31 de mai de 2012

Verdades incômodas sobre o mensalão

O leitor que tiver paciência de ler esta nota até o fim terá elementos melhores para julgar o debate envolvendo Lula e Gilmar Mendes.
Escrevi em nota anterior que o pano de fundo deste conflito envolve o ambiente político em torno do mensalão.
Uma das partes tem interesses em politizar o debate no ponto máximo. A outra tem esperança de convencer os ministros a apoiar-se em argumentos de natureza técnico, no exame das provas.
A leitura do relatório do delegado da Polícia Federal Luiz Flávio Zampronha, disponível na internet, é rico em detalhes e bastante completo na abordagem.
Só para o leitor ter uma ideia da radicalização da situação. Tratado pela imprensa, o relatório já foi exibido como prova definitiva da existência do mensalão. Também foi apontado como prova do contrário.
Em suas conclusões, o relatório mostra que se o PT não pode estar feliz com as denúncias apuradas, a oposição não tem o direito de festejar por antecipação.
É por isso que o julgamento é aguardado com tensão. Todo mundo espera um proveito político mas ninguém sabe o que pode acontecer.
Ninguém quer prestar atenção ao relatório.
Zampronha juntou os fios dos empréstimos bancários e dos contratos de publicidade do Banco do Brasil e concluiu que houve sim desvio de dinheiro público para pagar os compromissos assumidos pelo PT. Os dados estão lá.
O PT pode alegar, corretamente, que o mensalão de Delúbio Soares é igual ao mensalão mineiro e até pode dizer que o esquema dos tucanos mineiros está melhor demonstrado. Tudo isso é verdade. Mas a culpa de Marcos Valério em Minas pode até ajudar a denúncia em seu devido lugar. Mostra que o esquema do PT tinha antecedentes.
Mas nada disso ajuda a demonstrar que ele era inocente quando se juntou ao PT.
Pelo relatório, petistas e não petistas que deixaram sua assinatura em algum documento oficial terão dificuldades muito grandes para demonstrar que são inocentes.
O problema, para a oposição, é que essas conclusões estão longe de demonstrar a culpa dos 38 réus. Pior ainda. Para quem transformou José Dirceu no cérebro e gênio do mal, a investigação da Polícia Federal é uma decepção.
Evitando mencionar hipóteses que estão na mente de muitas pessoas, mas não podem ser comprovadas com fatos, o relatório não apresenta uma linha contra Dirceu.
Embora Zampronha não dê entrevistas, é fácil concluir o que aconteceu.
A culpa de Dirceu não foi registrada pela equipe de policiais encarregada de apurar os fatos capazes de incriminá-lo. Não há provas contra ele.
Não há uma denúncia nem uma testemunha. O próprio Roberto Jefferson, que fez acusações políticas a Dirceu em 2005, não apontou um caso específico nem uma situação precisa. Aliás: quem voltar à entrevista de Jefferson a Renata Lo Prete, na Folha, irá encontrar palavras em que ele testemunha a reação de Dirceu de crítica ao próprio Delúbio. Jefferson contou a Lo Prete que, ao ser informado do que ocorria, Dirceu até deu socos na mesa. (Ele também disse que Lula chorou).
Puro teatro maquiavélico, você pode dizer. Coisa de tem treinados profissionais do crime. São todos farsantes, mentirosos…Esses políticos são todos iguais. Quem sabe?
Falando para os autos, Jefferson também não falou sobre o esquema de “compra de votos no Congresso” nem de “compra de consciências”. Jefferson repete nos vários depoimentos que deu à Polícia que jamais votou em projetos do governo em troca de dinheiro. Lembra que ele e sua bancada estavam de acordo com as propostas de Lula. Dá exemplos.
Fala que o problema é que os petistas combinaram e não entregaram recursos para a campanha de 2004.
Jefferson, neste aspecto, concorda com aquilo que Delúbio sempre disse. Era dinheiro de campanha.
Já estou ouvindo um grito do leitor do outro lado: “P…que p…!”
“Não é possível!”
“O Paulo Moreira Leite enlouqueceu de vez!”
“Não percebe que a Polícia Federal faz o que o governo quer?”
Todos nós temos direito a uma opinião sobre o caso e seus protagonistas mas, acionada pela Procuradoria Geral da República, aquela que denunciou o governo pela montagem de uma “organização criminosa”, a Polícia Federal chegou a outro caminho.
Não demonstra o “mensalão”. Tampouco aponta para José Dirceu. Mas incrimina quem foi apanhado numa operação que implicava em desvio de recursos públicos. Não é pouca coisa, num país de altíssima impunidade. Mas não irá agradar quem acredita que estava tudo provado e demonstrado sobre a “quadrilha criminosa.”
Isso quer dizer que o Supremo irá seguir as recomendações da Polícia Federal? Nem de longe. Cada ministro tem o direito a suas convicções e próprias conclusões. O relatório da Polícia Federal pode inspirar alguns ministros, a maioria, a minoria, ou nenhum. Com certeza não será um julgamento unânime como a votação sobre cotas.
Não é inteiramente bom para nenhum lado. Nem totalmente ruim.
Paulo Moreira Leite
No Vamos combinar
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Japão e China iniciam troca de moedas direta

O governo Japonês anunciou que vai começar a troca de moedas direta com a China pela primeira vez, a demolição do dólar como unidade intermediária, pela primeira vez na tentativa de impulsionar os negócios entre os dois gigantes asiáticos.
O Ministro das Finanças Azumi, disse que o acordo entre a China e o Japão, que hoje são a segunda e terceira maiores economias do mundo, servirá para a fixação das taxas de Iene e Yuan.
A medida vai impulsionar o comércio e o investimento entre os dois países, e de acordo com a mídia japonesa esta será a primeira vez que uma moeda diferente ao dólar será comercializado diretamente com o Yuan.
Por não usar o dólar como moeda intermediária, os custos de transação e riscos de liquidação financeiras serão consideravelmente reduzidos nas negociações entre os dois países.
As negociações sob o novo regime vai começar entre Tóquio e Xangai em 01 de junho, disse Azumi.
A China ultrapassou o Japão para se tornar a segunda maior economia mundial em 2010, e seus vizinhos estão forjando laços estreitos com a China, apesar de frequentes brigas diplomáticas sobre reivindicações territoriais.
As potências econômicas também concordaram em promover o uso de suas moedas em transições bilaterais, tais como yuan denominado como moeda de investimento direto por empresas japonesas na China, para reduzir os riscos cambiais.
Os movimentos parecem ser uma estratégia de Pequim para internacionalizar o yuan, que será uma tentativa a longo prazo de tornar a moeda tão forte quanto o dólar.
O iene, por sua vez, bateu recordes históricos em relação ao dólar no ano passado, amassando os exportadores, cujo produtos se tornam mais caros no exterior quando a moeda se fortalece.
Autoridades financeiras japonesas se comprometeram a entrar no mercado de moeda corrente novamente para domar o valor da unidade, que está cada vez mais vista como uma moeda segura, o euro também tem estremecido devido as preocupações como a zona do euro e sua crise.
Japan Today
No Portal Nippon
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Elegendo "O mais preparado", o fumo continua. . .

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Convocar Agnelo foi tiro no pé da oposição

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Voar contradiz versão de Gilmar Mendes

Em entrevistas concedidas nos últimos dias, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes:
1. Disse que nunca voou em avião do bicheiro Carlinhos Cachoeira, mas que por duas vezes viajou em aeronaves cedidas pelo senador Demóstenes Torres (sem partido-GO).
As duas viagens, segundo Mendes, foram de Brasília para Goiânia e realizadas em aviões de uma empresa de táxi aéreo chamada Voar. Mendes afirmou ter viajado para participar de um jantar e de uma formatura, em 2010 e 2011.
3. Garantiu que não pegou carona de avião de São Paulo para Brasília com Demóstenes Torres, com quem se encontrou em Berlim e voltou para o Brasil.
Ligações  de 14 a 25 de abril de 2011,  interceptadas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo, revelam que Cachoeira não só estava a par da agenda de Demóstenes no exterior como lhe providenciou avião de São Paulo para Brasília, quando retornou ao Brasil.
14 de abril: o próprio senador avisa Cachoeira que vai viajar e passa o número de telefone que vai usar.
18 de abril: Wladimir Garcez comunica Cachoeira que Demóstenes já estava em Berlim.
23 de abril: Foram três ligações à noite entre Wladimir Garcez e Cachoeira para tratar do avião para Demóstenes Torres. Primeiro,  Wladimir pede autorização à Cachoeira para buscar o “Professor” (um dos codinomes de Demóstenes, segundo a PF), em São Paulo, no jatinho de alguém chamado Ataíde. Diz que está ele e Gilmar. Na degravação, a PF questiona entre parênteses (“?Mendes?”).
Depois, Wladimir diz a Cachoeira que não conseguiu falar com Ataíde e que mandaria o avião de Rossini, um jatinho King Air.
Por fim, Wladimir informa Cachoeira que já avisou piloto para pegar Demóstenes na segunda-feira, 25 de abril.
25 de abril: Wladimir comunica Cachoeira que Demóstenes já chegou.
Wladimir Garcez, também preso na Operação Monte Carlo, foi assessor de Cachoeira, diretor da Delta no Centro-Oeste, ex-vereador (PSDB-GO) e ex-presidente da Câmara de Vereadores de Goiânia.
Ataíde é Ataídes de Oliveira (PSDB-TO), 1º suplente do senador João Ribeiro,  do Partido da República (PR-TO), empresário do ramo de construção civil, amigo de infância e ex-vizinho de Carlinhos Cachoeira. Foi incluído pela Polícia Federal (PF) na lista de políticos ligados ao bicheiro.
Ataídes é, ainda, o dono da Cielo Táxi Aéreo, empresa de Anápolis, terra de Carlinhos Cachoeira. Segundo informação prestada à Justiça Eleitoral, detém 80% das ações da Cielo Táxi Aéreo, cujo capital social é de R$ 5,9 milhões.

Rossini é o empresário Rossine Aires Guimarães, apontado nas investigações da Operação Monte Carlo como uma espécie de sócio de Carlinhos Cachoeira.  Também é sócio majoritário da Ideal Segurança, comprada pelo delegado da Polícia Federal Deuselino Valadares, um dos denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) por envolvimento com Cachoeira.
Segundo inquérito do MPF e da PF, a Ideal seria usada para lavagem de dinheiro da máfia dos caça-níqueis. O empresário assumiu a maioria acionária da Ideal no ano passado. É dele o avião King Air, que transportou Demóstenes Torres de São Paulo a Brasília.
E a Voar?  Ela foi citada por Gilmar Mendes como tendo a sido a empresa de táxi-aéreo que o levou a Goiânia em 2010 e 2011.
Segundo  ofício encaminhado pela Voar à Comissão de Ética do Senado,  a empresa jamais prestou serviço de táxi-aéreo a Demóstenes Torres e a qualquer outra pessoa, pois ainda não tem autorização para exploração do serviço de táxi-aéreo.  Resumo dele foi lido pelo senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), presidente da Comissão de Ética, nos minutos finais da sessão que ouviu o depoimento de Demóstenes Torres, na terça-feira 29.
Nós contatamos a Voar, em Goiânia. A atendente informou que a empresa não faz o serviço de táxi-aéreo, mas forneceu o telefone de Rogério Mendonça (chamou-o de Rogerinho), que poderia nos indicar nomes que atuam na área. A Voar faz manutenção de aeronaves e hangaragem.
Assim, já que a Voar contradiz a informação de Gilmar Mendes, afinal, sob que asas o ministro do STF voou de Brasília a Goiânia em 2010 e 2011?
Teria sido a bordo de alguma aeronave “hangarada” nos pátios da Voar? Quem seria o seu dono?
Considerando que, em se tratando de avião, Demóstenes recorria aos préstimos de Cachoeira, será que Gilmar Mendes viajou numa das aeronaves da Cielo, do Ataídes de Oliveira, ou no King Air, do Rossine, ligados ao esquema do bicheiro?
E quem pagou a conta da aeronave na qual Gilmar viajou de Brasília para Goiânia?  Terá sido o próprio senador? Ou o bicheiro?
Considerando que, “por economia”, Demóstenes disse que usava o Nextel do Cachoeira, por que pagaria o aluguel  do avião que levou Gilmar Mendes a Goiânia? Seria uma mão lavando a outra?
Considerando que Gilmar Mendes tinha o mesmo “personal-araponga” de Cachoeira, o Jairo Martins, como não sabia das “vinculações” de Demóstenes Torres com o bicheiro?
Considerando que a CPI do Cachoeira é para apurar as relações entre as instituições públicas e a organização criminosa comandada pelo bicheiro, seria possível oficiar a Cielo e o dono do King Air, para saber quem, nos últimos três anos, viajou nas suas aeronaves?  Foi para onde e quando?
Conceição Lemes
No Viomundo
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Torcedores de Vasco, Fluminense e Botafogo se unem para manter Ronaldinho no Flamengo

Ronaldinho Gaúcho ainda não confirmou seu destino, mas deixou uma frase no ar: “A Grande Rio é a Grande Rio”
NINHO DO URUBU – Perplexos com o atraso nos pagamentos de Ronaldinho Gaúcho, torcedores dos demais times cariocas iniciaram uma vaquinha para que o craque aposentado continue vestindo o manto rubro-negro. “O Flamengo costumava ser um time de camisa. Mas, depois que o Assis passou na loja e levou todas, temos que nos unir para o barco não afundar”, explicou o vascaíno Sérgio Castro.
Donos de casas de shows, garçons, empresários da noite e DJs aderiram imediatamente ao movimento. “Calculamos que o PIB da noite carioca vai cair 55% se Ronaldinho tomar o rumo para outra cidade”, disse Roberto Amaral. “Estou perplexo”, publicou Thor Batista em seu twitter.
Atores globais e baluartes da MPB, como os tricolores Pedro Bial, Chico Buarque e Nelson Motta, se uniram a vascaínos como Roberto Carlos, Paulinho da Viola e Fernanda Abreu em prol da campanha “Ronaldinho Esperança”. “Esperamos arrecadar o suficiente para que Ronaldinho continue faltando a treinamentos e jogando com o freio de mão puxado”, garantiu Bial. Nenhum botafoguense foi encontrado para comentar o assunto.
No The i-Piauí Herald
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Impeachment para Gilmar Mendes

"Admito que o ex-presidente pudesse estar preocupado com a realização do julgamento no mesmo semestre das eleições. Isso aí é aceitável. Primeiro, porque é um leigo na área do Direito. Segundo, porque integra o PT. Portanto, se o processo envolve pessoas ligadas ao PT, obviamente, se ocorrer uma condenação, repercutirá nas eleições municipais."
A avaliação, simples mas correta, foi do ministro Marco Aurélio Mello, que sempre considerei o mais lúcido dos integrantes do Supremo Tribunal Federal.
Sim, é da natureza humana tentarmos convencer juízes a tomarem as decisões que nos convêm. O destrambelhado Gilmar Mendes só teria motivos para fazer a tempestade em copo d'água que fez:
  • se Lula o tivesse procurado para tentar influir na sentença do processo do mensalão;
  • se Lula lhe houvesse oferecido alguma forma de recompensa ou feito alguma ameaça, para tangê-lo a aceitar a postergação do julgamento para depois das eleições municipais.
Ora, nem em suas declarações mais furibundas à imprensa Mendes ousou acusar Lula de estar pressionando pela absolvição dos réus.
E, mesmo se acreditarmos na versão que Mendes deu do encontro e ninguém confirmou, a referência de Lula a (mais) uma ligação perigosa do seu interlocutor é insuficiente para caracterizar uma ameaça. Lula não disse nada parecido com "a militância do PT trombeteará dia e noite que é o Carlinhos Cachoeira quem custeia vossas viagens", mas, apenas, sugerido que convinha ao próprio Mendes deixar esses assuntos melindrosos para mais tarde.
É inadequado alguém falar nestes termos a um ministro do Supremo? Sem dúvida! Mas, o que Mendes esperava, ao aceitar um encontro a portas fechadas com Lula sem ter nada de pertinente a tratar com ele?
Se Mendes é tão sensível a hipotéticas insinuações, certamente não as ouvirá atendo-se à liturgia do cargo.
Como explica Joaquim Falcão, professor de Direito Constitucional da FGV/RJ:
"...no STF há hoje dois perfis distintos. De um lado ministros mais discretos, que não se pronunciam, exceto nas audiências, e que mantêm distância de Executivo, Legislativo e representantes de interesses em julgamento. Vida pessoal recatada.
Por outro lado há ministros que se pronunciam fora dos autos, estão diariamente na mídia, mantêm contatos políticos, participam de seminários e reuniões com grupos de interesse.
A questão crucial, dizem uns, não é se o ministro deve falar fora dos julgamentos, estar na mídia ou se relacionar social e politicamente. A questão é haver transparência antes, durante e depois dos relacionamentos. E que não faça política. As agendas, os encontros, as atividades dos ministros deveriam ser publicados de antemão.
Em alguns países o juiz não recebe uma parte sem a presença da outra, tão grande é a preocupação com a imparcialidade. O que alguns ministros praticam aqui no STF. Ou grava-se a conversa para assegurar a fidelidade do que ocorreu e proteger o ministro de propostas inadequadas".
Mendes é o pior exemplo de ministro pop star: pronuncia-se o tempo todo fora dos autos, só falta pendurar uma melancia no pescoço para aparecer mais na mídia, mantém contatos políticos a torto e direito, não recusa convites para eventos de poderosos que têm óbvio interesse em decisões do STF.
Pior, FAZ POLÍTICA (e sempre com viés direitista) - como quando produziu irresponsável alarmismo acerca de um estado policial que nem remotamente se configurava, ou quando contrapôs à frase da então ministra Dilma Rousseff, de que "tortura é crime imprescritível", a estapafúrdia afirmação de que "terrorismo também é" (esquecendo não só a diferença jurídica entre terrorismo e resistência à tirania, como também o fato de que a imprescritibilidade do terrorismo só viria a ser introduzida nas leis brasileiras depois dos anos de chumbo).
E nunca tem gravações para apresentar, que comprovassem suas denúncias delirantes e bombásticas.
O veterano jornalista Jânio de Freitas (vide íntegra aqui) nos brinda com uma constatação explícita e uma sugestão implícita:
"O excesso de raiva e a aparente perda de controle em Gilmar Mendes talvez expliquem, mas não tornam aceitável, que um ministro do Supremo Tribunal Federal faça, para a opinião pública, afirmações tão descabidas.
...Com muita constância, somos chamados a discutir o decoro parlamentar. Não são apenas os congressistas, no entanto, os obrigados a preservar o decoro da função".
Eu não insinuo, afirmo: já passou da hora de Gilmar Mendes ser submetido a impeachment.
Menos pela comédia de pastelão que está encenando agora e mais por haver, em duas diferentes ocasiões, privado da liberdade Cesare Battisti em função não das leis e da jurisprudência existentes, mas da esperança que nutria de as alterar.
Quando o ministro da Justiça Tarso Genro concedeu refúgio ao escritor italiano, cabia ao presidente do STF suspender o processo de extradição e colocá-lo em liberdade, como sempre se fizera. Mas decidiu mantê-lo preso, confiante em que convenceria seus colegas ministros a detonarem a lei e a instituição do refúgio, passando por cima do Legislativo e usurpando prerrogativa do Executivo. Conseguiu.
Da segunda vez, quando o então presidente Lula negou a extradição, exatamente como o Supremo o autorizara a fazer, o relator Mendes e o presidente Cezar Peluso apostaram de novo numa virada de mesa legal... E PERDERAM!
O desfecho do caso os tornou responsáveis pelo SEQUESTRO de Battisti durante os cinco meses seguintes - e nada existe de mais grave para um magistrado do que dispor tendenciosamente da liberdade alheia, cometendo abuso gritante de autoridade.
Se Mendes sofrer o impeachment agora, Deus estará escrevendo certo por linhas tortas.
Celso Lungaretti
No Náufrago da Utopia
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MP ouve pela primeira vez depoimento de agentes da tortura

Em sigilo, começou esta semana a autópsia da ditadura brasileira. Durante 16 horas de depoimento em Vitória, ES, ao longo de segunda (28) e terça-feira (29), o ex-delegado do DOPS Cláudio Antônio Guerra e o ex-sargento do DOI-CODI Marival Chaves Dias do Canto falaram pela primeira vez e formalmente ao Ministério Público Federal, na presença da coordenadora da Comissão Memória, Verdade e Justiça da Câmara de Deputados, deputada Luiza Erundina de Souza (PSB-SP).
Uma força tarefa de cinco procuradores do MP de quatro Estados (SP, RJ, MG e ES) foi enviada discretamente à capital capixaba pela subprocuradora geral da República, Raquel Elias Ferreira Dodge, para a inédita oitiva dos dois únicos agentes da repressão brasileira que ousaram testemunhar e confessar os abusos e crime praticados nos porões da ditadura. O depoimento de Guerra e Marival acontece apenas doze dias após a instalação oficial pela presidente Dilma Rousseff da Comissão Nacional da Verdade, ainda enrolada na discussão burocrática de seu regimento de trabalho.
Ninguém da imprensa teve acesso ou soube dos depoimentos em Vitória. Uma equipe da TV Câmara, que acompanhava Erundina e o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), membro da Comissão Memória, Verdade e Justiça, não teve permissão dos procuradores para presenciar o ato. Uma equipe da própria Procuradoria Geral da República gravou os dois depoimentos na íntegra.
Cláudio Guerra, ex-delegado do DOPS
Foto: Reprodução / Topbooks / iG
O ex-delegado Guerra, autor do livro recém-lançado Memórias de Uma Guerra Suja, em depoimento aos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros, falou durante 12 horas — nove horas na segunda-feira, entre as 9h e as 18h, e outras três horas na manhã seguinte, respondendo a uma bateria de perguntas dos procuradores. Na tarde de terça-feira, entre as 14h e as 18h, o ex-sargento Marival deu o seu testemunho, o primeiro que faz desde a histórica entrevista que concedeu em novembro de 1992 ao repórter Expedito Filho, da revista Veja.
No livro, o delegado do DOPS admite que matou com disparos à queima roupa, envolveu-se em atentados como o Riocentro e coordenou a incineração de corpos de presos políticos no forno de uma usina de açúcar em Campos, interior fluminense. Na revista, o sargento do DOI confirma, na frase dura que ilustra a reportagem de capa: “Eles matavam e esquartejavam”.
“É a primeira vez que o Estado brasileiro ouve formalmente os seus depoimentos”, observou o procurador Sérgio Gardenghi Suiama, que acompanhou o histórico evento na sede do Ministério Público Federal em Vitória, na companhia dos procuradores Antônio Cabral, Ivan Cláudio Marx, Silmara Goulart e Paulo Augusto Guaresqui. Os dois agentes da repressão falaram longamente sobre o que viveram e viram, apontando nomes e locais que servirão para instruir os três procedimentos criminais já abertos no MP.
Ex-sargento do DOI-CODI
Marival Chaves Dias do Canto
Foto: Reprodução
Guerra, apesar de se sentir ameaçado por ex-colegas que serviram à rede do DOPS, DOI-CODI e SNI, dispensou a sua inclusão no Programa de Proteção a Testemunhas, instituído em 1998 pela Secretaria Especial de Direitos Humanos do Ministério da Justiça. Apesar disso, a deputada Erundina, como coordenadora da Comissão Memória, Verdade e Justiça, formalizou ali mesmo, em Vitória, um pedido ao procurador da República em Campos dos Goytacazes, RJ, Eduardo Santos de Oliveira. “O depoente encontra-se sob frágil proteção policial executada pela PM do Espírito Santo”, ressaltou Erundina no ofício de terça-feira, 29, solicitando a cobertura da Polícia Federal ao ex-delegado.
“O Estado brasileiro, a partir desse ato formal perante o MP, é o responsável pela segurança pessoal de Guerra e de Marival e pela preservação dos locais e endereços onde foram praticados os crimes de tortura, morte e desaparecimento forçado”, observou Luiza Erundina, animada com as revelações detalhadas e as novas pistas oferecidas.
A deputada da Comissão Parlamentar Memória, Verdade e Justiça espera, agora, que outras pessoas se inspirem no exemplo dos dois agentes da ditadura, contando o que viram e sabem sobre os porões da repressão. “Guerra e Marival provam que podemos e devemos buscar e revelar a verdade, por mais terrível que ela seja. A verdade está aí, basta ter vontade e coragem para ir atrás dela”.
Luiz Cláudio Cunha
No Sul21
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"Cerra" substituiu Cachoeira na Veja?

O Conversa Afiada publica e-mail do amigo navegante Jacinto Amaral:
Meus caros, a se confiar na notinha (sic) da Monica Bergamo de hoje nas Folhas, "Zé Cerra" ligou para o Jobim mandando ele falar com a Veja. E quando o Jobim ligou soube que era a estorinha do Gilmar. Ou seja, "Cerra" tá trabalhando como editor da revista!
A notinha está aqui.
Se a Veja, de fato, perdeu um colaborador inestimável, o Carlinhos Cachoeira, parece, segundo a Ilustrada Folha, que já o substituiu.
À altura.
Paulo Henrique Amorim
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Charge online - Bessinha - # 1272

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A fúria d'O Globo argentino

Buenos Aires - O prazo final foi dado: dezembro. Ou, para quem aprecia precisão e detalhe, dia sete de dezembro de 2012, uma quarta-feira. É quando o todo-poderoso grupo Clarín, que além do jornal de maior circulação da Argentina (e um dos maiores da América do Sul) detém, na prática, um império de comunicações no país, terá de se enquadrar na nova legislação – ou seja, começar a de desfazer de vários canais de televisão aberta e a cabo, além de um bom punhado de emissoras de rádio. Num estranho neologismo, a questão é tratada, na Argentina, como ‘desenvestimento’. Ora, na verdade a questão é outra: o grupo terá de começar a se desfazer de um patrimônio que é ilegal. Terá de abrir mão de concessões de licenças para operar rádio AM, FM, televisão aberta e televisão fechada.
O grupo Clarín tentou, de todo jeito, denunciar essa nova legislação – aprovada, aliás, por esmagadora maioria no Congresso –, questionando sua constitucionalidade e alegando que atingia o direito à liberdade de expressão. A Suprema Corte disse que na nova legislação não há nenhum cerceamento à liberdade de expressão.
Denunciar atentados à liberdade de expressão cada vez que seus interesses empresariais são ameaçados é característica dos grupos de comunicação que, na América Latina, funcionam como grandes monopólios e, ao mesmo tempo, como ferozes escudeiros do poder econômico. Cada vez que um desses grupos se sente ameaçado, todos, em uníssono, denunciam que os governos estariam fazendo aquilo que, na verdade, esses mesmos grupos praticam descaradamente em seu dia a dia: o cerceamento à liberdade de expressão. À diversidade de informação.
O caso do grupo Clarín é típico do que ocorre em um sem-fim de países, a começar pelo Brasil, onde um seleto punhado de quatro ou cinco famílias controla ferreamente a distribuição de informação. Na Argentina, como no Brasil, esses conglomerados de comunicação funcionam como a verdadeira oposição ao governo. E não no sentido de vigiar, pressionar, denunciar erros e desvios, mas de lançar mão de todas as armas e ferramentas, por mais venais que sejam, para atacar qualquer governo que atente contra os seus interesses e os interesses de determinado poder econômico, que os monopólios das comunicações defendem movidos a ferro, fogo e ausência total de escrúpulos.
Vale a pena recordar como atua o grupo Clarín, fervoroso defensor do sacrossanto direito à liberdade de expressão. Sua prática, na defesa desse credo, é no mínimo esdrúxula: controla 56% do mercado de canais de televisão aberta e a cabo, e uma parcela ainda maior das emissoras de rádio; manipula contratos de publicidade impedindo que os anunciantes comprem espaço na concorrência; e, como se fosse pouco, ainda briga na Justiça para continuar exercendo o monopólio da produção e distribuição do papel de imprensa no país.
Não se trata de discutir o conteúdo – incrivelmente manipulado, aliás – dos meios de informação controlados pelo Clarín em todas as suas variantes. Trata-se apenas e tão somente de discutir até que ponto é lícito que um determinado grupo exerça semelhante controle sobre o volume de informação que chega aos argentinos.
Diante desse quadro, é fácil entender que o que fez o governo de Cristina Fernández de Kirchner é, para o grupo Clarín, algo inadmissível. Afinal, além da intervenção na fábrica Papel Prensa, fazendo com que o Estado assumisse o controle da produção, distribuição e venda de papel a jornais e revistas, o governo baixou uma lei, aprovada pelo Congresso, que dividiu o espaço da transmissão de televisão aberta e fechada em três partes iguais.
Um terço desse espaço permanece em mãos de grupos privados, como o próprio Clarín. Outro terço passa a ser dividido entre emissoras públicas (nacionais e estaduais), e o terço final passa a emissoras que estarão sob controle da sociedade civil, através de organizações sociais. Quem está atuando além desses limites terá de abrir mão de licenças e concessões, que na Argentina – como no Brasil – são públicas.
Além disso, quem for dono de canais abertos não poderá ser dono de distribuidoras de canais a cabo numa mesma região. O grupo Clarín tem superposição de canais abertos e fechados em Buenos Aires, Córdoba, Mar del Plata e Bahía Blanca. Vai ter de escolher. Além disso, ao fundir duas distribuidoras de canais a cabo, a Calevisión e a Multicanal, estourou todos os limites de concessões estabelecidos pela lei (são cerca de 225 canais em mãos do grupo, e isso, para não mencionar as estações de rádio AM e FM).
A nova legislação foi questionada, é claro, por várias corporações que foram e serão atingidos. A gigantesca Telefônica espanhola, por exemplo, controla nove canais de televisão aberta no país. Terá abrir mão de todos, a menos que aceite integrar alguma cooperativa junto a organizações sociais.
Ninguém, em todo caso, fez o estardalhaço que o grupo Clarín está fazendo. Há uma explicação: o grupo decidiu partir, altaneiro, para o tudo ou nada. Confiou no próprio poder e na fraqueza do governo.
Tropeçou feio: Cristina Kirchner se reelegeu em 2011, e agora a Justiça decidiu que a nova lei tem data, sete de dezembro de 2012, para que seja cumprida.
A fúria do Clarín é evidente e é compreensível. Fez todas as apostas erradas, e está perdendo uma por uma.
A mais delicada dessas apostas foi a que fez no segundo semestre de 1976, quando ganhou – na base de uma cumplicidade sórdida com a ditadura militar que sufocava o país – o controle da produção e da distribuição de papel de jornais e revistas na Argentina. Foi o auge de seu poder, que agora começa a ser rapidamente minado. Já não há torturadores e militares corruptos e sanguinários a quem recorrer. Restou recorrer à Justiça. Foi quando o grupo começou a perder.
Eric Nepomuceno
No Carta Maior
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Liberdades iradas

Na sua exaltação, o ministro Gilmar Mendes ainda não reparou que tem municiado quem queira atacá-lo
O excesso de raiva e a aparente perda de controle em Gilmar Mendes talvez expliquem, mas não tornam aceitável, que um ministro do Supremo Tribunal Federal faça, para a opinião pública, afirmações tão descabidas.
Nem o próprio Supremo é poupado no ataque atual de Gilmar Mendes, que assim o define em entrevista ao "Globo": "Já é um Poder em caráter descendente". Não há por que duvidar desse sentimento particular de Gilmar Mendes, mas também não há como atribuir a tal afirmação, feita de público e plena gratuidade, um qualquer propósito respeitável.
Ali demolidor, pelo método da implosão, é também deste ministro, no mesmo dia, porém à Folha, a atribuição deste motivo para o que diz ter ouvido de Lula: "Dizer que o Judiciário está envolvido numa rede de corrupção", para "melar o julgamento do mensalão".
A afirmação sobre o Supremo, com provável sinceridade; a outra, uma ficção sem sequer um indício em seu favor. Lula, o PT e os réus do mensalão nada ganhariam com uma investida contra o Judiciário. Sabem disso na mesma proporção em que a imaginação ficcionista não sabe.
Na sua exaltação, o ministro Gilmar Mendes ainda não reparou que tem municiado quem queira atacá-lo. Já deu, por exemplo, três versões para o custeio da viagem em que se encontrou, na Europa, com Demóstenes Torres. A tal viagem das suas sensibilidades tocadas pelo que "pareceram insinuações" de Lula.
Na primeira referência feita (estão todas impressas e gravadas), disse haver respondido a Lula que viajou "com recursos próprios". Na segunda, fez viagem oficial, custeada pelo Supremo, para um evento na Espanha, e dali à Alemanha pagou ele mesmo. Na terceira (ainda na entrevista ao "Globo"): "Fui a Berlim em viagem oficial. Por conta do STF".
Afinal, não se sabe como a viagem foi paga nem isso está em questão. Mas é compreensível que estivesse em boatos. Como amanhã pode estar a história de que Lula planejava denunciar o Judiciário como uma rede de corrupção. Por haver boato sobre a viagem, e indagar a respeito, é "gangsterismo, molecagem, banditismo, a gente está lidando com gângsteres", como disse Gilmar Mendes? Não, não disse: vociferou, iradíssimo.
Com base em que fatos um ministro do Supremo Tribunal Federal faz a acusação pública de que Lula - no caso, importa sobretudo serem um ex-presidente da República e um magistrado - é "a central de divulgação" dos boatos infamantes? Acusação de tal ordem não precisa nem indícios, é só emiti-la?
O Congresso foi poupado da reação de Gilmar Mendes graças à falta, na inquirição de Demóstenes Torres, de uma pergunta que, normalmente, não faltaria. Logo no primeiro lote de telefonemas gravados de Carlos Cachoeira, apareceu o pedido do senador de que o contraventor pagasse os R$ 3.000 de um táxi aéreo. Gilmar Mendes, negando ter usado avião de Carlos Cachoeira, disse que foi a Goiás convidado por Demóstenes Torres, para um jantar. Foi "de táxi aéreo".
Ninguém perguntou a Demóstenes que voo seria pago por Cachoeira. Ninguém perguntou se Gilmar Mendes e outros ministros estavam no voo dos R$ 3.000. Nada demais se estivessem, nem poderiam saber quem viria a pagar pelo voo. Apesar disso, a encrenca resultante já estaria engatilhada, com a imagem institucional do Supremo a aguentar suas manifestações.
Com muita constância, somos chamados a discutir o decoro parlamentar. Não são apenas os congressistas, no entanto, os obrigados a preservar o decoro da função.
Janio de Freitas
No Esquerdopata
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O naufrágio do Titanic, a maior metáfora do mundo

Faz cem anos que o Titanic foi ao fundo e o aniversário do naufrágio está tendo quase tanta cobertura quanto o próprio naufrágio. Há exposições sobre o navio e seu fim em várias cidades da Europa e discute-se outra vez desde as minúcias do desastre, como a desatenção do comando do navio aos vários alertas de icebergs na rota, até seu significado maior.
Um jornal satírico americano fez uma edição inteira lembrando o acidente e seus intérpretes, cuja manchete principal era “Maior metáfora do mundo bate em iceberg e afunda”. Que o trágico fim da maior coisa construída pelo homem até então era uma metáfora ninguém discutia. Mas qual, exatamente, a metáfora?
O naufrágio do Titanic marcava o fim tardio do século dezenove e sua confiança ilimitada no progresso tecnológico. Como um castigo a mais pela pretensão do século que findava, dali a dois anos toda a nova engenhosidade da era estaria engajada nas máquinas de morte da Grande Guerra e a tragédia precursora do Titanic simbolizaria um adeus à inocência.
Chamado de indestrutível, o Titanic desafiara os deuses, como os titãs do mito, e, como os titãs, fora destruído pelos deuses — metaforicamente.
Outra metáfora: nada simboliza a divisão de classes como a divisão das classes num navio como o Titanic, onde os viajantes do porão, inclusive as crianças, tiveram poucas chances de escapar com vida. O Titanic também era o mundo do privilégio ostensivo e da massa descartável metaforizado.
Cherburgo, na Normandia, tem uma razão especial para lembrar o Titanic. Seu porto foi uma das duas escalas feitas pelo navio depois de deixar Southampton. Estivemos há dias na simpática Cherburgo — que também foi um porto importantíssimo durante a Segunda Guerra Mundial e é a terra dos guarda-chuvas filmada por Jacques Demy, com música de Michel Legrand.
Fomos visitar sua exposição dedicada ao Titanic. Excelente.
No rádio do carro, não, não Michel Legrand, mas, juro, “Ai se eu te pego”. Simbolizando, pensando bem, nada.
Luís Fernando Veríssimo
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Lula no Ratinho

Hoje à noite, Lula dará entrevista ao vivo no Programa do Ratinho, no SBT. É a primeira entrevista dele após o tratamento contra o câncer.
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Charge online - Bessinha - # 1271

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Aonde querem chegar com esse jornalismo de futricas?

A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República publicou nota ontem (está nos jornais de hoje; leia a íntegra aqui) esclarecendo que "são no todo falsas as informações contidas" em reportagem do Estadão sobre reunião institucional entre a presidenta Dilma Rousseff e o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Carlos Ayres Britto. Na esteira dos acontecimentos ocorridos após a divulgação de um encontro entre o ex-presidente Lula e o ministro Gilmar Mendes, a reportagem do jornal, publicada nesta 4ª, diz que a presidenta "avalia que a situação é perigosa, tem potencial de estrago e que beira a crise institucional nas relações entre Executivo e Judiciário". A matéria diz mais: que a presidenta "transmitiu esse recado" em conversa que manteve na 3ª feira com o presidente do Supremo.
O Estadão de hoje publica a nota da presidência ao lado de uma ‘contra-nota’ do próprio jornal em que reafirma que as informações são verídicas, mas não esclarece nada. Ocorre que também o outro interlocutor, o presidente do Supremo, informou que "conversou (com a presidenta Dilma) apenas sobre a participação do Judiciário na Conferência Rio +20 e sobre assuntos administrativos dos Poderes Executivo e Judiciário". (leia aqui).
Afinal, se a informação da reportagem não veio de nenhum dos interlocutores, de quem teria vindo? Que fontes são essas que se sobrepõe à fonte oficial, aos próprios participantes do encontro oficial? E, mais importante ainda, por que não foi dada voz à fonte oficial – para confirmar, negar ou modificar o que seria publicado –, diante de uma informação importante, apurada extraoficialmente? O que justifica que se publique apenas a versão de fontes anônimas? Que jornalismo de futricas é esse?
Infelizmente, problemas como este que estamos vendo aqui no caso do Estadão, não se restringem ao jornalão dos Mesquitas. O mesmo pode ser visto no Painel da Folha e em outros veículos que repetem essa prática à exaustão, atribuindo ao Planalto posições e falas em off que muitas vezes simplesmente não existem. Estamos falando de jornalistas experientes o suficiente para não serem instrumentalizados por outros interesses e que, quando aceitam este jogo, sabem bem que estão indo contra o manual da redação, quando não contra a própria lei.

Jornalismo “de serviço”: uma prática danosa

Falo especificamente dos áudios das operações Vegas e Monte Carlo entregues à CPMI do Congresso, e que vieram a público recentemente. Neles, aparecem exemplos claros desse tipo de “jornalismo de serviço”, no sentido de que servem a determinadas causas e interesses. Como das trocas entre o jornalismo da revista VEJA (e outras publicações, como Correio Braziliense, mas não só) e os interesses do esquema Carlos Cachoeira-Demóstenes Torres.
Ou ainda quando o repórter da Sucursal da VEJA em Brasília comete clara ilegalidade ao tentar invadir meu escritório político no Hotel Naoum. Ou então quando a revista dos Civita se utiliza da imagens obtidas de forma ilícita para montar reportagem contra minha pessoa.
Avalie você, leitor, se é justo, se é correto o que se faz. Utilizar um espaço que deveria ser dedicado a publicar as informações de forma transparente, com equilíbrio, para que o leitor possa se informar e formar seu julgamento, para a publicação de informações desbalanceadas, em que as fontes são anônimas, sem que a fonte que tem nome e responsabilidade pública possa se manifestar. Ou, então, descendo ainda alguns graus no caminho do mau jornalismo, quando se instala um verdadeiro balcão de trocas entre o veículo e o crime organizado onde o que menos interessa é o direito que o cidadão tem de receber uma informação isenta e equilibrada, para formar sua opinião.
ZéDirceu
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EUA introduzem controle total da Internet

Mesmo se você tem paranóia, tal não significa que ninguém lhe espia, pelo menos na Internet. E mesmo se tem uma saúde absoluta, pelos vistos, é espiando de qualquer modo.
Se tiver dúvidas, basta conhecer a lista de palavras utilizadas pelo Ministério de Segurança Nacional (MSN) dos Estados Unidos (The Department of Homeland Security) para monitorar sítios e redes sociais na Internet.
No sábado passado, o jornal britânico The Daily Mail publicou esta lista, comunicando que o MSN foi obrigado a divulgar este documento após uma exigência da organização de interesse público Electronic Privacy Information Center (centro informativo de proteção da privacidade na rede).
A lista composta por centenas de palavras e frases feitas é impressionante. É difícil supor que o emprego de tais palavras como “México” ou “China” por particulares no Facebook seja captado por programas especiais. A lista inclui praticamente todo o Extremo Próximo – Iraque, Irã, Afeganistão, Paquistão, Iémen, assim como a Coreia do Norte, Colômbia e Somália.
O princípio de seleção é compreensível: a lista é dividida em tais categorias como “segurança interna”, “segurança nuclear”, “saúde e gripe aviária”, “segurança infraestrutural”, “terrorismo” e outras. Compreende-se também a presença de expressões e palavras-chave, tais como “bomba suja”, “reféns”, “sarin”, “jihad”, “Al-Qaeda”. Mas ao lado encontram-se palavras do léxico habitual de qualquer usuário pacífico da Internet – “nuvem”, “neve”, “carne de porco”, “químico”, “ponte”, “vírus”…
Pode ficar sob vigilância o autor do postsobre o Smart, carro popular na Europa, ou aquele que faça mencionar a história sobre Caim e Abel. Destaque-se que se monitora o próprio termo de “rede social”, ligado praticamente a tudo que se utilize pela rede mundial.
Os peritos do Electronic Privacy Information Center consideram que a lista inclui muitas palavras que tenham sentidos diferentes, o que ameaça as garantias concedidas pela Primeira emenda da Constituição dos Estados Unidos, que proclama a liberdade de expressão.
O Ministério de Segurança Nacional aceita em certo grau estas críticas. Segundo o secretário de imprensa do departamento, Matthew Chandler, é necessário considerar os algoritmos de programas de pesquisa. Ao mesmo tempo, em entrevista à edição eletrônica Huffington Post, Chandler declarou que a atividade do monitoramento da Internet se encontra na etapa inicial, sendo voltada para prevenir o terrorismo e controlar cataclismos naturais. Por outro lado, o responsável rejeitou quase automaticamente as suspeitas de o ministério ter utilizado as suas potencialidades para controlar a dissidência. Contudo, a julgar pela atividade do Electronic Privacy Information Center, não todos concordam com ele.
Ao mesmo tempo, o monitoramento da Internet e das redes sociais seria muito difícil sem a interação com líderes das tecnologias informativas. A Forbs escrevia neste contexto que, pelos vistos, o Ministério de Segurança Nacional tenha certos acordos com tais companhias como Google, Facebook, Twitter e outras que permitem obter acesso a alguns programas de computador e controlar a Internet em regime próximo de tempo real.
Entretanto, as maiores companhias dispõem de informações gigantescas sobre usuários da sua produção. No ano passado, tornou-se pública uma investigação do Wall Street Journal, conforme a qual o Google e a Apple recolham, como se verificou, a informação sobre o paradeiro de seus clientes não apenas através de gadgets portáteis, mas também com a ajuda de PC. Segundo a edição, a Apple guarda os dados sobre deslocamentos de seus usuários através de seus computadores Macintosh ligados à rede Wi-Fi. O Google faz o mesmo através de PC, cujos proprietários entram na Internet através do browser Google Chrome. Como destaca o jornal, as duas companhias declaram que a conservação destes dados é restritamente confidencial e que elas “não têm quaisquer intenções secretas”.
Mas tal significa que de qualquer modo você é espiado.
Pergunte-se contudo quão são amplas geograficamente as potencialidades do Big Brother, descritas ainda em 1949 no romance de George Orwell “1984”.
Na semana passada, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, declarou que especialistas quebraram com êxito o sítio da Al-Qaeda no Iémen e lá instalaram sua informação. Esta declaração foi qualificada como o primeiro reconhecimento de que os Estados Unidos efetuam operações cibernéticas. Mas é importante também a envergadura global da atividade que não reconhece fronteiras e barreiras linguísticas.
No Burgos
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De Fontes e Esgotos

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Pelo Twitter, filha de Marconi exalta Gilmar

Ana Luísa Perillo, filha do governador goiano, já elegeu, pela rede social, seu novo herói: é o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, que acusou o presidente Lula de “tentar melar o mensalão”; sobre o enrosco do pai com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, nenhuma palavra
A família Perillo já tem um novo herói. É o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que acusou o ex-presidente Lula de “tentar melar o processo do mensalão”. O recado foi dado por Ana Luísa Perillo, filho do governador tucano Marconi Perillo, de Goiás. “Gilmar Mendes, me dá um autógrafo????????????”, postou a moça. Coincidência ou não, foram 13 interrogações no seu tweet, numa possível alusão ao número do PT.
Dona do perfil @aninhaperillo, a filha do governador já convocado pela CPI do caso Cachoeira até agora não se pronunciou sobre a Operação Monte Carlo, onde seu pai é um dos principais personagens. Marconi Perillo era dono da casa vendida por R$ 1,4 milhão, onde Carlos Cachoeira foi preso no dia 29 de fevereiro deste ano.
Assim como o pai, ela mostra que não se intimida. Marconi adota a estratégia de que, numa crise, “a melhor estratégia é o ataque”. Ele se prontificou a ir à CPI, antes mesmo de ser convocado. Documentos da Operação Monte Carlo apontam que Cachoeira tinha influência direta em seu governo, nomeando figuras influentes na área de segurança pública e também de desenvolvimento. Sobre a venda da casa, Marconi disse que cometeu “erro imperdoável” ao não checar a procedência dos cheques de R$ 1,4 milhão – eles foram passados por um sobrinho de Cachoeira.
Perillo foi o primeiro a alardear a tese de que a CPI do Cachoeira era a tentativa de criar uma cortina de fumaça para encobrir o mensalão. Tese depois encampada por Veja e, na semana passada, pelo ministro Gilmar Mendes.
No 247
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Dilma homenageia Lula, após ele ser alvo de intrigas com o ministro Gilmar Mendes

Presidenta Dilma fez homenagem a Lula no meio das intrigas com o ministro do STF Gilmar Mendes.
Público que assistia aplaudiu de pé, e cantou "olê, olê, olá, Lula, Lula".
Dilma emocionou-se.
Foi durante a cerimônia de entrega do 4º Prêmio Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).
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Serra participou da armação Veja-Gilmar

Da Folha de S. Paulo
MONICA BERGAMO

QUARTO ELEMENTO

Há alguns dias, José Serra ligou para o ex-ministro Nelson Jobim. Pediu a ele que falasse com a revista "Veja". Jobim atendeu ao pedido do amigo -e só então soube da reportagem sobre Lula e o ministro Gilmar Mendes. Escaldado, Jobim disse não ter presenciado nada beligerante na conversa entre os dois, que ocorreu em seu escritório, em Brasília.

MEMÓRIA

Mendes afirmou à revista que Lula tentou convencê-lo a adiar o julgamento do mensalão. Em troca, teria oferecido proteção na CPI do Cachoeira. Jobim contradiz o ministro. Lula também nega.
João Sabóia Jr.
No Advivo
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Nota à Imprensa

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ayres Britto, informa que, em audiência nesta terça-feira (29) com a presidenta da República, Dilma Rousseff, conversou apenas sobre a participação do Judiciário na Conferência Rio +20 e sobre assuntos administrativos dos Poderes Executivo e Judiciário.
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30 de mai de 2012

Análise de um factóide

Comentário de Leandro Fortes a respeito de matéria da Folha sobre Lula (a matéria está logo abaixo do comentário)
"Minha humilde contribuição de professor às aulas do cursinho de trainee da Folha de S.Paulo.
1) Na manchete, assim como no lead (primeiro parágrafo do texto jornalístico), lê-se "membros do governo" e "integrantes do governo" unidos numa certa avaliação resumida em um "tiro no pé";
2) Ao se ler a referida reportagem, contudo, percebe-se que os tais "membros" e "integrantes" se resumem a uma declaração em off, entre aspas, onde se lê: "Quem vai ter coragem de segurar o processo [do mensalão] agora?'', questiona UM INTERLOCUTOR do Planalto.
3) Também na reportagem somos informados que a informação primária vem da coluna "Painel", da Folha, assinada pela jornalista Vera Magalhães. Então, algumas considerações para discussão em sala de aula:
- A manipulação da informação por meio de manchetes desconectadas do texto, apesar de ser um recurso antigo, é uma canalhice fora de moda. Com a internet e as redes sociais, essa estratégia cai sempre no ridículo. Não façam.
- Muita gente usa, mas evite lançar mão de aspas em off. Quase sempre é um recurso de repórteres sem escrúpulos e/ou preguiçosos para inventar frases que, normalmente, eles não conseguiriam arrancar de ninguém.
- Vera Magalhães é esposa de Otávio Cabral, um dos autores da reportagem da Veja sobre o encontro de Lula e Gilmar Mendes na casa de Nelson Jobim. Nesse caso, creio, deveria se declarar impedida de produzir notas sobre a matéria do marido.
Grato pela atenção."

Membros do governo avaliam que atitude de Lula foi 'tiro no pé'

Integrantes do governo sustentam que o voluntarismo do ex-presidente Lula com o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes acabou virando um tiro no pé.
"Quem vai ter coragem de segurar o processo [do mensalão] agora?'', questiona um interlocutor do Planalto.
A informação é do "Painel", editado por Vera Magalhães e publicado na edição desta quarta-feira da Folha (a íntegra da coluna está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).
Ontem, declarações de Mendes elevaram o tom de seu confronto com Lula, iniciado no fim de semana com a revelação pela revista "Veja" de um encontro que eles tiveram em abril no escritório do ex-ministro do STF Nelson Jobim.
O ministro afirmou que Lula fomentou intrigas contra ele para constranger o tribunal e tentar "melar" o julgamento previsto para ocorrer neste ano.
Mendes disse que Lula agiu como uma "central de divulgação" de informações sobre sua ligação com o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) e o empresário Carlos Cachoeira, acusado de chefiar um esquema de corrupção.
"O objetivo era melar o julgamento do mensalão", afirmou Mendes, ao chegar para uma sessão do STF. "Dizer que o Judiciário está envolvido numa rede de corrupção."
Segundo o ministro, o ex-presidente disse que o julgamento do mensalão deveria ser adiado para depois das eleições deste ano e sugeriu que poderia garantir proteção na CPI que investiga Cachoeira.
Em nota na segunda-feira, Lula se disse "indignado" com a versão de Mendes, que não foi corroborada por Jobim. A assessoria do ex-presidente disse ontem que não se manifestaria sobre as novas declarações de Mendes.
O ministro do STF disse que as pressões para que o julgamento do mensalão seja adiado seguem uma "lógica burra, irresponsável, imbecil" e voltou a defender a realização do julgamento ainda neste semestre. "Nós vamos ficar desmoralizados se não o fizermos", afirmou.
Lula chegou ontem a Brasília e se encontra hoje com a presidente Dilma Rousseff.
Walter22
No Advivo
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Veja, Gilmar e o Editor Imaginário

Após o período atípico, sem manchetes denunciativas nas capas, que se seguiu à instalação da CPI do Cachoeira, a revista Veja tenta sair das cordas publicando, na edição desta semana, uma denúncia em que um seu velho conhecido – o ministro Gilmar Mendes, do STF – afirma que o ex-presidente Lula o teria pressionado para que tentasse adiar a data do “julgamento do Mensalão” para depois das eleições municipais deste ano. Em troca, segundo a revista, o ex-presidente ofereceria ao magistrado “blindagem” contra eventuais acusações na CPI do Cachoeira.
Logo após a revista chegar às bancas, jornalistas e blogueiros passaram a apontar as múltiplas inconsistências da matéria - trabalho facilitado, inicialmente, pela negação peremptória da veracidade da denúncia feita pela única testemunha presencial do encontro entre Mendes e Lula (o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim) e complementado, na noite de ontem, pelo depoimento do próprio Gilmar Mendes ao Jornal Nacional, em que afirma que “ele [Lula] não pediu nada diretamente a mim”.
Factoide de curta duração
Não é meu interesse, aqui, repisar os múltiplos fatos e constatações que desmontaram o factoide de Veja em questão de horas, nem especular o que teria levado Mendes a desmentir a revista já na segunda-feira. As explicações estão aí, aos borbotões, na internet e no pouco que resta de imprensa séria no Brasil.
Tampouco me interessa, no curto espaço deste artigo, analisar a incompatibilidade da conduta de Gilmar Mendes com a posição que ocupa: como reconheceria qualquer pessoa ciente das leis, ainda que a acusação fosse verdadeira, seria obrigação de um ministro do STF levá-la à Justiça, e não, após mais de um mês de silêncio, fazer futricas na menos confiável das publicações brasileiras.
Lúdica imprensa
O que gostaria de propor aos leitores e leitoras neste texto é um exercício mental, um jogo, que pede uma certa dose de abstração, tendo como meta produzir uma reflexão sobre o jornalismo brasileiro hoje: façamos como Carlinhos Cachoeira e brinquemos de editor.
A proposta do jogo é que nos coloquemos no lugar do editor de uma hipotética revista jornalística séria. Tentemos evitar, portanto, assumir uma posição ideológica pré-determinada e tenhamos como meta principal simular adotar os mesmos critérios práticos que o jornalismo historicamente chama para si – checagem de informações, ouvir os dois lados, equilíbrio, responsabilidade social, defesa do interesse público.
Comecemos fazendo um esforço para esquecer, por um momento, a biografia e as peculiaridades dos personagens envolvidos na última “denúncia” da Veja, publicação que – com o perdão pelo duplo sentido - também deve ser abstraída de nosso pensamento. Conservemos a mesma denúncia, feita porém a uma revista jornalística séria de um país democrático: um ministro da Suprema Corte acusa um ex-presidente (por duas vezes eleito) de tê-lo pressionado para que convencesse colegas de toga a optarem pelo adiamento de determinado julgamento, envolvendo acusação de corrupção contra o partido político do ex-mandatário (mas não diretamente contra este). Em troca, ele teria prometido “aliviar a barra” do denunciante se e quando pipocassem acusações contra este numa CPI em andamento.
Jornalismo dentro da lei
Antes de examinarmos o caso é forçoso constatar que tudo o que se refere à denúncia teria de ser checado e rechecado pelos editores, antes da eventual publicação da matéria, posto que, além de serem estes os procedimentos recomendados pelo bom jornalismo, o que está em jogo envolve altas personalidades da República e poderia provocar sérias consequências tanto no campo jurídico quanto político-eleitoral. Desnecessário observar que a constatação de eventual leviandade por parte da publicação fatalmente acarretaria danos, não só à sua imagem pública, mas no âmbito judicial, já que a existência e o cumprimento de leis que regulamentam o exercício do jornalismo são característica comum aos países de democracia consolidada.
Um primeiro fator a se considerar pelo editor da revista seria o da credibilidade da testemunha. Ser ministro do Supremo ajuda, mas, como se sabe, quanto mais avançada a democracia, menos vale o “critério” da carteirada, do “você sabe com quem está falando?”. Uma publicação jornalística séria levaria em conta se o denunciante tem uma história moral condizente com a que se espera de alguém que tem assento na mais alta corte do país ou seu passado é entremeado de episódios obscuros, suspeitas, ligações com personalidades políticas controversas, perda da compostura em púbico, grampos sem áudio. A opinião pública e seus pares de toga o respeitam, ou ele já chegou a ser publicamente acusado, por um deles, de estar “na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro”?
Testemunha-chave
Uma segunda medida, porém elementar, seria se inteirar se haveria testemunhas que pudessem corroborar ou desmentir a acusação feita pelo ministro e, em havendo, entrevistá-la(s). Afinal, uma terceira pessoa que reafirmasse o ocorrido, a depender de sua credibilidade e do grau de coincidência com a denúncia originalmente formulada, forneceria uma evidência mais consistente para a publicação da denúncia, reduzindo o ônus da revista – ao passo que, se esse terceiro elemento fosse reticente ou desmentisse a acusação, acenderia um alerta e faria aumentar a desconfiança na redação quanto à veracidade do relato do magistrado.
Ora, nenhuma publicação séria do mundo publicaria uma denúncia contra um ex-presidente ciente de que esta seria desmentida pela única testemunha presencial capaz de corroborá-la, como Jobim o fizera em relação à denúncia de Veja/Mendes. Nosso jogo deveria, portanto, terminar aqui, já que um editor responsável e jornalistas honrados jamais concordariam em assinar uma matéria tão leviana, alicerçada em bases tão frágeis. Mas, entre nós, brasileiros, o jornalismo responsável anda tão escasso que proponho brincarmos de imprensa séria um pouquinho mais.
Coerência lógica
Consideremos então que, para nosso valoroso redator, tão essencial quanto as medidas acima elencadas seria um exame da plausibilidade da denúncia. Várias questões então se colocariam para ele. A primeira delas diz respeito à probabilidade lógica: o STF tem 11 membros. Do time atual, o ex-presidente indicou seis nomes, e sua sucessora, do mesmo partido, dois. Já o ministro acusador foi indicado por um ex-presidente que antecedeu a ambos mandatários e lhes faz oposição, indicação que, segundo alguns, se deu como forma de recompensar a extrema leniência com que o nomeado desempenhou o papel de Procurador-geral da República em seu governo.
Ora, por que o ex-presidente agora acusado, ao invés de pressionar os oito ministros nomeados por ele e sua sucessora, preferiria ir ter com um magistrado nomeado pelo seu principal opositor? Mais: por que o faria, se fora anteriormente publicamente agredido pelo mesmo ministro, que declarou que iria “chamá-lo às falas” por conta de uma denúncia de grampo no STF - publicada, aliás, na mesma revista ora sob suspeita, e jamais comprovada?
Fora de timing
Certamente nosso brioso editor, já picado pela vespa da perplexidade (ele é um editor imaginário, mas é humano), quedaria a pensar por que cargas d'água um ex-presidente desejoso de manipular a data do tal julgamento iria pressionar um ministro sem posição de comando no tribunal ou função especial alguma no “julgamento do Mensalão”, ao invés de acossar os presidentes do STF e do TSE ou o relator do caso? “Isso não faz sentido algum”, refletiria o nobre homem.
Por fim, pensaria nosso já estupefato editor, por que o ex-presidente, que poderia ter feito como seu antecessor e mandado engavetar a granel denúncias que o desagradassem, se tinha interesse em manipular o “julgamento do Mensalão”, não o fez antes, no poder?
Essa questão certamente estaria na pauta da entrevista com o ex-presidente, a qual, obedecendo parâmetros éticos mínimos, deveria não apenas dar a voz ao outro lado para que se posicionasse ante as acusações que lhe são feitas, mas publicá-las com destaque textual e fotográfico proporcional ao dado às acusações e ao acusador. Isso, conclui o editor, se não existissem tantos furos a impedir a realização de uma matéria minimamente séria, que pode destruir nossa reputação.
Uma questão de ética
Xingando mentalmente o pauteiro que propôs uma matéria tão sem sustentação, nosso valoroso editor desiste de publicar a matéria e comunica a decisão aos demais profissionais envolvidos – não sem uma sutil reprimenda entrelinhas.
Desliga o computador, fechas as gavetas e, com a consciência leve assegurando a dignidade com que os jornalistas de Veja não podem nem sonhar, sai assobiando pelas ruas com as mãos nos bolsos, vendo a tarde cair.
Maurício Caleiro
No Cinema & Outras Artes
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Taxa básica de juros cai para 8,5%, a menor desde 1986

Brasília – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu, hoje (30), para 8,5% ao ano a taxa básica de juros que remunera os títulos públicos depositados no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic). É o nível mais baixo da taxa Selic desde 1986, e a menor desde que a atual política monetária foi adotada, no início de 1999. Antes, o menor índice (8,75%) vigorou de julho de 2009 a abril de 2010.
A redução veio em linha com as expectativas da maioria dos analistas financeiros, como mostra o boletim Focus, divulgado pelo BC na última segunda-feira (28).
Foi a sétima redução consecutiva da taxa básica de juros, que chegou a 12,5% em julho do ano passado, começou a declinar no mês seguinte e, desde então, caiu 4 pontos percentuais.
A definição da Selic em 8,5% foi unânime. "O Copom considera que, neste momento, permanecem limitados os riscos para a trajetória da inflação. O comitê nota ainda que até agora, dada a fragilidade da economia global, a contribuição do setor externo tem sido desinflacionária", disse o comitê em nota. A decisão é sem viés, ou seja, não será alterada até a próxima reunião do colegiado.
Em razão do longo processo de afrouxamento da política monetária, que já dura dez meses, como forma de estimular o consumo interno e reativar a economia, a maioria dos analistas financeiros acredita que o processo de redução da Selic deve cair também na próxima reunião do Copom, agendada para os dias 10 e 11 de junho.
Apesar de a inflação permanecer acima do centro da meta traçada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,5%, os analistas acreditam que a taxa básica de juros descerá até 8%, permanecendo nesse patamar a médio prazo, com possibilidade de voltar a subir em 2013 – algo em torno de 9,5%.
A reunião desta quarta-feira foi a primeira em que o voto dos diretores foi divulgado, conforme determina a Lei de Acesso à Informação, que entrou em vigor há duas semanas. A votação foi unânime.

CNI considera diminuição da taxa de juros essencial diante da crise internacional

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de continuar a política de redução da taxa básica de juros (Selic) é acertada, pois “o cenário externo adverso” exige ações rápidas e estruturantes, e a queda dos juros “é componente essencial” nessas medidas, informou, por meio de nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Além disso, a entidade ressalta que a inflação doméstica está em baixa, embora ainda um pouco acima do centro da meta de 4,5%, mas os reajustes de preços em menor ritmo proporcionam ambiente positivo para uma política monetária mais ativa. A CNI assinala, ainda, que a decisão do Copom também contribui para baratear o crédito, ajuda a retomada dos investimentos e o reaquecimento da demanda interna.
Ela adverte, contudo, que o afrouxamento da política monetária, iniciado em agosto do ano passado, deve ser acompanhado por “maior austeridade nos gastos públicos, de forma a não prejudicar o atual cenário inflacionário benéfico”.
A redução da Selic foi saudada também pelo presidente da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), Roque Pellizzaro Júnior. Ele ressaltou que pela primeira vez o Brasil tem hoje uma taxa de juro real mais condizente com as taxas de economias maduras.
Para Pellizzaro Júnior, a decisão do Banco Central foi a mais acertada possível, e abre espaço para que instituições financeiras públicas e privadas deem seguimento ao movimento de baixas dos spreads bancários (diferença entre os juros pagos ao aplicador e as taxas cobradas do tomador). “Esse novo corte na Selic é um estímulo ao mercado doméstico”, disse.
Stênio Ribeiro
No Agência Brasil
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PSOL vai à PGR contra Gilmar Mendes e funcionário público pede impeachment do ministro

Brasília - O PSOL protocolou hoje (30) representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. O partido questiona a conduta do ministro no episódio que envolve diálogo dele com o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.
Na representação, o PSOL classifica a conduta do ministro Gilmar Mendes como “bastante questionável”. No documento protocolado na PGR, a sigla pede a investigação dos fatos e, se comprovada conduta indevida, que a procuradoria adote as medidas cabíveis, nos âmbitos administrativo, civil ou penal.
Ontem (29), os partidos de oposição – DEM, PSDB e PPS – protocolaram representação criminal na PGR contra o ex-presidente Lula. O documento pede a instauração de inquérito policial para investigar a veracidade das denúncias feitas por Gilmar Mendes à revista Veja desta semana.
No Senado, o servidor público do Distrito Federal, Cícero Batista Araújo Rôla, (foto), protocolou hoje na Presidência da Casa pedido de impeachment do ministro Gilmar Mendes. Filiado ao PT e à Central Única dos Trabalhadores (CUT), Rôla disse à Agência Brasil que o magistrado precisa ser investigado. “Sou um cidadão indignado e não posso aceitar que, na mais alta Corte do país, um ministro esteja sob suspeição”, disse Araújo.
É a segunda vez que o servidor público protocola pedido de impeachment do ministro Gilmar Mendes. A primeira nem chegou a ser analisada pelos senadores porque foi arquivada pela Presidência do Senado. Na ocasião, Rôla questionava a conduta de Gilmar Mendes na concessão de habeas corpus ao banqueiro Daniel Dantas durante a Operação Satiagraha, da Polícia Federal.
A reportagem da Agência Brasil tentou entrar em contato com o ministro Gilmar Mendes, mas a assessoria do ministro disse que ele não iria se manifestar sobre a representação do PSOL e o pedido de impeachment.
Iolando Lourenço e Ivan Richard
No Agência Brasil
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Nota Oficial da Embaixada da República Bolivariana da Venezuela

As declarações do ministro do STF Gilmar Mendes ao jornal O Globo, se de fato ocorreram, constituem uma afronta à população venezuelana, e demonstram profunda ignorância sobre a realidade de nosso país.
Nossa Constituição, elaborada pela Assembleia Constituinte e referendada pelas urnas, determina a separação de poderes, estabelece direitos de cidadania e configura os instrumentos judiciais cabíveis, ou seja, o presidente da Venezuela não manda prender cidadão algum, independentemente do cargo que ocupe.
Recorrer à desinformação para envolver a Venezuela em debates que dizem respeito apenas aos brasileiros é uma atitude indecorosa - ainda mais partindo de um ministro da mais alta corte da nação irmã - e não reflete a parceria histórica entre Brasil e Venezuela.
Maximilien Arveláiz
Embaixador da República Bolivariana da Venezuela no Brasil
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Serra não inova: mente e dá coice

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