10 de dez de 2011

Oposição pede criação de CPI para investigar denúncias de Amaury Ribeiro Jr

Os três patéticos
Os senadores do DEMo, Agripino Maia e Demóstenes Torres e Álvaro Dias, do PSDB, reivindicaram hoje a abertura de uma CPI para investigar as denúncias contidas no livro "A Privataria Tucana", do jornalista Amaury Ribeiro Jr, lançado nesta sexta-feira (9).
No Aposentado Invocado
Leia Mais ►

O porquê de FHC cancelar o lançamento de seu livro

Próxima data para lançamento está prevista para dezembro de 2091
No Terra Brasilis
Leia Mais ►

Serra tenta comprar estoque de livro-bomba

Ex-governador ligou para a loja da Livraria Cultura no Conjunto Nacional, em São Paulo, para reservar todo o estoque; o pedido foi negado, mas os 50 exemplares chegaram e foram vendidos na noite de sexta-feira
O ex-governador José Serra telefonou ontem à noite para a loja da Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo, pedindo para reservar todos os 50 exemplares do livro "Privataria Tucana", do jornalista Amaury Ribeiro Júnior, que tinham acabado de chegar. O pedido foi negado, segundo uma fonte da livraria que preferiu não se identificar. Mas os livros sumiram das prateleiras da loja mesmo assim. Foram todos comprados ontem mesmo. "O Serra ligou ontem à noite pedindo para reservar, porque ele iria comprar todos", disse a fonte. "Foi ele mesmo quem ligou, mas nós não pudemos reservar. A gente quer vender o livro e parece que ele quer vetar a venda".
A funcionária assinalou que é esperada a chegada de mais exemplares na segunda-feira, após as 14h, à loja da Avenida Paulista. Mas a disponibilidade do polêmico livro não é garantida, mesmo para quem ligar reservando, como muitos já estão fazendo, segundo ela. "Não é garantido que receberemos mais lotes, porque se ele (Serra) pedir para a editora não vender, também não receberemos mais."
Na tarde de sábado, ainda havia alguns exemplares em outras lojas da rede, informou a vendedora. Mas eles não deveriam durar até o fim do dia. "O estoque está muito dinâmico, hoje de manhã vi 50 em outra de nossas lojas, e agora só restam 12", assinalou.
Lançado ontem pela Geração Editorial, do jornalista Luiz Fernando Emediato, "Privataria Tucana" traz revelações importantes sobre a era das privatizações, expõe o tráfico de influência comandado por Serra e revela ainda como uma guerra interna no ninho tucano deu origem a toda essa história.
Ex-repórter do Estado de Minas, que tentava emplacar Aécio Neves como presidenciável, Amaury recebeu a encomenda de investigar a vida de José Serra. O resultado está nas 343 páginas do livro.
Leia Mais ►

A petição do MPF contra Serra e Preciado

AÇÃO CAUTELAR
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA PROMOVIDA PELO MPF (MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL) CONTRA 18 ACUSADOS ENTRE ELES O TESOUREIRO (ARRECADADOR) DAS CAMPANHAS DE SERRA E FHC EM ELEIÇÕES ANTERIORES, PRIMO, AMIGOS, SÓCIOS E EMPRESAS DE JOSÉ SERRA.
4a. VARA FEDERAL DE BRASÍLIA
PROCESSO NÚMERO: 2002.34.00.029731-6
PODE SER CONSULTADO NO SITE OFICIAL DA JUSTIÇA FEDERAL DE BRASÍLIA:
ABAIXO EXTRATOS DA PETIÇÃO INICIAL (são mais de 200 páginas) DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL – 1a. PARTE:
Réus:
1- RICARDO SÉRGIO DE OLIVEIRA – ex-diretor da Área Internacional do BB de1995-1999
Preciado
2- GREGÓRIO MARIN PRECIADO – empresário, casado com a prima irmã do Serra
3- VLADIMIR ANTÔNIO RIOLI – empresário, ex-diretor do Banespa e sócio deSerra
4- PAULO CESAS XIMENES ALVES FERREIRA – presidente do BB de 1995-1999
5- CLÁUDIO NESS MAUCH – ex-diretor de Fiscalização do Banco Central
6- JOSÉ PINTO DOS SANTOS NETO – ex-chefe da Audit – Auditoria Interna do BB de 1995-1999
7- ÉDSON SOARES FERREIRA – ex-diretor de Crédito Geral do BB
8- LUIZ FERNANDO DE AZEVEDO BONFIM – chefe de Auditoria Interna do BB
9- RONALDO DE SOUZA – empresário
10- GREMAFER COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA – de Marin (primo do Serra)
11- ACETO VIDROS E CRISTAIS LTDA – de Marin (primo do Serra)
12- RIVOLI PARTICIPAÇÕES S/A, incorporada pelo Grupo LA FONTE PARTICIPAÇÕES S/A – de Carlos Jereissati
13- LA FONTE TELECOM (GRUPO LA FONTE)
14- PLANEFIN – SERVIÇOS, ASSESSORIAS, PLANEJAMENTO, ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/C LTDA
15- CONSULTATUM S/C LTDA
16- ANTARES PARTICIPAÇÕES LTDA – de Ronaldo de Souza
17- ANTAR VENTURES INVESTIMENTOS LTDA – Ilhas Virgens Britânicas – Caribe (de Ronaldo de Souza)
18- I141 PARTICIPAÇÕES – de Carlos Jereissati
“Vale a pena frisar que cada afirmativa nesta ação é fundada num documento anexado. A fonte dos documentos do MPF foi principalmente Varas Judiciais (especialmente a 8ª. Vara Cível de São Bernardo do Campo, SP); Cartórios de Notas, de Registro Civil de Pessoas Jurídicas e de Registro de Imóveis e ainda Juntas Comerciais. A descrição dos fatos tem amparo em amplas provas documentais.
(…)
Os réus são suspeitos de atos gravíssimos de improbidade administrativa.
(…)
Os fatos suspeitos principais envolvem principalmente a atuação do Sr. RICARDO SÉRGIO DE OLIVEIRA, como agente público federal no Banco do Brasil, como beneficiário de atos ilícitos e como suspeito de enriquecimento ilícito e mesmo depropina
(…)
Vejamos um apanhado geral dos fatos desta ação:
a) há sinais de enriquecimento ilícito, em total desproporção ao rendimento normal, ou seja, de locupletamento de empresários graças a atos ilícitos praticados por Diretores que também apresentam sinais claros de enriquecimento ilícito;
b) dentre os atos ilícitos cometidos pelos agentes públicos federais que ocupavam cargos no Banco do Brasil e controlavam a PREVI, existe uma sériede novações (rolagens de dívidas) e de perdões que beneficiaram pessoas ligadas politicamente ao Sr. RICARDO SÉRGIO, sendo que os benesses ilícitas podem chegar a mais de cem milhões de reais;
c) envolvendo os mesmos agentes públicos federais, houve a ajuda do Banco do Brasil e do Fundo de Pensão controlado pelo Banco do Brasil (PREVI) emvárias privatizações suspeitas (VALE DO RIO DOCE, SISTEMA TELEBRÁS e Companhias de Eletricidade, como a COELBA, a CELPA e a COSERN). Estas ajudam totalizam vários bilhões de reais; e
d) há ainda suspeitas de propina, que também é considerada ato de improbidade.Estas suspeitas decorrem de um conjunto de indícios veementes (evidências probatórias), inclusive a declaração pública de Ministros de Estado. Somente podem ser elucidadas com os pedidos de liminares desta ação. Esta é uma ação decaráter investigatória, que visa obter provas para o ajuizamento das ações deimprobidade definitivas.
Para não tumultuar a ação com um número muito grande de réus, somente foram incluídos no pólo passivo as pessoas objeto de liminares ou sobre as quais o MPF já tem provas robustas sobre o cometimento de atos ilícitos (…).
As suspeitas de improbidade mais documentadas desta ação seguem descritas a seguir, de forma resumida. Os outros atos serão descritos em capítulos próprios, mais adiante.
Em 1993, as empresas ACETO VIDROS LTDA e GREMAFER COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA – de propriedade do Sr. GREGÓRIO MARIN – realizaram empréstimos na agência Rudge Ramos, do Banco do Brasil, em São Bernardo do Campo/SP.
O Sr. GREGÓRIO MARIN PRECIADO era sócio destas empresas e foi também o avalista da operação. O empréstimo não foi pago: houve rolagens indevidas. Juridicamente, estas rolagens são novações equivalentes a novos empréstimos. Foram novos empréstimos ilícitos, pois não é possível obter novos recursos para pagar juros de empréstimos anteriores, sem amortizá-los e sem garantias suficientes. Além das novações ilícitas, houve dois perdões indevidos, totalizando cerca de R$ 73.719 milhões de reais. E houve também desídia por permitirem a venda de bens com ações de arresto já ajuizadas e desídia por não ajuizarem ação pauliana para recuperar o imóvel.
Os R$ 73.719.000,00 decorrem da soma de U$ 17 milhões de dólares em 1995 e R$ 57 milhões em 1998. Estas somas, atualizadas (nota: até 2002) – ou corrigidas pelo dólar -, ultrapassam em muito o valor de R$ 100 milhões de reais.
Em nota à imprensa, o Sr. GREGÓRIO MARIN PRECIADO chega a dizer que a dívida tinha alcançado o valor de U$ 140 milhões (cento e quarenta milhões de dólares), depois reduzida a R$ 4,114 milhões ( quatro milhões, cento e catorze mil reais).
(…)
Eis um resumo cronológico dos fatos, com base nas reportagens do jornal Folha deSão Paulo (não de agora), que descreve as operações financeiras ímprobas e ilícitas:
1993 – O início do empréstimo
As firmas GREMAFER e ACETO, empresas de GREGÓRIO MARIN PRECIADO , tomam um empréstimo no valor equivalente a US$ 2,5 milhões do Banco do Brasil, na agência de Rudge Ramos, em São Bernardo do Campo (SP).
Quando houve a liberação, a GREMAFER já devia um valor maior.
“Houve considerável saldo remanescente, que passou a ser renovado sem nenhuma amortização”, como foi noticiado.
1994 – A primeira renegociação
Como a GREMAFER e a ACETO não conseguiam pagar as dívidas, foi feita uma composição. Isso ocorreu em maio de 94, com as empresas dando imóveis como garantia. Apesar da recomposição, a única parcela paga do acordo ocorreu em outubro de 94, referente à dívida da ACETO.
A GREMAFER não pagou nada. Não fez desembolsos.
Não pagavam a dívida ao Banco do Brasil, mas, mesmo endividadas na praça e inadimplentes com o Banco do Brasil, estas duas firmas de GREGÓRIO MARIN PRECIADO – a GREMAFER e a ACETO – encontraram fôlego para um gasto extra: juntas, fizeram uma doação de R$ 62.442,82 à campanha do Sr. JOSÉ SERRA ao Senado, m 1994.
Da mesma forma, permitiram que o Sr. JOSÉ SERRA usasse o prédio da GREMAFER como comitê de campanha nas eleições de 1994 e 1996.
1995 – A venda do terreno
Em 25 de julho de 1995, o Banco do Brasil entra na Justiça pedindo o arresto dealguns bens do Sr. GREGÓRIO MARIN PRECIADO , inclusive o terreno no Morumbi que o empresário possuía com o Sr. SERRA, desde 13.fev.81.
O BANCO DO BRASIL ajuizou ação de arresto datada de 17 de julho e protocolada em 25 de julho de 1995.
A informação vazou e, nesse meio tempo, os senhores MARIN e SERRA venderam o terreno por R$ 140 mil em 19 de setembro de 1995.
A escritura de compra e venda foi lavrada no dia 1º de setembro de 1995 no 4º Tabelião de Notas de Osasco.
A transferência foi registrada no 15 º Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo no dia 19 de setembro de 1995. Somente a data do registro no Cartório de Imóveis tem importância jurídica, pois é o ato que transfere a propriedade do imóvel.
O Banco do Brasil demorou a promover o arresto, o auto do arresto somente foi realizado em outubro de 1995. Então, já era tarde, pois o SR. GREGÓRIO alegou ter feito uma venda, sem registro no Cartório de Registro de Imóveis, em abril de 1995.
No entanto, de forma suspeitíssima, somente teria registrado a venda no Cartório de Registro de Imóveis no dia 19 de setembro de 1995.
Também chama a atenção o fato de a escritura ter sido lavrada no dia 1º desetembro de 1995.
Em resposta enviada ao jornal Folha de S. Paulo, o Sr. José Serra justifica que a escritura fora lavrada somente em setembro porque a venda tinha sido parcelada em quatro vezes mais um sinal e o pagamento só teria terminado em agosto de 1995 e que há “um instrumento de compra e venda´´, apenas com firma reconhecida.
Ora, a se considerar como verdadeiras as alegações do SR. JOSÉ SERRA, estamos diante de uma operação esdrúxula.
Nas operações normais de venda de imóveis, mesmo quando o pagamento é parcelado, é lavrada escritura assim que o negócio é fechado, mesmo que não tenham sido pagas todas as parcelas. Para isso foi criado o instituto da hipoteca, ou seja, a venda a prazo ocorre com a transferência do domínio e sobre o imóvel fica incidindo uma hipoteca. É assim que as partes resguardam seus direitos.
O comprador do terreno foi uma empresa, a Alfons Gehling & Cia.
Esta empresa é uma pequena imobiliária, sem sequer um site na Internet, com sede em Diadema, pelo que foi possível levantar na lista telefônica.
Outro ponto que chama atenção na explicação do SR. JOSÉ SERRA é o fato de sustentar que vendeu um terreno no luxuoso bairro do Morumbi, onde está sendo planejada a construção de um prédio de 12 andares, com dois subsolos, por R$ 140 mil, com um sinal e quatro prestações.
Um documento que consta do processo de número 1.162,95, o processo da execução das dívidas das empresas do Sr. Gregório MARIN, que tramita na 8º Vara Cível de São Bernardo do Campo, revela um fato grave.
No dia 11 de setembro de 1995, portanto, oito dias antes do Sr. Gregório MARIN e o Sr. José Serra registrarem o contrato de venda, datado de 01 de setembro de 1995, que foi registrado no dia 19 de setembro, o Banco do Brasil pediu prazo de 15 dias ao Juíz para que fosse cumprido o mandato de arresto, porque os executados estavam fugindo.
O fato é que GREGORIO MARIN só foi notificado em outubro, tarde demais.Com o terreno já vendido, o Banco do Brasil então vai à Justiça, tentando fazer, de forma inócua, o arresto em outubro de 95. Já era tarde, pois o Sr. GREGÓRIO alegou ter feito uma venda, sem registro no Cartório de Registro de Imóveis, em abril de 1995.
Uma importante garantia foi assim levantada, beneficiando o Sr. GREGÓRIO e o Sr. SERRA. Este ponto foi tratado nas auditorias – serão especificadas adiante – e, com as mesmas, será possível verificar se há responsabilidade do Sr. SERRA. Ficando melhor esclarecido, o mesmo poderá inclusive ser objeto da ação principal.
1995 – Recomposição e dinheiro novo (nota: novo empréstimo)
Apesar do péssimo histórico das duas empresas, em 08 de novembro de 1995, a Diretoria do Banco do Brasil em Brasília aprova uma nova recomposição de dívidas para MARIN .
O economista RICARDO SÉRGIO fazia parte da Diretoria. Sendo o Diretor de Relação Internacional, e sendo as operações realizadas com base em recursos captados no exterior, sua pasta tinha a primazia na decisão.
- Segundo o jornal Folha de São Paulo, “antes de a diretoria do BANCO DO BRASIL receber a documentação sobre o caso de MARIN, a equipe do banco em São Paulo é freqüentemente informada de que o caso interessava a RICARDO SÉRGIO”.
A GREMAFER devia R$ 28.248.911,78.
A ACETO, R$ 8.823.780,53.
Pelo acordo firmado, a dívida de ambas caiu para R$ 15.917.233,24 e R$ 4.702.052,65.
A REDUÇÃO FOI DE R$ 16.453.406,01
Além disso, houve dinheiro novo (nota: novo empréstimo).
A Gremager ganhou o equivalente a US$ 2 milhões.
A ACETO, o equivalente a US$ 800 mil
Além da redução, as duas empresas de GREGÓRIO MARIN foram contempladas com um novo empréstimo no total de US$ 2,8 milhões.
1995 – Anuência da Diretoria do BANCO DO BRASIL
- O caráter inusitado da operação e a anuência da Diretoria foi constatado pelo então superintendente estadual do BANCO DO BRASIL em São Paulo, Wolney B. Ferreira.
Este assinou, em 27 de novembro de 95, uma carta para a presidência do banco, em Brasília.
Começa com o seguinte titulo sugestivo: “OPERAÇÕES EM CURSO ANORMAL GREMAFER Com. Imp. Ltda. e ACETO Vidros e Cristais Ltda.”
Este texto, por informações obtidas, consta nas auditorias que serão especificadas.
1998 – Mais uma recomposição.
- A “Súmula de Operações Anormais Unidade de Recuperação de Crédito (URC) de SBC SP 98/0 13”, de 28.out.98 e o “Recup PT 98/908”, de 06/11/98 afirmam que a dívida total da GREMAFER e da ACETO com o Banco do Brasil já havia atingido R$ 61,380 milhões, por conta da capitalização dos juros e inadimplência.
NOVO PERDÃO É CONCEDIDO: R$ 57,266 MILHÕES.
A DIVIDA CAI DE R$ 61,380 MILHÕES PARA R$ 4,114 MILHÕES
2002 – Valor atual (nota: 2002 data da propositura desta ação cautelar)
O último valor disponível para a GREMAFER é de 25/04/2002:
R$ 3.142.937,30.
A empresa está contestando o valor na Justiça e não paga – Não há valor disponível para a dívida atualizada da ACETO.
Como será visto adiante, há um conjunto de fatos indiciários que tornam os perdões mencionados ainda mais suspeitos.
Por exemplo, a empresa GREMAFER foi também agraciada por empréstimos de vários milhões junto ao BANESPA, quando o Sr. RIOLI controlava tais operações no Banco do Brasil. No Banespa, operava o Sr. VLADIMIR ANTÔNIO RIOLI, que foi sócio do Sr. SERRA numa firma de consultoria, como vice-presidente de operações. E, novamente, um sócio do Sr. SERRA beneficiou a firma GREMAFER.
A firma do Sr. SERRA e do Sr. VLADIMIR RIOLI, denominada CONSULTORIA ECONÔMICA, não foi declarada à Justiça Eleitoral, em 1994, pelo Sr. SERRA. Da mesma forma, o Sr. SERRA não declarou à Justiça Eleitoral, em 1994, em 1996 e neste ano (nota 2002), a empresa ACP Ltda, que funcionava no prédio do Sr. GREGÓRIO MARIN PRECIADO .
Ocultar estas empresas também implicava em ocultar as relações entre o Sr. JOSÉ SERRA com o Sr. GREGÓRIO MARIN PRECIADO e com o Sr. VLADIMIR ANTÔNIO RIOLI.
Existiam ligações políticas, de parentesco e de negócios entre o Sr. RICARDO SÉRGIO (então Diretor de Relações Internacionais no Banco do Brasil), o Sr. JOSÉ SERRA (então Ministro do Planejamento), o Sr. VLADIMIR ANTÔNIO RIOLI (Vice-Presidente e Diretor de Operações no BANESPA) e ainda com o Sr. GREGÓRIO MARIN PRECIADO . Estas ligações tornam bastante suspeitas estas operações. Além de ilícitas, teriam como fonte o favorecimento político. Os fatos indiciários seguem narrados, com mais detalhes, mais adiante.
Leia Mais ►

A Privataria Tucana: conheça Ricardo Sérgio de Oliveira

Provavelmente, Fórum foi a única revista brasileira a dedicar uma capa a Ricardo Sérgio de Oliveira, um dos personagens principais do livro de Amaury Ribeiro Jr, A Privataria Tucana.
Releia a matéria e conheça melhor o personagem. Aproveito este post pra informar que quem assinar a Fórum neste mês ganha um livro do Amaury. Saiba mais sobre a promoção acessando o banner na home da revista.
Revista “Forum”, março/2006
Enquanto o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) fazia pose de estadis­ta e chamava a ética do PT de corrupta na capa da revista IstoÉ de 8 de fevereiro, uma pequena nota no pé da quinta e última página da seção “A Semana” passava facilmente des­percebida até mesmo para os leitores mais atentos. Embaixo de três notas necrológicas, o pequeno texto infor­mava: “Condenados a 11 anos de pri­são pela 12ª Vara Federal do Distrito Federal o ex-presidente, do Banco do Brasil Paulo César Ximenes e seis ex­-diretores dessa instituição. Eles foram acusados de gestão temerária devido a irregularidades em empréstimos fei­tos à construtora Encol entre 1994 e 1995. Na quarta-feira 1″.
Assim como IstoÉ, a grande im­prensa não deu muita bola para o caso. Veja, por exemplo, considerou a condenação de toda uma diretoria do maior banco público do país nada importante e não dedicou uma linha a respeito do assunto. Os sete condenados formavam a diretoria colegiada do Banco do Brasil entre 1995 e 1998, com Ximenes no comando da instituição. Período que coincide com o primeiro mandato de FHC. Eles foram condenados em pri­meira instância por nove atos que caracterizam crimes de gestão temerária e de desvio de crédito ao emprestar dinheiro para a construtora Encol, que faliu em seguida e prejudicou mi­lhares de mutuários. Os acusados foram considerados responsáveis, entre outros crimes, por aceitar certificados de dívida emitidos ilegalmente pela construtora e por prorrogar sistematicamente ope­rações vencidas e não pagas.
O homem-bomba
A condenação de toda a diretoria colegiada do Banco do Brasil no pri­meiro mandato de FHC é a menor das preocupações do PSDB. O mais atemorizante é que, entre os condenados, um personagem se destaca. Trata­-se do já conhecido Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor da área interna­cional do banco.
O economista ganhou notoriedade durante as privatizações promovidas por Fernando Henrique Cardoso, especialmen­te nos, casos da Companhia Vale do Rio Doce (ver matéria na página 12) e do sistema Telebrás, dois dos maiore negócios do mundo. Em 1998, no episódio conhecido como “Grampo do BNDES”, Ricardo Sérgio foi desta­que ao ser flagrado confessando como agiam ao costurar negócios para o leião das teles: “no limite da irresponssabilidade”.
Caixa das campanhas de José Serra (1990 a 1996) e de Fernando Henrique (1994 e 1998), Ricardo Sérgio está envolvido em denúncias que vão desde pequenos problemas com a Receita Federal até a suposta cobrança de uma propina de R$ 15 milhões do empresário Benjamin Steinbruch, para favorecê-lo no leilão da Vale e prejudicar os fundos de pensão dos funcionários de estatais. O empresário teria dito, à época, que estava convencido de que Ricardo Sérgio falava em nome do PSDB e decidiu pagar a propina. O assunto foi destaque nas três maiores revistas de circulação nacional na segunda semana de maio de 2002. Veja e Época afirmavam que parte da propina de R$ 15 milhões, que teria sido cobrada em 1996, foi efetivamen­te paga. As duas revistas confirmaram o pagamento com empresários e inte­grantes do conselho de administração da Vale do Rio Doce, que preferiram preservar sua identidade. Veja ainda teria confirmada a história com dois tucanos de alta plumagem, a seguir o trecho da matéria:
“Veja conversou com dois empre­sários que ouviram o relato de Stein­bruch. ‘Ele me disse que se sentia alvo de um achaque’, conta um dos em­presários. O outro, que trabalha no setor financeiro, diz algo semelhante: ‘Naquele tempo, Benjamin andava por aí feito barata tonta, sem saber se pagava ou não’, afirma. Na sema­na passada, Veja obteve depoimentos formais que confirmam a história. A particularidade desses depoimentos é que eles são dados por expoentes da política brasileira. Um deles é de Luiz Carlos Mendonça de Barros, que presidiu o BNDES durante o processo de venda da Vale, e depois assumiu o Mi­nistério das Comunicações. Acabou perdendo o emprego quando estou­rou o escândalo das fitas da privatiza­ção das teles. A outra autoridade é o ministro da Educação, Paulo Renato de Souza. Ambos são tucanos”.
A mesma Veja, sim a Veja, ainda explicou: “Ricardo Sérgio não caiu de pára-quedas no chamado ninho tuca­no. Ele foi apresentado a José Serra e a Fernando Henrique Cardoso pelo ex-ministro Clóvis Carvalho. Em 1990, José Serra candidatou-se a de­putado federal e não tinha dinheiro para fazer a campanha. Clóvis Carva­lho destacou quatro pessoas para aju­dá-lo na coleta. Um deles era Ricardo Sérgio. Em 1994, Serra se candidatou ao Senado por São Paulo, e Ricardo Sérgio voltou a ajudá-Io como coletor de fundos de campanha. A última dis­puta da qual Serra participou foi para a prefeitura de São Paulo, em 1996. Depois, o senador não mais concor­reu em nenhuma outra eleição, até a deste ano (2002). Ricardo Sérgio também foi uma das pessoas acio­nadas para arrecadar contribuições para a campanha presidencial de Fer­nando Henrique Cardoso, em 1994. O mesmo aconteceu na reeleição de FHC, em 1998. Na função de coletor de contribuições eleitorais, Ricardo Sérgio era muito bem-sucedido”.
Na semana seguinte, a reportagem explosiva de Veja era comentada pelo então professor da USP Bernardo Ku­cinski que dizia não entender o “furor ínvestigativo” da revista e questionava: “Mera reação à concorrência? Retalia­ção patrimonialista? Ou, o mais prová­vel: uma ação operada a partir de fra­tura no interior do bloco de poder”.
Já a revista IstoÉ relatou na edição da mesma semana um novo caso sus­peito envolvendo o ex-diretor do BB. Ricardo Sérgio teria encabeçado um esquema que teria trazido de volta ao Brasil, em 1992, “US$ 3 milhões sem procedência investidos nas Ilhas Cayman, paraíso fiscal do Caribe”. Ele te­ria conseguido vender no mercado in­ternacional títulos da empresa Calfat, numa transação feita por intermédio do Banespa, quando a instituição ainda pertencia ao governo de São Paulo. Com tantas suspeitas – potencial­mente explosivas pairando sobre o cai­xa tucano, a sua condenação no caso dos empréstimos da Encol feitos pelo BB pode ser apenas a ponta do iceberg.
Grampo revela armações
A nomeação de Ricardo Sérgio de Oliveira para a direção de relações internacionais do Banco do Brasil foi uma indicação de José Serra (mi­nistro do Planejamento na época), e Clóvis Carvalho (Casa Civil). Com o cargo, se transformou numa das pes­soas mais influentes na Previ (fundo de pensão dos funcionários do BB) e teve grande participação na monta­gem de consórcios que participaram com o fundo nas privatizações. O caso do Grampo no BNDES revela um pouco como se agia nesses casos. A interceptação clandestina de telefonemas trocados pelas autorida­des que geriam o processo de venda das telefônicas mostrou uma agitada movimentação do governo FHC nas 72 horas que antecederam o Leilão das Teles, ocorrido em julho de 1998. Nas fitas, o então ministro das Co­municações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, telefona para Ricardo Sérgio e revela que o Opportunity, de Daniel Dantas, quer participar do leilão da Tele Norte Leste, mas depende da conces­são de uma Fiança do Banco do Brasil: “Está tudo acertado. Mas o Opportu­nity está com um problema de fian­ça. Não dá para o Banco do Brasil dar?”, pergunta Mendonça de Barros. “Acabei de dar (R$ 874 milhões)”, responde Ricardo Sérgio e completa quase rindo: “Nós estamos no limite da nossa irresponsabilidade. São três dias de fiança para ele” …. “Na hora que der merda (se refere ao astronô­mico valor do crédito), estamos juntos desde o início.” A armação nesse caso só não deu certo porque o Opportunity já havia adquirido a Brasil Telecom (BrT) e a Telemig. Em março de 2001, o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL) disse à Justiça e ao Ministério Público que o economista chegou a cobrar comissão de mais de R$ 90 milhões para assegu­rar o resultado no Leilão das Teles.
Prestador de serviços
Errando ou acertando nas “arti­culações”, Ricardo Sérgio mantinha confiança da alta cúpula tucana. Um assessor parlamentar que está levantando dados para a CPI das pri­vatizações diz que um dos caminhos para arrecadar recursos para campa­nhas em anos anteriores passava pela formação dos grupos que disputavam os leilões das empresas então estatais. Injetava-se dinheiro dos fundos de pensão em um dos grupos e caso ele vencesse recolhia-se a tal “contribui­ção” para partidos e/ou candidatos. Como ficou claro nas matérias publi­cadas a partir do grampo do BNDES, Ricardo Sérgio era um dos arquitetos dos grupos. Mera coincidência?
Na atual crise do “Mensalão”, o nome do caixa tucano também apare­ceu. O tesoureiro era um dos elos entre Marcos Valério e o PSDB. Adivinhe de quem é o prédio em que a agência de publicidade SMPB de Valério ocupa dois andares em Belo Horizonte? Ricardo Sérgio comprou o edifício por R$ 7,5 milhões em 17 de agosto de 1999, mesma época em que Marcos Valério passou a atuar no Ban­co do Brasil pela DNA Propaganda.
Outra coincidência: o prédio pertencia a Petros, o fundo de pensão dos funcio­nários da Petrobrás. Em 1999, durante o governo FHC, a Petros vendeu o edifício à Planefin – Serviços, Assessoria, Planejamento, Administração e Parti­cipações S/C Ltda., de propriedade de Ricardo Sérgio, que procurou esconder seu nome do negócio nomeando um “laranja” para a transação, seu “sócio” Ronaldo de Souza. As CPls ainda não aprofundaram as investigações entre Marcos Valé­rio e Ricardo Sérgio e até agora não foram reveladas as circunstâncias em que o edifício passou a ser ocupado pela empresa do publicitário. Mas desde o início da crise do Mensalão, a relacão entre o PSDB e o Valerioduto ficou parente. O esquema Marcos VaLétio começou em Minas Gerais, nos anos 1990, quando o publicitário passou a finan­ciar as campanhas do PMDB, PFL e PSDB. Mas o grande trabalho do Va­lerioduto só aconteceu em 1998, na campanha para reeleição de Eduardo Azeredo, que caiu da presidênciâ na­cional do PSDB quando o esquema veio à tona. Com Marcos Valério, a campanha de Azeredo arrecadou cerca de R$ 9 milhões, sendo R$ 2 milhões a partir de “negócios” com o Tesouro Estadual de Minas e R$ 6 mi­lhões e meio com as estatais mineiras. A CPI dos Correios também apurou que Valério trocou 40 telefonemas em 2002 com o comitê de campanha do atual governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB). Mas a ligação entre Válério e Ricardo Sérgio também se dá por ou­tra frente. O economista Lúcio Bo­lonha Funaro é apontado pela CPI dos Correios como dono oculto da Guaranhuns, empresa que Marcos, Valério teriá usado para repassar R$7 milhões ao Partido Liberal (PL). A empresa teria dado um prejuízo de R$ 100 milhões aos fundos de pensão. E adivinha quem é o melhor amigo de Funaro? O jornal Estado de Minas de 26 de agosto do ano passado diz que Ricardo Sérgio é o sócio oculto da Guaranhuns, mas as investigações da CPI ainda não se aprofundaram. Desde que seu nome surgiu nos noticiários pela primeira vez, os partidos adversários do PSDB tentam le­var Ricardo Sérgio para se explicar no Congresso. Mas, até agora, o esquema tucano-pefelê conseguiu preservar homem de confiança de Serra e FHC.
O caso Encol
Apesar das peripécias de Ricardo Sérgio pelos meandros do poder, só agora a Justiça condenou o caixa tu­cano a prisão. O juiz federal Cloves Barbosa de Siqueira, da 12ª Vara do Distrito Federal, considerou que os empréstimos feitos à Encol burlaram “os normativos vigentes”. Ou seja, houve crime de “gestão temerária” com “atos de administração que coloquem em risco os negócios da insti­tuição”, assinalou o juiz. Antes mesmo de Ricardo Sérgio, assumir a direção do BB, em 1995, os problemas financeiros da construtora já eram conhecidos. Na época, a dívi­da da Encol com o sistema financeiro era estimada em aproximadamente R$ 700 milhões, sendo o BB um dós maio­res credores. Conforme denúncias da epoca, há indícios de uma série de ligações suspeitas entre os donos da em­presa e integrantes do governo FHC. Apesar da quantidade de provas de irresponsabilidade nos emprésti­mos, essa foi a primeira vez que diri­gentes do banco foram condenados pelo envolvimento com a construtora. Entre as nove irregularidades que resultaram na condenação, o juiz citou, em sua senténça a hipoteca que o BB liberou para o Hotel Ramada, da Encol, como exemplo de operação danosa para a instituição.
Segundo parecer da Justiça, no lu­gar do hetel, que valia R$ 55 milhões à, época, o Banco do Brasil recebeu R$ 17,3 milhões. “Não há justificativa plausível para se liberar uma garantia vendida por R$ 55 milhões mediante o recebimento de apenas R$ 17,3 mi­lhões, com a colocação do saldo rema­nescente (R$ 37, 7 milhões) à disposi­ção da própria devedora”, relata o juiz. Os diretores do BB ainda aceitaram certificados de dívida emitidos ilegal­mente pela construtora e renovaram sistematicamente as operações de cré­dito vencidas e não pagas. “Mesmo cientes da precária situação financeira da Encol, ampliaram os límites de crédito da citada empre­sa, ao mesmo tempo que autorizaram a liberação de garantias idôneas me­diante substituição por outras incapazes de lastrear as operações de crédito concedidas à empresa”, citou o juiz, mencionando o documento do Mi­nistério Público, autor da ação.
Reversão complicada
Embora tenham sido condenados por gestão temerária na direção do BB, a instituição decidiu utilizar seu corpo jurídico para defender os acu­sados. A assessoria de imprensa. do banco informou que a empresa vai recorrer da sentença no Tribunal Regional Federal. Antônio da Silva Machado consultor jurídico do BB, é o responsável pela defesa dos sete condenados. Se­gundo ele, os empréstimos do banco a Encol tinham por objetivo recuperar a construtora e evitar sua falência, para receber os créditos que já haviam sido dados por gestões anteriores. De acordo com sua tese, com a falência, o banco dificilmente conseguiria reaver o dinheiro, já que a lei dá preferência a pagamentos de dívidas trabalhistas e tributárias. Mas numa das muitas entrevistas que deu à imprensa, defendendo os ex-diretores do BB, Machado acabou cometendo um lapso e reconheceu que houve irregularidades por parte dos condenados. É que na base da sua argumentação, o advogado tenta descaracterizar o crime de gestão te­merária, alegando que juridicamente o termo não se aplica a atos isolados “e sim a todo um conjunto de irregu­laridades cometidas ao longo de de­terminado período de tempo”. Autor da denúncia que resultou na ação do Ministério Público e na conde­nação da Justiça, o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), diz ser comum empresas do porte do BB co­locarem a assistência jurídica à dispo­sição de ex-empregados. “Não é ilegal, mas acho que o advogado do banco não deveria defender os acusados para a imprensa”, disse o petista à Fórum. Para Berzoini, embora caibam re­cursos aos acusados, dificilmente as instâncias superiores da justiça irão reformar a sentença. “Nós fizemos a denúncia ao Ministério Público em 2000 e a promotoria conseguiu em sua ação fundamentar muito bem o pedido de condenação. As provas apresentadas foram muito claras e o juiz também embasou muito bem a sua decisão. Vai ser difícil de reverter”, comentou. O presidente do PT explicou que a decisão da Justiça foi tão responsável que absolveu o gerente Jair Bilachi e o secretário-executivo Manoel Pinto de Souza Junior. Auditoria interna feita pelo banco na época apontava um pequeno grupo de funcionários como os únicos responsáveis pelos empréstimos irregulares, entre eles ós dois absolvidos. “Na época, a direção do BB tentou não só se eximir da cul­pa, mas transferir a responsabilidade para funcionários subalternos.” Além de Ricardo Sérgio e do ex­-presidente Paulo César Ximenes, fo­ram condenados Edson Ferreira, João Batista de Camargo, Hugo Dantas, Ricardo Conceição e Carlos Gilberto Caetano. Dos sete, somente Ricardo Conceição continua empregado no banco (atualmente ocupa a vice-pre­sidência de Agronegócios).
Isenta imprensa
A notícia da condenação da ex-diretoria colegiada do BB circulou somente no dia 1º de fevereiro, mas a decisão da Justiça data do dia 2 de dezembro de 2005. A imprensa comercial levou dois meses para descobrir a condenação e nenhum jornal ou revista de grande circulação deu destaque para o fato. Dois dos maiores jornais do país, Estado e Folha de S. Paulo, deram a notícia sem destaque na capa e os seus cadernos de economia, longe e descolada da parte po­lítica, onde se publica os escândalos. A Folha chegou ao cúmulo de utilizar como chapéu (pré-título) para desta­car a notícia a palavra “imóveis”. No caso do Grampo no BNDES há uma referência à docilidade da mí­dia comercial com o esquema tucano-pefelê. Numa das conversas gravadas, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem o seguinte diálogo com ministro Mendonça de Barros: Minis­tro: “A imprensa está muito favorável, com editoriais”. FHC: “Está demais, né? Estão exagerando, até”. E ri.
Fábio Jammal Makhoul
No Blog do Rovai
Leia Mais ►

Não, Reinaldo, Ricardo Sérgio não é um cara legal

Sem citar “A privataria tucana”, Reinaldo Azevedo sai em defesa do PSDB e fala em novo dossiê Cayman... o pior cego é o que não quer ver
Diz o dito popular que o pior cego é aquele que não quer ver. Sarcástico, Nelson Rodrigues dizia que o pior cego é aquele que quer ver. Fã de José Serra, o blogueiro Reinaldo Azevedo saiu hoje em defesa do PSDB, sem citar o livro “A privataria tucana”, que, segundo ele, seria um novo “dossiê Cayman”. Diante disso, a dúvida: Reinaldo é aquele cego que não quer ver as ligações de Serra com as esquisitices da privatização ou é o cego que quer ver em Ricardo Sérgio, o grande operador da era tucana, um cara legal. Não, Reinaldo, Ricardo Sérgio e Gregório Marin Preciado não são homens de bem; são pessoas de bens. Leia, abaixo, a coluna de Reinaldo sobre o livro de Amaury Ribeiro Júnior:
LEMBREM-SE DO “DOSSIÊ CAYMAN”. BANDIDAGEM VOLTA A AGIR!
Os mais jovens não se lembram. Já lá se vão 13 anos!!! É, leitor! 13 anos!!! Leiam o que informou a Folha há apenas 10 dias. Volto depois:
Justiça condena pastor por dossiê contra PSDB em 98
A Justiça Eleitoral condenou o pastor evangélico Caio Fábio D’Araújo Filho a quatro anos de prisão por seu envolvimento no chamado “dossiê Cayman”, informa reportagem de José Ernesto Credencio, publicada na Folha desta terça-feira (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha). O conjunto de papéis comprovadamente falso surgiu como tentativa de incriminar a cúpula do PSDB na campanha de 1998. Caio Fábio, o único condenado pelo episódio até agora, foi considerado responsável por elaborar e divulgar o dossiê, incorrendo em crime de calúnia, agravado por ter envolvido o então presidente da, Fernando Henrique Cardoso. Ele pode recorrer. A sentença, da juíza de primeira instância Léa Maria Barreiros Duarte, é baseada em uma investigação da qual participou também o FBI, a polícia federal norte-americana.
Voltei
Quem teve, como tive, acesso a parte daqueles documentos ficava realmente impressionado com a “riqueza” de detalhes. Deve haver algum mecanismo psíquico nos profissionais da malandragem que os obriga a cuidar dos… detalhes! O tal dossiê acusava toda a cúpula tucana — FHC, Mário Covas, José Serra, Sérgio Motta, entre outros — de manter uma conta no exterior. Durante anos — ATENÇÃO, ANOS!!! —, a imprensa falava em “possível dossiê”, “suposto dossiê”, “um dossiê”, mas nunca “falso dossiê”, mesmo depois de as pegadas da bandidagem serem mais do que evidentes.
Finalmente, comprovou-se, sem margem para erro, tratar-se de uma armação da pesada. Mesmo na imprensa séria, alguns jornalistas “investigativos” decidiram ser especialistas no assunto. E tudo não passava de uma fantasia, de uma conspiração mesmo, para incriminar adversários políticos.
A história tem seus lances de impressionante cinismo. Tentaram, sim, vender o papelório para o PT. O partido não comprou — afinal, em matéria de “dossiês falsos”, não precisa recorrer a terceiros. Não comprou, mas pôs os olhos na papelada, avaliou a possibilidade. Mesmo não estando, no caso de Cayman, na origem do crime, tornou-se depois um seu divulgador informal. Nos bastidores, eram muitos os petistas que asseguravam aos jornalistas que era, sim, tudo verdade.
A vantagem dos criminosos sobre as pessoas decentes é esta: eles não têm nada a perder.
A mesma quadrilha de subjornalistas que deu apoio aos mensaleiros, aos aloprados, os fazedores de dossiês em período eleitoral — a, em suma, ladrões de dinheiro público — volta a atacar. Há dias, ficamos sabendo que “eles” iriam contratar um grupo de pessoas para patrulhar a rede. Eis aí.
Bem, dizer o quê? Trata-se de um assunto de POLÍCIA, NÃO DE POLÍTICA.
O que se espera é que a Justiça não demore outros 13 anos para punir vigaristas.
Leia Mais ►

Como o PiG vai tentar desconstruir o Amaury

O Farol de Alexandria, que iluminava a Antiguidade e o PiG, hoje, já deu a senha, na “coletiva” palpitante que concedeu ao UOL (é 472ª esta semana).
Clique aqui, na pág. A10, para captar a secreta essência do vácuo.
O UOL é da Folha, paga os salários da Folha e, portanto, para o Fernando Henrique é uma zona de conforto tão aquecida quanto o salão do Celso Kamura para a Patricia Poeta.
O Farol disse que o Amaury já foi processado.
Sim, o Amaury explica no livro.
Foi processado numa trampa tucana, como explica Leandro Fortes, na Carta Capital.
É o que demonstrou o Amaury: "Cerra" grampeia e se faz vítima de grampo.
Não é isso, Dr Itagiba?
O indiciamento do Amaury não apaga todas as provas da lavanderia tucana impressas no livro.
Mas, o PiG vai por aí.
A outra vertente será ignorar.
Mas, isso é perda de tempo.
O Mubarak tinha completo controle da imprensa do Egito.
E o Rei Farouk também.
Com a internet, os tucanos de São Paulo não passarão mais de Resende.
Serão reduzidos ao que sempre foram.
Uma UDN ácida, medíocre, golpista, que apita no PiG e em nenhum outro lugar.
Talvez no salão do Celso Kamura.
Em tempo: outra arma mortal será, sempre, o Sírio Libanês. Quem sabe La Bergamo não descobre que o Amaury fez fimose no Sírio, depois de velho?
Paulo Henrique Amorim
No Conversa Afiada
Leia Mais ►

Imprensa ‘independente’ esconde livro sobre privataria tucana

Nos últimos anos, qualquer livro de autoria de desafetos ou adversários políticos do ex-presidente Lula e/ou do PT recebeu monumental cobertura da grande mídia. Tais obras costumam ser anunciadas em portais de internet, revistas semanais, jornais, televisões e rádios apesar de não conterem nada além de insultos e acusações sem provas.
Que interesse público ou meramente jornalístico pode ter um livro que chama o ex-presidente Lula de “anta” ou outro que chama de “petralhas” os mais de um milhão de filiados do Partido dos Trabalhadores? Apesar disso, esses livros, escritos por pistoleiros contratados para caluniar e xingar, são anunciados o tempo todo pelos grandes meios de comunicação.
Neste fim de semana, chega ao público um livro que, apesar de jamais ter sido sequer mencionado em um grande jornal ou em qualquer outro grande meio de comunicação, era aguardado por dezenas de milhares de internautas que dele souberam através da blogosfera e de uma única revista semanal, a Carta Capital.
O livro recém-lançado pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr., acusado no ano passado pela grande mídia de integrar complô para montar dossiê contra José Serra, pode não conter apenas acusações sem provas ou meros xingamentos. Segundo o autor, apresenta provas de roubo de dinheiro público no processo que o jornalista Elio Gaspari batizou como “privataria”.
É revelador como o livro A Privataria Tucana jamais recebeu um único comentário inclusive do autor do termo que resume o que foi o processo de privatização de empresas públicas durante o governo Fernando Henrique Cardoso, ou seja, um dos maiores saques sofrido pela nação em toda a sua história e que superou até a roubalheira da ditadura militar.
A imprensa que vive se dizendo “independente”, portanto, ao tentar esconder o livro “proibido” está dando a ele a maior contribuição que poderia.
Explico: se fosse uma obra fraca, com denúncias fracas, seria excelente alvo para veículos partidarizados como Globo, Veja, Estadão e Folha. Se a escondem, é porque seu conteúdo deve ser arrasador. E como quem se interessa por assuntos assim certamente tem acesso à internet e a blogs políticos, a censura aumentará o interesse.
Os grandes meios de comunicação fazerem de conta que não viram o livro, portanto, talvez seja tão importante quanto seu conteúdo, pois pessoas bem-intencionadas que têm dúvidas sobre o partidarismo político daqueles meios agora dispõem de prova incontestável desse partidarismo.
Ora, imprensa que se diz “independente”, se fosse mesmo não precisaria concordar com um livro considerado bombástico para noticiar seu lançamento ou para produzir análises de seu conteúdo. O lançamento da obra é um fato político saboroso para qualquer jornalista de verdade. Aliás, é escandaloso que o autor do termo “privataria” tenha se calado.
No Blog da Cidadania
Leia Mais ►

Ricardo Sérgio: “o começo, o fim e o meio”

“Nós estamos no limite da irresponsabilidade”. A frase – que virou símbolo do processo de privatizações conduzido pelo governo de FHC nos anos 90 – foi dita por Ricardo Sérgio de Oliveira, na época poderoso diretor do Banco do Brasil. Não foi dita para qualquer um. Ricardo Sérgio fez a “confissão” a Luiz Carlos Mendonça de Barros, o Mendonção, que presidia o BNDES. Logo depois, em 1998, o telefone de Mendonça caiu (!?) num grampo, e a frase de Ricardo caiu na boca do povo.
Ricardo Sérgio é o ponto de partida para entender o esperado “livro do Amaury”. Como diria Raul Seixas, Ricardo Sérgio é “o começo, o fim e o meio”. É preciso entender quem é Ricardo Sérgio para compreender os negócios e negociatas narrados pelo jornalista.
O “livro do Amaury” tinha virado uma lenda urbana. Na eleição de 2010, Amaury se transformou – de forma involuntária – no pivô de um escândalo: a campanha de Serra (com ajuda da mão amiga da mídia) tentou fazer do jornalista (repórter premiado e respeitado pelos colegas) uma espécie de “araponga” a serviço do PT. Aos poucos, ficou claro que a investigação conduzida por Amaury durante quase uma década tinha começado muito antes da campanha eleitoral. Ele investigara os porões da privatização tucana, como repórter de várias publicações da “velha mídia”. E havia muita coisa estranha apontando para o entorno de José Serra. Em 2010, Amaury avisou: não existia dossiê nenhum para a campanha de Dilma, o que existia era apuração jornalística; e tudo isso ia virar livro.
Desde então, na internet, leitores questionam: cadê o livro? esse livro não existe? o Amaury blefou?
A resposta está aqui, na foto que mostra a capa do livro. “A Privataria Tucana” chegou às livrarias nessa semana, como um roteiro que indica ao leitor: qual os caminhos e descaminhos do dinheiro das privatizações. O livro traz documentos, certidões, passa pelo Caribe, pelos arquivos da Justiça de São Paulo e da CPI do Banestado.
No livro, há evidências apontando as estreitas ligações (coincidências?) entre Ricardo Sérgio e o círculo mais próximo de Serra: a filha Verônica, o genro Alexandre Bourgeois, e o primo de Serra Gregório Marín Preciado.
“A Privataria Tucana” precisa ser decifrado com cuidado. Há um volume gigantesco de informações e documentos. É preciso ler, reler, ir aos documentos reproduzidos no livro, voltar à leitura…
O cipoal de tenebrosas transações passa pelas Ilhas Virgens Britânicas. Ali, Ricardo Sergio mantinha há muitos anos empresas “offshore”. Amaury descobriu que, na mesma ilha e no mesmo endereço (um escritório no Citco Building), o genro de Serra abriu duas empresas offshores, logo depois das privatizações: a Vex Capital e a IConexa Inc. No mesmo endereço, ficava ainda a Decidir – empresa criada (originalmente com sede na Flórida) por Verônica Dantas (irmã do banqueiro Daniel Dantas) e Verônica Serra (filha do ex-governador José Chirico Serra).
Um dado curioso – e certamente ignorado pela maior parte dos leitores: o termo “offshore” tem origem na época da pirataria. Os corsários que se escondiam no Caribe preferiam esconder os tesouros (fruto de pilhagem) bem longe da praia e da costa (em inglês=”offshore”), para dificultar a localização pelos inimigos. O livro de Amaury mostra que há algo em comum nos métodos dos piratas e dos privatas.
Boa parte dos documentos expostos no livro foi obtida por Amaury numa ação judicial em que era réu. Depois de escrever reportagem na revista “Istoé” com acusações contra Ricardo Sergio, Amaury fora processado pelo ex-caixa de campanha de Serra e FHC. No decorrer do processo, obteve a chamada “exceção da verdade”: instrumento judicial que possibilita ao acusado de calúnia ou injúria provar que é verídica a acusação feita. A decisão da Justiça obrigou a CPI do Banestado a entregar vários documentos a Amaury, o que facilitou o trabalho do jornalista na trilha do dinheiro das privatizações.
Entre os papéis liberados pela CPI, estavam documentos sigilosos agora reproduzidos no livro. Ali, estaria comprovado [faço a citação literal do que está à página 137 do livro]: “81% dos depósitos recebidos no exterior pela Franton Enterprises – do ex-caixa de campanha de José Serra, Ricardo Sergio de Oliveira – foram feitos pelo primo político de Serra, Gregório Preciado. Os dados são originários da famigerada conta Beacon Hill. Também nos papéis, a turbulenta situação das empresas de Preciado, os pagamentos que fez e a omissão de Serra diante da Justiça Eleitoral sobre sua sociedade com Vladimir Rioli”.
Ricardo Sérgio – do alto de suas posições no Banco do Brasil – teria ajudado a salvar empresas de Gregório Preciado.
Vladimir Rioli é outro personagem importante. Foi sócio de Serra numa empresa de consultoria, e virou vice-presidente do Banespa (na época um banco estatal, pertencente ao governo paulista, controlado pelos tucanos). Curiosamente, Serra não declarou à Justiça Eleitoral, em 1994, a sociedade com Rioli. Por que? Rioli, segundo relatório da CPI publicado por Amaury, beneficiou as empresas de Preciado em operações financeiras estranhas. Por isso tudo, é importante saber que Preciado teria depositado dinheiro em empresas “offshore” de Ricardo Sérgio…
Mas isso é apenas um detalhe, perto de toda a documentação exposta por Amaury. Ele mostra a sociedade de Verônica Serra com Veronica Dantas (irmã de Daniel Dantas, banqueiro que ganhou muito dinheiro no processo de privatizações) na empresa Decidir.com. Os documentos estão às páginas 190 e 191 do livro.
A leitura, como eu disse, exige tempo. E atenção.
Nos próximos dias, traremos aqui outros textos, esclarecendo pontos específicos do amplo material exposto em “A Privataria Tucana”. O livro foi editado pela Geração Editorial. E já está à venda nas principais livrarias do país.
Rodrigo Vianna
Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 930

Leia Mais ►

A reportagem de Amaury é um processo penal

West Bay, Tortola, Ilhas Virgens:
o esconderijo dos privatas brasileiros no Caribe
O livro de Amaury Ribeiro Júnior são dois, que me consumiram a noite e a manhã, numa escandalizada leitura.
Um dos livros, com 200 páginas, conta a histórias de um time de lavadores de dinheiro, todos girando em volta de José Serra, durante e depois do criminoso processo de privatizações.
Há os “amicci” – Ricardo Sérgio, Vladimir Rioli e Daniel Dantas – e a “famiglia” – a filha, Verônica, o genro, Alexandre Bourgeois e o “primo” Gregório Marín Preciado – com suas contas e contratos na Ilhas Virgens, na paradisíaca cidade de Tortola.
Ou, mais precisamente, em caixas postais, como a P.O. Box 662.
A Caixa Postal 662 é o endereço predileto do crime financeiro organizado. Muito mais perigosa e criminosa que qualquer fortaleza do tráfico.
É lá, por exemplo, que “fica” a AES Holdings, braço criado pela AES americana, talvez para não conspurcar o Cemitério Nacional de Arlington, cidade da Virgínia onde fica sua sede, onde repousam os herois da democracia americana. E outra caixa postal vizinha, a PO Box 31106, ficam a AES Cemig, a AES Tietê, a AES Brazilian Holdings e uma dúzia de outras, de nomes muito interessantes, como a AES Treasure Cove, ou “Buraco do Tesouro”…
Voltemos aos livros do Amaury.
O “segundo livro”, de 120 páginas, é uma fantástica coleção de provas. Os registros, transferências de dinheiro, as operações, a entrada de dinheiro com capitalizações fajutas de empresas, o tráfico de influência, a gestão temerária, a advocacia administrativa, a corrupção estão retratadas, em inglês e português, nos seus mínimos detalhes, no que deve ter sido uma longa e penosa missão de reportagem.
Reportagem? Não, “os livros” de Amaury não são uma reportagem.
Deveriam ser olhados como a instrução de um processo criminal.
É a isso que o Ministério Público está desafiado.
Amaury Ribeiro já “instruiu os autos”.
É com os senhores, senhores promotores.
Fernando Brito
Leia Mais ►

A Privataria Tucana: nitroglicerina pura

Nirlando Beirão fala sobre o livro A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr. "É nitroglicerina pura", diz.
E a conversa de Nirlando Beirão nos bastidores
Leia Mais ►

A reportagem investigativa da década

Fui ontem à coletiva do repórter Amaury Ribeiro Jr, sobre o livro que lançou.
Minha curiosidade maior era avaliar seu conhecimento dos mecanismos do mercado financeiro e das estruturas de lavagem de dinheiro.
Amaury tem um jeito de delegado de polícia, fala alto, joga as ideias de uma forma meio atrapalhada – embora o livro seja surpreendentemente claro para a complexidade do tema. Mas conhece profundamente o assunto.
Na CPI dos Precatórios – que antecedeu a CPI do Banestado - passei um mês levando tiro de alguns colegas de Brasília ao desnudar as operações de esquenta-esfria dinheiro e a estratégia adotada por Paulo Maluf. Foi o primeiro episódio jornalístico a desvendar o submundo das relações políticas, mercado financeiro, crime organizado.
No começo entendi os tiros como ciumeira de colegas pela invasão do seu território por jornalista de fora. Depois, me dei conta que havia um esquema Maluf coordenando o espírito de manada, no qual embarcaram colegas sem conhecimento mais aprofundado do tema.
Minhas colunas estão no livro “O jornalismo dos anos 90”, mostrando como funcionavam as empresas offshore, o sistema de doleiros no Brasil, as operações esquenta-esfria na BMF e na Bovespa, as jogadas com títulos estaduais.
Repassei parte desse conhecimento ao meu amigo Walter Maierovitch, quando começou a estudar esse imbricamento mercado-crimes financeiros e, depois, na cerimônia de lançamento do Sisbin (Sistema Brasileiro de Inteligência).
Mesmo assim, persistiu a dicotomia na cobertura: jornalistas de mercado não entravam em temas policiais e jornalistas policiais não conheciam temas financeiros. E a Polícia Federal e o Ministério Público ainda tateavam esse caminho.
Aos poucos avançou-se nessa direção. A Sisbin significou um avanço extraordinário na luta contra o crime organizado. E, no jornalismo, Amaury Ribeiro Jr acabou sendo a melhor combinação de jornalismo policial com conhecimento de mercado.
Quem o ouve falar, meio guturalmente, não percebe, de imediato, sua argúcia e enorme conhecimento. Além de ter se tornado um especialista nas manobras em paraísos fiscais, nos esquemas de esquentamento de dinheiro, tem um enorme discernimento para entender as características de cada personagem envolvido na trama.
Mapeou um conjunto de personagens que atuam juntos desde os anos 90, girando em torno do poder e da influência de José Serra: Riolli, Preciado, Ricardo Sergio, Verônica Serra, seu marido Alexandre Burgeois. É uma ação continuada.
Entendeu bem como se montou o álibi Verônica Serra, uma mocinha estreante em Internet, naquele fim dos anos 90, com baixíssimo conhecimento sobre tendências, modelos de negócios, de repente transformada, por matérias plantadas, na mais bem sucedida executiva da Internet nacional. Criou-se um personagem com toque de Midas, em um terreno onde os valores são intangíveis (a Internet) para justificar seu processo de enriquecimento. Mas todo o dinheiro que produzia vinha do exterior, de empresas offshore.
Talvez o leitor leigo não entenda direito o significado desses esquemas offshore em paraísos fiscais. São utilizados para internalizar dinheiro de quem não quer que a origem seja rastreada. Nos anos 90, a grande década da corrupção corporativa, foram utilizados tanto por grandes corporações – como Citigroup, IBM – para operações de corrupção na América Latina (achando que com as offshores seriam blindadas em seus países), como por políticos para receber propinas, traficantes para esquentar recursos ilícitos.
Ou seja, não há NENHUMA probabilidade de que o dinheiro que entrou pelas contas de Verônica provenha de fontes legítimas, formalizadas, de negócios legais.
Ao mesmo tempo, Amaury mostra como esse tipo de atuação de Serra o levou a enveredar por terrenos muito mais pesados, os esquemas de arapongagem, os esquemas na Internet (o livro não chega a abordar), os assassinatos de reputação de adversários ou meros críticos. É um modo de operação bastante tipificado na literatura criminal.
No fundo, o grande pacto de 2005 com a mídia visou dois objetivos para Serra: um, que não alcançou, o de se tornar presidente da República; o outro, que conseguiu, a blindagem.
O comprometimento da velha mídia com ele foi tão amplo, orgânico, que ela acabou se enredando na própria armadilha. Não pode repercutir as denúncias de corrupção contra Serra porque afetaria sua própria credibilidade junto ao universo restrito de leitores que lêem jornais, mas não chegam ainda à Internet.
Ao juntar todas as peças do quebra-cabeças e acrescentar documentos relevantes, Amaury escancara a história recente do país. Fica claro porque os jornais embarcaram de cabeça na defesa de Daniel Dantas, Gilmar Mendes e outros personagens que os indispuseram com seus próprios leitores. (Só não ficou claro porque o PT aceitou transformar a CPI do Banestado em pizza. Quais os nomes petistas que estavam envolvidos nas operações?)
E agora? Como justificar o enorme estardalhaço em torno do avião alugado do Lupi (independentemente dos demais vícios do personagem) e esconder o enriquecimento pessoal de um bi-candidato à presidência da República?
Mesmo não havendo repercussão na velha mídia, o estrago está feito.
Serra será gradativamente largado ao mar, como carga indesejada, aliás da mesma forma que está ocorrendo com os jornalistas que fizeram parte do seu esquema.
A CPI dos Precatórios
No PDF, o livro “O jornalismo dos anos 90”. A partir da página 147, minhas colunas sobre a CPI dos Precatórios, onde já se revelava todo o imenso esquema do crime organizado no país, os doleiros, a operação em Foz do Iguaçu, as concessões do Banco Central etc.
A ironia da história é que, em determinado momento, consegui convencer o banqueiro Fábio Nahoum – testa de ferro do Maluf – a passar informações ao relator da CPI, senador Roberto Requião. Como testemunhas do encontro, a repórter Mônica Bérgamo – que teve um comportamento impecável quando Requião e alguns colegas de Brasília tentaram desqualificar minhas revelações – e o então senador José Serra.
Não podia imaginar que um dos esquemas que operava na região era do próprio Serra. 
Luis Nassif
No Advivo
Leia Mais ►

Ribeiro Júnior dispara contra tucanos e imprensa; e critica até o PT

Em sabatina a grupos de jornalistas blogueiros, autor de "Privataria tucana" mostra profundidade em investigações, além de mágoas com imprensa e com setores do PT
O jornalista Amaury Ribeiro Jr (dir) durante entrevista via twitcam, 
sobre seu livro de denúncias sobre privatizações na era FHC
Em entrevista transmitida ao vivo pela internet na noite de sexta-feira (9), (assista aqui) o jornalista Amaury Ribeiro Júnior deu detalhes de algumas das operações financeiras fraudulentas que descreve em seu livro, "A Privataria tucana". A obra trata de desvios de recursos durante as privatizações de empresas públicas no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Sobre o episódio em que foi acusado de montar dossiês contra lideranças do PSDB durante a eleição de 2010, o jornalista reiterou a versão apresentada à época, de que houve "fogo amigo" dentro do próprio PT.
Ribeiro Júnior foi entrevistado, por cerca de três horas, pelos jornalistas Renato Rovai, Rodrigo Viana, Luis Nassif, Luiz Carlos Azenha, Gilberto Maringoni, Conceição Lemes, Altamiro Borges e outros.
Para o autor, as privatizações do período tucano tiveram um único propósito: "Foi para algumas pessoas enriquecerem, acumular fortuna pessoal. Não teve nada a ver com progresso, bem do país, nada disso". Segundo ele, José Serra, ex-governador de São Paulo e candidato derrotado à Presidência da República em 2002 e 2010, foi um dos principais beneficiários das "maracutaias" financeiras da venda de estatais.
O teor do livro reforça sua convicção. "Mais da metade do livro é documento, não é texto (opinativo). E são documentos disponíveis pra consulta aberta, não tem nada conseguido com sigilo, estão na Polícia Federal."
O jornalista disparou diversas críticas à imprensa que, segundo suas investigações, mantém laços financeiros com grupos econômicos e políticos. "O (banqueiro) Daniel Dantas é sócio da Abril, manda na Veja", acusou. Também avaliou o papel que setores da mídia desempenharam na campanha presidencial de 2010 - "A imprensa foi canalha com a Dilma."
Para Ribeiro Júnior, o despreparo de grande parte dos jornalistas do país contribui para que esquemas de lavagem de dinheiro passem praticamente despercebidos do grande público. "Não é fácil seguir o caminho do dinheiro. As leis dos países facilitam a existência de paraísos fiscais e de empresas offshore. O público só se interessa quando aparece dinheiro em cofre, dentro de meias ou de cuecas. Mas isso é insignificante perto do que essa gente do poder faz."
O jornalista disse esperar que seu livro contribua para que sejam criados mecanismoss para regular o mercado financeiro mundial "Tem acabar com parcerias de empresas brasileiras com entidades off-shore, operações casadas em bolsa de valores, poder abrir empresas em paraísos fiscais e operar em outros países. Enquanto isso não acontecer, o crime organizado vai sempre nos vencer."
Fogo amigo
Ribeiro Júnior reiterou a versão apresentada durante a campanha eleitoral de 2010 de que foi vítima de uma disputa interna no PT quando foi acusado de ter forjado dossiês contra lideranças do PSDB. À época, circularam declarações de imposto de renda de tucanos que teriam envolvido quebra de sigilo junto à Receita Federal. O jornalista atribuiu ao deputado estadual Rui Falcão (PT), atualmente presidente do PT, que disputava espaço dentro da campanha com Fernando Pimentel, hoje ministro do governo Dilma, a origem da acusação. Em abril deste ano, Rui Falcão chegou a ingressar na Justiça com queixa-crime contra Amaury Ribeiro Júnior.
Fábio M. Michel
No Rede Brasil Atual
Leia Mais ►

A entrevista de Amaury Ribeiro Jr com blogueiros sujos


Uma outra opção para ver a entrevista:
Leia Mais ►

A memória seletiva da "Veja"

A entrevista que a Veja esqueceu
 Publicada em 24/05/2007, no Novo Jornal 
Entrevista: Fala, Nilton Monteiro
Nilton Monteiro declara que campanha de Azeredo custou R$ 100 mi; senador teria ficado com pelo menos R$ 4,5 milhões
O estelionatário à direita; quer dizer, à esquerda.
Ou melhor, à escolha
Nome bastante temido por integrantes do PSDB que tentam desesperadamente desqualificá-lo, Nilton Monteiro, auto-intitulado uma bomba-relógio preste a explodir no colo do ex-presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo, expõe parte da gigantesca gama de informações e documentos que acumulou nos últimos anos da prática de atos ilícitos e caixa 2 na campanha tucana de Minas Gerais, em 1998.
O lobista afirmou – e ai daqueles que “tucanarem” a ocupação o chamando de empresário – que a campanha de Azeredo arrecadou mais de R$ 100 milhões, grande parte oriundos dos cofres públicos, e que pelo menos R$ 4,5 milhões teriam ficado no bolso do ex-governador.
Muitos podem tentar desqualificá-lo, como o ex-tesoureiro de Azeredo, Cláudio Mourão, em depoimento na CPMI dos Correios. No entanto, as informações até agora passadas por ele mostraram-se todas verdadeiras, em especial, o cheque de R$ 700 mil repassado por Marcos Valério para Azeredo quitar uma dívida com Cláudio Mourão.
Na CPMI, Mourão também afirmou que não havia repassado nenhuma procuração para ele representá-lo, fato desmentido posteriormente por um laudo técnico encomendado pela revista “Istoé”.
Quanto arrecadou a campanha ao governo de Eduardo Azeredo em 1998?
Nilton Monteiro - R$ 53 milhões era o que falavam. Mas foi uma campanha milionária, mais de R$ 100 milhões foram arrecadados. Dinheiro de estatais, de empreiteiras, doleiros, corretores de seguro, das privatizações. Então, é por isso que o Azeredo entregou o Estado, realmente, falido para o Itamar Franco. O Azeredo perdeu a reeleição e não foi por causa de dinheiro. Perdeu, sim, por incompetência. Eu não sei como ele chegou a governador.
Qual a sua relação com o tesoureiro de Azeredo, Cláudio Mourão?
NM - Hoje eu vejo que eu fui usado por esse cidadão. Tudo o que ele falou lá na CPI, ele mentiu. Ele estava numa situação delicadíssima, quebrado, esse pessoal não queria nem vê-lo: Walfrido dos Mares Guia. Abandonaram ele. No final da campanha, eles falaram que quem fez o Azeredo perder foi João Heraldo e Mourão. O João Heraldo não sei por quê até hoje não foi investigado. Ele foi um secretário muito forte na Fazenda. Não aparece, mas era o homem das negociatas.
O Mourão atuava só em Minas Gerais?
NM - Mourão trabalhou muito ali no eixo Minas Gerais. Mas era um cidadão viajado. Era um homem de muita confiança. Então ele (Mourão) tinha vários contatos, uma teia. Tinha contato com o Banco Opportunity, com a Elena Landau, com a Cemig, dali saiu dinheiro da campanha, da Telemig saiu dinheiro para a campanha, do BMG saiu dinheiro para a campanha. Tinha ramificação com doleiros fortes no Rio de Janeiro. Alugava avião da Líder. Às vezes, via uma determinada pessoa que eu não posso falar ainda. Ficava o avião no hangar, como se fizesse manutenção, mas não era, estavam passando rios de dinheiro, para depois seguir para Belo Horizonte.
Que documentos da campanha de Azeredo o Cláudio Mourão entregou para você?
NM - Ele colocou na minha mão o manuscrito de próprio punho do Walfrido dos Mares Guia, que ele já divulgou que ele tinha realmente escrito; colocou na minha mão o recibo do Azeredo recebendo R$ 4,5 milhões; colocou a lista dos deputados e a quantidade de recursos que receberam.
Com os recibos?
NM - Não, recibos não. Só o valor que cada um recebeu. Eu já tinha alguns DOCs. Colocou a relação de despesa que o Pratinha (Marco Aurélio Prata, contador de Marcos Valério) assinou, que tinha R$ 53 milhões que foram gastos pela SMP&B na campanha. Diz que gastaram pouquinho no enduro e o resto foi tudo para a campanha. Me passou a ação que ele tinha contra o Azeredo e o documento que o Azeredo deu plenos poderes para ele. O Azeredo deu muito poder para o Mourão.
Você já afirmou que esteve reunido com Marcos Valério e que ele tinha documentos contra tucanos graúdos...
NM - O Marcos Valério disse que tinha documentos contra o Fernando Henrique, contra o Serra. Disse assim: Olha Nilton, com aquela pilha eu arrebento a República.
Ele deu a entender que tinha operado dinheiro para a campanha nacional do PSDB?
NM - Foi praticamente isso que ele disse.
Em 2002?
NM - Sim. Disse que tinha vários políticos a nível nacional, não só de Minas Gerais.
O Marcos Valério repassou algum dinheiro para Cláudio Mourão?
NM - Eu já cheguei a presenciar um pagamento de R$ 350 mil com vários cheques da SMP&B para o Mourão. A secretária da SMP&B entregou o envelope para ele. Nós estávamos num carro, aí ela chegou com o envelope. O Cláudio Mourão estava sentado ao lado do Cleiton e eu estava atrás. Aí ele olhou o cheque e disse: graças a Deus agora...
Esse dinheiro foi para ele (Mourão) tirar o processo contra o Azeredo?
NM - Foi, totalmente. Lógico que foi para retirar o processo. Ele teve que tirar porque ia chegar num momento que teria que acostar documentos nessa ação. E as provas também eram contra ele. Então ele quis ganhar um tempo. Tirou o advogado Carlos Henrique e colocou outro advogado. Mas eu já tinha os documentos. Aí eu entreguei os documentos para a imprensa. Voou tucano para tudo que é lado. Eles gostam de meter o pau nos outros e esquecem que têm o telhado de vidro.
Você chegou a conversar com o Azeredo sobre o caso?
NM - Cheguei. Depois ele me pressionou, disse que eu estava com documentos que não podiam ficar nas minhas mãos, que ele iria me interpelar, que eram documentos particulares da campanha, que não sabia porque eu estava com isso.
Ele admitiu que conhecia o esquema de caixa 2?
NM - Ele sabia de tudo. O Cláudio falou comigo que ele (Azeredo) sabia de tudo que acontecia. Agora diz que não sabe. O interessante é que o Cláudio mudou muito. Agora assumiu todo o compromisso, porque ele é doido. Mudou a história porque recebeu dinheiro. O dinheiro comprou o silêncio dele. Hoje ele está um homem abonado, tranqüilo.
Quando você conversou com o Azeredo, ele se negou a fazer o acordo?
NM - O Azeredo falou que não devia nada ao Cláudio Mourão.
Ele falou que já havia repassado os R$ 700 mil para ele?
NM - Falou para mim. Foi onde eu descobri que tinha uma ação que o Cláudio Mourão entrou cobrando cerca de R$ 1,5 milhão do Azeredo. Aí eles chegaram num acordo e o Azeredo pagou R$ 700 mil para o Mourão com o cheque do Marcos Valério. O Azeredo falou: “Nilton, ele fez um recibo para mim, que ele não pode me cobrar. Eu não devo mais nada para esse cidadão”. “E outra coisa, Nilton: os carros que ele ficou, não eram dele. Ele tinha que ter vendido, entregado e pronto”. Ali é uma quadrilha. Ali é um roubando o outro.
Você está guardando alguma “carta na manga” contra os tucanos?
NM - Eu não sei, né...eu sou uma pessoa... do silêncio, né. Eu sou imprevisível (risos). Mas eu tenho muito fogo para esse povo. Não brinquem comigo. Eu já venho há muito tempo abastecendo a imprensa. E tudo provado. Prepare-se que eu ainda vou pegar gente grande. Não termino o meu trabalho só com o Azeredo. O Azeredo é peixe pequeno. Eu acho que ele tem que ser cassado mesmo. Eu só peço Justiça. Acho que tem que ser feita Justiça.
Você não tem medo da Justiça?
NM - Eu que denunciei o negócio da Cemig. Os jornais sempre tentaram me desqualificar. Não tenho medo da Justiça, não devo à Justiça. Pelo contrário, eles é que devem ter medo da Justiça. Eu, enquanto viver, vou lutar contra esse povo, tenho pavor deles. Não posso nem ouvir falar em PSDB. Considero o PSDB uma grande quadrilha organizada. Pior que essa máfia italiana. Se o presidente quisesse, muitos deles estariam na cadeia hoje. Não teria chance para eles.
E o que deve ser investigado?
NM - Eu acho que se for fazer uma varredura, por exemplo, no sistema Lloyd do Brasil, o que a quadrilha do PSDB, a organização criminosa fez na Lloyd, é um negócio de fazer horror, medo. Acabaram com os nossos navios, venderam a preço de banana. Foi dali que saiu parte do dinheiro da reeleição do Fernando Henrique Cardoso, com o Eduardo Jorge. É ali que está toda a estripulia. Aguarde que vai vir chumbo grosso, mesmo. O PSDB fez muito mais do que isso, o PFL também. Detonei a maior quadrilha do PSDB e PFL no Espírito Santo. Acabei com eles lá.
Diante de tudo isso, por que Azeredo ainda continua no Senado?
NM - É um absurdo! Um sujeito da pior qualidade como Eduardo Azeredo ser senador da República. Com certeza, fizeram algum acordão para mantê-lo lá até hoje. Não é possível! Este mau elemento era para estar na cadeia!
No Novo Jornal
Leia Mais ►

Tucanos se esquivam de dar explicações

Livro de jornalista destaca participação de ex-tesoureiro do PSDB Ricardo Sérgio de Oliveira, em esquemas de lavagem de dinheiro e fraude em privatizações na era FHC
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, durante evento na Folha
de S.Paulo e evita responder sobre acusações de desvios de dinheiro público
(Foto: Daniel Marenco/Folhapress)
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, presidente de honra do PSDB, evitou comentar as denúncias contra o ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil e tesoureiro de campanhas do partido Ricardo Sérgio de Oliveira. O líder tucano chegou a dizer que não sabia das acusações, e alegou que, por não conhecer detalhes, não poderia esclarecer diretamente os pontos.
O economista, nomeado ao posto no BB durante o governo tucano, figura no livro "A Privataria Tucana", do jornalista Amaury Ribeiro Jr., como operador de esquemas de lavagem de dinheiro e manipulação para formação de consórcios para privatizações na área de telecomunicação. Outro expoente do PSDB citado é o ex-governador paulista José Serra, candidato derrotado à Presidência em 2002 e 2010.
Fernando Henrique participou de sabatina do jornal Folha de S. Paulo, na tarde desta nesta sexta-feira (9), na capital paulista, no dia em que os exemplares da publicação da Geração Editorial chegaram às livrarias. A única pergunta feita sobre o livro durante a sabatina foi da jornalista Mônica Bergamo, da Folha. O ex-presidente desqualificou as perguntas e mostrou-se irritado com o fato de o tema ter sido levantado. A entrevista foi motivada pelo lançamento, pelo ex-presidente, do livro autobiográfico "A Soma e o Resto - Um Olhar sobre a Vida aos 80 Anos".
Nos dez primeiros minutos, os entrevistadores e o entrevistado, Fernando Henrique, concetraram a pauta em comentários referentes ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e na atual presidenta, Dilma Rousseff. O restante da sabatina foi dedicada a perguntas sobre sua trajetória pessoal. Uma sessão de autógrafos marcada para o início da noite desta sexta foi cancelada por motivos pessoais, segundo a assessoria de imprensa da editora.
Em breve entrevista coletiva a jornalistas de outros veículos após a sabatina, Fernando Henrique voltou a carga na tentativa de desqualificar as denúncias contra o ex-diretor e contra Serra. Ele alegou que é preciso "tomar cuidado" com as alegações de Ribeiro Junior, por ele ser alvo de processo judicial, acusado de ter participado da produção de dossiês contra tucanos durante a eleição de 2010 – o jornalista nega a prática.
Sobre a conduta de Oliveira, Fernando Henrique afirmou que, pessoalmente, "não tem críticas" ao economista. Durante o tempo em que trabalhou no governo, não teria feito nada de errado. "Nunca desaprovei o trabalho do Ricardo Sérgio", frisou. O ex-presidente também disse não conhecer o economista antes de ter sido nomeado para a direção do Banco do Brasil.
Presente à sabatina, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) também optou por respostas evasivas sobre as denúncias sobre o processo de privatização das telecomunicações. O PSDB informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que os dirigentes da legenda não se pronunciariam por ora sobre o tema e que uma nota seria publicada.
Raoni Scandiuzzi
Leia Mais ►

Na FAlha: Inflação sobe para baixo

Leia Mais ►