11 de dez de 2011

As relações ambíguas do governo com a mídia

Enquanto seus apoiadores acusam a mídia de ser golpista, governo prestigia e destina farta publicidade aos grandes meios de comunicação. Uma única edição de Veja teria recebido cerca de R$ 1,5 milhão em anúncios oficiais. É preciso regular e democratizar as comunicações. Mas também é necessário deixar mais claro os interesses de cada setor nessa disputa
No espaço de pouco menos de dois meses, dois ministros do governo Dilma foram fulminados por denúncias de atividades obscuras. Os demitidos foram os titulares do Esporte, Orlando Silva, e do Trabalho, Carlos Lupi. Os ataques partiram da grande imprensa, mais exatamente da revista Veja e dos jornais Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo. Logo as matérias ganhariam o espaço avassalador das telas de TV, com destaque para o Jornal Nacional, da Rede Globo. No mesmo período, mas dois membros do primeiro escalão entraram na linha de tiro da mídia. São eles Mario Negromonte (Cidades) e Fernando Pimentel (Desenvolvimento).
Aliados do governo tentaram desqualificar não apenas as denúncias, mas os veiculos que as difundem. Volta o debate de que estaríamos diante de uma mídia golpista, que não se conforma com a mudança de rumos operada no país desde 2003, que quer inviabilizar o governo etc. etc. Em parte têm razão.
A grande imprensa, por sua vez viciou-se em acusar todos os que discordam de seus métodos de clamarem pela volta da censura. Há muita fumaça e pouco fogo nisso tudo, mas faz parte do show. Disputa política é assim mesmo.
Maniqueísmo
É preciso colocar racionalidade no debate sobre os meios de comunicação no país, para que não deslizemos para maniqueísmos estéreis. Vamos antes enunciar um pressuposto.
A grande imprensa brasileira está concentrada em poucas mãos. Oito empresas – Globo, Bandeirantes, Record, SBT, Abril, Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e Rede Brasil Sul (RBS) – produzem e distribuem a maior parte da informação consumida no Brasil.
As corporações existentes há cinco décadas – Globo, Estado, Folha e Abril – apoiaram abertamente o golpe de 1964. Até hoje não explicaram à sociedade brasileira como realizam a proeza de falar em democracia tendo este feito em sua história.
Entre todos os meios, a revista Veja se sobressai como o produto mais truculento e parcial da imprensa brasileira.
Sobre golpismo, é bom ser claro. As classes dominantes brasileiras não se pautam pelas boas maneiras na defesa de seus interesses. Sempre que precisaram, acabaram com o regime democrático. Usaram para isso, à farta, seus meios de comunicação.
A imprensa é golpista?
No entanto, até agora não se sabe ao certo porque esta mídia daria um golpe nos dias que correm. O sistema financeiro colhe aqui lucros exorbitantes. A reforma agrária emperrou. Grandes empresários possuem assento em postos proeminentes do Estado – caso de Jorge Gerdau Johannpeter – ou têm seus interesses mantidos intocados.
Algumas peças não se encaixam na acusação de golpismo da mídia. Voltemos à revista Veja. Os apoiadores do governo precisam explicar porque a administração pública forra a publicação com vultosas verbas publicitárias, além de sempre prestigiarem suas iniciativas. Vamos conferir, pois está tudo na internet.
Veja tem uma tiragem de 1.198.884 exemplares, auditados pelo IVC. Alega ter um total de 8.669.000 leitores. Por conta disso, os preços de seus espaços publicitários são os mais altos entre a imprensa escrita. Veicular um reclame em uma página determinada sai por R$ 330.460. Já em uma página indeterminada, a dolorosa fica por R$ 242.200.
Quem anuncia em Veja? Bancos, a indústria automobilística, gigantes da informática, monopólios do varejo e… o governo federal. Peguemos um exemplar recente para verificar isso.
Na edição de 12 de outubro – que noticiou a morte de Steve Jobs – havia cinco inserções do governo federal. Os anúncios eram do Banco do Brasil (página dupla), do BNDES, do Ministério da Justiça, da Agência Nacional de Saúde e da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Supondo-se que as propagandas não foram destinadas a páginas determinadas e que os preços de tabela foram efetivamente cobrados, teremos um total de R$ 1.525.200.
Exato: em uma semana apenas, o governo federal destinou R$ 1,5 milhão ao semanário dos Civita, a quem seus aliados chamam de “golpista”.
Prestígio político
Há também o prestígio político que o governo confere ao informativo. Prova disso foi o comparecimento maciço de ministros de Estado e parlamentares governistas à festa de quarenta anos de Veja, em setembro de 2008. Nas comemorações, estiveram presentes o então vice-presidente da República, José Alencar, o ex-presidente do BC, Henrique Meirelles, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o ex-ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, o ex-ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, o ministro da Educação, Fernando Haddad e a senadora Marta Suplicy (confiram em http://veja.abril.com.br/veja_40anos/40anos.html).
E entre julho de 2010 e julho de 2011, nada menos que seis integrantes dos altos escalões governamentais concederam entrevista às páginas amarelas da revista. São eles: Dilma Rousseff, Aldo Rebelo, Cândido Vaccarezza, Antonio Patriota, General Enzo Petri e Luciano Coutinho.
Nenhum demonstrou o desprendimento e a sensatez do assessor especial da presidência, Marco Aurélio Garcia (então presidente interino do PT). Ao ser convidado para conceder uma entrevista a Diogo Mainardi, em novembro de 2006, deu a seguinte resposta: “Sr. Diogo Mainardi, há alguns anos – da data não me lembro – o senhor dedicou-me uma coluna com fortes críticas. Minha resposta não foi publicada pela Veja, mas sim, a sua resposta à minha resposta, que, aliás, foi republicada em um de seus livros. Desde então decidi não falar com a sua revista. Seu sintomático compromisso em não cortar minhas declarações não é confiável. Meu infinito apreço pela liberdade de imprensa não vai ao ponto de conceder-lhe uma entrevista”.
RBS, Olívio e Lula
As relações ambíguas do governo e dos partidos da chamada base aliada com a grande mídia não se restringem à Veja.
Entraram para a história a campanha de denúncias e desgaste sistemático que os veículos da RBS moveram contra o governo de Olívio Dutra (1999-2003), do PT, no Rio Grande do Sul. Ataques sem provas, calúnias, mentiras e todo tipo de baixaria foi utilizada para inviabilizar uma gestão que buscou inverter prioridades administrativas. No auge dos ataques, em 2000, o jornal Zero Hora, do grupo, fez um ousado lance de marketing. Convidou Luís Inácio Lula da Silva para ser colunista regular. Até a campanha de 2002, o futuro presidente da República escreveu semanalmente no jornal, como se não tivesse relação com as ocorrências locais. Quando abriu mão da colaboração, Lula afirmou que o jornal prejudicava seu companheiro gaúcho. O jornal ganhou muito mais que o ex-metalúrgico nessa parceria. Ficou com a imagem de um veículo plural e tolerante.
No mesmo ano, o ex-Ministro José Dirceu foi entrevistado pelo Pasquim 21, jornal lançado pelo cartunista Ziraldo. Naqueles tempos, as empresas de mídia enfrentavam aguda crise, por terem se endividado em dólares nos anos 1990. Com a quebra do real no final da década, os débitos ficaram impagáveis. Lá pelas tantas, Dirceu afirmou que salvar a Globo seria uma “questão de segurança nacional”.
Comemorando juntos
As boas relações com a grande mídia se mantiveram ainda nas comemorações dos 90 anos da Folha de S. Paulo, em janeiro deste ano. Estiveram presentes à festa a presidente Dilma Rousseff – convidada de honra, que proferiu discurso recheado de elogios ao jornal – a senadora Marta Suplicy, colunista do mesmo, Candido Vaccarezza, líder do governo na Câmara, os ex-Ministros José Dirceu e Marcio Thomaz Bastos e o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho. A Folha também recebe farta publicidade governamental, do Banco do Brasil, da Petrobrás, da Caixa Econômica federal, entre outras.
Nos momentos de dificuldade, dirigentes do governo procuram sempre a grande imprensa para exporem suas idéias. Foi o caso de Antonio Pallocci, em 3 de junho último. Acossado por denúncias de enriquecimento ilícito, o ex-Chefe da Casa Civil convocou o Jornal Nacional, para dar suas explicações ao público.
O mesmo Antonio Palocci – colunista da Folha de S. Paulo entre 2009 e 2010 – dividiu mesas com Roberto Civita, Reinaldo Azevedo, Demetrio Magnoli, Arnaldo Jabor, Otavio Frias Filho e outros, em palestra no afamado Instituto Millenium, em março de 2010. A entidade congrega empresários do ramo e seus funcionários e se opõe a qualquer tipo de regulação em suas atividades.
Os casos de proximidade do governo e seus partidos com a imprensa são extensos. Uma das balizas dessas relações é o bolo da publicidade oficial. Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, a receita publicitária oficial em 2010 foi de R$ 1.628.920.472,60. Incluem-se aí os custos de produção e veiculação de campanhas, tanto da administração direta quanto indireta. Ressalte-se aqui um ponto: é legítimo o governo federal valer-se da publicidade para se comunicar com a população. A maior parte do bolo vai para os grandes grupos do setor.
No caso das compras de livros didáticos feitos pelo MEC, para as escolas públicas, o grande beneficiário é o Grupo Abril, que edita Veja.
Reclamação e democratização
Apesar do PT, partido do governo, ter feito uma moção sobre a democratização das comunicações em seu último Congresso, que gerou um seminário sobre o tema há poucas semanas, e do ex-ministro José Dirceu ter sido injustamente atacado recentemente pela Veja, é difícil saber exatamente que tipo de relação governo e partidos aliados desejam manter com os meios de comunicação. De um lado, como se vê, acusam a mídia de ser go lpista. De outro, lhe dão todo o apoio.
Alguns petistas se especializam também em utilizar o espaço da mídia para suas disputas palacianas. O jornalista Amaury Ribeiro Jr., por exemplo, em seu bombástico A privataria tucana, insinua claramente que o atual presidente do PT, Rui Falcão, teria vazado informações dos bastidores da campanha de Dilma Rousseff, no primeiro semestre de 2010, para nada menos que a revista Veja. Jornalista, Falcão é o mesmo que capitaneou o seminário petista sobre regulação dos meios de comunicação.
Pode ser que petistas e governantes tenham medo da mídia. Mas não se pode é ter um duplo comportamento no caso. Diante da opinião pública falam uma coisa, enquanto agem de forma distinta na prática.
O ex-presidente Lula reclamou muito da imprensa em seu último ano de mandato. No entanto, “Não houve qualquer alteração fundamental no quadro de concentração da propriedade da mídia no Brasil entre 2003 e 2010”. Essa constatação é feita pelo professor Venício Lima em brilhante artigo, publicado no final de 2010.
As resoluções da Conferência Nacional de Comunicação, realizada em 2009, mofam em algum escaninho do Ministério das Comunicações. O Plano Nacional de Banda Larga, que deveria fazer frente ao monopólio das operadoras privadas, acabou incorporando todas as demandas empresariais. O projeto de regulação da mídia elaborado pelo ex-ministro Franklin Martins desapareceu da agenda.
Por fim, vale uma nota. Temerosos com a chegada das gigantes da telefonia produzindo conteúdo televisivo e radiofônico para o mercado doméstico, os grupos Globo, Bandeirantes, Record e SBT fizeram intensa pressão pela aprovação da lei 12.485. O governo cedeu. A nova norma garante uma reserva de mercado para as velhas empresas de comunicação, embora as teles possam atuar da distribuição. O conjunto seguirá como um dos clubes mais fechados do mundo.
Como se pode ver, o governo e seus partidos de sustentação convivem muito bem com a mídia como ela é. Têm muita proximidade e pontos de contato, apesar de existirem vozes isoladas dentro deles, que não compactuam com a visão majoritária.
Nenhum dos lados tem moral para reclamar do outro…
Gilberto Maringoni é jornalista, doutor em História pela FFLCH-USP e professor da Fundação Casper Líbero. É autor, entre outros, de Ângelo Agostini – A imprensa ilustrada da Corte à Capital Federal, 1864-1910 (Devir Livraria, 2011)
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Manual do estilo desconfiado

Até segunda ordem, todo texto é suspeito
JUNTE-SE AOS DESCONFIADOS
Sempre fui um aficionado pelas artes e artimanhas do ato de escrever. Sou daqueles que consideram toda frase um parto – o que não implica, necessariamente, sofrimento. Tudo começa com o intruso espermatozoide que se instala em nosso cérebro e passa a acionar a sinapse daquela ideia, que ali permanece e recusa a se apagar, insiste diariamente em ser transformada em “mensagem para os outros”: texto.
Acontece, porém, na maioria das vezes, que passamos a macaquear as formas conhecidas de dizer. Repetimos as fórmulas, e mal. Confortados pelo doce prazer do nome impresso. Com frequência, tomamos um dentre os maneirismos disponíveis e o preenchemos com raciocínio e opinião. Mas sem perceber que as palavras e noções usadas já se encontram um tanto gastas por força da repetição e do hábito.
Qual o antídoto? Como sair do círculo repetitivo da inspiração? Se a resposta fosse simples, já teria surgido uma nova profissão no pobre mercado das letras: os estilistas de texto. Com lançamentos a cada ano de novos modelos de redação destinados aos diferentes segmentos: as notícias de jornal, as pesquisas acadêmicas, os romances de sucesso, e outros mais.
O jeito é mesmo desconfiar. Uma recomendação possível e honesta frente ao demo do senso comum que se infiltra no lero-lero de muitos escribas. Ler com o olhar desconfiado, pois ajuda a reconhecer muito gato que se passa por lebre, sobretudo quando assume ares de alta dicção. E, claro, escrever igualmente desconfiado – um pé atrás com as próprias afirmações. Até segunda ordem, todo texto é suspeito.
DESCONFIE DA FRASE LONGA
– Raros são os animais que podem dar saltos longos na natureza. Raros são os homens capazes de compreender uma série de frases compridas.
– Uma frase não se define pela extensão, senão pelo fôlego.
– As ideias que se alongam precisam girar em torno de um eixo. Cuidado com os malabarismos.
– A boa frase longa se contenta com passos curtos – e articulados.
– Para evitar a monotonia de uma série de frases longas, a alternância com a frase curta surpreende.
– As frases longas nunca são jovens.
DESCONFIE DA VÍRGULA
– Aqueles que tomam a vírgula por uma facilidade animam-se em encompridar os solilóquios. Melhor tomá-la por uma dificuldade.
– Toda vírgula implica dobrar uma esquina e continuar o mesmo caminho. O senso de direção não depende (só) dela.
– O texto que se iniciasse com uma vírgula teria antes de si o universo inteiro.
– Alguns escritores são acometidos da virgulite, típica de quem dá voltas ao pensamento.
– Existem as vírgulas da gramática e as do afeto.
– O pecado de Adão criou a primeira vírgula.
DESCONFIE DA PALAVRA GORDA
– Aquela que expressa ideia generalizante, usualmente abstrata. Além do peso.
– A gordura léxica está presente quando as palavras se inclinam para a retórica.
– O uso acumulativo de palavras obesas conduz a uma frase gorda.
– Antes de se expressar em palavras, a obesidade está no pensamento.
– A sintaxe é um recurso importante para engordar (ou emagrecer) a frase.
– Os parnasianos são os típicos escritores com sobrepeso.
DESCONFIE DA PALAVRA MAGRA
– Referente ao sentido direto, quase sempre em primeira acepção. Sem gordura.
– A magreza léxica se torna presente quando as palavras não chamam atenção para si.
– A ciência prefere exprimir-se por meio das palavras exatas. Só o osso interessa.
– A mesma palavra poderá ser mais ou menos delgada, a depender do contexto.
– O romance policial típico necessita de um estilo “magro” para colocar em ação os elementos da trama.
– A palavra magra se quer discreta e útil.
DESCONFIE DA CITAÇÃO
– A afinidade com o autor citado, por si só, não qualifica a citação. Então, o que a justifica?
– Não há como certificar o peso de duas citações opostas e igualmente claras e afirmativas.
– Existem citações de primeiro, segundo e terceiro graus. Quanto mais recuada no tempo, mais sábia.
– Poucos escritores citam os argumentos contrários às suas ideias. Pior para elas.
– Ninguém cita quem lhe parece “inferior”.
– Diz-me quem citas e eu te direi quem és.
DESCONFIE DO CLICHÊ
– O clichê transforma o senso comum em metal, peça que serve à máquina dos discursos.
– De tão usado, o clichê ficou cego, não sabe o que está dizendo.
– Clicheteiro é aquele que usa em demasia as frases conhecidas.
– O clichê apunhala o estilo.
– O clichê se aproxima de um ditado que não deu certo.
– O clichê é um chiclete usado.
DESCONFIE DO ADVÉRBIO
– Cabe ao advérbio dar um toque de relevo à frase.
– A circunstância define o colorido daquilo que se afirma; do contrário, predomina o vazio.
– Verbo e advérbio se atraem, mas nem sempre se encaixam.
– Os advérbios formam a polpa que reveste o caroço da frase central.
– Para garantir que seja exato, todo advérbio deve passar pelo setor de controle de excessos.
– Quem “mente” demais cai em descrédito.
DESCONFIE DO ELOGIO
– Monotonia: o elogio sempre se nutre de adjetivos.
– Boa parte das vezes o encômio vem antes de arrolados os argumentos.
– O elogio deve ser proporcional à qualidade moral e intelectual de quem o profere. Mas quem julga quem?
– A maioria dos elogios esconde a sua real motivação: o comércio de favores.
– Quem muito elogia deixa as palavras vazias.
– Elogiar a modéstia é um contrassenso.
DESCONFIE DO ADJETIVO
– Os adjetivos são como as cores, do suave ao berrante.
– Entre um e outro, recomenda-se a distância de algumas léguas.
– A culpa não está na palavra, mas no demiurgo que não sabe usá-la.
– O adjetivo funciona como o fermento da frase.
– Ao dispor de um adjetivo, indague-se: se ficar de fora, a frase empalidece?
– Faça psicanálise com os qualificativos que emprega.
– Adjetivos são palavras com alta variação de humor.
DESCONFIE DA (DES)CONFIANÇA
– A desconfiança é bem-vinda para que o estilo seja de bom quilate.
– A desconfiança é malvinda quando inibe a naturalidade da frase.
– O melhor estilo é aquele que se faz com a atenção posta no detalhe, nos dedos.
– Quem desconfia fia o texto pelo avesso.
– Quem (des)confia demasiado termina com as mãos no fiado.
– Desconfia quem deseja fiar de outra maneira.
Fernando Paixão
No Maria da Penha Neles!
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Mais de 800 pessoas foram vítimas de grampo de Murdoch

Polícia já prendeu 20 pessoas ligadas a escândalo de empresa de Rupert Murdoch
LONDRES - Mais de 800 pessoas tiveram seus telefones interceptados ilegalmente pelo tabloide “News of the World”, hoje um jornal extinto, informou neste sábado a polícia britânica que está investigando as supostas práticas ilícitas da empresa.
Por meio de comunicado, a Polícia Metropolitana de Londres informou que entrou em contato com 2.037 pessoas durante a investigação, que já dura um ano, das quais 803 são supostas vítimas dos grampos telefônicos do tabloide de sucesso do grupo News Corp, de Rupert Murdoch.
Foi a primeira vez em que a polícia divulgou um número geral das supostas vítimas do escândalo do “News of the World”.
- Estamos confiantes de que entramos em contato pessoalmente com todos aqueles que foram alvos ou prováveis alvos das interceptações - disse a vice-comissária assistente da Polícia Metropolitana, Sue Akers, em entrevista ao “The Times” e publicada neste sábado.
A mídia, os políticos e a polícia do Reino Unido foram abalados neste ano pelas revelações de que jornalistas e investigadores particulares haviam acessado ilegalmente mensagens de voz nos celulares para obter fofocas que pudessem ser publicadas. O inquérito também está investigando se os jornalistas pagaram a polícia para obter as informações.
O escândalo obrigou o News Corp a fechar o tabloide semanal “News of the World” em julho. Algumas autoridades policiais de Londres renunciaram e o assessor de imprensa do primeiro-ministro David Cameron, ex-editor do tabloide, deixou o cargo e foi preso.
A polícia já prendeu 20 pessoas ligadas ao caso até o momento, enquanto outras estão detidas por suspeita de invadir computadores e pagar a polícia para conseguir informações.
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Metrô de SP recua e libera grafites de 'PM-coxinha' e 'vagão negreiro'

O grafite que retratava um "homem-coxinha" vestido de policial militar e o que comparava vagões de trem a navios negreiros voltarão ao muro do canteiro de obras da futura estação Adolfo Pinheiro do Metrô, em Santo Amaro, zona sul paulistana.
Os trabalhos, apagados pelo Metrô no fim de novembro, foram autorizados novamente pelo órgão. 
ANTES DEPOIS
Imagem mostra grafite de policial "homem-coxinha" Grafite apagado após intervenção do Metrô
Os dois grafites haviam sido feitos em 11 e 12 de novembro em um projeto do Sesc Santo Amaro com o Metrô.
Ele reuniu 40 artistas da zona sul. Mas só Beto Silva, 30, autor do "PM-coxinha", e Bruno Perê, 27, cujo grafite trazia a frase "todo vagão tem um pouco de navio negreiro", tiveram os trabalhos cobertos.
Ontem à tarde, organizadores do projeto e os grafiteiros se reuniram com o presidente do Metrô, Sérgio Avelleda, para discutir o assunto.
Avelleda disse a eles que a alteração foi iniciativa isolada de um funcionário, sem a autorização dele.
Anteontem, no entanto, a assessoria de imprensa do Metrô informou à Folha que a alteração era um pedido da administração da companhia.
Ontem, a assessoria do órgão disse que após uma apuração mais profunda do caso descobriu que a informação passada para a reportagem anteontem estava errada.
Os grafiteiros concordaram em refazer os trabalhos no próximo dia 18.
No FAlha
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O Plebiscito no Pará


Seções: 14.249
Seções Apuradas: 10.769 (75,58%)
   
Eleitorado: 4.848.495
Apurado: 3.796.691 (78,31%)
Abstenção: 961.610 (25,33%)
Comparecimento: 2.835.081 (74,67%)
   
Votos: 2.835.081
Brancos: 11.898 (0,42%)
Nulos: 28.503 (1,01%)
Válidos: 2.794.680 (98,57%)
Seq.Nº. Resp. Resposta Qtd. Votos
1551.930.857 (69,09%)
277863.823 (30,91%)
No TSE
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E já que vocês querem ler sobre lavagem de dinheiro…

O livro do Amaury Ribeiro Jr. traz de volta ao debate público algumas questões. Uma delas diz respeito às privatizações. Depois do trabalho seminal de Aloysio Biondi, O Brasil Privatizado, um best seller praticamente ignorado pela mídia, Privataria Tucana será certamente o primeiro livro escrito em linguagem suficientemente popular para ser best seller, lógico, dentro dos padrões brasileiros.
A mídia corporativa não trata do assunto de forma aprofundada, já que foi promotora e beneficiária das privatizações e é o motor acionado sempre que é preciso legitimar as privatizações disfarçadas em curso, seja no uso das praias do Rio de Janeiro para eventos privados, seja na entrega de rodovias construídas com dinheiro público para empresas “explorarem” com altíssimas taxas de retorno. A ambiguidade do “explorar” serve ao nosso argumento, muito embora seja impróprio dizer “explorar estradas”, quando os concessionários exploram motoristas, passageiros e os que compram mercadorias que transitam por elas. Ou você acha mesmo que aquele frete da sua geladeira quem pagou foi a transportadora?
Como sugeriu o comentarista de um blog — leio tantos que nem sempre guardo a fonte –, o campo é amplo para que jornalistas e pesquisadores registrem, avaliem e reflitam sobre a privatização da Vale (doação, diriam muitos) e das empresas de energia elétrica, por exemplo. Tudo indica que teremos uma sequência do livro do Amaury, para tratar especificamente da relação entre os grupos de mídia e as privatizações. O jornalista diz ter documentos que comprovam que toda a dívida milionária de uma emissora de TV com a Light foi cancelada logo depois de soar o martelo privatizante.
De nossa parte, nasceu a ideia de desenvolver um banco de informações — reportagens, textos acadêmicos, entrevistas — sobre as privatizações que, como já disse acima, continuam a acontecer, agora de forma disfarçada. A quem pertence o aquífero Guarani? Quem lucra com o uso da água? Quais os benefícios públicos?
Como vimos acima, quando se trata de privatizações a mídia deixou de defender o interesse público, já que é cúmplice. Resta ao público se organizar para defender seus interesses, usando para isso as redes sociais, produzindo e disseminando conhecimento, “formando maiorias”. Nós, blogueiros, podemos ajudar a organizar isso.
Outro tema que o livro do Amaury traz para o centro do debate é o que se refere à lavagem de dinheiro. Aqui, mais uma vez, o debate público está prejudicado pelo fato de que o setor financeiro tem grande poder de persua$ão sobre a sociedade (via mídia) e os governos.
O dinheiro da altíssima corrupção se mistura com o de muitos outros crimes nas lavanderias espalhadas pelo mundo. Em seu estilo deixa-que-eu-chuto, Amaury definiu ‘elisão fiscal’ (chique, não é mesmo?) como picaretagem ilustrada dos que fizeram pós-graduação em lavagem de dinheiro em Harvard. Eu nunca soube que o dinheiro sujo estacionado nas Bahamas fosse grana do décimo-terceiro da dona Maria, lá da Vila Cardia, em Bauru, se é que vocês me entendem.
Em tempos de crise econômica, quando os governos buscam formar desesperadas para aumentar a arrecadação, tudo indica que vai se aprofundar o debate sobre formas de combater a evasão fiscal e as lavanderias. Mas é um assunto muito mais complexo do que parece, à primeira vista.
A melhor coisa que li a respeito foi o livro Treasure Islands, Tax Havens and the Men that Stole de World, de Nicholas Shaxson, em que ele começa argumentando que não se deve usar “paraíso fiscal”, mas refúgio ou santuário. Revela com clareza que os maiores refúgios não são as ilhas do Caribe mas, pela ordem, Estados Unidos, Reino Unido e Suiça (sim, sim, ele quis dizer os grandes centros financeiros de Wall Street e City de Londres).
Shaxson conheceu este mundo por dentro, como jornalista da revista Economist e do Financial Times. Escreveu outro livro maravilhoso, Poisoned Wells: The Dirty Politics of African Oil. É sempre gratificante ler alguém que pensa fora do quadrado e Shaxson argumenta convincentemente que aqueles terríveis tiranos da África — ah, como o racismo se desloca — seriam impossíveis sem a cumplicidade do sistema financeiro e dos políticos ocidentais que financiam campanhas com o dinheiro do petróleo alheio.
Assunto chato? Bem, é melhor você repensar, considerando que Shaxson acha que os refúgios fiscais são uma ameaça à democracia!
Leia, aqui, a tradução que publicamos em abril de uma resenha da London Review of Books sobre o livro de Shaxson, que registra a confluência entre os interesses do filho de Kadafi e da London School of Economics (tão brega quanto isso, só os tucanos tirando os sapatos em Harvard).
Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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Do paraíso fiscal ao Paraíso, SP. A conexão Citco-PHC

Não, não é FHC, de Fernando Henrique Cardoso. É mesmo PHC, de Paulo Henrique Cardoso, filho do ex-presidente.
É o primeiro dos fios do novelo obscuro puxado pelo livro “Privataria Tucana” que, nós dissemos, iam começar a ser puxados.
Aos fatos, sem ilações e com documentos.
O livro de Amaury Ribeiro mostra que as empresas de fachada offshore de Ricardo Sérgio Oliveira, Verônica Serra e seu marido Alexandre Bourgeois foram abrigadas no Citco Building, edifício-sede de um grupo de companhias que, além das Ilhas Virgens onde se situa, se espalha pelos ancoradouros piratas de Aruba, Curaçao, Bahamas, Ilhas Cayman, Barbados e por aí…
Eles foram para a sede da Citco B.V.I. Limited, em Tortola, como está documentado no livro de Amaury.
Foram longe, porque a Citco tem um escritório de negócios no Brasil. Bem ali em São Paulo, na Avenida Bernardino de Campos, 98, 14° andar, no bairro – se podemos perdoar a ironia – do Paraíso, onde funciona a Citco Corporate Serviços Limitada, uma “pequena empresa” – com capital registrado de apenas R$ 10 mil – dirigida pelo senhor José Tavares de Lucena, representante plenipotenciário da Citco Corporate Services, situada no 26° andar do número 701 da Brickell Avenue, em Miami, Flórida.
O décimo-quarto andar do nosso Paraíso paulistano é também a sede de inúmeras empresas. O senhor Lucena é um homem polivalente, que administra um uma plêiade de empresas dedicadas a negócios imobiliários (a Select Brasil Investimentos), de telecomunicações( BBT do Brasil), informática (Torex International Sistemas de Informática), de embalagens (Dixie Toga, a dos copinhos plásticos) e muitas outras.
Nessa árdua tarefa ele tem a ajuda de outro contador, Jobelino Vitoriano Locateli, ambos muito atarefados com suas tarefas de representar oficialmente instituições de grande porte, como o JP Morgan e Citibank.
Mas sobra um cantinho no amplo andar do prédio da Bernardino de Campos para empresas menores,tão pobres quanto a pobre Citco Corporate Serviços Limitada e seus R$ 10 mil de capital social.
É o caso da Radio Holdings SA , que tem capital social neste valor, dos quais 98,6% (R4 9.860,00) pertencem a PHC, Paulo Henrique Cardoso, como demonstra certidão da Junta Comercial de São Paulo. Lucena e Jobelino revezam-se como administradores da empresa de PHC.
Esta pobre microempresa do filho do ex-presidente Fernando Henrique comprou, por R$ 2,98 milhões - 300 vezes seu capital social – a Rádio Itapema FM, que pertenceu ao grupo Manchete e ao RBS. E o fez como sócia majoritária de ninguém menos que a Walt Disney Company, sob o nome de ABC Venture Corp, no endereço nos famosos estúdios de Burbank, Califórnia.
A rádio, claro, certamente por economia, também foi para efeitos fiscais, para o Paraíso paulistano da Bernardino de Campos, no mesmo lotado 14°andar.
Mas nada disso vai para os jornais.
Sobre os temas tucanos, o jornalismo investigativo brasileiro não aguenta sequer uma manhã de Google.
Será que o Ministério Público é melhor que ele?
Fernando Brito
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O manual de ética (cof cof!) da RBS


Achando pouco colocar em prática sua estratégia de distorcer a informação e basear a construção das notícias na ideia de que o leitor/espectador/internauta/ouvinte é burro, a RBS mais uma vez joga os pés pelas mãos e decide estabelecer normas escritas para a conduta. O título, claro, distorce a ideia. Fala em “autorregulamentação”.
Mal sabem eles que quem está do outro lado (lado?) não é burro (ou bem sabem e estão tentando correr atrás? hmm…).
Com palavras bonitinhas e concatenadas com o objetivo, mais uma vez, de fazer o leitor entender uma coisa que não está escrita, a Zero Hora publicou um editorial sobre o tema. No ar desde ontem no site, o texto vai vir com a edição impressa do próximo domingo, como comemoração ao lançamento do seu “Guia de Ética e Autorregulamentação Jornalística”, a acontecer hoje, sexta-feira.
Pois comecemos pelo começo. Ética. Esse povo gosta de usar a palavra em vão. Vale uma regra: se não tiver, não usa. Simples assim. No caso do grupo que exerce o monopólio das comunicações no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, conviria deixar de fora. Falta honestidade. Mas bom, isso é prática comum para quem não tem a tal da ética.
Ainda no primeiro parágrafo, o editorial fala em “informação independente e opinião plural”. Cof cof. Risos. Murmúrios.
O povo se ajeita nas cadeiras desconcertado e ligeiramente envergonhado. Tudo bem que brasileiro costuma ser meio cara de pau, mas tudo tem limite. Na frase seguinte, vêm as palavras “integridade, autenticidade e transparência”, e aí o leitor se espanta ao perceber que a empresa está falando de si própria, como se a frase anterior não tivesse sido suficiente.
Calma, continua aí que a diversão está só começando.
Ainda temos pela frente “liberdade de expressão”, “promoção do ser humano”, “informação livre”, “ética” de novo (quando muito repetida, sabe como é, vira verdade), “permanente discussão” (provavelmente se referindo ao profícuo debate de ideias dentro da família Sirotsky), “mecanismo democrático de transparência”. Tudo muito bonito, mas né.
Isso sem falar na falácia da luta contra a censura, como se monopólio não fosse uma forma de exercê-la. Mas não vamos tão a fundo nos detalhes, para não cansar o leitor, que já deve estar exausto de tantos anos de enrolação. Falemos dos pontos gerais de questão com vários aspectos:
Em primeiro lugar, a ideia de autorregulamentação em si. Convenhamos, quem acredita? Se eu vou me regular a mim mesma (e o pleonasmo é proposital), é só eu não fazer o que eu acho errado, certo? Ou alguém aqui
Ou seja, diante da pressão por mais pluralidade e comprometimento social, a RBS publica um manual (e faz um alarde em cima da história) só pra bonito, pra dizer que faz alguma coisa e manter as aparências (que aparências ainda restam mesmo?).
Engraçado que não comentam quem escreveu o guia. Quem dita as regras da autorregulamentação da Zero Hora. Por que todos os leitores têm que achar essas regras bonitas, se elas representam só os interesses dos donos do jornal, ou, pra ser um pouco mais condescente, que os donos do jornal acham que é o melhor pra sociedade (considerando alguma possível boa intenção)?
E por fim, como se não bastasse o próprio editorial autoadulatório e hipócrita, ainda vem a pergunta cretina, publicada no site como uma enquete a ser publicada junto com o texto na edição de domingo: “você concorda com o editorial que defende a autorregulamentação jornalística como direito do público?”. Entre parênteses, antes do ponto de interrogação, caberia colocar: “que a Zero Hora defende e apresenta a seguir com os argumentos mais bem trabalhados e as palavras mais bem escolhidas e sem contraponto”.
Ops, desculpa, esqueci que honestidade não passa por aquelas bandas…
P.S.: Mudando de assunto, alguém aí viu a cobertura da RBS sobre o livro do jornalista Amaury Jr., divulgado essa semana, que denuncia a privataria tucana? Não estou conseguindo achar…
Cris Rodrigues
No Somos andando
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RBS lança segundo Guia da Ética e defende monopólio do controle da informação

O Grupo RBS está preparando um carnaval de fim de ano para o lançamento do seu “Guia de Ética e Autorregulamentação Jornalística”. É o segundo “Guia de Ética” que a RBS lança nos últimos anos. O primeiro, intitulado “Guia de Ética e Responsabilidade Social do Grupo RBS” consiste em um “conjunto de orientações éticas e editoriais” destinado a “proporcionar aos colaboradores do Grupo RBS o conhecimento dos valores da empresa, assim como sua aplicação prática em situações de trabalho”. Publicado em 2004, o primeiro Guia de Ética é apresentado como uma “síntese de um processo de auto-regulamentação que vem sendo aperfeiçoado pela RBS desde sua fundação”.
Agora, a RBS lança um novo Guia de Ética associado ao tema da regulamentação. Nesta quinta-feira, o site do jornal Zero Hora antecipa editorial que será publicado no domingo e pergunta aos leitores: “Você concorda com o editorial que defende a autorregulamentação jornalística como direito do público?” Alguns comentários enviados até as 18h de sexta-feira serão selecionados para publicação na edição impressa de domingo.
O editorial afirma:
“Por considerar a liberdade de expressão uma conquista inerente às democracias e por defender o uso responsável deste direito como forma de promoção do ser humano e de desenvolvimento das sociedades, o Grupo RBS rejeita qualquer tipo de controle da informação”.
A não ser é claro o controle da informação exercido pelo próprio Grupo RBS, que chama isso de “auto-regulamentação jornalística”.
Cabe lembrar dez episódios mais ou menos recentes onde o Grupo RBS colocou em prática a sua concepção de “auto-regulamentação jornalística” e rejeitou qualquer tipo de “controle da informação”, em geral pela prática da omissão:
1. O uso privilegiado, por alguns jornalistas, durante o governo Yeda Crusius, de senhas exclusivas de agentes do Estado para acessar o Sistema Integrado de Consultas da Secretaria de Segurança Pública. O nome desses jornalistas não veio a público pois o processo corre em segredo de justiça. A RBS já ingressou na Justiça diversas vezes para quebrar sigilos de processos invocando o interesse público. Se esse pedido é negado, denuncia imediatamente cerceamento da liberdade de imprensa. Neste caso, curiosamente não há tal interesse.
2. A existência de um braço midiático da fraude do Detran denunciado pelo Ministério Público Federal. Recordando o que diz a página 56 dessa denúncia:
“Os denunciados integrantes da quadrilha não descuidavam da imagem dos grupos familiares e empresariais, bem assim da vinculação com a imprensa. O grupo investia não apenas na imagem de seus integrantes, mas também na própria formação de uma opinião pública favorável aos seus interesses, ou seja, aos projetos que objetivavam desenvolver. A busca de proximidade com jornais estaduais, aportes financeiros destinados a controlar jornais de interesse regional, freqüentes contratações de agências de publicidade e mesmo a formação de empresas destinadas à publicidade são comportamentos periféricos adotados pela quadrilha para enuviar a opinião pública, dificultar o controle social e lhes conferir aparente imagem de lisura e idoneidade”.
3. O assassinato do sindicalista Jair Antonio da Costa, em 2005, e do colono sem terra Eltom Brum da Silva, em 2009, que até hoje permanecem impunes. Alguém aí leu alguma reportagem investigativa sobre essas mortes, sobre quem eram essas pessoas e como ficou a vida de seus familiares e amigos depois da ação policial truculenta que tirou suas vidas?
4. O processo, por prática de monopólio, movimento por procuradores do Ministério Público Federal de Santa Catarina, contra o grupo RBS, no episódio envolvendo a compra do jornal A Notícia, de Joinville.
5. A participação da própria RBS no processo de privatização da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT) e de outras empresas de telecomunicação no Brasil.
6. Quanto a Gerdau já ganhou em isenções fiscais no RS?
7. Quanto dinheiro a Aracruz despejou em publicidade na mídia gaúcha prometendo uma nova era de desenvolvendo com as plantações de eucaliptos? A empresa se envolveu no cassino da especulação financeira com fundos derivativos e acabou quebrando.
8. A vida e os interesses da população pobre de Porto Alegre atingida por obras preparatórias à Copa do Mundo de 2014. A RBS fez um estardalhaço porque Porto Alegre “perdeu a Copa das Confederações” e só se preocupa com a situação do estádio Beira Rio. As pessoas comuns que já estão tendo suas vidas afetadas merecem tratamento mais do que secundário.
9. Quantos jornalistas da RBS já aproveitaram a exposição midiática massiva que tem nos veículos da empresa para se lançar na carreira política, contrariando expressamente o que está escrito no Código de Ética da empresa? Ana Amélia Lemos é apenas o exemplo mais recente.
10. Por que, em casos policiais, há um tratamento diferenciado se os envolvidos são pobres ou ricos. Recentemente, um caso envolvendo um jovem pobre de apelido Jundiá, acusado em um caso de estupro, teve ampla cobertura nos veículos do grupo. O mesmo não aconteceu quando um adolescente filho de um executivo do grupo em Santa Catarina esteve envolvido em um caso similar.
Todos os meios e espaços de comunicação exercem algum tipo de controle e seleção da informação. Menos a RBS, é claro, que se apresenta como expressão do interesse público e das cláusulas pétreas da Constituição. A mistificação ideológica cultivada diariamente por essa empresa está atingindo o nível do delírio.
No RS Urgente
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A bomba que vai estourar no colo do presidente da CBF

No livro A Privataria Tucana, Amaury Ribeiro Jr. faz menção às investigações feitas por ele sobre a fortuna do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, a partir de documentos públicos referentes ao cartola, obtidos na Junta Comercial e em cartórios do Rio de Janeiro. É curioso como quem tem experiência na investigação de lavagem de dinheiro bate o olho na papelada e logo monta o quebra-cabeças.
A empresa RLJ Participações (R de Ricardo, L de Lúcia e J de João, presumimos) foi montada em maio de 1992. É muito importante ficar de olho nas datas. Notem como é curioso: quando a empresa foi formada aparecem como testemunhas o advogado Alberto Ferreira da Costa (que não assina) e Guilherme Terra Teixeira (irmão de Ricardo Teixeira):
Em 29 de julho de 1992, em Vaduz, Liechtenstein, quem é que recebe procuração para assinar pela Sanud no Brasil? Sim, o Alberto Ferreira da Costa, que aparece como testemunha no ato de formação da RLJ. Em tese, a Sanud era uma empresa investidora no Brasil. Fica um claro ar de arranjo:
Aqui ficamos sabendo, também, que a Sanud surgiu em 7 de novembro de 1990 e que quem assina por ela em Liechtenstein é o dr. Alex Wiederkehr, advogado criador de empresas que funcionam em uma caixa postal e servem de fachada para lavar dinheiro de origem suspeita ou desconhecida das autoridades.
Em seguida, a Sanud se torna sócia da RLJ no Brasil, mais precisamente em 28 de setembro de 1992.
Fast forward para 06/10/1994, na mais recente mudança societária registrada na Junta Comercial do Rio de Janeiro: quem assina pela Sanud é o irmão de Teixeira, aquele que lá atrás testemunhou o nascimento da RLJ Participações.
Nada disso é novidade — ou pelo menos não deveria ser — para investigadores ou jornalistas brasileiros.
Uma das CPIs que investigaram a CBF já tinha sentido o cheiro de lavanderia: a Sanud fez empréstimos à RLJ, registrados pelo Conselho de Controle das Atividades Financeiras (COAF), órgão ligado ao Ministério da Fazenda. Mas a RLJ nunca pagou de volta!
A novidade é que, quando a rede BBC denunciou Teixeira e João Havelange como destinatários da propina da International Sports Marketing (ISL), empresa que pagou para garantir contratos lucrativos com a FIFA, a emissora britânica teve acesso à lista com valores e datas dos pagamentos.
E quando foi o primeiro pagamento da ISL à Sanud, de 1 milhão de dólares?
10 de agosto de 1992.
Ou seja:
16 de maio de 1992, formada a RLJ;
29 de julho de 1992, Sanud passa procuração para Alberto Ferreira da Costa em Vaduz, já prevendo que a Sanud se tornaria sócia da RLJ Participações no Brasil;
10 de agosto de 1992, Sanud recebe a primeira propina listada pela ISL;
28 de setembro de 1992, Sanud se torna sócia da RLJ.
Também tivemos acesso à lista e fica claro que, à medida em que a Sanud recebia mais e mais dinheiro de propina lá fora, os investimentos da RLJ cresciam e cresciam no Brasil
O propinoduto da ISL foi documentado por um juiz-investigador da Suiça. A papelada foi trancafiada numa corte de Zug. Advogados de Teixeira e Havelange bloquearam a divulgação. Várias empresas jornalísticas querem acesso à papelada e estão tentando isso por via judicial.
O repórter Andrew Jennings, que fez a denúncia na BBC, acha que a FIFA está sob pressão de quem interessa… dos grandes patrocinadores, que não querem associar suas marcas a uma entidade agora conhecida por toda sorte de falcatruas. Isso sem falar na pressão política de governos como o da Inglaterra, que se julgou lesada ao perder o direito de sediar a Copa.
A rede de proteção de Havelange e Teixeira, lá fora, está se rompendo, como demonstra a decisão de Havelange de se afastar do Comitê Olímpico Internacional (COI) antes que fosse saído.
Mas, voltando aos documentos exibidos acima — que, repito, já são de conhecimento até do mundo mineral — o Amaury costuma ensinar que há quatro indícios claríssimos de lavagem de dinheiro: empréstimos ou investimentos vindos do Exterior, sem que a origem seja conhecida; o uso de parentes nos negócios relacionados aos ” investimentos” (no caso de Teixeira, o irmão, o filho e o sobrinho); empresas que recebem grandes quantias mas dão prejuízo (caso da RLJ, que gastou um montão de dinheiro sem dar retorno); sinais exteriores de riqueza.
O surpreendente, mesmo, é que Teixeira e a CBF tenham sido alvo de duas CPIs no Congresso — ambas resultaram em relatórios incriminadores — e que a gente continue falando sobre o mesmo assunto mais de uma década depois, sem maiores consequências.
Luiz Carlos Azenha
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Anvisa vai retirar do mercado dois tipos de agrotóxicos até 2013

O metamidofós e o endossulfan serão retirados do país, depois de estudos revelarem que a substância pode levar a coma, parada respiratória, infertilidade ou até morte; atualmente, mais nove agrotóxicos estão no processo de reavaliação
Até 2013, dois tipos de agrotóxicos serão banidos do mercado brasileiro por colocar em risco a saúde humana. Essas substâncias já são proibidas em países como os da Europa.
No Brasil, cabe à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidir se determinado agrotóxico deve ser banido por causar danos à saúde.
O metamidofós é um dos produtos que serão retirados do país. Depois de estudos revelarem que a substância pode alterar o funcionamento do sistema reprodutor, a vigilância sanitária decidiu que os agricultores brasileiros poderão utilizar o metamidofós somente até 30 de junho de 2012. O uso da substância – indicada para o controle de insetos, besouros, pulgas, minhocas, lagartas e outros bichos em plantações de algodão, batata, feijão e tomate – já foi proibido em países como a China e o Japão e na Comunidade Europeia. Estima-se que agricultores brasileiros tenham gasto cerca de US$ 15,8 milhões com a importação do produto somente em 2008.
Estudos toxicológicos nacionais e estrangeiros, citados pela Anvisa, mostram que a exposição e o consumo de alimentos contaminados pela substância podem provocar vômito, diarreia e intoxicação aguda que pode levar a quadros de coma, parada respiratória, infertilidade ou até a morte.
O endossulfan será banido a partir de agosto de 2013. Aplicado como inseticida em lavouras de algodão, café, cana-de-açúcar e soja, pode desregular os sistemas reprodutivos e endócrinos em trabalhadores rurais e na população. É facilmente absorvido quando em contato com a pele.
No parecer em que determina o fim do uso do produto, a Anvisa lembra que um vazamento de 8 mil litros de endossulfan, há quatro anos no Rio Paraíba do Sul, no estado do Rio de Janeiro, resultou na morte de diversas espécies de peixes.
A última substância banida pela Anvisa foi a cihexatina, que teve o uso proibido em novembro. A substância era usada na produção de maçã, morango, pêssego, café e berinjela. Pesquisas em laboratório sugerem que o agrotóxico não é seguro para trabalhadores e consumidores, podendo desencadear má-formação do feto e afetar a pele, os pulmões, a visão, o fígado e os rins.
O registro que autoriza o uso dessas substâncias no país é concedido pelo Ministério da Agricultura. Antes, a Anvisa faz uma avaliação sobre o impacto à saúde, e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) avalia as consequências ao meio ambiente.
A partir de novos estudos e dados toxicológicos, a agência faz uma revisão para definir se o produto pode ou não continuar no mercado. A cada ano, a vigilância sanitária faz um levantamento de resíduos de agrotóxicos em alimentos coletados em todos os estados do país, que serve como indicativo para a continuidade ou não de um determinado produto.
A retirada de um produto do mercado, na maioria das vezes, não é bem recebida pelos fabricantes e produtores rurais, que recorrem à Justiça para manter o uso da substância.
Apesar de reconhecer que a utilização do agrotóxico é necessária para a competitividade da produção agrícola brasileira no mercado mundial, o diretor da Anvisa, Agenor Álvares, argumenta que o impacto na saúde não pode ser deixado em segundo plano.
“O agrotóxico é um mal necessário para um país como o Brasil, mas temos que ter o máximo de segurança possível para saber os efeitos que possam ter na saúde da população”, disse o diretor. “Já houve situações em que minimizamos a questão da retirada ou não em função de necessidade da agricultura ou de não ter prejuízo ao meio ambiente. Em alguns casos [como o metamidofós], não tem mais sentido ficar aqui”, acrescenta.
Atualmente, mais nove agrotóxicos estão no processo de reavaliação – a maioria deles já é proibida em outros países. A agência não tem data para concluir o trabalho.
A lista com os dez alimentos com mais amostras contaminadas com resíduos de agrotóxicos é a seguinte:
1) pimentão
2) morango
3) pepino
4) cenoura
5) alface
6) abacaxi
7) beterraba
8) couve
9) mamão
10) tomate
No Agência Brasil
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Coisas que acontecem na internet a cada 60 segundos

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Revista Veja mais uma vez estampa em suas páginas mentiras e calúnias contra Zé Dirceu

Em reportagem intitulada “A trama dos falsários”, a revista afirma que parlamentares do PT de Minas teriam participado da criação da chamada “lista de Furnas”, que conteria nomes de parlamentares, principalmente ligados ao PSDB e ao DEM, supostamente beneficiados por doações ilegais nas eleições de 2002.
Uma foto minha ocupa toda a página inicial da matéria. Não tenho relação com o caso. Apenas os leitores que chegarem ao último parágrafo encontrarão menção a mim, quando a revista afirma que tive encontros com o William dos Santos, advogado de Nilton Monteiro, autor da denúncia da “lista de Furnas".
A revista requenta ilações já feitas pela imprensa em 2009, respondidas por mim à época. Fui procurado, então, pelo advogado Wiliam Santos, que representava Nilton Monteiro. Ele queria que eu participasse da defesa de seu cliente. Disse-lhe taxativamente que não tinha tempo para tratar do assunto, nem interesse.
Omissões e agressões, práticas comuns da Veja contra mim
A revista, também, omite do leitor a informação de que na época a direção do PT agiu com cautela em relação às denúncias sobre a "lista de Furnas", pedindo investigações, inclusive sobre a autenticidade dos documentos.
Esse é mais um episódio na escalada de agressões que Veja tem praticado contra mim.
As seguidas tentativas da revista contra a minha imagem ganharam contornos criminais quando foi descoberto, em agosto pp., que o jornalista Gustavo Ribeiro tentou invadir o quarto do hotel no qual eu me hospedava em Brasília. Como era de se esperar, o crime virou caso de polícia e agora está na alçada da Justiça do Distrito Federal. O autor da reportagem desta semana é exatamente Gustavo Ribeiro.
A revista Veja ultrapassou todos os limites. O texto desta semana revela que além de atacar a minha biografia, o PT e os governos de Lula e Dilma, a revista busca me retaliar pelo processo contra Gustavo Ribeiro e influenciar o STF em relação ao meu julgamento. As tentativas não vão prosperar.
José Dirceu
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Angela Merkel lança novo Papai Noel

O novo Papai Noel levará presentes de jatinho à Bahia
EUROZONA - Devido à posição irredutível do Reino Unido, os líderes da Europa desistiram ontem de proibir o Natal deste ano. Em compensação, anunciaram a aposentadoria compusória, sem direito a pensão, do Papai Noel da Lapônia, que estava com o trenó repleto de títulos italianos e espanhóis. "Assinamos um acordo que transfere os presentes para o FMI e trataremos Papai Noel como um imigrante ilegal", explicou Nicolas Sarkozy. "Caso insista em pisar em Paris, confiscaremos o seu saco grande e vermelho".
A decisão provocou revolta em todo o Velho Continente. Peruas vestidas de árvore de natal ocuparam lojas de grife da Via Montelaponeone e sapatearam em cima de roupas de grife. Na Rue du Faubourg Saint-Honoré, patricinhas queimaram cartões de crédito e talões de cheque antes de tomarem champanhe no Ritz.
Para salvar a Europa do caos iminente, Angela Merkel aceitou a exigência do FMI e anunciou o lançamento de um novo Papai Noel para a Zona do Euro. "Trata-se de um grande empreendedor, de um país distante, que usa peruca, tem iate, leva políticos de jatinho à Bahia e investe em minerais de papel", explicou a chanceler teutônica. "Ficamos entre ele e o Bono Vox, mas prevaleceu o bom senso".
A mesma medida, porém, obriga as renas do Bom Velhino a serem substituídas por gregos. As renas, por sua vez, serão servidas nas ceias de Natal, de maneira a impedir as já tradicionais piadas com peru.
Irritado, o Papai Noel lapão alegou ser vítima de lobby para integrar sua fábrica de brinquedos ao PIB da Zona do Euro. "Tenho benefícios fiscais na Lapônia e uma operação logística super-azeitada, não faz sentido sucateá-la", disse ele. "Mas posso doar oito bonecas, dois carrinhos de controle remoto e doze gravatas chinesas para o Fundo de Estabilização Europeu". Em seguida, deu seu grito de guerra: "Ho! Ho! Ho!"
No Brasil, o capitão Bolsonaro e o blogueiro Romualdo Azeredo andaram de mãos datas de Brasília até a Basílica de Aparecida para denunciar a infiltração comunista no FMI.
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Sem Lei dos Meios de Comunicação, PIG engorda no Paraná

O Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCom), proprietário da Gazeta do Povo e das emissoras afiliadas à TV Globo no estado, adquiriu os jornais Tribuna do Paraná e O Estado do Paraná.
O negócio teria sido fechado entre 8 e R$ 15 milhões e também incluiu o portal de notícias Parana-Online.
A Tribuna do Paraná tem as mesmas características do extinto Notícias Populares, de São Paulo, que aborda violência e futebol na capital. Segundo consta, é o jornal de maior vendagem nas bancas.
O Estado do Paraná, depois de 60 anos, teve sua edição impressa extinta. O jornal existe somente na versão eletrônica e é publicado no portal Parana-Online — também comprado pelo GRPCom.
Os veículos pertenciam até então ao empresário e ex-governador do estado Paulo Pimentel, de 83 anos. O negócio compreende a operação dos três veículos, além do maquinário de impressão e o mobiliário das empresas.
Em 2007, Pimentel vendeu ao apresentador Carlos Massa, o Ratinho, quatro emissoras afiliados ao SBT ao preço de R$ 70 milhões.
A compra efetuada ontem pelo grupo GRPCom significa que foi dado um importante passo para a formação de um espetacular monopólio de mídia no Paraná.
A concentração da propriedade dos meios de comunicação de massa possibilita a ditadura da informação, a verdade e o pensamento únicos, a ausência do contraditório, enfim, representa um duro golpe na democracia.
Todos nós sabemos que os donos da mídia têm suas preferências políticas e muitas vezes seus veículos atuam como verdadeiros partidos sem, no entanto, estarem registrados na Justiça Eleitoral. Fingem uma imparcialidade que não existe.
Além das tevês abertas e fechadas, jornais, portais, o GRPCom possui emissoras de rádio AM e FM em todos os quadrantes do Paraná.
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Deputados do Rio aprovam liberação de R$ 5 milhões para evento católico

A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro aprovou uma emenda orçamentária de autoria de Myrian Rios (foto), 52 , do PDT, que destina R$ 5 milhões à organização e divulgação da Jornada Mundial da Juventude, um evento católico que ocorrerá em 2013, coincidindo com a visita ao Brasil de Bento 16. Parte do dinheiro será utilizada na preparação do Aterro do Flamengo para uma missa do papa. A estimativa é de que 2 milhões de jovens católicos de vários países estejam no Rio.
Myrian é do movimento carismático
Ex-mulher do cantor Roberto Carlos, Myrian é do movimento carismático da Igreja Católica. Em junho deste ano, ela foi alvo de críticas de usuários das redes sociais por ter afirmado em plenário que não contrataria homossexuais para cuidar de seus filhos por temer a ocorrência de abuso sexual.
O governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) terá de aprovar a emenda de Myrian, e não há nenhum indício de que ele vete o repasse da verba aos organizadores da jornada. Cabral não se arriscará a perder votos dos católicos, ainda que o dinheiro faça falta, por exemplo, ao precário sistema de hospitalar do Rio.
O deputado evangélico Édino Fonseca (PR) votou contra emenda porque, disse, o Estado por ser laico não pode financiar, ainda que em parte, um evento religioso.
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Folha 2006 desmente Veja 2011

A insuspeita Folha de S. Paulo, em matéria de 16 de junho de 2006 (matéria abaixo), informa sobre a validação da “Lista de Furnas” como autêntica, pela criminalística da Polícia Federal. Matéria de Veja, que chegou às bancas neste sábado aposta no esquecimento e na confusão, para desinformar. Segundo a revista semanal a “Lista de Furnas” é produto de uma fraude. A PF diz que não. Nesse caso, em quem você acredita?
São Paulo, sexta-feira, 16 de junho de 2006
Novo laudo da PF indica que lista de Furnas é autêntica
Assinados por ex-diretor da estatal, papéis citam campanhas de Alckmin e Serra entre beneficiárias; tucanos negam veracidade
Rubens Valente, Folha de S. Paulo
A Polícia Federal confirmou ontem a autenticidade da chamada “lista de Furnas”, documento de cinco páginas que registra supostas contribuições de campanha, num esquema de caixa dois, a 156 políticos durante a disputa eleitoral de 2002. No total, eles teriam recebido R$ 40 milhões.
Segundo a assessoria da direção geral da PF, em Brasília, perícia do INC (Instituto Nacional de Criminalística) concluiu que a lista não foi montada e que é autêntica a assinatura que aparece no documento, de Dimas Toledo, ex-diretor de engenharia de Furnas, empresa estatal de energia elétrica. A PF informou, contudo, que não tem como atestar a veracidade do conteúdo da lista. Os papéis citam empresas que teriam colaborado para um caixa dois administrado por Dimas Toledo.
Entre as campanhas eleitorais supostamente abastecidas pelo esquema estão as do então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, hoje candidato à Presidência pelo PSDB, do ex-prefeito de São Paulo José Serra (PSDB), atual pré-candidato ao governo paulista, e do atual governador mineiro, Aécio Neves (PSDB). As campanhas em 2002 teriam recebido, respectivamente, R$ 9,3 milhões, R$ 7 milhões e R$ 5,5 milhões. Tucanos negam.
Lobista
A perícia foi feita em papéis originais entregues à PF pelo lobista mineiro Nilton Monteiro, 49, que diz tê-los recebido das mãos de Dimas, no início de 2005, quando o então diretor de Furnas tentava convencer políticos de vários partidos a mantê-lo no cargo.
Acusado de calúnia por 11 deputados estaduais de Minas Gerais, Nilton Monteiro decidiu entregar em 5 de maio os originais aos delegados da PF de Brasília Luiz Flávio Zampronha, Pedro Alves Ribeiro e Praxíteles Praxedes, que conduzem as investigações.
Até então, a PF tinha em seu poder apenas uma cópia autenticada. A perícia na cópia, também feita pelo INC, apontou indícios de montagem e fraude.
Dimas Toledo, que exerceu a diretoria entre 1995 e 2005, até a denúncia de caixa dois feita à Folha pelo ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), sempre negou ter assinado os papéis (leia texto nesta página).
“Ele assinou [a lista] na minha frente. Ele me usou até um determinado momento, depois me abandonou”, disse ontem Monteiro. O lobista afirma ter se aproximado de Dimas em 2004 por ser, à época, procurador da empreiteira JP Engenharia. A empresa estava interessada em assinar um contrato com Furnas em torno de um projeto de infra-estrutura que havia sido suspenso pela diretoria de engenharia.
Segundo o lobista, Dimas contou que havia uma ação nos bastidores para tirá-lo do cargo e, por isso, pediu-lhe ajuda para fazer um trabalho de lobby com políticos de vários partidos.
O lobista afirmou que, no início de 2005, Dimas fez quatro cópias da lista. Os supostos destinatários das cópias, sempre segundo Monteiro, seriam Aécio Neves, Roberto Jefferson, o presidente do PMDB, Michel Temer, e o então presidente do PSDB, Eduardo Azeredo.
Mas as cópias não chegaram a ser entregues, segundo Monteiro. Ele diz que o original ficou com uma pessoa ligada a um escritório de advocacia do Rio. “Ela ficou como guardiã dos documentos até agora.”
Minas Sem Censura
No Viomundo
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Charge online - Bessinha - # 931

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Exclusivo: Amaury Jr se encontra com José Serra

Serra mostra o que pretende fazer com Amaury Jr
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Datafolha: Kassab é um espanta eleitor

Pesquisa traz série de más notícias para o tucano-kassabismo
Nome mais viável do PSDB, José Serra é também o campeão de rejeição, o que mantém dilema no partido
A pesquisa Datafolha publicada hoje traz uma série de más notícias combinadas para PSDB e PSD, que venceram as duas últimas eleições para a Prefeitura de São Paulo.
A primeira delas é que o nome mais viável para uma eventual aliança entre os dois partidos, o do ex-governador e ex-prefeito José Serra, é também o campeão de rejeição - o que torna arriscado apostar no sucesso dessa eventual saída, que hoje, o próprio Serra descarta.
A segunda é que, sem Serra, todos os nomes colocados na praça tanto entre os tucanos quanto entre os aliados do prefeito são "japoneses": pontuam no máximo 6%, patamar de Bruno Covas.
O terceiro revés no caminho da aliança é a altíssima taxa de rejeição do prefeito Gilberto Kassab. Além de ter voltado ao patamar de 40% de ruim e péssimo, Kassab é, hoje, um espanta-eleitor: 49% dizem que o apoio do prefeito seria razão para não votar em um candidato.
Por fim, para coroar o cenário ruim para o tucano-kassabismo, o ex-presidente Lula aparece na pesquisa como o grande eleitor em São Paulo - cidade onde o PT não vence desde o segundo turno de 2002, com o próprio Lula.
A única variação significativa fora da margem de erro entre as pesquisas de setembro e a atual, aliás, é esta: subiu de 40% para 48% o número de entrevistados que dizem que poderiam votar num nome indicado por Lula.
Não bastasse isso, o maior padrinho do PSDB, Geraldo Alckmin, não tem o mesmo peso, além de ter sua influência em curva descendente.
Tanto tempo antes da eleição, nenhum desses prognósticos é definitivo. O maior impacto da pesquisa deve ser, portanto, sobre a costura de candidaturas e alianças.
Serra continuará sendo pressionado a ser candidato, pelo fato de ser o mais bem posicionado no grid.
Mas a alta rejeição deve servir de combustível aos que pregam a renovação no partido, além de agir como fator refratário para que ele aceite uma candidatura para a qual já disse não estar disposto.
LULODEPENDÊNCIA
No PT, a boa notícia é o alto cacife de Lula e, em menor escala, de Dilma na eleição.
Se havia dúvida de que o ex-presidente se empenharia na sucessão, o cancelamento das prévias e a aclamação de Fernando Haddad trataram de dissipá-la.
Resta saber se empenho e potencial de transferência farão de Haddad-2012 o que foi Dilma-2010. O ministro "mesmo na mídia há seis meses e sem rivais internos- por ora não é menos "japonês" que seus adversários".
Sua candidatura ainda não conquistou nem os simpatizantes do PT, o que mostra que precisará de doses cavalares de Lula na veia.
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Serra se movimenta e confunde tucanos

O que quer José Serra?, passaram a questionar políticos de diferentes concepções ideológicas nas últimas semanas, quando tucanos alimentaram os bastidores políticos com informações de que o ex-governador já aceitaria disputar a Prefeitura de São Paulo em 2012.
As movimentações políticas recentes de Serra confundiram o cenário eleitoral e levaram setores do próprio PSDB a considerarem a entrada dele na disputa, como forma de recuperar parte do espaço político perdido na esteira da derrota da eleição de 2010.
Conforme pesquisa Datafolha divulgada ontem, ele é o tucano mais bem posicionado até agora e lidera um dos cenários com 18% das intenções. Porém, a rejeição ao nome dele aumentou e atingiu 35%. Serra, no entanto, continua avesso à ideia de ser candidato a prefeito. E suas articulações políticas ainda têm como alvo a candidatura presidencial - e não a municipal.
O ex-governador voltou a explicitar isso na semana passada ao ser questionado, mais de uma vez, por jornalistas, amigos e colaboradores políticos. "Dessa vez, ele não vai. Basta ver que não demonstra nenhum interesse pelos assuntos da Prefeitura", afirmou um aliado de Serra.
O tucano ainda trabalha para pavimentar o caminho que o projete no cenário nacional. Na semana passada, foi a Goiás, onde se encontrou com o governador tucano Marconi Perillo e com a juventude do PSDB. Nos últimos meses, passou pela Paraíba, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em todas as viagens, reforçou o discurso oposicionista, com o foco na economia.
Há mais de uma semana, articulou palestras de colaboradores da época em que foi prefeito e governador. A plateia era formada basicamente por pré-candidatos de fora do circuito paulista, evidenciando a tentativa de fortalecer os laços com quadros de outras regiões de seu partido.
Julia Dualibi
No O Estado de S.Paulo
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