4 de dez de 2011

Tabela Periódica do Heavy Metal

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Fantástico, desde o Thrash Metal do Metallica e do Glam Metal do Bon Jovi até o Rap Metal do Rage Against the Machine. (Seria legal imprimir e colocar na moldura isso.)
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Lady Gaga lança clipe de 14 minutos

Marry The Night prova que Lady Gaga não se intimida em fazer vídeoclipes longos, como Telephone, que tem nove minutos, e Alejandro com mais de oito minutos. O clipe se espalhou pela web antes do lançamento oficial, que estava previsto para a última quinta-feira, 01, às 20h (horário local). Ao ficar sabendo do vazamento, a cantora lamentou no microblog: “meu vídeo está vazando como um absorvente velho”.
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Nova grade da Rede Globo

O clique hilariante é do nosso fotógrafo e comediante stand-up Jaime Talarico
Na última segunda-feira, o universo foi surpreendido com a notícia de que Fátima Bernardes está deixando a bancada do Jornal Nacional, a fim de assumir seu próprio programa (de teor ainda desconhecido), enquanto que Patrícia Poeta abandona o Fantástico e passa a liderar, ao lado de William Bonner, o maior telejornal do país.
Mas engana-se quem pensa que as mudanças na Rede Globo param por aí. Segundo informações extraoficiais dos bastidores - trazidas pelos nossos sagazes informantes infiltrados na emissora -, a grade da emissora sofrerá profundas reformulações no ano de 2012.
As principais mudanças confirmadas você confere a seguir:
• Todos os eventos do UFC serão transmitidos na íntegra. Bira assume a narração e Neto (ex-Band) fica nos comentários;
Galvão Bueno, sacado das transmissões futebolísticas e do UFC, assume um programa de culinária nas madrugadas, depois do Corujão;
• A próxima novela de Manoel Carlos será exibida na faixa das 19 horas. Sua tradicional Helena será interpretada pela transformista Rogéria;
• Não haverá mais novela na faixa das 20-21 horas. No seu lugar entra um programa de aulas de sapateado, comandado pela rainha dos baixinhos, Xuxa;
• A TV Xuxa também sai do ar. No mesmo espaço entra Zeca Pagodinho, comandando o inédito "Desbravando os Mistérios do Oriente";
• Impulsionados pelo seu sucesso à frente do Jornal Hoje, Sandra e Evaristo ganharão um quadro no Fantástico, sobre vídeos engraçados que bombaram durante a semana na internet;
• Outro quadro novo no Fantástico será o "Dicas de corte de cabelo com Felipe Neto";
• Após quase 17 anos de exibição, Malhação finalmente sai do ar. Quem assume no horário é o polêmico José Luiz Datena, comandando um programa de venda de jóias e tapetes persas;
• Já começando a arquitetar sua candidatura à presidência, Luciano Huck abandona o Caldeirão. Será substituído pelo maneiríssimo Bruno de Lucca;
• Depois da bela interpretação na vinheta de fim de ano da Rede Globo, Faustão assume o lugar de Alex como garçom do Jô;
• Quem assume a tarde de domingo na Globo é Walter Casagrande Jr., a frente do Domingão do Casão;
• No Mais Você, Louro José será substituído pelo fantoche de uma capivara (chamada Ofélia);
• Fernanda Lima vai pra geladeira e Hebe Camargo assume o Amor & Sexo;
• A última grande mudança confirmada - até o momento, pelo menos - ocorre no Carnaval. Quem assume como nova Globeleza é o cantor e compositor Milton Nascimento.
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Mais alterações na programação da Rede Globo em 2012 podem ser anunciadas a qualquer momento no twitter @jottape.
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Vice de novo

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Estrela Solitária

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Havelange pede renúncia do COI para evitar expulsão por corrupção, diz AP

Presidente de honra da Fifa, João Havelange 
deixou o COI para não ser denunciado por corrupção
João Havelange renunciou ao seu cargo no Comitê Olímpico Internacional (COI), segundo a agência de notícias AP. O ex-presidente da Fifa, que estava na entidade desde 1963, está tentando evitar ser expulso por conta de uma denúncia de corrupção, que seria revelada nesta semana.
A agência diz ter ouvido uma fonte próxima ao ex-cartola, que teria enviado uma carta ao COI na última quinta-feira. Como a renúncia ao cargo deveria ser confidencial, a pessoa ouvida pela AP decidiu não se identificar.
João Havelange está sendo investigado pelo Comitê de Ética do COI há seis meses. O cartola e seu ex-genro, Ricardo Teixeira, atual presidente da CBF, estão envolvidos em um escândalo de recebimento de propinas da ISL, agência de marketing esportivo que era parceira da Fifa nos anos 1990.
Com a renúncia de Havelange, o COI é obrigado a abandonar as investigações sem revelar seu resultado final. A manobra faz com o que o dirigente brasileiro, o mais velho a ter uma cadeira na entidade multi-esportiva, saísse sem ter uma mancha comprovada de corrupção em sua biografia.
As denúncias surgiram com força no fim do ano passado, quando a BBC revelou que Havelange e Teixeira teria recebido dinheiro da ISL. O caso teria sido alvo de uma investigação do Ministério Público da Súíça, país-sede da Fifa. A pressão da entidade-mor do futebol, no entanto, fez com que as informações não fossem publicadas.
Ricardo Teixeira, também envolvido no escândalo, não é membro do COI e, por isso, não estava ameaçado pela entidade. Ele pode, no entanto, ser traído por Joseph Blatter, presidente da Fifa, que ameaça divulgar as provas contra os dois brasileiros, com quem está rompido politicamente.
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Nota à imprensa

A Secretaria de Imprensa da Presidência da República divulgou hoje (4) nota à imprensa sobre o pedido de demissão apresentado pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi, à presidenta Dilma.
Leia abaixo a íntegra da nota.
Nota à Imprensa
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, apresentou hoje, em caráter irrevogável, sua demissão à Presidenta Dilma Rousseff.
A Presidenta agradece a colaboração, o empenho e a dedicação do ministro Lupi ao longo de seu governo e tem certeza de que ele continuará dando sua contribuição ao país. A partir desta segunda-feira, responde interinamente pelo Ministério do Trabalho o secretário-executivo Paulo Roberto dos Santos Pinto.
Secretaria de Imprensa da Presidência da República
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Lupi pede pra sair

NOTA OFICIAL
Tendo em vista a perseguição política e pessoal da mídia que venho sofrendo há dois meses sem direito de defesa e sem provas; levando em conta a divulgação do parecer da Comissão de Ética da Presidência da República – que também me condenou sumariamente com base neste mesmo noticiário sem me dar direito de defesa — decidi pedir demissão do cargo que ocupo, em caráter irrevogável.
Faço isto para que o ódio das forças mais reacionárias e conservadoras deste país contra o Trabalhismo não contagie outros setores do Governo.
Foram praticamente cinco anos à frente do Ministério do Trabalho, milhões de empregos gerados, reconhecimento legal das centrais sindicais, qualificação de milhões de trabalhadores e regulamentação do ponto eletrônico para proteger o bom trabalhador e o bom empregador, entre outras realizações.
Saio com a consciência tranquila do dever cumprido, da minha honestidade pessoal e confiante por acreditar que a verdade sempre vence.
Carlos Lupi
Ministro do Trabalho e Emprego
No Blog do Trabalho
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O Conto do Vigário Chinês

Sou de uma geração treinada em ler nas entrelinhas. Vivi as longas décadas de regimes ditatoriais latino-americanos e aprendi a pesquisar as intenções nos discursos oficiais. O dr. Ulysses Guimarães me ensinou que se deve prestar atenção aos silêncios nos discursos.
Percebo uma crescente preocupação da presidente Dilma com a China e suas pretensões geopolíticas e geoeconômicas. Na reunião do G-20, a presidente declarou sua preocupação com a ausência de compras chinesas de produtos industriais brasileiros (leia-se, nas entrelinhas, que o Brasil é exportador de alimentos e matérias-primas sem processamento: soja em grão, minério de ferro bruto, couro de vaca sem curtição etc). Em passado relativamente recente, exportamos geradores para a grande usina do Rio Amarelo; agora, estamos importando geradores da China. Vendemos aviões da Embraer. Bobamente, aceitamos instalar uma filial na China; os chineses clonaram a fábrica da Embraer e, hoje, competem com o avião brasileiro no mercado mundial. Esta semana, a presidência declarou sua preocupação com a tendência chinesa à aquisição de grandes glebas agrícolas no Brasil. A percepção presidencial não resolve o problema das relações Brasil-China, porém já é meio caminho andado que o poder executivo nacional tenha aquelas dimensões presentes.
O enigma chinês é fácil decifrar. O Brasil cresceu, de 1930 a 1980, 7% ao ano. Depois dessas décadas, mergulhamos na mediocridade e patinamos com uma taxa média ridícula de 2,5%. A China, nas últimas décadas, vem crescendo anualmente entre 9% e 10%. Entretanto, está em situação potencialmente pior que o Brasil. Hoje, mais de 80% da população brasileira está em áreas urbanas e 50% em metropolitanas e nem chegamos aos 200 milhões de habitantes. A China tem uma população de 1,34 bilhão, sendo que menos de 50% estão na área urbana. Como a renda média do chinês rural é um terço da do chinês urbano, é inexorável uma transferência equivalente a duas vezes a população brasileira para as cidades chinesas, nos próximos 20 anos. É fácil entender o sonho de urbanização do chinês rural. A periferia urbana das cidades chinesas já está "favelizada".
Estratégia da China combina aspectos da Inglaterra vitoriana com primazia do Japão científico-tecnológico
Sabemos que o Brasil tem uma péssima distribuição de renda e riqueza. Houve uma melhoria da participação dos salários na renda nacional, que evoluiu, desde 2000, de 34% para 39%. A elevação do poder de compra dos salários foi importante, entretanto o leque salarial se tornou mais desigual e houve pouca geração de empregos de boa qualidade. O salário médio brasileiro é muito baixo, entretanto é, por mês, igual ao limite de pobreza chinês ao ano (cerca de €150), isto é, o brasileiro pobre ganha 12 vezes mais que o chinês pobre. Nosso governo fala de uma "nova classe média" e esconde que o lucro real dos grandes bancos brasileiros cresceu 11% por ano no período FHC e 14% durante os dois mandatos do presidente Lula. Enquanto os colossais bancos chineses têm uma rentabilidade patrimonial inferior a 10%, os bancos brasileiros chegam a 20%.
É impensável o futuro demográfico chinês. No passado, cada família só podia ter um filho; agora, essa regra está sendo relaxada. A urbanização e a industrialização chinesas já comprometeram o lençol freático da China do Norte. Com restrições de água, e necessitando transferi-la cada vez mais para a sede da indústria e população urbana, a China não produzirá alimentos suficientes. Se o consumo interno da China crescer cada vez mais, haverá falta não só de água, mas também de energia fóssil e hidráulica, além de, obviamente, todo um elenco de matérias-primas.
O planejamento estratégico de longo prazo da China é para valer. O projeto geopolítico e a geoeconômico chinês está transformando a África e parte da Ásia do sudeste em fronteira fornecedora de alimentos e matérias-primas. Em busca de autossuficiência de minério de ferro, a China já está desenvolvendo as enormes reservas do Gabão. A petroleira chinesa já está nas reservas de petróleo de gás do coração da África e a ocupação econômica de Angola é prioridade diplomática e financeira da China. O extremo sul da América Latina é objeto de desejo expansionista chinês, que se propôs a fazer e operar uma nova ferrovia ligando Buenos Aires a Valparaíso, perfurando um túnel mais baixo na Cordilheira dos Andes. O Chile - com pretensão de se converter na "Singapura" do Pacífico Sul - e os interesses agro-exportadores argentinos adoram a ideia. Carne, soja, trigo, madeira, pescado e cobre estarão na periferia da China do futuro. A presidência argentina é relutante em relação a esse projeto, porém o Mercosul está sob o risco de se converter, dinamicamente, em pura retórica.
O Império do Meio, unificado pela dinastia Han (ainda antes de Cristo), atravessou séculos com Estado centralizado e burocracia profissional estruturada. No século XIX, a China balançou pela penetração da Inglaterra vitoriana; enfrentou a perfídia mercantil do ópio controlado pela Índia britânica. Sua república, no século XX, foi ameaçada pela expansão japonesa, e somente após a Segunda Guerra Mundial conseguiu, com o Partido Comunista Chinês (PCC) restaurar a centralidade.
Com um pragmatismo secularmente desenvolvido, a China combinou o Estado hipercontrolador com a "economia de mercado". "Casou" com os EUA e criou um G-2, aonde mais de 3 mil filiais americanas produzem na China e exportam para o mundo (70% das exportações de produtos industriais são de filiais americanas). O superávit comercial chinês é predominantemente aplicado em títulos do Tesouro. Esse é um sólido matrimônio, em que os cônjuges podem até brigar, mas não renegam a aliança mutuamente conveniente. Enquanto isso, a China repete a proposta da Inglaterra vitoriana para a periferia mundial: fonte de matérias-primas e alimentos, a periferia mundial é, progressivamente, endividada com os bancos chineses e seu espaço econômico é ocupado por filiais da China. A Revolução Meiji, que modernizou e industrializou o Japão, está em plena marcha na China, que procura ser a campeã mundial em ciência e tecnologia. A estratégia da China combina as chaves do sucesso da Inglaterra vitoriana com a prioridade científico-tecnológica japonesa.
Que a China faça o que quiser, porém o Brasil não deve se converter na "bola da vez" da periferia chinesa. País tropical, com enormes reservas de terra agriculturável, água e fontes de energia fóssil e hidrelétrica, imagine-se a prioridade estratégica para o planejamento chinês em sua marcha pela periferia.
O discurso da globalização, a fantasia da "integração competitiva", a ilusão de ser "celeiro do mundo" com brasileiros ainda famintos, e a atrofia da soberania nacional podem vir a ser um discurso de absorção da proposta neocolonizadora da China.
Leio, nas palavras da presidente, uma percepção do risco do "conto do vigário" chinês. Temo os vendilhões da pátria, entregando energia e alimentos para o neo-sonho imperial.
Carlos Lessa
No DoLaDoDeLá
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Latuff, Sócrates Campeão

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Twittadas da semana

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Charge online - Bessinha - # 920

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Inter na Libertadores

 Assisti a vitória do Inter acompanhado de uma torcedora pé-quente! 

Desculpem são-paulinos, figueiras, coxas e botafoguenses!
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Charge online - Bessinha - # 919

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La silenciosa revolución suramericana

La Unasur aprobó un importante proyecto estratégico que comienza a desatar los lazos de dependencia con Estados Unidos: la creación de un mega-anillo de fibra óptica que hará que las comunicaciones internas de la región no pasen más por suelo estadunidense. La decisión de la primera reunión de los 12 ministros de Comunicaciones y Tecnologías de la Información reunidos en Brasilia el martes 29 es más importante aún, desde el punto de vista geopolítico, que los proyectos de infraestructura aprobados por el Cosiplan (Consejo Suramericano de Infraestructura y Planeamiento) al día siguiente en la misma ciudad.
Hasta ahora, las comunicaciones de Internet en la región sufren una dependencia casi increíble. Un mail enviado entre dos ciudades limítrofes de Brasil y Perú, por ejemplo entre Rio Branco, capital de Acre, y Puerto Maldonado, va hasta Brasilia, sale por Fortaleza en cable submarino, ingresa a Estados Unidos por Miami, llega a California para descender por el Pacífico hasta Lima y seguir viaje hasta Puerto Maldonado, a escasos 300 kilómetros de donde partió. Sobre esta base es imposible hablar de soberanía y de integración.
El anillo de fibra óptica tendrá una extensión de 10 mil kilómetros y será gestionado por las empresas estatales de cada país para que las comunicaciones sean más seguras y baratas. Para el Ministerio de Comunicaciones de Brasil, que gestó el proyecto, el anillo "disminuye la vulnerabilidad que tenemos en caso de atentados, así como en cuanto al secreto de los datos oficiales y militares". Hasta hoy, 80 por ciento del tráfico internacional de datos de América Latina pasa por Estados Unidos, el doble que Asia y cuatro veces el porcentaje de Europa (Valor,28 de noviembre).
El ministro brasileño Paulo Bernardo dijo que el anillo estará concluido en dos años y que los costos actuales de Internet en América del Sur son tres veces mayores que los que se pagan en Estados Unidos. Para que los 12 países tengan un acceso igualitario a los flujos que se incrementarán por la conexión de nuevos cables submarinos, Bernardo adelantó la creación de puntos de intercambio de tráfico en las fronteras, de los que podrán colgarse las empresas. Para Brasil, el costo total del proyecto es de apenas 100 millones de dólares
Además de las decisiones de ambas reuniones de Unasur, Brasil decidió llevar a Naciones Unidas su negociación para la democratización de Internet, que está en manos de empresas estadunidenses. El embajador Tovar da Silva Nunes dijo el martes pasado que la gestión de los flujos de información "no es inclusiva, no es segura, no es justa ni deseable".
El Cosiplan decidió impulsar 31 proyectos de infraestructura para 2012-2022, con un costo de 14 mil millones de dólares. Los cuatro más importantes son: corredor ferroviario entre los puertos de Paranagua (Brasil) y Antofagasta (Chile), con un costo de 3 mil 700 millones de dólares; carretera Caracas-Bogotá-Buenaventura-Quito, o sea, con salida al Pacífico, con un costo de 3 mil 350 millones de dólares; ferrocarril bioceánico Santos-Arica, trecho boliviano, que costará 3 mil 100 millones, y la carretera Callao-La Oroya-Pucallpa, que costará 2 mil 500 millones de dólares. En su mayor parte serán financiados por el BNDES de Brasil, pero podrán participar el Bandes de Venezuela, el Banco de Inversión y Comercio Exterior de Argentina y el regional Banco del Sur.
Todas estas obras forman parte del proyecto IIRSA (Iniciativa para la Integración de la Infraestructura Regional Sudamericana), y están siendo contestadas por los pueblos, como sucedió en Bolivia con la carretera del TIPNIS y en Perú con las hidroeléctricas. La conversión de la región en potencia global, de la mano de Brasil, se procesará con un aumento de la explotación de los recursos naturales y de las personas. Es el mismo camino que antes recorrieron los países del norte y luego los emergentes.
Hay muchas más novedades en esta región. La reunión del Consejo de Defensa de la Unasur, realizada en Lima el 11 de noviembre, acordó 26 acciones en el contexto del plan de acción 2012 para la integración en materia de defensa y la creación de una agencia espacial regional. Argentina quedó encargada de poner en marcha la fabricación de un avión de entrenamiento para la formación de pilotos, en cuyo proceso participarán Ecuador, Venezuela, Perú y Brasil. Cada país fabricará partes que luego serán ensambladas en un lugar a determinar. Brasil, por su parte, quedó al frente del proyecto de avión no tripulado para la vigilancia de fronteras.
La región sigue así los pasos del acuerdo estratégico de defensa suscrito el 5 de septiembre entre Argentina y Brasil, que se plasma por ahora en la fabricación del carguero militar KC-390, diseñado por la empresa aeronáutica Embraer, en Brasil, que contará con piezas fabricadas en Córdoba, Argentina, con una inversión conjunta de mil millones de dólares, en la fabricación conjunta de vehículos de transporte y blindados, y la cooperación de las industrias navales y aeroespacial, y en el área de la ciberdefensa.
Es la primera vez que se toman este tipo de decisiones en el ex patio trasero de Washington. Además, y este dato no es menor, el proyecto del anillo de fibra óptica fue pergeñado en Bogotá por el ministro brasileño Bernardo; María Emma Mejía, la persona designada por Juan Manuel Santos para presidir la Unasur, y el presidente del BID, Luis Alberto Moreno, amigo personal del banquero Luis Carlos Sarmiento, el hombre más rico de Colombia, partidario de firmar un TLC con Brasil y de asociar las bolsas de valores de ambos países.
Eso puede explicar las intempestivas declaraciones de Álvaro Uribe contra las buenas relaciones colombo-venezolanas y el artículo de Roger Noriega en InterAmerican Security Watch, quien llamó a su país a preparase para una intervención militar en Venezuela, donde Estados Unidos compra 10 por ciento de su petróleo (9 de noviembre). Es evidente que el imperio en decadencia no va a contemplar pasivamente cómo pierde el control de la región sudamericana.
Raúl Zibechi
No CubaDebate
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‘A Europa está entregue aos especuladores’, diz Mário Soares

Em entrevista, ex-presidente português prega a ruptura com os neoliberais
Ex-presidente português diz que Europa está entregue aos especuladores
Mário Soares respirou política e socialismo a maior parte de seus 86 anos. Referência na esquerda portuguesa e europeia, ele abre o verbo diante do terremoto econômico e político que ameaça seu país e o continente, ao defender a democracia do assédio dos mercados. De sua boca saem palavras como "vergonha", "roubalheira", "criminosos" quando se refere aos especuladores e às agências de classificação de risco e à forma como vêm se impondo sobre os governantes europeus. Ex-premier, ex-presidente e europeísta, Soares acaba de lançar em Portugal a autobiografia "Um político assume-se". Na véspera da segunda greve geral no país este ano, há dez dias, ele encabeçou, com outros políticos e intelectuais, o manifesto "Mudança de rumo", atacando o neoliberalismo e incentivando os portugueses a saírem às ruas para protestar contra as medidas de austeridade: "Sou a favor de uma sociedade em que haja o mercado livre, mas com regras éticas e disciplina", diz ele, por telefone, da fundação que leva seu nome, em Lisboa.
O senhor declarou que se a Europa não mudar, haverá uma revolução. O que é preciso mudar diante de tão grave cenário econômico?
MÁRIO SOARES: É mudar o modelo econômico, acabar com essas aventuras do neoliberalismo, com essas roubalheiras, com a economia virtual, com as agências de risco, que estão a descontrolar completamente a vida não só da Europa, mas do mundo inteiro. É preciso uma mudança de paradigma, uma ruptura. O que é extraordinário é que os dirigentes políticos atuais, aqueles que mandam ou que julgam que mandam, como é o caso da senhora Merkel e do senhor Sarkozy, não mandam. Quem efetivamente manda hoje são os mercados, não são os Estados. Os mercados e as agências de classificação de risco começam a dizer coisas, e as finanças mudam completamente às custas deles. Os Estados só obedecem. É absurdo que sejam os mercados a mandar. Sou a favor de uma sociedade em que haja o mercado livre, mas com regras éticas e disciplina.  
Houve então uma distorção dos princípios da União Europeia?
SOARES: Houve uma total distorção e não só na União Europeia como em toda parte. Mesmo na ONU. Quando aparece uma série de organizações, como G-7, G-8 e o G qualquer coisa, são criações para acabar e destruir com a ONU e que paralisam os fenômenos. Veja, por exemplo, os Objetivos do Milênio, que foram assinados por cerca de cem chefes de Estado. Eram as melhores metas e não se fez nada até agora. Está tudo assim, descontrolado. E não é só na Europa e por causa do euro. Tudo está em causa. Li um artigo de uma autoridade do Reino Unido já cogitando o futuro depois do euro. Por que a libra esterlina não acaba? Porque há emissões sobre emissões, assim como se faz com o dólar nos EUA. Se o Banco Central Europeu fabricasse moeda, esses problemas desapareceriam. Mas tudo está entregue aos especuladores, que só se interessam em ganhar dinheiro e fazer fortuna.
O senhor estava à frente de Portugal quando o país aderiu à União Europeia...
SOARES: Aderimos no mesmo dia que a Espanha, após oito anos de negociações difíceis. Foi um acontecimento imenso para a Península Ibérica e para a América Latina. Depois da nossa Revolução dos Cravos e da redemocratização da Espanha, após a morte de Franco, houve uma série de rupturas e mudanças em diversos países. Mas veio a queda da ideologia comunista e os americanos se acharam donos do mundo e lançaram o neoliberalismo, do qual estão sendo vítimas, como nós, europeus. Queremos agora outra revolução, uma ruptura com o neoliberalismo. Começaremos vida nova, com novo projeto de desenvolvimento.
Qual a responsabilidade dos socialistas nessa crise?
SOARES: As duas famílias ideológicas que fundaram a UE foram, de um lado, os socialistas ou social-democratas, que são a mesma coisa exceto em Portugal. E de outro, as democracias cristãs. Foram essas famílias que fizeram esse projeto europeu, que era um farol e um exemplo no mundo inteiro. Foi o projeto mais importante que se fez no mundo, um projeto de paz, de justiça social e bem-estar para as populações, respeito pelos direitos humanos e pelas democracias. Isso nos deu um grande desenvolvimento. O mundo olhava para a União Europeia como um projeto extraordinário. Não é por acaso que povos que se debateram em duas guerras cruentas no século XX tenham vivenciado mais de 50 anos em paz. É isso tudo que está em causa hoje com essas mudanças econômicas e com esses especuladores, que são verdadeiros criminosos.
Mas em que os socialistas erraram?
SOARES: Houve um socialista inglês chamado Tony Blair, que nunca foi socialista, que enganou as pessoas, mas não a mim. Ele tentou colonizar o Partido Socialista em função do que chamou de Terceira Via, que era uma ligação ao neoliberalismo. E muitos socialistas europeus prevaricaram com seus partidos, que entraram em crise e em decadência. E, por outro lado, houve quem colonizasse as democracias cristãs como partidos populares, que são outra coisa.
Como o senhor vê os governos que são liderados por tecnocratas, como Grécia e Itália?
SOARES: Da pior maneira, isso ofende a democracia, onde tudo deve ser decidido pelo voto. Não faz o menor sentido.
O que o senhor acha do governo do primeiro-ministro português, o social-democrata Pedro Passos Coelho?
SOARES: Ele é um homem sério, decente e um patriota. Mas é um neoliberal. Não é da minha família política. Não é com austeridade que se resolvem problemas como os que temos em Portugal. Temos que ter uma certa austeridade, mas não que arrase o crescimento econômico e faça subir o desemprego como está ocorrendo. Senão, daqui a um ano, teremos imposto muitos sacrifícios aos portugueses e estaremos ainda pior.
Na semana passada, o senhor liderou um manifesto criticando as medidas de austeridade em Portugal...
SOARES: Não fui contra. Num momento em que Portugal estava numa situação muito difícil e sem liquidez, fui partidário de pedir dinheiro à Europa. Mas não é justo que senhores que vêm da troika (comitê formado por FMI, do BCE e Comissão Europeia) possam governar Portugal porque temos pouco dinheiro ou estamos em dificuldade.
O senhor cogitou criar um novo movimento paralelo ao Partido Socialista, como foi especulado?
SOARES: Não, de jeito nenhum, é pura especulação. Fui um dos fundadores do PS, fui socialista durante toda a minha vida política ativa e nunca deixarei de ser. Nunca pensei em criar um movimento próprio.
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Fátima Bernardes vai para o Ministério da Pesca

William Bonner apresentou seu novo companheiro de bancada. Para evitar erros, comandará o boneco com o pé esquerdo
BOA NOITE - Exaurida com a dura rotina do Jornal Matrimonial, Fátima Bernardes revelou que recebeu bem a sondagem da presidenta Dilma Rousseff para a reforma ministerial desta semana. "Não aguento mais acompanhar, em rede nacional, o avanço da mecha branca nos cabelos de William", disse ela. "Preciso mudar de ares, trabalhar menos, ganhar mais e ter tempo para os trigêmeos. Dilma acenou com uma vaga no Ministério da Pesca e eu topei correndo! Sou chegada numa tainha".
Fátima vai apresentar um telejornal mensal com notícias direcionadas às populações ribeirinhas. Para assumir as novas funções, teve um aumento de 45% no seu salário, receberá auxílio-alisamento japonês, auxílio-tailleur e comandará uma equipe de 120 assessores. "Vamos acompanhar a fantástica saga dos salmões que migram contra a corrente, os períodos de desova, as mudanças nas correntes marinhas nos reservatórios, açudes, lagos e oceanos", garantiu. "Teremos informes ao vivo sobre os movimentos da maré".
A apresentadora afirmou que sua rotina com Bonner estava desgastada em função do trabalho: "Quando ele me dava 'boa noite', antes de dormir, eu procurava um tele-prompter para responder. Era traumático. Sem contar os pesadelos recorrentes em que Marcos Uchôa aparecia sem capacete."
A reforma ministerial poderá contar com a entrada de Agostinho Carrara no lugar de Carlos Lupi, que disse a amigos que cogita abandonar a profissão para ser assessor de si mesmo na Companhia da Notícia. O ministro do Pouco Trabalho teve sua demissão exigida pela Comissão de Ética da Presidência por ter acumulado pneuzinhos ilegalmente. Há boatos de que Susana Vieira assumirá a Secretaria da Melhor Idade e que Lucélia Santos comandará a Secretaria de Igualdade Social.
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Repórter da Globo é flagrado comemorando gol enquanto trabalhava

O repórter Eric Faria, da Rede Globo, acabou sendo traído pelas próprias câmeras e apareceu comemorando um dos gols do time vascaíno.
Confira o vídeo.
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Demanda de energia no Brasil crescerá 78% entre 2009 e 2035, diz diretora da AIE

A demanda mundial por energia aumentará em um terço entre 2010 e 2035, apesar do cenário de crise internacional, e a China continuará sendo o maior consumidor mundial, usando 70% a mais de energia do que os Estados Unidos (EUA), segundo colocado nesse ranking. Apesar de ocupar a primeira posição, a China, no que se refere ao consumo per capita, representa menos da metade do que é registrado nos EUA. Os dados fazem parte da edição 2011 do anuário World Energy Outlook, divulgado hoje (2) pela Agência Internacional de Energia (AIE).
Segundo o documento, a procura mundial por energia primária registrou um salto “notável” de 5% em 2010. Isso, de acordo com a agência, provoca “um novo pico das emissões de dióxido de carbono”. Preocupante também é o fato de as taxas de crescimento do consumo de energia na Índia, na Indonésia, no Brasil e no Oriente Médio aumentarem "a um ritmo ainda mais rápido do que o da China”.
A diretora executiva da AIE, Maria van der Hoeven, avalia que o Brasil tem avançado significativamente no conhecimento e no desenvolvimento em diferentes campos de tecnologia. “Apesar de não ser um país membro, o Brasil tem parcerias bastante positivas com nossa agência”, lembrou a diretora, citando, entre as tecnologias, a de veículos bicombustíveis.
No entanto, a diretora pondera que, no Brasil, a demanda primária de energia crescerá 78% entre 2009 e 2035. “É o segundo crescimento mais rápido, atrás apenas da Índia”, enfatiza. Segundo a diretora, está previsto também, para o país, um aumento “considerável” do consumo de gás. Essa tendência teve início em 2010.
No contexto mundial, Maria van der Hoeven demonstrou preocupação com os recordes que têm sido batido nas emissões de gás carbônico. “A energia global crescerá um terço entre 2010 e 2035, sendo a China e a Índia responsáveis por metade disso”
A era dos combustíveis fósseis está longe de ter acabado, mas a sua predominância tende a declinar. O anuário aponta que os subsídios que estimulam “o consumo excessivo” de combustíveis fósseis subiram para mais de US$ 400 bilhões. “Enquanto os subsídios destinados a energias renováveis foram US$ 66 bilhões em 2010, os destinados a combustíveis fosseis foram US$ 409 bilhões. Precisamos aumentar esses investimentos em US$ 250 bilhões até 2035 para tornar as renováveis competitivas.”
Apesar disso, a percentagem de combustíveis fósseis no consumo global de energia primária registrou uma ligeira queda, passando de 81% em 2010 para 75% em 2035. O estudo sugere que o gás natural será o único combustível fóssil cuja percentagem aumentará, no combinado energético global, até 2035.
No setor de eletricidade, as tecnologias das energias renováveis, lideradas pelas energias hidroelétrica e eólica, constituem metade da nova capacidade instalada para responder à procura crescente. A porcentagem de fontes de energia renováveis não hidroelétricas na geração de eletricidade subirá de 3%, em 2009, para 15% em 2035, "mas necessariamente apoiadas em subsídios".
“Os investimentos em geração de energia que terão maior crescimento serão destinados à solar e eólica. Os 60% dos investimentos [nessa área] corresponderão a 30% da geração adicional. Apesar do custo elevado, acredita-se que os benefícios serão duradouros em matéria de segurança energética e proteção do meio ambiente”, disse a diretora da AIE.
“Mas esse tipo de energia levará tempo para se tornar comercialmente viável, a ponto de entrar significativamente no mercado a médio prazo”, completou.
Pedro Peduzzi
No Agência Brasil
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Diploma de jornalista é idiotice

Como definir o jornalista? “Qualquer um que fizer jornalismo”, responde o escocês Andrew Marr no seu livro My Trade (Pan Books, 2005, 300 págs). Jornalista de mão cheia, ex-editor do diário The Independent e da Economist, Marr diz quem são as pessoas mais propensas a mergulhar no jornalismo: “bêbados, disléxicos e algumas das pessoas menos confiáveis e mais perversas da Terra”.
Mas há consolo no livro de Marr, consagrado à história do jornalismo britânico. “Tirando o crime organizado, o jornalismo é a mais poderosa e agradável antiprofissão”.
'Diploma de jornalismo é idiotice'.
Marr, de 51 anos, causaria um grande alvoroço no Senado brasileiro. Por dois motivos. Primeiro, porque sua ironia seria levada a sério pela maioria dos senadores. Em segundo lugar, Marr formou-se em Letras.
E aí mora o problema.
Marr, iconoclastia à parte, não seria considerado um jornalista pelos senadores brasileiros pelo fato de não ter estudado jornalismo.
O Senado acaba de aprovar uma proposta de emenda constitucional para tornar obrigatório o diploma de nível superior para o exercício do jornalismo. Haverá outra votação no Senado. Se a emenda for aprovada será analisada pelos deputados.
Claro, o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubará a medida (se aprovada pelos deputados). Em junho de 2009, vale recapitular, o STF acabou com a exigência do diploma para jornalistas. A norma era incompatível com o princípio de liberdade de expressão.
Mas o senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), autor da proposta, não concorda com o STF. “Todas as profissões têm o seu diploma reconhecido, menos o diploma de jornalista, o que é uma incoerência, uma distorção na legislação brasileira”, declarou.
E senadores, precisam de diploma? Nenhum.
Basta ter nacionalidade brasileira e mais de 35 anos de idade. Na França qualquer deputado graduou-se no mínimo em ciências políticas. E isso fica claro nos discursos na Assembleia Nacional e no Senado. Lá fala-se em ideologia partidária, entre outros temas aqui ignorados.
E aqui aproveito para fazer uma sugestão: já que jornalistas precisam, segundo os senadores, de diploma, por que não aplicar a mesma proposta para os senadores brasileiros? Os debates, quiçá, se tornariam mais fecundos.
Certo é que, de forma geral, os colegas formados por universidades de jornalismo a pipocar Brasil afora, quase todos a trabalhar para a mídia ultraconservadora, não têm contribuído para melhorar o nível da mídia.
Os grandes diários brasileiros, com colegas com canudo de jornalista ou não, são ilegíveis. Por exemplo, um dos destaques da Folha de São Paulo na quinta-feira 1º é que a apresentadora Fátima Bernardes “deve deixar a bancada do ‘Jornal Nacional’”. Ela estaria “cansada”.
Eis a questão: o nível das escolas de jornalismo é baixo, ou seriam os patrões que limitam o trabalho de apuração dos repórteres – e principalmente dos colunistas? Seriam as duas coisas? Como dizia o grande jornalista italiano Enzo Biagi (outro que não tinha diploma de jornalista): “Meus únicos patrões sempre foram meus leitores”.
Nos Estados Unidos e na Europa o canudo de jornalista não é necessário para exercer a profissão. Basta um diploma, isto é, uma especialização. Lá é comum estudantes com ambições jornalísticas trabalharem nos jornais das universidades enquanto se formam em história, ciências políticas, economia, etc. Na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, por exemplo, alunos de diferentes departamentos trabalham no excelente diário Daily Bruin, distribuído gratuitamente no campus e nos bairros em torno de Westwood, onde fica a UCLA.
Na França e no Reino Unido ninguém precisa de diploma de jornalista para trabalhar na mídia. Marr, que especializou-se em literatura inglesa em Cambridge, oferece: “Tudo que o jornalista precisa é ser curioso e saber farejar uma boa história. E mesmo dominando a gramática, só se aprende a escrever escrevendo”.
Vale acrescentar: o jornalismo se aprende indo à rua. “É preciso tirar a bunda da cadeira”, martelava Reali Jr.
O repórter tem de continuar a praticar esse método inclusive para entender o que escreve. Precisa usar os fatos com honestidade, mas ao mesmo tempo tem de entender que o jornalismo tem seus limites, não é uma ciência. Ah, e sempre que possível o senso de humor ajuda. O diploma de jornalista só serve para enfeitar parede.
Gianni Carta
No CartaCapital
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Charge online - Bessinha - # 918

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Vá para a segunda!

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Reflexões sobre um fumódromo

Desde que as autoridades se convenceram de que o tabaco faz muito mal à saúde os fumódromos tornaram-se um dos ambientes típicos de nossa época. Já que não era permitido fumar no interior de bares nem nos restaurantes, muitos menos no trabalho nem nas escolas, era preciso encontrar um local onde os dependentes de nicotina pudessem satisfazer-se. Com os fumódromos, evita-se cenas desagradáveis entre fumantes e não fumantes.
Para os não-fumantes, o fumódromo tem a utilidade de manter longe de seu organismo aquelas substâncias indesejáveis, que podem comprometer sua saúde. Para os fumantes, assegura o exercício de um direito – a nicotina não é uma substancia proibida, afinal de contas – sem obrigá-los a enfrentar a irritação de boa parte dos não-fumantes, que costumam tratá-los ora como pessoas egoístas, que não tem consideração pelo bem-estar dos outros, ora como pessoas de caráter fraco, porque incapazes de largar um costume que todos sabem que é prejudicial à própria saúde.
Os fumódromos evoluíram ao longo do tempo. No início, quando sequer tinham esse nome, havia áreas reservadas para fumantes em locais públicos – inclusive aviões. Mais tarde, o cigarro foi proibido em determinados ambientes – como os aviões – e autorizados em locais demarcados. Em muitas empresas, era comum manter-se uma sala – onde havia até uma máquina de café, às vezes – para os fumantes. Em sua versão mais recente, muitos fumódromos são um não-lugar, digamos assim.
Você não pode fumar em nenhum ambiente fechado nem nas áreas onde pode encontrar os não-fumantes. Mas é autorizado a ir para a calçada acender seu cigarro. E aqui temos uma situação interessante, que ajuda a entender nosso assunto.
Nossa visão sobre o cigarro transformou o fumante numa espécie de paciente de uma moléstia incurável.
Essa visão, com certeza, pode prejudicá-lo em sua vida profissional e até lhe dar uma condição de personagem repugnante. Quem nunca ouviu uma pessoa queixar-se daquele cidadão que “vive cheirando a cigarro?”
Em compensação, o fumódromo dá ao fumante um direito exclusivo. Ele pode sair do local de trabalho e passar alguns minutos em conversas relaxadas, onde pode escolher o assunto, não precisa dar satisfação aos demais nem submeter-se à rotina hierarquizada de toda empresa. Pode trocar idéias, fazer fofocas e até flertar. Pode fazer isso várias vezes ao dia, até o limite em que seu pulmão aguentar e seus superiores não considerarem um abuso. Minhas conversas com frequentadores de fumódromo revelam como isso é importante para eles.
Passei vários dias em entrevistas com frequentadores de um fumódromo instalado numa empresa de São Paulo. Com 500 funcionários e perto de 50 fumantes, ela possui um fumódromo com bancos para as pessoas conversarem à vontade. A circulação de ar é boa e, salvo nos dias de chuva, ali é um bom lugar para se conveersar.
O aspecto mais curioso deste fumódromo, porém, não reside em sua infraestrutura. São as relações entre as pessoas. Ir ao fumódromo tornou-se uma pausa agradável na rotina de pressão e cobrança de funcionários. Ali as pessoas podem conversar com relativa liberdade, falar co menos receio e até receber notícias de colegas que não encontram há muito tempo. Em toda parte o desprestígio do cigarro e as preocupações com a sauda permitiram que as empresas controlem quem é fumante e quem não é. Essa situação fez diminuir o número de fumantes entre as pessoas que ocupam postos de chefia, já que o ato de não-fumar conta, perceptivelmente, com um ponto positivo na vida profissional. Por essa característica demográfica, digamos assim, há poucos chefes no fumódromo — o que só contribui para um clima de maior relaxamento e liberalidade.
Em dias diferentes, entrevistei dez frequentadores deste fumódromo. Um dos mais assíduos é Luís Antonio, 60 anos. Ele experimentou o primeiro cigarro quando começou trabalhar, há 40 anos, e não largou mais. É um dos frequentadores mais presentes ao local. Está sempre por lá, me dizem — coisa que pude confirmar pessoalmente. Luis Antonio me diz que “pensa melhor” quando está ali.
Assim, quando tem alguma dúvida relacionada ao trabalho, precisa tomar uma decisão ou necessita uma idéia nova, vai até o fumódromo, dá umas tragadas e em geral a solução logo aparece, me diz.
Mas não é só isso. Ele diz que toda empresa “é divida em tribos que não se misturam. No fumódromo, as pessoas se aproximam.”
Como ocorre com muitos fumantes, há um temor profundo e oculto em relação aos males que o cigarro provoca. Pergunto a Luiz Antonio quantos cigarros ele fuma por dia. Em vez de responder, ele me explica que fuma uma marca que contém 1 miligrama de nicotina. “Os fumantes detestam esse cigarro. Acham vergonhoso. Nem parece que é cigarro de verdade, porque tem pouca nicotina. O cigarro normal tem até dez vezes mais.” O fato de usar o cigarro como instrumento de trabalho tem outras implicações. Faz com que a presença de Luiz Antonio no local seja diferenciada por outra razão. Muitas vezes ele fica no local sózinho, perdido em reflexões interiores. A maioria forma rodinhas, conversa, conta piadas.
Nelson, com 26 anos, começou a fumar quando chegou à empresa, em 2005. Ele trabalhava no help-desk, atendendo funcionários, numa epoca em que os serviços de informática começavam a ser ampliados e renovados. Havia muitos problemas, muitos chamados no seu ramal e nem sempre havia meios de dar respostas com os prazos que se esperava nem com a eficiencia que se cobrava. Quem já acompanhou este tipo de atividade sabe como é fácil uma consulta banal se transformar numa troca de palavras tensas e até termos ofensivos, gerando rupturas e mágoas dolorosas.
“Eu passava dez horas por dia, direto, sem descansar. Às vezes, não tinha pausa nenhuma. Era muita pressão.” O não-fumante Nelson começou a frequentar o fumódromo – na época, ainda um ambiente fechado com café e água – em busca de alívio, companhia e conversa. “Eu também queria aquela pausa de alguns minutos,” diz. Ocorreu então, uma cena curiosa, conta. “A minha chefe sabia que eu não fumava e ficava me questionando. Ela dizia: ‘vai trabalhar. Esse lugar é para quem fuma.’”
Sem fumantes em casa – seu pai largou o cigarro há 13 anos – Nelson diz que foi assim que começou a fumar. Seus maços de cigarro duram uma semana, pois fuma apenas três por dia. Um ao chegar na empresa, de manhã. O outro depois do almoço e o último na hora de ir embora. Não leva o maço para casa. “Minha mulher reclama. Não queria que eu fumasse.”
Com 30 anos, Maria Joana nasceu numa família de fumantes mas só tornou-se viciada” aos 18. Consome entre dez e quinze cigarros por dia, o que faz dela uma presença relativamente frequente no fumódromo. Estava em seu emprego anterior, numa escola, quando a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária proibiu o fumo em locais fechados. Acha que foi uma boa idéia: “A gente ficava cheirando como se tivesse fumado um charuto, com a roupa toda impregnada.”
Robert, 24 anos, conheceu sua atual namorada num fumódromo — de balada. Ele se diverte ao lembrar que quando tinha um chefe que era fumante, a equipe fazia reuniões de trabalho no fumódromo “com todo mundo fumando.”
Hoje não é mais assim. O fumódromo virou uma área de lazer e descanso e não de trabalho. “Aqui você não vê ninguém estressado.” Apontando para um morro não muito distante, Robert ironiza: “até a favela fica mais bonita.” Numa conversa recente no fumódromo, discutiu-se a vantagem de começar a usar um cigarro elétrico, que solta uma fumaça a base de vapor de água. “Ele não incomoda ninguém e é autorizado até em avião, ” diz Robert. “Mas tem bateria e ela pode fazer mal.”
Com 44 anos de idade, João, que trabalha há 20 na empresa, nunca fumou nem teve vontade de fumar.
Mas não deixa de ir ao fumódromo, ao menos uma vez por dia. Ele se queixa que, no local de trabalho, há uma tensão permanente em torno do ar condicionado, forte demais para uns, fraco demais para outros. Outro elemento desagradável é que, com as janelas fechadas, as pessoas ficam com a sensação de que estão aprisionadas, enquanto que, ao ar livre, tem uma sensação inversa. “No fumódromo não se fala de trabalho.”
Fala-se de trabalho, mas de outro jeito. Conheci de longe o fumódromo de outra empresa. Com funcionários mais velhos, o número de fumantes era considerável. Eles costumavam reunir-se todos os dias, num horário mais ou menos estabelecido, para fumar – e conversar sobre as tarefas do momento. O fato de se encontrarem na
empresa, mas num ambiente que não era de trabalho, contribuia para que ficassem menos inibidos.
Acumpliciada pelo cigarro, a conversa fluia com mais naturalidade e menos hierarquia. Parecia mais um diálogo entre amigos do que um encontro profissional, com todas as implicações aí envolvidas. Não havia o temor de dizer uma besteira e ouvir uma bronca. Mesmos os mais velhos e experientes reprimiam a tendencia quase natural de mostrar mais conhecimento, o que seria uma tremenda falta de educação.
Afinal, era um encontro de fumantes e não de funcionários, embora todos ali fossem as duas coisas. Conta um dos fumantes, Ricardo, 58 anos: “Mais tarde, havia uma dessas reuniões de departamento, onde se fechavam projetos de trabalho. Eu começava dizendo assim: ‘o pessoal do fumódromo conversou e acha
isso e aquilo…’ E era verdade.” Com todas as vantagens que proporciona, o fumódromo não é nem poderia ser utopico aquário de bem-estar. Permite momentos fugidios, ainda que agradáveis, mas não altera normas nem regras de
funcionamento de uma empresa como as demais, onde todos tem tarefas a cumprir. Tereza, de 25 anos, conta que não consegue ir ao fumódromo como gostaria. “Venho aqui nos intervalos, quando sei que não vão precisar de mim. Mas volto rápido. Muitas vezes, quando a pessoa levanta para vir até aqui, o chefe pergunta: ‘de novo? Quando você volta?’” Ela observa que é possível receber um recado de trabalho disfarçado de preocupação com a saúde do funcionário: “Tem chefe que fala assim: você está fumando demais… Muitas vezes ele quer dizer outra coisa.”
Paulo Moreira Leite
No Vamos combinar...
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Nota de pesar de Lula pela morte de Sócrates

O 
  Doutor Sócrates foi um craque no campo e um grande amigo. Foi um exemplo de cidadania, inteligência e consciência política, além de seu imenso talento como profissional do futebol.
  A contribuição generosa de Sócrates para o Corinthians, para o futebol e para a sociedade brasileira jamais será esquecida. Neste momento de tristeza, prestamos solidariedade a esposa, familiares e amigos do Doutor.

Luiz Inácio Lula da Silva, Marisa Letícia e familiares
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As bobagens de FHC

FHC: "Vida de rico é muito chata"  
(Foto: Renato Araújo/ABr)
A frase "Não vamos prometer o que não dá para fazer. Não é para transformar todo mundo em rico. Nem sei se vale a pena, porque a vida de rico, em geral, é muito chata" foi escolhida como uma das maiores bobagens ditas em todos os tempos por um político pelos autores do "Book of All-Time Stupidest: Top 10 Lists", Ross e Kathryn Petras.
A autoria é do nosso FHC, o presidente que quebrou o Brasil três vezes e que hoje gasta seu tempo tentando provar que não fez o que fez e que não disse o que disse - a ele é atribuída também o "Esqueçam tudo o que eu escrevi", que ele jura nunca ter proferido.
Ross e Katthryn Petras fizeram, porém, uma pesquisa incompleta. Pelo menos no caso do nosso ex-presidente, o imortal "Príncipe dos Sociólogos". Se tivessem demorado mais no Google certamente encontrariam pelo menos umas dezenas de outras frases exemplares de FHC, verdadeiras joias do bestialógico nacional.
Algumas delas, poucas num universo bem mais amplo, vão a seguir:
"Não existe esse fenômeno de gente morrendo de fome no Brasil."
(2002, comentando a situação social do país.)
"Vamos vencer, vença quem vencer." 
(2002, mostrando tranqüilidade diante de qualquer resultado na eleição presidencial.)
"Logo que eu iniciei o governo, eu disse que era fácil governar o Brasil. Talvez tivesse que refazer o que disse. Não dá mais para viver em um país tropical."
(2002, gripado, ao receber o presidente do Timor Leste.)
"Quero dar as boas-vindas ao povo chileno." 
(1996, falando como anfitrião ao desembarcar no Chile, na qualidade de convidado)
"São uns ignorantes".
(1998, irritado com os críticos de sua aula inaugural na faculdade do Hospital Sarah Kubitschek.)
"São vagabundos".
(1998, sobre os brasileiros que se aposentam com menos de 50 anos.)
"Eu sempre gosto de elogios."
(1998, sobre a declaração de Fidel Castro, que o chamou de audaz e inteligente.)
"Não fui eleito para ser o gerente da crise." 
(1999, no discurso de posse do segundo mandato.)
"O Rio é uma maravilha. Falam em crise e esse pessoal todo na praia!"
(1999, para o governador Anthony Garotinho, sobrevoando a Praia de Copacabana.)
"Essa obsessão de parar de trabalhar a uma certa idade vai criar problemas na Previdência, que já são desagradáveis por causa do aspecto financeiro."
(1999, sobre a aposentadoria.)
"Me sinto coroado o rei da Eslováquia."
(2001, colocando o chapéu e empunhando a arma de um herói popular eslovaco, presente do presidente Rudolf Schuster, em visita ao Brasil.)
"Se a pessoa não consegue produzir, coitada, vai ser professor."
(2001, sobre a angústia dos pesquisadores bolsistas.)
"Tem muito pobre. Não tem outra conclusão, tem muito pobre." 
(2002, reconhecendo que, apesar dos avanços na área social, ainda há muito o que fazer.)
E, por fim, uma impressionante coletânea da matéria que a revista Piauí fez com ele em 2009:
"Essa coisa de ser brasileiro é quase uma obrigação."
"Como eu ia dizendo, é bom ser brasileiro: ninguém dá bola."
"Que ninguém se engane: o Brasil é isso mesmo que está aí. A saúde melhorou, a educação melhorou e aos poucos a infraestrutura se acertará. Mas não vai haver nenhum espetáculo de crescimento, nada que se compare à China ou à Índia. Continuaremos nessa falta de entusiasmo, nesse desânimo."
"Quais são as instituições que dão coesão à sociedade? Família, religião, partido, escola. No Brasil, tudo isso fracassou."
"No meu governo universalizamos o acesso à escola, mas para quê? O que se ensina ali é um desastre."
"A parada de 7 de setembro é uma palhaçada."
"Parada militar no Brasil é pobre pra burro. Brasileiro não sabe marchar. Eles sambam … A cada bandeira de regimento a gente tinha que levantar, era um senta levanta infindável. Em setembro venta muito em Brasília e o cabelo fica ao contrário."
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O livro novo de Eduardo Galeano: Os filhos dos dias

Galeano precisou de quatro ou cinco anos e de exatas 42.754 palavras para fechar os 366 textos de seu novo trabalho, um para cada dia do ano. Diz que é uma versão pessoal, dele, do gênese segundo os maias. E diz que se somos filhos dos dias, de cada dia nasce uma história que vale a pena ser contada. "Os filhos dos dias" é, revela seu autor, primo-irmão de seu livro anterior "Espelhos" . O novo livro só chegará ao público em março do ano que vem.
Na casa do bairro de Malvin, em Montevidéu, há um certo alívio e uma certa expectativa. Alívio, porque o morador terminou há poucos dias um trabalho que consumiu os últimos quatro ou cinco anos de sua vida. Expectativa, porque o resultado desse trabalho só chegará ao público daqui a alguns meses, em março do ano que vem.
O morador se chama Eduardo Galeano e o trabalho que chegará ao público é um livro que se chama ‘Os filhos dos dias’. Galeano precisou desses anos e de exatas 42.754 palavras para fechar os 366 textos de seu novo trabalho, um para cada dia do ano. Diz que é uma versão pessoal, dele, do gênese segundo os maias. E diz que se somos filhos dos dias, de cada dia nasce uma história que vale a pena ser contada.
Os filhos dos dias’ é, revela seu autor, primo-irmão de seu livro anterior, ‘Espejos’, um êxito olímpico em castelhano (estacionou e permaneceu por meses no topo da lista dos mais vendidos na Argentina, por exemplo, antes de ser traduzido para dez idiomas), lançado no Brasil pela L&PM. E explica: é primo-irmão porque começou a ser escrito enquanto ele ainda trabalhava em ‘Espejos’.
Cada um dos 366 textos de ‘Os filhos dos dias’ foi escrito várias vezes. Aliás, cada texto de Galeano é escrito um sem-fim de vezes. E nascem ao léu, em qualquer lugar e circunstância. Onde quer que vá pela vida, ele carrega sempre umas cadernetinhas minúsculas, que chama de ‘mi libretita enana’, e é nessa cardernetinha anã que vai anotando palavras. Na maior parte das vezes, em sua casa ampla, cálida, de paredes brancas e jardins bem cuidados. Mas também na mesa do café Brasileiro, em Montevidéu, que funciona como uma espécie de escritório, onde trabalha, dá entrevistas, recebe visitas ou simplesmente fica vendo a vida. E também em aviões e trens, em suas longas, infinitas caminhadas diárias pela orla de Montevidéu, as ramblas à beira do rio da Prata que eles chamam de mar.
Fazer e refazer, lapidar cada texto, cada palavra, é parte de seu método de trabalho há muitos anos. Mais exatamente a partir da formidável trilogia ‘Memória do Fogo’ (Os Nascimentos, As Caras e as Máscaras, e O Século do Vento), iniciada em 1982, onde ele adotou a forma dos textos curtos, secos, extremamente condensados. Como quem busca nas palavras, mais que o osso, a própria medula. O cerne. Aprendeu de um mestre de todos nós, Juan Rulfo, que escrever é reescrever, e que reescrever é cortar palavras, até chegar à sua essência.
Assim é o registro, por exemplo, do 8 de abril de 1973, dia da morte de Picasso:
O homem que nasceu muitas vezes
Morreu hoje, em 1973, Pablo Diego Francisco José de Paula Juan Nepomuceno María de los Remedios Cipriano de la Santísima Trinidad Ruiz Picasso, mais conhecido como Pablo Picasso.
Tinha nascido em 1881. E se vê que gostou de nascer, porque continuou nascendo.
O dia 7 de maio de 1954 é dedicado a outro personagem essencial de nossos tempos:
Os estraga-prazeres
Em 1954, os rebeldes vietnamitas propiciaram uma tremenda sova aos militares franceses em seu invulnerável quartel de Dien Bien Phu. E após um século de conquistas coloniais, a gloriosa França teve de sumir correndo do Vietnã.
Depois, foi a vez dos Estados Unidos. Nem vendo dava para crer: a primeira potência do mundo e de todo o espaço sideral também sofreu a humilhação da derrota nesse país minúsculo, mal armado, povoado por pouca gente e por gente pobre.
Um camponês, de lento caminhar, de palavras escassas, encabeçou essas duas façanhas.
Ele se chamava Ho Chi Minh, era chamado de Tio Ho.
Tio Ho se parecia pouco aos chefes de outras revoluções.
Em certa ocasião, um militante voltou de uma aldeia, e informou a ele que não havia maneira de organizar aquela gente.
– São uns budistas atrasados, que passam o dia inteiro meditando.
– Pois volte lá e medite – mandou Tio Ho.
Para contar a história de cada dia Galeano vasculhou livros, arquivos, registros. Mas diz que não tem nenhum método de investigação e pesquisa, e, aliás, nenhum método de vida. Diz que as histórias vão atrás dele, dão um tapinha em suas costas, e dizem: “Me conte, me conte que eu valho a pena”.
E que assim vai contando as histórias dos tempos e das gentes, construindo sua gênese de todos nós, em textos curtos, densos, carregados de vida e emoção, e que valem a pena, e como.
Eric Nepomuceno
No Carta Maior
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Acessibilidade

Parece trivial para quem anda sobre pernas, mas o direito de acesso às calçadas, ruas, estabelecimentos, transportes, entre outros, vem sido solenemente negado a alguns dos nossos contribuintes. Cidadãos sobre rodas, para os quais o cotidiano é um esporte radical:

No Treta
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Apelidos

Minha tese é a seguinte: o que falta para qualquer relacionamento dar certo é o apelido. O homem e a mulher — ou o homem e o homem e a mulher e a mulher, ninguém aqui tem preconceito — devem providenciar apelidos um para o outro assim que o relacionamento der sinais de que vai ser sério. Não valem apelidos já existentes, de infância. Os dois devem se dar apelidos novos, só deles. Pichuchinha. Gongonzongo. Não importa que sejam ridículos.
O apelido é uma forma de você tomar posse de outra pessoa. Dos dois anularem suas identidades anteriores e assumirem outras, só deles. Por isso a troca de apelidos entre namorados deveria ter a solenidade de um batizado, sem padre nem testemunhas. Deveria ser um sacramento secreto, um ritual particular de apropriação mútua, para toda a vida. Uma união só é indissolúvel com apelidos. O único amor verdadeiro é o amor com apelido.
— Sei não. Romeu e Julieta...
— Não tiveram tempo de ser "Ro" e "Juju".
— O Duque e a Duquesa de Windsor?
— "Bobsky" e "Bubsky." Li em algum lugar.
O importante é não esperar para se darem apelidos. Achar que com o tempo os apelidos virão. É um erro pensar que uma união feliz produz apelidos carinhosos. É o contrário: apelidos carinhosos produzem uniões felizes.
Claro, há sempre o perigo de um apelido entre casais ser usado para chantagem. Um homem chamado de "Tiquinho" em segredo pela mulher jamais se separará dela com medo que ela espalhe o apelido e explique sua origem.
E há casos pungentes.
— Bem, posso lhe pedir um favor?
— Qual é?
— Em vez de "Chururuca"...
— Sim?
— Pode ser "Morenão"?
— "Morenão"?!
— Ninguém vai ficar sabendo.
— Mas você nem moreno é!
— Eu sei. Mas eu prefiro "Morenão".
— Tá bem.
Ela passaria a chamá-lo de "Morenão" quando estivessem sozinhos. Mas com uma ressalva:
— Sem efeito retroativo.
Luís Fernando Veríssimo
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Sócrates Brasileiro Sampaio de Sousa Vieira de Oliveira

* 1954 + 2011
Valeu, doutor
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Tecnologia tipo exportação

Outra quadrilha que devia recursos do Detran é desmantelada. Foto: Alex Regis/AE
Prisioneiro de um antigo revezamento administrativo entre duas famílias, os Maia e os Alves, ao longo de mais de quatro décadas, o Rio Grande do Norte foi sacudido por um terremoto político com potencial ainda não totalmente dimensionado, graças à ação de seis jovens promotores de Justiça, todos na faixa dos 30 anos. O grupo reuniu os elementos que permitiram a Operação Sinal Fechado em 24 de novembro.
A ação desbaratou um esquema milionário de fraudes a partir de contratos no Detran local e resultou na prisão de políticos, empresários e lobistas, além de revelar conexões criminosas com outros estados como Paraíba, Alagoas, Minas Gerais e São Paulo. Ficou evidente mais uma vez a maneira com que a oligarquia estadual se servia do Erário e dividia o dinheiro roubado por meio de propinas e mesadas.
O jovem Olimpio seria
o cabeça do grupo.
Foto: Junior Santos/Tribuna do Norte
Os promotores investigaram por nove meses uma quadrilha de 25 suspeitos liderada desde 2008 pelo advogado George Olímpio. Entre os dez presos está o ex-deputado e ex-senador João Faustino Neto, atual suplente do senador José Agripino Maia (DEM-RN).- Apontado como um dos principais articuladores do esquema criminoso no estado, Faustino foi subchefe da Casa Civil do governo de São Paulo durante a gestão do tucano José Serra. Era subordinado ao então chefe da Casa Civil, o atual senador Aloysio Nunes Ferreira. “João Faustino é um homem corretíssimo, duvido que ele faça parte de um esquema criminoso”, afirma Ferreira. O senador diz ter contratado Faustino, de quem se declara “grande amigo”, como assessor parlamentar. Enquanto atuou no governo de São Paulo, garante o parlamentar tucano, Faustino jamais cometeu qualquer deslize ético.
Faustino Neto teria a função
de barrar concorrentes.
Foto: Junior Santos/Tribuna do Norte
O imbróglio resvala em dois graúdos da política local, os ex-governadores Wilma Faria e Iberê Ferreira de Souza, ambos do PSB. Lauro Maia, filho de Wilma com outro ex-governador, Lavoisier Maia, é acusado de receber propinas e uma mesada de 10 mil reais para facilitar a vida da quadrilha do Detran. Ele já havia sido preso em flagrante em 2008, quando recebia suborno de prestadores de serviço do governo estadual. Por essa razão responde a um processo na Justiça Federal. Para evitar que a operação fosse vazada ou boicotada pelo governo, os promotores conseguiram autorização da Justiça para usar agentes da Polícia Militar, e não da Polícia Civil, mais vulnerável às pressões dos políticos locais.
A investigação do MP do Rio Grande do Norte teve como alvo a atuação do Consórcio Inspar, montado por empresários locais com ramificações políticas e imbuídos do intuito de dominar o serviço de inspeção veicular no estado por 20 anos. A quadrilha potiguar pretendia faturar cerca de 1 bilhão de reais. Para botar a mão nessa dinheirama, foi necessário, porém, montar um monumental esquema de corrupção e distribuição de propinas que envolveu todas as esferas de poder do estado, além de um time de lobistas escalado para importar -modelos de outros estados e impedir a vinda de empresas concorrentes capazes de melar a licitação fraudulenta montada em Natal.
É nesse quadro que se insere Faustino e o lobista paulista Alcides Fernando Barbosa. Segundo a investigação dos promotores, Faustino atuou tanto em São Paulo como nos governos de Wilma Faria, de Iberê de Souza (vice que assumiu o governo, entre maio e dezembro de 2010, quando Wilma tentou, sem sucesso, a reeleição), e no atual, de Rosalba Ciarlini (DEM), cuja participação no esquema ainda está para ser demarcada pelo MP.
Wilma Faria entrou no rol de suspeitos por ter, na função de governadora, facilitado a vida da quadrilha instalada a partir do Detran do Rio Grande do Norte. Foi ela quem enviou, em 2009, o projeto de lei que, uma vez aprovado, garantiu o suporte legal para a criação do Consórcio Inspar e em seguida a montagem da central de corrupção e pagamentos de subornos dentro do governo. O texto da legislação foi elaborado por integrantes da quadrilha, segundo e-mails interceptados pela Justiça. Souza, vice de Wilma e depois governador, é acusado de ter recebido 1 milhão de reais de Olímpio para garantir os negócios da quadrilha.
Barbosa foi chamado, segundo o MP, por ter se especializado em obter contratos fraudulentos com o poder público, sobretudo no estado de São Paulo. Indicação pessoal de Faustino, Barbosa colocou na roda o nome do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e a empresa Controlar, responsável pelo serviço de inspeção veicular na capital paulista, em convênio com o Detran local.
O papel do lobista era evitar que a Controlar participasse da licitação que resultou na escolha do Consórcio Inspar. Em conversas telefônicas interceptadas com autorização da Justiça potiguar, Barbosa revela a integrantes da quadrilha ter ligado para Kassab, em 25 de maio deste ano, quando se identificou como responsável pela concessão da inspeção veicular no Rio Grande do Norte. Aos interlocutores, o lobista garantiu ter falado com o prefeito de São Paulo e conseguido evitar a entrada da Controlar na concorrência aberta pelo Detran local. Em um dos telefonemas, afirma ter tido uma conversa “muito boa”. Embora não se saiba o que isso significa exatamente, os promotores desconfiam das razões desse êxito. Apenas em propinas, o MP calcula que a quadrilha gastou nos últimos dois anos, cerca de 3,5 milhões de reais.
Coincidência ou não, Kassab viu-se envolvido em uma investigação do Ministério Público de São Paulo. O MP pediu, e obteve da Justiça, o bloqueio de bens do prefeito. Os promotores paulistas descobriram que Kassab pagou 1,5 milhão de reais por um convênio que permitiu à Controlar o acesso ilegal a dados sigilosos de milhões de motoristas da capital. Os pagamentos foram -bancados pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, comandada pelo ex-petista Eduardo Jorge, entre dezembro de 2009 e outubro de 2010. Foram feitos em três parcelas à Prodam, empresa de tecnologia da informação do município. Kassab alega que o convênio é legal e, em breve, será renovado. Segundo o Detran, a prefeitura teria transferido os dados irregularmente à Controlar.
Serra empregou Faustino Neto. Wilma Faria assinou uma portaria que criou a fonte de receita do grupo.
Foto: Aldair Dantas/Tribuna do Norte
No Brasil, a obrigatoriedade da inspeção veicular foi imposta pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) em novembro de 2009 sob a justificativa de apontar o índice de emissão de gases poluentes pela frota de veículos- das cidades brasileiras. A ideia era usar esses dados para criar programas de controle de poluição. Na prática, abriu-se mais uma brecha para, via contratos terceirizados, alimentar esquemas milionários de arrecadação e corrupção. Inicialmente, a inspeção deveria ser implantada somente em estados cujas capitais possuíssem uma frota superior a 3 milhões de veículos. Ou seja, Rio de Janeiro e São Paulo.
Em março de 2010, no governo de Wilma Faria, houve a confirmação de que a inspeção veicular seria obrigatória no Rio Grande do Norte, mesmo com uma frota inferior a 1 milhão de veículos em todo o estado. Em menos de um mês, o processo licitatório foi iniciado e concluído. O Consórcio Inspar, vencedor da concorrência, foi formado por três empresas, todas investigadas pelo Ministério Público como provedoras do esquema de corrupção e pagamentos de propinas. Uma delas é a Inspetrans, de propriedade de Edson César Silva. Outra era a GO Desenvolvimento de Negócios (sic), de George Olímpio, seguida pela Neel Brasil Tecnologia, de São Paulo, de propriedade de Carlos Alberto Zafred. Todos foram presos pela polícia potiguar.
Conhecido como “Mou”, Edson Silva teria dado 2 milhões de reais para Olímpio pagar propinas a servidores públicos envolvidos no processo de licitação. Foi ele que se articulou com o então procurador-geral do Detran do Rio Grande do Norte, Marcus Vinícius da Cunha, para garantir os atestados técnicos necessários à inscrição da Inspetrans no consórcio montado pela quadrilha. Cunha, segundo apuraram os promotores, recebia uma mesada de 10 mil reais do esquema, e recebeu uma propina de 100 mil reais de Olímpio por conta de outro convênio irregular, de 2008, entre o Instituto de Registradores de Títulos e Documentos e de Pessoas Jurídicas do Rio Grande do Norte (IRTDPJ/RN) e o Detran. Fato, aliás, apontado pelo MP como marco zero da formação da quadrilha potiguar.
Naquele ano, o então presidente do órgão, Carlos Theodorico Bezerra, sob o comando de George Olímpio, durante a gestão da governadora Wilma Faria, firmou o primeiro contrato com o -IRTDPJ/RN. Essa parceria criou uma taxa extra de até 800 reais mais cara para proprietários de veículos financiados. Esses passaram a ser obrigados, a partir de uma decisão do Conselho de Desenvolvimento do Estado (CDE), a registrar em cartório os contratos de financiamento. Detalhe importante: a ex-governadora foi quem presidiu a reunião do CDE, em 20 de maio de 2008, que aprovou a minuta do convênio fraudulento.
Dessa decisão resultou uma portaria, editada em 9 de julho do mesmo ano, que tornou obrigatório o registro desses contratos de financiamento em cartório. Até então bastava ao Detran registrar o financiamento no Certificado de Registro Veicular (CRV), sem custos adicionais ao contribuinte. O Ministério Público descobriu a fraude a partir de e-mails trocados entre Olímpio e um lobista local, Marcus Vinícius Procópio, com cópia para Edson Faustino, filho de João Faustino Neto. As mensagens, de 28 de fevereiro de 2008, foram encontradas em um dos computadores apreendidos pela polícia na Operação Sinal Fechado. Nelas os promotores descobriram que a quadrilha potiguar pretendia se espelhar em um processo similar em curso no governo de São Paulo durante a gestão de Serra.
Edson Faustino chama-se na verdade Edson José Fernandes Ferreira, mas adotou o sobrenome conhecido do pai para dispensar apresentações nas negociatas. Amigo de Olímpio, é processado pelo Ministério Público Federal no município de Governador Valadares por envolvimento em fraudes em processos de registros de contratos de financiamento de veículos- em Minas Gerais.
Ele foi uma ponte fundamental entre o grupo potiguar e a turma de lobistas que gravitavam em torno do pai no governo Serra. Para os promotores, segundo descrito nos autos da investigação, Olímpio agiu “valendo-se da vantagem de ser amigo do filho (Edson Faustino) de um agente público (João Faustino Neto) do alto escalão do governo paulista”. E registram: “O mesmo pretendia reproduzir a ‘brilhante ideia’ do registro dos contratos, que já estava em curso no estado do RN, também em São Paulo”.
O tal IRTDPJ/RN era formalmente presidido por Marluce Olímpio Freire, tia de Olímpio, tabeliã do 2º Ofício de Notas de Natal, o único do gênero na capital. Mas era o sobrinho quem comandava de fato o instituto. Juntamente com o então presidente do Detran, Carlos Theodorico Bezerra, e o procurador-geral do órgão, Marcus Vinícius da Cunha, ele montou as bases legais para o convênio que entre agosto de 2008 e dezembro de 2010 gerou um faturamento de mais de 1 milhão de reais, e deu as bases para a construção do esquema que iria gerar o consórcio Inspar.
Leandro Fortes
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