27 de dez de 2011

O PIB e o sexto lugar no mundo

Há mais de um século que a meta das comunidades políticas se expressa no desenvolvimento econômico. A esse projeto subordinam-se todos os movimentos da inteligência — das pesquisas científicas e tecnológicas aos livros de autoajuda, que ensinam a enriquecer e a menosprezar os episódios de sofrimento.
Ainda agora, e dentro desse raciocínio, haveria motivo de orgulho: de acordo com um instituto especializado da Grã-Bretanha, o Brasil superou o Reino Unido no Produto Interno Bruto. Os resultados estatísticos, como se sabe, não trazem o selo divino. Temos que considerar se os que analisamos correspondem ao desenvolvimento econômico medido per capita — e não correspondem.
A população brasileira é, grosso modo, três vezes maior do que a do Reino Unido, e isso deve ser levado em conta. Há que se entender, no entanto, que o que interessa, no peso internacional, é o resultado absoluto, não o relativo. Sendo assim, o Brasil já se encontra no pequeno clube dos países mais ricos do mundo — ainda que seja abissal a distância que o separa do Produto Interno Bruto dos Estados Unidos, da Alemanha, da França, da China e do Japão, que se encontram à sua frente. A corrida pelo domínio tem sido o dínamo das sociedades humanas, que o conhecimento tecnológico conduz hoje ao paroxismo.
"O desenvolvimento econômico, por si só, não nos protege contra o medo"
Assim se entende o mito do desenvolvimento econômico medido em termos absolutos. Ocorre que, por mais universal esse desenvolvimento pareça ser, convivemos, na atualidade, com todas as etapas históricas da espécie humana. Há ainda os que se abrigam em cavernas — e em cavernas urbanas, como os ciganos remanescentes das velhas cuevas de Granada — sem falar em tribos primitivas em várias partes do planeta. A desigualdade, irmã do medo, continua a ser uma maldição. O desenvolvimento econômico, por si só, não nos protege contra o medo.
Os fatos demonstram que a riqueza não confere segurança aos indivíduos, nem às nações. Imaginem como seria a sociedade norte-americana se sua tecnologia estivesse submetida à ideia da igualdade, entre os homens e as nações. Todos os povos — e não só o norte-americano — teriam paz e viveriam, cada pessoa em seus limites biológicos de existência, sem medo e sem ódios étnicos e preconceitos sociais.
Infelizmente, o que a move é a competição pela riqueza e pelo poder, levando-a às guerras de conquista. Vivendo em um mundo injusto, só podemos amenizar o nosso sofrimento mediante a solidariedade. A solidariedade torna os fardos mais suportáveis, como sabem todos aqueles que têm o privilégio de viver essa experiência.
"A defesa da soberania nacional não é opção idealista, mas necessidade absoluta"
Não sendo possível, a nenhum povo, converter a Humanidade ao bom-senso, somos chamados, para sobreviver como nação, ao mesmo jogo: buscar o conhecimento e a tecnologia e, mediante o trabalho, produzir bens e serviços — sem descuidar das armas. A defesa da soberania nacional (que reúne a identidade, os valores morais e a incolumidade) não é opção idealista, mas necessidade absoluta. E essa defesa será tanto mais efetiva quanto mais conhecimento e poder militar formos capazes de reunir.
A soberania de nada nos servirá se olharmos apenas para fora, para os nossos prováveis aliados e eventuais inimigos. A solidariedade interna alicerça a coesão política nacional. E não pode haver solidariedade efetiva e geral, em sociedades tão perversamente desiguais, como, apesar de todos os esforços, continua sendo a brasileira.
Daí a necessidade de impedir que o fácil ufanismo prevaleça sobre a razão do bom-senso, nesta decisiva fase de nossa História. E esse bom-senso recomenda que continuemos a desenvolver o projeto estratégico nacional, concebido por Vargas, baseado na intervenção do Estado na condução da macroeconomia e na busca da igualdade entre todos os brasileiros e entre todas as regiões nacionais.
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Charge online - Bessinha - # 955

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