26 de dez de 2011

Filha de Serra já leu A Privataria Tucana

 Acredite, se quiser. 

Nota de Verônica Serra sobre o "Privataria Tucana"
Nos últimos dias, têm sido publicadas e republicadas, na imprensa escrita e eletrônica, insinuações e acusações totalmente falsas a meu respeito. São notícias plantadas desde 2002 — ano em que meu pai foi candidato a presidente pela primeira vez — e repetidas em todas as campanhas posteriores, não obstantes os esclarecimentos prestados a cada oportunidade. Basta lembrar que, em 2010, fui vítima de quebra ilegal de sigilo fiscal, tendo seus autores sido indiciados pela Polícia Federal. E, agora, uma organizada e fartamente financiada rede de difamação dedicou-se a propalar infâmias intensamente através de um livro e pela internet. Para atingir meu pai, buscam atacar a sua família com mentiras e torpezas.
1. Quais são os fatos?
- Nunca estive envolvida nem remotamente com qualquer tipo de movimentação ilegal de recursos.
- Nunca fui ré em processo nem indiciada pela Polícia Federal; fui, isto sim, vítima dos crimes de pessoas hoje indiciadas.
- Jamais intermediei nenhum negócio entre empresa privada e setor público no Brasil ou em qualquer parte do mundo.
- Não fui sócia de Verônica Dantas, apenas integramos o mesmo conselho de administração.
Faço uma breve reconstituição desses fatos, comprováveis por farta documentação.
2. No período entre Setembro de 1998 e Março de 2001, trabalhei em um fundo chamado International Real Returns (IRR) e atuava como sua representante no Brasil. Minha atuação no IRR restringia-se à de representante do Fundo em seus investimentos. Em nenhum momento fui sua sócia ou acionista. Há provas.
3. Esse fundo, de forma absolutamente regular e dentro de seu escopo de atuação, realizou um investimento na empresa de tecnologia Decidir. Como conseqüência desse investimento, o IRR passou a deter uma participação minoritária na empresa.
4. A Decidir era uma empresa “ponto.com”, provedora de três serviços: (I) checagem de crédito; (II) verificação de identidade e (III) processamento de assinaturas eletrônicas. A empresa foi fundada na Argentina, tinha sede em Buenos Aires, onde, aliás, se encontrava sua área de desenvolvimento e tecnologia. No fim da década de 90, passou a operar no Brasil, no Chile e no México, criando também uma subsidiária em Miami, com a intenção de operar no mercado norte-americano.
5. Era uma empresa real, com funcionários, faturamento, clientes e potencial de expansão. Ao contrário do que afirmam detratores levianos, sem provar nada, a Decidir não era uma empresa de fachada para operar negócios escusos. Todas e quaisquer transações relacionadas aos aportes de investimento eram registradas nos órgãos competentes.
6. Em conseqüência do investimento feito pelo IRR na Decidir, passei a integrar o seu Conselho de Administração (ou, na língua inglesa, “Board of Directors”), representando o fundo para o qual trabalhava.
7. À época do primeiro investimento feito pelo IRR na Decidir, o fundo de investimento Citibank Venture Capital (CVC) – administrado, no âmbito da América Latina, desde Nova Iorque – liderou a operação.
8. Como o CVC tinha uma parceria com o Opportunity para realizar investimentos no Brasil, convidou-o a co-investir na Decidir, cedendo uma parte menor de seu aporte. Na mesma operação de capitalização da Decidir, investiram grandes e experientes fundos internacionais, dentre os quais se destacaram o HSBC, GE Capital e Cima Investments.
9. Nessa época, da mesma forma como eu fui indicada para representar o IRR no Conselho de Administração da Decidir, a Sra. Veronica Dantas foi indicada para participar desse mesmo conselho pelo Fundo Opportunity. Éramos duas conselheiras (e não sócias), representando fundos distintos, sem relação entre si anterior ou posterior a esta posição no conselho da empresa.
10. O fato acima, no entanto, serviu de pretexto para a afirmação (feita pela primeira vez em 2002) de que eu fui sócia de Verônica Dantas e, numa ilação maldosa, de que estive ligada às atividades do empresário Daniel Dantas no processo de privatização do setor de telecomunicações no Brasil. Em 1998, quando houve a privatização, eu morava há quatro anos nos Estados Unidos, onde estudei em Harvard e trabalhei em Nova York numa empresa americana que não tinha nenhum negócio no Brasil, muito menos com a privatização.
11. Participar de um mesmo Conselho de Administração, representando terceiros, o que é comum no mundo dos negócios, não caracteriza sociedade. Não fundamos empresa juntas, nem chegamos a nos conhecer, pois o Opportunity destacava um de seus funcionários para acompanhar as reuniões do conselho da Decidir, realizadas sempre em Buenos Aires.
12. Outra mentira grotesca sustenta que fui indiciada pela Polícia Federal em processo que investiga eventuais quebras de sigilo. Não fui ré nem indiciada. Nunca fui ouvida, como pode comprovar a própria Polícia Federal. Certidão sobre tal processo, da Terceira Vara Criminal de São Paulo, de 23/12/2011, atesta que “Verônica Serra não prestou declarações em sede policial, não foi indiciada nos referidos autos, tampouco houve oferecimento de denúncia em relação à mesma.”
13. Minhas ligações com a Decidir terminaram formalmente em Julho de 2001, pouco após deixar o IRR, fundo para o qual trabalhava. Isso ressalta a profunda má fé das alegações de um envolvimento meu com operações financeiras da Decidir realizadas em 2006. Essas operações de 2006 – cinco anos após minha saída da empresa – são mostradas num fac-símile publicado pelos detratores, como se eu ainda estivesse na empresa. Não foi mostrado (pois não existe) nenhum documento que comprove qualquer participação minha naquelas operações. Os que pretendem atacar minha honra confiam em que seus eventuais leitores não examinem fac-símiles que publicam, nem confiram datas e verifiquem que nomes são citados.
14. Mentem, também, ao insinuar que eu intermediei negócios da Decidir com governos no Brasil. Enquanto eu estive na Decidir, a empresa jamais participou de nenhuma licitação.
Encerro destacando que posso comprovar cada uma das afirmações que faço aqui. Já os caluniadores e difamadores não podem provar uma só de suas acusações e vão responder por isso na justiça. Resta-me confiar na Polícia e na Justiça do meu país, para que os mercadores da reputação alheia não fiquem impunes.
Ilustração: Netto
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Portugueses desmascaram anúncio da Coca-cola

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Imprensa paulista omitindo a informação, de pai para filho, desde 1924

Pesquisando o site do Museu da Imigração, que finalmente digitalizou parte de seu acervo, encontrei um periódico, que circulou em São Paulo de finais do século XIX à metade do século XX, com alguns períodos de interrupção, o “Diário Español”.
Já havia pesquisado periódicos de imigrantes espanhóis em São Paulo , por conta de minha dissertação de mestrado, sobre a imigração espanhola em São Paulo.
Os jornalistas da coletividade espanhola em São Paulo dessa época, tinham o ofício de tipógrafos, muitos trabalhavam na imprensa paulista e paralelamente editavam jornais no idioma espanhol, dirigidos aos imigrantes radicados em São Paulo, uma imprensa alternativa .
José Eiras Garcia, tipógrafo e militante pelas causas de seus compatriotas que estavam trabalhando em sistema de semi-escravidão nas fazendas de café, denunciava em seu jornal “Diário Español”, injustiças cometidas por fazendeiros e o abandono desses imigrantes por parte das autoridades consulares da Espanha.
Por conta dessas denúncias, sofreu por parte de autoridades diplomáticas espanholas, uma campanha de difamação e um processo da imprensa brasileira por ter defendido em seu jornal a vários espanhóis radicados no interior de São Paulo. Mesmo sem ter encontrado o nome do jornal que processou Eiras Garcia, tenho certeza que foi O Estado de São Paulo, já que era , “A voz dos cafeicultores Paulistas”.
Num dos números do “Diário Español”, digitalizado pelo Museu da Imigração encontrei o seguinte editorial:
“La Prensa Paulista y la Revolución”
O editorialista declara que, na condição de estrangeiro tinha que manter a neutralidade em relação à situação vivida em São Paulo.
A situação a que se refere o editorial era a revolta paulista de 1924 :
“...No dia 5 de julho de 1924, tropas de São Paulo tentaram promover um movimento de caráter nacional que deveria tomar conta de outras importantes cidades do país. Entretanto, a rebelião liderada por Isidoro Dias Lopes conseguiu acender outros focos somente em Mato Grosso, Amazonas, Pará, Sergipe e Rio Grande do Sul. No estado paulista, a ação tenentista conseguiu tomar pontos estratégicos da capital e atacar o Palácio dos Campos Elíseos, sede do governo estadual. http://www.brasilescola.com/historiab/revolta-paulista-1924.htm
Continua o editorial:
Mas a imprensa brasileira, principalmente nossos colegas de São Paulo não só podem como devem manifestar suas opiniões, seus pontos de vista sobre os atuais acontecimentos. Em uma palavra, marcar uma linha de conduta e segui-la com dignidade e honradez cidadã.
Hoje a imprensa paulista se apresenta como um simples boletim de notícias, que mais do que notícias são rumores, sem um comentário, sem um artigo, que julgamos vergonhosa para a atuação profissional.
Os jornais de São Paulo não tem opinião sobre os graves acontecimentos pelos quais o seu país passa e isto não é digno.
Que os periódicos manifestem suas opiniões e tragam à luz o sentir do povo é, sem dúvida, um bem para a Nação. (traduzido do espanhol)
Parece-nos que estamos vivendo um episódio semelhante no caso do ensurdecedor silêncio da imprensa brasileira sobre os fatos que dominaram as redes sociais na última semana:
o livro bomba do jornalista Amaury Ribeiro Jr., “A Privataria Tucana” e a CPI das Privatizações, encabeçada pelo deputado Protógenes Queiroz.
Não fosse a blogsfera, o Twitter e as redes sociais, o livro passaria em brancas nuvens e as assinaturas para o pedido da CPI, talvez não chegassem a meia duzia.
Porém, não podemos nos contentar com essa importante vitória para a cidadania.
O poder da mídia grande é, ainda, imenso frente ao ruído que a mídia alternativa possa fazer, assim como José Eiras Garcia com seu periódico alternativo, atingia a um público bem específico, as mídias alternativas atingem, ainda, apenas os que pensam como ela.
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Autor de novelas critica mulher de Ali Kamel

Aguinaldo Silva é autor da novela Fina Estampa,
que vai ao ar no horário das 21h da Globo
João Miguel Jr-Globo
Aguinaldo Silva critica jornal O Globo e suas escolhas para Melhores do Ano
Eleitos foram publicados na Revista da TV, parte integrante do jornal, neste sábado (24)
Aguinaldo Silva voltou a criticar as Organizações Globo em seu Twitter. Desta vez, o alvo foi a Revista da TV, parte integrante do jornal O Globo, que chegou às bancas neste sábado (24).
A revista divulgou sua lista de Melhores do Ano na televisão. O autor, que tem problemas com a colunista do jornal Patrícia Kogut, mulher de Ali Kamel, um dos chefes da Globo, parece ter ficado chateado por Fina Estampa – a novela que escreve e que está no ar no horário das 21h da emissora carioca – não ter recebido nenhuma nomeação.
- Chegou a Revista da TV do O Globo com os melhores do ano. Claro, Fina Estampa não ganhou nem o de melhor faxineira. E olha que a faxineira de Fina Estampa é ninguém menos que Carolina Dieckmann!
O autor continuou o discurso dizendo que nem mesmo Crô – mordomo vivido por Marcelo Serrado na novela e que virou sucesso de público – foi considerado o melhor em qualquer categoria.
- Até Crô para melhor ator coadjuvante foi ignorado. Ganhou outra bicha: aquela feita por André Gonçalves em Morde & Assopra.
Em seguida, ele lembrou as trocas de farpas que constantemente tem com Patrícia Kogut e as apresentou como possíveis justificativas para a sua novela não ter sido eleita como uma das melhores.
- É uma pena que os críticos do O Globo confundam a antipatia que sentem por mim com o trabalho dos profissionais que estão na minha novela. Isso mostra o quanto esses críticos de O Globo são pouco profissionais, ao contrário dos que fazem de Fina Estampa uma grande novela.
A alfinetada foi ainda mais fundo.
- Mas se querem saber, eu me sinto feliz por ter sido ignorado por um júri comandado por uma diletante como a Patrícia Kogut. O que importa é a audiência! E essa Fina Estampa dá o dobro do que conseguiu a novela vencedora. Eles não gostam de mim? O povo me adora!
O desabafo terminou com Aguinaldo Silva dizendo que não ficou despeitado por sua novela não ter sido nomeada uma das melhores...
- Se eu fiquei despeitado porque não ganhei porcaria nenhuma? Despeitado eu ficaria se diminuíssem o meu salário queridos!
A novela eleita pelo jornal O Globo como a melhor de 2011 foi Cordel Encantado, exibida no horário das 18h pela emissora carioca.
Das 11 atrações escolhidas pela publicação das Organizações Globo, dez pertencem à emissora da qual eles são os donos.






No R7
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Charge online - Bessinha - # 954

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Luiz Fernando Emediato: “Que venham os processos!”

Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB, disse há pouco a este blog que na próxima semana seu partido entrará com ações na Justiça contra o jornaista Amaury Ribeiro Jr., autor do livro “A Privataria Tucana”, e o editor Luiz Fernando Emediaro, dono da Geração Editorial e responsável pela publicação do ivro. “Vamos para cima deles. O livro está repleto de mentiras”, explica Sérgio.
Luiz Fernando Emediato
Acabei de conversar, por telefone, com o jornalista Luiz Fernando Emediato sobre o assunto.
“Vivemos num sistema democrático e nos processar é um direito do PSDB”, afirma Emediato “Consequentemente, que o exercite, se julgar conveniente.”
“Apenas advirto que o último a processar o jornalista Amaury Ribeiro Jr. se deu mal”, observa. “Além de ter resultado na inocência do jornalista, o processo fez com que ele tivesse acesso aos documentos da CPI do Banestado, que embasam parte do livro A Privataria Tucana.”
Emediato refere-se a Ricardo Sérgio de Oliveira, ex- presidente da área internacional do Banco do Brasil na gestão FHC e tesoureiro de campanhas do PSDB, inclusive das de José Serra à presidência.
Ricardo Sérgio entrou com processo contra Amaury por danos morais em função de reportagens nas quais o denunciou. O jornalista recorreu então a um procedimento chamado exceção da verdade, que lhe permitiu ter acesso a todos os documentos da CPI do Banestado que envolviam o Ricardo Sérgio.
Em entrevista dada a esta repórter, Amaury Ribeiro Jr. já antecipou: “Com certeza, vou recorrer novamente à exceção da verdade para provar que tudo o que está em A Privataria Tucana é verdade. É só me questionarem”.
Quanto à possibilidade de o PSDB processar a Geração Editorial e/ou o seu dono, Emediato retruca: “Eu trabalhei em várias campanhas do PSDB na década de 1990. Portanto, não me faltam documentos para eu me defender. Que venham os processos!”
Conceição Lemes
No Viomundo
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Brasil é a sexta Economia. E a Globo se muda para Londres

Saiu no respeitado jornal inglês The Guardian:
O Brasil ultrapassa a Inglaterra e se torna a sexta Economia do mundo.
Para quem se curva ao PiG, como o Bernardo, esse é um fato inexplicável.
O Guardian atribui a ultrapassagem (irreversível) à valorização dos produtos que o Brasil exporta.
E à (péssima) qualidade da política econômica (neo-liberal) da Inglaterra.
O Guardian está parcialmente certo.
Faltou explicar algumas coisinhas aos leitores ingleses.
Por exemplo, extraído da pág. 34 do Brasil Econômico:
Três fundos de ações – administrados pelo Bradesco e o Itaú – têm mais investidores (2 milhões e cem mil) do que os investidores da Bolsa.
Esses fundos concentram suas aplicações em Petrobrás (que o PiG e o Adriano Pires não recomendam) e Vale.
Quantos membros da Classe C estão na Bolsa, amigo navegante, através de fundos de bancos?
Na pág. 30, a Cyrela, uma das maiores empresas de construção civil do país, vai aplicar entre R$ 3,7 e R$ 4,5 bilhões em imóveis para cliente de baixa renda, o que significará 50% de sua receita.
Na pág. A12 do Valor, lê-se:
“Escola pública (que horror! Não é do DiGenio!) do país entre na onda dos tablets. MEC vai lançar editar para a compra de 300 mil aparelhos”.
Na pág. 4 do Globo, lê-se outra coisa horrorosa: “Maioria dos alunos de iniciação científica vem de classe baixa”.
“Essa é a cara do jovem pesquisador brasileiro”.
Não faz muito tempo os gatos pingados que assistem ao Bom (?) Dia Brasil tomaram conhecimento de mudança radical em sua política (?) editorial: 1/3 do programa tem como sede Londres.
Londres, que, como se sabe, é a capital do país que o Brasil acaba de ultrapassar.
1/3 do programa é para falar mal do Brasil.
1/3 para falar bem do Brasileirinho da Globo.
E 1/3 para descrever a Hecatombe Universal que tragará o Brasil.
Essa parte do Holocausto Ecônomico fica com o Renato Machado, que era âncora no Brasil.
E pediu para transferir-se para Londres.
É o homem certo no lugar certo, na hora certa: Londres.
Por que o Ali Kamel não transfere a sub-sede do Bom (?) Dia para Recife?
Para Sinop, em Mato Grosso?
Sabe o que tem lá em Sinop, Kamel?
É de matar a Urubóloga de depressão.
É assim, amigo navegante, a elite brasileira.
Quer ir morar em Londres.
Quantos londrinos desempregados não preferiam morar, hoje, no Rio Maravilha, amigo navegante?
Paulo Henrique Amorim
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Charge online - Bessinha - # 953

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Para barrar haitianos, Brasil tenta acordos com serviços secretos

Agência Brasileira de Inteligência e Polícia Federal acionam parceiros de países da 'rota haitiana' para tentar conter imigração ilegal. Rota é operada por 'coiotes' que cobram dois mil dólares por pessoa e já exploram imigrantes árabes e asiáticos. 'É preciso encontrar solução urgente', diz presidente do comitê de refugiados.
BRASÍLIA - A Agência Brasileira de Informação (Abin) e a Polícia Federal (PF) estão buscando a cooperação de serviços secretos de outros países latinoamericanos para tentar desbaratar a quadrilha responsável por facilitar a entrada ilegal de haitianos no país, por meio da fronteira com a Bolívia e com o Peru.
“Temos que acabar com o tráfego de pessoas e impedir que a atuação criminosa dos 'coiotes' se estabeleça na região”, diz a coordenadora-geral da Secretaria de Acompanhamento e Estudos Institucionais do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência, Mírian Medeiros da Silva.
'Coiotes' são os operadores da rota de imigração ilegal do Haiti para o Brasil. O principal roteiro deles passa pela República Dominicana, vizinha do Haiti, e atravessa Equador, Peru e Bolívia, até chegar ao Brasil.
De acordo com Miriam, os 'coiotes' cobram, em média, dois mil dólares dos imigrantes ilegais, que se submetem às condições mais precárias possíveis durante a viagem e a estadia nos países vizinhos.
“Relatos de haitianos que chegam ao país revelam que eles são agredidos e extorquidos no trajeto até aqui, principalmente na Bolívia. Por isso, o Brasil se torna o paraíso, com seu povo extremamente acolhedor”, diz o senador Aníbal Diniz (PT-AC).
De acordo com o ministério das Relações Exteriores, a atuação dos 'coiotes' é facilitada, principalmente, porque, ao contrário do Brasil, os países das paradas anteriores não exigem visto de entrada para haitianos. A exceção é a República Dominicana que tem deportado os haitianos que entram ilegalmente no país.
“Desde fevereiro, estamos tentando solucionar o problema. Tivemos conversas promissoras com o Peru, que chegou a se comprometer a cobrar o visto, mas o Equador se nega a cobrar visto de qualquer imigrante”, esclarece o diretor do Departamento de Imigração do ministério, Rodrigo do Amaral Souza.
Fronteira aberta
O secretário-executivo do Ministério de Justiça e presidente do Comitê Nacional para Refugiados, Luiz Paulo Teles Barreto, acrescenta que os membros da quadrilha são os mesmo coiotes que ganham a vida levando latinoamericanos para os Estados Unidos, em condições tão precárias que, algumas vezes, acabam morrendo.
Barreto alerta que, além dos haitianos, eles têm oferecidos os serviços para outros estrangeiros que almejam entrar no país, como asiáticos e árabes. “Com o crescimento da economia brasileira, os coiotes estão explorando essa nova rota de tráfego de pessoas. É preciso encontrar uma solução urgente para o problema”, diz ele.
Exemplo é o crescimento da exportação da carne brasileira para países árabes, que exigem que o abate de animais se dê dentro das normas estabelecidas pelo Islã. “Com isso, muitos afegãos e paquistaneses estão vindo trabalhar no Brasil e, muitas vezes, só querem o visto quando já entraram e já estão empregados”, conta o secretário-executivo.
Ajuda humanitária
A imigração ilegal de haitianos foi tema de uma audiência pública no Senado na última semana de trabalho dos parlamentares antes as férias. No debate, o senador Cristóvam Buarque (PDT-DF) defendeu que o país empreenda seus esforços para que, no futuro, também não precise fazer controle das fronteiras. “Se temos mobilidade para mercadorias, por que não podemos ter para as pessoas?”, questionou.
Já o senador Jorge Vianna (PT-AC), cujo irmão, Tião Viana, é governador do Acre, sugeriu que o governo brasileiro institua uma política para receber entre 10 e 30 mil haitianos, pela porta da frente do país, legalmente, sem estimular a atuação criminosa dos coiotes, e garantindo a segurança dessa população. “Seria um grande gesto humanitário”, defendeu.
O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) propôs a revisão imediata da Lei de Imigração, para torná-la mais atual e, com isso, facilitar a entrada de vítimas de catástrofes naturais ou econômicas, como é o caso dos haitianos, de forma legal no país. “Os latinos vem para o Brasil, hoje, como os africanos vão para a Europa, buscar uma vida melhor”, comparou.
Najla Passos
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Brasil, a esperança para imigrantes ilegais haitianos

Rota de imigração ilegal pela região norte atrai milhares de haitianos em fuga da miséria e falta de perspectiva. Em Brasileia, no Acre, abrigo de imigrantes produz 'calamidade pública'. Capital do Amazonas, Manaus torna-se também 'capital haitiana' no Brasil, uma referência por liderar forças de paz da ONU. Tropas começam a sair em março.
BRASÍLIA - Brasileia é uma pequena cidade de 20 mil habitantes cravada no sul do Acre, na fronteira com a Bolívia. É bem provável que a imensa maioria dos brasileiros jamais tenha ouvido falar dela. Fora das fronteiras locais, porém, o município faz sucesso. A cidade é a porta de entrada no Brasil de uma rota de imigração ilegal de haitianos para o país.
Hoje, a cidade hospeda 810 haitianos. Uma população que, fugida de um dos lugares mais pobres do mundo, e onde o Brasil é uma referência por comandar tropas de paz das Nações Unidas, sonha com a cidadania brasileira, que lhes daria o direito de trabalhar, de estudar, de usufruir o Sistema Único de Saúde (SUS), enfim, de viver legalmente no país.
O Brasil, porém, não possui um tratado internacional que exima os haitianos de visto de permanência. Eles também não podem ser enquadrados no conceito de “refugiado”, definido pela Convenção de Genebra, que considera como tal toda pessoa obrigada a sair de seu país, sozinha ou em grupo, devido a perseguições de caráter político, racial, de gênero ou religioso.
O combustível da fuga é a miséria. E, quando cruzam a fronteira da Bolívia o Brasil, os haitianos assumem a condição de imigrantes ilegais. Uma situação que também causa problemas para autoridades públicas brasileiras.
Em Brasiléia, 600 haitianos estão hospedados em um hotel do município com despesas pagas pelo governo do Acre. Recebem duas refeições diárias, além de café da manhã. Tudo isso significa um gasto mensal de R$ 1 milhão para os cofres de um dos estados mais pobres do país.
E este não é, nem de longe, o maior problema. “O hotel em que eles estão alojados tem capacidade para 80 pessoas e estão vivendo 800. Não há como cozinhar para tanta gente, os banheiros não comportam. Daqui a pouco, a epidemia de cólera que assola o Haiti chegará até lá”, afirma o senador acreano Aníbal Diniz (PT).
Entre os hóspedes, há 17 mulheres grávidas e crianças em idade escolar. Em Brasiléia, os sistemas públicos de educação e saúde não têm como atender tanta gente. Para conseguir documentos como CPF (Cadastro de Pessoa Física) e carteira de trabalho, precisam esperar cerca de um mês. E as perspectivas são de que o número de haitianos no município aumente cada vez mais.
Informações da Agência Brasileira de Informação (ABIN) e da Polícia Federal (PF) revelam que há 50 haitianos do lado boliviano da fronteira aguardando uma oportunidade para entrar no país. E outros que 200 já deixaram Porto Príncipe, a capital devastada do Haiti, em direção ao Brasil.
A rota identificada pelas autoridades brasileiras mostra que, do Haiti, os imigrantes ilegais seguem para a República Dominicana, que divide a Ilha de São Domingos com o Haiti. De lá, os imigrantes vão para Equador, Peru e Bolívia, até chegar ao Acre. É operada por pessoas conhecidas como “coiotes”, participantes de uma quadrilha que os serviços policias e de inteligência do Brasil tentam desbaratar.
Na cidade amazonense de Tabatinga, tríplice fronteira com Peru e Colômbia, os haitianos também chegam em grandes grupos. Lá, não é o governo do estado que acolhe os imigrantes, mas a sociedade civil organizada, principalmente por meio do trabalho da Pastoral do Migrante, da Igreja Católica.
Levantamento feito pelas Nações Unidas aponta que, atualmente, 1,1 mil haitianos estão na cidade. Em 2010, a Polícia Federal recebeu 476 solicitações de refúgio. Em 2011, foram 1075. Todas elas foram negadas, mas os pleiteadores conseguiram um visto humanitário. Muitos se deslocaram para Manaus, em busca de emprego.
É justamente na capital do Amazonas que se concentra o maior número de haitianos: 3,2 mil, a maioria mantida também pelas igrejas e comerciantes locais. Também há haitianos vivendo em Rio Branco (AC), Porto Velho (RO) e São Paulo (SP). Em todo o país, 3.274 já requereram visto de permanência e 1,3 mil receberam.
Calamidade pública
A pobreza e a miséria que, historicamente, colocam o Haiti no último lugar do ranking de desenvolvimento da América Latina e Caribe dificultam a reconstrução do país, após o terremoto de 2010, que afetou a vida de 3 milhões de haitianos e matou, de imediato, 222 mil pessoas.
“O terremoto foi terrível, mas o país já era miserável antes dele. Outros países que passam por catástrofes naturais, como Chile, conseguem se recuperar. Mas o Haiti, não”, justifica o representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Andrés Ramirez.
Segundo ele, hoje, passados quase dois anos, o Haiti continua sofrendo os efeitos da catástrofe. “Cerca de 300 mil casas foram destruídas. Mais de um milhão de pessoas continuam vivendo em acampamentos, em condições muito precárias. Por isso, o surto de cólera no país”, afirma.
Além disso, a violência vitima, principalmente, as mulheres. “A incidência de gravidez nos acampamentos aumentou de 4% para 12%, principalmente devido aos estupros que ocorrem durante à noite, em função das deficiências de iluminação”, denuncia.
Andrés Rmirez relata que a violência sexual e de gênero tem justificado, inclusive, que outros países aceitem receber os haitianos como refugiados. “Os números são modestos, mas já há 57 na Argentina, 146 no Peru e um no Chile”.
É neste contexto que os haitianos decidem deixar o país. As famílias mais abastados se organizam e enviam alguns membros pra os Estados Unidos. As de menor poder aquisitivo, agora, têm a alternativa de tentar o Brasil, que exige menos recursos e é mais seguro. Nos Estados Unidos, se descobertos, os ilegais são deportados para seus países de origem.
“A maior parte dos imigrantes ilegais haitianos é muito bem qualificada, justamente para conseguir emprego e ajudar a sustentar os que ficaram no Haiti”, diz o presidente do Comitê Nacional para Refugiados (Conare), Luiz Paulo Teles Barreto, também secretário-executivo do Ministério de Justiça.
O Brasil é ume referência também por liderar, desde 2004, as forças de paz das Nações Unidas que atuam no Haiti. O ministério da Defesa diz que as tropas brasileiras vão deixar aquele país a partir de março de 2012.
Najla Passos
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