9 de dez de 2011

"A Privataria Tucana": compre antes que Serra, via Gilmar Dantas, mande censurar!

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No Tudo em Cima
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Capítulo 8 do livro "A Privataria Tucana"

O Primo mais Esperto de José Serra
O perdão de uma dívida milionária no Banco do Brasil.
E o apoio do BB para estrear na privataria...
Preciado vai à luta e compra três estatais sob FHC.
Com a benção de Ricardo Sérgio e o dinheiro da Previ.
Altos negócios com um paraíso natural da Bahia.
A trajetória do empresário espanhol naturalizado brasileiro Gregório Marín Preciado, 67 anos, é um exemplo de como laços de família funcionam como chaves para abrir muitas portas, escancarar novas oportunidades e levar vantagem sem fazer muita força. Desde que passou a integrar o clã dos Serra, os horizontes do
primo Preciado expandiram -se consideravelmente. Casado com uma prima em primeiro grau do ex-governador de São Paulo, Preciado arrebatou vantagens bancárias distantes das que arrebatariam mortais comuns, brasileiros ou espanhóis. Ou você, leitor, obteria, munido somente de sua integridade e seus belos olhos, um abatimento de seu débito com o Banco do Brasil de R$ 448 milhões para irrisórios R$ 4,1 milhões? (30) Uma redução amiga de 109 vezes o valor da pendência, decididamente, não é para qualquer bico.
Mas para bico de tucano, com certeza é...
A chave mágica gira pela primeira vez para o contraparente de José Serra em 1983. Catapultado pelo apoio do poderoso primo, Preciado toma assento no Conselho de Administração do Banco do Estado de São Paulo (Banespa), então o banco público estadual. O governador era Franco Montoro e Serra, seu secretário de planejamento.
Os tucanos ainda não eram tucanos e abrigavam-se no ninho do PMDB, de onde logo bateriam asas, acusando a velha legenda de antro de fisiologismo, pecha que a história, essa matrona sarcástica, cobraria do próprio PSDB um pouco adiante. O primo de Serra permanecerá no Conselho de 1983 a 1987.
Mas é com os cofres do Banco do Brasil que o primo do peito irá se encontrar. Em agosto de 1993, Preciado toma um empréstimo equivalente a US$ 2,5 milhões na agência Rudge Ramos, em São Bernardo do Campo (SP). O financiamento, em nome das empresas Gremafer Comercial e Importadora Ltda. e Aceto Vidros e Cristais Ltda. (31) que, na época, tinham vários títulos protestados na praça, demora a ser liberado.
Quando ocorre a liberação, as duas empresas de Preciado, atoladas em dívidas, não conseguem pagá-lo. No ano seguinte, acontece a primeira renegociação. Mas não é honrada. Apenas a Aceto paga uma parcela — referente a outubro de 1994 — do seu débito.
Corre o ano de 1994 e Preciado está mordendo a lona. Já deve aproximadamente R$ 20 milhões, que não pode pagar ao Banco do Brasil. Mas pode doar, por meio das endividadas Gremafer e Aceto, a bolada de R$ 87.442,82 para a campanha do primo Serra ao Senado. O BB ajuda a bancar as investidas empresariais de Preciado
e este ajuda a bancar a candidatura do primo. O depósito consta da prestação de contas do candidato à Justiça Eleitoral.
O tempo passa e o banco público não vê a cor do seu dinheiro.
Enquanto isso, a Gremafer vende R$ 1,7 milhão em imóveis. Mesmo assim, por bizarro que possa parecer, Preciado emplaca um segundo empréstimo no BB. Em novembro de 1995 — com FHC presidente e Serra senador — o inadimplente Preciado extrai não apenas um financiamento de montante ainda superior ao primeiro: US$ 2,8 milhões. De lambuja, uma nova e camarada renegociação permitiu-lhe abater R$ 17 milhões do passivo anterior! Aliás, depois disso, a Gremafer vendeu mais R$ 2,2 milhões em imóveis.
Para o BB rumariam apenas R$ 160 mil.
“Totalmente exótico”, registrou o Ministério Público Federal na ação cautelar de improbidade que moveu contra Preciado e duas dezenas de pessoas físicas e jurídicas em 2004. Mais do que exótico, ilegal. Dirigentes do BB “estão envolvidos num complexo de relações espúrias, mesclando negócios públicos com conexões políticas com altos funcionários do governo”, acentuou a ação. “A renovação sucessiva de operações sem liquidez, com garantias inidôneas e insuficientes, configura ato de improbidade”, agregou.
Perdoado e ainda agraciado com crédito farto, o primo de Serra, novamente, não salda sua dívida. Documentos do BB, citados pelo MPF, sinalizam que Preciado, em vez de pagar o devido e sanar suas empresas, teria aplicado os recursos em negócios pessoais, entre eles a lavanderia Mr. Clean e as empresas Petrolast, Gamesa do Brasil, Iscar, Porto Marín, além da fábrica de ferramentas Fhusa, esta na Espanha. E na aquisição de imóveis.
Em 1998, quando o poderoso diretor da área internacional, Ricardo Sérgio de Oliveira, mandava e desmandava no BB, a generosa direção do banco perdoou mais uma fatia substancial da dívida do apreciado primo. Apesar do passado e do passivo de mau pagador. De uma só tacada, desbastaram-se R$ 57 milhões da frondosa dívida. Nada mau. Preciado devia, então, R$ 61,3 milhões e passou a dever R$ 4,1 milhões. O MPF reparou que o próprio Preciado, em nota à imprensa, calculou sua dívida total — turbinada pela inadimplência e a elevada taxa de juros — em 140 milhões (R$ 448 milhões ao câmbio da época). O primo do hoje candidato tucano à Presidência da República ainda culpou “as draconianas regras do sistema bancário”, as quais identificou como “perseguição”.
Devendo milhões ao Banco do Brasil, com suas empresas arruinadas ou à beira da bancarrota, Gregório Marín Preciado é uma carta fora do baralho. Certo? Nada disso. Acontece que o empreendedor, primo e sócio de Serra, não é homem de se intimidar com pouca coisa. Quando se abriu a porteira dourada dos grandes negócios das privatizações na Era FHC, Preciado, num estalar de dedos, transmutou-se em player global para jogar o jogo pesado da privataria. E foi às compras. Representante da empresa Iberdrola, da Espanha, montou o consórcio Guaraniana, que adquiriu três estatais de energia elétrica: a Coelba, da Bahia; a Cosern, do Rio Grande do Norte; e a Celpe, de Pernambuco.
Parece mágica, mas não é. É algo bem mais soturno, movido não pela mão invisível do mercado, mas pela mão onipresente do ex-tesoureiro de Serra e de FHC, Ricardo Sérgio de Oliveira que, no exercício desmesurado do seu cargo, obrigou o Banco do Brasil e a Previ, a caixa de previdência dos funcionários do BB, dois lugares onde dava as cartas e jogava de mão, a entrar na dança de Preciado.
Seu poder chegou a tal exacerbação, que o BB associou-se a uma empresa representada por um notório e contumaz devedor do banco.
Ricardo Sérgio operava diretamente no BB, atuando na Previ por intermédio do diretor, João Bosco Madeiro da Costa. Ex-assessor de Ricardo Sérgio no banco, Madeiro da Costa desfrutava de tal intimidade com o ex-chefe, que os dois se tratavam por “boneca”. Foi Ricardo Sérgio quem indicou Madeiro da Costa para a Previ, que cumpriu fielmente as ordens recebidas. E a Previ realizou um negócio fabuloso, digno de constar em um manual da estupidez negocial.
Na composição do consórcio, a Previ entrou com 49% do seu capital, cabendo à Iberdrola, 39%; e ao BB, 12%. Na hora do desembolso, tocou à Iberdrola participar com R$ 1,6 bilhão; e o banco público, com R$ 500 milhões. E a Previ? Bem, a Previ depositou R$ 2 bilhões, de forma que entrou com a maior de todas as somas e, mesmo assim, não detinha o controle acionário do empreendimento. Pagou para o sócio comandar! Um case emblemático de como o dinheiro público pode servir de alavanca para alienar patrimônio público em favor de interesses privados.
Investigar este submundo onde a política serve como gazua para o enriquecimento privado nunca foi fácil. Preciado, por exemplo, deveria comparecer à CPI do Banespa (2002) para esclarecer suas relações com Vladimir Antonio Rioli, José Serra e Ricardo Sérgio de Oliveira. O PSDB, porém, travou sua convocação, mesmo contra a vontade do presidente da CPI, Luis Antônio Fleury (PMDB) e do aliado dos tucanos e relator da comissão Robson Tuma (PFL).
Preciado é o caminho para chegar até Serra e, assim, o “Espanhol” precisa de proteção. Porque protegê-lo significa impedir que toda a história desabe no colo dos caciques da sigla.
A vida é dura, mas Preciado não pode se queixar. Se o Banco do Brasil levou a pior na convivência com ele, o primo de Serra vai bem obrigado. Continua sendo dono da Aceto e da Gremafer.
É também o proprietário da Porto Marin Empreendimentos Imobiliários.
Hoje, é dono de uma mansão de US$ 1 milhão em Trancoso, paradisíaco recanto do Sul da Bahia. É o mesmo oásis que a família Serra busca para recuperar-se da árdua labuta para ganhar o pão de cada dia. Neste santuário da elite paulistana, como a empresária Eliana Tranchesi, dona da butique Daslu; e de vips globais, caso da top model Naomi Campbell; foi que José Serra passou o réveillon de 2010. Em Trancoso, Serra costumava hospedar-se com o primo. Daquela vez, porém, quem o recebeu, durante oito dias, foi a filha Verônica, proprietária de outra mansão.
Não se sabe se Serra trocou alguma ideia com o primo Preciado, mas o certo é que o “Espanhol” continua na ativa. Na Bahia, ele retornou ao noticiário enrolado na apropriação conturbada da ilha do Urubu, outro éden baiano, situada nas imediações de Trancoso.
Preciado e a ilha juntam-se por meio de uma decisão tomada pelo então governador baiano, Paulo Souto (DEM), em 2006, no apagar das luzes de seu governo. Não seria a primeira vez que uma iniciativa de Souto favoreceria o primo de Serra. Em 1997, o senador pefelista Antonio Carlos Magalhães luzia como o grande oligarca e centro do poder do Estado e fizera Souto, um de seus pupilos, sentar-se no trono baiano.
Como vender patrimônio público no Brasil da década de 1990 era um imperativo da mudernidade, Souto levou a leilão a Companhia Elétrica da Bahia, a Coelba, negociada por R$ 1,7 bilhão. Do outro lado do balcão estava justamente Preciado, como representante da multinacional Iberdrola no consórcio Guaraniana. A venda da estatal para o consórcio do primo de Serra foi saudada pelo então ministro de Minas e Energia de FHC, Raimundo Brito, como “um sucesso” e “um prêmio“ ao governo baiano que “vem administrando a empresa com seriedade e responsabilidade pública e empresarial”.
O affaire “ilha do Urubu” é diferente, mas também envolve concessão generosa de propriedade pública que, ao fim e ao cabo, favorece o parente do ex-governador paulista. Derrotado pelo petista Jacques Wagner nas eleições de 2006 e esvaziando suas gavetas no Palácio de Ondina, Souto foi à forra contra a Bahia e os eleitores e despachou um saco de bondades custeadas pelos cofres estaduais, que incluiu a outorga a particulares de 17 propriedades rurais, 12 imóveis e 1.042 veículos do Estado. É o que revelou denúncia do deputado Emiliano José (PT/BA), ampliada na imprensa. (32) Das terras outorgadas, uma foi a ilha do Urubu, considerada uma das áreas mais valorizadas do litoral do Atlântico.
Aconteceu assim: Souto doou a ilha a cinco integrantes da família Martins — Maria Antônia, Benedita, Ivete, Joel e Angelina — que a reivindicavam havia 30 anos. Pescadores e pequenos comerciantes, os Martins habitavam a ilha desde o começo do século passado. Os cinco aquinhoados só poderiam vender a ilha cinco anos após recebê-la em doação. No entanto, quatro meses após, Preciado tomou posse das terras pela pechincha de R$ 270 mil.
Até então, a relação entre Preciado e os Martins fora tumultuada.
É que o Espanhol também invocava a condição de proprietário da ilha obtendo, inclusive, da Justiça baiana, um mandado de reintegração de posse. O oficial de Justiça Dílson José Ferreira de Azevedo deu um testemunho eloquente sobre os métodos de convencimento aplicados pelos prepostos do primo de Serra.
Azevedo contou que, chegando à ilha, no dia 26 de outubro de 2006, encontrou apenas um casal de velhos — Maria Antônia e Joel Martins — à sombra de uma árvore. Os dois foram oficiados sem qualquer atrito. Entretanto, com a presença de empregados de Preciado, deflagraram -se as hostilidades. Nas palavras do oficial de Justiça à Vara Cível e Comercial da Comarca de Porto Seguro, os capangas dos autores (além de Preciado, a mulher dele, Vicência Talán Marín) “procederam a derrubada e queima do barraco ali existente”. Transcorridos dois meses, “Maria e Joel venderiam a mesma terra a quem lhes havia derrubado e incendiado a casa”. (33)
Em 2008, Preciado negociou seus direitos possessórios sobre 112 hectares da ilha para a empresa Bella Vista Empreendimentos Imobiliários. A Bella Vista é controlada pela Dovyalis Participações S.A, presidida pelo especulador belga Philippe Ghislain Meeus.
Preciado, que adquiriu as terras por R$ 270 mil, vendeu-as por R$ 5 milhões a Meeus. Hoje, este pedaço de terra, supostamente o mais valioso da orla sul-americana, valeria dez vezes mais. Preciado passou adiante a ilha, mas permaneceria proprietário de mais de 160 hectares na valorizadíssima região de Porto Seguro.
O lance final de Souto ao deixar o governo gerou uma disputa feroz. A começar pelo fato de que, além dos cinco Martins beneficiados, muitos outros membros da mesma família apresentavam-se como posseiros no lugar, alguns deles desde a década de 1930.
A confusão aumentou com o ingresso de um novo elemento na briga: os índios Pataxó. Com faixas com dizeres como “Nós somos os donos da ilha do Urubu”, um grupo de pataxós, chefiados pelo cacique Arakati, realizou um protesto no local e fez uma ocupação simbólica em fevereiro de 2010. Arakati afirma defender os direitos das índias Iracema e Vandelita Alves Martins, filhas do pataxó Aloísio Martins que, em 1964, teria recebido 56 hectares da fazenda Rio Verde — ilha do Urubu — da prefeitura de Porto Seguro.
No começo de 2010, um parecer da Procuradoria Geral do Estado declarou nula a doação da terra. Foi uma resposta à ação popular movida contra Souto que tramita na 8ª. Vara da Fazenda Pública, do Tribunal da Justiça da Bahia, e que acabou aplainando o caminho do primo de Serra. A iniciativa da ação foi do advogado Rubens Freiberger, em nome das duas índias.
Atribulações jurídicas à parte, a ilha parece estar em perigo. Em maio de 2010, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) multou duas vezes a empresa Trancoso Bio Resort Agropecuária Ltda. sob acusação de crime ambiental. A Bella Vista também foi penalizada. As duas empresas são vinculadas ao milionário Meeus.
A exemplo de Ricardo Sérgio, além da lavanderia do Banestado, do MTB Bank e da Beacon Hill, o Espanhol não teve nenhuma dificuldade em aprender a fórmula das poções milagrosas para arrecadar dinheiro em operações tecnicamente implausíveis. No final da década de 1990, Preciado descobriu que o Socimer International Bank — mal-afamada instituição financeira de capital espanhol — estava atuando clandestinamente no país. Na ocasião, o banco havia mergulhado em um escândalo que causou US$ 200 milhões de prejuízos a cerca de cinco mil clientes. Grosso modo, o Socimer captava dinheiro de pequenos investidores sob o pretexto de aplicar em títulos na dívida de países emergentes como o Brasil e o Chile. Seria uma transação corriqueira, se os títulos realmente tivessem sido comprados e todo o ervanário não tivesse desaparecido.
Em 2002, ao vasculhar processos judiciais e fazer um levantamento na Junta Comercial de São Paulo, (34) descobri que o Socimer, mesmo liquidado, estava atuando como instituição financeira em território brasileiro sem a autorização do Banco Central. Embora sua subsidiária no país, a Socimer do Brasil, pudesse apenas, legalmente, comercializar produtos de importação e exportação, o banco efetuava empréstimos e ajudava empresas e empresários a repatriar valores. Em 15 de outubro de 1997, por exemplo, o banco foi fiador de operação no montante de R$ 2 milhões em que o liquidado Milbanco repassou os créditos de seus correntistas ao Banco Industrial do Brasil. Obtidos durante uma busca de quase dois meses nos cartórios e na Justiça de São Paulo, os documentos revelam que as operações do Socimer eram feitas por meio de contratos particulares à margem das leis financeiras.
A papelada mostra que, no mesmo ano, Preciado recorreu ao mesmo banco para trazer US$ 1,3 milhão das Bahamas, outro paraíso fiscal do Caribe, por meio de uma simulação de empréstimo.
Na ocasião, os representantes do banco no país admitiram ao autor que não tinham autorização para realizar esse tipo de transação. Só que, ao contrário do que aconteceu com os correntistas que faliram ao comprar a papelada fantasma do banco, a tentativa de aplicar golpe no Brasil — pelo menos com Preciado — não deu certo. O Socimer teve de ingressar com um processo de execução na Justiça de São Paulo para receber a bolada trazida do Caribe. Foi graças ao processo, em fase de conclusão, que o autor teve acesso aos detalhes da transação. Mais uma vez as ligações entre o ex-tesoureiro de campanha do PSDB e Preciado vêm à tona. Nos autos do processo, Preciado confessa possuir dívida de R$ 82 mil com Ronaldo de Souza — ex-sócio e testa de ferro já falecido de Ricardo Sérgio. A justificativa alegada para a dívida é a aquisição de um terreno.
Disposto a provar que todas as denúncias são somente intrigas da oposição, Preciado está publicando suas memórias sob o título Vida Aberta. Veiculadas em capítulos, desde o começo de 2010 no site da família, (35) a narrativa aborda a trajetória de Preciado e de suafamília no Brasil. Preciado conta, por exemplo, que o pai dele, Gregório Marín Burdio, perseguido pelo ditador Francisco Franco, teve de abandonar Zaragoza, na Espanha, em meados do século passado. Foi assim que começou a história dos Marín Preciado em solo brasileiro. Os laços de amizade com José Serra, reforçados na década de 1960 em São Paulo, são também tratados detalhadamente.
“Aos 20 anos, retomei meus laços de amizade com a família Serra e Talán, que conhecera no Mercado Central e reencontrei Bidu (Vicência Talán Marín), paixão e amor à primeira vista. Minha esposa há 43 anos e prima -irmã, por parte de mãe, de José Serra.” O Espanhol volta a falar de Serra ao retratar a história do exílio do ex-governador durante o regime militar.
“Naquela época do nosso namoro (entre Preciado e Bidu), entre 1963 e 1964, Serra era presidente da União Nacional dos Estudantes.
Discursos incendiários, João Goulart, Revolução Militar, exílio.
Primeiro para a Bolívia. Me lembro da ida com o meu sogro, Pedro Talán, à embaixada da Bolívia no Rio de Janeiro, despedida para o exílio numa noite típica de São Paulo em um hotelzinho pequeno, em frente ao aeroporto de Congonhas.”
De acordo com o Espanhol, a proximidade com Serra o teria levado a participar da fundação do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e da campanha em favor da redemocratização.
Garante que teria ajudado a viabilizar a ideia de Alexandre Dupas de fazer o placar das Diretas Já, (36) além de angariar recursos para a publicação do livro A transição democrática que deu certo. As constantes viagens de Preciado ao exterior, onde Serra estava exilado, acabaram estreitando os laços entre os dois. “Encontrei-o em Nova York, na Ithaca Cornell University. Conheci brasileiros exilados, alguns hoje expoentes na política. Serra voltou do exílio sozinho.
Mônica e filhos ficaram nos Estados Unidos e ele morou em minha casa durante quase um ano. Nesse período, em inumeráveis reuniões noturnas, nasceu o germe da transição, da volta à democracia, começou-se a organizar-se o MDB com Ulysses Guimarães, FHC, Franco Montoro e José Gregori.”
Preciado justifica que só foi nomeado conselheiro do Banespa, durante o governo Franco Montoro, devido à influência de peixes graúdos do então MDB. Diz ter sido indicado para o cargo por Ulysses Guimarães e pelo próprio Montoro. O nome de Serra não é citado. “Ganhamos as eleições em São Paulo e participei ativamente de quase todas as campanhas. Graças a essas amizades, os saudosos Franco Montoro e Ulysses Guimarães me indicaram para o Conselho de Administração do Banespa. Luiz Carlos Bresser Pereira aprovou meu histórico e indicação. Permaneci nos dois primeiros anos, ao longo do mandato de Bresser como presidente do banco. Quando Fernando Milliet assumiu o cargo, fui confirmado ao cargo para mais dois anos por minha conduta ilibada.”
Em outubro de 2010, o blog deu um tempo para as memórias. E concentrou-se nas notícias da festa de 90 anos da sogra de Espanhol, Tereza Chirica Talán. A festa reuniu cerca de 80 parentes das famílias Serra e Preciado, no Ópera Bar, tradicional casa noturna no bairro de Pinheiros, Zona Oeste da Capital paulista. Em plena campanha presidencial, Serra não pôde comparecer. Em dezembro, Preciado reuniu novamente a família, desta vez para comemorar o aniversário, também de 90 anos da mãe, Assunción Preciado Graciano, em Santo André, na região do Grande ABC. Ao discursar, Preciado não conseguiu segurar a emoção. Antigos aliados do senador Antonio Carlos Magalhães, que nunca morreu de amores por Serra, os adversários baianos de Preciado ironizam. Dizem que o Espanhol, hoje totalmente livre de dívidas, também costuma se emocionar em festas ao lembrar do apoio que sempre recebeu no país. “Viva el Brasil”, costuma brindar Preciado. “Viva la privatización”, emendam seus inimigos.
(30) A dívida de Preciado com o Banco do Brasil foi estimada em US$ 140 milhões, segundo declarou o próprio devedor. Esta quantia foi convertida em reais tendo -se como base a cotação cambial do período de aproximadamente R$ 3,20 por um dólar. O caso foi revelado em 2002 pelo jornalista Fernando Rodrigues, da Folha de S. Paulo.
(31) Gremafer Comercial e Importadora Ltda., de São Bernardo do Campo (SP), e Aceto Vidros e Cristais Ltda., de São Paulo (SP). A Gremafer trabalhava com a importação de ferramentas.
(32) “Ilha do Urubu, o paraíso traído”, matéria de Leandro Fortes em Carta Capital, edição de 05/11/2009.
(33) Idem.
(34) “O paraíso fiscal é aqui”. Amaury Ribeiro Jr. em IstoÉ, edição de 18/09/ 2002.
(35) gregoriomarinpreciado.blogspot.com.
(36) O painel expunha à população o nome dos parlamentares que votavam a favor e contra as Diretas Já.
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Como o livro do Amaury bota o Serra em cana

O Gaspari de muitos chapéus vai se arrepender amargamente de ter inventado esse maldito termo “privataria”.
Logo ele, o único a que, de verdade, o "Padim Pade Cerra" dá ouvidos.
Os dois trocam receitas de veneno, nas conversas madrugada adentro.
É que o livro que vai levar o "Cerra" à PF Hilton tem esse título:
“A Privataria Tucana”, de Amaury Ribeiro Júnior, lançado pela Geração Editorial e a que a Carta Capital primeiro teve acesso.
O livro oferece ao Zé (vejam por que os amigos de Dantas chamam o Ministro da Justiça, carinhosamente, de Zé) Cardozo, e, portanto, à ex-Republicana Polícia federal, e ao brindeiro Roberto Gurgel, o guardião da sociedade, a oportunidade ímpar de botar o "Cerra" na cadeia.
Ele e o que o Amaury chama de “clã Serra”.
Vamos por partes.
O Amaury prova exaustivamente, já que tudo o que diz se acompanha de documentos:
- o genro de "Cerra" é um lavador de dinheiro e seus bens estão indisponíveis;
- a filha de "Cerra" é uma lavadora de dinheiro e violadora de sigilos fiscais e bancários; e, por isso, está indiciada num processo;
- "Cerra" e seu sócio e cunhado Preciado (o Fernando Rodrigues perdeu a oportunidade de entrar para a História do Jornalismo Investigativo…) fizeram uma tramóia com um terreno no Morumbi;
- seu cunhado e sócio Preciado operava o Banespa e, mesmo falido, comprou uma empresa na privatização;
- outro sócio de "Cerra", o Rioli lavou dinheiro e operou uma empresa falida, a Calfat com dinheiro público; por isso, mereceu de Amaury o epíteto “Mandrake das privatizações”.
- "Cerra" escondeu da Justiça Eleitoral suas operações comerciais com Rioli e Preciado;
- Ricardo Sergio de Oliveira, chefe da tesouraria das campanhas do "Cerra" E DO FERNANDO HENRIQUE é um “manual da roubalheira”.
Ricardo Sergio, também chamado de “Mr. Big” fez de tudo:
- lavou dinheiro para a filha e o genro do "Cerra";
- recebeu propina da Carlos Jereissati, sócio de Sergio Andrade na trampa da BrOi;
- ajudou a montar a trampa da privatização do Daniel Dantas – é aquele momento Péricles de Atenas do Governo "Cerra"/FHC: “se der m… estamos todos no mesmo barco”.
(Depois Jereissati, desinteressadamente, contribui para a campanha do "Cerra" com um valor infinitamente menor do que aparece no livro do Amaury. )
Ricardo Sergio foi apresentado ao "Cerra" pelo Clovis Carvalho, que o Fernando Henrique queria fazer Ministro da Fazenda do Itamar, quando saiu do Governo para ser candidato.
(Quem disse isso ao ansioso blogueiro foi o próprio Farol, dentro de um avião da ponte aérea Nova York – Washington.)
Um dia, no restaurante Massimo, quando este ansioso blogueiro frequentava o Massimo e falava com o Gaspari, o ansioso blogueiro contou que o Ricardo Sergio o processava.
Mr. Big foi um dos pioneiros nessa lista que enobrece o ansioso blogueiro, a “Galeria de Honra Daniel Dantas”.
Gaspari disse assim: vou falar com o "Cerra" para acabar com isso.
(Quem acabou foi a Justiça. O advogado Manoel Alceu Affonso Ferreira, defensor deste ansioso blogueiro, botou o Ricardo Sérgio para correr.)
Tem a lavagem de dinheiro de diamantes, operação que contou com o brilho do Ricardo Sergio.
Ricardo Sergio foi quem criou o “business plan” – mostra o Amaury – para as operações subsequentes do banqueiro condenado, Daniel Dantas – e do genro e filha do "Cerra".
Lá está, em todas as tintas, o doleiro Messer, que conhece a alma tucana ainda melhor do que o Ciro Gomes.
Ricardo Sergio aparece de corpo inteiro ao receber propina para privatizar a Vale.
A Vale, aquela que, segundo o Fernando Henrique, foi vendida a preço de banana a pedido do "Cerra".
- Um último item deste roteiro para levar o "Cerra" ao PF Hilton seria acompanhar os documentos que o Amaury publica sobre suas relações com a empresa de arapongagem e montagem de dossiês, a Fence.
A Fence foi trabalhar para o Governo de São Paulo, "jestão" "Cerra", sem licitação…).
A Fence, do “Dr. Escuta”, trabalha para o "Cerra" desde os bons tempos do Marcelo Lunus Itagiba no Ministério da Saúde, onde a Roseana Sarney foi devidamente defenestrada da campanha presidencial de 2002.
A Fence voltou ao Governo de São Paulo, como "Cerra", no âmbito da Prodesp, a empresa de processamento de dados (sigilosos, do Estado de São Paulo).
Um escárnio.
Ficou lá, a trabalhar para os altos desígnios eleitorais do "Cerra", até que o Geraldo Alckmin rompesse o contrato.
Só a Fence e o “Dr Escuta” davam uns dez anos de cadeia ao "Cerra" (os mesmos dez que o corajoso Juiz Fausto De Sanctis outorgou ao banqueiro condenado).
Se o Zé Cardozo e o brindeiro Gurgel quiserem trabalhar…
Muita gente achava que, se os discos rígidos fossem abertos, a República parava por dois anos.
Foi por essas e outras que a Douta Ministra Ellen Gracie, em boa hora substituída, estabeleceu notável Sumula Vinculante, que rege muitas decisões pelo país afora: Dantas não é Dantas, mas Dantas.
Muita gente achou que a Satiagraha ia sacudir o coreto dos tucanos.
E vai mesmo.
A I e a II.
Por isso, foi um Deus-nos-acuda e teve quem chamou o Presidente “às falas”.
O Amaury tranquilizou todo mundo.
Deixa os discos rígidos, adormecidos, sob as doutas nádegas do Ministro Eros Grau, que os sequestrou do Juiz De Sanctis.
A Satiagraha I daqui a pouco ressuscita, apesar do Dr Macabu.
Mas, antes disso, as vísceras tucanos vieram à mostra.
Zé e brindeiro: ao trabalho!
Paulo Henrique Amorim
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Charge online - Bessinha - # 929

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Capítulo 11 do livro "A Privataria Tucana"

Quem é o Doutor Escuta
Por Amaury Ribeiro Jr., em A Privataria Tucana
(capítulo 11), reprodução autorizada pela 
Geração Editorial
Derrotado na disputa à Presidência da República, José Serra gastou boa parte da campanha eleitoral de 2010 resmungando contra “espiões” que estariam bisbilhotando a vida de sua filha Verônica e de ilustríssimas figuras de seu partido. Sua aliada, a mídia encarregou-se de reverberar seus protestos, turbinando-os com altos decibéis. A arapongagem teria raiz no “núcleo de inteligência” montado por petistas, cuja existência nunca foi provada. Serra sempre refutou, também com veemência, adotar práticas semelhantes às que supunha ver praticadas por seus adversários.
Mas as relações de Serra com o submundo da espionagem foram levantadas pelo próprio autor. Faltava, no entanto, prová-las. Este capítulo traz essa prova cabal, os documentos inéditos que comprovam definitivamente o que todo mundo sempre soube. Serra costuma recorrer ao submundo da espionagem para vasculhar a vida de seus adversários políticos.
A papelada cedida ao autor pelo jornalista Gilberto Nascimento evidencia que o então governador paulista contratou, sem licitação, por meio da Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp), a empresa Fence Consultoria Empresarial. A Fence é propriedade do ex-agente do Serviço Nacional de Informações (SNI), o legendário coronel reformado do Exército Ênio Gomes Fontelle, 73 anos, conhecido na comunidade de informações como “Doutor Escuta”.
A empresa do “Doutor Escuta” foi contratada por R$ 858 mil por ano “mais extras emergenciais” — pagos pelo contribuinte — no dia 10 de julho de 2008. Vale lembrar que nessa época a vida particular do ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves estava sendo espreitada por arapongas no Rio de Janeiro, onde a Fence está sediada. Talvez isso explique por que a Prodesp tenha invocado “inelegibilidade” para contratar a empresa do araponga sem licitação.
Em outras palavras, a Prodesp afirma que o “Doutor Escuta” não tinha concorrentes à altura para realizar o serviço. Conforme o contrato, entre outros serviços, a Fence é responsável pela “detecção de incursões eletrônicas nas instalações da Prodesp ou em outras localizações de interesse da empresa”. Isto significa que a empresa tem como acessar os dados pessoais de funcionários públicos, de juízes e até de parlamentares por uma simples razão: a Prodesp é a responsável não só pela folha de pagamento, mas também por todos os serviços de informação do Estado. Ou seja, o contrato concede à firma do “Doutor Escuta” o direito de invadir esses dados na hora que bem entender. Até o fechamento deste livro (final de junho) o governador Geraldo Alckmin (PSDB) mantinha o contrato com a empresa de Fontelle.
E o que o delegado federal e ex-deputado, também federal, Marcelo Itagiba, tem a ver com isso? A resposta quem fornece é o próprio currículo do coronel. O “Doutor Escuta” jacta-se de haver integrado o seleto grupo de arapongas que Serra, quando era ministro da Saúde de FHC, montou na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
Sob a batuta de Itagiba, além do coronel Fontelle, estavam ainda mais dois personagens destas páginas. Um deles, o ex-agente do SNI Fernando Luiz Barcellos, de alcunha “agente Jardim”. E… adivinhe quem mais! Sim, ele mesmo, o delegado Onézimo das Graças Sousa, aquele mesmo frequentador do restaurante Fritz, da confeitaria Praline e das páginas da Veja e dos jornalões em 2010.
O ninho de arapongas da Anvisa foi desativado pelo próprio Serra, o que aconteceu após a imprensa denunciar que a vida privada de servidores do Ministério da Saúde e de desafetos do então ministro — entre eles seu colega, o ministro da Educação, Paulo Renato de Souza, falecido em 2010 — estaria sendo esquadrinhada. Na época, o argumento de Serra para a arregimentação de arapongas foi o medo. Receava ser grampeado por representantes das indústrias de medicamentos, que teriam sido contrariados por medidas do governo.
Coincidentemente, o “Doutor Escuta” e os demais pássaros foram contratados em 2002, quando partidários do PFL (atual DEM) denunciaram a suposta vinculação de setores do governo do PSDB com os grampos fatais à candidatura pefelista à Presidência da República. Teriam levado a Polícia Federal a descobrir que a empresa Lunus, de propriedade da candidata Roseana Sarney e de seu marido Jorge Murad, guardava R$ 1,34 milhão em seu cofre. Suspeita-se que o dinheiro alimentaria a campanha do PFL, implodida ali mesmo pela apreensão.
O “Doutor Escuta” vem de longe. Foi no período do presidente João Baptista Figueiredo que ele se integrou à comunidade de informações. Entrou pelas mãos do ex-ministro-chefe do SNI, Octávio Medeiros. Seu rumo foi o Garra, braço armado das ações clandestinas e a arma mais letal do SNI durante a ditadura. Fontelles recebeu a tarefa de modernizar o arsenal tecnológico do órgão. Como seu próprio codinome esclarece, o “Doutor Escuta” comandou uma equipe de trabalho que desenvolveu aparelhos de escuta com tecnologia nacional que substituiram os importados.
Faziam parte do seleto grupo do Garra os coronéis Ary Pereira de Carvalho, o “Arizinho”; e Ary de Aguiar Freire, acusados de participar do complô que resultou no assassinato do jornalista Alexandre Von Baumgarten em outubro de 1982. Dois meses antes de morrer, o jornalista compôs um dossiê. No chamado Dossiê Baumbarten, os dois Arys são acusados de terem participado da reunião em que foi selada a morte do jornalista.
O sargento Marival Dias, do CIE (Centro de Informação do Exército), soube da morte do jornalista antes mesmo de seu desaparecimento ser anunciado. Disse ao autor que Baumgarten teria sido executado pelo “Doutor César”, codinome do coronel José Brant, também do Garra, a exemplo de Fontelles. Agente do CIE em Brasília, Dias teve acesso a um informe interno onde se afirmava que a morte se devia a Brant. Em uma operação do Garra para intimidar Baumgarten, o “Doutor César” teria se excedido e matado o jornalista. Isto o teria obrigado a eliminar duas testemunhas: a mulher de Baumgarten, Janete Hansen, e o barqueiro Manuel Valente. A reportagem publicada na revista IstoÉ nunca foi desmentida.
Aos seus clientes, o coronel Fontelles costuma dizer que sua empresa presta serviços de contraespionagem e não espionagem. Como veremos mais à frente, foi justamente esse trabalho, ou de contraespionagem, que acabou envolvendo o autor no episódio da suposta quebra de sigilo de Verônica Serra durante a campanha presidencial de 2010.
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Omertá: o pacto de silêncio das redações

Ainda não tenho informações suficientes sobre o livro recém-lançado do Amaury Junior, “Privataria Tucana”, para fazer uma análise decente sobre o seu conteúdo. O que pincei até agora nos sites da Carta Capital e Viomundo é que de forma geral envolve José Serra e asseclas com off-shores das Ilhas Virgens, mostra como Serra usa esquema com arapongas (pagos com dinheiro público) contra adversários e correligionários que se atravessam o seu caminho, além de proezas empresárias de sua filha, Verônica Serra.
O livro, que estranhamente não está sendo encontrado na maioria das principais livrarias do país, ainda corre o risco de ser censurado por alguma ação judicial para recolhimento da obra, que já deve ter sido movida pelo personagem principal da trama do jornalista. Se isso vier acontecer cai a máscara, mas eu não duvido de mais nada partindo dessas pessoas.
O que já está escancarado, e não me causa mais surpresa alguma, é o fato dos veículos que compõem a máfia das comunicações tupiniquim, cito Globo, Folha, Estadão, Veja e satélites, assim como os seus prepostos, estarem completamente calados a respeito, a despeito de toda a provocação sofrida nas redes sociais.
Tal qual a Máfia Siciliana, a Máfia do Millenium também tem a sua Omertá, seguido por seus soldistas com fidelidade canina (é uma metáfora, adoro cachorro e eles não merecem a comparação). A blindagem feita por esses veículos quanto a denúncias que atingem tucanos de alta plumagem poderia ser comparada a uma seita fundamentalista, se não soubéssemos que a motivação é bem mais suja e indecorosa do que radicalismo religioso.
Como uma peça do destino (outra metáfora, sou agnóstico) aqueles que bradavam serem ungidos combatentes pela moralidade foram flagrados com as mãos cheias de merda tentando esconder a porcaria toda. Se não fosse escatológico, diria que é lindo ver os hipócritas mostrando suas enceradas caras de pau. Esses dias um blogueiro do Globo.com passou a atacar Dilma com impropérios e adjetivos incompatíveis com o exercício da profissão, hoje o desonesto tá lá quietinho, tão murchinho quanto o seu caráter. Diria que é conivente, mas é mais do que isso: é cúmplice.
Quando não der mais para segurar, até porque o burburinho vai continuar independente da vontade deles, o jeito vai ser apelar para a falácia Ad Hominem e atacar o jornalista, citando que foi indiciado pela PF no ano passado, como se tivessem condições de usar esse argumento depois de utilizarem como fonte “confiável” os “fichas-limpas” Ex-PM João Dias e Rubnei Quícoli, o consultor da Folha.
Impagáveis vão ser ver as explicações para o distinto público do motivo pelo qual as denúncias de dois ex-presidiários com ficha corrida na justiça valem mais que a de um jornalista, colega de trabalho, e que já dividiu a redação com muitos deles. Impagáveis e esquizofrênicas.
Apesar da tendência de queda de várias máscaras, eu não tenho grandes esperanças que o livro cause muitos estragos ao Serra, até porque não tenho dúvidas que a blindagem vai continuar até o fim , mesmo que percam ainda mais credibilidade, pelo poder vale tudo. Resta à blogosfera fazer o seu trabalho de formiguinha e informar ao maior número de pessoas possíveis o que realmente acontece fora do show de trumam com pacto de máfia.
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"A Privataria Tucana" revela conteúdo devastador para José Serra

Leandro Fortes
Nesta sexta-feira 9, assino a reportagem de capa de CartaCapital irá apresentar, em primeira mão, o conteúdo do livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr. Resultado de 12 anos de trabalho, o livro chegou a ser considerado uma lenda urbana quando as primeiras notícias sobre ele surgiram, em 2010, em plena campanha eleitoral. Um ano depois, a obra de Ribeiro Jr. chega às livrarias com um conteúdo devastador, sobretudo para o ex-governador José Serra, do PSDB, principal personagem das 343 páginas do livro. Nelas, o leitor irá se defrontar com um complexo sistema de maracutaias financeiras montadas, entre 1998 e 2002, para desviar dinheiro das privatizações levadas a cabo durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Também vai entender como funcionam os mecanismos de lavagem de dinheiro que permitiram aos envolvidos movimentar bilhões de reais em paraísos fiscais, à custa de negociatas e pagamentos milionários de propinas.
No livro, Ribeiro Jr. elenca uma série de personagens envolvidas com a “privataria” dos anos 1990, todos ligados a Serra, aí incluídos a filha, Verônica Serra, o genro, Alexandre Bourgeois, e um sócio, Gregório Marín Preciado. Mas quem brilha mais do que todos na obra de Amaury Ribeiro Jr. é o ex-diretor da área internacional do Bando do Brasil, o economista Ricardo Sérgio de Oliveira. Ex-tesoureiro de Serra e FHC, Oliveira é o cérebro por trás da complexa engenharia de contas, doleiros e offshores criadas em paraísos fiscais para esconder os recursos desviados da privatização usados para pagar e receber subornos.
Em entrevista à CartaCapital, Ribeiro Jr. conta como apurou e produziu o livro que, mesmo antes de ser publicado, provocava arrepios e surtos de pânico entre os tucanos. Acusado de ter quebrado ilegalmente sigilos fiscais de celebridades tucanas, ele garante que foi vítima de uma armação montada por Serra para tentar neutralizar o conteúdo do livro. Todos os muitos documentos disponibilizados na obra, garante, foram obtidos legalmente. “Serra sempre teve medo do que seria publicado no livro”, afirma Ribeiro Jr.
Leandro Fortes, via Facebook
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Charge online - Bessinha - # 928

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Desenvolvimento e socialismo

Artigo aponta a necessidade de articulação entre um projeto de desenvolvimento democrático e popular
Introdução
A possibilidade concreta de se viabilizar uma transição ao socialismo está hoje fora da agenda da sociedade brasileira. A hegemonia burguesa consolidou-se, após um longo período de defensiva das idéias socialistas. Parte da esquerda formada a partir dos anos 1970-80 adaptou-se e ajudou a consolidar tal hegemonia, conferindo-lhe inédita legitimidade. Essa parcela significativa da esquerda que inclui lideranças políticas, sindicais e populares dá nova qualidade ao pacto de classes estabelecido no Brasil, após a eleição de Luís Inácio Lula da Silva à presidência, em 2002. Estabeleceu-se uma aliança sólida entre tais setores e o grande capital financeiro e industrial e o agronegócio, em torno de um projeto de desenvolvimento. Embora se percebam vários matizes no interior desse grande acordo, a maior parte de seus agentes se unifica em torno de algumas linhas-mestras:
1. Absoluta prioridade aos setores rentistas, para os quais se destina cerca de 40% do orçamento federal, sob a rubrica de pagamento dos serviços da dívida pública, baseados nos juros reais mais altos do mundo;
2. Manutenção de uma taxa de câmbio valorizada, que favorece o capital externo e os setores exportadores de produtos não industrializados;
3. Livre circulação de capitais;
4. Expansão do mercado interno, através da elevação do salário mínimo e de programas de transferência de renda;
5. Diversificação dos parceiros comerciais do Brasil no plano externo e
6. Manutenção de toda ordem jurídico-institucional criada para a implantação do modelo neoliberal.
Não se trata mais do neoliberalismo puro e duro dos anos 1990, quando aconteceram as privatizações em massa e o grosso das reformas constitucionais que garantiram a nova ordem. Tudo se deu ao custo de aumento do desemprego e de três crises consecutivas na economia brasileira. Esse viés mais radical do mercadismo perdeu legitimidade, mas permanece vivo nas páginas e telas da grande mídia e nos partidos de direita.
Atualmente, mantidas suas características básicas, o modelo se arraigou na sociedade brasileira, gerando moderadas taxas de crescimento econômico, além de uma melhoria no padrão de vida dos assalariados e da adoção de políticas sociais focadas.
Num plano muito minoritário em termos de expressão política, existe um projeto à esquerda - que contempla também várias nuances. Na verdade, não se conforma nitidamente como alternativa, mas como ideário disperso em alguns setores sociais. Ele poderia, genericamente, ser classificado como democrático-popular. Essa vertente envolve frações dos trabalhadores, da pequena e média burguesia e mesmo partes minoritárias da burguesia. Algumas dessas formações encontram-se abrigadas no pacto de classes majoritário e, vez por outra, exibem descontentamentos com os rumos da orientação geral.
Como tratar a questão da transição do capitalismo para o socialismo nessas balizas concretas? Como colocar o tema no plano da tática - ou seja, da política - e não no terreno de uma estratégia desvinculada da formação social e econômica e social atual do país?
Este pequeno texto não responde a tais questões. Elas seguem em aberto nos dias que correm. Busca-se aqui tão somente apontar a necessidade de articulação entre um projeto de desenvolvimento democrático e popular nos marcos do capitalismo realmente existente e a luta pelo socialismo.
Problema tático
Duas décadas depois da derrocada dos regimes do socialismo real, que gerou uma aguda crise política e ideológica na esquerda mundial, e quase uma década após a chegada ao poder de um partido de origem popular no Brasil, o que significa exatamente advogar uma ruptura socialista?
Um objetivo como esse não pode ser uma construção apenas doutrinária, desvinculada das lutas e condições da realidade política. Ruptura - ou revolução - e socialismo não são valores ou categorias morais. São, antes de tudo, objetivos políticos, inseridos na real disputa de forças na sociedade. Isso implica estabelecer metas de curto, médio e longo prazo, examinar quem são os sujeitos políticos dessa empreitada, os aliados e os inimigos e traçar um programa mínimo e um programa máximo de ação. Em outras palavras, são partes da construção de uma tática e de uma estratégia política. Não se trata assim de tarefa acadêmica. Uma articulação desse tipo deve captar uma necessidade expressiva na sociedade, tendo como núcleo fundamental os trabalhadores, os setores pobres da cidade e do campo e parcelas da pequena burguesia. Outras frações de classe podem eventualmente se juntar nessa empreitada, dependendo das condições concretas da disputa política.
Ao longo das últimas duas décadas, revolução passou a ser um conceito tido como obsoleto. A queda do muro de Berlim, em 1989, a derrota eleitoral dos sandinistas na Nicarágua, em 1990, o desmanche da União Soviética, em 1991, e a supremacia do modelo neoliberal em quase todo o mundo, acuaram as forças que pregavam mudanças na ordem social. A própria idéia de revolução, no sentido de uma transformação radical da realidade, foi colocada em xeque. Ela voltou à baila primeiro pelas mãos do presidente venezuelano, Hugo Chávez, que desde sua chegada ao poder, em 1998, alardeia comandar uma revolução em seu país. Mais recentemente, as mobilizações populares nos países árabes chegaram a ser chamadas de revolução. Independente da exatidão ou não na utilização do termo, o certo é que ele saiu do limbo a que foi relegado há duas décadas.
O que é uma revolução? As definições sobre uma mudança de tal natureza foram sintetizadas por Caio Prado Júnior (1907-1990):
Revolução, em seu sentido real e profundo, significa o processo histórico assinalado por reformas e modificações econômicas, sociais e políticas sucessivas que, concentradas em período histórico relativamente curto, vão dar em transformações estruturais da sociedade, e em especial das relações econômicas e do equilíbrio recíproco das diferentes classes e categorias sociais.
Fernando Claudín (1915-1990), histórico dirigente comunista espanhol, destaca um traço fundamental nas revoluções:
Toda revolução social, tanto socialista como burguesa, compreende como momento necessário a revolução política, a passagem do poder a uma nova classe.
O debate sobre processos revolucionários pode levar à discussão de outro conceito banido da agenda política: o projeto socialista. Se, como dizia Marx, o socialismo representará o desenvolvimento máximo das forças produtivas, com a disseminação do bem-estar e da qualidade de vida, há que se superar o desenvolvimento capitalista, mudando sua qualidade, guardando algumas de suas características, mas negando outras, essenciais, para a construção de uma nova síntese que pode ser genericamente chamada de desenvolvimento socialista.
A esquerda e o desenvolvimentismo
Embora o desenvolvimento econômico sob o capitalismo seja um projeto essencialmente burguês, é preciso levar em conta algumas de suas características. No caso brasileiro recente, o aumento da massa salarial, a expansão dos níveis de emprego e a disseminação do crédito acabam por atrair largos setores dos trabalhadores para o pacto dominante. A melhoria imediata dos padrões de vida, como acontece atualmente em vários países da América Latina, após duas décadas de estagnação, consolidou a idéia que o desenvolvimento é igualmente bom para todos.
Celso Furtado (1920-2004), o mais radical e talentoso reformista burguês do Brasil, diferenciava desenvolvimento de crescimento. Para ele, "O crescimento econômico, tal qual o conhecemos, vem se fundando na preservação dos privilégios das elites que satisfazem seu afã de modernização; já o desenvolvimento se caracteriza pelo seu projeto social subjacente. Dispor de recursos para investir está longe de ser condição suficiente para preparar um melhor futuro para a massa da população. Mas quando o projeto social prioriza a efetiva melhoria das condições de vida dessa população, o crescimento se metamorfoseia em desenvolvimento".
Ou seja, trata-se de um processo de transformação social. Essa transformação será tão mais profunda quanto mais a esquerda socialista souber empreender uma luta política para fazer aliados e formular programas na luta por um desenvolvimento distributivista, democrático e ecologicamente sustentável, que aponte para o socialismo. Não se coloca aqui em dúvida que a transformação almejada será socialista. Discute-se a tática a ser empreendida. Ela depende dos rumos a serem traçados, mas sobretudo da luta e das condições política concretas.
Para definir os atores sociais de uma empreitada dessa envergadura, é preciso apontar o que se quer e onde se deseja chegar. A estratégia de transformação conformará a frente de interesses e de interessados, deixando claro quais os beneficiados e quais os prejudicados com o processo.
Ao mesmo tempo, a esquerda não pode permanecer como caudatária do desenvolvimentismo burguês. Isso aconteceu de forma clara depois da divulgação da Declaração de Março de 1958, do Partido Comunista Brasileiro (PCB).
Vale a pena estudar aquele documento. Ele é contraditório, mas extremamente interessante. O texto tem o mérito de produzir um giro na atuação partidária, que havia adotado concepções ultraesquerdistas, estreitas e sectárias após a publicação dos manifestos de janeiro de 1948, de agosto de 1950 e das resoluções do IV Congresso, de 1954. Todos representam reações à colocação do partido na ilegalidade, em 1947. O resultado foi o isolamento do PCB das forças nacionalistas e progressistas. Após o texto de 1958, a agremiação adotou uma linha de participação no movimento nacionalista, assumiu a luta democrática como bandeira e possibilitou a ela tocar as questões concretas do dia a dia. Houve uma busca pela concretização de alianças, sem exigências irreais, dogmáticas e apriorísticas de hegemonia, como acontecia no período anterior.
No entanto, a Declaração de Março tem como questão principal um grave erro estratégico, fruto de uma análise precária da composição de classes da sociedade brasileira. O texto atribui à "burguesia nacional" um papel progressista. A dada altura, a Declaração diz o seguinte:
O proletariado e a burguesia se aliam em torno do objetivo comum de lutar por um desenvolvimento independente e progressista contra o imperialismo norte-americano.
O resultado concreto foi que o Partido acabou por se colocar a reboque da "burguesia nacional" e de sua concepção política e econômica central, o nacional-desenvolvimentismo. A maior parte dessa burguesia aliou-se ao imperialismo no golpe de 1964, isolou e combateu os comunistas e a esquerda em geral.
O período nacional-desenvolvimentista não foi uniforme e suas características intrínsecas conheceram várias nuances. Obteve-se, através dessas orientações, um modelo de modernização acelerado, que não tocava nas estruturas arcaicas de concentração da renda e da propriedade.
Provocou um dos maiores deslocamentos humanos da história contemporânea, através das migrações internas do campo para a cidade, com vantagens e problemas daí advindos.
O desenvolvimentismo dos anos 1950 entrou em crise, no final daquela década, por conta da maciça e crescente necessidade de importação de bens de produção, o que passou a causar desequilíbrios estruturais no balanço de pagamentos. Some-se a isso, uma contradição inerente ao desenvolvimento, a formação de uma numerosa e disciplinada classe operária, que passou a reivindicar uma repartição maior das riquezas por ela produzida, colocando-se na prática contra um dos pilares do modelo, a superexploração do trabalho.
As raízes do golpe de 1964 estavam principalmente em impedir que as classes sociais emergentes na cena política a partir de 1930 - especialmente o operariado, os trabalhadores rurais e setores das camadas médias - exigissem democratização da propriedade, da renda e do poder político. Para seguir atraindo o capital externo, o país teria de domesticar as reivindicações trabalhistas e criar um ambiente politicamente estável.
O golpe de 1964 é a maior expressão histórica do equívoco de se submeter o movimento popular a uma diretriz própria da burguesia. O exame criterioso desse exemplo deve nortear as ações táticas e estratégicas da esquerda brasileira.
As vertentes da retomada
Após duas décadas de defensiva das camadas populares, a sociedade brasileira viveu novamente, a partir dos anos 1980, um intenso período de disputas, no bojo das lutas políticas pelo fim da ditadura. O debate tinha como pano de fundo a ofensiva do movimento popular.
A percepção de que o modelo anterior entrara em crise, gerando um acentuado desgaste político do regime suscitou um grande debate nacional. Ele combinava reivindicações democráticas com definições de rumos na economia. Havia três vertentes e várias nuances no tabuleiro.
A primeira delas, liderada pelo grande capital, clamava por uma política de desestatização, identificando o propalado gigantismo do Estado como matriz da dinâmica recessiva e inflacionária que o país viveu a partir de 1982. A saída seria uma redução do papel do Estado, para liberar energias produtivas da iniciativa privada.
A segunda era vocalizada por setores da burguesia - cuja tradução política se dava através da maioria do PMDB - e por uma parte do movimento social, especialmente pelos setores nos quais o PCB tinha forte presença. Exigiam uma redefinição do papel do Estado, que deveria retomar suas características de planejador e impulsionador do desenvolvimento.
E a terceira vertente - formada pelas lideranças do chamado "novo sindicalismo", por egressos da luta armada dos anos 1960-70 e por facções progressistas da Igreja Católica - advogava, de maneira rudimentar, uma ruptura com o capitalismo, sem mediações com a burguesia brasileira. Eram os setores que convergiriam para a formação do Partido dos Trabalhadores. A agremiação nasceu e cresceu criticando a política de alianças de classe do PCB.
Ao longo dos anos, a segunda e a terceira vertente tiveram grande convergência. Ou seja, o PT paulatinamente passou a adotar a aliança de classes que renegara no passado. E ao conquistar o poder de Estado, aconteceu o que o economista Paul Singer notou em entrevista recente: A "aliança com sistema financeiro e latifúndio deu ao PT tranqüilidade para governar".
Concretizou-se assim o pacto de desenvolvimento mencionado no início. Uma conformação política dessa natureza não é feita para se lutar pelo socialismo e muito menos para mudar estruturalmente a sociedade. É neste cenário que o grande capital, o agronegócio exportador e as velhas oligarquias seguem dominando, em aliança com parcelas expressivas do movimento popular.
Colocar na agenda
É também neste cenário que a esquerda socialista precisa alcançar legitimidade para colocar na agenda política a alternativa de uma transformação social radical. Dois erros devem ser evitados:
A) Ficar a reboque do desenvolvimentismo. Os setores que o compõem são aliados em uma luta comum até determinado ponto: romper com alguns constrangimentos impostos pelo capital financeiro, o que não é pouca coisa;
B) O segundo equívoco é o oposto. Seria incorrer num doutrinarismo estéril, sem disputar a base social do pacto dominante, que envolve setores com várias contradições entre si. Seria ao mesmo tempo incorreto eleger o desenvolvimentismo como obstáculo principal da luta pelo socialismo
No plano concreto, um programa tático poderia envolver, entre outros, os seguintes pontos:
A) Uma política monetária e uma política fiscal expansiva, que se traduza na quebra da dominação neoliberal. Concretamente isso se traduz em juros baixos, fim do superávit primário e na adoção de controle de capitais;
B) No âmbito do trabalho, redução de jornada, aumento de direitos e do trabalho formal;
C) Maior controle do sistema financeiro e reestatização das empresas privatizadas nos últimos 20 anos;
D) Aumento do investimento estatal nos serviços públicos
E) Auditoria da dívida pública;
F) Democratização das comunicações;
G) Reforma agrária;
H) Direitos iguais para homens, mulheres, negros e minorias;
I) Uma política de desenvolvimento ecologicamente sustentável.
A partir desses pontos - que contam com a concordância de amplas parcelas do campo popular, algumas hegemonizadas pelo pacto dominante - é que se pode avançar no plano concreto para a construção de uma estratégia socialista com força social.
A luta pelo socialismo é um projeto coletivo e não-linear. Depende das injunções históricas, do ambiente interno ao país, das condições da economia mundial e de decisões na esfera política. Ela necessita da constituição de uma frente popular e democrática, a partir das organizações existentes na sociedade. Pressupõe a disputa das bases sociais do pacto dominante.
A luta pelo socialismo não interessa ao grande capital e nem àqueles que têm no terreno financeiro e na especulação a fonte principal de seus ganhos. Um projeto desse tipo, que passa por uma ruptura revolucionária, pressupõe a supremacia da política, com sociedade organizada, instituições democráticas e Estado e forte. E pela solidificação dos partidos de esquerda.
É algo a favor das maiorias e contra as minorias privilegiadas. Um projeto desse tipo só é possível em um embate antiimperial de envergadura e de integração regional soberana.
Gilberto Maringoni é historiador. Artigo publicado na revista "Margem Esquerda", nº 17.
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Guerra de Aécio com Serra foi que abriu a caixa preta da "privataria"

Livro “A Privataria Tucana” nasceu do pedido de Aécio Neves para que o jornal Estado de Minas investigasse o rival José Serra; escrito pelo jornalista investigativo Amaury Ribeiro Júnior, o livro traz revelações importantes sobre como o ex-governador paulista, seus operadores, seu genro e até sua própria filha enriqueceram com a venda de estatais
O livro mais anunciado, comentado e aguardado por aqueles que se intitulam “blogueiros sujos” está nas livrarias. Escrito pelo jornalista Amaury Ribeiro Júnior, a obra “A Privataria Tucana” vem sendo anunciada desde a campanha presidencial de 2010, quando Amaury se tornou personagem da história, ao ser acusado de quebrar o sigilo fiscal de Verônica Serra, filha do então candidato José Serra. O episódio fez com que Fernando Pimentel, hoje em seu inferno astral, perdesse espaço na campanha para os paulistas liderados por Rui Falcão e Antonio Palocci. Amaury submergiu e se dedicou a concluir seu livro, lançado nesta sexta-feira pela Geração Editorial, do jornalista Luiz Fernando Emediato. É um trabalho que traz revelações importantes sobre a era das privatizações, expõe de forma clara o tráfico de influência comandado por Serra e seus operadores, especialmente o tesoureiro Ricardo Sérgio de Oliveira, e revela ainda como uma guerra interna no ninho tucano deu origem a toda essa história. Ex-repórter do Estado de Minas, que lutava para emplacar Aécio Neves como presidenciável, Amaury recebeu a encomenda de investigar a vida de José Serra. O resultado são as 343 páginas de “A Privataria Tucana”.
Em 2009, Aécio e Serra disputavam a indicação tucana para concorrer à presidência. O mineiro defendia prévias e o paulista se colocava como “o primeiro da fila”. Amaury, que vivia em Belo Horizonte, foi chamado por seus patrões para a missão quando o Estado de S. Paulo publicou um texto intitulado “Pó pará, governador?”, um tanto estranho para os padrões austeros da família Mesquita, pois, já no título, insinuava que Aécio seria um cocainômano – e que, portanto, não poderia sonhar com a presidência. A partir daí, veio a resposta mineira. Segundo Álvaro Teixeira da Costa, dono do Estado de Minas, São Paulo não deveria mexer com Minas, pois os mineiros também saberiam lutar.
Amaury recebeu a encomenda e disse aos patrões que a fragilidade de Serra residia nas privatizações. E assim começou a investigá-lo, bem como a seus principais operadores: Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor do Banco do Brasil, e Grégorio Marin Preciado, casado com sua prima. No meio do caminho, Amaury descobriu as contas usadas por Ricardo Sérgio, Gregório e até pela filha de Serra, Verônica, e por seu genro, Alexandre Bourgeois.
Eis algumas das revelações do livro:
  • Carlos Jereissati, dono da Oi, usou sua empresa Inifinity Trading, sediada em paraísos fiscais, para pagar propina a Ricardo Sérgio de Oliveira, na empresa Franton Enterprises.
  • A propina pela compra da Oi, segundo o autor do livro, seria próxima a R$ 90 milhões. Jereissati e seus parceiros chegaram ao leilão sem recursos e foram socorridos por fundos de pensão, comandados por Ricardo Sérgio de Oliveira e seu braço direito João Bosco Madeiro.
  • Ricardo Sérgio de Oliveira, que era chamado de “Mr. Big” e se tornou amigo de Serra por intermédio de Clóvis Carvalho, comprou prédios inteiros em Belo Horizonte, que depois foram também vendidos a fundos de pensão estatais. O livro traz documentos e procurações usadas por Ricardo Sérgio e seus laranjas.
  • Na privatização da Vale, vencida por Benjamin Steinbruch com recursos dos fundos de pensão, num consórcio organizado por Miguel Ethel e José Brafman, a propina teria sido de R$ 15 milhões.
  • Gregório Marin Preciado, “primo” de Serra, organizou o consórcio Guaraniana, que, também com dinheiro dos fundos de pensão, comprou várias distribuidoras de energia no Nordeste, hoje pertencentes ao grupo espanhol Iberdrola.
  • Preciado e Ricardo Sérgio jogavam juntos. Boa parte dos depósitos recebeidos pela Franton Enterprises, de Ricardo Sérgio, eram feitos pelo “primo” de Serra. As movimentações da dupla, documentadas no livro de Amaury, somam mais de US$ 20 milhões. Preciado e Serra também aparecem como sócios num terreno em São Paulo. Também na era Serra, o Banco do Brasil teria reduzido uma dívida de R$ 448 milhões de Preciado para míseros R$ 4,1 milhões.
  • O livro também aborda a sociedade entre a empresa Decidir.com, de Verônica Serra, filha do ex-governador tucano, com o grupo Opportunity, de Daniel Dantas. A Decidir.com, voltada para leilões na internet, recebeu cerca de R$ 10 milhões em investimentos, mas nunca apresentou resultados. Em abril de 2002, a empresa foi dissolvida.
  • Tanto Verônica Serra como Ricardo Sérgio de Oliveira utilizaram a mesma empresa, a Citco, para abrir suas contas no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas.
Além disso, o livro também revela como Serra teria usado o governo de São Paulo para contratar a empresa Fence e espionar adversários políticos – era essa, aliás, uma das encomendas iniciais do Estado de Minas: descobrir por quem Aécio vinha sendo seguido em suas constantes noitadas cariocas. Por último, depois de se dedicar à guerra interna dos tucanos, Amaury escreveu sobre a guerra interna do PT, na campanha de Dilma, entre os grupos de Fernando Pimentel e Antônio Palocci.
O que talvez comprove que PT e PSDB têm muito mais semelhanças do que diferenças. Uma boa sugestão para o répórter seria um lviro sobre a "privataria" petista, com recursos do BNDES, dos fundos de pensão e até do FGTS.
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A armação contra Strauss-Kahn

Dois seguranças que ouviram relato de Diallo comemoraram denúncia em local reservado
O canal de televisão francês BFMTV divulgou nesta quinta-feira (08/12) pela primeira vez imagens internas do hotel Sofitel, em Nova York, no dia em que Dominique Strauss-Kahn foi acusado pela camareira Nafissatou Diallo de abuso sexual.
O canal francês exibiu um resumo de cinco minutos das gravações, feitas em 14 de maio e minutos depois do horário em que a camareira, de origem guineense, afirmou ter sido violentada por Strauss-Kahn, então diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional. Na época, ele chegou a ser preso,permanecendo durante semanas em prisão domiciliar. No entanto, acabou inocentado pela promotoria norte-americana, que acusou Diallo de ter mentido em seu depoimento.
A TV francesa afirma que as imagens reforçariam a inocência de Strauss-Kahn, na época um dos homens mais poderosos do planeta e favorito para se tornar o candidato do Partido Socialista nas eleições presidenciais francesas de 2012. Ele era o mais bem cotado nas pesquisas para impedir a reeleição de Nicolas Sarkozy. DSK, como é conhecido pela imprensa francesa, afirma ter sido vítima de um complô.
As imagens
No vídeo, Strauss-Kahn deixa o hotel sem nenhuma pressa, após pagar sua conta, por volta das 12h27. Sorridente, cumprimenta os funcionários e sai para pegar um táxi ao lado de um carregador de malas. Diallo afirma ter sido agredida aproximadamente vinte e um minutos antes (12h06).
Já fora do hotel, na rua, ele deixa um táxi passar, e tranquilamente acena para outro em seguida e entra no veículo.Todos esses fatos teriam ocorrido em menos de três minutos. Após sair do hotel, ele ainda teria almoçado com sua filha, que mora na cidade. Ele só foi preso dentro do avião, quando embarcava de volta para a França.
Por sua vez, às 12h51, Diallo desce o elevador até o andar térreo acompanhada por uma de suas supervisoras que, por sua vez, chama um segurança, Derek Mai, que dá um telefonema. Dois minutos depois, Brian Yearwood, engenheiro e responsável pela vídeo-segurança do hotel, sai de sua sala. Os dois homens encontram Diallo e sua supervisora.
Naquele momento, a camareira estava sentada, aparentando tranqüilidade. Ela não chorava. Demorou mais oito minutos para que os seguranças começassem a escutar seu testemunho. Já mais agitada, Diallo gesticula muito aos fazer o relato para os dois homens e mais um terceiro segurança, localizado em uma guarita e que não aparece nas imagens.
A supervisora pede que ela conte mais detalhes de côo teria sido a agressão e as duas reproduzem a cena, com Diallo interpretando o que seria DSK.
Em seguida, Diallo se encontra novamente sozinha por mais vinte minutos. Às 13h33, o terceiro agente liga para a polícia.
Um minuto depois da ligação, Yearwood e Mai se isolam em um depósito onde estão sozinhos,e sem testemunhas. De repente, começam a pular e se abraçar de alegria. Mai chega a ensaiar uma dança. A imprensa francesa cogitou a celebração como se os dois estivessem comemorando o sucesso da suposta fraude. O jornalista norte-americano Edward John Epstein já havia indicado a mesma suspeita.
Defesa
Após a divulgação das imagens, a rede hoteleira Accor, dona do Sofitel, foi acusada de envolvimento no suposto complô por parte da imprensa francesa. A multinacional negou a acusação veementemente.
O grupo disse que "a ideia de que esses vídeos provam o envolvimento da Accor em um complô é um disparate" e que os seguranças "não tinham conhecimento do status político de Dominique Strauss-Kahn antes dessa fita" e "reafirmaram que não se lembram exatamente das razões para essa 'atitude de comemoração'".
No vídeo, a TV francesa afirma que o grupo Accor, dono do Sofitel, teria apurado a comemoração de um resultado esportivo, mas nenhum partida ocorria naquele momento.
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Leilões, arapongas e o poder de Serra

Finalmente. Muito comentado durante toda a campanha eleitoral de 2010, quando foi apresentado pela imprensa serrista como um dossiê contra o candidato ao Planalto do PSDB, José Serra, o livro de Amaury Ribeiro Jr., Privataria Tucana, de 344 páginas, foi lançado pela Geração Editorial.
É resultado de dez anos de investigações de Amaury, um dos maiores especialistas em lavagem de dinheiro no Brasil. Atestei isso pessoalmente, quando investigamos juntos os negócios do presidente da CBF, Ricardo Teixeira.
Naquela ocasião, eu não entendia absolutamente nada quando o Amaury me falava sobre “empresa-ônibus”. Logo ele identificou, no caso de Teixeira, qual era a empresa-ônibus: a RLJ Participações, associada no Brasil à Sanud, baseada em Vaduz, no principado de Liechtenstein. A Sanud fez “empréstimos” à RLJ. Dinheiro que entrava nos negócios de Teixeira no Brasil. Na fazenda, em uma transportadora, no bar El Turf… Empréstimos que a RLJ nunca pagou à Sanud. Um caso clássico em que uma empresa de papel, baseada em uma caixa postal de um paraíso fiscal, existe exclusivamente para limpar dinheiro de origem duvidosa. É por isso que, quando a revista Piauí produziu um perfil de 478.576 palavras sobre Teixeira, sem citar uma única e mísera vez a Sanud, estranhei.
O livro de Amaury trata de questões espinhosas. Para os não iniciados, nem sempre é simples seguir o caminho do dinheiro.
O jornalista focou em alguns personagens importantes das privatizações e do PSDB:
Ricardo Sérgio de Oliveira, homem de confiança de Serra, ex-funcionário do Citibank, ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil, que ajudou a ‘modelar’ a privatização da Telebrás e controlou, através de um aliado, João Bosco Madeiro da Costa, a Previ, Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, que teve um papel decisivo no processo; ex-tesoureiro de campanhas de Fernando Henrique Cardoso e José Serra.
Gregório Marin Preciado, primo da mulher de José Serra; representou a empresa espanhola Iberdrola na privatização da Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia, a Coelba. É personagem de um milagre empresarial. Passou da falência à bonança graças a um tratamento extremamente ‘carinhoso’ do Banco do Brasil. Sócio de Serra na compra de um terreno em São Paulo, é vizinho da filha de José Serra, Verônica, em Trancoso, na Bahia.
Verônica Serra, “a mulher mais importante da internet brasileira”, segundo a revista IstoÉ Dinheiro. Amaury revela que Verônica foi indiciada… justamente por quebrar o sigilo fiscal alheio (acusação feita contra Amaury em 2010). O livro diz que a empresária mentiu sobre a Decidir.com, empresa em que foi sócia de outra Verônica, a Dantas. Num dos trechos mais saborosos, Amaury explica como o banqueiro Daniel Dantas usou a revista e Verônica para mandar um recado a José Serra.
Lembrem-se que os fundos de pensão, associados ao Citibank e ao Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas, ganharam o leilão e o controle da Brasil Telecom, durante as privatizações. Em breve, um novo livro-reportagem, que não é de autoria do Amaury, deverá jogar mais luzes nas questões relativas a Dantas.
No livro, Amaury atribui a Ricardo Sérgio, banqueiro experiente, a “arquitetura” do esquema que internava dinheiro de origem duvidosa no Brasil, através de empresas baseadas no prédio do Citco, nas ilhas Virgens Britânicas.
Mesmo se não era esse o objetivo, Amaury acaba explicando, pelo menos em parte, o imenso poder de José Serra nas hostes tucanas. Deriva da centralidade que Serra, então ministro do Planejamento, teve no bater dos martelos da privatização durante a era Fernando Henrique Cardoso. Mas não apenas: de acordo com o jornalista, também deriva das relações de Serra com o submundo da arapongagem, como fica explícito no capítulo dedicado ao Doutor Escuta.
Amaury concorda que conseguiu apurar apenas alguns dos caminhos do dinheiro obtido pelos operadores da privatização. De qualquer forma, é um acréscimo considerável ao trabalho de outros jornalistas que se debruçaram sobre o assunto, como Aloysio Biondi, em O Brasil Privatizado.
A seguir, trechos de uma entrevista que fiz com Amaury. Antes de ouvir, um glossário de citações sem as quais não é possível entender o assunto.
Primeira parte
  • Ricardo Sérgio como autor da portaria que permitiu as contas correlatas entre Brasil e Paraguai, a título de facilitar a vida de comerciantes dos dois países, mas que foi a fonte onde bebeu o esquema do Banestado, o caso mais volumoso de lavagem de dinheiro já praticado no mundo (U$ 30 bilhões);
  • os pagamentos de propina de Carlos Jereissati, da Telemar (um dos vencedores nos leilões da telefonia) a Ricardo Sérgio (da Infinity Trading para a Franton Enterprises), nos valores de U$ 246.137,00 e U$ 164.085,00;
  • ajuda de Ricardo Sérgio a Gregório Marin Preciado, o “primo” de Serra, tanto na privatização da Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (COELBA) quanto garantindo a Preciado empréstimos no Banco do Brasil para os quais ele não estava qualificado; em troca, Gregório Preciado pagou de propina a Ricardo Sérgio, segundo Amaury, cerca de U$ 4 milhões;
  • MTB Bank, outro banco dos Estados Unidos usado para lavar dinheiro; Citco, sede das empresas de brasileiros no paraíso fiscal das ilhas Virgens Britânicas;
  • Ronaldo de Souza, apontado como testa-de-ferro de Ricardo Sérgio no Brasil;
  • menção a Rodrigo Silveirinha Corrêa, ex-secretário estadual de Administração Tributária do Rio de Janeiro, envolvido na remessa de dinheiro para o Exterior através de doleiros;
  • menção ao advogado David Spencer, que trabalhou com Ricardo Sérgio no Citibank e foi procurador dele nos Estados Unidos;
  • menções a João Arcanjo Ribeiro, o ‘Comendador’, líder do crime organizado em Mato Grosso, e a Jorgina Maria de Freitas Fernandes, que nos anos 80 organizou uma megafraude contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS); ambos, segundo Amaury, usaram esquema parecido com o dos tucanos para internar dinheiro;
  • menção a Alexandre Bourgeois, genro de José Serra, que assinou nas duas pontas de uma mesma transação; segundo Amaury, para internar dinheiro vindo das ilhas Virgens Britânicas.
Segunda parte:
  • Gregório Marin Preciado, primo da esposa de José Serra. Foi sócio do tucano em um terreno no Morumbi e era dono da casa na Vila Madalena que serviu de sede para o comitê da campanha presidencial de Serra em 2002 e também da ACP, Análise de Conjuntura Econômica e Perspectivas Ltda., de propriedade do tucano;
  • Alexandre Bourgeois, genro de Serra, assina nas duas pontas em operações de internação de dinheiro, pela Vex Capital e pela Iconexa Inc. Aumentava o capital das empresas no Brasil trazendo dinheiro de origem não esclarecida das ilhas Virgens Britânicas (segundo Amaury, pelo menos R$ 8 milhões de reais);
  • Verônica Serra, filha do tucano, dona da Decidir, uma empresa pontocom baseada em Miami, segundo Amaury montada com dinheiro do Opportunity e do Citibank (U$ 5 milhões); Verônica foi sócia de outra Verônica, a Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas;
  • Menção a empresas de Ricardo Sérgio que tinham nomes parecidos lá fora e no Brasil, Antar e Consultatum;
  • Menção ao COAF, Conselho de Controle das Atividades Financeiras, órgão ligado ao Ministério da Fazenda;
  • Menção ao Dossiê Cayman, documento falso que atribuia a tucanos negócios em paraísos fiscais; emergiu durante a campanha eleitoral de 1998, quando Fernando Henrique Cardoso se reelegeu;
  • menção à Aceto, uma das empresas de Gregório Marin Preciado;
  • menção à Patagon, empresa que Verônica montou com sócios argentinos.
Terceira parte:
  • João Bosco Madeiro da Costa, ex-diretor da Previ, que teve importante papel nas privatizações;
  • Menção a Marcelo Itagiba, ex-delegado da Polícia Federal e ex-deputado federal, primo de Andrea Matarazzo, tucano ligadíssimo a Serra em São Paulo;
  • Agente Jardim, Luiz Fernando Barcellos, ex-agente do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI);
  • Ênio Gomes Fontelle, coronel reformado do Exército, dono da Fence Consultoria Empresarial, empresa baseada no Rio de Janeiro contratada com dinheiro público pela Prodesp, a Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo, quando Serra era governador paulista, em 2010; segundo Amaury, era a empresa encarregada de espionar o tucano Aécio Neves, no Rio de Janeiro;
  • Jardim, Fontelle e o ex-delegado da Polícia Federal Onézimo das Graças Sousa, também mencionado, serviram sob Marcelo Itagiba no que Amaury identifica como núcleo de arapongagem montado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quando Serra era ministro da Saúde;
  • Menção ao Garra, grupo armado que se dedicava a ações clandestinas do SNI durante a ditadura militar, do qual fizeram parte, segundo Amaury, os coronéis Ary Pereira de Carvalho, o Aryzinho; e Ary de Aguiar Freire.
Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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Futebol e capitalismo: Galo e Cruzeiro, a que ponto chegamos

Os relatos acerca de uma possível tramóia no jogo entre Atlético-MG e Cruzeiro já circulavam na sexta-feira. Kalil e Perrella teriam se reunido com Ricardo Guimarães, presidente do BMG, na quinta.
Não é novidade que o futebol, não só no Brasil, mas em todo o mundo, está afogado em casos de corrupção. Entretanto, como torcedor do Clube Atlético Mineiro, saltou-me aos olhos o histórico jogo ocorrido neste domingo, dia 4 de dezembro de 2011, entre o Atlético Mineiro e o Cruzeiro.
O futebol mineiro tem história de glórias e vexames. O Galo, fundado em 25 de março de 1908, que foi um dos maiores clubes brasileiros até meados da década de 1980, foi perdendo dali em diante esse status, enquanto o Cruzeiro, que vinha em ascensão desde a década de 1960, passou a ter maior estatura diante do arquirrival. Associa-se esta decadência a vários fatores, entre eles a incompetência administrativa dos negócios do clube daquele período em diante. O clube passou a acumular dívidas de distintas modalidades e hoje soma uma das maiores dívidas do futebol brasileiro. Uma interessante entrevista do conselheiro Manfredo Palhares, em 2007, ao excelente jornalista Juca Kfouri, não deixa dúvidas do quão decadente estão os bastidores do clube.
Pois bem. Eis que o que já estava indo mal fica pior. Alexandre Kalil, filho do histórico e respeitável dirigente atleticano já falecido Elias Kalil, presidente atleticano entre 1980 e 1985 e responsável pelo último time alvinegro que se fez digno de orgulho da massa atleticana nos campos nacionais e internacionais, é eleito em 2008.
De 2008 para cá, o Atlético Mineiro apenas aprofundou sua condição de time decadente. Em menos de 3 anos, o presidente atleticano realizou a contratação de cerca de 72 jogadores (!!!), técnicos de ponta como Vanderlei Luxemburgo e Dorival Jr. e... fracassos em campo. Afora 2009, quando o time ficou durante quase todo o campeonato entre os primeiros colocados e chegou a liderar por algumas rodadas mas, ainda assim, conseguiu apenas terminar a competição fora da zona de classificação para a Libertadores.
O segredo da administração de Alexandre Kalil, em um clube com dívidas que se especula que podem passar de R$ 400 milhões de reais, não tem muito mistério, e é aqui que os bastidores supostamente obscuros começam.
Ricardo Guimarães, BMG, mensalão e... segunda divisão
O Atlético tem patrocínio desde janeiro de 2010 com o Banco BMG, propriedade do Grupo BMG, que é controlado por Ricardo Guimarães, ex-presidente do Galo entre 2000 e 2006. Ricardo Guimarães esteve envolvido no chamado Escândalo do Mensalão e inclusive prestou depoimentos durante as Comissões de Inquérito Parlamentar da época. É também o principal credor do clube, que lhe deve cerca de R$ 95 milhões.
Durante a gestão de Ricardo Guimarães, o Atlético caiu para a segunda divisão em 2005, mesmo ano em ele que chegou à presidência do BMG. “Quando o time caiu, a torcida foi para a porta do meu prédio exigindo que eu saísse. Recebi ameaças e telefonemas anônimos. Fizeram passeatas no centro e o meu enterro simbólico. São coisas desagradáveis”, disse Ricardo Guimarães à revista Época Negócios (a reportagem pode ser lida aqui, para não assinantes). O mineiro Ricardo Annes Guimarães, de 50 anos, diz ser um atleticano fanático enquanto sustenta que “o banco não torce, não tem clube, faz negócio e quer visibilidade”.
Ainda no mesmo ano de 2005, “o escândalo do mensalão acabaria por envolver o banco, que havia feito um empréstimo de R$ 10 milhões para Cristiano Paz e Marcos Valério, sócios da agência de propaganda SMP&B. 'Eu mesmo, pessoalmente, validei o empréstimo, que era absolutamente normal e tinha todas as garantias. Mandei emprestar o dinheiro e o que mais quisessem', afirma Flávio Guimarães [pai do Ricardo]. Os sócios do BMG não estão entre os 38 réus que serão julgados pelo STF. O BMG, no entanto, continua sendo chamado de 'o banco do Mensalão'.”
Além de ser o maior patrocinador dos dois maiores clubes de Minas Gerais, o Atlético Mineiro e o Cruzeiro, o banco BMG, especializado em empréstimos consignados, hoje é o maior anunciante/patrocinador dos clubes de futebol do Brasil. Camisas de times como Flamengo, Palmeiras, Vasco, São Paulo e Santos são vitrines da marca do BMG no futebol nacional e internacional. Como apurou uma reportagem do iG sobre o banco BMG, “Em pelo menos outras cinco equipes da primeira divisão o banco não tem contrato de patrocínio, mas também tem 'fatias' de alguns atletas. São os casos de Avaí, Botafogo, Corinthians e Fluminense.” São 39 clubes com a estampa do banco BMG e suas letras laranjas.
“A exposição de seu logotipo financia, ainda, três equipes da Superliga masculina de vôlei e duas da feminina; três times de basquete, entre eles o Flamengo; a ginasta Jade Barbosa; o lutador Vitor Belfort e até o apresentador Otávio Mesquita, convertido em piloto da Copa Mercedes… O investimento na chancela esportiva chega a R$ 60 milhões anuais, mais de 90% de tudo que o banco destina ao marketing.
Ainda segundo a reportagem, “Uma série de pesquisas da consultoria independente Sport+Markt, que monitora estratégias de investimento no marketing esportivo em todo o mundo, dá conta da eficiência do modelo de patrocínio pulverizado adotado pelo BMG. Em julho de 2009, o banco aparecia em 92° lugar num ranking de marcas associadas espontaneamente ao futebol brasileiro. Em março deste ano, chegou à 4° posição, superando tradicionais investidores do esporte como Adidas, Brahma, Skol, Coca-Cola, Fiat e Batavo. [As três primeiras colocadas na pesquisa foram Itaú, Nike e Bradesco].”
Para se ter ideia, “Na convocação de Mano para os jogos com a Argentina, em setembro, havia pelo menos cinco jogadores ligados ao banco, não propriamente ao de reservas: Réver (Atlético-MG), Dedé (Vasco), Danilo (Santos), Paulinho e Ralf (Corinthians). No lado adversário, Montillo (Cruzeiro). Atletas como Herrera (Botafogo), Willian e Leandro Castán (Corinthians) também são do BMG”.
Tendo as informações acima em mente, lembremos: um mesmo banco patrocina os três maiores clubes mineiros (Atlético, Cruzeiro e América) e é proprietário do passe de vários jogadores importantes dos elencos destes clubes.
Cruzeiro 6 x 1 Atlético Mineiro: méritos ou negócios?
Durante o Campeonato Brasileiro de 2011, o Atlético Mineiro sustentou uma campanha irregular, tendo ficado na maioria do campeonato na zona de rebaixamento para a Série B, enquanto o Cruzeiro teve um bom primeiro turno e um catastrófico segundo turno com apenas duas vitórias, até o jogo do clássico mineiro. Eis que na penúltima rodada, diante do Botafogo, o Galo, que vinha de uma ótima sequência no returno do campeonato, se livrou do rebaixamento goleando um time que não vencia desde 2008 por 4 a 0, em Sete Lagoas, enquanto o Cruzeiro empatava com o seu concorrente direto na luta contra o rebaixamento, o Atlético Paranaense, que foi rebaixado em função da derrota do time alvinegro mineiro, que deu 3 pontos e seis gols ao Cruzeiro.
Após a euforia da vitória e o fim do tabu sobe o Botafogo, que livrou matematicamente o time da possibilidade de rebaixamento, a torcida, aliviada, voltava suas preocupações para o próximo e último jogo, que seria diante do seu maior arquirrival, em Sete Lagoas, com torcida única cruzeirense (acordo em vigor em função da não garantia de segurança por parte da Polícia Militar de Minas Gerais e das obras para a Copa nos estádios Mineirão e Independência). Já o time, que chegou a fazer uma rodinha no meio campo após o jogo com o adversário carioca, pareceu ter relaxado bastante, como defendeu Kalil em entrevista coletiva à imprensa na segunda-feira (5).
As suspeitas nos bastidores
Eis que, na sexta-feira, dia 2 de dezembro, dois dias antes do clássico derradeiro, a jornalista esportiva Ludymilla Sá, que trabalha no jornal Estado de Minas, em seu blog De Salto Alto, publicou uma postagem chamada “Respeito é bom e a massa gosta!”, que terminava seu texto dizendo: “O último dos absurdos ventilado aos quatro cantos da capital mineira é que o BMG vai trocar uma derrota alvinegra para salvar o Cruzeiro do rebaixamento em troca do anúncio de Diego Tardelli nesta segunda-feira. Seria inadmissível e imperdoável, um verdadeiro desrespeito aos atleticanos, que só fizeram sofrer nos últimos anos com o fantasma da Segunda Divisão. Uma humilhação! A massa, que jamais abandonou o time, não merece uma afronta dessas. Por isso não acredito que o Galo, diante do maior rival, vai colocar em risco essa relação de tanta cumplicidade.”
Em seguida, o portal Dom Total, da faculdade belo-horizontina Dom Helder Câmara, publicava uma matéria chamada “Possibilidade de entrega causa revolta à torcida do Galo” que repercutiu as informações publicadas pela jornalista Ludymilla Sá seguida da resposta do presidente atleticano Alexandre Kalil em seu Twitter, na mesma sexta-feira, que disse: “Entregar o jogo para o cruzeiro?! Tem gente achando que eu sou algum vagabundo?”
A postagem de Ludymilla em seu blog, a matéria do portal Dom Total e a declaração de Kalil se deram na mesma sexta-feira, durante a tarde e a noite. Bastidores agitados?
As suspeitas não pararam por aí
O Atlético Mineiro vinha de uma ótima campanha no returno, contando com o melhor rendimento defensivo dentre os vinte clubes, enquanto o Cruzeiro só havia obtido duas vitórias e tinha o pior ataque do returno.
A tendência e a expectativa óbvia seriam as apostas no time de melhor campanha recente, correto? Não. Por toda a sexta-feira, as apostas do chamado “bicho”, feitas no Centro de Belo Horizonte, para ver quem ganharia o clássico, só dava Cruzeiro, como circularam rumores de alguns atleticanos em redes sociais.
Correu ainda um boato na comunidade da torcida organizada Galoucura (que, sabe-se, apóia Kalil e é apoiada por este) na rede social Orkut, ainda no dia 2 de dezembro, de que teria havido uma suposta reunião na quinta-feira entre o presidente atleticano, Alexandre Kalil, o presidente cruzeirense e senador pelo PSDB-MG, Zezé Perrella, e o presidente do Banco BMG, Ricardo Guimarães, onde se tirou um acordo que o Atlético Mineiro iria entregar o resultado do jogo para a equipe celeste. Em troca, o presidente do Banco BMG teria garantido a contratação do atacante que foi ídolo da massa alvinegra que havia sido vendido para o futebol russo, Diego Tardelli, cujo passe, especula-se, está na casa dos 8 milhões de reais. Houve rumores não confirmados que a reunião teria sido em uma churrascaria da zona sul da capital mineira, na quinta-feira (1).
Além disso, Flavinho Guimarães, filho de Ricardo Guimarães, teria dito a amigos como Felipe Kallas que os zagueiros Réver e Leonardo Silva, responsáveis pela melhor defesa do returno do campeonato, haviam sido comprados, corrompidos, mas que não se sabe se por Perrella ou BMG (ou ambos!).
Ainda segundo um relato anônimo publicado na Internet, no sábado, 3 de dezembro, teria ocorrido uma reunião entre Alexandre Kalil, o treinador Cuca e mais quatro jogadores em um hotel de Belo Horizonte, para que estes repassassem aos demais jogadores que iriam a campo no dia seguinte o informe para que o jogo fosse “aliviado”. É óbvio que os jogadores mais identificados com a torcida e o clube não iriam querer entregar, e, ainda segundo o relato, o placar elástico teria sido um recado de descontentamento dos jogadores atleticanos à diretoria. Boatos recentes dão conta ainda de que houveram vinte demissões no Banco BMG em Belo Horizonte sem justificativas, o que torna esta história ainda mais estranha e suspeita.
Apesar de serem verossímeis esses relatos e boatos, não há provas concretas que nos permita afirmar que este jogo foi de fato manipulado e digno de punições cabíveis aos clubes, e o mesmo ocorre com a imensa maioria de jogos de futebol suspeitos, com raras exceções. Mas, agora, cabe, no mínimo, à imprensa esportiva e até política e, principalmente, ao Ministério Público, apurar cada uma dessas suspeitas e investigar, enquanto cabe à torcida se organizar diante do que se tornou o Atlético Mineiro nas últimas décadas.
O que há de mais suspeito que um banco financiando os dois rivais?
Mesmo entre suspeitas e boatos, nada pode ser mais suspeito que um mesmo banco financiando os dois maiores clubes de Minas Gerais. A história é repleta de exemplos de como o dinheiro, o poder econômico, influencia e corrompe, seja na política, seja no futebol.
No caso mineiro, o que estava realmente em jogo era a desvalorização da marca Cruzeiro, utilizada pelo Banco BMG como vitrine para valorização de seus jogadores para efetivação de vendas dos passes ou de participações nas porcentagens destes. Não interessa para o Banco BMG, nem para a Ricardo Eletro, Brahma e o governo de Minas Gerais o rebaixamento da equipe com maior visibilidade internacional de Minas Gerais.
Vale lembrar que, como pode ser visto neste vídeo, as diretorias do Atlético e do Cruzeiro são alinhadas ao PSDB de Minas Gerais, liderado pelo senador Aécio Neves, que articulou Zezé Perrella como vice do falecido Itamar Franco para o Senado, junto ao governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia, também fabricado por Aécio. O estádio Mineirão está em reforma para a Copa do Mundo de 2014 e será entregue somente no ano da Copa, enquanto o estádio Independência será entregue no início de 2012. É um caso de lógica bem simples: basta imaginar o que ocorreria se o presidente Alexandre Kalil peitasse as forças políticas e econômicas em uma reunião com tais figuras, ou parte delas, como Ricardo Guimarães/BMG.
Sob o capitalismo, times e jogadores de futebol são meras mercadorias
Estamos falando de times que marcaram por mais de cem anos a história do futebol nacional e internacional, nas mais diversas épocas, que tiveram jogadores e times campeões e reconhecidos.
O Banco BMG, na prática, utiliza principalmente, por fatores que envolvem troca de favores, influências e facilitações, os times mineiros como vitrines para expor o futebol de seus jogadores. Após valorizá-los suficientemente, o banco os vende e paga parte do valor ao clube por emprestar sua marca e futebol para tal operação. “O BMG é um dos investidores no clube, talvez o maior por ter mais proximidade, por ser uma empresa de Minas Gerais”, disse o diretor de futebol, Eduardo Maluf, em entrevista ao iG. E assim, um time de futebol passa a ser uma mercadoria que oferece o serviço de amostra de mercadorias de um banco. Neste caso, as mercadorias a serem exibidas na vitrine são jogadores.
A frase de Maluf sobre a venda de parte dos direitos econômicos dos atletas não nos deixa enganar: “Eu vejo como uma facilidade. Antes você tinha que vender e perder o jogador para capitalizar. Perdia ele. Hoje você consegue lucrar e ele continua jogando no time. Ao menos por um tempo”, afirma.
A reportagem da revista Época, deixa límpido como opera o banco: “Em meados do ano passado, os sócios do BMG criaram o fundo de investimento Soccer BR1, para operar a compra e venda de jogadores. O BMG é cotista único do fundo, no qual investiu até agora perto de R$ 50 milhões. Não é dono sozinho do direito econômico de nenhum dos 60 jogadores que possui – seu modelo de negócios privilegia as participações, nunca superiores a 50%. Dessa forma, garante o interesse de outros sócios na venda do atleta, incluindo prioritariamente o clube onde ele atua. 'Não adianta investir 100%, porque na hora de vender o cartola diz ‘‘Poxa, vou criar um desgaste com a torcida e não vou levar nada?’’ Aí, faz de tudo para barrar a negociação', afirma Ricardo Guimarães.” Só neste ano o BMG vendeu os jogadores Gil e Henrique, que atuaram pelo Cruzeiro.
Está tudo aí, mastigado, para que o Ministério Público e a imprensa que ainda preza pelo jornalismo e pelo esporte busquem a verdade, custe o que custar. Diante de tanto dinheiro e poder político em jogo, torna-se difícil acreditar que jogos escandalosos como o último clássico mineiro não tenham sido fruto de manipulações de resultados. O presidente do Atlético, claro, nega e considera “idiotice” a suspeita. Basta rever o escandaloso jogo novamente em vídeo. Inclusive, há já petições para que o Ministério Público investigue. O Atlético Paranaense é o maior interessado nessa investigação hoje, pois, não fosse o resultado duvidoso, o Cruzeiro estaria rebaixado.
O esporte não deveria se tornar uma extensão de negociatas de políticos e banqueiros. Os apaixonados pelo esporte e pela justiça não podem aceitar esta realidade como algo natural. Este futebol dos cartolas, políticos e banqueiros precisa passar a ser do povo e para o povo. Do contrário, irá se tornar um mero jogo de apostas desapaixonado, em uma palavra, antiesportivo, como foi o caso deste vergonhoso clássico mineiro do dia 4 de dezembro de 2011. Atleticanas e atleticanos, americanas e americanos e cruzeirenses, mãos à obra!
Reinaldo Leal é o pseudônimo de um jornalista.
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