18 de dez de 2011

Merval: uma questão de estilo continuado

Brizola Neto lembrou há dias que Merval Pereira era o repórter da tentativa de difamação (definida no Art. 139 do Código Penal, como tentativa de imputar a alguém fato ofensivo à sua reputação) na referida reportagem do Globo. A acusação, estampada em primeira página, era de que o então candidato à Presidência da República, em 1989, fora fotografado ao lado do traficante Eureka, da Rocinha.
Não era.
O Globo foi condenado a dar direitos de respostas, mas continuou perseguindo o rapaz, na verdade, um líder comunitário chamado José Roque.
O texto abaixo é de Caio Túlio Costa, á época ombudsman da Folha. Funciona como um documento importante para ajudar as novas gerações a não cometerem os mesmos equívocos.
___________
Receitas para perseguir um candidato
São Paulo, domingo, 29 de outubro de 1989
CAIO TÚLIO COSTA
Na disputada imprensa brasileira para saber quem persegue melhor um candidato, o jornal "O Globo" leva o melhor prêmio esta semana. O alvo foi Leonel Brizola, do PDT. A Folha também concorreu mas não conseguiu suplantar o desafiante carioca.
"O Globo" estava praticamente "fechado" na quinta-feira, na finalidade os preparativos para entrar nas rotinas, quando recebeu uma informação, via jornal "O Dia", de que a polícia havia estourado um ponto de tráfico e achara uma foto de Brizola abraçando um traficante. O jornal segurou sua primeira página e despachou equipe para o local.
Lá recolheu informações, dada por um detetive-inspetor da polícia, Horácio Reis, de que Brizola estava abraçando Eureka, um traficante. A noticia acompanhada da foto do abraço ganhou destaque na primeira página de sexta-feira: "polícia acha pôster de Brizola com traficante". A foto ocupava parte da cabeça do jornal e a legenda dizia que Brizola estava "sorrindo e abraçado com o traficante Eureka".
O jornal começou a ser impresso com a informação apenas na sua capa mas foi rapidamente providenciado um segundo clichê e ela também foi incluída nas páginas internas, na seção Grande Rio. Houve uma decisão de tratar o assunto como caso de polícia. "Registramos uma coisa que nos parecia escandalosa", disse a este colunista o diretor de Redação do "O Globo", Evandro Carlos de Andrade.
Quando o jornal surgiu nas bancas foi o maior estrago. O rapaz apareceu e disse que não é o traficante Eureka, chama-se José Roque Ferreira, tem 39 anos, foi candidato a vereador no Rio e preside a Associação de Moradores Morro do Telégrafo, em Mangueira. Esta última informação o próprio " O Globo" tinha na quinta-feira mas não deu importância, preferiu confiar no inspetor Horácio Reis. "Era a responsabilidade política de um policial", afirma Evandro. O diretor do jornal argumenta ainda da que "não se podia, em função do horário, fazer uma apuração rigorosa".
Agora o "O Globo" está sendo processado. Brizola entrou com queixa na Justiça comum (calúnia) e outra na Justiça Eleitoral. Quer direito de resposta. O "O Globo" terá que retratar-se uma vez provado que errou. Mas "O Globo" continua investigando a vida de José Roque (que desafiou a polícia a prendê-lo) e reafirmou na sua edição de ontem que o detetive-inspetor Horácio Reis tem certeza de que Roque é ligado ao comércio de entorpecentes. Conforme Evandro, "ainda fica alguma coisa no ar pela indicação do detetive-delegado".
Qual a razão de tudo isto? Por que um jornal se apressa em publicar determinados fatos contra alguém? Critério jornalístico não é uma resposta válida. O ombudsman do jornal espanhol "El País" costuma repetir um velho principio do jornalismo segundo quem uma única fonte é insuficiente para bem redigir uma notícia e é desastrosa para redigir uma boa reportagem.
No afã de atingir Brizola bastou a palavra de um inspetor da polícia carioca para levar o jornal a abrir na sua capa um assunto que "aparentava" ser quente. Tentou bater em Brizola e acabou batido, dada a repercussão do caso. E o candidato ganhou mais munição para sua campanha.
Sem reconhecer objetivamente que errou - na esperança de que ao guardar a decisão da Justiça o tempo passe e o assunto morra. "O Globo" perde ainda mais pontos. Não há demérito em recolher erros. Está certo, o jornal deu espaço ontem tanto para Brizola quanto para o rapaz ofendido, mostrou em título e chamada de capa que o secretário de Polícia Civil do Rio diz que não há informações sobre seu envolvimento com tráfico. No entanto, não reconheceu o erro porque ainda não se acha de todo errado apesar das evidências em contrário.
(...)
Weden
No Advivo
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Professor demonstra como Merval é um parvo imortal

Óia a vírgula, Merval Pereira! Óia a vírgula, hômi!
O jornalista Merval Pereira, recém-eleito membro da Academia Brasileira de Letras, bem que poderia fazer jus ao fardão que lhe foi "outorgado" sabe-se lá por quais critérios literários [se é que me entendem].
Em artigo intitulado "A ficção do Amaury" - em que tece críticas ao conteúdo do livro "A Privataria Tucana" e defende, nas entrelinhas, a omissão da "grande imprensa" na divulgação da obra do também jornalista Amaury Ribeiro Jr. -, o Merval se "desvia" do que é posto como padrão "culto" para as situações formais de comunicação e expressão em língua portuguesa.
Assim é que algumas normas são "quebradas", a ambiguidade surge em algum momento e a "limitação" vocabular se faz presente em outro. Tudo isso denuncia o "acadêmico" Merval Pereira como um verdadeiro relaxado no trato com a língua dita "culta".
A seguir, as minhas observações e os meus comentários. Claro que não dá para me comparar ao Merval. Eu, coitado, sou da Acadêmía Brazilêra de Lêtra:
A leitura do segmento "suas denúncias" traz um sabor de... de que, mesmo? Já nem sei... da mesma forma que não sei se as denúncias são dos "novos meios de comunicação e dos blogueiros chapa-branca" ou do "Amaury Ribeiro Jr". Brincadeirinha. O contexto nos dá o caminho para o referente que, neste caso, seria o próprio "Amaury Ribeiro Jr". Agora que o Merval, membro da ABL, poderia ter evitado essa ambiguidade... Ah, poderia!
Embora não esteja "obrigado" a fazer uso da nova ortografia, o Merval escreve "idéia" e não segue a nova orientação ortográfica [aqui]. Será que os acadêmicos da ABL, eminências da língua "correta", estão ainda usando a ortografia anterior? Se não estiverem, Merval, você será chamado às falas... Com aquela gente não se brinca em matéria de língua padrão... Tô logo avisano...
Óia a vírgula, Merval! Óia a vírgula! A oração coordenada explicativa ["pois alegam"] "abriu vaga" para uma intercalada de valor semântico temporal [alguns atribuem ao conectivo "enquanto" um valor de simultaneidade temporal]. Ponha a vírgula adispois do "pois", hômi!
Xiiii... Acho que, na pressa em escrever o artigo para defender a tucanada, o Merval deu um espaço e separou "por que". Não seria "porque", Merval? Vêji isso aí, diretim... Eu tenho cá pra mim que esse "por que" se ajunta, visse?!?!
Merval, fique tranquilo, pois o uso que você fez de "tranqüilo" já foi discutido acima... A nova ortografia, certo?!?!...
Óia a vírgula, Merval! Óia a vírgula! Esse não é o momento adequado para usá-la, hômi de deusi! A oração "se tem provas" é complemento verbal de "verificar", assim como "se ele realmente acrescenta dados novos às denúncias sobre as privatizações". Como se nota, a última oração do parágrafo, introduzida pela coordenativa "e", funciona, sintaticamente, como objeto direto [dizem os doutos da norma padrão que não se separa complemento verbal de seu verbo por vírgula.]. Ah... o uso da vírgula foi para dar ênfase?! Questão de estilo... é isso?!?! Sei não, sei não... Bom... de quarqué modo, vêji isso tamém, visse, Merval?!?!
Pô, Merval! Um minidicionário - daqueles escolares - teria dado uma força para evitar a repetição da palavra "falcatruas"! Aqui, nada demais, sabe, Merval... Mas o povo que entende dessas coisas de língua padrão e indicetra e tá pode achar que você está com o vocabulário meio comprometido. Sugerirão alguns que roubalheira cairia bem no lugar da segunda ocorrência da palavra "falcatruas"... Ah, mas é que, no governo Collor, foram muitas "falcatruas", né? Assim como foi, no caso das privatizações no governo FHC... Como é que eu não saquei isso! Você vai mi adiscurpando aí, visse, Meval?! É que, às vêiz, a gente se impóga e tal...
Óia a vírgula, Merval! "Será o binidito!"! Vêji que o sujeito de "transformou-se" é o mesmo de "desencadeou" - "Roberto Jerfferson". Desse modo, Merval, não haveria o uso da tal vírgula para separar as orações construídas em torno dos referidos verbos, a menos que... peraí, peraí... ah, já sei... Você pensou que a oração iniciada por "de quem..." tivesse caráter explicativo, não foi?!?! Mas ela não tem, né?!?! Então, apague essa vírgula aí tamém, hômi!
Minha nossinhora, Merval Pereira! A vírgula de novo, hômi!!! Pela última vez: a gente não viu aí in riba* que não se separa complementos verbais de seu verbo por vírgula? O mesmo se dá com o sujeito e o seu verbo. Eles não gostam de vírgula atrapalhando a relação. Nisso eles têm razão: quem já se viu uma vírgula se metendo onde não é chamada? Desse modo, bote pra correr a vírgula adispois de "Amaury Ribeiro Jr"!
Rapaz... Eu num tô acreditando, não! Merval!... A vírgula... Meu deus do céu! Óia, Merval, eu não vou tá mais aqui falano de vírgula, não, visse! Chega! Mas, ainda assim, eu vou dizer... Eu sou chato: Ô, misera! Há um tal de paralelismo sintático em "não apenas"... "mas". Apois bote uma vírgula adipois da mulesta dessa palavra "TCU"!
* Vêiz em quando, Merval, é sempre bom usar um latim nordestino - não é o de Roma, não, visse?!?! Só para você entender, caso não saiba, pois agora tá todo chique... é da Academia Brasileira de Letras, né?!?!: "in riba" significa "pras bandas de cima".
Professor DiAfonso
No Terra Brasilis
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As três falácias de Merval

Impressionante. O Merval usa nada menos do que três falácias lógicas pra justificar sua defesa crassa do Serra.
Primeiro, o apelo à autoridade, na qual a veracidade de uma proposição deriva da autoridade, ou suposta autoridade, de quem a proferiu. Assim, diz-se que se Fulano disse algo sobre economia, sendo ele economista, esse algo deve ser verdade. Da mesma forma, se Fulano participou de um crime, ele tem autoridade para dizer como ele ocorreu.
Segundo, lógica circular, na qual a premissa é validada pela conclusão e vice-versa. No caso, um crime existiu pq alguém o confessou, e a confissão é verdadeira pq quem a proferiu participou do crime.
Terceiro, e mais óbvio, argumentum ad hominem, ou o assassinato do mensageiro, na qual uma proposição é falsa por ter partido de alguém que se desqualifica.
O que eu não entendo é como é que um infeliz que ou é um completo idiota por não apenas aceitar argumentos tão claramente falaciosos como verdadeiros, mas os repetir publicamente como suas "razões", ou é um cínico que sabe que seu argumento é insustentável, mas espera que os incautos que nele acreditam os aceitem acriticamente da mesma forma, ou os admita pela mais pura desonestidade oriunda do partidarismo descarado, possa ter uma coluna na "imprensa" nacional, ser conceituado no meio e ainda fazer parte da ABL.
É realmente o fim da picada. E se nossas escolas estivessem mais interessadas em formar cidadãos pensantes do que em formar apertadores de botões para os donos do capital, teríamos ao menos aulas de lógica que enterraria sofistas baratos e incompetentes como o Merval.
Pierre
No Advivo
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Uma resposta necessária ao colunista Merval Pereira

Merval Pereira ao lado de José Serra, um dos 
suspeitos de liderar o maior esquema de corrupção
já visto no país
É importante ler com atenção o que diz o colunista do diário conservador carioca O Globo e imortal da Academia Brasileira de Letras Merval Pereira quando ele se pronuncia sobre A Privataria Tucana, livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr. Da mesma forma como o governo dos Estados Unidos e suas agências de informação apreciam o trabalho do apresentador de TV William Waack, na defesa de seus interesses em solo brasileiro, também a direita aplaude seu principal porta-voz. Ele realmente acredita que o livro “é um sucesso de propaganda política do chamado marketing viral, utilizando-se dos novos meios de comunicação”. Até aí, uma simples profissão de fé, daquelas próprias do náufrago agarrado à prancha, diante da barbatana que se ergue na linha d’água. A obra é um sucesso, sim, mas pelo simples fato de que toda sujeira varrida para debaixo do tapete, uma hora vem às claras. E quando isso acontece, as consequências são imprevisíveis. O “marketing viral” e os “novos meios de comunicação” ficam por conta do afogado nos fatos desvelados pela nova realidade brasileira na área da Comunicação Social: o poder do Partido da Imprensa Golpista (PIG) sofreu seu pior abalo e o risco de desmoronamento é iminente.
Pereira erra feio, no entanto, ainda no primeiro parágrafo do texto publicado nos estertores da irresponsabilidade de tentar manter em silêncio um fato que irá repercutir ao longo dos próximos anos. Atribui aos “blogueiros chapa-branca” o tsunami de notícias que varre as redes sociais nas últimas semanas. Mas, creio, o faz de propósito. Fica difícil admitir a existência de Jornalismo independente no país que ele imagina dominado pelas cinco famílias. Qual capitão-do-mato de uma delas, Pereira se dispõe a defender, do alto de seu salário, o que denomina ‘imprensa tradicional’ quando fala, na realidade, dos conglomerados golpistas ora cercados pela blogosfera, na planície onde ocorre a última batalha entre a verdadeira Opinião Pública desse país e os gigantes da mídia opressora. Para o colunista e para os donos das mãos que o alimentam, o novo Jornalismo no Brasil somente existe por conseguir o patrocínio do Estado. Novamente, não é bem assim, mas parabéns àqueles que conseguem tirar alguns trocados dessa matilha que abocanha a maior parte de tudo o que os setores estatal e privado investem em publicidade. Ela é formada, exatamente, pelas famílias que pagam aos seus servis e até ‘imortais’ funcionários para a defesa de objetivos inconfessáveis.
O que o colunista não percebe – e se o faz, guarda silêncio – é a existência de uma nova classe de jornais no país, na qual se encontra o Correio do Brasil. Não é blog de ninguém, nem vive à custa da propaganda oficial ou recebe dinheiro dos grandes conglomerados econômicos para a defesa dos interesses estrangeiros no país. Sequer mantém entre seus jornalistas um pelotão de lambe-botas, pronto a adular os poderosos da direita ou a bater palmas para a esquerda festiva. Trata-se de um jornal que leva a sério seu maior patrimônio: os mais de 3 milhões de leitores que buscam, no diário, nada além da verdade. Se tucanos roubam, o CdB denuncia. Se petistas roubam, o CdB denuncia também. Se os interesses nacionais são feridos, o CdB se levanta. Se a imprensa golpista mente, o CdB revela quem são os mentirosos. Simples assim, pois aqui exercemos aquele velho Jornalismo, que ouve todas as partes envolvidas nos fatos e toma partido apenas do leitor. Se a Opinião do Correio do Brasil é francamente favorável ao Socialismo é porque opinião cada um tem a sua, e defendemos com nossas vidas o direito de todos poderem dizer o que pensam.
Mas mentir não. Com a mentira é diferente. Não há trégua para aqueles que querem iludir a boa fé das pessoas com afirmações como esta que Pereira consigna em seu texto: “A chamada ‘grande imprensa’, por ter mais responsabilidade que os blogueiros ditos independentes, mas que, na maioria, são sustentados pela verba oficial e fazem propaganda política, demorou mais a entrar no assunto, ou simplesmente não entrará, por que precisava analisar com tranqüilidade o livro para verificar se ele realmente acrescenta dados novos às denúncias sobre as privatizações, e se tem provas”. Sabemos que a história não é bem essa aí que o cidadão escreveu. As cinco famílias precisaram combinar entre si o que diriam, diante da estocada precisa de Privataria Tucana no núcleo podre de uma banda do poder, ainda muito influente no país. Os envolvidos na trama não explicam nada, como tentam desviar o foco do leitor para o fato principal que é a roubalheira perpetrada contra o Erário, porque foram flagrados de calças na mão, como traduz o jargão dos quartéis.
Numa tentativa pueril de desmerecer o esforço de reportagem contido em A Privataria Tucana, Merval questiona: “Que trapaceiro registra seus trambiques em cartórios?”. A resposta é evidente, até para o mais gentil lúmpen com o qual ele possa conviver. As personagens encerradas no assalto aos cofres públicos e reveladas nas páginas do livro tentaram, ainda bem que sem sucesso, disfarçar o que a presidenta Dilma Rousseff, placidamente, classifica de “mal feito”.
Ao usar os serviços de empresas especializadas na lavagem de dinheiro e na receptação de propinas, todos aqueles citados no livro-reportagem precisam, sim, explicar-se em juízo. Aí incluídos os grãs-tucano José Serra e Fernando Henrique Cardoso. Não será com uma conversinha fiada como a do artigo de Merval Pereira que os patrões do colunista estarão livres de um caudaloso processo político, cível e criminal, nas cortes brasileiras. Por mais que rosnem os cães amestrados do capital internacional, que advogados caríssimos exerçam o Jus ‘sperniandi’ e as matracas em minoria no Congresso tentem barrar a CPI da Privataria, nós aqui no Correio do Brasil seguiremos, dia após dia, no cumprimento do dever para com nossos leitores. Se nada mais restasse, apenas os fatos impressos nas páginas do CdB já serão suficientes para manter acesa a chama da Justiça.
Gilberto de Souza é jornalista, editor-chefe do Correio do Brasil.
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Jogo bruto contra CPI da privataria

Primeiro os tucanos e sua mídia se fingiram de mortos. Depois, eles tentaram desqualificar o autor do livro “A privataria tucana”, o premiado jornalista Amaury Ribeiro, e o deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), atacando a sua proposta de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar os crimes da privatização na era FHC. Agora, eles partiram para o desespero.
O objetivo é acuar o autor e, principalmente, implodir a CPI da Privataria, que rapidamente conquistou as assinaturas necessárias para a sua instalação. O grito de guerra foi dado por FHC, sempre ele, o chefão dos tucanos. Numa nota agressiva, ele classificou o livro de “infâmia” e disse que o jornalista é um “indiciado” (como se ele não estivesse metido em vários processos na Justiça).
Tucanos convocados para a guerra
No final da nota, FHC conclamou os acuados e desnorteados tucanos a resistirem: “Quero deixar registrado meu protesto e minha solidariedade às vítimas da infâmia e pedir à direção do PSDB, seus líderes, militantes e simpatizantes que reajam com indignação. Chega de assassinatos morais de inocentes”. De imediato, o presidente da legenda, Sérgio Guerra, acatou as ordens do chefe:
“O PSDB repudia veementemente a mais recente e leviana tentativa de atribuir irregularidades aos processos de privatização no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso e acusar o partido e os seus líderes de participar de ações criminosas... Serão tomadas medidas judiciais cabíveis contra o autor e os associados às calúnias desse livro”, afirma a nota oficial do PSDB.
Manobras para abortar a apuração
A reação tardia da cúpula tucana, que adora assassinar reputações e que sobrevive da criação de CPIs, visou reorganizar o ninho e enquadrar os seus parlamentes. Alguns, inclusive, já tinham aderido ao pedido de Protógenes Queiroz para a instalação da CPI. Agora, eles sofrem enorme pressão para abandonar o falso discurso ético, conforme apontou ontem Renata Lo Prete, na Folha:
“Fechou o tempo na bancada do PSDB com as assinaturas de Fernando Francischini (PR) e Marchezan Jr. (RS) em favor de CPI proposta por Protógenes Queiroz para investigar o conteúdo do livro ‘A Privataria Tucana’, recheado de acusações a José Serra. Ambos se disseram ‘desafiados’ pelo autor do pedido, que, em troca, subscreveu a CPI da Corrupção - esta, contra o governo”.
Especulações para estimular a cizânia
Além da pressão pela retirada das assinaturas, também está em curso uma operação para criar cizânia e intrigas entre os partidos que historicamente condenaram o processo de privatização no reinado de FHC. Nesta jogada inteligente e marota, especula-se que o presidente da Câmara Federal, Marco Maia (PT-RS), já teria descartado a CPI, como se ele fosse o dono do parlamento.
As declarações da presidenta Dilma Rousseff, num café da manhã ontem com os jornalistas no Palácio do Planalto, serviram para reforçar essa jogada. Aparentemente desinteressada e sempre conciliadora, ela disse que não leu o livro de Amaury Ribeiro e que uma CPI só deve ser criada em casos extremos. O líder do governo, deputado Candido Vaccarezza (PT-SP), sempre atabalhoado, também despistou.
Urgente mobilização da sociedade
Uma nota hoje de Mônica Bergamo, na mesma Folha serrista, alimenta este veneno. “O PT está turbinando a CPI, proposta pelo deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP). Mas já traçou o roteiro: fará barulho em torno da comissão até março. Neste mês, o petista Marco Maia, que preside a Câmara dos Deputados, vai arquivá-la por ‘carência de objeto específico’. O próprio governo petista não tem interesse no barulho de uma CPI”.
Como se observa, a pressão para inviabilizar a apuração dos crimes no processo de privatização, tão bem descritos e documentados no livro de Amaury Ribeiro, será violenta. Só mesmo a mobilização da sociedade, a partir das entidades e lideranças que não se rendem ao pragmatismo exacerbado, poderá garantir a criação da CPI da Privataria. Será uma guerra de titãs, mas os tucanos e a sua mídia já sentem o desgaste!
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A Foto da Semana

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Globo investe em Evangélicos e Prefeitura paga a conta

Globo exibe festival gospel apostando em público evangélico
Hoje é um novo dia de um novo tempo que começou para a Globo e os evangélicos.
A emissora, tradicionalmente ligada à Igreja Católica, dedica 75 minutos de programação ao segmento. Foi ao ar às 13h trechos do festival Promessas, produzido pela Globo com os principais nomes da música gospel.
O público era de 20 mil pessoas - um décimo do esperado. Ainda assim, o canal faz do evento cartão de visitas para uma fatia de audiência em ascensão: estima-se que mais de 20% da população brasileira seja evangélica.
O festival teve tratamento VIP na Globo e consumiu R$ 2,9 milhões da Prefeitura do Rio.
Isso num momento em que a rede registra fuga de espectadores. A média/dia de audiência (7h à meia-noite) está em 16 pontos (cada ponto equivale a 58 mil domicílios na Grande SP), 10% abaixo da meta anunciada para 2011.
Em 2010, o pastor Silas Malafaia - ligado à Assembleia de Deus e ex-detrator do que julgava ser a "emissora oficial da Igreja" - reuniu-se com João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo, e sugeriu o festival.
A Globo confirma o encontro e diz que "coincidiu com intenção antiga de se aproximar mais do segmento gospel". Circulam nesse mercado R$ 2 bilhões anuais.
Diretor do núcleo responsável pelo Promessas, Luiz Gleiser diz "reviver a epifania" dos anos 90, quando detectou a existência de audiência ávida pelo sertanejo, gênero que viria a explodir.
CD Promessas da "Som Livre"
A estratégia de aproximação começou há dois anos, após o "Jornal Nacional" fazer uma série de reportagens sobre trabalho social de igrejas. Desde então, a rede tem dado destaque em seu noticiário a eventos da comunidade evangélica. A presença de músicos gospel nos programas de Xuxa e Faustão cresceu, e há planos para um programa aos sábados.
O problema é que parte do público-alvo ainda é cética quanto às intenções globais.
Para Malafaia, o baixo quórum no Promessas é parcialmente explicado por "evangélicos desconfiados" após anos "apanhando" da rede.
A relação entre emissora e igrejas, de fato, já viu dias piores. Como em 95, quando Edson Celulari viveu um pastor pilantra na série "Decadência". Hoje, a Globo é acusada de querer entrar num jogo cujas regras desconhece.
Para o próprio Malafaia, a rede "tem doutorado em tecnologia, mas em mundo evangélico é analfabeta".
Reportagens da Globonews sobre o festival, por exemplo, usaram termos como "fãs" e "ídolos" - o que ofendeu alguns fiéis, pois sua crença rejeita a idolatria.
BRIGA DE PASTORES
A mudança da Globo acontece enquanto os principais líderes neopentecostais - Edir Macedo, da Igreja Universal, Valdemiro Santiago, da Mundial do Poder de Deus, R.R. Soares, da Internacional da Graça de Deus, e Malafaia - deflagram briga pública.
"A aproximação da Globo se dá principalmente com os adversários de Edir Macedo", diz o pesquisador Ricardo Mariano, da PUC-RS.
O maior ataque veio em novembro, quando o "Domingo Espetacular", da Record, controlada por Macedo, exibiu vídeo crítico à prática de "cair no espírito" - em que o fiel sofre uma espécie de "desmaio". Em setembro, Macedo já havia criticado os que fazem a cerimônia, como Ana Paula Valadão, da banda Diante do Trono, um dos nomes do Promessas. Na mesma declaração, criticou "99% dos cantores gospel".
Em nota, a Universal afirmou considerar excelente a aproximação de outros canais com os evangélicos.
Anna Virginia Balloussier, Daniel Roncaglia, Morris Kachani
No FAlha
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‘A igreja não deve dizer o que é crime’

Manifestantes pedem políticas públicas em defesa da comunidade AGBLT. Foto: Agência Brasil
Em seu discurso na abertura da segunda Conferência Nacional de Políticas Públicas e Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais, na quinta-feira 15, em Brasília, o presidente da associação nacional ABGLT, Toni Reis, cobrou atenção do governo federal para não haver “retrocesso” na consolidação dos direitos do grupo.
Embora Dilma Rousseff não estivesse no evento, Reis pediu à presidenta, representada pelos ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência), Maria do Rosário (Direitos Humanos) e Luiza Bairros (Igualdade Racial) o apoio a políticas públicas que garantam a laicidade do Estado.
O principal apelo foi pela liberação “imediata” do material didático pedagógico do Projeto Escola sem Homofobia.
Apelidado no Congresso como kit-gay, o material foi alvo de críticas da bancada religiosa por supostamente incentivar crianças à prática homoafetiva. Diante das resistências, o projeto foi abandonado pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, pré-candidato do PT à prefeitura de São Paulo – que não quis se indispor com os religiosos.
À época, Dilma também disse não concordar com o conteúdo do material.
A referência à proibição do kit levou Toni Reis a criticar a ala religiosa que, segundo ele, impede avanços na consolidação dos direitos da comunidade gay. “Não aceitamos num país laico como definido em sua Constituição que religiosos homofóbicos se tornem censores das políticas públicas”, discursou.
A abertura do evento foi marcada justamente por protestos dos movimentos pelos direitos dos homossexuais contra a suspensão do kit.
Alinhado com o apelo, o presidente da associação afirmou que “o fundamentalismo religioso é uma erva daninha que tem se alastrado nas salas onde decisões importantes em relação aos direitos sexuais e reprodutivos devem ser tomadas para garantia de diretos”.
E declarou: “A igreja não deve dizer o que é crime, assim como o Estado não deve dizer o que é pecado”.
No discurso, Reis lembrou também que 70% da comunidade gay do Brasil já foi discriminada e 20% já sofreu violência física. Ele lembrou ataques recentes contra homossexuais praticados sobretudo por skinheads, de orientação nazista, que “têm aterrorizado homossexuais em vários lugares do nosso país”.
Ele pediu que os congressistas aprovem a lei que criminaliza a homofobia, a aprovação do casamento civil e a lei de identidade de gênero, “que respeita a identidade civil das pessoas trans”.
Em sua fala, Reis fez uma homenagem ao ministro do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Brito, que relatou as ações que culminaram com o reconhecimento das uniões estáveis entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar. Ele pediu uma salva de palmas a ele.
O ativista agradeceu ainda a procuradora Deborah Duprat, autora do processo que resultou na decisão do STF.
Reis aproveitou a oportunidade ainda para lembrar que 75 países ainda criminalizam a homossexualidade em suas leis, com penas que vão de cárcere até a pena de morte (o que acontece em sete desses países).
“Mesmo com esse quadro desfavorável, tivemos um avanço importante nas Nações Unidas, que aprovaram uma resolução reconhecendo os direitos humanos da nossa população”.
Ele destacou, entre as lideranças que defendem a bandeira, a presidenta argentina, Cristina Kirchner, que, segundo ele, “não mediu esforços para aprovação do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo e apoiou integralmente a Lei de Identidade de Gênero, que foi aprovada na Câmara dos Deputados por maioria esmagadora e que garante todos os direitos para as pessoas trans (mudança do nome civil e mudança de gênero)”.
Outro exemplo, segundo Toni Reis, são o presidente Barack Obama e a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, “que defendem em todos os fóruns internacionais os direitos para as pessoas LGBTs”
“Obama e Hilary são exemplos a serem seguidos, pois estão conclamando todos os países a cessarem a perseguição contra homossexuais e pessoas trans, apesar de enfrentarem diariamente uma política fundamentalista expressa pelo Tea Party (os republicanos)”.
O presidente da associação fez referência ainda ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que em 2008 compareceu à abertura da primeira Conferência Nacional LGBT, acompanhado de oito ministros. O comparecimento do presidente foi, segundo ele, um “marco do reconhecimento da nossa luta”.
“Envolvimento e participação são fundamentais para transformar um país homofóbico num país que respeite as diferenças e combata a miséria, pois miséria não é só falta das coisas… é também deixar matar um homossexual a cada 36 horas no país”, concluiu.
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Tapem o nariz!

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Contra fotos não há argumentos!

Personagens da ficção "A Privataria Tucana"
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Merval Pereira é uma ficção da Globo

Merval Pereira, o novo imortal (ou será imoral?) da Academia Brasileira de Letras, demorou a escrever sobre o livro “A privataria tucana”. Quando resolveu fazê-lo, o serviçal da Rede Globo esbanjou ressentimento e ingratidão. Na sua posse na ABL, ele mesmo havia elogiado o jornalista Amaury Ribeiro, jactando-se de tê-lo “dirigido” numa reportagem em 1999 que ganhou o Prêmio Esso.
Hoje, no artigo “A ficção do Amaury”, no jornal O Globo, ele utiliza os mesmos argumentos dos privatas tucanos para desqualificar o premiado “amigo” de redação. Afirma que Amaury Ribeiro “foi indiciado pela PF por quatro crimes”, apoiou Dilma e que “o livro faz parte da sua atividade como propagandista da campanha petista e, evidentemente, tem pouca credibilidade na origem”.
Bajulador pegajoso dos tucanos
A maior parte do texto, que parece ter sido obrado junto com algum grão-tucano, tenta justificar as privatizações efetuadas no reinado de FHC. Neste caso, Merval Pereira é coerente. Ele sempre foi um entusiasta neoliberal da privataria e um bajulador pegajoso do ex-presidente. Nunca escondeu o seu ódio preconceituoso a Lula, o que lhe rendeu um “livro” e uma cadeira na decrépita ABL.
Além de elogiar as criminosas privatizações, o maior assalto ao patrimônio público da história do Brasil, Merval também se esforça para inocentar os chefões do PSDB, principalmente Serra, das várias denúncias – todas fartamente documentadas no livro – de corrupção, lavagem de dinheiro em paraísos fiscais, quebras de sigilos financeiros, arapongagens e outros crimes. Os tucanos são santos!
A inveja é uma merda
Talvez por dor de cotovelo, o tedioso comentarista da TV Globo afirma que o livro “é um sucesso de propaganda política do chamado marketing viral, utilizando-se dos novos meios de comunicação e dos blogueiros chapa-branca para criar um clima de mistério em torno de suas denúncias supostamente bombásticas”. A inveja realmente é uma merda!
Neste trecho, Merval destila seu ódio também contra a blogosfera e defende seus patrões, os barões da mídia. Para ele, a chamada “grande imprensa” acertou ao não dar destaque para o livro de Amaury Ribeiro. “Por ter mais responsabilidade que os blogueiros ditos independentes, mas que, na maioria, são sustentados por verba oficial e fazem propaganda política, ela demorou mais a entrar no assunto, ou simplesmente não entrará, por que precisava analisar com tranqüilidade o livro”. Haja cinismo!
No que se refere às verbas oficiais, talvez sem os bilionários recursos em publicidade, que o governo Dilma insiste em despejar nas contas da Rede Globo, ele perderia o seu empreguinho. Já no tocante à “propaganda política”, ele e outros “calunistas” deveriam fazer parte da folha de pagamento dos tucanos e rentistas – talvez num paraíso fiscal. Merval não passa de uma ficção da Rede Globo!
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A imprensa nacional escondeu mas vamos mostrar

Primeiro round:
Representação ao Conselho Federal pede afastamento imediato de Ophir Cavalcante Junior da presidência nacional da OAB
O presidente deposto da OAB do Pará, Jarbas Vasconcelos, acaba de protocolar no Conselho Federal da entidade pedido de afastamento do presidente nacional da Ordem, Ophir Cavalcante Junior, devido às acusações de corrupção que pesam contra ele.
Jarbas quer que as denúncias contra Ophir sejam apuradas por uma comissão formada apenas por ex-presidentes da OAB.
E quer, ainda, que essa comissão determine o licenciamento compulsório e imediato de Ophir até o término dessa apuração.
Eis a íntegra do documento. Clique nas imagens para ampliá-las:
Segundo round:
Justiça Federal suspende processo da OAB nacional contra Jarbas Vasconcelos. Presidente deposto da OAB paraense tem de ser julgado pela OAB local
O juiz federal José Márcio da Silveira Silva, da 7 Vara da Justiça Federal em Brasília, acaba de conceder liminar suspendendo a tramitação do processo aberto contra o presidente deposto da OAB paraense, Jarbas Vasconcelos, pelo Conselho Federal da entidade, a partir da suposta tentativa de venda irregular de um terreno em Altamira. O juiz reconheceu que Jarbas não tem foro privilegiado e, por isso, terá de ser julgado pela Seccional paraense da OAB. O vice-presidente do Conselho Federal da OAB, Alberto de Paula Machado, já foi intimado da decisão.
Eis as duas representações na íntegra:
https://docs.google.com/document/d/13jO8MplGOzTivx6PLsH4VALDmOKXTSdgSkXmbMLBVVg/edit
E aqui a íntegra da liminar.

Terceiro round:
Ophir Cavalcante é citado pela Justiça
O juiz Elder Lisboa, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Belém, determinou a citação do presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Ophir Cavalcante, para que apresente resposta a ação popular em que é réu. O presidente terá 15 dias para se manifestar.
A ação popular, movida pelos advogados Eduardo Imbiriba de Castro e João Batista Vieira dos Anjos, alega que o presidente da OAB está licenciado da Procuradoria do Estado do Pará desde 1998, para exercer mandatos como vice-presidente e presidente da OAB, seção Pará, e para os cargos de diretor-tesoureiro e presidente do Conselho Federal da OAB.
A ação requer que seja suspensa a licença remunerada concedida ao presidente, que sejam tornadas nulas todas elas, e também que Ophir ressarça os valores recebidos ao patrimônio público. O juiz analisará os pedidos após as manifestações do presidente da OAB e do Estado do Pará.
No mesmo despacho, protocolado na manhã desta sexta-feira (16), o juiz Elder Lisboa também determinou a citação do Estado do Pará para apresentar resposta no prazo legal de 60 dias, sob pena de revelia.
Os autores da ação, relatam que Ophir pediu e obteve licença remunerada para exercer mandato entre os anos de 1998 a 2000, como Vice-Presidente eleito da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Pará.
Com informações do TJPA
José Carlos Lima
No A Perereca
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Omertá do Millenium

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André Lux flagra Merval

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O time que derrota o Barcelona

 Aos amigos Renato Rovai e Luiz Carlos Azenha, sorry! 


 Conquista do Mundial Fifa completa cinco anos
O dia 17 de dezembro de 2006 amanheceu agitado em Porto Alegre. Pelas ruas da capital gaúcha, a atmosfera era de Copa do Mundo, e apesar do horário atípico para uma partida de futebol, os bares e lares colorados estavam movimentados. Havia uma grande mobilização da torcida para o maior jogo da história do Internacional. Do outro lado do mundo, em Yokohama, no Japão, já era noite. O mundo esportivo aguardava com expectativa pelo início do duelo entre os campeões da América e da Europa. Inter e Barcelona eram os grandes finalistas do Mundial de Clubes Fifa de 2006.
Fernandão beija a taça do Mundial Fifa no dia 17 de dezembro de 2006
Vídeo: veja a final na íntegra no Globoesporte.com
Nunca faltou confiança
O Inter cruzou o globo determinado a lutar até o último minuto pelo inédito título mundial. Era uma oportunidade que não poderia ser desperdiçada, afinal, não foi fácil chegar até lá. Para tanto, os jogadores mantiveram uma grande mobilização desde o primeiro dia em solo japonês. “A gente acreditava o tempo todo que poderia ser campeão. Em nenhum momento pensamos que não daria. O grupo foi muito unido”, recorda Fernandão, capitão da conquista e hoje diretor técnico de futebol do Clube.
Fernandão um dia antes da finalíssima: "Acreditem em nós"
Na véspera da decisão com o Barcelona, o próprio Fernandão veio a público pedir que os torcedores que estavam no Brasil confiassem no sonho do título. “Acreditem em nós”, afirmou o ídolo em entrevista ao site oficial do Inter. “Sempre acreditei na força do pensamento positivo. Apesar de ser o temível Barcelona, eram onze contra onze , então tudo era possível. Também sabia que a energia positiva dos milhões de colorados no Brasil e no mundo faria a diferença”, destaca o ex-jogador.
O duelo histórico
E o tão sonhado dia chegou. Era hora de lutar pela maior das taças. Inter e Barcelona se encontraram pela segunda vez na história (a primeira havia sido em 1982, na Taça Joan Gamper), agora para decidir o Mundial de Clubes Fifa. Estádio Nacional de Yokohama lotado. Cerimonial ao melhor estilo Copa do Mundo. Era o jogo que todo time sonhava em disputar, e lá estava o Colorado!
Iarley no inesquecível confronto com o Barcelona
Assim que a partida começou, o que se viu foi um jogo de estratégia, com ambos os times se estudando. Ninguém queria se expor de cara. Porém, aos poucos, os jogadores foram se soltando e a finalíssima ficou emocionante. O Inter tinha Iarley e Alexandre Pato no ataque, decisão tática que passou pelo capitão Fernandão. “Conversando com o Abel Braga (então técnico), achei melhor atuar no meio-campo. Eu sabia que o jogo seria muito mais de contra-ataque do que de bola parada. Precisávamos da velocidade do Pato e do Iarley na frente”, argumenta o ex-capitão colorado.
E foi exatamente esta partida que se desenvolveu no Japão. O Barça era perigoso nas suas investidas, mas o Inter não deixava por menos e também tinha contundência ofensiva nos contra-golpes. No segundo tempo, o ritmo do jogo caiu um pouco. Aos 30min, Fernandão deixou o jogo para a entrada de quem viria a ser o herói do inédito título: o meia-atacante Adriano Gabiru. “Deixei o campo extenuado, já que tinha me dedicado ao máximo na missão tática de ajudar na marcação. E quem entrou no meu lugar decidiu a partida”, lembra Fernandão. Seis minutos depois de sair do banco de reservas, Gabiru protagonizou o gol mais importante dos 102 anos de história do Inter.
Adriano Gabiru (C) vibra com o gol histótico em Yokohama
Mas tudo começou lá atrás, no setor defensivo, com Índio dando um chutão para frente. No meio do campo, Luiz Adriano, que havia entrado no lugar de Pato, desviou sutilmente de cabeça e a bola sobrou para Iarley. O atacante partiu em velocidade para cima dos marcadores, e com um drible fantástico, limpou a jogada e acionou Gabiru, que invadiu a área e chutou na saída do goleiro Valdes para fazer 1 a 0. A história colorada era magistralmente escrita no Japão.
O mundo vermelho
Heroicamente, o Inter segurou o resultado até o apito final, quando a explosão de alegria tomou conta de todos os colorados espalhados pelo mundo. No gramado de Yokohama, a comoção dos jogadores pela conquista histórica era grande. A maioria chorava de felicidade pelo feito alcançado em terras distantes. Recompostos da emoção, todos subiram no pódio para receber as medalhas de campeões.
O relógio marcava 21h38 do Japão, 10h38min do Brasil, quando Fernandão ergueu a taça de campeão de do mundo. O Inter entrava para o seleto grupo dos melhores times do planeta da competição organizada pela Fifa. Para saber mais sobre esta conquista, clique aqui!
Grupo colorado comemora a conquista do Mundial Fifa em 2006
Retorno apoteótico
De volta ao Brasil dois dias depois da decisão, o Inter teve uma recepção extraordinária, com milhares de colorados tomando as ruas desde o desembarque na Base Aérea de Canoas até o Beira-Rio. As arquibancadas do Gigante estavam lotadas, como se fora um dia de jogo, para recepcionar os heróis. “Foi impressionante a nossa chegada ao estádio. Ali percebi a real dimensão do título. Foi uma festa inesquecível”, rememora Fernandão, que comandou a celebração entoando uma canção que foi o hino da conquista – 'Oh, vamo, vamo, Inter'. “Me deram o microfone para eu falar com a torcida. Tive a ideia de cantar, pois esta música nos acompanhou durante toda a jornada no Japão”, revela o ídolo. Clique aqui e relembre esta recepção inesquecível.
De volta para casa: Clemer exibe a taça do Mundial no Beira-Rio
Ficha da decisão
Internacional (1): Clemer; Ceará, Índio, Fabiano Eller e Rubens Cardoso; Edinho, Wellington Monteiro, Alex (Vargas) e Fernandão (Adriano); Alexandre Pato (Luiz Adriano) e Iarley. Técnico: Abel Braga.
Barcelona (0): Valdes; Zambrotta (Beletti), Márquez, Puyol e Van Bronckhorst; Motta (Xavi), Iniesta e Deco; Giuly, Gudjohnsen (Ezquerro) e Ronaldinho. Técnico: Frank Rijkaard.
Gol: Adriano (I), aos 36min do segundo tempo. Cartões amarelos: Índio, Iarley e Adriano (I); Motta (B). Público: 67.128. Arbitragem: Carlos Batres (Guatemala), auxiliado por Carlos Pastrana (Honduras) e Leonel Leal (Costa Rica). Local: Estádio Internacional de Yokohama, no Japão.
Felipe Silveira
Fotos: Daniel Boucinha e Jefferson Bernardes/Vipcomm
No Internacional
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Bons e maus darwinistas

Darwinistas bem pensantes se vêm frequentemente obrigados a explicar que aceitar tudo que Darwin disse a respeito de seleção natural, sobrevivência dos mais fortes etc. não significa acreditar que o que se aplica aos animais também se aplica aos homens. Ou seja, darwinismo social, não.
O próprio Richard Dawkins, o darwinista mais conhecido em atividade hoje, já disse em mais de um dos seus textos ser possível viver num universo amoral, o universo darwiniano em que a única regra é a vitória do que ele mesmo chama de “gene egoísta” na competição pela vida, e cobrar da sociedade humana um comportamento moral.
Darwinistas mal pensantes, claro, não precisam explicar nada. Para eles o darwinismo social justifica mercados desregulados, empreendedores aéticos e todas as manifestações do gene egoísta que tornam o capitalismo selvagem parecido com o mundo natural.
Darwin só não ganhou seu lugar na galeria dos heróis da livre empresa, ao lado do Adam Smith, porque são raros os poderosos e endinheirados que não atribuem sua boa fortuna a Deus, em vez da evolução.
Mesmo antes de Darwin nos dar a incômoda notícia de que todos descendíamos de macacos (menos os meus antepassados, que foram adotados) e que pertencíamos a uma espécie tão sem caráter quanto qualquer outra, essa divisão entre o que éramos e o que pretendíamos ser já existia.
O capitalismo moderno e a moral burguesa nasceram juntos e desde então vêm coexistindo nem sempre pacificamente. Há muito tempo vivemos em dois universos simultaneamente, um em que o poder do dinheiro tudo determina, da nossa vida política à nossa digestão — com picos de ganância sem controle do capital financeiro como o que originou a crise atual —, e outro em que ignoramos esta omnipotência e nos imaginamos seres racionais e até altruístas, ou em nada parecidos com um macaco egoísta.
Uma forma do bom darwinista conciliar sua crença na evolução amoral das espécies e sua crença de que o Homem é diferente é cultivar a ideia de que o desenvolvimento da consciência humana foi, mais do que uma evolução natural, uma mudança radical na história dos habitantes deste planeta.
Como nenhum outro bicho, somos conscientes de nós mesmos, do nosso passado e dos nossos possíveis futuros. Consciência não muda o poder do dinheiro nem assegura um comportamento moral da nossa espécie — ainda. Mas nos próximos milhões de anos, quem sabe?
A evolução ainda não terminou.
Luis Fernando Veríssimo
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Luis Nassif comenta a ficção de Merval Pereira e seu ghost writer

A ficção do Amaury
Merval Pereira, O Globo
O livro “Privataria tucana”, da Geração Editorial, de autoria de Amaury Ribeiro Jr, é um sucesso de propaganda política do chamado marketing viral, utilizando-se dos novos meios de comunicação e dos blogueiros chapa-branca para criar um clima de mistério em torno de suas denúncias supostamente bombásticas, baseadas em “documentos, muitos documentos”, como definiu um desses blogueiros em uma entrevista com o autor do livro.
Disseminou-se a idéia de que a chamada “imprensa tradicional” não deu destaque ao livro, ao contrário do mundo da internet, para proteger o ex-candidato tucano à presidência José Serra, que é o centro das denúncias.
Estariam os “jornalões” usando dois pesos e duas medidas em relação a Amaury Jr, pois enquanto acatam denúncias de bandidos contra o governo petista, alegam que ele está sendo processado e, portanto, não teria credibilidade?
É justamente o contrário. A chamada “grande imprensa”, por ter mais responsabilidade que os blogueiros ditos independentes, mas que, na maioria, são sustentados pela verba oficial e fazem propaganda política, demorou mais a entrar no assunto, ou simplesmente não entrará, por que precisava analisar com tranqüilidade o livro para verificar se ele realmente acrescenta dados novos às denúncias sobre as privatizações, e se tem provas.
Como assim? Qual a responsabilidade na denúncia de que foram entregues centenas de milhares de dólares em um envelope no Palácio do Planalto? E a do "consultor" Ruben Quícoli, que dizia que com propina seria possível levantar R$ 10 bi no BNDES para uma fabriqueta? E a denúncia de que Dilma encomendaria dossiês para o Ministério da Justiça, ou a ficha falsa de Dilma? Merval deveria ter mais responsabilidade ao escrever, ainda mais criando para si esse papel de jornalista sério em veículo sério. É evidente que ataques, como aos blogueiros, são da lavra do Serra. Não é do estilo do Merval essas manifestações de indignação. Corto um dedo se o ghost writer dessa tertúlia não é o próprio Serra.
Outros livros, como "O Chefe", de Ivo Patarra, com acusações gravíssimas contra o governo de Lula, também não tiveram repercussão na "grande imprensa" e, por motivos óbvios, foram ignorados pela blogosfera chapa-branca.
Desde que Pedro Collor denunciou as falcatruas de seu irmão presidente, há um padrão no comportamento da “grande imprensa”: as denúncias dos que participaram das falcatruas, sejam elas quais forem, têm a credibilidade do relato por dentro do crime.
Quem disse que Pedro Collor participou de alguma coisa no governo do seu irmão? Sua bronca maior era de não estar dentro.
Deputado cassado e presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson desencadeou o escândalo do mensalão com o testemunho pessoal de quem esteve no centro das negociações, e transformou-se em um dos 38 réus do processo.
O ex-secretário de governo Durval Barbosa detonou a maior crise política da história de Brasília, com denúncias e gravações que culminaram com a prisão do então governador José Roberto Arruda e vários políticos.
Fantástico Merval! Seu brilhantismo consagrou uma nova máxima jurídica: criminoso tem credibilidade porque participou do crime; não criminoso não tem porque, por não ser criminoso, não conhece os escaninhos do crime.
E por aí vai. Já Amaury Ribeiro Jr. foi indiciado pela Polícia Federal por quatro crimes: violação de sigilo fiscal, corrupção ativa, uso de documentos falsos e oferta de vantagem a testemunha, tendo participado, como membro da equipe de campanha da candidata do PT, de atos contra o adversário tucano.
O livro, portanto, continua sendo parte da sua atividade como propagandista da campanha petista e, evidentemente, tem pouca credibilidade na origem.
Na sua versão no livro, Amaury jura que não havia intenção de fazer dossiês contra Serra, que foi contratado “apenas” para descobrir vazamentos internos e usou seus contatos policiais para a tarefa que, convenhamos, conforme descrita pelo próprio, não tem nada de jornalística.
Ele alega que a turma paulista de Rui Falcão (presidente do PT) e Palocci queria tirar os mineiros ligados a Fernando Pimentel da campanha, e acabou criando uma versão distorcida dos fatos.
No caso da quebra de sigilo de tucanos, na Receita de Mauá, Amaury diz que o despachante que o acusou de ter encomendado o serviço mentiu por pressão de policiais federais amigos de José Serra.
Enfim, Amaury Ribeiro Jr, tem que se explicar antes de denunciar outros, o que também enfraquece sua posição.
O criminoso não precisa explicar suas intenções: basta ter participado dos crimes. O Amaury tem que explicar. Merval ambiciona a imortalidade tornando-se membro da ABL. Jornalistas ambicionam a imortalidade escrevendo reportagens definitivas. Acho que Merval se esqueceu definitivamente do que é a emoção de construir uma grande reportagem.
Ele e seus apoiadores ressaltam sempre que 1/3 do livro é composto de documentos, para dar apoio às denúncias.
Mas se os documentos, como dizem, são todos oficiais e estão nos cartórios e juntas comerciais, imaginar que revelem crimes contra o patrimônio público é ingenuidade ou má-fé.
Documentos oficiais obtidos nas ilhas Virgens. Se eram tão inocentes assim, qual a razão de terem sido abafados na CPI do Banestado?
Que trapaceiro registra seus trambiques em cartórios?
Aquele que tem medo de ser enganado por testas de ferro e só confia na própria família. Aliás, outro fato que poderia ter sido explicado é a razão do casal Verônica Serra ter mudado o regime de bens do casamento pouco antes de começarem as transferências de recursos.
Há, a começar pela escolha do título – Privataria Tucana – uma tomada de posição política do autor contra as privatizações.
E a maneira como descreve as transações financeiras mostra que Amaury Ribeiro Jr. se alinha aos que consideram que ter uma conta em paraíso fiscal é crime, especialmente se for no Caribe, e que a legislação de remessa de dinheiro para o exterior feita pelo Banco Central à época do governo Fernando Henrique favorece a lavagem de dinheiro e a evasão de divisas.
Utilizam contas em paraísos fiscais empresas para planejamento tributário (como se financiar em leasing). Se quiser uma defesa eficiente, basta Serra/Merval explicar a razão de Verônica Serra precisar de conta em paraíso fiscal. Mais que isso: mostrar a origem dos recursos que enviou para o Brasil e que permitiram ao pai esquentar a casa em que morava desde fins dos anos 80. Se não foi propina, foram resultados de empresas no exterior. Que empresas foram essas, quais os resultados apresentados? Simples assim.
É um ponto de vista como outro qualquer e ele tenta por todas as maneiras mostrar isso, sem, no entanto, conseguir montar um quadro factual que comprove suas certezas.
Vários personagens, a maioria ligada a Serra, abrem e fecham empresas em paraísos fiscais, com o objetivo, segundo ilações do autor, de lavar dinheiro proveniente das privatizações e internalizá-lo legalmente no País.
Para quê é, então?
Acontece que passados 17 anos do primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso, e estando o PT no poder há 9 anos, não houve um movimento para rever as privatizações.
O que isso tem a ver com suspeitas de pagamento de propina?
E os julgamentos de processos contra os dirigentes da época das privatizações não dão sustentação às críticas e às acusações de “improbidade administrativa” na privatização da Telebrás.
A decisão nº 765/99 do Plenário do Tribunal de Contas da União concluiu que, além de não haver qualquer irregularidade no processo, os responsáveis “não visavam favorecer em particular o consórcio composto pelo Banco Opportunity e pela Itália Telecom, mas favorecer a competitividade do leilão da Tele Norte Leste S/A, objetivando um melhor resultado para o erário na desestatização dessa empresa”.
A escolha do Opportunity, por si, caracteriza um benefício. Na sequência, o Opportunity deposita US$ 5 milhões na conta da Verônica. Verônica transfere para o Brasil e "compra" a casa em que o pai mora. Por acaso o TCU analisou essa sequência de episódios? Claro que não: apenas a montagem do consórcio em si.
Também o Ministério Público de Brasília foi derrotado e, no recurso, o Tribunal Regional Federal do Distrito Federal decidiu, através do juiz Tourinho Neto, não apenas acatar a decisão do TCU mas afirmar que “não restaram provadas as nulidades levantadas no processo licitatório de privatização do Sistema Telebrás. Da mesma forma, não está demonstrada a má-fé, premissa do ato ilegal e ímprobo, para impor-se uma condenação aos réus.
Claro que não restaram. Na época não havia documentos, nem evidências de pagamento de propina. Agora, há.
Também não se vislumbrou ofensa aos princípios constitucionais da Administração Pública para configurar a improbidade administrativa.”.
O livro de Amaury Ribeiro Jr. está em sexto lugar na lista dos mais vendidos de “não-ficção”. Talvez tivesse mais sucesso ainda se estivesse na lista de “ficção”.
Merval está na Academia Brasileira de Letras por apenas um livro que é coletânea de artigos. E o grande feito jornalístico que menciona é o de ter participado de uma reportagem que teve em Amaury um dos autores. Sua participação foi na condição de... diretor da sucursal.
Luis Nassif
No Advivo
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Enfim, autorizam Merdal a falar sobre "Privataria". E ele ensandece

A ficção do Amaury
O livro “Privataria tucana”, da Geração Editorial, de autoria de Amaury Ribeiro Jr, é um sucesso de propaganda política do chamado marketing viral, utilizando-se dos novos meios de comunicação e dos blogueiros chapa-branca para criar um clima de mistério em torno de suas denúncias supostamente bombásticas, baseadas em “documentos, muitos documentos”, como definiu um desses blogueiros em uma entrevista com o autor do livro.
Disseminou-se a idéia de que a chamada “imprensa tradicional” não deu destaque ao livro, ao contrário do mundo da internet, para proteger o ex-candidato tucano à presidência José Serra, que é o centro das denúncias.
Estariam os “jornalões” usando dois pesos e duas medidas em relação a Amaury Jr, pois enquanto acatam denúncias de bandidos contra o governo petista, alegam que ele está sendo processado e, portanto, não teria credibilidade?
É justamente o contrário. A chamada “grande imprensa”, por ter mais responsabilidade que os blogueiros ditos independentes, mas que, na maioria, são sustentados pela verba oficial e fazem propaganda política, demorou mais a entrar no assunto, ou simplesmente não entrará, por que precisava analisar com tranqüilidade o livro para verificar se ele realmente acrescenta dados novos às denúncias sobre as privatizações, e se tem provas.
Outros livros, como "O Chefe", de Ivo Patarra, com acusações gravíssimas contra o governo de Lula, também não tiveram repercussão na "grande imprensa" e, por motivos óbvios, foram ignorados pela blogosfera chapa-branca.
Desde que Pedro Collor denunciou as falcatruas de seu irmão presidente, há um padrão no comportamento da “grande imprensa”: as denúncias dos que participaram das falcatruas, sejam elas quais forem, têm a credibilidade do relato por dentro do crime.
Deputado cassado e presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson desencadeou o escândalo do mensalão com o testemunho pessoal de quem esteve no centro das negociações, e transformou-se em um dos 38 réus do processo.
O ex-secretário de governo Durval Barbosa detonou a maior crise política da história de Brasília, com denúncias e gravações que culminaram com a prisão do então governador José Roberto Arruda e vários políticos.
E por aí vai. Já Amaury Ribeiro Jr. foi indiciado pela Polícia Federal por quatro crimes: violação de sigilo fiscal, corrupção ativa, uso de documentos falsos e oferta de vantagem a testemunha, tendo participado, como membro da equipe de campanha da candidata do PT, de atos contra o adversário tucano.
O livro, portanto, continua sendo parte da sua atividade como propagandista da campanha petista e, evidentemente, tem pouca credibilidade na origem.
Na sua versão no livro, Amaury jura que não havia intenção de fazer dossiês contra Serra, que foi contratado “apenas” para descobrir vazamentos internos e usou seus contatos policiais para a tarefa que, convenhamos, conforme descrita pelo próprio, não tem nada de jornalística.
Ele alega que a turma paulista de Rui Falcão (presidente do PT) e Palocci queria tirar os mineiros ligados a Fernando Pimentel da campanha, e acabou criando uma versão distorcida dos fatos.
No caso da quebra de sigilo de tucanos, na Receita de Mauá, Amaury diz que o despachante que o acusou de ter encomendado o serviço mentiu por pressão de policiais federais amigos de José Serra.
Enfim, Amaury Ribeiro Jr, tem que se explicar antes de denunciar outros, o que também enfraquece sua posição.
Ele e seus apoiadores ressaltam sempre que 1/3 do livro é composto de documentos, para dar apoio às denúncias.
Mas se os documentos, como dizem, são todos oficiais e estão nos cartórios e juntas comerciais, imaginar que revelem crimes contra o patrimônio público é ingenuidade ou má-fé.
Que trapaceiro registra seus trambiques em cartórios?
Há, a começar pela escolha do título – Privataria Tucana – uma tomada de posição política do autor contra as privatizações.
E a maneira como descreve as transações financeiras mostra que Amaury Ribeiro Jr. se alinha aos que consideram que ter uma conta em paraíso fiscal é crime, especialmente se for no Caribe, e que a legislação de remessa de dinheiro para o exterior feita pelo Banco Central à época do governo Fernando Henrique favorece a lavagem de dinheiro e a evasão de divisas.
É um ponto de vista como outro qualquer e ele tenta por todas as maneiras mostrar isso, sem, no entanto, conseguir montar um quadro factual que comprove suas certezas.
Vários personagens, a maioria ligada a Serra, abrem e fecham empresas em paraísos fiscais, com o objetivo, segundo ilações do autor, de lavar dinheiro proveniente das privatizações e internalizá-lo legalmente no País.
Acontece que passados 17 anos do primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso, e estando o PT no poder há 9 anos, não houve um movimento para rever as privatizações.
E os julgamentos de processos contra os dirigentes da época das privatizações não dão sustentação às críticas e às acusações de “improbidade administrativa” na privatização da Telebrás.
A decisão nº 765/99 do Plenário do Tribunal de Contas da União concluiu que, além de não haver qualquer irregularidade no processo, os responsáveis “não visavam favorecer em particular o consórcio composto pelo Banco Opportunity e pela Itália Telecom, mas favorecer a competitividade do leilão da Tele Norte Leste S/A, objetivando um melhor resultado para o erário na desestatização dessa empresa”.
Também o Ministério Público de Brasília foi derrotado e, no recurso, o Tribunal Regional Federal do Distrito Federal decidiu, através do juiz Tourinho Neto, não apenas acatar a decisão do TCU mas afirmar que “não restaram provadas as nulidades levantadas no processo licitatório de privatização do Sistema Telebrás. Da mesma forma, não está demonstrada a má-fé, premissa do ato ilegal e ímprobo, para impor-se uma condenação aos réus.
Também não se vislumbrou ofensa aos princípios constitucionais da Administração Pública para configurar a improbidade administrativa.”.
O livro de Amaury Ribeiro Jr. está em sexto lugar na lista dos mais vendidos de “não-ficção”. Talvez tivesse mais sucesso ainda se estivesse na lista de “ficção”.
Merval Pereira
No O Globo
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Charge online - Bessinha - # 944

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Fraudes no exame da OAB em Goiás geram 18 denúncias contra 101 pessoas

MPF denuncia quadrilha e cerca de cem candidatos que participaram das fraudes
Fala Ufir!
O Ufir está sumido. Deve estar lendo o livro do Amaury.
Quinze mil reais. Esse foi o valor que alguns bachareis em direito chegaram a pagar para serem aprovados no Exame de Ordem dos Advogados do Brasil em Goiás. Isso só foi possível por dois motivos: a disposição de alunos em pagar por isso e o acesso irrestrito da mentora das fraudes a todas as etapas do processo avaliativo.
Mas quanto vale o conhecimento? Para o filósofo alemão Martin Heidegger “conhecimento” e “verdade” são conceitos que se entrelaçam. Portanto, não é algo que se pode mercantilizar. Porém, entre 2006 e 2007, uma investigação da Polícia Federal demonstrou que essa visão teórica havia sido esquecida pela quadrilha presa na “Operação Passando a Limpo”. Na época, onze pessoas foram detidas e 26 mandados de busca e apreensão foram cumpridos.
Após um trabalho minucioso, o Ministério Público Federal em Goiás entregou à Justiça 18 peças acusatórias, relacionando 101 pessoas. “O lapso temporal até a nossa manifestação se deve ao trabalho incompleto realizado pela Polícia Federal nesse caso. Após deflagarem a operação, todo material apreendido não havia passado por perícia, nem analisado ou sido cruzado com as escutas telefônicas. Tivemos que batalhar para conseguir que fizessem isso, até que no ano passado entregaram para gente o inquérito. Percebemos, porém, que faltavam algumas etapas. Daí, para não perder mais tempo, resolvemos encampar o trabalho de cruzamento de informações e transcrição dos áudios, algo que deveria ter sido feito pela PF”, declara o procurador da República Helio Telho, responsável pelo caso.
Na denúncia principal, configuram as três “cabeças” da quadrilha: a secretária da Comissão de Estágio e Exame de Ordem Maria do Rosário Silva, que coordenava e operacionalizava as fraudes; e as advogadas Rosa de Fátima Lima Mesquita e Eunice da Silva Mello. Além delas, o grupo era formado ainda por Estevão Magalhães Zakhia, Euclides de Sousa Rios, José Rosa Júnior, Marcelo Monteiro Guimarães e Tadeu Barbalho André.
Entre outras acusações, elas são apontadas por crime contra a administração pública e contra a fé pública, mediante venda de aprovações em processos seletivos. Por meio desse esquema, as três obtiveram, diretamente, benefícios econômicos indevidos.
Só as acusações que pesam contra Maria do Rosário Silva ocupam nove das 88 páginas da peça de acusação. Aos 55 anos, Maria do Rosário Silva é acusada, entre outros crimes, por associar-se a outras sete pessoas, em quadrilha, de modo estruturado, permanente e estável; por vender aprovações em processos seletivos; por receber por mais de 100 vezes vantagens econômicas indevidas e por quebra de sigilo funcional em mais de 40 situações, repassando informações sobre o exame. Além disso, em torno de 70 vezes, ela suprimiu documentos verdadeiros e em 31 casos apresentou documentos falsos ou alterados para facilitar a aprovação fraudulenta.
Modus operandi

Para preservar o esquema de fraudes e assegurar os lucros, a organização criminosa agia de forma estável, permanente e duradoura – com indícios de atuação desde outros Exames de Ordem anteriores aos do período investigado – e compartimentada, de modo que cada integrante procurava relacionar-se tão somente com aqueles aos quais estivesse diretamente ligado.
Maria do Rosário Silva, por exemplo, tratava apenas com a intermediária Eunice da Silva Mello. A função de secretária da Comissão facilitou o esquema de fraudes. Entre as suas incumbências, estava a organização de todos os procedimentos relativos ao Exame de Ordem que era realizado pela Seccional do Estado de Goiás, três vezes ao ano.
Era Maria do Rosário que recebia e homologava as inscrições; que mantinha contato direto com a banca examinadora, com os gabaritos, com as correções das provas prático-profissionais e com os resultados dos recursos analisados; que acompanhava a impressão das provas objetivas e prático-profissionais na gráfica onde esse trabalho era feito; e que realizava leitura óptica, mediante equipamento específico, dos cartões-respostas da prova da primeira fase do exame. Além disso, ela tinha acesso irrestrito ao sistema informatizado do Exame de Ordem, com senha para alterar dados e distribuir os examinandos por salas, onde as provas eram aplicadas.
“Em outras palavras, todo o processo seletivo tramitava pelas mãos de Maria do Rosário da Silva, o que lhe conferiu acesso à totalidade das informações sigilosas e ampla oportunidade de realizar, com segurança e êxito, manipulações fraudulentas para beneficiar quem se dispusesse a 'pagar para passar'”, explica Helio Telho.
Entre as fraudes praticadas, Maria do Rosário suprimia os cartões de respostas originais dos candidatos beneficiários, substituindo-os por outros, falsos, por ela preenchidos com respostas certas. Para a prova subjetiva, ela repassava para a intermediária Eunice da Silva Mello as folhas de respostas em branco para que os candidatos redigissem outras provas prático-profissionais.
“A realização de monitoramento telefônico, judicialmente autorizado, gerou inúmeros áudios que corroboraram as suspeitas acerca da existência de quadrilha voltada à prática de fraudes em Exames de Ordem da OAB-GO, com envolvimento de então empregada pública da entidade, e, juntamente com outras diligências investigatórias – como buscas e apreensões – e prisões, possibilitaram a cabal elucidação do funcionamento da articulação criminosa, bem como o delineamento do envolvimento e das funções desempenhadas por cada um dos denunciados”, pontua o procurador.
Arquivamento

Dentre as onze pessoas presas na época em que foi deflagrada a Operação, o MPF pediu arquivamento por não haver “justa causa para a ação penal e nem outras diligências que possam desvendar os supostos crimes” de quatro pessoas: Osmira Soares de Azevedo (funcionária da OAB-GO), Eládio Augusto Amorim Mesquita (na época, presidente da Comissão de Estágio de Ordem da OAB-GO), Pedro Paula Guerra de Medeiros (vice-presidente da Comissão, na época) e João Bezerra Cavalcante (na época, tesoureiro da OAB-GO).
Nos casos de João Bezerra Cavalcante, Pedro Paulo Guerra de Medeiros e Osmira Soares de Azevedo, apesar dos indícios de que tinham esquemas próprios de fraude, a Polícia Federal não reuniu provas suficientes que permitissem apontar os casos de fraude, identificar os beneficiários e descrever o modus operandi.
No caso de Eládio Augusto Amorim Mesquita, apesar das evidências de que, mesmo afastado de direito do processo seletivo de 2006, já que a sua filha faria prova naquele ano, continuou a exercer influência no certame, nas centenas de horas de conversas telefônicas gravadas, que foram ouvidas e reouvidas, não se encontrou nenhum diálogo que revelasse a participação de Eládio Augusto Amorim Mesquita na negociação das aprovações fraudulentas e, muito menos, que permitisse deduzir qual teria sido o seu papel no organograma do esquema delituoso. Assim, também, nas buscas e apreensões realizadas, não se apreendeu quaisquer evidências que reforçassem as suspeitas então existentes contra ele.
"Aparentemente, Eládio Augusto Amorim Mesquita agiu de modo negligente na condução da CEEO, em boa medida, justificada pelo constante receio de armadilhas da oposição classista. Era voz corrente no meio acadêmico, nos corredores dos cursinhos preparatórios e dentro da própria OAB/GO a existência de fraudes no Exame de Ordem. Eládio Augusto Amorim Mesquita omitiu-se a ponto de levantar suspeitas de conivência e, até mesmo, de cumplicidade criminosa”, concluiu Helio Telho.
(Leia a íntegra do arquivamento em pdf, clique aqui).
Entenda o processo

As apurações foram desmembradas pelo MPF em diversos outros cadernos investigatórios, instaurados em razão da existência de dezenas de candidatos beneficiados, que foram agrupados por intermediários, com vistas à propositura de várias denúncias distintas. Confira:

Organograma do crime

Mentores
Denúncia nº 437/2011 – MPF/PR/GO (clique aqui)
- Maria do Rosário Silva (“Fiinha”)
- Eunice da Silva Melo
- Rosa de Fátima Lima Mesquita

Intermediários e candidatos
São 17 grupos:
Grupo 1 – Clique aqui e leia a denúncia
- Carmelino José de Araújo
- Renato Alves de Melo
- Waldir Camilo
Grupo 2 – Clique aqui e leia a denúncia
- João Bosco Almeida Costa
- Aldecir Rocha Lopes
Grupo 3 – Clique aqui e leia a denúncia
- Paulo Afonso de Souza
Grupo 4 – Clique aqui e leia a denúncia
- João Bosco Antunes Teixeira
- Leonardo de Sousa Faustino Oliveira
- Nelson Antônio de Araújo
- Cleuza Regina Alves
- Denise Elena Pontes de Campos
- Rafael Pontes de Campos
- Ulrico Costa Júnior
- Sidnei Aparecido Peixoto
- Adão Crisóstomo de Morais
- Johnilton de Almeida e Silva
- Marcelo José Borges
Grupo 5 – Clique aqui e leia a denúncia
- Arnaldo Pinto Brasil
- Estefânia Lima Conceição Machado
- Kellen Cristiane Afonso
- Lúcia Lira Schelle Magalhães
- Célio de Tarso Lira Schelle
- Ricardo de Moares Ramos
- Luciene  Alves Rabelo
- Célia Maria de Sousa Lopes
- Gustavo Souza Porto
Grupo 6 – Clique aqui e leia a denúncia
- Ana Paula Godinho e Silva
- Sandra Vieira Morais dos Santos
- Sther Fiúza Cançado Carvalho
- Maria Iranete Marques Cascão
- Jucielly Cristiane Silva de Souza
- Lorena Hipólita Jorge Pereira
Grupo 7 – Clique aqui e leia a denúncia
- Luciana Lídia Alves de Souza
- Daniella Lina Cintra
- Rosalina Alves de Moraes
- Haroldo Leal de Araújo
Grupo 8 – Clique aqui e leia a denúncia
- Tadeu Barbalho André
- José Ricardo Giroto
- Marcelo Cristaldo Arruda
- Cristina Garcia Rodrigues Azevedo
Grupo 9 – Clique aqui e leia a denúncia
- José Rosa Júnior
- João José de Carvalho Filho
- Evangevaldo Moreira dos Santos
- José Washington Péclat Spicocci
- Antoninho Fonseca de Paiva
- Christian Marcelo Aquino Ximenes Moretto
- Clayton Machado Gomes Arantes Filho
- Bernadete Gutier Betti
- Viviane Aparecida Vaz Sebba
- Danillo Diego Vaz Machado
Grupo 10 – Clique aqui e leia a denúncia
- Gilmar Alves Vieira
- Sinara Alves da Costa Carvalho
- Aldaíza Barroso Borges
- Luiz Antônio Borges
- Mariza Campos Paiva
Grupo 11 – Clique aqui e leia a denúncia
- Paulinelly Geraldo Carneiro
- Walter Gomes Lombardi
- Mariângela Alves de Melo
- Raimundo de Souza Borges Júnior
- Meirivone Dias Noleto
Grupo 12 – Clique aqui e leia a denúncia
- Maria do Rosário Silva
- Luciana de Castro
Grupo 13 – Clique aqui e leia a denúncia
- Estevão Margalhães Zakhia
- Luzia Teles Pinheiro de Freitas
- Valdemar Gomes de Freitas
- Diogo Luiz Franco de Freitas
- Rafael Veloso Dantas
- Nilton Spindola Carneiro Júnior
- Pedro Ferreira dos Santos
- Danne Evelin Ferreira de Brito
- Maria Luciene Martins de Oliveira
- Vanice Cristina Rodrigues Bessa
- Soraya de Almeida Franco
Grupo 14 – Clique aqui e leia a denúncia
- Maria do Rosário Silva
- Clausmir Zaneti Jaconini
- Márcia Maria Miranda Matos
Grupo 15 – Clique aqui e leia a denúncia
- Diogo Leitão Gama
- Leandro Moraes Gonçalves
- Paulo Renato Freitas Neves
- Tadeu Barbalho André
Grupo 16 – Clique aqui e leia a denúncia
- Euclides de Sousa Rios
- Adilson Nogueira
- Arthur de Paula Souza
- Cecília Júlia Barbosa da Silva
- Daniel Inácio Fontenele Azevedo
- Dorvile Ferreira dos Santos
- Eleusa Cristina Batista
- Fabrícia Bombeiro dos Santos Nogueira
- Fernanda Leandro Neves Pinheiro
- Flávia Ferreira Rodrigues dos Santos
- Frederico Inácio Fontenele Azevedo
- Lorena Alves Siqueira Tavares
- Michely Fortunato de Olivera
- Sabrina Máximo de Oliveira Fontenele
- Sidnei Aparecida Peixoto
Grupo 17 – Clique aqui e leia a denúncia
- Sérgio Augusto dos Santos
- Meire Divina dos Santos
- Robson Divino Bernardes
- Welington Peixoto Moura
- Alcio da Silva Duarte
- Juveli Maria de Oliveira
- Rivaldo Lima Barros

No Ministério Público Federal em Goiás
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