalho nas padarias;
· nenhum imposto para os pobres;
· a prisão de sacerdotes;
· a reabertura de fábricas abandonadas;
· a abolição de multas contra os trabalhadores.
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Entretanto, em Versalhes, Thiers e seu governo reacionário, auxiliados por agentes da Prússia, planejaram um ataque à Comuna de Paris.
Milhares de soldados franceses capturados foram libertados e armados para o ataque já aguardado pelos communards.
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Barricadas foram levantadas nas ruas. Homens e mulheres trabalharam juntos para a sua construção e manutenção. Mas a cidade inteira não poderia ser assegurada. O burguês que permaneceu em Paris comunicava a Versalhes os lugares que estavam mais vulneráveis, e entre os dias 22 e 28 de maio, os soldados entraram pelos limites indefesos, com batalhas de uma semana sangrenta.
Os communards lutaram bravamente, numa última cartada em uma pequena seção de Paris. Cada pavimento era um campo de batalha, cada casa uma fortaleza. Desgastados e exaustos, os communards recuaram diante do avanço que não poupou nem a mulher nem a criança.
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Ainda lutando entre as ruínas incendiadas da cidade, eles foram capturados. Milhares foram mortos no local onde foram encontrados, milhares de outros - crianças, idosos e doentes - foram conduzidos a lugares abertos para serem fuzilados.
Cada destacamento de tropas de Versalhes era um grupo enlouquecido de carrascos que assassinou cada suspeito de simpatizante dos communards.
A Comuna deveria ser afogada em seu próprio sangue.
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E muitos ricos que retornaram à Paris foram para as calçadas assistir àquele horrível desfile e comemorar a sua vitória.
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O terror do governo não conhecia limites. No Cemitério Pere Lachaise e em dezenas de outros pontos, milhares de communards foram reunidos e fuzilados. General Gallifet, o “açougueiro”, ordenou que as tropas disparassem na multidão contra os muros. Os cadáveres eram jogados junto com aos feridos e sobreviventes. Uma parte do "Muro dos communards" ainda está de pé, e os rostos esculpidos que espiam de que são ao mesmo tempo um desafio ao domínio capitalista e um monumento aos mártires da Comuna.
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Em uma semana 40 mil trabalhadores foram assassinados. Em seguida, os communards que sobreviveram foram reunidos e submetidos a falsos julgamentos. Foram todos considerados culpados, executados ou enviados para as colônias tropicais.
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Lá, eles foram forçados a realizar o mais terrível trabalho escravo. Eles tinham ajudado a fundar o primeiro governo dos trabalhadores, e, como vingança, a burguesia vitoriosa os enviou para morrer com o excesso de trabalho e doenças, sob o domínio das tropas francesas no exterior.
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Com o maior cuidado e compreensão de Karl Marx tinha seguido o destino da Comuna. Imediatamente após sua queda, ele falou aos trabalhadores do mundo sobre as lições da sua ascensão e queda.
«Trabalhadores de Paris, disse ele, a sua Comuna será para sempre celebrada como o arauto glorioso de uma nova sociedade».
18 de março, aniversário da Comuna de Paris, é um dos marcos do avanço da classe trabalhadora. Desde 1871, tem sido um dia de celebração e de re-dedicação dos trabalhadores em cada país.
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A Comuna vive novamente!
Em outubro de 1917, 46 anos depois da Comuna de Paris, os operários da Rússia sob a liderança do Partido Bolchevique e de Lênin, decidiram pela criação do "Estado Permanente dos Trabalhadores”. Estes Communards russos, dirigidos a partir de Smolny por Lênin – com comitês dos trabalhadores, das fábricas, dos soldados e marinheiros que se juntaram à revolução proletária - derrotaram o governo burguês, sob o lema: "Todo o poder aos sovietes".
"A Comuna de Paris", disse Lênin, "foi o primeiro passo." A sociedade socialista a ser construída na União Soviética é o primeiro passo da marcha para a criação de uma Comuna Proletária Mundial.
Fonte: International Publishers, Panfletos Internacional n º 12, publicado pelo Clube John Reed, uma organização revolucionária de escritores e artistas em Nova York. Terceira edição, 1934.
Tradução: Beatriz Campos / Produção e revisão: Cecilia Luedemann
Fonte: Caros Amigos

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